0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações28 páginas

Fundamentos da Economia Internacional

O material de apoio de Economia Internacional aborda as relações econômicas entre países, destacando a importância do comércio e das transações financeiras. A disciplina evoluiu ao longo do tempo, passando por diferentes etapas que incluem a análise de blocos regionais e a globalização, além de discutir a interdependência econômica e os desafios contemporâneos. Também é apresentada a Economia Política Internacional, que integra fatores econômicos e políticos nas relações internacionais, enfatizando a necessidade de um regulador central para a estabilidade econômica global.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações28 páginas

Fundamentos da Economia Internacional

O material de apoio de Economia Internacional aborda as relações econômicas entre países, destacando a importância do comércio e das transações financeiras. A disciplina evoluiu ao longo do tempo, passando por diferentes etapas que incluem a análise de blocos regionais e a globalização, além de discutir a interdependência econômica e os desafios contemporâneos. Também é apresentada a Economia Política Internacional, que integra fatores econômicos e políticos nas relações internacionais, enfatizando a necessidade de um regulador central para a estabilidade econômica global.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.

LUANDA

Conceito da Economias Internacional: é a parte da teoria económica que


estuda as relações entre países nos quais envolvem trancosões com serviços
e transações financeiras.

 Objeto de estudo da Economia internacional relações económicas


entre países e o conjunto de instituições, normas e acordos que
regulam a actividade comercial e financeira entre elas sempre
despertaram o interesse dos economistas e o público em geral.
 A economia internacional é de suma importância para os países a
fim de vender o seu excedente de produção e poder disponibilizar ao
seu mercado consumidor mercadorias e serviços que o mesmo não
produz.

1
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

INTRODUÇÃO

O campo conceptual da economia internacional

Os problemas comerciais e monetários internacionais sempre representaram


uma parte especial e controversa da ciência economia. A partir dos seculos
XVIII e XIX o apuramento constante de conceitos dá origem a diversas
designações, como comércio com o estrageiro, comércio internacional, para
corporizar sucessivas extensões do domínio da análise.
A disciplina tem vindo a autonomizar se rapidamente adentro da ciência
econômica, entrando com as variáveis espaço e tempo que conduzem á
delimitação de áreas saber, trata simultaneamente de questão
microeconômico (como por exemplo conceito de globalização, o preço de
exportação ou de produção) e de questões macroeconômicas, estas derivadas
do relacionamento entre estados ou entre blocos regionais.
O conhecimento evolutivo apresenta várias etapas que caracterizam a
especificidade deste ramo do saber ao longo do século xx, e podem
apresentar-se assim:
 A primeira etapa é a do Estado-nação, aonde o elemento das relações
entre centros de decisão concernentes a atividades de grupos nacionais
diferentes.

É neste percurso, ou estádio da disciplina. Que se aplicam duas ópticas: a


óptica de preços que se manifesta na ordem internacional pelas relações de
poder de compra, taxa de câmbios, razoes de troca,

2
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Taxas de juro, e que desemboca no estabelecimento da vantagem


internacional com subordinação das instituições nacionais aos mecanismos
e equilíbrios internacional; a óptica de fluxos que se desentendimento ligado
as importações da nação, bem como aos movimentos de capitais de entrada
(financiamento) e de saída (investimento).

Ora, os centros de decisão têm forçosamente de integrar a moeda e a


produção, e daí que as relações económicas internacionais abranjam a
momento, as empresas, os sectores, na perspectiva estrutural, As estruturas,
definidas por François perroux (1977) como as pro - parte da nação e do
mundo;

 A segunda etapa da especificidade, e que aliás acumula com a


primeira por alargamento, conduz à nação de Blocos Regionais com
todas as consequências operacionais, nomeadamente de
interdependência geral.

A interdependência econômica não é posta somente através da rede


interativa das nações e territórios, projetando-se, de igual modo, na economia
mundial.

A Economia internacional, como disciplina, visa diminuir os


antagonismos que se podem expressar em variados campos, a saber:

 A oposição entre sistema monetário internacional e processo de


liberalização das trocas (questão da liquidez internacional);
 O comprometimento entre funções cambiais e intensificação do
protecionismo em certas áreas;
 A acumulação das dívidas externas e a não – conciliação com a
eficácia do sistema financeiros internacional.

Todas estas questões, que fazem parte do escopo da Economia internacional,


estão ligadas através da interdependência real e repercutem-se nos planos do
desenvolvimento económico, do emprego, da dívida, do comércio e da
balança de pagamentos, da liquidez e das taxas cambiais.

3
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Num esforço de aprofundamento da área de estudo poderá indiciar-se


um acervo de problemas:

 Adaptação de mecanismos de ajustamento indispensáveis para as


políticas globais nacionais, num contexto de crescimento e
desenvolvimento;
 Compatibilização dos recursos financeiros internacionais com as
necessidades do desenvolvimento do mundo;
 Elaboração de políticas comerciais e de políticas de pagamentos,
coerentes e compatíveis; de modo a favorecer o emprego e o
crescimento econômicos das várias economias;
 Resistência á propagação das flutuações cíclicas;
 Estruturação das trocas internacionais, abrangendo num quadro
comum os produtos de base e os serviços.

 A terceira etapa da especificidade, conexada com a globalização,


contém num conjunto de princípios e de problemas que exige num
encontrar de soluções adjacentes ao desenvolvimento económico
contemporâneo, aonde a fluidez da Economia do conhecimento muda
amplo sectores de atividades, com uma reestruturação permanente dos
termos da troca e descontinuidade das vantagens comparativas.
Mudanças e rupturas são ainda pressionadas pela mobilidade global
do capital, com repercussão são ainda pressionadas pela mobilidade
global do [Link] repercussão no funcionamento das economias.
A virgem do atua. Sistemas (como o conhecemos até finais do século
XX) volatiza a geopolítica e a próprio geoeconomia através da
variável espaço.

A esta nova realidade, a economia internacional, como ramo especial


da ciência econômica, terá de dar resposta, com especial incidência:

 No tratamento da riqueza nos lugares aonde é criada;


 Na prossecução da mobilidade da riqueza;
 No combate ás desigualdade e pobreza extrema.

4
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Neste paradigma, baseado na economia do conhecimento, estarão


dependentes os empregos das pessoas, as estruturas das empresas e as
localizações de mercados. Está em jogo a sobrevivência das famílias
independentemente da respectiva nacionalidade é dentro desta moldura,
caracterizada por uma turbulência espacial que se assiste à incompetência
dos políticos (enquanto detentores do poder), na medida em que não estão à
altura dos novos desafios.

