Avaliação de Conhecimentos em Diabetes 2
Avaliação de Conhecimentos em Diabetes 2
A Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crónica com uma prevalência cada vez mais
significativa, elevado consumo de cuidados de saúde, com graves complicações e custos
financeiros diretos e indiretos muito elevados. Associado a este facto, a eficiência conquistada ao
nível do tratamento da doença aguda pelos Sistemas de Saúde na última década não se verifica no
tratamento de doenças crónicas como esta, o que demonstra a necessidade da implementação de
intervenções efetivas ao nível da capacitação e empoderamento do utente.
i
ABSTRACT
Diabetes Mellitus (DM) is a chronic disease with a steady increasing prevalence worldwide,
with significant healthcare needs, serious complications, and high direct and indirect economic costs.
Associated with these facts, the verified efficiency in the treatment of acute diseases during the last
decade is not the same as in the treatment of the chronic ones, the healthcare systems need to solve
this problem with strategies of capacitation and empowerment of the patient.
In this sense, this exploratory, descriptive-correlational study has the general objective of
being a contribute to a better adequacy of the Healthcare systems response to the treatment and
prevention of diabetes and the reduction of the associated costs, according to the produced
evidences through the study of the relation between the knowledge about the disease, capacity of
control and quality of life. For this, we applied a sociodemographic and clinic questionnaire and the
Portuguese version of Diabetes Empowerment Scale (DES-SF), Diabetes Knowledge Test (DKT)
and EuroQol-5Dimensions-5Levels (EQ-5D-5L) to 377 people with type 2 diabetes, belonging to the
Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).
The results in the sociodemographic terms show the predominance of male sex (54%) with
basic education (56%), high social support and average age of 64,5 ± 11,3 dp. From a clinical point
of view, participants showed average values ± dp of glycosylated hemoglobin and body mass of
8,2±1,5 e 29,44±8,03, respectively. Most participants have arterial hypertension (57,8%) and
complications from DM (57,4%).
About the empowerment, knowledges and quality of life it was found an average punctuation
± dp of 3,75 ±1,16 (DES-SF), 60,10±17,49 (DKT) and 0,80±0,22 (EQ-5D-5L). It was found a positive
correlation between the DM controllability, the knowledge about the disease and quality of life. Were
also register some significant statistical differences among DES-SF and EQ-5D-5L and the HbA1c
index (t=5,86,p<0,001) and (t=2,33, p<0,05) respectively and between physical exercise and the
same indicators (t=-4,82,p<0,001) and (t=-5,86, p<0,001). About DKT, we found significant statistical
differences about this index and participants age (t=3,99, p<0,001) and literary qualifications (t=-
6,75, p<0,001).
The conclusions of this study suggest the necessity of the development of more efficient
strategies to improve capacitation of people with diabetes and promoting this way a better quality of
life and delaying the complications associated with DM.
ii
RESUMEN
La Diabetes Mellitus (DM) es una enfermedad crónica con un predominio cada vez más
importante, con alto consumo de atencíon de salude, graves complicaciones e con costes financiero
directa e indirecta muy alto. Asociado con esto, la eficiencia logrado en términos de tratamiento de
la enfermedad aguda por los sistemas de salud no es el caso en el tratamiento de enfermedades
crónicas como este, lo que demuestra la necesidad de intervenciones eficaces en términos de
creación de capacidad y la capacitación del usuário.
Por lo tanto, este estudio exploratorio, descriptivo y correlacional, tiene el objetivo general
de contribuir a una mejor adecuación de la acción de combate y prevención de la diabetes y la
reducción de los costes relacionados, a partir de las pruebas presentadas, através del estudio de la
relación entre conocimiento de la persona diabética sobre su enfermedad, su capacidad de
seguimiento y calidad de vida de la salud. Para este fin, se aplicó a una muestra de 377 personas
con diabetes tipo 2, acompañados por la Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP)
un cuestionario de caracterización sociodemográfica y clínica y la versión portuguesa del Diabetes
Knowledge Test (DKT), Diabetes Empowerment Scale (DES-SF) e EuroQol-5Dimensions-5Levels
(EQ-5D-5L).
Los resultados muestran, en términos demográficos del predominio del sexo masculino
(54%), con estudios primarios (56%), alto apoyo social, edad media 64,5 ± 11,3 SD. Desde un punto
de vista clínico, los participantes tuvieron valores medios ± dp de hemoglobina glucosilada (HbA1c)
y el IMC de 8,2 ± 1,5 y 29,44 ± 8,03, respectivamente. La mayoría de los participantes también
cuenta con HTA (57,8%) y complicaciones de la DM (57,4%).
iii
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho, a todos os participantes do estudo, pessoas com Diabetes tipo 2 que
diariamente enfrentam a realidade de possuir uma patologia sem cura, tantas vezes com dúvidas e
anseios, na esperança que nós, profissionais de saúde, sejamos capazes de lhes oferecer mais e
melhor qualidade de vida. Procuro com este estudo reforçar a necessidade de encontrar uma
solução que possibilite que todas as pessoas com diabetes tenham acesso ao suporte necessário
para viverem melhor, lidando com a sua patologia de uma forma mais elucidada e eficiente.
Neste sentido, agradeço a todos os que perderam o seu tempo com as minhas questões, a
todos os que partilharam comigo as suas alegrias e angústias, a quem desejo com todo o coração
que a felicidade seja uma constante nas suas vidas.
iv
AGRADECIMENTOS
A elaboração deste trabalho que representa um importante marco na minha vida pessoal e
profissional, não teria sido possível sem a colaboração, estímulo e empenho de diversas pessoas.
Gostaria, por isso, de expressar a minha gratidão e apreço, a todos aqueles que, direta ou
indiretamente, contribuíram para que este estudo se tornasse realidade. A todos quero manifestar
os meus sinceros agradecimentos.
Ao Diretor da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), Dr. João Raposo,
por me ter disponibilizado o seu tempo e pela rápida resposta afirmativa de autorização à realização
do estudo.
Á Enf. Dulce do Ó, responsável pelos estudos realizados na APDP, por todo o apoio
prestado durante o processo de recolha de dados, pela compreensão e auxilio perante as
adversidades que fui encontrando.
À Enf. Lurdes Serrabulho, pelo incentivo e pela preocupação, porque as suas palavras me
ajudaram em alguns dias mais difíceis.
A todos os participantes deste estudo, pelo tempo dispensado, porque sem eles não seria
possível concretizá-lo.
À minha mãe, pela sólida formação dada até à minha juventude e por estar sempre presente.
Ao meu avô Artur, porque é o orgulho enorme que tinha em mim o meu maior incentivo para
querer sempre ser melhor a cada dia e alcançar os meus objetivos profissionais e pessoais.
v
ABREVIATURAS, ACRÓNIMOS E SIGLAS
CH Centros Hospitalares
DM Diabetes Mellitus
dp desvio padrão
vi
IDF International Diabetes Federation
n Tamanho da amostra
p Valor de prova
PA Perímetro Abdominal
Rs Coeficiente de Spearman
t Teste t-student
UE União Europeia
vii
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ………………………………………………………………………………………….... 1
PARTE I …………………………………………………………………………………………………… 4
2.3 DEFINIÇÃO……………………………………………………………………………………............ 14
2.4 CLASSIFICAÇÃO……………………………………………………………………………………... 15
2.5 DIAGNÓSTICO………………………………………………………………………………………... 17
2.6 TRATAMENTO………………………………………………………………………………………... 18
2.7 COMPLICAÇÕES…………………………………………………………………………………….. 21
viii
3.1 O CONCEITO DE LITERACIA EM DIABETES………………………………………………….… 26
PARTE II……………………………………………………………………………………………………. 34
ESTUDO EMPÍRICO……………………………………………………………………………………… 34
CAPÍTULO 4 – METODOLOGIA………………………………………………………………………... 35
CAPÍTULO 5 – RESULTADOS………………………………………………………………………….. 45
CONCLUSÕES……………………………………………………………………………………………. 64
REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………………………………………………………… 68
ix
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 2 - Descrição da amostra segundo o sexo, grupo etário, habilitações literárias, situação
profissional e suporte social……………………………………………………………………………… 46
x
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1 – Número estimado de pessoas com diabetes no mundo por região em 2015 e 2014 (dos
20 aos 79 anos)……………………………………………………………………………………………. 12
ÍNDICE DE ANEXOS
xi
xii
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
INTRODUÇÃO
As alterações no estio de vida das populações ao longo dos últimos anos têm vindo a
provocar a expansão das doenças crónicas tornando-as atualmente um dos mais graves
problemas de saúde pública no mundo, sendo que em 2012 foram responsáveis por 68% das
mortes ocorridas (World Health Organization, 2014).
Umas das patologias crónicas com maior aumento de incidência, associada a elevados
encargos sociais e económicos em inúmeros países incluindo Portugal é a Diabetes Mellitus
(American Diabetes Association, 2013; Direcção-Geral da Saúde, 2015).
A crescente incidência desta patologia permite assumir tratar-se de uma das mais atuais
epidemias, especialmente no que diz respeito à Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) que representa
cerca de 90% de todos os tipos de diabetes, estando associada a diversas incapacidades e
sofrimento além de representar custos elevados a nível individual e social (Patrão, 2011).
