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Discurso sobre a Posição do Brasil na América

O discurso proferido na Ilha do Viana destaca a importância da união e vigilância dos trabalhadores brasileiros em apoio ao Governo, enfatizando a necessidade de manter uma neutralidade ativa diante das tensões internacionais. O orador reafirma a solidariedade entre os povos americanos e a importância de respeitar as soberanias nacionais, enquanto convoca os trabalhadores a se prepararem para defender a pátria. A mensagem central é a construção de uma nação forte e unida, focada no progresso e na paz.

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Discurso sobre a Posição do Brasil na América

O discurso proferido na Ilha do Viana destaca a importância da união e vigilância dos trabalhadores brasileiros em apoio ao Governo, enfatizando a necessidade de manter uma neutralidade ativa diante das tensões internacionais. O orador reafirma a solidariedade entre os povos americanos e a importância de respeitar as soberanias nacionais, enquanto convoca os trabalhadores a se prepararem para defender a pátria. A mensagem central é a construção de uma nação forte e unida, focada no progresso e na paz.

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Presidência da República

Casa Civil
Secretaria de Administração
Diretoria de Gestão de Pessoas
Coordenação – Geral de Documentação e Informação
Coordenação de Biblioteca
A posição do Brasil na América

(DISCURSO PRONUNCIADO NA ILHA DO


VIANA, AO REALIZAR-SE A HOMENA-
GEM DA FEDERAÇÃO DOS MARÍTIMOS,
A 29 DE JUNHO DE 1940)
SUMÁRIO

Os 100.000 associados da Federação dos Marítimos e


a constante disposição dos trabalhadores brasileiros a
apoiar o Governo — Sobre as palavras de sinceridade
e previsão patriótica proferidas no "Dia da Mari-
nha" — Motivos para reafirmar os conceitos des-
sa oração — Velhas raposas da politicagem, boa-
teiros e descontentes falhos de dignidade cívica, pres-
tando-se à exploração dos agentes da perturbação in-
ternacional — O dever de não deixar que o nosso
povo se iluda ou seja induzido a erros de puro sen-
timentalismo — O Brasil e a guerra — Estrita neu-
tralidade, ativa e vigilante, na defesa do Brasil —
Fidelidade brasileira ao ideal de fortalecer, cada vez
mais, a união dos povos americanos — Respeito às
soberanias nacionais e à liberdade de se organizarem,
politicamente, segundo as suas tendências, interesses
e necessidades — A posição dos homens de trabalho
no regime presente.
enhores: Esta homenagem da Federação dos Ma-
rítimos, legítima expressão da vontade de seus 100.000
associados, que mourejam no mar, nos estaleiros e ser-
viços portuários, compartilhada por outros grupos pro-
fissionais, muito me reconforta, porque renova a solida-
riedade que sempre encontrei entre os trabalhadores bra-
sileiros, dispostos, agora mais do que nunca, a apoiar o
Governo, num momento de inquietação e apreensões, em
que é necessário o máximo de vigilância e a coragem se-
rena de definir os rumos da nacionalidade.
Foi, para mim, grande satisfação verificar que com-
preendestes as palavras de sinceridade e previsão patrió-
tica que dirigi à Nação no "Dia da Marinha", empres-
tando-lhes o sentido que lhes dei — de um toque de
alerta em face das duras lições dos dias presentes, que
impõem aos povos a mobilização de todas as suas ener-
gias, para não se deixarem surpreender ou arrastar pelos
acontecimentos.
Chamei a atenção dos brasileiros para as transfor-
mações que se operam no Mundo e ante as quais não po-
demos permanecer indiferentes, mais preocupados em la-
mentar as irremediáveis desgraças alheias do que em
cuidar dos nossos superiores interesses; reafirmei os
nossos propósitos de colaboração pacífica e solidariedade
com os povos irmãos do Continente, cujos destinos se
identificam com o nosso pelos vínculos de formação his-
tórica e idênticas aspirações de progresso; mostrei a ne-
cessidade de fortalecermos o país econômica e militar-
mente; quis, finalmente, fazer ver, com o exemplo dos

