PRINCÍPIOS APLICAVEIS AO PROCEDIMENTO TRIBUTARIO
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE DA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA:
Diz respeito á criação normativa em matéria procedimental. Refere o nº2 ARTº 103ºCRP que as garantias
dos contribuintes são determinadas por lei acrescentando o nº3 qua a liquidação e a cobrança se devem
fazer nas formas previstas também na lei. A LGT no seu ART.8º nº2 vem alargar tal sujeição á lei as
matérias respeitantes á “regulamentação das figuras da substituição e responsabilidade tributarias;
“definição das obrigações acessórias”; “regras de procedimento e processo tributário”.
A reserva de lei pode ser reserva de lei em sentido absoluto ou em sentido relativo
A reserva de competência legislativa da AR pode ser reserva absoluta ou reserva relativa, consoante as
matérias em causa sejam abrangidas respetivamente pelos artº 164º ou 165º da CRP.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL:
O objetivo de toda a atuação procedimental tributaria deve ser sempre a descoberta da verdade material
que a LGT (ART.55º) designa por principio da justiça. Com efeito, esta justiça material apenas será
conseguida se todos os atos em que o procedimento se decompõe atos esses quer praticados por
entidades publicas(EX: liquidação de um tributo) quer praticados por entidades privadas(EX: cobrança de
imposto mediante retenção na fonte) tiverem a verdade como coordenada essencial.
A verdade material em matéria tributaria implica o conhecimento e aceitação total do principio da
igualdade (justiça na tributação). As atuações procedimentais neste sentido apenas deverão ter por
finalidade averiguar a capacidade contributiva dos sujeitos e concluir pela tributação ou não tributação em
função dos resultados de tal averiguação.
A aceitação desta ideia terá como consequência, por ex: que num caso de reconhecimento de benefícios
fiscais se o órgão administrativo tiver acesso a elementos que o contribuinte não tenha e que permitam
concluir pela isenção de tributação, deverá carrear tais elementos para a instrução de modo a que possam
ser levados em conta na decisão final, independentemente de saber se tal atuação beneficia ou prejudica o
fisco. O mesmo vale para o contribuinte.
SUB- PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO:
Este princípio da verdade material tem como importante corolário o subprincípio da cooperação: nos
termos do qual “os órgãos da AT e os contribuintes estão sujeitos a um dever de colaboração recíproco”
presumindo-se sempre a boa fé das suas atuações.
Tal dever de cooperação implica por parte da AT esclarecer os contribuintes sobre a necessidade de
apresentar declarações, reclamações, petições, etc.
Do lado do contribuinte este cooperará de boa fé na instrução do procedimento esclarecendo de modo
completo e verdadeiro os factos de que tenha conhecimento e oferecendo os meios de prova a que tenha
acesso. Se não houver tal colaboração quando é exigida há consequências: Sujeição a inspeções tributarias,
perda de benefícios fiscais; aplicação de agravamento á coleta, etc;
Contudo, o princípio da verdade material em Direito tributário não é em princípio absoluto, pois admite
alguns desvios, é o que se passa com a fixação de matéria tributável recorrendo a indícios ou presunções
no âmbito da denominada “avaliação indireta”.
PRINCÍPIO DA VINCULAÇAO DE FORMA:
A prepósito do problema da forma dos atos procedimentais, pelo menos dois valores juridicamente
relevantes e conflituantes se poderão apontar: por um lado, aparece o valor celeridade e dinâmica
procedimental que se manifesta na necessidade que as diversas atuações no âmbito do procedimento se
revelem temporalmente eficazes; por outro lado, surge o valor segurança jurídica que exige que os
diversos atores do procedimento possam, com razoabilidade ter conhecimento das posições contrárias, de
modo a poderem defender-se. Parece que o segundo valor assume uma ligeira preponderância que se
traduz na consagração geral de um principio de vinculação de forma- os atos de procedimento em regra,
devem seguir a forma escrita. Contudo em alguns casos por motivos de celeridade é admitida a pratica oral
de atos procedimentais, EX: exercício do direito de audição; apresentação da reclamação graciosa.
