CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS
CAMPUS TIMÓTEO
Robson Henrique Pereira Nascimento
UMA PROPOSTA DE HEURÍSTICAS PARA RECOMENDAÇÕES DE
USABILIDADE DE TECNOLOGIA ACESSÍVEL NA APRENDIZAGEM
DE ANATOMIA PARA PESSOAS COM TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA
Timóteo
2022
Robson Henrique Pereira Nascimento
UMA PROPOSTA DE HEURÍSTICAS PARA RECOMENDAÇÕES DE
USABILIDADE DE TECNOLOGIA ACESSÍVEL NA APRENDIZAGEM
DE ANATOMIA PARA PESSOAS COM TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA
Monografia apresentada à Coordenação de
Engenharia de Computação do Campus
Timóteo do Centro Federal de Educação
Tecnológica de Minas Gerais para obtenção do
grau de Bacharel em Engenharia de Computa-
ção.
Orientador: Márcia Valéria Rodrigues Fer-
reira
Timóteo
2022
.
Dedico a
algumas pessoas.
Agradecimentos
Agradeço aos pais no primeiro parágrafo?
E à namorada ou ao namorado no segundo?
Orientador no terceiro?
Esta página de agradecimentos vive dando problemas.
“Deficiente ou restrito nunca foi o indivíduo, e sim tudo que impede atendimento igual para
casos especiais”.
Alex DogWalker Piracicaba
Resumo
Palavras-chave:
Abstract
Keywords:
Lista de ilustrações
Figura 1 – Conceitos de Avaliação Heurítica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
Figura 2 – Resumo Utilização do GAIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Figura 3 – Modelo de Ensino e Aprendizagem Anatome . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Figura 4 – Sistemática da Pesquisa baseada na RSL de Kitchenham et al. (2010) . . . 23
Figura 5 – Síntede de Dados da Pesquisa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Lista de tabelas
Tabela 1 – Associação de Caracteristicas das Pessoas com TEA . . . . . . . . . . . . . 15
Tabela 2 – Definições dos Conceitos de Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Tabela 3 – Definições das Questões de Pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Tabela 4 – Definições dos Termos de Busca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
Tabela 5 – Identificação das Bases de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Tabela 6 – Quantidade Preliminar por Bases de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Tabela 7 – Termos de Busca Aplicados às Bases . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
Tabela 8 – Relação de Trabalhos Selecionados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Tabela 9 – Artigos de Pesquisas Encontradas após Síntese . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Sumário
1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.1 Problema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.2 Justificativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.3 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
1.3.1 Objetivos Específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
1.4 Estrutura da tese . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.1 Pesquisa Bibliográfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.1.1 Tecnologia Acessível na Web . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.1.2 Transtorno de Espectro Autista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.1.3 Usabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.1.4 Avaliação Heurística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.2 Revisão Sistemática da Literatura - RSL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
3 TRABALHOS CORRELATO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
3.1 GAIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
3.2 Anatome . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
4.1 Etapa de Planejamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
4.2 Etapa de Execução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
4.3 Etapa de Análise dos Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
5 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
5.1 Etapa de Planejamento da RSL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
5.1.1 Questão de Pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
5.1.2 Termos de Busca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
5.1.3 Identificação das Bases de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
5.1.4 Definição dos Critérios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
5.2 Etapa de Execução da RSL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
5.2.1 Busca e Seleção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
5.2.2 Síntese . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
10
1 Introdução
“Investir em conhecimento rende sempre
os melhores juros”.
Benjamin Franklin
A inserção de alunos com deficiência na educação superior é uma realidade necessá-
ria no Brasil. Realidade apresentada nos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais em relação às matriculas realizada por pessoas com deficiência no ensino su-
perior (INEP, 2020). Em 2019, foram registradas em torno de 8,5 milhões de matriculas de
alunos, sendo que aproximadamente 48 mil foram realizada por pessoas com alguma defici-
ência (BONDEZAN; GÓES; SOARES, 2022).
De acordo com Cano (2016), 1,4% da população brasileira possui algum tipo de Trans-
torno de Espectro Autista. A inclusão do número de brasileiros com Transtorno de Espectro
Autista (TEA) nos questionários do CENSO só foi adotada oficialmente em 2020, após a Lei
13.861/2019 (Brasil 2019) (SAMPAIO; FARIAS, 2020).
Pela Classificação Internacional de Doenças (CID) Saúde (1994), o autismo é conside-
rado como um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, onde estaria presente um padrão de
desenvolvimento anormal e/ou comprometimento, manifestos antes dos três anos de idade. O
funcionamento atípico das habilidades da pessoa estaria relacionado a três áreas: interação
social, comunicação e comportamento (BONDEZAN; GÓES; SOARES, 2022).
A aprendizagem inclusiva das pessoas diagnosticadas com TEA, parte do reconheci-
mento e valorização da diversidade como fator de enriquecimento do processo educacional
(DEUS, 2012). Estabelecer mudanças na instituição e na formação docente propõe autono-
mia e igualdade para todos os alunos, indiferentes de suas necessidades individuais (DEUS,
2012).
O processo de formação do aluno, incluindo áreas de Ciências Biológicas que apre-
senta Anatomia como disciplina básica, ainda apresenta características de um ensino tradici-
onal, sendo os alunos considerados sujeitos passivos desse processo de ensino e aprendiza-
gem (RODRIGUES; CRUZ, 2019).
A Anatomia é a ciência que estuda a constituição e o desenvolvimento macro e mi-
croscópicos dos seres vivos (CALAZANS, 2013). Assim, as disciplinas de Anatomia tem como
objetivo a compreensão da nomenclatura e localização das estruturas do corpo humano,
correlacionando-as com as suas respectivas funções (BRAZ, 2009).
