Ação do PSB no STF sobre Segurança Pública
Ação do PSB no STF sobre Segurança Pública
ajuizou ADP no STF pedindo para prazo de até 90 dias, de um plano para redução da letalidade policial e
que fossem reconhecidas e sanadas controle de violações de direitos humanos pelas forças de segurança,
as graves lesões a preceitos contendo medidas objetivas, cronogramas específicos e a previsão dos
fundamentais da Constituição recursos necessários para a sua implementação;
praticadas pelo Estado do Rio de O emprego e a fiscalização da legalidade do uso da força sem feitos à luz
Janeiro na elaboração e dos Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos
implementação de sua política de Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei.
segurança pública, notadamente no Criação de um grupo de trabalho sobre Polícia Cidadã no Observatório de
que tange à excessiva e crescente Direitos Humanos localizado no CNJ;
letalidade da atuação policial, Nos termos dos Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas
voltada sobretudo contra a de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, só se
população pobre e negra de justifica o uso da força letal por agentes de Estado em casos extremos
comunidades. quando, (i) exauridos todos os demais meios, inclusive os de armas não-
letais, ele for (ii) necessário para proteger a vida ou prevenir um dano sério,
(iii) decorrente de uma ameaça concreta e iminente;
Relações: As investigações de incidentes que tenham como vítimas
Caso Favela Nova Brasília; crianças/adolescentes terão a prioridade absoluta;
Decreto Estadual 27.795/2001 e No caso de buscas domiciliares por parte das forças de segurança do Estado
Decreto 46.775/2019 do Rio de Janeiro, sejam observadas as seguintes diretrizes constitucionais,
sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente policial: (i)
a diligência, no caso de cumprimento de mandado judicial, deve ser
realizada somente durante o dia, vedando-se, assim, o ingresso forçado a
domicílios à noite; (ii) a diligência, quando feita sem mandado judicial, deve
estar lastreada em causas prévias e robustas que indiquem a existência de
flagrante delito, não se admitindo que informações obtidas por meio de
denúncias anônimas sejam utilizadas como justificativa exclusiva para a
deflagração de ingresso forçado a domicílio; (iii) a diligência deve ser
justificada e detalhada por meio da elaboração de auto circunstanciado,
que deverá instruir eventual auto de prisão em flagrante ou de apreensão
de adolescente por ato infracional e ser remetido ao juízo da audiência de
custódia para viabilizar o controle judicial posterior; e (iv) a diligência deve
ser realizada nos estritos limites dos fins excepcionais a que se destinam,
proibindo-se a prática de utilização de domicílios ou de qualquer imóvel
privado como base operacional das forças de segurança, sem que haja a
observância das formalidades necessárias à requisição administrativa;
Obrigatória a disponibilização de ambulâncias em operações policiais
previamente planejadas em que haja a possibilidade confrontos armados,
sem prejuízo da atuação dos agentes públicos e das operações;
A determinação de que o Estado do Rio de Janeiro, no prazo máximo de
180 (cento e oitenta) dias, instale equipamentos de GPS e sistemas de
gravação de áudio e vídeo nas viaturas policiais e nas fardas dos agentes de
segurança, com o posterior armazenamento digital dos respectivos
arquivos;
976 Pessoas em situação de rua. Foi determinado, liminarmente, que os Estados, o Distrito Federal e os
A ação foi apresentada pela Rede Municípios passem a observar, de forma imediata e independente de adesão
Sustentabilidade, pelo PSOL e pelo formal, as diretrizes instituídas pela Política Nacional para a População em
Movimento dos Trabalhadores Sem Situação de Rua (Decreto nº 7.053/2009).
Teto - MST, sob o argumento de que
O relator concedeu, ainda, o prazo de 120 (cento e vinte) dias para que o
essa população específica está
governo federal elabore um plano de ação e monitoramento para a efetiva
submetida a condições desumanas
implementação da política nacional para essa população, com a participação,
de vida devido a omissões
dentre outros órgãos, do Comitê intersetorial de Acompanhamento e
estruturais das três esferas
Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua
federativas do Executivo e do
(CIAMP-Rua), do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), da
Legislativo.
