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Óleo de Coco: Emagrecimento ou Modismo?

A edição da revista da ABESO discute o uso do óleo de coco como uma solução para emagrecimento, questionando sua eficácia e segurança. A presidente da associação menciona a proibição de medicamentos para emagrecimento e a necessidade de novas opções terapêuticas. O editorial destaca a importância de uma avaliação cuidadosa sobre o uso do óleo de coco e a pesquisa em torno de combinações de medicamentos para o tratamento da obesidade.

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Óleo de Coco: Emagrecimento ou Modismo?

A edição da revista da ABESO discute o uso do óleo de coco como uma solução para emagrecimento, questionando sua eficácia e segurança. A presidente da associação menciona a proibição de medicamentos para emagrecimento e a necessidade de novas opções terapêuticas. O editorial destaca a importância de uma avaliação cuidadosa sobre o uso do óleo de coco e a pesquisa em torno de combinações de medicamentos para o tratamento da obesidade.

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Órgão informativo da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da

Síndrome Metabólica
ano X - número 56
Abril de 2012

Óleo de Coco
• Solução Milagrosa para Emagrecer
ou mais um Modismo?

Artigos
• Avaliação Respiratória no
Pré-Operatório da CB
• Combinação de Bupropiona com
Naltrexone
• Exercícios Físicos não Saudáveis e TA
Palavra da Presidente

Prosseguem as Polêmicas
E
ste ano parece que será mais ter sido utilizada no Brasil, a importação

Foto: Adriana Bresciani


calmo. Mas as polêmicas con- da fentermina foi proibida no Brasil, na
tinuam. mesma portaria que a ANVISA regula-
O entusiasmo para o uso do antidia- mentou os outros anorexígenos. Vamos
bético injetável para emagrecer arrefe- aguardar.
ceu, mas outras substâncias sempre apa- A nova editora da revista, Dra. Cin-
recem como “milagre”. A moda atual é o tia Cercato, começou com grande en-
uso do óleo de coco virgem, assunto que tusiasmo e escolhendo artigos (especial-
ocupa a mídia e os consultórios médicos mente o artigo de capa) que certamente
diariamente. Este mito também cairá e serão do agrado de todos.
outros virão. E, nós médicos, continu- Já estamos começando a nos preparar
amos sem muitas opções terapêuticas. para o próximo Congresso de Obesidade
Recentemente a combinação de to- e Síndrome Metabólica, que será reali-
piramato e fentermina (QNEXA) re- zado em Curitiba, em maio do próximo
cebeu recomendação positiva do FDA, ano. Deixem lugar na agenda para a ter-
apesar de que sua aprovação será deci- ceira semana de maio de 2013 e mante-
dida somente neste mês de abril. É uma nham-se em dia com a anuidade da As-
medicação que age no sistema nervoso sociação. Ao longo do ano daremos no-
central, com ação anorexígena, excelen- vas notícias.
tes resultados terapêuticos, mas que tem Abraços a todos.
seus efeitos colaterais, como todo fárma-
co. Se os brasileiros poderão ser benefi-
ciados com esta medicação, com o iní- Rosana Radominski
Presidente da ABESO
cio da comercialização nos EUA, é ou- Gestão 2010/2012
tra estória. Desde 1998, apesar de nunca [Link]@[Link]

DIRETORIA 2010-2012 Secretária Executiva: Luciana Bastos Projeto Gráfico e Diagramação: DoisC
Presidente: Dra. Rosana Radominski; [Link]@[Link] Editoração Eletrônica e Fotografia
Vice-Presidente: Dra. Leila Araújo; Site: [Link]. (celso@[Link])
1º Secretário-Geral: Dr. Alexander Benchimol; Comercialização e Impressão: AC
2º Secretária Geral: Mônica Beyruti; Revista da ABESO Farmacêutica (acfarmaceutica@
Tesoureira: Claudia Cozer. Editor: Dra. Cintia Cercato [Link]) Tel.: (21) 3543-0770

SEDE Equipe de Jornalismo: Informed Periodicidade: Bimestral;


Rua: Mato Grosso, n.º 306 - cj. 1711 Redação: Rua Gen. Severiano, 76/410, bl. 2, Tiragem: 5 mil exemplares.
Higienópolis, CEP 22290-040
São Paulo, SP Rio de Janeiro, RJ. Tel/fax. (21) 2205-2430 Os artigos publicados nesta revista espelham a
CEP 01239-040 e-mail: informed@[Link] opinião de seus autores, não necessariamente
Tel.: (11) 3079-2298 Editora/Jornalista Responsável: a da ABESO.
Fax: (11) 3079-1732 Elizabeth P. dos Santos (MTPS 12714 - RJ)
E-mail: info@[Link]

abril 2012 – ABESO 56 – 3


Editorial

Começo de uma Nova Etapa

F
oi com muita alegria que recebi do óleo de coco pra emagrecer. Revistas
o convite da Rosana Radominski femininas, sites de internet, matérias da
para ser a nova editora da revista mídia leiga divulgam os “Benefícios do
da ABESO. Ao mesmo tempo, confesso óleo de coco: O óleo que reduz a fome
que tive um friozinho na barriga, afinal e seca a barriga”. O apelo comercial é
é uma grande responsabilidade poder ga- enorme, não? Nessa edição da revista, a
rantir uma revista de qualidade para nos- nutricionista Alessandra Rodrigues ex-
sa Associação. Eu agradeço a confiança plica qual a composição do óleo de coco
depositada no meu trabalho e espero po- e se existe alguma evidência para seu uso
der corresponder às expectativas. no processo de emagrecimento.
Eu não poderia deixar de lembrar A associação de dois ou mais medica-
o excelente trabalho desenvolvido pelo mentos para o controle de algumas do- gestão de avaliação da função respirató-
Henrique Suplicy, nosso editor nos últi- enças é bem estabelecida. Recentemen- ria do obeso. Devemos estar principal-
mos dois anos. Tivemos revistas com alto te, associações vêm sendo pesquisadas mente atentos para a presença de apneia
teor científico e grande relevância para também para o tratamento da obesidade. do sono, que é extremamente frequente
a nossa prática clínica. Certamente sua Uma combinação de fármacos em fase no obeso mórbido e pode trazer compli-
competência e seriedade, aliadas à expe- avançada de pesquisa é o Contrave - que cações graves no pós-operatório.
riência de muitos anos na área da obesi- traz a associação do antidepressivo bupro- Por fim, Claudia Cozer e Fernanda
dade, garantiram esse resultado. Segura- piona com o antagonista opioide naltre- Pisciolaro comentam sobre a associa-
mente, ampliamos nossos conhecimen- xona. O Bruno Halpern publicou na re- ção de exercícios físicos e transtornos
tos com a leitura de cada edição. vista Drugs of Today, em 2011, uma exce- alimentares. O uso do exercício físico
Os avanços no conhecimento da ge- lente revisão sobre o tema e agora colabo- como método compensatório da inges-
nética, da fisiopatologia e dos riscos as- ra com nossa edição trazendo a fisiologia tão alimentar é extremamente frequen-
sociados à obesidade são enormes. Ao do mecanismo de ação desta combinação te, particularmente em atletas. No caso
mesmo tempo verificamos que o arsenal de drogas, bem como os principais resul- de mulheres, é importante estar aten-
terapêutico é cada vez mais reduzido. A tados dos estudos clínicos. O FDA aguar- to para a presença da “tríade da mulher
decisão da ANVISA de proibir os ano- da um estudo de desfecho cardiovascular atleta”, condição grave que pode afetar
rexígenos catecolaminérgicos no Brasil para aprovar esta combinação de drogas o desempenho físico e saúde das atletas.
certamente foi uma decisão infeliz que no tratamento da obesidade. Além disso, aprenderemos mais sobre a
prejudicou milhares de pacientes. Mas O número de cirurgias bariátricas vigorexia, que acomete mais os homens,
contra a força não há argumentos. vem aumentando significativamente e a particularmente os praticantes de fisicul-
No Brasil acontecem coisas muito avaliação pré-operatória dos obesos mór- turismo.
estranhas. Enquanto que medicamen- bidos é de grande importância. São inú- Enfim, os temas foram escolhidos
tos com mais de 40 anos no mercado meras as condições clínicas associadas à com muito carinho e espero que gostem
e consagrados pela prática médica são obesidade. Iniciaremos nessa revista al- desta edição.
proibidos, suplementos ditos “emagrece- guns artigos sobre cuidados pré-opera- Boa leitura!
dores”, sem nenhum respaldo científico tórios para o obeso candidato a cirurgia
para tal finalidade, são registrados pela bariátrica. Para começar essa nova sessão Cintia Cercato
Editora
ANVISA. A moda do momento é o uso o Márcio Mancini traz uma excelente su- editordarevista@[Link]