Os fatores que mais contribuem para esta epidemia moderna são a também crescente
obesidade, o sedentarismo e uma dieta excessivamente rica em anergia. Além disso, o
envelhecimento das populações que se tem vindo a verificar a nível Europeu influência também
este aumento de incidência (Observatório Nacional da Diabetes, 2014).
No atual cenário de recursos escassos, a busca pela eficiência dos sistemas de saúde
está dependente de estratégias que permitam a diminuição dos custos da doença crónica, mas
com impacto positivo na qualidade dos serviços prestados (Wennberg, Marr, Lang, O'Malley, &
Bennet, 2011).
1
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
O termo “gestão da doença” tem especial importância neste caso, dado que o sucesso
do tratamento e o bom prognóstico das pessoas diabéticas está associado à participação da
pessoa e seus familiares no processo complexo de cuidados de saúde que esta patologia implica
(Wennberg, Marr, Lang, O'Malley, & Bennet, 2011; Chibante, Cunha, & André, 2015).
Nas instituições de saúde, a literacia em saúde de cada pessoa diabética deve ser
corretamente avaliada para que seja possível avaliar quais as pessoas nos quais devido a um
baixo nível de entendimento da informação transmitida o desfecho clínico pode não ser o
desejado. Nesta medida, o empenho e a dedicação dos prestadores é exigido no que toca aos
cuidados da pessoa diabética. Esta perceção pode não só evitar um mau desfecho clínico, mas
também diminuir os custos associados ao tratamento da pessoa diabética, evitando
complicações tardias, mais graves. No entanto, o empenho da própria pessoa diabética no seu
tratamento é essencial uma vez que é necessário alterar hábitos quotidianos e tomar decisões
diárias em função do bom controlo metabólico. É por isso fundamental envolver a pessoa
diabética no seu autocuidado para obter resultados efetivos, através do seu empoderamento.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Neste sentido, a dissertação será dividida em duas partes distintas. Na primeira parte
será descrita a construção teórica do objeto de estudo, estruturante do trabalho empírico. Esta
encontra-se dividida em três capítulos. O primeiro aborda o “peso” da doença crónica para os
sistemas de saúde tendo em conta questões organizacionais descrevendo o impacto atual deste
tipo de patologia tendo em conta a sua complexa gestão. O segundo capítulo refere-se à
Diabetes Mellitus (DM), descrevendo o seu impacto na sociedade atual com dados
epidemiológicos e a nível de custos bem como uma descrição da patologia em si, do seu
diagnóstico, tratamento e complicações. O terceiro capítulo introduz a problemática em estudo,
abordando a importância da capacitação da pessoa com diabetes e a sua importância para que
um bom prognóstico seja alcançado. Neste capítulo são descritos conceitos como o de literacia
em diabetes, a decisão clínica partilhada, o empoderamento e autocuidado.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
PARTE I
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Ao longo dos últimos anos, temos assistido ao sucesso obtido no tratamento da doença
aguda em contraste com o tratamento da doença crónica que tem vindo a aumentar a sua
incidência. As previsões indicam que este aumento será persistente ao longo dos próximos anos,
o que se traduz numa séria ameaça para a economia dos países (Santos, 2012). (Santos F. ,
2012)
Projetos tais como o “Projeto Gestão Integrada da Doença” têm vindo a ser
implementados de modo a promover suporte à autogestão, trata-se de uma das estratégias que
tem como objetivo melhorar a prestação de cuidados à população, através da utilização de
recursos com maior eficácia e da monitorização de pessoas com doença crónica. Visa de igual
modo contribuir para uma melhor capacitação e envolvimento dos doentes na gestão do seu
tratamento (Santos, 2012).
A prevenção e a intervenção inicial numa lógica de gestão integrada pode ser uma
solução multidimensional e sistémica para este problema tão difícil e complexo (Baptista, et al.,
2016; Escoval, et al., 2010).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
A organização dos sistemas de saúde deve por isso focar-se na criação de uma cultura
e de mecanismos que promovam a segurança e a qualidade dos cuidados. Para isso devem ser
introduzidas estratégias de gestão que facilitem mudanças, gestão de erros e controlo de
qualidade dos problemas (Baptista, et al., 2016).
Em suma, promover a saúde das pessoas com doença crónica requer transformar um
sistema de saúde que funciona de forma reativa, episódica, focado em eventos e que responde
a pedidos de situações agudas num sistema proativo, integrativo, contínuo e focado na pessoa
e família e que tenha como prioridade a promoção e manutenção da saúde (Cruz, Martins,
Rocha, & Martins, 2011).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
A importância deste tema prende-se com o facto de a doença crónica ser a maior
responsável pela mortalidade e morbilidade na Europa nos dias de hoje (Instituto Nacional de
Saúde Dr. Ricardo Jorge, 2016).
São consideradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como doenças crónicas,
as que possuem uma ou mais das seguintes características: são permanentes, produzem
incapacidade/deficiências residuais, são causadas por alterações patológicas irreversíveis,
exigem uma formação especial do doente para a reabilitação, ou podem exigir longos períodos
de supervisão, observação ou cuidados (World Health Organization, 2014).
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que medidas de prevenção tais como a
cessação tabágica, uma alimentação saudável e o exercício físico regular teriam um impacto
positivo na população e levariam à redução de 80% das mortes prematuras por doença cardíaca,
acidente vascular cerebral (AVC) e Diabetes Mellitus tipo 2 (World Health Organization, 2014).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
de patologia. As pessoas idosas carecem de mais cuidados de saúde e possuem mais patologias
crónicas que exigem acompanhamento permanente, medicação contínua e exames periódicos
pelo que é necessário adaptar os cuidados às necessidades atuais das populações (Lima-Costa
& Veras, 2003; Rebelo & Cardoso, 2007).
O impacto das doenças crónicas tem que ser observado em diferentes perspetivas,
sendo possível agrupá-las em cinco conceitos: custo da doença; custos e consequências
macroeconómicas; custos e consequências microeconómicas; bem-estar; política pública de
custos irrelevantes (Santos, 2012; Goulart, 2011).(Goulart, 2011))
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Ao longo dos últimos anos, o quadro de saúde das populações tem apresentado
alterações significativas sendo que as doenças crónicas associadas ao atual estilo de vida tais
como a Diabetes estão atualmente em expansão (Patrão, 2011).
A Diabetes é uma das doenças crónicas com maior potencial de sofrimento, está
associada a diversas incapacidades e até mesmo à morte. A sua incidência é de tal forma
crescente que está a atingir proporções epidémicas no mundo e Portugal não é exceção (Patrão,
2011).
Oito anos mais tarde, realizou-se em Lisboa a Fourth Meeting for the Diabetes Care and
Research in Europe – Improvement Diabetes Care, co-organizada pela Organização Mundial de
Saúde (OMS), a Federação Internacional da Diabetes (IDF) e a Direção Geral de Saúde (DGS)
onde foi mais uma vez evidenciada a importância de um maior empenho no combate às
complicações desta patologia.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Este novo programa foi aprovado pelo Ministério do Saúde e integra o Plano Nacional
de Saúde que se destina a ser aplicado pelos profissionais de saúde nas Unidades de Saúde
Familiar (USF)/Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), Centros de Saúde,
Hospitais, Unidades de Cuidados Continuados e Serviços Contratualizados (Direção Geral da
Saúde, 2016)
A OMS estima que níveis de glicose elevados são atualmente a terceira principal causa
de morte prematura, depois da hipertensão e do uso do tabaco. Estes dados indicam que muitos
governos e profissionais de saúde se encontram ainda pouco alerta com o impacto da diabetes
e das suas complicações (International Diabetes Federation, 2015).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Os últimos dados sugerem a existência de 415 milhões de adultos em todo o mundo com
Diabetes e que 318 milhões possuem distúrbios na tolerância à glicose o que torna provável o
desenvolvimento da patologia no futuro (International Diabetes Federation, 2015).
Estima-se que em 2040 existam no mundo 642 milhões de pessoas com esta doença
crónica (International Diabetes Federation, 2015).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Figura 1 – Número estimado de pessoas com diabetes no mundo por região em 2015 e 2014 (dos 20 aos 79
anos).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
O aumento da prevalência desta patologia, que tem vindo a progredir de ano para ano,
levou à atual realidade de 852 463 (dados de 2015) pessoas registadas nos cuidados de saúde
primários com diabetes tipo 2 o que se traduz numa prevalência total d 13% na população
portuguesa, ou seja, mais de um milhão de pessoas no nosso país (Direcção-Geral de Saúde,
2015).
A Diabetes é uma doença crónica com uma prevalência cada vez mais significativa, com
elevados consumos em cuidados de saúde, pesada em termos de complicações e respetiva
gravidade e de custos financeiros diretos e indiretos muito altos. A verificarem-se as previsões
de tendência do aumento da prevalência da diabetes, os custos associados à doença e suas
complicações crescerão exponencialmente. A diabetes impõe uma enorme pressão económica
sobre as pessoas doentes, suas famílias, sistemas de saúde e o próprio país.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
A maioria dos países gasta entre 5 a 20% dos seus gastos totais em saúde com a
Diabetes. Estima-se que atualmente os gastos em saúde com a Diabetes rondem os 650 biliões
de dólares (International Diabetes Federation, 2015).
