0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações25 páginas

Fundamentos do Direito Constitucional

O documento aborda a Teoria Geral do Direito Constitucional, destacando a importância da Constituição Federal de 1988 como a norma suprema do Brasil. Ele explora os históricos e fundamentos do constitucionalismo, suas classificações e a aplicabilidade das normas constitucionais, além de analisar as concepções da Constituição e suas versões anteriores. O estudo enfatiza a relevância da Constituição na organização do Estado e na proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos.

Enviado por

Alyson Fonseca
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações25 páginas

Fundamentos do Direito Constitucional

O documento aborda a Teoria Geral do Direito Constitucional, destacando a importância da Constituição Federal de 1988 como a norma suprema do Brasil. Ele explora os históricos e fundamentos do constitucionalismo, suas classificações e a aplicabilidade das normas constitucionais, além de analisar as concepções da Constituição e suas versões anteriores. O estudo enfatiza a relevância da Constituição na organização do Estado e na proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos.

Enviado por

Alyson Fonseca
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Teoria Geral do Direito Constitucional _ Históricos e

Fundamentos do Constitucionalismo

Kadra Regina Zeratin Rizzi


Ayrton Perroni Alba
SUMÁRIO

1. Teoria Geral do Direito Constitucional...........................................................6


2. Históricos e Fundamentos do constitucionalismo..........................................6
2.1. Constitucionalismo na Antiguidade...................................................7
2.2. - Constitucionalismo na Idade Média.................................................7
2.3. - Constitucionalismo na Idade Moderna............................................7
2.4. Constitucionalismo Contemporâneo.................................................8
3. O que é a Constituição Federal......................................................................9
3.1. Concepções e sentidos da Constituição...........................................10
3.1.1. Sentido sociológico – Ferdinand Lassale..............................10
3.1.2. Sentido político – Carl Schimitt............................................11
3.1.3. Sentido jurídico – Hans Kelsen............................................11
3.1.4. Sentido lógico-jurídico.........................................................11
3.1.5. Sentido jurídico positivo......................................................12
3.2. Constituições Anteriores..................................................................12
4. Classificações da Constituição Federal..........................................................13
4.1. Quanto ao conteúdo........................................................................14
4.2. Quanto à forma.................................................................................14
4.3. Quanto à origem................................................................................14
4.4. Quanto ao modo de elaboração.......................................................14
4.5. Quanto á estabilidade.......................................................................14
4.6. Quanto à extensão............................................................................15
5. Aplicabilidade das Normas Constitucionais...................................................15
6. Marcos Fundamentais da Constituição Federal de 1988...............................16

3
7. Elementos integrantes do Estado..................................................................17
7.1. Povo...................................................................................................17
7.2. Território............................................................................................18
7.3. Soberania...........................................................................................18
8. Cláusulas Pétreas.........................................................................................18
[Link]ões......................................................................................................20
Referências ....................................................................................................25

4
APRESENTAÇÃO

O estudo da Teoria Geral do Direito Constitucional é extremamente relevante


para a compreensão do Direito como um todo, afinal, a Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988 (CF/88) é fundamento de validade de
todas das normas do nosso sistema jurídico. Ela está no centro do nosso
ordenamento jurídico irradiando seus efeitos e devendo ser observada por
todos os outros atos normativos infraconstitucionais, sejam eles leis ordinárias,
leis complementares, decretos, medidas provisórias, resoluções, regulamentos,
portarias etc.

Esse estudo objetiva desenvolver o conhecimento dos fundamentos teóricos da


organização jurídico-constitucional da CF/88, destacando seus objetos
princípios e garantias.

5
1. Teoria Geral do Direito Constitucional

O Direito Constitucional é um ramo do Direito Público responsável por analisar,


interpretar e garantir o cumprimento da Constituição de um país, ou seja, as
normas que regulam e delimitam o poder do Estado e garantem o
cumprimento dos direitos considerados fundamentais.

Juridicamente, o texto constitucional deve ser entendido como a lei


fundamental e suprema do Estado, que contem normas referentes à
estruturação do Estado, à formação dos poderes públicos, forma de governo e
aquisição do poder de governar, distribuição de competências, direitos,
garantias e deveres dos cidadãos. Além disso, é a Constituição que individualiza
os órgãos competentes para a edição de normas jurídicas, legislativas ou
administrativas.