PRINCÍPIO DA CELERIDADE:
O interesse do contribuinte na estabilização da sua situação jurídica, e o interesse do ordenamento em
conseguir efetividade do principio da segurança jurídica impõe que as questões tributarias sejam resolvidas
em tempo útil, num prazo razoável. Sendo o procedimento de iniciativa do contribuinte obrigatoriamente
arquivado se ficar parado mais de 90 dias por motivo a este imputável. Prazo máximo de duração do
procedimento é de 4 meses. Prazo máximo para a pratica de atos procedimentais: 8 dias. Estes prazos são
contínuos e suspendem-se no caso de a dilação do procedimento ser imputável ao sujeito passivo por
incumprimento dos seus deveres de cooperação.
Nos casos em que o procedimento tributário petitório não seja concluído no prazo legalmente previsto, há
um indeferimento tácito, e o interessado, poderá concluir a partir de então que existe um ato suscetível de
impugnação graciosa ou jurisdicional.
PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO EXCESSO OU DA PROPORCIONALIDADE
O principio constitucional da proibição do excesso tem o seu âmbito preferencial de aplicação em sede de
medidas restritivas (restrição de direitos, liberdades e garantias). Enquanto princípio constitucional
estruturante do próprio principio do Estado de Direito, apresenta como dimensões significativas e
exigências de:
Adequação: a medida que se vai introduzir no ordenamento jurídico deve ser qualitativamente certa para
prosseguir o fim que no caso em concreto se visa.
Necessidade: a intervenção restritiva apenas devera ser feita se outra menos gravosa não puder ser levada
a efeito.
Proporcionalidade em sentido restrito: ou seja, a medida restritiva deve ser quantitativamente certada em
relação ao fim em causa.
Este principio que vincula em primeira linha o legislador terá grande importância nos casos em que a AT
ofende a propriedade privada, restringe a liberdade de exercício de profissão ou se procura introduzir no
espaço de reserva da vida privada dos contribuintes, buscando informações respeitantes, por ex: á sua
situação económica, financeira, pessoal e profissional. Toda a atuação da AT deve ser norteada por estas
dimensões sob pena de inconstitucionalidade ou ilegalidade.
PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURIDICA E DA PROTEÇAO DA CONFIANÇA
Uma das mais relevantes dimensões estruturantes de um estado de direito é a estabilidade das normas
dos atos e das situações jurídicas. Neste contexto individualizam-se dois importantes vetores materiais que
são a segurança jurídica-vocacionado para a proteção da dimensão objetiva do ordenamento e das normas
(por ex: proibindo a sua retroatividade), e a proteção da confiança legitima, mais pensado para a proteção
dos sujeitos e para a estabilidade subjetiva em concreto.
Assim, trata-se de exigir á AT que atue sempre com base numa certa dose de previsibilidade não
introduzindo na esfera jurídica dos destinatários dos seus atos alterações desfavoráveis com as quais eles
não poderiam razoavelmente contar nem antever, ou seja, para não frustrar esperanças legitimas.
No procedimento tributário são apontados os seguintes instrumentos de previsibilidade, os quais
procuram sempre assegurar a proteção da confiança que é depositada pelos obrigados tributários nas
matérias tributarias.
Emanação de orientações genéricas, visando a uniformização da interpretação e aplicação das
normas tributarias pela AT -ART. 55º e 56º CPPT. O contribuinte pode ter direito a juros
indemnizatórios nas situações em que entregue as suas declarações seguindo as instruções
constantes das orientações genéricas legalmente emanadas.
A prestação de informações com carater vinculativo- ART.57º CPPT.
A obrigatoriedade de ouvir o contribuinte antes da emanação de qualquer ato desfavorável com o
qual ele não possa razoavelmente contar- ART.60º LGT.
PRÍNCIPIO DA DISPONIBILIDADE E DO INQUISITÓRIO
O principal objetivo das atuações procedimentais tributarias é a descoberta da verdade material. Questão
diferente é a de saber se na prossecução desse objetivo, as atuações estão ou não na disponibilidade da
vontade dos atores procedimentais, ou seja, se tem arbítrio para decidir se atuam ou não, se investigam ou
não.
São dois os princípios que aqui conflituam: o princípio da disponibilidade (do dispositivo) - de acordo com o
qual os interessados dispõem acerca do andamento do procedimento e o princípio do inquisitório - de
acordo com o qual o procedimento está sujeito á vontade do órgão decisor, que apenas atua nos termos
da vinculação extrema.
