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Avaliação de Conhecimentos em Diabetes 2

Este estudo explora a relação entre conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2, destacando a necessidade de intervenções eficazes para capacitar os pacientes. A pesquisa, realizada com 377 participantes, revelou correlações significativas entre empoderamento, conhecimento sobre a doença e qualidade de vida, além de diferenças estatísticas relacionadas a fatores como idade e nível educacional. As conclusões sugerem a importância de desenvolver estratégias que melhorem o autocuidado e a qualidade de vida dos diabéticos.

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Avaliação de Conhecimentos em Diabetes 2

Este estudo explora a relação entre conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2, destacando a necessidade de intervenções eficazes para capacitar os pacientes. A pesquisa, realizada com 377 participantes, revelou correlações significativas entre empoderamento, conhecimento sobre a doença e qualidade de vida, além de diferenças estatísticas relacionadas a fatores como idade e nível educacional. As conclusões sugerem a importância de desenvolver estratégias que melhorem o autocuidado e a qualidade de vida dos diabéticos.

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APNOR

Instituto Politécnico do Porto

Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto

AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS, EMPODERAMENTO E


QUALIDADE DE VIDA EM PESSOAS COM DIABETES TIPO 2

Helena Isabel Melo dos Santos

Dissertação apresentada ao Instituto Politécnico do Porto, para obtenção do Grau


de Mestre em Gestão das Organizações – Ramo de Gestão de Unidades de
Saúde

Versão sem críticas do júri.

Orientada pela Profª. Doutora Carminda Soares Morais

Lisboa, novembro de 2016


APNOR
Instituto Politécnico do Porto

Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto

AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS, EMPODERAMENTO E


QUALIDADE DE VIDA EM PESSOAS COM DIABETES TIPO 2

Helena Isabel Melo dos Santos

Orientada pela Profª. Doutora Carminda Soares Morais

Lisboa, novembro de 2016


“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito
está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga,
mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?”

De Fernando Pessoa, Livro do Desassossego


RESUMO

A Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crónica com uma prevalência cada vez mais
significativa, elevado consumo de cuidados de saúde, com graves complicações e custos
financeiros diretos e indiretos muito elevados. Associado a este facto, a eficiência conquistada ao
nível do tratamento da doença aguda pelos Sistemas de Saúde na última década não se verifica no
tratamento de doenças crónicas como esta, o que demonstra a necessidade da implementação de
intervenções efetivas ao nível da capacitação e empoderamento do utente.

Neste sentido, este estudo de natureza exploratória, descritivo-correlacional, tem como


objetivo geral contribuir para uma melhor adequação da ação de combate e prevenção da diabetes
bem como a redução dos custos inerentes, a partir da evidência produzida através do estudo da
relação entre os conhecimentos da pessoa diabética sobre a sua patologia, a sua capacidade de
controlo e qualidade de vida em saúde. Para este efeito, aplicou-se a uma amostra de 377 pessoas
com diabetes tipo 2, acompanhadas na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP),
um questionário de caracterização sociodemográfica e clínica e a versão portuguesa do Diabetes
Knowledge Test (DKT), Diabetes Empowerment Scale (DES-SF) e EuroQol-5Dimensions-5Levels
(EQ-5D-5L).

Os resultados demonstram em termos sociodemográficos o predomínio do sexo masculino


(54%), com ensino básico (56%), elevado suporte social e idade média de 64,5 ± 11,3 anos. Do
ponto de vista clínico, os participantes apresentaram valores médios ± dp de Hemoglobina Glicada
(HbA1c) e IMC de 8,2±1,5 e 29,44±8,03 respetivamente. A maioria dos participantes apresenta
também HTA (57,8%) e complicações da DM (57,4%).

No que se refere ao empoderamento, conhecimentos e qualidade de vida obtiveram-se os


índices médios ± dp de 3,75±1,16 (DES-SF), 60,10±17,49 (DKT) e de 0,80±0,22 (EQ-5D-5L).
Verificamos uma correlação positiva entre os três constructos em estudo. Constataram-se
diferenças estatisticamente significativas entre o empoderamento (DES-SF) e a qualidade de vida
(EQ-5D-5L) e a HbA1c (t=5,86, p<0,001) e (t=2,33, p<0,05) respetivamente e entre os mesmos
constructos e a prática de exercício físico respetivamente de (t=-4,82, p<0,001) e (t=-5,85, p<0,001).
Foram ainda encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os conhecimentos (DKT)
e a idade (t=3,99, p<0,001) e as habilitações literárias (t=-6,75, p<0,001).

As conclusões encontradas sugerem a necessidade de desenvolver estratégias mais


eficientes de capacitação da pessoa diabética tipo 2 para o autocuidado diário que esta patologia
implica, promovendo assim uma melhor qualidade de vida e retardamento de complicações.

Palavras-chave: Diabetes tipo 2; Empoderamento; Capacitação; Conhecimentos; Qualidade de


vida; Autocuidado

i
ABSTRACT

Diabetes Mellitus (DM) is a chronic disease with a steady increasing prevalence worldwide,
with significant healthcare needs, serious complications, and high direct and indirect economic costs.
Associated with these facts, the verified efficiency in the treatment of acute diseases during the last
decade is not the same as in the treatment of the chronic ones, the healthcare systems need to solve
this problem with strategies of capacitation and empowerment of the patient.

In this sense, this exploratory, descriptive-correlational study has the general objective of
being a contribute to a better adequacy of the Healthcare systems response to the treatment and
prevention of diabetes and the reduction of the associated costs, according to the produced
evidences through the study of the relation between the knowledge about the disease, capacity of
control and quality of life. For this, we applied a sociodemographic and clinic questionnaire and the
Portuguese version of Diabetes Empowerment Scale (DES-SF), Diabetes Knowledge Test (DKT)
and EuroQol-5Dimensions-5Levels (EQ-5D-5L) to 377 people with type 2 diabetes, belonging to the
Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).

The results in the sociodemographic terms show the predominance of male sex (54%) with
basic education (56%), high social support and average age of 64,5 ± 11,3 dp. From a clinical point
of view, participants showed average values ± dp of glycosylated hemoglobin and body mass of
8,2±1,5 e 29,44±8,03, respectively. Most participants have arterial hypertension (57,8%) and
complications from DM (57,4%).

About the empowerment, knowledges and quality of life it was found an average punctuation
± dp of 3,75 ±1,16 (DES-SF), 60,10±17,49 (DKT) and 0,80±0,22 (EQ-5D-5L). It was found a positive
correlation between the DM controllability, the knowledge about the disease and quality of life. Were
also register some significant statistical differences among DES-SF and EQ-5D-5L and the HbA1c
index (t=5,86,p<0,001) and (t=2,33, p<0,05) respectively and between physical exercise and the
same indicators (t=-4,82,p<0,001) and (t=-5,86, p<0,001). About DKT, we found significant statistical
differences about this index and participants age (t=3,99, p<0,001) and literary qualifications (t=-
6,75, p<0,001).

The conclusions of this study suggest the necessity of the development of more efficient
strategies to improve capacitation of people with diabetes and promoting this way a better quality of
life and delaying the complications associated with DM.

Keywords: Type 2 diabetes; Empowerment; Capacitation; Knowledges; Quality of life; Self-


monitoring

ii
RESUMEN
La Diabetes Mellitus (DM) es una enfermedad crónica con un predominio cada vez más
importante, con alto consumo de atencíon de salude, graves complicaciones e con costes financiero
directa e indirecta muy alto. Asociado con esto, la eficiencia logrado en términos de tratamiento de
la enfermedad aguda por los sistemas de salud no es el caso en el tratamiento de enfermedades
crónicas como este, lo que demuestra la necesidad de intervenciones eficaces en términos de
creación de capacidad y la capacitación del usuário.

Por lo tanto, este estudio exploratorio, descriptivo y correlacional, tiene el objetivo general
de contribuir a una mejor adecuación de la acción de combate y prevención de la diabetes y la
reducción de los costes relacionados, a partir de las pruebas presentadas, através del estudio de la
relación entre conocimiento de la persona diabética sobre su enfermedad, su capacidad de
seguimiento y calidad de vida de la salud. Para este fin, se aplicó a una muestra de 377 personas
con diabetes tipo 2, acompañados por la Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP)
un cuestionario de caracterización sociodemográfica y clínica y la versión portuguesa del Diabetes
Knowledge Test (DKT), Diabetes Empowerment Scale (DES-SF) e EuroQol-5Dimensions-5Levels
(EQ-5D-5L).

Los resultados muestran, en términos demográficos del predominio del sexo masculino
(54%), con estudios primarios (56%), alto apoyo social, edad media 64,5 ± 11,3 SD. Desde un punto
de vista clínico, los participantes tuvieron valores medios ± dp de hemoglobina glucosilada (HbA1c)
y el IMC de 8,2 ± 1,5 y 29,44 ± 8,03, respectivamente. La mayoría de los participantes también
cuenta con HTA (57,8%) y complicaciones de la DM (57,4%).

En cuanto a el empoderamiento, conocimientos e calidad de la vida en salud se encontró


una puntuación media ± desviación estândar de 3,75 ± 1,16 (DES-SF), 60,10 ± 17,49 (DKT) y 0,80
± 0,22 (EQ-5D-5L). Se encontró una correlación positiva y significativa entre los três constructos en
estúdio. Se han encontrado diferencias estadísticamente significativas entre el empoderamento
(DES-SF) e calidad de la vida (EQ-5D-5L) y HbA1c (t = 5,86, p <0,001) y (t = 2,33, p <0,05),
respectivamente, y entre los mismos constructos e el ejercicio físico respectivamente (t = -4,82, p
<0,001) y (t = -5.85, p <0,001). Con respecto a DKT, hubo una diferencia estadísticamente
significativa entre esta y la edad (t = 3,99, p <0,001) y las habilitaciones literárias (t=-6,75, p<0,001).

Los resultados encontrados sugieren la necesidad de desarrollar estratégias mas eficientes


para habilitar os diabéticos tipo 2 para el autocuidado diario para involucrar a esta patologia e
retardar la aparición de complicaciones.

Palabras clave: diabetes tipo 2; empoderamiento; construcion de capacidad; conocimiento; calidad


de vida; autocuidad

iii
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho, a todos os participantes do estudo, pessoas com Diabetes tipo 2 que
diariamente enfrentam a realidade de possuir uma patologia sem cura, tantas vezes com dúvidas e
anseios, na esperança que nós, profissionais de saúde, sejamos capazes de lhes oferecer mais e
melhor qualidade de vida. Procuro com este estudo reforçar a necessidade de encontrar uma
solução que possibilite que todas as pessoas com diabetes tenham acesso ao suporte necessário
para viverem melhor, lidando com a sua patologia de uma forma mais elucidada e eficiente.

Neste sentido, agradeço a todos os que perderam o seu tempo com as minhas questões, a
todos os que partilharam comigo as suas alegrias e angústias, a quem desejo com todo o coração
que a felicidade seja uma constante nas suas vidas.

iv
AGRADECIMENTOS

A elaboração deste trabalho que representa um importante marco na minha vida pessoal e
profissional, não teria sido possível sem a colaboração, estímulo e empenho de diversas pessoas.
Gostaria, por isso, de expressar a minha gratidão e apreço, a todos aqueles que, direta ou
indiretamente, contribuíram para que este estudo se tornasse realidade. A todos quero manifestar
os meus sinceros agradecimentos.

Neste sentido, gostaria de dirigir as primeiras palavras de agradecimento à minha


orientadora, a Professora Doutora Carminda Morais, minha mentora em toda a execução prática
deste estudo, que gentilmente me guiou neste percurso. As suas qualidades humanas, rigor
científico, capacidade de trabalho, disponibilidade e incentivo foram determinantes para levar esta
esta dissertação a bom porto.

Ao Professor Doutor Pedro Ferreira, do Centro de Estudos e Investigação em Saúde da


Universidade de Coimbra (CEISUC) pela colaboração na leitura dos questionários e construção da
base de dados deste estudo.

Ao Diretor da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), Dr. João Raposo,
por me ter disponibilizado o seu tempo e pela rápida resposta afirmativa de autorização à realização
do estudo.

Á Enf. Dulce do Ó, responsável pelos estudos realizados na APDP, por todo o apoio
prestado durante o processo de recolha de dados, pela compreensão e auxilio perante as
adversidades que fui encontrando.

À Enf. Lurdes Serrabulho, pelo incentivo e pela preocupação, porque as suas palavras me
ajudaram em alguns dias mais difíceis.

A todos os funcionários da APDP, administrativos, enfermeiros e médicos, com quem me


cruzei neste percurso. Um especial agradecimento à Anabela (administrativa no piso 3), que me
recebeu sempre com um sorriso.

A todos os participantes deste estudo, pelo tempo dispensado, porque sem eles não seria
possível concretizá-lo.

À minha mãe, pela sólida formação dada até à minha juventude e por estar sempre presente.

Aos meus tios, por tornarem possível esta conquista.

Ao meu avô Artur, porque é o orgulho enorme que tinha em mim o meu maior incentivo para
querer sempre ser melhor a cada dia e alcançar os meus objetivos profissionais e pessoais.

v
ABREVIATURAS, ACRÓNIMOS E SIGLAS

α Coeficiente alpha de Cronbach

ADA American Diabetes Association

ADO Antidiabéticos Orais

APDP Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal

AVC Acidente Vascular Cerebral

CEISUC Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra

CH Centros Hospitalares

CSP Cuidados de Saúde Primários

CODE-2 The cost of diabetes in Europe - 2

DAWN The Diabetes Attitudes, Wishes and Needs

DES-SF Escala de Capacidade de Controlo da Diabetes – versão breve

DGS Direção Geral de Saúde

DKT Teste Breve de Conhecimentos sobre a Diabetes

DM Diabetes Mellitus

DM2 Diabetes Mellitus tipo 2

dp desvio padrão

e-HEALS The eHealth Literacy Scale

EQ-5D EuroQol - 5 Dimensions

EQ-5D-5L EuroQol – 5 Dimensions – 5 Levels

HbA1c Hemoglobina Glicada

HTA Hipertensão Arterial

vi
IDF International Diabetes Federation

IMC Índice de Massa Corporal

INE Instituto Nacional de Estatística

n Tamanho da amostra

OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico

OMS Organização Mundial de Saúde

OND Observatório Nacional da Diabetes

p Valor de prova

PA Perímetro Abdominal

PIB Produto Interno Bruto

Rs Coeficiente de Spearman

REALM Rapid Estimate of Adults Literacy in Medicine

SNS Serviço Nacional de Saúde

SPD Sociedade Portuguesa de Diabetes

SPSS Satistical Package for Social Sciences

t Teste t-student

TOFHLA Testo f Funcional Health Literacy in Adults

UCSP Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados

UE União Europeia

USF Unidade de Saúde Familiar

VAS Visual Analogue Scale

vii
ÍNDICE

INTRODUÇÃO ………………………………………………………………………………………….... 1

PARTE I …………………………………………………………………………………………………… 4

CONEÇÕES ESTRUTURANTES DA PESQUISA……………………………………………………. 4

CAPÍTULO 1 – A ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE SAÚDE E A DOENÇA CRÓNICA…… 5

1.1 A DOENÇA CRÓNICA NA ATUALIDADE…………………………………………………………. 7


1.2 CONSEQUÊNCIAS DAS DOENÇAS CRÓNICAS………………………………………………... 8

CAPÍTULO 2 – A DIABETES MELLITUS……………………………………………………………… 9

2.1 EPIDEMIOLOGIA DA DIABETES…………………………………………………………………... 10

2.1.1 Epidemiologia a nível mundial………………………………………………………….... 11

2.1.2 Epidemiologia a nível nacional………………………………………………………...… 12

2.2 CUSTOS DA DIABETES…………………………………………………………………………….. 13

2.2.1 Custos a nível mundial……………………………………………………………………. 14

2.2.2 Custos a nível nacional………………………………………………………………….... 14

2.3 DEFINIÇÃO……………………………………………………………………………………............ 14

2.4 CLASSIFICAÇÃO……………………………………………………………………………………... 15

2.4.1 Diabetes Tipo 1……………………………………………………………………………. 15

2.4.2 Diabetes Tipo 2……………………………………………………………………………. 15

2.4.3 Diabetes Gestacional……………………………………………………………………... 16

2.5 DIAGNÓSTICO………………………………………………………………………………………... 17

2.6 TRATAMENTO………………………………………………………………………………………... 18

2.6.1 Tratamento farmacológico………………………………………………………………... 18

2.6.2 Tratamento não farmacológico…………………………………………………………... 19

2.6.3 Objetivos do tratamento…………………………………………………………………... 19

2.6.4 Controlo glicémico……………………………………………………………………….... 20

2.7 COMPLICAÇÕES…………………………………………………………………………………….. 21

2.7.1 Complicações agudas…………………………………………………………………….. 22

2.7.2 Complicações crónicas…………………………………………………………………… 23

CAPÍTULO 3 – A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO DA PESSOA DIABÉTICA……………… 26

viii
3.1 O CONCEITO DE LITERACIA EM DIABETES………………………………………………….… 26

3.2 CAPACIDADE DE CONTROLO DA DIABETES…………………………………………….....…. 28

3.3 DECISÃO CLÍNICA PARTILHADA……………………………………………………………….…. 29

3.4 EMPODERAMENTO E AUTOCUIDADO…………………………………………………………... 30

PARTE II……………………………………………………………………………………………………. 34

ESTUDO EMPÍRICO……………………………………………………………………………………… 34

CAPÍTULO 4 – METODOLOGIA………………………………………………………………………... 35

4.1 QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO, FINALIDADE E OBJETIVOS DO ESTUDO………………. 35

4.2 TIPO DE ESTUDO……………………………………………………………………………………. 35

4.3 POPULAÇÕES E AMOSTRA EM ESTUDO……………………………………………………….. 36

4.4 VARIÁVEIS EM ESTUDO……………………………………………………………………………. 38

4.5 HIPÓTESES DE INVESTIGAÇÃO………………………………………………………………….. 40

4.6 PROCEDIMENTOS E TÉCNICAS DE RECOLHA DE INFORMAÇÃO………………………… 41

4.7 PROCEDIMENTOS ÉTICOS………………………………………………………………………… 43

CAPÍTULO 5 – RESULTADOS………………………………………………………………………….. 45

5.1 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS……………………………………………………….. 45

5.1.1 Caraterização sociodemográfica………………………………………………………… 45

5.1.2 Caraterização clínica……………………………………………………………………… 46

5.1.3 Avaliação da capacidade de controlo, conhecimentos e qualidade de vida em


saúde............................................................................................................................................... 49

5.1.4 Análise das hipóteses…………………………………………………………………….. 52

5.2 DISCUSSÃO DE RESULTADOS…………………………………………………………………… 57

5.3 LIMITAÇÕES DO ESTUDO…………………………………………………………………………. 62

5.4 SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS………………………………………………………. 62

CONCLUSÕES……………………………………………………………………………………………. 64

REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………………………………………………………… 68

ix
ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 - Descrição das variáveis……………………………………………………………………... 38

Tabela 2 - Descrição da amostra segundo o sexo, grupo etário, habilitações literárias, situação
profissional e suporte social……………………………………………………………………………… 46

Tabela 3 - Descrição da amostra segundo o tempo de diagnóstico, IMC, HbA1c, patologias


coexistentes, adesão à dieta, frequência da avaliação da glicémia capilar e prática de exercício
físico………………………………………………………………………………………………………… 47

Tabela 4 - Distribuição da amostra segundo o questionário DES-SF (Capacidade de controlo da


diabetes)……………………………………………………………………………………………………. 49

Tabela 5 - Perguntas do questionário DKT (Teste de conhecimentos sobre a diabetes) em que


metade ou mais de metade da amostra respondeu incorretamente……………………………...…. 50

Tabela 6 - Resultados do questionário EQ-5D-5L (Qualidade de vida em saúde)………….……... 51

Tabela 7 - Resultados do coeficiente de assimetria e curtose relativamente à capacidade de


controlo, conhecimentos e qualidade de vida………………………………………………….………. 52

Tabela 8 - Associação entre as escalas que avaliam a capacidade de controlo (DES-SF), os


conhecimentos (DKT) e a qualidade de vida (EQ-5D-5L)……………………………………….…… 53

Tabela 9 - Efeito da variável sexo na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e


qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L)…………………………………………………………….…. 53

Tabela 10 - Efeito da variável idade na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e


qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L)……………………………………………………………….. 54

Tabela 11 - Efeito da variável habilitações literárias na capacidade de controlo (DES-SF),


conhecimentos (DKT) e qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L)………………………………….. 54

Tabela 12 - Efeito da variável Hemoglobina Glicada (HbA1c) na capacidade de controlo (DES-SF),


conhecimentos (DKT) e qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L)………………………………..… 55

Tabela 13 - Efeito da variável prática de exercício físico na capacidade de controlo (DES-SF),


conhecimentos (DKT) e qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L)………………………………..… 56

Tabela 14 - Efeito da variável tempo de diagnóstico na capacidade de controlo (DES-SF),


conhecimentos (DKT) e qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L)…………………………………. 56

x
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1 – Número estimado de pessoas com diabetes no mundo por região em 2015 e 2014 (dos
20 aos 79 anos)……………………………………………………………………………………………. 12

Figura 2 – Distribuição da amostra segundo as complicações existentes (n=377)………………… 48

ÍNDICE DE ANEXOS

ANEXO I – Questionário de caracterização sociodemográfica e clínica…………………………… 84

ANEXO II – Questionário DES-SF (Capacidade de Controlo da Diabetes)………….....…………. 85

ANEXO III – Questionário DKT (Teste de conhecimentos sobre a Diabetes)……………….…….. 86

ANEXO IV – Questionário EQ-5D-5L (Qualidade de vida em saúde)………………………….…… 88

ANEXO V – Consentimento informado livre e esclarecido………………………………..…………. 90

ANEXO VI - Parecer do Diretor Clínico da APDP para a realização do estudo……………..……. 92

ANEXO VII – Parecer da comissão de ética da APDP para a realização do estudo……………… 93

ANEXO VIII – Resultados do questionário DKT…………………………………………………….… 94

xi
xii
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

INTRODUÇÃO

As alterações no estio de vida das populações ao longo dos últimos anos têm vindo a
provocar a expansão das doenças crónicas tornando-as atualmente um dos mais graves
problemas de saúde pública no mundo, sendo que em 2012 foram responsáveis por 68% das
mortes ocorridas (World Health Organization, 2014).