2. Histórico e fundamentos do constitucionalismo

Devemos compreender o Constitucionalismo como um movimento social,


político e jurídico, cujo principal objetivo é limitar o poder estatal por meio de
uma Constituição.

A análise do histórico e fundamentos do constitucionalismo brasileiro


possibilita entender as definições, as classificações, os princípios fundamentais
na CF/88, a separação de poderes, bem como fundamentos, objetivos e
princípios da CF/88.

6
2.1. Constitucionalismo na Antiguidade:

Na antiguidade, o constitucionalismo era assentado sob os conceitos do estado


teocrático, momento em que os profetas fiscalizavam os atos do governo
regulado pelos limites estabelecidos nos textos da bíblia.

Nas palavras de MARCELO NOVELINO ”A sociedade vivia sob jugo da


autoridade divina e os direitos tinham uma forte influência da religião. As
normas supremas que deveriam nortear a vida em comunidade, bem como a
estrutura jurídica daqueles povos, eram representados pelos deuses na terra,
assim como os sacerdotes”. (NOVELINO, Direito Constitucional, 5º edição, pág,
54, 2011)

2.2. Constitucionalismo na Idade Média:

O constitucionalismo da idade média foi marcado pela Carta Magna de 1215, o


qual trazia proteção à alguns direitos individuais, como por exemplo, ninguém
poderia ser condenado e preso sem houvesse um processo judicial. A Carta
Magna também redefiniu alguns poderes da monarquia, como, por exemplo, a
cobrança de novos impostos.

2.3. Constitucionalismo na Idade Moderna

Quanto ao constitucionalismo na idade moderna, conforme leciona PEDRO


LENZA, “Dois são os marcos históricos e formais do constitucionalismo
moderno: a Constituição Norte-americana de 1789 e a francesa de 1791 (que
teve como preâmbulo a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de
1789), movimento este deflagrado durante o iluminismo e concretizado como
uma contraposição ao absolutismo reinante, por meio do qual se elegeu o povo

7
como titular legítimo do poder.”(LENZA, Direito Constitucional, 22ª, edição, pág
67, 2018)

Ainda durante a idade moderna, com o fim da primeira guerra mundial em


1918, podemos destacar o surgimento de alguns pactos como o Petition of
Rights, o Habeas Corpus e o Bill of Rights. Nesse sentido, vale lembrar que
houve uma pequena participação social, no entanto, os direitos individuais não
atingiam a universalidade, ou seja, os direitos eram só para alguns.

Foi sob os parâmetros dos ideais do liberalismo que as Constituições Brasileiras


de 1824 e de 1891 foram elaboradas.

Segundo LENZA, a concepção de constitucionalismo liberal, abarcava os


seguintes valores: “individualismo, absenteísmo estatal, valorização da
propriedade privada e proteção do indivíduo.” (LENZA, Direito Constitucional,
22ª, edição, pág 66, 2018)

2.4. Constitucionalismo Contemporâneo

Após a Segunda Guerra Mundial, em 1945, diante das barbáries ocorridas


nesse período, o mundo encontrava-se perplexo. As pessoas estavam
consternadas e grande maioria da população vivia na extrema pobreza. Ocorre
que após esse período, o constitucionalismo contemporâneo recepcionou
novos conceitos sociais que podem ser compreendido em três grupos,
conforme destaca MARCELO NOVELINO, sobre o agrupamento realizado por DI
RUFFIA:

I) constituições da democracia social;

II) constituições socialistas;

8
III) constituições de países de “Terceiro Mundo (ou de países em
desenvolvimento)

NOVELINO destaca ainda… ”As Constituições elaboradas nesse período tendem


a ser prolixas, programáticas, ecléticas e “totalizantes” (constituição total)”
(NOVELINO, Direito Constitucional, 5º edição, pág, 60, 2011)

3. O que é a Constituição Federal

Um Estado é formado por um território, o povo e um governo para manter a


organização. Este Estado precisa de leis que regulem as relações da vida em
sociedade para que se mantenha a ordem. Dentre tantas leis que fazem parte
de um Estado, existe uma mais forte que se sobressai entre todas elas. Está é a
Constituição, também chamada de Lei Maior.

