MANDATO
Processo Civil 3
✓ Com representação (art.1178º CC)
Regime Jurídico dos Atos de
✓ Mandato Forense
Advogados e Solicitadores Lei n.º
10/2024, de 19 de Janeiro Finalidade: representação do cliente e juízo
e integra o poder conferido pelo cliente ao
✓ Define o sentido e o alcance dos atos
Advogado/Solicitador para ser exercido em
próprios dos advogados e dos
qualquer tribunal, na sua defesa e no
solicitadores
acompanhamento de processo judiciais
✓ Tipifica o crime de procuradoria ilícita
✓ Introduziu o regime
contraordenacional
Mandato judicial: representação legal de
✓ Reforçou a responsabilidade civil de
uma pessoa em tribunal
quem lese os interesses públicos
assegurados pela AO e pela OSAE. Pode ser conferido, segundo o art.43º CPC,
por instrumento publico/documento
particular ou declaração verbal da parte no
LAP --→ PROTEGE O CIDADÃO auto de diligencia praticada no processo.
MANDATO FORENSE MANDATO VS PROCURAÇÃO
Art.4º nº2 → O exercício de mandato forense ✓ Mandato
constitui ato próprio exclusivo dos
advogados e dos solicitadores. Existe a obrigação de praticar os atos,
resultante de um acordo de vontades
Constitui um ato típico, que só Advogados e
solicitadores podem exercer. ✓ Procuração
Quem o praticar e não estiver inscrito nas Ato unilateral, pelo qual alguém confere a
respetivas ordens profissionais, ou quem outrem poderes de representação (262ºCC)
prestar auxílio ou colaborar na prática desse O procurador tem a faculdade de celebrar
ato, incorre na prática do crime de os atos jurídicos em nome de outrem.
PROCURADORIA ILICITA.
É um documento que titula os poderes.
Mandato, o que é?
FORMA: Art 116º CN
Contrato pelo qual uma das partes se obriga
CONTEUDO: Art.44º CPC
a praticar um ou mais atos jurídicos por
conta de outra.
Substabelecimento, o que é? impliquem o cumprimento de
obrigações por um período superior a
✓ Está ligado à dinâmica do mandato
90 dias, podem ainda ser praticados
forense, permitindo que o advogado
por:
com poderes de representação
✓ a) Notários e agentes de execução;
transmita esses poderes a um outro
✓ b) Sociedades comerciais, como
advogado.
atividade acessória de atividade
✓ Este pode ser com reserva ou sem
compreendida no respetivo objeto
reserva.
social;
É um substabelecimento com reserva ✓ c)Licenciados em Direito que que
quando o advogado mantem os seus exerçam as respetivas funções em
poderes, e é sem reserva quando regime de subordinação ou de
perde tais poderes. exclusividade. - art. 8.º
Se nada for mencionado no O Advogado e Solicitador têm a
substabelecimento, presume-se que competência para elaborar uma grande
é efetuado com reserva. diversidade de contratos (mas sem
exclusividade) exemplo: compra e venda,
Procuração Forense - Pessoa singular
doação, constituição de sociedades…
Identificação do Mandante:
No entanto, não podem fazer habilitação de
Nome Completo – Naturalidade – Estado herdeiros, testamento, ou uma escritura de
Civil – Profissão - NIF – Residência justificação.
habitual/domicílio profissional
ATOS PRÓPRIOS – SOLICITADOR
Identificação do Mandatário:
✓ Nos termos do EOSAE, os Solicitadores
Nome profissional – Cédula profissional - NIF podem, em todo o território nacional
– Domicílio profissional. e perante qualquer jurisdição,
Consulta Jurídica instância, autoridade ou entidade
pública ou privada, exercer atos
Atividade de aconselhamento jurídico que próprios da profissão,
consiste na interpretação e aplicação de designadamente exercer o mandato
normas jurídicas mediante solicitação de judicial, nos termos da lei de processo,
terceiro- art 6.º em regime de profissão liberal
Quem pode dar consulta jurídica além dos remunerada.
advogados e solicitadores? ✓ Só pode usar título de Solicitador
quem como tal estiver inscrito na
✓ Art.7º
OSAE, prova que é feita pela respetiva
Elaboração de contratos cédula profissional.
Era um ato próprio de advogado e
solicitador, no entanto, agora:
✓ Quando sejam de valor inferior à
alçada do Tribunal da Relação ou não
✓ No exercício da sua profissão, podem ✓ de nulidade, presidida por um Juiz e
requerer, por escrito ou verbalmente, por um representante da OSAE.
em qualquer tribunal ou repartição ✓ Sem prejuízo das obrigações gerais
pública, o exame de processos, livros de reserva, o segredo profissional
ou documentos que não tenham encontra-se limitado nos casos em
caráter reservado ou secreto, bem que aos Solicitadores lhes são
como a emissão de certidões sem atribuídas competências legais de
necessidade de exibir procuração. reconhecimento de assinaturas,
✓ Têm o direito de comunicar, pessoal e autenticação de documentos e
reservadamente, com os seus certificação de fotocópias.
constituintes, mesmo quando estes
se encontrem detidos ou presos em
qualquer estabelecimento prisional
ou policial.
