Tribunal de Justiça do Piauí
PJe - Processo Judicial Eletrônico
25/02/2025
Número: 0805734-85.2024.8.18.0031
Classe: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL
Órgão julgador: 2ª Vara Cível da Comarca de Parnaíba
Última distribuição : 19/08/2024
Valor da causa: R$ 16.014,04
Assuntos: Repetição do Indébito
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
JOSE DANIEL DOS SANTOS (AUTOR) RICARDO CARLOS ANDRADE MENDONCA (ADVOGADO)
UNIVERSO ASSOCIACAO DOS APOSENTADOS E
PENSIONISTAS DOS REGIMES GERAL DA PREVIDENCIA
SOCIAL (REU)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
65692 03/02/2025 20:32 Sentença Sentença
856
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ
2ª Vara Cível da Comarca de Parnaíba DA COMARCA DE PARNAÍBA
Avenida Dezenove de Outubro, 3495, Conselheiro Alberto Silva, PARNAÍBA - PI - CEP: 64209-
060
PROCESSO Nº: 0805734-85.2024.8.18.0031
CLASSE: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL (436)
ASSUNTO(S): [Repetição do Indébito]
AUTOR: JOSE DANIEL DOS SANTOS
REU: UNIVERSO ASSOCIACAO DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DOS
REGIMES GERAL DA PREVIDENCIA SOCIAL
SENTENÇA
I-RELATÓRIO
Trata-se de ação declaratória de inexistência de relação jurídica e
repetição de indébito c/c indenização por danos materiais e reparação por
danos morais ajuizada por José Daniel dos Santos em face de Universo
Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Regimes Geral da
Previdência Social (AAPPS UNIVERSO), ambos qualificados nos autos.
Aduziu a parte autora, em síntese, que: a) ao consultar seu
histórico de crédito, foi surpreendida com descontos diretamente na folha
de pagamento de seu benefício previdenciário, iniciados em março de
2023, em razão de um suposto contrato consignado de contribuição; b) o
desconto é realizado com a rubrica “CONTRIB. AAPPS UNIVERSO 0800
353 5555”, no valor de R$ 31,06; c) desconhece a existência da
associação requerida, não tendo firmado qualquer contrato com ela.
Requereu, no mérito, a inversão do ônus da prova, a declaração
de inexistência da relação jurídica, a condenação da requerida em
indenização por danos morais no valor mínimo de R$ 15.000,00 (quinze mil
reais) e em repetição, em dobro, do indébito.
A inicial foi instruída com a documentação necessária.
Na decisão de ID no 62152865, deferiram-se os benefícios da
assistência judiciária gratuita e da prioridade de tramitação processual,
determinando-se a citação da parte requerida para apresentar contestação
no prazo legal.
Apesar de devidamente citada por carta com aviso de
recebimento, a parte requerida não apresentou contestação, conforme
certificado no ID nº 65681191.
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É o que importa relatar. Decido.
II-FUNDAMENTAÇÃO
Inicialmente, considerando que a parte requerida foi devidamente
citada e não apresentou contestação no prazo legalmente estipulado para
tanto (certidão ID n o 65681191) na forma do artigo 344 do Código de
Processo Civil, DECRETO sua revelia, aplicando o efeito material da
presunção de veracidade das alegações de fato feitas pela parte
requerente.
Em outro ponto, conheço diretamente dos pedidos, nos termos do
artigo 355, inciso I, do Código de Processo Civil, pois a questão de mérito é
de direito e de fato, sem necessidade de produção de prova diversa da
documental já apresentada.
No caso dos autos, os fatos em que se funda a pretensão foram
adequadamente expostos na exordial, definido os limites objetivos da lide.
A parte demandante negou ter contratado qualquer serviço com a
parte promovida, atribuindo-lhe a prática de descontos indevidos, com a
devida indicação da data em que ocorreram e a juntada dos extratos
correspondentes (início dos descontos em março de 2023 e término dos
descontos em junho de 2024, conforme documentos de ID no 59139867).
