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Evolução da Classificação Psiquiátrica

Os sistemas de classificação das perturbações mentais nos Estados Unidos evoluíram desde o início do século XX, inicialmente focados em recenseamentos populacionais e necessidades de saúde pública. A criação do Statistical Manual for the Use of Institutions for the Insanes em 1913 e, posteriormente, o Manual de Diagnóstico e Estatística em 1952, marcaram mudanças significativas na prática psiquiátrica, refletindo a transição para serviços comunitários. O DSM-II de 1968 introduziu a tendência de diagnósticos múltiplos e gerou debates sobre a classificação de homossexualidade, destacando a evolução das normas diagnósticas ao longo do tempo.

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Evolução da Classificação Psiquiátrica

Os sistemas de classificação das perturbações mentais nos Estados Unidos evoluíram desde o início do século XX, inicialmente focados em recenseamentos populacionais e necessidades de saúde pública. A criação do Statistical Manual for the Use of Institutions for the Insanes em 1913 e, posteriormente, o Manual de Diagnóstico e Estatística em 1952, marcaram mudanças significativas na prática psiquiátrica, refletindo a transição para serviços comunitários. O DSM-II de 1968 introduziu a tendência de diagnósticos múltiplos e gerou debates sobre a classificação de homossexualidade, destacando a evolução das normas diagnósticas ao longo do tempo.

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Naquele país, os primeiros sistemas de classificação das perturbações mentais

foram elaborados com o objetivo de serem empregados nos recenseamentos da população,


de modo a se obter um perfil objetivo das necessidades comunitárias de saúde.
A princípio, os pesquisadores contavam com apenas algumas poucas categorias
diagnósticas, em geral muito genéricas, as quais foram sendo progressivamente
multiplicadas e especificadas. A partir da entrada do século XX, começaram a ser
realizados estudos mais específicos para se caracterizar as populações de alienados
internados em instituições públicas federais. Vê-se, assim, que desde o início a
operacionalização dos diagnósticos psiquiátricos estava ligada a uma preocupação de
natureza social e de saúde pública. Nosografia e epidemiologia psiquiátricas estavam
intrinsicamente associadas.
Nenhum outro país do mundo dedicava tanta atenção às conseqüências práticas da
nosografia psiquiátrica como os Estados Unidos. Havia a concepção de que melhores
estatísticas proporcionariam um planejamento mais eficaz das abordagens de saúde geral e
de saúde mental. Diagnosticar e classificar de forma confiável significava fornecer ao
Estado os meios de intervenção concreta no campo do sofrimento psíquico enquanto fato
social. Dessa forma, as necessidades de recenseamento foram impondo a criação de normas
cada vez mais estritas de classificação.
Em 1913, a Associação Médico-Psicológica Americana (precursora da poderosa
American Psychiatric Association) cria um Comitê de Estatísticas que, em colaboração com
o Comitê Nacional pela Saúde Mental, publica o Statistical Manual for the Use of
Institutions for the Insanes, o primeiro manual estandartizado de diagnósticos em
psiquiatria. A orientação desse Manual era essencialmente médico-biológica e teve dez
edições entre 1918 e 1942. Em 1935, este manual foi incorporado à primeira edição da
Standart Classied Nomenclature of Disease da Associação Médica Americana 7
Tais especificações diagnósticas, contudo, não atingiam as práticas médicas e
psiquiátricas quotidianas, restringindo-se aos interesses administrativos. É somente com a
Segunda Guerra Mundial que as mudanças mais significativas introduzidas pela nosografia
operacional passariam a influenciar efetivamente a clínica psiquiátrica quotidiana,
sobretudo com o aparecimento da primeira edição do Manual de Diagnóstico e Estatística
da Associação Psiquiátrica Americana. Este vem a público em 1952, fortemente marcado
pelas concepções da «psiquiatria dinâmica» de Adolph Meyer, hegemônica à época. O
panorama da prática psiquiátrica havia se modificado radicalmente nos Estados Unidos do
pós-guerra, saindo o psiquiatra das instituições asilares, para trabalhar cada vez mais em
serviços comunitários. De certa forma, as mudanças nosográficas introduzidas pelos DSM
refletem aquelas novas condições da clínica sem, contudo, abandonar suas raízes nos
interesses administrativos.
O DSM-II, de 1968, ainda mantinha uma forte influência «psicodinâmica», embora
já tivesse abandonado a noção de «reação», tão importante no pensamento de Meyer. Além
disso, as definições das categorias permaneciam vagas e genéricas, retratando sobretudo
aquelas noções mais consensuais entre os profissionais da área.
Naquela edição já era notável uma tendência que ulteriormente constituiria uma das
marcas distintivas do novo sistema classificatório: o encorajamento a que o clínico
estabelecesse múltiplos diagnósticos, de modo a abranger os vários eixos da perturbação. O
princípio politético de abordagem da situação patológica começava a tomar forma.
Alguns anos mais tarde, justamente no momento em que iniciava a revisão da
segunda versão do Manual, surgiu o famoso debate sobre a pertinência de se manter ou não
a homossexualidade como categoria diagnóstica específica. Por certo, a descrição detalhada
dos acalorados acontecimentos que terminariam por banir o diagnóstico de
«Homossexualidade» da classificação psiquiátrica norte-americana ultrapassaria em muito
os objetivos desse trabalho. Basta, contudo, lembrar que esse movimento histórico teve

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