DESENVOLVIMENTO DE MÉTODOS DE PURIFICAÇÃO DA ÁGUA
UTILIZANDO MATERIAIS LOCAIS: MORINGA OLEÍFERA E QUIABO1
Marciela Martinho1, Bárcio Manuel2 & Hermínia Marcelino3
1
Graduando em ensino de Química (UniRovuma) email: marcielamartinho52@[Link]
2
Graduado em Ensino de Física com habilitação em Energias Renováveis (UniRovuma), email:
barciomanuel@[Link]
3
Graduando em ensino de Química, UniRovuma
RESUMO
A escassez de água potável é um problema persistente em Moçambique, especialmente em
regiões rurais como Nampula, onde muitas comunidades dependem de fontes de água
contaminadas. Este estudo avaliou a eficácia dos coagulantes naturais Moringa oleífera e quiabo
(Abelmoschus esculentus) na purificação de água contaminada. Experimentos com água de
poço contaminada por terra argilosa e óleo vegetal mostraram que ambos os coagulantes
reduziram significativamente a turbidez e melhoraram a clarificação da água. A Moringa
oleífera foi eficaz na remoção de partículas suspensas, mas deixou uma coloração residual. O
quiabo, por sua vez, foi promissor processo de remoção das partículas oleosas, embora tenha
reduzido o volume de água tratável. Esses coagulantes, mostraram que podem ser alternativas
econômicas e sustentáveis para áreas com infraestrutura limitada.
PALAVRAS-CHAVE: Moringa oleífera, quiabo, purificação de água, Nampula, métodos
alternativos.
ABSTRACT
The scarcity of drinking water is a persistent problem in Mozambique, especially in rural
regions like Nampula, where many communities rely on contaminated water sources. This study
assessed the effectiveness of natural coagulants Moringa oleífera and okra (Abelmoschus
esculentus) in purifying contaminated water. Experiments with well water contaminated with
clay and vegetable oil showed that both coagulants significantly reduced turbidity and improved
water clarity. Moringa oleífera effectively removed suspended particles but left a residual color.
Okra, on the other hand, excelled in removing oily particles, though it reduced the volume of
treated water. These natural coagulants offer cost-effective alternatives for areas with limited
infrastructure.
KEYWORDS: Moringa oleífera, okra, water purification, Nampula, alternative methods.
1
Apresentado na IV edição das Jornadas Científicas, organizadas pela Universidade Rovuma, sob lema: “Por um
ensino focalizado em Pesquisas Científicas”, Setembro de 2024.
UniRovuma | IV Edição das Jornadas Científicas: “Por um ensino focalizado em Pesquisas Científicas”
1 INTRODUÇÃO
A escassez de água potável é um dos maiores desafios enfrentados por países em
desenvolvimento, afectando directamente a saúde e economia das populações. De acordo com
a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso a água
tratada, o que resulta na propagação de doenças de origem hídrica, como diarreia e cólera
(WHO, 2022). Em Moçambique, a situação é particularmente grave em áreas rurais, como o
contexto de Nampula, onde maiores comunidades dependem de fontes de água superficiais e
poços sem tratamento adequado (WaterAid, 2024). A busca por soluções acessíveis e
sustentáveis para a purificação da água torna-se, portanto, uma prioridade urgente.
Os métodos tradicionais de purificação de água, como a cloração e a coagulação com
sais metálicos, incluindo o uso do sulfato de alumínio, são amplamente utilizados em sistemas
de tratamento da água. Entretanto, esses métodos apresentam limitações significativas em áreas
rurais de países em desenvolvimento. Além dos elevados custos associados e da necessidade de
infraestrutura especializada, esses coagulantes químicos podem alterar o pH da água, causar
corrosão nos equipamentos e gerar resíduos potencialmente prejudiciais à saúde
(Ndabigengesere & Narasiah, 1996). Diante dessas limitações, a investigação de alternativas
baseadas em materiais de origem natural tem ganhado relevância.
Neste contexto, a Moringa oleífera e o quiabo (Abelmoschus esculentus) têm se
destacado como coagulantes naturais promissores. A Moringa, conhecida popularmente como
"árvore milagrosa", contém proteínas catiónicas de baixo peso molecular que, quando
dissolvidas em água, adquirem carga positiva e promovem a coagulação das partículas em
suspensão, como argilas e sedimentos finos. Este mecanismo ocorre pela neutralização das
cargas eléctricas das partículas, facilitando a formação de flocos que se sedimentam e podem
ser facilmente removidos (Amagloh & Benang, 2009). Além disso, o coagulante derivado da
dessa substâncioa, não altera significativamente o pH da água tratada, uma vantagem
importante em relação aos sais de alumínio (Ndabigengesere & Narasiah, 1996).
