Unid 3
Unid 3
Unidade III
5 A medição do desempenho na cadeia de suprimentos JIT e
compras
Objetivos
Com o surgimento das cadeias de suprimento (supply chain), a competição no mercado tende a
ocorrer cada vez mais entre cadeias produtivas e não mais apenas entre empresas isoladas. Tendo em
conta que toda a base conceitual desenvolvida até hoje sobre medição de desempenho foi construída
a partir de unidades de negócios isoladas, faz‑se necessário readequar o conhecimento já construído.
Medição do desempenho
Sob a perspectiva da gestão da produção, o desempenho pode ser definido como a informação
sobre os resultados obtidos dos processos e produtos que permitem avaliar e comparar com metas,
padrões, resultados do passado e a outros processos e produtos. É o processo de quantificar uma ação,
e considera:
• Como utilizar essas medidas para analisar, melhorar e controlar o desempenho da cadeia de
suprimentos?
Deve‑se tomar o cuidado de interpretar corretamente as medidas, visto que muitas delas são medidas
internas que não mostram o desempenho da cadeia de suprimentos como um todo e não identificam
onde existem oportunidades para aumentar a competitividade e a rentabilidade dos negócios para cada
uma das empresas da cadeia.
Por exemplo, sob a ótica da cadeia de suprimentos, o aumento do giro de estoques de um varejista
tende a ter um impacto positivo muito maior do que se fosse feito em um fornecedor. Assim como
estoques posicionados nos fornecedores têm um risco menor para a cadeia de suprimentos, pois a
matéria‑prima mantida por um fornecedor pode, potencialmente, ser usada por vários produtos e
clientes. O mesmo não ocorre com estoque de produtos acabados em um varejista.
73
Unidade III
Os conflitos são evitados quando a estratégia da empresa apresenta de forma clara e explícita as
necessidades de todas as partes interessadas, buscando harmonizar tais necessidades e garantindo que
as ações e planos atendam às diferentes necessidades.
Lembrete
A questão é se a abordagem do PNQ também é válida para toda a cadeia de suprimentos, e por meio dessa
questão chegamos a outra, que é: existe ou não uma estratégia da cadeia de suprimentos como um todo?
Observação
Assim sendo, pode‑se concluir que por não ser possível estabelecer uma estratégia que considere
toda a cadeia de suprimentos também inviabilizaria a medição de desempenho desta como um todo?
A resposta é não, e a medição de desempenho ao longo de uma cadeia de suprimentos pode ter
um caráter mais diagnóstico do que ferramental para implementar objetivos estratégicos, contribuindo
para alinhar e ajustar objetivos ao longo da cadeia. Assim, pode‑se começar pela adaptação de modelos
existentes nas empresas que formam a cadeia, porém, definindo coletivamente um conjunto de
indicadores que possam medir o desempenho de negócios‑chave ao longo da cadeia de suprimentos.
74
Gestão de suprimentos e logística
Cadeia de suprimentos
Indicador 2
Indicador 1
Indicador 3
A figura anterior sugere então que existam indicadores individuais (representados por indicadores
1, 2 e 3) em cada uma das unidades de negócios e que existirão alguns indicadores comuns (indicados
pela área de interseção). Serão esses indicadores comuns que irão medir o desempenho da cadeia de
suprimentos como um todo perante o consumidor final. Como sugerido por Nigel Slack (2007), as novas
medidas comuns de desempenho são classificadas como relativas ao cliente e relativas à concorrência:
75
Unidade III
Mas ainda podem ser propostos outros índices para se gerenciar uma cadeia de suprimentos. Alguns
fatores estimulam essa busca:
• a necessidade de se ir além da visão interna das empresas para obter uma perspectiva da cadeia
de suprimentos;
76
Gestão de suprimentos e logística
Financeira
Nível Medida
Sim Não
Tempo total do fluxo de caixa X
Taxa de retorno sobre investimentos X
Flexibilidade em atender às necessidades dos clientes X
Estratégico
Lead time de entrega X
Total do tempo de ciclo X
Nível das parcerias na cadeia de suprimentos X
Extensão da cooperação na melhoria da qualidade X
Custo total dos transportes X
Tático
Qualidade dos métodos de previsão de demanda X
Tempo (ciclo) de desenvolvimento do produto X
Custo de produção X
Utilização da capacidade X
Operacional
Custo total do sistema de informação X
Custo total dos estoques X
Saiba mais
<[Link]
A capacidade das empresas de encontrar o equilíbrio entre sua capacidade de resposta e a eficiência,
de maneira a atender à sua demanda da melhor maneira possível, é a chave para atingir o que se
chama de alinhamento estratégico – a estratégia da organização alinhada com a estratégia da cadeia
de suprimentos.
