Saúde Integral da Mulher
07 de fevereiro de 2025.
ANAMNESE particularidades devem ser minudenciadas, tais como
Identificação períodos de melhora espontânea, medicação utilizada,
Idade: situar a mulher nas diversas fases da vida, exames laboratoriais e possíveis tratamentos clínicos
quais sejam infância, puberdade, maturidade, climatério realizados.
e senilidade.
Qual o momento de ir ao ginecologista? A mulher deve Antecedentes mórbidos e familiares
buscar atendimento ginecológico em diferentes fases da Cardiovasculares - hipertensão arterial sistêmica,
vida, pois cada período apresenta necessidades doenças vasculares, tromboembolismo.
específicas: Endócrinas/ Metabólicas - diabetes, tireoideopatias,
Infância: avaliação em casos de corrimentos, obesidade, osteoporose.
irritações, sangramentos vaginais, anormalidades Cirurgias/ Transfusão - conhecer quantas, quando e
genitais congênitas ou suspeita de puberdade precoce. quais cirurgias foram feitas, mesmo que não envolvam o
Puberdade/Menarca: acompanhamento do trato genital, e os resultados dos exames
desenvolvimento puberal e orientações sobre a primeira anatomopatológicos anteriores e a necessidade ou não
menstruação. de hemotransfusão.
Menacme (fase reprodutiva): avaliação periódica da Viroses - esclarecer ocorrência de rubéola,
saúde reprodutiva, contracepção, investigação de toxoplasmose, sarampo, caxumba e outras; DSTs -
irregularidades menstruais, infecções, planejamento anotar incidência de HIV, sífilis, tuberculose, condilomas,
gestacional e rastreamento de doenças. corrimentos
Transição Menopausal (climatério): monitoramento Câncer - pesquisar neoplasias de mama, colo uterino,
das alterações hormonais e sintomas da endométrio e ovários ou outros, avaliar quais são e com
perimenopausa. qual idade foram acometidos.
Menopausa e Senectude: controle de sintomas
climatéricos, prevenção de osteoporose e Medicamentos em Uso: Quais, por que está em uso,
acompanhamento da saúde ginecológica na terceira qual a dose, há quanto tempo, e quem prescreveu ou se
idade. está fazendo automedicação.
Alergias;
Cor: Ajuda a determinar epidemiologia da doença. Vacinação: rubéola, difteria/tétano, hepatite B, gripe,
Ex: leiomiomas uterinos são mais comuns em raça HPV.
negra.
Naturalidade e procedência; Estilo de vida
Profissão. Tabagismo: quantidade, o tempo, se já cessou o
hábito de fumar, há quanto tempo parou; pois, está
Queixa principal relacionado à maior incidência de tumor de colo uterino,
Transcrição fiel do paciente. tromboembolismo, prematuridade e restrição de
crescimento intrauterino.
História da moléstia atual Etilismo e uso de drogas ilícitas: saber se usa ou não,
Histórico da evolução das manifestações clínicas, qual a quantidade, o tipo, o tempo de uso e via de
desde seu início até o momento da consulta. Todas as administração
01
Revisão de Sistemas cefaleia, diarreia, acne e impacto na qualidade de vida.
Alterações da frequência urinária: da diurese, do jato Dismenorreia: Dor menstrual incapacitante.
e da percepção de sintomas associados. Data da Última Menstruação (DUM - o DUM é o
Perda urinária aos esforços: detalhar quanto à primeiro dia da última menstruação. É essencial para
duração, fatores de melhora ou piora, como tosse, cálculos gestacionais e avaliação do ciclo menstrual.
espirro ou exercício físico e o impacto na qualidade de Se paciente no climatério devemos questionar sobre a
vida. última menstruação e se utilizam ou utilizaram terapia
Sintomas intestinais: frequência das evacuações, hormonal.
presença ou não de dor, sangramentos e qualidade das
fezes. Registro do ciclo menstrual:
Abordagem dos membros inferiores: questionar de Intervalo (I): 21 a 35 dias (Média 28 d)
presença ou não de varizes, tratamentos de trombose e Duração (D): 2 a 7 dias (média 4-5 d)
edema Volume (Q): 20 a 80 ml (absorvente cheio acumula
cerca de 15 ml)
ANAMNESE ESPECIAL REGISTRO: I/D: Q
Menstruação Ex.: 28/4 (50 ml)
Menarca - indagar e registar possíveis alterações no 28/4: IRRF
desenvolvimento puberal, informações sobre a idade da SPM(3d): ingurgitamento mamário, mastalgia,
menarca, do desenvolvimento cronológico, do distensão abdominal.
surgimento dos caracteres sexuais secundários e da
regularidade ou irregularidade dos ciclos menstruais Irregularidades no fluxo menstrual? Sangramento
subsequentes são imperativas. uterino anormal (SUA) .
