Organização da Educação Básica no Brasil
Organização da Educação Básica no Brasil
Educação Básica
Prof. Janderson Lacerda Teixeira
BLOCO 1: CONCEITOS INTRODUTÓRIOS E BREVE HISTÓRICO EDUCACIONAL
Apresentação
A disciplina Organização da Educação Básica se propõe a analisar a estrutura
normativa e o funcionamento da Educação Básica brasileira, pois esse conhecimento
se apresenta como fundamental para os futuros professores, em razão da sua prática
em sala de aula se pautar em um conjunto de dispositivos legais. Assim, neste bloco,
você entrará em contato com uma série de informações que o(a) orientarão no
caminho da compreensão desse arcabouço normativo que subjaz a educação em
nosso país.
2
Por fim, é importante mencionar que da Educação Infantil ao Ensino Médio todos
devem ter acesso a essa educação básica que contribuirá para a formação cidadã dos
indivíduos, além de fornecer mecanismos para que os estudantes progridam em seus
estudos.
3
[Link] Educação na Primeira República
Para facilitarmos sua compreensão, explicitaremos este importante tópico em quatro
pontos:
• Ponto 1: a Constituição de 1891 estabeleceu a descentralização do ensino,
atribuindo à União a responsabilidade pela educação superior e secundária e,
por seu turno, coube aos estados oferecer a educação elementar e a
profissional. Dessa forma, foi reforçada uma perspectiva elitista na educação,
na medida em que a etapa elementar acabou por receber uma menor atenção
por parte dos governos estaduais, enquanto a secundária, por seu caráter
preliminar, permaneceu restrita às elites que não dependiam da oferta
educacional pública na etapa elementar, o que também permitiu a esse grupo
ascender ao ensino superior.
• Ponto 2: na década de 1920, com a expansão do processo de industrialização e
urbanização, a nova burguesia urbana passou a exigir maior acesso à educação,
sem que isso significasse a superação dos valores de uma educação acadêmica
e elitista. Por outro lado, a classe operária começava a exigir um mínimo de
educação, estabelecendo assim uma pressão para a expansão da oferta de
ensino.
• Ponto 3: Na década de 1920, surgiram diversos Movimentos Artísticos e
Culturais que fomentaram a luta por educação e cultura para todos. Como
exemplo, podemos citar a Semana de Arte Moderna de 1922 que, ao reunir
representantes da literatura, artes plásticas e da música, propôs uma
renovação nos valores artísticos nacionais, ainda muito marcados pela
influência europeia. Na educação, intelectuais e educadores realizaram debates
e apresentaram planos de reforma que buscavam superar o atraso brasileiro.
• Ponto 4: Nas primeiras décadas da República no Brasil, poucos avanços foram
notados, pois o caráter elitista presente no campo educacional persistiu.
Entretanto, o surgimento de novos atores no cenário político nacional
estimulou o desenvolvimento de propostas educacionais voltadas ao
atendimento das demandas apresentadas por eles. Mesmo que essas
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propostas não tenham se efetivado, as sementes de uma nova escola
começaram a ser plantadas.
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Em 1945, Getúlio Vargas é deposto, após longos 15 anos à frente do Governo Federal.
É importante saber
É preciso destacar que a política nacional para a Educação na Primeira República
(1889-1930) ou na Era Vargas (1930-1945), destinava-se ao ensino secundário e
superior, enquanto o ensino primário (atualmente denominado de Ensino
Fundamental – Anos Iniciais – 1o. ao 5o. ano) permanecia sob responsabilidade dos
estados. Independentemente de o regime apresentar uma maior ou menor
centralização do poder, os projetos educacionais prestavam-se às elites do país.
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Você provavelmente já ouviu as frases: “A educação era boa na ditadura!”, “Os
professores eram respeitados!”. Será que isso realmente acontecia? Vamos analisar os
acontecimentos?
Uma das primeiras intervenções nas escolas foi a retirada do ensino de Filosofia. Se
considerarmos que a Filosofia fortalece a autonomia do pensamento e quebra
paradigmas, podemos compreender as intenções do Regime Militar com a Educação.