✓ No exercício da profissão, têm
prioridade no atendimento e direito
de ingresso nas secretarias judiciais e
outras repartições públicas, nos
termos da lei.
✓ Os Magistrados, Agentes de
Autoridade e Funcionários Públicos
devem assegurar aos Solicitadores,
quando no exercício da profissão,
tratamento compatível com a
dignidade da Solicitadoria e
condições adequadas ao cabal
desempenho do mandato.
✓ Nas audiências de julgamento, os
Solicitadores dispõem de bancada,
podendo alegar oralmente, nos
processos cujo patrocínio seja
exclusivo do Solicitador, e devendo
usar traje profissional.
✓ Estão sujeitos ao segredo profissional,
não sendo permitida a apreensão de
documentos abrangidos por essa
obrigação, salvo se estes
documentos constituírem objeto ou
elemento de um crime.
✓ A busca e a apreensão em escritório
de Solicitador, ou em qualquer outro
local onde faça arquivo, é, sob pena
PROCURADORIA ILÍCITA
✓ Art.11º
É crime com punição de pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, caso haja
uma violação do art.4º.
Usurpação de funções: Procuradoria ilícita:
Art.358 b) CP Quem, em violação do disposto no art.4º:
a) Uma pessoa que, sem para tal estar 1. Praticar atos próprios exclusivos dos
autorizado, exerce funções ou pratica advogados e dos solicitadores
atos próprios de funcionário, de 2. Auxiliar ou colaborar na prática de
comando militar ou de força de atos próprios exclusivos dos
segurança pública, arrogando-se, advogados e dos solicitadores
expressa ou tacitamente, essa
qualidade
b) Exerce profissão ou pratica ato ✓ Será punida com pena de prisão
próprio de uma profissão para a qual até 1 ano ou com pena de multa
a lei exige título ou preenchimento de até 120 dias.
certas condições, arrogando-se,
expressa ou tacitamente, possuí-lo ✓ A AO E OSAE definiram regulamentos
ou preenchê-las, quando o não dos funcionários forenses, com o
possui ou não as preenche; intuito de ajudar no combate á
c) Continua no exercício de funções prática de procuradoria ilícita e
públicas, depois de lhe ter sido oferecendo garantias de idoneidade
oficialmente notificada demissão ou e responsabilidade nos atos que os
suspensão de funções; funcionários de advogados,
solicitadores e agentes de execução
✓ Será punido com pena de prisão praticam em representação destes.
até dois anos ou com pena de
Regulamento nº 46/2021 – Empregados
multa até 240 dias.
Forenses
ACESSO AO DIREITO E AOS TRIBUNAIS A Lei de Acesso ao Direito e aos Tribunais
consagra, como formas de acesso ao direito
Art.20º CRP – Acesso ao direito e tutela
e aos tribunais:
jurisdicional efetiva
1. Informação jurídica (art.4º)
Art.1º e 2º CPC – Proibição da autodefesa e
garantia de acesso aos tribunais - A informação jurídica é prestada pelo
Ministério da Justiça.
✓ O acesso ao Direito e à Justiça, é
um direito consagrado na - Incumbe ao Estado realizar ações
Constituição da República tendentes a tornar conhecido o direito e o
Portuguesa que visa assegurar que a ordenamento legal, através de publicação e
ninguém seja dificultado ou de outras formas de comunicação, com
impedido, em razão da sua condição vista a proporcionar um melhor exercício
social ou cultural ou por insuficiência dos direitos e o cumprimento dos deveres
de meios económicos, o legalmente estabelecidos.
conhecimento e o exercício ou a 2. Proteção jurídica
defesa dos seus direitos.
É concedida para causas judiciais concretas
ou passíveis de concretização, em que o
✓ Para que se tornasse efetiva a usuário comprove estar em situação de
garantia do acesso à via insuficiência económica e tenha um
judiciária, foi publicada a lei que interesse próprio (lesado ou ameaçado de
regula o sistema de acesso ao lesão).
direito e aos tribunais. Modalidades:
Lei de acesso ao direito e aos tribunais - Consulta jurídica (art.14º)
Finalidades: Pode ser prestada em gabinetes de consulta
1. ASSEGURAR QUE A NINGUÉM SEJA jurídica ou nos escritórios dos advogados
DIFICULTADO OU IMPEDIDO, EM RAZÃO que adiram ao sistema de acesso aos
DA SUA CONDIÇÃO SOCIAL OU tribunais.
CULTURAL, OU POR INSUFICIÊNCIA DE Um Advogado inscrito como tal (como
MEIOS ECONÓMICOS, O Advogado) na Ordem dos Advogados ou
CONHECIMENTO, O EXERCÍCIO OU A outro sujeito habilitado por Lei a praticá-la,
DEFESA DOS SEUS DIREITOS (ART.º 1.º). presta a um terceiro, aconselhamento
jurídico que consista na interpretação e
aplicação de normas jurídicas, mediante
solicitação deste.
Ou por outras palavras, um esclarecimento pagamento faseado e de uma
técnico sobre o Direito aplicável a questões atribuição de agente de execução.
ou casos concretos nos quais avultam 3. Não tem insuficiência económica
interesses pessoais legítimos ou direitos ✓ As condições a que se referem o nº1 e
próprios lesados ou ameaçados de lesão. nº2 são aferidas tendo em conta o IAS
(Indexante dos Apoios Sociais.