Ciclos menstruais:
Intervalo entre as menstruações deve estar entre Sexualidade
22 e 35 dias. Sexarca/Coitarca - questione quando foi e se foi
Perguntar sobre a regularidade sem usar o termo consentida ou violência.
“irregular”, pois muitas pacientes o interpretam Atividade sexual:
erroneamente. Frequência - o número de parceiros atuais e nos
Variação normal entre ciclos: até ± 5 dias. últimos 12 meses
PROVA: paciente com ciclo de 26-31 dias → Intervalo Intercorrências no ato: Dispareunia/ Sinusiorragia
Intermenstrual Regular com Flutuação Fisiológica Tipos de práticas sexuais;
(IIRFF) Libido;
Duração do fluxo: número de dias de Orgasmo.
sangramento. Contracepção:
Intensidade do fluxo - avaliação pela quantidade Método atual (checar posologia e dúvidas,
de absorventes utilizados em 24h: adaptação e satisfação);
Intenso: > 6 absorventes/dia Métodos prévios (sucessos e insucessos).
Moderado: 3 a 5 absorventes/dia
Leve: 1 a 2 absorventes/dia Antecedentes obstétricos
Sintomas associados: G_P_A (Gestações, Partos e Abortos)
Síndrome Pré-Menstrual (SPM): Investigar
sintomas como irritabilidade, cólicas, dor mamária,
02
Comece pelo aborto: pergunte se houve curetagem ou Tipo de aborto: Espontâneo
aspiração manual intrauterina (AMIU). Questione sobre Intervenção: Curetagem realizada
sintomas, Complicações: Nenhuma
complicações e o período pré e pós-aborto.
Diferença de aborto e de parto prematuro: EXAME FÍSICO GINECO-
Aborto: interrupção da gestação antes de 20 a 22 OBSTÉTRICO
semanas ou feto com peso < 500g (não há registro de Exame geral
nascimento nem sepultamento). Dados vitais e antropometria: pressão arterial, o peso,
Parto prematuro: ocorre após 22 semanas, com a estatura e a frequência cardíaca e, se necessário, a
possibilidade de registro civil e sepultamento do recém- temperatura corporal; calcular o IMC.
nascido. Cabeça e pescoço (na cabeça e no pescoço, avaliar
a fácies, as mucosas oculares e da boca, a tireoide e a
Inventário de cada gestação: presença ou não de linfonodos cervicais)|
Intercorrências, ttos instituídos sucessos/ Ausculta cardíaca e pulmonar;
insucessos. Exame de MMII (buscar detectar a presença de
Desfecho (tipo de parto de parto/aborto, varizes ou de edema)
intercorrências no parto) Exame da coluna;
Peso do RN, intercorrências neonatais Inspeção e palpação do abdome (fazer inspeção e
Puerpério (fisiológico/ patológico quanto a palpação do abdome, observando as suas cicatrizes
aspectos físicos e psíquicos) cirúrgicas, a sua distensão ou a presença de massas
Aleitamento - duração do aleitamento exclusivo e abdominais, avaliando suas dimensões, consistência,
total. Se dificuldades no puerpério, complicações mobilidade, superfície e sensibilidade. Analisar também
(mastite, fissuras mamárias, baixa produção de leite). se há hepato ou esplenomegalia).
Intercorrências em órgãos genitais (mamas, vulva-
vagina-colo: IST's, procedimentos, cirurgias) Camisola aberta atrás.
Menopausa: idade da menopausa, tipo de É direito da paciente requisitar um acompanhante no
menopausa, sintomas (Índice Menopáusico de Blatt e momento do exame.