Aa resposta a esta questão será diferente consoante o ator procedimental que esteja em questão pelo que
podemos falar alternativamente de um e outro principio.
A questão em analise prende-se com a (in)disponibilidade das atuações procedimentais e não da
disponibilidade das posições jurídicas subjetivas materiais (como os direitos subjetivos) estas últimas,
quando tituladas pela AT, são indisponíveis.
Princípio da disponibilidade:
Este princípio valerá se estivermos a falar dos contribuintes, ou seja, eles apenas atuarão no procedimento
apresentando petições, opondo-se, juntando os elementos de prova. Ao contrario da AT não estão
constitucionalmente obrigados a prosseguir qualquer interesse público, valendo uma ideia de
autorresponsabilização dos interessados.
Consequências: a nível da iniciativa, muitos procedimentos apenas se iniciam se existir um impulso voluntario por
parte dos interessados EX: procedimento de informações vinculativas ou de reconhecimento dos benefícios fiscais.
No entanto, uma disponibilidade muito alargada pode conduzir a resultados perversos, permitindo aos
interessados, por via dos inúmeros esquemas procedimentais que têm ao seu dispor, distorcer ocultar
factos, contornando a realidade e fugindo á verdade material.
Princípio do inquisitório:
Se estivermos a falar da AT as coisas serão diferentes. ART.58º LGT.
Os órgãos que integram a AT estão, obrigados a fazer tudo no sentido de assegurar a melhor realização
possível do interesse publico.
As principais consequências deste dever de agir são:
Ao nível da iniciativa alguns procedimentos são instaurados ex officio. EX: procedimento de fixação
de matéria tributável por métodos indiretos.
A nível da instrução, sendo certo que a indicação dos elementos de prova deve ser efetuada pelos
interessados, a AT não deve cingir os elementos apresentados, mas antes deve diligenciar no
sentido de trazer para o procedimento todos aqueles que lhe pareçam indispensáveis á descoberta
da verdade material mesmo que desfavoreça a atividade de arrecadação e favoreça o contribuinte.
Não deve ser admissível o abandono administrativo no âmbito do procedimento tributário.
Ao nível das consequências da não atuação, comina-se com invalidade a decisão que assente num
procedimento omissivo pois, a não atuação da AT quando o está legalmente obrigada a faze-lo
pode consubstanciar uma violação do principio da vinculação á verdade material.
O agente administrativo deve proceder a todas as diligencias necessárias e convenientes á descoberta da
verdade material e apenas quando tais diligencias são insuficientes se deverá lançar mão da regra do ónus
probatório.
O dever de agir da AT tem como correspetivo, na esfera jurídica do contribuinte, um interesse legalmente
protegido á boa atuação administrativa e á correta aplicação das normas (não se trata de um direito
subjetivo, pois não se verifica aqui uma tutela direta e pessoal das pretensões jurídicas, não estando o
principio do inquisitório, em primeira linha, ao serviço da proteção dos contribuintes.)
PRINCÍPIOS DA PARTICIPAÇÃO E DO CONTRADITÓRIO.
A participação enquanto direito fundamental de qualquer contribuinte, que assume uma
configuração positiva, ao exigir dos órgãos administrativos atuações e medidas que promovam a
sua exequibilidade.
A participação enquanto garantia dos contribuintes, que assume uma configuração negativa, ao
impedir que estes sejam lesados quando devendo pronunciar-se ou agir, não tiveram qualquer
palavra a dizer.
A participação enquanto princípio respeitante á estrutura do procedimento. O procedimento deve
ter uma estrutura bilateral, que será assegurada através do direito de audição e de contradição
(resposta e defesa).
É no âmbito destes direitos de contradição que surge um dos mais importantes princípios respeitantes á
forma como o procedimento é estruturado que é o princípio do contraditório, que é uma das mais
importantes densificações do princípio da participação. A diferença fundamental entre os dois princípios
reside na circunstancia de que o principio da participação é muito mais abrangente do que o do
contraditório, na medida de que ao contrario deste não tem uma função eminentemente reativa (reagir),
mas muito mais do que isso, procura afirmar a possibilidade de influenciar, se motivar e de ajudar o órgão
competente a tomar a decisão.