Não seria interessante para o governo formar jovens capazes de contestá-lo. A retirada
dessa disciplina resultou na criação de outra, que se tornou obrigatória no ensino
primário e secundário: a Educação Moral e Cívica, que possuía muito mais um caráter
doutrinador que educativo.
Os militares também realizaram alterações na legislação educacional, ou seja, na LDB
(Lei de Diretrizes e Bases, de 1961). Aos poucos, o regime preparou o terreno para a
imposição das Leis no. 5.540/1968 e no. 5.692/1971. Assim, deixou a educação com
caráter tecnicista, focada na modelagem do aluno para o desenvolvimento e produção
econômica, sem valorizar as habilidades e as preferências individuais.
Outra questão que causou forte impacto na educação foi a extinção do projeto de
alfabetização “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”, encabeçado por Paulo
Freire, que a partir de um método próprio, alfabetizava trabalhadores rurais em um
período de 45 dias. Esse programa foi substituído pelo programa MOBRAL (Movimento
Brasileiro de Alfabetização), que teve pouca eficácia na erradicação do analfabetismo
brasileiro.
Já com relação ao ensino superior, a reforma efetuada foi inspirada no modelo
universidade-empresa, responsável pela departamentalização das universidades e,
mais uma vez, vinculando a educação ao mercado de trabalho, visando apenas à
eficácia econômica que a formação teria para a sociedade, dificultando a união entre
ensino e pesquisa.
Com todas essas transformações na educação, o governo viu a necessidade de
controlar e censurar os dizeres e atuação dos docentes. Assim, qualquer docente que
se opunha ao militarismo era perseguido, preso, torturado e exilado.
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Toda a repressão começou a ter fim em meados de 1984, quando os brasileiros
começaram a exigir o fim da ditadura e o poder militar já estava bastante enfraquecido
ao passo que a economia do país se encontrava quebrada.
O povo foi às ruas, porém a votação no congresso não aprovou as Eleições Diretas
naquele ano. Mas os militares acataram a decisão de eleger o próximo presidente por
meio do voto indireto, que seria realizado por um Colégio Eleitoral, composto por
deputados e senadores.
Só em 1985, Tancredo Neves é eleito pelo Colégio, colocando fim à ditadura. E em
1989, os brasileiros, através das eleições diretas, elegeram, democraticamente,
Fernando Collor como presidente da República.
Chegamos ao final deste tópico. Contextualizamos o período de ditadura militar para
compreendermos sua influência no tocante à educação, que é fundamental para
entendermos o processo de evolução do sistema educacional brasileiro, que após ter
passado por censuras e repressões, chegou ao que temos hoje, a incessante busca por
uma educação democrática que forme cidadãos críticos, reflexivos e atuantes para o
desenvolvimento social do nosso país.
Esperamos ter contribuído para seu entendimento e processo de formação.
Conclusão do Bloco 1
Nesse primeiro bloco, explicitamos o que significa Educação Básica e qual seu papel
em nossa sociedade. Além disso, estudamos, em linhas gerais, a educação no Brasil, da
Primeira República, passando pela Era Vargas, até o período de Ditadura Militar. Nosso
intuito foi realizar um recorte histórico para permitir a você observar os equívocos
cometidos pelo Estado brasileiro, que nos deixou uma herança problemática na
medida em que a educação nesse período não foi voltada ao atendimento das
camadas populares.
Referências
ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF: Senado Federal, 1988.
8
BRASIL. Ministério da Educação. História. Disponível em:
<[Link] . Acesso em: 29 jul. 2018.
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB). Lei no. 9.394, de 20 de
dezembro de 1996. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 26 jul. 2018.
______. Lei no. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1996.
______. Ministério da Educação. Resolução no. 7, de 14 de dezembro de 2010. Fixa
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos.
Disponível em: <[Link] Acesso em:
30 jul. 2018.
SAVIANI, D. A nova lei da educação: LDB – Trajetória, limites e perspectivas. 7. ed.