Kupperman, TH (esquemas, sucessos/insucessos) No ambulatório escola, o aprendiz permanecerá na
Inquérito intestinal e urinário (hábitos, ritmo, sala de acordo com aceitação da paciente.
alterações recentes, incontinências) Obstetrícia:
Exame das mamas
Exemplo de Registro: Inspeção Estática: paciente sentada e com os braços
1ª gestação: Parto prematuro relaxados ao lado do corpo. Avalie toda a mama,
Data: Dezembro/2011 compare em relação à simetria, volume, contorno e
Tipo de parto: Normal (PN) aspecto da pele.
Nome do RN: [Nome do bebê] Inspeção Dinâmica: solicita a paciente que levante os
Peso ao nascimento: 3000g braços acima da cabeça e, depois, coloque as mãos
Aleitamento: Exclusivo até 6 meses, total: 18 meses sobre os quadris e pressione, contraindo assim os
Complicações no puerpério: Nenhuma músculos peitorais. Avalie se tem retração, abaulamento,
mamilo acessório, etc.
2ª gestação: Aborto Papilas mamárias e mamilos;
Idade gestacional: [Ex.: 10 semanas]
03
Expressão das mamas 3. Com uma mão, afastar os lábios vaginais e, com a
é incômodo; outra, introduzir o espéculo com delicadeza.
ordenha a mama e avalia se há fluidos. 4. Em alguns casos, pode-se solicitar que a paciente
faça uma leve força para baixo (manobra de Valsalva)
para facilitar a introdução.
5. Abrir o espéculo lentamente e visualizar o colo do
útero, observando sua coloração, forma e presença de
secreções ou lesões.
A vagina é um órgão elástico, e sua mucosa se adapta
Cadeias linfáticas ao tamanho do espéculo.
Axilas - apalpa atrás do músculo peitoral, depois
na borboleta e depois atrás. Coleta do exame preventivo (Papanicolau)
Fossas supra e infraclaviculares. 1. Identificar a junção escamocolunar do colo do
O examinador deve observar: o número de linfonodos útero.
palpáveis, bem como seu tamanho, consistência e 2. Introduzir a espátula de Ayre para coletar material
mobilidade. da ectocérvice (parte externa do colo).
3. Inserir a escovinha endocervical para obter
Exame do Abdômen amostras do canal cervical.
Exame Ginecológico
Posição: paciente deve estar em posição de litotomia Toque vaginal
(deitada em decúbito dorsal, com os pés apoiados nas 1. Com dois dedos lubrificados (com vaselina ou
perneiras e joelhos fletidos). sabão), introduzir na vagina e palpar o útero.
2. Avaliar a posição, mobilidade, tamanho e
consistência do útero e anexos.
3. Identificar possíveis massas, dor à palpação ou
alterações estruturais.
Toque retal
Deve ser realizado apenas se houver dúvida
Exame da vulva: diagnóstica ou na suspeita de estadiamento de câncer
1. Inspecionar e palpar o monte do púbis. do colo do útero.
2. Avaliar os grandes lábios, verificando a presença Se a luva não estiver contaminada com secreção
de lesões, assimetrias ou secreções. vaginal, pode ser utilizada a mesma.
3. Abrir os pequenos lábios para examinar a mucosa.
4. Avaliar a uretra e o óstio vaginal, observando
sinais de inflamação, secreções ou outras alterações.
Uso do espéculo
1. Selecionar três tamanhos de espéculo (pequeno,
médio e grande) para adequação à paciente.
2. Segurar o espéculo com a parte posterior apoiada
na palma da mão.
04
Ciclo Menstrual
14 de fevereiro de 2025.
O ciclo menstrual é um processo fisiológico controlado Se não houver fecundação, o corpo lúteo regride,
por hormônios, envolvendo os ovários e o endométrio, reduzindo a produção de progesterona e estrogênio,
preparando o corpo para uma possível gestação. Ele é levando à descamação do endométrio (menstruação) e
dividido em ciclo ovariano e ciclo uterino, com duração ao início de um novo ciclo.
média de 28 dias, podendo variar entre 21 a 35 dias. A inibina A, produzida pelo corpo lúteo, ajuda a
reduzir a secreção de FSH e LH, evitando um novo ciclo
Fases do Ciclo Menstrual antes da regressão do corpo lúteo.
O ciclo começa no primeiro dia da menstruação, quando
ocorre a descamação do endométrio devido à queda Ciclo Uterino
dos níveis de estrogênio (E) e progesterona (P). Fase Menstrual (1º ao 5º dia)
O hormônio folículo-estimulante (FSH), secretado pela Ocorre a descamação do endométrio devido à queda
hipófise, estimula o crescimento dos folículos ovarianos. de E e P.