1.2.A Economia política Internacional (EPI)

A Economia política internacional constitui uma disciplina recente, que


procura combinar os fatores econômico e os fatores políticos que se projetam
nas relações econômicas internacionais, na dupla perspectiva de riqueza
(produção e circulação da <<riqueza das nações >>) e da conexão do poder,
No conteúdo de certos autores, a EPI resulta da interação da esfera
econômica e política, autênticos fenômenos predeterminados pelas relações
de poder á escala internacionais , pelos Estados –nações e gigantes privados
e projetados nas instituições da economia internacional. Por outras palavras,
procura-se examinar como a força, a violência e o constrangimento
(coletivas ou institucionais) interferem na lógica das relações mercantis e nas
relações de poder, como é que é solucionado o conflito, qual o papel das
instituições e sua necessidade, maior ou menor, para a estabilidade da
economia mundial. Trata-se de vertentes importantes para o conhecimento
da realidade econômica internacional. No fundo procura-se resposta a
variadíssimas questões, a saber:

 Por que é que as empresas investem a escala internacional numa


perspectiva política seletiva!
 Em que medida as empresas multinacionais procuram exercer uma
influência sobre os governos e os organismos internacionais!
 Por que é que uma nação, transitoriamente hegemónica enverada por
finalidade que não coincidem com o bem-estar das suas populações
 Como determinar o grau da dificuldade que andam a volta da criação
de normas e regras aceitáveis a escala de dificuldades que andam a
volta da criação como a proteção do ambiente, o controlo dos
movimentos de capitais especulativos, ou as iniciativas nucleares

5
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Ora, é esta nova área que tem sido estudada nos EUA, desde meados dos
anos 70,e que no final da década de 90 chega á Europa graças ao
aprofundamento do estudo da mundialização e da globalização.

A EPI Surge como um sistema de interpretação com vista a articular


os problemas a economia internacional das dimensões econômica, nacional
e internacional, utilizando instrumentos da ciência económica, da ciência
política e da sua própria disciplina (economia política das relações norte-sul
das relações petrolíferas e da envolvência das empresas multinacionais), mas
para além da interpretação, ela procura teorizar o sistema econômico
internacional. Como seja por exemplo, a teoria dos regimes. Um sistema
internacional surge operacionalmente quando, por exemplo se perder a auto-
suficiência alimentar, o que implica o aparecimento da interdependência e
sua sujeição a um aprovisionamento exterior. Desta situação aparece um
regime como uma organização particular do sistema, esta organização faz
aparecer um conjunto de princípios e de regras que dizem respeito ás relações
comercias entre países e sua internacionalização (dos princípios e regras) no
interior desses mesmos países e precisamente neste sentido e que se fala em
regime mercantilista, regime protecionista e regime livre –cambista.
Os Estados-nações são agentes racionais que buscam o poder, e este é
definido normalmente através dos seus recursos, que permite impôr a
respectiva vontade a outrem, com a restrição decisória. Esse poder constitui
uma força consciente que impõe opções não desejadas a outros Estados ou
impede outros de se oporem à vontade direccional. Esta questão é
extremamente importante na era da globalização quando o inventário dos
recursos perde a sua eficácia, na medida em que o poder - altera a
estruturação das condições onde se adoptam decisões aparentemente livres.
E é por isso que na EPI são os ganhos relativos que constituem variáveis de
compor-lamento dos Estados-nações.
Os teóricos da EPI sublinham a definição de estabilidade, quando
dizem que um sistema internacional é estável quando um Estado não acredita
que é lucrativo ensaiar a mudança do sistema e do regime». Ora, coube a
Kindieberger" a primeira investigação sobre a estabilidade hegemónica
associada à ideia da constituição de games internacionais implicando o
exercício de uma liderança. A força do princípios hegemónico parte da
emergência de regras internacionais e da constituição de regimes
internacionais nas áreas comercial e monetária, e das respectivas fases de
estabilidade. Apoiando-se na observação histórica, Kindleberger é favorável
a uma relação de causalidade que vai da hegemonia à estabilidade e que passa
pelos regimes.

6
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

O autor chama a atenção para a necessidade de um regulador central que


disponha internacionalmente dos mecanismos por forma a combater
dinâmicas cumulativas perversas (a ausência deste regulador central explica
a transmissão das crises e o aparecimento de uma crise mundial, dando como
exemplo a crise de 1929).

1.3. As ÁREAS

1.3.1. Teoria e Política do Comércio Internacional

O tratamento analítico do comércio internacional fez-se a partir dos


mercantilistas do século XVII, matéria essa que foi interligada com a
centralização do poder real. Os seus adeptos tiveram a percepção da
formulação de políticas económicas e dai a exaltação das exportações e o
desencorajamento das importações de bens.
Os economistas clássicos preocuparam-se, adentro do comércio
internacional, com o bem-estar dos indivíduos e daí a medição dos ganhos
de comércio, em que as exportações passaram a ser a via para adquirir
produtos importados, tendo por base a eficiência da gestão dos recursos da
nação.
Com a longa evolução sistémica do comércio internacional tem-se
mostrado a importância do estudo da estrutura das trocas internacionais na
perspectiva do espaço económico, que influencia o bem-estar, e por isso os
governos têm vindo a sancionar políticas económicas que se enquadram em
estratégias de desenvolvimento de cariz diversos.
Assim, a Teoria do Comércio Internacional procura dar resposta a
várias questões, nomeadamente:
1. Indaga a razão da intervenção dos países e dos blocos regionais
no comércio internacional. De facto, o comércio existe
porquanto bá diferenças de preços entre países e serve, por
exemplo, para maximizar o valor real da produção de recursos
mundial, pela via da especialização internacional;
2. Analisa a decomposição dos ganhos de comércio, considerando
os elei tos sobre a produção e sobre o consumo;
3. Estuda as diferentes condições da oferta entre os países que, por
sua Vez, se reflectem nos padrões de comércio. A função de
produção, ou das possibilidades de produção, vai depender
assim das dotações de competitividade e tendem a anular
aqueles em processos rápidos de mutação;
4. A Teoria Monetária da Balança, com base na qual o
desequilíbrio tem uma origem no aumento de reservas, ou é
fruto de uma política monetária expansionista com variantes,

7
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

conforme se trate de um regime de câmbios fixos ou de câmbios


flutuantes);
5. A Teoria da Intervenção Pública, em que o Estado exerce uma
actuação sobre os saldos externos e intervém sobre os
desequilíbrios internos:
6. A Teoria do Ajustamento pela Cooperação Internacional, onde
se destaca o papel das organizações internacionais.

