Óleo de Coco: Emagrecimento ou Modismo?
Óleo de Coco: Emagrecimento ou Modismo?
Síndrome Metabólica
ano X - número 56
Abril de 2012
Óleo de Coco
• Solução Milagrosa para Emagrecer
ou mais um Modismo?
Artigos
• Avaliação Respiratória no
Pré-Operatório da CB
• Combinação de Bupropiona com
Naltrexone
• Exercícios Físicos não Saudáveis e TA
Palavra da Presidente
Prosseguem as Polêmicas
E
ste ano parece que será mais ter sido utilizada no Brasil, a importação
DIRETORIA 2010-2012 Secretária Executiva: Luciana Bastos Projeto Gráfico e Diagramação: DoisC
Presidente: Dra. Rosana Radominski; [Link]@[Link] Editoração Eletrônica e Fotografia
Vice-Presidente: Dra. Leila Araújo; Site: [Link]. (celso@[Link])
1º Secretário-Geral: Dr. Alexander Benchimol; Comercialização e Impressão: AC
2º Secretária Geral: Mônica Beyruti; Revista da ABESO Farmacêutica (acfarmaceutica@
Tesoureira: Claudia Cozer. Editor: Dra. Cintia Cercato [Link]) Tel.: (21) 3543-0770
F
oi com muita alegria que recebi do óleo de coco pra emagrecer. Revistas
o convite da Rosana Radominski femininas, sites de internet, matérias da
para ser a nova editora da revista mídia leiga divulgam os “Benefícios do
da ABESO. Ao mesmo tempo, confesso óleo de coco: O óleo que reduz a fome
que tive um friozinho na barriga, afinal e seca a barriga”. O apelo comercial é
é uma grande responsabilidade poder ga- enorme, não? Nessa edição da revista, a
rantir uma revista de qualidade para nos- nutricionista Alessandra Rodrigues ex-
sa Associação. Eu agradeço a confiança plica qual a composição do óleo de coco
depositada no meu trabalho e espero po- e se existe alguma evidência para seu uso
der corresponder às expectativas. no processo de emagrecimento.
Eu não poderia deixar de lembrar A associação de dois ou mais medica-
o excelente trabalho desenvolvido pelo mentos para o controle de algumas do- gestão de avaliação da função respirató-
Henrique Suplicy, nosso editor nos últi- enças é bem estabelecida. Recentemen- ria do obeso. Devemos estar principal-
mos dois anos. Tivemos revistas com alto te, associações vêm sendo pesquisadas mente atentos para a presença de apneia
teor científico e grande relevância para também para o tratamento da obesidade. do sono, que é extremamente frequente
a nossa prática clínica. Certamente sua Uma combinação de fármacos em fase no obeso mórbido e pode trazer compli-
competência e seriedade, aliadas à expe- avançada de pesquisa é o Contrave - que cações graves no pós-operatório.
riência de muitos anos na área da obesi- traz a associação do antidepressivo bupro- Por fim, Claudia Cozer e Fernanda
dade, garantiram esse resultado. Segura- piona com o antagonista opioide naltre- Pisciolaro comentam sobre a associa-
mente, ampliamos nossos conhecimen- xona. O Bruno Halpern publicou na re- ção de exercícios físicos e transtornos
tos com a leitura de cada edição. vista Drugs of Today, em 2011, uma exce- alimentares. O uso do exercício físico
Os avanços no conhecimento da ge- lente revisão sobre o tema e agora colabo- como método compensatório da inges-
nética, da fisiopatologia e dos riscos as- ra com nossa edição trazendo a fisiologia tão alimentar é extremamente frequen-
sociados à obesidade são enormes. Ao do mecanismo de ação desta combinação te, particularmente em atletas. No caso
mesmo tempo verificamos que o arsenal de drogas, bem como os principais resul- de mulheres, é importante estar aten-
terapêutico é cada vez mais reduzido. A tados dos estudos clínicos. O FDA aguar- to para a presença da “tríade da mulher
decisão da ANVISA de proibir os ano- da um estudo de desfecho cardiovascular atleta”, condição grave que pode afetar
rexígenos catecolaminérgicos no Brasil para aprovar esta combinação de drogas o desempenho físico e saúde das atletas.