Campinas: Autores Associados, 2001.
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Educação Básica
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BLOCO 2: AS ETAPAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL: DA EDUCAÇÃO INFANTIL À
EJA
Apresentação
De acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), a Educação Básica é
constituída por: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Essa primeira
etapa da educação brasileira é obrigatória. Isto é, crianças, a partir dos 4 (quatro) anos
até jovens de 17 (dezessete) anos devem estar matriculados em uma escola, seja
pública, – nesse caso, o ensino deve ser ofertado gratuitamente –, ou privada. Caberá
ao Estado oferecer Educação de Jovens e Adultos àqueles que não conseguiram ter
acesso à Educação Básica independentemente do motivo.
Com relação à Educação Profissional Técnica de Nível Médio, ela também é
encontrada na Educação Básica e sua oferta se dá através de Cursos Técnicos, de
Formação Inicial e Continuada.
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2.1.3 Quem tem direito à Educação Infantil?
A educação infantil é um direito humano e social de todas as crianças até seis
anos de idade, sem distinção decorrente de origem geográfica, caracteres do
fenótipo (cor da pele, traços de rosto e cabelo), de etnia, nacionalidade, sexo, de
deficiência física ou mental, de nível socioeconômico ou classe social. Também
não está atrelada à situação trabalhista dos pais nem ao nível de instrução,
religião, opinião política ou orientação sexual. (BRASIL, 2013)
3
II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, de
modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de
ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III – o aprimoramento do educando como pessoa humana, sua formação
ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento
crítico (BRASIL, 1996).
Saiba Mais
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é uma “referência nacional comum e
obrigatória para a elaboração dos seus currículos e propostas pedagógicas“. Iremos
estudá-la com mais detalhes no Bloco 3 desta disciplina.
4
[Link] Quando a lei do Ensino Médio entrará em vigor?
A partir da publicação da BNCC, os sistemas de ensino terão o ano letivo seguinte para
estabelecer o cronograma de implantação das principais alterações na Lei e iniciar o
processo de implementação a partir do segundo ano letivo.
5
A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes
formas:
I – articulada com o ensino médio;
II – subsequente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino
médio. (BRASIL, 1996)
Saiba Mais
A expansão do Ensino Técnico de Nível Médio é fundamental para o Brasil. Nesta
entrevista, o Prof. Gilberto Alvarez apresenta alguns caminhos para que essa
modalidade de ensino seja mais valorizada pelo Estado brasileiro e pelos jovens
estudantes.
Disponível em: [Link]
Publicado em: 12 set. 2016.
Acesso em: 27 set. 2018.
Conclusão do Bloco 2
Neste segundo Bloco, nosso principal objetivo foi apresentar cada uma das etapas da
Educação Básica brasileira, bem como sua organização e fundamentação na legislação
vigente. Contudo, é possível perceber que a educação é um campo de disputa
ideológica. Isso fica evidente ao estudarmos as reformas propostas pelo atual governo
ao Ensino Médio. Diante desse fato, é nosso dever lutar por uma educação de
qualidade para todos e não apenas para atender aos anseios de uma classe dominante.
Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Ministério da Educação. História. Disponível em:
<[Link] . Acesso em: 29 jul. 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Dúvidas mais frequentes sobre Educação Infantil.
Jan. 2013. Disponível em:
<[Link]
6
69-duvidas-mais-frequentes-relacao-educacao-infantil-pdf&category_slug=junho-
2011-pdf&Itemid=30192>. Acesso em: 27 set. 2018.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Lei no. 9.394, de 20 de
dezembro de 1996. Disponível em:
<[Link] Acesso em 29 jul. 2018.
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Educação Básica
Prof. Janderson Lacerda Teixeira
BLOCO 3: LEGISLAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL
Apresentação
Conhecer a legislação e a organização das políticas públicas de nosso país é muito
importante, pois só assim teremos condições de exigir os nossos direitos. A Educação
Básica, segundo a Constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, é um direito irrevogável de qualquer cidadão. A partir de agora, caberá a
todos nós, professores e alunos, zelarmos pelo cumprimento dessas leis.