O ensino da Anatomia, para todos alunos, ainda é visto como um desafio, devido à
complexidade etimológica da sua terminologia (GUIMARÃES et al., 2020). Para Santarosa e
Conforto (2015), existem alternativas para auxiliar os estudantes com TEA, com o uso das
tecnologias digitais acessíveis, que podem contribuir com a comunicação de pessoas com
Capítulo 1. Introdução 11
autismo e ainda operar como recursos de empoderamento, ampliando a possibilidade de inte-
gração social.
O uso de tecnologia acessíveis para apoiar aprendizagem autônoma de alunos com
necessidades específicas é parte da ferramenta Anatome. O projeto Anatome foi desenvolvido
por profissionais da computação em parceira com professores de Anatomia e participação de
pessoas com deficiência (FERREIRA, 2019).
A Ferreira (2019) propôs um desenvolvimento orientado à modelos e requisitos de
tecnologia acessíveis para apoiar o ensino e a aprendizagem de Anatomia. Nesse projeto foi
implementado um protótipo de sistema web para utilização dos professores (Anatome-AT) e
um mobile (Anatome) para os alunos, tendo acessibilidade aos alunos cegos, com baixa visão
ou sem deficiência.
Para investigar as heurísticas de usabilidade existentes, relacionadas à aprendizagem
de Anatomia para alunos com Transtorno do Espectro Autista, será realizada uma pesquisa
exploratória para identificar princípios dedicados para o desenvolvimento de sistemas e apli-
cativos voltados à aprendizagem de Anatomia. Essa atividade permitirá propor um conjunto de
heurísticas de usabilidade que servirá de base para aplicação no projeto Anatome.
Portanto, a presente pesquisa visa responder a seguinte pergunta: Quais são as heu-
rísticas de usabilidade voltadas para o desenvolvimento de aplicativos para aprendizagem de
Anatomia por estudantes com Transtorno de Espectro Autista?
1.1 Problema
Ações voltadas às pessoas com autismo precisam ser acompanhadas por pesquisas,
para tornar ambientes acessíveis e inclusivos (OPAS/OMS Brasil, 2017). Trabalhos como o
da World Wide Web Consortium (W3C), principal organização de padronização de internet, já
tem por objetivo a padronização de conteúdos (W3C, 2013). Contudo as pesquisas não abor-
dam as heurísticas específicas de recomendações de usabilidade para tecnologias acessíveis
direcionadas aos estudantes com autismo da área de Anatomia.
1.2 Justificativa
O tema proposto parte de uma questão social com direito previsto na constituição. A
Constituição Cidadã, vigente no Brasil, estabelece no art. 205, que “A educação, direito de
todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho".
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal n. 9.394/96), ao tratar
da educação básica, também firma que o Estado deve assegurar a todos “a formação comum
indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes meios para progredir no trabalho
e em estudos posteriores”.
Capítulo 1. Introdução 12
A inclusão de estudantes acadêmicos com deficiência também é regulamentada pela
Lei Brasileira de Inclusão – LBI (BRASIL, 2015) e pela Política Nacional de Educação Es-
pecial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008). Os estudantes com TEA, têm
esses mesmo direito assegurados nas regulamentações (LIMA, 2021) e previstos na Política
Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (BRASIL,
2012).
Assim, o Brasil é um país onde a educação é um direito assegurado para todos, inde-
pendente das especificidades que cada pessoa apresente (BRASIL, 2010). Neste sentido, a
inserção de alunos com TEA é uma realidade necessária para o cumprimento das políticas e
legislações que regulamentam o sistema educacional brasileiro.
Entretanto, pesquisas demonstram que a inclusão acadêmica de pessoas com TEA
é um desafio constante às instituições de ensino mesmo com o amparo dos decretos e leis,
pois necessitam de inovações com o uso de tecnologia acessível para enfrentar e vencer esse
obstáculo pedagógicos (LIMA, 2021).
A inclusão e a diversidade nas instituições de ensino superior necessitam priorizar o
ensino de qualidade para todos os alunos, aperfeiçoando e modernizando os sistemas edu-
cacionais, visando garantir condições de acesso, permanência, e aprendizagem integral e for-
mativa dos estudantes (GUIMARÃES et al., 2020).
Os recursos computacionais têm sido utilizados como uma ferramenta de apoio para
estas estratégias de intervenção com o uso de tecnologia acessível. Para Rodrigues (2020),
a utilização da tecnologia computacional é bem vista como uma ferramenta para ajudar a
trabalhar as habilidades de pessoas com autismo, desde crianças até a fase adulta.
Assim, por se tratar de um assunto importante à comunidade acadêmica e também
de aspecto social, é necessario que se tenham heurísticas que levem em consideração as
especificidades dos estudantes com Transtorno de Espectro Autista, que cursam o ensino
superior com disciplinas da área de Anatomia.
1.3 Objetivos
O objetivo desta pesquisa é identificar um conjunto de heurísticas direcionadas aos
dispositivos móveis acessíveis que apoiam o ensino e aprendizagem de Anatomia para estu-
dantes com Transtorno de Espectro Autista.
1.3.1 Objetivos Específicos
Os objetivos específicos desta pesquisa são:
• Identificar um conjunto de heurísticas específicas de usabilidade para aplicações utiliza-
das por estudantes com TEA;
• Identificar heurísticas específicas de usabilidade para tecnologias de aprendizado da
área de Anatomia;
Capítulo 1. Introdução 13
• Identificar um conjunto de heurísticas específicas de usabilidade para aplicações, a se-
rem executadas, em sistemas de ensino de Anatomia para estudantes com TEA;
1.4 Estrutura da tese
• O Capítulo 1 apresenta a contextualização da pesquisa, o problema, a justificativa e os
objetivos do trabalho.
• O Capítulo 2 mostra a fundamentação teórica sobre os principais temas desse trabalho.
• O Capítulo 3 apresenta os trabalhos correlatos que poderiam dar embasamento à pre-
sente pesquisa.
