Rococó
No seculo XVIII, Grança representava o centro de novas ideias, de propostas estéticas e de um
gosto requintado associados aos salões e ao pensamento iluminista
É neste contexto que surge o rococó. Uma designação depreciativa atribuída pelo gosto
neoclássico que prevalecerá, posteriormente na europa.
O rococó foi visto, pelos defensores do neoclassicismo. Uma expressão artística menor com
funções decorativas que reproduziam rochas, conchas, motivos vegetalistas...
Aparentemente associado á estética do barroco, apresenta como características:
Uma rutura com a ordem, a simetria do classicismo e com o exagero e a complexidade
do barroco
Surgiu no seio de uma aristocracia culta e requintada (que competia, no prestígio, com
a burguesia) como um estilo secular (ausência de princípios ou funções religiosas) e
uma primeira expressão de “design de interiores”
Assume uma função decorativa e ornamental dos espaços interiores (ornamentação
rocaite- significa concha), visível sobretudo na pintura, mobiliário, porcelanas,
faianças, ourivesaria
Utiliza materiais associadas á ideia de luxo e requinte como madeiras lacadas ou
douradas mármore, espelho, cristais porcelanas.
Espelha o conforto, a intimidade, o requinte, a satisfação dos ambientes aristocráticos
e das festas galantes.
Espelha a ideia de liberdade, o dinamismo e a ousadia do pensamento iluminista.
Apresenta formas dinâmicas, onduladas, graciosas, delicadas associadas a motivos
vegetalistas, zoomorfos ou orgânica- ramos, flores, conchas, rochas
Procura-se que a decoração produza efeitos fantasiosos, expressivos, evasivos,
cenográficos
Revela os caprichos, a frivolidade, os ambientes galantes de uma aristocracia;
decadente, que cultiva o prazer e o bem-estar físicos e intelectual
O rococó e a intimidade galante_ o exemplo da pintura
A pintura rococó que revestia as paredes e os tetos dos palácios aristocracias, revela:
Uma função cenográfica, associada, muitas vezes ao trompe I’oeil (“fingidos”)
O gosto pela representação de paisagens idílicos, evasivas, ilusóricas, fantasiosas.
A exaltação dos prazeres da vida e dos sentidos: o exotismo; as festas cortesas; a
sensualidade; os jogos do amor e das paixões; os prazeres; o charme; a volúpia; o
erotismo; o voyeurismo
o apego aos prazeres da vida, como se fosse o último respirar, das elites pertencentes á
decadente sociedade do antigo regime que a revolução de 1789 desestruturaria
definitivamente.
O rococó e as cortes ornamentais
Um dos traços característicos do rococó foi a valorização e a afirmação das artes
ornamentais/decorativas/aplicadas, associadas:
Ao investimento e aplicações (ex. madeiras, pedras, estuques) nas paredes/telas
A peças e objetos como candelabros, lustres, relógios, lareiras, mobiliário, cortinados,
tapeçarias, serviços de mesa, vasos, jarra...
A decoração destas peças reflete o gosto e a paixão pelo luxo de aristocracia, transformando
em “objetos galantes” onde predominam as formas e os desenhos ondulados, irregulares,
graciosos e delicados e um reportório temático onde se destacam motivos:
Antropomorfos
Zoomorfos
Vegetalistas
Orgânicos-conhas, corais, ondas, rochas...
Fantasiosos
As artes decorativas do rococó estimularam o desenvolvimento de manufaturas ligadas á
produção de mobiliário, têxteis faianças e porcelana
Na porcelana o gosto pelo requinte e pelo exótico levou a que fabricas instaladas na Inglaterra,
frança e Saxónia produzissem obras que trataram um estilo de vida requintado e o gosto pelo
exótico (ex. motivos decorativos de inspiração chinesa- “chinoiseries”
O rococó foi a expressão de uma cultura ornamental marcada pelo requinte, excentricidade,
artificio e elegância.
O mobiliário rococó: o estilo Luís XVI
Características formais:
Linhas curvas e rebuscadas
Linhas retorcidas e enroladas
Contornos sinuosos
Formas dinâmicas e assimétricas
Ornamentação abundante em todos os elementos e na estrutura
Materiais mais comuns:
Madeiras
Placas de porcelana, mármore
Aplicações de bronzes, dourados, tecidos
Pintura e acabamento:
Acabamento geral com verniz
Utilização de painéis lacados
Aplicação de elementos pintados e dourados
Elementos decorativos
Elementos vegetalistas, flores, folhagens, ramos, grinaldas
Conchas, rochas, onda e espuma
Embutidos
Tipologia:
Comoda e toucadores
Poltronas, cadeiras
Mesas
Secretarias
Formas graciosas, aprazíveis, agradáveis
Um estilo aristocrático frívolo, hedonista e sensual, refinado e exuberante, ao sabor Joice de
vive (alegria de viver)
O reinado de Luís XV coincidi com formas assimétricas e fantasiosas, as linhas fluidas e
curvilíneas, e a preferência por motivos aprazíveis, idílicos e sensuais.
