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Drama de Relações e Desilusões Amorosas

O roteiro narra a vida de Mariana, uma jovem que enfrenta dificuldades em suas relações amorosas, enquanto interage com amigos e familiares que oferecem conselhos e apoio. A história explora temas como a busca por amor, a pressão familiar e a amizade, destacando momentos de vulnerabilidade e autodescoberta. A narrativa se desenrola em várias cenas que mostram a dinâmica entre os personagens e suas lutas pessoais.
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Drama de Relações e Desilusões Amorosas

O roteiro narra a vida de Mariana, uma jovem que enfrenta dificuldades em suas relações amorosas, enquanto interage com amigos e familiares que oferecem conselhos e apoio. A história explora temas como a busca por amor, a pressão familiar e a amizade, destacando momentos de vulnerabilidade e autodescoberta. A narrativa se desenrola em várias cenas que mostram a dinâmica entre os personagens e suas lutas pessoais.
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Script Longa

Um só coração

1. EXT. CASA DE MARIANA – NOITE

Uma vista panorâmica, ao som de grilos, conduz à uma Janelinha


de quarto de banho da casa de MARIANA, 22.

2. INT. CASA DE MARIANA – NOITE

De roupa para dormir, MARIANA termina de bochechar e fica de


joelhos. Ela faz o Sinal de Cruz e permanece por alguns
instantes orando, mas de seguida joga-se na cama.

Mariana está de costas, pensativa e contemplando o tecto do


quarto. De repente ela vira-se e olha para o telemóvel,
sugerindo estar esperando por alguma chamada. Pega no
telemóvel e desbloqueia para a caixa de mensagens, mas o seu
semblante sugere desilusão.

Mariana respira fundo e adormece. A luz do seu quarto oscila


inúmeras vezes…

CUT

EXT. CEMITÉRIO – DIA

A cena começa com a imagem de portão adentrando num cemitério,


como se pode evidenciar na tela. Duas pessoas se encontram em
frente ao túmulo, mas logo se consolam e saem.

3. EXT. VOLTANDO PARA CASA – DIA

PEDRO, 23 caminha adiante ao lado da tia LAURA,34. Mas ao ver


seu amigo, ANTONIO 24, Pedro se despede da sua tia.

PEDRO
Importa-se que a encontre em casa
tia Lá?

TIA LAURA

Jovens de agora.

PEDRO

O que foi tia? De novo o discurso


da nova geração?

TIA LAURA

Está bem, não está mais aqui quem


reclamou. Mas não demore rapaz. O
microondas está quebrado e não
serei culpada de comida fria.

PEDRO

Está bem tia.

4. EXT. UM PAPO DE AMIGOS - DIA

Antonio observa-lhes de longe, admirado, e senta com uma bacia


de mangas enquanto Pedro se aproxima…

ANTONIO

Uau, eu queria ter uma tia-mãe


assim. É uma raridade.

PEDRO

Pois é, ela tem sido uma mãe para


mim. Não sei o que seria de mim sem
ela.

ANTONIO

Você tem as duas.


PEDRO

É. Pena que não dura para sempre.


Um dia terei de crescer.

ANTONIO

Aí, a Mariana terá de ser tia, mãe


e esposa.

Os dois se riem.

ANTONIO CONT`D

Falando em Mariana, algum avanço?

PEDRO

Aquela miúda é um osso duro de roer


mano. Há long que venho cavando,
mas sempre tem Histórias. Sempre: O
problema não é contigo, é comigo
(voz afeminada).

ANTONIO

Epah,essas pitas ficam contando os


pretendentes passar. Na flor da
idade querem o que elas desejam.
Mas quando a idade lhes bate à
porta aceitam qualquer sombra, até
da Bananeira.

CUT

5. INT. ATÁLIA PENSATIVA– DIA

Atalia,22, jovem mulher remexe num conjunto de papeis. Mas


algo a preocupa e em respiração profunda.
ATALIA

Meu Deus, as minhas notas não


batem.

Cerra os dentes pensativa.

CONT’D

Não tenho outra escolha. E não


posso perder mais um ano.

Enquanto isso vemos ela mirando o telemóvel que marca 9:35.

Atalia se apressa para sair. Mas da sua Janela, Atalia vê


Mariana chegar.