Assim, a Constituição é a norma fundamental e suprema que rege a


organização e o funcionamento do Estado. Segundo JOSÉ AFONSO DA SILVA
(2015, p. 39-40), “é um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras,
que regula a forma do Estado, a forma de seu governo, o modo de aquisição e
exercício de poder, o estabelecimento de seus órgãos, os limites de sua ação, os
direitos fundamentais do homem e as respectivas garantias. Em síntese, a
constituição é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do
Estado”.

No Brasil, a atual Constituição Federal foi promulgada em 1988, durante o


processo de transição da ditadura militar para a democracia. Dentre os
principais pontos da nossa Constituição, está a garantia da igualdade de
gênero, a criminalização do racismo, o acesso à saúde pública, educação e ao
trabalho a todos, a eleição direta e a liberdade de manifestação.

9
Promulgada em 5 de outubro de 1988, fruto do movimento das “Diretas já!”, a
atual Constituição da República Federativa do Brasil emergiu a partir do
desgaste do governo militar e da crise econômica instalada no país. Ela
também elevou os municípios à condição de ente federado, conferindo-lhes
autonomia.

Valores sociais, filosóficos ou políticos guiaram o legislador constitucional na


elaboração da CF/88. Naquele momento, o legislador tinha em mente todos os
horrores da ditadura militar, quanto à supressão de direitos e garantias
fundamentais e a impossibilidade de o cidadão participar da vida política do
país. Assim, o legislador carregou consigo todas as suas vivências, experiências
e emoções, ou seja, todo o seu horizonte cultural, na elaboração da CF/88.

3.1. Concepções ou Sentidos de Constituição:

É importante conhecer a forma como a lei maior é vista a partir da análise de


alguns estudiosos da matéria e como ela reflete a sociedade em que está
inserida. Desse modo, a norma principal pode ser entendida de algumas
formas, sendo as principais o sentido sociológico, o sentido político e o sentido
Jurídico. Além dessas, também ganha certo destaque o sentido Culturalista, o
qual foi desenvolvido por um doutrinador brasileiro, J. H. Meirelles Teixeira (J.
H. Meirelles Teixeira, Curso de Direito Constitucional, p. 77-78).

3.1.1 Sentido sociológico - Ferdinand Lassale: Segundo Lassale, a Constituição


seria a soma dos fatores reais de poder dentro de uma sociedade, como ela é
na prática. Uma Constituição só seria legítima se representasse o efetivo poder
social, refletindo as forças sociais que constituem o poder, caso não ocorresse,

10
ela seria ilegítima, seria uma mera folha de papel. Ex: Países ditatoriais que
possuem Constituições figurativas.

3.1.2. Sentido político - Carl Schmitt: A Constituição é uma decisão política


fundamental do titular do poder constituinte. Traz as normas de organização
do estado (artigo 18 CF), limitação do estado, direitos individuais, normas de
conteúdo materialmente constitucionais.

3.1.3. Sentido jurídico - Hans Kelsen: A constituição é fruto da vontade racional


do homem, e não das leis naturais. É considerada norma jurídica pura,
abstraindo-se de qualquer consideração de cunho político, social, filosófico.

Nessa última percepção, a ordem jurídica é um sistema escalonado de normas,


em cujo topo está a Constituição, fundamento de validade de todas as demais
normas encontradas no ordenamento jurídico.

A Constituição se apresenta como norma superior que oriente e fundamenta,


além de servir de parâmetro de validade para todas as normas
infraconstitucionais do sistema.

No Brasil, a força normativa e a conquista de efetividade pela Constituição são


fenômenos recentes, supervenientes ao regime ditatorial (militar), e que
somente se consolidaram após a redemocratização e a promulgação da
Constituição de 1988.

Na análise da concepção jurídica, temos dois sentidos para o conceito de


Constituição, vejamos:

3.1.4. Sentido lógico-jurídico: A Constituição significa norma fundamental


hipotética, cuja função é servir de fundamento lógico transcendental da
validade da Constituição jurídico-positiva, que equivale à norma positiva

11
suprema, conjunto de normas que regula a criação de outras normas, lei
nacional no seu mais alto grau.

