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Reflexões de um jovem em crise

O texto narra a história de Lucca, um jovem que enfrenta inseguranças e desânimo em sua vida, refletindo sobre sonhos e realidades. Durante uma viagem com sua irmã, ele tem um sonho vívido com uma garota chamada Jasmim, que o leva a questionar sua existência e sentimentos de perda. A narrativa culmina em uma experiência intensa, onde Lucca se vê em um poço escuro, repleto de lembranças e reflexões sobre sua vida e a conexão com Jasmim.
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Reflexões de um jovem em crise

O texto narra a história de Lucca, um jovem que enfrenta inseguranças e desânimo em sua vida, refletindo sobre sonhos e realidades. Durante uma viagem com sua irmã, ele tem um sonho vívido com uma garota chamada Jasmim, que o leva a questionar sua existência e sentimentos de perda. A narrativa culmina em uma experiência intensa, onde Lucca se vê em um poço escuro, repleto de lembranças e reflexões sobre sua vida e a conexão com Jasmim.
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Matheus Santana ☘︎

1
Matheus Santana ☘︎

☁︎
A ilha dos céus
Matheus Vinicius Silva Santana

☁︎

O sonho mudou a minha realidade

☁︎

2
Matheus Santana ☘︎

Sonhei com uma garota


Se eu me perguntasse o que é realidade de verdade, eu não saberia responder. Às vezes me pego
pensando, e se fosse tudo um sonho, ou se tudo o que estamos vivendo for apenas uma ilusão ou algo
do tipo. Às vezes eu não consigo enxergar um sentido em alguma coisa. Na verdade faz alguns meses
que eu venho me sentindo assim. Um constante desânimo e falta de autoconfiança, insegurança e
tantas outras coisas. Eu achava que era pelas constantes mudanças que vem acontecendo na minha
vida. Mas somos humanos, e humanos sabem se adaptar a mudanças, fala sério, quem em pleno
século XV iria imaginar que atualmente poderia existir inteligência artificial, ou carros elétricos,
satélites capazes de mapear quase todo o planeta terra?
E aqui estou eu na fila da barca para fazer uma travessia. A minha irmã Melissa, que assim como eu
tem 20 anos, está querendo alugar uma casa na ilha para o réveillon. Ela queria dar uma olhada
específica que ela viu num anúncio, mas ela não queria vir sozinha. O namorado dela é dentista e vai
estar trabalhando o dia todo. A mãe vai fazer compras com meu irmão mais novo, o Leo. Então só
sobrou apenas eu.
— lucca, parece que houve algum problema, escutei algumas pessoas dizendo que a barca só vai sair
as 11:30, e são 7 da manhã - a minha irmã era a pessoa mais sociável da família, ao contrário de mim,
eu sou o filho introvertido que fica até tarde da noite escrevendo contos e histórias e que não sabe o
que vai fazer da vida. Eu sinto que toda a minha família esperava mais de mim, e eu sinto não
corresponder às expectativas de todos. Mas nenhuma escolha de faculdade ou de carreira faz sentido
para mim, nada parece me interessar de verdade. Somos ensinados desde o primário a fazermos o que
gostamos não é? Mas e quando nada parece bom o bastante para você? Quando tudo parece cru ou
sem sal? Como se você se sentisse que está apenas existindo. É como me sinto todos os dias. Essa
viagem idiota não faz o menor sentido para mim.
— por que está bocejando tanto? Não dormiu essa noite? - perguntou Melissa. Ela sempre foi
observadora. Até demais. Acho que tenho sorte de só termos estudado juntos no ensino médio. Ela
sabia de todos os segredos dos alunos, e até ganhava dinheiro pelo seu silêncio. Uma vez ela soube
que um dos alunos estava traficando. Ela ganhou cinco notas de cem para ficar calada. Isso porque
quem forneceu a droga havia sido o professor de educação física. No fim do segundo ano ela ganhou
mais cem por saber do caso dele com a professora de história. Ao contrário do que parece ela não era
fofoqueira apesar de eu a chamar assim, ela tem uma habilidade social muito melhor do que qualquer
pessoa que eu conheço, e assim consegue entrar na cabeça de qualquer um. Talvez seja por isso que o
Carl dentista tenha realmente ficado com ela. Além do fato dele receber um salário bem gordo.
— Eu fiquei até de madrugada escrevendo um conto.
— A mamãe está certa, se gastasse o tempo que passa escrevendo, pensando mais você já estaria
fazendo alguma faculdade.
— eu não sou você, sra. Certinha que faz faculdade de direito e tem todas as qualidades que a mamãe
queria que eu tivesse.
— não se trata disso lucca! E sim do que a mamãe espera de você, está sempre tão focado no seu
mundinho que esquece de acordar para a vida!
— e o que é acordar para vida?! Fazer o que os outros esperam que você faça? O que os outros acham
que é o certo?! - depois dessa discussão eu me retiro da fila deixando a minha irmã lá, sabendo que ela
não poderia ir atrás de mim porque senão perderíamos o lugar na fila. Então eu entro em um dos
banheiros enquanto tento respirar um pouco longe de toda aquela gente. Mas acho que escolhi o lugar
errado porque assim que respirei fundo senti um cheiro horrível de bosta vindo de uma das privadas.
Credo! Imediatamente eu saio do banheiro e vou até uma das vendas comprar um suco cítrico.
Naquele instante me lembrei de um sonho que eu tive nessa madrugada.

