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Meteoros e Meteoritos: Diferenças e Impactos

O documento aborda a diferença entre meteoros, meteoritos e meteoróides, explicando como os meteoros se formam ao entrar na atmosfera terrestre e se tornam meteoritos se atingirem o solo. Também discute as chuvas de meteoros, suas origens e tipos de meteoritos, além dos riscos associados a impactos de asteróides na Terra. Estima-se que impactos significativos ocorram em intervalos de tempo variados, com consequências que podem ser devastadoras dependendo do tamanho do corpo celeste.

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Meteoros e Meteoritos: Diferenças e Impactos

O documento aborda a diferença entre meteoros, meteoritos e meteoróides, explicando como os meteoros se formam ao entrar na atmosfera terrestre e se tornam meteoritos se atingirem o solo. Também discute as chuvas de meteoros, suas origens e tipos de meteoritos, além dos riscos associados a impactos de asteróides na Terra. Estima-se que impactos significativos ocorram em intervalos de tempo variados, com consequências que podem ser devastadoras dependendo do tamanho do corpo celeste.

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METEOROS, METEORITOS E IMPACTOS

Meteoros vs. Meteoritos

Dá-se a queda de um meteoro quando poeiras do Sistema Solar entram na atmosfera terrestre
deixando no céu um rasto luminoso à sua passagem.

Se o meteoro possui uma grande dimensão e atinge o solo sem ser vaporizado, chama-se
então meteorito.

As partículas que dão origem aos meteoros e meteoritos chamam-se meteoróides. Os


meteoróides são partículas de material que se encontra no interior do Sistema Solar e que são
demasiado pequenas para serem chamadas de asteróides ou cometas.

O fenómeno da formação do rasto luminoso do meteoro ou meteorito deve-se à fricção do


meteoróide com a atmosfera, o que cria uma incandescência temporária no material que o
constitui.

Esta fricção torna-se significativa a altitudes da ordem dos 80 a 110 km.

Leónida

Figura 1 - Fotografia de um meteoro da chuva Leónidas, de 17 de Novembro de 1998.

Crédito: Lorenzo Novato

Outra leónida

Figura 2 - Outra imagem de um meteoro das Leónidas, desta vez do ano 2001. A nuvem aqui
visível é parte do rasto de detritos deixados pela sua passagem, resultante um compósite de
duas imagens separadas, uma do meteoro e outra da nuvem.

Crédito: John Pane

O termo meteoro vem do termo grego meteoron que significa "fenómeno no céu". Em
linguagem corrente é vulgar chamar estrela cadente a este fenómeno.

Num local escuro, é possível observar ao longo de uma noite normal a queda de duas ou três
estrelas cadentes. Numa das chuvas de meteoros que ocorrem anualmente podem ser
observadas cadências de queda da ordem das centenas por hora.
Ocasionalmente, ocorrem meteoritos que são mais brilhantes que qualquer estrela ou planeta
visível no céu nocturno.

Estes objectos são chamados "bolas de fogo" (fireballs) e dão normalmente origem a
meteoritos.

Quem veja uma fireball poderá fazer o relato da sua observação no site
[Link] de modo a poder fazer-se o rastreio da sua trajectória
e tentar encontrar-se o seu local de impacto provável no solo.

Quando os meteoróides ocupam órbitas fixas e que podem ser claramente determinadas, são
chamados componentes de fluxo, sendo os restantes chamados de componentes esporádicos.

A maior parte dos componentes de fluxo foi libertada pela cauda de cometas, pelo que
poderão ser encontrados na órbita do cometa.

Quando a Terra intercepta a órbita de um cometa numa região do espaço, embate


violentamente contra os meteoróides que ficaram da passagem do cometa.

A violência do embate, mais que devido à velocidade dos meteoróides, é devida à velocidade a
que a Terra se desloca. Recorde-se que a Terra se desloca com uma velocidade linear de 29
km/s (ou seja, 104,400 km/h).

