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Agropecuária e Degradação no Sepotuba

O estudo analisa a evolução da expansão agropecuária e a degradação ambiental na bacia do rio Sepotuba, Mato Grosso, entre 1986 e 2016, utilizando imagens de satélite e o Índice de Transformação Antrópica. Os resultados indicam uma forte relação entre a agropecuária e a supressão da cobertura nativa, com diferentes graus de comprometimento ambiental nas sub-bacias. A pesquisa destaca a importância de geotecnologias na avaliação das mudanças de uso da terra e seus impactos ambientais.

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Agropecuária e Degradação no Sepotuba

O estudo analisa a evolução da expansão agropecuária e a degradação ambiental na bacia do rio Sepotuba, Mato Grosso, entre 1986 e 2016, utilizando imagens de satélite e o Índice de Transformação Antrópica. Os resultados indicam uma forte relação entre a agropecuária e a supressão da cobertura nativa, com diferentes graus de comprometimento ambiental nas sub-bacias. A pesquisa destaca a importância de geotecnologias na avaliação das mudanças de uso da terra e seus impactos ambientais.

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LEANDRO; ROCHA Expansão agropecuária e degradação ambiental

DOI: [Link]

Artigos

Expansão agropecuária e degradação


ambiental na bacia hidrográfica do rio
Sepotuba - Alto Paraguai, Mato Grosso - Brasil
Agricultural expansion and environmental degradation
in the Sepotuba river basin - Upper Paraguai River
basin, Mato Grosso State - Brazil

Gustavo Roberto dos Santos Leandro1


Paulo Cesar Rocha2

Resumo
As diversas formas de apropriação geram importantes mudanças e
impactos nas paisagens. Nesse sentido, o presente trabalho objetivou
analisar a evolução espaço-temporal da expansão agropecuária, bem como
os índices de degradação ambiental na bacia hidrográfica do rio Sepotuba,
Alto Paraguai - Mato Grosso. Para tanto, imagens de satélite foram
georreferenciadas, classificadas e processadas para o período de 1986-
2016. Os mapas temáticos foram validados com auxílio do Índice Kappa e
subsidiaram a avaliação das mudanças com o Índice de Transformação
Antrópica - ITA. Os resultados mostraram que há forte relação entre a
agropecuária e a supressão de importantes extensões da cobertura nativa.
No alto e médio curso, Tangará da Serra como polo tem importante papel
em relação às monoculturas; e no baixo curso, Cáceres exerce sua
influência com a predominância da pecuária. Importantes fitofisionomias
que compõem a bacia hidrográfica do rio Sepotuba foram identificadas -
resultado da convergência entre os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.
Os resultados obtidos indicam ainda diferentes graus de comprometimento
da qualidade ambiental no sistema do rio Sepotuba, conforme a expansão
dos usos e ocupação da terra em suas sub-bacias hidrográficas.
Palavras-chave: Uso da terra; Análise ambiental; Geotecnologias; rio
Sepotuba; Mato Grosso.

Abstract
The diverse forms of appropriation, generate important changes and
impacts in the landscapes. In this sense, the present work aimed to
analyze the spatial-temporal evolution of agricultural expansion and
environmental degradation indices in the Sepotuba River basin, Upper
Paraguay basin. For this purpose, satellite images were georeferenced,

1Programa de Pós-Graduação em Geografia, Faculdade de Ciências e Tecnologia – FCT, Universidade


Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, Presidente Prudente, São Paulo – Brasil.
gustavogeociencias@[Link]
2Departamento e Programa de Pós-Graduação em Geografia, Faculdade de Ciências e Tecnologia –

FCT, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, Presidente Prudente, São
Paulo – Brasil. pcrochag@[Link]
Artigo recebido em: 19/10/2018. Aceito para publicação em: 04/10/2019.

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classified and processed for the period 1986-2016. The thematic maps were
validated with the aid of the Kappa Index and subsidized the evaluation of
the changes through the Anthropic Transformation Index (ATI). The
results showed that there are a strong relationship between agriculture
and the suppression of important extensions of native coverage. In the
upper and middle course, Tangará da Serra as a pole that has an
important role in relation to monocultures. In the low course, Cáceres
exerts its influence with the predominance of Livestock. Important
phytophysiognomies that make up the Sepotuba river basin were
identified - a result of the convergence between the Amazon, Cerrado and
Pantanal biomes. The results obtained indicate different degrees of
impairment of environmental quality in the Sepotuba River system,
according to the expansion of land use and occupation in its sub-basins.
Keywords: Land use; Environmental analysis; Geotechnologies; Sepotuba
river; Mato Grosso.