3
Matheus Santana ☘︎

Eu estava numa praia, ela estava vazia. Era uma praia linda e deserta. Atrás de mim havia uma vasta
floresta.
Lá estava tão calmo, havia tanto ar puro. Essa sensação boa me lembrava de quando eu ia em praias
com o meu irmão mais velho, o Noah.
Ele era surfista, era o irmão mais velho. Diferente da Melissa ou do Leo. Eu era muito mais próximo
do Noah. Sempre quando ele ia surfar com os amigos ele me levava junto. Mesmo que eu não
soubesse nadar e só ficasse na areia assistindo, ainda assim eu era feliz, eu sentia que eu era
importante, que fazia parte de algo. Depois de surfar todos iam beber cerveja num bar, como o noah ia
me levar de volta pra casa no carro, ele nunca bebia algo. Ele pedia sempre uma limonada misturada
com suco de acerola e soda. Aquilo era horrível. Mas eu me sentia feliz, e me divertia.
Chegávamos em casa de madrugada e como todos estavam dormindo eu ficava assistindo TV a cabo
até de manhã. Depois eu dormia o dia inteiro e todos reclamavam.
No fundo eu sabia que aquela praia é aquele lugar era apenas um sonho. Mas pela primeira vez em
meses eu pude respirar e me sentir bem.
— Está esperando por alguém? - rapidamente me viro para trás para saber quem havia dito isso e
então vejo uma garota de cabelos castanhos, uma saia azul e uma camiseta branca, e por baixo um
biquíni. Ela então se senta ao meu lado enquanto olhávamos o mar.
— oi! - seu olhar era sereno e calmo, o seu sorriso no canto da boca era meigo. Por um instante eu me
senti nervoso. Um frio na barriga. Não, estava mais para um tiro.
— oi!
— espero que eu não esteja interrompendo algum momento seu de reflexão sobre como a vida é triste
- sua voz era doce e meio rouca.
—Na verdade eu estava fazendo exatamente isso até você chegar.
Ela começou a rir pondo a mão no rosto.
— eu sou a jasmim.
— Eu sou o Lucca.
— oh! Você tem cara de Lucas
— eu disse Lucca.
Ela se levanta.
— você não é daqui não é?
Aquilo era um sonho então obviamente eu não era de lá.
— não.
— hum, quer ver algo interessante?
Ela me estendeu a mão, e assim ela conseguiu estender ainda mais o que eu esperava daquele sonho.
Afinal não é comum uma garota como ela aparecer assim no meu sonho falando daquele jeito, parece
tão bem detalhado para um sonho.
Entramos na floresta, corremos enquanto pulávamos sobre as raízes. Ela puxou o meu braço e
começou a correr. Aquilo era estranho, era como se eu estivesse sendo conduzido por alguém, eu já
havia me sentido assim antes. Sua mão, seus dedos apertando a minha como se não quisesse me soltar
mesmo sabendo que eu poderia acompanhá-la. E então ela para de correr.
— tem claustrofobia?
De repente senti medo do que poderia vir depois da minha resposta.
— Sim, um pouco, por quê?
— Então segura a minha mão e respira fundo!
Ela parecia empolgada. Eu seguro sua mão mas mal consigo respirar, quando ela já me puxa pelo
braço e de repente caímos em um túnel apertado feito de terra molhada. Eu podia sentir o desespero
brotar no meu peito. Então caímos em um poço escuro depois de eu vergonhosamente ter gritado
muito no caminho.

4
Matheus Santana ☘︎

Havia muita água lá, que chegava até meus joelhos. Estava tão escuro que eu não podia enxergá-la.
— meu Deus! Onde nós estamos!?
— Consegue me achar ?
— não! Está muito escuro!
Então de repente centenas de vaga-lumes surgiram das paredes daquele lugar. E todos aqueles
inúmeros vaga-lumes iluminam o local com suas lindas luzes, deixando o lugar inexplicavelmente
lindo.
— e agora? Consegue me achar? - em meio aquelas luzes que mais pareciam enfeites de Natal, eu a
via. Suas pupilas refletiam o brilho das luzes. E eu conseguia ver de relance seu sorriso doce, meigo e
ingênuo.
— não é incrível?
— apesar da frustração claustrofóbica, isso é incrível!
Então nos aproximamos.
— É uma pena que isso é só um sonho, não é?
A expressão em seu rosto muda.
— sim…
— Essa foi a primeira vez que me divirto em meses.
— bom vamos lá pra fora.
Ela mudou bruscamente de assunto e foi em direção a saída, posso não entender bem as pessoas, mas
estava claro que algo a incomodava.
Ao sairmos do poço na saída que havia abaixo da água, chegamos novamente na praia. Só que cem
metros a frente havia um muro enorme de rochas que dividia a praia.
Jasmim me olhou com um semblante cabisbaixo.
— Eu sinto muito, mas eu tenho que ir.
— espera, eu ainda não acordei, fica mais um pouco.
— Eu sinto muito, mas eu não posso, eu quebrei as regras levando você até o poço.
— regras, do que você está falando?
— Somos de realidades diferentes, não podemos nos ver.
— mas…
— adeus lucca. - ela seguiu em direção a Rocha e simples a atravessou como se fosse intangível.
Imediatamente eu corro em direção a rocha, mas ela era dura e resistente como se fosse real. Então eu
tento escalar aquela parede de mais de 9 metros, ao chegar na metade eu escorrego e caio batendo
meu cotovelo no chão.
E esse havia sido o meu sonho, o sonho no qual eu não parava de pensar. Aquele foi a única vez que
eu me senti bem em meses mas não me sentia bem agora, já que aquilo foi apenas um sonho, era tudo
irreal.
Eu pego o meu suco cítrico e me sento em um banco. Eu não me preocupei em fazer companhia a
minha irmã já que provavelmente a barca só iria sair às onze e meia.
Eu me lembro do dia em que meu irmão me levou para surfar e eu voltei sem ele. Nada mudou em
meu coração, porque desde o dia em que ele morreu eu venho me sentido da mesma forma todos os
dias, o sentimento é sempre o menos. Raiva, angústia, tristeza, medo, culpa e acima de tudo
saudade…
Então uma senhora com suas sacolas se senta ao meu lado no banco, ela parecia estar esperando a
barca também.
— você parece triste meu jovem.
— hã? Não é nada senhora, eu estou bem.
— Eu sei que está triste moço, dá pra sentir as vibrações calmas e tristes do seu coração.
Eu sorrio para ela.

5
Matheus Santana ☘︎

— eu não sei como explicar… é besteira.


— não resuma todos os sentimentos do seu coração nessa palavra garoto, besteira é mentir para si
mesmo sobre o que está sentindo.
Ela tinha razão…
— Existe algo que você quer muito, e essa coisa está longe demais para que você possa encontrar.
— estão tão longe que mesmo que eu tivesse todo dinheiro do mundo eu jamais encontraria.
— ela fica em um lugar distante, mas que se você querer, querer muito, se você provar aos céus de
que é digno, chegará lá. O dinheiro não será seu passaporte Lucca, e sim o quão longe você consegue
enxergar nos céus.
— A senhora disse "ela", como sabe que é uma pessoa?
— Parando para pensar vocês dois têm muito em comum. Melhor ir, sua irmã está chamando.
Ela se levantou para ir embora.
— Quando a vir, grite pelo seu nome o mais alto que consegui se necessário, às vezes o universo é
para aqueles que querem de verdade.
— espera! Qual o seu nome?
— Me chamo Olivia, adeus Lucca e boa sorte com a Jasmim.
Ela se vai, e só então me toquei que ela havia falado jasmim! Como ela sabe! Procurei por ela
desesperadamente , mas ela havia sumido em meio às pessoas que ali passavam.
Então vou até a fila onde a Melissa estava.
— aí está você! Eu já ia te chamar! A barca chegou mais cedo, vamos fazer a travessia agora.

