PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
ESCOLA DE DIREITO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE TRABALHO DE CURSO
ARTIGO CIENTÍFICO
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A INEFICIÊNCIA DA APLICABILIDADE DAS
MEDIDAS PROTETIVAS PRESENTES NA LEI 11.340/06 LEI MARIA DA
PENHA
ORIENTANDO (A): MARIA CLARISSE MARTINS QUEIROZ
ORIENTADOR (A): PROF. DRA MARIA CRISTINA VIDOTTE B TARREGA
GOIÂNIA
2021
MARIA CLARISSE MARTINS QUEIROZ
VIOLÊNCIA DOMESTICA E A INEFICIÊNCIA DA APLICABILIDADE DAS
MEDIDAS PROTETIVAS PRESENTES NA LEI 11.340/06 LEI MARIA DA
PENHA
Projeto de Artigo Científico, apresentado à
disciplina Trabalho de Curso II, da Escola de
Direito e Relações Internacionais, Curso de
Direito, da Pontifícia Universidade Católica
de Goiás (PUC GOIÁS).
Prof. Dra. Orientadora – Maria Cristina
Vidotte B Tarrega
GOIÂNIA
2021
MARIA CLARISSE MARTINS QUEIROZ
VIOLÊNCIA DOMESTICA E A INEFICIÊNCIA DA APLICABILIDADE DAS
MEDIDAS PROTETIVAS PRESENTES NA LEI 11.340/06 LEI MARIA DA
PENHA
Data da Defesa: ____ de __________ de _______
BANCA EXAMINADORA
______________________________________________________
Orientador: Prof. Dra. Maria Cristina Vidotte B Tarrega Nota:
______________________________________________________
Examinador Convidado: Prof. Titulação e Nome Completo Nota
Dedicatória
Dedico este trabalho primeiramente
aos meus pais pelo apoio e incentivo
na minha educação que com muita
luta fizeram eu chegar até aqui.
Dedico ainda ao meu irmão, tia e
esposo que estão sempre torcendo
por mim e a minha filha amada por
quem eu busco ser melhor todos os
dias.
Agradecimentos
Agradeço a Deus por ter me dado a
oportunidade de estar concluindo
mais uma etapa da minha vida.
Agradeço a meus pais por tanto
esforço e dedicação com a minha
educação e criação e a minha
querida orientadora que com
atenção, delicadeza e maestria
soube me conduzir com este
trabalho.
SUMÁRIO
RESUMO ............................................................................................................6
INTRODUÇÃO ....................................................................................................7
1 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA................................................................................7
1.1 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER...........................................7
1.2 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DURANTE A PANDEMIA.....................................9
2 CRIAÇÃO DA LEI 11.340/06............................................................................9
2.1 FORMAS DE VIOLÊNCIA SOB A ÓPTICA DA LEI 11.340/06......................10
2.1.1 Violência Física.........................................................................................10
2.1.2 Violência Psicológica.................................................................................11
2.1.3 Violência Sexual........................................................................................11
2.1.4 Violência Patrimonial.................................................................................12
2.1.5 Violência Moral..........................................................................................12
2.2 MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA ...................................................12
2.3 PAPEL DAS AUTORIDADES FRENTE AS DENÚNCIAS............................13
3 INEFICIÊNCIA DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA....................14
3.1 MOTIVOS QUE TORNAM AS MEDIDAS PROTETIVAS INEFICAZES ......14
3.2 SOLUÇÕES PARA MELHORAR A APLICABILIDADE DAS MEDIDAS
PROTETIVAS....................................................................................................15
CONCLUSÃO ...................................................................................................17
REFERÊNCIAS
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A INEFICIÊNCIA DA APLICABILIDADE DAS
MEDIDAS PROTETIVAS PRESENTES NA LEI 11.340/06 LEI MARIA DA
PENHA
Maria Clarisse Martins Queiroz1
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo abordar os diferentes tipos de violência
doméstica que a mulher enfrenta e o aumento significativo que tiveram com a
triste realidade da pandemia, onde mulheres enfrentam o medo não apenas de
perder a vida para o coronavírus, mas também para seu agressor. Com isso
ressaltando ainda a extrema importância da criação da Lei 11.340/06 para
combater essas violências, porem abordando suas grandes falhas na
aplicabilidade e fazendo com que muitas mulheres desencorajem de sair desse
ciclo de crueldade. O artigo também apresenta como esse cenário pode ser
revertido e quais seriam as melhores formas de conduzir e apoiar as mulheres
vítimas da violência doméstica.