Introdução

As bacias hidrográficas constituem importante unidade espacial de


análise tanto por sua dinâmica como por registrar os impactos associados à
extração e ao uso dos recursos naturais. Ao considerarmos sua totalidade e
complexidade, são eleitas para estudos ambientais - estrutura e
funcionamento de seus subsistemas; avaliações e diagnósticos
socioambientais - a fim de contribuir com o ordenamento territorial
(CARVALHO, 2014; SOUZA, 2013).
No sudoeste de Mato Grosso, a ocupação não indígena é datada por
volta do século XVIII, com a apropriação luso-espanhola (BINDANDI, 2014).
Todavia, a exploração dos recursos naturais, principalmente do solo e água,
foi intensificada ainda em 1970, sendo mais expressiva em meados de 1980
em razão da expansão agropecuária. Portanto, o território de Mato Grosso
apresentou modificações em sua estrutura nas últimas décadas. E, por
consequência, a degradação ambiental o coloca como um dos estados que
mais registraram tal realidade (LORENZON, 2016).
A bacia hidrográfica do Alto rio Paraguai - BAP, atrelada à dinâmica
na região administrativa, tem sido ocupada por diversas monoculturas.
Logo, estudos apontam para importantes questões e impactos associados

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(SERIGATTO, 2006; SOUZA et al., 2012). Conforme os autores, extensas


áreas nas bacias hidrográficas dos rios Bugres, Sepotuba, Cabaçal e Jauru,
importantes afluentes da margem direita, tiveram suas coberturas vegetais
substituídas, bem como trechos ao longo do próprio rio Paraguai (PESSOA
et al., 2013; SOUZA et al., 2012).
Segundo estudo apontado por Neves et al. (2015), a expansão das
atividades produtivas nas áreas de planalto da Bacia do Alto Paraguai tem
potencial para impactar os sistemas abióticos e bióticos do Pantanal. Nessa
perspectiva, pode-se destacar os trabalhos recentes desenvolvidos no âmbito
do seu sistema hidrográfico. Autores como Pessoa et al. (2013), Neves et al.
(2015), Lorenzon (2016), entre outros, analisaram a dinâmica de uso e
ocupação da terra com importantes resultados e indicadores.
Nesse contexto, as geotecnologias, tais como o Sensoriamento Remoto
e os Sistemas de Informações Geográficas (SIG), baseados em imagens
orbitais, constituem um excelente instrumental para análise e quantificação
do uso e cobertura da terra (PESSOA et al., 2013). Essas tecnologias podem
auxiliar na definição dos níveis de conservação ou degradação em diferentes
escalas espaço-temporal, sendo fundamental para o planejamento. Isso
porque contribuem para a reconstituição de cenários e prognósticos.
Diante do exposto inicialmente, a bacia hidrográfica do rio Sepotuba
demanda atenção quanto às formas de uso e à ocupação da terra, sobretudo
pelas interações hidromorfodinâmicas em seu sistema e, por conseguinte,
por sua relevante contribuição enquanto tributário da bacia hidrográfica do
Alto rio Paraguai – BAP e Pantanal. Sendo assim, o presente trabalho
objetiva analisar a evolução espaço-temporal da expansão agropecuária, bem
como índices de degradação ambiental na bacia hidrográfica do rio
Sepotuba, Alto rio Paraguai – Mato Grosso.

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Área de Estudo

O Alto rio Paraguai é constituído por importantes sistemas de


drenagem inseridos em áreas de Planalto. Sendo assim, alcançam o sistema
de planícies e megaleques aluviais, com destaque para o Pantanal Norte,
também conhecido como Pantanal de Cáceres. Assine et al. (2015) reforçam
a importância dos sistemas de planície quando destacam que o Pantanal é
uma bacia sedimentar situada no Centro-Oeste do Brasil, caracterizada pela
presença de um moderno trato deposicional aluvial, bem como pela interação
de vários tipos de sistemas desenvolvidos em uma das maiores e mais
importantes áreas úmidas do planeta.
A bacia hidrográfica do rio Sepotuba, afluente da margem direita,
abrange uma área de 9.903,98 km². Ainda, importantes setores de seu
sistema são sobrepostos pelos territórios de municípios como Tangará da
Serra e Cáceres, na região Sudoeste de Mato Grosso. A drenagem principal
da área encontra-se representada pelos rios Sepotubinha, Sepotuba,
Maracanã, Sapo, Formoso, Jubinha, Juba e Tarumã (Figura 1).

