Dispersão Urbana no Brasil: Análise e Planejamento
Dispersão Urbana no Brasil: Análise e Planejamento
RI CARDO OJI MA
AGLOM ERAÇÕES URBAN AS BRASI LEI RAS : ELEM EN TOS TEÓRI COS E
Ojima, Ricardo
RI CARDO OJIMA
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Prof. Dr. Da~iel Joseph Hogan (OrientadorO~~. iz-....-
Prof. DrJose Marcos Pmto da Cunha / ~ '
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Prafi. Dra. Heloisa Soares de Moura eosta
Suplente:
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A GRAD ECI M EN TOS
Agradeço à minha esposa, Andréa, por ter acompanhado toda essa trajetória
com a paciência e o carinho de quem não pede nada em troca. Com o seu apoio, nos
momentos em que as coisas pareciam impossíveis, foi mais fácil superar os desafios: tanto
aqueles que a vida nos coloca como também aqueles que eu mesmo me coloquei. Enfim,
obrigado por todo o apoio que muitas vezes, por estar contido nos pequenos gestos do dia-
a-dia, deixei de agradecer devidamente.
Aos meus pais (Mario e Margarete) e irmãos (Heloisa e Henrique), agradeço,
entre outras coisas, pelos valores que plantaram e cultivaram desde a infância. A exigência
de me tornar sempre uma pessoa melhor e mais completa sempre me orientou a cultivar o
melhor dentro de mim e das pessoas que me cercam. Assim, tenho orgulho de saber que
sou o reflexo dessas ações e que neste ambiente de apoio mútuo, apesar das dificuldades,
nunca faltou o carinho e a compreensão.
À Flávio e Suely, palavras não são suficientes para retribuir os momentos de
carinho e de toda a compreensão; sem falar da confiança e respeito que desde sempre
pautaram a nossa convivência.
Agradeço ao meu orientador, prof. Dr. Daniel J. Hogan, pela paciência, respeito e
apoio constante em todas as etapas deste processo e, acima de tudo, a confiança de que
atingiria meus objetivos. A orientação foi além da materialização deste trabalho e foi
essencial para a consolidação de meus interesses pela pesquisa.
À todos os professores que tive a oportunidade de conviver não apenas nas
salas de aula, mas nos corredores do NEPO, congressos, debates e “coffee breaks”,
agradeço pela atenção, amizade e, claro, o aprendizado. É preciso agradecer aqueles que
estiveram mais diretamente ligados à construção desse trabalho: à profa. Rosana que
despertou meu interesse e acompanhou a minha trajetória há 10 anos atrás, à profa. Bete
que me introduziu à pesquisa e deu suporte fundamental; ao prof. José Marcos, pelo intenso
debate e respeito; à profa. Tirza, pelo apoio e reciprocidade e ainda ao prof. Roberto, pela
convivência e contribuição ao trabalho. Agradeço a todos os demais professores, sem
exceção, pois tornaram o aprendizado uma lembrança a ser guardada com carinho.
Aos amigos que trouxe e fiz ao longo deste caminho, agradeço por todos os
momentos de descontração, suporte e discussão. Acima de tudo, é essa amizade que nos
v
faz lembrar que os pequenos gestos da vida é o que realmente vale a pena. Agradeço
àqueles que perto ou longe participaram ativamente do dia-a-dia desses últimos 4 anos:
Leonardo, Eduardo, Fábio, Thais, Conceição, Maisa, Simone, Eliana, Vilton, Verena, Biro,
Claudio Roberto e Vanessa, Marcos, Paulo, Pedro, Rodrigo, Rachel e Clausius, Afonso e
Wilson. Aos que não figuram nessa breve lista, agradeço e me desculpo; mas saibam que
nem por isso deixaram de ser lembrados.
É preciso ainda explicitar o apoio especial da Thais nas leituras, discussões e
contribuições que ela sabe que constam aqui neste trabalho. Cabe ainda de dedicar as
devidas palavras aos companheiros de praticamente todas as discussões, debates e,
especialmente, todas as viagens destes quatro anos. Leonardo, Eduardo e Conceição, a
sua amizade e companhia foi sempre acolhedora desde o sol escaldante de Manaus até as
águas mornas de Caxambu. É importante ainda lembrar dos colegas do GT da ABEP que
sempre contribuíram com as discussões teóricas e metodológicas para que este trabalho se
aprimorasse; especialmente Heloisa, Roberto, Miguel e Johnny, obrigado.
Não posso deixar de agradecer ainda ao Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) pelo fundamental apoio na execução desta tese de
doutorado. E ainda, àquelas pessoas que deram apoio fundamental à essa pesquisa, desde
o pessoal da biblioteca até o pessoal da secretaria de pós-graduação do IFCH e do Núcleo
de Estudos de População (NEPO), especialmente à Maria Ivonete, Rodrigo, Adriana,
Marcelo, Denise, Eliane e Mariana. Enfim, agradeço a todos que participaram dessa tarefa
mesmo que indiretamente ou inconscientemente.
vi
Para Andréa
vii
Melhor é acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão
Provérbio Chinês
ix
R ESUM O
Não são raras as associações entre urbanização e degradação ambiental, sobretudo quando se
relaciona o crescimento da população urbana à escassez de recursos, poluição e qualidade de vida.
Entretanto, as recentes mudanças no padrão de distribuição populacional nas principais
aglomerações urbanas do país apontam para um novo cenário onde o arrefecimento das taxas de
crescimento populacional se confronta com uma nova forma de uso do solo, alterando a dinâmica
intra-urbana e os impactos ambientais relacionados à expansão urbana. Assim, ganha força um
padrão de urbanização disperso e fragmentado que é conseqüência das mudanças estruturais da
sociedade e as novas formas de mobilidade espacial. Enfim, o trabalho procura abordar a
urbanização brasileira sob uma perspectiva comparativa a partir da construção de um Indicador de
Dispersão Urbana e assim apontar os desafios para uma urbanização sustentável. Trata-se de um
investimento teórico e metodológico na busca de evidências que confirmem as proposições teóricas
de uma nova etapa do desenvolvimento da sociedade moderna e os desafios para a questão
ambiental nos contextos urbanos. O indicador considerou dimensões sociais e espaciais para
compor um indicador sintético de dispersão urbana para as aglomerações urbanas brasileiras, sendo
elas: Densidade, Fragmentação, Linearidade e Centralidade. Os resultados obtidos foram
compatíveis com as evidências apontadas pela literatura internacional e apontam novos contornos
para a dicotomia centro-periferia.
A BSTRACT
xi
S UM ÁRI O
Agradecimentos _______________________________________________________________________v
Resumo_____________________________________________________________________________ xi
Abstract ____________________________________________________________________________ xi
Sumário ___________________________________________________________________________ xiii
Lista de Figuras ______________________________________________________________________xv
Lista de Gráficos ___________________________________________________________________ xvii
Lista de Tabelas _____________________________________________________________________ xix
Lista de Quadros ____________________________________________________________________ xxi
INTRODUÇÃO 23
2. AGLOMERAÇÕES E METRÓPOLES 51
2.1. METROPOLIZAÇÃO 54
2.2. A DIMENSÃO DA MOBILIDADE ESPACIAL 61
2.2.1. TIPOLOGIA DE AGLOMERAÇÕES POR MOVIMENTOS PENDULARES 66
2.2.2. OS LIMITES DA EXPANSÃO URBANA 73
2.3. AGLOMERAÇÕES COMPLEXAS 83
3. URBANIZAÇÃO DISPERSA 93
xiii
LI STA DE F I GURAS
xv
Figura 34 –AU de Natal: Síntese dos Indicadores ..................................................................................... 140
Figura 35 –AU de João Pessoa: Síntese dos Indicadores......................................................................... 140
Figura 36 –AU de São José dos Campos: Síntese dos Indicadores ......................................................... 141
Figura 37 –AU de Ribeirão Preto: Síntese dos Indicadores....................................................................... 141
Figura 38 –AU de Sorocaba: Síntese dos Indicadores .............................................................................. 142
Figura 39 –AU de Aracaju: Síntese dos Indicadores ................................................................................. 142
Figura 40 –AU de Londrina: Síntese dos Indicadores................................................................................ 143
Figura 41 –AU de Santos: Síntese dos Indicadores .................................................................................. 143
Figura 42 –AU de Joinvile: Síntese dos Indicadores.................................................................................. 144
Figura 43 –AU de São José do Rio Preto: Síntese dos Indicadores.......................................................... 144
Figura 44 –AU de Caxias do Sul: Síntese dos Indicadores ....................................................................... 145
Figura 45 –AU de Jundiaí: Síntese dos Indicadores .................................................................................. 145
Figura 46 –AU de Florianópolis: Síntese dos Indicadores ......................................................................... 146
Figura 47 –AU de Maringá: Síntese dos Indicadores................................................................................. 146
Figura 48 –AU de Vitória: Síntese dos Indicadores.................................................................................... 147
Figura 49 –AU de Volta Redonda: Síntese dos Indicadores...................................................................... 147
Figura 50 –AU de Blumenau: Síntese dos Indicadores ............................................................................. 148
Figura 51 –AU de Ipatinga: Síntese dos Indicadores................................................................................. 148
Figura 52 –AU de Criciúma: Síntese dos Indicadores ............................................................................... 149
Figura 53 –AU de Itajaí: Síntese dos Indicadores ...................................................................................... 149
Figura 54 –AU de Cabo Frio: Síntese dos Indicadores.............................................................................. 150
Figura 55 –AU de Mogi-Mirim: Síntese dos Indicadores............................................................................ 150
Figura 56 –AU de Guaratinguetá: Síntese dos Indicadores....................................................................... 151
Figura 57 – Distribuição das aglomerações urbanas segundo ranking do Indicador de Dispersão Urbana
........................................................................................................................................................... 154
xvi
LI STA DE G RÁFI COS
xvii
LI STA DE T ABELAS
xix
LI STA DE Q UAD ROS
Quadro 1 - Regiões metropolitanas segundo Unidade da Federação, legislação e data de criação, número
de municípios atual e nome do município sede, Brasil ........................................................................56
Quadro 2 – Número de municípios por aglomeração urbana definido a partir dos critérios de pendularidade
..............................................................................................................................................................81
Quadro 3 – Aglomerações urbanas e municípios definidos a partir dos critérios de pendularidade............81
xxi
I NTRODU ÇÃ O
áreas urbanas. Para o caso brasileiro e latino-americano, essa marca já foi superada em
urbanização mundial onde residem desafios típicos de uma sociedade urbana e global.
% Estimativas
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
1950
1955
1960
1965
1970
1975
1980
1985
1990
1995
2000
2005
2010
2015
Ano
Fonte: UNITED NATIONS - Population Division of the Department of Economic and Social Affairs of the United
Nations Secretariat, World Population Prospects: The 2004 Revision and World Urbanization Prospects: The 2005
Revision
23
O debate sobre os reflexos sociais do processo de urbanização latino-americano
e brasileiro assume grande importância e passa a figurar entre uma das principais
de que a “bomba populacional” explodisse nas áreas urbanas acabou sendo uma das
da época.
espaço ou reestruturação urbana passou a ser encarada como um fato novo e, por esse
motivo, não foram poucas as pesquisas que passaram a investigar tais mudanças sob
brasileiras, além de ser um dos fatores explicativos dos processos migratórios. Assim, em
linhas gerais, a maioria das abordagens recentes procura nas transformações do modo de
nível planetário, do modelo econômico, é preciso deixar claro que os impactos sociais vão
além das mudanças na esfera da indústria, emprego ou das categorias ocupacionais, pois a
globalização é causa e efeito de uma mudança social mais profunda. Dessa forma, para
24
produção-consumo. Pois, se há mudanças importantes na forma de produção do espaço, há
Assim, no jogo dos riscos sociais, muitas vezes, a expansão de áreas urbanas se
torna uma disputa por qualidade de vida. E, portanto, a reestruturação dos espaços urbanos
produtiva. Trata-se de uma mudança mais ampla na esfera da reprodução social, diz muito
ambiental enquanto valor universal. A valorização do meio ambiente dentro da esfera das
ações sociais é, sem dúvida, uma variável relevante quando analisamos as mudanças
recentes na estruturação urbana, pois, entre outros fatores, a questão ambiental passa a ser
entendida como causa e efeito das decisões que orientam as transformações do tecido
urbano. Ou seja, se por um lado temos a demanda crescente pela qualidade de vida urbana
associada à proximidade dos artefatos ambientais, por outro lado temos um aumento na
apontar a relação entre urbanização e meio ambiente como uma das mais evidentes. Não
podemos negar que é na cidade que este dilema se torna mais contundente, pois as
25
interfaces sociais, econômicas e políticas se dão com maior intensidade. Mas embora
natureza e cidade sempre estivessem na pauta das discussões sobre a crise ambiental
intrínsecas à chamada “crise ambiental”. Enfim, a natureza em si não pode ser interpretada
única e exclusivamente como áreas “intocadas”, selvagens ou naturais (em seu sentido
literal).
O ambiente é hoje mais ‘social’ do que nunca, no sentido de que está mais
materiais (BUTTEL et al., 2002). Assim, a percepção dos riscos ambientais se torna hoje
uma das forças sociais definidoras das sociedades, incorporando e refletindo novos veículos
de ação social e novos padrões estruturais nas sociedades modernas (BUTTEL, 2001: p.29-
30). Portanto, não se trata apenas de identificar e analisar as relações entre os artefatos
ambientais (áreas verdes, rios, ar, solo) mesclados no cenário urbano das cidades e
moderna que age e interage com a dinâmica socioambiental e, dessa forma, é o modo de
vida urbano que contribui para intensificar os processos que conduzem aos dilemas
ambientais.
contextos urbanos quando uma parcela da população passa a valorizar o meio ambiente
urbanas passam a ser avaliadas pelo risco potencial ao meio ambiente; ou quando cresce o
ou quando, enfim, a dimensão ambiental não pode mais ser dissociada dos processos de
decisão individual e social dentro dos contextos urbanos, onde os riscos e incertezas se
26
A urbanização é ainda uma das principais intervenções humanas na paisagem
geográfica. Ela pode ser considerada como um dos mais poderosos e irreversíveis pontos
Assim, a questão ambiental revela um conjunto de tensões sociais que, nos dias
Neste contexto, o urbano e o meio ambiente fazem parte de um único processo e não
que representava cerca de 30% da população total, passou a ser de 81% no ano de 2000.
espaços urbanos passa a se dar em uma nova etapa do desenvolvimento social onde os
riscos sociais passam a assumir papel decisivo na ação social, uma realidade na qual
27
a vida pessoal e os laços sociais que ela envolve estão profundamente entrelaçados
com os sistemas abstratos de mais longo alcance. (...) Com a globalização acelerada
dos últimos cinqüenta anos mais ou menos, as conexões entre a vida pessoal do tipo
mais íntimo e mecanismos de desencaixe se intensificaram. Como observou Ulrich
Beck: ‘O que há de mais íntimo – digamos, amamentar uma criança – e de mais
distante, mais geral – um acidente nuclear na Ucrânia, política energética – estão
agora, de súbito, diretamente conectados’ (GIDDENS, 1991).