Por outro lado, o quiabo contém uma alta concentração de polissacarídeos e ésteres de
cadeia longa que lhe conferem propriedades floculantes. A sua mucilagem actua como um
polímero aniónico que, em solução aquosa, interage com partículas suspensas, promovendo a
agregação e sedimentação dessas partículas. Esses compostos permitem que o quiabo seja
utilizado tanto na forma de pó quanto de mucilagem para a clarificação da água, sendo eficaz
Por: Marciela, Bárcio & Hermínia
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na redução da turbidez e na remoção de contaminantes físicos (Bathista et al., 2001). Estudos
mostram que o quiabo também apresenta potencial para remover óleo e partículas oleosas da
água, o que expande sua aplicabilidade em cenários com múltiplos tipos de contaminação
(Lima, 2007).
Além da facilidade de obtenção e preparação, ambos os coagulantes oferecem uma
solução sustentável e de baixo custo, especialmente em regiões precárias. A Moringa oleífera
já é cultivada em muitas regiões de Moçambique, e o quiabo é amplamente consumido como
alimento, o que potencializa sua utilização como recurso local para o tratamento da água. O uso
de coagulantes naturais como esses oferece não apenas uma alternativa ecológica, mas também
uma oportunidade de promover o desenvolvimento local e a autossuficiência das comunidades
rurais.
Este estudo tem como objectivo avaliar a eficácia da Moringa oleífera e do quiabo
como coagulantes naturais para a purificação de água contaminada, utilizando condições
experimentais que simulam a realidade encontrada nas áreas rurais de Nampula. Pretende-se,
ainda, comparar a eficiência desses métodos em relação aos coagulantes químicos
convencionais e explorar suas potencialidades em termos de sustentabilidade e impacto na
saúde.
2 METODOLOGIA
O estudo foi conduzido com o objectivo de avaliar a eficácia dos coagulantes naturais
Moringa oleífera e quiabo no tratamento de água contaminada. Para tal, o experimento foi
dividido em três fases consecutivas, com ajustes metodológicos para ampliar a análise da
eficácia dos coagulantes em diferentes cenários de contaminação.
2.1 Materiais
Os seguintes materiais foram utilizados em todas as fases do experimento:
• Água de poço;
• Terra argilosa;
• Moringa oleífera (sementes secas trituradas);
• Quiabo fresco (fatiado em aproximadamente 4 mm);
• Pano fino para filtração;
• Luvas, óculos de proteção e avental;
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• Copos de vidro transparentes (capacidade variada conforme a fase).
2.2 Procedimentos Gerais
As etapas de preparação e tratamento da água seguiram o mesmo formato básico em
todas as fases, com pequenas variações quanto ao volume de água, quantidade de contaminantes
e presença de óleo. A seguir, os procedimentos comuns a todas as fases:
1. Preparação dos materiais: as sementes de moringa oleífera foram descascadas e
trituradas até se tornarem um pó fino. O quiabo foi cortado em fatias finas de
aproximadamente 4 mm.
2. Contaminação da amostra: a água de poço foi contaminada com 2 colheres de terra
argilosa para simular condições de alta turbidez. Em algumas fases, óleo vegetal foi
adicionado como segundo contaminante.
3. Tratamento da água:
• O primeiro copo recebeu pó de Moringa oleífera.
• O segundo copo recebeu fatias de quiabo.
• O terceiro copo permaneceu como controle (sem tratamento).
4. Agitação e sedimentação: Todos os copos foram agitados manualmente por 3 minutos
e deixados em repouso por 45 minutos para sedimentação.
5. Filtração: Após o período de sedimentação, a água foi filtrada através de um pano fino,
e as características visuais (turbidez, coloração, presença de sedimentos) foram
observadas.
2.3 Fase 1: Avaliação Exploratória
Nesta fase, o objetivo foi avaliar a viabilidade inicial dos coagulantes naturais utilizando
um pequeno volume de água (100 ml) contaminada com terra argilosa.
• Procedimentos Específicos:
1. Cada copo recebeu 100 ml de água contaminada com terra argilosa.
2. Foi utilizada a quantidade padrão de 2 colheres de sopa de pó de Moringa e 40
fatias de quiabo.