As finanças internacionais constituem outra importante parte da disciplina


da economia internacional. Mas é preciso pormenorizar e nela distinguir
vários sub-ramos:

i. As finanças tradicionais que existiam antes dos anos 70 ligada as


operações do comercio internacional. Daí começou por se estudar a
balança de pagamentos na tentativa de desenvolverem interactiva e
reciprocamente as operações do comercio externo e as operações
financeiras induzidas.
A teoria dos ajustamentos automáticos formulada por David Hume
(século XVIII) em que os cedentes degradam competitividade e
tendem a anular aqueles em processos rápidos de mutação;
A Teoria Monetária da Balança, com base na qual o desequilíbrio
tem uma origem no aumento de reservas, ou é fruto de uma política
monetária expansionista com variantes, conforme se trate de um
regime de câmbios fixos ou de câmbios flutuantes);
A Teoria da Intervenção Pública, em que o Estado exerce uma
actuação sobre os saldos externos e intervém sobre os desequilíbrios
internos:
A Teoria do Ajustamento pela Cooperação Internacional, onde se
destaca o papel das organizações internacionais.

ii. As Finanças Internacionais, pós-anos 70, em que se examinam os


mercados cambiais baseados na flutuação, se estudam as formas de
moeda e se alteram as regras, até então, fundamentais do sistema
monetário internacional.

A Teoria do Mercado Cambial estuda múltiplas variáveis, nomeadamente


as taxas de inflação e as taxas de juro, comportando quatro referências
obrigatórias:

1.° A Lei do Preço Único, que estabelece a relação entre a inflação e as


alterações na taxa de câmbio, projectando-se na tese extrema de que o
diferencial da inflação conduz a uma alteração idêntica na taxa de câmbio;

8
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

2° A Teoria da Paridade das Taxas de Juro, em que as taxas cambiais a


prazo reflectem a diferença entre as taxas de juro dos respectivos mercados,

3° A Teoria dos Expectativas das Taxas a Prazo, que procura corte-


acionar esta taxa a prazo com a futura taxa à vista:

4° Equilíbrio do Mercado de Capitais mercado dominado pela


desregulamentação internacional, que torna os Estados dependentes da sua
evolução.

Com a análise da cobertura dos riscos (entre os quais o cambial e o de juros)


interrelaciona-se os instrumentos financeiros (inovações financeiras com o
financiamento internacional.

1.3.3. As Políticas Macroeconómicas Internacionais

As políticas macroeconómicas constituem um importante capítulo da


Economia Internacional, uma vez que diz respeito às relações entre os
equilíbrios interno e externo das economias. Na verdade, a interdependência
das economias nacionais abertas envolve múltiplas variáveis instrumentais
da política económica, sabendo-se que as medidas a adoptar para agir sobre
um dos equilíbrios afectam o outro. Por exemplo, o agravamento da carga
fiscal e o aumento das taxas de juro, medidas estas destinadas a combater a
inflação, prejudicam as exportações de bens e serviços. Pelo contrário, a
prática de uma taxa de câmbio demasiado valorizada ou uma protecção
aduaneira alta podem provocar um nível de desemprego incompatível do
ponto de vista social. O exemplo acabado de explicitar mostra o conflito
entre o pleno emprego ¿o equilíbrio da balança de pagamentos. A dificuldade
de compatibilização entre equilíbrio interno e externo sugere diferentes
graduações das políticas monetária e orçamental dados os seus imediatos
reflexos no rendimento e nas taxas de juro. A própria alteração dos
rendimentos disponíveis na posse dos agentes económicos modifica a
balança de pagamentos. Daí que tenha de haver uma combinação de
medidas, chamada de «Policymix».

Colateralmente com a questão dos equilíbrios há que equacionar as


relações entre os mecanismos da Economia Internacional com os processos
de crescimento económico, numa autêntica mistura de análises quanto à
estrutura do produto, nível de rendimento, qualidade da mão-de-obra (papel
da formação e educação), tecnologia e capitais disponíveis para investir.
Tudo a desembocar na plataforma da maior ou menor competitividade, ou

9
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

seja, eficiência produtiva. A par disso há que equacionar a questão dos


endividamentos interno e externo, área que complica a saída das recessões e
das crises.

134. Realce Sintético das Principais Questões de Conteúdo da


Economia

Internacional O estado da Economia Internacional, nesta primeira


década do século XXI, ocupa a posição estratégica inusitada. Há alterações
substanciais no espaço económico mundial, quer devido à globalização
impulsionada pelas empresas (só possível pela revolução das
telecomunicações e diminuição dos custos de transporte), quer pela
construção de blocos regionais em conformidade com vectores de
proximidade geográfica ou histórica.
O sistema comercial internacional permite analisar os fluxos
internacionais de mercadorias, com regras gerais institucionalizadas,
exaltando os ganhos do comércio e o benefício mútuo da troca de bens e
serviços, independentemente da eficiência. Esta deve estar presente, como
meta, na actividade económica de todas as nações, mas não excluem os
países menos eficientes.

Aqui, as alternativas residem nas combinações produtivas em termos


de trabalho intensivo (menores salários) ou capital intensivo (altos salários,
com tecnologia de ponta), bem como na abundância ou escassez de recursos.
Mas dentro do comércio internacional, e ultrapassando os bens tangíveis,
existe a deslocação de pessoas (fenómenos migratórios) e movimentos de
capitais. As importações excedem as exportações, em numerosos países, mas
o défice não é condicionado ao longo de dezenas de anos mercê das entradas
constantes de capitais. O que está em causa é a busca de um padrão de
comércio, que se projecte em especialização e competitividade de produtos
e que torna viável qualquer país em economia aberta. Dai, a Economia
Internacional preocupar-se com a explicitação das vantagens das trocas,
através dos seguintes modelos (que são estudados em posteriores capítulos):

 O Modelo Ricardiano, que explica o comércio internacional por


diferenças de produtividade de pais para país;
 O Modelo de Factores Específicos, que entra em linha de conta com
a distinção entre factores de uso geral e que se deslocam
transversalmente, e factores de uso específico, estimulantes do
comércio internacional:
 O Modelo de Hecksher-Ohlin, que procura explicar como os
recurses influenciam os padrões de comércio. *