Ciclo Ovariano Fase Proliferativa (6º ao 14º dia)
Fase Folicular (10 a 14 dias) O estrogênio promove a proliferação das células
FSH estimula o desenvolvimento dos folículos endometriais, tornando o endométrio mais espesso.
ovarianos.
O folículo dominante(mais receptores e capacidade Fase Secretora (15º ao 28º dia)
de se manter) começa a produzir estrogênio, que A progesterona, produzida pelo corpo lúteo, mantém
promove o crescimento e espessamento do endométrio o endométrio espesso e vascularizado para receber um
(fase proliferativa do ciclo uterino). possível embrião.
A inibina B, secretada pelo folículo dominante, inibe a Se não houver implantação, a queda hormonal leva à
produção de FSH para evitar o desenvolvimento de menstruação.
outros folículos.
Quando o estrogênio atinge um pico, estimula a
liberação do hormônio luteinizante (LH) pela hipófise, o
que desencadeia a ovulação.
Ovulação (Por volta do 14º dia em um ciclo de 28 dias)
O pico de LH provoca a ruptura do folículo
dominante, liberando o óvulo na tuba uterina.
Esse óvulo pode ser fecundado se encontrar um
espermatozoide.
O folículo rompido se transforma no corpo lúteo.
Fase Lútea (14 dias após a ovulação)
O corpo lúteo começa a produzir progesterona, que
prepara o endométrio para a implantação do embrião
(fase secretora do ciclo uterino).
05
Hormônios: A ovulação ocorre cerca de 14 dias antes da próxima
FSH: estimula o crescimento dos folículos e a menstruação.
produção de estrogênio. Exemplos de cálculo:
Estrogênio: produzido pelos folículos ovarianos, Ciclo de 32 dias → Ovulação no 18º dia (32 - 14 =
estimula a proliferação endometrial. 18).
LH: induz a ovulação e a formação do corpo lúteo. Ciclo de 28 dias → Ovulação no 14º dia (28 - 14 =
Progesterona: produzida pelo corpo lúteo, prepara o 14).
endométrio para a gestação. Uma pessoa com ciclo curto e menstruação prolongada
Inibinas A e B: regulam a produção de FSH e LH, pode ovular logo após o período menstrual, tornando
impedindo a ativação precoce de novos folículos. possível engravidar mesmo durante a menstruação.
Células Ovarianas
Células da Teca: produzem androgênos sob
estimulação do LH.
Células da Granulosa: sob influência do FSH,
convertem androgênos em estrogênio.
Folículo Dominante: aquele com mais receptores
hormonais e que consegue se manter por mais tempo.
Se houver um aumento excessivo de estrogênio, pode
haver repercussões malignas, como câncer de
endométrio.
Estrogênio
Produzido pelos folículos ovarianos.
Outras fontes incluem tecido adiposo, fígado e
suprarrenais.
A base estrutural dos hormônios esteroides é a
molécula de ciclopentano peridrofenantreno, que possui
27 carbonos. O colesterol pode sofrer modificações
químicas, perdendo carbonos até se tornar C17,
transformando-se em estrogênio.
Um androgênio pode perder um carbono e ser
convertido em um hormônio feminino.
Progesterona
Produzida pelo corpo lúteo e, em caso de gestação,
pela placenta.
06
Sangramento Uterino Anormal 21 de fevereiro de 2025.
(SUA)
O sangramento uterino anormal (SUA) refere-se a Etiologia
qualquer alteração no ciclo menstrual em termos de A FIGO propõe a classificação PALM-COEIN para
frequência, regularidade, duração ou volume, orientar a investigação clínica, dividindo as causas em
impactando a qualidade de vida da mulher. estruturais e não estruturais:
PALM - causas estruturais de SUA:
Parâmetros da FIGO (Federação Internacional de
Pólipo: crescimento anormal do tecido endometrial,
Ginecologia e Obstetrícia):
geralmente benigno.
Frequência
Adenomiose: presença de tecido endometrial no
Ausente = amenorreia
miométrio, causando aumento uterino e dor.
Infrequente: > 38 dias
Leiomioma: igual a mioma, é um tumor benigno do
Normal: ≥ 24 dias a ≤ 38 dias
músculo uterino (submucoso e outros tipos).