Umas das patologias crónicas com maior aumento de incidência, associada a elevados
encargos sociais e económicos em inúmeros países incluindo Portugal é a Diabetes Mellitus
(American Diabetes Association, 2013; Direcção-Geral da Saúde, 2015).

A crescente incidência desta patologia permite assumir tratar-se de uma das mais atuais
epidemias, especialmente no que diz respeito à Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) que representa
cerca de 90% de todos os tipos de diabetes, estando associada a diversas incapacidades e
sofrimento além de representar custos elevados a nível individual e social (Patrão, 2011).

Um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Observatório


Europeu sobre Sistemas de Saúde conclui, em 2013, que a despesa em cuidados de saúde por
habitante em Portugal está 20% abaixo da média da União Europeia (UE) apesar da elevada
representatividade de despesa em saúde no produto interno bruto (PIB) português (10,2%)
comparativamente com a média europeia (8,5%) (Organização Mundial de Saúde).

A sustentabilidade dos sistemas de saúde está dependente da boa gestão da doença


crónica, incluindo a diabetes, dado a previsão de até 2020 estas representarem 80% da carga
da doença para os países (Patrão, 2011; Observatório Nacional de Diabetologia, 2015).

Os fatores que mais contribuem para esta epidemia moderna são a também crescente
obesidade, o sedentarismo e uma dieta excessivamente rica em anergia. Além disso, o
envelhecimento das populações que se tem vindo a verificar a nível Europeu influência também
este aumento de incidência (Observatório Nacional da Diabetes, 2014).

Em Portugal, o envelhecimento da população tem-se agravado na última década


(Instituto Nacional de Estatística, 2014). Este facto, aliado ao aumento da obesidade e inatividade
física entre os jovens torna essencial a criação de medidas que proporcionem e incentivem o
envolvimento os cidadãos e principalmente das pessoas diabéticas na gestão de um bom estado
de saúde, promovendo a literacia em saúde e o seu empoderamento.

No atual cenário de recursos escassos, a busca pela eficiência dos sistemas de saúde
está dependente de estratégias que permitam a diminuição dos custos da doença crónica, mas
com impacto positivo na qualidade dos serviços prestados (Wennberg, Marr, Lang, O'Malley, &
Bennet, 2011).

1
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Uma dessas estratégias é a promoção da literacia em saúde das pessoas em Portugal,


que por si só influencia uma utilização mais racional dos cuidados de saúde e um melhor e mais
eficaz autocuidado. Diversos estudos referem uma relação entre um baixo nível de literacia e um
nível baixo de conhecimento sobre a doença em pessoas diabéticas, bem como um menor
controlo glicémico e uma capacidade de autogestão baixa (White, Beech, & Miller, 2009).

O termo “gestão da doença” tem especial importância neste caso, dado que o sucesso
do tratamento e o bom prognóstico das pessoas diabéticas está associado à participação da
pessoa e seus familiares no processo complexo de cuidados de saúde que esta patologia implica
(Wennberg, Marr, Lang, O'Malley, & Bennet, 2011; Chibante, Cunha, & André, 2015).

No caso da diabetes, o tratamento deve ter por objetivo o controlo metabólico e a


prevenção de complicações tardias. Para isso, é necessário que a pessoa diabética adote
comportamentos de alguma complexidade e os integre na sua rotina diária pois trata-se de uma
das doenças crónicas com tratamento mais exigente e cujas complicações da não adesão ao
tratamento estão associadas a elevada morbilidade e mortalidade.

Nas instituições de saúde, a literacia em saúde de cada pessoa diabética deve ser
corretamente avaliada para que seja possível avaliar quais as pessoas nos quais devido a um
baixo nível de entendimento da informação transmitida o desfecho clínico pode não ser o
desejado. Nesta medida, o empenho e a dedicação dos prestadores é exigido no que toca aos
cuidados da pessoa diabética. Esta perceção pode não só evitar um mau desfecho clínico, mas
também diminuir os custos associados ao tratamento da pessoa diabética, evitando
complicações tardias, mais graves. No entanto, o empenho da própria pessoa diabética no seu
tratamento é essencial uma vez que é necessário alterar hábitos quotidianos e tomar decisões
diárias em função do bom controlo metabólico. É por isso fundamental envolver a pessoa
diabética no seu autocuidado para obter resultados efetivos, através do seu empoderamento.

O estudo da literacia em saúde pode ajudar a compreender as dificuldades existentes


na comunicação entre o profissional de saúde e o doente, e os efeitos desta situação na
capacidade de gestão da doença (Cruz, Martins, Rocha, & Martins, 2011; Santos, Mansur, &
Paiva, 2013).

Este tema e o seu atual enquadramento criaram a motivação necessária para a


realização deste estudo, sendo a principal finalidade contribuir para uma melhor adequação da
ação de combate e prevenção da diabetes, a partir da evidência produzida. Desta forma foi
delineado o seguinte objetivo geral: avaliar os conhecimentos, a capacidade de autocontrolo e a
qualidade de vida das pessoas com diabéticas tipo 2 seguidas na Associação Protetora dos
Diabéticos de Portugal (APDP) quanto à sua patologia.

2
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

O presente estudo vem dar continuidade ao projeto “Promoção da Literacia e


Capacitação da pessoa diabética tipo 2” desenvolvido pelo Centro de Estudos e Investigação em
Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC) com a coordenação do Programa da Direção
Geral de Saúde (DGS) para a Diabetes, sob financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian,
no período de 2014-2015.

Neste sentido, a dissertação será dividida em duas partes distintas. Na primeira parte
será descrita a construção teórica do objeto de estudo, estruturante do trabalho empírico. Esta
encontra-se dividida em três capítulos. O primeiro aborda o “peso” da doença crónica para os
sistemas de saúde tendo em conta questões organizacionais descrevendo o impacto atual deste
tipo de patologia tendo em conta a sua complexa gestão. O segundo capítulo refere-se à
Diabetes Mellitus (DM), descrevendo o seu impacto na sociedade atual com dados
epidemiológicos e a nível de custos bem como uma descrição da patologia em si, do seu
diagnóstico, tratamento e complicações. O terceiro capítulo introduz a problemática em estudo,
abordando a importância da capacitação da pessoa com diabetes e a sua importância para que
um bom prognóstico seja alcançado. Neste capítulo são descritos conceitos como o de literacia
em diabetes, a decisão clínica partilhada, o empoderamento e autocuidado.

A segunda parte da dissertação diz respeito ao estudo empírico e todos os


procedimentos metodológicos que este implica. O quarto capítulo reporta a finalidade e objetivo
do estudo, a definição das hipóteses e variáveis, dos procedimentos e técnicas de recolha de
informação utilizados. O último capítulo apresenta os resultados obtidos, analisados e discutidos
e são referidas neste as limitações do estudo e sugestões para estudos futuros.

Por fim, são descritas as conclusões encontradas, a bibliografia utilizada e os anexos


onde consta material de apoio à realização da dissertação e documentos que facilitam a sua
melhor compreensão.

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

PARTE I

CONEÇÕES ESTRUTURANTES DA PESQUISA

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

CAPÍTULO 1 – A ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE SAÚDE E


A DOENÇA CRÓNICA

Ao longo dos últimos anos, temos assistido ao sucesso obtido no tratamento da doença
aguda em contraste com o tratamento da doença crónica que tem vindo a aumentar a sua
incidência. As previsões indicam que este aumento será persistente ao longo dos próximos anos,
o que se traduz numa séria ameaça para a economia dos países (Santos, 2012). (Santos F. ,
2012)

Dados os factos, as doenças crónicas constituem atualmente um dos maiores desafios


para os sistemas de saúde. A influência negativa destas patologias nos orçamentos dos sistemas
de saúde prende-se com o facto de estarem associadas a diversas complicações e ao tratamento
e acompanhamento se arrastarem por vários anos. Por este motivo, é necessário adotar medidas
políticas de intervenção efetivas com o objetivo de reduzir os fatores de risco apostando na
prevenção (Guerra, 2009).

No nosso país, o acompanhamento das pessoas com doença crónica é realizado


maioritariamente pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS), pelas Unidades de Saúde Familiar
(USF)/Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e pelos Centros Hospitalares
(CH) ao nível das consultas de especialidade (Santos, 2012).

Projetos tais como o “Projeto Gestão Integrada da Doença” têm vindo a ser
implementados de modo a promover suporte à autogestão, trata-se de uma das estratégias que
tem como objetivo melhorar a prestação de cuidados à população, através da utilização de
recursos com maior eficácia e da monitorização de pessoas com doença crónica. Visa de igual
modo contribuir para uma melhor capacitação e envolvimento dos doentes na gestão do seu
tratamento (Santos, 2012).

A prevenção e a intervenção inicial numa lógica de gestão integrada pode ser uma
solução multidimensional e sistémica para este problema tão difícil e complexo (Baptista, et al.,
2016; Escoval, et al., 2010).

Em 1990, desenvolveu-se nos Estados Unidos um modelo de cuidados crónicos. Este


sintetiza vários componentes de programas de gestão da doença. Trata-se de um modelo de
reestruturação dos cuidados de saúde tendo em conta as interações entre os sistemas de saúde
e a comunidade. Segundo o modelo citado, para que o cuidado da doença crónica seja eficiente
é necessário melhorar e otimizar seis fatores chave dos sistemas de saúde: a organização dos
cuidados de saúde; o apoio ao autocuidado; o apoio à decisão em saúde; redesenhar o sistema
de prestação de cuidados; melhorar os sistemas de informação clínica; atualizar recursos
políticos e comunitários (Baptista, et al., 2016).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Fundamentalmente, para o eficiente cuidado da patologia crónica deve ser promovida a


utilização dos recursos existentes, criar novos recursos, promover uma nova política de interação
entre pacientes mais elucidados, empoderados e por isso melhor preparados associados a
equipas de saúde pró ativas (Baptista, et al., 2016; Morais , 2016) . (Morais C. , 2016)

Estudos indicam que sistemas de saúde organizados e estruturados de acordo com o


referido modelo atingem melhores resultados e tornam-se mais completos a nível da resolução
de problemas da população (Baptista, et al., 2016).

De entre as doenças crónicas a Diabetes Mellitus tem vindo a receber especial


preocupação, devido ao seu aumento de prevalência (Observatório Nacional de Diabetologia,
2015).

Modelos de gestão da doença crónica como o referido demonstram melhores resultados


clínicos no tratamento de pessoas com diabetes, o que se prende com o facto de reforçarem a
importância da pessoa diabética no cuidado da sua patologia (Morais , 2016).

A organização dos sistemas de saúde deve por isso focar-se na criação de uma cultura
e de mecanismos que promovam a segurança e a qualidade dos cuidados. Para isso devem ser
introduzidas estratégias de gestão que facilitem mudanças, gestão de erros e controlo de
qualidade dos problemas (Baptista, et al., 2016).

No tratamento da diabetes, as intervenções que utilizam o empoderamento como


estratégia tem especial importância, enfatizando o papel da pessoa doente na gestão da sua
própria saúde, incluindo planos por objetivos e plano de preparação de cuidado e de
monitorização que seguem nas seguintes diretrizes:

 Tanto a pessoa doente como o prestador de cuidados devem estar envolvidos


na definição de problemas, definição de prioridades, proposta de objetivos,
planos de desenvolvimento de cuidados e monitorização dos resultados do
autocuidado;
 Devem ser introduzidas guidelenes científicas na atividade clínica;
 As decisões devem ser discutidas e tomadas em conjunto com a pessoa doente.

Em suma, promover a saúde das pessoas com doença crónica requer transformar um
sistema de saúde que funciona de forma reativa, episódica, focado em eventos e que responde
a pedidos de situações agudas num sistema proativo, integrativo, contínuo e focado na pessoa
e família e que tenha como prioridade a promoção e manutenção da saúde (Cruz, Martins,
Rocha, & Martins, 2011).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

1.1. A Doença Crónica na Atualidade

A importância deste tema prende-se com o facto de a doença crónica ser a maior
responsável pela mortalidade e morbilidade na Europa nos dias de hoje (Instituto Nacional de
Saúde Dr. Ricardo Jorge, 2016).

No que diz respeito à morbilidade em Portugal, é de salientar que as doenças crónicas


representam 85% da carga de doença. Esta constatação aplica-se a muitos países europeus,
trata-se de um fenómeno que tem vindo a verificar-se com a importância que as doenças crónicas
vieram a assumir contrariamente às doenças infeciosas com expressão muito mais reduzida
(Direcção-Geral da Saúde, 2015).

São consideradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como doenças crónicas,
as que possuem uma ou mais das seguintes características: são permanentes, produzem
incapacidade/deficiências residuais, são causadas por alterações patológicas irreversíveis,
exigem uma formação especial do doente para a reabilitação, ou podem exigir longos períodos
de supervisão, observação ou cuidados (World Health Organization, 2014).

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), morrem atualmente 16 milhões


de pessoas por ano com menos de 70 anos, devido a doenças crónicas (World Health
Organization, 2014).

Doenças crónicas como a diabetes, as doenças cardiovasculares, cancro e perturbações


neuropsiquiátricas afetam 8 em cada 10 pessoas com mais de 65 anos na Europa. Cerca de 70
a 80 por cento dos orçamentos de saúde em toda a União Europeia (UE) são gastos no
tratamento destas doenças (Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, 2016).

Estudos demonstram a existência de uma relação entre a alteração dos hábitos


quotidianos verificada nos últimos anos e o aumento da incidência deste tipo de patologias
(Santos, 2012). Esta atual epidemia comportamental necessita de medidas efetivas e duradouras
para ser travada, incidindo sobretudo nos principais fatores de risco: o sedentarismo; o
tabagismo; e a obesidade (Guerra, 2009).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que medidas de prevenção tais como a
cessação tabágica, uma alimentação saudável e o exercício físico regular teriam um impacto
positivo na população e levariam à redução de 80% das mortes prematuras por doença cardíaca,
acidente vascular cerebral (AVC) e Diabetes Mellitus tipo 2 (World Health Organization, 2014).

O envelhecimento da população que se tem vindo a acentuar na Europa é sem dúvida


um dos maiores feitos da humanidade e reflete uma melhoria substancial dos parâmetros de
saúde das populações, no entanto este facto contribui para o aumento da prevalência deste tipo

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

de patologia. As pessoas idosas carecem de mais cuidados de saúde e possuem mais patologias
crónicas que exigem acompanhamento permanente, medicação contínua e exames periódicos
pelo que é necessário adaptar os cuidados às necessidades atuais das populações (Lima-Costa
& Veras, 2003; Rebelo & Cardoso, 2007).

1.2 Consequências das Doenças Crónicas

O impacto das doenças crónicas tem que ser observado em diferentes perspetivas,
sendo possível agrupá-las em cinco conceitos: custo da doença; custos e consequências
macroeconómicas; custos e consequências microeconómicas; bem-estar; política pública de
custos irrelevantes (Santos, 2012; Goulart, 2011).(Goulart, 2011))

Em primeiro lugar, os custos da doença dividem-se em custos diretos quando dizem


respeito aos recursos técnicos, humanos e equipamentos dirigidos ao tratamento da doença e
custos indiretos nos quais se insere a perda de produtividade, aumento da despesa em
subsídios, além dos custos intangíveis da dor, frustração, e outros sentimentos provocados pela
doença (Santos, 2012).

Relativamente aos custos microeconómicos, estes exprimem os custos da pessoa


doente e os gastos acrescidos pelo facto de terem o problema de saúde. Por outro lado, os
custos macroeconómicos exprimem a relação entre a saúde e a economia, alguns dos
indicadores passíveis de serem calculados são a esperança de vida, a magnitude da doença
crónica, os custos dos internamentos, tratamentos e consultas, a mortalidade e a morbilidade
(Santos, 2012).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

CAPÍTULO 2 - A DIABETES MELLITUS

Ao longo dos últimos anos, o quadro de saúde das populações tem apresentado
alterações significativas sendo que as doenças crónicas associadas ao atual estilo de vida tais
como a Diabetes estão atualmente em expansão (Patrão, 2011).

A Diabetes é uma das doenças crónicas com maior potencial de sofrimento, está
associada a diversas incapacidades e até mesmo à morte. A sua incidência é de tal forma
crescente que está a atingir proporções epidémicas no mundo e Portugal não é exceção (Patrão,
2011).

Devido à importância do tema, foi criado o Programa Nacional de Controlo da Diabetes


em Portugal na década de setenta sendo, em 1995, alvo de alterações com o intuito de promover
a integração entre cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares (Direção Geral da
Saúde, 2016).

Portugal comprometeu-se, em 1989, assinando a declaração de St. Vincente, a reduzir


as principais complicações desta patologia: cegueira, amputações major de membros inferiores,
insuficiência renal terminal e doença coronária (Direção Geral da Saúde, 2016).

Oito anos mais tarde, realizou-se em Lisboa a Fourth Meeting for the Diabetes Care and
Research in Europe – Improvement Diabetes Care, co-organizada pela Organização Mundial de
Saúde (OMS), a Federação Internacional da Diabetes (IDF) e a Direção Geral de Saúde (DGS)
onde foi mais uma vez evidenciada a importância de um maior empenho no combate às
complicações desta patologia.

Em 1998, o Programa Nacional de Controlo da Diabetes foi revisto no sentido de o


aproximar ao modelo de gestão integrado da diabetes e de estabelecer parcerias com todos os
instrumentos envolvidos no acompanhamento da doença. Os protocolos de colaboração
desenvolvidos tiveram como intervenientes o Ministério da Saúde, as pessoas com diabetes e a
comunidade científica, bem como a indústria farmacêutica, os distribuidores de produtos
farmacêuticos e as próprias farmácias, com o objetivo de facilitar o acesso aos dispositivos
necessários à pessoa com diabetes de modo a manter um bom autocontrolo (Direção Geral da
Saúde, 2016).

Em 2006, a Assembleia Geral das Nações Unidas, tendo em conta a representatividade


da Diabetes no âmbito das doenças crónicas, encorajou os estados membros a desenvolver
políticas nacionais para a prevenção, tratamento e controlo promovendo o desenvolvimento
sustentável dos respetivos sistemas de saúde (Direção Geral da Saúde, 2016).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Atualmente, a Direção Geral de Saúde (DGS) e a Sociedade Portuguesa de Diabetes


(SPD) em colaboração com Associações de Diabéticos, atualizaram o Programa Nacional de
Prevenção e Controlo da Diabetes com o intuito de contrariar a tendência de crescimento
verificada e aumentar os ganhos em saúde, diminuindo as complicações. Estas estratégias
intervêm essencialmente a três dos cinco níveis de prevenção:

 Prevenção Primária (redução dos fatores de risco);


 Prevenção Secundária (diagnóstico precoce e tratamento adequado de acordo
com o principio da equidade);
 Prevenção Terciária (reabilitação e reinserção social dos doentes e qualidade na
prestação dos serviços).

Este novo programa foi aprovado pelo Ministério do Saúde e integra o Plano Nacional
de Saúde que se destina a ser aplicado pelos profissionais de saúde nas Unidades de Saúde
Familiar (USF)/Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), Centros de Saúde,
Hospitais, Unidades de Cuidados Continuados e Serviços Contratualizados (Direção Geral da
Saúde, 2016)

A aposta na prevenção primordial é também de extrema importância ao nível das


doenças crónicas uma vez que passa pelo incentivo à adoção de estilos de vida que se sabem
contribuir para a promoção da saúde. Existe ainda a prevenção quaternária, que busca “evitar
ou atenuar o excesso de intervencionismo médico” (Almeida, 2005).

2.1 Epidemiologia da Diabetes

A Diabetes é uma das maiores emergências em saúde do século XXI (International


Diabetes Federation, 2015).

A OMS estima que níveis de glicose elevados são atualmente a terceira principal causa
de morte prematura, depois da hipertensão e do uso do tabaco. Estes dados indicam que muitos
governos e profissionais de saúde se encontram ainda pouco alerta com o impacto da diabetes
e das suas complicações (International Diabetes Federation, 2015).

As perspetivas evidenciam o facto de que sem o desenvolvimento de estratégias efetivas


de prevenção e programas de gestão especializados, o impacto da diabetes no mundo vai
continuar a aumentar. Enquanto que nos países desenvolvidos 35,8% das pessoas com diabetes
não estão diagnosticadas nos países em desenvolvimento este número atinge os 81,1%
(International Diabetes Federation, 2015).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Identificar pessoas em risco de ter diabetes é uma estratégia eficaz e economicamente


eficiente em alguns casos. Mesmo em países com recursos limitados, um método simples como
a utilização de escalas de risco para o desenvolvimento da diabetes é uma forma eficaz de
identificar pessoas com risco de desenvolver a doença no futuro, sendo o problema de
implementação deste tipo de medida e inexistência de dados suficientes em alguns países para
desenvolver escalas de risco. (International Diabetes Federation, 2015).

2.1.1 Epidemiologia a nível mundial

A prevalência da diabetes continua a aumentar, o que demonstra a incapacidade de


alguns países em implementar estratégias que impeçam este aumento e a necessidade de uma
maior preocupação e compreensão face aos efeitos económicos e sociais proporcionados por
esta doença crónica.

Os últimos dados sugerem a existência de 415 milhões de adultos em todo o mundo com
Diabetes e que 318 milhões possuem distúrbios na tolerância à glicose o que torna provável o
desenvolvimento da patologia no futuro (International Diabetes Federation, 2015).

Estima-se que em 2040 existam no mundo 642 milhões de pessoas com esta doença
crónica (International Diabetes Federation, 2015).

Só no continente europeu, estima-se que 59,8 milhões de pessoas têm Diabetes e a


perspetiva para 2040 é de 71,1 milhões de pessoas possuam a doença, como se pode constatar
na Figura 1 (International Diabetes Federation, 2015).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Figura 1 – Número estimado de pessoas com diabetes no mundo por região em 2015 e 2014 (dos 20 aos 79
anos).

Verificam-se diferenças significativas relativamente à prevalência da diabetes


relativamente ao sexo. Atualmente existem mais 15,6 milhões de homens do que mulheres com
esta patologia, sendo que 215,2 milhões são homens e 199,5 milhões mulheres. As estimativas
para 2040 indicam uma redução desta diferença para 15,1 milhões (328,4 milhões de homens e
313,3 milhões de mulheres) (International Diabetes Federation, 2015).