Uma amostra do quanto o ambiente da cadeia de suprimentos é complexo pode ser entendido, por
um lado, pela dificuldade das organizações em encontrar o equilíbrio ideal entre suas operações internas,
enquanto, do outro lado as oportunidades de melhoria no gerenciamento da cadeia de suprimentos.
Atualmente, a proliferação de produtos é livre, com clientes exigindo cada vez mais produtos
customizados, adaptados a suas necessidades, e as reações das empresas são a busca por atender
a tal característica. Veja como podemos solicitar uma configuração customizada para um novo
77
Unidade III
notebook, coisa que há algum tempo não existia. A crescente variedade costuma aumentar a
incerteza, que, por sua vez, resulta em aumento de custos e redução da capacidade de resposta na
cadeia de suprimentos.
Se de um lado temos cada vez mais produtos, por outro, a vida desse produtos diminui cada vez mais.
Já existem produtos com ciclo de vida medido em meses, quando até bem pouco tempo o padrão era
ano. Isso obriga a cadeia de suprimentos a estar em constante adaptação com a produção e entrega de
novos produtos, além da incerteza da entrega desses novos produtos. As alternativas de alinhamento da
cadeia de suprimentos diminuem devido à incerteza, que é mais um fator de pressão sobre o equilíbrio
oferta e demanda na cadeia de suprimentos.
As exigências dos clientes aumentaram, considerando‑se lead times, custos e desempenho dos
produtos melhores que no passado, porém, pagando o mesmo preço que antes. Assim, a cadeia de
suprimentos precisa oferecer mais para simplesmente manter seu negócio.
Com a abertura comercial global, as cadeias de suprimentos são, hoje, globais, gerando muitos
benefícios, como a oferta de produtos melhores e mais econômicos que no país de origem, ao mesmo
tempo em que a distância entre os elos da cadeia tornam a coordenação mais difícil ainda.
Com isso, a criação de uma estratégia de cadeia de suprimentos bem‑sucedida não é fácil, tornando
a intenção de medir o desempenho ainda mais árdua.
Observação
O termo balanced score card surgiu para compor o conceito administrativo de inteligência dos
negócios (BI). Fornecedores de produtos, prestadores de serviços e profissionais das empresas se utilizam
desse conceito para medir valor nas organizações.
78
Gestão de suprimentos e logística
Para atingir objetivos e metas, as organizações reconhecem que necessitam de métricas quantitativas
que lhes informem onde estão, com que velocidades estão se movimentando e quando atingirão metas.
Segundo Brugnolo, o estabelecimento de metas e métricas, contudo, não é tarefa fácil.
Pressões de mercado fazem com que as organizações se apoiem apenas em algumas metas e métricas
correspondentes (por exemplo, receita, expansão de mercado), em detrimento de benefícios de longo
prazo, relacionamento com colaboradores e com clientes. O estabelecimento de um conjunto equilibrado
de métricas organizacionais que leve em consideração múltiplas perspectivas, interdependentes, está
atualmente na agenda das organizações de ponta.
Observação
O conceito do balanced score card foi descrito inicialmente por Robert S. Kaplan, que, junto com
David P. Norton, escreveu um livro em 1996, entitulado The Balanced Scorecard: Translating Strategy
into Action.
O foco do balanced score card é descobrir e tratar conflitos. Para tanto, sugere quatro perspectivas
organizacionais, cada qual com as respectivas métricas.
1. A perspectiva financeira. Métricas típicas, nesta perspectiva, podem ser ganhos por ação,
crescimento da receita ou crescimento do lucro.
2. A perspectiva do cliente. Market share, satisfação do cliente, taxa de retenção de clientes são
métricas representantes dessa perspectiva.
3. A perspectiva dos processos internos. O tempo de ciclo é uma métrica operacional típica dessa
perspectiva. Outras métricas incluem custo da operação, velocidade com que a atividade é feita,
segurança.
Um balanced score card sugere que a organização identifique e equilibre metas associadas às
diferentes perspectivas para reduzir a possibilidade de que uma meta em particular sobrepuje as outras
em detrimento da organização.