Defensoria Pública da União (DPU) e do Movimento Nacional da População em
Situação de Rua, com medidas para o fortalecimento de políticas públicas
Estado de coisa inconstitucional voltadas à moradia, trabalho, renda, educação e cultura, que respeitem as
concernente às condições especificidades dos diferentes grupos familiares e evitem sua separação,
desumanas de vida da população destacando a elaboração de um diagnóstico atual da população em situação de
em situação de rua: omissões rua, com identificação do perfil, da procedência e de suas principais
estruturais do P. Público. necessidades, entre outros elementos a amparar a construção de políticas
públicas voltadas ao segmento.
Temas:
Além disso, pela decisão, Estados e Municípios devem adotar medidas que
- Aporofobia
garantam a segurança pessoal e dos bens da população em situação de rua
- Arquitetura hostil/de exclusão
dentro dos abrigos institucionais existentes, inclusive com apoio para seus
- Política Higienista
animais. Ademais, fica proibido o recolhimento forçado de bens e pertences, a
- Housing First
remoção e o transporte compulsório das pessoas em situação de rua, bem
- Controle de políticas públicas pelo
como o emprego de técnicas de arquitetura hostil contra essa população.
Poder Judiciário
Também, os Poderes Executivos distrital e municipais, no prazo de 120 dias,
devem realizar diagnóstico pormenorizado da situação, nos seus respectivos
territórios, com a indicação do quantitativo de pessoas em situação de rua por
área geográfica, quantidade e local das vagas de abrigo e de capacidade de
fornecimento de alimentação.
995 Guardas Municipais são órgãos As guardas municipais têm entre suas atribuições o poder-dever de prevenir,
integrantes da segurança pública: inibir e coibir infrações penais ou administrativas e atos infracionais que
interpretação conforme à atentem contra os bens, serviços e instalações municipais. "Trata-se de
Constituição ao artigo 4º da Lei atividade típica de segurança pública exercida na tutela do patrimônio
13.022/14 e ao artigo 9º da municipal", ressaltou.
13.675/18
Ele lembrou o julgamento do RE 846854 (Tema 544), quando o Tribunal
reconheceu que as guardas municipais executam atividade de segurança
pública essencial ao atendimento de necessidades inadiáveis da comunidade.
“Não há nenhuma dúvida judicial ou legislativa da presença efetiva das guardas
municipais no sistema de segurança pública do país”, concluiu.
54 Interrupção de gravidez de feto De acordo com o entendimento firmado, o feto sem cérebro, mesmo que
anencéfalo. biologicamente vivo, é juridicamente morto, não gozando de proteção jurídica
e, principalmente, de proteção jurídico-penal. "Nesse contexto, a interrupção
da gestação de feto anencefálico não configura crime contra a vida - revela-se
conduta atípica", afirmou o relator.
O primeiro ponto debatido pelo relator em seu voto foi a separação entre
Estado e Igreja. Segundo Marco Aurélio, a CF/88 consagrou não apenas a
liberdade religiosa - inciso VI do artigo 5º -, como também o caráter laico do
Estado - inciso I do artigo 19.
No que tange ao direito à vida, Marco Aurélio foi enfático: não é dado invocar
o direito à vida dos anencéfalos. "Anencefalia e vida são termos antitéticos.
Conforme demonstrado, o feto anencéfalo não tem potencialidade de vida."
Segundo o ministro, não existindo possibilidade de o feto se tornar uma pessoa
humana, não surge justificativa para a tutela jurídico-penal, com maior razão
quando eventual tutela esbarra em direitos fundamentais da mulher.
Ao contrário do que sustentado por alguns, o ministro frisou não ser possível
invocar, em prol da proteção dos fetos anencéfalos, a possibilidade de doação
de seus órgãos. Para Marco Aurélio, não se pode obrigar a manutenção de uma
gravidez apenas para viabilizar a doação de órgãos, sob pena de "coisificar a
mulher e ferir, a mais não poder, a sua dignidade". O relator ainda destacou a
impossibilidade de se aproveitar os órgãos de um feto anencéfalo.