Assim, há uma ordenação e reordenação reflexiva das relações sociais à luz das
maneira, “a estrutura local não é simplesmente o que está na cena; a ‘forma visível’ do local
oculta as relações distanciadas que determinam sua natureza” (GIDDENS, 1991). Ou seja,
considera-se que no momento atual os modelos de ação social estão cada vez mais
consumo globais.
teóricas que nortearam os estudos urbanos no que se refere aos processos de expansão
população para poder entender as principais mudanças que ocorreram nestes contextos
urbanos brasileiros. Assim, o primeiro capítulo fará um sobrevôo teórico para contextualizar
28
conceitual de metrópole e aglomerações urbanas no Brasil. Isso se torna importante na
devido aos critérios que os definem. Assim, após a discussão dos critérios, propõe-se uma
Campinas (UNICAMP).
entendimento dos dilemas e conflitos ambientais, como também nos apontam para a
partir de uma abordagem comparativa, seria possível entender com maior clareza o que são
em escala regional e até global. Isso porque o modo de vida urbano tem sido e ainda será o
29
1. O E S P A Ç O I N T R A - U R B A N O R E V I S I T A D O
notas sobre a expansão urbana brasileira
urbanização pelo qual passou o país, de certa forma, é responsável por algumas das
processo de urbanização. Este capítulo tem como objetivo situar tais contribuições aos
urbanização sustentável.
Entre os autores da teoria social clássica, como Marx, Weber e Durkheim - dos
quais se originam grande parte das teorias urbanas - é o primeiro que mais inspirou os
trata-se do local sob o qual se explicitam as lutas de classe, por ser ela o locus onde se
evidencia a exploração dos trabalhadores. “A cidade passou a ser entendida, [portanto], não
apenas como centro de produção e acumulação industrial, mas também como o ponto de
padrões de consumo” (SOJA, 1993). Tal ênfase foi particularmente levada a cabo pelo
Latina esbarram em duas premissas distintas e simultâneas. Uma de ordem teórica e outra
ideológica que perpassa as discussões teóricas acerca dos temas urbanos na segunda
32
Embora essa perspectiva tenha cumprido seus objetivos, as transformações
mais recentes na dinâmica social moderna estão impondo novos desafios para a
compreensão dos fenômenos urbanos de modo que passam a demandar uma visão mais
ampla e, porque não dizer, mais completa das interações entre sociedade e espaço. Assim,
dinâmica espacial e urbana enquanto um processo socialmente relevante, assim como tem
Segundo Soja (1993), no século XIX e durante todo o século XX houve uma
epistemologia essencialmente histórica que até hoje ainda perpassa a consciência crítica da
moderna teoria social. Assim, “o espaço ainda tende a ser tratado como fixo, morto e não
social crítica” (SOJA, 1993). É preciso, portanto, incorporar essa dimensão espacial para a
compreensão mais ampla da sociedade e, desta forma, encarar o espaço como algo além
evidentes. Pois, apesar das inúmeras pesquisas que abordam a temática da urbanização no
como a expressão física aparentemente desordenada da cidade de São Paulo possui uma
capital, a cidade e a classe trabalhadora interessam como fonte de lucro. Mas, para os
metodológicos.
33
entendemos por “conjunto de aparências”. Ou seja, uma classificação do que podemos
considerar como objeto da análise não faz sentido se as características físico-espaciais são
tratadas apenas como um invólucro de ações sociais sem autonomia para reagir ou interagir
estudos urbanos em apreender uma relação mais completa dos processos sociais e
espaciais que hoje se tornam mais evidentes na vida cotidiana das pessoas.
como econômicos - passou a ser uma meta política que indicava o grau de inserção da
urbanização.
urbano, enfrentam muitos desafios, pois, apesar de terem em vista sempre uma proposição
dialética, as críticas aos estudos que se detiveram ora tendendo ao espaço enquanto
estrutura autônoma ou ora tendendo ao estritamente social, colocando o espaço como mero
34
palco das ações sociais. A maioria dos estudos com aspirações socioespaciais das últimas
momento histórico justificam as lacunas deixadas pelos estudos urbanos, pois havia (e
ainda há) um receio muito grande em desafiar o limite tênue entre o determinismo
razões emergem, hoje, os principais impasses metodológicos, pois não se realizou uma
verdadeira sociologia da cidade (do urbano), mas uma sociologia na cidade onde as
e, principalmente, os aspectos urbanos mais perversos que são reproduzidos pelo modelo
de produção capitalista.
países do capitalismo tardio fossem apenas uma questão de números, ou seja, de que seria
pobreza nos centros urbanos. Confrontando, portanto, a ingênua hipótese de que a “crise
35
os problemas decorrentes do processo de urbanização, como a pobreza urbana, seriam
Podemos considerar, então, que grande parte dos estudos urbanos brasileiros,
salienta Villaça (1999) que, apesar de muito se falar em produção do espaço, pouco se
avançou sobre o consumo, a troca e a circulação desse “produto” social. E quase nada se
disse a respeito dos efeitos do espaço sobre o social, pois evidentemente, o espaço nunca
adquiriu peso significativo nestes estudos para que pudesse ser tratado como uma variável
signos da sociedade moderna, entendê-la como parte das relações dialéticas espaço-
valores que orientam a ação individual e coletiva na sociedade do final do século XX, para
sociais no espaço possuem um atraso inerente tendo em vista a velocidade em que ocorrem
as mudanças nas racionalidades que orientam a ação social e a sua visibilidade dentro dos
contextos urbanos. Dessa forma, as expressões materiais no espaço urbano sempre estão
relacionadas aos processos sociais anteriores e convivem com uma organização social que
está sempre um passo à frente. Ou seja, embora a cidade possua uma materialidade
histórica, os signos e representações sociais em torno dos artefatos urbanos já não são os
36
As corporações na economia global, incluindo aqui o mercado imobiliário,
enquanto parte indissociável da sua estratégia. Hoje, o mercado não mais lança seus
consumo para assim melhor adequar seus produtos ao mercado. Portanto, imaginar que a
ação social e a vida cotidiana têm peso pouco importante na reprodução social do espaço e
que esse espaço (o urbano) não se constitui em si mesmo enquanto um objeto significativo
realidade.
trata de analisar a sociedade no século XX, mas não possui um sentido em si mesmo, já
que só pode ser entendido a partir de um duplo processo. Este duplo processo que dá
Portanto, dissociar os dois aspectos, privilegiando apenas um deles como absoluto científico
sentido à industrialização.
globais imprimem ao desenvolvimento urbano uma lógica de redistribuição dos riscos e uma
deparamo-nos com novas formas espaciais de aglomeração urbana (AU) contendo novos e
social. E neste contexto, a vida cotidiana e a ação social, mais do que nunca, passam a
37
Mas é possível falar em uma nova forma de uso do solo urbano ou trata-se
apenas dos mesmos processos sob novas expressões espaciais? É possível falar em uma
nova forma de organização social pautada pela urbanização e que pode ter impactos na
esfera urbana mais recente, é preciso compreender mais do que apenas os aspectos
paradigmas que orientaram os estudos urbanos recentes, sob a luz de um novo contexto.
(RIBEIRO, 2000).
problemas e viver na cidade passa a ser entendido como desafiar os riscos cotidianamente
em uma agorafobia que recorta o espaço e o fragmenta. Há, portanto, um declínio gradual
retirada dos habitantes do convívio cotidiano (BAUMAN, 1999) em uma busca pela
carros fechados, pela portas de casa e dos sistemas de segurança, a popularidade das
38
Em vez da união, o evitamento e a separação tornaram-se as principais estratégias de
sobrevivência nas megalópoles contemporâneas. Não há mais a questão de amar ou
odiar o vizinho. Manter os vizinhos ao alcance da mão resolve o dilema e torna a
opção desnecessária; isso afasta situações em que a opção entre o amor e o ódio se
faz necessária (BAUMAN, 1999).
processos sociais, sobretudo nos contextos urbanos. Mas o que podemos entender pela
categoria risco e como ela pode ser apreendida como uma categoria analítica para o estudo
do percurso da categoria risco pode ser encontrada nos trabalhos de Marandola Jr. e Hogan
probabilidade e que, na maioria dos casos, atenta para uma conotação negativa, alertando
atual da sociedade contemporânea, tampouco é uma criação dela; afinal, a vida na idade
convivência com inúmeros riscos. Entretanto, as ameaças do passado não podem ser
longo do tempo.
contrair determinada doença. Neste aspecto, a categoria não possui uma conotação
negativa em si, pois se trata de uma função probabilística neutra. Entre os estudos da área
uma abordagem chave para entender as relações entre os fatores biofísicos e a dinâmica
39
Para Torres (2000), uma operacionalização dessa abordagem deveria considerar
determinados riscos. Entretanto, como avaliar uma situação onde os riscos são categorias
louca”1 que fazem antigas ameaças serem extintas, criando novos riscos exatamente por
conta desta inovação implantada na vida cotidiana das pessoas. E, embora a maioria das
pessoas nunca tenha tido o mínimo contato com esse fenômeno, passam a incorporar em
cada vez mais a percepção dos agentes ameaçadores e causadores se torna muito menos
olhar diferenciado do ponto de vista teórico-analítico que é uma abordagem que contribui
possibilidade de cálculo dos riscos sempre foi objetivo da ciência e da técnica moderna;
1
A Encefalopatia Espongiforme Bovina (ou no termo em inglês, Bovine Spongiform Encephalopathy -
BSE). Mais popularmente conhecida como o “mal da vaca louca”, a BSE é uma doença degenerativa do
sistema nervoso e ataca os bovinos, mas possui uma versão que pode ser transmitida para o homem. As
evidências apontam que essa doença - que não existia anteriormente – foi criada quando, com o objetivo
de acrescentar conteúdo protéico na alimentação do gado, inseriu-se restos não utilizados do abate de
ovelhas na ração dos rebanhos ingleses. A partir de então, a contaminação foi progressiva e rapidamente
chegou a várias regiões do mundo. As formas de transmissão ainda são muito incertas, assim como o
agente causador da doença. Ou seja, o mesmo conhecimento científico que ajudou a criar a doença, não
é capaz de resolver suas conseqüências e ao menos afirmar suas causas precisas.
40
assim, o desenvolvimento da sociedade (e não apenas a sociedade moderna) sempre foi
e ao mesmo tempo inquietante, pois as ameaças na Sociedade de Risco são aqueles que
são, acima de tudo, conseqüências inesperadas da superação dos perigos que ora
estávamos expostos. Assim, está na esfera das “incertezas fabricadas” que Giddens (1991)
sistemas complexos que, na ânsia de sua própria superação, acaba por criar efeitos não
É nesse contexto que vemos no caso brasileiro, assim como na América Latina
Enfim, é preciso entender a realidade brasileira atual frente a duas modernidades que se
41
As decisões se transferem para a esfera da ação individual e cada pessoa deve
assumir os riscos e perigos isoladamente. Afinal, não se tem total certeza sobre como agir.
A questão parece se resumir em: deixar que as decisões sejam tomadas por uma
jurisprudência da vida cotidiana (BECK, 1999), ou seja, que as estruturas normativas que
organizam a vida cotidiana sejam revisadas pelos limites individuais de “o que” e “até
dos riscos, sobretudo na cidade, é necessariamente desigual e tem - como meio necessário
para a sua sobrevivência – “ao mesmo tempo uma tendência persistente para a crescente
dialética entre diferenciação e igualação. De certa forma, há algo além de uma lógica da
dominação do capital na constituição da forma urbana que deve ser explorada como parte
histórico do capitalismo (SOJA, 1993), mas que deve ainda entendê-la como parte
da modernidade.
evidente à primeira vista e, por essa razão, não é uma categoria analítica diretamente
nos padrões de consumo afetam não apenas a lógica individual de racionalização das ações
2
Mesmo que o fenômeno não seja perceptível diretamente, isso não significa que ele não possa ser
mensurado. As alterações podem ser percebidas como variações nos objetos a partir da aplicação de um
campo magnético, dessa forma, as transformações sociais podem ser verificada a partir de mudanças nos
padrões dos processos sociais.
42
sociais, mas muda também a lógica da vida cotidiana em torno do padrão de uso do solo e
ainda dos padrões de mobilidade espacial da população nas aglomerações urbanas. Neste
conjunto de textos e pesquisas que tentam retratar essa realidade urbana, assim como são
de um modo geral, o principal foco está nas dinâmicas intra-urbanas, pois é evidente que é
nessa esfera que os riscos sociais se fazem mais presentes na vida cotidiana da população.
contemporânea. Pois, no momento atual, a força motriz da história e do espaço social deixa
mudanças no processo produtivo, mas um conjunto muito mais amplo de mudanças sociais
novos espaços de riscos sociais. Assim, emergem os riscos produzidos por uma forma de
43
múltiplas esferas de ação social de forma que as desigualdades e as diferenças são
pesquisas desenvolvidas pela Escola de Chicago. Foi a Escola de Chicago que trouxe pela
primeira vez um conjunto de estudos sistemáticos sobre a cidade enquanto “fato social”
dentro da sociologia, muito embora este tenha sido um tema que passou tangencialmente
mesma uma variável isolada passível de ser estudada a partir de conceitos inerentes à sua
Segundo Robert Ezra Park (1979)3, um dos expoentes desta escola, dever-se-ia
avançar sobre “um programa de estudo da vida urbana: sua organização física, suas
1979), mas, sobretudo, contribuiu por trazer a tona uma abordagem claramente preocupada
3
O texto original consta em: PARK, R.E. (1916). The City: Suggestions for the Study of Human Behavior
in the Urban Environment. American Journal of Sociology XX, Chicago: University of Chicago Press.
44
Um dos estudos mais marcantes do período é o trabalho de Burgess de 19254,
onde surge pela primeira vez em um estudo sistemático a idéia de uma dicotomia centro-
dispersão e as desigualdades urbanas sob análises centradas no indivíduo, tendo por base
a noção de que as suas decisões locacionais de moradia seriam pautadas pelos gostos,
sofreu certa resistência por parte das ciências sociais brasileiras, especialmente entre 1950
e 1970, embora tenha conseguido deixar implícitos uma parte de seus modelos teóricos.
Paulo e Rio de Janeiro surgem a partir do final da década de 70 e início de 80 sob uma
4
Burgess, Ernest W. (1925). The Growth of the City: An Introduction to a Research Project. Chicago:
University of Chicago Press.
5
BONDUKI, N. e ROLNIK, R. (1979) "Periferia da Grande São Paulo: reprodução do espaço como
expediente de reprodução da força de trabalho", IN MARICATO, H. (org.). A Produção Capitalista da Casa
(e da cidade) no Brasil Industrial. Alfa-Ômega, São Paulo.
KOWARICK, L. (1980) A Espoliação Urbana. Paz e Terra, Rio de Janeiro.
KOWARICK, L e CAMPANÁRIO, M. (1988) "São Paulo: metrópole do subdesenvolvimento
industrializado." in KOWARICK, L. (org.). As lutas sociais na cidade: São Paulo Passado e Presente. Paz
e Terra, Rio de Janeiro.
MARICATO, E. (org.). (1982) A Produção Capitalista da Casa (e da Cidade) no Brasil Industrial, Alfa –
Omega, São Paulo, 1982.
SANTOS, C. N. F. (1978) "Voltando a Pensar em Favelas por Causa das Periferias". Anais do Simpósio
de Estudos do Planejamento Urbano e Habitacional, PUC/NEURB, Rio de Janeiro, 1978.