79
Unidade III
Por exemplo, uma organização voltada unicamente aos ganhos por ação pode não estar investindo
suficientemente em seus colaboradores, pode estar pressionando os clientes e pode não estar adotando
medidas de qualidade e segurança.
Da mesma maneira, organizações que gastam muito com inovação tecnológica ou se dedicam muito
a satisfazer clientes, independentemente dos custos que isso representa, podem não estar obtendo
receitas suficientes para permanecer no negócio. Tradicionalmente, métricas organizacionais são
predominantemente financeiras.
• as quatro perspectivas do balanced score card citadas anteriormente precisam ser consideradas
no ambiente da cadeia de suprimentos, e não de cada empresa de forma isolada;
• cada empresa precisa estar alinhada com a visão e a estratégia da cadeia de suprimentos como
um todo;
• cada empresa terá de conciliar esse alinhamento com as outras cadeias de suprimento das quais
participa.
Ou seja, a visão da cadeia de suprimentos deve ser o ponto de partida para o desdobramento do
balanced score card no contexto de cada empresa da cadeia de suprimentos, de suas funções e de suas
equipes ou indivíduos.
80
Gestão de suprimentos e logística
Saiba mais
A ênfase deve ser: “Como um grupo de empresas atua para criar valor para os clientes finais”. São
necessárias três mudanças importantes:
• cada empresa, independente de sua posição na cadeia de suprimentos, deve voltar seu foco para
o atendimento do cliente final em todas as suas dimensões.
81
Unidade III
consistentes com a estratégia, a comunicação das medidas e a orientação para obtenção dos resultados
esperados.
Lembrete
Nas cadeias de suprimento existirão, como já comentado, barreiras naturais, visto que a implementação
do BSC exige uma abordagem colaborativa, orientada pela confiança, encorajando as empresas a verem
seus desempenhos em termos da cadeia de suprimentos como um todo. Segundo Pires (2004), para
vencer esse desafio, é necessário, em primeiro lugar, identificar quais são os principais obstáculos, tais
como:
82
Gestão de suprimentos e logística
• desconfiança;
• falta de entendimento;
• falta de controle;
• sistemas de informação;
Just in time , cuja tradução para o português resulta em algo não muito claro – “apenas
a tempo” –, corresponde à atividade de produzir bens e serviços exatamente no momento
em que os mesmos são necessários, evitando, assim, que a produção antecipada resulte em
estoque ou atrasos. Devido a essa característica – produzir e entregar exatamente quando
necessário – é que esse modelo de planejamento e controle recebeu o nome de just in time .
Adicionando qualidade e eficiência ao tempo, chega‑se à definição completa do que é just in
time . Segundo Voss (1987):
Uma forma de compreender a abordagem JIT e conhecer sua diferença com os métodos tradicionais
de planejamento e controle considera a análise do contraste entre os dois sistemas de manufatura:
83
Unidade III
Fluxo tradicional
Estoque Estoque
amortecedor amortecedor
Estágio A Estágio B Estágio C
Observação
Se por um lado é prudente proteger a produção de oscilações provenientes do mercado, seja pela
falta de matéria‑prima, seja pela falta de demanda, por meio dos estoques, o JIT busca exatamente o
oposto, que é a exposição dos processos aos problemas, buscando soluções rápidas.
Os estoques são entendidos, dentro da filosofia JIT como uma barreira de proteção aos defeitos.
Quando se inicia o processo de transformação dos processos para o JIT, essa barreira começa a
84
Gestão de suprimentos e logística
desaparecer, e os problemas, até então encobertos pelos estoques, afloram. A figura a seguir é excelente
para demonstrar os efeitos da adoção da filosofia JIT:
Ataque
seletivo aos
problemas
Melhoria
contínua
Os muitos problemas de produção são demonstrados pelas pedras no fundo do lago, que começam
a aparecer quando o nível da água – estoques – diminui, permitindo, assim, que cada um deles seja
resolvido e permitindo que o nível diminua mais ainda, e assim por diante.
Em geral o sistema just in time é compreendido como sendo uma filosofia de manufatura, dando
uma orientação que guia as ações de gerenciamento na execução de distintas atividades.
O JIT, porém, também é uma coletânea de distintas metodologias aplicadas aos processos produtivos.
Muitas dessas metodologias já são conhecidas, mas algumas são específicas da metodologia JIT.