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Saliente-se que, o foco desta fase foi ajustar a quantidade de coagulantes e tempo de
sedimentação, observando o comportamento inicial das amostras e realizando ajustes para as
fases subsequentes.
2.4 Fase 2: Execução Principal
Na segunda fase, replicou-se o experimento com maior rigor e padronização, mantendo
as mesmas condições da Fase 1, porém com foco em observações mais detalhadas das
características visuais da água após o tratamento.
• Procedimentos Específicos:
1. Mantiveram-se os 100 ml de água contaminada com terra argilosa em cada copo.
2. A análise visual incluiu a observação da claridade da água, coloração residual, e
formação de flocos.
2.5 Fase 3: Aplicação com Maior Volume e Adição de Óleo
A terceira fase foi realizada com um volume maior de água (500 ml) e a adição de óleo
vegetal (5 ml), além da terra argilosa, para simular condições mais desafiadoras de
contaminação.
Procedimentos Específicos:
1. Foram utilizados 500 ml de água de poço contaminada com terra argilosa e 5 ml
de óleo vegetal em cada copo.
2. As observações focaram-se na capacidade dos coagulantes de remover partículas
oleosas e sólidos suspensos, além da coloração residual e presença de
sedimentos, incluindo a detecção visual de ferro (sedimentos avermelhados).
2.6 Limitações do Estudo
Em todas as fases, a ausência de equipamentos laboratoriais adequados restringiu as
análises químicas detalhadas, como a medição de pH, a identificação de microrganismos, e a
avaliação de sabor e odor. Tais análises estão previstas para futuras fases do estudo, com a
disponibilidade de recursos técnicos mais avançados.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos nas três fases do experimento confirmam o potencial dos
coagulantes em estudo no processo de purificação de águas contaminadas. Em todas as fases,
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observou-se uma redução significativa da turbidez e a formação de flocos sedimentáveis,
evidenciando a capacidade coagulante e floculante desses materiais. No entanto, variações na
eficiência foram observadas, dependendo das condições específicas de cada fase experimental.
Na primeira fase, de caráter exploratório, o foco foi avaliar a viabilidade inicial dos
coagulantes utilizando 100 ml de água contaminada com terra argilosa. Os resultados indicaram
uma sedimentação visível das partículas em suspensão, tanto no tratamento com Moringa
quanto com quiabo. No entanto, observou-se que, apesar da redução da turbidez, a água tratada
com Moringa oleífera apresentou uma coloração residual amarelada. Por sua vez, o quiabo
resultou em uma água mais clara, mas com uma redução significativa no volume disponível
após a filtração, o que limitou sua eficácia em termos de rendimento.
Dando continuidade ao estudo, a segunda fase repetiu o experimento com maior rigor
metodológico, mantendo o volume de 100 ml e as mesmas condições de contaminação. Nesta
etapa, os resultados foram consistentes com a fase anterior, confirmando a capacidade
coagulante da Moringa oleífera, que conseguiu reduzir a turbidez da água significativamente,
porém ainda com coloração residual. O quiabo, por outro lado, continuou a apresentar maior
clareza da água, mas novamente com a perda de volume tratável. Essas observações indicam
que ambos os coagulantes são eficazes na remoção de sólidos suspensos, mas apresentam
limitações que precisam ser ajustadas, especialmente em relação à coloração residual da
Moringa e à perda de volume no tratamento com quiabo.
A terceira fase do experimento introduziu um volume maior de água (500 ml) e a
adição de óleo vegetal como segunda fonte de contaminação, simulando uma situação mais
desafiadora. Os resultados mostraram que a moringa manteve sua capacidade de reduzir a
turbidez, com uma sedimentação clara das partículas, embora a coloração residual continuasse
presente. O quiabo, por sua vez, demonstrou uma capacidade superior na remoção de óleo,
resultando em uma clarificação mais eficiente da água, com a formação de flocos maiores e
mais densos. Contudo, a limitação da redução de volume tratável persistiu.
Além da remoção de turbidez e óleo, a presença de sedimentos avermelhados no fundo
dos copos tratados sugere a presença de ferro na água, que foi detectada visualmente. No
entanto, devido à falta de equipamentos adequados, não foi possível realizar uma análise
quantitativa desse elemento. A observação visual, embora limitada, reforça a necessidade de
uma análise mais aprofundada nas fases futuras do estudo, com o suporte de ferramentas
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laboratoriais que permitam uma avaliação completa dos parâmetros de qualidade da água, como
pH, presença de microrganismos, sabor e odor.