3.1.5. Sentido jurídico-positivo: a Constituição nesta visão é tida como norma


suprema que fundamenta e dá validade a todo o ordenamento jurídico.

Merece destaque, também, o sentido culturalista da constituição,


desenvolvido pelo brasileiro J. H. Meireles Teixeira, a qual vislumbra a carta
magna como “constituição total”, sendo reflexo de todos os sentidos somados,
sejam sociológicos, políticos ou jurídicos.

3.2. Constituições Anteriores

1824 – Foi a primeira Constituição brasileira, outorgada ainda no período


imperial por Dom Pedro I, após a declaração da independência brasileira em 7
de setembro de 1822. Nela reconheceram-se quatro poderes: Executivo,
Legislativo, Judiciário e Moderador, que legitimava a intervenção do Imperador
nos demais poderes.

1891 – A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil foi


promulgada após a Proclamação da República. Além dos poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, harmônicos e independentes entre si, elegeu a
soberania popular como um de seus órgãos fundantes.

1934 – A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil foi


promulgada após a Revolução de 1930, que determinou a queda do presidente
Washington Luís e a ascensão de Getúlio Vargas. Ela foi influenciada pela
Constituição de Weimar e criou normas programáticas correlatas a direitos
sociais.

12
1937 – A Constituição dos Estados Unidos do Brasil, mais conhecida como
Constituição do Estado Novo ou Constituição Polaca, foi outorgada em 10 de
novembro de 1937 e, a exemplo da Polônia, concentrava poderes nas mãos do
Presidente da República, Getúlio Vargas.

1946 – A Constituição dos Estados Unidos do Brasil foi promulgada em 18 de


setembro de 1946, após a queda de Getúlio Vargas e instalação de nova
assembleia constituinte. Foi a primeira Constituição que teve participação em
sua elaboração da bancada comunista no Congresso. Consagrou especialmente
os direitos correlatos à liberdade individual.

1967 – Constituição do Brasil outorgada em 24 de janeiro de 1967, após o


golpe militar de 1964, quando o presidente João Goulart, o Jango, foi deposto.
Instalou-se o Estado de Exceção e a noção de Estado Democrático de Direito foi
mitigada. Para institucionalizar o regime militar, determinou a prevalência do
Poder Executivo sobre o Judiciário e o Legislativo. Estabeleceu, ainda, eleições
indiretas para presidente, com mandato de cinco anos, e restrição ao direito de
greve. Em 17 de outubro de 1969, foi editada a Emenda Constitucional 01, que
conferiu aos Atos Institucionais, editados até então pelo regime militar, o
caráter de normas constitucionais. Pelo fato de essa emenda não ter apenas
trazido as alterações a serem promovidos no texto constitucional, reeditando
todo o texto da Constituição de 1967 com as respectivas modificações, muitos
a elencam como uma nova Constituição.

4. Classificações da Constituição Federal

As constituições podem ser classificadas quanto ao seu conteúdo, forma,


origem, elaboração, estabilidade, entre outras.

13
4.1. Quanto ao conteúdo: Pode ser material ou formal. Material, é o conjunto
de regras que definem as relações de poder e a garantia de direitos dos
cidadãos de um país, pode ser escrita ou não. A formal é a constituição escrita
estabelecida pelo poder constituinte e só pode ser alterada por processos e
formalidades estabelecidas nela própria.

4.2. Quanto à forma: Pode ser escrita, que é formalizada em um texto único,
elaborada pelo órgão constituinte, fazendo com que todas as normas
fundamentais sejam encerradas. Ou pode ser não escrita, que é quando as
normas não estão em um documento único e se baseiam apenas nos costumes,
na jurisprudência e em convenções.

4.3. Quanto a origem: Pode ser democrática, também chamada de popular,


quando é promulgada com legitimidade popular. Outorgada, quando o povo
não participa da elaboração, estabelecida e gerada sem a participação popular.
Cesarista: outorgada por interposta pessoa à em que a participação popular
restringe-se a ratificar a vontade do detentor do poder. Pactuada: decorre de
um acordo entre dois grupos sociais, havendo mais de um titular do poder
constituinte.

