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Adolescência, Poderes e Solidão de Célio

O texto narra a vida de Célio, um adolescente com habilidades extraordinárias, que se sente alienado e incompreendido por sua família e sociedade. Ele explora suas capacidades psíquicas enquanto lida com a pressão da adolescência, o uso de drogas e a busca por conexão humana. Célio reflete sobre sua existência, sua luta interna e a necessidade de encontrar pessoas semelhantes a ele em um mundo que parece hostil e indiferente.

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Lui Morais
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Adolescência, Poderes e Solidão de Célio

O texto narra a vida de Célio, um adolescente com habilidades extraordinárias, que se sente alienado e incompreendido por sua família e sociedade. Ele explora suas capacidades psíquicas enquanto lida com a pressão da adolescência, o uso de drogas e a busca por conexão humana. Célio reflete sobre sua existência, sua luta interna e a necessidade de encontrar pessoas semelhantes a ele em um mundo que parece hostil e indiferente.

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VERBAIS

Lui Morais

célio andava de um lado para o outro dentro do quarto, um adolescente cheio de


energia e de entropia, a sua mãe ficava nervosa e dizia pra ele ir fazer alguma coisa, ela
tinha medo de loucura marginalidade bichice droga ora ela não sabia de nada como ela
poderia saber um ser humano comum uma pessoa qualquer como iria perceber o que
realmente estava sucedendo com ele o que realmente ele estava aprontando sem sair do
lugar sem fazer nada errado sem nem fazer nada desde quando se entende por gente ele
sabe que não entende nada e também sabe com um insaber urgente que não é gente

ela faz tramas de fios e cozinha fibras na cozinha mas entretém-se vendo tv e não
pensando muito nos problemas do dia a dia da vida do marido do emprego dele da
vizinhança da carta anônima que denunciava amante no nano-dado de sentir mesclado
com pensar a micro-revolta que volta sem parar ela pensa que é melhor deixar pra lá e
não quer saber mais de se preocupar com esse filho cretino a gente só é adolescente uma
vez na vida a gente tem que aproveitar o momento orvalhado de manhã cedo

suportaria ou aguentaria ou se entusiasmaria e aí o que seria de


seu/meu/nosso/deles mundo imundo se tudo é ilusão menos a energia que flui sem parar
da palma da mão

aos sete anos célio descobriu que tinha estranhos poderes que outros não tinham
por exemplo: ele podia adivinhar um número que iria ser dito ou palavras que ainda
iriam aparecer aparentemente lendo a mente das pessoas que os iriam expressar mas
então haveria uma supermente englobante e concernente aos eventos não emanados dos
humanos pois ele também podia adivinhar um número aleatório ou ligado a um
fenômeno da natureza e as tramas casuais e ocorrências randômicas como se o mundo
fosse um computador quântico com memória infinita e programação aberta auto-criativa
e ele fosse uma espécie inexplicável de gênio infociberplástico que pudesse prever o
que não se podia prever pois não havia não era não acontecia ainda quem pode saber o
que não existe quem pode ver o que não está lá e ouvir o nada pois ele era isso mesmo
um pesquisador do nada que acertava numa estatística de 95 % suas antecipações safas
ele se sentia mal com isso mas se sentia bem com isso pois os outros ficavam assustados
e tentando provar que era tudo coincidência ou uma palhaçada qualquer então ele parou
de demonstrar mas não reprimiu suas capacidades que por outro lado lhe davam ele só
passou a praticá-las ocultamente tanto prazer

pois ele tinha ainda outras capacidades das quais tentava mesmo se convencer que
eram pura imaginação como no caso a no caso b no caso no caso em qualquer caso ele
logo teve que reconhecer que podia manipular as mentes e a matéria e fazer muitas
coisas com outras pessoas sem ser nem de leve responsabilizado por isso pois quem iria
acreditar que quem fez o zequinha cair da árvore aquele dia e se machucar foi o
coitadinho do célio que não tinha muque pro zequinha nem pra ninguém e além disso
estava quietinho no seu quarto naquela mesma hora

