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Fundamentos da Psicanálise de Freud

O texto aborda a Psicanálise, destacando Freud como seu fundador e suas principais ideias sobre a vida mental, incluindo a diferenciação entre consciente e inconsciente. Freud argumenta que impulsos inconscientes, especialmente relacionados à sexualidade infantil, influenciam o comportamento humano e são reprimidos pela sociedade. O documento também menciona o método psicoterápico da Psicanálise, que evoluiu do procedimento catártico para a associação livre, e discute pesquisas recentes que corroboram e questionam algumas das teorias de Freud sobre os sonhos.

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Fundamentos da Psicanálise de Freud

O texto aborda a Psicanálise, destacando Freud como seu fundador e suas principais ideias sobre a vida mental, incluindo a diferenciação entre consciente e inconsciente. Freud argumenta que impulsos inconscientes, especialmente relacionados à sexualidade infantil, influenciam o comportamento humano e são reprimidos pela sociedade. O documento também menciona o método psicoterápico da Psicanálise, que evoluiu do procedimento catártico para a associação livre, e discute pesquisas recentes que corroboram e questionam algumas das teorias de Freud sobre os sonhos.

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SMAB/ FATEO – Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Brasília

Curso: Bacharelado em Filosofia Disciplina: Introdução à Psicologia –


2025.

Texto retirado da obra: Psicologia: introdução aos princípios básicos do


comportamento. Alencar, Eunice [Link] de. 4 Ed. Editora Vozes.
1980.p.48-50.

A PSICANÁLISE

Da mesma forma como Watson e Wertheimer são creditados como


fundadores do Behaviorismo e da Gestalt, a Psicanálise tem em Freud ( 1856-
1939) o seu principal representante e fundador. Na época de Freud, a
Psicologia era definida como a ciência das experiências conscientes, sendo
estas estudadas através do método de introspecção. Apenas os processos a
que o indivíduo tinha consciência eram considerados objetos de estudo da
Psicologia. Inúmeros fenômenos que aparentemente deveriam pertencer ao
campo de estudo da Psicologia eram abordados pela Psicologia da
Consciência. Freud discordou tanto de Wundt, por considerar a introspecção
insuficiente para alcançar todos os fenômenos da vida mental do sujeito,
quanto ao Behaviorismo, uma vez que este se restringia apenas ao estudo dos
aspectos observáveis do comportamento.

As ideias básicas de Freud a respeito da vida mental foram


desenvolvidas a partir de suas observações de indivíduos com problemas
mentais. Foram estas observações que o levaram à diferenciação do psiquismo
em consciente e inconsciente e este, por sua vez, em duas classes: o
inconsciente latente, capaz de consciência, e o inconsciente reprimido, incapaz
de consciência. O latente, que é inconsciente no sentido dinâmico, Freud
denominou de Pré-consciente. É esta diferenciação a premissa fundamental da
Psicanálise Freud (1968).

Um dos pressupostos mais importantes para explicar o comportamento


humano diz respeito aos impulsos inconsciente e às defesas contra eles.
Segundo Freud, a criança, no início da vida, é quase que inteiramente um
complexo de impulsos instintivos. Certos impulso (notadamente os impulsos
destrutivos, incestuosos) são considerados inaceitáveis pela sociedade que
proíbe a sua expressão. Uma criança pode ser, por exemplo, severamente
punida ou, pelo menos, ameaçada por seus pais quando tente manifestar os
seus impulsos inaceitáveis. Sob ameaça de punição e perda do amor, tais
impulsos e fantasias associadas a eles são removidos da consciência, sendo
reprimidos e passando para o inconsciente. Porém, por estarem ligados a
certos impulsos biológicos básicos, os impulsos e ideias reprimidos lutam por
uma saída. Eles se manifestam de uma maneira ou de outra através dos
sonhos, maneirismos, sintomas neuróticos, lapsos de memória e erros de
linguagem. Podem ser canalizados também através de comportamentos
socialmente aceitos, como artes, literatura e atitude científica.