O estilo Luís XV foi consistente com o rococó, enraizado nos prazeres da vida, no hedonismo e
na busca da felicidade que caracterizou a sociedade na época.
A dialética barroco/rococó em Portugal e Espanha
Portugal
O rococó em Portugal assumiu maior expressão na segunda metade do seculo XVIII e com
maior prevalência no Norte do país
Recebendo influências europeias e apresentando traços associados á estética barroco, o
rococó português caracteriza-se:
Por uma decoração dinâmica, graciosa, rica e expressiva associada sobretudo as
fachadas e interiores de edifícios religiosos.
Pelo uso de elementos rocaille: volutas; flores; folhas; palmas; concheados; linhas
ondulantes e sinuosas
Pelo uso de talha dourada e da azulejaria, herdadas do barroco e que dão um cunho
original ao rococó português.
Exemplo do rococó português:
Igreja de nossa senhora dos remédios- lamego
Igreja de misericórdia- Viseu
Sacristia do convento da madre de deus-lisboa
Retábulo-mor de nossa senhora do rosário-igreja de s. domingos-viana do castelo e
retábulo-mor do convento de s. Martinho de Tibães (André soares) -talha gorda
Sala do trono do palácio de Queluz (jean Baptiste pobillon)
Biblioteca do convento de mafra (Manuel caetano de sousa)
Espanha:
O rococó de influência francesa funde-se com o barroco (dominante) acentuando a
intensidade expressividade deste estilo no território espanhol
Prevalece a excessiva e exuberante ornamentação, linhas e superfícies sinuosas e ondulantes
Caracter cenográfico, dramático e apelativo das obras
Exemplos:
“el transparente” do altar do santíssimo Sacramento (narcisto tome) catedral de toledo
Fachadas da igreja do santiago de Compostela
Salão easparini (matias gasparini) - palácio real de Madrid
Neoclassicismo
Neoclassicismo- movimento cultural nascido na europa, em meados do seculo XVIII e que
influencia corte de todo o ocidente até meados do seculo XIX. Teve como base as ideias e o
racionalismo do iluminismo e um renovado interesse pela cultura e valores estéticos da
antiguidade clássica.
Foi um movimento cultural revivalista que tinha a antiguidade clássica como a principal
referencia estética e modelo de vida
Advogando os princípios da moderação, equilíbrio e idealismo, o neoclassicismo afirmou-se
como uma reação contra o excesso, a exuberância e o dramatismo do barroco e o “decorativo
fútil” do rococó.
Que fatores contribuíram para o neoclassicismo
A diminuição da influência cultural e artística da igreja, do seu papel de mecenas e de
encomendadora de obras de arte
A descrença e oposição face aos valores políticos, sociais e ideológicos do antigo regime
A crescente afirmação do pensamento racionalista e de conhecimento científico
O crescente papel dos privados (burguesia) e do estado na promoção da arte_ privilegiaram-se
novas formas de arte, como expressão de uma sociedade mais laica, tolerante e aberta ao
progresso
A arte (sobretudo a arquitetura) devia obedecer á razão e apresentar uma estética dominada
pela pureza, simetria, rigor, equilíbrio, sobriedade, simplicidade, clareza, funcionalidade e
pragmatismo. A arte devia ser um bem publico e universal entendido/usufruído por todos,
correspondendo, assim aos novos ideais políticos e sociais (liberdade, igualdade)
A divulgação das ideias do iluminismo: valor da razão e do individuo; a tolerância; a igualdade;
e o equilíbrio...
O crescente fascínio e curiosidade pela antiguidade clássica, vista como um modelo para o
presente, e que se transformou num objeto de estudo:
Descobertas arqueológicas das cidades romanos de herculano e pompeia
A publicação de estudo, obras e gravaduras relacionadas com a arte clássica
O papel das academias na promoção de novos gostos culturais e artísticos
O gosto pelo colecionismo e pelas viagens a locais associadas á antiguidade clássica e
as origens da cultura ocidental: Grécia, Itália, medio oriente
Características gerais do neoclassicismo:
Influencia da antiguidade clássica
Equilíbrio e harmonia
Simplificação e racionalidade
Temas históricos e mitológicos (pintura e escultura)
Precisão e detalhe
Uso do contraste luz/sombra
Enfase dado á mortalidade/á virtude e aos valores superiores do ser humano
A arquitetura neoclássica
O neoclassicismo refletiu a mudança do «gosto» de uma nova sociedade fundada nos valores
do iluminismo:
O espírito racional;
O pragmatismo;
O desenvolvimento científico;
A exaltação progressiva.