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Figura 1. Localização da bacia hidrográfica do rio Sepotuba, Alto Paraguai – Mato Grosso.

Org: os autores (2018).

Dessa forma, a investigação da bacia hidrográfica do rio Sepotuba foi


baseada no seu contexto geomorfológico entre as bordas da Chapada dos
Parecis, das planícies aluviais, em sua importância fitofisionômica,
considerando-se as transições entre o Cerrado e Amazônia, bem como na
contribuição de seu sistema fluvial para o Pantanal (SILVA et al., 2011;
SILVA et al., 2015).

Procedimentos Metodológicos

Estudos sobre as mudanças na cobertura vegetal baseiam-se,


frequentemente, no método de avaliação espaço-temporal (PESSOA et. al.,
2013). Como material, imagens dos satélites Landsat 5 e 8 foram utilizadas,
sendo as cenas 227/70, 227/71 e 228/70 dos anos de 1986 e 2016.

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Criou-se um banco de dados geográfico (BDG) no software SPRING,


versão 5.2.6, do Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE (CÂMARA
et al., 1996), utilizando o sistema UTM, fuso 21S e Datum Sirgas 2000. No
BDG, fez-se a importação das imagens para a composição do mosaico e seu
recorte pela área de estudo (máscara).
Em seguida, realizou-se a segmentação, por meio do método de
crescimento de regiões, com similaridade 100 e área de pixel 150. Fez-se
coleta de amostras/treinamento, classificação supervisionada (classificador
Bhattacharrya), com aceitação de 99,9% e edição matricial/vetorial. A edição
do mapeamento foi realizada no software ArcGis, versão 10.3 (ESRI, 2007),
com sobreposição da composição colorida RGB das bandas 4, 5 e 6.
A legenda das classes dos mapas de uso da terra e cobertura vegetal
foi definida a partir de pesquisas no relatório técnico do Projeto de
Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira
(PROBIO) (BRASIL, 2004) e no Manual Técnico de Vegetação e Uso da
Terra (IBGE 2012). Com a finalidade de verificar a confiabilidade do
mapeamento gerado com auxílio dos softwares Spring 5.2.6 e ArcGis 10.3, foi
realizada uma avaliação da exatidão, por meio do Índice Kappa, que varia
de -1 a 1, e quanto mais próximo de 1, maior a precisão da classificação,
conforme demonstrado na Tabela 1 (COHEN, 1960; LANDIS; KOCH, 1977;
SILVA, 2003).

Tabela 1. Qualidade da classificação associada aos valores da estatística Kappa


Índice Kappa Concordância
<0,00 Péssima
0,00 – 0,20 Ruim
0,20 – 0,40 Razoável
0,40 – 0,60 Boa
0,60 – 0,80 Muito Boa
0,80 – 1,00 Excelente
Fonte: Adaptada de Landis e Koch (1977, p.165)

O Índice de Transformação Antrópica (ITA) foi determinado a partir


das porcentagens de áreas das classes temáticas quantificadas no mapa de

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uso da terra e da cobertura vegetal de cada sub-bacia. O cálculo do índice foi


realizado usando a fórmula: ITA = (%USO X PESO)/100.
Desse modo, em que: ITA = Índice de Transformação Antrópica; Uso =
área em valores percentuais da classe de uso e cobertura; Peso = peso dado
aos diferentes tipos de uso e cobertura quanto ao grau de alteração
antrópica - varia de 1 a 10 (Tabela 2). A transposição dos valores
mensurados quantitativamente para classes qualitativas ocorreu por meio
de adoção do método de quartis utilizado por Cruz et al. (1998): pouco
degradada (0,00 - 2,50), regular (2,50 – 5,00), degradada (5,00 - 7,50) e muito
degradada (7,50 – 10,00) (RODRIGUES et al., 2015).

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Tabela 2. Pesos atribuídos às classes temáticas de cobertura vegetal e uso da terra.