4 – ABESO 56 – Abril 2012


Óleo de Coco
– Milagre para

Artigo
Emagrecer ou Mais
um Modismo?

Alessandra Rodrigues – Nutricionista, Mestre em Ciências


pela Universidade de São Paulo (USP).

O
uso do óleo de coco para O óleo de coco é classificado FIGURA 1 – Composição dos ácidos
tratamento da obesidade como gordura saturada. Sabe-se que graxos do óleo de coco (adaptado
de DebMandal M, Mandal S. , 2011)
tem recebido grande des- o nível de saturação determina a con-
taque na mídia, fato que refletiu sistência da gordura em temperatura
uma corrida dos consumidores às lo- ambiente. Quanto maior o grau de 50

45

jas buscando uma solução milagrosa saturação, mais dura a gordura será. 40

35

para perda de peso. De acordo com No entanto, o óleo de coco é uma


Fally acid (%)

30

os defensores do óleo de coco, este exceção, pois apesar de ser altamente 25

20

ajuda a prevenir e tratar uma série saturado, é liquido, devido à predo- 15

de condições médicas. Entretanto, é minância de ácidos graxos de cadeia


10

preciso ter cautela, afinal o óleo de média (AGCM), que correspondem 0


C6:0 C8:0 C10:0 C12:0 C14:0 C16:0 C18:0 C18:1 C18:2

coco é uma gordura e, como qual- a 70-80% de sua composição, con- Fally acid constituent

quer outra, quando consumida em forme indicado na figura1 1, 2.


FIGURA 2 – Composição de
excesso, engorda. Adeptos da Co- Na figura 2, podemos verificar a triglicérides do óleo de coco
conut diet indicam que o indivíduo descrição da combinação de triglicé- (adaptado de DebMandal M,
deve consumir 3 colheres de sopa do rides do óleo de coco, onde é possí- Mandal S. , 2011)
óleo de coco por dia. Em uma colher vel observar o predomínio do ácido 25

de sopa há 117 Kcal e 13,6g de gor- láurico, que parece ter menos efeitos 20

dura, ou seja, mais calorias que uma deletérios no perfil lipídico do que o 15
TAG (%)

colher de manteiga ou azeite. ácido palmítico, presente em gordu- 10

ras saturadas de origem animal, por 5

Conhecendo um Pouco Mais exemplo. 1, 2, 3 0

Sobre o Óleo de Coco O fato do óleo de coco possuir


a

La

La

La

La

PP

O
pL

M
La

O
PO
La

M
pC

La

La

La
La

La

M
La
pC

La
C

La
La
C

La
C
C

O Coco (C. nucifera) pertence à fa- maior quantidade de AGCM, dife-


TAG combination
TAG: triacylglycerol, Cp: caproic, C: capric, La: lauric, M: myristic, P: palmitic, O: oletic

mília Arecaceae (Palmae) e à subfa- rentemente de outras gorduras satura-


mília Cocoideae. O óleo é, em ge- das, faz com que tenha um compor-
ral, extraído a frio a partir da massa tamento metabólico distinto em vir-
do coco. tude de suas características estruturais.

abril 2012 – ABESO 56 – 5


Os AGCM são rapidamente ab- sobre o perfil lipídico e os resulta- sumo do óleo de coco) mostrou que
sorvidos no intestino, mesmo sem dos mostraram que houve maior au- o consumo do óleo de coco parece
sofrer ação da enzima lipase pan- mento do colesterol plasmático to- não ter relação com aumento do ris-
creática. Os ácidos graxos de cadeia tal, do LDL-colesterol (lipoproteína co de doenças cardiovasculares. En-
longa (AGCL), por outro lado, ne- de baixa densidade), mas também tretanto, os próprios autores discu-
cessitam da lipase pancreática para do HDL-colesterol (lipoproteína de tem sobre como tal relação é difícil
a absorção e são transportados pela alta densidade) quando preferida a de ser estabelecida em estudos ob-
linfa para a circulação sistêmica na dieta rica em AGCM5. servacionais. Os motivos são a falta
forma de quilomícrons, para de- Outro modo de utilização do de acurácia dos métodos de investi-
pois atingir o fígado, onde eles pas- óleo de coco é na forma de suple- gação nutricional, além da grande
sam por beta-oxidação, biossíntese mentos. Neste caso, as evidências são variação intraindividual da ingestão
de colesterol, ou são resintetizados insuficientes e, além de benefícios alimentar, variação genética, varia-
como triglicérides. Já os AGCM são desconhecidos, não sabemos os ris- ção entre sexos, entre outras8.
transportados pela veia porta para o cos que podem estar envolvidos.
fígado, onde são rapidamente oxi- Suplementos de Óleo de Coco
dados, gerando energia. Ao contrá- Suplementos de Óleo de Coco X Perda de Peso
rio dos AGCL, os AGCM não par- X Dislipidemias Em relação à perda de peso, os estu-
ticipam do ciclo de colesterol e não O consumo de óleo de coco e de dos com suplementos a base de óleo
são estocados em depósitos de gor- outros suplementos foi avaliado em de coco são extremamente escassos e
duras4. ratos e mostrou que, apesar do alto de baixo grau de evidência.
Tais características fazem com teor de gordura saturada, o óleo de Os defensores do óleo de coco se
que óleos tropicais, como o óleo de coco parece ter efeitos benéficos para baseiam na teoria de que os AGCM
coco, sejam indicados para trata- a saúde cardiovascular, desde que são facilmente oxidados a lipídeos e
mento da hiperquilomicronemia em consumido em doses moderadas. não armazenados no tecido adiposo,
substituição a outros óleos vegetais. Entretanto, os autores concluem quando comparados aos AGCL. Por
que ainda são necessários mais estu- esta inferência, e pelo fato do óleo de
Formas de Utilização do Óleo dos para indicação efetiva deste su- coco ser rico em AGCM e pobre em
de Coco plemento6. AGCL, seu uso poderia ter efeito no
O óleo de coco pode ser utilizado São poucos os estudos que ava- tratamento da obesidade.
em substituição a outros tipos de liaram a suplementação do óleo de Um estudo conduzido em hu-
gordura no preparo dos alimentos. coco e resultados no perfil lipídi- manos concluiu que o uso do óleo
Com as descobertas dos malefícios co em humanos. Um estudo duplo de coco virgem, por ter alto teor de
da gordura trans, a indústria alimen- cego e randomizado selecionou 17 AGCM, parece ser benéfico para re-
tícia vem buscando alternativas para homens saudáveis, com atividade fí- dução de gordura abdominal, em
o preparo de alimentos. Uma das al- sica de leve a moderada, sem histó- especial em homens, sem alteração
ternativas tem sido o uso de óleos rico de hipertensão ou aterosclerose significativa do perfil lipídico, mas
tropicais, como o óleo de coco. Ob- e sem nenhum tratamento medica- vale ressaltar que este estudo foi rea-
viamente, a retirada da gordura trans mentoso. Os participantes recebe- lizado em apenas 20 indivíduos, não
traz benefícios no perfil lipídico e ram 70g de AGCM proveniente de foi duplo cego e o acompanhamento
no risco cardiovascular. No entan- óleos vegetais. Os resultados mostra- foi feito por apenas quatro semanas4.
to, não se sabe se a substituição da ram que a dieta com AGCM elevou Outro estudo conduzido por um
gordura trans por gordura saturada, o colesterol plasmático total, o LDL, grupo de Alagoas estudou 40 mu-
principal fonte de gordura do óleo a razão LDL e HDL7. Portanto, o lheres entre 20 e 40 anos, que fo-
de coco, poderá ser benéfica. Sabe- uso do suplemento teve um efeito ram randomizadas em dois grupos -
mos que gordura saturada está asso- desfavorável no perfil lipídico. um que recebeu óleo de coco e, ou-
ciada à elevação do colesterol total. Por outro lado, os resultados de tro, recebeu óleo de soja - de forma
Um estudo dinamarquês compa- estudo realizado em uma população duplo-cega por 12 semanas, além
rou dietas ricas em AGCM e AGCL da Indonésia (região com alto con- de orientação dietética, com nutri-

