Curso de Violão Popular
RITMO BAIÃO
O Baião é um ritmo de música e dança popular da região Nordeste, que surgiu
no século XIX e era bastante popular
com as camadas menos favorecidas
da população do meio rural e da
zona praieira, conhecida como
“canalhada”. Ele provém de uma das
modalidades do lundu – estilo
musical gerado pelo retumbar dos
batuques africanos produzidos pelos
escravos bantos de Angola, trazidos
à força para o Brasil.
Figura 1 - Mapa da trajetória dos escravos africanos trazidos
A princípio ele era conhecido como para o Brasil
baiano, por descender do verbo
‘baiar’, que popularmente se referia a ‘bailar’ ou ‘baiar’, expressões traduzidas no
Brasil por bailar. Esta sonoridade foi gerada pelos nordestinos a partir de uma
mistura da coreografia dos africanos com as cultivadas pelos nativos, somadas
ainda à dança praticada na metrópole. Era, portanto, uma síntese das três culturas,
muito exercitada ao longo do século XIX.
Alguns dos instrumentos utilizados no
baião são
a viola, zabumba, triângulo, agogô e
o acordeão (chamado de sanfona). A
maioria das temáticas das letras é sobre
o cotidiano dos sertanejos e suas
dificuldades.
Na década de 40, especialmente depois
de 1946, o baião ganhou novo impulso
com a intervenção do genial sanfonista e
compositor Luiz Gonzaga, assumindo
Figura 2 - Exemplo de Grupo de Baião uma nova tonalidade com a incorporação
um tanto inconsciente das características
do samba e das congas cubanas. Com esta nova feição este som transcendeu o
próprio bolero, disseminou-se por todo o país e até mesmo cruzou os limites do
país.
NOTA
No dia 22 de maio de 1946, foi gravado o disco nº 12.724, na fabrica Odeon, que tinha o mesmo
título da melodia “Baião” (com autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), interpretada pelo
grupo vocal ‘Quatro Ases e um Coringa’. O baião modificado, com influências de sambas e
rumbas cubanas foi divulgado para todo o Brasil pelo rádio, se tornando, ao lado da bossa-nova,
a música brasileira mais conhecida e apreciada no estrangeiro, além de uma das mais gravadas
no Brasil até hoje.
Somente no sul do Brasil o baião teve
algumas pequenas modificações.
Enquanto normalmente aquele que dança
indica seu substituto na coreografia com
uma umbigada, nesta região o dançarino
escolhe outra pessoa estalando os dedos,
simulando o toque de uma castanhola.
Nos anos 50 vários cantores aderiram a
este ritmo, entre eles Marlene, Emilinha
Borba, Ivon Curi. Gonzaga era
considerado o ‘Rei do Baião’, enquanto
Carmélia Alves era a ‘Rainha’, Claudete
Soares a ‘Princesa’ e Luiz Vieira o
‘Príncipe’.
O baião é sempre coreografado por pares,
Figura 3 - Luiz Gonzaga
os quais desenvolvem os passos
conhecidos como balanceios, passos de
calcanhar, passo de ajoelhar e rodopio. As
mulheres costumam se apresentar trajando vestidos de chita comum, adornados com
babados nas saias e dotados de generosos decotes e mangas curtas. Elas
normalmente calçam sandálias com muitas cores. Enquanto isso os homens usam
calças claras de brim, camisas simples e sandálias de couro cru.
Depois de algum tempo mantido à margem da história musical, o baião ressurgiu no
final da década de 70, graças ao resgate perpetrado por músicos do calibre de
Dominguinhos, Zito Borborema, João do Vale, Quinteto Violado, entre outros.
Além disso, este ritmo inspirou decisivamente o estilo tropicalista de Gilberto Gil e o
rock de Raul Seixas, que unia estas duas sonoridades, batizando de “Baioque” o
resultado desta fusão.
Execução no Violão
P = Polegar
C= Costa
P P C
NOTA
Os polegares são executados tocando apenas nas cordas graves (Mi bordão, Lá e Ré).
Exemplos de grandes sucessos do baião:
- "Asa Branca" - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
- "Baião de Dois" - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
- "Mulher Rendeira" – Zé do Norte
- "Boi Bumbá" – Gonzaguinha e Luiz Gonzaga
- "Baião da Penha" - David Nasser e Guio de Morais
- "Boiadeiro" - Armando Cavalcanti e Clécius Caldas
- "Calango da lacraia" - Luiz Gonzaga e Jeová Portela
CURIOSIDADE
No Nordeste existe um prato típico da culinária chamado "Baião de Dois". Ele é elaborado
com arroz, feijão-verde e queijo de coalho. Também é comum adicionar paio à receita .