O luto é explicado por Parkes (1998 apud
Santos; Yamamoto; Custódio, 2018) e Bromberg
(2000 apud Santos; Yamamoto; Custódio, 2018)
como uma reação normal em resposta a um
estresse proveniente do rompimento de uma
relação significativa. Logo, tal reação é definida
como a expressão do descontentamento
relacionado à privação e perda de alguma pessoa
ou objeto considerado essencial e que fora
anteriormente oferecido. Assim, estão envolvidas
duas personagens nessa representação: uma que é
perdida e a outra que lamenta sua falta (Parkes,
1998 apud Santos; Yamamoto; Custódio, 2018).
Todavia, é necessário que haja o rompimento de um
vínculo entre as partes envolvidas para que o luto
ocorra (Bromberg, 1996 apud Santos; Yamamoto;
Custódio, 2018).
Apesar de ser uma reação normal a uma perda,
o uso do termo luto é geralmente usado para se
referir a perda de uma pessoa, em especial, uma
pessoa amada (Bromberg, 1996 apud Santos;
Yamamoto; Custódio, 2018). No entanto, o luto
também ocorre em outras situações de perda que o
indivíduo pode passar ao longo da vida, como
término de relacionamentos, morte de um animal de
estimação, perda de um membro do corpo devido a
um acidente ou cirurgia, entre outras (Ramos,
2016).
De acordo com Franco (2008 apud Santos;
Yamamoto; Custódio, 2018), o luto trata-se de um
processo, visto que é necessário que eventos
aconteçam, que o indivíduo perceba e atue sobre
esses eventos, que novas situações se apresentem
e possam ser significadas. Sendo assim, é entendido
como um processo particular, não havendo dois
processos de luto idênticos. Assim, cada pessoa
vivencia o processo de uma forma, levando em
consideração que os fatores culturais, o meio que a
pessoa está inserida e o contexto da perda
influenciam a maneira como o luto será enfrentado
(Ramos, 2016).
Como principais sinais e sintomas encontrados
no luto a nível de sentimentos temos: tristeza; raiva;
culpa e autorrecriminação; ansiedade; solidão;
fadiga; choque; anseio pela presença do outro;
emancipação; alívio; estarrecimento; desamparo. A
nível cognitivo: descrença; confusão; preocupação;
sensação de presença; alucinações. Sendo que as
cognições negativas desempenham importante
papel no desenvolvimento das questões emocionais
no processo de luto. Por fim, a nível
comportamental temos: transtornos do sono;
transtornos do apetite; comportamento “aéreo”;
isolamento social; sonhos com a pessoa morta;
evitação de coisas que lembrem a pessoa morta;
passeio a lugares que lembrem a pessoa morta;
portar objetos que pertenciam a ela; choro;
hiperatividade. Além disso, são comuns as
seguintes queixas: vazio no estomago; aperto no
peito; nó na garganta; hipersensibilidade ao
barulho; sensação de despersonalização (“nada me
parece real, inclusive eu”); falta de ar; fraqueza
muscular; falta de energia; boca seca (Bernand
Rangé et. al., 2011, p.726).
Fases do Luto: conheça seus estágios
10 de maio de 2021
| Tempo de leitura: 9 minutos
As fases do luto são componentes essenciais do
processo de aceitação das perdas. É um tanto
peculiar que nós, como seres humanos, temos
consciência da finitude da nossa existência, mas
não é costumeiro estar pronto para ela.
As perdas normalmente atingem as pessoas em
cheio, causando lágrimas, arrependimentos,
desespero e depressão. Essas são reações
normais, esperadas e necessárias para aliviar a
tristeza causada pela morte de alguém querido.
Todavia, será que elas seriam mais brandas se
houvesse a compreensão e a aceitação da
eminência da morte?
A verdade é que são poucos os que estão
preparados para lidar com as perdas.
O processo de luto ainda é um tabu. A maioria
prefere deixar para se preocupar com isso no
momento exato do acontecimento. Por conta das
muitas superstições que circulam pelo Brasil,
algumas pessoas até temem “chamar a morte”
simplesmente por tocar neste assunto!
Com o objetivo de fazer esclarecimentos sobre o
luto, neste post vamos abordar os cinco estágios
desse processo.
O que é o luto?
O luto é um processo que se inicia a partir da perda
de uma pessoa querida. Uma sensação semelhante
também surge quando se perde um vínculo afetivo
ou o contato com uma experiência com a qual já se
estava acostumado, como o trabalho.
A pessoa enlutada entra em um estado de
recolhimento, onde passa por uma trajetória
emocional complexa, logo após a perda. Durante
esse tempo, é comum que a pessoa enlutada
aparente estar sempre triste, tenha crises de choro,
se recuse a sair de casa e perca o interesse em
atividades que antes amava.
Da mesma forma, ela pode alimentar um conjunto
de emoções e expressá-las de maneiras que nem
sempre são racionais, tais como culpa, frustração,
irritabilidade, desânimo, angústia, medo e
desespero.
Embora dolorosa, essa experiência é necessária
para ela retomar o contato com o mundo
exterior – trabalho, vida social, relacionamento e
projetos pessoais. Cada indivíduo passa por essa
trajetória de forma única.