A arquitetura neoclássica assenta a sua inspiração nas formas e ideias da antiguidade clássica,
uma influência que foi acentuada pelas descobertas arqueológicas da Grécia e da Roma antiga,
em particular as cidades de herculano e pompeia.
A nova arquitetura devia ser mais pura, racional e pragmática, e assumir um compromisso
social, devendo:
Representar os valores sociais, morais e éticos da época;
Exprimir os grandes ideais do individuo;
Privilegiar o desenvolvimento e o progresso da sociedade;
Ser útil, funcional e colocar-se ao serviço da comunidade.
Para a difusão e implementação dos novos padrões e valores culturais foram importantes:
A enciclopédia
A academia e os salões
As descobertas arqueológicas
O impulso das eruditas, diletantes, colecionadores, críticos das artes, antiquários e
connoisseurs.
O neoclassicismo recorreu á linguagem clássica greco-romana, com as seguintes
características:
Ordem, harmonia e proporção
Equilíbrio e simetria
Simplicidade e clareza formal
Sobriedade e racionalidade formal
Sistema de construção triplica
Emprego das ordens arquitetónicos
Utilização do arco de volta perfeita, abobada de berço e cúpula
Frontões, entablamentos, frisos, etc...
Igreja de Santa Genoveva
Arquiteto: Jacques-Germain soufflot
Característica:
Planta de cruz
Colunatas, entablamentos e frontões
Realismo estrutural
Clareza formal
Expressão purista, simples, pragmática e racional
Linguagem clássica
Equilíbrio, harmonia, proporção, simetria e sobriedade
Edifícios neoclássico
Capitólio de Washington (William, Thornton, Benjamin, Latrole e Thomas Walted)
Igreja de Sta. Genoveva
Casa de Thomas
Banqueting House
Altes museum
Pintura e escultura
Paris (cidade do iluminismo e dos ideias revolucionários) e Roma (cidade representativa da
herança clássica) tornam-se os principais centros irradiadores do gosto e da estética
neoclássica
Na pintura e na escultura neoclássica predominam os seguintes temas:
Mitológicos e alegóricos
Heroicos (ex. Cenas de guerra)
Histórias
Literários
Retratos
A pintura e a escultura estavam sujeitas a um conjunto de preceitos/normas/cânones teóricas
relativamente as técnicas, formas e temas academias
A pintura e a escultura refletem a redescoberta e o fascínio pela época, articuladas com os
valores, ideológicos da segunda metade do seculo XVIII, evidentes nas seguintes
características:
Conjugação dos temas mitológicas e da cultura clássica com os valores universais da
sociedade liberal: patriotismo, heroísmo, antropocentrismo, liberdade, coragem,
determinação, ousadia, servir o bem comum...
A ordem, harmonia, o equilíbrio clássico vistos como valores cívicos, morais e
universais
O racionalismo clássico articula-se com o laicismo e o individualismo
A procura de concretização de ideais comuns às duas épocas: a procura de beleza,
ordem e perfeição
Tal como a arquitetura, também a pintura e a escultura apresentam um estilo sóbrio,
anti decorativa, anti sentimental valoriza-se o desenho, a simplicidade, a serenidade, o
histórico
Características da o pintura
Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante;
Exatidão nas linhas e nos contornos
Sobriedade nos ornamentos e no colorido, pinceladas que não marcaram a superfície,
dando á obra um aspeto impessoal onde predomina o desenho sobre a cor
Harmonia e equilíbrio do colorido. Tratamento cuidado da luz e do claro-escuro
Estrutura geométrica
Naturalismo
Protecionismo técnico
Pintores
Jacques- Louis David (artista oficial da revolução francesa e da iconografia imperial de
Napoleão)
Ingres
Antoine-Jean Gross
Vieira Portuense
Domingos Sequeira
Características da escultura:
Idealização e naturalismo das formas, expressões e gestas, movimento
Composições simples obedecendo a uma estrutura geométrica
Monumentalidade
Perfeição Técnica
Equilíbrio, proposição, harmonia
Escultores:
Jean-Antoine Houton
Bertel Thorvaldsen
Antonio Canova
Machado de Castro
João José de Aguiar
Neoclassicismo em Portugal
Em Portugal, entre os meados do seculo XVIII e as primeiras décadas do seculo XIX, as ideias
iluministas e o neoclassicismo enfrentam diversas dificuldades que condicionaram a projeção e
afirmação dos novos valores e gastos estéticos
Em Portugal, o neoclassicismo apresentou-se tímida e tardiamente
Diversos fatores contribuíram para esta situação:
A permanência do gosto barroco
A crise económica determinada pela diminuição de remessas de ouro do brasil
As invasões francesas determinadas por napoleão (1807;1809;1810)
A fuga da família real para o brasil e instalações da corte portuguesa neste território
O domínio inglês em Portugal
A instabilidade político-social surgida apos a revolução liberal portuguesa (1820) -
liberais/absolutistas
Guerra civil entre liberais e absolutistas (1823-34)
A instabilidade política resultante das divisões entre os liberais (vintistas/cartistas).