• O Capítulo 4 apresenta a metodologia adotada na pesquisa para o desenvolvimento do
trabalho.
• O Capítulo 5 apresenta a aplicação da metodologia abordada no Capítulo 4.
14
2 Fundamentação Teórica
“Se o lugar não permite acesso a todas as pessoas,
esse lugar é deficiente”.
Thais Frota
Neste capítulo, são abordados as definições necessárias para o desenvolvimento deste
trabalho. A primeira seção descreve os conceitos essenciais da pesquisa e a segunga seção
será destinada à definição da revisão sistemática de literatura.
2.1 Pesquisa Bibliográfica
Está seção descreve os conceitos de Tecnologia Acessível, Trantorno de Espectro Au-
tista (TEA), Usabilidade e Avaliação Heurísticas. Para isso foi realizada uma revisão da litera-
tura utilizando artigos científicos, revistas, teses e dissertações que tratam sobre o tema de
pesquisa.
2.1.1 Tecnologia Acessível na Web
A tecnologia acessível na web é uma ferramenta para inclusão, tendo o objetivo de
gerar novas possibilidades de comunicação às pessoas com necessidades especificas, dando
suporte visual, permitindo a comunicação por meio de textos, imagens e vídeos (CARNEIRO
et al., 2020). As novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs) promoveram alter-
nativas de ensino e aprendizagem, dando oportunidade à diversas classes incluindo aqueles
que necessitam de apoio direcionado (COSTA; MARINHO; MARINHO, 2018).
Algumas mídias disponíveis como o trabalho da World Wide Web Consortium (W3C),
principal organização de padronização da internet, já tem por objetivo padronizar todo con-
teúdo da web, tornando acessível a todos:
"Acessibilidade na web é a possibilidade e a condição de alcance, percepção,
entendimento e interação para a utilização, a participação e a contribuição, em
igualdade de oportunidades, com segurança e autonomia, em sítios e serviços
disponíveis na web, por qualquer indivíduo, independentemente de sua capa-
cidade motora, visual, auditiva, intelectual, cultural ou social, a qualquer mo-
mento, em qualquer local e em qualquer ambiente físico ou computacional e a
partir de qualquer dispositivo de acesso."(W3C, 2013)
A W3C tem se dedicado à construção das Diretrizes de Acessibilidade de Conteúdo da
Web (WCAG, 2018), que definem como tornar o conteúdo da Web acessível, voltada às pes-
soas com necessidades específicas. Essas diretrizes também são voltadas às pessoas com
autismo, independente da sua faixa etária. Além disso, podem ser aplicadas para ampla gama
de pessoas com deficiência, incluindo visuais, auditivas, físicas, cognitivas, de aprendizagem
e neurológicas (CALDWELL et al., 2008).
Capítulo 2. Fundamentação Teórica 15
Estas construções são executadas pelo WAI (Web Accessibility Initiative), sendo parte
do W3C responsável por desenvolver estratégias, diretrizes e recursos para acessibilidade
Web.
2.1.2 Transtorno de Espectro Autista
O Transtorno do Espectro Autista (TEA), popularmente chamado de autismo, é definido
como um transtorno complexo e neurológico do desenvolvimento da pessoa, caracterizado
pelos prejuízos na comunicação e interação social (CUMIM; MÄDER, 2020). Estes sintomas
estão presentes no indivíduo desde a sua infância e podem ser um limitador em seu compor-
tamento (BONDEZAN; GÓES; SOARES, 2022).
Nesse mesmo sentido, de acordo com Camalionte, Kondo e Rocha (2021), o TEA
acolhe diferentes conjunturas assinaladas por um agrupamento de características como, a
dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem, padrão de comporta-
mento restritivo e repetitivo, dificuldade de socialização e uso da imaginação, sendo que tais
características podem se manifestar isoladamente ou em conjunto.
Sobre as caracteristicas apresentadas por uma pessoa acometida com TEA, Souza,
Benitez e Carmo (2021) fizeram um levantamento relacionando as habilidades com o compor-
tamento afetado. Tais caracteristicas são apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1 – Associação de Caracteristicas das Pessoas com TEA
Habilidade Comportamento
Déficit de reciprocidade social.
Dificuldade de interagir e se relacionar com outras pessoas.
Social
Falta de participação ativa.
Dificuldade de sustentar conversação com outras pessoas.
Dificuldade de compreender os sentimentos de outras pessoas.
Dificuldades de expressão verbal e não verbal.
Comunicação Evitar contato visual.
Repetir palavras e frases insistentemente.
Comportamentos repetitivos.
Imitações.
Apego a objetos.
Interesse
Fascínio com movimento de peças.
Resistência a mudanças ou alterações de rotina.
Insistência em determinadas rotinas.
Repertório restrito de atividades.
Fonte: Souza, Benitez e Carmo (2021)
2.1.3 Usabilidade
O conceito de Usabilidade é caracterizado pela efetividade objetiva na forma de qua-
lidade do produto tecnologico, que permite identificar se uma interface é de fácil e intuitiva
utilização por parte do usuário final (MOURA, 2015). A palavra "usabilidade", no cenário tec-
nológico de aplicação, também é empregada para definir um conjunto de heurísticas para
melhoria na utilização do produto final (ROSA; VALENTIM, 2020)
Capítulo 2. Fundamentação Teórica 16
Por Moura (2015), os detalhes de usabilidade a serem avaliados envolve os aspetos
da Interação Humano-Computador (IHC), com objetivo de tornar o uso eficaz, eficiente e agra-
dável para com o utilizador. Alguns pesquisadores da usabilidade, já propuseram teses sobre
o assunto, propondo métodos diferentes sobre o modelo de avaliação. Foram desenvolvidas
técnicas de avaliação de usabilidade baseadas em quetionários, modelos formais, ensaios de
interção e checklists.