45
busca em explicitar a tese de que as características do crescimento urbano brasileiro (e
na economia brasileira e, por outro, identificando uma dinâmica que gera e reproduz as
“padrão periférico” definido pela segregação social das camadas populares de mais baixa
mais distantes do centro da cidade. O termo “periferização”, portanto, passa a ser designado
brasileiras. Surge então, um paradigma teórico que, embora parta do pressuposto espacial,
abre mão da delimitação espacial e trata da segregação das camadas sociais de baixa
renda aos espaços periféricos dentro da organização espacial urbana. Assim, o termo
socialmente produzido.
baixa renda são segregadas em espaços periféricos da cidade, onde o acesso à moradia se
dá pelo baixo valor dos lotes e em decorrência da ausência de infra-estrutura básica (água,
esgoto, etc.). Nesse momento, o Estado passa a ser entendido como importante articulador
na manutenção deste processo, uma vez que este padrão periférico passa a ser entendido
46
associada a um processo muito mais complexo e amplo que incorpora as transformações na
pobreza urbana no final do século XX no Brasil, muito do que estes estudos observaram no
período, hoje, possuem novas expressões. Pois dentro deste novo contexto de riscos
globalizados, a dicotomia centro-periferia se torna cada vez menos visível na sua expressão
material na cidade, pois o espaço urbano se torna mais fragmentado e muito mais
populacional nos núcleos e ascende o magnetismo da região como um conjunto cada vez
(com uma taxa de 1,7% a.a), Rio de Janeiro (1,54% a.a.) e Porto Alegre (1,7% a.a.); taxas
menores que a verificada para o conjunto da população urbana do país (2,44% a.a.) e para
o conjunto das áreas metropolitanas (2,00% a.a.). No Brasil as nove RMs mantiveram, nos
anos 90, o mesmo ritmo de crescimento dos anos 80, ritmo este inferior ao conjunto da
47
perda na participação relativa dessas metrópoles no total da população urbana do País: em
também as forças internas que organizam estas regiões. As taxas de crescimento das áreas
entorno a principal, senão a única, responsável pela manutenção das taxas de crescimento
total nas RMs. Deste modo, temos a consolidação de uma rede urbana onde as interações
redes de articulação política cada vez mais complexas. Assim, os municípios “periféricos” se
tornam, cada vez mais, parte de uma forma de organização espacial metropolitana
integrada onde sua importância relativa se torna cada vez maior (BAENINGER, 2004).
processo de urbanização mundial e nacional, emergem organizações urbanas nos quais sua
extensão e centralidade abrangem uma área de influência muito mais ampla. As cidades-
região, apontadas, entre outros, por Scott et al. (2001), constituem nódulos de expressão de
uma nova ordem social, econômica e política, mostrando que ao contrário de uma
globalização, as formas espaciais regionais se tornam cada vez mais centrais à vida
moderna. Neste contexto, seria preciso identificar até onde vão os limites da cidade, não no
seu sentido estrito, enquanto expansão contínua da mancha urbana, mas até onde a cidade
(a metrópole) faz sentido enquanto unidade de análise e que pode ser apreendida em
48
Assim, considerar os municípios periféricos meramente como “região periférica”,
lhes confere uma importância indevida na organização do espaço metropolitano, visto que a
metrópole brasileira é, nos dias de hoje, a soma de valores que extrapolam os limites
enquanto unidade analítica que possui sim uma localidade central ou polarizadora, mas que
que regiões (ao invés de localidades) emergem enquanto arenas econômicas e políticas
com uma crescente autonomia das suas escalas de ação em níveis nacionais e globais.
Assim, a urbanização se amplia para além da conurbação dos grandes centros urbanos,
alterando assim, a imagem da cidade caótica que cresce como uma enorme ameba,
cada vez mais amplas, mas ao mesmo tempo cada vez mais integradas. Tendência que
escalas de ação e reprodução social não apenas no contexto temporal, mas, sobretudo, nas
mecanismos de desencaixe (GIDDENS, 1991) que tornam o indivíduo cada vez mais um
agente solitário diante dos riscos da cidade moderna, mas principalmente, fragmentando a
ação social. Neste sentido, a cidade-região não deve ser entendida apenas como uma
49
econômica, mas de tratá-la enquanto espaço privilegiado de transformação social e no qual
social.
50
2. A G L O M E R A Ç Õ E S E M E T R Ó P O L E S
Uma abordagem populacional
termos que expressam a percepção de uma nova dinâmica da sociedade em relação a este
que obscurecem estas afirmações, tais como os critérios de classificação das áreas urbanas
distintos nos mais variados países do mundo. A Divisão de População das Nações Unidas
sociedade urbana no Brasil, podemos verificar que os dados oficiais de urbanização quando
foram questionados, pouco ou quase nunca foram confrontados. Nestes estudos, raras
vezes podemos encontrar esforços sistemáticos de conceituação do que viria a ser o recorte
disciplinar que delimita seu campo de análise. Provavelmente, esta lacuna teórico-
metodológica tenha ficado em segundo plano por conta das demandas emergentes de
a partir da segunda metade do século XX. Com razão, poucos poderiam questionar a
condição iminentemente urbana de São Paulo ou Rio de Janeiro, dado o ritmo acelerado de
crescimento urbano, justificando-os ainda sua posição como principais focos dos estudos
intra-urbanos no Brasil.
51
Os problemas teóricos de conceituação mais aprofundada do termo ‘urbano’, não
distintos entre os países. Em geral, segundo avaliações das Nações Unidas (United Nations,
1998), os critérios de ‘urbano’ podem ser classificados em pelo menos três tipos:
tipicamente agrícolas).
Assim, os critérios vão desde aqueles como em países como a Albânia que
consideram urbanas as localidades com pelo menos 400 habitantes enquanto que na
Áustria este limite inferior é de 5 mil habitantes. Na Bulgária, são consideradas urbanas as
não haja distância superior a 200 metros entre as residências; no Japão são consideradas
as municipalidades com mais de 50 mil habitantes, desde que possuam pelo menos 60%
das residências em áreas antropizadas e pelo menos 60% dos habitantes empregados em
considerada como área urbana, sendo seu perímetro definido por legislação municipal. Ou
áreas urbanas é a mesma desde 1938, elaborada ainda no Estado Novo e foi a primeira
52
delimitação delas dentro do campo de estudos urbanos, mas mais que isso, eles apontam
se preocupado com os dilemas urbanos, deixaram de lado uma teorização mais detalhada
acerca de conceitos que proporcionassem uma delimitação mais precisa de seu campo de
atuação. Ou seja, parece ter havido um lapso de conceituação mais aprofundado no que se
refere aos termos utilizados nas análises da sociedade urbana; assim, termos como urbano,
cidade, espaço e até região metropolitana, entre outros, assumem sentidos e significados
meramente convencionais sob uma base extensa e plural de temas e perspectivas teóricas
(FARIA, 1991). Afinal, esse refinamento não era central, pois o que importavam eram os
anos como principal norteadora das discussões. Entretanto, a preocupação central era em
tradição sociológica e geográfica que dicotomizava a análise do mundo social nessas duas
E por oposição o rural se relacionava com um modelo arcaico, ligado à agricultura, à vida
53
simples, a locais pouco povoados e desprovidos das benesses do setor de serviços ou com
apresentam mais como solução, sobretudo, quando o discurso ambiental se torna parte da
entendimento do espaço urbano por parte dos que vivem no urbano e fora dele. A relação
2.1. Metropolização
Assim como o termo “urbano”, existe uma lacuna em relação aos critérios que
definem uma região metropolitana no Brasil. Ele é um dos recortes analíticos que, não
No Brasil ela foi instituída através da lei complementar no 14, em 8 de junho de 1973, com o
União. Neste momento, oito RMs foram criadas: Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza,
Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo, sendo criada no ano seguinte a RM do Rio de
Janeiro pela lei complementar no 20, totalizando nove RMs até o final do ano de 1974.
além das áreas de expansão e dos colares metropolitanos que compõem oficialmente
algumas dessas regiões. Esse aumento significativo de áreas classificadas como RMs não é
instituiu, através do seu capítulo III, artigo 26, parágrafo 3o, que os Estados passariam a ter
autonomia para definir quantas e como se constituiriam suas RMs. Deste modo,
54
acompanhando o processo de descentralização das estruturas de gestão urbana para as
A nova dinâmica de redes urbanas no território brasileiro faz pensar quais são os
limites da metrópole e quais as relações que estas guardam com a institucionalização formal
fenômeno urbano, mas por outro, a extrema dificuldade em se apreender processos cada
55
Quadro 1 - Regiões metropolitanas segundo Unidade da Federação, legislação e data de
criação, número de municípios atual e nome do município sede, Brasil
56
universalização do acesso e do aumento do controle dos beneficiários sobre os serviços
Por outro lado, ao longo da década de 1990, este consenso passou a ser revisto,
Federal das políticas sociais, além de ter havido o beneficiamento direto das tradicionais
práticas clientelistas nas regiões mais pobres e carentes de serviços sociais. Ou seja, “o
‘mito’ da autonomia local como solução universal para a desigualdade social e econômica
caiu, assim como houve uma revalorização de papéis essenciais ao governo federal não
apenas como financiador, mas como planejador, coordenador e supervisor destas políticas”
Seguindo uma tendência global, “se por um lado o Estado está definhando, por
outro ele é mais importante do que nunca (...), como uma cobra, que está perdendo a pele
de suas tarefas clássicas e desenvolvendo uma nova ‘pele de tarefas’” (BECK, GIDDENS, e
LASH, 1997). Exatamente por isso, “não há razão para pensar que a descentralização
pelo contrário, sua atuação pode ser essencial para a “criação de novos âmbitos de ação,
emergem como arenas cada vez mais importantes para as esferas local e regional. E, como
57
sufocados pela competição inerte dos municípios. Os consórcios e comitês de bacia
hidrográfica mostram como a dimensão ambiental pode ser pensada de forma integrada
administrativas. É claro que o planejamento e a gestão ainda se faz dentro destes recortes,
mas os processos sociais cada vez mais adquirem autonomia em termos territoriais e
para as modificações nos traços e nos espaços ocupados pela cidade e a definição de
espaço urbano. Para ela, os movimentos que ligam regiões através de atrativos restritivos
tais como: qualidade de vida, acesso rápido a rodovias, pólos tecnológicos ou pólos
industriais que, unidos, formam uma região complexa e densa, toda em rede, coberta por
configuração da rede urbana brasileira através de um conjunto de critérios, mas que fossem
pesquisa foram:
58
• Espaços Urbanos Contínuos (conurbação). Apresentar continuidade de malha
complementar);
56,4% da população do país, tendo aumentado sua participação desde 1980, quando era de
50,8%. Entretanto, em relação ao Brasil urbano, elas perderam peso relativo, passando de
75,1% em 1980 para 69,4% em 2000. Tais tendências apontam para a continuidade do
gradual do que já foi observado em outros momentos deste processo. Segundo estimativas
59
da ONU, o Brasil terá em meados de 2050, cerca de 90% de sua população vivendo em
áreas urbanas. Mas por outro lado, apontam ainda para uma desconcentração da população
Neste sentido, os sinais de que o Brasil possui uma rede urbana cada vez mais
como metrópoles globais (São Paulo e Rio de Janeiro) possuem taxas de crescimento no
período 1991-2000 menores do que a média das aglomerações urbanas e mesmo do Brasil
distribuição espacial da população. Pois, uma vez que reconhecemos que há uma
comparativa, como estes processos se dão e se consolidam sob novos contextos sociais.
imprescindível para atualizar seus limites dado que o objetivo central desta pesquisa é
dispersa e fragmentada.
60
2.2. A dimensão da mobilidade espacial
teóricos. Entretanto,
tendências de crescimento populacional urbano perdem sua força para dar lugar à
acomodação dessa população dentro de seu tecido urbano. Assim, com o arrefecimento dos
61
fluxos inter-regionais e rural-urbano, evidenciam-se outras categorias de movimentos
populacionais. Entre eles estão a mobilidade pendular - que se refere aos movimentos
diários e freqüentes entre os diversos espaços da vida cotidiana dentro das aglomerações
A mobilidade espacial (Figura 1), em grande parte propiciada pelo avanço das
embora não seja determinante e muito menos suficiente para que esta se consolide. Ou
seja, quando os fluxos diários de ação social se desconectam por extensões de espaço
mais amplas, os desencaixes entre as esferas da reprodução social também se tornam mais
contundentes, de modo que se as esferas de ação social - trabalho, estudo, moradia, lazer,
tempo, interconectados.
62
A informação de deslocamento pendular é um importante indicador de integração
regional e tem sido alvo de pesquisas no Brasil desde a década de 70, principalmente em
razão da demanda por definições das regiões metropolitanas. Mas foi só mais
recentemente, a partir da divulgação dos resultados do Censo 2000, que passou a ser mais
processo de expansão urbana, este indicador pode nos dar algumas pistas importantes de
biológica, não se trata mais de uma relação parasitária de municípios periféricos com sua
sede, mas sim de uma relação de simbiose em que o município-sede (ou municípios-sede,
pois nem sempre se trata de apenas um pólo unitário) não sobrevive sem as relações
tornam cada vez mais difusas o que, de certa forma, é uma afirmação verdadeira.
Entretanto, não equivale dizer que estas se tornam menos importantes ou irrelevantes;
urbana, fortalece-se a demanda pela gestão integrada destes territórios. Portanto, novos
pelo critério de commuting que é o termo utilizado para designar os movimentos diários
63
Para cobrir essa lacuna, a partir de 1949 foram criadas as Standard Metropolitan
interesse em um uso uniforme e comparável dos dados em uma escala nacional (FEDERAL
REGISTER, 1998). Para a criação das SMAs, desde 1950 quando foram definidas pela
primeira vez para a coleta dos dados do censo, o principal critério para a definição dos
mesma forma que ao longo dos últimos anos o conceito e os critérios de definição das
administrativas escondem importantes fluxos que podem ser apreciados à luz dos
importante papel na diluição dos riscos enfrentados pelo desenvolvimento sustentável. Pois,
analisando o perfil dos migrantes pendulares em Cubatão, pode-se observar que a dinâmica
64
absolutos os movimentos pendulares não assumirem expressões comparáveis aos
encontrados em São Paulo ou Rio de Janeiro, o caso é que em termos relativos esses
termos do total da população de cada aglomeração, as duas regiões não são aquelas onde
como as de Vitória, Florianópolis e Jundiaí, todas com mais de 10% da sua população total
fazendo este tipo de movimentos. Assim, podemos concluir que, embora este seja um
urbanas a partir do critério de mobilidade pendular - mesmo que seja um indicador limitado
65
2.2.1. TIPOLOGIA DE AGLOMERAÇÕES POR MOVIMENTOS PENDULARES
Neste sentido, é importante que exista uma tipologia de aglomerações urbanas em termos
dos descolamentos pendulares para que o estudo possa se focar em dinâmicas que sejam
algumas características das pessoas que fazem este tipo de movimento. Como o quesito
pessoa trabalha ou estuda, esta informação não atinge toda a população e se concentra em
66
Gráfico 2 – População que realiza movimentos pendulares por idade simples
180
Milhares
160
140
120
100
80
60
40
20
0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 98 109 114 119 124 129
Idade (anos)
anos, como podemos ver através do Gráfico 2. Por essa razão e para minimizar os efeitos
masculina, pois mais de 60% dos que a realizam são homens, sobretudo nos grupos de
67
Gráfico 3 – Estrutura etária por sexo da população que trabalha ou estuda segundo local
de trabalho ou estudo, Aglomerações urbanas brasileiras
80+ 80+
75-79 75-79
70-75 70-75
65-69 65-69
60-64 60-64
55-59 55-59
50-54 50-54
45-49 45-49
40-44 40-44
35-39 35-39
30-34 30-34
25-29 25-29
20-24 20-24
15-19 15-19
10-14 10-14
5-9 5-9
0-4 0-4
12 10 8 6 4 2 0 2 4 6 8 10 12 12 10 8 6 4 2 0 2 4 6 8 10 12
de 4,4% para 6,2% da população brasileira. Esses dados confirmam o principal motivo
apontado pelas pessoas que realizam este tipo de movimento, pois, segundo Antico (2004)
Destino) é o trabalho.