10
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Entretanto, o comércio internacional implica pagamentos


internacionais através de movimentação de divisas, E aqui, é-se confrontado
com a balança de pagamentos e com a determinação da taxa de câmbio. A
balança de pagamentos, na perceção da sua estrutura envolve três tipos de
transacções internacionais:

1.° Transacções que envolvem a exportação e a importação de bens e


servi ços, enquadrados na denominação geral de balança corrente:

2° Transacções que dizem respeito à compra e venda de activos


financeiros, a que corresponde o sinal menos o sinal mais da conta
financeira;

3.° Actividades que resultem em transferências de riqueza entre


países, que são registadas na conta capital (caso de direitos de propriedade
intelectual) O mercado de câmbios, ao fixar preços de moedas em outras
moedas, permite comparar os preços dos bens e serviços produzidos em
diferentes países. Actualmente o mercado cambial é um mercado mundial.
Qualquer alteração de taxas cambiais vai influenciar o comércio mundial.

Dentro das Finanças Internacionais, há a destacar o mercado


internacional de capitais, que para além de englobar o mercado cambial,
pode ser definido como o mercado no qual os residentes dos diferentes países
trocam os seus activos e que contribui para a diversificação internacional de
carteiras.

Comércio Internacional
O comércio internacional é a troca de bens e serviços através de fronteiras
internacionais ou territórios. Na maioria dos países, ele representa uma grande
percentagem do PIB. O comércio internacional é uma disciplina da teoria
econômica, que, juntamente com o estudo do sistema financeiro internacional,
forma a disciplina da economia internacional.

2.1- Teorias do comércio internacional


A teoria do CI, surgiu da necessidade de explicação das trocas
internacionais. Tendo como principais percursores os clássicos liberais,
como Adam Smith e Davi Ricardo.

11
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

As teorias clássicas do CI, como as teorias das vantagens absolutas e vantagens


comparativas, antecederam o Mercantilismo. O mercantilismo é um conjunto
de politicas económicas que preconizava o desenvolvimento económico por
meio do enriquecimento das nações, fundamentalmente, ao comércio
exterior. Situação vivida na idade moderna na Europa, entre o sec. XV e
XVIII.

Os mercantilistas na altura preocupavam-se com a acumulação de metais


preciosos, ou seja, monetários, tais como, o ouro e a prata, que eram associadas
à ideia de riqueza do país. Sendo que, uma vez que a oferta de ouro era
relativamente fixa, acreditavam que um país poderia aumentar o seu estoque
de metais monetários à custa dos demais„ ou seja, na concepção do modelo, o
CI tinha ganhos de soma zero (um país ganha a custa do outro), por isso
adoptavam política comercial proteccionista.

2.1.1- Principais características do Mercantilismo As principais, eram:

a) Intervencionismo estatal
b) Protecionismo alfandegário para diminuir as importações
c) Medidas de apoio às exportações
d) Fortalecimento do mercado interno
e) Estimulo a práticas monopolísticas.
A ideia central do modelo, era obter uma balança comercial favorável, ou
seja, exportar mais do que importar a qualquer custo, para que a entrada de
ouro e prata fosse superior à saída.

Para os mercantilistas o excedente comercial estava acima de tudo, pois através


do excedente comercial as nações absteriam o acumulo de metais
preciosos necessários ao seu enriquecimento. Outra forma de obtenção de
metais preciosos e outros bens valiosos muito usada pelos mercantilistas,
vinha da exploração das riquezas das colonias.

12
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

AS TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL

2.1. UM QUADRO DE REFERÊNCIAS

A maioria dos tratadistas de Economia Internacional consideram que


foram os mercantilistas os primeiros a estudar as correntes de troca que, a
partir do século xx começaram a processar-se entre as nações.
Coube, no entanto, à Escola Clássica, encabeçada por Adam Smith,
sistematiza todo um corpo de conhecimentos, que constitui o começo da
análise da especialização internacional e que procurou responder a três
questões fundamentais, a saber:

 Explicação das condições determinantes da especialização e divisão


de trabalho, inseridas na troca internacional, com a concretização dos
bens e serviços objecto de tais trocas;
 Quais as vantagens decorrentes, para cada um dos países, das trocas
internacionais;
 Cálculo das razões de troca, isto é, a ligação entre os preços das
mercadorias que se exportam e se importam.

Adam Smith, no seu célebre livro A Riqueza das Nações (1776)',


enunciou o principio da divisão do trabalho e definiu o valor a partir da noção
de trabalho calculada Os bens trocam-se na proporção dos valores
respectivos, os quais são determinada pelas quantidades de trabalho que
estão eles incorporados Numa primeira eta a quantidade de trabalho
calculado é igual à quantidade de trabalho incorporado.

Numa segunda etapa, o trabalho calculado é superior ao trabalho incorporado


(inclusão de lucros ou rendas).
Dai que parta, na perspectiva do enaltecimento da produção, para a
troca de excedentes de bens produzidos internamente por produção externa.
Smith toma posição sobre as medidas de restrição à importação, pois se um
pais possuir vantagens sobre outro país, será sempre mais vantajoso ao
segundo comprar ao primeiro os bens de que necessita.

O discípulo de Smith, David Ricardo passa das vantagens absolutas


para as vantagens relativas ou comparadas (1817), Não se pode esquecer a
noção de valor que ele identifica com o trabalho incorporado e que leva a
considerar a relação de troca e a especialização em termos de vantagens

13
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

relativas. A Teoria do Comércio Internacional de Ricardo repousa no


seguinte princípio:

«Se, na ausência de comércio, os preços relativos de dois bens diferem


de um país para outro, os dois países podem beneficiar de uma troca de bens
com rácios intermédios de preços».

A Teoria Clássica das Trocas Internacionais é elaborada a partir das


seguintes premissas fundamentais, a saber:

i) Mercado de Concorrência Perfeita, caracterizado pela


existência de pequenas unidades económicas numerosas, tanto
do lado da oferta como do lado da procura, que não dispõem de
dimensão suficiente para actuar nos parâmetros dos preços e da
produção (atomicidade de mercado). Para além disso, o produto
é homogéneo, com a entrada e saída livres por parte das
unidades económicas;

ii) Mobilidade Perfeita dos Produtos, tanto no interior de cada


nação, como entre ações, hipótese esta que elimina à partida os
direitos aduaneiros, as restrições quantitativas, os contingentes
pautais e os obstáculos não-pautais, bem como considera os
custos de transporte nulos;

iii) Imobilidade Internacional de Factores de Produção, representa


uma ideia mestra simplificadora';

iv) Homogeneidade e Identidade dos Bens Produzidos, o que


significa não admitir variantes no produto e na qualidade em
função da latitude;

v) Maximização do Rendimento Global, sinónimo da busca da


afectação óptima dos factores de produção e do pleno emprego.