certamente foi uma decisão infeliz que no tratamento da obesidade. Além disso, aprenderemos mais sobre a
prejudicou milhares de pacientes. Mas O número de cirurgias bariátricas vigorexia, que acomete mais os homens,
contra a força não há argumentos. vem aumentando significativamente e a particularmente os praticantes de fisicul-
No Brasil acontecem coisas muito avaliação pré-operatória dos obesos mór- turismo.
estranhas. Enquanto que medicamen- bidos é de grande importância. São inú- Enfim, os temas foram escolhidos
tos com mais de 40 anos no mercado meras as condições clínicas associadas à com muito carinho e espero que gostem
e consagrados pela prática médica são obesidade. Iniciaremos nessa revista al- desta edição.
proibidos, suplementos ditos “emagrece- guns artigos sobre cuidados pré-opera- Boa leitura!
dores”, sem nenhum respaldo científico tórios para o obeso candidato a cirurgia
para tal finalidade, são registrados pela bariátrica. Para começar essa nova sessão Cintia Cercato
Editora
ANVISA. A moda do momento é o uso o Márcio Mancini traz uma excelente su- editordarevista@[Link]
Artigo
Emagrecer ou Mais
um Modismo?
O
uso do óleo de coco para O óleo de coco é classificado FIGURA 1 – Composição dos ácidos
tratamento da obesidade como gordura saturada. Sabe-se que graxos do óleo de coco (adaptado
de DebMandal M, Mandal S. , 2011)
tem recebido grande des- o nível de saturação determina a con-
taque na mídia, fato que refletiu sistência da gordura em temperatura
uma corrida dos consumidores às lo- ambiente. Quanto maior o grau de 50
45
jas buscando uma solução milagrosa saturação, mais dura a gordura será. 40
35
30
20
coco é uma gordura e, como qual- a 70-80% de sua composição, con- Fally acid constituent
de sopa há 117 Kcal e 13,6g de gor- láurico, que parece ter menos efeitos 20
dura, ou seja, mais calorias que uma deletérios no perfil lipídico do que o 15
TAG (%)
La
La
La
La
PP
O
pL
M
La
O
PO
La
M
pC
La
La
La
La
La
M
La
pC
La
C
La
La
C
La
C
C
Referências Bibliográficas 6. Naghii MR, Darvishi P, Ebrahimpour Y, Gha- sponse to oil with medium- and long-chain
1. Mahan K, Escott-Stump S. Alimentos, Nu- nizadeh G, Mofid M, Hedayati M, Asgari AR. fatty acids in body fat and blood lipid pro-
trição e Dietoterapia. 9 ed. São Paulo: Roca, Effect of combination therapy of fatty acids, files of male hypertriglyceridemic subjects.
1998.49-50. calcium, vitamin D and boron with regular Asia Pac J Clin Nutr 2009;18 (3):351-358.
2. DebMandal M, Mandal S. Coconut (Cocos physical activity on cardiovascular risk fac- 11. Poppitt S.D., Strik C.M., MacGibbon A.K.H.,
nucifera L.: Arecaceae): in health promotion tors in rat. J Oleo Sci. 2012;61(2):103-11. McArdle B.H., Budgett S.C., McGill A.-T.
and disease prevention. Asian Pacific Jour- 7. Ferreira AMD, Barbosa PEB, Ceddia RB. The Fatty acid chain length, postprandial satiety
nal of Tropical Medicine. 2011; 241-247. influence of medium-chain triglycerides and food intake in lean men. Physiology &
3. N. M. de Roos, E. G. Schouten, and M. B. Ka- supplementation in ultra-endurance exer- Behavior.2010; 101:161–167.
tan, “Human nutrition and metabolism: con- cise performance. Rev Bras Med Esporte. 12. American Dietetic Association. Position of
sumption of a solid fat rich in lauric acid re- 2003;9(6):413-419. the American Dietetic Association and di-
sults in a more favorable serum lipid profile 8. Lipoeto NI, Agus Z, Oenzil F, Wahlqvist ML, etitians of Canada: dietary fatty acids. J Am
in healthy men and women than consump- Wattanapenpaiboon N. Dietary intake and Diet Assoc. 2007;107:1599-1611.