A arquitetura
O neoclassicismo português refletiu as influências italianas e inglesa
Edifícios e arquitetos
Baixa. Pombalina- Manuel de Maia/Eugénio dos santos/Carlos Mardel
Teatro Nacional S. Carlos- José da Costa e Silva
Palácio da Ajuda- José da Costa e Silva/Francisco Xavier Fabri
Teatro Nacional D. Maria II- Fortunato Lodi
Hospital de Santo Antonio (Porto) – John Carr
Palácio de S, Bento – Ventura Terra
Pintura/escultura
Receberam grande influência italiana devida á presença de mestres desta origem em Portugal
ou a ida de bolseiros nacionais para Itália
As temáticas refletem o gosto neoclássico: assunto históricos, alegóricos, mitológicos, retrato.
A morte de Marat
Marat é representado no momento do seu
último suspiro seu último suspiro, sendo o
dramatismo da cena conseguido apenas
com três elementos:
O corpo ferido de morte, com a cabeça
tombada sobre o seu ombro direito, com
o rosto confrontado o observador;
A banheira, elemento imprevisível que
incapacita a vítima de se defender e
acentua a perfídia da ação;
E o caixote de madeira que lhe servia de
mesa, que surge como metáfora de uma
pedra tumular, sendo o suporte de
dedicatória lacónica «À Marat. David»,
como se fosse o epitáfio sobre um
túmulo.
A obra em que David imortaliza Marat também o consagra como herói e mártir da
revolução.
David foi um dos principias representantes de uma pintura ancorada aos padrões clássicos,
aos temas históricos, ao desenho rigoroso e ao perfecionismo técnico. Apos a revolução, a
sua pintura acentuou e austeridade estética neoclássica e evidenciou um maior
comprometimento com os princípios revolucionários. Acima de tudo, David entendia que a
pintura devia exaltar as virtudes cívicas e os valores morais e éticos da república.
David traduziu a sua indignação e inconformismo numa obra simbólica e de forte
significado político.
De acordo com os seus temas David exaltava as virtudes cívicas, os valores morais e os
princípios éticos, o seu trabalho constitui um dos reflexos mais significativos do ambiente
vivido na nova república francesa.
O urbanismo da baixa Pombalina
Coube ao Marques de Pombal, Ministro de D. José I, a tarefa de promover as obras de
reconstrução da cidade de Lisboa
Procurou que fosse criado um projeto de reconstrução moderno e pragmático que desse
outra funcionalidade, segurança a amplitude á capital do reino
A projeção envolveu os engenheiros Manuel da Maia, Eugénio dos Santos e Carlos Mardel
Característica do projeto/obra:
Rigoroso traçado geométrico da planta
Ruas ortogonais/largas/retilíneas
Edifício instalados em quarteirões retangulares, com fachadas idênticas, retilíneas e
austeras, onde foi aplicado o sistema antissísmico de gaiola.
Organização e hierarquização dos espaços em função da sua importância_ junto ao tejo
projetou-se uma ampla praça (Praça do comercio) - centro político e económico marcada no
centro pela estatua equestre de D. João I, de machado de castro. Para a praça convergia a
rua augusta, cuja acesso se fazia através de um, imponente e cenografia, Arco Triunfal.
A organização do espaço urbano refletia a ideologia político do despotismo esclarecido- um
rei iluminado comanda um povo que o segue.
O Projeto contemplou sistemas de esgotos e anti sismos, caracterizando-se pela sua
modernidade
Reflete os valores do pensamento iluministas: rigor, equilíbrio, racionalismo, pragmatismo.