Modulo 7
A cultura do salão
Contextualização:
O seculo XVIII, um seculo de roturas
O seculo das revoluções
O seculo das luzes
No mundo ocidental, verificam-se profundas mudanças:
Inicio da idade contemporânea
Na politica modelos de governação – revolução Liberais;
desabamento do antigo regime politico; implantação do liberalismo
Na demografia – revolução demográfica (natalidade elevada;
aumento demográfico)
Na economia – revolução agrícola e revolução industrial na Inglaterra;
incremento do liberalismo; sistema capitalista
Na sociedade – desmatamento do antigo regime; emergência da
sociedade de classes
Crescente poder e influencias da burguesia
Nascimento de um novo grupo social: operário
Novos conhecimentos científicos e filosóficos (iluminismo)
Ruturas científicas e culturais
Amplia-se a divulgação dos conhecimentos científico
O iluminismo – movimento filosófico que defendia que os valores máximos
de humanidade assentavam na ideia de progresso, liberdade, igualdade,
tolerância e crença na razão
O iluminismo assume uma postura otimista e de confiança na ciência,
na razão e nas capacidades humanas, as quais possibilitam o caminho
para o conhecimento, a felicidade e o progresso da humanidade
Princípios do iluminismo
Razão – a razão liberta o homem da ignorância e da injustiça social e
política
Felicidade – direito natural/inato
Progresso – razão ao serviço da humanidade; alavanca da evolução
e modernidade
Educação – desenvolve as capacidades humanas
Tolerância – o homem iluminado luta pela igualdade, liberdade
justiça; os homens propõem novas ordens políticas e sociais.
Objetivos do iluminismo
Defende:
Um novo regime político
Uma nova sociedade
Uma nova mentalidade
Direito á igualdade; liberdade; tolerância
Estes fatores garantiam progressos na sociedade e felicidade á
humanidade
Pensadores do iluminismo
António ribeiro Sanches
Voltaire
Diderot
Buffon
Luís António verney
Marquesa de chatelet
Meios de divulgação de ideias iluministas
Cafés
Clubes
Academias
Escolas
Livrarias
Imprensas (jornais; revistas; livros)
Salões
Bibliotecas
A importância do salão
Nascidos no seculo XVII, os salões, espaços intimistas exclusivos das elites,
adquiriram um importante papel social, científico e cultural,
impulsionando a partilha e a divulgação de novos conhecimentos e ideias
Os salões eram frequentados por cientistas, escritores, filósofos, artistas,
elites cultas e curiosas que contribuíram para tornar um espaço e
ambientes de convívio; partilha de ideias;
As mulheres ficaram associadas a organização de eventos
Os salões converteram-se em espaços abertos á modernidade, laboratórios
de ideias
A revolução francesa
Causas da revolução
Situação política - poder absoluto e centralizado no rei Luís XVI
Situação social – privilegiados (2%) não privilegiados (98%); clima de
agitação social
Situação económica e financeira – grave crise económica e financeira:
maus anos agrícolas; falência de manufaturas francesas...
Importância da revolução francesa
Aplicação das ideias iluministas
Contribuiu para o fim do regime antigo regime na europa
Foi um exemplo para outras revoluções liberais
Marcou o início da época contemporânea
Defendeu os valores universais e atuais: liberdade, igualdade e
fraternidade
A festa galante
O esplendor, o requinte e a sofisticação de Versalhes tornam-se modelos
não só para outras cortes europeias, mas para outras elites endinheiradas.
Nas suas residências, palácios e palacetes, isto é, em espaços mais
intimistas, estas elites desenvolveram um gosto caracterizado:
Pelo refinamento, conforto, luxo, requinte
Pela etiqueta, extravagância, grandiosidade, sofisticação
A festa cívica
Com a revolução francesa e a desagregação do antigo regime, com a
liberdade, igualdade e fraternidade, abriu-se o caminho o protagonismo
político, social e cultural do terceiro estado.
A festa galante entrou em declínio e deu lugar á festa cívica
A festa cívica caracteriza-se por:
Se vincular nos ideais da revolução francesa
Ter um forte sentido comunitário – tenta abranger todos os grupos
sociais
Privilegiar o espaço publico
Estar associado a inauguração, comemoração de acontecimentos e
figuras históricas, muitas vezes promovendo um sentimento de união
e orgulho nacionais
Rococó
No seculo XVIII, França representava o centro de novas ideias, de propostas
estéticas e de um gosto requintado associados aos salões e ao pensamento
iluminista
É neste contexto que surge o rococó. Uma designação depreciativa atribuída
pelo gosto neoclássico que prevalecerá, posteriormente na europa.