Categorias Classes Pesos
Agricultura 8,00
Influência urbana 9,70
Uso da terra
Pecuária 5,50
Silvicultura 1,00
Écotono 1,00
Floresta aluvial 1,00
Floresta submontana 2,00
Cobertura vegetal
Floresta terras baixas 1,00
Savana arborizada 1,00
Savana Parque 1,00
Água Lâminas d'águas 2,00
Fonte: os autores (2018).

Portanto, assim, constrói-se o indicador do Índice de Transformação


Antrópica, atribuindo valores para cada classe de uso da terra e cobertura
vegetal que contribui na transformação da paisagem, pela consulta
sistemática chamada “Delphi”, a qual possibilita o estabelecimento do
consenso sobre como quantificar o grau de modificação da paisagem
(SCHWENK; CRUZ, 2008). Entretanto, os valores apresentados neste
estudo foram atribuídos pelos autores com base no conhecimento da área de
estudo.

Resultados e discussão

A classificação do uso e ocupação da terra, bem como das coberturas


vegetais, com representação nos mapas temáticos, tiveram sua acurácia
verificada pela matriz de erros, usando-se o Índice de Concordância Kappa.
Os resultados obtidos com a utilização do estimador de acerto para a
classificação realizada nos anos de 1986 e 2016 são valores considerados
excelentes (K > 0,8), indicando que a classificação alcançou o resultado
esperado (Tabela 3). A confusão média registrada para o ano de 1986
ocorreu associada à transição entre o Ecótono e a Floresta Aluvial.

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Tabela 3. Resultados obtidos para a avaliação da classificação dos usos e cobertura da


terra.
Ano Desempenho Geral Confusão Média Índice Kappa
1986 94,42% 5,58% 0,92
2016 100% 0% 1,00
Org: os autores (2018).

Avanço dos arranjos econômicos: papel do setor


agropecuário

O estado de Mato Grosso se consolidou economicamente como um dos


carros-chefe brasileiros, com respaldo na exploração de suas terras. Desse
modo, Dubreuil et al. (2005) contextualizaram a evolução da chamada
“conquista pioneira”, a exemplo das dinâmicas socioespaciais no centro-oeste
de Mato Grosso (Figura 2). Destaca-se, portanto, a consolidação
agropecuária aplicada a importantes sistemas fluviais que, anteriormente,
contribuíram para a colonização não indígena na região. Para tanto, a
efetivação de importantes projetos como os Planos de Incentivo - PIN “Nova
Amazônia” e Polocentro foram fundamentais (DUBREUIL et al., 2005).

Figura 2. Síntese dos estágios e planos de ocupação na região sobreposta à bacia


hidrográfica do rio Sepotuba, Alto Paraguai – Mato Grosso.

Adaptado de: Dubreuil et al. (2005).

Acrescenta-se que, por meio da análise espectral, foram identificados


seis tipos de cobertura vegetal, três formas de uso e ocupação da terra, além
das lâminas d´água para o ano de 1986. Ao considerar a totalidade da bacia
hidrográfica do rio Sepotuba, foi possível verificar que a matriz econômica é
voltada para atividades agropecuárias, principalmente em relação à

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extensão das áreas ocupadas pelo setor e em relação à sua expansão.


No entanto, a introdução do uso da terra e a sua ocupação ocorreram
de distintas formas, conforme os setores da bacia hidrográfica. Portanto, a
segmentação de seu sistema por sub-bacias hidrográficas permitiu
identificar detalhadamente cada dinâmica de uso, bem como suas
particularidades.
As porções destinadas à agricultura para o ano de 1986
concentravam-se nas unidades 1 - Nascentes do Sepotuba e 3 - Médio
Sepotuba (24,54% e 39,86%, respectivamente). Inicialmente, tal fenômeno
teve relação direta com a influência de Tangará da Serra. Mais
precisamente, com a locação do sítio urbano - sub-bacia 3 - Médio Sepotuba
(Figura 6). De acordo com Dubreuil et al. (2005), o município tende a se
firmar como polo regional concentrando os serviços essenciais. A maior parte
dos grandes fazendeiros opta, respectivamente, por viver e instalar suas
sedes administrativas em Tangará (DUBREUIL et al., 2005).
Ainda, foram identificadas áreas agrícolas, inicialmente
fragmentadas, nas Unidades 2 e 4, inseridas em compartimentos de
cabeceira entre a Chapada dos Parecis e o sistema de escarpa e, ainda, entre
o Planalto de Tapirapuã (Unidade 7 - rio Tarumã), dando continuidade às
áreas agrícolas da Unidade 3 (Figura 3). Conforme apontado por Dubreuil et
al. (2005), as áreas de produção agrícola em Mato Grosso distribuem-se por
três polos principais, sendo a região da Chapada dos Parecis uma
importante produtora.
Nesse sentido, o uso e a ocupação da terra na bacia hidrográfica do rio
Sepotuba apresentam papel fundamental nas transformações e nas
mudanças em suas paisagens. Sendo assim, primeiramente, pela retirada da
cobertura vegetal, o que pode gerar uma série de processos, como a
diminuição da biodiversidade.