6
Matheus Santana ☘︎

Quando o céu se fechou e o mar se abriu


Embarcamos. A Melissa e eu estávamos logo na ponta da barca. Havia se passado uma hora desde que
saímos do terminal.
Eu estava encostado no corrimão da embarcação, enquanto a Melissa estava sentada em nossos
bancos conversando com o namorado pelo telefone. Na verdade esse foi o motivo de eu ter saído de
lá, não queria fazer parte da conversa daqueles dois.
Estávamos no meio do mar e as ondas ficavam cada vez maiores, assim como os ventos. Eu podia
sentir as lembranças do meu último sonho se esvairem aos poucos, mas não era o que eu queria, eu
resistia a cada memória perdida daquele sonho.
Jasmim… Por que não podemos nos ver? Aquele poço, aqueles vaga-lumes, “— ela fica em um lugar
distante, mas que se você querer, querer muito, se você provar aos céus de que é digno, chegará lá.” se
eu provar aos céus de que sou digno?.
Então olhei para o céu que estava meio ensolarado, oh céus, o que tenho que provar? Eu quero voltar!
Por favor! Eu imploro! Por favor!
De repente o céu que estava ensolarado foi se fechando aos poucos, se eu não tivesse um relógio no
meu pulso eu diria que estava de noite de tão escuro que ficou.
— Lucca! O mar está ficando agitado, melhor vir pra cá!
Naquele momento eu olhei para trás e vi a minha irmã, mas estranhamente eu a vi a cada segundo de
um ângulo mais baixo, eu… Estou caindo?
Eu a vi se levantar desesperada, largando o celular no chão e correndo em minha direção enquanto eu
a via gritar em câmera lenta. E enfim eu podia sentir a sensação de estar caindo. Em um segundo eu a
vi, e no outro eu podia ver somente a barca, só que mais de baixo.
Tudo ficou mais gelado…
Quando recobrei a consciência, eu estava em um lugar escuro e molhado. Então eu morri? Foi tão
rápido assim? Eu estava completamente molhado, eu sentia mais frio do que em toda a minha vida.
Meus olhos se enchem de lágrimas como se eu tivesse feito a maior besteira da minha vida, eu acabei
com a minha vida por causa de um sonho e coisas que uma senhora louca disse!!! Minha garganta dá
um nó, e o ar começa a se tornar escasso em meus pulmões, o que eu fiz?!!! Não… eu não podia
conter meu choro, tudo no que eu pensava era no rosto da Melissa, eu não podia ter feito isso com ela,
nem a minha mãe, ela perdeu mais…um…- eu choro feito uma criança.
Minhas lágrimas pintavam na água daquele lugar. Criando pequenas ondas. Então no meio daquela
escuridão surge uma pequena luz verde balançando no ar, então mais uma aparece, e logo centenas
dessas luzes aparecem iluminando todo aquele lugar.
Espera… eu conheço esse lugar!!! É um poço, aquele poço!!!
“besteira é mentir para si mesmo sobre o que está sentindo.” as palavras daquela senhora então
passam novamente pelas minhas memórias, então eu enxugo minhas lágrimas.
Todos os vaga-lumes estávamos em uma única formação em direção à saída. Eu segui suas luzes até
chegar a saída. E para a minha surpresa ao sair eu estava na mesma praia do meu sonho. Espera…
será que eu morri e estou sonhando? Então eu mesmo me dei um beliscão e doeu no mesmo instante.
Isso não pode ser possível…
Eu caminho até sair da floresta e chegar na areia da praia e me surpreendo com o que vejo, não havia
rocha alguma, e na minha frente havia muitas casas, pessoas pescando e andando normalmente. Era
um lugar exótico e ao mesmo tempo luxuoso.
Eu caminhei de forma desorientada passando pelas pessoas. Eles agiam normalmente. Estavam
concentrados demais no que estavam fazendo.
Até que meu coração disparou quando eu a vi.

7
Matheus Santana ☘︎

Jasmim, ela estava carregando uma cesta com peixes ao lado de um outro cara de cabelos castanhos
compridos, aparentemente da mesma idade que ela.
Com sua camisa térmica com as mangas arregaçadas, ela carregava a cesta com uma certa dificuldade
enquanto a colocava na garupa de uma picape, em seguida ela entrou no banco de passageiro do carro
e o outro cara no banco de motorista. Ela estava indo embora! Eu começo a correr na direção do carro,
então as pessoas começam a olhar para mim pelo fato de ter alguém correndo aqui. E começam a
estranhar o meu rosto desconhecido por aqui. O carro dá a partida, ele estava a 30 metros à minha
frente. E ao começar a andar ele ficava cada vez mais longe. Eu não parava de correr, mas já estava
ficando cansado. Já estava ficando sem fôlego. Estava ficando sem forças. Eu já estava sem ar o
suficiente para continuar correndo e vou parando aos poucos, e a única chance de poder vê-la vai
escalando pelas minhas mãos.

“quando a vir, grite pelo seu nome o mais alto que consegui se necessário, as vezes o universo é para
aqueles que querem de verdade”

Jasmim!!!!!!!!!!!!!!!!
O carro continuou seu caminho… e dois segundos depois ele freou bruscamente. E então ela abriu a
porta e saiu olhando atentamente para todos os lados. Até que ela me viu, exausto e ofegante.
— tá de brincadeira… lucca!
— eu… voltei! - eu disse ofegantemente.
— Quem é ele, jasmim?
Enquanto me olhava com preocupação ela correu em minha direção, eu a vi correndo e sua boca ainda
não havia decidido se mantia o semblante de preocupação ou se sorria. Mas eu podia ver leves
sorrisos escapando dela. Até que jasmim chegou até mim e parando na minha frente. Ela olhou para o
lugar e onde estava a Rocha e não disse palavra alguma, mas ela estava completamente surpresa e
também assustada.
— eu segui o conselho de uma senhora, que sumiu do nada, e depois eu peguei a barca só que tudo
ficou fechado e eu acabei c — ela me interrompeu com um forte e apertado abraço. E foi naquele
momento que eu tive certeza, não era um sonho! Eu podia sentir o aperto dos seus braços, o cheiro do
seu xampu, e seus batimentos cardíacos enquanto ela me abraçava. Seu coração estava acelerado
assim como o meu. Jasmim, você…é… Real!!!
— Você passou pela Rocha! Eu não acredito! - disse ela que ainda me abraçava apertado.
— por que aquela não está mais ali?
— porque os céus concederam a sua entrada aqui! Como conseguiu?

8
Matheus Santana ☘︎

A ilha escondida pelos céus


Minutos depois eu, Jasmim e o cara chamado Mark que na verdade é o seu irmão, chegamos a uma
casa de dois andares localizada perto de um lago.
— jas eu não acredito que deixou um garoto da terra entrar aqui!!! Dessa vez você passou de todos os
limites!!! Isso é um desrespeito com os céus e a nossa família!!! - disse Patric. O pai da jasmim! Que
discutia com a sua filha na cozinha sobre mim, enquanto o Mark e eu estávamos na sala.
— mas pai os céus permitiram a entrada dele aqui!!! Por algum motivo!!!
— Você tem ideia da responsabilidade que é isso?!!! Esse garoto deve ter família do outro lado, eles
devem ficar preocupados!!!
— mas pai…
— esqueceu da segunda lei dos céus?
— não…
— eu não quero que se machuque minha filha, mas quanto mais tempo esse garoto estiver aqui, mais
isso pode acontecer.
— e como vamos fazer ele voltar para o mundo dele? Eu não sei como se faz isso…
— Vamos procurar a mãe da ilha, a sra. Macaha.