6 – ABESO 56 – Abril 2012


cionista, com dieta hipocalórica e plementação de um óleo que mis- co quanto para o emagrecimento.
orientação para prática de ativida- turou AGCL e AGCM por oito se- É importante ter em mente que a
de física. Como resultado, a suple- manas pareceu ser positiva para re- gordura saturada do óleo de coco,
mentação de óleo de coco não al- dução de peso e melhora do perfil mesmo que com melhor composi-
terou o perfil lipídico e a perda de lipídico de homens com hipertrigli- ção que outras fontes de gordura sa-
peso foi idêntica nos dois grupos. ceridemia10. turada, deve ter seu consumo restri-
No entanto, os autores verificaram Em contrapartida, outro estudo to. Ainda é válida a recomendação
redução de circunferência abdomi- que avaliou a relação entre o com- de que uma dieta de alta qualidade
nal no grupo com óleo de coco em primento da cadeia de ácidos graxos, para saúde deve limitar a ingestão de
relação ao óleo de soja. (-1,4cm vs saciedade pós-prandial e ingestão gordura saturada (7% do valor caló-
0,6cm). Os pesquisadores conclu- alimentar em homens magros con- rico total da dieta), substituir gor-
íram que é necessário acompanha- cluiu que não existe evidência de que dura saturada por monoinsaturada
mento por um período prolonga- o comprimento da cadeia de ácidos e poliinsaturada, aumentar o consu-
do para estender tal recomendação graxos tenha efeito sobre apetite ou mo de ômega 3, fibras solúveis, ve-
a outras populações e que mais es- ingestão alimentar11. getais e frutas12,13,14.
tudos devem ser conduzidos. Além O uso de suplementos a base de
disso, esse mesmo estudo mostrou Conclusão óleo de coco está longe de ser um
que a suplementação do óleo de Fica claro que, apesar das diversas te- milagre para emagrecer. Certamen-
coco teve uma tendência a elevar os orias positivas sobre o óleo de coco, te seu uso é mais um modismo, sem
níveis de insulina circulante9. os estudos ainda são escassos e con- respaldo científico e que, portanto,
Em uma população chinesa, a su- troversos, tanto para o perfil lipídi- deve ser desestimulado. c

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abril 2012 – ABESO 56 – 7


Combinação de
ARTIGO

Bupropiona
com Naltrexone
no Tratamento da
Obesidade
Bruno Halpern – Médico endocrinologista pela o orlistate, com mecanismos de ação noradrenalina, desta forma aumen-
Universidade de São Paulo (USP). Preceptor
da disciplina de Endocrinologia do Hospital das muito diferentes, oferece a possibi- ta a concentração dos dois neuro-
Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. lidade de se agir em duas vias dis- transmissores no sistema nervoso
tintas, obtendo uma resposta aditiva central. Essa maior concentração no

N
uma época de substancial (embora com resultados muito de- núcleo arqueado aumenta a sinali-
aumento da prevalência de sapontadores em estudos clínicos), zação de neurônios produtores de
obesidade em todo o mun- o uso de uma droga que bloquearia POMC (pró-opiomelanocortina).
do e com uma oferta cada vez mais efeitos compensatórios naturais, ad- O POMC liberado após essa sinali-
parca de medicações disponíveis vindo do uso de uma outra medica- zação é rapidamente clivado em al-
para seu tratamento, que frequente- ção, teria o potencial de oferecer um fa-MSH e beta-endorfinas. O alfa-
mente falham em alcançar resulta- resultado ainda maior que a soma do -MSH é uma substância reconheci-
dos satisfatórios, é natural que com- uso das duas drogas, individualmen- damente anorexigênica, agindo nos
binações de duas ou mais drogas se- te. Foi com essa ideia que um grupo receptores 3 e 4 de melanocortina
jam testadas e utilizadas em nossa de pesquisadores formulou a hipó- (MC3R e MC4R) e que também
prática clínica - como ocorre com tese de que a droga antidepressiva e aumenta o gasto energético. O efei-
outras doenças crônicas multifato- antitabágica bupropiona, em com- to da bupropiona no peso, porém,
riais e com fisiopatologia comple- binação com o antagonista opioide não é tão pronunciado, pois a beta-
xa, como a hipertensão e o diabe- naltrexone (usado para o combate ao -endorfina que é produzida em con-
tes mellitus. Embora o risco de in- alcoolismo), pudesse ter um gran- junto, um opioide endógeno, inibe
terações medicamentosas e o cus- de efeito no peso, apesar da eficácia diretamente a via da POMC, numa
to do tratamento sejam maiores, extremamente limitada do uso das retroalimentação de alça curta. Um
podemos, com a combinação, ob- mesmas isoladamente. excesso de beta-endorfinas leva a
ter efeitos aditivos ou sinérgicos no A lógica para tal raciocínio é a se- um aumento do consumo alimen-
peso. Exemplificando: se o uso de guinte: A bupropiona é um inibi- tar em roedores, principalmente de
duas drogas, como a sibutramina e dor da recaptação de dopamina e alimentos mais palatáveis. O naltre-