Dependendo da sua personalidade, experiências de
vida e capacidade de gerir emoções, a pessoa em
luto pode sucumbir aos sentimentos ruins no meio
do caminho ou chegar ao estágio de aceitação com
naturalidade
Independente da situação o resultado deve ser o
mesmo: superar o luto. Mesmo que demore anos
para superar a morte de alguém próximo,
especialmente quando a convivência com essa
pessoa era diária, é preciso alcançar a superação.
Os cinco estágios do luto
A primeira pessoa a falar sobre as cinco fases do
luto foi a psiquiatra suíça-americana, Elisabeth
Kübler-Ross (1926 – 2004).
Ela dedicou a sua carreira a estudar as reações
emocionais de pacientes terminais, principalmente
de câncer e de AIDS, oferecendo lhes escuta em
momentos de solidão e medo. O seu objetivo era
humanizar o tratamento desses pacientes em
hospitais e clínicas, além de educar uma nova
geração de médicos sobre a morte e o luto de
familiares.
Em seu livro “Sobre a Morte e o Morrer”, Elisabeth
escreveu sobre os cinco estágios do luto. Ela
entrevistou pacientes e familiares, buscando
compreender a sua relação com a iminência da
morte e a aceitação da perda.
1. Negação
Normalmente, a reação imediata ao ouvir a notícia
da morte de alguém amado é rejeitá-la. A pessoa
enlutada não acredita nem quer tentar acreditar na
possibilidade de ter perdido um ente querido, então,
rejeita a própria realidade. “É impossível!”, ela
pensa constantemente.
A negação, neste caso, tem como objetivo
protegê-la de uma verdade inconveniente, a
qual pode desestruturá-la psicologicamente. Deste
modo, esse estágio do luto pode demorar minutos,
dias ou semanas para passar.
É comum que a pessoa enlutada busque
o isolamento social e o distanciamento de tudo que
lembre o indivíduo que partiu neste período.
2. Raiva
Sentimentos de raiva, angústia, desespero, medo,
culpa e frustração se manifestam constantemente.
Este turbilhão domina a mente da pessoa enlutada,
fazendo-a ter condutas ríspidas e desagradáveis.
Quando alguém tenta trazê-la para realidade, ela
reage com agressividade, ainda incapaz de aceitar a
perda.
É possível que a pessoa em luto expresse a sua
raiva por meio de atitudes autodestrutivas, como
beber exageradamente, brigar com desconhecidos e
destruir propriedade alheia. Como está
transtornada, ela não compreende a gravidade de
suas ações.
3. Barganha ou Negociação
Esta fase do luto se constitui por negociações. A
pessoa enlutada negocia consigo mesma ou com a
entidade superior em que acredita na tentativa
desesperada de aliviar a sua dor. Diversos
pensamentos de “e se eu tivesse feito isso” ou de
“se eu fizer X coisa, posso reverter a situação”
rondam a mente da pessoa em luto. Mesmo que ela
tenha consciência da impossibilidade desses feitos,
ela os alimenta para consolar a si mesma.
4. Depressão
Uma das cinco fases do luto mais intensas é a
depressão. A pessoa é acometida por um grande
sofrimento, o qual pode se prolongar por semanas
ou meses. Ela se apega à dor causada pela partida
do ente querido, usando-a como combustível para
permanecer em estado depressivo.
Assim, a pessoa enlutada chora copiosamente,
repensa as suas decisões e experiências de vida, se
isola de familiares e amigos, tem crises de saudade
e não consegue retomar à vida normal da mesma
maneira que antes.
Este estágio do luto requer muita conversa e apoio
de pessoas próximas, além de acompanhamento
psicológico. A pessoa em luto pode acabar
desenvolvendo um transtorno de depressão
profundo e não conseguir chegar ao estágio de
aceitação da morte.
5. Aceitação
A aceitação é o último estágio do luto, mesmo
quando a experiência não é linear. É neste
momento que a pessoa enlutada compreende a sua
nova realidade, constituída pela ausência de
quem partiu. Os sentimentos e angústias já foram
externalizados, resultando em uma sensação de paz
interior.
Aceitar a perda não significa seguir a vida como se a
pessoa amada nunca tivesse existido. Não é
esquecer os momentos bons partilhados com ela
nem enterrar lembranças calorosas em um canto da
mente. A saudade ainda vai mexer com as emoções
e a pessoa amada ainda vai visitar os pensamentos,
mesmo anos após a sua partida.
Aceitar significa conviver pacificamente com a
perda. É o mesmo que se lembrar da pessoa que
partiu com carinho, ser grato por ela ter participado
de sua vida, compreender que é preciso continuar a
viver mesmo sem a presença dela e compreender a
finitude da vida.
A aceitação pode ser trabalhada muito antes do luto
começar.
Apesar de ser difícil aceitar que a vida cessará
algum dia, precisamos fazê-lo para lidar melhor com
as nossas perdas. Embora seja comum esperar pelo
fim somente ao chegar a uma idade avançada,
todos nós estamos suscetíveis a encontrá-lo e o
encontramos a qualquer momento.
ENTÃO, COMO ATUAR, AJUDANDO A LIDAR
MEDIANTE A UM PROCESSO DE LUTO?