4.4. Quanto ao modo de elaboração: Pode ser dogmática ou histórica.


Dogmática, quando as regras do documento seguem dogmas ou princípios
originários da política e do direito. Histórica, quando é gerada aos poucos,
seguindo a história e progresso da sociedade.

4.5. Quanto a estabilidade: Pode ser rígida, que só pode ser mudada através
de processos especiais; flexível, que pode ser alterada pelo processo legislativo
ordinário ou semirrígida, que são aquelas que algumas regras são flexíveis e
algumas rígidas.

14
Para o Min. Alexandre de Moraes (MORAES, Alexandre de. Direito
Constitucional. 13a ed., Editora Atlas S.A, 2003) a Constituição Federal de 1988
é classificada como super-rígida utilizando como fundamento a imutabilidade
das cláusulas pétreas.

4.6. Quanto à extensão: Pode ser analítica (prolixa), quando as normas


constitucionais são de conteúdo longo e detalhado para a organização e
funcionamento do Estado. Como exemplo pode-se citar a Constituição do Brasil
de 1988, que desenvolve em maior extensão o conteúdo dos princípios que
adota. Concisa (sintética), quando a Constituição é elaborada de forma breve,
tendo por objeto apenas enunciar os princípios básicos para a estruturação do
Estado. O documento constitucional é sucinto, elaborado de modo bastante
resumido, estabelecendo apenas os princípios fundamentais de organização do
Estado e da sociedade (exemplo: Constituição Americana de 1787, possuidora
de apenas sete artigos (redigidos em 4.400 palavras, tão somente!).

Por esta classificação, a Constituição Brasileira é considerada formal, escrita,


democrática, dogmática e popular.

5. Aplicabilidade das normas constitucionais

As normas constitucionais podem ser de eficácia plena, contida ou limitada.

As normas de eficácia plena são aquelas que produzem seu efeito


imediatamente, não dependendo de complementação de lei
infraconstitucional, bem como não admitindo limitação de outra norma. Cita-se
como exemplo o art. 5º, II, CF/88, o qual dispõe que “ninguém será obrigado a
fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.

15
As normas de eficácia limitada, por sua vez, dependem de complementação
infraconstitucional para que produza seus efeitos. O art. 37, XXI, CF/88 dispõe
que as contratações públicas, salvo exceções legais, deverão ser precedidas de
licitação, cujo procedimento está disposto nas leis 8.666/93 e 14.133/2021.

Ainda, as normas de eficácia contida, apesar de possuírem aplicabilidade


imediata, admitem que o legislador infraconstitucional atribua limites à norma.
É o que se visualiza no art. 5º, XIII, CF/88, que dispõe sobre a liberdade para
trabalhar, desde que atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer.

Por fim, também merecem destaque as normas de caráter programático, as


quais atribuem ao legislador o dever de observância e fomento de determinada
política de governo, seja esta uma política social, econômica etc. O art. 6º, da
CF/88 é um exemplo de norma de conteúdo programático, visto que dispõe
sobre os direitos sociais, que dependem de norma infraconstitucional para
atingirem sua finalidade.

6. Marcos fundamentais da Constituição Federal

O neoconstitucionalismo ou novo direito constitucional identifica um conjunto


amplo de transformações ocorridas no Estado e no direito constitucional, em
meio às quais podem ser assinalados, (i) como marco histórico, a formação do
Estado constitucional de direito, cuja consolidação se deu ao longo das décadas
finais do século XX; (ii) como marco filosófico, o pós-positivismo, com a
centralidade dos direitos fundamentais e a reaproximação entre Direito e ético;
e (iii) como marco teórico, o conjunto de mudanças que incluem a força

16
normativa da Constituição, a expansão da jurisdição constitucional e o
desenvolvimento de uma nova dogmática de interpretação constitucional.