tion of a solid fat rich in trans-fatty acids”, the risk of coronary heart disease among 13. American Dietetic Association. Nutrition
Journal of Nutrition. 2001; 131(2): 242–245. the coconut-consuming Minangkabau in Care Manual. Disorders of lipid metabo-
4. Liau KM, Lee YY, Chen CK, Rasool AHG. An West Sumatra, Indonesia. Asia Pac J Clin lism, hypercholesterolemia, overview. nu-
open-label pilot study to assess the efficacy Nutr 2004;13 (4):377-384. trition care manual web site. [Link]
and safety of virgin coconut oil in reduc- 9. Assunção ML, Ferreira HS, Santos EAF, Ca- [Link]/[Link]?ncm_con-
ing visceral adiposity. ISRN Pharmacology. bral Jr R, Florêncio MMT. Effects of dietary tent_id_72856. Acessado em 19 de março
2011;2011:949686, 1-7. coconut oil on the biochemical and anthro- de 2012.
5. Tholstrup T, Ehnholm C, Jauhiainen M, et pometric profiles of women presenting ab- 14. Dietary Guidelines for Americans, 2010.
al. Effects of medium-chain fatty acids and dominal obesity. Lipids. 2009; 44:593–601. US Department of Health and Human Ser-
oleic acid on blood lipids, lipoproteins, glu- 10. Liu Y, Wang J, Zhang R, Zhang Y, Xu Q, Zhang vices, US Department of Agriculture. http://
cose, insulin, and lipid transfer protein activi- J, Zhang Y, Zheng Z, Yu X, Jing H, Nosaka N, [Link]/dietaryguidelines/2010.
ties. Am J Clin Nutr. 2004;79(4):564-9. Kasai M, Aoyama T, Wu J, Xue J. A good re- asp. Acessado em 19 de março de 2012.
Bupropiona
com Naltrexone
no Tratamento da
Obesidade
Bruno Halpern – Médico endocrinologista pela o orlistate, com mecanismos de ação noradrenalina, desta forma aumen-
Universidade de São Paulo (USP). Preceptor
da disciplina de Endocrinologia do Hospital das muito diferentes, oferece a possibi- ta a concentração dos dois neuro-
Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. lidade de se agir em duas vias dis- transmissores no sistema nervoso
tintas, obtendo uma resposta aditiva central. Essa maior concentração no
N
uma época de substancial (embora com resultados muito de- núcleo arqueado aumenta a sinali-
aumento da prevalência de sapontadores em estudos clínicos), zação de neurônios produtores de
obesidade em todo o mun- o uso de uma droga que bloquearia POMC (pró-opiomelanocortina).
do e com uma oferta cada vez mais efeitos compensatórios naturais, ad- O POMC liberado após essa sinali-
parca de medicações disponíveis vindo do uso de uma outra medica- zação é rapidamente clivado em al-
para seu tratamento, que frequente- ção, teria o potencial de oferecer um fa-MSH e beta-endorfinas. O alfa-
mente falham em alcançar resulta- resultado ainda maior que a soma do -MSH é uma substância reconheci-
dos satisfatórios, é natural que com- uso das duas drogas, individualmen- damente anorexigênica, agindo nos
binações de duas ou mais drogas se- te. Foi com essa ideia que um grupo receptores 3 e 4 de melanocortina
jam testadas e utilizadas em nossa de pesquisadores formulou a hipó- (MC3R e MC4R) e que também
prática clínica - como ocorre com tese de que a droga antidepressiva e aumenta o gasto energético. O efei-
outras doenças crônicas multifato- antitabágica bupropiona, em com- to da bupropiona no peso, porém,
riais e com fisiopatologia comple- binação com o antagonista opioide não é tão pronunciado, pois a beta-
xa, como a hipertensão e o diabe- naltrexone (usado para o combate ao -endorfina que é produzida em con-
tes mellitus. Embora o risco de in- alcoolismo), pudesse ter um gran- junto, um opioide endógeno, inibe
terações medicamentosas e o cus- de efeito no peso, apesar da eficácia diretamente a via da POMC, numa
to do tratamento sejam maiores, extremamente limitada do uso das retroalimentação de alça curta. Um
podemos, com a combinação, ob- mesmas isoladamente. excesso de beta-endorfinas leva a
ter efeitos aditivos ou sinérgicos no A lógica para tal raciocínio é a se- um aumento do consumo alimen-
peso. Exemplificando: se o uso de guinte: A bupropiona é um inibi- tar em roedores, principalmente de
duas drogas, como a sibutramina e dor da recaptação de dopamina e alimentos mais palatáveis. O naltre-
Referências Bibliográficas 3. Greenway, FL, Whitehouse, MJ, Guttadau- -blind, placebo-controlled, phase III trial.