Palavras-chave: Lei 11.340/06, violência, mulher, aplicabilidade.
1
Acadêmica do Curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás,
mariaclarisseqm@[Link]
7
INTRODUÇÃO
O presente artigo tem como intuito explanar sobre a ineficiência da
aplicabilidade das medidas protetivas de urgência visto a necessidade terem
sido instauradas pelo crescente aumento da violência contra mulher, que não se
resume apenas na violência física, mas também psicológica, moral, patrimonial
e sexual.
Ressalta ainda a forma como os órgãos responsáveis pela repressão da
violência doméstica deveriam agir em relação as mulheres, devendo dar todo
suporte e acolhimento, mas por não acontecer dessa forma o artigo traz
informações de como melhorar esse fato, além de trazer hipóteses de medidas
para tratar o agressor não apenas com restrições, mas também os reeducar.
Destacando também o relevante aumento que as agressões tiveram com
o advento da pandemia reforçando ainda mais o poder que as medidas de
políticas públicas bem aplicadas são essenciais para enfrentar danos não
ocasionais como esse que estamos enfrentando.
Tratar a violência doméstica como um problema sério e o Estado ter mais
empenho com essa situação, a violência contra a mulher seria bem menor e os
traumas existentes nas famílias também. Tratar o agressor é fundamental para
que essa cultura machista não seja passada de geração em geração.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A INEFICIÊNCIA DA APLICABILIDADE DAS
MEDIDAS PROTETIVAS PRESENTES NA LEI 11.340/06 LEI MARIA DA
PENHA
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
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1.1 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER
Violência doméstica trata-se de um abuso que pode ser psicológico, físico,
mental, econômico. Recorrente em âmbito familiar, que abrange relações
domésticas de descendentes, ascendentes, irmãos e a mais comum atualmente,
entre cônjuges com maior relevância e trivialidade a violência doméstica contra
as mulheres.
Conforme exposto no artigo 5º da Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha),
violência doméstica contra a mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no
gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, dano
moral e patrimonial”.
A violência doméstica é considerada um acontecimento universal, visto
que vem ocorrendo por muitos anos em diversos países. No Brasil segundo
dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2013 o Brasil ocupava a
quinta colocação no lamentável ranking de 83 países onde mais morrem
mulheres pela violência doméstica. Estatística que só vem crescendo com o
passar dos anos. Pode se dizer que essa cultura está enraizada na sociedade e
fica cada vez mais difícil a desconstrução.
São várias formas de violência que a mulher enfrenta no dia a dia, não só
em casa como explanado acima, mas em outras áreas que abrange inúmeros
aspectos da sociedade, reforçando ainda mais a luta diária que a mulher em
pleno século XXI deve facear.
Dentre elas pode-se citar a violência institucional que é um meio de
violência que pode atingir a esfera pública ou privada no que tange o exercício
laboral dos funcionários dessas instituições em relação ao atendimento as
mulheres. É uma forma mais sútil de denigrir a imagem do gênero feminino,
9
caracterizando esse comportamento por atitudes como omissão, contempto,
frieza.