John Stuart Mill (1806-1873) reformulou a Teoria dos Custos


Comparados de Ricardo, no seu livro The Principles of Political Economy
(1848), preocupando-se com a repartição dos ganhos de troca e afirmando
que a razão da troca internacional depende da intensidade e da elasticidade
da procura de cada país pelos produtos de outro país, a que foi chamado
princípio da procura recíproca.

14
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Ao conjunto dos trabalhos dos três autores é costume chamar-se a


Teoria Clássica das Trocas Internacionais. Seguiu-se a Teoria Neoclássica,
que tem como fundadores:

- William S. Jevons (1835-1862)


- Carl Menger (1840-1921)
- Léon Walras (1834-1910)

Cujos trabalhos, elaborados independentemente uns dos outros e


baseados no princípio da utilidade marginal, chegaram à mesma conclusão
sobre as determinantes do valor e da relação de troca.
Um segundo grupo de autores, dentro da Teoria Neoclássica,
generalizou a análise das vantagens comparativas aos dois factores de
produção (trabalho e capital), a partir da hipótese de custos de oportunidade
crescentes. Estão dentro desta área, Alfred Marshall (1842-1924) e Arthur
C. Pigou (1877-1959), cujas análises foram denominadas como via da
especialização por produtos.
O terceiro grupo de autores (via da especialização por factores) -
Hecksher. Ohlin e Samuelson - é responsável pela introdução do princípio
da dotação de fac-tores com o objectivo de explicar as vantagens
comparadas. em terinos de síntese, podemos dizer que a explicação da Teoria
das Vantagens Comparativas pode apresentar diferentes modelos:
i) O Modelo Ricardiano que baseia o comércio
internacional na diferença da produtividade do trabalho,
pelo que a nação deverá dedicar-se à produção do bem
em que possui a maior vantagem de custo relativo (um
factor de produção — dois bens — dois países);

ii) " O modelo baseado na função de produção, que


considera, para além do trabalho, outros factores, e em
que os efeitos das diferentes combinações produtivas se
repercutem na economia;

iii) O modelo que explica o comércio internacional pela via


da interacção entre recursos e tecnologia, fazendo o
cotejo entre a abundância relativa dos factores e a
intensidade relativa em que os mesmos são utilizados,
iv) O modelo que analisa a oferta e a procura mundial, com
efeitos sobre as razões de troca, e em que o próprio

15
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

crescimento económico vai enviesar a curva das


possibilidades de produção, o que provoca um acréscimo
da oferta de bens.

2.2. O MODELO DE DAVID RICARDO

2.2.1. As Hipóteses

Este modelo, apresentado ao público em 1817', explica a existência de


vantagens comparadas pelas diferentes produtividades do trabalho adentro
do esquema «dois países - dois bens». Com um só factor de produção
(trabalho) a curva das possibilidades de produção é uma linha recta,
Explicitando todas as hipóteses simplificadoras de Ricardo, tem-se:

i) Dois países - dois bens;


ii) Factor de produção trabalho;
iii) Atomicidade;
iv) Bens homogéneos;
v) Pleno emprego:
vi) Ausência de avanços tecnológicos:
vii) Mobilidade interna e imobilidade internacional do factor
trabalho;
viii) Ausência de entraves ao comércio;
ix) Ausência de custos de transporte.

2.2.2. O Exemplo Remontando ao exemplo de David Ricardo em que


Portugal e Inglaterra produzem vinho e tecido, com os seguintes custos
unitários em horas de trabalho:

Quadro I - Custos Unitários (Horas Trabalho)

Produtos Portugal Inglaterra

Vinho 8 12
Tecido 9 10

16
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Sendo o preço relativo a relação de troca entre os dois bens


produzidos, isto significa que em Portugal 1 unidade de vinho troca-se por
0,89 unidades de tecido (8/9) e uma unidade de tecido por 1,13 unidades de
vinho (9/8), ao passo que em Inglaterra uma unidade de vinho troca-se por
1,2 unidades de tecido (12/10) e uma unidade de tecido por 0,83 unidades de
vinho.

Portugal tem pois uma vantagem comparativa na produção de vinho


uma vez que:

8 9
<
12 10

O custo português relativamente ao vinho é de 66% do custo inglês e


em relação 2o tecido é de 90%. Desde modo, Portugal especializar-se-á na
produção que tem maior vantagem relativa, e ao invés a Inglaterra
especializar-se-á no bem onde tem menor custo relativo.

A troca de bens entre os dois países será assim balizada pelo interesse
de obterem mais produtos do que aqueles que a quantidade de trabalho que
está incorporado nos produtos dão. O intervalo será definido dentro das
seguintes desigualdades:

0,89 u. t. < 1 u. v. < 1,2 u. t.


0,89 น. v. < 1u. t <1,13 น. v.

Fica assim demonstrado aquilo que David Ricardo enunciou:


«A condição necessária e suficiente para o aparecimento de trocas
internacionais entre dois países produzindo dois bens idênticos é que o custo
rela-tiro desses dois bens seja diferente nos dois países. Cada país tem então
um Interesse em se especializar na produção de um bem para o qual a sua
vantagem relativa é maior ou a sua desvantagem relativa é menor, o que quer
dizer que o custo relativo é o mais fraco comparado com o do outro país»

17
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

2.2.3. A Abrangência do Modelo

Gérard Marcy, no seu livro Economie Internationale (1976), analisou


a Teoria dos Custos Comparados apresentando três hipóteses:
1.- Cada país tem superioridade numa produção, com os seguintes
custos unitários medidos em horas de trabalho:

Quadro II - Custos Comparados (Horas Trabalho)

Países Tecido Trigo


Polónia 100 80
Inglaterra 70 90

Os dados apresentados conduzem-nos à ilação de que a Polónia tem


superioridade na produção de trigo e a Inglaterra na produção de tecido. Para
além disso, os custos relativos tecido/trigo são diferentes.