Relativamente à distribuição da diabetes por idade, verifica-se atualmente a existência


de 320,5 milhões de pessoas em idade ativa (20 – 64 anos) com diabetes e 94,2 milhões de
pessoas com 65 a 79 anos (International Diabetes Federation, 2015).

2.1.2 Epidemiologia a nível nacional

Estudos recentes indicam a existência de cerca de 27% da população entre os 20 e os


79 anos (aproximadamente 2 milhões de portugueses) com hiperglicemia intermédia, ou seja,
num estado considerado pré-diabético (Observatório Nacional de Diabetologia, 2015; Direcção-
Geral da Saúde, 2015).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

A emergência do problema prende-se com o facto de 40% da população portuguesa,


entre os 20 e os 79 anos, ter Diabetes tipo 2 ou alterações na hiperglicemia intermédia, sendo
atualmente diagnosticados diariamente 160 novos casos. Falamos neste caso de 3,1 milhões de
pessoas (Direcção-Geral da Saúde, 2015).

O aumento da prevalência desta patologia, que tem vindo a progredir de ano para ano,
levou à atual realidade de 852 463 (dados de 2015) pessoas registadas nos cuidados de saúde
primários com diabetes tipo 2 o que se traduz numa prevalência total d 13% na população
portuguesa, ou seja, mais de um milhão de pessoas no nosso país (Direcção-Geral de Saúde,
2015).

As repercussões destes números refletem-se no sistema de saúde e o seu impacto é


notório a dois níveis, internamentos e consultas. Dito de outro modo, 25% dos internamentos
hospitalares relacionam-se com pessoas diabéticas bem como 8% do total de consultas
(Direcção-Geral da Saúde, 2015).

Em 2013, em Portugal, cerca de 5% das mortes foram atribuídas a doenças endócrinas,


nutricionais e metabólicas, sendo que a diabetes é responsável por 4,3% desta percentagem.
Representando neste caso este conjunto de doenças a quarta principal causa de morte no país
(Direcção-Geral da Saúde, 2015).

Dados do mesmo ano indicam que 24% da letalidade intra-hospitalar no Sistema


Nacional de Saúde (SNS) ocorreu em doentes com diabetes (Observatório Nacional de
Diabetologia, 2015; Direcção-Geral da Saúde, 2015).

Esta elevada prevalência traduz-se numa representatividade muito significativa a nível


de custos e também em outras implicações na vida das pessoas, famílias e governos pelo
elevado potencial de sofrimento.

2.2 Custos da diabetes

A Diabetes é uma doença crónica com uma prevalência cada vez mais significativa, com
elevados consumos em cuidados de saúde, pesada em termos de complicações e respetiva
gravidade e de custos financeiros diretos e indiretos muito altos. A verificarem-se as previsões
de tendência do aumento da prevalência da diabetes, os custos associados à doença e suas
complicações crescerão exponencialmente. A diabetes impõe uma enorme pressão económica
sobre as pessoas doentes, suas famílias, sistemas de saúde e o próprio país.

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

2.2.1 Custos a nível mundial

A maioria dos países gasta entre 5 a 20% dos seus gastos totais em saúde com a
Diabetes. Estima-se que atualmente os gastos em saúde com a Diabetes rondem os 650 biliões
de dólares (International Diabetes Federation, 2015).

2.2.2 Custos a nível nacional

Em 2014, a diabetes em Portugal representou um custo direto estimado entre 1300 a


1550 milhões de euros (um aumento de 50 milhões de euros relativamente ao ano anterior) o
que corresponde a um total de 50 a 60% do total da despesa em Diabetes, de acordo com o
estudo The cost of diabetes in europe - CODE-2 (Observatório Nacional de Diabetologia, 2015).

De acordo com os dados referidos, a despesa em Diabetes no ano de 2014 representou


0,7 a 0,9% do PIB e 8 a 10% da despesa total em saúde no mesmo ano (Observatório Nacional
de Diabetologia, 2015).

Relativamente ao custo médio por cada pessoa com diabetes, de acordo com um estudo
realizado pela IDF, no 6º Atlas Mundial da Diabetes, este é estimado em 1515€ (2012dolares)
por individuo em 2014, o que representa um total de 1540 milhões de euros tendo em conta o
total de indivíduos com diabetes dos 20 aos 79 anos (Observatório Nacional de Diabetologia,
2015).

Por sua vez, tendo em conta o peso destes indicadores, este valor representa 0,9% do
PIB e 10% do total de despesa em saúde em 2014 (Observatório Nacional de Diabetologia,
2015).

Considerando apenas a população diagnosticada em Portugal, o valor gasto é de 862


milhões de euros, considerando todos os indivíduos diagnosticados com diabetes da mesma
faixa etária anteriormente referida (Observatório Nacional de Diabetologia, 2015).

2.3 Definição

Diabetes é o nome de uma patologia caracterizada por uma desordem metabólica de


etiologia múltipla que se manifesta numa hiperglicemia crónica cujo metabolismo dos lípidos,

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

hidratos de carbono e proteínas é alterado originando um défice na produção e/ou secreção de


insulina (Sociedade Portuguesa de Diabetologia, 2015).

A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas e é necessária para transportar a


glicose da corrente sanguínea para as células do corpo onde é utilizada como energia. A
ausência ou a inefetividade desta hormona numa pessoa com diabetes traduz-se na
permanência da glicose no sangue (International Diabetes Federation, 2015; Monahan, Sands,
Neighbors, Marek, & Green, 2010; BIAL, 2012).

O problema prende-se com o facto de elevados níveis de glicose no sangue


(hiperglicemia) provocarem danos em diversos tecidos no corpo, o que se traduz no
desenvolvimento de complicações, mau funcionamento de órgãos e tecidos (International
Diabetes Federation, 2015).

2.4 Classificação

A Diabetes Mellitus apresenta-se em três principais tipos, de acordo com as suas causas.

2.4.1. Diabetes Tipo 1

Resultante da destruição das células B do pâncreas, o que normalmente se traduz na


total incapacidade de produzir insulina. Este tipo de diabetes apresenta como fatores de risco o
histórico familiar de DM, fatores genéticos, infeções e outras influências ambientais e surge
normalmente em jovens, sendo quase sempre irreversível (International Diabetes Federation,
2015; Sociedade Portuguesa de Diabetologia, 2015).

A sobrevivência de uma pessoa com este tipo de diabetes está dependente do acesso a
insulina.

2.4.2. Diabetes Tipo 2

A Diabetes Mellitus tipo 2 (DM 2) é o tipo mais comum de Diabetes, surgindo


normalmente na idade adulta, mas começa a ser mais comum em crianças (International
Diabetes Federation, 2015).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Resultante de uma produção de insulina ineficiente por parte do pâncreas o que conduz
ao desenvolvimento de resistência à mesma. Este tipo de diabetes apresenta como fatores de
risco o excesso de peso, a inatividade física, uma alimentação inadequada, fatores genéticos,
histórico familiar de diabetes gestacional e idade avançada (International Diabetes Federation,
2015; Sociedade Portuguesa de Diabetologia, 2015).

O diagnóstico deste tipo de diabetes é dificultado dado ser possível passar anos sem
apresentar sintomas. Alguns casos carecem de uma classificação clara quanto ao tipo de
diabetes presente, sendo neste caso difícil a classificação em tipo 1 ou 2. Nestes dois principais
tipos a progressão da doença e a sua apresentação clínica são muito variáveis (APDP, 2012).

Um bom controlo glicémico pode em muitos casos ser obtido com recurso a alterações
alimentares e aumento da atividade física. Em outros casos é necessário recorrer a medicação
oral ou administração de insulina (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2013).

O corpo de uma pessoa com DM2 é capaz de produzir insulina, mas torna-se resistente
a ela e por isso esta torna-se ineficiente no transporte da glicose da corrente sanguínea para as
células que dela necessitam (International Diabetes Federation, 2015).

Os principais sintomas da DM2 são a perda de peso, frequência em urinar, sede


excessiva e visão turva (International Diabetes Federation, 2015; APDP, 2012).

Apesar dos sintomas muitas pessoas com DM2 permanecem muito tempo sem
diagnóstico porque estes tendem a ser menos acentuados do que na DM1. Muitas vezes este
período sem diagnóstico, em que os níveis de glicose altos permanecem sem intervenção levam
ao desenvolvimento de complicações já existentes no momento em que as pessoas iniciam
tratamento (International Diabetes Federation, 2015; Cortez, Reis, Souza, Macedo, & Torres,
2014).

Apesar dos fatores de risco já descritos as causas da DM2 não são ainda conhecidas.
(Cortez, Reis, Souza, Macedo, & Torres, 2014).

2.4.3. Diabetes gestacional

Classificada deste modo quando se trata de um estado de hiperglicemia verificado


durante a gravidez, não sendo este necessariamente evolutivo e podendo não se manter após o
parto, pode conduzir a sérios riscos para mãe e feto. Existe um risco acrescido de ambos
desenvolverem DM2 no futuro (International Diabetes Federation, 2015).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

2.5 Diagnóstico

Durante décadas o critério utilizado para diagnóstico da diabetes utilizado foi o nível de
glicose no plasma e o teste de tolerância à glicose (solução oral de 75mg) com medição aos zero
minutos (jejum) e após duas horas (American Diabetes Association, 2013).

Em 2009, o Comité Internacional de Peritos, a Internacional Diabetes Federation (IDF) e


a Associação Europeia para o Estudo da Diabetes recomendaram a inclusão da Hemoglobina
Glicada A1c (HbA1c) como teste de diagnóstico, com um limite de ≥6,5%. Sendo este critério
adotado pela American Diabetes Association (ADA) em 2010 (International Diabetes Federation,
2015).

Para confirmar um diagnóstico é necessário um valor de glicose em jejum superior a


126mg/dl e HbA1c ≥ 6,5%.

Em resumo, os atuais critérios de diagnóstico de acordo com a International Diabetes


Federation (2015) são:

 HbA1c ≥ 6,5%;
 Glicose em jejum ≥ 126mg/dl (7.0 mmol/l);
 Glicose após 2h ≥ 200mg/dl (11,1mmol/l) durante um teste de tolerância à
glucose. O teste deve ser efetuado de acordo com as recomendações da
Organização Mundial de Saúde (OMS), utilizando um preparado com 75g de
anidrido de glicose dissolvido em água;
 Num paciente com sintomas clássicos de hiperglicemia ou crise hiperglicémica,
uma amostra aleatória com glicose no plasma ≥ 200mg/dl (11,1mml/l).

Após o diagnóstico deve proceder-se a uma avaliação médica completa que permite
classificar o tipo de diabetes, detetar a presença de complicações da doença, rever tratamentos
anteriormente prescritos e controlar os fatores de risco em pacientes com diabetes estabelecida,
ajudar a delinear um plano de gestão da doença e prestar uma base para o trabalho contínuo.
(American Diabetes Association, 2013; International Diabetes Federation, 2015).

Devem ainda ser efetuados testes laboratoriais para avaliar propriamente cada paciente.
Nesta fase, a atenção aos componentes da capacidade compreensiva de cada pessoa ajudará
a equipa médica a assegurar um acompanhamento adequado à pessoa com diabetes.

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2.6 Tratamento

O tratamento da DM2 inicia-se com a adoção de uma dieta saudável, aumento da


atividade física e manutenção de um peso saudável.

2.6.1. Tratamento Farmacológico

Relativamente à medicação existente, a Metformina é uma das principais escolhas e um


dos fármacos mais eficazes (International Diabetes Federation, 2015). Este fármaco atua
aumentando a sensibilidade periférica à insulina promovendo a utilização celular da glicose, inibe
a gliconeogénese hepática e retarda a absorção intestinal da glicose (American Diabetes
Association, 2013; Infarmed, 2014).

No caso da metformina não existe o risco de provocar eventos hipoglicémicos e este


fármaco promove ainda a redução de triglicéridos e colesterol, prevenindo a resistência à insulina
(American Diabetes Association, 2013).

Outro fármaco utilizado é a glicazida, que aumenta a secreção de insulina. Os dois


fármacos referidos constam da lista da OMS como essenciais no tratamento da diabetes.
Deveriam estar acessíveis a todas as pessoas com Diabetes Mellitus no mundo de acordo com
a necessidade (International Diabetes Federation, 2015).

Em pacientes recém diagnosticados com sistemas muito acentuados e/ou níveis de


glicose ou HbA1c muito elevados considera-se a terapia com insulina com ou sem outros agentes
(International Diabetes Federation, 2015; Infarmed, 2014).

Se a terapia sem insulina com um único fármaco não atinge o objetivo glicémico na sua
dose máxima recomendada ao fim de 3-6 meses deve ser direcionado um segundo agente
terapêutico oral, os agonistas dos recetores GLP-1 (péptido semelhante ao glucangon,
tratamento injetável que não é insulina) e inibidores do DPP4 (Dipeptidyl Peptidase 4). Ambos
aumentam a reação do corpo ao processamento da comida ingerida reduzindo os níveis de
glicose após as refeições (American Diabetes Association, 2013).

Uma abordagem centrada no paciente deve ser utilizada para escolher os agentes
farmacológicos. Sendo necessário ter em consideração a eficácia, o custo e os potenciais efeitos
secundários no peso, co morbilidades, risco de hipoglicémia e as preferências dos pacientes
(American Diabetes Association, 2013).

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

2.6.2. Tratamento Não Farmacológico

É recomendada a perda de peso a todas as pessoas com excesso de peso ou obesidade


que estejam em risco de desenvolver diabetes (American Diabetes Association, 2013).

A atividade física e as alterações de comportamento são importantes componentes dos


programas de perda de peso e são mais vantajosas para manter resultados.

Recomenda-se que a pessoa com diabetes realize pelo menos 150 minutos de exercício
por semana, reduza o consumo de açúcar e tenha uma dieta rica em fibra e grãos inteiros.

Quando os adultos escolhem continuar a consumir álcool o seu consumo deve restringir-
se a um copo por dia, no caso das mulheres, ou dois no caso dos homens. O consumo de álcool
implica precauções extra para prevenir hipoglicémias (American Diabetes Association, 2013).

2.6.3. Objetivos do tratamento

O tratamento da DM tem como principal objetivo atingir um bom controlo metabólico de


modo a minimizar o aparecimento de complicações provocadas por alterações da glicémia
(Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, 2016; Infarmed, 2014).

Os objetivos do tratamento devem ser individualmente ajustados e estipulados pelo


médico assistente dado que não existe uma pessoa igual a outra e por isso a reação à terapêutica
é variável (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, 2016).

Existem, no entanto, objetivos genéricos segundo a Associação Protetora dos Diabéticos


de Portugal (2016), fruto de vários estudos, que são aplicados à população em geral:

- Nível de glicémia. A glicémia diz-se alta quando os seus valores são


superiores a 200 mg/dl após duas horas da ingestão de 75g de glicose; 126mg/dl em jejum e
200 mg/dl numa medição ocasional;

- Nível de Hemoglobina Glicada (HbA1C) inferior a 6,5% sem hipoglicémias.


Este valor representa uma média dos valores de glicémia dos últimos três meses.

- Tensão arterial. O controlo da tensão arterial é de extrema importância em


pessoas com diabetes dado que apresentam uma maior propensão para a hipertensão devido à
frequente existência de complicações a nível vascular. De modo a evitar o risco acrescido de
complicações cardiovasculares, como enfartes ou acidentes vasculares cerebrais (AVC) os
níveis de tensão devem ser iguais ou inferiores a 130/80 mg/dl.

19
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

- Colesterol. Devido à forte componente hereditária determinadas pessoas


apresentam níveis de colesterol elevados apesar de manterem uma alimentação equilibrada e
sem excessos. Devido ao aumento do risco cardiovascular é importante manter os níveis de
colesterol inferiores a 100 mg/dl.

- Cessação tabágica. Trata-se de uma medida fundamental para atingir ps


objetivos terapêuticos e evitar o desenvolvimento de complicações.

2.6.4. Controlo glicémico

Para realizar o controlo glicémico a pessoa com diabetes deve recorrer a duas técnicas.
A primeira trata-se da medição do nível glicémico no sangue, através da picada no dedo e a
seguinte a avaliação da HbA1c em análises ao sangue, efetuadas em laboratório (American
Diabetes Association, 2013).

De acordo com as recomendações da American Diabetes Association (2013) no caso de


pacientes com múltiplas doses de insulina diárias devem efetuar a auto medição do nível de
glicémia antes das refeições e refeições intercalares, ocasionalmente às refeições, antes de
dormir, antes de praticar exercício físico e quando suspeitam que o nível de glicose está baixo,
depois de tratar o baixo nível até estar normoglicémico e antes de realizar tarefas criticas tais
como conduzir.

Estas medições de glicose como parte integrante de um quadro educacional podem ser
úteis para dirigir decisões do tratamento e/ou o autocuidado do paciente levando à utilização de
doses menores de insulina ou tratamento sem insulina. Ao prescrever estas medições a equipa
de saúde deve assegurar-se de que o paciente recebe instruções e avaliação regular da técnica
e dos resultados da medição bem como a sua capacidade de utilizar os dados das medições
para ajustar a terapia (APDP, 2012).

Os resultados destas medições são úteis na prevenção de hipoglicemia, ajuste da


medicação (principalmente doses de insulina), nutrição clínica e atividade física sendo a sua
frequência regulada de acordo com as necessidades individuais de cada pessoa e os objetivos
a ser alcançados (APDP, 2012).

No caso da diabetes tipo 2, a medição contínua da glicose, segundo estudos, reduz a


HbA1c em 25% num prazo de seis meses. É necessário ter em conta que o uso ideal desta
técnica exige uma boa interpretação dos dados fornecidos, tanto pelo paciente como pelo
médico.

20
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Relativamente à medição da HbA1c, trata-se de um teste que deve ser efetuado pelo
menos duas vezes ao ano em pacientes com controlo glicémico estável e que atingem os
objetivos do tratamento e em pacientes que não atingem os objetivos do tratamento deve ser
efetuado a cada quatro meses (ADA, 2013).

De acordo com a American Diabetes Association (2013), a pessoa diabética deve


procurar atingir os seguintes objetivos: HbA1c abaixo dos 7% pois permite reduzir o risco de
desenvolver complicações microvasculares e implementada logo após o diagnóstico da diabetes
está associada a uma redução a longo prazo de doença macrovascular sendo que deve ser
sugerido pelos prestadores de cuidados níveis mais exigentes (como ≤6,5%) para alguns
pacientes, se este objetivo for atingido sem episódios de hipoglicemia ou outros efeitos adversos
do tratamento. Estas recomendações devem ser aplicadas a pacientes com diabetes há pouco
tempo e longa expectativa de vida; por outro lado, objetivos menos exigentes (como <8%) são
mais adequados para pacientes com histórico de hipoglicemia severa, expectativa de vida
limitada, complicações micro e macrovasculares avançadas, comorbilidades avançadas e
aqueles com diabetes de longa duração naqueles em que o objetivo principal é difícil de atingir,
além da monitorização apropriada dos níveis de glicose e uma dose efetiva de agentes para
baixar estes níveis e insulina (ADA, 2015).

A hiperglicemia define a diabetes e por isso o controlo glicémico é fundamental na gestão


desta doença, através de um melhor controlo glicémico consegue-se uma diminuição do risco de
complicações microvasculares (retinopatia e nefropatia) e complicações neuropáticas.

2.7 Complicações

As complicações associadas à diabetes são a maior causa de incapacidade, redução de


qualidade de vida e morte prematura. As suas manifestações acometem diferentes partes do
corpo de diferentes formas.

Alguns estudos indicam que no momento do diagnóstico cerca de 50% as pessoas já


apresentam complicações (International Diabetes Federation, 2015). Observa-se nas pessoas
com diabetes uma maior probabilidade de desenvolver algumas complicações e problemas de
saúde com potencial risco de vida do que nas pessoas em geral. Os elevados níveis de glicose
no sangue são responsáveis pelo desenvolvimento de doenças graves afetando o coração e
vasos sanguíneos, os olhos, rins, nervos e também um risco acrescido de desenvolver infeções
(International Diabetes Federation, 2015; Guerra M. T., 2012).

Nos países desenvolvidos, a diabetes apresenta-se como a principal causa de


problemas cardíacos, cegueira, falência renal e amputação dos membros inferiores. O aumento

21
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

da prevalência da diabetes nos países de baixo/médio desenvolvimento vai conduzir a um


aumento deste tipo de complicações dada a inexistência de estratégias efetivas que suportem
uma melhor gestão desta doença (International Diabetes Federation, 2015; Guerra M. T., 2012).

De modo a prevenir e/ou adiar o desenvolvimento de complicações, a pessoa com


diabetes deve manter os níveis de glicose, tensão arterial e colesterol o mais próximo possível
dos valores normais (International Diabetes Federation, 2015).

A importância dos programas de rastreio é indiscutível na deteção de complicações em


fase inicial quando o tratamento pode evitar o desenvolvimento de situações mais graves e
incapacitantes (International Diabetes Federation, 2015).

Um bom controlo glicémico é a chave na prevenção de complicações na diabetes, aliado


à manutenção da tensão arterial e dos níveis de colesterol. Para que tal seja possível, é
imperioso um alto nível de educação/empoderamento da pessoa com diabetes ao gerir a sua
condição, bem como acesso a insulina, medicação oral e equipamento de manutenção (Tejada,
et al., 2012).

As pessoas com diabetes necessitam de acompanhamento por um corpo clínico bem


preparado e especializado neste problema de saúde bem como de sistemas de saúde que
providenciem o acesso a análises de sangue frequentes e rastreios de visão e aos pés
(International Diabetes Federation, 2015).

2.7.1 Complicações agudas

As complicações agudas da DM são a Hipoglicemia, a Hiperglicemia hiperosmolar e a


Cetoacidose, sendo as duas últimas referidas as mais graves.

A Hipoglicémia é considerada a alteração metabólica mais comum em pessoas com


diabetes tratadas com fármacos antidiabéticos hipoglicemiantes (orais ou insulina) e com mais
tempo de diagnóstico. É caracterizada por valores de glicémia inferiores a 50mg/dl (Gallego &
Caldeira, 2007). Os sintomas e sinais ocorrem por carência de glicose que deve ser ingerida de
imediato, sob a forma de açucares de rápida absorção, de modo a impedir a ocorrência de lesões
neurológicas ou mesmo a morte. Estes sintomas são variáveis de caso para caso, de entre os
quais a sudorese, os tremores, palidez e fome intensa quando a descida de glicemia é rápida e
outros como cefaleias, tonturas, alterações da visão quando a sua descida é lenta (Gallego &
Caldeira, 2007; Ministério da Saúde, 2013).