8 – ABESO 56 – Abril 2012


xone, como já dito, é exatamente (i.e NB 8/160 ou 16/160, tomados sociada ao naltrexone), seguido por
um antagonista opioide e, portanto, duas vezes ao dia). constipação intestinal, cefaleia, ton-
das beta-endorfinas. Assim, o efeito Dois estudos clínicos fase III fo- tura, vômitos e boca seca. Apenas
anorexigênico da bupropiona pode- ram, então, realizados - o COR-I e o três eventos adversos considerados
ria ser mais pronunciado por não ser COR-II. O COR-I, com resultados graves ocorreram na combinação do
mais inibido pelas beta-endorfinas divulgados no jornal Lancet, ran- COR-I com o COR-II, em quase
(Figura 1). domizou 1742 indivíduos durante 3000 pacientes: uma convulsão (re-
Estudos eletrofisiológicos em ra- 56 semanas para as duas doses pro- lacionada à bupropiona, que dimi-
tos confirmaram uma maior sinali- postas e placebo. No grupo que uti- nui limiar convulsivo e é contrain-
zação de neurônios POMC em roe- lizou 32 mg de naltrexone (a dose dicada em pacientes com história
dores, conforme a hipótese formula- com melhores resultados) a perda de convulsiva prévia), um episódio de
da e, posteriormente, a combinação peso média foi de 4,8%, sustentada, parestesia e um de palpitações, asso-
mostrou-se eficaz em reduzir subs- e a porcentagem de indivíduos que ciado a dispneia e ansiedade. A pres-
tancialmente o consumo alimentar perderam mais de 5%, 10% e 15% são arterial permaneceu inalterada e
em animais, mais do que o efeito de peso foi, respectivamente, 48%, houve o aumento de um batimento
aditivo das duas drogas. 25% e 12%. Houve diminuição de por minuto. Porém, nos indivíduos
Após estudos fase II, designou-se circunferência abdominal, aumen- que perderam peso, houve redução
que as dosagens usadas em conjun- to de HDL, redução de triglicérides, dos níveis pressóricos.
to seriam de 360 mg de bupropio- proteína C reativa e glicemia de je- Outro estudo recente, o COR-
na SR, dividida em duas tomadas, jum. A taxa de abandono por efeitos -BMOD, ofereceu, além do trata-
e naltrexone SR de 16 ou 32 mg (a adversos no grupo tratamento foi de mento com a combinação, conse-
dose de naltrexone 48mg foi descar- 20%, contra 7% no placebo, sen- lhos sobre modificação de estilo de
tada por alto índice de efeitos cola- do o mais frequente a náusea (que vida e atingiu uma perda de peso
terais e abandono). Os comprimidos ocorreu principalmente nas primei- média de 11,5% (4,2% subtraída do
possuíam a combinação em dose fixa ras semanas de tratamento e mais as- placebo), claramente mostrando que

Figura 1 – Hipótese do mecanismo de ação da associação de bupropiona com naltrexone

abril 2012 – ABESO 56 – 9


a combinação de drogas com acon- para comercialização em dose fixa, útil para alguns pacientes que tive-
selhamento tem grande possibilida- possuímos, no Brasil, as duas dro- ram falha clínica com modificação
de de ser eficaz (80,4% dos que ter- gas no mercado, sempre destacan- de estilo de vida e outras medicações
minaram o estudo perderam mais de do que uma eventual prescrição para de primeira linha, como orlistate e
5% do peso). a obesidade caracteriza o uso off-la- sibutramina. Sempre se respeitando
Infelizmente, nos EUA, embora bel, permitido pelo CFM, mas que a contraindicação em pacientes com
a combinação em dose fixa diária de deve sempre ser bem explicado ao história de epilepsia, além de cuida-
360 mg de bupropiona com 32 mg paciente. A bupropiona é vendida do com a administração em conjun-
de naltrexone tenha recebido uma nas doses de 150 e 300 mg, com di- to com outras medicações de ação
revisão positiva pelos membros do ferentes perfis farmacocinéticos de central e mecanismos semelhantes
painel consultivo do FDA, a droga liberação; e o naltrexone, na dose de à bupropiona (como inibidores de
foi rejeitada pelo mesmo FDA em 50 mg (mais alta que a utilizada nos recaptação de serotonina, tricíclicos
fevereiro de 2011, por ausência de estudos, além de ser de liberação rá- e outras drogas de ação catecolami-
dados de segurança de longo prazo, pida). A apresentação disponível do nérgica). O naltrexone possui pou-
apesar do bom perfil de tolerabili- naltrexone dificulta o uso na clínica, cas interações e só não deve ser uti-
dade e segurança apresentados nos por maiores efeitos colaterais e tem- lizado em pacientes em tratamento
estudos. po de ação mais curto. De qualquer com opiáceos, por diminuir a efeti-
Embora ainda indisponíveis maneira, pode ser uma ferramenta vidade do tratamento. c

Referências Bibliográficas 3. Greenway, FL, Whitehouse, MJ, Guttadau- -blind, placebo-controlled, phase III trial.
1. Halpern, B, Faria AM, Halpern, A. Bupro- ria, M, et al. Rational design of a combina- Lancet 2010, 376:595-605.
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2415 (COR-I): a multicentre, randomized, double-

10 – ABESO 56 – Abril 2012


Avaliação Pré-Operatória
da Cirurgia Bariátrica:

Artigo
Aspectos Pulmonares
Marcio Mancini – Chefe do Grupo de quência da redução do volume resi- ficável. A obesidade pode predis-
Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina da dual expiratório e do volume residu- por à SAOS devido ao acúmulo
Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). al funcional, levando a uma distri- de gordura em volta da orofarin-
buição anormal da ventilação e piora ge e na própria musculatura da fa-
Introdução da troca gasosa. Soma-se a isso uma ringe, alterando a geometria da via

N
a avaliação pré-operatória limitação de fluxo expiratório, com aérea, o que resulta em aumento da
do paciente bariátrico, do aumento do trabalho da musculatu- pressão extraluminal e propensão a
ponto de vista respiratório, ra diafragmática.2 colabamento. Algumas vezes, as al-
é importante o reconhecimento e a A meta-análise recente de Bu- ças fluxo-volume podem apresentar
avaliação das seguintes condições: chwald mostrou que a cirurgia ba- “dentes de serra” devido à presença
1) doenças pulmonares associadas à riátrica proporcionou resolução da de tecidos moles redundantes e ede-
obesidade, tais como a síndrome da SAOS em 86% dos pacientes; por maciados em pacientes com SAOS.
apneia obstrutiva do sono (SAOS) outro lado, os pacientes com SAOS A medida da circunferência cervi-
e a síndrome da hipoventilação da apresentam um aumento de risco cal (CC) é a medida antropométri-
obesidade (SHO); 2) doenças pul- devido à maior gravidade do qua- ca que mais se associa com a SAOS,
monares intrínsecas que podem ser dro clínico.3 Esses pacientes, portan- podendo ser ajustada de acordo com
agravadas pela obesidade, tais como to, devem ser cuidadosamente ava- a presença de outros sintomas e si-
doença pulmonar obstrutiva crôni- liados antes da cirurgia. nais (CC ajustada ou CCaj) (Tabela
ca (DPOC), asma brônquica, fibro- 1).6 A avaliação da sonolência diur-
ses pulmonares, hipertensão pulmo- Considerações sobre na pode ser feita utilizando a Escala
nar e tromboembolismo pulmonar a SAOS e a SHO de Sonolência Epworth (ESE) (Ta-
(TEP) de repetição. A doença respiratória mais comum bela 2).7
A obesidade abdominal causa re- associada à obesidade é a SAOS,4
dução dos volumes pulmonares, re- que é definida como o colabamen- Menos comum, mas provavel-
duz a complacência da parede torá- to repetitivo da faringe (parcial ou mente subdiagnosticada, é a síndro-
cica e aumenta a demanda total do completo) durante o sono, ocorren- me da hipoventilação da obesidade
organismo por oxigênio. Além dis- do mais do que cinco vezes por hora (SHO), definida como desenvolvi-
so, doenças associadas à obesidade, (índice de apneia e hipopneia ou mento de hipercapnia (PaCO2 >45
como o diabetes tipo 2, podem le- IAH) associada a sonolência diur- mmHg) em vigília em indivíduo
var a dano neuropático e vascular, na. Os sinais e sintomas mais co- obeso (IMC >30 kg/m²) na ausência
comprometendo a função dos mús- muns são: sonolência diurna, sono de outras razões para hipoventilação,
culos respiratórios e dos músculos não reparador, noctúria, ronco alto, como por exemplo, deformidade to-
dilatadores da faringe.1 Na SHO, apneias presenciadas e sensação de rácica, doença pulmonar ou neuro-
os pacientes apresentam um padrão sufocamento, com hipertensão arte- muscular coexistente. Esses pacien-
restritivo na avaliação da função rial de difícil controle.5 A doença é tes compartilham muitas caracterís-
pulmonar, devido à diminuição da mais comum em homens e em mu- ticas clínicas com os pacientes com
complacência da parede torácica. O lheres após a menopausa, aumenta SAOS (e muitos apresentam ambas
mais comum é uma redução da ca- com a idade e com o aumento de as doenças), mas a SHO é mais gra-
pacidade pulmonar total em conse- peso, que é a única variável modi- ve e está associada a maior morbidez