Relativamente ao custo médio por cada pessoa com diabetes, de acordo com um estudo
realizado pela IDF, no 6º Atlas Mundial da Diabetes, este é estimado em 1515€ (2012dolares)
por individuo em 2014, o que representa um total de 1540 milhões de euros tendo em conta o
total de indivíduos com diabetes dos 20 aos 79 anos (Observatório Nacional de Diabetologia,
2015).
Por sua vez, tendo em conta o peso destes indicadores, este valor representa 0,9% do
PIB e 10% do total de despesa em saúde em 2014 (Observatório Nacional de Diabetologia,
2015).
2.3 Definição
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
2.4 Classificação
A Diabetes Mellitus apresenta-se em três principais tipos, de acordo com as suas causas.
A sobrevivência de uma pessoa com este tipo de diabetes está dependente do acesso a
insulina.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Resultante de uma produção de insulina ineficiente por parte do pâncreas o que conduz
ao desenvolvimento de resistência à mesma. Este tipo de diabetes apresenta como fatores de
risco o excesso de peso, a inatividade física, uma alimentação inadequada, fatores genéticos,
histórico familiar de diabetes gestacional e idade avançada (International Diabetes Federation,
2015; Sociedade Portuguesa de Diabetologia, 2015).
O diagnóstico deste tipo de diabetes é dificultado dado ser possível passar anos sem
apresentar sintomas. Alguns casos carecem de uma classificação clara quanto ao tipo de
diabetes presente, sendo neste caso difícil a classificação em tipo 1 ou 2. Nestes dois principais
tipos a progressão da doença e a sua apresentação clínica são muito variáveis (APDP, 2012).
Um bom controlo glicémico pode em muitos casos ser obtido com recurso a alterações
alimentares e aumento da atividade física. Em outros casos é necessário recorrer a medicação
oral ou administração de insulina (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2013).
O corpo de uma pessoa com DM2 é capaz de produzir insulina, mas torna-se resistente
a ela e por isso esta torna-se ineficiente no transporte da glicose da corrente sanguínea para as
células que dela necessitam (International Diabetes Federation, 2015).
Apesar dos sintomas muitas pessoas com DM2 permanecem muito tempo sem
diagnóstico porque estes tendem a ser menos acentuados do que na DM1. Muitas vezes este
período sem diagnóstico, em que os níveis de glicose altos permanecem sem intervenção levam
ao desenvolvimento de complicações já existentes no momento em que as pessoas iniciam
tratamento (International Diabetes Federation, 2015; Cortez, Reis, Souza, Macedo, & Torres,
2014).
Apesar dos fatores de risco já descritos as causas da DM2 não são ainda conhecidas.
(Cortez, Reis, Souza, Macedo, & Torres, 2014).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
2.5 Diagnóstico
Durante décadas o critério utilizado para diagnóstico da diabetes utilizado foi o nível de
glicose no plasma e o teste de tolerância à glicose (solução oral de 75mg) com medição aos zero
minutos (jejum) e após duas horas (American Diabetes Association, 2013).
HbA1c ≥ 6,5%;
Glicose em jejum ≥ 126mg/dl (7.0 mmol/l);
Glicose após 2h ≥ 200mg/dl (11,1mmol/l) durante um teste de tolerância à
glucose. O teste deve ser efetuado de acordo com as recomendações da
Organização Mundial de Saúde (OMS), utilizando um preparado com 75g de
anidrido de glicose dissolvido em água;
Num paciente com sintomas clássicos de hiperglicemia ou crise hiperglicémica,
uma amostra aleatória com glicose no plasma ≥ 200mg/dl (11,1mml/l).
Após o diagnóstico deve proceder-se a uma avaliação médica completa que permite
classificar o tipo de diabetes, detetar a presença de complicações da doença, rever tratamentos
anteriormente prescritos e controlar os fatores de risco em pacientes com diabetes estabelecida,
ajudar a delinear um plano de gestão da doença e prestar uma base para o trabalho contínuo.
(American Diabetes Association, 2013; International Diabetes Federation, 2015).
Devem ainda ser efetuados testes laboratoriais para avaliar propriamente cada paciente.
Nesta fase, a atenção aos componentes da capacidade compreensiva de cada pessoa ajudará
a equipa médica a assegurar um acompanhamento adequado à pessoa com diabetes.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
2.6 Tratamento
Se a terapia sem insulina com um único fármaco não atinge o objetivo glicémico na sua
dose máxima recomendada ao fim de 3-6 meses deve ser direcionado um segundo agente
terapêutico oral, os agonistas dos recetores GLP-1 (péptido semelhante ao glucangon,
tratamento injetável que não é insulina) e inibidores do DPP4 (Dipeptidyl Peptidase 4). Ambos
aumentam a reação do corpo ao processamento da comida ingerida reduzindo os níveis de
glicose após as refeições (American Diabetes Association, 2013).
Uma abordagem centrada no paciente deve ser utilizada para escolher os agentes
farmacológicos. Sendo necessário ter em consideração a eficácia, o custo e os potenciais efeitos
secundários no peso, co morbilidades, risco de hipoglicémia e as preferências dos pacientes
(American Diabetes Association, 2013).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Recomenda-se que a pessoa com diabetes realize pelo menos 150 minutos de exercício
por semana, reduza o consumo de açúcar e tenha uma dieta rica em fibra e grãos inteiros.
Quando os adultos escolhem continuar a consumir álcool o seu consumo deve restringir-
se a um copo por dia, no caso das mulheres, ou dois no caso dos homens. O consumo de álcool
implica precauções extra para prevenir hipoglicémias (American Diabetes Association, 2013).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Para realizar o controlo glicémico a pessoa com diabetes deve recorrer a duas técnicas.
A primeira trata-se da medição do nível glicémico no sangue, através da picada no dedo e a
seguinte a avaliação da HbA1c em análises ao sangue, efetuadas em laboratório (American
Diabetes Association, 2013).
Estas medições de glicose como parte integrante de um quadro educacional podem ser
úteis para dirigir decisões do tratamento e/ou o autocuidado do paciente levando à utilização de
doses menores de insulina ou tratamento sem insulina. Ao prescrever estas medições a equipa
de saúde deve assegurar-se de que o paciente recebe instruções e avaliação regular da técnica
e dos resultados da medição bem como a sua capacidade de utilizar os dados das medições
para ajustar a terapia (APDP, 2012).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Relativamente à medição da HbA1c, trata-se de um teste que deve ser efetuado pelo
menos duas vezes ao ano em pacientes com controlo glicémico estável e que atingem os
objetivos do tratamento e em pacientes que não atingem os objetivos do tratamento deve ser
efetuado a cada quatro meses (ADA, 2013).
2.7 Complicações
21
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
No que diz respeito ao Síndrome hiperglicémico hiperosmolar, este ocorre quando o valor
da glicémia é superior a 600mg/dl, podendo ou não coexistir com cetoacidose (Gallego &
Caldeira, 2007). Os sintomas desenvolvem-se de forma lenta e incluem poliúria, perda de peso,
culminando com alterações de consciência. O exame clínico revela desidratação, hipotensão,
taquicardia e alterações de consciência, na ausência de náuseas, vómitos, dores abdominais e
poliúria. As causas associadas são o défice de insulina e uma hidratação inadequadas (Gallego
& Caldeira, 2007; Monahan, Sands, Neighbors, Marek, & Green, 2010).
Com o passar dos anos, a DM mal controlada pode provocar complicações nos olhos,
coração, nervos, pés, rins e a nível de saúde oral.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
No entanto, a retinopatia pode evoluir para um estado muito avançado antes de afetar a
visão, o que conduz à necessidade de rastreios frequentes a pessoas com diabetes dado que
esta condição pode ser tratada quando detetada numa fase inicial (International Diabetes
Federation, 2015).
O problema do pé diabético, surge como resultado dos danos provocados por elevados
níveis de glicose nos vasos sanguíneos, as pessoas com diabetes tendem a desenvolver danos
nos nervos e problemas como má circulação. Por sua vez, a probabilidade de desenvolver
problemas como ulceração, infeção e amputação é acrescido (International Diabetes Federation,
2015; Caiafa, et al., 2011).
O risco de amputação numa pessoa com diabetes pode ser até 25 vezes superior do que
numa pessoa sem diabetes, no entanto, grande parte das situações podem ser evitadas com um
bom cuidado e prevenção e é este o motivo pelo qual é muito importante que as pessoas com
diabetes efetuem diariamente a lavagem e exame dos seus pés. Neste tipo de complicações, o
acompanhamento por uma equipa multidisciplinar tem especial importância, na manutenção da
qualidade de vida da pessoa diabética mesmo após amputação (International Diabetes
Federation, 2015; Caiafa, et al., 2011).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Quanto à nefropatia, a diabetes surge como uma das principais causas de doença renal.
A doença resulta de danos nos pequenos vasos sanguíneos o que provoca ineficiência ou
mesmo falência renal, de forma a prevenir estes danos é necessário manter os níveis de glicose
e a tensão arterial em valores normais (International Diabetes Federation, 2015; ADA, 2013).