Eles param de conversar.


— Então quer dizer que você é da terra? - perguntou Mark.
— Sim. Me diz uma coisa: o que significa a segunda lei dos céus?
— Quando uma pessoa da terra vem aos céus, no final do mês em que ela entrou aqui, ela voltará
instantaneamente para a sua realidade, e todos aqui irão esquecer no mesmo instante todas as
memórias que tiveram com essa pessoa. Ela também também esquecerá no mesmo instante de tudo e
todos relacionados a ilha dos céus.
Fala sério… E toda aquela frustração volta novamente no meu peito. Estamos em dezembro e daqui a
cinco dias será janeiro. Exatamente na virada do ano irei perder todas as memórias que tive com
ela…?
Nesse dia o patric nos levou de carro até a mãe da ilha. Uma cabana perto do pântano. Aquele lugar
era sinistro.
— Quem é a mãe da ilha?
— é a última habitante da primeira geração na ilha dos céus, ela é responsável por todas as decisões
aqui na ilha.
— sra. Macaha, por favor, peço que nos perdoe pela visita inesperada - disse Patric.
— vejo que trouxe o garoto da terra.
Como ela sabe sobre mim?!
— Lucca. Jasmim. Venham até aqui meus jovens — Lucca, como irá perder as memórias eu vou te
contar para que entenda. A origem dessa ilha é um mistério, mas recebemos instruções dos céus de
que ela ficaria escondida do resto dos humanos na terra. Para isso foram criadas leis, pessoas da terra
que já chegaram aqui ainda vivos, ficaram até o fim dos mês que entraram e depois perderam suas
memórias, e todos aqui também esqueceram imediatamente dessas pessoas, menos eu. Lembro de
cada uma. E confesso que é a primeira vez que alguém chega aqui já conhecendo um dos moradores
daqui. Você conhece a Jasmim, mas a conhecia antes mesmo de chegar até aqui.
— Sim, eu sonhei com esse lugar, mas havia uma Rocha imensa que impedia que eu pudesse ver o
restante da ilha.
— aquela Rocha não existe. É coisa da sua cabeça.
Hum?!

9
Matheus Santana ☘︎

— Eu serei breve, não há como você sair da ilha sem antes o mês acabar, então ficará aqui por mais
cinco dias e depois voltará para a sua realidade lucca.
A palavra havia sido dada. Aparentemente todos se confirmaram com isso, mas o semblante no rosto
de Jasmim ainda era de preocupação.
— a propósito tem algo no qual eu esqueci de mencionar.
Patric e Jasmim perguntaram o que era.
— Antes de chegar aqui eu encontrei com uma senhora na terra, ela conhecia a jasmim, ele conversou
comigo e disse que eu e a jasmim tínhamos muito em comum.
Depois de mencionar aquilo, todos pareciam muito surpresos, na verdade espantados.
— garoto… qual era o nome dessa senhora? - perguntou a sra macaha.
— Ela se chamava Olivia!
Imediatamente todos ficam espantados e assustados com a minha resposta. Mas…por quê?
— o que foi? Por que ficaram tão quietos?
— Olivia era a minha vó, Lucca…- disse Jasmim com um olhar assustado.
— Ela morreu há 10 anos - disse Patric.
Não…não pode ser! Mas ela estava lá! Eu falei com ela! Ela…
Enquanto eu sofria o choque de realidade, a mãe da ilha me olhava com um olhar surpreso e
intrigante. Afinal isso é sinistro. A verdade é que eu no início, quando eu cheguei aqui tudo o que se
passava pela minha cabeça era ir atrás da Jasmim. E tudo isso, se tornou bizarro, sem sentido e uma
completa loucura! Como pode existir uma ilha que nem mesmo o governo não saiba da localização?
Isso é impossível! Não é como se o ser humano conhecesse cada centímetro do planeta, mas uma ilha
como essa nunca passaria despercebida. Mesmo assim eu ainda me sinto confuso quanto a tudo o que
está acontecendo.
Todos estranharam o fato de eu ter conversado com uma senhora que já morreu há dez anos e ainda
mais sendo a vó da Jasmim. No entanto, foi por isso que ela disse que tínhamos muito em comum. Eu
não acho que eu possa ter algo em comum com uma garota cheia de vida como ela, não nos
parecemos em nada. Mas tudo o que ela estava certo. De certa forma o céu me guiou até ela, na
verdade foi o mar… E eu gritei pelo seu nome o mais alto que consegui, e ela me escutou.
— Patric! Venha cá! - a mãe da ilha o chamou até ela.
— Sim mãe.
— pelos próximos cinco dias esse garoto estará sob sua responsabilidade. Eu preciso que tome conta
dele antes dele partir. Tem algo nessa situação e com esse garoto que me deixou muito intrigada.
— bom… tudo bem mãe! ( estranho… Eu nunca vi a mãe da ilha se importar com alguma coisa que
não fosse o passado. Nem mesmo a vi intrigada por algo que ela não sabia. Na verdade, nunca houve
uma situação em que ela não soubesse de algo. Isso tudo era muito incomum, mas devo cumprir com
meu dever e também realizar os preparativos para o festival da virada do ano!)

O pai da Jasmim nos levou para o ajudar nos preparativos para a virada do ano. Haviam muitas
pessoas lá na praça. A jasmim e o mark ficaram responsáveis por enfeitar as canoas. Eu, o Patric e
mais três caras fomos cortar bambu na mata, que seria para montar as barracas na beira da praia.
Eu me sentia como um passageiro indesejado ou um estranho. Mas sabe o que era mais estranho?
Todos lá me tratavam muito bem, como se eu já fosse de casa ou da família mesmo sem me
conhecerem, todos eram muito gentis.
O que eu estou fazendo com um facão na mão? Alguém já foi esfaqueado aqui? Porque eu sou tão
desastrado que alguém pode acabar sendo.
— Não sabe cortar bambu, garoto? - perguntou um dos pescadores.
— Claro que sei! Digo, é só fazer que nem os samurais nos filmes não é? Eles fazem isso parecer
papel...