Existem relatos de mulheres que foram vítimas de violência doméstica e
ao denunciar o ato nas autoridades, passam por mais essa violência chamada
institucional, ao terem suas palavras postas em dúvidas, mal atendimento,
abstenção em fornecimento de orientações. Lugar em que a mulher espera ser
acolhida, e acabam recebendo esse tipo de tratamento, desencorajando-a, a faz
se sentir pequena e começando assim ter a perspectiva errônea de ver as
agressões que são submetidas com naturalidade e que o erro passa a ser seu
1.2 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DURANTE A PANDEMIA
Com essa nova e triste realidade vivida, o isolamento é fundamental para
contenção do vírus, porém milhares de mulheres estão sofrendo cada vez mais
com as agressões, isso pelo fato de passarem mais tempo junto com os
agressores. Nesse cenário atual, muitos brasileiros perderam seus empregos e
com isso criou-se uma grande problematização não apenas na saúde, mas
também nas finanças e assim refletindo nos lares.
Um dado que preocupa as autoridades são a diminuição das denúncias
muitas vezes devido a impossibilidade da vítima de prestar queixa por estar a
maioria do tempo com o agressor.
Segundo a Organização Marco Zero, três mulheres foram vítimas de
feminicídio por dia durante a pandemia e nessa mesma disposição explanam
que em 2021 poderá ser ainda pior por não haver nenhuma perspectiva de
melhora nas crises econômicas, políticas e sanitárias do país. Logo as mulheres
enfrentam outra guerra dentro de seus lares que deveriam servir de refúgio para
o enfrentamento da pandemia acabam se tornando aterrorizante.
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2 CRIAÇÃO DA LEI 11.340/06
A primeira legislação de proteção à mulher foi criada em 2006 a partir da
história da Maria da Penha, cuja a qual deu o nome a Lei.
Maria da Penha Maia Fernandes casou-se em 1976, as agressões
começaram com aspectos de intolerância e comportamentos explosivos. Até que
em 1983, ela foi vítima de duplo feminicídio pelo até então marido, que efetuou
um disparo com arma de fogo em suas costas enquanto ela dormia e com isso
a deixou paraplégica.
O caso foi tratado como violência contra mulher devido ao seu gênero e
teve grande repercussão, não só pela crueldade que foi executado o crime, mas
também pela mediante falta da factual aplicação das medidas legais e ações
legítimas. Assim foi formado um Consorcio de ONGs para ser discutido a
elaboração de leis para combater a violência doméstica contra a mulher. Após
inúmeros debates sobre o tema na esfera do Poder Executivo e Legislativo e
com a sociedade o projeto da lei foi aprovado na Câmara dos deputados e no
Senado Federal, onde foi aprovado com unanimidade. Em 07 de Agosto de 2006,
a Lei 11.340 foi sancionada. O nome Maria da Penha foi dado como forma de
reconhecimento pela fervorosa luta dela pela justiça e dignidade dos direitos
humanos da mulher.
2.1 FORMAS DE VIOLÊNCIA SOB A ÓPTICA DA LEI 11.340/06
2.1.1 Violência Física
A violência física conforme consta no artigo 7º da Lei 11.340/06 pode ser
compreendida, como a violência que deixa marcas no corpo da vítima, meios
agressivos e dolorosos que o agressor utiliza para impor sua vontade
monstruosa de domínio sobre a mulher.
11
São meios da violência física: bater, empurrar, apertar qualquer membro
do corpo, torturar, sacudir, provocar queimaduras, causar ferimentos com arma
de fogo, espancamento, entre outros. Infringindo assim a integridade física da
mulher.
Para (BERENICE, 2012.s.p) ainda que a agressão não deixe marcas
aparentes, o uso da força física que ofenda o corpo ou a saúde da mulher
constitui vis corporalis, expressão que define a violência física.
2.1.2 Violência Psicológica
Muitas vezes a sociedade tem a visão limitada de que a violência contra
mulher está ligada apenas quando as vítimas recebem tapas, murros, socos.
Porem a violência doméstica não é só física, mas também psicológica, que traz
traumas e consequências tão devastadoras quanto a física.