2.1.4 Avaliação Heurística
Os métodos de Avaliação Heurística de interface de tecnologias web e mobile, são
fundamentadas pela engenharia cognitiva, objetivando se de técnicas para criação de siste-
mas computacionais que necessitam do menor esforço cognitivo do usuário na utilização da
ferramenta (MACIEL et al., 2004).
Para Nielsen (2005), avaliar a usabilidade de uma interface envolve não apenas medir
questões relativas às funcionalidades de um software, mas também a facilidade de seu uso
como ferramenta de trabalho, tendo como um dos principais desafios a redução do tempo
necessário para aprendermos a utilizar o sistema. A base da avaliação são as diretrizes de
usabilidade, definidas como Heurísticas.
Dessa forma, a Figura 1 sintetiza os conceitos definios por Nielsen como parâmetro de
Avaliação Heuríticas:
Figura 1 – Conceitos de Avaliação Heurítica.
Fonte: Nielsen (2005)
Capítulo 2. Fundamentação Teórica 17
A Tabela 2 apresenta a definição dos conceitos apresentados na Imagem 1 e proposto
por Nielsen:
Tabela 2 – Definições dos Conceitos de Avaliação
Conceito Definição
Conta como a primeira experiência, o primeiro
contato que o utilizador tem com o sistema. O diálogo a
manter deve ser simples e de fácil compreensão, para que
Facilidade de Aprendizagem
o utilizador saiba o que fazer e onde [Link] mensagens
devem ser claras e o sistema deve informar sobre o que
o usuário está fazendo.
Há duas palavras fulcrais que têm de caracterizar um website:
Facilidade de Relembrar Relembrar e Fácil de aprender. Se este conceito for aplicado
com sucesso, então as tarefas serão fáceis para o utilizador.
O website precisa de ser eficiente no uso, para que, uma vez
aprendido, o utilizador tenha um nível elevado de produtividade
Eficiência
na sua consulta. Portanto, eficiência refere-se a utilizadores
experientes, após um certo tempo de uso;
Sabe-se que todos os websites estão suscetíveis a erros, mas
tentar minimizá-los, fazendo testes de análise constantes e principalmente
acompanhar as novas formas de como os utilizadores utilizam
Erros
ajuda neste processo. As mensagens de erro que aparecem devem
ser amigáveis. As caixas de alerta só afastam os utilizadores.
Os utilizadores devem gostar, e devem ficar satisfeitos ao usar o
website. O conteúdo deve ser fácil de ser compreendida. A formalidade
Satisfação Subjetiva
não faz parte da web. O cliente deve sentir o prazer na leitura ou
na interpretação de um produto, e não ter dúvidas
Fonte: Nielsen (2005)
2.2 Revisão Sistemática da Literatura - RSL
De acordo com Galvão e Ricarte (2019), a RSL é uma modalidade de pesquisa ba-
seadas em orientações específicas, com o objetivo de entender e documentar o que funciona
e o que não funciona num determinado contexto. Dessa forma, deve se apresentar de forma
explícita as bases de dados bibliográficos que foram consultadas, as estratégias de busca ado-
tadas, o processo de seleção, os critérios de inclusão e exclusão, o processo de análise e as
limitações encontradas na revisão.
Ainda por Galvão e Ricarte (2019) as revisões sistemáticas devem ser produzidas de
forma abrangentes e não tendenciosas em seu desenvolvimento. O autor ainda afirma que
uma RSL produzida de forma correta, pode ser a melhor opção para se tomar decisões pois
seguem um método científico explícito com evidências e apresentam resultados novos.
Capítulo 2. Fundamentação Teórica 18
Assim, para se produzir uma RSL é preciso alcançar credibillidade em uma revisão
bibliográfica, isto é, adotar uma abordagem sistemática utilizando estratégias e um método
sistematizado para realizar as buscas e analisar os resultados obtidos. Esta condução rigo-
rosa, é o que permite o pesquisador responsável encontrar direções para sua abordagem,
possibilitando futuras pesquisas e utilização dos resultados por outros pesquisadores (CON-
FORTO; AMARAL; SILVA, 2011).
19
3 Trabalhos Correlato
“O autismo é parte deste mundo, não um mundo a parte,
Educando
Este capítulo apresenta os trabalhos correspondente ao ensino e aprendizagem aces-
sível nas disciplinas de Anatomia e sobre às recomendações de interfaces destinadas aos
estudades com autismo.
Foram buscadas pesquisas já desenvolvidas que dariam auxilio na construção do tra-
balho. As buscas foram feitar em teses, artigos e dissetações desenvolvidas nos últimos 10
anos. Dentre os trabalhos encontrados, os que mais poderiam nortear a presente pesquisa
foram os projetos GAIA e o Anatome.
3.1 GAIA
O GAIA (BRITTO, 2016), que vem do inglês Guidelines for Accessible Interfaces for
Autistics ou Diretrizes para Interfaces Acessíveis para Autistas, foi desenvolvida pela autora por
meio de investigação da literatura, em busca de recomendações para projetos de interfaces
acessíveis, considerando as barreiras enfrentadas por pessoas com TEA ao interagir com
sistemas compuntacionais.
O objetivo da Britto (2016), foi propor um conjunto de recomendações de acessibili-
dade para o design de interface e interação de aplicações web com foco nas características e
necessidades de pessoas com Autismo. Este conjunto de diretrizes e recomendações passou
a ser chamado de guidelines pela autora.
As guidelines propostas no GAIA, são orientações voltadas aos projetistas e desen-
volvedores de interfaces computacionais. Estas orientação são direcionadas às tomadas de
decisões dos responsáveis pelas interfaces, sugerindo informações e recursos coerentes com
as necessidades específicas da pessoa com autismo em qualquer idade (BRITTO, 2016).