10
Matheus Santana ☘︎

Eles riram.
— não, vem cá eu te mostro!
No fim eu estava me divertindo, sabe eu poderia pensar em algumas formas profundas e claras de
explicar como eu me sinto aqui, mas o fato é, estou aqui a menos de um dia e não me sinto frustrado
por não estar em casa e nem preocupado com o que os meus familiares estão pensando. Nem sinto
falta dos amigos que não tenho.
Quando voltamos com vários e vários bambus nos ombros, na verdade eu só estava carregando menos
da metade, eu não pratico muitos exercícios então não é minha culpa. Quando voltamos Jasmim, o
mark é mais pessoas estavam enfeitando as canoas.
— bom trabalho garoto, ainda não pegou o jeito mas não se preocupe é sua primeira vez - disse Patric
enquanto tocava em meu ombro. Aquilo era pena? Que humilhação as minhas capacidades físicas.
— bom, eu posso ajudar a enfeitar as canoas, senhor?
— ah claro! Toda ajuda é bem vinda!
Eu vi uma canoa vazia e fui até lá. Eram muitos tecidos e, tinha e flores, eu não fazia ideia do como
enfeitar, mas eu precisava me manter ocupado. Eu me sentia como se de alguma forma a minha
presença estivesse afetando algumas pessoas lá. Todo aquele lance da Olivia é da segunda lei dos
céus… a sra Olívia estava certa, eu estou mentindo para mim. Quero tanto me manter ocupado para
não pensar nessa droga de lei… ter que esquecê-la…
— Você não faz ideia de como enfeitar uma canoa não é?
Jasmim aparece se juntando a minha confusão com aqueles enfeites.
— Quer uma dica? Melhor enfeitar primeiro por dentro e depois por fora, senão você vai sujar tudo
aqui dentro.
— é uma ótima ideia, sabe é que eu nunca tinha enfeitado uma canoa para uma festa num lugar
estranho antes.
Deixei meu sarcasmo escapulir. Brincadeiras à parte nós dois entramos na canoa e começamos a
enfeitar.
— Primeiro você cola as fitas na madeira, depois passa a tinha por cima, assim vai ficar mais bonito.
— verdade, assim a madeira não vai afetar nas textura, isso é genial!
— obrigado, a ideia foi minha.
— é sério? Uau, ela é esperta! Então a minha teoria de você ser uma espécie de ser que é capaz de
entrar nos sonhos da pessoa é ter uma inteligência avançada ainda está de pé?
— e quem disse é uma teoria?
Começamos a rir.

11
Matheus Santana ☘︎

Acerolas ♡︎
No final do dia estávamos exausto e tivemos que decorar e pintar 35 canoas. Acho que minha ideia de
manter a mente ocupada funcionou mais do que eu desejava.
— muito bem pessoal! Fizemos um bom trabalho no dia de hoje, agradeço a colaboração de todos
aqui! Nos vemos novamente amanhã para decidirmos os pratos! - disse Patric.
— Ai eu estou tão exausta, mas pelo menos amanhã é o melhor dia!.
Jasmim parecia empolgada.
— garoto, como você está sob minha responsabilidade, ficará hospedado no quarto de hóspedes.
—mas pai, o quarto de hóspedes não!
— não se preocupe Jasmim, eu fico feliz em poder me hospedar no quarto de hóspedes.
Uma hora depois lá estava eu num quarto dentro de um galinheiro.
Droga! O quarto de hóspedes não…
O fato de eu ter comido banana amassada com maçã e suco de caju matou a minha fome. Apesar de
eu preferir sei lá, uma carne ou arroz, parece que aqui eles não comem carne. E quando eu estava
prestes a dormir ao som dos ventos. Ah não eu disse ventos? Eu quis dizer sons que as galinhas fazem
quando estão andando pra lá e pra cá. É sério, elas não param quietas!
No entanto, eu escuto sons diferentes de uma galinhas ou chocalhos de serpentes.
Eram passos Então ela entra no quarto me dando um baita susto.
— oie!!
— não entra assim aqui! Eu estava pensando em como era ser atacado por um chupa-cabra enquanto
se está dormindo!!!
— Primeiro eu não sei o que é isso, e segundo eu vim te chamar para dar um passeio.

Minutos depois a jasmim e eu estávamos andando na areia da praia no meio da noite.


Caminhávamos enquanto sentíamos o arrependimento de ter vindo passear justo na praia. Estava
muito frio.
— Então… - estávamos sem assunto, mas de uma coisa nós sabíamos precisávamos falar algo, não
podíamos deixar o tempo nos vencer, e não ter a oportunidade de aproveitar as memórias que ainda
temos.
— é estranho não é mesmo?
— o quê? - perguntei.
— em quatro dias vamos esquecer completamente um do outro, sei lá, é estranho falar com alguém
que em pouco tempo não vou me lembrar. É como ter algo em suas mãos sabendo que é temporário
que em breve não terá mais…
Seu olhar era triste, e sua voz continuava doce, mas suas palavras eram difíceis de aceitar.
— Nada nesse mundo é eterno, a vida… Também é temporária, eu não sei o que dizer que torne isso
mais fácil, mas, estamos vivendo agora não é? Lembramos um do outro agora, Mesmo que isso seja
esquecido, eu quero viver os meus dias brevemente esquecíveis como se fossem inesquecíveis.
Ela sorriu enquanto mordia os lábios.
— Tem razão, podemos viver sem medo de esquecer.
Ela disse isso, mas não era isso o que seu coração pensava.
Minutos depois estávamos sentados em uma rocha no mar olhando as estrelas e comendo Acerolas.
— sabia que meu suco preferido é de acerola? - disse Jasmim enquanto tirava a acerola da boca para
falar.
— Eu não gosto de acerola.
— Então por que está comendo palhaço? - ela perguntou rindo da minha cara.

12
Matheus Santana ☘︎

— eu tenho esperança de que comer a fruta que eu menos gosto pode me fazer lembrar desse dia
quando minhas memórias se forem.
Ela começou a rir de mim.
— já surfou alguma fez? Aqui o clima é perfeito para surfistas.
— não. Mas o meu irmão era um ótimo surfista.
— Eu sinto muito por ele…
— como sabe que ele morreu?
— seu tom de voz não ficaria tão cabisbaixo se ele estivesse vivo…

Incrível.

— Quer falar sobre ele…?