Quando a Terra intercepta a órbita de um cometa, existe a formação de uma grande


quantidade de meteoros, resultando na ocorrência de uma chuva de meteoros.

Uma chuva de meteoros tipicamente dura vários dias, com um máximo no dia em que a Terra
atravessa a região central do feixe de meteoróides deixado pelo cometa.

Chuva de meteoros

O máximo da chuva de meteoros apenas poderá ser visualizada pelo observador que esteja
virado à noite para a região do espaço onde ocorre o choque da Terra com os componentes de
fluxo.
Por vezes as pessoas dizem que os cientistas previram uma chuva de estrelas, mas apenas
viram alguns meteoros.

Isso deve-se ao facto de não ser exacta a previsão da hora a que a Terra passará sobre a região
de maior densidade de componentes de fluxo, por que o fluxo se movimenta de ano para ano;
assim, a passagem por essa região pode dar-se a uma hora que em Portugal seja de dia sendo
noite nos antípodas, o que inviabiliza a observação do máximo no nosso país.

Durante uma chuva de meteoros a maior parte dos meteoros parece vir da mesma região do
céu, recebendo essa região o nome de radiante. Veja quais são e quando ocorrem as principais
chuvas de meteoros na tabela do lado.

Tipos de Meteoritos

Como já referimos, quando um meteoróide não é totalmente desintegrado pela atmosfera, a


componente que atinge o solo chama-se meteorito.

Chuva

Data

Meteoros

por hora

Cometa

Responsável

Quadrântidas

3/01

Até 100

---
Liridas

22/04

15

Thatcher

Eta Aquáridas

5/05

20

Halley

Delta Aquáridas

28/07

35

---

Perseídas

12/08

65

Swift-Tuttle
Oriónidas

22/10

35

Halley

Tauridas

3/11

15

Enke

Leónidas

17/11

15

(muitovariável)

Temple-Tuttle

Geminidas

14/12

50
Asteróide

3200 Phaeton

Ursidas

23/12

20

Tuttle

Tabela 1 - As principais chuvas de meteoros anuais. Os valores apresentados para a


intensidade podem variar consoante a escuridão do céu e a intensidade da chuva que depende
da forma como se dá o impacto entre a Terra e os componentes de fluxo. Têm sido relatados
valores até quatro vezes maiores.

Os meteoritos são principalmente de três tipos: Ferrosos, Ferro-Rochosos e Rochosos.

Dentro dos rochosos é comum fazer uma separação em condrites, condrites carbonáceas e
acondrites.

Figura 3

Tipo: Ferrosos

Composição: Principalmente ferro e níquel, semelhante a alguns asteróides (tipo M).

Figura 4

Tipo: Ferro-rochosos
Composição: Misturas de ferro e material rochoso, como em alguns tipos de asteróides (tipo
S).

Figura 5

Tipo: Condritos

Composição: São de longe os meteoritos mais abundantes; a sua composição é semelhante à


do manto terrestre.

Figura 6

Tipo: Condrites-carbonáceas

Composição: Similar à dos asteróides do tipo C.

Figura 7

Tipo: Acondritos

Composição: Semelhante aos basaltos terrestres. Quase todos os meteoritos que se julgam
originários da Lua ou de Marte são acondritos.

Figura 8 - O Meteorito Hoba, o maior meteorito do mundo, descoberto em 1920. Pesa cerca de
66 toneladas.

Impactos

Nem todos os meteoritos são vistos a cair; na realidade isso apenas acontece em cerca de 33%
dos casos. Quando um meteorito é visto cair é identificado com uma queda. Quando é
encontrado depois de cair no solo considera-se uma descoberta.

A relação entre quedas e descobertas é dada na seguinte tabela.