O rococó foi visto, pelos defensores do neoclassicismo. Uma
expressão artística menor com funções decorativas que
reproduziam rochas, conchas, motivos vegetalistas...
Aparentemente associado á estética do barroco, apresenta como
características:
Uma rutura com a ordem, a simetria do classicismo e com o exagero
e a complexidade do barroco
Surgiu no seio de uma aristocracia culta e requintada (que competia,
no prestígio, com a burguesia) como um estilo secular (ausência de
princípios ou funções religiosas)
Assume uma função decorativa e ornamental dos espaços interiores
(ornamentação rocaite- significa concha), visível sobretudo na
pintura, mobiliário, porcelanas, faianças, ourivesaria
Utiliza materiais associadas á ideia de luxo e requinte como madeiras
lacadas ou douradas mármore, espelho, cristais porcelanas.
Espelha a ideia de liberdade, o dinamismo e a ousadia do
pensamento iluminista.
Procura-se que a decoração produza efeitos fantasiosos, expressivos,
evasivos, cenográficos
O rococó e a intimidade galante_ o exemplo da pintura
A pintura rococó que revestia as paredes e os tetos dos palácios
aristocracias, revela:
Uma função cenográfica, associada, muitas vezes ao trompe I’oeil
(“fingidos”)
O gosto pela representação de paisagens idílicos, evasivas, ilusórias,
fantasiosas.
A exaltação dos prazeres da vida e dos sentidos
o apego aos prazeres da vida, como se fosse o último respirar, das
elites
O rococó e as cortes ornamentais
Um dos traços característicos do rococó foi a valorização e a
afirmação das artes ornamentais/decorativas/aplicadas, associadas:
Ao investimento e aplicações (ex. madeiras, pedras, estuques) nas
paredes/telas
A peças e objetos como candelabros, lustres, relógios, lareiras,
mobiliário, cortinados, tapeçarias, serviços de mesa, vasos, jarra...
A decoração destas peças reflete o gosto e a paixão pelo luxo de
aristocracia, transformando em “objetos galantes” onde predominam as
formas e os desenhos ondulados, irregulares, graciosos e delicados
e um reportório temático onde se destacam motivos:
Antropomorfos
Zoomorfos
Vegetalistas
Orgânicos-conhas, corais, ondas, rochas...
Fantasiosos
Na porcelana o gosto pelo requinte e pelo exótico levou a que fabricas
instaladas na Inglaterra, frança e Saxónia produzissem obras que trataram
um estilo de vida requintado e o gosto pelo exótico (ex. motivos decorativos
de inspiração chinesa- “chinoiseries”
O mobiliário rococó: o estilo Luís XVI
Características formais:
Linhas curvas e rebuscadas
Linhas retorcidas e enroladas
Contornos sinuosos
Formas dinâmicas e assimétricas
Ornamentação abundante em todos os elementos e na estrutura
Materiais mais comuns:
Madeiras
Placas de porcelana, mármore
Aplicações de bronzes, dourados, tecidos
Elementos decorativos
Elementos vegetalistas, flores, folhagens, ramos, grinaldas
Conchas, rochas, onda e espuma
Embutidos
Tipologia:
Comoda e toucadores
Poltronas, cadeiras
Mesas
Secretarias
A dialética barroco/rococó em Portugal e Espanha
Portugal
O rococó em Portugal assumiu maior expressão na segunda metade do
seculo XVIII e com maior prevalência no Norte do país
Recebendo influências europeias e apresentando traços associados
á estética barroco, o rococó português caracteriza-se:
Por uma decoração dinâmica, graciosa, rica e expressiva associada
sobretudo as fachadas e interiores de edifícios religiosos.
Pelo uso de elementos rocaille: volutas; flores; folhas; palmas;
concheados; linhas ondulantes e sinuosas
Pelo uso de talha dourada e da azulejaria, herdadas do barroco e que
dão um cunho original ao rococó português.