Por último, mas não menos importante, os danos nos nervos (neuropatia) são também
resultantes de elevados níveis de glicose e trata-se de uma complicação que pode afetar
qualquer nervo no corpo. A neuropatia periférica é a sua apresentação mais comum, afetando
os nervos sensoriais dos pés, provocando dor, tremor e perda de sensibilidade (International
Diabetes Federation, 2015). Esta perda de sensibilidade pode camuflar outros danos tais como
ulcerações e infeções e é por isso um fator de risco para a necessidade de amputação. A
neuropatia pode manifestar-se em outros locais do corpo, sendo comum provocar disfunção
eréctil, problemas digestivos, urinários e de outras funções (International Diabetes Federation,
2015; APDP, 2012).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Este tipo de estratégias visa a eficiência dos cuidados prestados, com o objetivo de
redução da despesa, mas também de uma melhoria da qualidade dos serviços de saúde. Trata-
se da substituição de cuidados dispendiosos, reativos e não planeados por cuidados efetivos,
antecipatórios e equitativos.
Entende-se por literacia em saúde, a medida em que os indivíduos são capazes de obter,
processar, entender e utilizar a informação básica em saúde e serviços disponíveis com o
objetivo de tomar decisões que possibilitem promover e manter um estado de saúde apropriado
(Cunha, et al., 2014; Martins-Reis & Santos, 2012; Santos, Mansur, & Paiva, 2013).
Uma baixa literacia em saúde, está relacionada com condições de saúde menos
favoráveis, taxas de admissão hospitalar mais elevadas, menor adesão ao tratamento prescrito
pelos médicos, maior propensão à incorreta ingestão da medicação prescrita e menor utilização
de serviços preventivos (Martins-Reis & Santos, 2012; Apolinario, Braga, & Magaldi, 2012;
Jayasinghe, et al., 2016).
26
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Contrariamente ao que se possa pensar, os anos de estudo formal, por si só, não são
um indicador de literacia em saúde, e muitos pacientes procuram esconder ter uma má literacia,
pelo que é difícil para um profissional de saúde, mesmo que atento, identificar que o paciente
tem dificuldade em entender a informação transmitida (Apolinario, Braga, & Magaldi, 2012).
Estudos referem que a literacia em saúde deve ser corretamente avaliada para que seja
possível identificar os pacientes nos quais o desfecho clínico e o resultado da terapêutica pode
não ser o desejado. Isto porque, o tratamento de muitas doenças agudas e crónicas é
influenciado pelo entendimento das informações de saúde, pelo que é necessário oferecer mais
apoio a indivíduos que apresentem dificuldade em entendê-las, porque isso poderá influenciar o
resultado clinico (Santos, Mansur, & Paiva, 2013).
No caso dos alimentos, o rótulo dos mesmos é uma ferramenta fulcral para a promoção
da literacia do consumidor. É a informação nutricional que consta do rótulo que permite ao
consumidor escolher um produto que favoreça a sua saúde mediante os aspectos nutricionais.
Por isso, não é suficiente educar e informar sobre a leitura dos rótulos, é ainda necessário que a
informação que nestes reside esteja acessível á compreensão do consumidor (Luís, 2010).
27
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Literacy in Adults) e a escala de literacia de eHEALS (The eHealth Literacy Scale), que mede o
conhecimento, a familiaridade e competência em encontrar, avaliar e aplicar informação em
saúde que advém de meios eletrónicos (Luís, 2010; Apolinario, Braga, & Magaldi, 2012; Santos,
Mansur, & Paiva, 2013).
Apesar da autoeficácia poder ajudar ela tem um efeito aumentado quando combinado
com as expectativas futuras. Bandura define expectativas como “aquilo que a pessoa estima que
um determinado comportamento levará a um determinado resultado” (Reisi, Mortafavi, Mahaki,
Tavassoli, & Sharifirad, 2015).
28
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Para que tal seja possível, a pessoa com diabetes precisa além de receber tratamento
adequado ter apoio na autogestão da sua doença e acompanhamento regular (Pereira, Costa,
Sousa, & Jardim, 2012).
No entanto, na realidade os números indicam que 50 a 80% das pessoas diabéticas têm
défice de conhecimentos e menos de metade consegue um bom controlo glicémico no caso da
DM, a superação deste problema passa por encontrar técnicas e estratégias eficientes na
promoção do autocuidado e autocontrolo, de modo a capacitar a pessoa diabética para controlar
a sua patologia (Pereira, Costa, Sousa, & Jardim, 2012).
As evidências sugerem que as pessoas com doenças crónicas, como a DM, envolvidos
no seu tratamento e em programas de melhoramento da autoeficácia têm melhores ganhos em
saúde (Heisler, Piette, Spencer, Kieffer, & Vijan, 2005).
Uma das tentativas que têm vindo a ser apresentadas para dar resposta à assistência
da diabetes de forma eficiente é a substituição do modelo “complicance” pelo de “adherence”. O
conceito de adesão é definido como a utilização da medicação e outros procedimentos prescritos
tendo em conta o horário, dose e tempo de tratamento. Enquanto que o modelo da obediência
coloca a pessoa doente num papel passivo o modelo da aderência dá especial importância à
escolha livre da pessoa doente em aceitar as recomendações do tratamento, dando-lhe um papel
ativo no seu processo de tratamento (Lopes, 2015; Pereira, 2014).
29
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Ao desenvolver este plano devem ter-se em consideração alguns aspetos, tais como a
idade do paciente, a sua escolaridade, o seu horário e condições de trabalho, atividade física,
padrões alimentares, situação social e fatores culturais além da presença de complicações da
diabetes ou de outros problemas de saúde (American Diabetes Association, 2013).
30
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
31
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Esta versão de empoderamento elimina a noção de sucesso ou falha, dado que todos
os esforços representam oportunidades par aprender, com o suporte do profissional de saúde
ao longo de todo o processo.
No que diz respeito à DM, o conceito de empoderamento baeia-se nos seguintes factos:
O cuidado da DM é assegurado pela pessoa que vive com a doença no seu dia
a dia;
A DM afeta os aspetos emocional, espiritual, social, físico e cognitivo da vida da
pessoa;
As pessoas diabéticas beneficiam das escolhas do seu dia a dia como seu
autocuidado;
As pessoas diabéticas precisam não só de informação sobre a doença, mas
também sobre si próprias para tomar escolhas informadas.
32
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Relativamente à adesão à medicação, estudos indicam que 20 a 50% dos pacientes com
doenças crónicas não cumprem o regime medicamentoso estipulado (Kripalani, Yao, & Haynes,
2007).
Estudos referem que as pessoas diabéticas que têm melhor perceção do seu
empoderamento têm mais facilidade eu auto gerir a sua diabetes e aderem melhor ao tratamento
apresentando melhores resultados clínicos (D'Souza, Karkada, Hanrahan, Venkatesaperumal, &
Amirtharaj, 2015).
As pessoas com diabetes devem estar devidamente informadas sobre as suas próprias
necessidades e precisam para isso de ter conhecimentos sobre a sua patologia e seu
autocuidado. Estratégias de empoderamento dos pacientes devem ter em conta a sua
participação ativa nas atividades de autocuidado. Conseguir realizar as tarefas de autocuidado
de forma eficiente promove um sentido de recompensa e mestria no controlo glicémico o que
promove por sua vez a autoeficácia (D'Souza, Karkada, Hanrahan, Venkatesaperumal, &
Amirtharaj, 2015).
33
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
PARTE II
ESTUDO EMPÍRICO
34
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
CAPÍTULO 4 – METODOLOGIA
O presente estudo tem por finalidade contribuir para uma melhor adequação da ação de
combate e prevenção da diabetes bem como a redução dos custos inerentes, a partir da
evidência produzida, através do estudo da relação entre os conhecimentos da pessoa diabética
sobre a sua patologia e a sua capacidade de controlo e qualidade de vida.
35
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
O presente estudo é ainda transversal, dado a recolha de dados ter sido efetuada num
determinado momento atual. Trata-se ainda de um estudo observacional, dado que a intervenção
do investigador é nula.
Considera-se, na medida em que têm como metodologia a observação, registo e
descrição de um determinado fenómeno ocorrido numa amostra ou população. Neste tipo de
estudo o objetivo é apenas descrever o fato, especificando características e perfis de pessoas,
grupos ou comunidades através da recolha de dados efetuada (Mauro, Simões, Faria, &
Fontelles, 2009).
O carater descritivo-correlacional é-lhe conferido pelo interesse no estudo de descobrir
fatores relacionados com um determinado fenómeno, explorando e determinando a existência
de relações entre variáveis, com vista a descrever essas relações (Mauro, Simões, Faria, &
Fontelles, 2009).
36
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
1
O calculo da amostra foi efetuado através da aplicação disponível em [Link]
Para o efeito, tomamos por base os registos inerentes ao número (nº) de pessoas diabéticas
inscritas na consulta de diabetes entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2014 (18989 pessoas
diabéticas). Tendo em conta que os registos disponíveis incluem as pessoas com diabetes tipo
1 e tipo 2, assumimos que o número de casos da primeira (diabetes tipo 1) é cerca de 10% do
número total das pessoas diabéticas (Observatório Nacional de Diabetologia, 2015), logo a nossa
população em estudo é referente a N=17090 pessoas diabéticas tipo 2. Para o cálculo da amostra
foi aceite um intervalo de confiança de 95% e um erro amostral máximo de 5%, obtendo assim
uma amostra n=376 pessoas diabéticas tipo 2.. A amostragem respeitou os seguintes critérios
de inclusão:
37
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Como o próprio nome sugere, o termo variável reporta-se a caraterísticas ou atributos que
assumem diferentes valores ou categorias (Morais, 2005).