Conforme ressalta o artigo 7º, II, da Lei 11.340/06, a violência psicológica
se encontra de várias maneiras e observa-se que é uma das violências mais
recorrente em relacionamentos abusivos.
Os agressores fazem ameaças, chantagens, humilham as vítimas em seu
âmbito familiar e profissional. As proíbem de ter amigos, participar de reuniões
familiares entre outros. Por muitas vezes as limitam do seu direito de ir e vir.
Estão sempre por perto vigiando.
Com a baixa autoestima, resultado das violências psicológicas por parte
dos agressores, as vítimas ficam reféns do abuso ficam presas na relação, sem
forças e coragem pra sair.
2.1.3 Violência Sexual
12
Observa-se ainda a violência sexual, a qual está ligada a prática de
relação sexual sem consentimento da vítima, praticando de maneira forçada,
tirando seu direito de escolha, além da impedição da utilização de métodos
contraceptivos, forçando uma gravidez, aborto por meio de chantagens,
coações, entre outros.
2.1.4 Violência Patrimonial
Conforme conta no Artigo 7º, IV da Lei 11.340/06 “Violência patrimonial é
entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição
parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais,
bens, valores e direitos ou recursos econômicos.”
Pode se estender ainda a violência patrimonial aquela em que o
companheiro da vítima controla sua vida pecuniária, salário, cartão de crédito
além de as proibirem de trabalhar e conquistar sua independência financeira.
Destruir pertences da vítima, objetos, roupas também configura violência
patrimonial.
2.1.5 Violência Moral
Citada no parágrafo V, artigo 7º da Lei 11.340/06 a violência moral é
caracterizada pela difamação, calúnia e injuria contra a vítima. Demostradas em
situações vexatórias e de constrangimento com falsas falácias desmoralizando
a mulher perante familiares e a sociedade.
Esse tipo de violência afeta diretamente o psicológico da mulher, as
fazendo acreditar que são incapazes, que necessitam do agressor para
continuar vivendo e assim as tornam reféns desse ciclo vicioso da violência
doméstica, que majoritariamente começam por essas agressões de cunho moral
e psicológico para chegarem nas agressões físicas.
2.2 MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA
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As medidas protetivas de Urgência foi a forma que a lei estabeleceu para
represar e prevenir a violência doméstica, garantindo assim que as mulheres
tenham seus direitos resguardados e protegidos.
Tais medidas são compostas por duas formas, as que discorrem sobre as
atitudes que os agressores não podem ter e as medidas que são impostas com
o intuito de proteger a mulher.
No artigo 22 da Lei 11.340/06 estão previstas as medidas protetivas de
urgência que obrigam o agressor. De início nos incisos I e II, fica suspensa o
porte de arma bem como a obrigatoriedade de afastamento da vítima no intuito
de resguardar sua vida. No inciso III, fica proibido o contato ou aproximação e
se dispor em determinados locais afim de preservar a integridade da vítima. Em
casos de terem filhos menores de idade, o agressor fica obrigado a prestar
alimentos.
Já as medidas para amparo as mulheres, estão previstas nos artigos 22
e 23 da referida Lei e estão impostas o encaminhamento das vítimas para
atendimento, a sua relocação na residência após o afastamento do agressor.
Para efetivação das medidas, a vítima deve procurar as autoridades
policiais que encaminharão ao poder judiciário e o juiz competente dará os
devidos transmites para que a mulher se sinta protegida e amparada pelo poder
público.
2.3 PAPEL DAS AUTORIDADES FRENTE AS DENÚNCIAS
Com o contínuo crescimento da violência doméstica, foi essencial a
criação de medidas que tratassem com mais atenção essa árdua realidade
enfrentada pelas mulheres. No Brasil essa compreensão só foi imposta em 1970
e entendida como um problema público e assim trazendo formas para conter
essas agressões.
Essas medidas são fornecidas em setores diversos como o da saúde,
justiça, serviços de assistência social e psicológica, policiamento entre outros.