PRINCÍPIO DA CONFIDENCIALIDADE
Este princípio prende-se com o conflito que pode surgir entre os direitos á informação e o direito á reserva
da vida privada.
Se alguém (entidade policial, advogado, um familiar) solicita á AT informações sobre a situação de uma
determinada pessoa perante o Fisco, ou dados relativos ás suas declarações para efeitos de imposto,
deverá a AT ao abrigo do ART.28º CRP solicitar a informação prestada ou, dando cumprimento ao ART.26º
deverá recusar-se a presta-la?
Tudo passa pela compatibilização dos direitos em conflito mediante a figura do sigilo.
Em varias situações o ordenamento jurídico obriga determinadas pessoas a guardar segredo relativamente
a factos não públicos que tomaram conhecimento no desempenho das suas funções, impondo-lhes um
verdadeiro dever de sigilo profissional, EX: sacerdotes, advogados, médicos, funcionários da AT, etc;
Essa divulgação pode implicar serio prejuízos ao nível dos seus direitos ao bom nome, honra, imagem,
privacidade e tranquilidade. Por isso motivo o legislador prevê que os funcionários e agentes da AT estão
obrigados a guardar sigilo sobre os dados recolhidos sobre a situação tributaria dos contribuintes e os
elementos de natureza pessoal que obtenham no procedimento. ART.22º RCPITA.
Fora do âmbito do sigilo ficam as situações que não sejam dados sobre a situação tributaria dos
contribuintes, nem elementos de natureza pessoal que obtenham no processo, ficam fora os dados que
tenham natureza publica (registo civil, predial).
Se o dever de sigilo for violado, o ordenamento jurídico reage de forma violenta através da punição da
conduta respetiva como crime, sujeita a pena de prisão ou multa.
Contudo, este dever de sigilo cessa devendo a AT prestar as informações solicitadas aos devidos órgãos
competentes nos termos do nº2 do art 64º LGT.
Napo contende com o dever de confidencialidade a divulgação de listas de contribuintes cuja situação
tributaria não se encontre regularizada.
Por ex: no âmbito de um procedimento de inspeção tributaria, sendo certo que os órgãos competentes
podem dentro da lei desenvolver todas as diligencias necessárias ao apuramento da situação tributaria dos
contribuintes- o acesso á informação protegida pelo sigilo profissional depende de autorização judicial.
PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE- O DEVER DE INVESTIGAÇÃO DA AT
A AT está em todas as fases do procedimento tributário sujeita a um dever geral de investigação
decorrente do principio do inquisitório. Ora, no momento de carrear para o procedimento os elementos
probatórios necessários para proferir uma decisão adequada e justa – o mesmo é dizer-se na fase de
instrução – além da especial e agravada sujeição a tal dever, está igualmente subordinada a um dever de
imparcialidade. Ou seja, a AT tem o dever de prosseguir o Interesse Público, deve tal órgão levar ao
procedimento todos os elementos probatórios que se lhes afigurem necessários e úteis á descoberta da
verdade material mesmo que do ponto de vista escrito dos interesses patrimoniais da AT, tal seja
desfavorável. EX: no âmbito de um procedimento de reconhecimento de benefícios fiscais, se a AT tiver em
seu poder elementos, que o contribuinte não tem, que lhe permitam concluir pela isenção de imposto,
devera ela apresentar tais elementos e leva-los em consideração na decisão final. Assim, a imparcialidade
manifesta-se na fase de decisão e de instrução.
PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DE PRONÚNCIA E DECISÃO
Sempre que uma determinada solicitação é apresentada junto da AT é natural que o interessado espere da
parte desta uma resposta. Por isso, e procurando dar seguimento ao direito constitucional de petição (ART.
52ºCRP), prescreve o ART. 56ºLGT “1 - A administração tributária está obrigada a pronunciar-se sobre todos os
assuntos da sua competência que lhe sejam apresentados por meio de reclamações, recursos, representações,
exposições, queixas ou quaisquer outros meios previstos na lei pelos sujeitos passivos ou quem tiver interesse
legítimo”.