Considerando a natureza dos valores que podem assumir as variáveis podem ser classificadas
de duas formas: qualitativas e quantitativas. Quanto às variáveis qualitativas, os valores
possíveis são qualidades ou símbolos. A relação entre estes valores tem um sentido de igualdade
ou desigualdade. Estes descrevem tipos ou classes e podem ser: dicotómicas (quando
apresentam apenas duas categorias) e politómicas (quando se podem apresentar em três ou
mais categorias). Por sua vez, as variáveis quantitativas são representadas através de números
e podem ser discretas ou contínuas. O termo “discreta” é atribuído a variáveis cujos valores
assumem números inteiros e o termo “contínua” quando a variável assume intervalos de números
reais (Morais, 2005). Todas as variáveis do estudo foram devidamente identificadas para assim
poder elaborar as hipóteses de forma adequada e estudar as relações das mesmas.
Nível de
Tipo Caraterização Nome Operacionalização
Mensuração
Capacidade de
- Score DES-SF
controlo Quantitativa
Dependente
Conhecimentos - Score DKT Intervalar
QV - Score EQ-5D
- Masculino Qualitativa
Sexo
- Feminino Nominal
Idade - Anos
- Não sabe ler nem
escrever Qualitativa
Sociodemo- Habilitações - Ensino básico Ordinal
gráficas Literárias - Ensino secundário
- Ensino superior
Indepen-
- Só Qualitativa
dentes
Com quem vive - Acompanhado Nominal
Atividade Qualitativa
Lista predefinida1
profissional Nominal
Duração da Doença - Anos
IMC - Kg/m²
Quantitativa
HbA1c - % HbA1c
Clínicas Intervalar
Perímetro
- Cm
Abdominal
38
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
- Diariamente
- Semanalmente
Frequência
- Mensalmente
Avaliação Glicemia
- Trimestralmente
Qualitativa
- Outras
Nominal
- Só dieta
- ADO
Tipo de Tratamento
- Insulina
- ADO + Insulina
Patologias
Lista predefinida2 Qualitativa
Associadas
Nominal
Complicações Lista predefinida3
- Sim/ Não/ Às Qualitativa
Dieta
vezes Nominal
Qualitativa
Álcool Copos por dia
Ordinal
1
Lista pré-definida de atividades profissionais: Reformado; quadros superiores da administração publica; dirigente e
quadros superiores; técnico e profissional de nível intermedio de empresa; pessoal administrativo e similares; pessoal
dos serviços e vendedor; agricultor e trabalhador qualificado da agricultura e pescas; operário artífice e trabalhador
similar; operador de instalações e máquinas e trabalhador de montagem; trabalhador não qualificado; desempregado.
2Lista pré-definida de patologias associadas: HTA; dislipidemias; insuficiência cardíaca; obesidade; outras.
3Lista pré-definida de complicações: retinopatia; nefropatia; neuropatia; arteriopatia; doença cerebrovascular; doença
coronária
Para realizar a análise dos dados e averiguar as diferenças entre estas variáveis
procedeu-se em alguns casos ao seu reagrupamento. A divisão da variável sexo foi efetuada em
função das respostas feminino ou masculino, a idade foi repartida em indivíduos com menos de
65 anos e com 65 anos ou mais, as habilitações literárias formaram os grupos ensino básico e
superior ao ensino básico, a duração do diagnóstico dividiu-se em até 10 anos de diagnóstico e
diagnóstico igual ou superior a 10 anos, o IMC foi agrupado em normal e de risco, a HbA1C foi
agrupada em valores inferiores a 6,5% e iguais ou superiores ao mesmo, uma vez que é
considerado existir um controlo glicémico ótimo quando os níveis não excedem este valor, a
atividade profissional foi subdividida nos grupos ativo (empregado) e não ativo (desempregado
ou reformado).
39
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Muitas definições são propostas para o termo hipótese. Segundo Huot (2002), citado por
(Morais, 2005) “a hipótese de investigação é a resposta temporária, provisória, que o investigador
propõe perante uma interrogação formulada a partir de um problema de investigação”.
40
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
A escolha dos instrumentos teve em conta a possibilidade dos mesmos serem aplicados
a um grande número de indivíduos de forma anónima, promovendo assim uma resposta livre de
influências.
No que se refere aos dados sobre a capacidade de autocontrolo, foi escolhida a Escala
de Capacidade de Controlo da Diabetes – Versão Breve (Anexo II), versão portuguesa da
“Diabetes Empowerment Scale - Short Form” (DES-SF), este questionário deriva do Diabetes
Empowerment Scale (DES), um questionário com 37 itens, constituído por oito dimensões
conceptuais: 1 - avaliação da necessidade de mudança, 2 - desenvolvimento de um plano, 3 -
superação de barreiras, 4 - apoio a si mesmo, 5 - lidar com a emoção, 6 - pedido de apoio, 7 -
auto motivação, e 8 - escolha de cuidados para a diabetes apropriada segundo a prioridade e
circunstância. O questionário original foi posteriormente reduzido por análise fatorial para 28 itens
e mais tarde deu origem ao DES-SF, com oito itens, cada um correspondente a cada uma das
oito dimensões conceptuais originais, permitindo uma breve avaliação global da tomada de
decisão e controlo da diabetes (Anderson, Funnel, Fitzgerald, & Marrero, 2000).
Para obter dados dos conhecimentos sobre a diabetes foi escolhido o Teste de
Conhecimentos sobre a Diabetes (Anexo III), versão portuguesa do “Diabetes Knowledge Test”
(DKT) uma vez que explora várias áreas do conhecimento da pessoa diabética.
41
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
itens é dirigida a pessoas que não fazem tratamento com insulina e os restantes 9 itens são
dirigidos a pessoas insulinotratadas, no entanto o questionário adequa-se a qualquer pessoa
com diabetes, insulinotratada ou não (Fizgerald, et al., 1998). A pontuação foi determinada pela
percentagem de respostas corretas, pela percentagem de respostas incorretas de maior
frequência e pela percentagem de perguntas sem resposta (Murata, et al., 2003).
Para obter informação sobre a qualidade de vida relacionada com a saúde foi usado o
questionário EuroQol-5 Dimensions 5 Levels (EQ-5D-5L), versão portuguesa (Anexo IV). Trata-
se de um questionário que permite avaliar a qualidade de vida relacionada com a saúde, dividido
em cinco dimensões: mobilidade; cuidados pessoais; dor/mal-estar; ansiedade/depressão. Cada
uma das dimensões permite cinco respostas, que caracterizam diferentes níveis de severidade
(nenhum problema; problema ligeiro; problema moderado; problema grave; problemas
extremos). Também inclui uma escala analógica visual (EAV) em que o paciente gradua o seu
estado geral de saúde de 0 (pior imaginável) a 100 (melhor imaginável). A pontuação do índice
é gerada através de um algoritmo, com base nas preferências das respostas recolhidas das cinco
dimensões. O índice EQ-5D-5L situa-se numa escala de 1 (saúde perfeita) a 0 (morte), admitindo,
contudo, valores negativos correspondentes a estados de saúde considerados como piores do
que morte. Para a população portuguesa está definido o intervalo de -0,5 e 1,0 (Ferreira L. N.,
Ferreira, Pereira, & Oppe, 2014; Nolan, et al., 2016).
42
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Entende-se por consistência interna a homogeneidade dos enunciados dos itens que
constituem uma determinada escala, quanto mais correlacionados estiverem esses enunciados
maior é a consistência interna do instrumento.
No que se refere ao DKT, o estudo efetuado por Fitzgerald et al. (1998) apresenta um
coeficiente α ≥ 0,7, sendo assim considerado um instrumento fiável.
43
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
relevância possível. Assim a participação das pessoas neste estudo foi totalmente voluntária,
sendo assegurado o total anonimato, sendo entregue a cada participante um modelo de
consentimento informado livre e esclarecido (Anexo V). Com o intuito de ser facultada a
autorização para a recolha dos dados foi realizado e entregue um pedido ao Presidente da
Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) (Anexo VI), seguindo as
recomendações do documento guia realizado pela Comissão de Ética da referida instituição.
Após a devida apreciação pela Comissão de Ética, foi autorizada a recolha de dados necessária
ao estudo (Anexo VII).
44
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
CAPÍTULO 5 – RESULTADOS
Neste capítulo, procede-se à apresentação e análise dos dados e resultados obtidos através
da aplicação dos instrumentos de recolha de dados, assim como das técnicas estatísticas aplicadas.
A amostra foi construída por 377 indivíduos, dos quais 46% são do sexo feminino e 54% do
sexo masculino.
Relativamente à idade da amostra, a média encontrada ± desvio padrão (dp) foi de 64,5
anos ± 11,3. O valor mínimo de idade da amostra foi de 25 anos e o valor máximo de 95 anos. Da
distribuição, por grupos etários, constatou-se que os grupos predominantes apresentavam idade
igual ou superior a 65 anos (56,1%) sendo a faixa etária com menor percentagem de indivíduos a
de menos de 65 anos (43,9%).