Tipo

Queda (%)

Descoberta (%)

Massa total das quedas (kg)


Massa total dos descobertos (kg)

Rochoso

95.0

79.8

15,200

8,300

Ferro-rochoso

1.0

1.6

525

8,600

Ferroso

4.0

18.6

27,000

435,000

Tabela 2 - Relação entre quedas e descobertas de meteoritos.

Crédito: Vagn F. Buchwald

Conhece-se perto de uma dúzia de meteoritos com massa superior a dez toneladas, o maior
dos quais (66 toneladas) é o de Hoba, na Namíbia.
Quanto a eventuais riscos para a segurança de pessoas e bens, estes são bem reais. Além de
alguns acidentes menores, é provável que em 1490 umas dez mil pessoas tenham morrido na
China devido à colisão de um pequeno asteróide.

O maior meteorito recolhido até hoje em Portugal tinha 162 kg e foi descoberto em Moreira
do Lima, localidade da margem direita do rio do mesmo nome. A descoberta, totalmente
casual, foi feita em 1877 num campo coberto de mato, a mais de um metro de profundidade,
desconhecendo-se há quanto tempo ocorreu a queda.

Muito mais recentemente, tivémos o meteorito de Ourique, que caiu no dia 28 de Dezembro
de 1998 e pesava perto de 20 quilogramas, e o do Sabugal, cuja queda se deu a 27 de
Novembro do ano seguinte, mas de que se recolheram apenas pequenos fragmentos.

Os maiores meteoritos são o resultado de asteróides que na sua órbita se cruzam com a órbita
do planeta Terra.

Existem provavelmente mais de 1000 asteróides com mais de 1 km de diâmetro que cruzam a
órbita do planeta Terra. Pensa-se que a Terra é atingida por um destes asteróides, em media
uma vez em cada milhão de anos.

Os asteróides de maiores dimensões são menos numerosos e os impactos menos frequentes,


mas quando ocorrem têm consequências devastadoras como terá ocorrido há 65 milhões de
anos com a extinção dos dinossauros.

Asteróides destas dimensões como o que deu origem à cratera de 180 km que agora se
encontra coberta de floresta próximo de Chicxulub na Península do Yucatão são muito mais
raros sendo de prever que ocorra um impacto por cada 100 milhões de anos em média.

O impacto de asteróides na superficie terrestre tem sido alvo de estudos. A partir destes é
possível apresentar algumas estimativas das consequências dos impactos de várias dimensões.

Figura 9 - Ilustração de artista de um impacto de um meteorito na Terra.

Crédito: Don Davis


Diâmetro no impacto (metros)

Massa (x109 kg)

Recorrência (anos)

Consequências

< 50

< 10

<1

Meteoros que atingem o cimo da atmosfera, embora a maior parte da massa não atinja o solo,
desintegrando-se em fragmentos que na sua maioria são vaporizados.

75

10 - 100

1000

Os ferrosos fazem crateras como a Meteor Crater (Arizona); os rochosos produzem rastos de
fogo como Tunguska; os impactos sobre o solo podem destruir áreas do tamanho de uma
cidade.

160

100 - 1000
5000

Os impactos no solo destroem a área de uma grande zona urbana como Nova Iorque ou
Tóquio.

350

entre 1000 e 10,000

15,000

Impactos em terra destroem áreas do tamanho de uma província (Beira Alta); O impacto no
mar produz tsunamis pequenos.

700

entre 10,000 e 100,000

63,000

O impacto em terra destrói áreas do tamanho de um país pequeno (Portugal); o impacto no


oceano faz grandes tsunamis.

1,700
entre 100,000 e 1,000,000

250,000

O impacto em terra destrói áreas do tamanho de um país médio (França); o impacto no


oceano faz tsunamis gigantescos. Pode provocar extinções maciças.

Tabela 3 - Estimativas das consequências do impacto de um asteróide.

Crédito: Dados extraídos de "The Impact Hazard", por Morrison, Chapman e Slovic, publicado
em "Hazards Due To Comets And Asteroids".

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