— o noah era o meu irmão mais velho, ele era também o meu melhor e único amigo. Assim como eu,
ele também não ligava muito para universidades e essas coisas sobre ter um futuro promissor. Ele
dizia que não ia gastar anos da vida dele pensando em qual status ou carreira ele queria ter. Ou em
como ele iria contribuir positivamente para que o mundo continuasse retribuindo negativamente. Ele
dizia que preferia viver a única coisa que é mesmo real; o presente.
— uau
— num certo dia quando ele me levou para surfar, ele acabou sendo queimado por uma grande
quantidade de águas vivas que estavam ali, e ele acabou de afogando… desde aquele dia eu tenho
desejado todo santo dia que tivesse sido eu no lugar dele, que aquelas águas vivas queimaram a pessoa
errada, e deveria ter sido eu.
— eu discordo. Eu tenho certeza de que o Noah teria ido no seu lugar se fosse necessário, os irmãos
mais velhos sempre vão querer o melhor para os caçulas, ele deve estar decepcionado por você pensar
assim. Dias antes de minha avó morrer eu, ela e eu estávamos conversando sobre o que eu queria para
o meu futuro aqui na ilha dos céus. E eu disse que queria poder me casar como a mamãe e o papai,
com alguém especial, alguém que eu amasse das profundezas do meu coração. E ela simplesmente
disse que cuidaria disso. Ela era tão engraçada.
— Eu sinto muito por ela…
— Quando vocês se falaram, ela falou mais alguma coisa sobre mim?
— não…

13
Matheus Santana ☘︎

O meu prato preferido


Hoje é o dia em que todos vamos decidir qual serão os pratos servidos no festival da virada.
A jasmim propôs que ela e eu fizéssemos um prato juntos.
— Nós vamos fazer pavê!
— espera, é sério? É meu doce preferido!
— eu sei, você me contou, e por isso quem vai comandar o processo será você, querido
Lucca.
— eu espero que não esteja tentando me conquistar, porque suas chances estão
começando a crescer.
— ora, será que algum dia esse jovem galã de cabelos desajeitados vai se apaixonar por
essa simples camponesa?
Comecei a rir.
— bom vamos nessa! Você vai provar o melhor doce que você já comeu em toda a sua
vida!
— é sério? Eu não sei não jovem galã, eu já fiz muitos doces, o que faria do seu melhor que
o meu?
— ele não será melhor bela camponesa, será diferente, vai se surpreender.
Começamos a fazer a sobremesa. Ela como uma boa assistente me passava os
ingredientes.
— três ovos ! Agora o leite! O achocolatado! Agora me passa a farinha de trigo, derramando
todo e pacote na minha cabeça!
— o quê você fez sua maluca?!!
— pra aprender a ter bons modos e pedir "por favor"
Como ela é debochada!
— muito bem camponesa, acabei de perceber uma coisa.
— o quê?
— que eu nunca te vi usando maquiagem, deixa que eu te ajudo com isso.
Joguei todo o pote de achocolatado no seu rosto, e vi ela suspirar pela boca como se
tivesse odiado aquilo.
— Muito bem jovem galã, se está achando que essa vai ser uma daquelas guerras de
comida românticas como nos filmes, está enganado!
Ela pegou a frigideira.
— calma! Você não sabe brincar oh sem graça!!??
— me peça desculpas e eu penso se acerto sua cabeça com carinho.
— fico lisonjeado com sua preocupação, ah olha só você derramou leite condensado!
Fiz a minha jogada, nenhuma garota se perdoaria se deixasse cair leite condensado, isso é
praticamente um crime. Ao se distrair olhando para trás eu tento tirar a frigideira da sua
mão. E adivinha, levei uma pancada na testa caindo de bunda no chão
— ai meu Deus luca né desculpe foi o reflexo!!!
Ela largou a frigideira e se aproximou da minha cabeça para ver se tinha conseguido
quebrar. Essa é a minha chance! Derramei parte do leite condensado no seu cabelo!
— Seu palhaço no meu cabelo!?!!
— não era pra derramar aí e sim no seu rosto, mas veja pelo lado bom seus cabelos devem
estar com um gosto ótimo!
Ela começou a gargalhar e me chamou de idiota.
Eu comecei a rir junto com ela.

14
Matheus Santana ☘︎

Então nós nos demos conta de que os nossos corpos estavam perto demais um do outro.
As gargalhadas de repente são silenciadas, ela me olhava de uma forma difícil de
descrever, como se ela não soubesse o que estava acontecendo mas ao mesmo tempo ela
sabia exatamente o que estava acontecendo, pois era o que seu coração, os nossos
corações esperavam. Era o momento pelo qual os nossos lábios tanto esperavam. Nossos
olhos se comunicavam de uma forma diferente das anteriores. Ao mesmo tempo eles já
estavam se comunicando desta forma desde a segunda vez que nos vimos. Quando eu
gritei seu nome, o mais alto que consegui.
— Lucca?
Ela chamou por mim ainda na mesma distância.
— oi
— Já quis tanto fazer uma coisa mas tinha medo, porque isso significa muito para você,
mas dói saber que você não pode ter isso…?
— sim… Eu sei como se sente…
— o quê eu faço agora? Neste exato momento?
— eu diria para não ter medo, mas não iria funcionar, então apenas siga o seu coração,
mesmo que isso signifique não fazer nada agora.
— Mas eu quero muito fazer uma coisa agora…
— faça apenas quando o seu coração gritar, você saberá quando isso acontecer, todo o seu
corpo saberá.
Ela sorriu e me abraçou. Seu cabelo está me sujando de leite condensado.
— se pararmos pra pensar, tecnicamente somos um pavê humano de tão melados que
estamos.
Alguns minutos depois eu estava colocando o nosso pavê na mesa onde as pessoas iriam
provar quais pratos seriam escolhidos para o festival.
Depois de colocar o prato mark vem até mim.
— E aí garoto que eu vou esquecer, o que vocês fizeram?
— Fizemos um pavê.
— hum, doce, escolha arriscada.
— e você?
— Eu não fiz nada, eu vou provar! Nisso eu sou mestre!
Acabei rindo.
— sabe lucca, faz muito tempo que eu não vejo a minha irmã feliz assim, desde quando
você chegou aqui ela tem estado mais distraída, fica cantando músicas românticas e bregas
pelos cantos da casa, já era difícil dividir quarto com uma pessoa assim, desde que você
chegou então, tem sido impossível, às vezes eu acho que vou sonhar com “a culpa é das
estrelas” ou “como se fosse a primeira vez”. Apesar de que ela não vai se lembrar de nada
depois de amanhã, eu tenho certeza de que deve doer você ter que ir.
— Eu sei exatamente como deve doer, sabe eu tenho uma vida lá do outro lado, tenho uma
família, mas, tudo o que eu queria era ficar aqui, sabe?
— nunca pensei que fosse dizer isso, mas eu também cara - disse o irmão dela que tocou
em meu ombro. Então ela apareceu com os cabelos lavados.
— E aí meninos, fico animada em ver vocês dois conversando, mas Lucca não se deixa
levar pelo preguiçoso do meu irmão não!
Então os jurados começaram a provar os pratos, o suspense toma conta do momento. Eles
aprovaram quatro pratos. Faltava só um. Então uma senhora de óculos provou o nosso
pavê.