Nestas condições a troca internacional é possível e conduz à


especialização na produção de um bem para cada país;

2.2 Um dos países tem superioridade nas duas produções. É o caso da


hipótese já atrás ventilada do exemplo de Ricardo;
3.* Um país tem superioridade para a produção de um bem e os dois
países estão em igualdade para a produção de outro bem.

Esta hipótese, que não foi contemplada por Ricardo ou Stuart Mill, foi
estudada por Frank Taussig (1909)'. Veja-se o seguinte exemplo, com os
custos unitários novamente medidos em horas de trabalho:

Quadro III - Custos Comparados (Horas Trabalho)


Países Tecido Trigo
Polónia 100 80
Inglaterra 70 80

18
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Produzindo unicamente tecido, a Inglaterra obtém com 170 horas de


trabalho 38 unidades de tecido; a Polónia produzindo somente trigo obtém
com 180 horas de trabalho 2,25 unidades de trigo; para a Inglaterra, com
idêntica duração de trabalho do outro país, obtêm-se duas unidades de tecido
em lugar de 1,88 e 2,25 unidades de trigo em lugar de 2,12. Para se obter um
aumento de produção de trigo de 0,12 unidades de tecido exige-se 10,8 horas
de trabalho em Inglaterra e 12 horas de trabalho na Polónia. Cada país terá
de se especializar na produção do bem cujo custo relativo é mais baixo
relativamente ao outro país. A Inglaterra especializar-se-á na produção de
tecido e a Polónia na produção de trigo.

Pelos exemplos acabados de explicitar, não será difícil perceber o


significado da Lei dos Custos Comparados e da Teoria Clássica da Divisão
Internacional do Trabalho. Na verdade, no mercado interno a especialização
baseia-se na diferença de custos absolutos em termos de tempo de trabalho,
no mercado internacional a especialização baseia-se na diferença de custos
relativos de produção. Stuart Mill disse que a vantagem do comércio
internacional consistia no emprego mais eficaz das forças produtivas nos
dois países na medida em que, em definitivo, uma mesma despesa em
trabalho permitiu a cada um deles obter mais bens.

Da Lei dos Custos Comparados ressaltam duas consequências:

1ª Um país pode ter interesse em importar mercadorias, que ele próprio


produziria, a um custo inferior ao do país onde as comprasse;
2ª Um país pode ter interesse em produzir mercadorias cujo custo é
para ele mais desvantajoso, com a condição de obter, pela troca
internacional, mercadorias que lhe ficariam mais caras se ele próprio as
produzisse.

2.2.4. Sofismas

O Modelo de David Ricardo das vantagens comparadas necessita de


ser bem compreendido, de modo a afastar certas teses engendradas à sua
volta, mas que do ponto desta cientifico são inconsistentes, conforme explica
o Prof. Krugman (1991):
1° Argumento falso: a liberdade do comércio é útil somente para os
países que têm condições de concorrência internacional. Trata-se de uma tese
que inicialmente propunha o afastamento dos PVDs, pois que faltando-lhes
competitividade não poderiam entrar na cena económica internacional.

19
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

A asserção em que recusava a vantagem comparativa, baseia-se na


ideia da ausência da vantagem absoluta da produtividade. Simplesmente, isto
não constitui condição necessária, nem suficiente, para obter uma vantagem
relativa.

Ora, no modelo explicativo da vantagem comparada por um factor o


que se conclui claramente é o seguinte:

- A vantagem competitiva de um ramo de actividade depende não somente


da sua produtividade em relação à indústria congénere estrangeira, mas
também da taxa salarial interna relativamente à taxa salarial. Estrangeira.

Mas esta conclusão tem um outro mal-entendido, pois pode parecer


que o segredo da competitividade (especialização no dizer de Ricardo) tenha
por base salários baixos.

2° Argumento falso: a concorrência internacional baseada em salários


baixos é injusta e ignora os outros países. Trata-se de um argumento à volta
da exploração do trabalho, que rendo concluir que as economias de baixos
salários destroem outras economias. Ora, não há que misturar os salários
baixos com os ganhos da troca. As trocas internacionais resultam de uma
combinação compósita, que não está ligada nem a altos salários, nem a
baixos salários.

3° Argumento falso: a troca internacional resulta na exploração de um pais


e influencia uma situação quando ele utiliza mais trabalho para produzir os
bens exportados do que outros países que não entram com uma combinação
de trabalho tão intensivo. Este argumento é designado pelos marxistas de
Teoria da Troca Desigual, quando explicitam a tese que um país é deveras
explorado na troca, ativamente aos bens que importa. Quando exporta bens
de maior quantidade de trabalho incorporado rela

O sofisma é patente, dado não entrar em linha de conta com o ganho da troca,
ou seja, ter-se-ia que comparar o trabalho incorporado nos bens importados
caso fossem produzidos no país em causa.

20
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

A COMPETITIVIDADE

5.1. ENQUADRAMENTO

Na análise das trocas internacionais e na sua generalização que


permite abandonar sucessivamente as hipóteses simplificadoras, esteve
sempre presente o fenómeno da especialização. Com efeito, partiu-se sempre
da constatação que permite a percepção de que as nações tiravam partido nas
suas relações de troca de diferenças na produtividade do trabalho, nos
recursos naturais e na acumulação de capitais. Numa primeira abordagem a
especialização apresentava-se com base na diferença de custos unitários da
produção, para logo ser complementada com o argumento de diferenças: e
reenumeração dos factores (tratou-se de uma explicação do lado da oferta).
Numa anda óptica, apresentou-se a especialização como resultado da
procura, das economias de escala e do progresso tecnológico.

Atualmente, a nova teoria da especialização internacional situa-se em


diversas dinâmicas, nomeadamente:

I. Em estruturas não-concorrenciais, em situações monopolistas ou


oligopolistas, que poderá marcar um desvio entre as relações de troca
internacional e o mercado de origem;
II. Em economias de escala, em termos de prioridade face à dotação
inicial de factores,
III. Em estruturas de concorrência imperfeita, rendimentos crescentes,
diferenciação de produtos similares c estratégias das empresas que
segmentam os mercados.
IV. Em grandes mercados internos, onde a concorrência agressiva,
melhora o comportamento das exportações:
V. Em quadros temporais, de malha fina, industrial intra-ramo
(explicação da especialização intra-sectorial);
VI. Em dotação de trabalho qualificado que reforça um sector estratégico
(caso da City de Londres, como grande praça financeira a nível
mundial; caso do sector dos transportes nos Países Baixos);
VII. Em grandes mercados nacionais, onde a produção industrial, pela via
da segmentação geográfica da produção, tem necessidade de bens
intermédios importados.