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Figura 3. Ocorrência das principais coberturas vegetais referente ao ano base de 1986.

Legenda adaptada do PROBIO (2004) e IBGE (2012).


Org: os autores (2018).

Conforme Schwenk e Cruz (2008), a técnica imprópria aos solos mato-


grossenses, trazida pelos imigrantes da região sul e sudeste, resultou em
uma resposta negativa do meio ambiente, o que levou, posteriormente, à
busca do uso mais adequado, além da correção dos solos. Ainda, ao
transformar o solo pobre em solo produtivo, aliado ao baixo preço das terras,
houve avanço acelerado na produção de soja altamente tecnificada nas
vastas terras planas do Planalto e da Chapada dos Parecis.
No ano de 2016, fica evidente o domínio agropecuário na região e as
importantes alterações na cobertura vegetal (Figura 4). Como consequência,
extensas áreas foram desmatadas para a introdução de pastagem e
agricultura, ampliando o domínio monocultor. Pode-se dizer que, na bacia do
Alto rio Paraguai, as relações econômicas ancoradas em sua agropecuária
registraram, por meio de vários estudos, um avanço nas últimas três
décadas. Todavia, a Silvicultura passa a compor as formas de uso e de

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ocupação da terra na bacia do rio Sepotuba (Unidade 7).

Figura 4. Principais classes de uso e cobertura atual referente ao ano base de 2016,
denotando a expansão das áreas ocupadas, assim, consequentemente, redução das
formações naturais.

Legenda adaptada do PROBIO (2004) e IBGE (2012).


Org: os autores (2018).

No alto curso do rio Sepotuba, sobretudo nos compartimentos da


Chapada e do Planalto dos Parecis, observa-se a predominância da atividade
agropecuária. No entanto, fica nítida a distinção da agricultura na Chapada
e, a pecuária no Planalto. Farias (2012) destacou que, quanto ao uso e à
ocupação presente na bacia do Sapo - afluente da margem direita do rio
Sepotuba, é possível verificar grande destaque para a atividade
agropecuária. De modo geral, pode-se observar que no contexto do uso
agropecuário, a criação de gado constitui a principal atividade econômica,
especialmente por meio da criação por sistema extensivo, que utiliza o pasto
como principal alimento.
Portanto, além das monoculturas, o setor Pecuário ocorre em todas as

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subunidades. As áreas destinadas à pastagem ocorreram principalmente em


seu eixo central com destaque para o médio e baixo curso dos afluentes.
Portanto, o uso pecuário nos anos de 1980 já era presente, intensificando-se
em importantes compartimentos morfológicos. Nesse caso, cabe ainda uma
maior atenção para as Unidades 1 e 2 - cabeceira de drenagem, bem como
para as áreas de transição - Ecótono na Unidade 7, tendo em vista que mais
de 55% de sua área foi convertida em pastagem (Figuras 5 e 6).

Figura 5. agricultura. 1 - Nascentes do Sepotuba; 2 - Rio Sepotubinha; 3 - Médio Sepotuba;


4 - Rio do Sapo; 5 - Rio Formoso; 6 - Rio Juba; 7 - Rio Tarumã e 8 - Interbacia do Sepotuba.

Org: os autores (2018).

Figura 6. Ocorrência de pecuária por sub-bacia hidrográfica em 2016. 1 - Nascentes do


Sepotuba; 2 - Rio Sepotubinha; 3 - Médio Sepotuba; 4 - Rio do Sapo; 5 - Rio Formoso; 6 - Rio
Juba; 7 - Rio Tarumã e 8 - Interbacia do Sepotuba.

Org: os autores (2018).

