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Métodos Ativos: WebQuest e TBL na Aprendizagem

O documento aborda métodos de aprendizagem ativa, focando na combinação de WebQuest e Team Based Learning (TBL) para promover uma aprendizagem significativa. A disciplina de Neurofisiologia e neuroquímica da aprendizagem explora como esses métodos podem ser adaptados para diferentes objetivos educacionais, enfatizando a importância do protagonismo do aluno e a construção do conhecimento. O texto também discute a estrutura e implementação do WebQuest e TBL, destacando suas características e benefícios para o desenvolvimento de habilidades críticas e colaborativas.

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Métodos Ativos: WebQuest e TBL na Aprendizagem

O documento aborda métodos de aprendizagem ativa, focando na combinação de WebQuest e Team Based Learning (TBL) para promover uma aprendizagem significativa. A disciplina de Neurofisiologia e neuroquímica da aprendizagem explora como esses métodos podem ser adaptados para diferentes objetivos educacionais, enfatizando a importância do protagonismo do aluno e a construção do conhecimento. O texto também discute a estrutura e implementação do WebQuest e TBL, destacando suas características e benefícios para o desenvolvimento de habilidades críticas e colaborativas.

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01

UNIDADE

MÉTODOS DE APRENDIZAGEM ATIVA

WebQuest e Team Based


Learning: combinando modelos
para uma aprendizagem
significativa dos alunos
PROFESSORES: LANA PAULA CRIVELARO E RONALDO BARBOSA
FICHA LIVRO
Disciplina: Neurofisiologia e neuroquímica da aprendizagem

Autora: Professores Lana Paula Crivelaro e Ronaldo Barbosa

Ementa: Esta disciplina apresentará características, possibilidades e vantagens de


alguns métodos ativos que poderão ser adaptados em diferentes objetivos de apren-
dizagem. Serão apresentados com mais detalhes e profundidade os métodos rotação
por estações e a proposta de junção de duas metodologias ativas (TBL e WEBQUEST),
demonstrando possibilidades para que novos métodos possam surgir. Também abor-
daremos a importância do portfólio para registro de experiências docentes e discentes,
visando à construção do conhecimento e percepção de habilidades que poderão se
desenvolver de forma mais efetiva.

FICHA CATALOGRÁFICA
Presidente: Revisora:
Renato Casagrande Eryka Kalana Torisco da Silva

Diretor Executivo: Projeto Gráfico:


Ronaldo Casagrande Fabiano Nichetti

Diretora Pedagógica: Diagramação:


Josemary Morastoni Fabiano Nichetti

Coordenador de EaD: Foto de capa: © Freepik


Everaldo Moreira de Andrade Ícones: © Flaticon

Designer Instrucional:
Iara Aparecida Pereira Penkal
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO 4

1. MÉTODOS ATIVOS 5
Clique nos
títulos para ir
2. MODELO DE ARTICULAÇÃO DE PROPOSTA INVESTIGATIVA WEBQUEST 7
até a página.

3. MODELO TEAM BASED LEARNING (TBL) 9

4. COMBINANDO TBL COM WEBQUEST 13

CONCLUSÃO 15

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 16
APRESENTAÇÃO
O modelo de educação baseado na centralidade do professor e na transmissão de informa-
ções perpassa gerações de estudantes. À medida que mais pessoas ingressam no sistema
de ensino formal ou resolvem voltar a estudar, o modelo massificado tende a ceder menos
espaço para participação ativa dos alunos. Em lugar de questionamentos, apresentação de
pontos de vista alternativos, aprofundamento de ideias ou desenvolvimento de pensamento
crítico, há prevalência de conteúdos que chegam prontos para os estudantes (BATES, 2016).
Nesta unidade vamos conhecer o WebQuest e Team Based Learning. Preparados? Então
vamos lá!

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 4


Métodos Ativos
01
Como mencionado anteriormente e dito de outra forma, sob a massificação e o viés da
escalabilidade, caminhamos para o reforço do ensino mais tradicional. Cabe lembrar as
diferenças de enfoque entre a aprendizagem ativa e a aprendizagem passiva, conforme
sugerido por Fink (2019) na imagem abaixo.