3.1 A LDB
Você já leu e ouviu diversas vezes neste curso a sigla LDB – que significa Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Mas por que falamos tantas vezes sobre essa
legislação? Vamos tentar compreender esse assunto?
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) é a legislação que regulamenta
o sistema educacional (público ou privado) do Brasil (da educação básica ao ensino
superior). No entanto, para compreendermos como se organiza a educação básica e o
ensino superior em nosso país, é imprescindível a leitura da Constituição Federal de
1988.
A Constituição de 1988, no capítulo III, seção I, artigos 205 a 214, define como a
educação brasileira se organizará, estabelecendo os direitos e deveres dos cidadãos,
assim como as responsabilidades das esferas do poder público federal, estadual,
municipal e do Distrito Federal. Portanto, para compreendermos melhor a LDB é
necessário estudarmos a Constituição.
2
Reforma do Ensino Superior. Já os ensinos primário e médio foram reformados pela Lei
5.692/71, que alterou a sua nomenclatura para Primeiro e Segundo graus. As reformas
sofreram inúmeras críticas por seu caráter autoritário e burocrático e encontraram
resistências no âmbito da política educacional dando origem a várias iniciativas para
combater as medidas.
A queda do Regime Militar em 1986 e a elaboração da Constituição Federal de 1988
viabilizaram a nova LDB de 1996.
A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96) reafirma o direito à
educação, garantido pela Constituição Federal. Estabelece os princípios da educação e
os deveres do Estado em relação à educação escolar pública, definindo as
responsabilidades, em regime de colaboração, entre a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios. (BRASIL, 1996)
3
ao longo da sua existência, se notabilizou, e se notabiliza, em desrespeitar os direitos
que cada um de nós possui. Entretanto, essa atitude perpassa também pela falta de
conhecimento que temos da legislação, fato que devemos compreender dentro de um
contexto histórico em que a educação era algo destinado às elites, o que criava um
círculo vicioso, pois, à medida que não temos acesso à educação, não temos acesso a
uma série de conhecimentos que nos permitiriam ter um maior esclarecimento sobre
nossos próprios direitos e as formas de reivindicá-los. Assim, conhecer a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional não é apenas uma forma de nós, profissionais
da educação, nos prepararmos para o exercício da docência, mas é, acima de tudo,
uma atitude necessária na luta para que os nossos direitos, os de nossos alunos, enfim,
de toda a sociedade sejam respeitados. A educação básica, dos 4 aos 17 anos,
conforme exposto no artigo 4o. da LDB e no artigo 208 da Constituição Federal de
1988, é um direito público subjetivo que, quando não atendido pelo poder público, os
agentes poderão responder criminalmente.
Saiba Mais
O relator da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no. 9.394, de 1996) foi
o Senador Darcy Ribeiro. Intelectual nascido em Montes Claros, foi professor de várias
universidades no Brasil, e um dos fundadores da Universidade de Brasília. Durante o
governo de João Goulart, ocupou o cargo de Ministro da Educação e quando ocorreu o
golpe militar em 1964, foi obrigado a se exilar, retornando ao Brasil em 1976.
4
3.2.2 O que são as Diretrizes Curriculares Nacionais?
As Diretrizes Curriculares Nacionais são normas obrigatórias que regulamentam o
planejamento curricular das escolas. Ou seja, as Diretrizes Curriculares Nacionais
estabelecem o currículo e os conteúdos mínimos que deverão ser ministrados em
todas as escolas.
Os currículos e seus conteúdos mínimos, de acordo com o artigo 210 da Constituição
Federal de 1988 e com o artigo 9o. da Lei no. 9.131/1995, terão seu norte estabelecido
através das chamadas Diretrizes Curriculares Nacionais. Estas apresentarão como foro
de deliberação a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. A Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional também estabelece, no artigo 9o., inciso IV,
como será organizado o currículo. De acordo com esse artigo, a União incumbir-se-á
de:
IV – estabelecer, em colaboração com os estados, o Distrito Federal e os
municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino
fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos
mínimos, de modo a assegurar formação básica comum. (BRASIL, 1996)
5
estadual e municipal atinentes ao assunto, bem como as normas do respectivo sistema
(BRASIL, 2010).
