Ancha Laquine
Tema: Fundamentos da Pedagogia
Universidade Rovuma
Nacala – Porto
Novembro de 2021
Ancha Laquine
Pedagogia do Ensino Básico
Trabalho de pesquisa cientifica de carácter
avaliativo a ser entregue na Universidade
Rovuma, pertencente a cadeira de
Pedagogia do Ensino Básico, orientada pelo
Docente: Cardoso Tapara Brito.
Universidade Rovuma
Nacala – Porto
Novembro de 2021
Índice
Introdução..........................................................................................................................3
Fundamentos pedagógicos.................................................................................................4
Fundamentos......................................................................................................................4
Conceito.............................................................................................................................4
Prática pedagógica.............................................................................................................5
Objecto da Pedagogia........................................................................................................5
Objetivo da Pedagogia.......................................................................................................5
Concepção de educação.....................................................................................................6
Papel da escola..................................................................................................................7
Concepção de estudante....................................................................................................8
Concepção de docente.......................................................................................................8
Concepção de ensino e aprendizagem...............................................................................8
Concepção de avaliação da aprendizagem........................................................................9
Conclusão........................................................................................................................11
Referências bibliográficas...............................................................................................12
Introdução
Pedagogia é essencial em qualquer modelo de ensino. Dessa forma, conhecer o seu
conceito, os seus fundamentos e um pouco mais sobre sua prática torna-se fundamental
na sociedade actual.
Actualmente, a pedagogia é considerada como sendo o conjunto de saberes que compete
à educação enquanto fenômeno tipicamente social e especificamente humano. Trata-se
de uma ciência aplicada de caráter psicossocial, cujo objeto de estudo é a educação.
O presente trabalho pretende abordar sobre Fundamentos da Pedagogia. Este tem como
objectivo geral, analisar os fundamentos da pedagogia. Os objectivos especificos do
pesente trabalho centra – se em: conceituar pedagogia, abordar sobre os seus
fundamentos, explicar o objectivo e o objecto da pedagogia, discorrer sobre algumas
percepções da prática pedagogica relacionada com os estudantes, docntes e a propria
escola. Para a realização deste trabalho, utilizou – se a consulta bibliográfica como
metodologia de pesquisa.
De acordo com os pressupostos acima, o trabalho possui a seguinte estrutura:
introdução, desenvolvimento, conclusão e referências bibliográficas.
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Fundamentos pedagógicos
Fundamentos
De acordo com Libâneo (2000), o termo “pedagogia” vem da Grécia Antiga, com
origem nas palavras: “paidos” (que significa “da criança”) e “agein” (que significa
“conduzir”).
Nesta altura, os pedagogos eram os escravos que levavam as crianças à escola. Apesar
da sua condição de escravos tornar estes indivíduos em posição de inferioridade, estes
tinham, de qualquer forma, de fazer valer a sua autoridade perante a criança, sempre que
necessário.
De acordo com Martins (1999), a reflexão sobre a educação inicia-se, efetivamente,
durante os séculos XVII e XVIII, quando se procurou reavaliar todos os processos
ligados à pedagogia e à educação da criança.
No entanto, é apenas no final do século XIX que os verdadeiros debates sobre a
educação surgirão, tendo sido feita muita pesquisa neste campo. Desta forma, criaram-
se métodos de ensino e surgiram muitos movimentos a eles associados.
A partir do século XX, a pedagogia é situada no âmbito do conhecimento científico e
profissional, começando a haver, nas universidades, cursos superiores em que se estuda,
especificamente, a educação.
Conceito
Para Ferraço (2005), nos dias que correm, a pedagogia é vista como um conjunto de
saberes dentro da educação. É considerada uma ciência psicossocial, tendo a educação
como objeto de estudo.
Desta forma, sofre influência de várias ciências, tais como a sociologia, a psicologia, a
filosofia, a antropologia, a medicina, a história, entre algumas outras.
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Prática pedagógica
Segundo Martins (1999), a prática pedagógica é uma realidade que não pode ser
definida, mas somente concebida de acordo com os princípios que lhe servirem de base.
Há sempre que se ter em consideração a relação professor-aluno, e o universo específico
de cada instituição de ensino, de cada turma, de cada aluno e professor.