21
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

Passamos, agora, aos diferentes conceitos de especialização. Numa


óptica estática, a especialização é apresentada como uma possível escolha de
certas produções, pela via da necessidade de concentrar recursos (a produção
excedentária sobre a procura doméstica, vai para exportação). No fundo
traduz a diferença entre a estrutura de produção e a estrutura de consumo.
Num plano de desenvolvimento económico, a especialização pode traduzir
o privilegiar de um sector de actividade (agricultura; matérias-primas;
energia; produtos manufacturados). Caso se restrinja à área industrial, a
especialização terá de ser estudada pela via da desagregação e por ramos
descendentes, até ao produto (a chamada especialização vertical). Por outro
lado, a especialização pode ser dedutiva ou indutiva. A primeira destas,
polarizante, será consequência de uma situação antiga ou de uma inovação
tecnológica. A segunda, desemboca na reestruturação dos fluxos, devido à
alteração da actividade económica (nova política industrial) ou pela
localização atractiva de empresas internacionais. V

CONCEITO DE COMPETITIVIDADE

Introdução

Na microeconomia, o termo competitividade significa a capacidade da


empresa entrar concorrência e ganhar quotas de mercado, desenvolvendo-se
e aumentando as suas receitas Nos últimos vinte anos do século xx, a análise
decorreu no campo da gestão empresarial e da economia industrial,
sobressaindo algumas conclusões. Nomeadamente:

Nos sectores e ramos industriais, a noção não pode ser reduzida a preços e a
custos de impostos, sobretudo a nível dos custos salariais;

— Melhoria das qualificações dos trabalhadores;


— Adequada relação entre a procura final e a comercialização.

No plano de uma nação, a competitividade de um espaço económico


de longo prazo, está ligada à capacidade de melhorar o nível de vida da sua
população. Esta acepção torna-a diferente da noção de competitividade
empresarial, pois enquanto esta se liga à concorrência com vista a obter
quotas de mercado, a competitividade nacional não se obtém em detrimento
ou eliminação dos outros. Ora, isto desemboca no estudo das convergências
e das divergências. Em matéria de convergência das economias, existe um

22
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

postulado segundo o qual os países com PIB per capita baixo, crescem mais
depressa do que os países com PIB per capita alto. Esta tese baseia-se na
premissa de que o rendimento marginal do capital é decrescente sendo o
progresso técnico acessível a todos (plena difusão). Dentro deste quadro, a
convergência do PIB por pessoa surge, reduzindo o desvio entre os países
pobres e países ricos. Na análise da divergência, encontram-se, na área
teórica, três explicações, a saber:

 A primeira corrente denominada de crescimento endógeno, baseia-se


na premissa de que o stock de capital, por indivíduo, pode crescer
indefinidamente, permitindo sucessivos aumentos da produção do
consumo, A ideia básica consiste, a longo prazo, fazer depender o
crescimento da produtividade das políticas a executar pelos agentes
económicos:

 A segunda corrente, baseada na noção de convergência condicional,


preconiza uma identidade de funcionamento dos países envolvidos.
Ora tal identidade é pouco provável, pois existem características
estruturais diferentes, ainda que se admita que as economias situar-se-
ão em pata-mates de equilíbrio paralelos;

 A terceira explicação repousa sobre o nível de desenvolvimento


existente a partida, o que faz depender de aspectos histórico-culturais
de cada economia.

Sendo a competitividade uma noção complexa e multiforme, tem


íntima ligação com a pressão concorrencial. A concorrência conduz a uma
melhor utilização dos recursos e sobretudo ao aumento da eficiência dos
factores de produção. Na área dinâmica está relacionada com o esforço de
inovar parece que é sobretudo em mercados de concorrência imperfeita que
a inovação surge com maior intensidade.

23
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

A Competitividade-Preço

As relações económicas internacionais baseadas em mercados de


concorrência imperfeita, insistem na possibilidade de haver diferentes preços
dos bens face à sua diferenciação, por razões objectivas (qualificações
técnicas) ou por razões subjectivas (um design ou uma marca reputada).
A competitividade-preço está ligada, por vezes, à questão da taxa de
câmbio (depreciação/desvalorização). Daí a importância do estudo da
evolução cambial, devendo ter-se em atenção que as distorções de câmbios
que se têm verificado não estarem ligadas a problemas de competitividade
industrial, mas a razões de carácter financeiro face a bolhas especulativas,
bem como da própria situação da conjuntura internacional.

A Competitividade Tecnológica

Alguns autores sublinham que os principais factores que influenciam


a competitividade internacional e o crescimento relativo de um país face a
outro, repousa na competitividade tecnológica e na aptidão em manter uma
concorrência que respeita prazos de entrega das encomendas. Reforçam
ainda o papel crucial do investimento na criação de novas capacidades de
produção e na exploração do potencial oferecido pelos processos de difusão.
A noção de difusão de tecnologia deve englobar o processo pelo qual o
conhecimento e a especialização técnica se difunde na economia. Existe uma
distinção teórica fundamental entre dois tipos de difusão de tecnologia, a
saber:

 A difusão da tecnologia incorporada, que tem a sua origem nas


externalidades que caracterizam o processo de inovação na empresa.
À tecnologia Co saber-fazer difundem-se por certo tipo de canais;

 A difusão da tecnologia incorporada nos equipamentos que descreve


os processos pelos quais as inovações se difundem no seio da
economia, através das aquisições de máquinas, de componentes e de
outros equipamentos com forte intensidade tecnológica.

24
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

A Competitividade-Custo

A situação da competitividade-custo pode exemplificar-se naqueles


casos em que mercê de diminuições relativas de custos de produção, as
empresas vêem as quotas de mercado externo aumentarem, com efeitos
imediatos na balança comercial do país. Um dos elementos mais sensíveis é
o dos custos salariais unitários, entrando coma produtividade multifactorial
e os encargos sociais.

A medida da competitividade deve estar ligada a uma série de


indicadores, des tacando-se quatro, a saber:

 A produtividade do trabalho;
 O crescimento dos salários reais;
 O rendimento real do capital utilizado na indústria;
 A posição ocupada no ranking do comércio mundial.

Todos estes indicadores vão traduzir-se na melhor ou pior aptidão de


um pais que se bate nos mercados internacionais a fim de acrescer o
rendimento real dos cidadãos.