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Conforme Abdon et al. (2007), no Pantanal a atividade predominante


é a pecuária de corte (cria e recria) extensiva com mais de três milhões de
cabeças de gado, cuja base de alimentação é a pastagem nativa. Sendo
assim, Cáceres tem importante papel em relação ao setor (MIRANDA et al.,
2018; SILVA et al., 2011). Destacamos, portanto, a relação entre o avanço
das pastagens e do gado no baixo curso do rio Sepotuba, considerando-se a
influência municipal, do ponto de vista territorial, conforme mencionado na
Unidade 8, bem como do ponto de vista econômico. Miranda et al. (2018)
identificaram crescimento do setor na ordem de 29,44%, no período de 2003
a 2013, no município.
O munícipio de Cáceres, o mais antigo da região, fundado no século
XVIII, não só apresenta o maior rebanho bovino regional do Estado como
ocupa a quarta posição no ranking nacional. As características de seu
quadro natural apontam a pecuária como inerente ao cenário produtivo e,
por conseguinte, ao conjunto socioeconômico da região. Isso posiciona a
pecuária bovina como um elemento importante dentro das chamadas
“vocações regionais” de Mato Grosso (FERREIRA, 2017; SOARES et al.
2017).
Ainda, conforme Soares et al. (2017), a topografia do relevo, bem como
a abundância de água e as pastagens naturais das grandes planícies
contribuíram para o desenvolvimento da pecuária como atividade
econômica, responsável por uma larga parcela do Produto Interno Bruto -
PIB municipal. Em relação à arrecadação, Cáceres possui duas principais
fontes: Serviços e Pecuária. Salientando-se que a primeira está relacionada
diretamente com a segunda.
Associado ao uso pecuário, impactos negativos foram identificados,
sobretudo no baixo curso - Unidade 8. Em relação ao canal principal, os
processos erosivos ocorrem de forma natural, no entanto, em vários pontos
houve a intensificação da erosão marginal associada ao acesso e pisoteio do
gado, conforme verificação de campo. Miranda et al. (2018) destacaram

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ainda o papel das queimadas como práticas de manejo do solo com


influências na cobertura vegetal das Florestas e Cerrados com ocorrência
nos compartimentos dos Terraços Fluviais do rio Sepotuba.

Os impactos do modelo produtivo atual

A utilização de indicadores é de grande importância, pois são


instrumentos valiosos na análise de informações sobre o ambiente. Ainda,
colaboram para a execução da estruturação do território (PÉREZ;
CARVALHO, 2012). Portanto, conforme os autores, as abordagens de
planejamento e gestão que utilizam a bacia hidrográfica como unidade
básica são mais adequadas para a compatibilização da produção com a
preservação ambiental.
Nesse contexto, Lorenzon (2016) avaliou a relação entre a dinâmica de
uso e o nível de degradação na bacia hidrográfica do rio Cabaçal, afluente
vizinho ao rio Sepotuba. Conforme a autora, em 1984, a bacia apresentava
estado Regular, tendo avançado para Degradada em algumas de suas sub-
bacias. Ainda, torna-se preocupante a previsão para até o final deste século.
Caso não sejam tomadas algumas medidas de recuperação e de fiscalização,
o sistema do rio Cabaçal alcançará o estado de Degradado (LORENZON,
2016).
Em relação ao rio Sepotuba, a partir do Índice de Transformação
Antrópica - ITA, diferentes estágios de apropriação, conforme as condições
de cada sub-bacia, foram identificados. Das oito unidades mapeadas, seis
apresentaram mudança de classe em relação ao período entre 1986-2016. Na
avaliação referente ao uso da terra, de 1986, seis sub-bacias foram
classificadas como Pouco Degradada, condição diferente da identificada por
Lorenzon (2016) para o rio Cabaçal. Cabe salientar que, dessas, quatro são
áreas formadoras de importantes afluentes.
Todavia, as Unidades 1 - Nascentes do Sepotuba e 3 - Médio

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Sepotuba, para este ano, já apresentavam condição Regular devido ao


intenso uso agrícola em suas sub-bacias (Figura 7). Relembramos as
mudanças em relação às estruturas de pequena para média e grandes
propriedades monocultoras, bem como o papel de Tangará da Serra no
processo de apropriação.

Figura 7. Índice de Transformação Antrópica referente ao mapeamento do uso e cobertura


da terra de 1986, bacia hidrográfica do rio Sepotuba, Alto Paraguai - Mato Grosso.

Org: os autores (2018).