- Apoio Judiciário (art.16º)
✓ IAS: valor de referência para a
É um serviço gratuito que assegura o acesso definição dos apoios sociais
à proteção jurídica de quem não pode concedidos pelo Estado.
pagar as despesas associadas a um ✓ O IAS é determinante para que se
processo e à representação por um possam fazer os cálculos do apoio
mandatário, nomeadamente um advogado. judiciário e outros apoios da
responsabilidade da Segurança
Ou seja, a lei garante o apoio judiciário ao
Social.
cidadão no acesso à justiça quando este
demonstre insuficiência económica, isto é, A Lei n.º 53-B/2006, de 29 de dezembro,
quem não tem condições para suportar instituiu o IAS, prevendo a sua
pontualmente os custos de um processo.→ atualização anual mediante Portaria
Art.8º e 8ºA
2024 - 529,26 €, Portaria n.º 421/2023, de
Poderá se aplicar a pessoas coletivas sem 11 de dezembro
fins lucrativos.
Requerimento de proteção jurídica
Apreciação da insuficiência económica
Quem pode requerer? (art.19)
(pessoas singulares)
1. Pelo interessado na sua concessão
✓ Efetua-se considerando o rendimento
2. Pelo Ministério Público em
médio mensal do agregado familiar
representação do interessado
do respetivo requerente (Art.8º-A)
3. Por advogado, advogado estagiário
Assim sendo, o requerente poderá: ou solicitador em representação do
1. Não ter condições objetivas para interessado
suportar qualquer quantia A quem compete a decisão da concessão
relacionada com os custos do de proteção jurídica? (art.20º)
processo, e nesse caso beneficiaria
1. Dirigente máximo dos serviços de
de atribuição de agente de execução
segurança social da área de residência
e de consulta jurídica gratuita.
ou sede do requerente.
2. Tem condições objetivas para
suportar os custos de uma consulta Caso o requerente não tenha a sua
jurídica sujeita a pagamento prévio residência ou a sua sede em território
de uma taxa, mas não tem condições nacional – Art.20º nº2.
para suportar pontualmente os
Posteriormente, o requerimento será
custos de um processo e nesse caso,
apresentado através da plataforma
o requente beneficiaria de apoio
informática disponibilizada pelo sítio
judiciário nas modalidades de
eletrónico da segurança social, que emite ✓ Quando o Apoio Judiciário é pedido
prova da respetiva entrega. pelo réu, já a ação está a correr
termos e pode suceder que ele
requeira o benefício do apoio
✓ A Ordem dos Advogados participa no judiciário na modalidade de
acesso ao direito e na nomeação de nomeação de patrono.
patrono/defensor.
Nesse caso, o prazo judicial em curso
- Incumbe à AO a escolha e nomeação de interrompe-se com junção aos autos do
Advogado nos termos do art.45º nº2. comprovativo desse pedido feito à
Segurança Social - art. 24.º, n.º 4.
- E nomeia um advogado para prestar
consulta jurídica, a pedido da segurança
social, podendo ela ser realizada em
O prazo interrompido reinicia-se com a
gabinetes de consulta jurídica ou em
notificação ao patrono de que foi nomeado
escritório de advogado participante no
ou com a notificação ao requerente de que
sistema de acesso ao direito.
lhe foi indeferida a sua pretensão de
proteção jurídica- art.º 24.º n.º 5
EFEITOS NA INSTÂNCIA
✓ O procedimento de proteção jurídica
na modalidade de apoio judiciário é
autónomo, não tendo qualquer
repercussão sobre o andamento
desta, salvo as exceções do art. 24º.
O autor deve juntar com a petição inicial o
comprovativo da concessão de apoio
judiciário (art.552 nº9 e 10 e nº7 e 8º).
Prazo para a entidade administrativa
proferir a decisão de deferimento ou
indeferimento do pedido de proteção
judiciária → 30 dias (art25º)
Caso o prazo tenha decorrido e não tiver
havido uma decisão, considera-se
tacitamente deferido e concedido o pedido
de proteção judiciária (nº2 do art 25º).
RESOLUÇÃO ALTERNATIVA DE CONFLITOS
Tipos de conflitos: FORMAS DE COMPOSIÇÃO NÃO
JURISDICIONAL DE CONFLITOS:
1. Intrapessoais
2. Interpessoais ❖ NEGOCIAÇÃO
3. Organizacionais
É um processo de resolução de conflitos
A maior parte dos conflitos contende com os através do qual uma ou ambas as partes
interpessoais, e estes assentam em 3 modificam as suas exigências até
vertentes: alcançarem um compromisso aceitável
1. Diferenças individuais para ambas.
2. Limitações de recursos ✓ A definição de negociação aplica-se,
3. Diferenciação de papeis a qualquer meio de resolução de
litígios não adjudicatório, quer seja a
mediação, conciliação ou outro. Em
Como lidar com o conflito?
todos estes mecanismos se tenta
1. Evitá-lo chegar a um acordo através do
2. Desativá-lo (arranjar uma solução) diálogo.
3. Enfrentá-lo, e neste aspeto, podemos ✓ No entanto, a diferença entre a
ter 3 situações: negociação e mediação é na
✓ Ganhar-perder existência de um terceiro imparcial.