A Competitividade Estrutural

A análise da competitividade nacional deve entrar com os factores a


partir dos quais as economias são organizadas e integradas na divisão
internacional do trabalho. Trata-se de uma análise complexa, a que se reporta
um grande conjunto de fenómenos económicos e institucionais que
asseguram a coesão interna e determinam o funcionamento das economias.
O termo competitividade estrutural permite expressar a ideia que a
competitividade das empresas traduz o sucesso das práticas de gestão, da
eficácia das estruturas produtivas, da estrutura do investimento no país e da
respectiva infra-estrutura técnica.

25
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

A Análise de Porter –

Michael Porter' ao usar a expressão vantagem competitiva em vez de


vantagem comparada identifica uma nova etapa do estudo teórico. Ele
argumentou que a globalização e as mudanças tecnológicas minimizaram a
importância dos métodos de avaliação tradicionais das vantagens
comparativas, tais como o custo salarial e custo das matérias-primas.
Na opinião do autor, o único conceito que explica de forma sustentável
a competitividade das nações é o da produtividade nacional, correspondendo
esta ao valor do rendimento produzido por uma unidade de trabalho ou de
capital. Nenhum país dispõe de competitividade' em todos os sectores. O
sucesso de um país encontra-se em certos sectores e grupos de sectores inter-
relacionados, designados por clusters, no interior dos quais as empresas
competem a nível global - deverá adquirir matérias-primas e financiar-se nos
mercados que apresentem os melhores preços e deslocar as suas actividades
para locais com menores custos — centralizando, todavia o processo de
tomada de decisões estratégicas.
A análise da vantagem competitiva de Porter baseia-se em quatro
condições, a Saber:

 Condições dos Factores


Nesta área incluem-se os recursos naturais e infraestruturas, bem
como os factores financeiros, os factores de conhecimento e os
factores humanos. Neste conjunto, ganham importância o
conhecimento e os factores humanos em relação aos factores físicos
ou financeiros. Está nesta linha de pensamento o facto de o Japão e a
Coreia dominarem a indústria do aço mundial, apesar de não
possuírem matérias-primas para a produção daquele metal. Um outro
exemplo que pode dar-se é o da existência de salários altos (caso da
Alemanha e do Japão), que pressionam a competitividade e conduzem
à inovação;

 Condições da Procura
As características da procura doméstica para um dado produto ou
serviço são muito importantes. A pressão da procura sobre as
empresas conduz estas a inovarem e a deslocarem-se para segmentos
de maior sofisticação (exigência dos consumidores). Porter, no
entanto, adverte que o mercado doméstico não é o factor-chave da
vantagem competitiva. Apontam-se, como exemplos, os casos dos
relógios suíços e das centrais telefónicas suecas em que o êxito é
baseado na qualidade dos produtos e não na dimensão do mercado
interno;

26
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

 Sectores Relacionados e de Suporte


A existência de fornecedores e consumidores localizados próximos
uns dos outros, constitui um terceiro factor a ponderar. Apareceram
negócios de sucesso no Japão a partir de outras indústrias
relacionadas, pois trouxeram competências de variados campos e
estimularam a inovação;

 Estratégia, Estrutura e Rivalidade Empresarial


As condições do meio envolvente de uma nação influenciam a forma
como as empresas são criadas, geridas e como competem. A rivalidade
interna entre empresas provoca robustez e constitui uma razão de êxito
para o campo internacional. Exemplos disso podem encontrar-se em
países como a Suíça, na indústria farmacêutica, a Alemanha, nos
produtos químicos, e os Estados Unidos, nos computadores e no
software. O papel dos governos deverá traduzir-se no influenciar
positivamente as quatro condições seguintes:

 Catalizador da mudança, forçando as empresas a estabelecer


metas ambiciosas;

 Investidor, sobretudo nas áreas da educação e das


infraestrutura- ras; Fiscalizador para fazer cumprir os padrões
de qualidade;

 Consumidor visando estimular a procura do mercado.

Porter Interpreta a vantagem competitiva baseada no estudo de casos,


pondo em evidência as determinantes adequadas da situação nacional,
incluindo as relações sis-pode ser visualizado no seguinte esquema;
temáticas internas particulares dos ramos de actividade. O que se acabou de
analisar Competitivas

Resumindo e concluindo: O conceito de competitividade é compósito,


entrando com múltiplas variáveis para o seu resultado final, quer do ponto
de vista microeconómico, quer na óptica macroeconómica. A disciplina de
Economia Internacional teve o mérito de estabelecer uma relação entre a
competitividade de cada nação e as respectivas empresas que labutam em

27
MATERIAL DE APOIO DE ECONOMIA INTERNACIONAL, ELABORADO PELA PROF.
LUANDA

cada território geográfico-político, exaltando a interdependência existente (a


deslocalização, por exemplo, significa a ruptura da relação).

A competitividade de uma nação depende de factores microeconómicos


e de enquadramento macroeconómico. De entre de uma extensa série de
variáveis há que assinalar o seguinte:

1. No interior do conceito de competitividade está o da produtividade, a


que está ligada a utilização eficiente dos recursos aplicados na
produção de bens e serviços.

Como bem realça o Prof. Raymond Barre" (grande Estadista francês,


falecido há poucos anos), a produtividade depende de quatro
condições, a saber:

i) Condições Técnicas: área onde entram a quantidade e a qualidade


do equipamento, e a organização empresarial (esta envolve a
problemática e motivação do trabalho, e o controle da produção-
stockagem de matérias-primas; processos de fabrico; custos;
inovação tecnológica);
ii) Condições Humanas: formação de quadros técnicos,
responsabilização, valorização e participação; qualidade dos
gestores;
iii) Condições Psicológicas: a noção de produtividade é, antes do
demais, um estado de espírito. (problemas: como fomentá-lo?);
iv) Condições Económicas: ambiente de expansão ou recessão;
políticas públicas; comportamento do Estado na área fiscal e de
pagamento de dívidas; etc.);

2. Decisões das Organizações, envolvendo o diagnóstico, a informação,


planeamento financeiro; situação do sector; tipos de concorrência;

3. Estratégia (concentração de produtos; diversificação da produção;


entrando em novos sectores; tipos de risco a correr; nichos de
mercado; alternativas de distribuição; integração horizontal ou
vertical; tipos de qualificação de produtos; marketing).

28

Você também pode gostar