O registo dos eventos hipoglicémicos é de extrema importância no processo de


aprendizagem do autocontrolo e este deve ser analisado em conjunto com a equipa de

22
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

profissionais, revendo a alimentação, o exercício e as doses de fármacos. As pessoas com


diabetes devem ser ensinadas a reconhecer os seus sintomas, a tratar de imediato a situação e
a corrigir o fator desencadeante utilizando os erros como um modo de aprendizagem (Gallego &
Caldeira, 2007).

Relativamente à cetoacidose, esta surge normalmente por uma situação de falha na


toma de insulina ou numa situação de stress e os seus sintomas são dor abdominal, náuseas e
vómitos que podem ser intensos. Deve por isso ser avaliada a glicémia e a bioquímica urinária
numa situação de atendimento em urgência com este quadro (Gallego & Caldeira, 2007).

O mecanismo que leva ao surgimento da cetoacidose, numa pessoa com diabetes,


normalmente bem controlada, bem hidratada, tem haver com a falta efetiva de insulina que se
associa a um amento do glucagon, catecolaminas, hormona de crescimento e cortisol. Ocorre
então a hiperglicemia como resultado de uma gliconeogénese aumentada e de uma
glucogenólise acelerada e de uma deficiente utilização da glicose nos tecidos, desencadeando
cetose. A razão insulina/glucagon já alterada na diabetes aumenta e surgem modificações no
equilíbrio entre enzimas chave do metabolismo, com consequente aumento da produção de
glucose pela neogluconeogénese hepática (Gallego & Caldeira, 2007).

Para tratar um episódio de cetoacidose é necessário ter atenção à hidratação, nível de


eletrólitos, elevada glicose, sendo essencial identificar a causa da ocorrência (Gallego &
Caldeira, 2007).

No que diz respeito ao Síndrome hiperglicémico hiperosmolar, este ocorre quando o valor
da glicémia é superior a 600mg/dl, podendo ou não coexistir com cetoacidose (Gallego &
Caldeira, 2007). Os sintomas desenvolvem-se de forma lenta e incluem poliúria, perda de peso,
culminando com alterações de consciência. O exame clínico revela desidratação, hipotensão,
taquicardia e alterações de consciência, na ausência de náuseas, vómitos, dores abdominais e
poliúria. As causas associadas são o défice de insulina e uma hidratação inadequadas (Gallego
& Caldeira, 2007; Monahan, Sands, Neighbors, Marek, & Green, 2010).

A mortalidade associada a este último síndrome é elevada. Sendo mais comum em


pessoas com DM2, devido à produção residual de insulina (Gallego & Caldeira, 2007).

2.7.2 Complicações crónicas

Com o passar dos anos, a DM mal controlada pode provocar complicações nos olhos,
coração, nervos, pés, rins e a nível de saúde oral.

23
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Relativamente à doença ocular, a retinopatia surge como um problema comum em


pessoas com diabetes, trata-se de um problema de saúde que pode danificar a visão e provocar
cegueira. Os elevados níveis de glicose no sangue são a principal causa de retinopatia,
responsáveis por afetar a rede de vasos sanguíneos que suporta a retina o que pode provocar
cegueira permanente (APDP, 2012).

No entanto, a retinopatia pode evoluir para um estado muito avançado antes de afetar a
visão, o que conduz à necessidade de rastreios frequentes a pessoas com diabetes dado que
esta condição pode ser tratada quando detetada numa fase inicial (International Diabetes
Federation, 2015).

Quanto à doença cardiovascular, as formas mais comuns presentes deste tipo de


complicações em pessoas com diabetes são angina, infração miocardial (ataque cardíaco),
derrame, doença arterial periférica, falência cardíaca congestiva. Trata-se da causa mais comum
de incapacidade e morte em pessoas com diabetes e está relacionada com fatores de risco tais
como o colesterol, a tensão alta e níveis elevados e glicose (International Diabetes Federation,
2015).

No que diz respeito às complicações na gravidez, estas advêm de níveis de glicose


elevados durante a gravidez que podem comprometer o desenvolvimento do feto que poderá
desenvolver excesso de peso e de tamanho, as mulheres com diabetes devem por isso ter um
acompanhamento específico de modo a promover o controlo glicémico rigoroso durante a
gravidez. Por sua vez, após nascimento, a probabilidade de desenvolver diabetes é maior sendo
também comum a ocorrência de eventos hipoglicémicos após o parto (International Diabetes
Federation, 2015).

O problema do pé diabético, surge como resultado dos danos provocados por elevados
níveis de glicose nos vasos sanguíneos, as pessoas com diabetes tendem a desenvolver danos
nos nervos e problemas como má circulação. Por sua vez, a probabilidade de desenvolver
problemas como ulceração, infeção e amputação é acrescido (International Diabetes Federation,
2015; Caiafa, et al., 2011).

O risco de amputação numa pessoa com diabetes pode ser até 25 vezes superior do que
numa pessoa sem diabetes, no entanto, grande parte das situações podem ser evitadas com um
bom cuidado e prevenção e é este o motivo pelo qual é muito importante que as pessoas com
diabetes efetuem diariamente a lavagem e exame dos seus pés. Neste tipo de complicações, o
acompanhamento por uma equipa multidisciplinar tem especial importância, na manutenção da
qualidade de vida da pessoa diabética mesmo após amputação (International Diabetes
Federation, 2015; Caiafa, et al., 2011).

24
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Abordando a saúde oral, em pessoas com diabetes há um maior risco de periodontite,


caraterizada por uma inflamação dos tecidos em redor dos dentes. Trata-se da maior causa de
perda de dentes e está associada a um maior risco de doença cardiovascular (International
Diabetes Federation, 2015).

Quanto à nefropatia, a diabetes surge como uma das principais causas de doença renal.
A doença resulta de danos nos pequenos vasos sanguíneos o que provoca ineficiência ou
mesmo falência renal, de forma a prevenir estes danos é necessário manter os níveis de glicose
e a tensão arterial em valores normais (International Diabetes Federation, 2015; ADA, 2013).

Por último, mas não menos importante, os danos nos nervos (neuropatia) são também
resultantes de elevados níveis de glicose e trata-se de uma complicação que pode afetar
qualquer nervo no corpo. A neuropatia periférica é a sua apresentação mais comum, afetando
os nervos sensoriais dos pés, provocando dor, tremor e perda de sensibilidade (International
Diabetes Federation, 2015). Esta perda de sensibilidade pode camuflar outros danos tais como
ulcerações e infeções e é por isso um fator de risco para a necessidade de amputação. A
neuropatia pode manifestar-se em outros locais do corpo, sendo comum provocar disfunção
eréctil, problemas digestivos, urinários e de outras funções (International Diabetes Federation,
2015; APDP, 2012).

25
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

CAPÍTULO 3 – A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO DA


PESSOA DIABÉTICA

O atual cenário de recursos escassos, conduziu à necessidade de controlo de custos no


setor da saúde. Para isso foram desenvolvidas estratégias de intervenção com uma abordagem
integrada, com o objetivo de melhorar o nível de saúde da população, a qualidade dos cuidados
prestados e a eficiência na utilização dos recursos (Guerra, 2009).

Este tipo de estratégias visa a eficiência dos cuidados prestados, com o objetivo de
redução da despesa, mas também de uma melhoria da qualidade dos serviços de saúde. Trata-
se da substituição de cuidados dispendiosos, reativos e não planeados por cuidados efetivos,
antecipatórios e equitativos.

Ao contrário de outras doenças crónicas a diabetes tipo 2 depende de um extenso


autocuidado diário, razão pela qual o empoderamento da pessoa diabética e a sua capacitação
é um processo fundamental com vista a atingir os objetivos terapêuticos (Hara, et al., 2014).

3.1. O conceito de literacia em diabetes

Entende-se por literacia em saúde, a medida em que os indivíduos são capazes de obter,
processar, entender e utilizar a informação básica em saúde e serviços disponíveis com o
objetivo de tomar decisões que possibilitem promover e manter um estado de saúde apropriado
(Cunha, et al., 2014; Martins-Reis & Santos, 2012; Santos, Mansur, & Paiva, 2013).

Uma baixa literacia em saúde, está relacionada com condições de saúde menos
favoráveis, taxas de admissão hospitalar mais elevadas, menor adesão ao tratamento prescrito
pelos médicos, maior propensão à incorreta ingestão da medicação prescrita e menor utilização
de serviços preventivos (Martins-Reis & Santos, 2012; Apolinario, Braga, & Magaldi, 2012;
Jayasinghe, et al., 2016).

Alguns grupos populacionais apresentam maior risco de literacia em saúde inadequada,


tais como emigrantes, pessoas com dificuldades socioeconómicas e idosos. Neste último caso,
justifica-se não só por uma falha educacional devido à geração onde pertencem, mas também
ao aumento do recurso a cuidados médicos, e regimes terapêuticos mais complexos (Apolinario,
Braga, & Magaldi, 2012; Santos, Mansur, & Paiva, 2013).

26
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Contrariamente ao que se possa pensar, os anos de estudo formal, por si só, não são
um indicador de literacia em saúde, e muitos pacientes procuram esconder ter uma má literacia,
pelo que é difícil para um profissional de saúde, mesmo que atento, identificar que o paciente
tem dificuldade em entender a informação transmitida (Apolinario, Braga, & Magaldi, 2012).

Estudos referem que a literacia em saúde deve ser corretamente avaliada para que seja
possível identificar os pacientes nos quais o desfecho clínico e o resultado da terapêutica pode
não ser o desejado. Isto porque, o tratamento de muitas doenças agudas e crónicas é
influenciado pelo entendimento das informações de saúde, pelo que é necessário oferecer mais
apoio a indivíduos que apresentem dificuldade em entendê-las, porque isso poderá influenciar o
resultado clinico (Santos, Mansur, & Paiva, 2013).

Devido a isso, muitos investigadores têm dedicado o seu tempo a desenvolver


instrumentos de literacia em saúde válidos e fiáveis que permitam identificar este tipo de
pacientes (Apolinario, Braga, & Magaldi, 2012).

Em suma, a literacia em saúde avalia a capacidade e os conhecimentos dos indivíduos


para superar a exigência em saúde da sociedade atualmente, por isso, a medição do nível de
literacia é uma importante ferramenta, permitindo uma maior perceção das aptidões de cada
individuo em matéria de saúde, ajudar na adaptação da informação ao público-alvo para que seja
por estes entendida e ser-lhe útil (Martins & Andrade, 2014).

Na medida em que a avaliação do nível de literacia permite a avaliação do público alvo


no modo como estes entendem a informação, esta avaliação poderá ser um importante fator no
resultado e na aceitação de um produto farmacêutico inserido no mercado.

Um exemplo da importância desta avaliação poderá ser os produtos alimentares


dietéticos, cuja eficácia depende em grande parte da forma como o consumidor entende a forma
adequada de seguir o tratamento. Já que hoje em dia se verifica um aumento do interesse por
parte do consumidor nas questões relacionadas com a alimentação bem como na sua implicação
no bem-estar pessoal, ou no meio que o rodeia e mesmo na saúde publica, procurando o
equilíbrio nutricional e da saúde (Luís, 2010). Este exemplo aplica-se também na dificuldade que
muitas pessoas diabéticas encontram em seguir a dieta indicada pelos profissionais de saúde.

No caso dos alimentos, o rótulo dos mesmos é uma ferramenta fulcral para a promoção
da literacia do consumidor. É a informação nutricional que consta do rótulo que permite ao
consumidor escolher um produto que favoreça a sua saúde mediante os aspectos nutricionais.
Por isso, não é suficiente educar e informar sobre a leitura dos rótulos, é ainda necessário que a
informação que nestes reside esteja acessível á compreensão do consumidor (Luís, 2010).

De entre estes instrumentos de medição da literacia em saúde os mais utilizados são o


REALM (Rapide Estimate of Adult Literacy in Medicine), o TOFHLA (Test of Functional Health

27
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Literacy in Adults) e a escala de literacia de eHEALS (The eHealth Literacy Scale), que mede o
conhecimento, a familiaridade e competência em encontrar, avaliar e aplicar informação em
saúde que advém de meios eletrónicos (Luís, 2010; Apolinario, Braga, & Magaldi, 2012; Santos,
Mansur, & Paiva, 2013).

Diversos estudos sugerem que a literacia em saúde tem um papel determinante na


aderência ao tratamento e prognóstico relativamente à diabetes. A necessidade das pessoas
diabéticas participarem num regime de tratamento mais complicado, requer que tenham uma boa
literacia em saúde mais do que nunca (Reisi, Mortafavi, Mahaki, Tavassoli, & Sharifirad, 2015).

A autoeficácia é frequentemente discutida na literatura da doença crónica e tem-se


tornado cada vez mais importante no tratamento da diabetes. Por exemplo, um estudo mostrou
que a autoeficácia explica 4 a 10% da variância nos comportamentos de autocuidado da diabetes
(Reisi, Mortafavi, Mahaki, Tavassoli, & Sharifirad, 2015).

Outro estudo demonstrou que a autoeficácia está positivamente relacionada com o


autocuidado da diabetes e juntos com o estado civil explicam 16,7% da variância nos
comportamentos de autocuidado (Reisi, Mortafavi, Mahaki, Tavassoli, & Sharifirad, 2015).

Apesar da autoeficácia poder ajudar ela tem um efeito aumentado quando combinado
com as expectativas futuras. Bandura define expectativas como “aquilo que a pessoa estima que
um determinado comportamento levará a um determinado resultado” (Reisi, Mortafavi, Mahaki,
Tavassoli, & Sharifirad, 2015).

As expectativas influenciam o comportamento servindo de incentivos (resultados


positivos) ou desincentivos (resultados negativos). As expectativas disponibilizam a motivação
para o comportamento enquanto a autoeficácia proporciona a confiança para superar barreiras
(Reisi, Mortafavi, Mahaki, Tavassoli, & Sharifirad, 2015).

3.2. Capacidade de controlo da diabetes

Tendo em conta a gravidade das complicações associadas a esta patologia, a sua


prevenção tem vindo a tornar-se uma prioridade de saúde pública. A educação da pessoa com
diabetes surge como uma estratégia fiável no que diz respeito à prevenção de complicações,
tendo sido comprovados os seus efeitos positivos em diversos estudos realizados em vários
países (Pereira, Costa, Sousa, & Jardim, 2012).

28
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Para que tal seja possível, a pessoa com diabetes precisa além de receber tratamento
adequado ter apoio na autogestão da sua doença e acompanhamento regular (Pereira, Costa,
Sousa, & Jardim, 2012).

A diabetes implica conhecimento de habilidades que envolvem alterações na


alimentação, peso, medicação e outras, realizadas pelo próprio paciente no processo
denominado autocuidado. Estas exigências, quando colocadas em prática corretamente,
possibilitam à pessoa diabética um melhor controlo metabólico, preservando ou melhorando a
sua qualidade de vida com custos razoáveis e prevenindo complicações (Pereira, Costa, Sousa,
& Jardim, 2012).

No entanto, na realidade os números indicam que 50 a 80% das pessoas diabéticas têm
défice de conhecimentos e menos de metade consegue um bom controlo glicémico no caso da
DM, a superação deste problema passa por encontrar técnicas e estratégias eficientes na
promoção do autocuidado e autocontrolo, de modo a capacitar a pessoa diabética para controlar
a sua patologia (Pereira, Costa, Sousa, & Jardim, 2012).

O paciente empoderado terá “autonomia na gestão de seu tratamento” e “capacidade


para fazer escolhas informadas” o que teoricamente significará um avanço do individualismo na
sociedade contemporânea como frequentemente se interpreta o aumento da responsabilização
do individuo pela própria saúde (Chibante, Cunha, & André, 2015; Lopes, 2015).

3.3. Decisão clínica partilhada

As evidências sugerem que as pessoas com doenças crónicas, como a DM, envolvidos
no seu tratamento e em programas de melhoramento da autoeficácia têm melhores ganhos em
saúde (Heisler, Piette, Spencer, Kieffer, & Vijan, 2005).

A decisão clínica partilhada está associada a melhores comportamentos de autocuidado


e menos complicações (Heisler, Piette, Spencer, Kieffer, & Vijan, 2005).

Uma das tentativas que têm vindo a ser apresentadas para dar resposta à assistência
da diabetes de forma eficiente é a substituição do modelo “complicance” pelo de “adherence”. O
conceito de adesão é definido como a utilização da medicação e outros procedimentos prescritos
tendo em conta o horário, dose e tempo de tratamento. Enquanto que o modelo da obediência
coloca a pessoa doente num papel passivo o modelo da aderência dá especial importância à
escolha livre da pessoa doente em aceitar as recomendações do tratamento, dando-lhe um papel
ativo no seu processo de tratamento (Lopes, 2015; Pereira, 2014).

29
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Neste último caso são valorizadas as experiencias da pessoa com a patologia, o


conhecimento que ela adquire sobre a mesma e como afeta o seu dia a dia bem como a sua
resposta individual ao tratamento prescrito. Desta forma, não se verifica o poder médico em
confronto com a obediência da pessoa diabética, mas sim uma priorização da situação do
tratamento pela própria pessoa diabética (Lopes, 2015).

Esta reformulação da relação com os profissionais de saúde implica considerar as


pessoas com doença crónica ativos no seu próprio cuidado o que no caso da diabetes tem uma
importância fulcral dado que as pessoas com diabetes precisam de saber gerir de forma
independente as descompensações glicémicas (Lopes, 2015).

Na implementação de estratégias de decisão partilhada devem ser tidas em conta


algumas questões tais como a colaboração entre os prestadores de cuidados médicos e a
pessoa diabética, cada um com conhecimentos igualmente importantes; o reconhecimento do
direito do paciente em tomar decisões que façam sentido no contexto da sua vida uma vez que
os objetivos estabelecidos pelos profissionais de saúde; o educador no caso da diabetes surge
como um facilitador para os ajustes necessários quando surgem dificuldades, fazendo uma
ligação entre os pressupostos de uma boa saúde e os objetivos do paciente. O objetivo do
cuidador é ajudar o paciente a desenvolver o seu próprio plano de cuidado com a diabetes
(Lopes, 2015).

Ao desenvolver este plano devem ter-se em consideração alguns aspetos, tais como a
idade do paciente, a sua escolaridade, o seu horário e condições de trabalho, atividade física,
padrões alimentares, situação social e fatores culturais além da presença de complicações da
diabetes ou de outros problemas de saúde (American Diabetes Association, 2013).

Segundo Anderson et al (1991) o profissional de saúde deve ajudar as pessoas com


diabetes a atingir um objetivo específico sem direcionar ou controlar esse processo, mas sim
facilitando-o, encontrando a melhor forma de ultrapassar os obstáculos encontrados pelo
paciente. Esta decisão clínica partilhada implica o empoderamento da pessoa diabética e a
criação de um sistema aberto de diálogo no qual seja possível explorar as dificuldades sentidas
e receber sugestões para as ultrapassar, expressões encorajadoras e compreensão.

3.4. Empoderamento e autocuidado

Classifica-se como pessoa empoderada aquela que possui conhecimento suficiente e


recursos para implementar as suas decisões e experiência suficiente para avaliar a sua
efetividade (Varming, Hansen, Andrésdótir, Husted, & Willaing, 2015).

30
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

O “empowerment” ou empoderamento tem vindo a ser introduzido em programas de


cuidado a doenças crónicas, mais especificamente no cuidado da diabetes dado que estudos
demonstram ser uma forma de educar a pessoa com diabetes de modo a aumentar/promover o
nível de adesão terapêutica. (Tol, Shojaezadeh, Sharifirad, Alhani, & Tehran, 2012).

No que diz respeito a cuidados de saúde, a filosofia de empoderamento no cuidado ao


paciente é baseada nos seguintes pressupostos segundo Meetoo&Gopaul (2005): (Meetoo &
Gopaul, 2005)

 A maioria dos consumidores de cuidados de saúde é responsável por tomar


decisões importantes e por vezes complexas relativamente ao seu
tratamento/cuidado;
 Os pacientes são os únicos com a experiência das consequências de ter a tratar
a sua patologia e por isso têm o direito de ser os primeiros a tomar decisões
relativamente à sua condição médica;
 Os profissionais de saúde não podem empoderar pessoas com diabetes, o
empoderamento é um processo que tem lugar no individuo, os profissionais de
saúde devem apenas criar condições que permitam ao paciente sentir-se bem e
tornar-se empoderado;
 Os profissionais de saúde precisam de se submeter à cooperação com o
paciente, com o objetivo de criar um ambiente onde prospera a compreensão de
crenças, valores expectativas;
 O respeito mútuo entre profissionais de saúde e pacientes é essencial neste
processo;
 A confiança mútua entre profissionais de saúde e pacientes é fundamental para
que o prognóstico e objetivos sejam alcançados.

O objetivo do empoderamento de pacientes é promover a autorregulação autónoma com


o intuito de maximizar o potencial do individuo para a saúde e para a doença. O empoderamento
do paciente pode ser considerado por si só um ganho (Meetoo & Gopaul, 2005).

Consideramos que as pessoas diabéticas são empoderadas quando possuem o


conhecimento, ferramentas, atitudes e autocuidado necessárias para influenciar o seu
comportamento e o dos outros de modo a melhorar as suas vidas (Meetoo & Gopaul, 2005).

O processo inicial do empoderamento começa com a informação e educação. Trata-se


de um processo com cinco níveis, segundo Funnel e Anderson (2004), citado por Meetoo &
Gopaul, (2005):

31
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

 O objetivo dos primeiros dois passos é definir o problema e compreender


quaisquer crenças, pensamentos ou sentimentos do paciente que possam
justificar ou camuflar os seus esforços;
 O terceiro passo é identificar objetivos a longo prazo para os quais o paciente irá
trabalhar;
 O quarto passo consiste em capacitar o paciente a optar e sucumbir a uma
alteração no seu comportamento que o vai ajudar a atingir os objetivos
delineados anteriormente;
 O último passo é para o paciente avaliar o seu esforço e identificar o que
aprendeu durante o processo referido.