6
3.2.5 Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio articulam-se com as Diretrizes
Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica e reúnem princípios,
fundamentos e procedimentos, definidos pelo Conselho Nacional de Educação, para
orientar as políticas públicas educacionais da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios na elaboração, no planejamento, na implementação e na avaliação das
propostas curriculares das unidades escolares públicas e particulares que oferecem o
Ensino Médio (BRASIL, 2013).
Fique atento
Os PCNs não são regras disponibilizadas pelo MEC para as escolas e professores, mas
sim, parâmetros e diretrizes que servem como base para a educação brasileira,
portanto, pressupõe-se que serão adaptados às peculiaridades locais.
7
3.3 A Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
É um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo
de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das
etapas e modalidades da Educação Básica.
8
Entrevista com o Prof. Herbert Schützer
Com objetivo de discutir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), convidamos o
Prof. Herbert Schützer, especialista em Políticas Públicas, para explicitar essa
importante proposta para a Educação Básica brasileira. Realizamos uma breve
entrevista com as seguintes questões:
9
Você pode acompanhar a entrevista na íntegra acessando o link do Programa: “Com a
Palavra”.
Conclusão do Bloco 3:
Observamos, ao longo desse terceiro bloco, como está organizada a Educação Básica,
segundo a Constituição de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e a
partir de documentos (Diretrizes Curriculares Nacionais e Base Nacional Comum
Curricular), destacando, mais uma vez, o fato de que a educação é um direito de todos.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução no. 7, de 14 de dezembro de 2010.
Disponível em: <[Link] . Acesso em
30 jul. 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Disponível em: <
[Link]>. s/d. Acesso em 30 jul. 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares para a Educação Básica.
Disponível em: <[Link]
educacao-basica-2013-pdf/file>. Brasília: MEC, 2013. Acesso em: 28 set. 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Resoluções CEB 2010. Disponível em:
<[Link]
resolucoes-ceb-2010>. Acesso em: 28 set. 2018.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Lei no. 9.394, de 20 de
dezembro de 1996. Disponível em:
<[Link] Acesso em 26 jul. 2018.
GUIMARÃES, C.; SEMIS, L. 32 respostas sobre a Base Nacional Curricular. Nova Escola.
2 mar. 2017.
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Educação Básica
Prof. Janderson Lacerda Teixeira
BLOCO 4. O SISTEMA EDUCACIONAL E SUAS PRÁTICAS
Apresentação
O que é um sistema? Ao realizarmos nosso estudo sobre a forma como está
organizada a educação em nosso país, se faz necessário refletirmos sobre as
responsabilidades de cada uma das instituições e dos profissionais envolvidos nesse
processo. Agora, vamos analisar alguns conceitos importantes para entendermos a
estrutura e a organização da educação brasileira.
2
4.1.3 Mas, afinal, o que é um sistema Educacional?
O sistema educacional é o mais amplo de todos os sistemas existentes, pois abarca
processos de ensinar e de aprender que têm raiz na família, na escola (Educação
Básica), nos partidos políticos, na mídia, nas relações interpessoais, nas associações
das mais diferentes naturezas. Portanto, o processo educativo não se restringe à oferta
da educação escolar, pois é um processo que antecede a matrícula e continua após a
conclusão da educação básica ou superior.
3
Exemplos: nas igrejas, o catecismo (Igreja Católica) e a Escola Bíblica Dominical (Igrejas
Evangélicas ou Protestantes) pertencem a esse processo de Educação Não Formal; nos
Clubes, há as aulas de capoeira, futebol, artesanatos etc.