1. Halpern, B, Faria AM, Halpern, A. Bupro- ria, M, et al. Rational design of a combina- Lancet 2010, 376:595-605.
pion/Naltrexone fixed dose for the treat- tion medication for the treatment of obesi- 5. Wadden, TA, Foreyt, JP, Foster, GD, et al.
ment of obesity. Drugs of Today, 2011 ty. Obesity. 2009 17: 30-39 Weight loss with Naltrexone SR/Bupropion
2. Halpern, B, Oliveira, ESL, Faria, AM, et al. 4. Greenway, FL, Fujioka, K, Plodkowski, RA, et SR combination therapy as an adjunct to
Combination of drugs in the treatment of al. Effect of naltrexone plus bupropion on behavior modification: the Cor-BMOD trial.
obesity. Pharmaceuticals. 2010, 3, 2398- weight loss in overweight and obese adults Obesity, 2011 19: 110-120.
2415 (COR-I): a multicentre, randomized, double-
Artigo
Aspectos Pulmonares
Marcio Mancini – Chefe do Grupo de quência da redução do volume resi- ficável. A obesidade pode predis-
Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina da dual expiratório e do volume residu- por à SAOS devido ao acúmulo
Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). al funcional, levando a uma distri- de gordura em volta da orofarin-
buição anormal da ventilação e piora ge e na própria musculatura da fa-
Introdução da troca gasosa. Soma-se a isso uma ringe, alterando a geometria da via
N
a avaliação pré-operatória limitação de fluxo expiratório, com aérea, o que resulta em aumento da
do paciente bariátrico, do aumento do trabalho da musculatu- pressão extraluminal e propensão a
ponto de vista respiratório, ra diafragmática.2 colabamento. Algumas vezes, as al-
é importante o reconhecimento e a A meta-análise recente de Bu- ças fluxo-volume podem apresentar
avaliação das seguintes condições: chwald mostrou que a cirurgia ba- “dentes de serra” devido à presença
1) doenças pulmonares associadas à riátrica proporcionou resolução da de tecidos moles redundantes e ede-
obesidade, tais como a síndrome da SAOS em 86% dos pacientes; por maciados em pacientes com SAOS.
apneia obstrutiva do sono (SAOS) outro lado, os pacientes com SAOS A medida da circunferência cervi-
e a síndrome da hipoventilação da apresentam um aumento de risco cal (CC) é a medida antropométri-
obesidade (SHO); 2) doenças pul- devido à maior gravidade do qua- ca que mais se associa com a SAOS,
monares intrínsecas que podem ser dro clínico.3 Esses pacientes, portan- podendo ser ajustada de acordo com
agravadas pela obesidade, tais como to, devem ser cuidadosamente ava- a presença de outros sintomas e si-
doença pulmonar obstrutiva crôni- liados antes da cirurgia. nais (CC ajustada ou CCaj) (Tabela
ca (DPOC), asma brônquica, fibro- 1).6 A avaliação da sonolência diur-
ses pulmonares, hipertensão pulmo- Considerações sobre na pode ser feita utilizando a Escala
nar e tromboembolismo pulmonar a SAOS e a SHO de Sonolência Epworth (ESE) (Ta-
(TEP) de repetição. A doença respiratória mais comum bela 2).7
A obesidade abdominal causa re- associada à obesidade é a SAOS,4
dução dos volumes pulmonares, re- que é definida como o colabamen- Menos comum, mas provavel-
duz a complacência da parede torá- to repetitivo da faringe (parcial ou mente subdiagnosticada, é a síndro-
cica e aumenta a demanda total do completo) durante o sono, ocorren- me da hipoventilação da obesidade
organismo por oxigênio. Além dis- do mais do que cinco vezes por hora (SHO), definida como desenvolvi-
so, doenças associadas à obesidade, (índice de apneia e hipopneia ou mento de hipercapnia (PaCO2 >45
como o diabetes tipo 2, podem le- IAH) associada a sonolência diur- mmHg) em vigília em indivíduo
var a dano neuropático e vascular, na. Os sinais e sintomas mais co- obeso (IMC >30 kg/m²) na ausência