45
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Tabela 2 – Descrição da amostra segundo o sexo, grupo etário, habilitações literárias, situação profissional e
suporte social.
Variável n %
Feminino 173 46,0
Sexo
Masculino 203 54,0
<65 165 43,9
Grupo Etário
≥65 211 56,1
Até ao Ensino Básico 211 56,0
Habilitações Literárias
Superior ao Ensino Básico 166 44,0
Não ativo 99 72,0
Situação profissional Ativo 255 28,0
Vive só 76 20,2
Suporte Social Vive acompanhado 301 79,8
Nota: n=377
Quanto aos dados de monitorização, que demonstram o controlo da doença e que podem
ser considerados fatores de risco para o aparecimento de complicações da DM, podemos visualizá-
los também nesta tabela, nomeadamente o Índice de Massa Corporal (IMC), a percentagem de
HbA1c, as patologias coexistentes e o perímetro abdominal. É de salientar que a grande maioria da
amostra possui excesso de peso (78,2%).
Relativamente ao IMC, os valores recomendados pela DGS vão de 18,5 a 24,9. A média ±
dp da amostra é de 29,44±8,03.
46
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
No que diz respeito à HbA1c, os valores recomendados pela DGS e pelo IDF (<6,5%),
apenas 8,3% dos indivíduos apresentam valores ótimos neste índice. A média ± dp da amostra é de
8,2±1,5.
No que diz respeito à adesão a um estilo de vida saudável, verificámos que 33,8% dos
indivíduos cumprem a dieta diariamente, 26,5% não cumpre o que lhe foi prescrito a nível alimentar
e 39,3% cumpre às vezes o regime alimentar.
Quanto á prática de exercício físico a maioria dos inquiridos (60,6%) afirma não praticar
qualquer atividade.
O conjunto das variáveis referidas permite assim uma avaliação clínica global dos
participantes inquiridos.
Tabela 3 – Descrição da amostra segundo o tempo de diagnóstico, IMC, HbA1C, patologias coexistentes, adesão à
dieta, frequência de avaliação da glicémia capilar e prática de exercício físico.
Variáveis Clínicas n %
Até 10 anos 263 28,7
Duração diagnóstico
Superior a 10 anos 106 71,3
Normal (≤25) 82 21,8
IMC
Excesso de Peso (≥25) 295 78,2
47
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Por último, em relação às complicações da diabetes, podemos verificar que a maioria dos
inquiridos apresenta complicações (57,4%). Das complicações especificadas, a que apresenta
maior prevalência na nossa amostra é a retinopatia, presente em 33,7% dos inquiridos como
podemos visualizar na figura seguinte (ver Figura 2).
48
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Neste subcapítulo serão analisados os scores obtidos nos diferentes instrumentos de colheita de
dados utilizados durante a investigação. Relativamente ao questionário DES-SF, em termos de
fiabilidade, obteve-se um Alpha (α) de Cronbach de 0,889 o que segundo Maroco e Garcia Marques
(2006) revela uma boa consistência interna.
A média global foi de 3,75 ± 1,16. Com base na tabela 4 verificámos que os itens 6 “...posso pedir
ajuda por ter e para tratar a diabetes sempre que necessito”, 7 “...sei o que me ajuda a estar
motivado(a) para cuidar da minha diabetes.” e 8 “...me conheço suficientemente bem para fazer as
melhores escolhas para cuidar da minha diabetes” possuem as médias mais elevadas, com
respetivamente 4,17 ; 3,92 e 3,93. Em oposição, os itens 2 “...consigo atingir as metas relativas à
minha diabetes” e 3 “...posso encontrar diferentes formas de ultrapassar os problemas para atingir
as metas relativas à minha diabetes”, obtiveram médias bastantes mais baixas relativamente à
média global, com respetivamente 3,42 e 3,45.
Em geral, eu acredito que: (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7)
1. ...sei identificar os aspetos dos
cuidados a ter com a minha diabetes 13 29 104 116 110 3,75 1,07
com os quais estou insatisfeito.
2. ...consigo atingir as metas relativas 37 60 76 108 93 3,42 1,28
à minha diabetes.
3. ...posso encontrar diferentes 36 53 76 121 86 3,45 1,25
formas de ultrapassar os problemas
para atingir as metas relativas à minha
diabetes.
4. ...consigo arranjar forma de me 20 29 67 139 118 3,82 1,12
sentir melhor mesmo tendo diabetes.
5. ...sei como lidar de forma positiva 40 52 56 105 121 3,58 1,35
com o stress relacionado com a minha
diabetes.
6. ...posso pedir ajuda por ter e para 13 14 41 132 172 4,17 1,00
tratar a diabetes sempre que
necessito.
7. ...sei o que me ajuda a estar 14 31 64 124 141 3,93 1,10
motivado/a para cuidar da minha
diabetes.
49
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
No que diz respeito ao questionário DKT, este apresenta um índice global médio ± dp de 60,10 ±
17,49. As perguntas que apresentaram uma percentagem de resposta correta inferior a 50% são
apresentadas na tabela 5.
Todas as outras questões apresentaram médias superiores a 50% na resposta correta. O resultado
completo do questionário pode ser consultado no anexo VIII.
Tabela 5 – Perguntas do questionário DKT (Teste de conhecimentos sobre a diabetes) em que metade ou mais de
metade da amostra respondeu incorretamente.
50
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
n %
1. Mobilidade
Não tenho problemas em andar 217 58,2
Tenho problemas ligeiros em andar 62 16,2
Tenho problemas moderados em andar 63 16,9
Tenho problemas graves em andar 29 7,8
Sou incapaz de andar 2 0,5
2. Cuidados Pessoais
Não tenho problemas em me lavar ou vestir 310 83,1
Tenho problemas ligeiros em me lavar ou vestir 44 11,8
Tenho problemas moderados em me lavar ou vestir 13 3,5
Tenho problemas graves em me lavar ou vestir 3 0,8
Sou incapaz de me lavar ou vestir sozinho/a 3 0,8
51
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
4. Dor / Mal-estar
Não tenho dores ou mal-estar
162 43,4
Tenho dores ou mal-estar ligeiros
91 24,4
Tenho dores ou mal-estar moderados
86 23,1
Tenho dores ou mal-estar graves
29 7,8
Tenho dores ou mal-estar extremos
5 1,3
5. Ansiedade/Depressão
Não estou ansioso/a ou deprimido/a 138 37,1
Estou ligeiramente ansioso/a ou deprimido/a 66 17,7
Estou moderadamente ansioso/a ou deprimido/a 90 24,2
Estou gravemente ansioso/a deprimido/a 44 11,8
Estou extremamente ansioso/a ou deprimido/a 34 9,1
Nota: n=377
Neste subponto apresentamos o estudo das hipóteses referidas na metodologia. Neste contexto
verificamos previamente o pressuposto da normalidade da distribuição, através do coeficiente de
assimetria e curtose. Os resultados obtidos não se situam entre (-3;3) (Tabela 7), contrariando neste
caso o pressuposto da distribuição normal, nos termos propostos por Kline (2004). (Kline, 2004)
Desta forma, utilizamos o coeficiente de correlação de Spearman (teste não paramétrico).
Subsequentemente tentamos verificar diferenças em função das variáveis sociodemográficas e
clínicas dos participantes nas três escalas, para tal, aplicamos o Teste T.
52
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Como se pode verificar na tabela 8, detetamos uma associação positiva muito significativa entre a
capacidade de controlo e os conhecimentos associados à doença (r sp=0,190, p<0,001) e entre o
primeiro domínio em análise e a qualidade de vida (rsp=0,451, p<0,001). Adicionalmente, apuramos
uma correlação muito positiva entre os conhecimentos face à diabetes e a qualidade de vida
(rsp=0,329, p<0,001). Ou seja, valores mais elevados em um dos fatores estão associados a scores
mais elevados nos restantes. Neste sentido, aceitamos a hipótese 1.
Tabela 8 – Associação entre as escalas que avaliam a capacidade de controlo (DES-SF), os conhecimentos (DKT) e
a qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).
Na tabela 9 é possível observar o efeito do sexo nas três escalas aplicadas neste estudo. Desta
forma, encontramos diferenças de elevado significado estatístico ao nível da capacidade de controlo
(t=-2,62, p<0,001) e da qualidade de vida (t=-5,19, p<0,001). Assim, os participantes do sexo
masculino efetuaram uma avaliação mais positiva nestes domínios em análise.
Por este motivo, aceitamos parcialmente a hipótese 2, visto que não encontramos diferenças
significativas face aos conhecimentos da diabetes.
Tabela 9 – Efeito da variável sexo ao nível da capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e qualidade
de vida em saúde (EQ-5D-5L).
53
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
H3: Os participantes mais jovens evidenciaram uma maior capacidade de controlo, maiores
conhecimentos e mais qualidade de vida em saúde face à diabetes tipo 2.
Adicionalmente, na tabela 10, podemos observar que foram apuradas diferenças estatisticamente
muito significativas em função da idade ao nível dos conhecimentos sobre a diabetes (t=4,48,
p<0,001) e da qualidade de vida (t=4,45, p<0,001).
Assim, os participantes com menos de 65 anos, evidenciaram índices superiores nos dois domínios
referidos anteriormente. Portanto, aceitamos parcialmente a hipótese 3.