527 LGBTS E LOCAL DE CUMPRIMENTO Proposta pelos LGBTS – parâmetros de acolhimento de encarcerados: Perda do
DE PENA objeto, em razão da resolução 348/20 do CNJ, que estabeleceu que cabe ao juiz
decidir o local de pena mais apropriado.
964 Declarou inconstitucional o Decreto O indulto é um dos mecanismos políticos de extinção da punibilidade previstos
do presidente que concedeu expressamente pela atual ordem constitucional e cuja utilização é vedada para
indulto visando interesse pessoal crimes específicos. A partir de um complexo sistema de freios e contrapesos,
ele é considerado como importante instrumento de política criminal, voltado a
atenuar possíveis incorreções legislativas ou judiciárias em prol da reinserção e
ressocialização de condenados que a ele façam jus.
334 Prisão especial para quem possua Em seu voto pela procedência do pedido, o ministro Alexandre de Moraes
diploma de nível superior é explicou que o instituto da prisão especial, na forma atual, não é uma nova
incompatível com a Constituição modalidade de prisão cautelar, mas apenas uma forma diferenciada de
Federal (fere princípio da recolhimento da pessoa presa provisoriamente, segregada do convívio com os
isonomia). demais presos provisórios, até a condenação penal definitiva.
Medida discriminatória
Contudo, a seu ver, esse raciocínio não se aplica à prisão especial para quem
tem diploma universitário. “Trata-se, na realidade, de uma medida
discriminatória, que promove a categorização de presos e que, com isso, ainda
fortalece desigualdades, especialmente em uma nação em que apenas 11,30%
da população geral tem ensino superior completo e em que somente 5,65% dos
pretos ou pardos conseguiram graduar-se em uma universidade”. Ou seja, “a
legislação beneficia justamente aqueles que já são mais favorecidos
socialmente, os quais já obtiveram um privilégio inequívoco de acesso a uma
universidade”.
779 Legítima defesa da honra. Com esse entendimento, o Supremo Tribunal Federal decidiu nesta terça-feira
Inconstitucionalidade da tese da (1º/8), por unanimidade, que é inconstitucional o uso da tese da legítima defesa
legítima defesa da honra da honra em casos de feminicídio, tanto na fase processual quanto pré-
processual, bem como perante o Tribunal do Júri, sob pena de nulidade do ato
e do julgamento.
Toffoli incluiu em seu voto trecho segundo o qual não fere a soberania do
Tribunal do Júri o provimento de apelação contra absolvições fundadas na tese
da legítima defesa da honra.
"É preciso que isso seja extirpado inteiramente. Mais que uma questão de
constitucionalidade, que tem como base a dignidade humana, estamos falando
de dignidade no sentido próprio, subjetivo e concreto de uma sociedade que
ainda hoje é sexista, machista, misógina e mata mulheres apenas porque elas
querem ser o que elas são: mulheres donas de suas vidas", disse a ministra.
Segunda a votar nesta terça-feira, a ministra Rosa Weber afirmou que a tese da
legítima defesa da honra traduz expressão de uma sociedade "patriarcal,
arcaica e autoritária".
ADPF
A decisão foi tomada na ADPF 779, ajuizada pelo PDT. Na ação, a legenda pede
para que seja afastando o entendimento da legitima defesa da honra e que se
dê interpretação conforme a Constituição ao artigo 483, III, § 2º, do Código de
Processo Penal.
O relator destacou que quem usa violência contra a mulher para reprimir um
adultério não está protegido por essa excludente de ilicitude. Afinal, essa
pessoa não está se defendendo de uma agressão injusta, mas atacando uma
mulher "de forma desproporcional, covarde e criminosa".
Ele também ressaltou que a honra é um atributo personalíssimo, que não pode
ser abalada em virtude de ato atribuído a terceiro. Quem tiver sua honra lesada
pode buscar compensação por outros meios, como ações cíveis, disse Toffoli.
