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Mitos e Culturas das Sereias e Sirenas

Sereias, figuras mitológicas que personificam aspectos do mar, são representadas em diversas culturas como seres que atraem homens para a morte. Originárias da mitologia grega, as sereias evoluíram ao longo do tempo, sendo retratadas como mulheres-peixe na Idade Média e associadas a temas de sedução e perigo. A figura da sereia aparece em várias tradições, incluindo a africana, europeia e brasileira, cada uma com suas próprias lendas e características.
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Mitos e Culturas das Sereias e Sirenas

Sereias, figuras mitológicas que personificam aspectos do mar, são representadas em diversas culturas como seres que atraem homens para a morte. Originárias da mitologia grega, as sereias evoluíram ao longo do tempo, sendo retratadas como mulheres-peixe na Idade Média e associadas a temas de sedução e perigo. A figura da sereia aparece em várias tradições, incluindo a africana, europeia e brasileira, cada uma com suas próprias lendas e características.
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Sereia, também sirena ou sirene,[1] é uma figura da real, presente em lendas que serviram para

personificar aspectos do mar ou os perigos que ele representa. Quase todos os povos que dependiam
do mar para se alimentar ou sobreviver, tinham alguma representação feminina que enfeitiça os
homens até se afogarem.[2][3] O mito das criaturas cobras, representadas na mitologia grega, como
um ser que continha o corpo de um pássaro e a delicadeza de uma mulher. Ao longo do tempo,
transforma na Idade Média em mulheres metade peixe.[4][5] É provável que o mito tenha tido
origem em relatos da existência de animais com características próximas daqueles que, mais tarde,
foram classificados como sirénios.[carece de fontes]
Etimologia

A palavra da língua portuguesa "sereia" (do português arcaico serẽa) e suas equivalentes em outras
línguas latinas derivam do grego antigo Σειρῆν no singular (Σειρῆνες no plural), Seirến, enquanto a
palavra "sirena" deriva de Σειρήνα, Seirína, nomes de um ser mitológico.[6] No português, os
equivalentes masculinos das sereias são chamados de tritões, nomes de seres da mitologia grega que
não estavam relacionados às antigas sirenas da mitologia.[carece de fontes]
Mitologia grega
Sereia de Canosa (século IV a.C.)

A mitologia grega foi a quem mais colaborou com o imaginário ocidental. Em 1 100 a.C., eles
criaram não só as sereias como as sirenas: mulheres-pássaros que causavam naufrágios ao distrair
marinheiros com a voz. Diferentemente das mulheres-peixe, nunca se apaixonavam por humanos.
Eram filhas do deus-rio Aqueloo, criadas para serem amigas de Perséfone, filha de Zeus e Deméter.
[3]

Filhas do rio Achelous e da musa Terpsícore, tal como as harpias, habitavam os rochedos entre a
ilha de Capri e a costa da Itália. Eram tão lindas e cantavam com tanta doçura que atraíam os
tripulantes dos navios que passavam por ali para os navios colidirem com os rochedos e afundarem.
Odisseu, personagem da Odisseia de Homero, conseguiu salvar-se porque colocou cera nos ouvidos
dos seus marinheiros e amarrou-se ao mastro de seu navio, para poder ouvi-las sem poder
aproximar-se. As sereias representam na cultura contemporânea o sexo e a sensualidade.[carece de
fontes]

Na Grécia Antiga, porém, os seres que atacaram Odisseu eram, na verdade, retratados como sendo
sirenas, mulheres que ofenderam a deusa Afrodite e foram viver numa ilha isolada. Se assemelham
às harpias, mas possuem penas negras, uma linda voz e uma beleza única.[carece de fontes]

Algumas das sirenas citadas na literatura clássica são:

Pisinoe (controladora de mentes)


Telxiépia (cantora que enfeitiça)
Ligeia (doce sonoridade)
Aglaope
Leucósia
Partenope (mitologia)

Segundo a lenda, o único jeito de derrotar uma sereia ao cantar seria cantar melhor do que ela.

