Texto Complementar- EXERCÍCIOS DE LÓGICA A TÍTULO DE ILUSTRAÇÃO E
PROVOÇÃO
PARA FACILITAR A COMPREENSÃO 2024
Lógica -Dedução: Partindo do geral para chegar ao particular.
Raciocinar ou argumentar é um ato característico da inteligência humana. Trata-se de um
tipo de operação discursiva do pensamento que consiste em encadear premissas para deles extrair
uma conclusão.
Por premissa ou proposição entendemos a afirmação ou a negação da identidade de dois
conceitos ou termos. Exemplo: Todo homem é mortal.
O raciocínio chega de uma premissa a uma conclusão, passando por várias outras premissas
intermediárias. Nesse sentido, podemos dizer que o raciocínio é um conhecimento mediato ou
indireto, isto é, intermediado por vários outros. Assim, é o contrário da intuição, que é o
conhecimento imediato.
Raciocinamos ou argumentamos quando colocamos premissas que contenham evidências
em uma ordem tal que necessariamente nos levam a uma conclusão.
Raciocínio dedutivo
Podemos raciocinar ou argumentar logicamente de três modos diferentes, fazendo uso da dedução,
da indução ou da analogia. Vamos examinar aqui o primeiro tipo de raciocínio, que mereceu uma atenção
toda especial dos lógicos, desde Aristóteles.
A dedução é um tipo de raciocínio que parte de uma proposição geral (referente a todos os elementos
de um conjunto) e conclui com uma proposição particular (referente a parte dos elementos de um conjunto),
que se apresenta como necessária, ou seja, que deriva logicamente das premissas. Veja o exemplo:
Todo brasileiro é sul-americano. (Premissa maior)
Ora, todo paulista é brasileiro. (Premissa menor)
Logo, todo paulista é sul-americano. (Conclusão)
Aristóteles chamava o raciocínio dedutivo de silogismo e o considerava um modelo de rigor lógico.
Entretanto, é importante notar que a dedução não traz conhecimento novo, uma vez que a conclusão sempre
se apresenta como um caso como um caso particular da lei geral.
Assim, a dedução organiza e especifica o conhecimento que já temos. Ela tem como ponto de partida o
plano do inteligível, ou seja, da verdade geral, já estabelecida.
Sofismas ou falácias Existem também os raciocínios ou argumentos que são incorretos, e que visam
induzir ao erro. Chamam-se falácia ou sofisma, e, em geral, contêm falhas no âmbito formal ou material. Eis
um exemplo que tem circulado pela Internet, com outros de igual calibre, para fazer graça:
Toda regra tem exceção.
Isto é uma regra e, portanto, tem exceção.
Logo, nem toda regra tem exceção.
Observe que a premissa maior é um dito popular, baseado no senso comum, cujo caráter verdadeiro é
discutível. É isso o que possibilita extrair a conclusão paradoxal ou absurda.
Também é um sofisma ou falácia a generalização indevida, isto é, algo que é correto para um grupo
restrito de elementos é generalizado para toda a espécie. Considere ainda a seguinte proposição: “Todo
criminoso merece a ir para a cadeia”. Neste caso, temos uma falácia de falsa premissa, a partir do momento
em que existem penas alternativas, em que se deve verificar a natureza e a gravidade do crime, etc.
Vejamos alguns exemplos práticos:
1) Todas as amigas de Aninha que foram à sua festa de aniversário estiveram antes na festa de
aniversário de Betinha. Como nem todas amigas de Aninha estiveram na festa de aniversário de
Betinha, conclui-se que, das amigas de Aninha:
A. todas foram à festa de Aninha e algumas não foram à festa de Betinha.
B. pelo menos uma não foi à festa de Aninha.
C. todas foram à festa de Aninha e nenhuma foi à festa de Betinha.
D. algumas foram à festa de Aninha mas não foram à festa de Betinha.
E. algumas foram à festa de Aninha e nenhuma foi à festa de Betinha.
Solução:
No enunciado diz que todas as amigas de Aninha que foram em sua festa de aniversário estiveram
antes na festa de Betinha. Como nem todas amigas de Aninha estiveram na festa de Betinha,
logo, nem todas amigas de aninha estiveram na festa de Aninha. Olhando as alternativas, a
única que nos serve é a ALTERNATIVA B.
2) Três irmãos - João, Eduardo e Ricardo - jogavam futebol quando, em dado momento, quebraram
a vidraça da sala de sua mãe. Furiosa a mãe perguntou quem foi o responsável.
- Foi Ricardo, disse João
- Fui eu, disse Eduardo
- Foi Eduardo disse Ricardo
Somente um dos três garotos dizia a verdade, e a mãe sabia que Eduardo estava mentindo.
Então
a) Ricardo, além de mentir quebrou a vidraça.
b) João mentiu, mas não quebrou a vidraça.
c) Ricardo disse a verdade.
d) Não Foi Ricardo que quebrou a vidraça.
e) Quem quebrou a vidraça foi Eduardo ou João.