Levar a cabo uma boa prática pedagógica é ter em consideração a teoria mas adaptando-
a à realidade concreta de cada situação. Cada universo educativo é muito concreto, com
suas especificidades, que deverão sempre ser levadas em consideração. Nenhum
estabelecimento de ensino é igual ao outro, assim como nenhum aluno é igual ao outro,
também.
Assim, a ação de um professor dentro de uma sala de aula resulta dos seus traços
pessoais, em que se incluem os seus valores, a sua personalidade, as suas crenças e
valores, e o tipo de cultura da instituição em que leciona. De forma mais ampla, a
prática pedagógica tem também por base as políticas educativas em vigor.
Objecto da Pedagogia
O Pedagogo não possui quanto ao seu objecto de estudo um conteúdo intrinsecamente
próprio, mas um domínio próprio (a educação), e um enfoque próprio (o educacional),
que lhe assegurara seu carácter científico.
De acordo com Libâneo (2000), o objecto de estudo do Pedagogo compreende os
processos formativos que actuam por meio da comunicação e intercâmbio da
experiência humana acumulada. Estuda a Educação como prática humana e social
naquilo que modifica os indivíduos e os grupos em seus estados físicos, mentais,
espirituais e culturais.
Nesta ordem de ideia, o Objecto da Pedagogia é a prática educativa, ou seja, o
fenómeno educativo.
Objetivo da Pedagogia
A Pedagogia assenta-se no desenvolvimento de serviços científico-técnicos que
permitem a reflexão, ordenação, a sistematização e a crítica do próprio processo
pedagógico, do processo educacional e do processo educativo.
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Para Martins (1999), o Objectivo da Pedagogia é a reflexão, a crítica, a ordenação e a
sistematização do processo educativo.
Concepção de educação
Desde a década de 1990 ocorrem discussões nacionais e internacionais sobre a educação
para o século XXI e o engajamento com a aprendizagem dos estudantes, compreendida
como o processo de desenvolvimento de competências para fazer frente aos desafios do
mundo contemporâneo.
Em termos gerais, com base nos pilares delineados pela Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, do inglês United Nations Educational,
Scientific *AND* Cultural Organization) para a educação do século XXI, pode-se
considerar que tais competências incluem, de forma não exclusiva, a capacidade do
estudante de (Martins et al., 1999):
Aprender a conhecer: inclui as capacidades de formular problemas, definir
objetivos e especificar e aplicar metodologias, técnicas e ferramentas na solução
de problemas;
Aprender a fazer: implica ser capaz de empregar conceitos, métodos, técnicas e
ferramentas próprios de determinado campo profissional;
Aprender a conviver: abrange a capacidade de se comunicar de forma eficaz,
trabalhar em equipa, respeitar as normas de convívio social levando em conta os
direitos e deveres individuais e coletivos;
Aprender a ser: diz respeito a ser capaz de agir eticamente e comprometido com
o respeito aos direitos humanos.
Entendendo que a educação precisa contribuir para a formação integral do estudante e
para a prática de sua cidadania, os Colégios contemplam uma visão de educação dentro
da dimensão socioambiental comprometida com o processo de construção do
conhecimento, respeitando o ser humano com suas diferenças, limitações, possibilidades
individuais e sociais e seu modo de inserção, considerando o espaço coletivo, familiar,
comunitário e ambiental.
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Fundamenta-se no ensino, na pesquisa e na extensão, incentivando o estudante a buscar
conhecimentos múltiplos, necessários para o seu desenvolvimento integral, tornando-se
capaz de evoluir no seu modo de pensar, sentir, agir e interagir na sociedade como um
ser crítico, ético, criativo, aberto a mudanças e capaz de modificar sua própria história.
Papel da escola
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos
ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do
educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho
(Apple, 2000).
“A escola é o lugar institucional de um projeto educacional. Isso quer dizer que ela deve
instaurar-se como espaço-tempo, como instância social que sirva de base mediadora e
articuladora dos outros dois projetos que a ver com o agir humano: de um lado o projeto
político da sociedade e, de outro, os projetos pessoais dos sujeitos envolvidos na
educação” (Libâneo, 2000).
Considera-se que as ações no ambiente escolar devam representar o compromisso da
instituição com o fortalecimento da cidadania e intencionalidade educacional,
fomentando o estabelecimento de um diálogo coletivo.