Enquanto no aprendizado passivo, segundo o autor, o aluno recebe informações e ideias


prontas, no aprendizado ativo o aluno necessita ter experiências relacionadas ao fazer e ao
observar, bem como necessita refletir sobre o que aprende e como aprende.

Fonte: Fink (2019)

O aprendizado passivo do aluno é baseado na intervenção do professor e na leitura do


material, não favorecendo o desenvolvimento de novas habilidades previstas para o século
XXI, habilidades essas que envolvem amplificação de sua capacidade de comunicação, de
criatividade, de criticidade e de realizar trabalhos em grupo, entre outras.

Em consonância com uma visão mais atual, nos últimos anos, buscam-se novas aborda-
gens que valorizem o protagonismo do estudante, tornando-o responsável por sua própria
aprendizagem, mesmo em turmas muito grandes.

Como sabemos, um traço comum das chamadas aprendizagens ativas é que o conteúdo
ou o aprendizado não chega pronto para o estudante. Entre uma vasta gama de derivações

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 5


e implementações possíveis, existem algumas ideias mais ou menos comuns. Entre elas a
de que o estudante por meio de um desafio intelectual interessante será levado a refletir
e a pesquisar. Se for apresentado a um problema que lhe seja significativo e motivador, a
busca por respostas o levará a indagar novas questões em um processo cíclico de pesquisa,
reflexão, discussão e, por fim, aprendizado.

Na implementação das aprendizagens ativas, um problema significativo pode ser intro-


duzido no início da unidade de aprendizagem e, na sequência, incentivar a investigação
e a descoberta. Estudantes questionam, examinam livros e outras fontes, analisam dados,
gráficos, comparam relatórios, discutem e debatem entre si, propõem conclusões para,
finalmente, comunicarem resultados. Não há soluções imediatas, diretas ou fáceis na pers-
pectiva de resolver problemas, segundo as abordagens ativas de aprendizagem. A mera
busca por respostas prontas não significa aprendizado.

Novos objetivos educacionais devem ser preestabelecidos, incluindo a retenção de conceitos


e informações depois que o curso ou o ano letivo termina. Inclui ainda o desenvolvimento
da capacidade de mobilizar conhecimentos diante de novas situações, a habilidade de
pensar e de resolver problemas, de atingir resultados com base em uma motivação que
não provém de notas.

Em síntese, o âmago da questão é a troca do ensino pela aprendizagem com todos os


desdobramentos previstos a partir desta mudança, seja em relação ao próprio aluno, ao
professor e ao uso que se possa fazer dos materiais.

Na sequência, apresentamos dois modelos de aprendizagens ativas inspirados em reso-


lução de problemas: WebQuest (WQ) e Team Based Learning (TBL). Mais adiante, busca-
remos combinar os dois modelos em uma só abordagem que valorize tanto o trabalho do
professor quanto a atuação do estudante.

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 6


2. Modelo de articulação de proposta
investigativa WebQuest

A necessidade do professor de propor um problema baseado no uso de recursos da Internet


forma a base de um modelo de aprendizagem por pesquisa denominado WebQuest
(DODGE, 1995).

WebQuest é um modelo de roteiro didático elaborado pelo professor que privilegia a apren-
dizagem por pesquisa a partir de uma tarefa-guia para ser realizada em grupo pelos estu-
dantes, com base em recursos da Internet. Pode corresponder a um fragmento de um
curso ou disciplina ou ainda a um tópico específico, dependendo dos objetivos e grau de
detalhamento da atividade.

O documento que constitui o WebQuest (WQ) é estruturado tal qual um roteiro ou uma
descrição do percurso investigativo que os estudantes deverão atravessar. O professor autor
do WebQuest deve elencar uma tarefa-guia principal e o caminho passo a passo, a fim
de que se cumpra tal tarefa e deve indicar claramente os recursos que o estudante utili-
zará para a execução da proposta. Ao executar o WQ, espera-se que o aluno tenha que
desenvolver raciocínios elaborados e superiores, tais como análise crítica, sínteses e avalia-
ções. Além disso, o documento do WQ quando bem projetado é inibidor de plágio porque
o estudante simplesmente não encontrará a resposta pronta em uma busca rápida na
Internet; a síntese e análise requerida será tão imune ao plágio quanto melhor projetado
for o WebQuest elaborado pelo professor.