Solução:
Eduardo declarou que ele mesmo quebrou a vidraça. Como, pelo enunciado, sabemos que ele
mentia, podemos concluir: NÃO FOI EDUARDO.
Ricardo disse que Eduardo quebrou a vidraça. Como já sabemos que não foi Eduardo, concluímos:
RICARDO MENTIU.
Somente um dos três garotos disse a verdade e sabemos que Eduardo e Ricardo mentiram. Logo:
JOÃO DISSE A VERDADE.
Portanto, QUEM QUEBROU A VIDRAÇA FOI RICARDO, pois assim disse João.
ALTERNATIVA: A
3) Quatro amigos, André, Beto, Caio e Dênis, obtiveram os quatro primeiros lugares em um
concurso de oratória julgado por uma comissão de três juízes. Ao comunicarem a classificação
final, cada juiz anunciou duas colocações, sendo uma delas verdadeira e a outra falsa:
Juiz 1: "André foi o primeiro; Beto foi o segundo"
Juiz 2: "André foi o segundo; Dênis foi o terceiro"
Juiz 3: "Caio foi o segundo; Dênis foi o quarto"
Sabendo que não houve empates, o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto colocados
foram, respectivamente,
A. André, Caio, Beto, Dênis
B. André, Caio, Dênis, Beto
C. Beto, André, Dênis, Caio
D. Beto, André, Caio, Dênis
E. Caio, Beto, Dênis, André
Solução:
Cada juiz fala uma verdade e uma mentira. Vamos usar tabelas. Na primeira vamos supor (de
acordo com o primeiro juiz) que André foi o primeiro colocado, e assim iremos encaixando a
colocação dos outros juízes. Colocaremos entre parênteses aquilo que ainda não está confirmado.
Classificação Juiz 1 Juiz 2 Juiz 3
1 André (André) (Dênis)
2 Caio
3 (Beto) Dênis (Dênis)
4 (Beto) (André)
Não precisamos fazer mais tabelas pois já podemos concluir que André foi o primeiro colocado,
Caio o segundo, Dênis o terceiro e por último Beto.
ALTERNATIVA: B
4) Eu tenho três bolas: A, B, C. Pintei uma de vermelho, uma de branco e outra de azul, não
necessariamente nessa ordem. Somente uma das seguintes afirmações é verdadeira:
A é vermelha
B não é vermelha
C não é azul
Então:
a) A é azul, B é branca, C é vermelha
b) A é azul, B é vermelha, C é branca
c) A é branca, B é azul, C é vermelha
d) A é branca, B é vermelha, C é azul
e) A é vermelha, B é azul, C é branca.
Solução:
O quadro abaixo mostra as três hipóteses possíveis para este problema, tendo em vista que somente
uma das afirmações dadas são verdadeira.
hipótese 1 hipótese 2 hipótese 3
A é vermelha V F F
B não é vermelha F V F
C não é azul F F V
Hipótese 1: A afirmação "A é vermelha é verdadeira. Conclusão: A é VERMELHA
A afirmação "B não é vermelha" é falsa. Conclusão: B é VERMELHA
Chegamos, portanto, a duas conclusões conflitantes, pois não podemos ter duas bolas
da mesma cor. Logo, esta hipótese é INCOERENTE.
Hipótese 2: A afirmação "C não é azul" é falsa. Conclusão: C é AZUL.
A afirmação "B não é vermelha" é verdadeira. Assim B não pode ser vermelha, mas
também não pode ser azul, já que esta é a cor de C. Conclusão: B é BRANCA.
A afirmação "A é vermelha" é falsa. Assim, A não pode ser vermelha, mas também
não pode ser azul, pois esta é a cor de C, nem pode ser branca, pois esta é a cor de B. Ou seja, A
não pode ter nenhuma das três cores. Logo, esta hipótese é INCOERENTE.
Hipótese 3: A afirmação " B não é vermelha é falsa". Conclusão: B é VERMELHA.
A afirmação "C não é azul" é verdadeira. Assim, C não pode ser azul, nem pode ser
vermelha, pois esta é a cor de B. Conclusão: C é BRANCA
A afirmação "A é vermelha" é falsa. Portanto, A não pode ser vermelha, nem pode ser
branca, pois esta é a cor de C. Conclusão: A é azul.
Esta hipótese não levou a conclusões impossíveis ou conflitantes, sendo, por isso COERENTE.
Assim sendo, a hipótese 3 é a única coerente, podemos concluir portanto:
A é AZUL, B é VERMELHA, C é BRANCA
ALTERNATIVA B
5) Recebi um cartão onde estavam impressas 4 informações:
1) Neste cartão exatamente uma sentença é falsa
2) Neste cartão exatamente duas sentenças são falsas
3) Neste cartão exatamente três sentenças são falsas
4) Neste cartão exatamente quatro sentenças são falsas
Qual dessas afirmações são falsas?