Tabela 10 – Efeito da variável idade na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e qualidade de vida
em saúde (EQ-5D-5L).
Tabela 11 – Efeito da variável habilitações literárias na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e
qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).
54
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Relativamente aos resultados das hipóteses referentes às variáveis clínicas, estes são
enunciados em seguida, iniciando estes, com a hipótese 5.
H5: Os participantes com índices de Hemoglobina Glicada elevados apresentam menor capacidade
de controlo, menos conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes tipo 2.
Como se pode verificar na tabela 12, existe uma diferença estatisticamente muito significativa no
que diz respeito à capacidade de controlo (t=5,86, p<0,001) e qualidade de vida (t=2,33, p<0,05)
relativamente aos valores de HbA1c, apresentando os participantes com valores mais elevados
deste parâmetro clínico uma qualidade de vida inferior e menor capacidade de controlo da diabetes.
Não foi encontrada diferença estatística significativa relativamente aos conhecimentos sobre a
doença, apesar da média ser superior nos participantes com valores dentro do normal, pelo que se
aceita parcialmente a hipótese 5.
Tabela 12 – Efeito da variável Hemoglobina Glicada (HbA1c) na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos
(SKT e qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).
H6: Os participantes que praticam exercício físico apresentam melhor capacidade de controlo,
conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes tipo 2.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Tabela 13 – Efeito da variável prática de exercício físico na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT)
e qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).
H7: Os participantes com mais anos de diagnóstico apresentam melhor capacidade de controlo,
conhecimentos e qualidade de vida em saúde relativamente à diabetes tipo 2.
Tabela 14 – Efeito da variável duração do diagnóstico na capacidade de controlo (DES-SF), conhecimentos (DKT) e
qualidade de vida em saúde (EQ-5D-5L).
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
respectivamente 4,17, 3,92 e 3,93, o que demonstra que a maioria dos sujeitos possui um bom
suporte social percebido, sente-se motivado para tomar conta de si próprio e sente conhecer-se
suficientemente bem para conseguir controlar a sua patologia. Por outro lado, os itens 2 e 3
obtiveram as médias mais baixas, 3,42 e 3,45 respectivamente, o que demonstra que a maioria dos
sujeitos assume não conseguir atingir as metas relativas à sua DM e não conseguir encontrar formas
de ultrapassar os problemas relativos a esta patolgia. Os valores encontrados acima da média em
alguns dos itens não se traduzem numa melhor capacidade de controlo como podemos observar
pelos elevados valores de HbA1c e IMC encontrados.
Relativamente ao DKT, este um índice global médio ± dp foi de 60,10 ± 17,49. Podemos
constatar um conhecimento da diabetes suscetivel de ser muito melhorado.
Ao analisar as perguntas com maior percentagem de respostas erradas percebemos que
existe um conhecimento por parte dos participantes, relativamente aos alimentos com maior
quantidade de gordura e também em distinguir alimentos ricos em açucar, bem como relativamente
a termos relacionados com a doença, nomeadamente a cetoacidose (nas pessoas insulino tratadas).
Esta falta de conhecimento é preocupante, na medida em que se tratam de factores fundamentais
para o controlo da doença. O baixo conhecimento sobre a diabetes em pessoas com diabetes tipo
2 surge evidenciado em vários estudos nacionais (Morais et al, 2015) e internacionais (Adsani,
Moussa, Jasem, Abdella, & Hamad, 2009; Murata et al., 2003).
Ao analisar as respostas do EQ-5D-5L verificamos que os problemas de Mobilidade, Dor/Mal estar
e Ansiedade/Depressão são os mais comuns, nos quais 16,9%, 24,4% e 24,2% respetivamente,
dos indíviduos indica sentir moderadamente estes problemas. O índice EQ-5D-5L apresentou a
média de 0,80 com um desvio padrão de 0,22. Tratando-se de um instrumento desenvolvido e
validado recentemente a comparabilidade dos resultados encontra-se comprometida. De facto, o
questionário utilizado neste estudo permite uma classificação mais específica, na medida em que
cada uma das cinco dimensões possui uma escala de likert de cinco niveis. Como meramente
indicativo, pode-se referir que a versão anterior (EQ-5D-3L) apresenta uma média de 0,758 para a
população portuguesa saudável (Ferreira Ferreira, Pereira, & Oppe, 2014),
A avaliação da primeira hipótese em estudo permitiu constatar a existência de associação
entre a capacidade de controlo da diabetes, o conhecimento da doença e qualidade de vida em
saúde. Esta associação já foi encontrada em outros estudos, que referem que o aumento do controlo
glicémico está diretamente associado a níveis de conhecimento sobre a diabetes mais elevados
(Colleran, Starr & Burge, 2003; Fernando, 1993; Lo, Lo, Wells, Chard, & Hathaway, 1995).
Este estudo permitiu encontrar de igual uma associação positiva entre a capacidade de
controlar a diabetes e a qualidade de vida em saúde. Esta constatação é concordante com alguns
estudos anteriormente realizados onde é referida a adesão a um regime de autocuidado como uma
caraterística de autogestão ativa da pessoa diabética como um condicionante na redução da
mortalidade e incapacidade, promovendo assim a melhoria da qualidade de vida e a redução dos
custos em cuidados de saúde (Gallagher, Viscoli & Horwitz, 1993; Horwitz et al.1990). Outros
estudos corroboram estes pressupostos, na medida em que tendo incidido em pessoas com
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
A importância deste parâmetro analítico prende-se com o facto de ser uma das formas de
diagnóstico da diabetes, devido à associação que mantém com as complicações desta patologia
(ADA,2014). Estudos referem, que a falta de conhecimentos sobre a diabetes e dos objetivos do
tratamento podem constituir uma das razões para o baixo nível de controlo dos fatores de risco
associados (Berikai, Meyer, Kazlauskaite, Savoy, Kozik, & Fogelf, 2007). Neste estudo verificou-se
uma média mais elevada relativamente aos conhecimentos da diabetes nos participantes com
HbA1c dentro do valor normal mas não foi encontrada uma diferença estatisticamente significativa
comparativamente aos participantes com valores de HbA1c considerados não aceitáveis para um
bom controlo metabólico ser mantido.
A sexta hipótese permitiu avaliar o efeito do exercício físico que se comprovou ser
significativo ao nível da capacidade de controlo e da qualidade de vida em saúde. Relativamente ao
nível de conhecimento da diabetes não se constatou diferença estatística significativa, porém,
segundo vários autores o nível de conhecimento sobre a diabetes potencia a adoção de estilos de
vida mais saudáveis. Os mesmos indicam que a implementação de programas de educação
terapêutica com a finalidade de melhorar os conhecimentos das pessoas com diabetes em relação
a pratica de exercício e alimentação saudável favorecem a manutenção de um bom controlo
glicémico (Berikai, Meyer, Kazlauskaite, Savoy, Kozik, Fogelf, 2007).
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que não o pratica, vai ao encontro de vários estudos (Macedo, Garavello, Oku, Miyagusuku, Agnoll,
& Nocetti, 2012; Kaplan, Hartwell, Wilson, & Wallace, 1987) que evidenciam melhorias na qualidade
de vida quando as pessoas seguem um programa de exercício físico moderado e acompanhado.
Quanto à hipótese 7, relacionada com a duração do diagnóstico, apenas foi encontrada uma
associação de elevado significado estatístico com a qualidade de vida em saúde e também uma
associação estatisticamente significativa entre este parâmetro e os conhecimentos sobre a diabetes
tipo 2, tendo as pessoas com diagnóstico superior a de 10 anos obtido piores resultados nas três
escalas. Outros autores sugerem um aumento da capacidade de controlo com o aumento da
duração da doença, mas esta diferença não possuiu significado estatístico (Cunha et al., 2014; Aghili
et al., 2013).
Esta associação não se verifica no intervalo de duração de diagnóstico, muito pelo contrário
se verifica o contrário. Os resultados não vão de encontro a alguns estudos realizados que sugerem
que um aumento do tempo de diagnóstico da doença pode ter uma influência positiva no
autocuidado causada pelo aumento de conhecimentos que a vivência com a doença possibilita
(Adsani et al., 2009). No entanto o surgimento de complicações que advém de um mau controlo
glicémico ao longo dos anos pode estar relacionado com esta diminuição ao nível da qualidade de
vida em saúde constatada.
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CONCLUSÕES
A Diabetes Mellitus é uma doença crónica que ao longo dos últimos anos tem vindo a
aumentar a sua prevalência não só na população portuguesa mas em todo o mundo.
Este aumento da prevalência, em grande parte justificado pela alteração do estilo de vida e
envelhecimento das populações necessita de uma resposta efetiva por parte dos Sistemas de
Saúde. A evolução da eficiência verificada no tratamento da doença aguda ao longo dos últimos
anos não se constata no tratamento da doença crónicas, o que comprova a necessidade de investir
em estratégias de capacitação e empoderamento, melhorando a literacia em saúde das pessoas
doentes e de apostar em medidas preventivas na população em geral, aumentando o
esclarecimento e elucidando as pessoas sobre esta problemática atual.