Ora, como resulta do próprio artigo, a AT está obrigada a pronunciar-se (responder) acerca de
tudo o que lhe seja apresentado pelos interessados, nem que seja para dizer que não aceita o
peticionado, mas não está obrigado a decidir. Se tal acontecesse teria de se iniciar um
procedimento e proceder á audição do interessado sempre que fosse apresentado algum pedido,
o que não deixaria de acarretar consequências ao nível da economia e celeridade dos atos.
Se quem solicita não tem legitimidade para o fazer; se o órgão em caus a não é competente para
se debruçar sobre aquela matéria objeto do pedido; ou se já passou o prazo para se solicitar o
que está em causa, então, o dever de decisão não existe, embora continue a existir o dever de
responder. Tal dever também não existirá se a AT se tiver pronunciado há menos de dois anos
sobre pedido do mesmo autor com idênticos objetos e fundamentos.
Consequências da não atuação administrativa:
Se houver uma mera violação do dever de pronuncia – situações em que a AT deva
responder embora não deva decidir – o interessado poderá lançar mão de um processo
judicial de “intimação para o comportamento” uma vez que houve uma prestação jurídica
(resposta) omitida
Se houver uma violação do dever de decidir – casos em que a AT está obrigada a faze-lo -
então poderá aqui valer a presunção de indeferimento tácito.
TIPLOLOGIA DOS PROCEDIMENTOS TRIBUTARIOS (ESQUEMA)
Não vamos estudar nas aulas:
Orientações genéricas e informações vinculativas
Avaliação previa e avaliação direta
PROCEDIMENTOS TRIBUTARIOS:
PROCEDIMENTO PRÉ-LIQUIDATÓRIO -INSPEÇÃO TRIBUTARIA OU CONTROLO TRIBUTÁRIO
O procedimento de inspeção tributaria é um procedimento de natureza informativa (não sancionador, a AT
não castiga contribuintes) que tem como objetivos:
1. A observação das realidades tributarias.
2. A verificação do cumprimento das obrigações tributarias
3. A prevenção das infrações tributarias
Para a prossecução destes objetivos, a inspeção tributaria que devera obedecer ao principio da verdade
material, da proporcionalidade, do contraditório e da cooperação compreende as situações:
-confirmação de elementos declarados, indagação de factos não declarados pelo sujeito passivo e demais
obrigados tributários; realizar perícias ou exames técnicos; inventariação e avaliação e bens moveis ou
imoveis para fins de controlo do cumprimento das obrigações tributarias.
Procedimento inspetivo: cadeia ou sucessão de atos diversos com vista á produção do resultado
administrativo final (relatório de inspeção).
Ações inspetivas: são os atos materiais de averiguação ou indagação da situação do visado, estas fazem
parte do procedimento inspetivo.
Vamos distinguir os aspetos do procedimento de inspeção tributaria (ART. 63LGT e RCPITA)
1. Dimensão teleológica ou finalística (ART. 2º RCPITA)
são três os objetivos:
Observação das realidades tributarias-finalidades descritivas ou estatísticas
Verificação do cumprimento de obrigações tributarias- grande finalidade e por isso se diz que a AT
tem função de controlo/ fiscalização
Prevenção da pratica de infração tributaria
2. Dimensão tipológica (quais os tipos ou espécies de inspeção tributaria) Art 12º RCPITA
Quanto ás finalidade podem ser: procedimentos inspetivos de comprovação e verificação (procuram
confirmar o cumprimento das obrigações do Sujeito passivo) ou procedimentos inspetivos de informação
(incidem sobre o cumprimento dos deveres legais de informação ou de parecer).
Quanto ao lugar:
O artigo 13º refere-se ás inspeções internas que são levadas á pratica dentro das instalações da AT
Inspeções externas (são os inspetores tributários que se deslocam, é feita nas instalações do sujeito
passivo)
Existe uma tendencial proibição de não repetição das inspeções em relação ao mesmo contribuinte como
decorrência das exigências do princípio da proporcionalidade e proibição de excesso.
O respetivo inicio deve ser notificado ao sujeito passivo com uma antecedência mínima de 5 dias
relativamente ao seu inicio.
Exige-se sempre a credenciação dos funcionários
Em regra, não podem haver inspeções surpresas ART. 49º RCPITA. A regra, associando ao principio da
proteção da confiança é que seja previamente notificado antes de ser sujeito a inspeção tributaria e a
notificação é feita no prazo mínimo de 5 dias. ART. 50º prevê as situações em que se dispensa a notificação
previa, caso em que se pode inviabilizar a investigação.