fez um teste de q.i. durante quarenta e cinco minutos e depois o somatório de suas
respostas revelou que ele tinha um q.i. “normal”, o que o fez rir um pouco por dentro,
porque ele não sabia como responder corretamente a muitas das perguntas que estavam
no papel à sua frente, como um aluno que não decorou os tópicos da prova, mas ele
podia mover aquele mesmo papel, somente com a força do seu pensamento, ou fazer a
canetinha flutuar na frente deles, e até podia ler a mente do cara que estava aplicando o
teste de q.i., e saber que, sem confessar a ninguém, ele também não acreditava nisto
às vezes é bem difícil parece que sou o único que sente as coisas realmente eles
têm medo e ódio de mim e por quê? o que eu fiz para eles? posso, e eles nem
suspeitariam, e no entanto aguento tudo. por que as coisas são assim? todos são
diferentes entre si, e até de si, todas as coisas são diferentes. Eles não podem entender
isso?

quis matar mas se segurou não acreditava em religiões seu pai era marxista
professor de história dialético materialista sua mãe era formada em física e desde
pequeno ele soube que as historinhas das religiões eram mito bobagem coisa pra criança
conversa pra boi dormir mas mesmo assim algo na sua percepção extra-sensorial lhe
disse não matarás e ele não matou bem que teve vontade muitas vezes quando o pai
bateu nele quando o primo bateu nele quando o tio bateu nele quando a professora bateu
nele quando alguns colegas bateram nele mas se segurou não queria matar isso o
enojava ele preferia fazer a pessoa ficar aleijada cair doente por muito tempo mudar prà
china ou alguma outra coisa assim se bem que mesmo isso ele raramente fazia o seu pai
por exemplo ele fez ficar um pouquinho mais inteligente manipulando sua mente obtusa
mas tanto que mesmo com todo o gigantesco potencial psicônico de célio ele só
conseguiu alterar a mente do Professor Beltrão um pouquinho mas foi coisa pra
caramba porque foi pra melhor

percebe-se logo que célio era estranho e alienígena entre nós pois era bom
não precisava fazer falcatruas na escola pra passar pois podia adivinhar as
respostas certas ele as via marcadas com seu olhar de ver no papel na prova em branco
com tinta verde ele via e era só marcar com tinta azul por cima depois a professora e/ou
o professor iriam ratificar sua antevisão com sua linda canetinha de tinta vermelha

às vezes ele chorava longo tempo no meio da noite mas depois de ele dormia

ele também podia ler as mentes óbvias de seus professores e as mais óbvias ainda
de todos os outros adultos adjacentes circundantes e era essa uma outra forma legítima
de tirar dez nas provas mas ele evitava quase sempre tirar dez preferia obter uma nota
qualquer entre oito e nove e meio como parte de sua camuflagem mesmo quem vivia
mais intimamente com ele como seus pais seu irmão não podiam ter certeza de todo seu
potencial parapsicológico mas mesmo com todo o disfarce eles bem que desconfiavam

namorou pouco mas bem gostava muito das pessoas adorava as mulheres e tinha
um carinho enorme pelas meninas em quem descarregava um carinho tão grande que
chegava a incomodar e machucar e incomodar, mas isto não quer dizer que ele batia em
mulher, de forma alguma, nunca fez isso, além de muito pacífico ele era muito mirrado,
a maioria de suas namoradas era mais forte que ele, mas é que às vezes sentia tanto
carinho represado dentro de si que quando se apaixonava e chegava a beijar a menina
amada o local onde ele beijava ficava muito vermelho, às vezes surgia uma hematoma
ali, como se tivesse lhe dado uma pancada