Ainda por Britto (2016), estas guidelines permitem o desenvolvimento de interfaces que
melhor atendam às características e necessidades de seus usuários com diferentes habilida-
des, afim de reduzir o tempo de uso, o tempo de compreensão do conteúdo, o manuseio da
interface e a melhoria da apresentação da interface em relação aos ícones e símbolos.
Na pratica, a ideia do GAIA é utilizar um conjunto de diretrizes encontradas em pesqui-
sas e relacionar ao contexto de sua aplicação, propondo ao final, uma interface contextualizada
com a necessidade de uma pessoa com autismo. A Figura 2 apresenta o fluxo proposto pelo
GAIA:
Capítulo 3. Trabalhos Correlato 20
Figura 2 – Resumo Utilização do GAIA.
Fonte: Britto (2016)
3.2 Anatome
O Anatome (FERREIRA, 2019) foi desenvolvido visando o apoio à aprendizagem dos
estudantes e à elaboração dos conteúdos pelos professores, de forma personalizada para
cada disciplina da Anatomia nos diferentes cursos.
Foi implementado um protótipo do sistema Anatome, para prover acessibilidade aos
estudantes com baixa visão, cegos e estudantes sem deficiência. Também foi implementado
um protótipo do sistema Anatome-AT para elaboração dos conteúdo acessíveis aos estudantes
com deficiência visual e sem deficiência.
Além dos protótipos implementados, foram elaborados modelos e requisitos para nor-
tear o desenvolvimento de tecnologias acessíveis a estudantes com ou sem deficiência. Assim,
pode-se estender as funcionalidades dos sistemas Anatome e Anatome-AT para dar acessibi-
lidade a estudantes com diferentes necessidades específicas.
O público-alvo dos modelos e requisitos são desenvolvedores de software, que devem
trabalhar em parceria com professores de Anatomia e pessoas com as necessidades especí-
ficas que o módulo a ser desenvolvido irá prover acessibilidade.
O Anatome dá suporte tanto ao estudo quanto ao treinamento no processo de apren-
dizagem. O foco do desenvolvimento do projeto é a autonomia dos estudantes, principalmente
nas atividades extraclasse, de forma que eles possam estudar e treinar os conteúdos de ana-
Capítulo 3. Trabalhos Correlato 21
tomia sem a necessidade de terceiros para conseguir realizar estas atividades.
A Figura 3 apresenta o processo de ensino e aprendizagem de Anatomia apoiado pelo
Anatome. As atividades da parte superior da imagem são de responsabilidade dos professores
e as atividades da parte inferior da imagem são realizadas por estudantes.
Figura 3 – Modelo de Ensino e Aprendizagem Anatome.
Fonte: (FERREIRA et al., 2019)
Dentro os trabalhos encontrados, o Anatome é o único que apoia as atividades dos
Capítulo 3. Trabalhos Correlato 22
alunos e dos professores. Permite elaboração de conteúdo personalizado à disciplina de Ana-
tomia nos diferentes cursos, e apoia tanto o estudo quanto o treinamento dos estudantes na
parte prática e teórica.
23
4 Procedimentos Metodológicos
“O autismo não se cura, se compreende”.
Autismo Ávila
Este capítulo apresenta as etapas de execução do processo de pesquisa para o desen-
volvimento do trabalho. Determinado por Raupp e Beuren (2006), este estudo é uma pesquisa
exploratória, sendo realizada a partir de investigações em bases de dados científicas, visando
proporcionar conhecimento mais profundo em relação à temática abordada.
Portanto foi realizada uma Revisão Sistemática da Literatura, seguindo as diretrizes
definidas por Kitchenham et al. (2010), afim de alcançar o objetivo de identificar as heurísticas
e recomendações para auxiliar no desenvolvimento de aplicações web para pessoas com TEA
no ensino e aprendizado de Anatomia.
A Figura 4 apresenta o fluxograma do processo de aplicação da RSL adotado na pre-
sente pesquisa. Nas seções a seguir, serão detelhadas os objetivos de cada etapa que será
aplicada no desenvolvimento do trabalho.
Figura 4 – Sistemática da Pesquisa baseada na RSL de Kitchenham et al. (2010).
Fonte: Elaborada pelo Autor
Capítulo 4. Procedimentos Metodológicos 24
4.1 Etapa de Planejamento
O planejamento é a fase inicial da RSL, onde será identificado os objetivos da pes-
quisa de exploração e em seguida é desenvolvido o protocolo para se alcançar tais objetivos.
Esse planejamento é realizado baseado na Questão de Pesquisa, no Termo de Busca, na
Identificação das Bases de Dados e na Definição dos Critérios.
A questão de pesquisa será definida de forma específica, relacionado ao problema
central da investigação, neste trabalho, a falta de abordagens de recomendações para in-
terfaces de sistemas móveis, destinadas às pessoas com autismo no processo de ensino e
aprendizagem na área de Anatomia.
Os termos de busca ou string de busca, será adotada após a questão de pesquisa
estar definida, estabelencendo então as palavras chaves que servirão como produto, para
realização das buscas dos artigos nos repositórios, afim de responder a questão de pesquisa
do passo anterior. A identificação das bases de dados é o passo de escolha dos repositórios
de pesquisas científicas, onde será feita a aplicação dos termos de busca.
A última fase do planjemanto será a de definição dos critérios, sendo aplicada com o
objetivo de extrair as publicações pontencialmente relevantes, aumentando a possibilidade de
melhoria dos resultados encontrado e diminuindo a chance de fracasso na pesquisa. Nesta
fase será definida então, os critérios de inclusão e exclusão de pesquisas encontradas nos
repositórios.
4.2 Etapa de Execução
Na etapa de execução, será realizadas as pesquisas para localizar os trabalhos nos
repositórios de dados selecionados, através dos termos de busca definido anteriormente. Em
seguida, os trabalhos encontrados são selecionados e sintetizados.