68
Tabela 1 Mobilidade pendular por grupos de idade e aglomeração urbana
Grupos de Idade
Aglomeração urbana 0 a 14 15 a 64 65 e mais Total
N % N % N % N %
São Paulo 76.947 6,4 1.107.914 92,8 9.004 0,8 1.193.865 100,0
Rio de Janeiro 40.367 4,8 785.146 93,8 11.536 1,4 837.049 100,0
Salvador 5.169 6,6 73.055 92,7 599 0,8 78.823 100,0
Belo Horizonte 30.186 7,4 373.982 92,0 2.426 0,6 406.593 100,0
Fortaleza 8.791 9,7 81.119 89,5 723 0,8 90.632 100,0
Brasília 11.911 8,3 130.809 91,2 729 0,5 143.449 100,0
Curitiba 16.525 7,8 194.175 91,5 1.491 0,7 212.191 100,0
Recife 25.766 8,2 285.067 90,8 2.964 0,9 313.797 100,0
Porto Alegre 17.749 5,0 334.021 94,2 2.688 0,8 354.459 100,0
Belém 10.555 8,0 120.231 91,3 863 0,7 131.650 100,0
Goiânia 9.923 8,3 108.199 91,0 804 0,7 118.927 100,0
Campinas 11.066 6,3 163.886 93,1 1.050 0,6 176.002 100,0
São Luis 7.680 18,0 34.710 81,4 274 0,6 42.664 100,0
Maceió 1.934 11,7 14.430 87,5 133 0,8 16.498 100,0
Natal 7.628 13,9 47.055 85,5 364 0,7 55.047 100,0
Teresina 1.429 6,7 19.707 92,2 236 1,1 21.372 100,0
João Pessoa 2.464 6,5 34.975 92,6 349 0,9 37.789 100,0
São José dos Campos 2.460 4,7 49.857 95,0 166 0,3 52.483 100,0
Ribeirão Preto 797 3,1 24.908 95,9 268 1,0 25.973 100,0
Cuiabá 1.540 5,4 26.991 94,2 131 0,5 28.661 100,0
Sorocaba 3.805 7,4 47.135 92,0 282 0,6 51.222 100,0
Aracaju 6.169 10,9 50.373 88,7 275 0,5 56.816 100,0
Londrina 2.130 6,0 32.779 92,6 503 1,4 35.412 100,0
Santos 6.186 4,6 126.695 94,4 1.369 1,0 134.249 100,0
Joinvile 2.638 10,6 21.995 88,7 167 0,7 24.800 100,0
São José do Rio Preto 564 4,9 10.726 93,6 167 1,5 11.458 100,0
Caxias do Sul 780 6,2 11.645 92,9 107 0,9 12.532 100,0
Pelotas 287 5,5 4.837 92,9 82 1,6 5.206 100,0
Jundiaí 4.372 7,6 52.720 91,8 366 0,6 57.459 100,0
Florianópolis 7.084 7,9 82.519 91,6 498 0,6 90.101 100,0
Maringá 1.501 4,8 29.563 94,3 291 0,9 31.355 100,0
Vitória 8.421 5,0 158.033 94,2 1.247 0,7 167.700 100,0
Ilhéus 403 7,4 4.897 89,9 149 2,7 5.448 100,0
Volta Redonda 4.131 10,2 36.030 89,2 219 0,5 40.381 100,0
Blumenau 2.206 10,4 18.789 88,9 137 0,6 21.132 100,0
Limeira 576 3,2 17.059 96,2 104 0,6 17.739 100,0
Cascavel 275 5,4 4.769 93,7 43 0,8 5.087 100,0
Caruaru 317 11,8 2.337 86,9 36 1,3 2.690 100,0
Ipatinga 979 4,9 18.851 94,6 95 0,5 19.925 100,0
Petrolina 622 7,5 7.637 91,5 85 1,0 8.344 100,0
Juazeiro do Norte 438 5,9 6.850 92,5 121 1,6 7.409 100,0
Araraquara 432 5,3 7.678 94,1 46 0,6 8.156 100,0
Araçatuba 372 5,7 6.052 93,1 76 1,2 6.500 100,0
Criciúma 1.583 8,7 16.452 90,6 115 0,6 18.150 100,0
Itajaí 2.255 9,1 22.384 90,5 81 0,3 24.721 100,0
Cabo Frio 2.271 10,6 19.017 88,9 114 0,5 21.401 100,0
Mogi-Mirim 1.022 7,3 12.939 91,9 116 0,8 14.077 100,0
Guaratingueta 779 5,0 14.534 94,2 121 0,8 15.434 100,0
Itabira 301 5,4 5.236 93,5 61 1,1 5.598 100,0
Total 353.787 6,7 4.860.770 92,4 43.869 0,8 5.258.427 100,0
Fonte: FIBGE, Censo Demográfico 2000 (microdados da amostra)
69
Entretanto, considerando as AUs, o que se espera é que a mobilidade pendular
seja um critério que permita avaliar o grau de integração da dinâmica demográfica. Neste
como a mais importante (ver Tabela 2). Este fato ratifica a configuração da rede urbana
os casos de Limeira e Itabira. Entre os outros seis (Pelotas, Ilhéus, Cascavel, Caruaru,
AU, pois se os movimentos pendulares intra-AU não são predominantes, como é o caso da
AU de Cascavel que possui apenas 10,6% (508 pessoas) nessa categoria, enfraquece-se a
relação das dinâmicas demográficas internas de caráter regional. No caso específico das
AUs onde os movimentos pendulares extra-AU são predominantes, todas elas são
Portanto, para efeito de uma análise das aglomerações urbanas a partir dos
não são predominantes e ainda aqueles que são compostos por apenas dois municípios,
82,6% e Petrolina/Juazeiro: 58,3%) são compostos por apenas dois municípios e poderão
direção à sede da AU (como veremos a seguir). Das 49 AU iniciais, foram excluídas a partir
70
deste critério 11 AU para a análise comparativa. Assim, passaremos a considerar apenas as
AU onde os movimentos pendulares intra-AU são predominantes por entender que esse tipo
aglomeração urbana.
71
Tabela 2 – Movimentos pendulares segundo tipologia intra-AU, inter-AU e extra-AU
72
2.2.2. OS LIMITES DA EXPANSÃO URBANA
identificar os limites de seu alcance dentro de cada aglomeração urbana (WOLMAN et al.,
embora a seleção das 38 AU dentre o total de 49 tenha sido feito por critérios de
urbana. Assim, um município deverá fazer parte de uma aglomeração urbana se possuir um
da vida metropolitana. O que se propõe, portanto, é atualizar os limites das AUs de acordo
uma das AU, podemos perceber que ela ocorre de modo heterogêneo. Ou seja, embora
na AU de Natal uma das áreas de ponderação possui quase 60% da sua população de 15 a
64 anos fazendo movimentos pendulares, isso não ocorre de modo homogêneo em todos os
espaços da AU.
73
de um critério mínimo. Esse critério mínimo deve ser entendido como um percentual mínimo
70
Média
60
Máximo
50
40
30
20
10
0
Joinvile
Salvador
Jundiaí
Itajaí
Rio de Janeiro
Brasília
Recife
Ipatinga
João Pessoa
Juazeiro do Norte
São José dos Campos
São Paulo
Belo Horizonte
Fortaleza
Curitiba
Porto Alegre
Goiânia
Ribeirão Preto
Sorocaba
Aracaju
Londrina
Maringá
Vitória
Volta Redonda
Blumenau
Criciúma
Cabo Frio
Natal
Caxias do Sul
Belém
Mogi-Mirim
Campinas
São Luis
Santos
Florianópolis
pois permite verificar com mais detalhe como os fluxos de pendularidade se distribuem no
significativo.
74
1 2
A Figura 2 ilustra uma situação (Diagrama 2) onde uma área de ponderação não
uma área que não tem integração efetiva. Assim, está área seria considerada como
(Diagrama 1), mesmo que não tivesse como destino a sede da AU.
da AU. É o caso do município de Parnamirim na AU de Natal que possui apenas uma área
dessas AU.
75
Tabela 3 – Estatísticas descritivas da proporção de movimentos pendulares (população
de 15 a 64 anos) nas áreas de ponderação por aglomeração urbana
Desvio
Aglomeração urbana Média Mediana Mínimo Máximo
Padrão
São Paulo 10,1 2,8 0,0 43,9 11,1
Rio de Janeiro 14,4 17,2 0,0 39,2 12,2
Salvador 3,9 2,0 0,0 30,2 5,5
Belo Horizonte 15,4 12,3 0,5 42,9 12,8
Fortaleza 5,5 1,4 0,3 37,3 8,6
Brasília 5,5 0,5 0,0 43,3 11,4
Curitiba 12,6 4,1 0,0 46,9 13,5
Recife 14,2 12,4 0,3 43,4 11,8
Porto Alegre 15,7 13,2 0,3 44,7 12,5
Belém 9,2 1,8 0,5 34,5 11,8
Goiânia 11,6 2,8 0,8 45,5 14,2
Campinas 11,3 7,6 1,2 37,0 9,8
São Luis 2,9 0,7 0,1 38,9 7,8
Maceió 4,3 1,5 0,4 30,4 7,2
Natal 8,4 2,6 0,7 57,3 11,8
João Pessoa 7,1 2,5 1,1 30,0 8,7
São José dos Campos 6,4 5,6 0,7 28,4 4,9
Ribeirão Preto 5,5 2,2 0,3 31,3 7,9
Sorocaba 8,2 5,5 1,9 27,7 7,1
Aracaju 11,4 3,9 0,3 38,8 13,8
Londrina 5,8 2,8 0,7 36,1 7,5
Santos 13,6 11,9 2,6 38,3 8,8
Joinvile 4,2 2,1 0,2 31,8 5,9
São José do Rio Preto 3,8 2,2 0,3 30,4 6,2
Caxias do Sul 2,5 1,3 0,0 13,0 3,1
Jundiaí 12,7 9,0 3,4 38,4 10,4
Florianópolis 13,3 8,1 0,0 37,8 12,3
Maringá 9,8 4,1 0,7 34,3 11,8
Vitória 19,0 19,5 4,9 35,4 8,0
Volta Redonda 8,9 7,7 2,5 35,0 6,8
Blumenau 5,8 2,7 0,3 19,7 5,8
Ipatinga 5,4 3,9 2,0 15,2 4,0
Juazeiro do Norte 3,4 3,2 1,6 5,9 1,3
Criciúma 9,4 4,9 4,3 19,4 6,4
Itajaí 10,9 9,1 2,4 33,6 9,5
Cabo Frio 8,6 7,4 3,0 19,8 4,4
Mogi-Mirim 7,6 7,9 2,8 14,5 3,3
Guaratingueta 9,2 9,9 4,4 13,0 2,7
TOTAL 10,5 4,4 0,0 57,3 11,4
Fonte: FIBGE, Censo Demográfico 2000 (microdados da amostra)
Isso quer dizer que dentro dessas aglomerações urbanas, praticamente todas as
populacionais. Enfim, para criar um critério padronizado para a identificação dos municípios
76
que integram as AU, utilizou-se como linha de corte a média total da proporção da
população que faz movimentos pendulares por área de ponderação (10,5%). Desta forma,
para que o município permanecesse na AU, ele deveria possuir pelo menos uma de suas
pendulares para outro município da AU. No caso em que o município possui apenas uma
Figura 3 – Localização das AUs nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e UFs de
Minas Gerais e Espírito Santo
77
Fonte: FIBGE – Malha Digital Municipal 2000
Figura 4 – Localização das AUs na região Sul e UFs de São Paulo e Rio de Janeiro
importante verificar a relevância de alguns destinos. Isso porque existem municípios em que
o peso relativo dos movimentos pendulares não é significativo, mesmo em termos da escala
das áreas de ponderação, pois tais municípios assumem importância significativa dentro da
AU devido aos movimentos pendulares que se destinam a ele. Assim, é preciso levar em
conta os movimentos pendulares nos dois sentidos, tanto em relação ao local de residência
relação ao total da população do município de destino. Foram, então, incluídos por esse
78
pendulares fosse pelo menos de 5% da população total do município de destino6. Assim, a
composição das AU tem como critério uma proporção mínima de saídas e/ou de entradas
dos municípios incluídos nas AUs não preenchem o critério de origem dos movimentos, mas
apenas 6 casos algum dos municípios que preencheram os critérios não tinham área
com um critério adicional de contigüidade entre, pelo menos, um dos municípios da AU.
Esse procedimento foi realizado nos casos das AUs de Curitiba, Caxias do Sul,
apresentavam contigüidade física com o conjunto de municípios de cada uma das AUs. A
municípios de Major Gercino e São João Batista que - apesar de não atenderem aos
critérios de movimentos pendulares - serão incluídos, pois, sem a sua inclusão, outro
municípios da AU.
6
A média da proporção de movimentos pendulares pelo total da população dos municípios de destino
(para o conjunto de municípios considerados pelas AUs) é de 4,84%.
79
Fonte: FIBGE – Malha Digital Municipal 2000
Assim, o total de municípios incluídos nas AUs é de 337, distribuídos entre as 377 AUs do
Quadro 2. Este conjunto de AUs e os municípios que os integram, portanto, será a base
homogêneo para todo o território nacional e, além disso, possuem um critério de interação
aglomeração urbana.
7
Os municípios da AU de Juazeiro do Norte não preencheram os requisitos de pendularidade, portanto,
ela foi excluída da lista.