célio buscava formas de não sofrer ou sofrer menos como por exemplo o
vídeogame as prostitutas a paixão romântica por uma menina com sardas e cabelos
maria chiquinha a amizade crassa de seus colegas de idade (cronotópica) e ainda outras
drogas como drogas letras retretas cine e som. nada disso porém adiantava cada vez ele
sofria mais e não gostava de nada nem conseguia ser simpático pra ninguém, a anestesia
mais ótima por momentos pelo menos era a droga o álcool o maconha o xarope as
bolinhas e principalmente a cocaína que ele mesmo ia no alto do morro da favela do
movimento do tráfico comprar mais cada vez mais até uma vez em que ele percebeu que
morreu e não queria morrer tinha só quinze anos era muito novo ainda ainda havia
esperança de quê não sabia exatamente mas ele poderia por exemplo encontrar uma
menina como ele ou até mesmo algumas pessoas que fossem assim como ele e não se
sentir mais tão só tão um animal de fora um estranho um alienígena um et um desumano
que ele era mesmo porque sabia na sua inocência quase infantil mas ilustrada por muita
leitura ótica e mais ainda leitura psicônica ele sabia que ele e deveria haver outros como
ele eles eram a evolução da espécie nem um pouco natural mas resultado da luta do
humano pra sobreviver pra continuar uma pura intenção uma pura intenção do ser
umano não criado mas criando não havia ser humano nenhum essa espécie de macaco
evoluído dominante por hora é chamada de ser umano que quer dizer ser um, um tipo
qualquer de ser, mas com vontade de viver de fazer de realizar de criar por isso havia
religiões filosofias artes ciências tecnologias e sociedades todas as coisas que nós já
fizemos quer dizer que eles fizeram são um investimento uma colocação uma coloração
uma tentativa uma garrafa lançada ao mar uma armação que deu certo porque surgiu ele
célio era uma reposta juntamente com outros que se houvesse deveria haver e que por
isso mesmo sofria e cheirou tanta cocaína que teve um negócio e caiu fulminado ali no
seu quarto solitário enquanto na sala ao lado a família feliz e normal assistia bobagens
bestiais na televisão comum a todos os seres umanos por ora

considerava-se um cientista um investigador de ponta da consciência da vida do


tempo da matéria da eternidade do fluxo perpétuo do fogo do logos heraclítico sua
curiosidade sendo ilimitada seu prazer em descobrir e conhecer e pensar e criar é total

ele morreu mas não queria morrer e tudo isso e muito mais ele pensou nessa hora
então decidiu viver mais e dominou seu corpo seu cérebro seus músculos seus nervos
seu sangue suas glândulas e fez o corpo recomeçar a viver imediatamente um momento
depois e fez seu corpo eliminar a droga rapidamente pelo suor e se manteve vivo por
vontade própria até que sentiu que voltava ao normal a droga estava quase toda expelida
e seus sinais voltavam ao normal e ele pôde dormir sossegado e cheio de esperança da
nova esperança que ele mesmo inventara para si naquele milionésimo de segundo de
reencontrar o seu povo do futuro a pelo menos encontrar uma sua igual diferente uma
mulher complementar da raça nova da nova espécie que ele era e com quem ele sabia
sem nem saber como nem direito o que era isso que poderia ir ainda além e realizar algo
muito melhor e encontrar uma nova felicidade harmonia e paz

agora então você tem a sua própria casa que parece uma mansão, ela semelha uma
enorme construção onde você se perde por dias e dias, e, mesmo que ela só tenha um
quarto, uma sala, uma cozinha, um banheiro e uma televisão, ela parece uma
megaestrutura, uma metrópole inteira, toda povoada por milhões de seres que nem você
consegue com toda a honestidade explicar para si mesmo quem são – além, é óbvio,
mesmo de você

foi preciso ainda mais perícia e amor pela vida ou por algo que a vida pode te
revelar mais ainda do que para se ressuscitar foi preciso ainda mais força para não pirar
sendo tão diferente de todo mundo conhecido tão desconhecido e tendo que disfarçar o
tempo todo, e ainda cumprir as regras burocráticas e burras estúpidas entupidas deste
mundo, e ainda querer acreditar e continuar querendo e acreditando, e se manter bem e
são, e ainda continuar sendo o que sou
eu sou o superomem