A fase de síntese, consiste na aplicação dos critérios definidos de inclusão e exclusão,
realizando a discriminação dos trabalhos encontrados, tornando a análise viavél das amostrar
obtidas, antes de seguir para etapa de análise de resultado do procedimento metodologico
adotado na RSL.
4.3 Etapa de Análise dos Resultados
Na análise dos resultados, serão metrificadas e interpretadas as respostas obtidas
nas buscas após a etapa de execução. Os dados obtido são correlacionados em tabelas,
com a finalidade de sistematizar as informações encontradas e responder às questões de
investigação da presente pesquisa.
25
5 Desenvolvimento da Pesquisa
“Investigar é criar novos conhecimentos”.
Neil Armstrong
Este capítulo descreve o processo de desenvolvimento da pesquisa baseado no pro-
cedimento metológicos apresentados no Capítulo 4. O capítulo foi escrito em seções, apre-
sentando as 3 etapas do processo de contrução da pesquisa de acordo com a Figura 4.
5.1 Etapa de Planejamento da RSL
Nesta seção é desenvolvida a 1ª etapa do desenvolvimento da RSL. Estão segmen-
tados o desenvolvimento da Questão de Pesquisa, do Termos de Busca, da Identifcação das
Bases de Dados e a da Definição de Critérios.
5.1.1 Questão de Pesquisa
Esta etapa apresenta as perguntas que visam embasar especificamente a busca, ava-
liação e o resultado da pesquisa em relação ao problema central do trabalho. Para isso, foi
definida a Questão de Pesquisa (QP) central e suas respectivas Questões Específicas de Pes-
quisa (QE), apresentadas na Tabela 3.
Tabela 3 – Definições das Questões de Pesquisa
Questão de Pesquisa Descrição
Quais são as heurísticas específicas de usabilidade para
QP aplicações, a serem executadas, em dispositivos móveis de
ensino de Anatomia para pessoas com TEA?
Quais são as heurísticas de usabilidade para
QE1 aplicações a serem executados em
dispositivos móveis?
Quais são as heurísticas de usabilidade no desenvolvimento
QE2 de interfaces para aplicativos, voltados à
Anatomia?
Quais são as heurísticas de usabilidade no desenvolvimento
QE3 de interfaces para aplicativos, voltados às
pessoas com autismo?
Fonte: Elaborada pelo Autor
Capítulo 5. Desenvolvimento da Pesquisa 26
5.1.2 Termos de Busca
Nesta fase foram definidos os conjuntos das palavras chave que serão utilizadas para
encontrar os trabalhos científicos que podem responder as questões de pesquisa levantadas
na seção anterior. Para isso, houve uma análise inicial nas bases como forma de estudo e re-
finamento dos termos a serem utilizados, afim de encontrar uma quantidade tratável de dados
relevantes.
Esta análise direcionou o trabalho à criação da estrátegia utilizando o idioma inglês e
portugues, usando operadores booleanos para junção dos termos definidos. Primeiramente,
foi identificado quais eram as palavras chave (Lexema) das questões de pesquisa. Em seguida,
foram elaborados os termos relacionado ao lexema utlizando o operador booleano "OR".
A Tabela 4 apresenta os Termos de Busca definidos em inglês após aplicação desta
estratégia.
Tabela 4 – Definições dos Termos de Busca
Código Lexema Termo de Busca
Str1 Autism (Autism OR Autistics OR Autism Spectrum Disorder)
Str2 Learn (Learn OR Teach OR Training OR Student OR Instruction OR Class)
Str3 System (Web App OR System OR Mobile OR Aplicattion)
Str4 Acessibility (Acessibility OR Inclusive OR Adaptative OR Recommendation)
Str5 Interface (Interface OR Design OR Heuristic OR Guideline)
Str6 Anatomy (Anatomy OR Biologic Science OR Human Science)
Fonte: Elaborada pelo Autor
As buscas são realizadas utilizando o operador booleano "AND", relacionando os ter-
mos de busca definidos para cada lexema, aplicadas ao local onde deve ser buscado as
strings. Por exemplo, a seguinte busca:
• "Title:(Autism OR Autistics OR Autism Spectrum Disorder)"AND "Title:(Acessibility OR
Inclusive OR Usability OR Heuristic OR Recommendation)"AND "Abstract:(Anatomy OR
Biologic Science OR Human Science)"
Capítulo 5. Desenvolvimento da Pesquisa 27
5.1.3 Identificação das Bases de Dados
Nesta fase do trabaho foram selecionados os repositórios de pesquisas científicas onde
seriam aplicadas os termos de busca. Foram escolhidas cinco bases de dados listadas na
Tabela 5.
Tabela 5 – Identificação das Bases de Dados
Sigla Nome da Base
ACM ACM Digital Library
GS Google Scholar
IEEE IEEE Xplore
PubMed PubMed
SD ScienceDirect
Fonte: Elaborada pelo Autor
A seleção das bases ACM Digital Library, IEEE Xplore e ScienceDirect partiu do princí-
pio que todas elas são consideradas referência de repositório de pesquisa científica das área
de tecnologia, computação e exatas. A base do PubMed foi selecionada por ser direcionadas
às áreas de biologia avançada, ciência e a saúde. Por último, o Google Scholar foi selecionado
por ser um popular mecanismos de pesquisa acadêmica, com fácil acesso às publicações
escritas na língua portuguesa.
5.1.4 Definição dos Critérios
Nesta etapa do processo foram definidos os critérios que serão adotados na realização
da triagem dos dados encontrados, após aplicação dos termos de busca nas bases identifica-
das. Portando, foram criados os Critérios de Inclusão e os Critérios de Exclusão com o objetivo
de encontrar resultados convergentes com a proposta da pesquisa.