Conforme preconiza Ferraço (2005), o trabalho pedagógico precisa desenvolver, de
forma equilibrada, processos educacionais de informação e formação para estimular o
exercício da cidadania, da atuação do indivíduo na sociedade, com senso crítico,
iniciativa, criatividade, autonomia e responsabilidade cultural e socioambiental.
Acredita-se que é necessário aproximar o estudante e suas famílias do ambiente escolar
na busca de uma educação integral. Considera-se que a escola contribui para que o
indivíduo construa uma clara compreensão da sociedade e de suas transformações
culturais, políticas e socioambientais.
Assim, defende-se, também, a ideia de que a escola é um lugar em que a educação é
considerada em seus múltiplos sentidos, repletos de histórias e significados,
considerando a importância de a escola abarcar a bagagem pessoal do estudante.
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Compreende-se que a função da escola é promover experiências e vivências, mediante
as quais crianças e jovens possam se apropriar de conhecimentos científicos,
desenvolver suas capacidades e habilidades intelectuais, desenvolver sensibilidades e
aprender valores culturais, éticos, estéticos e ambientais. Nesse sentido, a educação é
construída e compartilhada e a formação de cidadãos é uma responsabilidade conjunta
da escola, da família e da sociedade.
Concepção de estudante
De acordo com Martins (1999), o estudante está no centro do processo de ensino e
aprendizagem. Para que ele desenvolva um conjunto de competências previamente
definido como objetivo de aprendizagem, enquanto alguém inserido na sociedade, ele é
considerado um sujeito social com saberes e competências que devem ser levados em
conta no processo de ensino.
Concepção de docente
O professor é um ser social e histórico, sempre em movimento, pois constrói valores e
atitudes, agindo com um modo próprio de estar no mundo e de ver as coisas. Cada
professor tem sua identidade, uma forma pessoal que o distingue dos outros, fruto das
interações sociais complexas nas sociedades contemporâneas e que define um modo de
ser no mundo, num dado momento, numa dada cultura, numa história (Libâneao, 2000).
Para Apple (2005), o que distingue o professor de outros profissionais é o saber
necessário à função de ensinar, que se situa em um duplo referencial: ensinar como
professar um saber e ensinar como fazer para que o outro seja conduzido a
aprender/apreender.
O primeiro referencial de ensinar foi importante em um contexto histórico que já
passou. Nos dias atuais, as necessidades da sociedade, cujo acesso à informação é
facilitado, são outras, e por isso o profissional de ensino torna-se um facilitador que
instiga o estudante a aprender e consequentemente apreender.
Dessa forma, o professor torna-se indispensável, com o compromisso de auxiliar seus
estudantes a “tornarem-se sujeitos pensantes, capazes de construir elementos categoriais
de compreensão e apropriação crítica da realidade” (Libâneo, 2011, p. 11).
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Concepção de ensino e aprendizagem
De acordo com Ferraço (2005), o processo de ensino e aprendizagem acontece
sobremaneira na interação dialógica entre estudantes e professores” e, por essa razão,
está em contínua construção e aperfeiçoamento.
Nessa perspectiva, a aprendizagem é compreendida como uma construção do sujeito
que se dá por meio do desenvolvimento de competências que possibilitem uma atuação
cidadã, consciente, crítica, solidária, criativa e autônoma diante das exigências e
necessidades da sociedade.
Sob a ótica do ensino, considerado como uma ação intencional, o processo engloba o
domínio dos conteúdos, o planejamento, a execução, o acompanhamento e a avaliação
das situações que promovam a aprendizagem e a construção de um ambiente de
interação que favoreça o diálogo e o respeito mútuo, além da responsabilidade e do
comprometimento com os objetivos do ensinar e do aprender.
Concepção de avaliação da aprendizagem
De acordo com Apple (2005), compreende-se que a avaliação da aprendizagem é um ato
necessário e que abriga uma crítica pedagógica que inclui desempenho e posturas
docentes e discentes. É realizada de forma contínua, cumulativa e sistemática com o
objetivo de diagnosticar a situação de aprendizagem de cada estudante em relação à
proposta curricular e pedagógica.
A avaliação não pode priorizar apenas o resultado ou o processo, mas precisa, como
prática de investigação, interrogar a relação ensino e aprendizagem, possibilitando a
identificação dos conhecimentos construídos e das dificuldades existentes, sempre
privilegiando a forma dialógica e a busca por melhorias.