✓ Perder-perder ✓ Enquanto que na mediação é
✓ Ganhar-ganhar essencial a existência de um
mediador (terceiro imparcial) que
Formas de resolver o conflito?
conduz as partes no caminho do
1. Adversariais consenso, na negociação as partes
2. Não adversariais podem estar sozinhas a negociar, não
precisam de uma intervenção
exterior.
PRINCÍPIO DA TUTELA JURISDICIONAL
EFETIVA (ART.20 CRP E 2º CPC)
❖ MEDIAÇÃO
Em Portugal, quem tem um conflito deve
recorrer aos tribunais, pois estes asseguram É uma forma de resolução alternativa de
a defesa dos direitos e interesses litígios, realizada por entidades públicas
legalmente protegidos dos cidadãos e ou privadas, através do qual duas ou
anulam os conflitos de interesse público e mais partes em litígio procuram
privado. voluntariamente alcançar um acordo
com assistência de um mediador de
Art.202º Nº4 CRP
conflitos (terceiro imparcial e
independente). ART 2º Lei da Mediação.
✓ É um processo de estrutura flexível,
através da qual um terceiro facilita o
diálogo entre as partes.
❖ ARBITRAGEM
❖ CONCILIAÇÃO
É um modo de resolução jurisdicional de
Um terceiro neutro utiliza os melhores
conflitos em que a decisão, com base na
esforços para aproximar as partes com vista
vontade das partes, é confiada a terceiros. A
a obter um acordo.
arbitragem é, assim um meio de resolução
Costuma ser muito utilizada nos tribunais alternativa de litígios adjudicatórios, na
judiciais. Segundo o art.594º CPC, a medida em que o litígio é decidido por um
conciliação tem lugar na audiência ou vários terceiros (árbitros).
preliminar. De acordo com o nº3, a tentativa
A decisão é vinculada às partes e tomada
de conciliação é presidida pelo juiz e tem em
com base em provas.
vista a solução de equidade mais adequada
ao litígio.
Além disso, também há lugar à conciliação
❖ LITIGÂNCIA
na tramitação dos Julgados de Paz, a cargo
do juiz de paz, no início da audiência de Recurso aos tribunais para obtenção de
julgamento (ART.26º nº1 LJP). uma decisão que conforme os interesses
em conflito.
Conciliação jurisdicional: As partes estão
perante quem decide. O juiz tenta a
conciliação das partes e dos seus interesses.
Resolução Alternativa de Conflitos
Exemplo: art 594º CPC e 931º CPC.
1. Centros de Arbitragem
Conciliação enquanto meio de RAL: por
2. Mediação Pública
exemplo depois da mediação e antes do
3. Julgados de Paz
julgamento arbitral (art. 12.º Lei 144/2015 de 8
de setembro).
✓ O juiz tem interesse direto na
obtenção do acordo, na medida em
que liberta a sua agenda de um
processo.
ARBITRAGEM
Voluntaria (assenta numa convenção arbitral)
A convenção de arbitragem consiste no acordo celebrado pelas partes no sentido de
submeterem a resolução de um ou mais litígios a uma via arbitral de tipo voluntário.
As partes podem cometer a um tribunal arbitral, mediante convenção de arbitragem, a
resolução de qualquer litígio respeitante a interesses de ordem patrimonial que uma lei de
natureza especial não submeta aos tribunais do Estado ou à arbitragem necessária, atento o
disposto no n.º 1 do artigo 1.º da Lei de Arbitragem Voluntária (LAV), aprovada pela Lei nº
63/2011, de 14 de dezembro.
Convenção de arbitragem pode ter por objeto litígios não patrimoniais, desde que o direito
controvertido seja transacionável (n.º 2 do artigo 1.º da LAV).
É necessário uma convenção arbitral, que pode ser:
1. Compromisso arbitral: Tem por objeto um litigio/conflito atual (ou seja, as partes já se
encontram em litigio), mesmo que afeto a um tribunal judicial.
2. Cláusula compromissória: Tem por objeto litígios que emirjam de relações jurídicas
contratuais ou extracontratuais.
A convenção arbitral deve assumir forma escrita (art.2º LAV) e será nula, a convenção caso se
viole os art.1 e º2 LAV.
✓ Qualquer litígio respeitante a interesses de natureza patrimonial, que não esteja
submetido exclusivamente aos tribunais do Estado ou a arbitragem necessária, pode ser
cometido pelas partes, mediante convenção de arbitragem, à decisão de árbitros - art.