Esta versão de empoderamento elimina a noção de sucesso ou falha, dado que todos
os esforços representam oportunidades par aprender, com o suporte do profissional de saúde
ao longo de todo o processo.

A educação é reconhecida como a chave do regime de gestão na diabetes (D'Souza,


Karkada, Hanrahan, Venkatesaperumal, & Amirtharaj, 2015). Contudo o conhecimento é por si
só insuficiente para determinar a capacidade do individuo em incorporar alterações no seu
comportamento e atingir os objetivos terapêuticos (Meetoo & Gopaul, 2005).

No que diz respeito à DM, o conceito de empoderamento baeia-se nos seguintes factos:

 O cuidado da DM é assegurado pela pessoa que vive com a doença no seu dia
a dia;
 A DM afeta os aspetos emocional, espiritual, social, físico e cognitivo da vida da
pessoa;
 As pessoas diabéticas beneficiam das escolhas do seu dia a dia como seu
autocuidado;
 As pessoas diabéticas precisam não só de informação sobre a doença, mas
também sobre si próprias para tomar escolhas informadas.

O papel do profissional de saúde, enquanto perito no que faz é o de transmitir os


conhecimentos necessários e capacitar a pessoa doente, de modo a que esta possua
conhecimentos suficientes e confiança para tomar decisões e agir em seu próprio benefício. A
correta gestão da diabetes tipo 2 inclui diversos compromissos. Além da medicação que pode
incluir administração de insulina e monitorização do nível de glicose no sangue, alimentação
cuidada e exercício físico são essenciais para um bom prognóstico e para prevenir complicações
tardias (Oliveira & Zanetti, 2011; Varming, Hansen, Andrésdótir, Husted, & Willaing, 2015).

32
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Relativamente à adesão à medicação, estudos indicam que 20 a 50% dos pacientes com
doenças crónicas não cumprem o regime medicamentoso estipulado (Kripalani, Yao, & Haynes,
2007).

Estudos referem que as pessoas diabéticas que têm melhor perceção do seu
empoderamento têm mais facilidade eu auto gerir a sua diabetes e aderem melhor ao tratamento
apresentando melhores resultados clínicos (D'Souza, Karkada, Hanrahan, Venkatesaperumal, &
Amirtharaj, 2015).

Em contraste, um pobre empoderamento, está relacionado com má gestão inadequada


dos aspetos psicossociais ligados ao conhecimento do tratamento e autocuidado, dificuldade em
compreender como alterar comportamentos e mau alcance dos objetivos terapêuticos (D'Souza,
Karkada, Hanrahan, Venkatesaperumal, & Amirtharaj, 2015).

É de igual modo aceite, através de evidência cientifica, que a comunicação aberta, a


participação mútua, conhecimento e ferramentas suficientes e decisões relacionadas com
objetivos são importantes no processo de empoderamento da diabetes (D'Souza, Karkada,
Hanrahan, Venkatesaperumal, & Amirtharaj, 2015).

O empoderamento é fortemente influenciado pela religião, destino cultural e espiritual,


suporte social, emocional e familiar (Pinto, 2014) (D'Souza, Karkada, Hanrahan,
Venkatesaperumal, & Amirtharaj, 2015). Um estudo realizado em seis países (Espanha, Bulgária,
Grécia, Holanda, Noruega, UK) concluiu que os pacientes inseridos em organizações
comunitárias (cerca de 1/3 da população) apresentavam melhor estado de saúde e
comportamento de saúde especialmente em populações com menos recursos, reforçando a ideia
da importância do suporte social na gestão doença crónica (Koetsenrujiter, et al., 2015).

As pessoas com diabetes devem estar devidamente informadas sobre as suas próprias
necessidades e precisam para isso de ter conhecimentos sobre a sua patologia e seu
autocuidado. Estratégias de empoderamento dos pacientes devem ter em conta a sua
participação ativa nas atividades de autocuidado. Conseguir realizar as tarefas de autocuidado
de forma eficiente promove um sentido de recompensa e mestria no controlo glicémico o que
promove por sua vez a autoeficácia (D'Souza, Karkada, Hanrahan, Venkatesaperumal, &
Amirtharaj, 2015).

33
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

PARTE II

ESTUDO EMPÍRICO

34
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

CAPÍTULO 4 – METODOLOGIA

Neste capítulo são apresentados os procedimentos metodológicos adotados, a sua


fundamentação, a contextualização do problema, a seleção da população, o tamanho da
amostra, o tipo de estudo, as estratégias utilizadas para controlar as variáveis, os instrumentos
de colheita de dados e o tratamento da informação.

4.1 Questões de investigação, finalidade e objetivos do estudo

O presente estudo tem por finalidade contribuir para uma melhor adequação da ação de
combate e prevenção da diabetes bem como a redução dos custos inerentes, a partir da
evidência produzida, através do estudo da relação entre os conhecimentos da pessoa diabética
sobre a sua patologia e a sua capacidade de controlo e qualidade de vida.

Neste contexto, foram definidos os objetivos a cumprir:

 Avaliar a capacidade de controlo, os conhecimentos e a qualidade de vida relacionada


com a saúde, das pessoas com diabetes tipo 2;

 Estudar a correlação entre os constructos mencionados anteriormente (conhecimentos


sobre a diabetes, qualidade de vida relacionada com a saúde e a capacidade de
controlo) nas pessoas diabéticas tipo 2;

 Analisar as diferenças entre a capacidade de controlo, os conhecimentos e a qualidade


de vida relacionada com a saúde das pessoas diabéticas tipo 2 e as variáveis
sociodemográficas (idade, sexo, grau de habilitações literárias, atividade profissional,
com quem vive) e clínicas (duração do diagnóstico, HbA1C, IMC, consumo de álcool,
dieta, prática de exercício, complicações, patologias associadas, frequência de
avaliação da glicémia);

 Delinear, com base nas conclusões encontradas, medidas de melhoria da capacidade


de controlo, conhecimentos e empoderamento.

4.2 Tipo de estudo

De modo a alcançar os objetivos propostos, o estudo realizado é de natureza


exploratória, transversão e descrivo-correlacional. Denominam-se estudos exploratórios,

35
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

aqueles em que o investigador procura familiarizar-se com fatos e fenómenos relativamente


desconhecidos sobre um determinado tema a ser estudado procurando determinar a relação
existente e sobretudo conhecer o tipo de relação desse tema num determinado contexto,
estabelecer prioridades para futuras investigações e sugerir afirmações e pressupostos.

O presente estudo é ainda transversal, dado a recolha de dados ter sido efetuada num
determinado momento atual. Trata-se ainda de um estudo observacional, dado que a intervenção
do investigador é nula.
Considera-se, na medida em que têm como metodologia a observação, registo e
descrição de um determinado fenómeno ocorrido numa amostra ou população. Neste tipo de
estudo o objetivo é apenas descrever o fato, especificando características e perfis de pessoas,
grupos ou comunidades através da recolha de dados efetuada (Mauro, Simões, Faria, &
Fontelles, 2009).
O carater descritivo-correlacional é-lhe conferido pelo interesse no estudo de descobrir
fatores relacionados com um determinado fenómeno, explorando e determinando a existência
de relações entre variáveis, com vista a descrever essas relações (Mauro, Simões, Faria, &
Fontelles, 2009).

4.3 População e amostra em estudo

Ao selecionar uma amostra a principal preocupação é que esta seja representativa da


população em estudo. Entende-se por população, o número de indivíduos que apresentam pelo
menos uma característica em comum. A amostra é um subconjunto da população, uma parte
representativa desse universo. A amostragem é por sua vez um campo da estatística que estuda
técnicas que permitem inferir sobre um universo (população) através do estudo de uma pequena
parte dos seus componentes (amostra), possibilitando assim a execução de estudos científicos
representativos e credíveis (Maroti, et al., 2008)

Este estudo foi aplicado à população de diabéticos tipo 2 acompanhados em consulta na


Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), a partir da qual se definiu uma amostra
de tipo probabilístico, respeitando as regras estatísticas pelas quais se rege este tipo de
amostragem.

A investigação científica é um processo sistemático, rigoroso, empírico e crítico, que tem


como finalidade, solucionar problemas ligados à realidade atual em que vivemos, encontrando
respostas para questões que necessitam de ser estudadas, gerando desta forma, conhecimento.
Esta permite “ (...) descrever, explicar e predizer fatos, acontecimentos ou fenómenos” (Fortin,
1999, p. 15). Assim sendo, neste capítulo pretende-se demonstrar as bases em que foi

36
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

construída esta investigação, descrevendo para o efeito, as atividades e os processos


metodológicos utilizados para a sua concretização.

Procedeu-se ao cálculo do tamanho da mesma1 de modo a assegurar a sua


representatividade através da seguinte fórmula:

Z 2 * (p) * (1-p) n = Tamanho da amostra


n= Z = variável normal padronizada associada ao nível de confiança
c2 p = Proporção que esperamos encontrar
c = Intervalo de confiança

1
O calculo da amostra foi efetuado através da aplicação disponível em [Link]

Para o efeito, tomamos por base os registos inerentes ao número (nº) de pessoas diabéticas
inscritas na consulta de diabetes entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2014 (18989 pessoas
diabéticas). Tendo em conta que os registos disponíveis incluem as pessoas com diabetes tipo
1 e tipo 2, assumimos que o número de casos da primeira (diabetes tipo 1) é cerca de 10% do
número total das pessoas diabéticas (Observatório Nacional de Diabetologia, 2015), logo a nossa
população em estudo é referente a N=17090 pessoas diabéticas tipo 2. Para o cálculo da amostra
foi aceite um intervalo de confiança de 95% e um erro amostral máximo de 5%, obtendo assim
uma amostra n=376 pessoas diabéticas tipo 2.. A amostragem respeitou os seguintes critérios
de inclusão:

1. Diagnóstico de diabetes tipo 2 há mais de 1 ano;


2. Utente que seja acompanhado na consulta multidisciplinar de diabetes da APDP há pelo
menos três meses;
3. Idade superior ou igual a 18 anos.

A amostragem também seguiu critérios de exclusão, eliminando assim possíveis


participantes que não tenham a capacidade de interpretar as perguntas realizadas, assim como
aqueles que possuam diabetes, mas não do tipo 2. A amostragem respeitou os seguintes critérios
de exclusão:

1. Não falar português;


2. Doença psiquiátrica que afete a sua capacidade de julgamento;
3. Diagnóstico de Diabetes tipo 1;
4. Diagnóstico de Diabetes gestacional.

37
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

4.4 Variáveis em estudo

Como o próprio nome sugere, o termo variável reporta-se a caraterísticas ou atributos que
assumem diferentes valores ou categorias (Morais, 2005).

Considerando a natureza dos valores que podem assumir as variáveis podem ser classificadas
de duas formas: qualitativas e quantitativas. Quanto às variáveis qualitativas, os valores
possíveis são qualidades ou símbolos. A relação entre estes valores tem um sentido de igualdade
ou desigualdade. Estes descrevem tipos ou classes e podem ser: dicotómicas (quando
apresentam apenas duas categorias) e politómicas (quando se podem apresentar em três ou
mais categorias). Por sua vez, as variáveis quantitativas são representadas através de números
e podem ser discretas ou contínuas. O termo “discreta” é atribuído a variáveis cujos valores
assumem números inteiros e o termo “contínua” quando a variável assume intervalos de números
reais (Morais, 2005). Todas as variáveis do estudo foram devidamente identificadas para assim
poder elaborar as hipóteses de forma adequada e estudar as relações das mesmas.

A definição e operacionalização das variáveis de caracterização da amostra são apresentadas


na Tabela 1.

Tabela 1 – Descrição das variáveis.

Nível de
Tipo Caraterização Nome Operacionalização
Mensuração
Capacidade de
- Score DES-SF
controlo Quantitativa
Dependente
Conhecimentos - Score DKT Intervalar
QV - Score EQ-5D
- Masculino Qualitativa
Sexo
- Feminino Nominal
Idade - Anos
- Não sabe ler nem
escrever Qualitativa
Sociodemo- Habilitações - Ensino básico Ordinal
gráficas Literárias - Ensino secundário
- Ensino superior
Indepen-
- Só Qualitativa
dentes
Com quem vive - Acompanhado Nominal
Atividade Qualitativa
Lista predefinida1
profissional Nominal
Duração da Doença - Anos
IMC - Kg/m²
Quantitativa
HbA1c - % HbA1c
Clínicas Intervalar
Perímetro
- Cm
Abdominal

38
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

- Diariamente
- Semanalmente
Frequência
- Mensalmente
Avaliação Glicemia
- Trimestralmente
Qualitativa
- Outras
Nominal
- Só dieta
- ADO
Tipo de Tratamento
- Insulina
- ADO + Insulina
Patologias
Lista predefinida2 Qualitativa
Associadas
Nominal
Complicações Lista predefinida3
- Sim/ Não/ Às Qualitativa
Dieta
vezes Nominal
Qualitativa
Álcool Copos por dia
Ordinal
1
Lista pré-definida de atividades profissionais: Reformado; quadros superiores da administração publica; dirigente e
quadros superiores; técnico e profissional de nível intermedio de empresa; pessoal administrativo e similares; pessoal
dos serviços e vendedor; agricultor e trabalhador qualificado da agricultura e pescas; operário artífice e trabalhador
similar; operador de instalações e máquinas e trabalhador de montagem; trabalhador não qualificado; desempregado.

2Lista pré-definida de patologias associadas: HTA; dislipidemias; insuficiência cardíaca; obesidade; outras.

3Lista pré-definida de complicações: retinopatia; nefropatia; neuropatia; arteriopatia; doença cerebrovascular; doença
coronária

Para realizar a análise dos dados e averiguar as diferenças entre estas variáveis
procedeu-se em alguns casos ao seu reagrupamento. A divisão da variável sexo foi efetuada em
função das respostas feminino ou masculino, a idade foi repartida em indivíduos com menos de
65 anos e com 65 anos ou mais, as habilitações literárias formaram os grupos ensino básico e
superior ao ensino básico, a duração do diagnóstico dividiu-se em até 10 anos de diagnóstico e
diagnóstico igual ou superior a 10 anos, o IMC foi agrupado em normal e de risco, a HbA1C foi
agrupada em valores inferiores a 6,5% e iguais ou superiores ao mesmo, uma vez que é
considerado existir um controlo glicémico ótimo quando os níveis não excedem este valor, a
atividade profissional foi subdividida nos grupos ativo (empregado) e não ativo (desempregado
ou reformado).

39
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

4.5 Hipóteses de investigação

Muitas definições são propostas para o termo hipótese. Segundo Huot (2002), citado por
(Morais, 2005) “a hipótese de investigação é a resposta temporária, provisória, que o investigador
propõe perante uma interrogação formulada a partir de um problema de investigação”.

Durante o processo de investigação as hipóteses são a explicação, condição ou principio,


apresentadas de forma declarativa que relaciona entre si as variáveis que dizem respeito ao
problema ou fenómeno em estudo. A investigação é concluída ao falsear ou comprovar as
hipóteses estabelecidas, mantendo sempre o carácter hipotético da mesma (Biehl, 2003).

As hipóteses de investigação foram formuladas em função dos objetivos previamente


definidos e apresentam-se de seguida:

Hipótese 1: Há uma correlação positiva entre a capacidade de controlo, os


conhecimentos e a qualidade de vida em saúde face à diabetes na pessoa diabética tipo 2.

Hipótese 2: Os homens apresentam uma maior capacidade de controlo, melhores


conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes tipo 2.

Hipótese 3: Os participantes mais jovens evidenciaram uma maior capacidade de


controlo, melhores conhecimentos e mais qualidade de vida em saúde face à diabetes tipo 2.

Hipótese 4: Os participantes com mais habilitações literárias apresentam melhor


capacidade de controlo, conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes
tipo 2.

Hipótese 5: Os participantes com índices de Hemoglobina Glicada elevada apresentam


menor capacidade de controlo, menos conhecimentos e qualidade de vida em saúde
relativamente à diabetes tipo 2.

Hipótese 6: Os participantes que praticam exercício físico apresentam melhor


capacidade de controlo, conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes
tipo 2.

Hipótese 7: Os participantes com mais anos de diagnóstico apresentam melhor


capacidade de controlo, mais conhecimentos e melhor qualidade de vida em saúde relativamente
à diabetes tipo 2.

40
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

4.6 Procedimentos e técnicas de recolha de informação

Tendo em conta o problema em estudo e os objetivos delineados, no intuito de avaliar e


relacionar as características sociodemográficas/clínicas, a capacidade de autocontrolo, os
conhecimentos sobre diabetes e a qualidade de vida relacionada com a saúde foi elaborado um
questionário de caracterização sociodemográfica e selecionadas três escalas, já traduzidas e
validadas, para a colheita de dados (Anexo I a IV).

A recolha de dados decorreu no período de fevereiro a outubro de 2016, através da


aplicação dos instrumentos a uma amostra aleatória de pessoas diabéticas tipo 2 que se
deslocaram a consulta na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) no referido
período. A cada participante foi explicado previamente, pelo investigador, quais os objetivos do
estudo.

A escolha dos instrumentos teve em conta a possibilidade dos mesmos serem aplicados
a um grande número de indivíduos de forma anónima, promovendo assim uma resposta livre de
influências.

Assim foi elaborado um questionário de caraterização (Anexo I), composto por um


conjunto de questões que permitiram caracterizar a amostra sob o ponto de vista
sociodemográfico e das características clínicas.

No que se refere aos dados sobre a capacidade de autocontrolo, foi escolhida a Escala
de Capacidade de Controlo da Diabetes – Versão Breve (Anexo II), versão portuguesa da
“Diabetes Empowerment Scale - Short Form” (DES-SF), este questionário deriva do Diabetes
Empowerment Scale (DES), um questionário com 37 itens, constituído por oito dimensões
conceptuais: 1 - avaliação da necessidade de mudança, 2 - desenvolvimento de um plano, 3 -
superação de barreiras, 4 - apoio a si mesmo, 5 - lidar com a emoção, 6 - pedido de apoio, 7 -
auto motivação, e 8 - escolha de cuidados para a diabetes apropriada segundo a prioridade e
circunstância. O questionário original foi posteriormente reduzido por análise fatorial para 28 itens
e mais tarde deu origem ao DES-SF, com oito itens, cada um correspondente a cada uma das
oito dimensões conceptuais originais, permitindo uma breve avaliação global da tomada de
decisão e controlo da diabetes (Anderson, Funnel, Fitzgerald, & Marrero, 2000).

Para obter dados dos conhecimentos sobre a diabetes foi escolhido o Teste de
Conhecimentos sobre a Diabetes (Anexo III), versão portuguesa do “Diabetes Knowledge Test”
(DKT) uma vez que explora várias áreas do conhecimento da pessoa diabética.

O questionário original, o DKT, é constituído por 23 itens de conhecimento e foi


construído pelo Michigan Diabetes Research Training Center. Trata-se de um teste de
conhecimento global sobre a diabetes, dividido em duas partes. A primeira, constituída por 14

41
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

itens é dirigida a pessoas que não fazem tratamento com insulina e os restantes 9 itens são
dirigidos a pessoas insulinotratadas, no entanto o questionário adequa-se a qualquer pessoa
com diabetes, insulinotratada ou não (Fizgerald, et al., 1998). A pontuação foi determinada pela
percentagem de respostas corretas, pela percentagem de respostas incorretas de maior
frequência e pela percentagem de perguntas sem resposta (Murata, et al., 2003).

Para obter informação sobre a qualidade de vida relacionada com a saúde foi usado o
questionário EuroQol-5 Dimensions 5 Levels (EQ-5D-5L), versão portuguesa (Anexo IV). Trata-
se de um questionário que permite avaliar a qualidade de vida relacionada com a saúde, dividido
em cinco dimensões: mobilidade; cuidados pessoais; dor/mal-estar; ansiedade/depressão. Cada
uma das dimensões permite cinco respostas, que caracterizam diferentes níveis de severidade
(nenhum problema; problema ligeiro; problema moderado; problema grave; problemas
extremos). Também inclui uma escala analógica visual (EAV) em que o paciente gradua o seu
estado geral de saúde de 0 (pior imaginável) a 100 (melhor imaginável). A pontuação do índice
é gerada através de um algoritmo, com base nas preferências das respostas recolhidas das cinco
dimensões. O índice EQ-5D-5L situa-se numa escala de 1 (saúde perfeita) a 0 (morte), admitindo,
contudo, valores negativos correspondentes a estados de saúde considerados como piores do
que morte. Para a população portuguesa está definido o intervalo de -0,5 e 1,0 (Ferreira L. N.,
Ferreira, Pereira, & Oppe, 2014; Nolan, et al., 2016).

Através da conjugação da informação gerada pelos instrumentos atrás referidos foi


criado um perfil da pessoa diabética tipo 2 acompanhada em consulta na Associação Protetora
dos Diabéticos de Portugal – APDP bem como, com base nos resultados obtidos e nas
conclusões retiradas sugeridas novas estratégias de resolução de problemas com vista a
melhorar a literacia e a capacidade de autocontrolo das pessoas com diabetes tipo 2.

O DES-SF, o DKT e o EQ-5D-5L foram culturalmente traduzidos e validados para o


português pelo CEISUC (Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de
Coimbra).

Para avaliar a fiabilidade dos instrumentos é referido o valor do coeficiente alpha de


Cronbach (α). Segundo Marocco, 2006, este α estima “quão uniformemene os itens contribuem
para a soma não ponderada do instrumento”. Trata-se de um índice que permite avaliar a
consistência interna da escala, variando entre 0 e 1. Quanto mais se aproxima de 1 significa que
mais fiável é o instrumento (Marocco & Garcia-Marques, 2006).

É considerado que um instrumento tem fiabilidade apropriada quando o α é pelo menos


0,70, sendo que valores entre 0,80 e ,90 sugerem boa consistência interna e valores entre 0,60
e 0,70 podem ser aceites quando a escala tem um número reduzido de itens (Marocco & Garcia-
Marques, 2006).

42
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Entende-se por consistência interna a homogeneidade dos enunciados dos itens que
constituem uma determinada escala, quanto mais correlacionados estiverem esses enunciados
maior é a consistência interna do instrumento.

A literatura indica um valor de α=0,85 para o DES-SF, confirmando a fiabilidade deste


instrumento (Anderson, Funnel, Fitzgerald, & Marrero, 2000).