14
Medidas essas fundamentais para apoiar as mulheres que enfrentam a violência
doméstica.
Nos artigos 25 e 26 da Lei 11.340/06 traz a atuação do Ministério Público
em requisitar essas medidas de apoio ao combate a violência doméstica bem
como na fiscalização do atendimento e cadastro de novos casos.
Já nos artigos 27 e 28 da referida Lei Maria da Penha, tem-se ainda o
apoio judiciário em todos os meios e âmbitos processuais, garantido as mulheres
vítimas da violência serviços gratuitos na assistência jurídica bem como acesso
a Defensoria Pública.
E por último nos artigos 29 a 32 da Lei 11.340/06 está previsto a equipe
de atendimento multidisciplinar onde estão profissionais da saúde, da área
psicossocial e jurídica e compete a eles fazer o acompanhamento e o lavramento
de laudos periodicamente, no intuito de amparar as mulheres vítimas de
agressões e garantir a elas um reequilíbrio emocional e a segurança de que
poderão viver livres e isentas do medo.
3 INEFICIÊNCIA DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA
3.1 MOTIVOS QUE TORNAM AS MEDIDAS PROTETIVAS
INEFICAZES
As medidas protetivas são essenciais para o combate à violência
doméstica, porém elas se tornam falhas devido à falta de fiscalização dos órgãos
responsáveis e pela falta de preparo dos profissionais competentes na área.
Muitas mulheres questionam a forma que são abordadas nas delegacias
e nas casas de acolhimento onde repetidas vezes são tratadas de forma fria sem
uma abordagem qualificada, sábia e acolhedora. Mulheres que estão
extremamente exaustas emocionalmente e fisicamente, machucadas e estão ali
procurando ajuda para serem livres e terem a oportunidade de ser feliz, de
conquistarem sua independência e não ficarem à mercê de xingamentos,
torturas, tapas e tanta humilhação em quem são inseridas.
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A criação da Lei Maria da Penha foi muito importante, as medidas
inseridas nela também, porem tem muito o que ser melhorado, visto que essa
situação precisa de mais visibilidade e atenção das Políticas Públicas. Conforme
exposto a seguir:
A dificuldade em denunciar a violência se soma à falta de políticas
públicas. Durante o ano de 2020, menos de 3% do orçamento que seria
usado para iniciativas para mulheres pelo Ministério da Mulher, Família
e Direitos Humanos foi, de fato, gasto, segundo levantamento da
Gênero e Número. Isso se reflete na realidade das vidas das mulheres.
(MARCO ZERO,2021)
Essa importância vazia que é dada a investimentos contra a violência
doméstica afeta diretamente as vítimas, visto que os programas estão mais
propensos a falhas, visto que não tem um monitoramento perspicaz, pois não
basta apenas afastar o agressor, mas existe a necessidade de acompanhar por
um longo período a vítima, lhe fornecendo todo suporte e atenção, que por
muitas vezes com a falta de incentivo do Governo tais atos ficam limitados, até
por falta de verbas.
3.2 SOLUÇÕES PARA MELHORAR A APLICABILIDADE DAS MEDIDAS
PROTETIVAS
Ainda existem várias lacunas presente na aplicabilidade das medidas
protetivas de Urgência que prejudica no combate dessa triste realidade, uma vez
em que as mulheres acabam sendo desestimuladas a denunciarem e a saírem
desse ciclo de tortura psicológica, emocional e física.
Uma maior fiscalização nos órgãos responsáveis pelo amparo a vítima e
um treinamento árduo e eficaz seriam formas eficientes para melhorar a forma
que esses profissionais lidam com a situação. Saber conversar e apoiar uma
mulher que acabou de ser vítima de uma violência é de extrema importância para
que ela saia decidida a nunca mais passar por aquela situação. Os profissionais
de apoio e em especial os da justiça que tem o primeiro contato com vítima tem
esse dever humanitário de dar um suporte e passar segurança a mulher e não a
desmotivar, deixar em situação constrangedora como muitas relatam.