80
Quadro 2 – Número de municípios por aglomeração urbana definido a partir dos critérios
de pendularidade
o o
n de n de
Aglomeração urbana Aglomeração urbana
municípios municípios
São Paulo 37 Aracaju 6
Rio de Janeiro 20 Londrina 4
Salvador 9 Santos 7
Belo Horizonte 25 Joinvile 5
Fortaleza 11 São José do Rio Preto 3
Brasília 11 Caxias do Sul 9
Curitiba 20 Jundiaí 5
Recife 14 Florianópolis 14
Porto Alegre 25 Maringá 5
Belém 5 Vitória 5
Goiânia 5 Volta Redonda 5
Campinas 14 Blumenau 9
São Luis 3 Ipatinga 4
Maceió 5 Criciúma 5
Natal 6 Itajaí 6
João Pessoa 4 Cabo Frio 4
São José dos Campos 6 Mogi-Mirim 3
Ribeirão Preto 6 Guaratingueta 5
Sorocaba 7
81
Quadro 3 – Aglomerações urbanas e municípios definidos a partir dos critérios de
pendularidade (continuação)
82
2.3. Aglomerações complexas
processos espaciais de mobilidade e poderemos ver como existe uma complexidade muito
da periferização.
pobres da população para as regiões mais distantes dos centros consolidados, sendo estes
centros considerados como sedes das aglomerações e, dentro dessa perspectiva, seriam os
municípios em cada AU, grande parte dos trabalhos com foco nos processos urbanos
movimentos pendulares originados nos municípios do seu entorno. Movimentos estes que
dos elevados custos de moradia nos centros consolidados. Assim, associado à dicotomia
praticamente consensual tanto no meio acadêmico quanto dentro dos discursos políticos e
trabalho, estudo e até lazer e compras, são realizadas no município sede da aglomeração.
83
Tabela 4 – Movimentos pendulares intra-AU segundo destino do movimento
apenas 50% dos movimentos com esse destino. Assim, podemos verificar que, através da
84
avaliação dos movimentos pendulares intra-AU, existem situações muito diferentes em
relação ao conjunto das AU brasileiras, passando por situações em que o município sede
possui uma grande centralização, como nos casos das AU de Goiânia, Brasília e Maringá
(com cerca de 95% dos movimentos pendulares em direção à sede), e outros onde o
e policêntrica, como é o caso das AU de Caxias do Sul, Campinas e Joinvile, entre outras,
pendulares.
polinucleada com uma diversificação das funções urbanas no conjunto dos municípios das
AU. E, neste aspecto, dão sinais de que existem outras configurações urbanas e espaciais,
que não aquela de caráter monocêntrico com o município-sede irradiando sua polarização
dão de forma mais complexa do que os fluxos esperados em direção à sede da AU.
Mas essas evidências não significam que as sedes dessas aglomerações têm
menor importância do que aquelas que polarizam os movimentos pendulares. Essas sedes
desenvolvimento econômico. O que parece se tornar cada vez mais evidente no processo
Antico (2004) contribuem para o aumento da intensidade e dos grupos sociais envolvidos
neste tipo de movimentos internos à AU. Mas não se trata apenas do processo de
85
desconexão das esferas de ação social do indivíduo. E, por ser uma mudança estrutural na
urbana, uma urbanização completa, onde o tecido urbano se prolifera explodindo a grande
aparece no centro da discussão e a segurança na vida social passa a ser guardada dentro
metropolitanas que se consolidam ao longo dos últimos anos do século XX apresentam uma
econômicas locais.
reconhecido no tecido urbano das metrópoles brasileiras como a expansão periférica dos
pólos tradicionais, principalmente por parte da população mais pobre em direção às áreas
assume novos contornos. Pois este processo de expansão nas aglomerações urbanas inclui
outras dimensões da vida social que não eram consideradas anteriormente. Em linhas
8
Original em: Lefebvre, H. (1970) La Révolution Urbaine. Ed. Gallimard, Coll. Idées.
86
gerais, a periferização não trata necessariamente da expansão do urbano no espaço, mas
distribuição segundo classes de renda (em salários mínimos) não apresenta distinções
nesta pesquisa. Temos situações muito diferentes entre as AU brasileiras, com situações
onde 50% das pessoas que fazem este tipo de movimento possuem rendimento superior a 5
salários mínimos (como é o caso da AU de São José dos Campos) e outras onde apenas
87
Tabela 5 – Distribuição da população de 15 a 64 anos ocupada segundo a condição de
pendularidade e total de rendimentos (em Salário Mínimos)
no mesmo município em que reside, ao contrário, em algumas AUs aqueles que realizam
88
que trabalham no mesmo município em que residem. Entre as pessoas que residem nas AU
brasileiras e fazem movimentos pendulares, apenas 10% delas possuem uma renda de até
1 salário mínimo.
mais de estudo, enquanto que entre os que não são pendulares a proporção nesta classe é
de 15,2%. Sendo que nos casos das AU de São José dos Campos, por exemplo, cerca de
30% da população que não trabalha no mesmo município que reside possui 12 anos ou
mais de estudo.
entre o total de pessoas que realizam este tipo de movimento, cerca de 70% não são
naturais dos municípios onde residem. Entretanto, é importante ressaltar que isso ocorre
com maior destaque entre os migrantes com maior tempo de residência, sendo que os
essa característica dos movimentos pendulares, pois em ambas as AUs, cerca de 90% das
pessoas que fazem movimentos pendulares são migrantes. Em relação aos migrantes
recentes (utilizando a informação de “data fixa”9), entre o conjunto das AUs, 60% das
pessoas que fazem movimentos pendulares com destino na sede da aglomeração eram
migrantes com origem neste mesmo município. Assim, apesar de significativo, a condição
de pendularidade da pessoa não pode ser totalmente vinculada ao seu percurso migratório
uma vez que nem sempre são fatores diretamente relacionados. Pois se na AU de Brasília a
9
A informação se refere ao município de residência na data de referência de 31/07/1995 para o Censo
Demográfico 2000.
89
pendularidade para a sede está vinculada à sua origem migratória (91%), em outros casos,
como o da AU de Campinas, apenas 48% dos movimentos pendulares com destino na sede
são de pessoas que saíram desse município nos últimos cinco anos.
90
Considerando tais características dos movimentos pendulares, associá-los à
realidade. Pois é evidente que os movimentos pendulares não se limitam à população mais
pobre ou menos instruída. Isso ocorre, principalmente, por conta das mudanças sociais que
socioespaciais que se delineiam para o horizonte dos próximos anos. O futuro sustentável
mudanças sutis nos processos intra-urbanos, sobretudo quando este intra-urbano adquire a
periferia devem ser repensadas. É evidente que o processo histórico, social e político dentro
dos contextos de cada uma das aglomerações condiciona essas características, entretanto,
sedes de todas as aglomerações urbanas brasileiras? Será que a forma que se deu a
que conduziram a determinada configuração urbana, mas o que essa análise poderá nos
91
Enfim, será possível extrapolar as dinâmicas intra-urbanas exaustivamente
estudadas para São Paulo para outros contextos brasileiros? Sem ter um parâmetro
do ponto de vista histórico, não existirão condições sociais e materiais para que os
momento e região.
92
3. U R B A N I Z A Ç Ã O D I S P E R S A
Construindo um quadro comparativo
deles é o fator populacional e outro, talvez menos evidente, seja o padrão de expansão
quando exerce um importante peso na expansão da infra-estrutura urbana. Mas, por outro
lado, o padrão de ocupação pode e deve ser entendido como um fator essencial para que
Segundo Angel (2006), há que se distinguir estes dois processos, pois é natural
que o crescimento da população urbana leve a um crescimento das áreas urbanas para
comportar esse contingente populacional dentro de cidades cada vez maiores. Mas o que se
desenha enquanto um desafio particular ao crescimento das áreas urbanas no século XXI
não é apenas a pressão dos números, mas como as formas urbanas se moldam sob as
crescimento populacional semelhantes no mesmo período, mas uma pode configurar uma
forma urbana compacta, verticalizada e monocêntrica; outra poderá conformar o seu espaço
urbano de modo disperso, horizontalizado e policêntrico. Mas como e porque estes padrões
93
3.1. Urban sprawl e meio ambiente
O termo “urban sprawl” emerge como uma designação pejorativa para expressar
pesquisas que apontam para o avanço do fenômeno em outras regiões do mundo a partir de
estudos de caso.
1970 e 1990, a população da região de Los Angeles cresceu em torno de 45%, mas, no
mesmo período, a área urbana ocupada por esta população cresceu em 300% (MEADOWS,
1999); ou seja, houve uma redução significativa na densidade urbana dessa região,
a condução para baixas densidades urbanas. Neste sentido, podemos encontrar diversos
estudos que mostram a distorção urbana de Los Angeles ocorrendo em diversas regiões
dos Estados Unidos e em outras regiões do mundo. Mesmo nas cidades européias,
HEE, 2004), há sinais de que a urbanização dispersa se encontra cada vez mais presente.
crescimento das áreas urbanas segundo um padrão de expansão periférico não é novidade;
de certa forma, foi sempre assim que se deu o processo de ocupação humana no território.
94
O que parece ser novo são as formas espaciais que essa ocupação urbana passa a assumir
ao longo do século XX. Segundo Richardson e Chang-hee (2004:1), parece haver uma
Europa Ocidental.
Essa transição pode ser percebida pelos estilos de vida que se disseminam
mundialização dos padrões de consumo, tendem a levar a modelos cada vez mais
uso individual passa a ser uma característica marcante em diversas regiões do mundo e, de
certa forma, jogam um importante papel na compressão do espaço e do tempo nas cidades
pós-modernas.
emerge uma contradição implícita nos estilos de vida urbanos. Ou seja, se por um lado
queremos e passamos a viver predominantemente nas cidades, por outro, queremos voltar
a viver perto da natureza. Segundo Dagger (2003), a dispersão urbana é resultado das
centros urbanos mas com proximidade a valores relacionados ao meio ambiente, é natural
que a dispersão ocorra, mesmo que coletivamente esse padrão não seja adequado.
enaltecidos pela modernidade. Enfim, trata-se dos valores da sociedade moderna e de suas
padrão de consumo ao longo do globo se dá com maior intensidade nos dias atuais e os
95
A noção/conceito de urban sprawl tem recebido muita atenção dos estudos
individual automotivo, os Estados Unidos simbolizam este padrão de ocupação que tem
passado por inúmeras críticas tanto por parte dos organismos de gestão como movimentos
lo não têm elaborado um tratamento conceitual refinado. De forma geral, a literatura sobre o
sprawl confunde suas causas com suas conseqüências e por isso tende a ser uma
denominação para uma diversidade de condições diferentes, o que abre margem para
várias interpretações distintas e muitas vezes contraditórias. Na maioria dos casos, o termo
primeiro a usar o termo edge city, essas ocupações são, sobretudo, os enclaves de alta
renda onde se encontram as ocupações urbanas residênciais unifamiliares com alto padrão
de consumo. Com maior evidência no período pós-II Guerra, os Estados Unidos observaram
vida oposta aos valores dos antigos centros consolidados das cidades.
comércio e serviço que atendam aos novos padrões de consumo. Assim, como
96
conseqüências, surgem os shopping centers para dar vazão às demandas de consumo
para automóveis, demandando, cada vez mais, a utilização de vias de acesso ‘rápidas’. Não
se trata apenas de uma nova forma de habitação com inspirações em antigas formas de
não apenas aquela parcela da população de poder aquisitivo mais elevado, mas também
um novo estilo de vida que é disseminado para todas as sociedades; ou seja, o status não é
mais apenas uma condição geográfica, mas também uma condição estrutural da forma de
Mas o urban sprawl não se reduz ao aumento das formas de ocupação de estilo
urbano de uma mesma região. Enfim, são áreas de ocupação urbana não-adjacentes à
malha urbana central e que respondem à demanda dos fluxos de movimentos populacionais
pode definir como dispersão urbana está a crescente mobilidade espacial e uma relativa
autonomia nos deslocamentos urbanos diários. Assim, a modernização que se ampliou após
consideravelmente a extensão dos espaços de convivência diários que uma pessoa podia
atingir.
novas estruturas de oportunidades que são propiciadas pelo avanço do modelo de produção
97
em escala global. Sendo assim, podemos notar o avanço de um modelo de urbanização
fenômeno restrito aos Estados Unidos. É um processo que se repete também na Europa
Ocidental, indicando que existem mais convergências do que divergências neste processo
de urbanização. O caso francês, identificado por Pumain (2004), indica que o processo é
recente e que as evidências apontam para importantes mudanças nos processos espaciais
que se refletem nos contextos urbanos. Na França, entre 1968 e 1999, a área urbanizada
países como a França; e mais recente ainda em países como Espanha, Itália e outros
países da Europa mediterrânea (PUMAIN, 2004). O caso espanhol é avaliado por Munoz
(2003) e Roca et al. (2004) a partir do caso de Barcelona e identifica o aumento significativo
98
expulsão da população mais pobre e vulnerável para as áreas mais afastadas dos centros
consolidados. Assim, o que marcou a dicotomia centro-periferia foi este processo fortemente
periférica, elevando agora os custos nas regiões mais distantes dos centros e, normalmente,
Dattwyler et al. (2003), Pirez (2006), Cariola e Lacabana (2003) e Aguilar e Ward
desenvolvimento da América Latina. Enfim, o que parece ser recorrente nos estudos que
sobretudo o de uso individual. Embora essa característica possa ser atribuída mais como
necessárias a serem percorridas entre as distintas esferas da vida cotidiana como trabalho,
residência, estudos, compras, etc, maior será a demanda pelo uso dos meios de
transportes.
como um fator central, pois traz consigo também o aumento da emissão de poluentes
99
atmosféricos. O estudo conduzido por Ewing, Pendall e Chen (2002), relata a forte
correlação entre os índices de dispersão urbana elaborado pela sua pesquisa e os níveis
máximos de ozônio. Segundo eles, entre as diversas variáveis testadas para cada área
mais água, sobretudo, pelo desperdício do uso nas áreas abertas dessas residências.
Assim, não se trata exatamente de uma relação direta com o padrão de dispersão urbana
países em desenvolvimento, onde a capacidade financeira muitas vezes não dá conta nem
de atender 100% das residências urbanas com água encanada, muito menos de manter a
Mas em termos dos impactos da dispersão urbana nos recursos naturais, o que
se torna mais evidente e talvez o mais preocupante é a redução das áreas verdes. Ou seja,
para que essa expansão da área urbanizada sob um padrão de baixas densidades seja
viável o que ocorre, na maioria dos casos, é ocupação de áreas peri-urbanas onde antes se
constituía a produção agrícola. Ou seja, morar perto do campo com as vantagens de toda
100
Em diversas partes dos Estados Unidos, as pessoas estão procurando escapar
áreas distantes dos centros consolidados. Mas a ironia desse processo é exatamente a
reprodução dos mesmos problemas pelos quais esses moradores tentaram fugir em seus
novos espaços residenciais. De certa forma, os subúrbios que serviam como refúgio desses
problemas antes restritos aos antigos centros, passam a reproduzir os mesmos problemas
em uma escala mais crítica pela ausência e/ou a dificuldade de se proporcionar a infra-
estrutura que somente se torna viável em áreas residenciais mais densas, como por
serviços de saúde.
em áreas antes dedicadas a atividades industriais pode levar a uma maior exposição a solos
e água contaminada, pois algumas vezes contam com sistema de abastecimento de água
através de poços artesianos que podem entrar em contato com galerias contaminadas.