Ressalta-se que as partes se enquadram nos conceitos de
consumidor e fornecedor previstos nos artigos 2º, 3º e 17 do Código de
Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90).
Incidem, pois, os princípios da legislação consumerista,
notadamente o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor, a
facilitação de sua defesa e a responsabilidade objetiva do fornecedor
(artigos 4º, inciso I, 6º, inciso VIII, e 14, todos da Lei nº 8.078/90).
Cinge-se a controvérsia a determinar se há filiação da parte
autora junto à ré e a validade ou invalidade de eventual contrato.
Em se tratando de fato negativo, o ônus da prova recai sobre
quem afirma a existência do contrato, e não sobre quem a nega. Este é o
entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça, quando instado
a se pronunciar sobre a colisão entre fato negativo e fato positivo:
RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL, DO
CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. INVERSÃO DO
ÔNUS DA PROVA. NECESSIDADE DE QUE AS
ALEGAÇÕES SEJAM VEROSSÍMEIS, OU O
CONSUMIDOR HIPOSSUFICIENTE. AFIRMAÇÃO DE
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FATO POSITIVO. ÔNUS DA PROVA DE QUEM
AFIRMA. PRAZO PRESCRICIONAL DO ART. 27 DO
CDC. RESTRITO AOS CASO SEM QUE SE
CONFIGURA FATO DO PRODUTO OU DO SERVIÇO.
INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. REGRA ESPECIAL,
PREVISTA NO CC, ESTABELECENDO PRESCRIÇÃO
ÂNUA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO
CONTRATUAL. PERDAS E DANOS. OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA, QUE SEGUINDO A SORTE DA
PRINCIPAL, PRESCREVE CONJUNTAMENTE. 1. (...)
por outro lado, em linha de princípio, quem afirma um
fato positivo tem de prová-lo com preferência a quem
sustenta um fato negativo. (...) (REsp 1277250/PR, Rel.
Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA,
julgado em 18/05/2017, DJe 06/06/2017).
Assim, é ônus da parte requerida produzir provas que evidenciem
a existência do contrato, especialmente quando a parte demandante,
hipossuficiente, alega não o ter celebrado, não dispondo de meios para
comprovar diretamente esses fatos.
No caso dos autos, apesar de devidamente citada, a parte
requerida manteve-se inerte, deixando de apresentar contestação no prazo
legalmente estipulado para tanto.
A parte autora, por sua vez, por meio dos documentos de ID nº
62050841, comprovou a ocorrência de descontos no valor de R$ 31,06
(trinta e um reais e seis centavos), sob a anotação "CONTRIB. AAPPS
UNIVERSO 0800 353 5555".
Não cabe ao consumidor a obrigação de produzir prova negativa
de seu direito, qual seja, demonstrar que não realizou o contrato
impugnado que originou o desconto em seu benefício previdenciário.
Assim, a ausência de prova segura acerca da contratação
evidencia a ocorrência de defeito na prestação do serviço e,
consequentemente, tornam-se indevidos os descontos realizados na conta
da parte autora, restando configurado o dano material por ela suportado. A
título de exemplo, observe julgado do Tribunal de Justiça do Estado do
Ceará:
DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO EM
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE
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INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO CONTRATUAL C/C
REPETIÇÃO DO INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR
DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS
FRAUDULENTOS. FALHA NA PRESTAÇÃO DO
SERVIÇO. FORTUITO INTERNO. CONFIGURAÇÃO.
SÚMULA Nº479, DO STJ. DANOS MATERIAIS.
CABIMENTO. DEVOLUÇÃO DO QUE FOI
INDEVIDAMENTE DESCONTADO. DANOS MORAIS
ARBITRADOS EM R$ 2.000,00 (DOIS MIL REAIS).
VALOR RAZOÁVEL E PROPORCIONAL.
PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO
PROVIDO. [..] 3. Nessa toada, o Superior Tribunal de
Justiça consagrou entendimento no sentido de que as
instituições financeiras respondem objetivamente pelos
danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e
delitos praticados por terceiros no âmbito de operações
bancárias (Súmula 479 do STJ). 4. Caberia ao banco
comprovar a regular contratação do empréstimo pelo
autor, trazendo aos autos o contrato devidamente
assinado, bem como demonstrando a efetiva liberação
do crédito em favor da promovente, o que não ocorreu.
[...]. 6. Considerando os precedentes desta Corte para
situações semelhantes, infere-se que o quantum
arbitrado em primeiro grau a título de danos morais, R$
2.000,00 (dois mil reais), é razoável e proporcional para
compensar o dano sofrido, além de atender o caráter
pedagógico da medida a efeito de permitir reflexão da
demandada sobre a necessidade de atentar para critério
de organização e métodos no sentido de evitar condutas
lesivas aos interesses dos consumidores 7. Recurso
conhecido e não provido. (Relator(a): LIRA RAMOS DE
OLIVEIRA; Comarca: Hidrolândia; Órgão julgador: 3ª
Câmara Direito Privado; Data do julgamento: 24/07/2017;
Data de registro: 24/07/2017; Outros números:
2622322012806008550000).
A propósito, é preciso destacar o atual entendimento do Superior
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Tribunal de Justiça acerca do artigo 42, parágrafo único, do CDC, segundo
o qual:
A restituição em dobro do indébito (parágrafo único do
artigo 42 do CDC) independe da natureza do elemento
volitivo do fornecedor que realizou a cobrança
indevida, revelando-se cabível quando a referida
cobrança consubstanciar conduta contrária à boa-fé
objetiva. (...)Modulação dos efeitos: Modulam-se os
efeitos da presente decisão -somente com relação à
primeira tese - para que o entendimento aqui fixado
quanto à restituição em dobro do indébito seja
aplicado apenas a partir da publicação do presente
acórdão. A modulação incide unicamente em relação às
cobranças indevidas em contratos de consumo que não
envolva prestação de serviços públicos pelo Estado ou
por concessionárias, as quais apenas serão atingidas
pelo novo entendimento quando pagas após a data da
publicação do acórdão[...]. (STJ, EAREsp 676.608/RS,
Rel. para Acórdão Min. Herman Benjamin, CORTE
ESPECIAL, julgamento em 21/10/2020, publicação DJe:
30/03/2021). (Grifou-se).
O entendimento atual se contrapõe à tese anteriormente
defendida, que exigia a comprovação da má-fé da cobrança para que fosse
cabível a repetição em dobro. Todavia, a tese acima colacionada também
determinou a modulação dos seus efeitos, aplicando-se somente em
relação às cobranças realizadas após a publicação do acórdão em
referência, ou seja, após 30/03/2021.
Em tais casos, o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí tem se
manifestado da seguinte forma:
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR.
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO
C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
MORAIS POR ATO ILÍCITO E REPETIÇÃO DE
INDÉBITO, COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA.
CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO.
CONTRATAÇÃO NÃO COMPROVADA. NULIDADE DO
NEGÓCIO JURÍDICO. DANO MORAL CONFIGURADO.
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SENTENÇA QUE RECONHECEU O DANO MORAL E
ARBITROU INDENIZAÇÃO EM R$1.000,00.
INSURGÊNCIA AUTORAL, BEM COMO DETERMINOU
A RESITUIÇÃO DE FORMA SIMPLES DOS VALORES
DESCONTADOS. INSURGÊNCIA AUTORAL.
MAJORAÇÃO DO QUANTUM FIXADO NA ORIGEM.
PROCEDÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO NA
FORMA DOBRADA. CABIMENTO. HONORÁRIOS DE
SUCUMBÊNCIA. MAJORAÇÃO. APELAÇÃO
CONHECIDA E PROVIDA. 1. Trata-se de ação
objetivando a declaração de nulidade de contrato de
cartão de crédito consignado, bem como indenização
pelos danos morais e materiais sofridos pela parte
autora/apelante, sob a alegação de desconhecimento da
existência de contratação em seu benefício
previdenciário. 2. A questão controvertida no presente
recurso interposto pela parte autora cinge-se a
devolução dos valores descontados indevidamente de
seu benefício previdenciário, entendendo ser realizada
na modalidade dobrada, bem como pleiteia a majoração
dos danos morais e honorários de sucumbência. 4.