85
Unidade III
Fonte: SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
Just in time procura refletir uma filosofia e um conjunto de técnicas utilizadas pelas indústrias
japonesas a partir da revolução iniciada na década de 60 por Deming:
• eliminar os desperdícios.
É tipicamente uma filosofia que dá ênfase à eliminação do desperdício e ao alto valor agregado.
Assim sendo, a filosofia JIT baseia‑se em eliminar desperdícios, envolver os funcionários na produção
e no esforço pelo aprimoramento contínuo.
Desperdício, conforme Slack (2007), é definido como qualquer atividade que não agrega valor:
• superprodução;
• tempo de espera;
• transporte;
86
Gestão de suprimentos e logística
• estoques;
• produtos defeituosos.
Quanto ao envolvimento de todos, o JIT pode ser entendido como uma cultura organizacional
nova, que busca envolver todos os funcionários da organização, sendo vista como o gerenciamento da
qualidade total (TQM).
Lembrete
Flexibilidade de Igualdade de
Disciplinas e padrões
práticas de trabalho condições
Lembrete
As denominadas técnicas JIT são, afinal, uma série de ferramentas e técnicas que buscam a eliminação
dos desperdícios de forma sistemática. Sua aplicação resulta em enormes benefícios para a organização
que as implementa:
87
Unidade III
• projeto para a manufatura, por meio da revisão dos projetos, buscando otimizar a fabricação/
montagem dos componentes, sem o uso de métodos complexos ou confusos;
• arranjo físico e fluxo, resultando em fluxos suaves de materiais, dados e de pessoas pela operação;
• redução de set‑up, que é o tempo gasto desde o término de produção de um determinado lote,
a desmontagem e remontagem da máquina operatriz, preparando‑a para realizar nova operação,
diferente da anterior, e o início da nova atividade. Nada se produz durante esse tempo, e assim,
quanto menor ele for, mais tempo de operação a organização terá;
• envolvimento total das pessoas, exigindo responsabilidade no uso das habilidades individuais, em
prol da organização;
• visibilidade, permitindo a discussão de todos os problemas e vitórias, por meio dos círculos da
qualidade (CCQ), painéis etc.;
Pode‑se observar, por simples análise da lista anterior, que a implementação da filosofia JIT nas
organizações exige um comprometimento muito grande por parte da alta direção, que deverá, por
meio desse comprometimento, convencer os demais funcionários no esforço da mudança cultural que
representa essa implementação.
O planejamento e controle JIT atua diretamente em um dos pontos de maior desperdício nas
organizações, que é o estoque em processo. Nos métodos convencionais de planejamento e controle, as
ordens de produção são lançadas para a produção assim que chegam, gerando um processo denominado
de produção empurrada, uma vez que a primeira máquina do ciclo é a que recebe a ordem de produção
e inicia sua tarefa, sem se preocupar com as demais do processo envolvido.
88
Gestão de suprimentos e logística
Demanda
Puxado:
Condições para disparar produção:
1. Sinal vindo da demanda - quadrado
Kanban com menos de dois produtos
(no exemplo)
2. Disponibilidade do equipamento
3. Disponibilidade do material
Saiba mais
89
Unidade III
Na prática, o Kanban é realmente um cartão utilizado por um estágio adiante no processo produtivo
(e que pode ser chamado de estágio‑cliente) para avisar o estágio anterior do processo produtivo (e que
pode ser denominado estágio fornecedor) que este deve enviar mais uma quantidade de material.
• Kanban de transporte, que é usado para informar ao fornecedor interno que este deve enviar
certa quantidade de material para a próxima máquina. O Kanban indica a peça, a quantidade, de
onde virá e para onde deve ir;
• Kanban do fornecedor externo, utilizado para informar ao fornecedor que determinado material
é necessário em determinado estágio da produção.
Saiba mais
Já a programação nivelada busca garantir que o volume de produção, assim como sua composição
(mix) sejam constantes no tempo. No exemplo citado por Slack (2007), em vez de se produzir um único
lote de quinhentas peças, que atenderá à demanda de, por exemplo, três meses, a programação nivelada
propõe a fabricação de uma peça por hora. Não é tão simples de aplicar como aparenta a definição
anterior, mas o principal benefício é que o processo de produção estará permanentemente produzindo
pequenos lotes de todos os itens a produzir, resultando em lotes pequenos sendo tratados nas maquinas,
resultando em menor estoque total.