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Matheus Santana ☘︎

— minha nossa, isso aqui é uma delícia! Esse doce tem que estar no festival!
Imediatamente pulamos de alegria e nos abraçamos.
— conseguimos!!! Esse foi seu primeiro doce e você passou de primeira?!
— eu também estou surpreso, não imaginei que fosse ficar bom depois de você ter acabado
com todo o leite condensado!
— mas foi você que jogou ele em mim mané!
— por que não pede para eles provarem seu cabelo também?
Ela acertou meu braço com um soco amigável enquanto sorria.
Uma senhora com uma saco na cabeça apareceu nos dando uma bronca porque a cozinha
dela estava um verdadeiro caos. O chão estava sujo de ovos e farinha de trigo, e leite
condensado. Depois de limpar toda a cozinha dela estávamos exaustos.

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Matheus Santana ☘︎

Se tiver algo a dizer…


Hoje é o dia 31 de dezembro, exatamente as 00:00 horas de amanhã irei perder todas as minhas
memórias, tudo o que eu vivi aqui, todas as pessoas, a jasmim…
Se eu tiver algo a dizer para ela, o que eu devo dizer? Se ela irá esquecer então qual seria o sentido?
— deve estar pensando no que dizer a ela não é mesmo.
Patric entrou no quarto de hóspedes.
— Mesmo que não faça nenhuma diferença, escreva uma carta, mesmo que ela não reconheça suas
palavras, elas ainda estarão com ela quando você não mais estiver.
Eu não esperava receber um conselho sobre isso direto do pai dela, mas apesar dos fatos, ele tinha
razão, eu quero que ela saiba sobre tudo o que eu sinto mesmo que não se lembre. Eu vivo no quarto
escrevendo histórias há anos, mas dessa vez era como se eu fosse escrever a minha vida num papel.
— Obrigado pelo conselho sr. Patrick.

Jasmim, na primeira vez em que eu te vi, achei que era um sonho, e eu estava certo, na segunda vez
em que eu te vi, achei que fosse uma loucura, e era
Quando gritei seu nome e você escutou mesmo tão distante, senti como se o mundo estivesse diferente
naquele momento
E a verdade é que no mundo era o mesmo naquele momento
A diferença é que quando chamei pelo seu nome percebi que estava chamando pelo meu mundo e ele
estivesse olhando de volta para mim
E então naquele momento eu me senti vivo
Naquele instante senti como se meu coração estivesse cantando com alguém
Era um dueto
Percebi isso quando senti seus batimentos cardíacos

Querido Lucca, jovem galã. O mais triste de tudo isso não é você ter que ir embora, é não poder
lembrar dos bons momentos que eu tive com você. Eu queria muito que essa lei não existisse, ah eu
queria tanto, se algum dia meu coração gritar eu queria que fosse por você, eu queria que estivesse
aqui para escutar, eu queria que estivesse aqui para eu poder te abraçar com todas as minhas forças
e nunca mais soltar
Quando você chamou pelo meu nome eu senti como se
Te conhecesse a tanto tempo…

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Matheus Santana ☘︎

Bela camponesa, eu juro que se esse tão de céus fosse uma pessoa eu lhe daria um socão por ter
criado essa lei ridícula!

Pensando bem eu retiro o que disse, o céu é grande demais, se ele fosse uma pessoa eu com certeza
não daria conta

Jovem galã, será que se eu te acertasse com a frigideira bem forte na sua cabeça, a dor faria você
lembrar de mim?

Eu guardei a carta em meu bolso, eu estava vestido com umas roupas que o mark me emprestou para o
festival… não importa o que eu vista, o medo, a ansiedade e a tristeza não parecem estar por baixo
daquelas roupas.

Eu coloquei o vestido que eu havia escolhido logo no início do ano, dessa vez havia uma quantidade a
mais de desejo, uma vontade a mais de estar bonita. Havia uma pessoa para impressionar, havia
alguém em especial que gostaria de escutar um elogio sincero.

Apesar de tudo eu estava nervoso, um frio intenso na barriga, o mesmo que senti antes de chegar aqui,
era como se eu estivesse indo a um encontro, como se esse fosse o encontro da minha vida.
Me olhei pela décima vez no espelho e decidi ir

Me olhei pela vigésima vez no espelho e decidi ir

….

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Matheus Santana ☘︎

Caminhei pela praça vendo como as decorações haviam ficado incríveis, e então eu a vi. Com aquele
vestido lilás, seu colar de conchas, seu cabelo, e seu olhar, aquele olhar
Ela é com certeza a mulher mais linda que eu já vi em toda a minha vida..
— camponesa! Você está… Incrivelmente linda!
— jovem galã! Você está um galã!
E então ela conseguiu me fazer sorrir pela primeira vez naquele dia.
Hoje eu estava mais tímido do que nos últimos dias, eu tinha tantas coisas para dizer a ela e tantas
outras coisas que eu queria fazer e talvez essa pressão com o tempo esteja me deixando
completamente nervoso

Eu nunca me senti tão nervosa antes, era como se eu estivesse prestes a pular de um penhasco esse dia
estava tão desafiador. Sempre me achei corajosa, mas por que os sentimentos nos dão tanto medo?

— Olha só, aqui está o nosso pavê!


— só tem metade dele , meus parabéns os moradores gostaram!
— Parando pra pensar você ainda não provou.
Eu peguei um garfo descartável e peguei um pedaço do pavê.
— bom, esse primeiro pedaço vai para a bela camponesa Jasmim!
— mas só tem metade, não é o primeiro pedaço.
— Não estrague o clima! Finge que este é o primeiro pedaço, e eu dedico ele a você!
Ela comeu, e então sorrindo ela fechou os olhos.
Estávamos caminhando pela praia. Havia centenas de pessoas na areia da praia contando os minutos.
A mãe da ilha não havia aparecido, ela estava em sua cadeira na varanda da sua casa pensando na
vida. E então ela pede para que sua afilhada pegue as cartas dos seus ancestrais na gaveta dela.
Faltavam só alguns minutos para a virada.
Eu havia me despedido do Patrick e do Mark, e de outras pessoas. Jasmim e eu fomos até a mãe, onde
a água chegava até os nossos tornozelos. Ficamos de frente um para o outro. Os olhos dela estavam
cheios de lágrimas, ela estava dando tudo de si para segurar o choro. Seria demais para mim, eu não
queria que minha última visão dela fosse de suas lágrimas. Mas a verdade é que era impossível
contê-las.
— Lucca… eu não quero te esquecer!

— Jasmim, não estou nem aí para essa droga de lei, eu vou lembrar de você para o resto da minha
vida!!! Do seu rosto, da sua voz, do seu toque, do seu olhar, tudo! Eu vou lembrar custe o que
custar!!!

A contagem regressiva para a meia noite começou.


E então todos começaram a gritar:

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Matheus Santana ☘︎

Cinco!!!!!
Eu entreguei a minha carta a ela e ela entregou a dela para mim, eu a coloquei no bolso.