6. INT. MARIANA NA CASA DE ATALIA – DIA

Xhihh, Mariana, tu por aqui? Onde já se viu uma menina de


família fora de casa tão cedo?

MARIANA

Dispensei, mas a minha vida está um


buraco…

ATALIA MARIANA

…com água estagnada. …com água estagnada.

Mas somente Atalia se põe a rir enquanto Mariana continua


nostálgica.

MARIANA

Mas vejo que estavas de saída. Para


onde vais?

ATALIA
Nesta vida tu, é preciso fazer
qualquer coisa senão as
oportunidades te engolem.

MARIANA

Acho que não entendi. Dá para ser


mais clara?

Atalia muda o semblante. Ela leva um instante, mas logo


tranquiliza a sua amiga Mariana.

ATALIA

Vamos fazer assim, te informo


quando já tiver acontecido, sim?

MARIANA

Aieh, amigas agora são assim?

ATALIA

Desculpe a sinceridade amiga, há


decisões que devem ser encarradas
singularmente.

Mas o teu lugar de amiga está


garantido, sabes disso. É com as
amigas que choramos. (osculando a
mão de Mariana).

Agora me fale de ti.

Como anda a tua relação, já no


segundo mês? (animada)

MARIANA

Ih, hm, simplesmente não está.

ATALIA
Como assim? Não me havias falado
que tinham uma saída agendada final
de semana, Mary? Afinal o que se
passa amiga?

De repente Mariana encontra-se em prantos.

MARIANA

Só sei que minhas relações não


desenvolvem.

Lágrimas caem.

MARIANA

A última relação que passou de dois


meses foram seis meses.

Continua Mariana desabafando com a amiga, e devagar enquanto


limpa o rosto.

CONT`D

Eu não sei o que se passa comigo.

Muitos rapazes me apreciam e falam


de como (em gestos) sou bonita e
com corpo definido. Mas só sirvo
para isso. Porque logo que eles
testam o que querem desaparecem
feito vendaval. Será que eu não
mereço um namorado que me valorize.

Atalia aproxima-se para abraçar Mariana e a consola.

ATALIA

Não esquenta amiga. Esses são


cangaceiros de quinta. Não sabem o
que têm em ti.
Quer saber? Nem todos têm olhos.
Alguns nos fazem pensar que têm
olhos, mas são apenas lentes de
contacto.

Enquanto isso, Atalia denuncia pelo sobrolho que algo a


perturba, limpando o rosto, o que desperta atenção de Mariana.

MARIANA

Espera aí. Tu não estás bem.

ATALIA

Não esquenta, já disse que amigas


são para isso. Tu choras e eu te
ajudo a chorar.

E sorriem as duas

MARIANA

Bem, tenho que ir.

Não te quero atrapalhar a saída.


(Já em pé e despegando as mãos da
Atalia).

Enquanto Mariana sai, Atalia respira fundo e continua


terminando de se preparar.

7. EXT. CONFIRMAÇÃO DO ENCONTRO - DIA

Na tela um SUJEITO INDISTINTO 1#, cara não identificada e


vestindo uma bata, sai de uma sala de professores. Segura um
telemóvel e põe-no a chamar.

Do outro lado o telemóvel de Atalia chama.

ATALIA V.O
Sim?

SUJEITO INDISTINTO 1#

Então, como está? Confirmado o


nosso encontro?

ATALIA

Marcamos 2h da tarde não foi?

SUJEITO INDISTINTO 1#

Perfeito. Naquela es…

De repente ouve-se o som do desligar do telemóvel.

SUJEITO INDISTINTO 1#

Bandida, desligou no meu ouvido.

CUT

8. INT. CASA DE PEDRO – DIA

Pedro chega à casa e encontra sua tia Laura atenta na tv.


Vendo-o, sua tia recebe-o sorrindo.

PEDRO

De que te ris tia?

LAURA

Tenho em ti aquele/alguém/algo que


nunca tive filho. Vem cá, senta
aqui.

Pedro aproxima-se e senta no sofá ao lado da tia.

PEDRO

As mães são insubstituíveis, mas tu


tia tens sido a mãe para mim.
LAURA

Ah, não exagera.