LUÍS ROBERTO BARROSO (Revista da EMERJ, v. 9, nº 33, 2006) considera que:

“Sob a Constituição de 1988, o direito constitucional no Brasil passou da


desimportância ao apogeu em menos de uma geração. Uma Constituição
não é só técnica. Tem de haver, por trás dela, a capacidade de simbolizar
conquistas e de mobilizar o imaginário das pessoas para novos avanços. O
surgimento de um sentimento constitucional no País é algo que merece ser
celebrado. Trata-se de um sentimento ainda tímido, mas real e sincero, de
maior respeito pela Lei Maior, a despeito da volubilidade de seu texto. É um
grande progresso. Superamos a crônica indiferença que, historicamente, se
manteve em relação à Constituição. E, para os que sabem, é a indiferença, não
o ódio, o contrário do amor.”

7. Elementos integrantes do Estado

A formação de um Estado consiste em três elementos: uma população, um


território e um governo. Esses aspectos são essenciais, porque sem eles não
poderia existir um Estado.

7.1. Povo: Diz respeito a todos que habitam o território, englobando todas as
pessoas, mesmo que elas estejam temporariamente no território ou que não
tenham qualquer vínculo com o Estado. Mas há uma diferença entre as
referências de população, povo e cidadão. Para entender: a população refere-
se brasileiros e estrangeiros (em território nacional), a palavra povo se

17
caracteriza pelos natos e naturalizados, e os cidadãos são os nacionais que
possuem direitos políticos.

7.2. Território: É o lugar onde há aplicação do ordenamento jurídico, a base


física em que está fixado o elemento humano. É nele que o governo pode
exercer a sua organização e validar suas normas jurídicas. Constitui-se do solo,
subsolo, águas territoriais, ilhas, rios, lagos, portos, mar e espaço aéreo.

7.3. Soberania: Para o Jurista MIGUEL REALE (REALE, Miguel. Lições


Preliminares de Direito. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 348.), “A soberania se
constitui na supremacia do poder dentro da ordem interna e no fato de,
perante a ordem externa, só encontrar Estados de igual poder. Esta situação é a
consagração, na ordem interna, do princípio da subordinação, com o Estado no
ápice da pirâmide, e, na ordem internacional, do princípio da coordenação. Ter,
portanto, a soberania como fundamento do Estado brasileiro significa que
dentro do nosso território não se admitirá força outra que não a dos poderes
juridicamente constituídos, não podendo qualquer agente estranho à Nação
intervir nos seus negócios.”

Com isso em mente, sabemos que a soberania possui estas características:

Una: é sempre um poder superior. Não podem existir duas soberanias dentro
de um mesmo Estado, por exemplo;

Indivisível: aplica-se a todos os fatos ocorridos no Estado;

Inalienável: quem a detém desaparece ao ficar sem ela, seja o povo, nação ou o
Estado;

Imprescritível: não tem prazo de duração.

18
8. Cláusulas Pétreas

Em regra as leis contidas na Constituição Federal podem ser alteradas por 3/5
dos senadores e 3/5 dos deputados, devendo ser votada duas vezes em cada
casa, no entanto. Contudo, isso não se aplica a algumas cláusulas, que não
podem jamais serem modificadas/revogadas enquanto a atual Constituição
estiver imperando. Essas são as Cláusulas Pétreas. Então, de forma resumida,
Cláusula Pétrea é aquilo que não pode ser alterado na Constituição.

Na época de elaboração da nossa última Constituição, o Brasil havia saído de


uma ditadura militar (1964-1985), em que direitos – como o de liberdade e de
defesa à acusações – foram suprimidos, o Congresso foi fechado e houve
perseguição contra opositores. O país ainda vivia em instabilidade política e
econômica, pelo fato de que o Brasil ainda estava em um processo de
redemocratização, pós-ditadura.

Nesse contexto, os movimentos sociais se mobilizavam para exigir mudanças


sociais, visto o aumento da pobreza e o grande endividamento externo pelo
qual o país passava. Além disso, o movimento “Diretas Já” pressionava por
eleições livres para todos.

Mas mesmo com milhares de manifestantes saindo às ruas, a eleição de 1985


foi de forma indireta e teve Tancredo Neves escolhido como novo presidente.
Tancredo, contudo, veio a falecer antes mesmo de sua posse. Logo, coube a
José Sarney – vice de Tancredo- assumir o país e convocar a assembleia
constituinte para redigir uma nova Constituição.