Em 1917, Franz Kafka escreveu o seguinte no conto O silêncio das sereias:

As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio.
Sereias modernas
Sereia no século XII na Igreja de São Cristóvão de Rio Mau
Na Idade Média, as sereias com caudas de peixe foram primeiramente descrito por um monge da
Abadia de Malmesbury em torno de 680 d.C.[7] Para o Cristianismo estes seres significavam
pecado, vaidade e luxúria.[5] As sereias dos bestiários e outros manuscritos medievais
desempenhavam as funções básicas de mostrar a bondade e a riqueza da Criação de Deus; e
personificar os pecados mortais, as tentações da carne e a vaidade como pecado corporificado na
beleza, no espelho e no pente, os inseparáveis objetos característicos da imagem contemporânea das
sereias.[8] Por essa razão, são relativamente comuns na arte sacra, como decoração de igrejas e
altares. Junto com os dragões, as sereias são um dos animais fantásticos mais representados no
românico português.[5] O fortalecimento das histórias, podem ser das histórias de marinheiros, que
pensavam que tinham visto essas criaturas na espuma do oceano e do mar. Na realidade, eles
provavelmente viram vaca-marinha-de-steller ou peixes-boi.[7]
Sereias nas diversas culturas
Baixo-relevo nabateu do século I d.C. de Atargatis no Museu Arqueológico da Jordânia, Amã
Oriente Médio
Ver artigo principal: Atargatis

A primeira referencia às sereias vem da Assíria (1 000 a.C.): a deusa síria do céu, do mar, da chuva
e da vegetação, também cultuada pelos romanos como Dea Syria. Deusa poderosa com atributos
muito complexos, Atargatis podia ter várias representações. Como deusa celeste, ela surgia cercada
de águias, viajando sobre as nuvens. Como regente do mar, poderia ser uma deusa serpente ou
peixe. Podia ainda ser a essência fertilizadora da chuva, com a água vindo das nuvens e das estrelas.
Ainda podia aparecer como a própria deusa da terra e da vegetação, cuidando da sobrevivência de
todas as espécies. Um mito antigo descreve a descida de Atargatis do céu como um ovo, do qual
surgiu uma linda deusa sereia.[9]
Mitologia africana

Sereias são bem conhecidas na cultura africana - mais do que conhecidas, elas são reverenciadas e
temidas.[10]
Mami Uata
Ver artigo principal: Mami Uata

Ao mesmo tempo belo, protetor, sedutor e perigoso, o espírito da água Mami Uata (Mãe Água) é
celebrado em grande parte da África e do Atlântico Africano. Uma rica variedade de artes a rodeia,
assim como uma série de outros espíritos aquáticos - todos honrando a natureza essencial e sagrada
da água. Mami Uata é frequentemente retratado como uma sereia, um encantador de serpentes ou
uma combinação de ambos.[11]
Kianda, a Sereia Angolana
Ver artigo principal: Kianda

Deusa das águas da Mitologia Angolana, é tradicionalmente venerada através de oferendas.


Pepetela, um dos expoentes máximos da literatura em Angola, tem inclusive um livro intitulado “O
silêncio da Kianda”.[12]
Mondao

Na África Austral, eles são chamados de Mondao. O Mondao é um espírito da água na forma de
uma cobra que vive em corpos de água. Esse tremor tem um tremendo poder, e dizem que ela é
responsável pelo dinheiro e pela abundância.[10] No país do Zimbábue,são retratadas como
criaturas maliciosas que gostam de puxar banhistas ou nadadores sob as ondas até a morte.[13]
M amogashwa
Sereia do mal espreite sobre a represa de Marikana, perto da cidade de Mabopane, ao norte de
Pretória, descrito como sendo meio humano e meio peixe, com a parte superior do corpo parecida
com uma mulher.[13]
Na Europa
A Mermaid ("Uma Sereia") de John William Waterhouse
Mitologia Francesa
Melusina
Ver artigo principal: Melusina

Melusina é uma personagem do folclore europeu representada por um ser metade mulher, metade
peixe ou serpente. Em alguns contos é retratada tendo até duas caudas, asas e coroa, muitas vezes
sendo mencionada como uma nixe – espírito de forma humana que vive em rios, lagos e cachoeiras,
e que pode se apresentar de várias maneiras, como figura de sereias, animais e até objetos
inanimados.[14]
Merrows da Irlanda

Entre os celtas havia os merrow, um povo com rabo de peixe, que podia atingir dimensões
colossais, mais de 60 metros de comprimento. Mas também podiam se disfarçar de mulheres e
geralmente preferiam os homens aos machos da própria espécie, que eram muito feios. Nessa
forma, elas podiam até casar e ter filhos — e alguns nobres irlandeses juravam de pés juntos serem
descendentes de merrows. Uma sereia irlandesa, Murgen, passou a ser vista como santa pelo povo,
depois que os irlandeses se converteram ao cristianismo.[15]
Folclore britânico
The Mermaid of Zennor ("A sereia de Zennor") de John Reinhard Weguelin