4
e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o
interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. (BRASIL, 1996)
Conclusão do Bloco 4
Ainda estamos distantes de alcançarmos as condições apresentadas nesse bloco para
que o sistema escolar brasileiro funcione de maneira adequada. Essas dificuldades
resultam, em grande parte, de equívocos nas políticas educacionais empreendidas no
Brasil. A verdade é que o Sistema Educacional encontra, nas sociedades capitalistas,
fortes obstáculos sociais ao desempenho do papel de direito instrumental. Isto é, aos
capitalistas convém que os trabalhadores disponham da instrução mínima necessária à
sua integração no “mercado de trabalho mecanizado”, mas os empresários sempre
5
temem que o acesso ao conhecimento científico, cultura e educação básica de
qualidade propicie aos trabalhadores armas intelectuais que eles possam usar na luta
contra a dominação de classes sociais.
Por fim, devemos fomentar a luta para que o Sistema Educacional funcione
efetivamente.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução no. 7, de 14 de dezembro de 2010.
Disponível em: <[Link] Acesso em:
30 jul. 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Disponível em:
<[Link]
curricular-bncc>. Acesso em: 30 jul. 2018.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
GOHN, M. G. Educação não formal e o educador social. São Paulo, Cortez, 2010.
_____________________. Educação não-formal e cultura política: impactos sobre o
associativismo do terceiro setor. 2. ed. São Paulo, Cortez, 2001.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Lei no. 9.394, de 20 de
dezembro de 1996. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 26 jul. 2018
SAVIANI, D. A nova lei da educação: LDB – Trajetória, limites e perspectivas. 7. ed.
Campinas: Autores Associados, 2001.
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Educação Básica
Prof. Janderson Lacerda Teixeira
BLOCO 5: A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO ESPAÇO ESCOLAR
Apresentação
Já discutimos que a escola faz parte da Educação Básica, pois é nesse espaço (Escola)
que as etapas da Educação (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio)
são cumpridas. Ao mesmo tempo, compreendemos a Escola como espaço de educação
formal, ou seja, ela é uma instituição socialmente definida para transmitir
conhecimentos e valores às futuras gerações. Entretanto, para cumprir bem seu papel
social, ela precisa de uma organização que garanta sua eficiência.
Neste bloco, dedicaremos tempo para discutir a organização da Educação Básica no
espaço escolar. Para tanto, será necessário compreendermos como a escola brasileira
deve funcionar.
2
A LDB, também, determina em seu art. 13, que é responsabilidade dos
estabelecimentos de ensino (Escolas) garantir a participação dos profissionais da
educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. Ainda de acordo com a Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, os estabelecimentos de ensino devem
articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da
sociedade com a escola. Isto é, o PPP deve ser construído com a participação de todos
(BRASIL, 1996).
3
5.3 A participação da comunidade na escola
Após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1996,
cabe a cada escola elaborar sua proposta pedagógica de modo tal que precisa ouvir
todos os interessados no sucesso da educação e tendo a consciência de que cada
aluno precisa para crescer como estudante e cidadão.
4
Municípios, de acordo com as diretrizes e metas estabelecidas no Plano Nacional
de Educação. (BRASIL, 2010)
Conclusão do Bloco 5:
Como vimos a Educação é um direito constitucional que pertence a todos os cidadãos
brasileiros. Esse direito inicia-se no acesso e permanência à Educação Básica, mas,
também está ancorado na participação de todos para a construção de uma escola
plural. Isto é, a organização da Educação Básica no espaço escolar se dá a partir de
documentos, como, por exemplo, o PPP que viabiliza a participação direta da
população no seio das escolas. Essa participação que, também, pode estar associada
aos Conselhos Escolares, será fundamental para alicerçarmos a educação nas
perspectivas democráticas defendidas pela Constituição de 1988.
Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF: Senado Federal, 1988.
______. Lei de Diretrizes e Bases. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece
as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1996.
______.Ministério da Educação. Conselhos Escolares. s/d. Disponível em:
<[Link] . Acesso em: 31 jul. 2018.
BRASIL. Educação no Campo. Decreto no. 7.352, de 4 de novembro de 2010. Brasília,
2010. Disponível em: < [Link]
decreto-7352-de4-de-novembro-de-2010/file>. Acesso em: 28 set. 2018.