PEDRO

Sério tia. Eu não tenho motivos de


queixa da maneira que me tens
tratado. Sou abençoado.

LAURA

Está bem, vou engolir isso. Só


espero que não me estejas
bajulando.

PEDRO

Acho que sou muito novo para essa


palavra. Talvez um dia o faça, mas
remotamente.

LAURA

Pena que um dia terei que te


entregar à outra mulher.

PEDRO

Como assim?

Você está pensando em ser leigo?

PEDRO

O que é isso tia? Longe de mim. Eu


tenho vocação para casar e ter
filhos. Muitos filhos.

LAURA
Mas no tempo certo e com a pessoa
certa. Porque há certas pessoas. E
que certas pessoas. Hhm.

PEDRO

Está sabendo de alguma coisa e eu


estou sendo o último?

Os dois continuam conversando em mudo…

CUT

9. INT. SE ABRINDO COM AVO ZARA – TARDE

Mariana termina de lavar a louça e pede para falar com a avo


ZARA, 56.

MARIANA

Sabe avo, nunca conversamos de neta


para avo.

AVO ZARA

Quando chega um dia desses, aqueles que


vimos sujar a fralda já cresceram.

Eu estou sempre aqui minha neta. O que


há?

Mariana limpa termina o último prato e limpa as mãos. Sentada


ao lado da avó…

MARIANA

Avo, a minha vida não anda. E dentro em


breve já vão começar a me cobrar
namorado aqui na família.

O tio Fernando ainda não começou, mas


sei que em breve vai.
AVO ZARA

No momento certo vai acontecer minha


neta.

Mariana desata a chorar.

MARIANA

Avo, eu não sou mais virgem, desculpe


dizer isso. Mas já não sou. Mas ninguém
fica comigo, e o mais estranho é que
nunca namorei por um ano só. Na
qualidade de mulher acha isso normal?

AVO ZARA

Eu sei o quanto isso te deve doer, mas…

A avo Zara percebe que a sua neta precisa de mais do que uma
simples conversa.

AVO ZARA

Mariana, não te vou esconder isso. Você


merece a verdade.

Mariana enxuga o rosto ressentida.

AVO ZARA CONT`D

Na nossa família há coisas com as quais


crescemos, Mas ninguém diz. A tua prima
teve também o mesmo problema. Mas agora
está casada. Ninguém sabe como se
livrou.

A conversa de neta e avo continua…

CUT

---------
10. INT. ATALIA EM CASA DE ANTONIO – TARDE

No quarto de Antonio e Atalia conversam em meia roupas,


sugerindo que estiveram em intimidades.

ANTONIO

Aquele professor tem essa fama, e


tem a sorte de nunca ter chegado à
direcção. Eu dou um jeito nele.

ATALIA

Não Antonio, eu sei cuidar de mim.


Não preciso que faças nada.

ANTONIO

Olha, eu gosto de ser útil. E pelo


tempo que estamos, acho que isso já
me dá um pouco de autonomia para
tal.

Pelo semblante, Atália sugere para Antonio que ele pensou alto
demais.

ATALIA

Deixe-te falar algo Antonio, acho


que estámos a ir rápidos demais. Eu
sei que te preocupas muito comigo,
mas meus problemas enfrento-os eu
mesma.

ANTONIO

Mas At…

ATALIA

Mais nada Antonio.


Nesse instante Atalia termina de se vestir.

CUT

11. EXT. MARINA E PEDRO NO POÇO - TARDE

Está um dia de céu limpo e Mariana encontra-se no poço para


tirar água. Chega PEDRO e se oferece para ajudar e já vai
pegando na lata para encher o balde de Mariana.

PEDRO

Você é uma mulher em extinção.

MARIANA

Pedro, é melhor parar com isso pois


já sei onde essa conversa vai dar.

De longe vem a tia de Pedro, Laura e passa por eles no poço


lançando-lhes um olhar de poucos amigos. Mariana se apercebe
do olhar.

MARIANA CONT’D

Vês, melhor ires.

PEDRO

Conversamos depois.

MARIANA

Vai depender.

PEDRO

Sempre indecisa e indeterminada.

MARIANA
Nós mulheres passamos por muitas
coisas que aos homens parece
tolice.

Vemos Pedro e Mariana elevando o balde.