abril 2012 – ABESO 56 – 11


Tabela 1 – Circunferência cervical ajustada
respiratória com CPAP e o uso de
Se o paciente VNI noturna estão indicados. Os
for hipertenso, somar 4 cm; pacientes com SpO2 <95% e/ou bi-
for um roncador habitual, somar 3 cm; carbonato em sangue venoso >27
relatar engasgo ou sufocação na maioria das noites, somar 3 cm. mEq/L (na ausência de oxímetro a
Total: . . . . . . . cm. gasometria venosa pode ser usada,
Probabilidade clínica: avaliando-se o nível de bicarbona-
Menor que 43 cm Baixa to) devem ser submetidos a gaso-
De 43 a 48 cm Intermediária metria arterial para avaliação do
Maior que 48 cm Elevada
PaCO2. Caso se confirme o diag-
nóstico de SHO, a oxigenoterapia
Tabela 2. Escala de sonolência Epworth. está indicada. É de suma importân-
cia descartar a presença de doença
Situação Chance de cochilar
pulmonar intrínseca ativa através
Sentado lendo
de anamnese cuidadosa, radiogra-
Assistindo TV
fia de tórax, ecocardiograma e es-
Sentado inativo em lugar público (ex.: reunião, teatro) pirometria. Estes pacientes, bem
Como passageiro num carro por 1 hora sem parar como os tabagistas, devem ser en-
Deitando para descansar após almoço se as circunstâncias permitem caminhados ao pneumologista, que
Sentado conversando com alguém avaliará a gravidade da doença e o
Sentado em lugar calmo após almoço sem álcool risco cirúrgico. Neste grupo de pa-
Em um carro parado por alguns minutos devido ao trânsito cientes, estão aqueles com doença
Pontos Resultados respiratória associada à elevação da
0 Nenhuma chance de cochilar 0-10 Normal pressão arterial pulmonar, nos quais
1 Chance leve de cochilar 11-12 Limítrofe deve ser avaliado, em conjunto com
2 Chance moderada de cochilar >12 Anormal o endocrinologista, o potencial de
redução da hipertensão pulmonar
com a perda de peso, para julgar se
e mortalidade, normalmente relacio- instituído preferencialmente antes a cirurgia é factível para a melhora
nadas ao comprometimento cardí- da cirurgia bariátrica.9 do doente. É mandatória a cessa-
aco e respiratório.8 Na nossa expe- ção de tabagismo pelo menos dois
riência, no Ambulatório de Obe- Avaliação Respiratória do meses antes da cirurgia (Figura 1).
sidade do Hospital das Clínicas da Paciente Antes da CB Uma avaliação cuidadosa e deta-
FMUSP, a medida da saturação pe- A avaliação inicial do paciente antes lhada da via aérea superior do pa-
riférica de oxigênio permite identi- da cirurgia bariátrica prevê a realiza- ciente obeso é necessária antes de
ficar pacientes com maior risco de ção, além da história e exame físico uma entubação traqueal eletiva e
apresentar SHO e/ou SAOS, estan- detalhados, de medida da CCaj, de mesmo a ventilação com máscara
do alterada (SpO2 <95%) em apro- radiografia de tórax, ecocardiografia, pode ser consideravelmente difí-
ximadamente 33% dos pacientes aplicação do inquérito ESE e medi- cil. A incidência de dificuldades na
obesos (IMC >30 kg/m²). Pacientes da da SpO2 (Figura 1). entubação por anestesistas gira em
com SHO que não recebem supor- Pacientes com sonolência exces- torno de 13%, principalmente em
te ventilatório não invasivo (VNI: siva diurna (ESE >10) e/ou CCaj pacientes com escore de Mallampati
CPAP, BPAP, oxigenoterapia) du- >43cm idealmente devem ser sub- III e IV (Figura 1 e Figura 2). Esses
rante o tratamento apresentam uma metidos a polissonografia, mesmo problemas são causados pela pre-
mortalidade de 23% em 18 meses e quando a SpO2 for normal. Na im- sença de depósitos gordurosos na
de 46% em sete anos, contra 3% e possibilidade de realização de po- face, na região malar, tórax, língua,
22%, respectivamente, naqueles que lissonografia ou na presença de e pelo pescoço curto com excesso de
recebem suporte VNI, que deve ser SAOS diagnosticada, a fisioterapia tecidos moles em pálato, faringe e

12 – ABESO 56 – Abril 2012


Figura 1 – Organograma da avaliação respiratória do paciente obeso no
pré-operatório de cirurgias bariátricas.
região superior e anterior da larin-
ge. Além disso, pode haver restri-
ANAMNESE
ESE > 10
SpO2 ≤ 95% ou ESE < 10 R-X TÓRAX
ção à abertura da boca e limitações
BIC ≥ 27 mEq/l SpO2 > 95% ou
BIC < 27 mEq/l
ECOCARDIOGRAMA
ESPIROMETRIA
da flexão e extensão da coluna cer-
CCaj > 43 cm
CCaj ≤ 43 cm
vical e da articulação atlantoocci-
GASO POLISSONO
pital. Equipamento para cricotiroi-
ARTESANAL SEM DOENÇA
ATIVA
DOENÇA ATIVA
PULMONAR
dotomia e ventilação transtraque-
SIM N/D PULMONAR INTRÍNSECA al deve estar sempre disponível. O
INTRÍNSECA
SHO
SAOS exame desses pacientes deve incluir
(CESSAÇÃO DE uma análise da região cefálica e cer-
FUMO)
LIBERADO
O2
CPAP
PERIOP PARA vical, incluindo a flexão, extensão
CIRURGIA
ESPIROMETRIA
e rotação lateral do pescoço, a mo-
LIBERADO PARA
PNEUMOLOGISTA bilidade da mandíbula e a abertu-
CIRURGIA +
RECUPERAÇÃO
IOT
MALLAMPATI
III/IV
ra da boca, inspeção da orofarin-
ANESTÉSICA ge, dentição e patência das narinas,
sendo importante questionar o pa-
Figura 2. Escores de Mallampati 1 a 4.
ciente sobre dificuldades anteriores
na ventilação ou entubação.
Pacientes muito obesos sob seda-
ção não devem ventilar espontanea-
mente, pois a hipoventilação é pro-
vável, com consequente instalação
ou agravamento de hipóxia e hiper-
capnia. Em geral, o paciente obeso
requer ventilação mecânica com alta
fração inspirada de O2 e, muito pro-
vavelmente, adição de PEEP (pres-
são expiratória final positiva).10 c

Referências Bibliográficas
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abril 2012 – ABESO 56 – 13


Exercício e
alimentação

Claudia Cozer – Doutora em Endocrinologia


pela Faculdade de Medicina da Universidade de
São Paulo; membro da Diretoria da ABESO.
Fernanda Pisciolaro – Nutricionista
do Ambulatório de Transtorno Alimentar

Transtornos
(Ambulim) do Hospital das Clínicas da FMUSP;
membro do Departamento de Psiquiatria e
Transtornos Alimentares da ABESO.