Pode haver inspeções surpresas quando: há finalidades verificativas e de controlo ou existe suspeitas de
crime.
Quanto ao âmbito de abrangência:
Inspeções univalentes (é inspecionado só sobre aquele tributo) ou multivalente (o contribuinte é
inspecionado por toda a sua situação tributaria).
Inspeções por iniciativa administrativa ou por iniciativa do sujeito passivo
3. Dimensão subjetiva (quem são os atores? A inspeção é levada a cabo por órgãos
administrativos)
Do lado ativo: ART. 16º RCPITA- quem inspeciona? Órgãos administrativos competentes
devidamente credenciados – se não forem credenciados não podem praticar atos de inspeção, pois
o inicio do procedimento de inspeção depende dessa credenciação.
A ausência do preenchimento deste requisito da credenciação leva os visados a poderem opor-se aos atos
de inspeção. O processo de inspeção tributaria é sigiloso- principio da confidencialidade.
Não dispõem desta competência para pratica de atos de inspeção tributaria: EX: entidades policiais,
entidades reguladoras ou de fiscalização, entidades privadas e órgãos de investigação criminal.
Do lado passivo: ART. 23ºss PNAITA (é um ficheiro meramente descritivo que contem o plano de
inspeção), são planos administrativos e não são planos normativos- são ordens programáticas que
podem ser levadas a cabo ou não.
as pessoas pode ser inspecionado na sequencia de vários facto: abrangência por critérios objetivos
abstratamente fixados no PNAITA; existência de denuncia; verificação de desvios significativos de
infrações tributarias no comportamento fiscal dos sujeitos; iniciativa do próprio sujeito passivo.
ART. 27º quem pode se inspecionado no âmbito do procedimento? Podem ser os sujeitos passivos e
demais obrigados tributários (filhos, esposa).
Alínea a) universidades….. alínea b) pode haver orientações internacionais… branqueamento de capitais.
Podem existir métodos aleatórios, ou seja, pode seguir aleatoriamente aquele empresário e inspeciona-lo, isto em
principio ao existe.
Em todos os casos, o sujeito em questão deve colaborar coma AT. Porém, a falta de colaboração poderá ser legitima
quando estiverem em causa situações que impliquem: o acesso á habitação do contribuinte, a factos da sua vida
intima; a violação de DLG’S. Nestes casos, a diligencia só poderá ser realizada pelo tribunal da comarca com base em
pedido de fundamentação da AT e não pelo TAF.
4. Dimensão material (quais os atos que podem ser praticados durante a inspeção tributaria)
A Administração apenas pode fazer uso das prerrogativas previstas na lei, sob pena de praticar atos
inválidos.
Os atos de natureza informativa em caso algum podem ter finalidades sancionatórias. O inspetor tributário
vai analisar a informação, verificar ficheiros documentos no próprio local (in locus) ou fora do local.
ART. 63º LGT- o elenco á apenas exemplificativo
O ART 28º RCPITA vem concretizar estes atos de inspeção do ARTº 63º LGT. Mas, todas estas atuações
deverão ser nos termos do ART.7º do RCPITA- ser adequadas e proporcionais aos objetivos a prosseguir.
Mas, por vezes podem existir riscos de lapidação probatória, ou seja, se o contribuinte sabe que vai ser
inspecionado provoca um incendio no fim de semana e por isso tem de haver meios do fisco se antecipar
aos atos de lapidação provatória e, isso convoca a matéria de medidas cautelares: medidas que permitem
mais tarde consultar as informações.
Temos medidas administrativas que podem ser levadas a cabo através do ius imperium da AT desde que
devidamente fundamentadas, ART. 30º.
Só as medidas administrativas é que tem por objeto a lapidação provatória: evitar que as provas
desapareçam ou se deteriorem.