CUT

12. INT. CONVERSA COM TIA LAURA – TARDE

Camera mostra a casa de Pedro. A tia Laura se ocupa dos


trabalhos domésticos enquanto este entra. Pedro sorri para a
tia e lhe dirige saudação.

PEDRO

Boa tarde tia

TIA LAURA

Passei por ti, mas pelos vistos


estavas empolgado.

Sente-se e coma alguma coisa

PEDRO

Obrigado tia, estava precisando.

Só uma pergunta tia.

TIA LAURA

Sim filho.

PEDRO

Porquê será que quando os homens


vão ter com as meninas perdem fome,
mas na volta sentem toneladas?

Pedro vai dando umas garfadas de mandioca. E perante a questão


de Pedro, a tia Laura se aproxima da mesa.
TIA LAURA

Filho, há muito que sempre quis te


abordar sobre isso.

Pedro franzi o rosto, admirado.

PEDRO

Hmmm!!! Estás a me assustar tia.


Fala logo

TIA LAURA

Sabes filho, já pude ver que tens


muita sorte com miúdas chamativas.
Mas vá por mim, elas não garantem
futuro.

PEDRO

Ah, lá vens tu com as tuas


ladainhas. Isso é pensamento das
antigas.

TIA LAURA

Não são histórias filho.

Eu prometi cuidar de ti à tua mãe,


e não vou-te assistir colocar a tua
vida em risco.

PEDRO

Mas tia, eu sempre cresci contigo


aqui. Me preservei para não
profanar nem a mim, muito menos às
meninas, e logo agora que estou
para engatar uma tu me travas?
TIA LAURA

Só não digas que não te avisei.

PEDRO

Está bem tia conselheira.

Enquanto isso Pedro dá uma última colherada e deixa a tia na


cozinha.

13. INT. VISITA “NOCTURNA” – NOITE

Na noite adentro, enquanto Mariana aprofunda no seu sono, a


lâmpada oscila umas várias vezes e de repente desliga-se.

A Curtina sopra e Mariana sentindo o ar muda de lado. O evento


se repete, e uma sombra se aproxima do leito. O Lençol de
Mariana areia suavemente e em silêncio. De seguida, o corpo de
Mariana se movimenta, sugerindo estar ser usada.

Algo se ouve do outro lado da casa e Mariana desperta. Vendo o


lençol longe da cama Mariana se põe a chorar.

14. EXT. PEDRO DÁ UM CHEQUE MATE À MARIANA – MANHÃ

Mariana sai do seu quintal, enquanto Pedro vai ao seu


encontro.

MARIANA

Pedro, andas a me seguir ou controlas


quando saio?

PEDRO

Pode ser um ponto de vista. Ninguém


controla o acaso. Mas quem sabe, o
acaso pode estar conspirando para a
minha sorte.
MARIANA

Não perdes tempo para se achar.

PEDRO

Deus abençoa quem se empenha Riana.

Mariana sorri.

MARIANA

Andei pensando muito nos nossos


encontros.

PEDRO

São inesquecíveis nem?

MARIANA

É sério Pedro. Sinto que tenho-te


dado falsas esperanças e não me
quero sentir culpada por isso.

PEDRO

ANA, só precisas dizer, que aceitas


o meu cortejo.

MARIANA

É complicado e não vais perceber.

PEDRO

Então descomplica e me faz perceber.

MARIANA

Não podemos ser namorados, pois …

PEDRO
Pois o quê?

MARIANA

A minha alma não me pertence. Minha


felicidade não está nas minhas mãos.

PEDRO

Ah, então é isso.

Olha Riana, seja lá o que for que


te impede não me amedronta. Afinal
o que é amor sem riscos.

Escute bem o que te digo, estou


disposto a enfrentar os teus
tremores e até os teus demónios se
for preciso.

Elenco

Mariana – Felizarda José Taimo

Pedro –

Tia Laura –

ATALIA

ANTONIO

AVO ZARA

SUJIEITO INDETERMINADO 1#
Realização – Telles Wilson & Stelio Chiule

Produção – Telles Wilson

Roteirista – Catarina Munguambe & Telles Wilson.

Direção de Fotografia – Telles Wilson & Catarina


Munguambe.

Edição – Telles Wilson

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