Em relação ao ano de 2016, verifica-se que a única unidade ainda


classificada como Pouco Degradada foi a Unidade 6 - correspondente à sub-
bacia hidrográfica do rio Juba. Salientamos ainda que esta foi a única a não
apresentar mudança em relação ao Índice obtido em 1986.
Contudo, é preciso observar a proximidade dos valores e a possível
mudança de classificação conforme a intensificação do uso e a ocupação da
terra em detrimento da cobertura vegetal. A Unidade 1, que corresponde a
Nascentes do Sepotuba, por exemplo, apresentou valor de 4,84 para o ano de

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2016. Sendo assim, passível de mudança para a classe Degradada (valores


entre 5,00-7,50) quando se relaciona ao elevado índice de uso da terra, com
mais de 68% de sua área ocupada pela Pecuária e Agricultura. Também, sua
sub-bacia hidrográfica precisa ser considerada pelo fato de apresentar o
maior percentual da classe Floresta Aluvial (mais de 24% para o ano de
2016). Portanto, verifica-se a importância de planos de recuperação e de
conservação da unidade (Figura 8).

Figura 8. Mudança no Índice de Transformação Antrópica referente ao mapeamento do uso


e cobertura da terra de 2016, bacia hidrográfica do rio Sepotuba, Alto Paraguai - Mato
Grosso.

Org: os autores (2018).

Ainda em relação ao ITA - 2016, fica evidente o papel do avanço do


uso na Unidade 3 - Médio Sepotuba - mudança de Regular para Degradada.
Estudos realizados em importantes afluentes que drenam essa unidade
corroboram para a relação entre os usos da terra e a mudança de classe.
Gouveia et al. (2013) constataram que mais de 80% da bacia do córrego do
Bezerro Vermelho apresentou estado de antropização ainda em 2011. No

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trabalho realizado por Rodrigues et al. (2015), o rio Queima-Pé também


apresentou condição similar com variação de Regular-Degradada.
Na Unidade 8, Interbacia do rio Sepotuba, as principais coberturas
vegetais são associadas aos ambientes deposicionais, como Terraços Fluviais
e Planície de Inundação. Conforme o Índice de Transformação Antrópica, a
respectiva unidade foi classificada como Regular. Destaca-se que o indicador
com maior peso é a Agricultura (8 pontos), atividade econômica não
desenvolvida nessa unidade em razão de fatores associados à dinâmica de
inundação. No entanto, a segunda atividade com maior representatividade é
a principal forma de uso na unidade, pois a pecuária é responsável pela
ocupação de mais de 50% na interbacia do rio Sepotuba (Tabela 4).
Na tabela 4, é possível observar o aumento em área da Floresta
Aluvial - Fa, processo inverso quando considerada a dinâmica de redução
nas demais coberturas vegetais, bem como da Savana Arborizada - Sa em
algumas unidades da bacia hidrográfica. De fato, sua sucessão pode ter
relação com transições de uso ou, ainda, com o avanço de espécies pioneiras
sobre depósitos de sedimentos ao considerarmos sua ocorrência ao longo dos
canais fluviais. Outra importante mudança na paisagem está relacionada à
ocorrência de lâminas d’água. Nas Unidades 4, 5 e 6 ocorreu o aumento em
área. Contudo, o mesmo tem associação com a prática de reservação e não
por disponibilidade natural. Em contrapartida, processo inverso ocorreu nas
demais unidades, com importante redução, principalmente na Unidade 8,
em que a dinâmica entre o canal e a planície de inundação é marcante.
De forma geral, a principal atividade econômica na bacia hidrográfica
do rio Sepotuba é a Pecuária, seguida da Agricultura, em 1986 e em 2016,
com exceção da Unidade 3 – Médio Sepotuba. Na Unidade 7, rio Tarumã, o
setor é responsável pela ocupação de mais de 55% de sua área, conforme
apontado anteriormente. Portanto, mesmo com menor pontuação (Índice de
Transformação Antrópica), a Pecuária tem importante papel em relação à
dinâmica de uso e à ocupação nas Unidades 7 e 8. Sendo assim, é

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imprescindível a recuperação e a manutenção da cobertura vegetal em todas


as unidades, sobretudo pelo importante papel que esta desempenha na
conservação dos canais fluviais e Recursos Hídricos (irrigação,
dessedentação animal e produção hidroelétrica).