Em Portugal, o Observatório Nacional da Diabetes no seu relatório do ano 2014, apresenta
dados sobre a diabetes em Portugal em 2040 onde a prevalência da DM ou de alterações na
hiperglicemia intermédia (face à distribuição da população estimada) foi de 40%, nos indivíduos com
idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, o que corresponde a aproximadamente 3,1 milhões
de pessoas, sendo que destas aproximadamente 2 milhões tem diagnóstico de DM confirmado.
Perante este aumento preocupante de prevalência, uma das abordagens que esta
investigação comtempla refere-se à valorização do empoderamento da pessoa com diabetes e da
sua literacia em saúde na generalidade do termo. A complexidade do tratamento inerente a esta
patologia e ao papel significativo da própria pessoa doente no seu autocuidado diário, torna
imperativo que este tenha capacidade para gerir o seu controlo glicémico e a sua saúde, sendo por
isso sugerida o desenvolvimento de estratégias efetivas nesse sentido.
A literacia em saúde surge como uma estratégia efetiva, trata-se de um processo de
aprendizagem contínuo que permite capacitar o individuo para o alcance dos seus objetivos,
desenvolvendo as suas competências e conhecimentos e melhorando a comunicação entre
profissionais de saúde e utentes aumentado o grau de participação do próprio na manutenção do
seu bom estado de saúde.
A capacidade de controlo da DM foi uma das medidas avaliadas nesta investigação, por se
tratar de um componente fundamental no tratamento desta patologia. A pessoa com diabetes
precisa de integrar no seu dia-a-dia mudanças exigidas pela terapêutica e interpretar os efeitos da
medicação e da sua alimentação, sendo capaz de assumir o controlo da sua saúde. Para que tal
seja possível, depende de nós como profissionais de saúde, compreender as dificuldades sentidas
pelas e pessoas e aplicar na nossa vida profissional o conceito de capacitação/empoderamento
junto das pessoas com DM.
Neste sentido, tendo em conta as dificuldades inerentes à aplicação da terapêutica por parte
das pessoas com diabetes, verificou-se através de uma revisão de literatura que pessoas com DM
com baixa literacia em saúde e um reduzido grau de capacitação possuem piores resultados em
saúde, nomeadamente uma menor qualidade de vida relativamente às pessoas diabéticas com
literacia adequada e melhor grau de capacitação.
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mulheres. Contudo, relativamente aos conhecimentos sobre a doença não foram encontradas
diferenças estatisticamente significativas entre os sexos, ou seja, apesar dos homens serem mais
capacitados em relação às mulheres, estes não possuem melhores níveis de conhecimentos, o que
terá de ser levado em conta nas abordagens de educação terapêutica.
Quanto à idade, o estudo revelou que as pessoas diabéticas com menos de 65 anos
evidenciaram melhores conhecimentos sobre a doença e melhor QV. Todavia, relativamente à
capacidade de controlo da doença não foi encontrada diferença estatística significativa entre os dois
grupos estudados de acordo com a idade, isto é, apesar de os indivíduos mais jovens possuírem
melhores níveis de conhecimentos estes não apresentam melhor perceção de capacidade de
controlo da doença.
Também concluímos que participantes com mais habilitações literárias (superior ao ensino
básico) apresentavam melhor qualidade de vida e melhores conhecimentos do que os restantes.
Em relação à capacidade de controlo da doença não se verificou diferença estatisticamente
significativa.
No que diz respeito às variáveis clínicas, nomeadamente a duração do diagnóstico,
constatou-se que as pessoas diabéticas com um diagnóstico igual ou superior a 10 anos possuíam
pior qualidade de vida e piores conhecimentos. Isto pode justificar-se com o aparecimento de
complicações que decorre da evolução da doença e de um mau controlo glicémico. Relativamente
à perceção da capacidade de controlo não foram encontradas diferenças estatisticamente
significativas. Isto sugere a necessidade de uma atenção maior às pessoas com diagnósticos mais
longos e à importância da manutenção de um bom controlo glicémico desde o momento em que a
doença surge bem como de educação para lidar com a diabetes constante e não apenas numa fase
inicial de diagnóstico.
Por último, no que diz respeito à pratica de exercício físico, os participantes que praticam
demonstram melhor capacidade de controlo da doença também melhor qualidade de vida em
saúde. Em relação aos conhecimentos não foi encontrada evidencia estatística de desigualdade
entre os grupos. Apesar das pessoas que praticam exercício físico se sentirem mais capacitadas
relativamente à diabetes, possuem também uma preocupação maior com o seu estado de saúde
mas não se verifica melhores conhecimentos em relação à doença o que reconhece a necessidade
de rever as medidas de educação terapêutica, dado esta preocupação e responsabilização não ser
neste caso fruto do nível de conhecimentos.
Relativamente à HbA1c, constatamos que indivíduos com valores considerados ótimos
(<6,5%) sentem uma maior perceção de capacidade de controlo da diabetes face aos restantes. Em
relação à qualidade de vida e aos conhecimentos não verificou diferença estatística entre os grupos.
Em resumo, apesar dos indivíduos apresentarem uma perceção da qualidade de vida em
saúde e da capacidade de controlo da diabetes acima da média, podemos concluir que a maioria
dos participantes revela parâmetros de controlo da doença acentuadamente abaixo do
recomendado, nomeadamente no que diz respeito ao IMC, HbA1c, prática de exercício e adesão à
dieta. Estes resultados merecem alguma preocupação, de facto o conhecimento sobre a patologia
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é necessário para autogerir um bom estado de saúde e um bom controlo glicémico o qual depende
maioritariamente da própria pessoa diabética no seu dia-a-dia.
Neste sentido, é importante apostar em intervenções em saúde comprovadamente efetivas
na melhoria da literacia em saúde, capacidade de controlo da doença e da qualidade de vida e que
promovam melhorias significativas. Os profissionais de saúde precisam de possuir competências
nesta área e ainda mais importante, precisam de melhorar as suas capacidades de comunicação e
relacionamento com o doente de modo a que este se sinta envolvido como parte integrante e
fundamental do seu processo de tratamento. Importa que as situações em que as pessoas
diabéticas que apresentem controlo glicémico inadequado sejam capacitadas e se tornem
cooperantes efetivos e igualmente responsáveis pela manutenção do seu bom controlo glicémico.
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
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Yanguas, J. J., Leturia, F. J., Leturia, M., & Uriarte, A. (2002). Intervención Psicosocial en
Gerontología: manual práctico (2ª Edição ed.). Madrid.
82
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
ANEXOS
83
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
84
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
85
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
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Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
ANEXO IV – CONTINUAÇÃO
89
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
ENQUADRAMENTO
A sua principal finalidade é contribuir para uma melhor adequação da ação de combate e prevenção da
diabetes, a partir da evidência produzida. Desta forma, foi delineado o seguinte objetivo geral: avaliar os
conhecimentos, a capacidade de autocontrolo e a qualidade de vida das pessoas diabéticas tipo 2 seguidas
na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) quanto à sua patologia.
EXPLICAÇÃO DO ESTUDO
Para efeitos deste estudo serão utilizados quatro instrumentos: Questionário de caraterização
sociodemográfica e clínica; Escala de Capacidade de Controlo da Diabetes – versão breve (DES-SF);
Teste Breve de Conhecimentos sobre a Diabetes (DKT); Questionário para a Qualidade de Vida
EuroQol (EQ-5D- 5L).
A amostra será selecionada através de amostragem probabilística aleatória simples constituída por todas
as pessoas com diagnóstico de diabetes tipo 2 acompanhadas em consulta de diabetes na APDP.
Será pedido às pessoas seguidas na APDP em consulta ou procedimento relacionado com o seu
acompanhamento o preenchimento dos questionários. Trata-se de um preenchimento único que na
totalidade demorará cerca de 15 minutos.
CONDIÇÕES E FINANCIAMENTO
Este estudo é financiado pelo próprio investigador, sendo que integra o projeto de tese de Mestrado em
Gestão de Unidades de Saúde da APNOR.
A participação neste estudo é voluntária e não existe qualquer prejuízo, assistencial ou outro, caso não
queira participar ou decida desistir.
O desenvolvimento do estudo só será efetuado mediante apreciação pela Comissão Ética da APDP e
atribuição de parecer favorável à sua realização.
90
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
ANEXO V - CONTINUAÇÃO
CONFIDENCIALIDADE E ANONIMATO
Fui abordado/a pela responsável do estudo (Helena Isabel Melo dos Santos);
Recebi informação que considero suficiente sobre o estudo;
Permito a utilização dos dados que de forma voluntaria forneço, unicamente para esta
investigação, sendo garantida o anonimato e confidencialidade;
Compreendi que a minha participação no estudo é voluntária;
Fui informado que a minha participação neste estudo não me confere o direito a qualquer tipo
de remuneração;
Compreendi que posso desistir quando desejar, não sendo de forma alguma comprometidos os
futuros cuidados que receberei dos profissionais de saúde;
Concordo em participar neste estudo de livre vontade.
91
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
92
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
93
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
A Alimentação do Diabético é:
Margarina 32 9,0
Milho 88 24,3
Mel 90 24,9
94
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
3 rebuçados/caramelos. 43 13,1
8
1/2 copo de sumo de laranja 25 7,6
95
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
96
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
Vómitos* 55 16,4
97
Avaliação de conhecimentos, empoderamento e qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2
21 Sobe 58 17,2
98