Contudo, o sentimento da época era o de que era necessária uma garantia para
a estabilidade do país e da paz enquanto vigorasse a Constituição. Então, os

19
parlamentares de 1988, ouvindo setores da sociedade e especialistas, criaram
as cláusulas pétreas como impedimentos para evitar que a Constituição
pudesse possibilitar outros golpes futuros.

As cláusulas pétreas estão previstas no §4º, do art. 60, da Constituição Federal:

“§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a


abolir:

I – a forma federativa do Estado;

II – o voto direto, secreto, universal e periódico;

III – a separação dos poderes;

Iv – os direitos e garantias individuais.

Além de não poderem ser alteradas ou excluídas do texto, as cláusulas nem


mesmo podem fazer parte de uma proposta de mudança por uma PEC. Isso
quer dizer que não pode existir uma PEC que de alguma maneira proponha a
mudança de uma dessas cláusulas.

9. Questões
1. (ENADE/2012) A noção de Constituições rígidas é decorrência dos
movimentos constitucionalistas modernos, surgidos principalmente a partir de
meados do século XVII. Conquanto estivesse entre os objetivos desses
movimentos idealizar nova forma de ordenação, fundamentação e limitação do
poder político por meio de documento escrito, tornou-se necessária a distinção
entre poder constituinte e poderes constituídos. Considerando-se o disposto na
Constituição Federal de 1988, seria constitucional lei que:
I. permitisse a contratação de promotor de justiça, sem concurso público,
mediante livre escolha do procurador-geral de justiça.
II. obrigasse membros de associações a permanecerem associados por vinte
anos.

20
III. proibisse o anonimato em reclamações encaminhadas a qualquer ente da
Administração Pública Direta e Indireta. É correto o que se afirma em:
(A) I, apenas.
(B) III, apenas.
(C) I e II, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

2. (VUNESP - OF ADMIN PC SP)/PC SP/2014)- A República Federativa do Brasil,


formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
constitui-se em um Estado
a) democrático de Direito.
b) burocrático.
c) autoritário.
d) socialista progressista.
e) humanitário social.

3. (PGE-BA/ANALISTA DE PROCURADORIA/2013) Em relação à República


Federativa do Brasil, considere:
I – É formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal.
II – Constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos,
dentre outros, a soberania, a cidadania e a dignidade da pessoa humana.
III – Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição Federal.
IV – É um Estado soberano, democrático e organizado em Estados e Municípios
que devem respeitar a dignidade da pessoa humana e a cidadania.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I, II e III.
b) I, II e IV.

21
c) I, III e IV.
d) I e II.
e) II, III e IV.

4. (PGM CURITIBA PROCURADOR NC-UFPR 2019) Na atualidade, discute-se


muito a questão do neoconstitucionalismo, que é tema polêmico e
controvertido, não somente no Brasil, mas em outros países. Sobre o assunto,
assinale a alternativa correta.
A) O neoconstitucionalismo é uma teoria francesa, importada pelo STF com o
objetivo de flexibilizar o princípio da legalidade.
B) Um dos temas recorrentes para o entendimento do neoconstitucionalismo é
a tensão entre o constitucionalismo e a democracia.
C) Um dos pontos-chave para a compreensão do neoconstitucionalismo é a
superação do dogma da supremacia da Constituição.
D) Em julgamento recente, com repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal
entendeu inaplicável no Brasil a teoria neoconstitucional.
E) O neoconstitucionalismo é uma teorização que se reporta à interpretação
dos direitos sociais, e não dos direitos políticos.

5. (PC-DF DELEGADO DE POLÍCIA FUNIVERSA 2015) Acerca da teoria geral das


constituições, assinale a alternativa correta.
a) Hans Kelsen concebe dois planos distintos do direito: o jurídico-positivo, que
são as normas positivadas; e o lógico-jurídico, situado no plano lógico, como
norma fundamental hipotética pressuposta, criando-se uma verticalidade
hierárquica de normas.
b) Para Hans Kelsen, as normas jurídicas podem ser classificadas como normas
materialmente constitucionais e normas formalmente constitucionais. Para o
referido autor, mesmo as leis ordinárias, caso tratem de matéria constitucional,
são definidas como normas materialmente constitucionais.
c) De acordo com o sentido político de Carl Schmitt, a constituição é o
somatório dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade. Isso significa