Tabela 4. Mudanças na Paisagem com perdas e acúmulos por unidades (sub-bacias) para o
período 1986-2016.
Classes (1) Balanço
1 2 3 4 5 6 7 8
Km² 30 anos
Uso e ocupação da terra
Ag + 73,78 + 48,80 -33,61 +112,46 +50,08 +201,86 -0,01 0 Aumento
Ap + 18,14 + 276,18 +224,16 +87,13 +40,93 +16,17 +282,54 +445,59 Aumento
Sc 0 0 0 0 0 0 +6,53 0 Recuperação
Iu + 0,02 +0,16 +27,63 0 0 0 0 0 Aumento
Coberturas vegetais e água
Fa +260,44 +118,90 +104,80 +48,64 +40,49 -59,55 +48,11 +86,33 Sucessão
Cs -330,73 -384,06 -197,43 -139,14 -101,73 -17,79 -59,54 0 Redução
Fb 0 0 0 0 0 +0,29 -65,93 -533,49 Redução
Sa -12,79 +133,75 +81,59 +34,62 -17,90 -256,33 +9,88 +9,99 + Redução
Sp -7,72 -193,67 -198,48 -144,48 -12,24 +101,62 0 0 Redução
Ecótono 0 0 -7,43 0 0 0 -221,15 0 Redução
Água -0,27 0 -1,00 +0,76 +0,37 +13,88 -0,42 -7,94 Aumento
(1) Ag: Agricultura; Ap: Pecuária; Sc: Silvicultura; Iu: Influência urbana; Fa: Floresta aluvial;
Cs: Floresta estacional decidual sub-montana; Fb: Floresta Terras Baixas; Sa: Savana arborizada; Sp:
Savana parque (PROBIO, 2004; IBGE, 2012).
Org: os autores (2018).

Considerações Finais

Os dados obtidos pelo presente estudo demonstram que o uso e


cobertura são uma importante variável a ser considerada para o
planejamento territorial, pois incorporam importantes setores da bacia
hidrográfica do rio Sepotuba - áreas de nascente e canal-planície de
inundação.
Evidencia-se que as transformações na bacia hidrográfica do rio
Sepotuba se intensificaram nos últimos trinta anos, ao comparar com
períodos anteriores. O recorte temporal foi marcado pelos seguintes
períodos: 1970-1980 com a colonização, sobretudo sulista; 1980-1990 com
intensificação e avanço dos usos, associado a mudanças na cobertura
vegetal; 1990 - atual aumento da produção de grãos e do rebanho bovino,
bem como início dos projetos voltados ao setor hidrelétrico (anos 2000).
Os municípios de Cáceres e Tangará da Serra assumem importante

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papel quando consideramos as formas de uso na bacia hidrográfica do rio


Sepotuba. O primeiro ganha destaque pelo setor Pecuário e seu avanço sobre
o baixo curso da bacia do rio Sepotuba. Enquanto o segundo é considerado
importante pilar do setor monocultor nos setores alto e médio curso. Nesse
sentido, o papel de polo regional dos dois municípios influenciam
diretamente na dinâmica econômica e nas formas de uso da terra.
Os aspectos ambientais como tipos de solo e unidades morfológicas da
área pré-indicam sua fragilidade às intervenções humanas. O uso do Índice
de Transformação Antrópica permitiu a qualificação das níveis de
degradação ambiental na bacia hidrográfica do rio Sepotuba, a partir dos
usos e cobertura da terra identificados anteriormente. Desse modo, a
aplicação da metodologia evidenciou mudanças em seis das oito sub-bacias
analisadas.
Portanto, todas as sub-bacias apresentam níveis preocupantes de
mudanças, mesmo a Unidade 6 - rio Juba, classificada como Pouco
Degradada, devido ao Complexo Hidrelétrico já instalado em seu sistema.
Nesse sentido, a prevenção e a recuperação devem ser consideradas na
intenção de evitar maiores impactos ou, ainda, a transferência deles com a
produção de sedimentos para jusante.

Agradecimentos

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP


pela concessão de bolsa de Doutorado processo nº 2016/07635-0. Também aos
Laboratórios de Pesquisa e Estudos em Geomorfologia Fluvial –
LAPEGEOF da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT e
Laboratório de Geologia, Geomorfologia e Recursos Hídricos – Lab GGRH da
Faculdade de Ciências e Tecnologia – FCT da Universidade Estadual
Paulista - UNESP pelo apoio logístico e institucional.

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