Os modelos mesclados surgem pelo fato de nem sempre ser possível equilibrar o processo produtivo
por meio de pequenos lotes que atendam às necessidades da demanda, visto que os tempos de produção
90
Gestão de suprimentos e logística
para cada produto não são idênticos, e as taxas de produção não são adequadas. Assim, surgirá a
necessidade de se produzir lotes para alguns itens da produção, enquanto outros podem se manter
dentro da produção nivelada. A sincronização dos processos será a grande ferramenta a ser utilizada
para atingir o ponto ótimo nesse tipo de planejamento.
Para encerra este tema referente ao JIT, resta fazer uma avaliação entre o JIT e o MRP. O JIT surgiu
depois que as organizações já adotavam o MRP, parecendo técnicas opostas.
Avaliando mais a fundo o MRP e o JIT, Slack (2007) observou algumas similaridades e diferenças
entre os dois processos. O principal objetivo do MRP é o de fornecer produtos just in time, quando são
necessários, buscando fazer com que a empresa produza os bens no momento em que serão requeridos
pelo mercado. O MRP pode planejar a produção quando o objetivo é antecipar as necessidades futuras
de produtos. O MRP lida com listas e estruturas de matérias complexas.
O JIT, por sua vez, não é bem adequado a ambientes complexos, mostrando suas vantagens, em
geral, para estruturas mais simples de produtos, com demanda previsível e fluxos definidos. Em certas
situações, o JIT não funciona tão bem como o MRP, porque o JIT, geralmente, reage a situações, enquanto
o MRP prevê e antecipa a demanda.
• sistemas diferentes para produtos diferentes: dentro de uma mesma organização podemos usar
o JIT para itens de alto fluxo, repetitivos, em que inclusive se aplica o uso do Kanban, enquanto
itens eventuais serão tratados pelo MRP, com emissão de ordens de fabricação e o trabalho sendo
monitorado;
• MRP para controle global: JIT para controle interno: o planejamento MRP de materiais comprados
garante disponibilidade ao sistema, para que possam ser puxados pelo [Link] vantagens da
combinação dos dois sistemas são:
91
Unidade III
Lembrete
6 A atividade de compras
Não existe a área de suprimentos sem que exista a atividade de compras, que é fundamental para a
gestão da área de materiais. Um bom volume de vendas e uma abordagem competitiva, que resultem
em crescimento e lucro, exigem uma permanente busca por redução dos custos, e encontrar alternativas
de qualidade, porém mais econômicas, para os materiais utilizados faz parte dessa busca. Segundo Dias
(2001), os objetivos básicos da área de compras são:
• coordenar o fluxo, aplicando o mínimo de investimento, não afetando, por outro lado, a
operacionalidade da empresa;
Observação
1. Pedidos de compras.
3. Pedidos em aberto.
6. Índice de qualidade do fornecedor (comum o uso do índice PPM – Partes Por Milhão – com
defeito entre todas fornecidas).
Da mesma forma que a classificação dos itens em estoque permite o uso do diagrama de Pareto, ou
curva ABC, também na atividade de compras pode‑se usar a mesma classificação, dividindo os itens a
comprar em diferentes classes, possivelmente as mesmas utilizadas no controle dos estoques. Em geral,
conforme Dias (2001), as atividades de compras podem ser divididas em cinco grupos:
93
Unidade III
• quanto ao fornecedor:
— índice de qualidade;
— compras de emergência;
Em uma atividade de compra, o aspecto da negociação aparece claramente dentro das tomadas de
decisão. Pode ser considerado um processo de planejamento, revisão e análise, conforme Dias (2001),
aplicado por dois grupos opostos, que buscam um consenso satisfatório para as duas partes envolvidas,
que maximiza os interesses de ambos. Fundamentadas na análise, na discussão, na barganha e, ao final,
no entendimento, tais decisões passam a fazer parte de cláusulas contratuais.
Em toda negociação de preços existe, de cada lado da mesa de negociação, um nível de preço‑alvo
e um nível de preço‑limite. Alvo e limite mudam de perspectiva se o lugar à mesa é o de comprador
ou de fornecedor. Preço‑alvo é o que cada lado deseja. Preço‑limite é o mínimo (menor preço que o
fornecedor se propõe a oferecer) ou máximo (maior valor que o comprador se dispõe a pagar). Lançando
esses limites em um simples gráfico, temos:
94
Gestão de suprimentos e logística
ZOPA
Saiba mais
A ordem de compra somada à cortesia e a relações amistosas leva, em geral, a atitudes de cooperação.