comprometendo a função dos mús- muns são: sonolência diurna, sono de outras razões para hipoventilação,
culos respiratórios e dos músculos não reparador, noctúria, ronco alto, como por exemplo, deformidade to-
dilatadores da faringe.1 Na SHO, apneias presenciadas e sensação de rácica, doença pulmonar ou neuro-
os pacientes apresentam um padrão sufocamento, com hipertensão arte- muscular coexistente. Esses pacien-
restritivo na avaliação da função rial de difícil controle.5 A doença é tes compartilham muitas caracterís-
pulmonar, devido à diminuição da mais comum em homens e em mu- ticas clínicas com os pacientes com
complacência da parede torácica. O lheres após a menopausa, aumenta SAOS (e muitos apresentam ambas
mais comum é uma redução da ca- com a idade e com o aumento de as doenças), mas a SHO é mais gra-
pacidade pulmonar total em conse- peso, que é a única variável modi- ve e está associada a maior morbidez
Referências Bibliográficas
1. RIVERO, J.L.L. Genética y mejora- ordered breathing among mid- the Epworth sleepiness scale”. Sleep
miento de Bottini P, Redolfi S, Dot- dle-aged adults. N Engl J Med 14 (6): 540–5.
torini ML, et al. Autonomic neurop- 1993;328:1230–5. 8. Budweiser S, Riedl SG, Jorres RA, et
athy increases the risk of obstructive 5. Marin JM, Carrizo SJ, Vicente E, et al. al. Mortality and prognostic factors
sleep apnoea in obese diabetics. Long-term cardiovascular outcomes in patients with obesity-hypoventi-
Respiration 2008;75:265–71. in men with obstructive sleep ap- lation syndrome undergoing non-
2. Kress JP, Pohlman AS, Alverdy J, et noea-hypopnoea with or without invasive ventilation. J Intern Med
al. The impact of morbid obesi- treatment with continuous positive 2007;261:375–83.
ty on oxygen cost of breathing at airway pressure: an observational 9. Janssens JP, Derivaz S, Breitenstein E,
rest. Am J Respir Crit Care Med study. Lancet 2005;365:1046–53. et al. Changing patterns in long-term
1999;160:883–6. 6. de Sousa AG, Cercato C, Man- noninvasive ventilation: a 7-year
3. Buchenwald H, Avidor Y, Braunwald cini MC, Halpern A. Obesity prospective study in the Geneva
E, et al. Bariatric surgery: a systemat- and obstructive sleep apnea-hy- Lake area. Chest 2003;123:67–79.
ic review and meta-analysis. JAMA popnea syndrome. Obes Rev. 10. Mancini MC. Obstáculos diagnósti-
2004;292:1724–37. 2008;9(4):340-54. cos e desafios terapêuticos no pa-
4. Young T, Palta M, Dempsey J, et 7. Johns MW (1991). “A new method ciente obeso. Arq Bras Endocrinol
al. The occurrence of sleep-dis- for measuring daytime sleepiness: Metab. 2001;45:584-608.
Transtornos
(Ambulim) do Hospital das Clínicas da FMUSP;
membro do Departamento de Psiquiatria e
Transtornos Alimentares da ABESO.
Alimentares É
indiscutível que a prática re-
gular de exercícios físicos traga
benefícios fisiológicos, psico-
lógicos e sociais à saúde, sendo tam-
bém essencial para a prevenção de
doenças cardiovasculares e osteoar-
ticulares, para a manutenção pon-
deral, para o controle da pressão ar-
terial, prevenção de depressão e con-
trole do estresse, dentre outros. Mas
devemos ter em mente que o exces-
so na quantidade e ou qualidade do
exercício físico também pode ser in-
dicador de um transtorno corporal.
O uso do exercício físico para o
controle de peso é intensamente di-
fundido e recomendado, além de
ser um meio pelo qual o indivíduo
consegue melhorar suas capacida-
des físicas e esportivas. Entretanto,
muitas vezes, tanto o desejo de con-
quista de desempenho máximo na
modalidade esportiva, quanto a ob-
sessão em controlar o peso aumen-
tam o risco de desenvolvimento de
transtornos alimentares em indiví-
duos suscetíveis.