Critérios de Inclusão
• Formato: Artigo científico;
• Período: Entre janeiro de 2012 e junho de 2022;
• Idioma: Inglês ou português;
• Disponibilidade: Artigo completo;
• Qualidade: Evidências claramente descritas;
• Natureza: Soluções de software voltadas às pessoas com TEA;
• Dispositivo: Aceito propostas para sistemas web e aplicativos;
• Justificativa: Responder ao menos uma Questão de Pesquisa.
Capítulo 5. Desenvolvimento da Pesquisa 28
Critérios de Exclusão
• Público: Soluções voltadas aos pais ou somente para crianças;
• Qualidade: Interfaces ou design sem clareza ou evidência;
• Dispositivo: Proposta desenvolvidas para robôs e IAs;
• Estrutura: Artigos sem resumo ou conclusão;
• Disponibilidade: Artigos não disponibilizados gratuitamente;
• Repetições: Publicações repetidas só foi considerada a mais recente ou completa.
Capítulo 5. Desenvolvimento da Pesquisa 29
5.2 Etapa de Execução da RSL
Nesta seção é desenvolvida a 2ª etapa do desenvolvimento da RSL, utlizando as dire-
trizes apresentadas no Capítulo 4. Estão segmentados o desenvolvimento da Busca e Seleção,
e após isso, a etapa da Síntese dos dados encontrados.
5.2.1 Busca e Seleção
A realização da etapa de busca e seleção é executada após finalização da 1ª etapa
proposta no fluxograma da Figura 4. Neste momento são aplicados os termos de busca nas
bases selecionadas para direcionar respostas às questões de pesquisa.
Para isso foram escritos alguns conjuntos de termos, relacionadas as suas respecti-
vas bases, afim de encontrar de forma preliminas as respostas direcionadas às questões de
pesquisa desejadas no trabalho. A Tabela 6 apresenta a quantidade de dados encontrados
inicialmente em cada base. Nesta primeira busca já foi utilizado o critério de período para in-
clusão.
Tabela 6 – Quantidade Preliminar por Bases de Dados
Base de Dados Quantidade Preliminar
ACM Digital Library 981
Google Scholar 727
IEEE Xplore 1086
PubMed 234
ScienceDirect 865
Fonte: Elaborada pelo Autor
A Tabela 7 apresenta os conjuntos de termos utlizados para aplicação nas bases. Será
observado que na coluna "Termo Aplicado"da tabela apresentada, não haverá um padrão ado-
tado de aplicação dos termos para todas as bases. Isso ocorre pois cada base apresenta
uma condição de busca automatizada diferente, assim em cada uma foi aplicado os termos
de forma adaptativa, levando sempre em consideração o objetivo das buscas em relação às
questões de pesquisa.
Além dos termos aplicados nas buscas apresentados na Tabela 7, foram realizadas
buscas de forma manual em todas as bases. No Google Scholar só foram utilizadas buscas
de forma manual, tanto para encontrar inicialmente os melhores termos a serem buscados em
outros repositórios de pesquisa, quanto para buscar os artigos efetivamente, por isso o mesmo
não se encontra na tabela.
Capítulo 5. Desenvolvimento da Pesquisa 30
Tabela 7 – Termos de Busca Aplicados às Bases
Aplicação Sigla da Base Termo Aplicado
Title: (Autism* OR Autistics* OR "Autism Spectrum Disorder")
1 ACM AND
Abstract: (Tecnology* OR "Web App"OR System* OR Mobile* OR Aplicattion*)
Title: (Autism* OR Autistics* OR "Autism Spectrum Disorder")
2 ACM AND
Abstract: (Acessibility* OR Inclusive* OR Usability* OR Recommendation*)
Title: (Autism* OR Autistics* OR "Autism Spectrum Disorder")
3 ACM AND
Abstract: (Interface* OR Design* OR Software* OR "Technologies Design")
Title: (Autism* OR Autistics* OR "Autism Spectrum Disorder")
4 ACM AND
Abstract: (Anatomy* OR Biologic Science* OR Human Science*)
Title: (Autism* OR Autistics* OR "Autism Spectrum Disorder")
5 ACM AND
Abstract: (Learn* OR Teach* OR Stud* OR Instruction* OR Class*)
Title: (Anatomy* or Biologic Science* or Human Science*)
6 ACM AND
Abstract: (Learn* OR Teach* OR Stud* OR Instruction* OR Class*)
Title: (Anatomy* or Biologic Science* or Human Science*)
7 ACM AND
Abstract: (Tecnology* or "Web App"or System* or Mobile* or Aplicattion*)
8 IEEE ("Document Title":Autism*) AND ("Abstract":Usability*) AND ("Abstract":Mobile*)
9 IEEE ("Document Title":Autism*) AND ("Abstract":Anatomy*) AND ("Abstract":Tech*)
10 IEEE ("Document Title":Anatomy*) AND ("Abstract":Teach*) AND ("Abstract":Mobile*)
11 IEEE ("Document Title":Anatomy*) AND ("Abstract":Usability*) AND ("Abstract":Mobile*)
12 IEEE ("Document Title":Autistic*) AND ("Abstract":Adaptive*) AND ("Abstract":Interface*)
13 IEEE ("Document Title":Adaptive*) AND ("Abstract":Anatomy*) AND ("Abstract":Design*)
14 SD Find articles with these terms: (Interface Technology Design for Autistics)
15 SD Find articles with these terms: (Technology Design for Autistics)
16 SD Find articles with these terms: (Technology Design for Autistics Students)
17 SD Find articles with these terms: (Design for Anatomy Students)
Continua na próxima página
Capítulo 5. Desenvolvimento da Pesquisa 31
Tabela 7 – Continuação
Aplicação Sigla da Base Termo Aplicado
18 PubMed ((autistics[Title/Abstract]) ) AND (design[Title/Abstract])
19 PubMed (autism[Title/Abstract]) AND (design[Title/Abstract])
20 PubMed (((autism[Title/Abstract]) AND (usability[Title/Abstract]))
21 PubMed (((design[Title/Abstract])) AND (anatomy[Title/Abstract]))
Fonte: Elaborada pelo Autor
5.2.2 Síntese
As buscas aplicadas nas bases resultaram em uma grande quantidade de amostras
preliminares conforme apresentados na Tabela 6. Dessa forma, a etapa de síntese é aplicada
para filtrar essa quantidade de pesquisa e tornar sua análise viável e direcionado aos objetivos
do trabalho. Para isso, foram adotados os passos demonstrados na Figura 5 com o objetivo
de descartar os trabalhos não relacionados ou que apresente conceitos superficiais, além de
direcionar as leituras para aplicações que seriam relevantes à presente pesquisa.