Na implementação original, Bernie Dodge articulou a estrutura original do roteiro WQ nas


seguintes seções: Introdução (informações básicas da pesquisa aos estudantes, orientan-
do-os sobre o que vão encontrar na atividade proposta, visa despertar a curiosidade dos
estudantes), Tarefa (descrição da tarefa-guia que deve ser desafiadora e interessante, por
exemplo, buscar um novo ponto de vista, uma opinião divergente, um relatório…), Processos
e Recursos (onde se define claramente cada um dos passos que o aluno deverá percorrer
seja na Internet, em livros, vídeos, revistas, jornais ou em todos esses meios ao mesmo
tempo), Avaliação (esclarece em detalhes como o aluno será avaliado de forma processual,
tanto de fora qualitativa quanto quantitativa), Conclusão (resume os assuntos tratados e
aonde se pretendeu chegar).

O documento WQ é elaborado pelo professor e chega nas mãos dos estudantes, de forma
que possam cumpri-lo em uma certa janela de tempo.

Quanto mais avançada a proposta do WQ, menores as chances de cópia ou de obtenção


de respostas prontas.

O quadro abaixo sintetiza as principais sessões de um WebQuest, segundo a estrutura


original sugerida por Bernie Dodge. O documento é dividido em seis partes: Introdução,
Tarefa, Processo & Recursos, Avaliação, Conclusão e Créditos & Referências.

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 7


Escreva um parágrafo curto para introduzir a atividade ou tema aos
alunos. Se houver um papel ou cenário envolvido ([Link]., "Você é um
cientista tentando descobrir uma nova vacina...") é aqui que você
deve mostrar o palco. Se a introdução não for motivadora como a do
Introdução
cientista, use este espaço para oferecer uma visão geral do tema que
conquiste o interesse dos alunos.
Nesta seção você deve comunicar a Grande Questão, ou a Questão
Guia em torno da qual todo o WebQuest será organizado.

Descreva aqui a tarefa que os alunos irão desempenhar, que poderá


ser:

• problema a ser resolvido;


• posição a ser defendida ou insight pessoal a ser articulado;
• produto a ser elaborado;
• resumo a ser criado;
• uma obra criativa, ou
Tarefa
• qualquer coisa que requeira dos aprendizes processar ou
transformar as informações que reuniram na Internet.

Se o produto final envolver o uso de alguma ferramenta adicional (ví-


deos, fotos, p. ex.), mencione aqui esta condição.
Não confundir tarefa com a seção Processo.

Para desenvolver a tarefa liste aqui os passos que os alunos devem


percorrer e, em seguida, as fontes de consulta na web. Use
o formato de listas numeradas para evidenciar os passos em um
processo. Quanto mais detalhes você especificar aqui, tanto melhor.
Lembre-se de que toda a WQ está dirigida aos seus alunos. Exem-
plo:

1. Assista ao documentário “Apolo 13” com muita atenção.


2. Leia o artigo referente ao filme, disponível em [Link]
3. Pensando em gestão de projetos, indique quais etapas...
Processo &
Recursos Os alunos irão acessar os recursos on-line que você selecionou na
medida em que desenvolvem o processo.
Ainda nesta seção (Processo e Recursos), você pode oferecer algu-
mas orientações de como organizar as informações reunidas pelos
alunos. Essas orientações podem referir-se a fluxogramas, tabelas-
-resumo, mapas mentais e outras estruturas de organização.
As orientações podem também referir-se a check-lists das questões
que devem ser analisadas, ou aspectos a serem observados ou pen-
sados.

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 8


Trata-se da descrição detalhada de como o aluno será avaliado – par-
te sensível do WQ. É próprio do método WQ que o processo tenha
valor equivalente ou maior do que o próprio produto. Em uma abor-
dagem mais avançada, você pode utilizar uma tabela para determi-
Avaliação nar claramente como
ocorreria a avaliação, segundo cada passo do processo. Especifique
também em que casos a verificação será individual ou coletiva.

Ponha aqui umas duas sentenças que sumarizem o que os alunos


deverão ter atingido ou aprendido ao completar a WQ. Você pode
também colocar
Conclusão aqui algumas questões retóricas ou links adicionais para incentivar
seus alunos a exercerem o seu pensar para além do que aprende-
ram neste WQ.