Quatro!!!!

— lucca, eu escrevi tudo o que eu sinto na carta mas eu preciso te dizer uma coisa
Três!!!!
— hum?! O que Jasmim?
Dois!!!!!

— Eu..
Um!!!
—amo vo…

Em um piscar de olhos eu estava submerso na água, eu nadei até a superfície o mais rápido que pude,
ao chegar lá, haviam muitas embarcações da polícia e do corpo de bombeiros. Ao me virem
imediatamente eles foram até mim.
— impossível… ei!!! ei!!! Venham até aqui!!!! Tem um garoto aqui!!!
Eles me ajudaram a subir numa das embarcações e perguntaram o meu nome quando eu respondi eles
ficaram perplexos. Estava tudo muito escuro, havia sons de fogos, que estranho, parece até que é o
ano novo.
Eles me levaram até um terminal, ao deveremos estavam a Melissa, o namorado dela e muitos
bombeiros. Ao me ver ela correu em minha direção e me abraçou muito apertado enquanto chorava
muito.
— meu deus! Lucca!!! Onde você estava!!?!!!
— eu não lembro direito, eu caí da barca onde nós estávamos, e depois eu acordei submerso, parece
que eu fiquei na água pelo resto do dia, não é mesmo?
— Lucca você ficou desaparecido por cinco dias!!!, a nossa mãe está tão preocupada!! Nós vamos
voltar para casa agora mesmo! Vamos pegar a próxima barca que sai daqui a duas horas.
— só pode ser um milagre você ter sobrevivido cinco dias no mar garoto. Melissa ligou
imediatamente para a minha mãe desesperadamente para dar a notícia. Eu estava muito confuso e
assustado, eu tinha a forte sensação de ter esquecido de algo…
Ao colocar as mãos nos bolsos eu misteriosamente acho um papel, mas ele estava encharcado e se
desfez assim que o peguei.
Algumas horas depois pegamos a barca de volta para casa, ainda estava escuro mas o sol já estava
nascendo iluminando parte do céu.
— A mãe está tão feliz que quase teve um infarto!
— eu sempre soube que essa ideia de alugar uma casa na ilha era péssima, agora perdemos o réveillon
porque eu caí fiquei desaparecido por cinco dias, isso nem parece real.
Nesse momento eu percebi que eu estava morrendo de sede, mas eu também me sentia fraco, então fui
até a lanchonete da barca, e pedi um suco de maracujá.
— só temos suco de acerola, vai querer assim mesmo?
— Sim, por favor!
Em seguida eu volto para onde estavam a Melissa e o namorado dentista dela.
Cá estou eu no meio do mar, numa barca tomando suco de acerola e voltando para casa, acho que eu
não vou mais viajar de barco por um bom tempo, ou talvez para sempre.
De repente eu me lembro de algo estranho.

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Matheus Santana ☘︎

“quando a vir, grite pelo seu nome o mais alto que consegui se necessário, as vezes o universo é para
aqueles que querem de verdade”
Ainda assim, eu não me lembro de nada mais do que isso.
— Ei maninho, você não gosta de suco de acerola! - disse Melissa.
— ah eu sei!
— Então por que está bebendo?
De repente eu sinto um frio na barriga e tudo parecia intenso naquele momento, sinto uma sensação
forte de que existe algo que eu quero muito, e está bem perto de mim!
Ao olhar para o lado haviam muitas nuvens no mar, e muita neblina o que estava dificultando a
travessia, mas de repente todas aquelas nuvens e neblinas somem em questão de segundos, e então
todos podem ver que a barca estava passando ao lado de uma ilha enorme. Todos ficam surpresos pois
nunca havia visto aquela ilha ali antes. E então eu sinto meu coração acelerar.
— irmã! Me desculpa, eu prometo que volto!
Então eu pulei da barca diretamente no mar, mergulhando nas profundezas do mar, ao voltar para
superfície eu sigo nadando em direção a ilha.
— Ei!!!! O que você está fazendo seu louco!!! Volta aqui Lucca!!!!

Eu não vou te decepcionar noah, eu estou indo atrás do que eu mais quero, assim como você fez
todos os dias na sua vida!
Enquanto eu nadava eu passei por algumas águas vivas que me fizeram sentir uma dor terrível ao me
queimarem.
Droga!!! Dói demais!!!!

“infelizmente dói muito maninho, mas quando elas me queimaram eu percebi que eu tinha ido atrás
dos meus sonhos, você ainda não chegou atrás do seu, que está logo a sua frente, não pode deixar
que essa dor seja o suficiente para impedir que você faça o que seu coração mais deseja, mostre a si
mesmo que você quer, quer de verdade, o suficiente para realizar o que eu sempre desejei para você
maninho”.

Noah!!!
Eu cheguei até a terra, e assim como na última vez não havia Rocha, então com minhas inúmeras
queimaduras eu corri, mesmo sentindo muita dor eu corri o mais rápido que pude.
Você precisa continuar correndo! Só mais um pouco…

Enquanto eu corria eu a vi olhando o mar, estava cem metros à minha frente. Então o pai a chamou
para voltar para casa, ela estava prestes a entrar.

Depois de ler todas as cartas do seus ancestrais, a mãe da ilha pegou a última carta, e ao abri-lá, estava
escrito:

“Haverá uma ponte entre a ilha dos seus e a terra, uma conexão gerada por um amor único e
verdadeiro”
— eu sabia!!! - disse a sra. Macaha sorrindo.

Meu corpo estava cansado, eu estava sem fôlego, sem força. Ela entrou no carro e o deu partida. E
então usei toda a força que me restava e gritei:

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Matheus Santana ☘︎

Jasmim!!!!!!!!!

Eu estava prestes a ir embora com um estranho aperto no peito quando escuto algo que pode ter
mudado a minha vida.

O carro seguiu seu caminho…

Dois segundos pedi para meu pai parar o carro, e assim ele fez.

Dois segundos depois o carro parou, e ela saiu. Naquele momento meu coração se encheu de fôlego

Naquele momento meu coração se encheu de alegria

Tirando forças nas quais eu já não tinha, eu corro a todo vapor em sua direção à beira da praia.

Eu corri o mais rápido que eu pude em sua direção


— Luccaa!!!!

E nos abraçamos com todas as nossas forças, e eu pude sentir seus batimentos cardíacos novamente.
Nossos batimentos se encontraram como se estivessem buscando um ao outro. Nossos olhares se
bateram como uma batida de carro.

— ele gritou Lucca!!! Ele gritou!!! O meu coração gritou!!!

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Matheus Santana ☘︎

Nossos rostos se afastam ficando frente a frente, estávamos a menos de um centímetro de distância
novamente.
— eu não disse camponesa, custe o que custar eu nunca esquecerei de você!por que eu…
— amo…

Você!!!

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