Destaca-se que, para a repetição do indébito (devolução
em dobro), não é necessário a comprovação do dolo
(má-fé), sendo a culpa/negligência da instituição
financeira suficiente para ensejar a devolução em dobro
das quantias descontadas. Aos bancos impõe-se a
verificação detida das informações que lhes são trazidas,
tendo em vista o inerente risco decorrente de suas
atividades. Desse modo, caracterizada a negligência
(culpa) da instituição bancária, que efetua descontos em
benefício previdenciário sem as cautelas necessárias,
cumpre a ela restituir, em dobro os valores recebidos
indevidamente, portanto, merece reforma a sentença
quanto a restituição arbitrada. 5. Tese aprovada no
julgamento dos recursos: EAREsp 676.608 (paradigma),
EAREsp 664.888, EAREsp 600.663, EREsp 1.413.542,
EAREsp 676.608, EAREsp 622.697, a qual ficou
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sedimentado o seguinte entendimento: "A restituição em
dobro do indébito (parágrafo único do artigo 42 do CDC)
independe da natureza do elemento volitivo do
fornecedor que cobrou valor indevido, revelando-se
cabível quando a cobrança indevida consubstanciar
conduta contrária à boa-fé objetiva." [...] 8. APELAÇÃO
CONHECIDA E PROVIDA. (TJ-PI - Apelação Cível:
0800885-04.2019.8.18.0045, Data de Julgamento:
18/03/2022, 2ª CÂMARA ESPECIALIZADA CÍVEL).
Assim, considerando que o presente processo se refere a
cobrança iniciada em março de 2023 (ID no 62050841, pág. 1), posterior à
data da publicação do julgado acima colacionado (30/03/2021), é cabível a
repetição do indébito em dobro, sendo desnecessária a comprovação de
má-fé da parte ré.
Com relação aos alegados danos morais, entendo que a lesão
extrapatrimonial está suficientemente comprovada nos autos, dadas as
peculiaridades do caso, a denotar a seriedade dos transtornos a que foi
submetida a parte autora em razão do defeito na prestação dos serviços.
Saliente-se que se trata de pessoa idosa, cujo benefício previdenciário é
de pequena monta.
Nessa medida, é evidente que o desconto de quantias indevidas
diretamente na folha de pagamentos da autarquia previdenciária, aliado à
circunstância de a parte autora ter de recorrer ao judiciário para ter seu
direito assegurado, configuram causas evidentes de constrangimentos,
aborrecimentos, humilhação, frustração e angústia, que repercutem na
esfera íntima do consumidor e acarretam dano moral indenizável. Observe
entendimento jurisprudencial nesse sentido:
APELAÇÃO CÍVEL. Ação Declaratória de inexistência de
relação jurídica cumulada com repetição de indébito e
indenização por danos morais. Contribuição CONAFER.
Desconto indevido de contribuição diretamente no
benefício previdenciário do autor. Sentença de parcial
procedência para determinar a devolução em dobro das
quantias descontadas. Insurgência do autor. Pedido de
indenização por danos morais no valor equivalente a
R$15.000,00. Acolhimento em parte. Indenização que se
mostra cabível, considerando a patente ilicitude
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perpetrada pela ré, inafastável a relação de causalidade
entre a conduta e o dano moral inegavelmente suportado
pela apelante, já que o ocorrido representou muito mais
do que um mero aborrecimento ou transtorno de menor
importância. Valor fixado em R$5.000,00 que se afigura
suficiente e adequado a compensar os prejuízos
experimentados pelo apelante, o que encontra respaldo
até mesmo nos precedentes deste Colegiado. Correção
monetária pela Tabela Prática do TJSP, a partir deste
acórdão, com a incidência de juros moratórios a partir do
evento danoso (Súmula nº 54 do c. Superior Tribunal de
Justiça). Sentença reformada em parte. RECURSO
PARCIALMENTE PROVIDO. (TJ-SP - AC:
10006998320218260439 SP 1000699-
83.2021.8.26.0439, Relator: Rodolfo Pellizari, Data de
Julgamento: 08/09/2021, 5ª Câmara de Direito Privado,
Data de Publicação: 08/09/2021).
CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. DESCONTO INDEVIDO.
DANO MORAL CONFIGURADO. RECURSO PROVIDO.
- Ausente a prova de filiação sindical, os descontos de
contribuição são indevidos e capazes de gerar dano
moral indenizável. RECURSO INOMINADO CÍVEL,
Processo nº 7007386-98.2022.822.0002, Tribunal de
Justiça do Estado de Rondônia, Turma Recursal, Relator
(a) do Acórdão: Juiz José Augusto Alves Martins, Data
de julgamento: 01/03/2023. (TJ-RO - RI:
70073869820228220002, Relator: Juiz José Augusto
Alves Martins, Data de Julgamento: 01/03/2023).
Em relação a fixação do quantum indenizatório, deve o julgador
se orientar pelo princípio da razoabilidade, de acordo com o caso concreto.
Não pode fixar um valor a permitir o enriquecimento sem causa da parte
prejudicada, como também não se pode aceitar valor que não represente
uma sanção efetiva ao agente ofensor.
Dessa forma, por entender proporcional à conduta praticada pela
parte demandada e ao dano causado à parte demandante, considerando
todas as peculiaridades do caso, fixo em R$1.500,00 (mil e quinhentos
reais) a indenização por danos morais.
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III-DISPOSITIVO
Diante do exposto, com fundamento no artigo 487, inciso I, do
CPC, julgo parcialmente procedentes os pedidos iniciais, com resolução
de mérito, para:
I) Declarar inexistente a relação jurídica que originou o
desconto impugnado na petição inicial;
II) Condenar a parte requerida na obrigação de fazer,
consistente na imediata suspensão dos descontos indevidos
no benefício previdenciário da parte requerente, oriundos de
serviço não contratado, sob pena de multa diária no valor de
R$ 200,00 (duzentos reais);
III) Condenar a parte promovida a restituir, em dobro, os
valores descontados indevidamente no benefício
previdenciário da parte autora em razão do contrato ora
declarado inexistente, com correção monetária pelo IPCA e
juros de mora correspondentes à subtração do índice SELIC
do IPCA, ambos a partir do efetivo prejuízo, ou seja, a partir
do desconto de cada parcela (artigo 398 do CC c/c súmulas
43 e 54, STJ);
IV) Condenar a parte ré, também, ao pagamento de R$
1.500,00 (mil e quinhentos reais) em favor da parte autora, a
título de indenização por danos morais, com incidência de
juros de mora pelo índice resultante da subtração da SELIC
do IPCA, desde o evento danoso, nos termos do artigo 398
do Código Civil, e correção monetária da data do
arbitramento- sentença ou acórdão, se houver alteração do
valor - pelo índice IPCA, conforme súmula 362 do STJ.
Condeno a parte requerida nas custas processuais e em
honorários advocatícios, esses arbitrados em 10% (dez por cento) do valor
da condenação, nos termos do artigo 85, §2o, do CPC.
Sentença registrada eletronicamente.
Publique-se. Intimem-se.
Em caso de interposição de recurso de apelação, fica desde logo
determinada a intimação da parte contrária para, querendo, apresentar
contrarrazões no prazo de 15 dias úteis (artigo 1.010, § 1°, do Código de
Processo Civil) e, em seguida, o encaminhamento dos autos ao Egrégio
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TJPI.
Expedientes necessários.
Parnaíba, datado eletronicamente.
Marcos Antônio Moura Mendes
Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Parnaíba
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