No geral, os resultados obtidos demonstram que tanto a Moringa oleífera quanto o
quiabo são coagulantes naturais eficazes, especialmente em contextos onde a infraestrutura
tecnológica é limitada. A Moringa destaca-se pela sua simplicidade de uso e eficiência na
remoção de sólidos suspensos, enquanto o quiabo mostrou-se mais adequado para a remoção
de óleos e partículas oleosas. Contudo, ambos os materiais apresentam desafios que precisam
ser superados para maximizar seu uso em larga escala. A Moringa oleífera requer ajustes para
reduzir sua coloração residual, enquanto o quiabo necessita de melhorias no processo para evitar
a perda de volume tratável.
Os resultados sugerem que ambos os coagulantes naturais têm o potencial de contribuir
significativamente para a purificação de água em áreas rurais de Moçambique, especialmente
em contexto como Nampula, onde o acesso a água potável tratada é limitado. No entanto,
estudos futuros serão necessários para melhorar a eficiência desses materiais e validar suas
propriedades em contextos mais diversos, incluindo a análise de parâmetros químicos e
microbiológicos mais detalhados.
4 CONCLUSÕES
Este estudo como tratado pelo autores, da fase iniciada sobre a utilização de Moringa
oleífera e quiabo para a purificação de água em um contexto como Nampula mostrou que ambos
os materiais são alternativas promissoras e acessíveis para áreas com infraestrutura limitada.
Este estudo de fase iniciada (conforme tratado pelo autores), avaliou a eficácia da moringa
oleífera e quiabo como coagulantes naturais para a purificação de água contaminada, com
resultados promissores em todas as fases experimentais. Ambos os coagulantes demonstraram
capacidade significativa de redução da turbidez e clarificação da água, tornando-se alternativas
viáveis e de baixo custo para regiões com infraestrutura limitada, como a província de Nampula,
em Moçambique.
A Moringa oleífera apresentou uma boa eficiência na remoção de partículas suspensas,
com a formação de flocos que se sedimentaram rapidamente, embora a coloração residual da
água seja um ponto a ser aprimorado. O quiabo, por sua vez, mostrou maior eficiência na
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remoção de partículas oleosas e na clarificação da água, mas apresentou a limitação da redução
do volume de água tratável.
Apesar dos resultados positivos, o estudo enfrentou algumas limitações importantes,
como a ausência de análises laboratoriais detalhadas, especialmente em relação a parâmetros
como pH, sabor, odor e presença de microrganismos. Estas análises são fundamentais para uma
avaliação completa da qualidade da água tratada e devem ser incluídas em futuras etapas do
estudo. Além disso, a eficácia dos coagulantes em volumes maiores de água e em diferentes
cenários de contaminação também deve ser investigada mais profundamente.
Concluímos que tanto a Moringa oleífera quanto o quiabo são opções sustentáveis e
acessíveis para a purificação de água em áreas rurais, oferecendo uma alternativa prática aos
métodos convencionais de tratamento, que podem ser economicamente inviáveis nessas
regiões. Futuras pesquisas devem focar na otimização dos processos de purificação com esses
materiais, garantindo que eles sejam ainda mais eficientes e aplicáveis em larga escala. A
implementação desses coagulantes naturais pode ter um impacto positivo direto na saúde
pública e no acesso à água potável em comunidades com infraestrutura precária, contribuindo
para a melhoria das condições de vida e para o desenvolvimento sustentável.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Amagloh, F. K., & Benang, A. (2009). Eficácia das sementes de Moringa oleífera como
coagulante natural para purificação de água. African Journal of Agricultural Research,
4(1), 119-125.
Bathista, E. R., Lima, N. C., & Silva, R. C. (2001). Propriedades floculantes do quiabo no
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Benevides, S. P., Gonçalves, F. P., & Macamo, R. (2015). Uso da Moringa oleífera na
alimentação e medicina tradicional em Moçambique. Revista de Estudos Rurais, 11(3),
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Lima, N. C. (2007). Propriedades físico-químicas de polímeros naturais: Aplicações na
clarificação de água. Revista Química Nova, 30(5), 1245-1251.
Ndabigengesere, A., & Narasiah, K. S. (1996). Qualidade da água tratada por coagulação
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Por: Marciela, Bárcio & Hermínia
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Por: Marciela, Bárcio & Hermínia