1.º, n.º 1;
✓ É válida uma convenção de arbitragem relativa a litígios que não envolvam interesses
de natureza patrimonial, desde que as partes possam celebrar transação sobre o direito
controvertido, art. 1.º n.º 2;
✓ As partes podem acordar em submeter a arbitragem, para além das questões de
natureza contenciosa em sentido estrito, quaisquer outras que requeiram a intervenção
de um decisor imparcial, designadamente as relacionadas com a necessidade de
precisar, completar e adaptar contratos de prestações duradouras a novas
circunstâncias - art. 1.º, n.º 4;
✓ A convenção de arbitragem deve adotar forma escrita - art. 2.º, n.º1;
✓ A exigência de forma escrita tem-se por satisfeita quando a convenção conste de
documento escrito assinado pelas partes, troca de cartas, telegramas, telefaxes ou
outros meios de telecomunicação de que fique prova escrita, incluindo meios
electrónicos de comunicação - art. 2.º, n.º 2;
✓ Considera-se que a exigência de forma escrita da convenção de arbitragem está
satisfeita quando esta conste de suporte electrónico, magnético, óptico, ou de outro tipo,
que ofereça as mesmas garantias de fidedignidade, inteligibilidade e conservação - art.
2.º, n.º 3;
✓ É nula a convenção de arbitragem que não seja reduzida a escrito - art.º 3.º.
Necessária (no casos de serviços públicos essenciais)
ARBITRAGEM VOLUNTÁRIA
➔ Árbitros
O tribunal arbitral pode ser constituído por um único árbitro ou por vários, em número ímpar
(art. 8º nº1) Se as partes não tiverem acordado no número de membros do tribunal arbitral, é
este composto por três árbitros (nº2).
✓ Os árbitros devem ser pessoas singulares e plenamente capazes (art.9 nº1)
✓ Os árbitros devem ser independentes e imparciais (art.9º nº3)
✓ Os árbitros não podem ser responsabilizados por danos decorrentes das decisões por
eles proferidos, salvo nos casos em que os magistrados judiciais o possam ser (nº4)
➔ Competência dos tribunais arbitrais
O tribunal arbitral pode decidir sobre a sua própria competência, mesmo que para esse fim
seja necessário apreciar a existência, a validade ou a eficácia da convenção de arbitragem ou
do contrato em que ela se insira, ou a aplicabilidade da referida convenção (Art.18º)
➔ Processo arbitral
O processo arbitral deve respeitar os seguintes princípios fundamentais, art30º:
a) O demandado é citado para se defender;
b) As partes são tratadas com igualdade e deve ser-lhes dada uma oportunidade razoável de
fazerem valer os seus direitos, por escrito ou oralmente, antes de ser proferida a sentença final;
c) Em todas as fases do processo é garantida a observância do princípio do contraditório, salvo
as exceções previstas na lei.
A observância do principio do contraditório exige que o tribunal tenha em conta todos os
argumentos aduzidos pelas partes nas respetivas peças escritas e alegações orais.
A violação dos princípios fundamentais do processo arbitral constitui fundamento de anulação
da sentença arbitral, “se tiver tido influência decisiva na resolução do litigio” Art.46 nº3 a) ii
As partes podem livremente fixar o lugar da arbitragem, no entanto, na falta de acordo, o lugar
é fixado pelo tribunal arbitral, conforme o art.31.
Além disso, as partes podem, por acordo, escolher livremente a língua a utilizar no processo
arbitral, no entanto, na falta de acordo, será o tribunal arbitral a determinar a língua a utilizar
no processo. Art.32º
Inicio do processo – Petição – Contestação
1º O processo arbitral tem início na data em que o pedido de submissão desse litígio a
arbitragem é recebido pelo demandado. Art 33º nº1
2º O demandante apresenta a sua petição, em que enuncia o seu pedido e os factos em que
este se baseia e o demandado apresenta a sua contestação. Art.33 nº2
Caso o demandante não apresente a sua petição conforme o art.33º nº2, o tribunal arbitral põe
termo ao processo arbitral. Art.35º nº1
Caso o demandado não apresente a sua contestação conforme o nº2 do art 33º, o tribunal
arbitral prossegue o processo arbitral, sem considerar esta omissão, em si mesma, como uma
aceitação das alegações do demandante, ou seja, não se consideram confessados os factos.
Art.35 nº2.
✓ Qualquer uma das partes podem, no decurso do processo arbitral, modificar ou
completar a sua petição ou a sua contestação → art.33 nº3
Por sua iniciativa ou a pedido das partes, o tribunal arbitral pode nomear um ou mais peritos
para elaborarem um relatório, escrito ou oral, sobre pontos específicos a determinar pelo
tribunal arbitral. Art.37º
Sentença arbitral e encerramento do processo
Os árbitros julgam segundo o direito constituído, a menos que as partes determinem, por
acordo, que julguem segundo a equidade. Art.39 nº1
No caso de as partes lhe terem confiado essa missão, o tribunal pode decidir o litígio por apelo
à composição das partes na base do equilíbrio dos interesses em jogo.
A sentença proferida pelo tribunal arbitral que se pronuncie sobre o fundo da causa ou que,
sem conhecer deste, ponha termo ao processo arbitral, só pode ser suscetível de recurso para
o tribunal estadual competente no caso, se as partes tiverem expressamente previsto tal
possibilidade na convenção de arbitragem e se a causa não tiver sido decidida segundo a
equidade ou mediante decisão amigável. Art.39 nº4
Ainda assim, é sempre admissível a faculdade de as partes recorrerem para o Tribunal
Constitucional com fundamento na questão de invalidade da norma aplicada ou cuja
aplicação foi recusada pela sentença arbitral, já que o recurso de constitucionalidade ou
legalidade qualificada para aquele Tribunal é irrenunciável (artigo 73.º da Lei do Tribunal
Constitucional).