O valor de α = 0,85 para o DES-SF encontrado na literatura confirma a fiabilidade do


instrumento (Anderson, Fitzgerald, Gruppen, Funnell, & Oh, 2003).

No que se refere ao DKT, o estudo efetuado por Fitzgerald et al. (1998) apresenta um
coeficiente α ≥ 0,7, sendo assim considerado um instrumento fiável.

Relativamente ao EQ-5D a fiabilidade também foi confirmada, apresentando a literatura


valores de coeficiente α = 0,716 logo uma consistência razoável. A validade foi testada e
confirmada através da análise do comportamento do EQ-5D em relação ao instrumento de
medição de saúde SF-6D (Ferreira, Ferreira, Pereira, & Oppe, 2014).

Em relação à análise e tratamento da informação, recorreu-se ao reagrupamento de


algumas variáveis.

Em termos de técnicas de análise e tratamento de informação, recorreu-se à análise


descritiva das variáveis com recurso às frequências absolutas e relativas e às medidas de
tendência central (moda, media, mediana, desvio padrão), no caso de variáveis quantitativas.

4.7 Procedimentos éticos

A ética numa investigação abrange todas as etapas do estudo, estando inerente à


preocupação com a qualidade ética dos procedimentos e com o respeito pelos princípios
estabelecidos. Desde a pertinência do problema em estudo, à validade dos resultados obtidos,
à escolha da metodologia e dos instrumentos e processos de recolha de dados, à existência de
resultados anteriores e às regras de divulgação dos resultados a ética está presente do início ao
fim do estudo (Nunes, 2013).

Ao tratar-se de um estudo que envolve seres humanos, a finalidade de gerar novo


conhecimento através da investigação nunca deve sobrepor-se aos direitos e interesses
individuais dos participantes na investigação.

O presente trabalho tem como principal preocupação respeitar as normas de conduta


ética, protegendo assim os direitos das pessoas envolvidas e criando conhecimento da maior

43
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

relevância possível. Assim a participação das pessoas neste estudo foi totalmente voluntária,
sendo assegurado o total anonimato, sendo entregue a cada participante um modelo de
consentimento informado livre e esclarecido (Anexo V). Com o intuito de ser facultada a
autorização para a recolha dos dados foi realizado e entregue um pedido ao Presidente da
Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) (Anexo VI), seguindo as
recomendações do documento guia realizado pela Comissão de Ética da referida instituição.
Após a devida apreciação pela Comissão de Ética, foi autorizada a recolha de dados necessária
ao estudo (Anexo VII).

44
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

CAPÍTULO 5 – RESULTADOS

Neste capítulo, procede-se à apresentação e análise dos dados e resultados obtidos através
da aplicação dos instrumentos de recolha de dados, assim como das técnicas estatísticas aplicadas.

Para o efeito, recorreu-se à estatística descritiva, a fim de caracterizar a amostra em estudo


e por sua vez, obter uma imagem geral das variáveis medidas e à estatística inferencial, a qual com
recurso a testes, nos permitiu verificar a validade das hipóteses formuladas e generalizar as
conclusões encontradas, para a população em estudo (Ribeiro, 1999).

O capítulo foi dividido em quatro pontos, nomeadamente em: caraterização


sociodemográfica, caraterização clínica, avaliação dos conhecimentos, capacidade de autocontrolo
e QV e análise de hipóteses, de forma a respeitar a metodologia do estudo, sistematizar os
resultados encontrados e facilitar a compreensão dos mesmos.

5.1 Apresentação e análise dos dados

Neste subponto procede-se à caraterização sociodemográfica e clínica da amostra em estudo.

5.1.1 Caracterização sociodemográfica

A amostra foi construída por 377 indivíduos, dos quais 46% são do sexo feminino e 54% do
sexo masculino.

Relativamente à idade da amostra, a média encontrada ± desvio padrão (dp) foi de 64,5
anos ± 11,3. O valor mínimo de idade da amostra foi de 25 anos e o valor máximo de 95 anos. Da
distribuição, por grupos etários, constatou-se que os grupos predominantes apresentavam idade
igual ou superior a 65 anos (56,1%) sendo a faixa etária com menor percentagem de indivíduos a
de menos de 65 anos (43,9%).

Quanto às habilitações literárias, os resultados apresentam um predomínio acentuado dos


sujeitos com ensino básico, representando estes 54,6% da amostra e cerca de 1,3% não sabia ler
nem escrever.

Na tabela 2, podemos visualizar a caracterização da amostra, de acordo com as variáveis


acima abordadas e também a situação profissional e o suporte social.

45
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Em relação ao suporte social, no qual abarcámos as questões “Com quem vive?”


verificamos que, mais de três quartos da amostra vive acompanhada (79,8%) e que apenas 20,2%
vive sozinha. Concluímos por isso que a grande maioria da amostra possui um elevado suporte
social.

Observa-se ainda que a grande maioria dos participantes se encontra profissionalmente


inativo.

Tabela 2 – Descrição da amostra segundo o sexo, grupo etário, habilitações literárias, situação profissional e
suporte social.

Variável n %
Feminino 173 46,0
Sexo
Masculino 203 54,0
<65 165 43,9
Grupo Etário
≥65 211 56,1
Até ao Ensino Básico 211 56,0
Habilitações Literárias
Superior ao Ensino Básico 166 44,0
Não ativo 99 72,0
Situação profissional Ativo 255 28,0
Vive só 76 20,2
Suporte Social Vive acompanhado 301 79,8
Nota: n=377

5.1.2 Caracterização Clínica

A caracterização clínica remete-nos para a análise das variáveis associadas direta ou


indiretamente à diabetes. Deste modo, quanto à duração do diagnóstico da DM, podemos verificar
que a média ± dp é de 12,5 ± 9,4, sendo que esta variável clínica varia entre 1 mês e 40 anos. Após
a distribuição da amostra, por intervalo de anos, podemos verificar através da tabela 3, que existe
um predomínio de pessoas com DM2 com mais de 10 anos de diagnóstico (71,3%) e apenas 28,7%
com um diagnóstico com menos de 10 anos de duração.

Quanto aos dados de monitorização, que demonstram o controlo da doença e que podem
ser considerados fatores de risco para o aparecimento de complicações da DM, podemos visualizá-
los também nesta tabela, nomeadamente o Índice de Massa Corporal (IMC), a percentagem de
HbA1c, as patologias coexistentes e o perímetro abdominal. É de salientar que a grande maioria da
amostra possui excesso de peso (78,2%).

Relativamente ao IMC, os valores recomendados pela DGS vão de 18,5 a 24,9. A média ±
dp da amostra é de 29,44±8,03.

46
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

No que diz respeito à HbA1c, os valores recomendados pela DGS e pelo IDF (<6,5%),
apenas 8,3% dos indivíduos apresentam valores ótimos neste índice. A média ± dp da amostra é de
8,2±1,5.

Relativamente às patologias coexistentes, a mais comum é a hipertensão arterial, estando


presente em 218 dos inquiridos, representando 57,8% da amostra. De seguida as dislipidemias,
presentes em 44% da amostra (total de 166 indivíduos).

No que diz respeito à adesão a um estilo de vida saudável, verificámos que 33,8% dos
indivíduos cumprem a dieta diariamente, 26,5% não cumpre o que lhe foi prescrito a nível alimentar
e 39,3% cumpre às vezes o regime alimentar.

Quanto às variáveis referentes às rotinas e hábitos inerentes ao tratamento da patologia,


incluímos também na tabela 3 as variáveis dieta, prática de exercício e frequência de medição da
glicémia capilar.

Relativamente à frequência de medição da glicemia capilar, 85,6% dos inquiridos mede


diariamente a glicemia, 9,2% avalia semanalmente e apenas 1,1% mensalmente, sendo que 3,5%
indicam outro intervalo entre medições e 0,5% uma frequência trimestral. É de salientar, que as
pessoas pertencentes às últimas categorias (trimestral e outros) verificam os valores de glicemia
capilar na consulta de diabetes e/ou por ventura, se sentirem algum tipo de sintomatologia pouco
frequente (dor de cabeça, suores, etc).

Quanto á prática de exercício físico a maioria dos inquiridos (60,6%) afirma não praticar
qualquer atividade.

O conjunto das variáveis referidas permite assim uma avaliação clínica global dos
participantes inquiridos.

Tabela 3 – Descrição da amostra segundo o tempo de diagnóstico, IMC, HbA1C, patologias coexistentes, adesão à
dieta, frequência de avaliação da glicémia capilar e prática de exercício físico.

Variáveis Clínicas n %
Até 10 anos 263 28,7
Duração diagnóstico
Superior a 10 anos 106 71,3
Normal (≤25) 82 21,8
IMC
Excesso de Peso (≥25) 295 78,2

HbA1c <6,5% 31 8,3

≥6,5 % 344 91,7

HTA 218 57,8


Patologias Coexistentes
Dislipidemias 166 44.0

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Insuficiência cardíaca 81 21,5


Obesidade 33 8,8
Outras 71 18,8
Sim 126 33,8
Adesão à dieta Não 99 26,5
Às vezes 148 39,7
Diária 316 85,6
Semanal 34 9,2
Frequência da avaliação
Mensal 4 1,1
da glicemia capilar
Trimestral 2 0,5
Outras 13 3,5
Prática de exercício Não Pratica 215 60,6
físico Pratica 140 39,4
Nota: n=377

Por último, em relação às complicações da diabetes, podemos verificar que a maioria dos
inquiridos apresenta complicações (57,4%). Das complicações especificadas, a que apresenta
maior prevalência na nossa amostra é a retinopatia, presente em 33,7% dos inquiridos como
podemos visualizar na figura seguinte (ver Figura 2).

Figura 2 – Distribuição da amostra segundo as complicações existentes (n=377).

48
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

5.1.3 Avaliação da Capacidade de Controlo, Conhecimentos e


Qualidade de Vida em saúde(Marocco & Gar
cia-Marques, 2006)

Neste subcapítulo serão analisados os scores obtidos nos diferentes instrumentos de colheita de
dados utilizados durante a investigação. Relativamente ao questionário DES-SF, em termos de
fiabilidade, obteve-se um Alpha (α) de Cronbach de 0,889 o que segundo Maroco e Garcia Marques
(2006) revela uma boa consistência interna.
A média global foi de 3,75 ± 1,16. Com base na tabela 4 verificámos que os itens 6 “...posso pedir
ajuda por ter e para tratar a diabetes sempre que necessito”, 7 “...sei o que me ajuda a estar
motivado(a) para cuidar da minha diabetes.” e 8 “...me conheço suficientemente bem para fazer as
melhores escolhas para cuidar da minha diabetes” possuem as médias mais elevadas, com
respetivamente 4,17 ; 3,92 e 3,93. Em oposição, os itens 2 “...consigo atingir as metas relativas à
minha diabetes” e 3 “...posso encontrar diferentes formas de ultrapassar os problemas para atingir
as metas relativas à minha diabetes”, obtiveram médias bastantes mais baixas relativamente à
média global, com respetivamente 3,42 e 3,45.

Tabela 4 – Distribuição da amostra segundo o questionário DES-SF (Capacidade de controlo da diabetes).

Em geral, eu acredito que: (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7)
1. ...sei identificar os aspetos dos
cuidados a ter com a minha diabetes 13 29 104 116 110 3,75 1,07
com os quais estou insatisfeito.
2. ...consigo atingir as metas relativas 37 60 76 108 93 3,42 1,28
à minha diabetes.
3. ...posso encontrar diferentes 36 53 76 121 86 3,45 1,25
formas de ultrapassar os problemas
para atingir as metas relativas à minha
diabetes.
4. ...consigo arranjar forma de me 20 29 67 139 118 3,82 1,12
sentir melhor mesmo tendo diabetes.
5. ...sei como lidar de forma positiva 40 52 56 105 121 3,58 1,35
com o stress relacionado com a minha
diabetes.
6. ...posso pedir ajuda por ter e para 13 14 41 132 172 4,17 1,00
tratar a diabetes sempre que
necessito.
7. ...sei o que me ajuda a estar 14 31 64 124 141 3,93 1,10
motivado/a para cuidar da minha
diabetes.

49
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

8. ...me conheço suficientemente bem 15 29 68 113 148 3,94 1,12


para fazer as melhores escolhas para
cuidar da minha diabetes.
Legenda: (1) Discordo completamente; (2) Discordo um pouco; (3) Não concordo nem discordo; (4) Concordo
um pouco; (5) Concordo completamente; (6) Média; (7) dp; n= 377

No que diz respeito ao questionário DKT, este apresenta um índice global médio ± dp de 60,10 ±
17,49. As perguntas que apresentaram uma percentagem de resposta correta inferior a 50% são
apresentadas na tabela 5.
Todas as outras questões apresentaram médias superiores a 50% na resposta correta. O resultado
completo do questionário pode ser consultado no anexo VIII.

Tabela 5 – Perguntas do questionário DKT (Teste de conhecimentos sobre a diabetes) em que metade ou mais de
metade da amostra respondeu incorretamente.

Questão Questionário DKT n %


Qual dos seguintes é mais rico em gordura?
Leite magro* 172 47,5
3 Sumo de laranja 12 3,3
Milho 88 24,3
Mel 90 24,9
Qual dos seguintes pode ser comido sem perigo para o
diabético
Qualquer alimento sem adição de açúcar* 140 40,6
4 Qualquer alimento para pessoas com diabetes 95 27,5
Qualquer alimento que diga "sem adição de açúcar" no
42 12,2
rótulo
Qualquer alimento com menos de 20 calorias por dose 68 19,7
Os sinais de cetoacidose (descompensação súbita da
diabetes) incluem...
Tremores 108 32,1
15
Suores 102 30,4
Vómitos* 55 16,4
Baixo nível de açúcar no sangue 71 21,1
Legenda: * resposta correta (n=377)

50
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Na tabela 6 podemos observar os resultados do questionário EQ-5D-5L, onde se destacam


os problemas relativamente à Mobilidade, a Dor/Mal estar e a Ansiedade/Depressão, com uma
percentagem de 16,9% dos indivíduos a assinalarem ter problemas moderados a andar, 24,4% a
assinalar ter dor/mal ligeiro e 23,1% moderado e 24,2% referirem sentir-se moderadamente
ansiosos/deprimidos. O índice EQ-5D-5L para uma cotação máxima de 1 (nível de saúde perfeita),
obteve neste estudo uma média ± dp de 0,80 ± 0,22.

Tabela 6 – Resultados do questionário EQ-5D-5L (Qualidade de vida em saúde).

n %
1. Mobilidade
Não tenho problemas em andar 217 58,2
Tenho problemas ligeiros em andar 62 16,2
Tenho problemas moderados em andar 63 16,9
Tenho problemas graves em andar 29 7,8
Sou incapaz de andar 2 0,5

2. Cuidados Pessoais
Não tenho problemas em me lavar ou vestir 310 83,1
Tenho problemas ligeiros em me lavar ou vestir 44 11,8
Tenho problemas moderados em me lavar ou vestir 13 3,5
Tenho problemas graves em me lavar ou vestir 3 0,8
Sou incapaz de me lavar ou vestir sozinho/a 3 0,8

3. Atividades habituais (ex. trabalho, estudos, atividades


domésticas, atividades em família ou de lazer)
Não tenho problemas em desempenhar as minhas atividades 282 75,6
habituais
Tenho problemas ligeiros em desempenhar as minhas atividades 51 13,7
habituais
Tenho problemas moderados em desempenhar as minhas 23 6,2
atividades habituais
Tenho problemas graves em desempenhar as minhas atividades 13 3,5
habituais
Sou incapaz de desempenhar as minhas atividades habituais 4 1,1

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

4. Dor / Mal-estar
Não tenho dores ou mal-estar
162 43,4
Tenho dores ou mal-estar ligeiros
91 24,4
Tenho dores ou mal-estar moderados
86 23,1
Tenho dores ou mal-estar graves
29 7,8
Tenho dores ou mal-estar extremos
5 1,3

5. Ansiedade/Depressão
Não estou ansioso/a ou deprimido/a 138 37,1
Estou ligeiramente ansioso/a ou deprimido/a 66 17,7
Estou moderadamente ansioso/a ou deprimido/a 90 24,2
Estou gravemente ansioso/a deprimido/a 44 11,8
Estou extremamente ansioso/a ou deprimido/a 34 9,1
Nota: n=377

5.1.4. Análise das Hipóteses

Neste subponto apresentamos o estudo das hipóteses referidas na metodologia. Neste contexto
verificamos previamente o pressuposto da normalidade da distribuição, através do coeficiente de
assimetria e curtose. Os resultados obtidos não se situam entre (-3;3) (Tabela 7), contrariando neste
caso o pressuposto da distribuição normal, nos termos propostos por Kline (2004). (Kline, 2004)
Desta forma, utilizamos o coeficiente de correlação de Spearman (teste não paramétrico).
Subsequentemente tentamos verificar diferenças em função das variáveis sociodemográficas e
clínicas dos participantes nas três escalas, para tal, aplicamos o Teste T.

Tabela 7 – Resultados dos coeficientes de assimetria e curtose relativamente à capacidade de controlo,


conhecimentos e qualidade de vida.

Medida Valor Erro padrão Coeficiente


Assimetria -0,672 0,128 -5,263
DEF-SF
Curtose 0,026 0,255 0,102
Assimetria -0,214 0,126 -1,698
DKT
Curtose -0,216 0,252 -0,8
Assimetria -1,539 0,126 -12,175
EQ-5D-5L
Curtose 2,621 0,252 10,389

52
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Sendo assim, de acordo com a hipótese 1:

H1: Há uma correlação positiva entre a capacidade de controlo (DES-SF), os conhecimentos


(DKT) e a qualidade de vida (EQ-5D-5L) em saúde face à diabetes na pessoa diabética tipo 2.

Como se pode verificar na tabela 8, detetamos uma associação positiva muito significativa entre a
capacidade de controlo e os conhecimentos associados à doença (r sp=0,190, p<0,001) e entre o
primeiro domínio em análise e a qualidade de vida (rsp=0,451, p<0,001). Adicionalmente, apuramos
uma correlação muito positiva entre os conhecimentos face à diabetes e a qualidade de vida
(rsp=0,329, p<0,001). Ou seja, valores mais elevados em um dos fatores estão associados a scores
mais elevados nos restantes. Neste sentido, aceitamos a hipótese 1.

Tabela 8 – Associação entre as escalas que avaliam a capacidade de controlo (DES-SF), os conhecimentos (DKT) e
a qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).

DES-SF DKT EQ-5D-5L


DES-SF 1 .190*** .451***
DKT 1 .329***
EQ-5D-5L 1
Nota: Coeficiente de Spearman; ***p<.001

H2: Os homens apresentam uma maior capacidade de controlo, melhores conhecimentos e


qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes tipo 2.

Na tabela 9 é possível observar o efeito do sexo nas três escalas aplicadas neste estudo. Desta
forma, encontramos diferenças de elevado significado estatístico ao nível da capacidade de controlo
(t=-2,62, p<0,001) e da qualidade de vida (t=-5,19, p<0,001). Assim, os participantes do sexo
masculino efetuaram uma avaliação mais positiva nestes domínios em análise.
Por este motivo, aceitamos parcialmente a hipótese 2, visto que não encontramos diferenças
significativas face aos conhecimentos da diabetes.

Tabela 9 – Efeito da variável sexo ao nível da capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e qualidade
de vida em saúde (EQ-5D-5L).

Sexo feminino Sexo masculino


(n=173) (n=203) t
Média (dp) Média (dp)
DES-SF 65,75 (23,60) 71,74 (19,90) -2,62**
DKT 60,16 (18,16) 60,06 (17,01) 0,051
EQ-5D 0,73 (0,23) 0,85 (0,19) -5,19***
Nota: Teste t para amostras independentes; *p<.05, **p<.01, ***p<.001

53
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

H3: Os participantes mais jovens evidenciaram uma maior capacidade de controlo, maiores
conhecimentos e mais qualidade de vida em saúde face à diabetes tipo 2.

Adicionalmente, na tabela 10, podemos observar que foram apuradas diferenças estatisticamente
muito significativas em função da idade ao nível dos conhecimentos sobre a diabetes (t=4,48,
p<0,001) e da qualidade de vida (t=4,45, p<0,001).
Assim, os participantes com menos de 65 anos, evidenciaram índices superiores nos dois domínios
referidos anteriormente. Portanto, aceitamos parcialmente a hipótese 3.

Tabela 10 – Efeito da variável idade na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e qualidade de vida
em saúde (EQ-5D-5L).

Menos de 65 anos 65 ou mais anos


(n=165) (n=211) t
Média (dp) Média (dp)
DES-SF 68,67 (22,05) 69,28 (21,78) -0,27
DKT 64,52 (17,20) 56,52 (16,96) 4,48***
EQ-5D 0,86 (0,18) 0,76 (0,23) 4,45***
Nota: Teste t para amostras independentes; *p<.05, **p<.01, ***p<.001

H4: Os participantes com habilitações literárias mais elevadas apresentam melhor


capacidade de controlo, conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à
diabetes tipo 2.

Na tabela 11, procuramos evidenciara existência de diferenças estatisticamente significativas dos


contrutos em função das habilitações literárias dos participantes. Assim, constatamos o efeito muito
significativo na qualidade de vida (t=-4,73, p<0,001) e nos conhecimentos (t=-6,75, p<0,001).
Os indivíduos com escolaridade superior ao ensino básico realizaram uma avaliação mais positiva
nos três fatores, sendo estatisticamente significativa esta diferença ao nível da qualidade de vida
em saúde e dos conhecimentos sobre a doença. Aceita-se por isso parcialmente a hipótese
considerada.

Tabela 11 – Efeito da variável habilitações literárias na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e
qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).

Até ensino básico Superior ao ensino


(n=211) básico
t
Média (dp) (n=166)
Média (dp)
DES-SF 67,37 (21,04) 71,07 (22,72) -1,63
DKT 54,99 (16,76) 66,65 (16,23) -6,75***
EQ-5D 0,76 (0,23) 0,86 (0,19) -4,73***
Nota: Teste t para amostras independentes; *p<.05, **p<.01, ***p<.001

54
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Relativamente aos resultados das hipóteses referentes às variáveis clínicas, estes são
enunciados em seguida, iniciando estes, com a hipótese 5.

H5: Os participantes com índices de Hemoglobina Glicada elevados apresentam menor capacidade
de controlo, menos conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes tipo 2.

