REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
PROCURADORIA DA REPÚBLICA-CIDADE DE MAPUTO
CURADORIA DE MENORES
MERITÍSSIMO JUIZ PRESIDENDE DO
TRIBUNAL DE MENORES DA
CIDADE DE MAPUTO
O Curador de Menores junto deste Tribunal, vem em representação do menor Kayller Yago
Mabote ao abrigo dos artigos 235 da Constituição da República de Moçambique, pontualmente
revista pela Lei n° 1/2018, de 12 de Junho; alínea c), do artigo 4 da Lei n° 1/2022, de 12 de
Janeiro; artigo 18 e número 2 do artigo 128 da Lei da Organização Tutelar de Menores,
aprovada pela Lei n˚ 8/2008, de 15 de Julho; número 1 do artigo 16°/A do Código de Processo
Civil, propor e fazer seguir acção de Regulação do Poder Parental contra:
● Josefina Abel Manuel One, solteira de 31 anos de idade, desempenhando a Função de
Policia na 11ª esquadra, filha de Abel Manuel Jone e de Georgina Dinheiro, natural de
Maputo, residente no Bairro Zimpeto, Distrito Municipal Kamubukuana, Quarteirão 61,
Casa nº 15, rua de chiure e contactável pelo numero 844294801, e
● Filimone Mário Mabote, solteiro de 38 anos de idade, desempenhando a função de
transportador na empresa Mozal, filho de Mário Mabote e de Esperança Judite, natural de
Inhambane e residente no Bairro Tsalala, Quarteirão 17, Casa nº 03, Rua Alfredo Nantete
e contável pelo numero 874728630
Arrogando-se dos factos e fundamentos seguintes:
DOS FACTOS
Os requeridos tiveram uma relação amorosa com trato sexual, por um período de um ano;
Neste período de envolvimento sexual, a requerida mãe ficou grávida e nasceu uma criança, de
sexo masculino no dia 24 de Junho de 2021, conforme o Boletim de nascimento, lavrado na 2ª
Conservatória de Registo Civil de Maputo, conforme documento em anexo.
O menor sempre viveu com a sua mãe e nunca se separaram.
A requerente não quer se separar do menor, ou seja, pretende viver com o menor, pois, ainda é
pequeno, só tem apenas 2 anos de idade e necessita ainda dos cuidados minuciosos da mãe.
E, por estar numa fase de introdução alimentar, o menor tem despesas e necessidades mensais
que se resumem as seguintes: rancho no valor de 4,000,00 (quatro mil meticais), Creche no valor
de 3500,00 (três mil e quinhentos meticais), vestuário no valor de 3,000,00 (três mil meticais),
totalizando um valor de 10,500,00 mts (dez mil e quinhentos meticais).
DO DIREITO
O exercício do poder parental é da estrita responsabilidade dos pais. Responsabilidade parental
consiste no especial dever que incumbe aos pais de, no superior interesse dos filhos
providenciarem a sua assistência e protecção em todos os aspecto, incluindo a sua orientação
académica e promovendo o seu desenvolvimento são e harmonioso, nos termos preceituados no
n˚.4 do art.120 da CRM, n˚.1 do art.293 da LF, art.32 da LOTM e n˚.1 do art.18 da Convenção
sobre os Direitos da Criança (CDC), ratificada pela Resolução n˚.19/90, de 23 de Outubro.
Assim, todos os aspectos que envolvem menores, são zelados pelo Estado, pois trata-se de
menores com incapacidade de reger-se. Portanto, é dever do Estado velar pelos seus interesses
em qualquer circunstância. O n° 3 do artigo 47 da CRM conjugado com o artigo 3 da Convenção
sobre os Direitos da Criança e artigo 4, nº 1 da Carta Africa dos Direitos e Bem-Estar das
Crianças, estabelece que todos os actos relativos às crianças, quer praticados por entidades
públicas, quer por instituições privadas, têm principalmente em conta o superior interesse da
criança.
A responsabilidade parental, engloba a obrigação dos pais proverem ao sustento dos filhos e a
assumir as despesas relativas à segurança, saúde e educação, ate que eles estejam legalmente em
condições de as suportar através do produto do seu próprio trabalho ou de outros rendimentos,
nos termos do artigo 294 da Lei da Família, aprovada pela lei 22/2019 de 11 de Dezembro.
Os progenitores podem livremente convencionar, dentro das suas possibilidades, os termos do
exercício do poder parental, pois, nos termos do artigo 322, nº3 da Lei da Família, aprovada pela
lei 22/2019 de 11 de Dezembro, em caso de separação de facto, bem como de cessação da união
de facto, os progenitores podem acordar sobre o modo do exercício do poder parental que é
homologado pelo tribunal competente.
10
Na falta de acordo ou da sua recusa, o tribunal competente decide sobre o destino do menor, os
alimentos que lhe são devidos e a forma de os prestar, confiando-o à guarda de um dos pais ou,
quando o superior interesse do menor o justificar, a outro familiar, a terceira pessoa ou a
instituição publica ou privada adequada nos termos do artigo 322, nº6 da Lei da Família,
aprovada pela lei 22/2019 de 11 de Dezembro.
DO PEDIDO
Encontrando-se o menor a residir com a mãe sem que esteja regulado o exercício do poder
parental por meio de acordo, o Curador de Menores, requer-se que:
● Seja judicialmente decidido o exercício do poder parental, nos termos preceituados no
artigo 326 da Lei de Família conjugado com a alínea f) do artigo 46 e 123, ambos da Lei
n° 8/2008, de 15 de Julho.
● A fixação de pensão de alimentos, nos termos do artigo 128, nº1 da Lei 8/2008 de 15 de
julho.
● A citação dos pais para uma conferência, nos termos preceituados no número 1 do artigo
118 da Lei n° 8/2008, de 15 de Julho.
Valor da Acção: 30.000,00 mts (Trinta Mil Meticais)
Junta:
● Cópia do B.I. da mãe;
● Boletim de Nascimento do menor.
● Lista de necessidades do menor
Maputo, 8 de Novembro de 2023
A Curadora de Menores
_________________________________________________
Rute Bento Manhisse
(Estagiária)
NB: colocar a alteração da CRM