Em caso de um processo arbitral com mais de um árbitro, qualquer decisão do tribunal arbitral
é tomada pela maioria dos seus membros, caso contrário, é proferida pelo presidente do
tribunal. Art.40º
Se um arbitro se recusar a tomar parte na votação da decisão, os outros árbitros podem proferir
sentença sem ele, sendo as partes posteriormente informadas da recusa de participação desse
arbitro na votação. Art.40º nº2
A sentença arbitral, que é necessariamente fundamentada, deve revestir a forma escrita, ser
assinada pelo árbitro ou árbitros nos termos do n.º 1 do artigo 42.º da LAV e, ainda, mencionar a
data em que foi proferida e o local da arbitragem (n.º 4 do artigo 42.º da LAV).
Salvo convenção em contrário, o tribunal pode decidir sobre o fundo da causa através de uma
única sentença ou várias sentenças parciais (n.º 2 do artigo 42.º da LAV).
A sentença arbitral da qual não caiba recurso e que não seja passível de alteração, nos termos
do artigo 45.º da LAV, tem para as partes o mesmo caráter obrigatório e força executiva do que
uma sentença proferida por um tribunal estadual, com trânsito em julgado (n.º 7 do artigo 42.º
da LAV).
Prazo para proferir sentença (art.43º):
Os árbitros devem notificar às partes a sentença final proferida sobre o litígio dentro de um
prazo de 12 meses a contar da data de aceitação do último arbitro, salvo se as partes tiverem
acordado prazo diferente.
A falta de notificação da sentença final dentro do prazo máximo determinado, põe
automaticamente termo ao processo arbitral, fazendo também extinguir a competência dos
árbitros para julgarem o litígio que lhes foi submetido.
Encerramento do processo (Art.44):
Quando termina o processo arbitral?
➔ For proferida a sentença final
➔ For ordenado o encerramento do processo pelo tribunal arbitral
O tribunal ordena o encerramento do processo arbitral, quando se verificarem as alíneas do
art.44º nº2
➢ Centros de arbitragem
“Os centros de arbitragem fornecem informações, mediação e conciliação às pessoas em
conflito.
Quando as pessoas envolvidas no conflito não chegam a acordo, passa-se à arbitragem.
A arbitragem é feita por um tribunal arbitral, organizado pelo centro de arbitragem. Pode
recorrer à arbitragem:
➔ para resolver conflitos que já aconteceram (assinando um compromisso arbitral)
➔ para evitar conflitos que possam surgir no futuro (incluindo uma cláusula
compromissória num contrato).
Uma sentença de um tribunal arbitral tem o mesmo peso que uma sentença emitida por um
tribunal judicial.
Se uma das partes não cumprir a sentença arbitral, a outra parte pode recorrer a um tribunal
de primeira instância para executar a sentença.
Os processos de arbitragem demoram, no máximo, 12 meses. Os processos de arbitragem em
centros de arbitragem apoiados pelo Ministério da Justiça demoram entre 2 a 3 meses.”
MEDIAÇÃO
O processo de mediação observa os seguintes princípios:
➔ voluntariedade
➔ confidencialidade
➔ igualdade
➔ imparcialidade
➔ independência
➔ competência e responsabilidade
➔ executoriedade
Sistema de mediação laboral (protocolo de acordo)
O mediador laboral reúne-se com o empregador e o trabalhador e ajuda-os a chegar a
um acordo, que é escrito e assinado. Se não houver acordo, mantém-se a possibilidade de
recorrer ao tribunal.
Quem pode pedir a mediação laboral?
➔ Empregador (se for uma entidade coletiva, deve ser escolhido um mandatário)
➔ Trabalhador com contrato individual de trabalho
Ambas as partes devem estar de acordo quanto à participação na mediação laboral, que é um
procedimento voluntário.
O pedido de mediação também pode ser feito por um juiz, ou pelo Ministério Público, que
encaminha as partes para o Sistema de Mediação Laboral no âmbito de um processo
relacionado com questões de direito laboral (de trabalho).
O Sistema de Mediação Laboral (SML) pode mediar vários conflitos de
trabalho, tais como:
• conflitos relacionados com o pagamento de salários ou de suplementos remuneratórios
• conflitos relacionados com o pagamento de indemnizações
• conflitos relacionados com o pagamento de subsídios em atraso
• conflitos relacionados com promoções
• conflitos relacionados com a mudança de local de trabalho
• conflitos relacionados com a mudança de horário de trabalho
• conflitos relacionados com a mudança de categoria profissional
• conflitos relacionados com o trabalho suplementar
• conflitos relacionados com a marcação de férias
• conflitos relacionados com um procedimento disciplinar
• conflitos relacionados com a recusa de formação profissional
• conflitos relacionados com o não cumprimento das regras de segurança, higiene e
saúde no trabalho
• conflitos relacionados com a cedência do trabalhador a outra empresa
• conflitos relacionados com o exercício de outra atividade em concorrência com a
empresa
• conflitos relacionados com o não reconhecimento do estatuto de trabalhador-estudante
• conflitos relacionados com a natureza do contrato de trabalho.