Exemplo do rococó português:
Igreja de nossa senhora dos remédios- lamego
Igreja de misericórdia- Viseu
Sacristia do convento da madre de deus-lisboa
Retábulo-mor de nossa senhora do rosário-igreja de s. domingos-
viana do castelo e retábulo-mor do convento de s. Martinho de Tibães
(André soares) -talha gorda
Sala do trono do palácio de Queluz (jean Baptiste pobillon)
Biblioteca do convento de mafra (Manuel caetano de sousa)
Espanha:
O rococó de influência francesa funde-se com o barroco (dominante)
acentuando a intensidade expressividade deste estilo no território
espanhol
Prevalece a excessiva e exuberante ornamentação, linhas e
superfícies sinuosas e ondulantes
Caracter cenográfico, dramático e apelativo das obras
Exemplos:
“el transparente” do altar do santíssimo Sacramento (narcisto tome)
catedral de toledo
Fachadas da igreja do santiago de Compostela
Salão easparini (matias gasparini) - palácio real de Madrid
Neoclassicismo
Neoclassicismo- movimento cultural nascido na europa, em meados do
seculo XVIII e que influencia corte de todo o ocidente até meados do seculo
XIX. Teve como base as ideias e o racionalismo do iluminismo e um
renovado interesse pela cultura e valores estéticos da antiguidade clássica.
Foi um movimento cultural revivalista que tinha a antiguidade clássica
como a principal referencia estética e modelo de vida
Advogando os princípios da moderação, equilíbrio e idealismo, o
neoclassicismo afirmou-se como uma reação contra o excesso, a
exuberância e o dramatismo do barroco e o “decorativo fútil” do
rococó.
Que fatores contribuíram para o neoclassicismo
A diminuição da influência cultural e artística da igreja, do seu papel
de mecenas e de encomendadora de obras de arte
A descrença e oposição face aos valores políticos, sociais e
ideológicos do antigo regime
A crescente afirmação do pensamento racionalista e de conhecimento
científico
A arte (sobretudo a arquitetura) devia obedecer á razão e apresentar uma
estética dominada pela pureza, simetria, rigor, equilíbrio, sobriedade,
simplicidade, clareza, funcionalidade e pragmatismo. A arte devia ser
um bem publico e universal entendido/usufruído por todos, correspondendo,
assim aos novos ideais políticos e sociais (liberdade, igualdade)
A divulgação das ideias do iluminismo: valor da razão e do individuo; a
tolerância; a igualdade; e o equilíbrio...
O crescente fascínio e curiosidade pela antiguidade clássica, vista como
um modelo para o presente, e que se transformou num objeto de
estudo:
Descobertas arqueológicas das cidades romanos de herculano e
pompeia
A publicação de estudo, obras e gravaduras relacionadas com a arte
clássica
O papel das academias na promoção de novos gostos culturais e
artísticos
O gosto pelo colecionismo e pelas viagens a locais associadas á
antiguidade clássica e as origens da cultura ocidental: Grécia, Itália,
medio oriente
Características gerais do neoclassicismo:
Influencia da antiguidade clássica
Equilíbrio e harmonia
Simplificação e racionalidade
Temas históricos e mitológicos (pintura e escultura)
Precisão e detalhe
Uso do contraste luz/sombra
Enfase dado á mortalidade/á virtude e aos valores superiores do ser
humano
A arquitetura neoclássica
O neoclassicismo refletiu a mudança do «gosto» de uma nova
sociedade fundada nos valores do iluminismo:
O espírito racional;
O pragmatismo;
O desenvolvimento científico;
A exaltação progressiva.
A arquitetura neoclássica assenta a sua inspiração nas formas e ideias da
antiguidade clássica, uma influência que foi acentuada pelas descobertas
arqueológicas da Grécia e da Roma antiga, em particular as cidades de
herculano e pompeia.
A nova arquitetura devia ser mais pura, racional e pragmática, e
assumir um compromisso social, devendo:
Representar os valores sociais, morais e éticos da época;
Exprimir os grandes ideais do individuo;
Privilegiar o desenvolvimento e o progresso da sociedade;
Ser útil, funcional e colocar-se ao serviço da comunidade.
Para a difusão e implementação dos novos padrões e valores
culturais foram importantes:
A enciclopédia
A academia e os salões
As descobertas arqueológicas
O impulso das eruditas, diletantes, colecionadores, críticos das artes,
antiquários e connoisseurs.
O neoclassicismo recorreu á linguagem clássica greco-romana, com
as seguintes características:
Ordem, harmonia e proporção
Equilíbrio e simetria
Simplicidade e clareza formal
Sobriedade e racionalidade formal
Sistema de construção triplica
Utilização do arco de volta perfeita, abobada de berço e cúpula
Frontões, entablamentos, frisos, etc...