Como se pode verificar na tabela 12, existe uma diferença estatisticamente muito significativa no
que diz respeito à capacidade de controlo (t=5,86, p<0,001) e qualidade de vida (t=2,33, p<0,05)
relativamente aos valores de HbA1c, apresentando os participantes com valores mais elevados
deste parâmetro clínico uma qualidade de vida inferior e menor capacidade de controlo da diabetes.
Não foi encontrada diferença estatística significativa relativamente aos conhecimentos sobre a
doença, apesar da média ser superior nos participantes com valores dentro do normal, pelo que se
aceita parcialmente a hipótese 5.

Tabela 12 – Efeito da variável Hemoglobina Glicada (HbA1c) na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos
(SKT e qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).

HbA1c ≤ 6,5 HbA1c > 6,5


(n=31) (n=344) t
Média (dp) Média (dp)
DES-SF 83,85 (13,69) 67,64 (22,00) 5,86***
DKT 63,05 (22,25) 59,85 (16,93) 0,78
EQ-5D 0,87 (0,17) 0,79 (0,21) 2,33*
Nota: Teste t para amostras independentes; *p<.05, **p<.01, ***p<.001

H6: Os participantes que praticam exercício físico apresentam melhor capacidade de controlo,
conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes tipo 2.

Adicionalmente, apuramos um efeito muito significativo do exercício físico na capacidade de controlo


(t=-4,88, p<0,001) e na qualidade de vida (t=-5,91 p<0,001), sendo os resultados apresentados na
tabela 10.
Os indivíduos praticantes de exercício físico apresentaram scores mais elevados nestas dimensões.
Contrariamente às diferenças estatisticamente muito significativas encontradas nos dois índices
inicialmente referidos, em relação aos conhecimentos verificou-se apenas uma média mais elevada
nos participantes que praticam exercício. A hipótese 6 é por isso parcialmente aceite.

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Tabela 13 – Efeito da variável prática de exercício físico na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT)
e qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).

Sem exercício Com exercício


(n=214) (n=139) t
Média (dp) Média (dp)
DES-SF 64,412 (23,02) 75,16 (18,23) -4,82***
DKT 59,28 (17,55) 62,43 (16,84) -1,67
EQ-5D 0,75 (0,24) 0,87 (0,15) -5,91***
Nota: Teste t para amostras independentes; *p<.05, **p<.01, ***p<.001

H7: Os participantes com mais anos de diagnóstico apresentam melhor capacidade de controlo,
conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes tipo 2.

Como podemos observar na tabela 10, procuramos averiguar a existência de diferença


estatisticamente significativa em função do tempo de diagnóstico da doença. Estas diferenças foram
muito significativas ao nível da qualidade de vida (t=3,95,p<0,001) e também significativas a nível
dos conhecimentos (t=2,55, p<0,05), pelo que rejeitamos a hipótese 7, os participantes com mais
anos de diagnóstico apresentam neste estudo pior qualidade de vida e conhecimentos.

Tabela 14 – Efeito da variável duração do diagnóstico na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e
qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).

Diagnóstico < 10 Diagnóstico ≥ 10


anos anos
t
(n=214) (n=139)
Média (dp) Média (dp)
DES-SF 72,51 (20,34) 68,24 (21,37) 1,75
DKT 63,95 (18,52) 58,82 (16,89) 2,55
EQ-5D 0,86 (0,17) 0,78 (0,23) 3,95***
Nota: Teste t para amostras independentes; *p<.05, **p<.01, ***p<.001

56
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

5.2 Discussão dos resultados

A discussão e análise dos resultados compreende a resolução dos objetivos de investigação


e o teste das hipóteses formuladas e será apresentada de acordo com a ordem em que os resultados
são descritos no capítulo anterior.
Segue-se uma descrição detalhada dos resultados obtidos e uma comparação dos mesmos
entre si e sempre que possível com os valores de referência, com especial importância aos que
apresentam maior significado estatístico.
Relativamente à variável sexo, verificou-se na amostra um predomínio das pessoas de sexo
masculino (54%) em relação ao sexo feminino. Estes resultados são concordantes com os
apresentados no relatório do OND (Observatório Nacional de Diabetologia, 2015), dado que este
refere serem os indivíduos do sexo masculino os que apresentam maior prevalência desta patologia.
Em relação à idade obteve-se uma média elevada, de aproximadamente 65 anos, sendo
que a faixa etária predominante foi a de indivíduos com 65 anos ou mais, o que corrobora com os
dados do OND (2015) que refere um aumento acentuado da prevalência da diabetes com a idade
indicando que mais de um quarto dos indivíduos entre os 60-79 anos tem diabetes. Os dados vão
também de encontro com os apresentados pelo INE para 2011, onde se refere um preocupante
agravamento do envelhecimento da população portuguesa que deixou de ser um fenómeno
localizado apenas no interior do país (INE, 2011).
Constatou-se também um baixo nível de escolaridade, sendo que a maioria dos indivíduos
possui apenas o ensino básico (56%) e cerca de 1,3% não sabia ler nem escrever. O que está de
acordo com o INE para 2011, que refere a taxa de analfabetismo mais reduzida na região de Lisboa
e uma percentagem de indivíduos ligeiramente superior a 50% relativamente ao ensino básico
completo (PORDATA, 2013).
Considerando a componente de apoio social, podemos constatar que esta amostra poderá
ter um suporte social considerável, sendo que cerca de 80% dos indivíduos vivem acompanhados
e apenas cerca de 20% vive só. Os dados vão de encontro com os apresentados pelo INE para
2011 (INE, 2011). Trata-se de uma constatação positiva no que diz respeito ao suporte social da
DM, uma vez que este desempenha um papel importante na adaptação à patologia, no seu
autocuidado e relativamente ao bem estar psicológico e social (Cunha, Chibante, & André, 2014).
Quanto à percentagem do IMC, observamos que 78,2% dos indivíduos apresentam excesso
de peso e apenas 21,8% se encontram dentro dos valores normais de acordo com a classificação
pela DGS (2005). Estes resultados são concordantes com o estudo realizado pela OND em 2014,
onde é referida uma prevalência de 90% de excesso de peso nas pessoas com diabetes e também
uma probabilidade quatro vezes superior de uma pessoa com obesidade desenvolver diabetes do
que uma pessoa com IMC considerado normal (OND, 2014). Estudos referem que uma redução de
apenas 5% do peso corporal resulta numa diminuição da resistência à insulina e uma melhoria de
outros indicadores metabólicos (ADA, 2015). Este dominio terá ser combatido muito precocemente
e com estratégias concertadas desde os primeiros anos de vida.

57
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Quanto à duração do diagnóstico de diabetes, observa-se na amostra uma prevalência de


indíviduos com mais de 10 anos de evolução da patologia (71,3%).
Relativamente às patologias coexistentes, a HTA está presente em 57,8% da amostra e as
dislipidémias em 44%, sendo as duas mais prevalentes da lista enunciada. Os resultados são
concordantes com estudos anteriores, que referem uma prevalência quatro vezes superior de HTA
na população diabética comparativamente à população normal (Cortez-Dias, Martins, Belo, & Fiuza,
2013). A HTA, associada à DM, potencia o risco de DCV, AVC e falência renal o que torna crucial a
manutensão da HTA abaixo dos 130/80 mmHg de modo a reduzir o risco de morbi-mortalidade.
Quanto às dislipidémias, o mesmo estudo referido indica que 74,6% das pessoas com DM
apresentam valores de colesterol acima do recomendado (>200mg/dl) ou abaixo através de
terapeutica hipolipidemiante. Tendo em conta os dados citados, é de extrema importância o
incremento de uma preocupação acrescida entre as pessoas diabéticas para o controlo destas
patologias através da implementação de programas de empoderamento das mesmas no tratamento
e manutensão de um bom estado de saúde geral, a fim de reduzir o risco de complicações futuras
e sua gravidade.
No que diz respeito ao cumprimento da dieta, 65,8% da amostra afirma não cumprir ou
cumprir às vezes as recomendações, o que vai de encontro com o mau estado nutricional verificado.
Neste sentido, as estratégias adoptar terão que ter um enfoque de indole motivacional.
Quanto à frequência de medição da glicemia capilar, a grande maioria (85,6%) afirma
efetuá-la diariamente. Trata-se de um bom indicador, segundo as recomendações da ADA (2015),
a monitorização da glicemia capilar fornecem às pessoas diabetes e aos profissionais de saúde que
as acompanham dados importantes para tomar decisões quanto à melhor terapeutica e autocuidado
diários, evitando muitas vezes a terapia com insulina ou reduzindo a quantidade necessária da
mesma. Esta facto representa também um potencial favorável à capacitação, se mobilizado entre
profissionais de saúde e pessoas diabeticas/familias na tomada consciência progressiva das
repercurssões clinicas de comportamentos terapeuticos inadequados
A variável exercício físico apresenta resultados igualmente insatisfatórios, dado que 60,6%
dos indíviduos afirma não o praticar .
Os resultados dos últimos três indicadores vão de acodo com o estudo realizado por DAWN,
onde é referida uma percentagem entre 64% e 70% quanto à medição diária da glicémia capilar
para pessoas com DM tipo 1 e 2, entre 37 e 39% no que diz respeito ao cumprimento da dieta e
relativamente à prática de exercício apenas 35 a 37% refere fazê-lo. Os valores referidos são
alarmantes, na medida em que a adopção de um estilo de vida saudável é praticamente duas vezes
mais efetiva do que o tratamento farmacológico no controlo da DM (Costa, Balga, Alfenas, & Cotta,
2011).
Quanto à existência de complicações, cerca de 47% dos sujeitos apresentam algum tipo,
sendo a retinopatia a mais frequentemente encontrada (33,7%). A prevalência desta complicação
tem vindo a aumentar apesar dos esforços realizados ao longo dos últimos anos (OND, 2014).
Quanto aos instrumentos utilizados, no DES-SF encontramos uma pontuação média de 3,76 com
um dp de 1,16. Os itens com uma média mais elevada nas respostas obtidas foram o 6, 7 e 8, com

58
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

respectivamente 4,17, 3,92 e 3,93, o que demonstra que a maioria dos sujeitos possui um bom
suporte social percebido, sente-se motivado para tomar conta de si próprio e sente conhecer-se
suficientemente bem para conseguir controlar a sua patologia. Por outro lado, os itens 2 e 3
obtiveram as médias mais baixas, 3,42 e 3,45 respectivamente, o que demonstra que a maioria dos
sujeitos assume não conseguir atingir as metas relativas à sua DM e não conseguir encontrar formas
de ultrapassar os problemas relativos a esta patolgia. Os valores encontrados acima da média em
alguns dos itens não se traduzem numa melhor capacidade de controlo como podemos observar
pelos elevados valores de HbA1c e IMC encontrados.
Relativamente ao DKT, este um índice global médio ± dp foi de 60,10 ± 17,49. Podemos
constatar um conhecimento da diabetes suscetivel de ser muito melhorado.
Ao analisar as perguntas com maior percentagem de respostas erradas percebemos que
existe um conhecimento por parte dos participantes, relativamente aos alimentos com maior
quantidade de gordura e também em distinguir alimentos ricos em açucar, bem como relativamente
a termos relacionados com a doença, nomeadamente a cetoacidose (nas pessoas insulino tratadas).
Esta falta de conhecimento é preocupante, na medida em que se tratam de factores fundamentais
para o controlo da doença. O baixo conhecimento sobre a diabetes em pessoas com diabetes tipo
2 surge evidenciado em vários estudos nacionais (Morais et al, 2015) e internacionais (Adsani,
Moussa, Jasem, Abdella, & Hamad, 2009; Murata et al., 2003).
Ao analisar as respostas do EQ-5D-5L verificamos que os problemas de Mobilidade, Dor/Mal estar
e Ansiedade/Depressão são os mais comuns, nos quais 16,9%, 24,4% e 24,2% respetivamente,
dos indíviduos indica sentir moderadamente estes problemas. O índice EQ-5D-5L apresentou a
média de 0,80 com um desvio padrão de 0,22. Tratando-se de um instrumento desenvolvido e
validado recentemente a comparabilidade dos resultados encontra-se comprometida. De facto, o
questionário utilizado neste estudo permite uma classificação mais específica, na medida em que
cada uma das cinco dimensões possui uma escala de likert de cinco niveis. Como meramente
indicativo, pode-se referir que a versão anterior (EQ-5D-3L) apresenta uma média de 0,758 para a
população portuguesa saudável (Ferreira Ferreira, Pereira, & Oppe, 2014),
A avaliação da primeira hipótese em estudo permitiu constatar a existência de associação
entre a capacidade de controlo da diabetes, o conhecimento da doença e qualidade de vida em
saúde. Esta associação já foi encontrada em outros estudos, que referem que o aumento do controlo
glicémico está diretamente associado a níveis de conhecimento sobre a diabetes mais elevados
(Colleran, Starr & Burge, 2003; Fernando, 1993; Lo, Lo, Wells, Chard, & Hathaway, 1995).
Este estudo permitiu encontrar de igual uma associação positiva entre a capacidade de
controlar a diabetes e a qualidade de vida em saúde. Esta constatação é concordante com alguns
estudos anteriormente realizados onde é referida a adesão a um regime de autocuidado como uma
caraterística de autogestão ativa da pessoa diabética como um condicionante na redução da
mortalidade e incapacidade, promovendo assim a melhoria da qualidade de vida e a redução dos
custos em cuidados de saúde (Gallagher, Viscoli & Horwitz, 1993; Horwitz et al.1990). Outros
estudos corroboram estes pressupostos, na medida em que tendo incidido em pessoas com

59
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

diabetes que participam em programas de autogestão evidenciaram uma melhoria na qualidade de


vida (Cochran, & Conn, 2008).
Ainda relativamente à hipótese 1, verificou-se uma associação entre o conhecimento sobre
a diabetes e a qualidade de vida em saúde. Esta ideia vem reforçar o estudo de Funnel et all (2011),
que refere a educação da pessoa diabética como uma forma eficaz na melhoria dos resultados
clínicos e cumprimentos dos objetivos terapêuticos.
Posteriormente, a avaliação da segunda hipótese em estudo, permitiu verificar o efeito do
sexo nas três escalas utilizadas. Foram encontradas diferenças muito significativas ao nível da
capacidade de controlo e da qualidade de vida em saúde, relativamente à diabetes tipo 2.
Os participantes do sexo masculino apresentam uma perceção de mais empoderados, ou
seja, que possuem melhor capacidade de controlo da diabetes e também u melhor qualidade de
vida em saúde relativamente aos participantes do sexo feminino, em que contudo, possuam maior
nível de conhecimentos, Estes resultados coincidem com estudos anteriores (Morais, et al, 2015), e
que podem ser explicados por questões de gênero, muito marcadas nas sociedades, em particular
nas latinas. Como sugerido por Fitzgerald, Anderson & Davis (1995) pode ser importante adaptar
os programas educativos em função do sexo, tendo em conta a maximização da eficácia dos
mesmos no que diz respeito à melhoria da capacidade de controlar a diabetes.
Relativamente à qualidade de vida em saúde, pese embora medida neste estudo com outro
instrumento, a literatura evidencia dados concordantes : Vários estudos tem apontadio neste
sentido, designadamente estudo realizado na população portuguesa com o EQ-5D por Ferreira,
Ferreira, Perreia & Oppe (2014).
Ao testar a hipótese 3, constatamos a influência da idade ao nível dos conhecimentos e da
qualidade de vida em saúde, em relação à diabetes tipo 2. Os participantes com menos de 65 anos
apresentaram resultados significativamente melhores nas duas escalas referidas, mas não foi
encontrada evidência estatística relativamente à capacidade de controlo da patologia.
A justificação da constatação encontrada, relativamente aos conhecimentos sobre a
diabetes, pode prender-se com o facto da população mais jovem ter mais habilitações literárias
(Adsani et al., 2009). Em termos de qualidade de vida, diversos estudos verificam a mesma relação
encontrada, (Nyanzi, Wamala, & Atuhaire, 2014; Somappa et al., 2014; Kiadaliri et al., 2013; Eljedi
et al., 2006).
Quanto à capacidade de controlo, este estudo não encontrou diferença estatisticamente
significativa em relação à idade, o que também se verificou em estudos anteriores (Cunha et al.,
2014; Tanqueiro, 2013; Tol et al., 2012; Torres et al., 2010). Este resultado, poder-se-á explicar,
pelo menos em parte, pela tomada de consciência da dificuldade do autocontrolo pese embora
possuam conhecimentos. Mais uma vez, se evidencia a necessidade de recorrer a estratégias de
capacitação muito centradas na vontade ou seja na motivação.

A análise da hipótese 4, permitiu obter valores estatisticamente muito significativos em


relação às habilitações literárias os conhecimentos e a qualidade de vida em saúde, estando estes
resultados de acordo com o estudo de Nyanzy et al., (2014); Kiadaliri et al., (2013); Tol et al., (2013),
Ferreira, Ferreira, Pereira & Oppe (2014).. O grupo dos participantes que possuem o ensino básico

60
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

apresenta uma qualidade de vida significativamente inferior. As médias obtidas na capacidade de


controlo foram também superiores nos indivíduos com mais habilitações literárias mas não foi
encontrada diferença estatística. A baixa escolaridade pode traduzir-se numa dificuldade acrescida
para uma comunicação eficaz entre os profissionais de saúde e a pessoa com diabetes, o que pode
estar na base destas diferenças. É, neste caso, de extrema importância, o desenvolvimento de
estratégias que permitam a adaptação da prestação de cuidados e capacitação , promovendo a
eficácia no autocontrolo, e uma melhoria da qualidade de vida (Schillinger, Bindman, Wang, Stewart
& Piette, 2004).

A hipótese 5, testa a possibilidade dos valores de HbA1c superiores ou iguais a 6,5%


influenciarem negativamente os resultados nas três escalas e foi encontrada uma associação de
elevado significado estatístico relativamente à capacidade de controlo e à qualidade de vida em
saúde. Estudos recentes como o Action in Diabetes and Vascular Disease (ADVANCE, 2014)
concluíram, que percentagens de HbA1c abaixo de 6,5% produzem resultados mais satisfatórios no
decréscimo do aparecimento de complicações microvasculares o que vai de encontro com os
resultados encontrados, dado os mesmos participantes apresentarem também melhor qualidade de
vida.

A importância deste parâmetro analítico prende-se com o facto de ser uma das formas de
diagnóstico da diabetes, devido à associação que mantém com as complicações desta patologia
(ADA,2014). Estudos referem, que a falta de conhecimentos sobre a diabetes e dos objetivos do
tratamento podem constituir uma das razões para o baixo nível de controlo dos fatores de risco
associados (Berikai, Meyer, Kazlauskaite, Savoy, Kozik, & Fogelf, 2007). Neste estudo verificou-se
uma média mais elevada relativamente aos conhecimentos da diabetes nos participantes com
HbA1c dentro do valor normal mas não foi encontrada uma diferença estatisticamente significativa
comparativamente aos participantes com valores de HbA1c considerados não aceitáveis para um
bom controlo metabólico ser mantido.

A sexta hipótese permitiu avaliar o efeito do exercício físico que se comprovou ser
significativo ao nível da capacidade de controlo e da qualidade de vida em saúde. Relativamente ao
nível de conhecimento da diabetes não se constatou diferença estatística significativa, porém,
segundo vários autores o nível de conhecimento sobre a diabetes potencia a adoção de estilos de
vida mais saudáveis. Os mesmos indicam que a implementação de programas de educação
terapêutica com a finalidade de melhorar os conhecimentos das pessoas com diabetes em relação
a pratica de exercício e alimentação saudável favorecem a manutenção de um bom controlo
glicémico (Berikai, Meyer, Kazlauskaite, Savoy, Kozik, Fogelf, 2007).

Em relação à capacidade de controlar a diabetes foi encontrada uma diferença muito


significativa, podendo indicar que os inquiridos que praticam exercício físico estejam mais
predispostos a controlar a sua doença, como é referido no estudo realizado por Glasgow, Hampson,
Strycker & Ruggiero, (1997). A diferença altamente significativa encontrada em relação à qualidade
de vida pelo grupo de participantes que praticam exercício físico comparativamente com o grupo

61
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

que não o pratica, vai ao encontro de vários estudos (Macedo, Garavello, Oku, Miyagusuku, Agnoll,
& Nocetti, 2012; Kaplan, Hartwell, Wilson, & Wallace, 1987) que evidenciam melhorias na qualidade
de vida quando as pessoas seguem um programa de exercício físico moderado e acompanhado.

Quanto à hipótese 7, relacionada com a duração do diagnóstico, apenas foi encontrada uma
associação de elevado significado estatístico com a qualidade de vida em saúde e também uma
associação estatisticamente significativa entre este parâmetro e os conhecimentos sobre a diabetes
tipo 2, tendo as pessoas com diagnóstico superior a de 10 anos obtido piores resultados nas três
escalas. Outros autores sugerem um aumento da capacidade de controlo com o aumento da
duração da doença, mas esta diferença não possuiu significado estatístico (Cunha et al., 2014; Aghili
et al., 2013).

Esta associação não se verifica no intervalo de duração de diagnóstico, muito pelo contrário
se verifica o contrário. Os resultados não vão de encontro a alguns estudos realizados que sugerem
que um aumento do tempo de diagnóstico da doença pode ter uma influência positiva no
autocuidado causada pelo aumento de conhecimentos que a vivência com a doença possibilita
(Adsani et al., 2009). No entanto o surgimento de complicações que advém de um mau controlo
glicémico ao longo dos anos pode estar relacionado com esta diminuição ao nível da qualidade de
vida em saúde constatada.

5.3 Limitações do estudo

No que diz respeito às limitações do presente estudo, apesar da elevada representatividade


da amostra (n=377) verificou-se uma faixa etária muito elevada e um baixo nível de escolaridade na
amostra, o que se justifica pelo aumento da prevalência da DM com a idade, mas por si só
representa uma forte influência nos resultados obtidos.
Outra limitação foi o elevado número de questões resultante da compilação dos quatro
questionários utilizados e a necessidade de resposta às mesmas em ambiente privado de modo a
garantir a legitimidade das respostas. Esta condicionante fez com que o processo de recolha de
dados fosse um processo lento e traduziu-se em alguma dificuldade em cumprir os prazos
inicialmente propostos, garantindo, no entanto a veracidade dos mesmos dos resultados obtidos.