Frequente: < 24 dias
Malignidade e hiperplasia endometrial: alterações pré-
malignas ou câncer do endométrio.
Irregularidade
Normal: variação entre o ciclo mais curto e o mais
COEIN - causas não estruturais de SUA:
longo ≤ 7 a 9 dias.
Coagulopatia: distúrbios da coagulação, como doença
Irregular: variação entre o ciclo mais curto e o mais
de von Willebrand.
longo ≥ 8 a 10 dias.
Ovulatória (disfunção ovulatória): alterações
Variação conforme idade (+/- 4 dias).
hormonais que levam a ciclos anovulatórios.
Endometrial: disfunção da hemostasia local do
Volume
endométrio, sem anormalidades estruturais evidentes.
Leve: 1 ou 2 absorventes/24h
Iatrogênica: causada por medicações.
Normal: 3 a 5 absorventes/24h
Não classificadas previamente: casos de etiologia
Intenso: ≥ 6 absorventes/24 h
desconhecida ou que não se encaixam nos anteriores.
O SUA pode ter repercussões físicas, emocionais,
sociais, sexuais e econômicas, afetando
significativamente a qualidade de vida da mulher.
Classificação
SUA Agudo
Ocorre de forma súbita e intensa, podendo necessitar
intervenção imediata.
É a principal causa de transfusão sanguínea na PALM
adolescência.
P - Pólipo
Crescimento focal e hiperplásico do endométrio,
SUA Crônico
composto por tecido vascular, glândulas, tecido
Define-se como um sangramento anormal que ocorre
conjuntivo e fibromuscular.
de maneira persistente por seis meses ou mais.
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Pode estar na cavidade uterina ou endocérvice. A - Adenomiose
Pode ocorrer em qualquer idade, comum após os 30. O útero é composto por três camadas principais: a
Benigno na maioria dos casos, mas pode sofrer serosa, miométrio e endométrio. A adenomiose ocorre
transformação maligna. quando o tecido endometrial invade o miométrio, ou seja,
Aumenta o fluxo menstrual e pode causar cresce para dentro da parede muscular do útero. Essa
sangramento intermenstrual. infiltração leva a alterações estruturais, como
Aumenta o fluxo menstrual e pode causar irregularidade da zona juncional (região de transição
sangramento intermenstrual. entre endométrio e miométrio) e formação de cistos
Pode interferir na fertilidade, dificultando a endometriais dentro do miométrio.
implantação do embrião. Pode causar assimetria das paredes uterinas,
Na gestação, pode causar sangramento. tornando o útero aumentado e irregular.
Se a mulher não apresenta sintomas, mas deseja Muito frequente, especialmente em mulheres entre 40
engravidar, a remoção pode ser indicada. e 50 anos.
Pode estar associada a endometriose, pólipos
Ultrassonografia transvaginal (USG-TV) não é um endometriais e miomas uterinos.
exame de rastreamento.
Histerossonografia (USG com infusão de soro na
cavidade uterina) pode melhorar a identificação do
pólipo.
Histeroscopia diagnóstica é o melhor método para
visualizar e confirmar a presença do pólipo.
Tratamento do pólipo:
Exérese sempre que possível, especialmente em
casos sintomáticos ou quando há suspeita de
malignidade.
A remoção pode ser feita por:
Histeroscopia cirúrgica: método ideal, pois permite Adenomiose: o endométrio invade o miométrio.
visualizar e retirar o pólipo diretamente por via Endometriose: o tecido endometrial está fora do útero,
endoscópica, passando pelo canal cervical. podendo afetar a cavidade pélvica, peritônio, intestino e
Curetagem uterina: método realizado no SUS, mas alças intestinais.
pode não ser totalmente eficaz, pois nem sempre
consegue remover o pólipo por completo. Sintomas:
Dor e sangramento intenso são as principais
manifestações clínicas.
O sangramento irregular pode ser cíclico e
prolongado.
Sangramento prolongado durante a menstruação,
podendo ocorrer episódios de sangramento
ocasionalmente entre os ciclos.
A adenomiose pode dificultar a implantação do
embrião, prejudicando a gravidez.
08
Dismenorreia é dor menstrual. Dor pélvica é quando altera a cavidade uterina e dificulta a implantação do
ocorre dor mesmo fora do período menstrual. embrião.
