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Críticas à Psicopatologia e DSM

O documento discute as limitações dos sistemas operacionais de classificação na psicopatologia, enfatizando que a unificação pragmática pode enfraquecer as disciplinas científicas. Destaca a necessidade de cada campo formular seus próprios objetos teóricos, evitando a redução metodológica. A crítica se estende à psiquiatria contemporânea, especialmente após a introdução do DSM, questionando a validade das abordagens operacionais em relação à complexidade do sofrimento humano.

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O documento discute as limitações dos sistemas operacionais de classificação na psicopatologia, enfatizando que a unificação pragmática pode enfraquecer as disciplinas científicas. Destaca a necessidade de cada campo formular seus próprios objetos teóricos, evitando a redução metodológica. A crítica se estende à psiquiatria contemporânea, especialmente após a introdução do DSM, questionando a validade das abordagens operacionais em relação à complexidade do sofrimento humano.

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verdade, compreendida como "submetida aos critérios empíricos de validação".

Um outro eixo importante de críticas diz respeito diretamente às possibilidades da


presença da psicanálise no campo dos debates contemporâneos da psicopatologia. Trata-se
do fato de que os sistemas operacionais de classificação repousam sobre um "compromisso
prático" entre as diversas disciplinas que lidam com o psicopatológico, obrigando os
pesquisadores a abandonar os conceitos teóricos próprios a seus campos específicos de
saber. A questão de fundo pode ser colocada nos seguintes termos: por um lado, os sistemas
operacionais buscam constituir um campo de entendimento a partir do qual as diferentes
orientações científicas em jogo possam se comunicar e obter resultados comparáveis entre
elas. De outro lado, contudo, não se pode esquecer que a própria possibilidade de progresso
de uma disciplina científica depende de sua capacidade de constituir teórica e formalmente
seu objeto e seu método próprios. As formações de compromisso nesse plano tão
fundamental não podem senão resultar em um enfraquecimento de cada ciência. Ora, um tal
risco não pode justamente ser descartado quando se propõe a disciplinas tão diferentes
como as que se encontram no terreno da psicopatologia, um mesmo objeto
operacionalmente definido, ou seja, um objeto comum apenas do ponto de vista descritivo,
plano próprio apenas às abordagens empírico-experimentais.
Assim, cada disciplina deve poder formular e descrever seus objetos teóricos e
formais de forma coerente com seus próprios fundamentos epistemológicos. A constituição
de uma espécie de esperanto psicopatológico, unificando pragmaticamente os objetos de
pesquisa pode apenas enfraquecer o conjunto das ciências, sobretudo se o que se pretende é
fundar o campo comum entre elas sobre os critérios exclusivamente empíricos, apesar da
especificidade de seus objetos formais. A questão do campo teórico de uma psicopatologia
fundamental18 encontra-se aqui colocada, como veremos mais adiante.
Ao lado disso, é necessário que se discuta, ainda que brevemente, a incidência
efetiva das categorias operacionais na teorização em psicopatologia. Quanto a isso, A.
Tatossian chama a atenção para o problema dos limites do que pode ser dito e concluído a
partir de estudos fundados exclusivamente sobre tais princípios operacionais: "Precisar
estas limitações não visa de forma alguma condenar os métodos operacionais mas a
apreciar exatamente, do ponto de vista fenomenológico, o que eles podem e o que eles não
podem permitir"19. Ele afirma que o fracasso dos métodos constituídos sobre critérios
operacionais em definir o transtorno mental não é acidental pois "ele diz respeito a própria
natureza desses critérios e, mais precisamente, a sua restrição ao constatável, ou seja, àquilo
que são supostos serem os sintomas e o que lhes é assimilável"20.
Tais observações conduzem a se perguntar sobre a repercussão de facto dessas
categorias operacionais no pensamento psicopatológico contemporâneo. Existe, sem
dúvida, um deslizamento daquilo que deveria ser exclusivamente um sistema pragmático de
classificação em direção a um discurso de fundo psicopatológico. Ora, como vimos o preço
a ser pago por uma abordagem pragmática do sofrimento psíquico é precisamente o de que
não se esqueça a radical redução introduzida metodologicamente para o estudo operacional
dos fenômenos em questão. Dito de outra forma, não se está autorizado, em função do
próprio recurso metodológico empregado, a deduzir diretamente uma determinação
psicopatológica a partir de uma abordagem operacional. A passagem direta do
"compromisso pragmático" à constituição de uma psicopatologia é o limite que não deve
ser ultrapassado. O deslizamento sutil de uma abordagem operacionalmente estruturada,
fundada sobre dados empíricos aos quais se atribui uma importância particular a um
discurso sobre o sofrimento (pathos) humano não constitui nada além de um abuso
ideológico mascarado de cientificidade. Em nenhum caso, a noção de critério diagnóstico
pode pretender substituir ou ser tomada por equivalente a uma teoria do sintoma21.
A psiquiatria após o advento do DSM - a crise de identidade da psiquiatria contemporânea
Dessa forma, elevado à categoria de referencial indispensável para a comunicação

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