5.4 Sugestões para estudos futuros

Este estudo permitiu estudar a capacidade de controlo, os conhecimentos e a qualidade de


vida das pessoas diabéticas tipo 2, no contexto de uma associação especializada no tratamento
desta patologia.

62
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Os resultados obtidos reforçam a importância de encontrar soluções efetivas no que diz


respeito à capacitação da pessoa com DM2 e por isso, gostaríamos de ver desenvolvidos estudos
que avaliem melhor as barreiras de comunicação entre os profissionais de saúde e as pessoas com
DM, também a literacia e a numeracia destes (devido à forte influência na escolha de alimentos a
consumir por exemplo) deve ser melhor estudada.
Estudos de avaliação da eficácia de programas de terapêutica em grupos serão neste
momento uma mais valia, na medida em que permitirão avaliar a capacidade de responsabilização
e de aprendizagem deste tipo de programa comparativamente à abordagem convencional.

63
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

CONCLUSÕES

A Diabetes Mellitus é uma doença crónica que ao longo dos últimos anos tem vindo a
aumentar a sua prevalência não só na população portuguesa mas em todo o mundo.
Este aumento da prevalência, em grande parte justificado pela alteração do estilo de vida e
envelhecimento das populações necessita de uma resposta efetiva por parte dos Sistemas de
Saúde. A evolução da eficiência verificada no tratamento da doença aguda ao longo dos últimos
anos não se constata no tratamento da doença crónicas, o que comprova a necessidade de investir
em estratégias de capacitação e empoderamento, melhorando a literacia em saúde das pessoas
doentes e de apostar em medidas preventivas na população em geral, aumentando o
esclarecimento e elucidando as pessoas sobre esta problemática atual.
Em Portugal, o Observatório Nacional da Diabetes no seu relatório do ano 2014, apresenta
dados sobre a diabetes em Portugal em 2040 onde a prevalência da DM ou de alterações na
hiperglicemia intermédia (face à distribuição da população estimada) foi de 40%, nos indivíduos com
idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, o que corresponde a aproximadamente 3,1 milhões
de pessoas, sendo que destas aproximadamente 2 milhões tem diagnóstico de DM confirmado.
Perante este aumento preocupante de prevalência, uma das abordagens que esta
investigação comtempla refere-se à valorização do empoderamento da pessoa com diabetes e da
sua literacia em saúde na generalidade do termo. A complexidade do tratamento inerente a esta
patologia e ao papel significativo da própria pessoa doente no seu autocuidado diário, torna
imperativo que este tenha capacidade para gerir o seu controlo glicémico e a sua saúde, sendo por
isso sugerida o desenvolvimento de estratégias efetivas nesse sentido.
A literacia em saúde surge como uma estratégia efetiva, trata-se de um processo de
aprendizagem contínuo que permite capacitar o individuo para o alcance dos seus objetivos,
desenvolvendo as suas competências e conhecimentos e melhorando a comunicação entre
profissionais de saúde e utentes aumentado o grau de participação do próprio na manutenção do
seu bom estado de saúde.
A capacidade de controlo da DM foi uma das medidas avaliadas nesta investigação, por se
tratar de um componente fundamental no tratamento desta patologia. A pessoa com diabetes
precisa de integrar no seu dia-a-dia mudanças exigidas pela terapêutica e interpretar os efeitos da
medicação e da sua alimentação, sendo capaz de assumir o controlo da sua saúde. Para que tal
seja possível, depende de nós como profissionais de saúde, compreender as dificuldades sentidas
pelas e pessoas e aplicar na nossa vida profissional o conceito de capacitação/empoderamento
junto das pessoas com DM.
Neste sentido, tendo em conta as dificuldades inerentes à aplicação da terapêutica por parte
das pessoas com diabetes, verificou-se através de uma revisão de literatura que pessoas com DM
com baixa literacia em saúde e um reduzido grau de capacitação possuem piores resultados em
saúde, nomeadamente uma menor qualidade de vida relativamente às pessoas diabéticas com
literacia adequada e melhor grau de capacitação.

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

A problemática da questão abordada prende-se com o facto, do grupo de pessoas


diabéticas com baixa literacia ser mais prevalente na população diabética, o que demonstra que há
muito trabalho pela frente de modo a que seja possível alterar esta realidade. Esta baixa literacia
tem vindo a ser associada a um conhecimento limitado sobre a doença, menos comportamentos de
autocuidado, baixo alcance dos objetivos terapêuticos e maior percentagem de desenvolvimento de
complicações. Sendo a qualidade de vida um dos principais objetivos de qualquer intervenção em
saúde é de extrema importância melhorar este indicador na população diabética.
Tendo em conta os motivos apresentados, a presente investigação propôs-se a analisar a
capacidade de controlo, os conhecimentos e a qualidade de vida em saúde das pessoas com
diabetes tipo 2 e avaliar a sua relação com as variáveis socioeconómicas e clínicas em estudo com
recurso a quatro instrumentos de recolha de dados, o DES-SF, o DKT, o EQ-5D-5L e um
questionário de caracterização sociodemográfica.
Em relação aos resultados, o perfil sociodemográfico dominante da amostra em estudo é
caraterizado por ser do sexo masculino (54%), com ensino básico (54,6%), elevado suporte social ,
idade média ± dp de 64,5±11,3 e maioritariamente inativa profissionalmente (72%). Do ponto de
vista clínico, os inquiridos apresentam valores médios ± dp de 12,5 ± 9,4 em relação à duração do
diagnóstico sendo que 71,3% dos participantes possui diabetes diagnosticado à 10 anos ou mais,
de 29,44±8,03 em relação ao IMC, apresentando a maioria dos indivíduos excesso de peso, 8,2±1,5
relativamente à HbA1c, e neste parâmetro clínico apenas 8,3% dos participantes apresentam
valores considerados ótimos. A maioria dos indivíduos da amostra (57,8%) tem HTA como patologia
associada, sendo a mais comummente referenciada, quanto à dieta 33,8% afirma cumprir
diariamente e 26,5% não cumprir o regime alimentar estabelecido, mais de três quartos dos
participantes (85,6%) afirma medir diariamente a glicemia capilar, mas por outro lado 60,6% não
pratica qualquer atividade física. Quanto às complicações associadas dados indicam estarem
presentes na maioria dos participantes (57,4%) e a mais comum é a retinopatia com uma
percentagem de 33,7%.
Quanto à capacidade de controlo, conhecimentos e qualidade de vida em saúde, analisados
através dos instrumentos de colheita de dados, constatou-se que o índice DES-SF apresentou uma
pontuação média ± dp de 3,75±1,16, o DKT de 60,10 17,49 e o EQ-5D-5L de 0,8±0,2. Quando
analisados individualmente cada escala e comparadas as médias obtidas com estudos anteriores,
conclui-se que a amostra revela uma elevada perceção de capacidade de autocontrolo da DM o que
levanta inúmeras interpelações face aos resultados obtidos em termos de IMC e HbA1c e
conhecimentos acerca da doença que são relativamente pobres.
Importa neste contexto referir que os construtos de estudo se encontram estatisticamente
correlacionados. Assim, verifica-se correlação entre a capacidade de controlo da DM e os
conhecimentos face à doença (rsp=0,190, p<0,001), e entre a capacidade de controlo e a QV
(rsp=0,451, p<0,001), o que sugere que melhorias no grau de conhecimentos sobre a doença afetam
positivamente a QV do sujeito (rsp=0,329, p<0,001).
Concluímos ainda que os participantes do sexo masculino apresentam uma melhor
capacidade de controlo da DM e uma melhor qualidade de vida em saúde, relativamente às

65
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

mulheres. Contudo, relativamente aos conhecimentos sobre a doença não foram encontradas
diferenças estatisticamente significativas entre os sexos, ou seja, apesar dos homens serem mais
capacitados em relação às mulheres, estes não possuem melhores níveis de conhecimentos, o que
terá de ser levado em conta nas abordagens de educação terapêutica.
Quanto à idade, o estudo revelou que as pessoas diabéticas com menos de 65 anos
evidenciaram melhores conhecimentos sobre a doença e melhor QV. Todavia, relativamente à
capacidade de controlo da doença não foi encontrada diferença estatística significativa entre os dois
grupos estudados de acordo com a idade, isto é, apesar de os indivíduos mais jovens possuírem
melhores níveis de conhecimentos estes não apresentam melhor perceção de capacidade de
controlo da doença.
Também concluímos que participantes com mais habilitações literárias (superior ao ensino
básico) apresentavam melhor qualidade de vida e melhores conhecimentos do que os restantes.
Em relação à capacidade de controlo da doença não se verificou diferença estatisticamente
significativa.
No que diz respeito às variáveis clínicas, nomeadamente a duração do diagnóstico,
constatou-se que as pessoas diabéticas com um diagnóstico igual ou superior a 10 anos possuíam
pior qualidade de vida e piores conhecimentos. Isto pode justificar-se com o aparecimento de
complicações que decorre da evolução da doença e de um mau controlo glicémico. Relativamente
à perceção da capacidade de controlo não foram encontradas diferenças estatisticamente
significativas. Isto sugere a necessidade de uma atenção maior às pessoas com diagnósticos mais
longos e à importância da manutenção de um bom controlo glicémico desde o momento em que a
doença surge bem como de educação para lidar com a diabetes constante e não apenas numa fase
inicial de diagnóstico.
Por último, no que diz respeito à pratica de exercício físico, os participantes que praticam
demonstram melhor capacidade de controlo da doença também melhor qualidade de vida em
saúde. Em relação aos conhecimentos não foi encontrada evidencia estatística de desigualdade
entre os grupos. Apesar das pessoas que praticam exercício físico se sentirem mais capacitadas
relativamente à diabetes, possuem também uma preocupação maior com o seu estado de saúde
mas não se verifica melhores conhecimentos em relação à doença o que reconhece a necessidade
de rever as medidas de educação terapêutica, dado esta preocupação e responsabilização não ser
neste caso fruto do nível de conhecimentos.
Relativamente à HbA1c, constatamos que indivíduos com valores considerados ótimos
(<6,5%) sentem uma maior perceção de capacidade de controlo da diabetes face aos restantes. Em
relação à qualidade de vida e aos conhecimentos não verificou diferença estatística entre os grupos.
Em resumo, apesar dos indivíduos apresentarem uma perceção da qualidade de vida em
saúde e da capacidade de controlo da diabetes acima da média, podemos concluir que a maioria
dos participantes revela parâmetros de controlo da doença acentuadamente abaixo do
recomendado, nomeadamente no que diz respeito ao IMC, HbA1c, prática de exercício e adesão à
dieta. Estes resultados merecem alguma preocupação, de facto o conhecimento sobre a patologia

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

é necessário para autogerir um bom estado de saúde e um bom controlo glicémico o qual depende
maioritariamente da própria pessoa diabética no seu dia-a-dia.
Neste sentido, é importante apostar em intervenções em saúde comprovadamente efetivas
na melhoria da literacia em saúde, capacidade de controlo da doença e da qualidade de vida e que
promovam melhorias significativas. Os profissionais de saúde precisam de possuir competências
nesta área e ainda mais importante, precisam de melhorar as suas capacidades de comunicação e
relacionamento com o doente de modo a que este se sinta envolvido como parte integrante e
fundamental do seu processo de tratamento. Importa que as situações em que as pessoas
diabéticas que apresentem controlo glicémico inadequado sejam capacitadas e se tornem
cooperantes efetivos e igualmente responsáveis pela manutenção do seu bom controlo glicémico.

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

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Yanguas, J. J., Leturia, F. J., Leturia, M., & Uriarte, A. (2002). Intervención Psicosocial en
Gerontología: manual práctico (2ª Edição ed.). Madrid.

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXOS

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO I – Questionário de caraterização sociodemográfica e


clínica

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO II – Questionário DES-SF

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO III – Questionário DKT

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO III - CONTINUAÇÃO

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO IV – Questionário EQ-5D-5L

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO IV – CONTINUAÇÃO

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO V – Declaração de Consentimento Informado

CONSENTIMENTO INFORMADO LIVRE E ESCLARECIDO

De acordo com a Declaração de Helsínquia e a Convenção de Oviedo

TÍTULO DO ESTUDO: “Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em


pessoas com diabetes tipo 2”

ENQUADRAMENTO

O presente estudo, realizado no âmbito do Mestrado em Gestão de Unidades de Saúde da Associação


de Politécnicos da Região Norte (APNOR), vem dar continuidade ao projeto “Promoção da Literacia e
Capacitação das Pessoas Diabéticas tipo 2” desenvolvido pelo Centro de Estudos e Investigação da
Universidade de Coimbra em parceria com a Coordenação do Programa da Direção Geral de Saúde
(DGS) para a Diabetes, sob financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, no período de 2014-2015.

A sua principal finalidade é contribuir para uma melhor adequação da ação de combate e prevenção da
diabetes, a partir da evidência produzida. Desta forma, foi delineado o seguinte objetivo geral: avaliar os
conhecimentos, a capacidade de autocontrolo e a qualidade de vida das pessoas diabéticas tipo 2 seguidas
na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) quanto à sua patologia.

EXPLICAÇÃO DO ESTUDO

Para efeitos deste estudo serão utilizados quatro instrumentos: Questionário de caraterização
sociodemográfica e clínica; Escala de Capacidade de Controlo da Diabetes – versão breve (DES-SF);
Teste Breve de Conhecimentos sobre a Diabetes (DKT); Questionário para a Qualidade de Vida
EuroQol (EQ-5D- 5L).

A amostra será selecionada através de amostragem probabilística aleatória simples constituída por todas
as pessoas com diagnóstico de diabetes tipo 2 acompanhadas em consulta de diabetes na APDP.

Será pedido às pessoas seguidas na APDP em consulta ou procedimento relacionado com o seu
acompanhamento o preenchimento dos questionários. Trata-se de um preenchimento único que na
totalidade demorará cerca de 15 minutos.

CONDIÇÕES E FINANCIAMENTO

Este estudo é financiado pelo próprio investigador, sendo que integra o projeto de tese de Mestrado em
Gestão de Unidades de Saúde da APNOR.

A participação neste estudo é voluntária e não existe qualquer prejuízo, assistencial ou outro, caso não
queira participar ou decida desistir.

O desenvolvimento do estudo só será efetuado mediante apreciação pela Comissão Ética da APDP e
atribuição de parecer favorável à sua realização.

90
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO V - CONTINUAÇÃO
CONFIDENCIALIDADE E ANONIMATO

Os contactos entre a investigadora e os participantes serão efetuados em ambiente de privacidade. A


informação obtida neste estudo, bem como as análises totais e/ou parciais efetuadas, serão arquivadas
em dispositivo próprio, com proteção de palavra-passe e com acesso exclusivo à investigadora. No
processo de tratamento de dados não será possível identificar os respondentes em virtude de os dados
serem armazenados de forma agregada e sem identificação individual (garantido deste modo o
anonimato); não será possível em circunstância alguma identificar os respondentes. Todo o material
recolhido e analisado será arquivado em lugar seguro e destruído depois de decorridos 1 mês após o
final. Por favor, exponha todas as suas dúvidas e se necessário discuta-as com a investigadora responsável
por este trabalho, Helena Isabel Melo dos Santos, com o número de cédula profissional C-049227017 e
através do contacto telefónico 912615531 ou email: helena_melo33@[Link].

Receberá uma cópia deste formulário de Consentimento Informado Escrito.

“Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2”

Eu ________________________________________________(nome completo), declaro ter lido e


compreendido o documento, bem como as informações verbais que me foram fornecidas pela/s
pessoa/s que acima assina/m. Foi-me garantida a possibilidade de colocar questões sobre o estudo e
esclarecer as minhas dúvidas;

Desta forma, declaro que:

 Fui abordado/a pela responsável do estudo (Helena Isabel Melo dos Santos);
 Recebi informação que considero suficiente sobre o estudo;
 Permito a utilização dos dados que de forma voluntaria forneço, unicamente para esta
investigação, sendo garantida o anonimato e confidencialidade;
 Compreendi que a minha participação no estudo é voluntária;
 Fui informado que a minha participação neste estudo não me confere o direito a qualquer tipo
de remuneração;
 Compreendi que posso desistir quando desejar, não sendo de forma alguma comprometidos os
futuros cuidados que receberei dos profissionais de saúde;
 Concordo em participar neste estudo de livre vontade.

O participante ___________________________Data (dd/mm/aa): _____/____/________

O Investigador___________________________Data (dd/mm/aa): _____/____/________

MUITO OBRIGADA PELA SUA COLABORAÇÃO!

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO VI – Parecer do Diretor Clínico da APDP

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO VII – Parecer da Comissão de Ética

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

ANEXO VIII – Resultados do DKT

Questão Questionário DKT n %

A Alimentação do Diabético é:

O que a maioria dos portugueses come 25 6,9

1 Uma alimentação saudável para a maioria das


pessoas* 275 76

Demasiado rica em hidratos de carbono para a


maioria das pessoas. 23 6,4

Demasiado rica em proteínas para a maioria das


pessoas. 39 10,8

Qual dos seguintes é mais rico em hidratos de


carbono?

Frango assado 83 23,3


2
Queijo 46 12,9

Batata assada* 195 54,8

Margarina 32 9,0

Qual dos seguintes é mais rico em gordura?

Leite magro* 172 47,5

3 Sumo de laranja 12 3,3

Milho 88 24,3

Mel 90 24,9

Qual dos seguintes pode ser comido sem perigo


para o diabético

Qualquer alimento sem adição de açúcar 140 40,6


4
Qualquer alimento para pessoas com diabetes 95 27,5

Qualquer alimento que diga "sem adição de açúcar" no


rótulo 42 12,2

Qualquer alimento com menos de 20 calorias por dose* 68 19,7

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Hb1C é um teste que mede o nível médio do seu


açúcar no sangue

Do último dia 37 13,2


5
Da última semana 9 3,2

Das últimas 6-10 semanas* 147 52,3

Dos últimos 6 meses 88 31,3

Qual o melhor método para medir o açúcar no


sangue?

Análise da urina 12 3,2


6
Análise do sangue* 322 86,1

Qualquer uma é boa 37 9,9

Que efeito tem o sumo de fruta não açucarado no


nível de açúcar no sangue?

Fá-lo baixar 20 5,5


7
Fá-lo subir* 254 69,8

Não tem efeito 90 24,7

O que não deve ser usado para tratar o baixo nivel


de açúcar no sangue?

3 rebuçados/caramelos. 43 13,1
8
1/2 copo de sumo de laranja 25 7,6

1 copo de refrigerante com menos açúcar* 65 19,9

1 copo de leite magro 194 59,3

Para uma pessoa com os níveis de açúcar


controlados, que efeito tem o exercício físico no
valor do açúcar no sangue?
9
Fá-lo baixar* 334 90,3

Fá-lo subir 8 2,2

Não tem efeito 28 7,6

95
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

10 Uma infeção pode causar:

Um aumento de açúcar no sangue* 281 83,4

Uma diminuição do açúcar no sangue 9 2,7

Nenhuma alteração do açúcar no sangue 47 13,9

A melhor maneira de cuidar dos seus pés é:

Examiná-los e lavá-los todos os dias* 326 89,1

11 Massajá-los com álcool todos os dias 1 0,3

Mergulhá-los em água durante uma hora todos os


dias 8 2,2

Comprar sapatos de número acima do habitual 31 8,5

Comer alimentos magros diminui risco de:

Doença nos nervos 7 2,1

12 Doença nos rins 40 11,8

Doença do coração* 276 81,4

Doença nos olhos 16 4,7

Sensação dormente e formigueiro podem ser


sintomas de:

Doença nos rins 58 19,9


13
Doença nos nervos* 179 61,5

Doença nos olhos 8 2,7

Doença do fígado 46 15,8

Qual dos seguintes problemas não é


habitualmente associado a DM?

Problemas na visão 3 0,8


14
Problemas nos rins 6 1,6

Problemas no sistema nervoso 24 6,6

Problemas nos pulmões* 331 90,7

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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

Os sinais de cetoacidose (descompensação súbita


de DM) incluem:

Tremores 108 32,1


15
Suores 102 30,4

Vómitos* 55 16,4

Baixo nível de açúcar no sangue 71 21,1

Se estiver com gripe, qual das seguintes


alterações deveria fazer?

Tomar menos insulina 9 2,8


16
Beber menos líquidos 11 3,4

Comer mais proteínas 60 18,5

Medir o açúcar no sangue e a cetona na urina mais


frequentemente* 245 75,4

Se tomou insulina de acção intermédia (NPH ou


lenta, muito provavelmente terá um efeito:

Durante: 1-3 horas 25 10,2


17
6-12 horas* 147 59,8

12-15 horas 45 18,3

Mais de 15 horas 29 11,8

Mesmo antes do almoço, apercebe-se de que se


esqueceu de tomar a insulina antes do pequeno-
almoço. O que deve fazer?

Não almoçar para fazer baixar o nível de açúcar no


sangue 3 0,9
18
Tomar a insulina que normalmente toma ao pequeno-
almoço 46 14,6

Tomar o dobro da insulina que costuma tomar ao


pequeno-almoço 4 1,3

Verificar o nível de açúcar no sangue para decidir a


insulina que deve tomar* 273 83,2

97
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2

19 Se está a começar a ter uma baixa de açúcar

no sangue após ter tomado insulina deve:

Fazer exercício físico 4 1,2

Deitar-se e descansar 73 21,2

Beber um sumo* 223 64,8

Tomar a insulina do costume 44 12,8

Um baixo nível de açúcar no sangue pode ser


causado por:

Demasiada insulina* 209 63,0


20
Muito pouca insulina 47 14,2

Demasiada comida 21 6,3

Muito pouco exercício físico 55 16,6

Se tomar a insulina de manhã mas não tomar o


pequeno-almoço, o seu nível de açúcar no sangue
normalmente:

21 Sobe 58 17,2

Desce* 256 76,0

Permanece o mesmo 23 6,8

Um elevado nível de açúcar no sangue pode ser


causado por:

Pouca insulina* 191 57,4


22
Não tomar refeições 57 17,1

Atraso nas refeições intercalares 73 21,9

Grande quantidade de cetonas na urina 12 3,6

Qual dos seguintes irá provavelmente provocar


uma baixa de açúcar no sangue?

Exercício físico intenso* 226 65,5


23
Infeção 20 5,8

Comer em excesso 13 3,8

Não tomar a insulina 86 24,9

98

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