Nos critérios diagnósticos do
DSM-IV e CID-10, a prática de
exercício vigoroso é citada como
um comportamento compensatório
inadequado, utilizado nos portado-
res de transtornos alimentares para
prevenir o ganho de peso, e mais as-
sociado à bulimia nervosa, embora
muitos trabalhos demonstrem que
essa característica é comum, princi-
palmente em pacientes com anore-
xia nervosa.
Ainda não existe consenso sobre o
O Bebês
dicine, artigo revela a desco- sobrepeso e a obesi-
berta do que vem sendo cha- dade, tão condenados
A
mado de “gene da gulodice”. Na ver- em tempos de epide- obesidade materna pode
dade, trata-se do gene Bdnf que, ao mia mundial, quem diria, aca- ter influência no desenvol-
sofrer alterações, fez com que o ca- bam de ser parcialmente absol- vimento cerebral de bebês
mundongo estudado comesse sem vidos entre os idosos. Pesqui- prematuros. Segundo pesquisa do
controle. Normalmente, este gene é sa da Universidade de Tel Aviv, Wake Forest Baptist Medical Center,
o responsável por transmitir ao cé- Israel, revela que gordura em EUA, publicada no periódico Pe-
rebro o sinal da saciedade. Pesqui- excesso na população acima diatrics, essas crianças, nascidas antes
sadores comentam que o desafio dos 85 anos pode ter um efeito dos sete meses, apresentam maior ris-
agora é tentar desenvolver drogas protetor. Pesquisadores desco- co de desenvolver declínio cognitivo.
que estimulem a atividade do Bdnf briram que idosos com quilos Os pesquisadores envolvidos no tra-
no cérebro. “A descoberta pode fa- extras que superaram as ame- balho observaram 921 crianças nas-
zer com que surjam novas estraté- aças do diabetes, hipertensão e cidas antes da 28ª semana de gesta-
gias para que o cérebro controle o câncer têm menor tendência à ção, entre os anos de 2000 e 2004.
peso do corpo”, afirmou Baoji Xu, osteoporose (o que reduz a in- Analisadas ao nascer, ao completa-
da equipe que desenvolveu o traba- cidência de quedas e lesões) e rem dois anos passaram por avalia-
lho, na Georgetown University Medi- possuem energia para gastar em ções de suas habilidades cognitivas,
cal Centre, EUA. momentos de trauma, estresse enquanto as mães foram entrevista-
Alterações no gene Bdnf levaram ou diminuição de apetite. Mas, das e tiveram seus históricos médicos
ao bloqueio dos sinais da leptina e alertam os médicos, é preciso analisados. A conclusão é que crian-
da insulina, impedindo o controle colocar na balança a questão da ças prematuras filhas de mães obe-
do apetite no camundongo estuda- mobilidade e da dor. c sas apresentaram problemas precoces
do. c nas funções cognitivas. c
M
ais um problema acaba de possivelmente devido à relação com a
ser associado à obesidade, apneia do sono”. Os homens apresen-
dos inúmeros já conhecidos. taram o dobro de risco de mortalida-
Dessa vez, um estudo apresentado nas de que as mulheres, e o consumo dos
sessões científicas da American Heart hipnóticos pelos obesos se revelou as-
Association 2012 afirma que o peso ex- sociado a uma morte a mais em cada
cessivo pode aumentar o risco de mor- 100 pessoas que fizeram uso dos me-
te associado ao uso de medicamentos dicamentos.
para dormir. A tendência foi detectada A pesquisa acompanhou mais de 40
mesmo entre pacientes que ingeriram mil pessoas e as conclusões foram pu-
18 – até menos – hipnóticos em um blicadas no jornal online BMJ Open.
ano, e foi maior entre pessoas de 18 a O trabalho foi o primeiro a concluir
54 anos. que os oito hipnóticos mais consumi-
Um dos autores do estudo, Daniel dos no mundo – entre eles o zolpidem
Kripke, afirmou que “os pacientes obe- e o temazepan – aumentavam o risco
sos são particularmente vulneráveis, de morte e de desenvolver câncer. c
UE
R C A Q NS
A AG E
AM T
ÚNIC E VANS PARA
A REC NAI ES.
OFE DICIOACIENT
A SP
O