O solo, por sua vez, também pode conter resíduos de contaminação em casos
em que a área tenha sido ocupada por indústrias químicas e semelhantes, levando a
problemas de saúde crônicos e muitas vezes sem que a causa seja identificada
muito mais graves em casos onde a dispersão urbana é mais acentuada. Um dos sinais
Ewing, Pendall e Chen (2002), apontam para essa relação entre os acidentes de
transporte fatais e o grau de dispersão urbana. Segundo eles, ainda que áreas urbanas
mais compactas possuam maiores taxas de uso de veículos, lugares com maior dispersão
tendem a ter mais acidentes fatais. Essa relação foi testada pela pesquisa e controlada por
101
variáveis como renda per capita e se mostraram significativas estatisticamente para os
diversos indicadores de dispersão urbana avaliados por essa pesquisa. Efeitos na saúde da
populações urbanas.
desenvolvida por Mc Cann e Ewing (2003). Segundo esta pesquisa, as pessoas que vivem
em áreas mais dispersas tendem a ter um maior índice de massa corporal; sendo que as
pessoas que vivem em áreas mais compactas pesam em média 2,7 Kg menos do que
aquelas que vivem em áreas mais dispersas; além de apresentarem também maiores
índices de hipertensão e pressão arterial. O que explicaria essa relação é o fato de que
De fato, é uma relação importante, pois, mesmo entre as pessoas que praticam
atividades físicas regularmente, aquelas que vivem em áreas mais compactas tendem a ter
menos índice de massa corporal. O que, de certa forma, indica que parte da atividade física
que pode ser realizada durante as atividades físicas do cotidiano tem peso importante na
expressivos quanto maior for a intensidade do processo. Mas como podemos quantificar e
urbanas do mundo? São muitas as referências que trabalham com indicadores a partir das
102
Com a incorporação dos Sistemas de Informação Geográficas (SIG) aos estudos
socioeconômicas com uma precisão até então nunca utilizada. Dessa forma, passou a ser
urbana pode ser distinta não apenas em termos do aumento da área urbanizada em relação
ao crescimento populacional, mas também pelos desenhos e funções dos espaços intra-
urbanos. Isso quer dizer que mesmo que a densidade urbana reduza em uma mesma
heterogeneidade de funções.
destaca como expressão mais freqüente e ratifica certa homogeneidade nos distintos
principal modelo de ocupação urbano, hoje parece haver um novo cenário. Ou seja, o
urbano contemporâneo assume uma estruturação cada vez mais complexa, sobretudo, pela
ramificação das redes urbanas, a integração dos fluxos econômicos, a intensificação dos
aglomeração pode assumir distintas formas de se dispersar no espaço e, por suposto, essas
está a fragmentação (leapfrog development) das áreas. E, na busca pela qualidade de vida
naturais. Assim, os riscos sociais também se dispersam e a todos resta muito pouco
103
No caso brasileiro, embora ainda não seja consenso, o processo de urbanização
(rico-pobre).
Mas apesar de podermos dizer que se trata de uma tendência que abrange uma
pequena parcela da população, aquela de alto poder aquisitivo, esse padrão de ocupação
urbano possui reflexos importantes para toda a sociedade, especialmente no que se refere à
reestruturação do espaço urbano. Por um lado, altera as tensões sociais devido à elevação
dos preços dos lotes em áreas distantes dos centros consolidados, tornando os espaços
intra-urbanos mais fragmentados. Por outro lado, e talvez o mais importante, dinamiza e
orienta os processos de estruturação urbana, pois passa a ser o parâmetro para o padrão
consumidores diversificados através de empreendimentos que vão desde R$30 mil até R$3
periféricas, distantes dos centros consolidados das aglomerações urbanas e que antes eram
de vida.
dos padrões de consumo, mas não resumem as analogias que podem ser feitas para o
104
sprawl é a análise da dimensão espacial enquanto uma variável analítica cara ao
sociais distintas, mas de adaptar a apreensão dos fatores sociodemográficos dentro de uma
abordagem empírica que resgata componentes teóricos não incorporados pelas análises
contemporâneas no Brasil.
vimos, não se trata apenas de apontar as dimensões das transformações da estrutura física
espaço social.
pode ser resumido em como medir a forma da expansão urbana dado que a urbanização
extravasa os limites da conurbação. A literatura que aborda o tema do urban sprawl procura
algumas formas distintas de ocupação urbana e, a partir disso, avaliar em que medida a
formas urbanas podem ter algum impacto sobre a vida urbana. A Figura 6 ilustra
105
assumir distintas expressões apesar de apresentarem uma mesma densidade populacional
média.
1 2 3
4 5 6
com diferente distribuição espacial; sendo a primeira uma forma de urbanização mais
que se poderia dizer a respeito? As pessoas que vivem em duas áreas distintas, como por
106
que o espaço urbano - socialmente construído e reflexo de diversos interesses e ações
expansão urbana parecem ser mais evidentes. Dado que, intuitivamente, o Diagrama 3
(mais disperso) deverá apresentar menor área verde contínua10, maior demanda por
distintas. Em termos da percepção da pessoa que viaja de uma cidade para outra, não é
principais indicadores que permitem classificar uma aglomeração urbana em termos da sua
dispersão urbana. Para atingir esse objetivo, estas dimensões foram aplicadas às 37
10
É importante mencionar que existe um debate a respeito da importância da manutenção de áreas
verdes contínuas para que se viabilizem “corredores ecológicos” para a manutenção da biodiversidade,
inclusive em áreas urbanas. No caso da dispersão urbana, há uma tendência em que exista uma maior
integração entre urbanização e áreas verdes, entretanto, essas áreas são fragmentadas dentro do tecido
urbano. Assim, embora realizem as demandas por “qualidade de vida” da população dos centros urbanos,
essas extensões de áreas verdes não são suficientes para reproduzir a biodiversidade com o mesma
intensidade que em áreas contínuas.
107
termos espaciais de modo comparativo dado a diversidade dos contextos econômicos,
comparativo.
Assim, com base nas dimensões que permitem comparar distintas áreas urbanas
Centralidade. Cada uma destas dimensões será explorada individualmente nos itens
urbanas.
3.2.1. DENSIDADE
e o crescimento das áreas urbanas. Segundo pesquisa publicada pelo Sierra Club (2003), o
densidade aparece como um dos indicadores mais usados para quantificar a dispersão
urbana (Galster et al., 2001). Entretanto, o uso da densidade média considera todo o espaço
distorção do fenômeno.
108
1 2
a densidade teriamos a mesma densidade média, pois para ambas o volume hipotético da
desafio em si mesmo. Com a relativa popularização das imagens de satélite nos estudos
Os trabalhos de Galster et al. (2001); Batty, Xie e Sun (1999); Chin (2002);
Torrens e Alberti (2000); Cutsinger et al. (2005); Roca, Burns e Carreras (2004); Angel
Sheppard e Civco (2005), entre outros, se utilizam de imagens de satélite para avaliar a
aproximadamente 4 mil cidades com população superior a 100 mil habitantes ao longo do
109
globo; segundo este trabalho, as densidades das cidades de países em desenvolvimento
tendem a ser maiores que nos países desenvolvidos; entretanto, em ambos os grupos a
Center for International Earth Science Information Network (CIESIN), Columbia University,
utiliza-se das imagens de satélite e a leitura dos dados dos pontos de luz emitidos pelas
aglomerações urbanas para realizar uma estimativa das áreas urbanizadas. No contexto
brasileiro, temos o estudo em escala nacional desenvolvido a partir das imagens LANDSAT
ETM por Miranda, Gomes e Guimarães (2005) no âmbito da Embrapa – Monitoramento por
limitações operacionais. Entre elas está o elevado custo para aquisição das imagens e
mais detalhados e não usuais, como é o caso do estudo de aglomerações urbanas que não
que sejam realizados estudos empíricos para confirmar a classificação das imagens. Como
uma classificação subjetiva. A utilização das imagens de satélite não elimina esta
suas limitações em termos da classificação do que é rural ou urbano, ela apresenta algumas
110
vantagens. Entre elas estão: a uniformidade, acessibilidade e a abrangência da informação.
Ou seja, é possível obter com facilidade os dados de forma homogênea para todo o país
base de dados enquanto fonte de informações. Esta informação está disponível através da
internet no sítio eletrônico do IBGE sem custo e inclui a classificação dos setores censitários
Demográfico classifica as áreas urbanas de acordo com 8 subcategorias, sendo três delas
5. Rural – Povoado;
6. Rural – Núcleo;
de 1 a 4 como áreas urbanas. Pois, apesar da categoria 4 ser classificada como rural, para
fins do que se pretende nessa pesquisa, será considerada como “urbano”, pois diz respeito
rurais.
111
As figuras abaixo ilustram a área urbana consolidada a partir dessa fonte de
dados para cada uma das grandes regiões geográficas brasileiras utilizando a classificação
UF
Área Urbana
112
UF
Área Urbana
UF
Área Urbana
113
UF
Área Urbana
UF
Área Urbana
114
O total das áreas urbanas no Brasil, segundo esse critério, é de cerca de 95 mil
Km2, o que representa apenas 1,12% do território brasileiro que comporta cerca de 140
milhões de pessoas, 81,8% do total da população. A partir desses dados podemos verificar
com maiores detalhes a informação de densidade populacional que, em termos da área total
é de cerca de 20 habitantes por Km2, mas que se considerada a área urbana é de 1.453 mil
As 37 AUs representam cerca de 1/3 do total da área urbana brasileira (30,5 mil
Km2) e abrigam 71,6 milhões de pessoas. Assim, a densidade populacional urbana nessas
densidade urbana, com cerca de 8,3 mil hab/Km2 e a menor densidade está na AU de Cabo
Frio, com 591 hab/Km2. Assim, mesmo sob uma análise comparativa das AU, existem
possuir a segunda maior extensão urbana (4,2% do total da área urbana brasileira), possui
uma das densidades populacionais urbanas mais altas (4,3 mil hab/Km2).
densidade urbana. Com base nestas informações podemos dizer que a AU de Blumenau é
a que possui um grau de dispersão urbana mais evidente, pois a distribuição dos domicílios
urbanos se dá sob uma densidade de 218 domicílios por Km2, a mais baixa entre as 37 AU.
115
Tabela 7 – População total, domicílios, área urbana (em Km2), densidade populacional (em
hab./Km2) e densidade domiciliar (em dom./Km2) por AU
Número
Densidade Densidade
Área Urbana médio de
Aglomeração urbana População Domicílios 2 populacional domicíliar
(em Km ) habitantes
(hab./Km 2) (dom./Km 2)
por domicílio
São Paulo 17.596.957 5.000.541 4.033,50 4.362,7 1.239,8 3,5
Rio de Janeiro 10.870.155 3.295.702 5.128,16 2.119,7 642,7 3,3
Salvador 2.959.434 791.007 696,14 4.251,2 1.136,3 3,7
Belo Horizonte 4.210.662 1.151.418 1.666,49 2.526,7 690,9 3,7
Fortaleza 2.821.761 692.926 1.278,83 2.206,5 541,8 4,1
Brasília 2.623.303 701.028 2.083,55 1.259,1 336,5 3,7
Curitiba 2.502.129 728.859 1.184,91 2.111,7 615,1 3,4
Recife 3.238.736 849.458 973,43 3.327,1 872,6 3,8
Porto Alegre 3.436.431 1.065.320 1.566,11 2.194,2 680,2 3,2
Belém 1.965.794 412.634 404,53 4.859,5 1.020,0 4,8
Goiânia 1.560.625 447.284 724,37 2.154,5 617,5 3,5
Campinas 2.119.322 610.616 1.167,06 1.815,9 523,2 3,5
São Luis 945.280 221.409 332,56 2.842,4 665,8 4,3
Maceió 865.717 220.414 244,90 3.535,0 900,0 3,9
Natal 961.638 241.998 248,07 3.876,5 975,5 4,0
João Pessoa 828.712 212.388 315,22 2.629,0 673,8 3,9
São José dos Campos 1.172.423 319.772 869,79 1.347,9 367,6 3,7
Ribeirão Preto 603.452 173.083 309,48 1.949,9 559,3 3,5
Sorocaba 873.329 242.659 505,68 1.727,0 479,9 3,6
Aracaju 703.983 178.052 711,11 990,0 250,4 4,0
Londrina 564.768 162.867 311,64 1.812,2 522,6 3,5
Santos 1.350.446 395.757 716,33 1.885,2 552,5 3,4
Joinvile 566.106 160.270 606,87 932,8 264,1 3,5
São José do Rio Preto 395.379 120.894 121,81 3.245,9 992,5 3,3
Caxias do Sul 518.069 158.949 271,36 1.909,2 585,7 3,3
Jundiaí 496.413 140.029 275,01 1.805,1 509,2 3,5
Florianópolis 698.447 207.661 647,42 1.078,8 320,8 3,4
Maringá 399.356 116.631 47,82 8.351,2 2.439,0 3,4
Vitória 1.327.342 373.646 845,91 1.569,1 441,7 3,6
Volta Redonda 530.317 153.483 313,64 1.690,8 489,4 3,5
Blumenau 380.273 112.126 512,30 742,3 218,9 3,4
Ipatinga 341.608 90.418 196,05 1.742,5 461,2 3,8
Criciúma 238.867 67.556 275,80 866,1 244,9 3,5
Itajaí 326.236 95.286 287,29 1.135,6 331,7 3,4
Cabo Frio 204.939 59.885 346,57 591,3 172,8 3,4
Mogi-Mirim 196.551 55.382 92,02 2.136,0 601,8 3,5
Guaratingueta 213.180 58.742 114,15 1.867,5 514,6 3,6
TOTAL 71.608.152 20.086.149 30.425,80 2.353,5 660,2 3,6
Fonte: FIBGE, Censo Demográfico 2000 (microdados da amostra) e Malha Digital dos Setores Censitários Rurais 2000
116
3.2.2. FRAGMENTAÇÃO
existência de uma urbanização mais dispersa nas aglomerações urbanas. Isso ocorre, pois
urbanização seja mais ou menos dispersa. Isso pode ocorrer em casos como o ilustrado
pela Figura 13, onde as duas áreas urbanas hipotéticas possuem a mesma densidade
1 2
saltos. Essa urbanização se caracteriza pela fragmentação dos espaços urbanos e está
desconexão dos espaços de vida cotidianos dentro das aglomerações urbanas e está
continuidade da mancha urbana não se faz mais necessária para que os contextos urbanos
117
sejam integrados. Essa forma de desenvolvimento urbano é, depois da densidade urbana, o
fator mais característico da dispersão urbana, pois adiciona uma evidência espacial ao
apreendida de distintas formas e, como podemos observar de modo intuitivo pela Figura 13,
que uma região pode ser caracterizada como mais ou menos dispersa. Ou seja, se duas
regiões possuem uma mesma população distribuída em uma área urbana equivalente, elas
terão densidades urbanas próximas, mas uma pode assumir uma forma compacta em forma
de círculos concêntricos enquanto outra pode ter uma forma policêntrica com ramos
em saltos pode comprometer usos agrícolas das áreas periféricas ou ainda demandar a
dimensão da dispersão urbana, pois tanto suas causas como seus efeitos estão
relacionados. De um lado temos a crescente demanda por uma vivencia cotidiana próxima
aos artefatos ambientais, mas por outro, à medida que a urbanização avança em direção à
tendência é de se criar espaços urbanos cada vez mais desconectados uns dos outros e os
espaços não-urbanizados que se colocam entre eles se tornam pouco utilizados em termos
Próxima (Average Nearest Neighbor Index) a partir do software ArcGis (versão 9.0). Para
118
urbanos conurbados de uma AU para se criar um único polígono para cada área urbanizada
procedimento realizado.
como um único polígono mesmo quando a sua área era dividida por divisões municipais.