Há conflitos que não podem ser mediados, como:
• os que impliquem trabalhadores com contrato de trabalho coletivo
• os que impliquem direitos indisponíveis do trabalhador (como o direito à reforma, à
saúde, à organização coletiva e sindical, à greve, às férias, à privacidade)
• os que resultem de acidentes de trabalho.
Mediação Familiar (Despacho 13/2018)
A mediação familiar permite resolver conflitos, divergências e ruturas familiares de forma
sensível, célere e eficaz.
O Sistema de Mediação Familiar (SMF) é um serviço promovido pelo Ministério da Justiça e está
disponível em todo o território nacional.
O SMF tem competência para mediar todo o tipo de conflitos com origem em relações
familiares, designadamente os que possam surgir:
• de casos de separação ou divórcio
• da regulação, alteração ou incumprimento de responsabilidades parentais
• sobre o destino a dar à casa de morada de família (em casos de separação ou divórcio).
Quem pode pedir mediação familiar?
Por qualquer pessoa envolvida em conflitos, divergências ou ruturas familiares (incluindo em
casos de divórcio, separação e regulação do exercício das responsabilidades parentais).
A mediação familiar também está prevista no art.24º do RGPTC e 1774º cc (PROCESSO DE
DIVORCIO)
Mediação Penal (Lei 21/2007)
O SMP tem competência para mediar conflitos resultantes da prática de determinados crimes.
Para haver lugar a mediação penal é necessário que:
• exista um processo-crime;
• estejam em causa crimes que dependam de acusação particular ou de queixa;
• estejam em causa crimes contra as pessoas ou contra o património*, puníveis com pena
de prisão até 5 anos ou pena de multa;
• não estejam em causa crimes contra a liberdade ou contra autodeterminação sexual;
• o ofendido tenha idade igual ou superior a 16 anos;
• a forma de processo em causa não seja o processo sumário ou sumaríssimo;
✓ Entre os crimes suscetíveis de mediação contam-se a ofensa à integridade física simples
ou por negligência, a ameaça, a difamação, a injúria, a violação de domicílio ou
perturbação da vida privada, o furto, o abuso de confiança, o dano, a alteração de
marcos, a burla, a burla para obtenção de alimentos, bebidas ou serviços e a usura.
O acordo obtido através da mediação penal tem obrigatoriamente que ser revisto pelo
Ministério Publico, para verificação da sua legalidade.
Caso o Ministério Público concorde com o conteúdo, o acordo obtido na mediação penal
equivale a desistência de queixa por parte do ofendido e à não oposição do arguido, findando
deste modo o processo de mediação penal.
Caso o acordo não seja cumprido no prazo fixado, o ofendido pode renovar a queixa no prazo
de um mês e o inquérito é reaberto.
Exemplos de acordos possíveis:
• pagamento de uma quantia pecuniária;
• pedido de desculpas;
• reconstrução ou reparação do bem danificado.
Mediação pré judicial - Visa verificar se o litígio pode ser objecto
de mediação, a capacidade das partes
➔ Antes de instaurar a ação
para a sua celebração, o respeito pelos
➔ Suspende os prazos de caducidade e
princípios gerais do Direito, e se o seu
prescrição a partir da data em que foi
conteúdo não viola a ordem pública;
assinado o protocolo de mediação
(só é aplicável à mediação civil - art.º - O juiz pode recusar e as partes têm 10 dias
13, n.º 3 da Lei da Mediação); para alterar, querendo (art. 14.ºLM)
➔ Comprovativo - o mediador ou as
entidades gestoras emitem o
comprovativo donde conste a Valor do acordo de mediação
identificação da parte que efetuou o
Nos termos do disposto no art. 9.º, al. e) da
pedido de mediação, a contraparte e
Lei 29/2013, o acordo de mediação em que
a identificação do objeto da
tenha participado um mediador de conflitos
mediação.
inscrito na lista de mediadores de conflitos
organizada pelo Ministério da Justiça, tem
força executiva sem necessidade de
Mediação na pendência de processo
homologação judicial.
judicial
→ Pode haver suspensão da instância
motivada pela remessa do processo para Procedimento de mediação
mediação por iniciativa: 1. Contacto de agendamento da sessão de
- do juiz, salvo se houver oposição expressa pré-mediação;
de uma das partes (art. 273.º CPC); 2. Sessão de pré mediação com caracter
- por requerimento conjunto das partes informativo;
(pelo prazo máximo de 3 meses) a 3. Assinatura do protocolo de mediação; 4
suspensão é automática e não carece de
despacho, com a comunicação por . Sessões de mediação (sessões conjuntas
qualquer das partes do recurso a sistema de sessões individuais);
mediação (art. 273.º CPC). 5. Acordo (livremente fixado pelas partes e
assinado por elas e pelo mediador);
* Na impossibilidade de acordo, o mediador 6. Fim da mediação.
dá conhecimento ao Tribunal.
Homologação facultativa do acordo
- Quando não seja obrigatório, as partes
têm a faculdade de requerer a
homologação judicial do acordo obtido em
mediação pré judicial;
➢ JULGADOS DE PAZ
- criados por parcerias entre o Ministério a Justiça e os Municípios;
- nova forma de administração da justiça - art. 2.º
- resolução de conflitos de forma rápida.