LOPES, N. O que é projeto político-pedagógico. Gestão Escolar. 1 dez. 2010. Disponível
em: <[Link]
pedagogico-ppp>. Acesso em: 28 set. 2018.
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Organização da
Educação Básica
Prof. Janderson Lacerda Teixeira
BLOCO 6: A EDUCAÇÃO BÁSICA NO SÉCULO XXI
Apresentação
Seja bem-vindo ao último Bloco deste curso!
Ao analisarmos a trajetória histórica da Educação Básica brasileira, identificamos uma
série de conquistas, como, por exemplo: a democratização do acesso e a efetivação de
condições para a permanência dos alunos na escola. Contudo, reconhecemos que
precisamos progredir ainda mais.
Partindo dessa ideia, utilizaremos este último bloco para discutir e refletir sobre o futuro
da Educação Básica no Brasil. O que pensa atualmente o Estado brasileiro para a
Educação? Quais são suas propostas? Vamos descobrir?
2
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de
instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei,
planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas
e títulos, aos das redes públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade;
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar
pública, nos termos de lei federal. (BRASIL, 1988)
Fique atento:
Foi a Constituição de 1988 que tornou possível a elaboração da nova LDB (Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional) promulgada em 1996. A partir dessa LDB é que
uma série de medidas foi viabilizada para a democratização e melhoria da qualidade da
Educação Básica brasileira.
3
3. De acordo com dados recentes da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 2,4% dos jovens no Brasil almejavam a
carreira docente. O que o senhor pensa a respeito disso?
4. Ainda pensando em jovens, a Reforma do Ensino Médio, nos moldes em que foi
proposta pelo Governo Federal, pode diminuir a evasão escolar? O que senhor acha
dessa Reforma? Ela é suficiente para atender as principais demandas da educação
brasileira?
5. O senhor acredita que é possível alcançarmos uma educação pública e de
qualidade para todos? Existe algum caminho para isso?
O bate-papo descontraído não reduziu a importância dos temas abordados nas
questões. O Prof. Fernando Campos, com brilhantismo, pontuou algumas críticas em
relação às Políticas Públicas educacionais do Brasil e, ao mesmo tempo, apresentou
possíveis caminhos para efetivarmos uma Educação Pública e de qualidade para todos.
4
6.4.1 Quais são os objetivos do PNE?
O principal objetivo do PNE é o cumprimento das 20 metas para Educação. As metas
estão relacionadas à ampliação do acesso à Educação Básica brasileira; aumento da
qualidade da Educação; valorização dos professores com medidas que vão da formação
ao salário dos docentes.
Para conhecer as 20 metas para a Educação, acesse o
link [Link] (Acesso em: 27 set. 2018).
Conclusão do Bloco 6
Conforme já mencionamos ao longo desse curso, ainda estamos distantes de
alcançarmos as condições necessárias para que o sistema escolar brasileiro funcione de
maneira adequada. Todavia, precisamos reconhecer que a Constituição Federal de 1988,
tão ferida nos últimos anos, abriu dezenas de portas para vivenciarmos o sonho de uma
Educação Básica com qualidade para todos.
Resta-nos prosseguir na luta para que o idealizado na Carta Magna brasileira e,
posteriormente, estruturado em uma gama de documentos que organizam e
fundamentam nosso Sistema Escolar seja efetivamente respeitado e cumprido.
Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Ministério da Educação. Planejando a próxima década: conhecendo as 20
metas do Plano Nacional de Educação. 2014. Disponível em:
<[Link] Acesso em 03
ago. 2018.
CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CONED), 2. Plano Nacional de Educação: a
proposta da sociedade brasileira. Belo Horizonte (MG), 9 nov. 1997.
TODOS PELA EDUCAÇÃO. Saiba o que foi e como funcionou o Plano de
Desenvolvimento da Educação. 5 mar. 2018. Disponível em:
5
<[Link]
oplano-de-desenvolvimento-da-educacao/>. Acesso em: 28 set. 2018.