Créditos & Liste aqui as fontes inspiradoras deste WQ. Inclua fontes indiretas (os
Referências alunos não precisam acessar) e nomes dos colaboradores.

Fonte: Adaptado de Dodge(1995).

Embora o WebQuest (WQ) valorize o protagonismo dos alunos para resolução de um


problema significativo por meio das orientações dadas pelo professor, ele não detalha como
os estudantes devem ser avaliados ou como organizar o trabalho em grupos de estudantes.
Tais pontos, avaliação e trabalhos em grupo, formam parte da essência de outro modelo
muito conhecido e internacionalmente aplicado, o chamado Team Based Learning (TBL)
que descrevemos a seguir.

3. Modelo Team Based Learning (TBL)


Na busca por aprendizagens ativas, a centralidade do processo educacional deve se
deslocar do binômio material-professor para dar espaço ao estudante, tendo na resolução
de problemas reais a sua essência.

Uma das propostas para trabalhos em grupo com viés de método ativo é o Team Based
Learning (TBL), proposto por Larry Michaelsen. No TBL existem quatro princípios básicos:

A. equipes de alunos devem ser formadas;

B. estudantes devem vir para a aula preparados;

C. estudantes devem aprender a aplicar conceitos do curso para resolver problemas;

D. estudantes devem ser responsáveis pelo próprio aprendizado.

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 9


Em comparação com abordagens comuns de aprendizado por projetos (orientadas a
Problem Based Learning, PBL, por exemplo), o TBL é mais estruturado e voltado para valo-
rização do trabalho em equipe.

Outra visão importante é a de que o TBL é uma das expressões da sala de aula invertida,
modelo em que o professor grava as aulas e os alunos se preparam antes de ter o encontro
presencial com o professor e com a turma.

Como resultado da ênfase no trabalho em grupo e no protagonismo dos alunos, o TBL


valoriza a avaliação que os alunos fazem, tanto de si mesmos quanto dos colegas, gerando
outras formas de feedback.

Apresentamos a seguir a descrição de cada um dos passos do roteiro de aplicação do TBL:

1º Passo: Momento de estudo individual

O objetivo é fazer com que os alunos conheçam os conceitos básicos e a terminologia que
servirão de base mínima para o desafio que terão que resolver mais tarde. Esse passo faz
com que o aluno venha para o encontro preparado com uma base teórica mínima. Isso é
crítico para que haja conversações mais aprofundadas e atividades de solução de problemas.
Em resumo: o aluno estuda os conceitos antes de vir para a aula. Sugere-se que o professor
grave em vídeo aquilo que ele teria que dizer ao vivo. Isso, entretanto, não é obrigatório,
alunos podem recorrer a outros materiais, mas sempre priorizando aqueles recomendados
pelo professor.

2º Passo: Teste de Garantia de Resultados individual e em grupo com possibilidade de


Apelação. Aqui os alunos provam que se prepararam para o desafio. Mas não é simples-
mente um teste, é a preparação para o que vem depois na solução de um problema em
equipe. Nesse passo, o aluno tem que responder um questionário preparado previamente
pelo professor. A resolução é individual, o próprio aluno atribui nota para si de acordo com as
tentativas que precisou fazer até encontrar a resposta correta. No modelo original previa-se
o uso de “raspadinhas”, cartões com respostas cobertas para serem “raspadas” pelo aluno
até encontrar a resposta correta, conforme figura abaixo:

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 10


Fonte:Acervo dos autores

3º Passo: Exposição do desafio pelo professor e execução da questão-problema. Nesse


ponto o professor propõe o desafio e os estudantes devem aplicar os conceitos, em grupo,
a fim de resolver o problema do mundo real.

A elaboração da questão-problema exige grande habilidade do professor. TBL recomenda


que sejam seguidas quatro diretrizes fundamentais (os famosos 4 S’s do TBL):

• Problema significativo (Significant problem): o problema deve fazer sentido para a vida
dos alunos;

• Mesmo problema (Same problem): um mesmo problema é apresentado para todas as


equipes da turma;

• Escolha específica (Specific choice): uma escolha específica permite comparar as respostas
as quais os grupos chegaram;

• O trabalho em grupo converge para uma decisão tomada em grupo que é apresentada
simultaneamente por todos (Simultaneous Report).