"A legítima defesa da honra é recurso retórico odioso, desumano e cruel, usado
por acusados de feminicídio para imputar às vítimas a causa de suas próprias
mortes ou lesões, contribuindo para a perpetuação da cultura de violência
contra as mulheres no país", disse.
279 Assistência jurídica municipal Prestação desse serviço público para auxílio da população economicamente
gratuita. vulnerável não tem por objetivo substituir a atividade prestada pela Defensoria
Pública. O serviço municipal atua de forma simultânea. Trata-se de mais um
espaço para garantia de acesso à jurisdição (art. 5º, LXXIV, da CF/88)
Os municípios detêm competência para legislar sobre assuntos de interesse
local, decorrência do poder de autogoverno e de autoadministração. Assim,
cabe à administração municipal estar atenta às necessidades da população,
organizando e prestando os serviços públicos de interesse local (art. 30, I, II e
V). Além disso, a competência material para o combate às causas e ao controle
das condições dos vulneráveis em razão da pobreza e para a assistência aos
desfavorecidos é comum a todos os entes federados (art. 23, X).
Estrutura insuficiente
Enfraquecimento
Vulnerabilidade social
Os votos que seguiram a relatora destacaram que o município não criou uma
defensoria local, apenas disponibilizou um serviço público de assistência
jurídica complementar voltado aos interesses da população de baixa renda,
minorando a vulnerabilidade social e econômica e incrementando o acesso à
justiça.
Direitos fundamentais
Divergência
347 Sistema penitenciário brasileiro – 1. Há um estado de coisas inconstitucional no sistema carcerário brasileiro,
Estado de Coisas Inconstitucionais. responsável pela violação massiva de direitos fundamentais dos presos. Esse
estado de coisas demanda a atuação cooperativa das diversas autoridades,
instituições e comunidade para a construção de uma solução satisfatória.
828 Suspensão de despejos e No contexto da pandemia da COVID-19, o direito social à moradia (art. 6º, CF)
desocupações, em razão da está diretamente relacionado à proteção da saúde (art. 196, CF), tendo em vista
pandemia, de áreas coletivas – que a habitação é essencial para o isolamento social, principal mecanismo de
famílias + vulneráveis contenção do vírus. O Ministro Luís Roberto Barroso, a partir dessa
fundamentação [veja aqui na íntegra] alinhada aos marcos normativos
internacionais de proteção dos direitos humanos, no último dia 03 de junho,
deferiu parcialmente uma medida cautelar referente à ADPF 828, apresentada
pelo PSOL, em abril deste ano, suspendendo, por 6 (seis) meses, medidas
administrativas ou judiciais que resultem em despejos, desocupações,
remoções forçadas ou reintegrações de posse de natureza coletiva em imóveis
que sirvam de moradia ou que representem área produtiva pelo trabalho
individual ou familiar de populações vulneráveis. Nos casos de locações
residenciais em que o locatário seja pessoa vulnerável, a mesma decisão
suspendeu pelo prazo de 6 (seis) meses a possibilidade de concessão de
despejo liminar sumário, sem a audiência da parte contrária (art. 59, § 1º, da
Lei nº 8.425/1991). Algumas distinções foram estabelecidas para casos
relativos a ocupações recentes, que assim como as demais ressalvas à
abrangência da cautelar deverão ser analisadas nos casos concretos. A decisão,
que ainda irá a plenário no STF, é uma vitória da Campanha Despejo Zero, uma
articulação em defesa da vida, da moradia e dos direitos humanos, composta
por mais de 100 entidades e organizada em dezenas de núcleos espalhados por
todo país e com abrangência internacional.
Extrema delicadeza
Início da vida
Um dos pontos destacados pela ministra é que a falta de consenso sobre o
momento do início da vida é fato notório, tanto na ciência quanto no campo da
filosofia, da religião e da ética. Para Rosa Weber, o argumento do direito à vida
desde a concepção como fundamento para a proibição total da interrupção da
gestação, como defendem alguns setores, “não encontra suporte jurídico no
desenho constitucional brasileiro”.