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É notório que a violência doméstica parte da primícia de uma cultura
machista instaurada na sociedade por muito tempo. Punir o agressor é uma
forma de barrar a violência, porém não a extingue, como exemplo nota-se os
repetidos casos de mulheres com medida protetiva concedida e mesmo assim
acabaram sendo mortas. Com isso é preciso com urgência que esses agressores
sejam reeducados, que eles percebam que em um relacionamento é construído
e edificado com base no amor, respeito, carinho, afeto e que um lar precisa de
tudo isso para ser exemplo para os filhos e que um dia essa cultura de maus-
tratos acabe de vez.
É necessário que tenha um maior incentivo público nos programas de
acolhimento das vítimas, que elas tenham oportunidade de conquistarem sua
independência, visto que muitas delas ficam nesses relacionamentos abusivos
por não possuírem renda. Que os órgãos de segurança acompanhem de perto
e por um longo período a volta dessas mulheres a liberdade.
CONCLUSÃO
Com a pesquisa apresentada foi possível observa as lacunas existentes
nas medidas protetivas de urgência instauradas pela Lei 11.340/06, Lei Maria da
Penha e apresentar essa ineficiência e dar possíveis soluções para que ela
chegue com uma melhor perspectiva para essas mulheres que sofrem com
inúmeras agressões é de suma importância que treinamento efetivos sejam dado
aos profissionais da área, para que a abordagem seja cautelosa, visto a tamanha
dor e dano que esse trauma pode causar na mulher, além de um maior
investimento do poder público para que verbas para programas como preparo
profissionalizante sejam dado a essas mulheres para que elas possam
recomeçar a vida e conquistar sua independência para que fiquem livres de vez
do ciclo violento instaurado pelos agressores.
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Ressalta-se ainda a importância de tratar o agressor, não apenas
penalizá-lo, mas mostrar a ele a gravidade e as terríveis consequências que seu
ato pode ter e que a mulher que ele escolheu merece respeito, merece viver e
não morrer em meio a um relacionamento que deveria ser celeiro de paz e amor,
além de exemplo para que as futuras gerações não cometam os mesmos erros.
Assim finalizo o artigo com o penalista Roberto Lyra em citação de Cleber
Masson, 2010, p.446:
“O verdadeiro passional não mata. O amor é por natureza e por
finalidade, criador, fecundo, solidário, generoso. Ele é cliente das
pretorias, das maternidades, dos lares e não dos necrotérios, dos
cemitérios, dos manicômios. O amor, o amor mesmo, jamais desceu
ao banco dos réus. E nele o que atua é o ódio. O amor não figura nas
cifras da mortalidade e sim nas da natalidade; não tira, põe gente no
mundo. Está nos berços e não nos túmulos.’
REFERÊNCIAS
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[Link]
contra-a-mulher. Acesso em: Mar.2021.
AZMINA. Na pandemia, três mulheres foram vítimas de feminicídios por dia
Disponível em: [Link]
foram-vitimas-de-feminicidio-por-dia/ Acesso em: Abr.2021.
BRASIL, Lei nº. 11.340, de 7 de agosto de 2006, (Lei Maria da Penha)
CONJUR . Violência institucional contra a mulher: uma abordagem psicojurídica.
Disponível em: [Link]
violencia-institucional-mulher-abordagem-psicojuridica. Acesso em: Mar.2021.
18
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violencia-contra-a-mulher/. Acesso em: Mar.2021.
DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo. Editora
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direitos-e-ter-rede-de-apoio-sao-pontos-de-partida-para-denunciar-agressao-e-
interromper-ciclo-de-violencia Acesso em: Mar.2021.
JUSBRASIL. Violência contra a mulher: o que são as medidas protetivas de
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MASSON, Cleber. Direito Penal: Parte Geral. Belo Horizonte. Impetus.
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