Como podemos ver na Figura 15, após o cálculo dos pontos centrais de cada um destes
polígonos (centróides), calculou-se a distância entre cada um dos centróides e o seu vizinho
D2
D3
D4
D5
D1
119
A razão entre a média dessas distâncias (Di) e a média das distâncias em uma
área hipotética com distribuição aleatória é um indicador que permite medir o grau de
dispersão das áreas urbanizadas em cada uma das aglomerações urbanas. Esse indicador
foi posteriormente ajustado para que seus valores variassem entre zero e um. Dessa forma,
valores mais próximos de zero representam padrões mais compactos enquanto valores
mais próximos de um, os padrões mais dispersos. O mesmo procedimento foi, portanto,
Juntamente com essa medida, foi utilizada a razão entre a área não-urbana pela
área urbana de cada uma das AU como forma de mensurar a existência de espaços não
urbanizados. Assim, a média aritmética destes dois indicadores resultou em uma medida
120
Tabela 8 – Índicador de vizinhança, Índicador de Área Não Urbanizada e Indicador de
Fragmentação
menos fragmentados. Os casos com maior fragmentação são os das AUs de Brasília,
Caxias do Sul e Maringá, enquanto os que possuem os padrões mais compactos são Rio de
Janeiro, Aracaju e São Paulo. No caso das AUs mais compactas, destacam-se São Paulo e
Rio de Janeiro, pois apesar de terem as maiores áreas urbanizadas (as duas representam
cerca de 30% do total das 37 AUs), possuem grandes extensões de áreas urbanas
121
conurbadas e, proporcionalmente, uma pequena área não-urbanizada. Ainda vale destacar
que neste indicador, a escala territorial da AU assume um papel importante, pois como o
indicador considera a distância média entre as áreas urbanizadas, áreas onde a extensão é
3.2.3. LINEARIDADE/ORIENTAÇÃO
constrangimentos físicos como serras, rios, mar ou outras barreiras naturais, como também
possuem uma estreita relação com outros elementos como rodovias, ferrovias, pólos
consequentemente constitui em um fator que deve ser levado em conta quando se analisam
sentido.
nos diagramas de aglomerações hipotéticas (ver Figura 16), podemos observar duas áreas
com a mesma densidade e pouca fragmentação das áreas urbanas. Entretanto, o padrão de
desenvolvimento urbano em linha tende a caracterizar uma maior dispersão urbana, como
122
1 2
(versão 9.0), é possível medir se uma distribuição de polígonos segue uma determinada
tendência direcional. Assim, após a identificação dos centróides dos polígonos dos setores
elíptico onde seus eixos são obtidos pelo desvio padrão dos centróides dos polígonos em
diferença entre os eixos está próximo de zero, como no diagrama 1, a tendência é de que a
que formas mais circulares tendem a ser mais compactas e, portanto, quanto maior for a
diferença entre os eixos, mais dispersa será a aglomeração. No exemplo abaixo (ver Figura
123
Fonte: FIBGE – Malha Digital dos Setores Censitários Rurais 2000 e Carta Integrada do Brasil ao Milionésimo em
formato Digital – CIMd
como podemos ver através da Figura 18, a diferença entre D1 e D2 é maior que a diferença
D2
D1 D4
D3
124
Com os dados padronizados, variando de zero a um, aqueles mais próximos a
possuem as formas mais circulares enquanto que Rio de Janeiro, Santos e Blumenau são
as possuem um padrão mais elíptico. A Tabela 9 sintetiza as informações obtidas por esse
125
3.2.4. CENTRALIDADE/INTEGRAÇÃO
não houver integração entre as áreas urbanizadas, pouco importa a forma que ela assume.
Pois uma área muito dispersa em termos espaciais, mas onde os fluxos de movimentos
pendulares é muito reduzido, na prática, pode ser considerado menos disperso do que outra
área um pouco menos fragmentada mas onde a integração destas áreas é muito mais
intensa.
padrão e direção dos movimentos, sendo que aquelas AU que possuem movimentos
pendulares menos polarizados pela sede são considerados os que possuem um modelo de
total da população serve como um parâmetro de padronização, dado que a importância dos
movimentos com direção à sede dependerá da importância que eles possuem no contexto
da AU como um todo.
126
direção à sede eram muito representativos, embora a importância desses movimentos fosse
pequeno em relação ao total da população. Dessa forma, mesmo nas aglomerações onde a
de Vitória) a ponderação fez com que o indicador para esta aglomeração fosse mais
significativo do que em casos onde os movimentos em direção à sede eram mais elevados
(como é o caso da AU de Ribeirão Preto), já que neste último o peso dos movimentos
que as AU de Goiânia, Aracaju e Maringá estão entre as mais centralizadas enquanto que
dimensão.
127
Tabela 10 – Volumes de movimentos pendulares em direção à sede, totais e população
total e percentual de movimentos pendulares para a sede e percentual de movimentos
pendulares pelo total da população – Indicador de Centralidade
Movimentos Movimentos
pendulares intra-AU pendulares intra-AU
Aglomeração urbana População Centralidade
com destino na sede totais
N % N %
São Paulo 17.829.352 585.650 58,3 1.003.764 5,6 0,83598
Rio de Janeiro 10.943.847 487.767 68,3 714.649 6,5 0,88946
Salvador 3.012.837 25.327 45,6 55.548 1,8 0,69942
Belo Horizonte 4.273.274 245.625 71,8 341.888 8,0 0,91607
Fortaleza 2.899.231 54.076 79,0 68.418 2,4 0,82831
Brasília 2.747.993 112.165 95,0 118.114 4,3 0,91875
Curitiba 2.669.472 142.694 80,4 177.440 6,6 0,92679
Recife 3.323.422 197.892 77,4 255.767 7,7 0,92922
Porto Alegre 3.557.772 186.556 60,2 309.861 8,7 0,88029
Belém 1.795.536 91.262 87,1 104.746 5,8 0,93129
Goiânia 1.582.680 86.138 95,7 89.983 5,7 0,94655
Campinas 2.156.235 61.663 48,8 126.365 5,9 0,79780
São Luis 1.053.600 28.083 93,4 30.078 2,9 0,87997
Maceió 884.346 6.869 83,7 8.202 0,9 0,81674
Natal 1.043.321 34.900 86,3 40.454 3,9 0,88723
João Pessoa 844.171 22.967 83,0 27.655 3,3 0,86267
São José dos Campos 1.211.748 14.804 44,2 33.523 2,8 0,70908
Ribeirão Preto 609.363 9.622 84,9 11.338 1,9 0,83504
Sorocaba 908.217 17.053 64,7 26.362 2,9 0,79331
Aracaju 714.681 38.026 89,4 42.555 6,0 0,93799
Londrina 588.731 16.665 85,1 19.583 3,3 0,86980
Santos 1.353.374 64.717 65,0 99.504 7,4 0,88851
Joinvile 596.343 3.816 41,7 9.142 1,5 0,67992
São José do Rio Preto 418.400 4.675 86,8 5.386 1,3 0,83047
Caxias do Sul 586.791 2.463 38,1 6.467 1,1 0,66083
Jundiaí 529.990 25.117 76,6 32.811 6,2 0,91008
Florianópolis 749.067 52.122 71,6 72.793 9,7 0,92203
Maringá 410.507 20.247 94,8 21.355 5,2 0,93690
Vitória 1.337.187 94.144 66,0 142.544 10,7 0,90597
Volta Redonda 542.918 16.199 73,4 22.082 4,1 0,85365
Blumenau 427.709 5.657 57,8 9.782 2,3 0,75448
Ipatinga 347.618 7.748 81,7 9.487 2,7 0,84486
Criciúma 265.679 6.372 70,9 8.988 3,4 0,82726
Itajaí 338.284 6.626 40,7 16.291 4,8 0,73618
Cabo Frio 223.348 4.861 55,3 8.791 3,9 0,78283
Mogi-Mirim 214.551 2.236 42,8 5.224 2,4 0,69733
Guaratingueta 228.228 2.322 44,3 5.242 2,3 0,70123
TOTAL 73.219.823 2.785.126 68,2 4.082.182 5,6 -
Fonte: FIBGE, Censo Demográfico 2000 (microdados da amostra)
128
3.3. Sumário dos resultados: o Indicador de Dispersão Urbana
Assim, para a composição do índice de dispersão urbana foi utilizada uma média aritmética
dos indicadores de cada dimensão por se considerar que não haveria razões para atribuir
um peso maior para algumas das dimensões em termos do que se pode dizer da dispersão
analisar de forma comparativa em que medida uma aglomeração urbana pode ser
populacional maior não deveriam ser classificadas como mais dispersas simplesmente por
abrangerem uma extensão maior do espaço. Assim, mesmo sendo 10 ou 20 vezes maior,
uma determinada região pode ter padrões similares e, por isso, deveriam ter indicadores de
dispersão similares. Enfim, é preciso distinguir grandes extensões urbanas com o grau de
129
Tabela 11 – Sumário dos Indicadores e posto segundo as dimensões (Densidade,
Fragmentação, Linearidade e Centralidade) e Indicador de Dispersão Urbana por
aglomeração urbana
Indicador de Dispersão próximo das AUs de Belém, Recife ou ainda de Maringá. Afinal, o
130
dispersão urbana não diz respeito ao tamanho da aglomeração, pois se assim fosse, não
haveria parâmetros de comparação entre situações como São Paulo e as demais AUs.
uma das AUs, os indicadores e informações relacionadas a cada uma das 37 aglomerações
131
132
AU de São Paulo
População Total (2000) 17.829.352
População Total (1991) 15.404.758
Número de Municípios 37
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,46
Taxa de Cresc. (1980-1991) 1,88
Taxa de Cresc. (1991-2000) 1,64
% de mov. pendulares totais 5,6
% de mov. pendulares p/ sede 58,3
Densidade Pop. Urbana 4.362,7
Densidade Domic. Urbana 1.239,8
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,2244 36
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,5519 35
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5976 8
Índice de Centralização (Ranking) 0,1640 17
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,3845 36
AU de Rio de Janeiro
População Total (2000) 10.943.847
População Total (1991) 9.859.735
Número de Municípios 20
Taxa de Cresc. (1970-1980) 2,44
Taxa de Cresc. (1980-1991) 1,03
Taxa de Cresc. (1991-2000) 1,17
% de mov. pendulares totais 6,5
% de mov. pendulares p/ sede 68,3
Densidade Pop. Urbana 2.119,7
Densidade Domic. Urbana 642,7
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,4956 25
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,5360 37
Índice de Linearidade (Ranking) 0,7572 1
Índice de Centralização (Ranking) 0,1105 26
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4748 17
11
Para a classificação da área urbana considerada na síntese dos indicadores (apresentados a seguir
para cada aglomeração urbana) foram utilizadas as informações provenientes da Malha Digital dos
Setores Censitários Rurais disponibilizadas pelo IBGE. Para tanto, considerou-se como “área urbana” as
subcategorias utilizadas pelo IBGE: 1.Área urbanizada de vila ou cidade; 2.Área não urbanizada de vila ou
cidade; 3. Área urbana isolada e [Link] – extensão urbana.