Ela lembra que a discussão sobre direito à vida e suas formas de proteção não
é nova no Supremo: ela esteve presente tanto no julgamento da Lei de
Biossegurança (ADI 3510), sobre o uso de embriões humanos para pesquisas
com células-tronco, quanto no da interrupção da gravidez de feto anencéfalo
(ADPF 54). Nesse julgamento também foi debatida a liberdade reprodutiva e a
autonomia da mulher na tomada de decisões.
Direitos reprodutivos
Saúde pública
Proporcionalidade
“O aborto não se trata de decisão fácil, que pode ser classificada como leviana
ou derivada da inadequação social da conduta da mulher”, afirmou a ministra.
Para ela, a discussão normativa, diante de valores constitucionais em conflito,
não deve violar o princípio constitucional da proporcionalidade, ao punir com
prisão a prática do aborto. Essa medida, a seu ver, é “irracional sob a ótica da
política criminal, ineficaz do ponto de vista da prática social e inconstitucional
da perspectiva jurídica”.
Autodeterminação
Segundo Rosa Weber, após oito décadas de vigência da norma no Código Penal
(1940), é hora de colocar a mulher “como sujeito e titular de direito”, e não
como uma cidadã de segunda classe, que não pode se expressar sobre sua
liberdade e autonomia.
Diálogo institucional
Ela explicou que não cabe ao STF elaborar políticas públicas relacionadas à
justiça reprodutiva ou escolher alternativas normativas às adotadas pelos
Poderes Legislativo e Executivo, como as relacionadas às políticas de saúde
pública das mulheres. “Não obstante, compete-lhe o diálogo institucional, por
meio das técnicas processuais pertinentes, sejam elas para a coleta de dados e
informações, como as audiências públicas, sejam as técnicas decisórias
instauradoras da conversação democrática, como o apelo ao legislador”.
Diante disso, a ministra, na parte final de seu voto, fez um apelo a esses Poderes
para a implementação adequada e efetiva do sistema de justiça social
reprodutiva, com “a remoção dos entraves normativos e orçamentários
indispensáveis à realização desse sistema de justiça social reprodutivo”.
973 O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, nesta quarta-feira, 22/11, ao
julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF)
973 pelas Vidas Negras.
A ação foi construída pela Coalizão Negra Por Direitos, coletivos e entidades do
movimento negro e antirracista, e ajuizada por sete partidos políticos. Ela pede
que a Corte reconheça uma série de violações de direitos da população negra
no país, implantando um Plano Nacional de Enfrentamento ao Racismo
Institucional.
Em reunião com o ministro Luís Roberto Barroso, no último dia 9/11, o grupo
apresentou algumas preocupações como o hiperencarceramento de jovens
negros pela política de drogas, a violência policial contra pessoas negras, as
condições de saúde e segurança alimentar da população negra.
Os representantes sugeriram ainda, ações em relação à violência contra as
pessoas negras no campo, sobretudo quilombolas, e propuseram que a ADPF
973 seja renomeada para “ADPF pelas Vidas Negras”.
132 Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgarem a Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental (ADPF) 132, reconheceram a união estável para casais do mesmo
sexo. As ações foram ajuizadas na Corte, respectivamente, pela Procuradoria-
Geral da República e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
O ministro Ayres Britto argumentou que o artigo 3º, inciso IV, da CF veda
qualquer discriminação em virtude de sexo, raça, cor e que, nesse sentido,
ninguém pode ser diminuído ou discriminado em função de sua preferência
sexual. “O sexo das pessoas, salvo disposição contrária, não se presta para
desigualação jurídica”, observou o ministro, para concluir que qualquer
depreciação da união estável homoafetiva colide, portanto, com o inciso IV do
artigo 3º da CF.
Ações
A ADI 4277 foi protocolada na Corte inicialmente como ADPF 178. A ação
buscou a declaração de reconhecimento da união entre pessoas do mesmo
sexo como entidade familiar. Pediu, também, que os mesmos direitos e deveres
dos companheiros nas uniões estáveis fossem estendidos aos companheiros
nas uniões entre pessoas do mesmo sexo.