Solução:
Não é possível que haja mais de uma sentença verdadeira, já que cada uma contradiz as outras.
Assim, ficamos entre duas hipóteses: ou apenas uma é verdadeira ou todas são falsas.
Mas, se todas fossem falsas, a 4ª sentença seria verdadeira, o que é incoerente.
Conclusão: Apenas uma sentença é verdadeira e as outras são falsas.
É fácil observar que a sentença verdadeira é a terceira, pois é a única que afirma que há
exatamente três sentenças falsas.
6) (AFC / 96) Se Beto briga com Glória, então Glória vai ao cinema. Se Glória vai ao cinema, então
Carla fica em casa. Se Carla fica em casa, Então Raul briga com Carla. Ora, Raul não briga com
Carla. Logo:
a) Carla não fica em casa e Beto não briga com Glória
b) Carla fica em casa e Glória vai ao cinema
c) Carla não fica em casa e Glória vai ao cinema
d) Glória vai ao cinema e Beto briga com Glória
e) Glória não vai ao cinema e Beto briga com Glória
Solução:
Se Beto BRIGA com Glória Glória VAI ao cinema Carla FICA em casa Raul BRIGA
com Carla.
O enunciado informa, entretanto, que Raul não briga com Carla. Podemos, então, concluir:
Carla NÃO FICA em casa; Glória NÃO VAI ao cinema; Beto NÃO BRIGA com Glória
Alternativa A
7) Se Carlos é mais velho do que Pedro, então Maria e Júlia têm a mesma idade. Se Maria e Júlia
têm a mesma idade, então João é mais moço do que Pedro. Se João é mais moço do que Pedro,
então Carlos é mais velho do que Maria. Ora, Carlos não é mais velho do que Maria. Então:
a) Carlos não é mais velho do que Júlia e João é mais moço do que Pedro
b) Carlos é mais velho do que Pedro, e Maria e Júlia têm a mesma idade
c) Carlos e João são mais moços do que Pedro
d) Carlos é mais velho do que Pedro, e João é mais moço do que Pedro
e) Carlos não é mais velho do que Pedro, e Maria e Júlia não têm a mesma idade.
Solução:
Carlos É mais velho do que Pedro Maria e Júlia TÊM a mesma idade João É mais moço que
Pedro Carlos É mais velho do que Maria
Mas o enunciado diz que Carlos NÃO É mais velho do que Maria. Se a última proposição não é
verdadeira, é porque necessariamente as proposições anteriores também não são. Ou seja:
João NÃO É mais moço do que Pedro
Maria e Júlia NÃO TÊM a mesma idade
Carlos NÃO É mais velho do que Pedro.
Alternativa E
8) Assinale a alternativa em que se chega a uma conclusão por um processo de dedução.
a) Vejo um cisne branco, outro cisne branco, outro cisne branco...então todos os cisnes são brancos.
b) Vi um cisne, então ele é branco.
c) Vi dois cisnes brancos, então outros cisnes devem ser brancos.
d) Todos os cisnes são brancos, então este cisne é branco.
e) Todos os cisnes são brancos, então este cisne pode ser branco.
Solução:
O processo de DEDUÇÃO é aquele que, partindo de considerações gerais, permite-nos chegar a
conclusões particulares. Ou seja, parte-se do geral, para se chegar ao individual. É diferente do
processo de INDUÇÃO que parte do individual para se chegar ao geral.
A alternativa "D" é a única que nos permite chegar a uma conclusão pelo processo de dedução.
Observe que na alternativa "E", ao se dizer que "este cisne pode ser branco", significa que também
pode não ser, ou seja, nada conclui.
Alternativa D
9) Todo cavalo é um animal. Logo,
a) Toda cabeça de animal é cabeça de cavalo.
b) Nenhum animal é cavalo.
c) Todo animal é cavalo.
d) Nem todo cavalo é animal.
e) Toda cabeça de cavalo é cabeça de animal.
Solução:
Alternativa E. A conclusão é imediata.
10) Toda criança é feliz. Algumas pessoas que usam óculos são infelizes. Logo:
a) as pessoas que não usam óculos são felizes.
b) algumas crianças que usam óculos são infelizes.
c) todas as crianças que usam óculos são felizes.
d) nenhuma criança usa óculos.
e) todas as alternativas anteriores estão incorretas.
Solução:
Ao afirmar que toda criança é feliz, não se faz qualquer exceção. Assim, basta ser criança para ser
feliz, não importa se usa óculos ou não. Assim, todas as crianças que usam óculos também são
felizes.
Alternativa C
Fonte: [Link]
Obs. Exercícios, resolvidos ampliados e facilitados em maio de 2024, por Vilmar Serighelli,
professor de Teoria da Argumentação e Lógica Jurídica do Instituto Superior do Litoral do Paraná –
ISULPAR.
Curitiba, maio de 2024
Prof. Vilmar Serighelli