Um aspecto também enfatizado por Freud diz respeito à sexualidade


infantil. Suas investigações analíticas com adultos levaram no a concluir que a
relação da criança com os pais inclui elementos de excitação sexual. A criança
veria em um de seus progenitores o objeto de seus desejos eróticos. No caso
do menino, os seus desejos seriam dirigidos à mãe, resultando no que Freud
chamou de Complexo de Édipo, devido ao célebre mito grego do rei Édipo que
matou o seu pai para tomar a mãe como mulher. Este complexo reflete o
desejo infantil inconsciente pela mãe que influi no comportamento do menino. À
medida que este desejo se torna mais forte, o menino compete com o pai. Isto
resultaria em outro complexo – o complexo de castração – no qual o menino
teme a vingança do pai. Este temor ajudaria o menino a resolver o complexo de
Édipo, levando-o a renunciar os seus desejos com a mãe e a se identificar com
o pai.

A Psicanálise como método psicoterápico: como método psicoterápico, a


Psicanálise teve o seu ponto de partida no procedimento catártico. Este era
utilizado por Freud em seus pacientes sob hipnose e consistia em fazer com
que o paciente retroagisse ao seu estado psíquico no qual havia surgido em
cada um dos sintomas que posteriormente haviam sido reprimidos. Esta
reprodução da experiência-origem do distúrbio acompanhada de intensas
manifestações afetivas resultaria na eliminação dos sintomas. Posteriormente,
Freud observou que a “cura”, muitas vezes, não ocorria, voltando os seus
pacientes com sintomas diferentes. Renunciou, então, a este método,
passando a utilizar o método conhecido como associação livre, no qual o
paciente é convidado a comunicar o que ocorra ao pensamento, ainda que
julgue incoerente ou secundário. O que o paciente coloca é, então,
interpretado, extraindo daí as ideias reprimidas, constituindo, assim, o caminho
para se chegar ao inconsciente e à cura.

Exemplos de pesquisas recentes estimuladas pelas contribuições de


Freud: o trabalho de Freud, embora não tenha sido fundamentado em
pesquisas experimentais, estimulou posteriormente uma série de
pesquisadores, que passaram a desenvolver trabalhos experimentais a
respeito de tópicos enfatizados por Freud. Dentre os aspectos salientados por
Freud, talvez o que mais tenha estimulado pesquisas psicológicas diz respeito
ao sonho. Segundo a teoria freudiana, os impulsos inconscientes seriam
responsáveis pelo sonho, o qual teria como objetivo permitir a gratificação de
algum impulso reprimido, o que possibilitaria uma descarga parcial de tais
impulsos, diminuindo a tensão. Casos tais impulsos censurados entrassem ao
nível consciente de uma maneira clara, isto provocaria um alto nível de tensão
no indivíduo, impossibilitando-o de dormir. O objetivo do sonho seria, pois,
manter um baixo nível de tensão, necessário para a pessoa dormir. Segundo
Freud, o sonho é, pois, tanto biológica como psicologicamente, essencial para
o indivíduo, uma vez que tem como função preservar o sono.

Pesquisadores recentes nesta área, através do estudo do sonho em


condições controladas e utilizando métodos psicofisiológicos, chegaram a
certas conclusões que, de certa forma, corroboram alguns pontos propostos
por Freud. Inicialmente, observou-se que durante o sono há certos períodos em
que se pode observar um movimento rápido dos olhos. Este movimento dos
olhos é acompanhado de uma série de mudanças fisiológicas, como mudanças
circulatórias e um aumento da temperatura. É durante este período que ocorre
o sonho. Dement (1965,1967), um dos pesquisadores desta área investigou os
efeitos da privação do sonho, acordando seus sujeitos tão logo apresentassem
movimento rápido dos olhos, observou que os sujeitos se tornavam
progressivamente mais ansiosos e irritáveis, queixando-se de cansaço e
inabilidade para se concentrar. Já nos sujeitos que foram privados do sono
nenhum desses sintomas foi observado. Dement observou também que havia
uma compensação da privação do sonho em noites consecutivas àquela em
que o sujeito era impedido de sonho, através de um maior período de sono
acompanhado de movimento rápido dos olhos que o usual. Tais resultados
corroboraram o ponto de vista defendido por Freud sobre a importância do
sonho para o bem-estar biológico e emocional do sujeito.

Entretanto, alguns resultados de pesquisas também questionam a


colocação freudiana de que os sonhos seriam uma das formas de
manifestação de impulsos reprimidos. Observou-se que o sono acompanhado
do movimento rápido dos olhos ocorre também em animais em diferentes
pontos da escala filogenética, como também em crianças pequenas e mesmo
recém-nascidos. Dificilmente se poderiam explicar tais resultados em termos do
sonho como manifestação de elementos reprimidos no inconsciente

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