Escola: Instituto Gaylussac
Aluno: Paulo Henrique hora Mota
Professor(a): Tigran Magnelli
Data:03/08/2024
Uma Escuridão Bonita
Ele olhava para o prédio que fôra
construído por uma empresa britânica,
atrás de nós havia uma praça bem antiga e
conhecida por muitos ao seu redor. À
esquerda, uma curva onde passavam
poucos carros. Ele não sabia, mas quando
um carro fizesse aquela curva, íamos ter o
Cinema Bu.
- Estás a fazer festinhas no meu dedo ou no
dedo da minha avó?
- Nos dois – ele respondeu com um sorriso
quente.
Eu não sabia se devia explicar o que era o
Cinema Bu,ou se devia deixar que ele
descobrisse. Se calhar o melhor era esperar
um carro passar. Há coisas que entram
pelos nossos olhos chegam aos nossos
corações sem palavras de explicação.
Ao distante um barulho de um carro. Olhei
a parede em frente, como se já estivesse a
começar o Cinema [Link] olhou também, e
estranhou que a parede continuasse
branca. Na verdade, ela estava cinzenta,
pois só a luz da lua alumiava a varanda.
Um carro barulhento aproximou-se da
curva, diminuiu a velocidade. Uma luz forte
e dupla invadiu a varanda da avó Dezanove,
estreando na nossa noite escura uma
sensação de Cinema Bu.
O carro fez a curva devagar, as sombras
das árvores, dos morcegos, as nossas
próprias sombras mais a sombra da mão
dele a mexer na minha coxa, tudo ao redor
aparentava ter ganhado vida.
-Conta-ele pediu
-A minha avó Dezanove sofreu uma
agressão de soviético, que lhe partiu uma
garrafa de vinho no pé.
-Empresta-me teus lábios.
Era um beijo num Arco-Íris, nuvens que
dançavam no vai-e-vir do vento. Um beijo
todo adocicado, sem nenhuma palavra para
descrever.
-Porquê que inventas estórias-ele
perguntou.
-Para a nossa escuridão ficar bonita.