133
AU de Salvador
População Total (2000) 3.012.837
População Total (1991) 2.496.155
Número de Municípios 9
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,41
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,15
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,11
% de mov. pendulares totais 1,8
% de mov. pendulares p/ sede 45,6
Densidade Pop. Urbana 4.251,2
Densidade Domic. Urbana 1.136,3
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,2650 35
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6872 16
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5384 24
Índice de Centralização (Ranking) 0,3006 4
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4478 28
AU de Belo Horizonte
População Total (2000) 4.273.274
População Total (1991) 3.438.977
Número de Municípios 25
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,64
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,53
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,44
% de mov. pendulares totais 8,0
% de mov. pendulares p/ sede 71,8
Densidade Pop. Urbana 2.526,7
Densidade Domic. Urbana 690,9
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,4716 29
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6548 23
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5366 27
Índice de Centralização (Ranking) 0,0839 29
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4367 31
134
AU de Fortaleza
População Total (2000) 2.899.231
População Total (1991) 2.335.491
Número de Municípios 11
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,30
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,62
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,43
% de mov. pendulares totais 2,4
% de mov. pendulares p/ sede 79,0
Densidade Pop. Urbana 2.206,5
Densidade Domic. Urbana 541,8
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5458 18
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6205 28
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5383 25
Índice de Centralização (Ranking) 0,1717 14
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4691 21
AU de Brasília
População Total (2000) 2.747.993
População Total (1991) 1.963.960
Número de Municípios 11
Taxa de Cresc. (1970-1980) 8,11
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,50
Taxa de Cresc. (1991-2000) 3,80
% de mov. pendulares totais 4,3
% de mov. pendulares p/ sede 95,0
Densidade Pop. Urbana 1.259,1
Densidade Domic. Urbana 336,5
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,6450 8
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7605 1
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5811 11
Índice de Centralização (Ranking) 0,0813 30
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5170 8
135
AU de Curitiba
População Total (2000) 2.669.472
População Total (1991) 2.009.740
Número de Municípios 20
Taxa de Cresc. (1970-1980) 5,72
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,00
Taxa de Cresc. (1991-2000) 3,20
% de mov. pendulares totais 6,6
% de mov. pendulares p/ sede 80,4
Densidade Pop. Urbana 2.111,7
Densidade Domic. Urbana 615,1
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5093 23
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7533 5
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5455 19
Índice de Centralização (Ranking) 0,0732 32
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4703 18
AU de Recife
População Total (2000) 3.323.422
População Total (1991) 2.914.163
Número de Municípios 14
Taxa de Cresc. (1970-1980) 2,71
Taxa de Cresc. (1980-1991) 1,84
Taxa de Cresc. (1991-2000) 1,47
% de mov. pendulares totais 7,7
% de mov. pendulares p/ sede 77,4
Densidade Pop. Urbana 3.327,1
Densidade Domic. Urbana 872,6
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,3827 30
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6060 30
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5791 12
Índice de Centralização (Ranking) 0,0708 33
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4096 34
136
AU de Porto Alegre
População Total (2000) 3.557.772
População Total (1991) 3.070.849
Número de Municípios 25
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,79
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,59
Taxa de Cresc. (1991-2000) 1,65
% de mov. pendulares totais 8,7
% de mov. pendulares p/ sede 60,2
Densidade Pop. Urbana 2.194,2
Densidade Domic. Urbana 680,2
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,4769 28
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6856 17
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5979 7
Índice de Centralização (Ranking) 0,1197 23
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4700 19
AU de Belém
População Total (2000) 1.795.536
População Total (1991) 1.401.305
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,31
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,92
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,79
% de mov. pendulares totais 5,8
% de mov. pendulares p/ sede 87,1
Densidade Pop. Urbana 4.859,5
Densidade Domic. Urbana 1.020,0
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,3146 34
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6924 15
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5412 22
Índice de Centralização (Ranking) 0,0687 34
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4042 35
137
AU de Goiânia
População Total (2000) 1.582.680
População Total (1991) 1.191.578
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 6,71
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,71
Taxa de Cresc. (1991-2000) 3,20
% de mov. pendulares totais 5,7
% de mov. pendulares p/ sede 95,7
Densidade Pop. Urbana 2.154,5
Densidade Domic. Urbana 617,5
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5082 24
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6279 26
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5610 14
Índice de Centralização (Ranking) 0,0534 37
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4376 30
AU de Campinas
População Total (2000) 2.156.235
População Total (1991) 1.736.522
Número de Municípios 14
Taxa de Cresc. (1970-1980) 6,70
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,50
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,43
% de mov. pendulares totais 5,9
% de mov. pendulares p/ sede 48,8
Densidade Pop. Urbana 1.815,9
Densidade Domic. Urbana 523,2
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5550 17
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,5872 32
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5336 30
Índice de Centralização (Ranking) 0,2022 11
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4695 20
138
AU de São Luis
População Total (2000) 1.053.600
População Total (1991) 820.137
Número de Municípios 3
Taxa de Cresc. (1970-1980) 5,13
Taxa de Cresc. (1980-1991) 4,62
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,82
% de mov. pendulares totais 2,9
% de mov. pendulares p/ sede 93,4
Densidade Pop. Urbana 2.842,4
Densidade Domic. Urbana 665,8
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,4841 26
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6736 20
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5143 36
Índice de Centralização (Ranking) 0,1200 22
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4480 27
AU de Maceió
População Total (2000) 884.346
População Total (1991) 702.731
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,89
Taxa de Cresc. (1980-1991) 4,01
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,59
% de mov. pendulares totais 0,9
% de mov. pendulares p/ sede 83,7
Densidade Pop. Urbana 3.535,0
Densidade Domic. Urbana 900,0
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,3697 31
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6640 22
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5169 35
Índice de Centralização (Ranking) 0,1833 12
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4334 33
139
AU de Natal
População Total (2000) 1.043.321
População Total (1991) 826.208
Número de Municípios 6
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,02
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,70
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,63
% de mov. pendulares totais 3,9
% de mov. pendulares p/ sede 86,3
Densidade Pop. Urbana 3.876,5
Densidade Domic. Urbana 975,5
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,3347 32
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7459 8
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5479 18
Índice de Centralização (Ranking) 0,1128 24
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4353 32
AU de João Pessoa
População Total (2000) 844.171
População Total (1991) 698.556
Número de Municípios 4
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,85
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,55
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,13
% de mov. pendulares totais 3,3
% de mov. pendulares p/ sede 83,0
Densidade Pop. Urbana 2.629,0
Densidade Domic. Urbana 673,8
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,4801 27
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6398 24
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5410 23
Índice de Centralização (Ranking) 0,1373 20
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4496 26
140
AU de São José dos Campos
População Total (2000) 1.211.748
População Total (1991) 1.008.897
Número de Municípios 6
Taxa de Cresc. (1970-1980) 5,65
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,23
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,06
% de mov. pendulares totais 2,8
% de mov. pendulares p/ sede 44,2
Densidade Pop. Urbana 1.347,9
Densidade Domic. Urbana 367,6
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,6303 9
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6764 19
Índice de Linearidade (Ranking) 0,6051 4
Índice de Centralização (Ranking) 0,2909 6
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5507 4
AU de Ribeirão Preto
População Total (2000) 609.363
População Total (1991) 516.165
Número de Municípios 6
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,96
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,98
Taxa de Cresc. (1991-2000) 1,86
% de mov. pendulares totais 1,9
% de mov. pendulares p/ sede 84,9
Densidade Pop. Urbana 1.949,9
Densidade Domic. Urbana 559,3
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5371 20
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7059 14
Índice de Linearidade (Ranking) 0,6030 5
Índice de Centralização (Ranking) 0,1650 16
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5027 12
141
AU de Sorocaba
População Total (2000) 908.217
População Total (1991) 707.930
Número de Municípios 7
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,88
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,50
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,81
% de mov. pendulares totais 2,9
% de mov. pendulares p/ sede 64,7
Densidade Pop. Urbana 1.727,0
Densidade Domic. Urbana 479,9
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5763 12
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6707 21
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5182 34
Índice de Centralização (Ranking) 0,2067 10
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4930 16
AU de Aracaju
População Total (2000) 714.681
População Total (1991) 563.827
Número de Municípios 6
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,29
Taxa de Cresc. (1980-1991) 4,07
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,67
% de mov. pendulares totais 6,0
% de mov. pendulares p/ sede 89,4
Densidade Pop. Urbana 990,0
Densidade Domic. Urbana 250,4
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,6841 4
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,5424 36
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5378 26
Índice de Centralização (Ranking) 0,0620 36
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4566 25
142
AU de Londrina
População Total (2000) 588.731
População Total (1991) 509.538
Número de Municípios 4
Taxa de Cresc. (1970-1980) 2,67
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,40
Taxa de Cresc. (1991-2000) 1,62
% de mov. pendulares totais 3,3
% de mov. pendulares p/ sede 85,1
Densidade Pop. Urbana 1.812,2
Densidade Domic. Urbana 522,6
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5553 16
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7511 7
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5557 15
Índice de Centralização (Ranking) 0,1302 21
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4981 14
AU de Santos
População Total (2000) 1.353.374
População Total (1991) 1.141.402
Número de Municípios 7
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,77
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,03
Taxa de Cresc. (1991-2000) 1,91
% de mov. pendulares totais 7,4
% de mov. pendulares p/ sede 65,0
Densidade Pop. Urbana 1.885,2
Densidade Domic. Urbana 552,5
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5405 19
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,5764 33
Índice de Linearidade (Ranking) 0,6338 2
Índice de Centralização (Ranking) 0,1115 25
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4656 22
143
AU de Joinvile
População Total (2000) 596.343
População Total (1991) 464.364
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 5,60
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,78
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,82
% de mov. pendulares totais 1,5
% de mov. pendulares p/ sede 41,7
Densidade Pop. Urbana 932,8
Densidade Domic. Urbana 264,1
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,6780 5
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6778 18
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5353 28
Índice de Centralização (Ranking) 0,3201 2
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5528 3
144
AU de Caxias do Sul
População Total (2000) 586.791
População Total (1991) 476.648
Número de Municípios 9
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,57
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,57
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,34
% de mov. pendulares totais 1,1
% de mov. pendulares p/ sede 38,1
Densidade Pop. Urbana 1.909,2
Densidade Domic. Urbana 585,7
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5240 21
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7549 2
Índice de Linearidade (Ranking) 0,6028 6
Índice de Centralização (Ranking) 0,3392 1
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5552 2
AU de Jundiaí
População Total (2000) 529.990
População Total (1991) 437.978
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 5,21
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,47
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,14
% de mov. pendulares totais 6,2
% de mov. pendulares p/ sede 76,6
Densidade Pop. Urbana 1.805,1
Densidade Domic. Urbana 509,2
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5619 14
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6210 27
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5557 16
Índice de Centralização (Ranking) 0,0899 28
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4571 24
145
AU de Florianópolis
População Total (2000) 749.067
População Total (1991) 568.091
Número de Municípios 14
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,51
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,24
Taxa de Cresc. (1991-2000) 3,12
% de mov. pendulares totais 9,7
% de mov. pendulares p/ sede 71,6
Densidade Pop. Urbana 1.078,8
Densidade Domic. Urbana 320,8
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,6522 6
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7410 9
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5855 10
Índice de Centralização (Ranking) 0,0780 31
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5142 10
AU de Maringá
População Total (2000) 410.507
População Total (1991) 325.167
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 2,61
Taxa de Cresc. (1980-1991) 4,80
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,62
% de mov. pendulares totais 5,2
% de mov. pendulares p/ sede 94,8
Densidade Pop. Urbana 8.351,2
Densidade Domic. Urbana 2.439,0
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,0120 37
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7541 3
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5347 29
Índice de Centralização (Ranking) 0,0631 35
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,3410 37
146
AU de Vitória
População Total (2000) 1.337.187
População Total (1991) 1.064.919
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 6,23
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,80
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,56
% de mov. pendulares totais 10,7
% de mov. pendulares p/ sede 66,0
Densidade Pop. Urbana 1.569,1
Densidade Domic. Urbana 441,7
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5949 10
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,5731 34
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5906 9
Índice de Centralização (Ranking) 0,0940 27
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4632 23
AU de Volta Redonda
População Total (2000) 542.918
População Total (1991) 505.502
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,54
Taxa de Cresc. (1980-1991) 1,29
Taxa de Cresc. (1991-2000) 0,80
% de mov. pendulares totais 4,1
% de mov. pendulares p/ sede 73,4
Densidade Pop. Urbana 1.690,8
Densidade Domic. Urbana 489,4
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5717 13
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7300 11
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5514 17
Índice de Centralização (Ranking) 0,1464 19
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4999 13
147
AU de Blumenau
População Total (2000) 427.709
População Total (1991) 344.874
Número de Municípios 9
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,46
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,30
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,42
% de mov. pendulares totais 2,3
% de mov. pendulares p/ sede 57,8
Densidade Pop. Urbana 742,3
Densidade Domic. Urbana 218,9
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,6980 2
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7067 13
Índice de Linearidade (Ranking) 0,6239 3
Índice de Centralização (Ranking) 0,2455 8
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5685 1
AU de Ipatinga
População Total (2000) 347.618
População Total (1991) 284.226
Número de Municípios 4
Taxa de Cresc. (1970-1980) 9,20
Taxa de Cresc. (1980-1991) 1,60
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,26
% de mov. pendulares totais 2,7
% de mov. pendulares p/ sede 81,7
Densidade Pop. Urbana 1.742,5
Densidade Domic. Urbana 461,2
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5854 11
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7099 12
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5417 21
Índice de Centralização (Ranking) 0,1551 18
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,4980 15
148
AU de Criciúma
População Total (2000) 265.679
População Total (1991) 210.847
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,39
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,52
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,60
% de mov. pendulares totais 3,4
% de mov. pendulares p/ sede 70,9
Densidade Pop. Urbana 866,1
Densidade Domic. Urbana 244,9
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,6866 3
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6332 25
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5232 33
Índice de Centralização (Ranking) 0,1727 13
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5039 11
AU de Itajaí
População Total (2000) 338.284
População Total (1991) 233.272
Número de Municípios 6
Taxa de Cresc. (1970-1980) 3,72
Taxa de Cresc. (1980-1991) 4,04
Taxa de Cresc. (1991-2000) 4,22
% de mov. pendulares totais 4,8
% de mov. pendulares p/ sede 40,7
Densidade Pop. Urbana 1.135,6
Densidade Domic. Urbana 331,7
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,6472 7
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,6200 29
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5726 13
Índice de Centralização (Ranking) 0,2638 7
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5259 6
149
AU de Cabo Frio
População Total (2000) 223.348
População Total (1991) 135.389
Número de Municípios 4
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,17
Taxa de Cresc. (1980-1991) 2,04
Taxa de Cresc. (1991-2000) 5,72
% de mov. pendulares totais 3,9
% de mov. pendulares p/ sede 55,3
Densidade Pop. Urbana 591,3
Densidade Domic. Urbana 172,8
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,7178 1
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,5979 31
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5321 31
Índice de Centralização (Ranking) 0,2172 9
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5162 9
AU de Mogi-Mirim
População Total (2000) 214.551
População Total (1991) 172.207
Número de Municípios 3
Taxa de Cresc. (1970-1980) 4,63
Taxa de Cresc. (1980-1991) 3,02
Taxa de Cresc. (1991-2000) 2,47
% de mov. pendulares totais 2,4
% de mov. pendulares p/ sede 42,8
Densidade Pop. Urbana 2.136,0
Densidade Domic. Urbana 601,8
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5160 22
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7527 6
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5281 32
Índice de Centralização (Ranking) 0,3027 3
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5249 7
150
AU de Guaratingueta
População Total (2000) 228.228
População Total (1991) 213.179
Número de Municípios 5
Taxa de Cresc. (1970-1980) 1,88
Taxa de Cresc. (1980-1991) 1,70
Taxa de Cresc. (1991-2000) 0,76
% de mov. pendulares totais 2,3
% de mov. pendulares p/ sede 44,3
Densidade Pop. Urbana 1.867,5
Densidade Domic. Urbana 514,6
Índice de Dens. Dom. Urb. (Ranking) 0,5592 15
Índice de Fragmentação (Ranking) 0,7535 4
Índice de Linearidade (Ranking) 0,5093 37
Índice de Centralização (Ranking) 0,2988 5
Índice de Dispersão Urbana (Ranking) 0,5302 5
151
152
4. C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S
do urban sprawl. A relativa fragilidade dos dados utilizados, com base principalmente nos
trazer elementos empíricos que uma análise nesta escala não é capaz de dar conta.
Como foi possível verificar a partir da Figura 20 à Figura 56, o indicador captou
população, ao contrário do que parece, não possui uma correlação positiva com o grau de
dispersão urbana de uma região de modo que a dispersão urbana não depende diretamente
indicador, pois é um exemplo de que é possível mensurar a dispersão urbana sem que a
153
recente não favorecem a reprodução do padrão de urbanização experimentado por São
Paulo.
desenvolvimento social e urbano que favorecem cada vez mais a desconexão das esferas
de ação social e torna o espaço intra-urbano cada vez mais um cenário de ações
individualizadas onde a racionalidade das ações se pauta cada vez mais pela dimensão do
risco social. A fragmentação dos espaços se torna cada vez mais uma forma de se defender
154
urbanas localizadas nas regiões Norte e Nordeste estão todas entre as mais compactas,
econômica, ampliação das tecnologias de transportes ou ainda pela maior inserção dentro
situações distintas em cada uma das aglomerações urbanas. Mas, sobretudo porque a partir
desse indicador podemos perceber que os movimentos intra-AU não são, em todos os
existem aglomerações urbanas onde os movimentos diários para trabalho ou estudo se dão
uma estreita relação entre as áreas urbanas mais dispersas e uma maior utilização de
acidentes, incidência de atropelamentos e óbitos entre outros. Além disso, ainda podemos
brasileiras encontrou-se uma correlação negativa com a proporção de domicílios com pelo
dispersa), maior a proporção de domicílios com pelo menos um automóvel de uso particular.
Esse resultado era o esperado, uma vez que a literatura já apontava para essa tendência, o
155
que, inclusive, parece ser uma tendência óbvia. Se uma região possui uma dispersão
maior.
Claro que a variável renda tem um papel importante nessa relação, mas a
domiciliar. Desde os domicílios com renda per capita inferiores a ½ salário mínimo por
pessoa até aqueles com mais de 2 salários mínimos por pessoa, a correlação se mantém
156
Gráfico 6 – Ranking de Dispersão Urbana versus Percentual de Domicílios com pelo
menos um automóvel de uso particular segundo classes de renda
análises podem ser realizadas considerando outras relações. Como já exposto, a análise
mais detalhada sobre algumas AU específicas podem trazer mais subsídios para o
aprimoramento do indicador e poderá tanto incluir mais dimensões como também qualificar
melhor o processo. Uma análise comparativa de uma mesma região em termos temporais
pode servir para indicar a intensidade em que o fenômeno ocorre e quais os impactos que a
157
A urbanização sustentável está relacionada à capacidade de otimizar o uso e
ocupação dos espaços urbanos, mas deverá cada vez mais considerar as extensões do
entender o papel das aglomerações urbanas contemporâneas e suas formas urbanas, dado
que serão estes os principais pontos de tensão na urbanização brasileira dos próximos
dispersão urbana.
estará relacionado aos novos padrões de vida e às novas formas de consumo do espaço
dentro destas áreas urbanas. Os efeitos serão sentidos em escalas locais, regionais e até
fuga dos riscos dentro dos contextos urbanos delineará o contorno da urbanização
urbana.
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