Medidas cautelares administrativas para evitar a deterioração da prova (tipicidade fechada) tem de
respeitar o principio da proporcionalidade, tem de ser necessárias, adequadas e proporcionais:
Apreensão de elementos documentais e suportes informáticos comprovativos da situação
tributaria do sujeito passivo
Selagem de instalações (colocar um selo, fechar as instalações com um selo, sela-se o stand,
armazéns frigoríficos para ninguém entrar, o fiel depositário é o responsável pelas mercadorias
enquanto as inspeções não são feitas)
Colocação de Vistos em documentos (com a data)
E também temos medidas judiciais: que apenas podem ser decretados pelo Tribunal, mediante pedido
fundamentado da AT e, têm como finalidade especifica assegurar a cobrança da receita tributaria. E,
depois o juiz autoriza ou não, ART 31º- estas medidas visam evitar que alguém ponha os bens em nome de
outras pessoas.
Quais são as medidas cautelares judiciais? Estas medidas têm de ser fundamentadas:
Arresto: é uma medida parecida com a apreensão, mas não existe posse física. Usa-se a expressão
de congelamento, o dinheiro continua a ser propriedade do contribuinte, mas não tem acesso a ele,
ou seja, o contribuinte não pode mexer nesses bens enquanto não forem inspecionados.
ART 115º CPPT- o fisco se quiser pode penhorar as contas bancarias, o arresto só tem utilidade se não
tiver contra si um processo executivo.
Arrolamento de bens: significa fazer ordenação (não é para apreender, é para saber quais são. EX:
arrolamento de contas bancarias, saber quais são e não apreender)
Há dois modos de reação a medidas cautelares, são meios jurídicos de atuação que tem por objetivo
proporcionar uma tutela provisoria relativamente a situações nas quais o normal decurso do tempo e a
demora associada ás atuações procedimentais incrementam as possibilidades de nada sendo feito, ocorrer
um prejuízo grave ou de difícil reparação, particularmente para o Interesse Público. Estas são medidas a
curto prazo, e a forma é jurisdicional porque as medidas são a curto prazo e reagir administrativamente
demoraria imenso tempo.
Temos duas formas de reação:
ART. 143º impugnação das apreensões (as da alínea a) do ART 30º)
ART. 144º impugnação de selagens e vistos.
5. Dimensão espacial (onde são praticados os atos)
ART.34º RCPITA- locais onde estejam ou devam estar os bens a inspecionar. EX. o contribuinte guarda os
bens a inspecionar na cozinha, podem la ir inspecionar? ART.34º CRP. Será que o ART 34º RCPITA não
colide com o ART. 34 CRP?
Em principio a entrada no domicilio pessoal do contribuinte não deve ser permitida pois colide com DLG’s,
pois, por um lado há um interesse publico inerente á satisfação de necessidades coletivas para a
descoberta da verdade material e por outro o interesse individual, a não ser que hajam valores e
interesses que se sobreponham, como por ex: a eficácia da inspeção. O ART. 34º RCPITA será
inconstitucional no sentido em que permite o acesso livre á casa do contribuinte, mas, já não o é quando o
acesso é justificado por algum bem jurídico de igual valia ou de superior valor, ART. 34º RCPITA
6. Dimensão temporal- ART. 35º RCPITA
A regra é o horário normal de funcionamento. E quando o horário normal de funcionamento não
corresponde ao horário de funcionamento do fisco? Com acordo, o funcionário do fisco pode ir lá num
horário combinado. Não havendo acordo, esta dependente de autorização judicial (não é o tribunal
administrativo e fiscal, TAF, é o Tribunal de Comarca).
7. Dimensão procedimental (passos de uma inspeção tributaria)
Depois da fase previa: onde se prepara a inspeção. Inicia-se a notificação, com uma carta de aviso(ART.49º
RCPITA) com antecedência no mínimo de 5 dias, exceto e situações do ART. 50º em que podem existir
inspeções surpresas e aqui, a carta aviso será entregue no próprio momento da pratica dos atos de
inspeção. Com esta notificação suspende se o prazo que a AT tem para proceder á liquidação dos tributos
(prazo de caducidade 4 anos). Depois o funcionário apresenta-se com a credenciação e praticam se atos de
apreensões, a prática de atos de inspeção termina com elaboração do relatório de inspeção tributaria. Este
relatório é um ato meramente informativo e não administrativo. Não é impugnável. Desse relatório podem
resultar vários atos administrativos e aí o contribuinte impugna cada um desses atos individualmente.
Após a comunicação ao interessado e assinatura da ordem de serviço inicia se o procedimento.