Alimentares É
indiscutível que a prática re-
gular de exercícios físicos traga
benefícios fisiológicos, psico-
lógicos e sociais à saúde, sendo tam-
bém essencial para a prevenção de
doenças cardiovasculares e osteoar-
ticulares, para a manutenção pon-
deral, para o controle da pressão ar-
terial, prevenção de depressão e con-
trole do estresse, dentre outros. Mas
devemos ter em mente que o exces-
so na quantidade e ou qualidade do
exercício físico também pode ser in-
dicador de um transtorno corporal.
O uso do exercício físico para o
controle de peso é intensamente di-
fundido e recomendado, além de
ser um meio pelo qual o indivíduo
consegue melhorar suas capacida-
des físicas e esportivas. Entretanto,
muitas vezes, tanto o desejo de con-
quista de desempenho máximo na
modalidade esportiva, quanto a ob-
sessão em controlar o peso aumen-
tam o risco de desenvolvimento de
transtornos alimentares em indiví-
duos suscetíveis.
Nos critérios diagnósticos do
DSM-IV e CID-10, a prática de
exercício vigoroso é citada como
um comportamento compensatório
inadequado, utilizado nos portado-
res de transtornos alimentares para
prevenir o ganho de peso, e mais as-
sociado à bulimia nervosa, embora
muitos trabalhos demonstrem que
essa característica é comum, princi-
palmente em pacientes com anore-
xia nervosa.
Ainda não existe consenso sobre o

14 – ABESO 56 – Abril 2012


termo que melhor define e caracteri- aumentavam a ingestão alimentar; da Mulher Atleta” e foi considerada
za a prática de exercício não saudável e duração superior a duas horas por uma síndrome severa, que pode le-
utilizada por indivíduos com trans- dia de exercício. var à diminuição de rendimento, ao
tornos alimentares e o que interfere aparecimento de comorbidades e até
na avaliação do padrão de atividade Prevalência em Atletas a morte.
física, mas alguns autores defendem Estudos indicam que em atletas a A síndrome provavelmente ini-
que dois aspectos estão presentes: um prevalência de sintomas de trans- cia-se com a modificação do padrão
aspecto quantitativo, que correspon- tornos alimentares é maior que em alimentar em busca de redução de
de ao excesso na frequência, duração não atletas, especialmente entre as gordura corporal e peso, associado
e intensidade do exercício; e outro mulheres e em modalidades espor- à melhora de desempenho esporti-
qualitativo, que se refere à sensa- tivas que exigem controle do peso vo. Passa a reduzir progressivamente
ção de obrigatoriedade em praticar por categoria (lutas, levantamento a ingestão e tornar-se restritiva e/ou
o exercício, com a troca de ativida- de peso, fisiculturismo); ou que ex- fazer uso de métodos purgativos ou
des sociais e de lazer pelo exercício e, põem o corpo, com julgamento esté- compensatórios inadequados. A per-
quando eventualmente o indivíduo é tico (ginástica artística, ginástica rít- da de peso e a insuficiente ingestão
impossibilitado de praticá-lo, sente- mica, nado sincronizado, mergulho, alimentar levam às disfunções de ci-
-se ansioso, demasiadamente triste, patinação, dança, balé); ou ainda em clo menstrual e à perda óssea.
irritado, culpado ou com a sensação esportes de resistência, em que o bai- A amenorreia em mulheres atle-
de que ganhará peso se deixar de se xo peso contribui com a velocidade tas não deve ser considerada “nor-
exercitar apenas um dia. e eficiência do movimento (corrida, mal” e precisa ser investigada. De-
Alguns estudos sustentam que natação, esqui, ciclismo, hipismo, vem ser também desestimulados os
a qualidade do exercício é um fa- jóquei). A prevalência nessa popula- comportamentos restritivos e com-
tor mais relevante que a quantidade ção pode chegar a até 62%. pensatórios inadequados.
na determinação dessa relação pato- Muitas vezes esses indivíduos
lógica com o exercício. No estudo atletas apresentam síndromes par- Vigorexia
de Adkins e Keel (2005), indivídu- ciais de transtorno alimentar e, por Mais associada ao público masculino
os que praticavam exercícios foram isso, raramente são diagnosticados e e comum em praticantes de fisicul-
divididos em: 1) um grupo que se é comum que alguns desses sintomas turismo, levantadores de peso e mo-
exercitava com o objetivo exclusi- prejudiquem seu desempenho atléti- dalidades de luta, a vigorexia - tam-
vo de controlar o peso ou cuidar da co e a qualidade de vida. bém chamada de dismorfia corporal,
aparência e 2) outro, com o objeti- anorexia nervosa reversa ou transtor-
vo de uma atividade saudável; e con- Tríade da Mulher Atleta no dismórfico corporal - está asso-
cluiu que a qualidade do exercício Diante da maior participação da ciada à distorção da própria imagem
predizia positivamente a presença de mulher no esporte, da presença fre- corporal a fim de se adequar ao pa-
sintomas de transtornos alimentares, quente de sintomas de transtorno drão corporal ideal e apreciado so-
enquanto a quantidade, não, no gru- alimentar, deficiências nutricionais cialmente.
po 1. Já Assunção et. al., em 2002, e irregularidade menstrual, o Ameri- Tais indivíduos preocupam-se em
avaliaram quais os métodos mais uti- can College of Sports Medicine criou se tornarem cada vez mais fortes e
lizados por pacientes com transtor- em 1992 uma categoria especial de musculosos e se vêem fracos, mes-
nos alimentares para perda de peso e atenção a mulheres atletas, para que mo estando fortes. Para alcançar o
verificaram que 70% deles relataram todos os profissionais que trabalhem corpo desejado realizam treinamen-
o exercício como um dos métodos com esses indivíduos estejam atentos to intensivo e longo, que leva a pre-
usados, sendo que grande parte deles a três situações distintas: a presença juízos sociais, uso de uma alimenta-
apresentava critérios de obrigatorie- de alimentação transtornada e com- ção hiperproteica e pobre em gordu-
dade em se exercitar mesmo quando portamentos inadequados para con- ras, com uso abusivo de suplementos
indispostos; presença de uma rotina trole de peso, a amenorreia e a oste- alimentares (compostos de proteínas
fixa com compensações quando fal- oporose ou osteopenia. Essa com- extraídas do soro do leite, complexos
tavam em alguma sessão ou quando binação recebeu o nome de “Tríade vitamínicos de minerais e eletróli-