347
A NOVA POLÍTICA DO BRASIL

fatos, que o regime de 10 de novembro, sendo uma con-


seqüência do ajustamento e equilíbrio das nossas forças
sociais, é, também, o que mais se adapta às circunstân-
cias da vida contemporânea.
Foi bem claro, no pensamento e na forma, o meu
discurso daquele dia memorável. E não é com o comen-
tário falseado e a publicação tendenciosa de frases isola-
das que se pode interpretá-lo. Não volto atrás, não me
retrato de nenhum dos conceitos emitidos. Antes, só te-
nho motivos para reafirmá-los integralmente. As velhas
raposas da politicagem, os boateiros contumazes, os des-
contentes incorrigíveis, falhos de dignidade cívica, e,
mesmo, alguns espíritos de boa fé que pretenderam agi-
tar o ambiente, não perceberam, talvez, que se presta-
vam à exploração dos agentes de perturbação interna-
cional, pagos para fomentar dissídios a serviço de ódios
e objetivos inconfessáveis. E' fácil descobrir e identifi-
car esses elementos nocivos entre os aproveitadores de
todos os tempos, os preparadores de guerras, os sem
pátria, prontos a tudo negociar, e os que, tendo-a, não
sabem defendê-la. Muitos deles, indesejáveis noutras
partes, infiltraram-se clandestinamente no país, com
prejuízo das atividades honestas dos nacionais, e, abu-
sando da nossa hospitalidade, fazem-se instrumento das
maquinações e intrigas do financismo cosmopolita, voraz
e sem escrúpulos. A esses não me dirigi, certamente. Fa-
lei aos brasileiros e aos que se sentem no Brasil como
na própria pátria; e tenho a certeza de que os aconteci-
mentos se incumbiram de tornar ainda mais evidentes
as minhas afirmações.
Responsável direto pelo futuro do nosso povo, não
tenho o direito de deixá-lo iludir-se ou induzi-lo a erros
de puro sentimentalismo. Disse um grande pensador que
não é possível servir, ao mesmo tempo, ao dever e à pai-

348
A POSIÇÃO DO BRASIL NA AMÉRICA

xão. Quem se deixa dominar pela paixão perde o senso


da realidade, obscurece os fatos mais notórios e acaba
arrastado aos maiores desvarios. E' preciso encarar as
imposições da realidade com ânimo sereno e repudiar as
opiniões apaixonadas, se quisermos salvaguardar o fu-
turo da Pátria, pois não a servem, não servem ao seu de-
ver, os que pretendam lançá-la à fogueira dos conflitos in-
ternacionais. Não há, presentemente, motivos de espé-
cie alguma, de ordem moral ou material, que nos acon-
selhem a tomar partido por qualquer dos povos em luta.
O que nos cumpre é manter estrita neutralidade, — neu-
tralidade ativa e vigilante, na defesa do Brasil. Nin-
guém pode dominar a conciência alheia, e, em conciên-
cia, cada qual pode ter as suas simpatias; mas a obri-
gação de todo brasileiro patriota é conduzir-se de modo
a preservar o Brasil da guerra. E' indispensável ver
claro e evitar a triste sorte dos povos que fazem como
os avestruzes, que escondem a cabeça sob as asas, su-
pondo que, com essa atitude passiva, dominam as tem-
pestades.
Somente pela paz e pela união de todos conseguire-
mos construir o nosso engrandecimento e formar uma
grande e poderosa nação, sem temer e sem dar às ou-
tras nações motivos de receio. Podem os brasileiros con-
tinuar entregues às suas atividades, certos de que o Go-
verno manterá a ordem e assegurará a tranqüilidade ne-
cessária ao trabalho e ao desenvolvimento das nossas
fontes de produção e meios de comércio.
Vivemos num continente de civilização jovem, em
que a luta mais árdua é ainda a do aproveitamento dos
abundantes recursos que a Natureza nos oferece. Habi-
tuados a cultivar a paz como diretriz de convivência in-
ternacional, continuaremos fiéis ao ideal de fortalecer,
cada vez mais, a união dos povos americanos. Com eles

349
A NOVA POLÍTICA DO BRASIL

estamos solidários para a defesa comum em face de


ameaças ou intromissões estranhas, cumprindo, por isso
mesmo, abster-nos de intervir em lutas travadas fora do
Continente. E essa união, essa solidariedade, para ser
firme e duradoura, deve basear-se no mútuo respeito das
soberanias nacionais e na liberdade de nos organizarmos,
politicamente, segundo as próprias tendências, interes-
ses e necessidades. Assim entendemos a doutrina de Mon-
roe e assim a praticamos. O nosso pan-americanismo
nunca teve em vista a defesa de regimes políticos, pois
isso seria atentar contra o direito que tem cada povo de
dirigir a sua vida interna e governar-se. Fomos um Im-
pério e somos, hoje, uma República, sem que a mudança
de regime nos afastasse dessa política de cooperação, que
é uma tradição da nossa história.
Trabalhadores: Sois elementos de colaboração efi-
ciente na obra de reconstrução a que nos devotamos.
Na paz, juntais o vosso esforço ao de todos os brasilei-
ros, para desenvolver e consolidar o progresso nacional:
na guerra, como reserva das forças militares, tereis o
vosso lugar em suas fileiras, quando as circunstâncias
exigirem a repulsa, pela força, contra qualquer atentado
ao nosso patrimônio moral e material.
Os homens de trabalho têm no regime vigente uma
posição definida e sabem corresponder às responsabili-
dades dessa posição, mantendo-se coesos e repudiando
tudo quanto possa comprometer os nossos brios cívicos
e ameaçar a segurança da unidade nacional. Tenhamos,
portanto, confiança no futuro, e preparemo-nos, com
ânimo varonil, para cumprir o nosso destino de constru-
tores de uma nova civilização, sempre mais irmanados
no pensamento e na ação, dispostos a correr os mesmos
riscos e sofrer as mesmas vicissitudes, porque é um de-
ver e uma honra o sacrifício pela Pátria.

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