Concluída a prática de atos de inspeção, e caso os mesmos possam originar atos tributários ou em matéria
tributaria desfavoráveis á entidade inspecionada, esta deve ser notificada, no prazo de 10 dias, do projeto
de conclusões do relatório, com a identificação desses atos e a sua fundamentação. Esta notificação deve
fixar um prazo entre 15 e 25 dias para a entidade inspecionada se pronunciar e, após a prestação das
declarações desta, será elaborado um relatório definitivo. ART. 60º e 62ºnº3
EX: a inspeção: chegou- se á conclusão que em 2016 algumas toneladas de batatas não foram declarados e
alguns rendimentos não foram considerados. Ora, o fisco faz liquidação adicional ao IRS de 2016 daquela
empresa, descobriu ainda que em 2017 existiam omissões e inexatidões nos rendimentos declarados, o
fisco faz uma avaliação indireta através de indivíduos e presunções acerca do IRS de 2018. Alem disso, a
empresa beneficia de isenções e descobriu- se que não havia provas sobre a situação difícil que
fundamentava os benefícios, deste modo o fisco vai revogar a isenção. O que o contribuinte tem de fazer
não é atacar o relatório, este é inatacável, ele tem de atacar cada um dos atos através de meios e prazos
próprios.
Para atacar a liquidação tem a reclamação graciosa ou processo de impugnação judicial. Para avaliação
indireta: pedido de revisão, ART. 91º LGT, ou impugnação judicial de revogação do ato fiscal como estamos
perante ato administrativo em matéria tributaria. Ele pode usar o recurso hierárquico ou a ação
administrativa prevista no CPTA. Antes de ser notificado o relatório, p contribuinte ainda tem que ser
notificado para ser ouvido (ART. 60º RCPITA). Depois é que se notifica o relatório de inspeção, (ART. 62º
RCPITA).
Pode acontecer que a inspeção traga atos benéficos ao contribuinte, o contribuinte pode ter direito ao
reembolso- ART.64º, prevê a figura do sancionamento das conclusões, prevê a eficácia vinculativa do
relatório, ou seja são situações que o contribuinte por questões de segurança jurídica quer garantir
sancionamento das conclusões.
Normalmente o silencio administrativo vale como indeferimento, mas aqui temos o oposto e o silencio
administrativo vale como deferimento da pretensão do contribuinte.
Entende-se que os elementos adquiridos no âmbito do procedimento tributário preenchem os
pressupostos referidos e não constituem prova proibida e poderão ser amplamente contraditados no
âmbito do processo penal. Assim, a utilização em processo criminal de provas obtidas por uma inspeção
tributaria não viola qualquer norma ou princípio constitucional.
PROCEDIMENTO DE ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS:
SIGILO BANCÁRIO
O dever se sigilo não recai sobre a AT, mas sim sobre outros autores. Os direitos em conflito são o direito á
reserva de intimidade de vida privada e familiar por um lado, o direito a uma justa repartição dos encargos
públicos por outro, e ainda o Interesse Publico da solidez e confiança na atividade bancária.
É de admitir que a situação económica do cidadão espelhada na sua conta bancaria faz parte da sua vida
privada e, por isso, não está sujeita a divulgação livre, mas antes a um regime de sigilo que impende sobre
os membros dos órgãos da Administração.
Contudo, existem exceções a tal regra que se consubstancia em verdadeiras derrogações ao sigilo
bancário, ou seja, casos em que os dados referidos, não só podem, como devem ser divulgados.
Derrogação ao sigilo bancário: em princípio, o sigilo bancário só pode ser derrogado mediante autorização
judicial. ART. 63º nº2 LGT, esta é a regra.
Contudo, existem casos em que a AT pode aceder aos dados cobertos pelo sigilo bancário- sem
dependência de tal autorização, estes casos estão previstos no ART. 63ºB da LGT.
Face á presunção da veracidade das declarações do contribuinte cabe á AT o ónus de provar os
pressupostos que alega impondo-se-lhe um especial dever de fundamentação.
No ART.63ºB nº2 LGT o visado deve obrigatoriamente ser ouvido antes de o ato intrusivo ser levado a
efeito enquanto que nas situações previstas no nº1 se dispensa essa audição.