abril 2012 – ABESO 56 – 15


tos, carnitina e creatina, hormônio Quando existe o uso de esteróides Recomenda-se que a orientação
do crescimento, insulina, diuréticos anabolizantes, pode levar a diversos não seja focada simplesmente em per-
e cafeína), muitas vezes associado ao problemas como ginecomastia, in- da de peso ou em “queimar calorias”
uso de esteróides anabolizantes. fertilidade, atrofia testicular, proble- e é necessária a avaliação da motiva-
O uso ilícito de anabolizantes mas de ereção e calvície nos homens; ção para a prática de exercícios, o re-
acontece com o objetivo de aumen- e, nas mulheres, crescimento do pêlo conhecimento da prática excessiva ou
tar a força muscular e melhorar a facial, hipertrofia do clitóris, atrofia compulsiva e a sua utilização como
aparência. Esses indivíduos acredi- mamária, perda de cabelo, engros- método de compensação – que, mui-
tam que estas drogas aumentam a samento da voz e amenorreia. Em tas vezes, pode estar mascarando sin-
intensidade das sessões de levanta- ambos os sexos pode-se verificar um tomas de transtornos alimentares e,
mento de peso, retardam a fadiga, aumento da pressão arterial, risco quando detectados tais comporta-
aumentam a resistência, além de ter acentuado de doenças cardiovascu- mentos, o paciente deve ser encami-
ação direta no crescimento muscu- lares, hipertrofia ventricular esquer- nhado a tratamento especializado. O
lar. Verifica-se que os indivíduos que da, tumores hepáticos, acne, parali- indivíduo deve ser orientado para os
fazem uso de esteróides anabolizan- sação do crescimento ósseo e efeitos reais ganhos com a atividade física,
tes apresentam maior distorção da psiquiátricos como agressividade, a desmistificar esses suplementos e
imagem corporal do que aqueles que delírios, quadros psicóticos e pensa- compreender as metas realistas.
não as utilizam. mentos suicidas. Em pacientes com transtor-
A etiologia da vigorexia parece ser nos alimentares a prática de exercí-
muito semelhante à dos transtornos Como Orientar o Exercício cios pode ser terapêutica, desde que
alimentares, envolvendo aspectos so- Ao trabalhar com atletas ou esportis- orientada por profissional compe-
cioculturais (ditadura da beleza, prá- tas, os profissionais de saúde devem tente e com conhecimentos especí-
tica de dietas), psicológicos (baixa estar atentos a orientar exercício físico ficos; e pode ser contraindicada em
autoestima, perfeccionismo), bioló- buscando benefícios à saúde, dando quadros agudos de restrição alimen-
gicos e familiares, embora esse trans- atenção ao estabelecimento de metas tar e/ou purgações; ou ainda quando
torno ainda não esteja descrito nos realistas, em curto prazo, que estimu- os mesmos praticam exercícios ape-
manuais de psiquiatria (CID-10 e lem a autoeficácia; oferecendo supor- nas com o objetivo de perda de peso
DSM-IV). te social; mostrando benefícios como ou compensação alimentar.
Além das consequências psico- a redução da ansiedade, elevação do
lógicas, tais indivíduos podem so- humor; enfatizando o cuidado com a Nota: Envie sugestões de temas
frer desordens metabólicas, especial- saúde e prevenção de doenças; com a que gostaria que fossem aborda-
mente na glicemia e colesterol, além imagem corporal; a autoestima; des- dos neste espaço para o e-mail
da possibilidade de danos renais. mistificando crenças. [Link]@[Link]. c

Referências Bibliográficas Paulo, Manole, 2011. Bras. Psiquiatr. 2010; 24(3):80-84.


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pacientes com transtornos alimentares. São dos poblaciones masculinas. Rev. Med. Chi- symptom of bulimia nervosa? Int J Eat Di-
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16 – ABESO 56 – Abril 2012


NotÍcias sobre Obesidade
Gene da Problemas
Gulodice Proteção nas Funções
aos Idosos Cognitivas dos
P
ublicado na revista Nature Me-

O Bebês
dicine, artigo revela a desco- sobrepeso e a obesi-
berta do que vem sendo cha- dade, tão condenados

A
mado de “gene da gulodice”. Na ver- em tempos de epide- obesidade materna pode
dade, trata-se do gene Bdnf que, ao mia mundial, quem diria, aca- ter influência no desenvol-
sofrer alterações, fez com que o ca- bam de ser parcialmente absol- vimento cerebral de bebês
mundongo estudado comesse sem vidos entre os idosos. Pesqui- prematuros. Segundo pesquisa do
controle. Normalmente, este gene é sa da Universidade de Tel Aviv, Wake Forest Baptist Medical Center,
o responsável por transmitir ao cé- Israel, revela que gordura em EUA, publicada no periódico Pe-
rebro o sinal da saciedade. Pesqui- excesso na população acima diatrics, essas crianças, nascidas antes
sadores comentam que o desafio dos 85 anos pode ter um efeito dos sete meses, apresentam maior ris-
agora é tentar desenvolver drogas protetor. Pesquisadores desco- co de desenvolver declínio cognitivo.
que estimulem a atividade do Bdnf briram que idosos com quilos Os pesquisadores envolvidos no tra-
no cérebro. “A descoberta pode fa- extras que superaram as ame- balho observaram 921 crianças nas-
zer com que surjam novas estraté- aças do diabetes, hipertensão e cidas antes da 28ª semana de gesta-
gias para que o cérebro controle o câncer têm menor tendência à ção, entre os anos de 2000 e 2004.
peso do corpo”, afirmou Baoji Xu, osteoporose (o que reduz a in- Analisadas ao nascer, ao completa-
da equipe que desenvolveu o traba- cidência de quedas e lesões) e rem dois anos passaram por avalia-
lho, na Georgetown University Medi- possuem energia para gastar em ções de suas habilidades cognitivas,
cal Centre, EUA. momentos de trauma, estresse enquanto as mães foram entrevista-
Alterações no gene Bdnf levaram ou diminuição de apetite. Mas, das e tiveram seus históricos médicos
ao bloqueio dos sinais da leptina e alertam os médicos, é preciso analisados. A conclusão é que crian-
da insulina, impedindo o controle colocar na balança a questão da ças prematuras filhas de mães obe-
do apetite no camundongo estuda- mobilidade e da dor. c sas apresentaram problemas precoces
do. c nas funções cognitivas. c

Risco Associado ao Uso de Hipnóticos

M
ais um problema acaba de possivelmente devido à relação com a
ser associado à obesidade, apneia do sono”. Os homens apresen-
dos inúmeros já conhecidos. taram o dobro de risco de mortalida-
Dessa vez, um estudo apresentado nas de que as mulheres, e o consumo dos
sessões científicas da American Heart hipnóticos pelos obesos se revelou as-
Association 2012 afirma que o peso ex- sociado a uma morte a mais em cada
cessivo pode aumentar o risco de mor- 100 pessoas que fizeram uso dos me-
te associado ao uso de medicamentos dicamentos.
para dormir. A tendência foi detectada A pesquisa acompanhou mais de 40
mesmo entre pacientes que ingeriram mil pessoas e as conclusões foram pu-
18 – até menos – hipnóticos em um blicadas no jornal online BMJ Open.
ano, e foi maior entre pessoas de 18 a O trabalho foi o primeiro a concluir
54 anos. que os oito hipnóticos mais consumi-
Um dos autores do estudo, Daniel dos no mundo – entre eles o zolpidem
Kripke, afirmou que “os pacientes obe- e o temazepan – aumentavam o risco
sos são particularmente vulneráveis, de morte e de desenvolver câncer. c

abril 2012 – ABESO 56 – 17


ABRIL 2012 IOF Regionals Brazil’12 SETEMBRO 2012
Data: 24 a 27
DiabetesSul 2012 36th Annual Meeting of the
Agenda