Figura 5 – Síntede de Dados da Pesquisa.
Fonte: Elaborada pelo Autor
Capítulo 5. Desenvolvimento da Pesquisa 32
A Tabela 8 mostra de forma quantitativa os trabalhos encontrados a partir da base uti-
lizada, antes e após a síntese de dados. A coluna ’Pré’ representa a quantidade de trabalhos
obtidos nas buscas iniciais, enquanto a coluna ’Pós’ representa a quantidade de trabalhos se-
lecionados após a aplicação da etapa de sintetização dos dados da pesquisa Figura 5.
Tabela 8 – Relação de Trabalhos Selecionados
Base de Dados Pré Pós
ACM Digital Library 981 17
Google Scholar 727 0
IEEE Xplore 1086 7
PubMed 234 0
ScienceDirect 865 5
Fonte: Elaborada pelo Autor
As pesquisas resultantes do levantamento bibliográfico são apresentedas na Tabela 9.
Tabela 9 – Artigos de Pesquisas Encontradas após Síntese
Base Título Autor
Holistic Approach for Sustainable Adaptable User
1 ACM Perez et al. (2017)
Interfaces for People with Autism Spectrum Disorder
Autism: Implications for Inclusive Education with
2 ACM Stuurman et al. (2019)
respect to Software Engineering
Multimodal annotation tool for challenging behaviors
3 ACM Sano et al. (2012)
in people with Autism spectrum disorders
Designing for technicians working in the field: 8
4 ACM Johnston e Pickrell (2016)
usability heuristics for mobile application design
Systematic mapping of the literature on mobile apps
5 ACM Krause e Neto (2021)
for people with Autistic Spectrum Disorder
Touch or Touchless? Evaluating Usability of Interactive
6 ACM Gentile et al. (2019)
Displays for Persons with Autistic Spectrum Disorders
Co-designing with Adolescents with Autism Spectrum
7 ACM Zhu, Hardy e Myers (2019)
Disorder: From Ideation to Implementation
A Virtual Conversational Agent for Teens with
8 ACM Autism Spectrum Disorder: Experimental Results Ali et al. (2020)
and Design Lessons
Using Mobile Augmented Reality to Improve Attention in
9 ACM Wang, Zhang e Cho (2020)
Adults with Autism Spectrum Disorder
PersonAut: A Personas Model for People with Autism
10 ACM Melo et al. (2020)
Spectrum Disorder
Skeuomorphic, flat or material design: requirements for
11 ACM designing mobile planning applications for students Shahid et al. (2016)
with autism spectrum disorder
Continua na próxima página
Capítulo 5. Desenvolvimento da Pesquisa 33
Tabela 9 – Continuação
Base Título Autor
Designing an educational game for and with teenagers
12 ACM Bossavit e Parsons (2016)
with high functioning autism
A Web App for Teaching Piano to Students with
13 ACM Trujillo et al. (2020)
Autism
Mapping Usability Heuristics and Design Principles
14 ACM Inostroza e Rusu (2014)
for Touchscreen-based Mobile Devices
Design Guidelines for Adaptive Multimodal Mobile
15 ACM Dumas, Solórzano e Signer
Input Solutions
(2013)
Analysis of Android Cell Phone Web-Browsers to
16 ACM Patra e Dash (2017)
Facilitate Accessible m-Governance
Design Guidelines for Sensor-based Mobile
17 ACM Aristeidou, Scanlon e Shar-
Learning Applications
ples (2017)
Guidelines for Designing Graphical User Interfaces
18 IEEE Mendoza-González et al.
of Mobile E-Health Communities
(2012)
Study of Accessibility Guidelines of Mobile
19 IEEE Ballantyne et al. (2018)
Applications
Accessibility Feedback in Mobile Application
20 IEEE Reviews: A Dataset of Reviews and Accessibility Arias et al. (2022)
Guidelines
Mobile Apps in Education: Focusing on the Anatomy
21 IEEE Méndez e Aparicio (2020)
of the Eye
Augmented reality techniques, using mobile devices,
22 IEEE Juanes et al. (2014)
for learning human anatomy
Developing a Set of Design Patterns Specific for the
23 IEEE Gomes et al. (2021)
Design of User Interfaces for Autistic Users
Design and Evaluation of Mobile Applications for
24 IEEE People with Visual Impairments:A Compilation of Silva, Andrade e Darin
Usable Accessibility Guidelines (2019)
Accessibility and Usability of Educational Gaming
25 IEEE Hersh e Leporini (2012)
Environments for Disabled Students
Developing Usable Software Applications for
26 IEEE Users with Autism: User Analysis, User Interface Mejía-Figueroa, Cisnero e
Design Patterns and Interface Components Juárez-Ramírez (2016)
Set of Usability Heuristics for Quality
27 IEEE Costa et al. (2019)
Assessment of Mobile Applications on Smartphones
Guidelines for Developing Social Networking Mobile
28 SD Apps to Deaf Audience: a Proposal Based Schefer, Areão e Zaina
on User eXperience and Technical Issues (2018)
Leveraging Microsoft’s mobile usability guidelines:
29 SD Conceptualizing and developing scales for mobile Schefer, Areão e Zaina
application usability (2018)
Fonte: Elaborada pelo Autor
34
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