Na adenomiose, o sangramento pode ser prolongado e A retirada cirúrgica do mioma pode ser indicada quando:
ocorrer fora do período menstrual. No mioma, o 1. Submucoso: é de difícil controle do sangramento por
sangramento tende a ser mais intenso durante a outros métodos.
menstruação. 2. Muito grande: se comprime órgãos adjacentes, como
bexiga e reto.
L - Leiomioma (Mioma uterino) 3. Falha no tratamento clínico: quando outras opções
O mioma uterino (ou leiomioma) não é composto por terapêuticas não são eficazes.
endométrio, mas sim por tecido fibroso e muscular liso
desorganizado. Trata-se de um tumor benigno, formado Tratamento da Adenomiose e do Mioma:
por fibras que se entrelaçam, sem cápsula definida. Progesterona
Pólipo: hiperplasia focal do endométrio, sem cápsula. DIU de levonorgestrel (Mirena);
Adenomiose: tecido endometrial ectópico que se Implanon;
infiltra no miométrio. Progestágenos orais isolados;
Localização: Terapia combinada (se necessário):
Subseroso: localizado na camada externa do útero, Estrogênio + progesterona (ex.: pílula
pode comprimir estruturas adjacentes como bexiga e anticoncepcional combinada, anel vaginal)
reto, causando sintomas compressivos.
Intramural: localizado dentro da parede muscular do Terapia de supressão hormonal com análogos do GnRH,
útero (miométrio). eles bloqueiam a produção hormonal, induzindo um
Submucoso: próximo ao endométrio, invadindo a estado semelhante ao climatério. Pode causar
cavidade uterina. osteoporose e sintomas climatéricos. Usar por curto
período, principalmente para reduzir o tamanho do útero
antes da cirurgia.
Tratamento cirúrgico
Indicado se as terapias hormonais não forem
eficazes.
Miomectomia: Remoção do mioma preservando o
útero (para mulheres que desejam engravidar).
Histerectomia: Remoção total do útero, indicada em
Todos os tipos de miomas podem causar sangramento, casos graves, refratários ao tratamento.
mas o submucoso é o que mais sangra. Não há relação
direta entre o tamanho do mioma e a intensidade do M - Malignidade e Hiperplasia endometrial
sangramento. A exposição prolongada ao estrogênio sem oposição da
progesterona estimula o endométrio, aumentando o
Miomas não são uma causa comum de infertilidade, mas risco de hiperplasia endometrial e doenças malignas do
podem afetar a fertilidade dependendo da localização. O endométrio.
submucoso é o que mais interfere na gravidez, pois
09
Além dos ovários, o estrogênio pode ser produzido em Gengivorragia frequente.
outros locais: Histórico familiar de transtornos hemorrágicos.
Tecido adiposo: mulheres com maior índice de
gordura corporal têm maior conversão periférica de Principais coagulopatias associadas ao SUA:
andrógenos em estrogênio (pela enzima aromatase), o Doença de von Willebrand (causa mais comum).
que aumenta o risco de malignidade endometrial. Hemofilias
Fígado: metaboliza hormônios e influencia os níveis Disfunções plaquetárias.
circulantes de estrogênio. Púrpura trombocitopênica.
Coagulopatias secundárias a hepatopatias e
Tudo que leva à maior exposição ao estrogênio pode leucemias.
aumentar o risco de malignidade, incluindo:
Menarca precoce (antes dos 9 anos). Equimoses são comuns na população geral, podendo
Menopausa tardia (após os 55 anos). ser confundidas com manchas melânicas ou hematomas
Obesidade. ocasionais.
Terapia estrogênica sem oposição de progesterona.
SOP (ciclos anovulatórios levam à exposição Se uma mulher jovem (exemplo: 18 anos) apresenta
prolongada ao estrogênio). sangramento uterino anormal intenso, as causas
Nuliparidade. Durante a gravidez, há maior estruturais como pólipo e mioma são menos prováveis
produção de progesterona, o que reduz a exposição ao nessa faixa etária.
estrogênio. O aleitamento materno aumenta os níveis
de prolactina, que inibe a ovulação e reduz os níveis Solicito:
de estrogênio, conferindo proteção contra hiperplasia Ultrassonografia pélvica (transvaginal se já teve
endometrial e câncer de endométrio. relações sexuais; suprapúbica se não teve).
Hemograma completo.
COEIN Coagulograma:
C - Coagulopatias Tempo de Protrombina (TP) e INR.