Entende-se que a avaliação deva ser um processo para construir uma reflexão crítica
sobre a prática, tanto por parte dos professores quanto dos estudantes. Para Martins
(2000), examinar tem um efeito poderoso sobre as atitudes dos estudantes, sobre o
modo como estudam e sobre o que aprendem. Para os professores, possibilita identificar
os avanços e as dificuldades e o que fazer para superar os obstáculos.
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Segundo Libâneo (2000), a pedagogia desenvolve seu processo de avaliação nas
seguintes dimensões:
Diagnóstica: possibilita a sondagem inicial de competências, habilidades e
conhecimentos do estudante em determinada área, identificando o nível de
aprendizagem de conteúdo. É utilizada para estimar possíveis dificuldades de
aprendizagem, possibilitando a adequação dos instrumentos pedagógicos às
necessidades de aprendizagem do estudante;
Formativa: é usada no percurso do processo de ensino e aprendizagem como forma de
monitoramento do rendimento do estudante, das deficiências das metodologias de
ensino e sobre a necessidade de possíveis alinhamentos de curso do planejamento de
ensino. A preocupação central é coletar dados para reorientar o processo de ensino-
aprendizagem, tendo como objetivo verificar se o que foi proposto pelo professor em
relação aos conteúdos está sendo atingido;
Cumulativa: identifica aquilo que o estudante vai aprendendo no decorrer das aulas,
permitindo ao professor um acompanhamento individualizado;
Somativa: tem como objetivo traduzir de forma quantitativa os resultados objetivos no
processo educativo com a atribuição de notas e/ou conceitos que permitam verificar se o
estudante pode ser promovido ou não de uma série para outra;
Emancipadora: promovendo a autocrítica, essa avaliação pode ser realizada
individualmente ou em grupo e permite ao estudante tomar consciência do que
aprendeu, da forma como estudou e do que pode ser melhorado. Também o professor
pode empregar esse tipo de avaliação para refletir sobre sua prática e as melhorias
possíveis.
A avaliação constitui um momento reflexivo sobre teoria e prática no processo de
ensino-aprendizagem. Ao avaliar, o professor estará constatando as condições de
aprendizagem dos estudantes, para, a partir daí, prover meios para sua recuperação.
Portanto, avaliação não é um ato, é um processo, solicitando intenso envolvimento dos
seus protagonistas.
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Conclusão
Actualmente, a pedagogia tem, como objetivo principal, a melhoria no processo de
aprendizagem dos indivíduos, através da reflexão, sistematização e produção de
conhecimentos. Como ciência social, a pedagogia está conectada com os aspectos da
sociedade e também com as normas educacionais do país.
O pedagogo, que trabalha para garantir e melhorar a qualidade da educação, tem dois
grandes campos de atuação: a administração e o magistério, de modo que pode tanto
gerenciar e supervisionar o sistema de ensino quanto orientar os alunos e os professores.
Acompanha e avalia, ainda, o processo de aprendizagem e as aptidões de cada aluno.
Pode trabalhar também com portadores de deficiências físicas ou intelectuais,
auxiliando em sua inclusão na sociedade, ou com educação a distância. Porém, todos
aqueles que atuam no processo educativo (professores, pais, monitores, orientadores,
psicólogos etc.) também devem conhecer os princípios básicos de pedagogia.
Em órgãos do governo, estabelece e fiscaliza a legislação de ensino em todo o país. Em
escolas, orienta e dirige os professores, com o objetivo de assegurar a qualidade do
ensino. Também é ele quem verifica se os currículos estão sendo cumpridos e se
condizem com as leis educacionais.
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Referências bibliográficas
Aplle, W. (2000). Repensando ideologia e currículo. In: MOREIRA, A.F.; SILVA, T.T.
Currículo, Cultura e Sociedade. 4. ed. São Paulo: Cortez.
Ferraço, C. (2005). Cotidiano Escolar, Formação de Professores(as) e Currículo. São
Paulo: Cortez.
Libâneo, C. (2006). Didáctica Geral, Cortez, São Paulo.
Martins, J. (1999). subsídio para redacção de tese de mestrado e doutoramento, 2ª ed.
São Paulo.
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