Edifícios neoclássico
Capitólio de Washington (William, Thornton, Benjamin, Latrole e
Thomas Walted)
Igreja de Sta. Genoveva
Casa de Thomas
Banqueting House
Altes museum
Pintura e escultura
Paris (cidade do iluminismo e dos ideias revolucionários) e Roma (cidade
representativa da herança clássica) tornam-se os principais centros
irradiadores do gosto e da estética neoclássica
Na pintura e na escultura neoclássica predominam os seguintes
temas:
Mitológicos e alegóricos
Heroicos (ex. Cenas de guerra)
Histórias
Literários
Retratos
A pintura e a escultura estavam sujeitas a um conjunto de
preceitos/normas/cânones teóricas relativamente as técnicas, formas e
temas academias
A pintura e a escultura refletem a redescoberta e o fascínio pela
época, articuladas com os valores, ideológicos da segunda metade
do seculo XVIII, evidentes nas seguintes características:
Conjugação dos temas mitológicas e da cultura clássica com os
valores universais da sociedade liberal: patriotismo, heroísmo,
antropocentrismo, liberdade
A ordem, harmonia, o equilíbrio clássico vistos como valores cívicos,
morais e universais
A procura de concretização de ideais comuns às duas épocas: a
procura de beleza, ordem e perfeição
Tal como a arquitetura, também a pintura e a escultura apresentam
um estilo sóbrio, anti decorativa, anti sentimental valoriza-se o
desenho, a simplicidade, a serenidade, o histórico
Características da o pintura
Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante;
Exatidão nas linhas e nos contornos
Sobriedade nos ornamentos e no colorido, pinceladas que não
marcaram a superfície, dando á obra um aspeto impessoal onde
predomina o desenho sobre a cor
Harmonia e equilíbrio do colorido. Tratamento cuidado da luz e do
claro-escuro
Estrutura geométrica
Naturalismo
Protecionismo técnico
Pintores
Jacques- Louis David
Ingres
Antoine-Jean Gross
Vieira Portuense
Domingos Sequeira
Características da escultura:
Idealização e naturalismo das formas, expressões e gestas,
movimento
Composições simples obedecendo a uma estrutura geométrica
Monumentalidade
Perfeição Técnica
Equilíbrio, proposição, harmonia
Escultores:
Jean-Antoine Houton
Bertel Thorvaldsen
Antonio Canova
Machado de Castro
João José de Aguiar
Neoclassicismo em Portugal
Em Portugal, entre os meados do seculo XVIII e as primeiras décadas do
seculo XIX, as ideias iluministas e o neoclassicismo enfrentam diversas
dificuldades que condicionaram a projeção e afirmação dos novos valores e
gastos estéticos
Em Portugal, o neoclassicismo apresentou-se tímida e tardiamente
Diversos fatores contribuíram para esta situação:
A permanência do gosto barroco
A crise económica determinada pela diminuição de remessas de ouro
do brasil
As invasões francesas determinadas por napoleão (1807;1809;1810)
A fuga da família real para o brasil e instalações da corte portuguesa
neste território
O domínio inglês em Portugal
A instabilidade político-social surgida apos a revolução liberal
portuguesa (1820) -liberais/absolutistas
Guerra civil entre liberais e absolutistas (1823-34)
A arquitetura
O neoclassicismo português refletiu as influências italianas e inglesa
Edifícios e arquitetos
Baixa. Pombalina- Manuel de Maia/Eugénio dos santos/Carlos Mardel
Teatro Nacional S. Carlos- José da Costa e Silva
Palácio da Ajuda- José da Costa e Silva/Francisco Xavier Fabri
Teatro Nacional D. Maria II- Fortunato Lodi
Hospital de Santo Antonio (Porto) – John Carr
Palácio de S, Bento – Ventura Terra
Pintura/escultura
Receberam grande influência italiana devida á presença de mestres desta
origem em Portugal ou a ida de bolseiros nacionais para Itália
As temáticas refletem o gosto neoclássico: assunto históricos, alegóricos,
mitológicos, retrato
O urbanismo da baixa Pombalina
Procurou que fosse criado um projeto de reconstrução moderno e
pragmático que desse outra funcionalidade, segurança a amplitude á
capital do reino
Característica do projeto/obra:
Rigoroso traçado geométrico da planta
Ruas ortogonais/largas/retilíneas
Edifício instalados em quarteirões retangulares, com fachadas
idênticas, retilíneas e austeras, onde foi aplicado o sistema
antissísmico de gaiola.
A organização do espaço urbano refletia a ideologia político do
despotismo esclarecido- um rei iluminado comanda um povo que o
segue.
O Projeto contemplou sistemas de esgotos e anti sismos,
caracterizando-se pela sua modernidade
Reflete os valores do pensamento iluministas: rigor, equilíbrio,
racionalismo, pragmatismo.