As coagulopatias são uma das causas não estruturais Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPa).
de SUA e podem estar associadas a distúrbios da Dosagem do Fator de von Willebrand.
coagulação hereditários ou adquiridos. Uma anamnese
estruturada tem 90% de sensibilidade para identificar O - Disfunções Ovulatórias
coagulopatias. As disfunções ovulatórias ocorrem quando há
irregularidade ou ausência da ovulação, impactando a
Critérios clínicos: produção hormonal e o ciclo menstrual.
Histórico de sangramento menstrual intenso desde Principais causas:
a menarca. SOP: caracteriza-se por anovulação crônica,
Sangramento excessivo após cirurgias, traumas ou hiperandrogenismo e ovários policísticos. A ausência de
procedimentos odontológicos. ovulação impede a produção adequada de
Hemorragia pós-parto. progesterona, resultando em sangramento irregular e
Presença de ≥ 2 dos seguintes sintomas: prolongado. Mulheres com SOP apresentam maior nível
Equimoses frequentes (1 a 2 vezes por mês). de estrogênio persistente sem a contraposição da
Epistaxe recorrente (sangramento nasal, 1 a 2 progesterona, o que pode levar a hiperplasia
vezes por mês). endometrial.
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Anovulação associada à obesidade: o tecido adiposo Antiepilépticos;
converte andrógenos em estrogênio pela aromatase, Antidepressivos;
aumentando a exposição ao estrogênio sem ovulação. Fenotiazinas;
Isso favorece um endométrio hiperplásico, com Tamoxifeno (modulador seletivo do receptor de
sangramentos irregulares e volumosos. estrogênio);
Anovulação por causas centrais: disfunções no eixo Corticoides;
hipotálamo-hipófise-ovário podem levar a anovulação. Hormônios tireoidianos.
Exemplo: estresse, perda excessiva de peso, exercícios
intensos e hiperprolactinemia. N – Não Classificadas Previamente
Insuficiência lútea: ocorre quando há ovulação, mas o São causas raras ou ainda não totalmente
corpo lúteo é imaturo e não produz progesterona compreendidas que podem levar ao sangramento
adequadamente. Comum a partir dos 35 anos. uterino anormal.
Pode ser tratada com suplementação de
progesterona por 14 dias no ciclo. Diagnóstico
Passo 1 - Excluir gravidez:
E - Distúrbios primários do endométrio Beta-HCG para afastar gestação e complicações
As alterações na hemostasia endometrial podem causar como aborto e gravidez ectópica.
sangramentos anormais. Passo 2: Exames laboratoriais:
Mecanismos envolvidos: Hemograma completo (Hb, Ht, plaquetas, ferritina,
Deficiência de vasoconstritores locais. ferro sérico).
Hiperfibrinólise (degradação acelerada dos coágulos Coagulograma se suspeita de coagulopatia:
sanguíneos). INR, TAP, PTTa, Fator de von Willebrand.
Aumento de substâncias vasodilatadoras. TSH e Prolactina para avaliar disfunção tireoidiana e
Resposta inflamatória exacerbada (exemplo: Doença hiperprolactinemia.
Inflamatória Pélvica - DIP). Passo 3 - Exames de imagem
Ultrassonografia pélvica (transvaginal se já teve
Tratamento relação sexual; suprapúbica se não teve). E examinador
Controle hormonal com estrogênio e progesterona. dependente. Os critérios MUSA são critérios que
Em casos graves, pode ser necessária a limpeza aumentam a sensibilidade e especificidade do exame,
completa do endométrio (curetagem ou ablação deixando a níveis próximos de uma tomografia.
endometrial).
Histerossonografia: injeta soro na cavidade uterina
I - Iatrogenia para melhor visualização de pólipos e miomas
Certos medicamentos e dispositivos intrauterinos (DIUs) submucosos.
podem causar sangramento uterino anormal. Histeroscopia: exame padrão-ouro para visualizar e
Principais causas iatrogênicas: tratar lesões endometriais.
DIU de cobre: pode aumentar o fluxo menstrual; Biópsia endometrial se houver suspeita de
DIU com levonorgestrel (Mirena): pode causar malignidade ou hiperplasia endometrial.
spotting nos primeiros meses;
Anticoncepcionais hormonais de baixa dosagem
(pode causar sangramento de escape);
Anticoagulantes;
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