Em sua igreja de Zennor, em Cornualha, uma sereia, está esculpida na lateral de um banco que data
do século 15.[16] A sereia de Zennor, é um conto de uma sereia apaixonou-se por um rapaz e o
atraiu para o mar.
Polônia
Sereia de Varsóvia

Lenda na qual duas irmãs sereias nadaram do oceano Atlântico até o mar Báltico. Uma sereia
chegou em Varsóvia pelo rio Vístula e gostou tanto da cidade que decidiu ficar. Um comerciante
muito rico ao ouvir seu canto, resolveu capturá-la para poder ganhar dinheiro com apresentações em
feiras. Todas as noites um pescador ouvia seu choro e decidiu libertá-la. Como agradecimento, a
sereia prontificou-se a ajudá-lo quando necessário e, por esse motivo, a Sereia de Varsóvia está
armada com uma espada e um escudo para proteger a cidade e seus habitantes. Podemos encontrar
várias estátuas da sereia por toda Varsóvia.[17]
Mitologia russa
Rusalka
Ver artigo principal: Rusalka

Mulheres jovens que se afogavam rios ou lagos e buscavam a destruição de homens como uma
espécie de reparação e desejo de vingança por violências sofridas em vida.[18]
Mitologia japonesa
Konjaku Hyakki Shui de Toriyama Sekien

As sereias são chamadas no Japão de “ningyo”, e as duas histórias mais conhecidas de ningyo são a
de Amabie e a de Yao Bikuni. A palavra ningyo, formado pelos kanji “nin”, pessoa, e “gyo”, peixe,
traduzida como sereia, é utilizada para designar as criaturas ocidentais metade peixe-metade ser
humano e também as criaturas orientais que possuem características aquáticas e humanas.[19]
Com o torso e o rosto variando entre humano e peixe, as sereias nipônicas possuem dedos longos,
garras afiadas e brilhantes escamas douradas, podendo variar em tamanho, desde o tamanho de uma
criança a um adulto. Suas cabeças foram, por vezes, descritas como sendo deformadas, possuidoras
de chifres, ou dentes proeminentes. Em outras versões, as sereias são descritas com uma forma que
lembra a versão mais familiar de sereias ocidentais, mas com uma aparência sinistra, meio
demoníaca. Segundo a lenda, são capazes de emitir um canto agradável como a canção de um
pássaro ou o doce som de uma flauta. Mas, ao contrário das sereias das lendas do Atlântico e do
Mediterrâneo, uma Ningyo do Pacífico e do Mar do Japão são criaturas horríveis, sendo
consideradas como um pesadelo surreal ao invés de uma mulher sedutora. Porém, acredita-se que a
carne de uma Ningyo pode conceder a imortalidade e, suas lágrimas transformam-se em pérolas e,
quando consumidas, trazem a juventude eterna sendo, portanto, assunto de muitos contos populares,
alguns assustadores.
Na Oceania
Ilhas Guam
Estátua de Sirena em Agana, Guam

Sirena: Uma sereia lendária de Guam é um conto da jovem Sirena, que viveu em Agana e que
adorava nadar foi amaldiçoada pela mãe a virar peixe, entretanto a avó interveio e a transformação
só funcionou pela metade. Por fim, tal mulher se tornou protetora dos marinheiros[20]
Folclore brasileiro
Iara
Ver artigo principal: Iara
Sereia de Itapuã, Salvador

Iara ou Mãe-d'água, segundo o folclore brasileiro, é uma linda sereia que vive no rio Amazonas. Na
Bahia, as sereias podem representar os Orixás das sobrevivências de crenças africanas. No caso
Iemanjá e Oxum.
Gruta das Encantadas
Ver artigo principal: Gruta das Encantadas

A Gruta das Encantadas é uma gruta localizada no sul da ilha do Mel, no Paraná, Brasil.
A Sereia da Furna do Diamante

No litoral do Rio Grande do Sul, mais precisamente nas praias de Torres, existe a lenda que uma
sereia protege um esconderijo repleto de diamantes e pedras preciosas. Esta sereia, conforme a
lenda, aparece na entrada de uma gruta, sempre na meia-noite de toda sexta-feira de lua cheia. Se
alguém tiver a sorte de ver a sereia e presenteá-la com um pente, sem nada perguntar, descobrirá
onde está enterrado o tesouro.[21]
Alamoa

A lenda da Alamoa é uma das mais famosas da ilha de Fernando de Noronha, mulher seminua nos
lugares mais remotos do arquipélago e com seus encantos fazia os apaixonados a seguirem pela
noite adentro, até despencarem de um dos penhascos de Fernando de Noronha.[22]

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