Não é nada fácil propor problemas interessantes para os alunos. Um bom problema deve
ser calcado na realidade das pessoas em um determinado contexto. No esquema abaixo
apresentamos um exemplo de como começar a pensar problemas significativos dentro do
ensino de Ciências.

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 11


Fonte:Adaptado pelos autores de Geologia e Sociedade (ANDRADE, 2001, adaptado de WOODCOCK, 1995)

Podemos listar problemas significativos em sintonia com TBL, perguntando, por exemplo
(lembre-se de que o problema deve cumprir os 4 S’s, isto é, ser significativo, o mesmo
problema, única escolha, apresentação simultânea):

• Dados os seguintes sintomas de um paciente…, qual deve ser o tratamento a ser apli-
cado?

• Sob tais condições…., onde deve ser instalado um novo hospital de pronto atendimento
no município X?

• O problema das manchas de petróleo que apareceram na costa brasileira em 2019


ainda está sem solução e acarretou graves consequências para as comunidades. Crie
uma lei que possa mitigar os efeitos de desastres desse tipo e até evitá-los.

• Um prédio precisa ser erguido em um terreno com grande acúmulo e infiltração de


água (características tais e tais…), estabeleça uma estratégia segura para construção
dos alicerces desse prédio.

4º Passo: Exposição, discussão de resultados e avaliação entre pares

Nesse passo, cada grupo desenvolve sua solução e deve comunicá-la. Propõe-se que cada
grupo comunique publicamente sua solução, compare respostas com as versões dos outros
grupos, podendo defender suas próprias decisões e criticar as decisões das outras equipes.
O uso de posters e murais costuma ser uma solução comum, mas pode-se optar por murais
digitais, sem prejuízo da simultaneidade e troca de ideias, desde que os cuidados para
prevenir cópias e adulterações sejam seguidos. Alunos podem avaliar as participações dos
colegas (é um passo opcional do TBL). Pode-se considerar: pontualidade, abertura a ideias

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 12


dos colegas, efetiva colaboração, preparação prévia etc.

Resumo das quatro etapas do TBL:

Fonte: Adaptado pelos autores. Rev. bras. educ. med. 42 (4) • Oct-Dec 2018 •

[Link]

4. Combinando TBL com WebQuest


Conforme vimos anteriormente, a aplicação do TBL traz consigo vários desafios para o
professor: ele precisa ter uma postura de orientador, aprender a observar em silêncio, não
favorecer um grupo em detrimento de outros, não interromper raciocínios, saber contri-
buir com as ideias dos alunos sem encurtá-las. Mas o principal desafio do professor parece
ser a proposição do problema significativo. Não é simples seguir os 4 S’s. E mesmo que o
professor encontre a questão-problema ideal, muitos alunos ficarão perdidos com relação a
por onde começar, o que ler, onde consultar. Vimos que no WQ existe uma grande questão
a ser resolvida e que o caminho para resolvê-la se dá por meio de passos sequenciais em
que aparecem os recursos.

A questão-guia do WQ pode ser a questão central do TBL, respeitadas as diretrizes dos 4S’s.
Os passos de resolução do WQ podem ser a forma como o professor recomenda o primeiro
passo do método TBL, em que ele se prepara para a atividade central do TBL. A tabela a
seguir propõe uma integração entre os modelos:

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 13


Adaptações requeridas

Do ponto de vista do WebQuest (WQ): notar que ele é fracionado em duas partes. Os alunos
recebem Processos e Recursos antes da Tarefa no passo 1, que é distribuído com antece-
dência. No dia da tarefa, recebem a parte 2 com descrição da tarefa, processos e recursos
para a realização da mesma. As sessões Avaliação e Conclusão podem ser suprimidas
porque o professor irá explicar. A sessão Créditos pode ser mantida para valorizar a autoria
do material.

Do ponto de vista do Team Based Learning (TBL): a etapa 1 foi diluída em Processos e
Recursos sem que se explique aos alunos qual o Problema a ser resolvido. O aluno deve
ter interesse e curiosidade ampliados porque não sabe ainda o problema que terá para
resolver. A etapa 2 segue normalmente com as avaliações individuais. A etapa 3, de apli-
cação dos conceitos, é distribuída na forma de roteiro para os alunos, nela existe a grande
questão, sugestão de alguns passos mínimos e orientações adicionais. A etapa 4 segue nos
moldes originais, ou seja, apresentação dos resultados e opção dos alunos poderem avaliar
seus pares.