22
que a constituição somente se legitima quando representa o efetivo poder
social.
d) De acordo com o sentido sociológico de Ferdinand Lassale, a constituição se
confunde com as leis constitucionais. A constituição, como decisão política
fundamental, irá cuidar apenas de determinadas matérias estruturantes do
Estado, como órgãos do Estado, e dos direitos e das garantias fundamentais,
entre outros.
e) De acordo com o sentido político-sociológico de Hans Kelsen, a constituição
está alocada no mundo do “dever ser”, e não no mundo do “ser”. É
considerada a norma pura ou fundamental, fruto da racionalidade do homem,
e não das leis naturais.

6. (PC-GO DELEGADO DE POLÍCIA UEG 2013) Nos estudos sobre a formação do


direito constitucional, verifica-se que o constitucionalismo representou um
importante movimento político e filosófico, com manifestações distintas, nos
diferentes períodos da história. Os teóricos desse ramo do direito apresentam
classificação do constitucionalismo, identificando características próprias a
cada período. Assim, o constitucionalismo
a) antigo, desenvolvido nas cidades-estado da Grécia, entre os séculos V a III
a.C., caracteriza-se por um regime político constitucional ditatorial, cujo poder
político é concentrado no chefe político, e o exercício do governo é afastado
dos governados.
b) na Idade Média, marcado pela Magna Carta Inglesa de 1215, caracteriza-se
pelo avanço do absolutismo, tendo em vista que esse documento confere
poder ilimitado e absoluto ao Rei, sobretudo nas questões referentes à
propriedade.
c) moderno, identificado nas Constituições dos Estados Unidos da América de
1787 e da França de 1791, caracteriza-se pela vinculação à ideia de constituição
escrita e rígida, com força para limitar e vincular os órgãos do poder político.
d) contemporâneo, cujo marco inicial são as Constituições Mexicanas de 1917 e
de Weimar de 1919, caracteriza-se por inaugurar o modelo de organização do
estado e por limitar o poder estatal, por meio de uma declaração de direitos e

23
garantias fundamentais.

7. (PREFEITURA DE FRANCISCO MORATO–SP PROCURADOR VUNESP 2019) Para


a doutrina, a Constituição Ideal é A) não escrita, buscando normatizar,
juridicizar as forças sociais, e, a partir daí, integrá-las a um plano superior de
ação do Estado e da própria sociedade.
B) não escrita, desde que seja prioridade o tratamento constitucional das
normas e princípios de organização e funcionamento do Estado.
C) escrita, contendo o somatório de forças religiosas, políticas, econômicas,
militares e culturais atuantes em determinada sociedade.
D) escrita, abrangendo determinados valores, determinados princípios
políticos, ideológicos ou institucionais.
E) escrita, contemplando e especificando o princípio da divisão de poderes e
consagrando um regime de garantias de liberdade e direitos individuais.

8. (TCE-RO PROCURADOR CESPE 2019) O conceito de Constituição como


documento dotado de superior hierarquia jurídica no ordenamento do Estado,
que delimita o parâmetro constitucional para ajuizamento de ação declaratória
e inconstitucionalidade no STF, refere-se à ideia de Constituição
A) material.
B) ideal.
C) formal.
D) normativa.
E) rígida

24
Gabarito das Questões

1.B
2.A
3.A
4.B
5.A
6.C
7.E
8.C

25
REFERÊNCIAS

BARROSO, Luís Roberto. Revista da EMERJ, v. 9, nº 33, 2006.

LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado 2020. Ed. Saraiva Jur, 24ª
edição, 2020.

MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 13a ed., Editora Atlas S.A: 2003.

NOVELINO, Marcelo. Direito Constitucional. 5º edição, 2011.

REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 348.

SILVA, José Afonso. Teoria Geral do Direito Constitucional. Ed. e Distribuidora


Educacional S.A, 2016.

TEIXEIRA, J. H. MEIRELLES. Curso de Direito Constitucional, ano.

[Link]
_43.pdf

[Link]
constitucionalismo/

26

Você também pode gostar