Um processo de compra hoje deve ser entendido como o primeiro de um longo relacionamento
comercial. Conseguir vantagens ilusórias pode levar ao rompimento da cordialidade. As relações devem
ser, sempre que possível, pensadasem longo prazo.
95
Unidade III
Os profissionais responsáveis pela atividade de compras são envolvidos, muitas vezes, nas atividades
de negociação, visto que não é somente preço o item a negociar. Segundo Dias (2001), algumas das
atividades mais comuns que exigem negociação são:
• propostas técnicas podem gerar perdas, uma vez que não necessariamente as contingências
previstas podem acontecer (inundação, tsunamis, terremotos etc.);
• nos casos de análise detalhada, para definir entre comprar ou fabricar componentes;
• nos casos em que o fornecedor é preferido em detrimento de outros, nos casos nos quais não
existe competição.
Lembrete
Barganha do fornecedor
Muitos aspectos das negociações passam pela resposta a três questões pertinentes ao fornecedor:
• o interesse do fornecedor pelo contrato, que pode ser demonstrado positivamente pela frequência
com que o fornecedor procura o comprador e as condições gerais do mercado. Em fases de
crescimento econômico, o fornecedor terá vantagens nas negociações com os compradores,
96
Gestão de suprimentos e logística
uma vez que as opções de venda são muitas. Em fases de recessão, os compradores estarão em
vantagem em relação aos fornecedores;
• o fornecedor pode ter a certeza de que irá obter o contrato, pois sabe que seus preços são os mais
competitivos, ou se foi selecionado tecnicamente, ou se for a única fonte (monopólio);
• o fator tempo muitas vezes estará ao lado dos fornecedores, uma vez que os compradores têm
prazos muito curtos para fechar os pedidos de compra.
Barganha do comprador
• conhecer análise de custos e preços faz parte dos conhecimentos que um comprador deve ter. Nos
casos em que o produto a adquirir corresponde à parte da capacidade produtiva do comprador
(tipicamente quando se terceiriza capacidade), conhecer a formação do custo é vital para aferir se
o preço está adequado ou não;
• finalmente, o conhecimento do produto a comprar gera vantagens para o comprador. Talvez seja
exigir demais de alguns compradores que, de repente, se veem perante itens técnicos e precisam
dominar suas características para bem executar sua atividade de compra. Os fornecedores podem
tirar vantagem da falta de preparo ou de conhecimento dos compradores.
Observação
Resumo
97
Unidade III
Exercícios
Questão 1. (Enade 2009) Você está trabalhando para uma empresa que fornece matérias‑primas
(commodities) e, portanto, está num ponto bem à montante (atrás) da sua rede de suprimentos. O
gerente de planejamento, uma pessoa nitidamente estressada, não sabe mais o que fazer com a variação
que a demanda sofre mensalmente. Seu sistema de planejamento é bastante reativo e não há uma
preocupação de gerenciamento de redes de suprimento neste setor industrial.
98
Gestão de suprimentos e logística
O que está acontecendo é o efeito “Forrester” ou efeito “chicote”, isto é, uma pequena variação na
demanda do consumidor está provocando uma grande variação na demanda de um fornecedor, no
início da cadeia de suprimentos. O que falta ao gerente?
A) Alternativa correta.
B) Alternativa incorreta.
C) Alternativa incorreta.
99
Unidade III
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: a demanda pode variar para mais ou para menos. A questão não está nos recursos para
atender à demanda, mas na informação antecipada de qual é a demanda.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: não há nada de errado com os pedidos dos clientes. O problema é que os pedidos não
são constantes.
Questão 2. Analise as figuras que retratam duas situações de produção e distribuição de produtos
ao mercado, de forma a atender às demandas e expectativas dos clientes/consumidores.
Encomendas Procura
Produto
Produção acabado Mercado
Reposição do Fornecimento
estoque
Sistema de produção‑distribuição 1
Procura
Produção Mercado
Fornecimento
Sistema de produção‑distribuição 2
100
Gestão de suprimentos e logística
A) I e II.
B) I, III e IV.
C) III e IV.
D) II, IV e V.
E) III, IV e V.
101