Local: São Paulo, SP European Thyroid Association


Data: 13 a 14
Informações: [Link]
Local: Porto Alegre, RS Data: 8 a 12
org/brazil-2012/[Link]
Informações: [Link]/diabete- Local: Pisa, Itália
sul2012 Informações: [Link]
JUNHO 2012
Simpósio Internacional de 14º Congresso Brasileiro de
Neuroendocrinologia III E.B.E.P - Encontro Brasileiro Nutrologia
Endocrinologia Pediátrica -
Data: 12 a 14 Data: 19 a 21
2012
Local: Belo Horizonte, MG Local: São Paulo, SP
Data: 14 a 16
Informações: [Link] Informações: [Link]/congresso
Local: São Paulo, SP
VI Fórum de Síndrome Informações: [Link] Obesity Society Annual
Metabólica Scientific Meeting
EndoRecife
Data: 19 a 21 Data: 20 a 24
Data: 28 a 30
Local: Fortaleza, Ceará Local: San Antonio, Texas, EUA
Local: Porto de Galinhas, PE
Informações: [Link] Informações: [Link]
Informações: [Link]
Congresso Paulista de Clínica
Médica – 2012 NOVEMBRO 2012
JULHO 2012
Data: 20 e 21 XXX Congresso Brasileiro de
Local: São Paulo, SP Third International Congress on Endocrinologia e Metabologia
Informações: [Link]
Abdominal Obesity
Data: 7 a 10
Data: 9 a 11
XV Encontro Brasileiro de Local: Goiânia, GO
Local: Quebec, Canadá
Tireoide Informações: [Link]
Informações: [Link]
Data: 28/4 a 1/5
Local: Natal, RN
Informações: secretaria@[Link]
AGOSTO 2012
2º EPEC - Encontro Paulista
MAIO 2012 Itinerante de Endocrinologia
Clínica - 2012
ICE-ECE 2012 Data: 10 e 11
Data: 5 a 9 Local: Presidente Prudente, SP
Local: Florença, Itália Informações: [Link]
Informações: [Link]
6º DiaBHetes-Santa Casa
XVIII Congresso Panamericano Data: 17 a 18
de Endocrinologia – Copaen
Local: Belo Horizonte, MG
2012
Informações: cepcemeventos@[Link]
Data: 7 a 11
Local: Havana, Cuba 7º Congresso de Endocrinologia
Informações: [Link]
e Metabologia da Região Sul
Data: 30 de agosto a 1° de setembro
10º Congresso Paulista de
Local: Serrano Resort Convenções & SPA
Diabetes e Metabolismo – Gramado/RS
Data: 16 a 19 Informações: [Link]
Local: Ribeirão Preto, SP
Informações: [Link]/diabetes

18 – ABESO 56 – Abril 2012


Controle Eficaz.1

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ÚNIC E VANS PARA
A REC NAI ES.
OFE DICIOACIENT
A SP
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CONTRAINDICAÇÃO: PIOTAZ é contraindicado a pacientes com insuficiência cardíaca classe


funcional III e IV (NYHA). INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA: PIOTAZ pode interagir com
anticoncepcional oral diminuindo a disponibilidade do etinilestradiol.
PIOTAZ (cloridrato de pioglitazona). Uso Adulto – Uso Oral – Indicações: Piotaz é um antidiabético oral utilizado como coadjuvante de dieta e exercícios para melhorar o controle
glicêmico em pacientes com diabetes mellitus tipo 2; como monoterapia e também para uso em combinação com sulfoniluréia, metformina ou insulina. Contraindicações: Piotaz é
contraindicado a pacientes com hipersensibilidade a pioglitazona ou a qualquer um de seus excipientes. Cuidados e Advertências: não deve ser usado em pacientes portadores de diabetes
mellitus tipo 1 ou para tratamento de cetoacidose diabética. Em combinação com insulina ou agentes hipoglicemiantes orais há risco de hipoglicemia, podendo ser necessária a redução do
agente concomitante. Pacientes que estejam em período ovulatório pré-menopausa podem ter reinício da ovulação. A pioglitazona pode causar decréscimos na hemoglobina (de 2 a 4%) e
hematócrito. Estudos clínicos observaram o aparecimento de edema leve e moderado. Não está indicada em pacientes com insuficiência cardíaca classe III ou IV da NYHA. As elevações de
TGP em pacientes tratados com cloridrato de pioglitazona foram reversíveis e não foram relacionadas com a terapia com pioglitazona. Embora os dados clínicos disponíveis não mostrem
nenhuma evidência de hepatotoxicidade ou elevações de TGP induzidas por pioglitazona, a mesma está estruturalmente relacionada com a troglitazona. Recomenda-se que pacientes
tratados com cloridrato de pioglitazona sejam submetidos a monitorações periódicas de enzimas hepáticas. A terapia com cloridrato de pioglitazona não deve ser iniciada se o paciente exibir
evidência clínica de doença hepática ativa ou níveis de TGP 2.5 vezes acima dos limites da normalidade. A pioglitazona não deve ser usada em pacientes que apresentam icterícia durante o
uso de troglitazona. Medidas de glicemia de jejum e hemoglobina glicosilada (HbA1c) devem ser realizadas periodicamente para monitorar o controle glicêmico e a resposta terapêutica, bem
como enzimas hepáticas. Pioglitazona deverá ser usada durante a gravidez somente se os potenciais benefícios justificarem o risco potencial para o feto. Não deve ser administrada a mulheres
durante o período de amamentação. O uso da pioglitazona não é recomendado para pacientes com menos de 18 anos de idade. Nenhuma diferença significativa na eficácia e segurança foi
observada entre pacientes idosos. Interações medicamentosas: Devem ser adotadas precauções adicionais relativas à contracepção em pacientes que estejam recebendo pioglitazona.
Cetoconazol parece inibir significativamente o metabolismo da pioglitazona. Reações adversas: Eventos adversos relatados em estudos clínicos com frequência > 5%: infecção do trato
respiratório superior, cefaléia, sinusite, mialgia, alterações dentárias, diabetes mellitus agravado, faringite. Hipoglicemia leve a moderada foi relatada durante a terapia combinada com
sulfoniluréia ou insulina. Em estudos de monoterapia, edema foi registrado em 4.8%. Na combinação com insulina, o edema ocorreu em 15.3% dos pacientes. Posologia: Uma vez ao dia,
independentemente da alimentação. A monoterapia com PIOTAZ em pacientes sem controle adequado de dieta e exercícios pode ser iniciada com 15 mg ou 30 mg uma vez ao dia. A dose
pode ser aumentada até 45 mg uma vez ao dia (dose máxima diária recomendada). Em pacientes que não respondem adequadamente à monoterapia, uma terapia combinada pode ser
considerada. PIOTAZ deverá ser iniciado na dose de 15 a 30 mg ao dia. Se o paciente apresentar hipoglicemia na associação com sulfoniluréia, a dose desta deverá ser diminuída. Nos
pacientes que estejam recebendo PIOTAZ e insulina, a dose de insulina pode ser diminuída em torno de 10 a 25% se o paciente apresentar hipoglicemia ou se as concentrações de glicose
plasmática diminuírem para valores menores de 10 mg/dl. Não é recomendado o ajuste de doses em pacientes com insuficiência renal. Superdosagem: deve ser iniciado tratamento de
suporte adequado, de acordo com os sinais e sintomas do paciente. Apresentações: Embalagens com 15 comprimidos de 15 mg, 30 mg e 45 mg e embalagens com 30 comprimidos
de 15 mg e 30 mg. USO ADULTO/USO ORAL. VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. Para maiores informações, consulte a bula completa do produto. Reg. MS n°: 1.0583.0716 Farm.
Resp.: Dra Maria Geisa P. L. e Silva – CRF – SP n° 8.082 – Germed Farmacêutica Ltda. – Rod. Jornalista Francisco Aguirre Proença, km 08 – Hortolândia – SP – CNPJ:
45.992.062/0001-65 – Indústria Brasileira – Fabricado por: EMS S/A – Hortolândia – SP – SAC: 0800-191914. Referências Bibliográficas: Ref.1. Pavo, I et al. Effect of pioglitazone
compared with metformin on glycemic control and indicators of insulin sensitivity in recently diagnosed patients with type 2 diabetes. The Journal of clinical endocrinology and metabolism
2003, 88, (4):1637-45.

SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.


Material destinado exclusivamente a profissionais prescritores e dispensadores de medicamentos. Março 2012.

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