Os Julgados de Paz têm competência para apreciar e decidir ações declarativas cíveis, com
exceção das que envolvam matérias de direito da família, direito das sucessões e direito do
trabalho, cujo valor não exceda os 15.000 € (art.8), abrangendo, nomeadamente, ações:
• para cumprimento de obrigações, com exceção de obrigações pecuniárias que digam
respeito a contratos de adesão;
• para entrega de coisas móveis (ex: ações para entrega de documentos);
• resultantes de direitos e deveres dos condóminos* (ex: pagamento de obras,
manutenção de elevadores);
• para resolução de litígios entre proprietários de prédios (ex: passagem forçada
momentânea, escoamento natural de águas, comunhão de valas, regueiras e valados,
sebes vivas, abertura de janelas, portas, varandas e obras semelhantes);
• de reinvindicação, possessórias, usucapião, acessão e divisão de coisa comum;
• que respeitem ao direito de uso e administração da compropriedade, da superfície, do
usufruto, de uso e habitação e ao direito real de habitação periódica (exemplo: ação de
divisão de coisa comum);
• que digam respeito ao arrendamento urbano, exceto as ações de despejo (exemplo:
ação de condenação para pagamento das rendas);
• que respeitem à responsabilidade civil contratual e extracontratual (exemplo:
decorrentes de acidentes de viação, decorrentes de danos causados por coisas, animais
ou atividades);
• que respeitem ao incumprimento civil contratual, exceto contrato de trabalho e
arrendamento rural;
• que respeitem à garantia geral das obrigações (exemplo: ação de declaração de
nulidade, ação de impugnação pauliana, etc.);
• relativas a pedidos de indemnização cível, quando não tenha sido apresentada
participação criminal ou após desistência da mesma **.
• (*) quando a assembleia de condóminos não tenha deliberado sobre a obrigatoriedade de compromisso
arbitral para a resolução de litígios entre condóminos ou entre condóminos e o administrador.
• (**) emergentes dos seguintes crimes: ofensas corporais simples; ofensa à integridade física por
negligência; difamação; injúrias; furto simples; dano simples; alteração de marcos; burla para obtenção
de alimentos, bebidas ou serviços.
- Prazo médio de resolução: 3 meses
-Custas: taxa única de 70,00 € (50,00 € se houver acordo) - Portaria n.º 342/2019, de 01 de
Outubro
-Sentença = título executivo
-Princípios: informalidade, oralidade, e economia processual - art. 2.º, art 43.º, art.59.º
-Valor da decisão proferida pelo juiz de paz é igual ao de uma sentença proferida por tribunal
judicial de 1ª instância. - art. 61.º - Recurso
- as decisões proferidas nos processos cujo valor exceda metade do valor da alçada do tribunal
de 1.ª instância podem ser impugnadas por meio de recurso a interpor para a secção
competente do tribunal de comarca em que esteja sediado o julgado de paz (efeito meramente
devolutivo )- art. 61.º
➔ Os litígios que dão entrada nestes tribunais podem ser resolvidos através de mediação,
conciliação ou por meio de sentença.
Depois de iniciado o processo, o Julgado de Paz propõe às partes a resolução do litígio com
recurso à mediação. Uma vez voluntariamente aceite pelas partes e selecionado o mediador,
inicia-se o processo de mediação. O acordo que possa vir a ser estabelecido será,
posteriormente, homologado pelo juiz de paz, tendo o valor de uma sentença.
A mediação só tem lugar se as partes concordarem e visa proporcionar às partes a
possibilidade de resolverem as suas divergências de forma amigável, com a intervenção do
mediador.
Ao contrário de um juiz ou de um árbitro, o mediador não tem poder de decisão, pelo que não
emite qualquer deliberação ou sentença. O mediador guia as partes, ajuda-as a estabelecer a
comunicação necessária para que possam encontrar, por si mesmas, a base do acordo que
porá fim ao conflito. As partes são assim responsáveis pelas decisões que constroem com o
auxílio do mediador, que é um terceiro imparcial com formação específica, selecionado pelo
Ministério da Justiça.
Caso o acordo entre as partes seja obtido na mediação, é sujeito a homologação do Juiz de
Paz, a qual, uma vez obtida, assume o valor de sentença.
Caso a mediação não resulte num acordo, o processo segue os seus trâmites e o juiz de paz
tenta a conciliação, propondo uma solução para o litígio. Caso não se alcance a conciliação,
há lugar à audiência de julgamento, presidida pelo juiz de paz, sendo ouvidas as partes,
produzida a prova e finalmente, proferida a sentença.
As decisões proferidas nos Julgados de Paz nos processos cujo valor exceda metade do valor
da alçada do tribunal de 1.ª instância (valor igual ou superior a € 2500,01) podem ser
impugnadas por meio de recurso a interpor para o tribunal de comarca em que esteja sediado
o julgado de paz.
As partes têm de comparecer pessoalmente, podendo, se o desejarem, fazer-se acompanhar
por advogado, advogado estagiário ou solicitador. Todavia, a constituição de advogado é
sempre obrigatória nos casos especialmente previstos na lei (por exemplo, quando a pessoa
seja analfabeta ou desconheça a língua portuguesa) e quando seja interposto recurso da
sentença.
Resumo