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 14


Conclusão

O aprendizado se fortalece pela participação, ocorre mais pelo que fazemos do que pelo
que assistimos. Por esse motivo, a aplicação de conceitos é o que leva mais claramente ao
aprendizado, segundo abordagens que valorizem o aluno (DEWEY, 1997).

Se de um lado o aumento do número de alunos tem enfatizado mais o ensino tradicional


baseado na transmissão de informações, por outro, as demandas atuais sugerem métodos
ativos que desenvolvam habilidades para lidar com diferentes pontos de vista, reflexão de
ideias, pensamento crítico e criativo. WQ e TBL são abordagens interessantes que podem se
completar. TBL tem se mostrado um método eficaz para trabalhar em grupo, mesmo para
turmas grandes. Problemas aplicados por meio de TBL dão novo sentido ao aprendizado.
WQ tem se mostrado um método eficaz para potencializar a criatividade dos professores e
dos alunos, além de oportunizar o uso de diferentes mídias.

A simplicidade do modelo WQ convida à autoria do professor na criação de problemas


passo a passo. TBL é a construção de projetos em grupo. A fusão entre WQ e TBL leva a
uma interessante abordagem em que a uniformidade do ensino pode ser subvertida, em
que o papel intelectual do professor é valorizado como autor de atividades interessantes
e em que os alunos cultivam mais autonomia, ganham em motivação, aguçam a própria
curiosidade e superam limites.

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 15


REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, A. S. Questões-Problema do Quotidiano – Contributos para uma abordagem
global no currículo de Geociência. p.115-129. In: Geociências nos currículos dos ensinos
básicos e secundário/ Coord. Luis Marques, João Praia. Aveiro: Universidade, 2001.

BARBOSA, R. Projeto Geo-escola: Geociências para uma escola inovadora. 2013. 80 f. Tese
(Doutorado em Ciências) – Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, São
Paulo, 2013. Disponível em: [Link] Acesso
em: 21 abr. 2021.

BATES, T. Educar na era digital: design, ensino e aprendizagem. São Paulo: Artesanato
Educacional, 2016.

CRIVELARO, L. P. Indicadores que levam um professor a tornar-se colaborativo, 2014


(215p). Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Estadual
de Campinas, São Paulo, 2014. Disponível em: < [Link]
REPOSIP/319171/1/MonteirodeAlmeida_LanaPaulaCrivelaro_D.pdf>. Acesso em: 18 fev. 2021.

DEWEY, J. Experience and education. New York: Touchstone, 1997.

DODGE B. Some thoughts about WebQuests. Disponível em: < [Link]


about_webquests.html>. Acesso em: 5 abr. 2021.

FAGUNDES, L. Seminário do Projeto “Um Computador por aluno”(UCA). II Semana das


Mídias, realizada entre 13 e 17 de agosto de 2007. Disponível em: <[Link]
watch?v=eB00GXtzXpg>. Acesso em: 15. abr. 2021.

FINK, L. D. (2019). CREATING SIGNIFICANT LEARNING EXPERIENCES, REVISED AND


UPDATED: An Integrated Approach to Designing College Courses. San Francisco: Jossey-
-Bass, 2003.

MICHAELSEN, L. K.; DAVIDSON, N.; MAJOR, C. H. (2014). Team-based learning practices


and principles in comparison with cooperative learning and problem-based learning.
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OLIVEIRA, T. E. Aprendizagem de física, trabalho colaborativo crenças de autoeficácia:


um estudo de caso com o método Team Based Learning em uma disciplina introdutória

Métodos de Aprendizagem Ativa • UA01 16


de eletromagnetismo. 2016. 209 f. Dissertação (Mestrado Acadêmico em Ensino de Física)
– Instituto de Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre.

SIBLEY J.; OSTAFICHUK, P. Getting Started With Team-Based Learning. Virginia: Stylus
Publishing, 2014.

WOODCOCK, N. Earth’s History as a Guide to Earth’s Future. In: T. WAKEFORD & M. WALTRS,
eds., Science for the Earth. J. Wiley & Sons, p. 173-194.

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