quis estudar física na faculdade porque a física me parecia das coisas umanas a
mais superomina pelo menos foi assim que pareceu de longe mas ao penetrar na
academia e no mundo da ciência consuetudinária eu compreendi que toda a ciência todo
o saber toda a filosofia são as coisas mais umanas que existem, então, pra não frear meu
impulso gótico evolucionista e perpétuo movimento vetorial ascendente eu fugi da
escola e de todas as tabelinhas baconianas disfarçadas e de todas as inequações
essencialmente erradas mesmo quando corretas e todas relações obtusas e abstrato-
concretas e todas as relaçõeszinhas que servem de cortina de fumaça pros seres umanos
viverem seus anos sem saber nada sem poder nada mas acreditando em fantasias baratas
em felicidade em lata em robô de seriado tigre de papel e mágico de oh!s isto é eu
descobri que a ciência é mais uma das inúmeras religiões dos umanos

resolvi aprender uma língua relativamente fácil (pela facilidade de ensiná-la a


essas pessoas obtusas, não mais), e que tivesse procura e interesse comercial. A escolha
óbvia seria o inglês, naquela época o espanhol ainda não entrara na moda. Mas eu
preferi estudar o francês, e me tornei professor particular e em cursinho do idioma; não
que essa fosse a minha vocação, longe disso, mas apenas como parte da composição da
minha camuflagem, pra eu ter uma profissão e ninguém notar mais essa desigualdade
em mim; e também pra arrumar um pouco de grana pràs necessidades básicas, que eram
só parte da base da estrutura maior que contanto poderiam jurar que ele era o mais
comum e normal dos homens, até mesmo um tanto medíocre
às vezes eu me sinto como se eu fosse o homem invisível, as pessoas passam por
mim e não olham, parecem que não veem, ou fingem não ver? não sei dizer; eu já me
angustiei muito com isso, agora tento deixar pra lá. às vezes não ser visto (ou não
quererem nos ver) por pessoa alguma pode ter tremendas vantagens pessoais, isto é, em
termos de poder pessoal e de estratégia

e tentava não ficar amedrontado, sabendo que fortes emoções instintivas só o


atrapalhariam, obnublando de forma parcial e temporária seus poderes

e era justamente agora que ele mais precisava de seus poderes, para poder escapar

bem, estava tudo muito obscuro, então era melhor deixar pra lá, sem no entanto
realmente deixar pra lá, era melhor largar o assunto e relaxar, na medida do possível,
“esquecê-lo” , de certa forma, e se dedicar a outros assuntos: por exemplo, preparar a
aula que deveria dar amanhã
não vale a pena pensar em nada disto, tudo isto é velho e sabido, com seus trinta e
poucos anos célio se sente como se já tivesse vivido milênios, visto muito, é impossível
se ver e se saber tudo, mas presenciar certos acontecimentos deixa nas pessoas uma
sabedoria ancestral, mineral, telúrica, como os moradores das periferias, como os
homens centenários, e assim também o jovem célio, que via e ouvia e percebia as coisas
que se passavam na mentalidade das outras pessoas

sentia-se sozinho, sua enorme casa que era bem pequena pra ele parecia um
campo de luta entre ele e as forças inóspitas do universo que o visitavam, precisava
encontrar companheiros, alguém na face da terra deveria ter os seus mesmos poderes,
precisava de aliados, para poder driblar os poderes governamentais e industriais
transnacionais que estavam atrás dele e de outros como ele (e nesse instante um flash
percorreu seus pensamentos, e se estiverem usando telepatas e paranormais para
encontrá-lo, e aos outros paranormais?, e: como, em os encontrando, eles faziam para
cooptá-los, o que lhes davam em troca, ou sob que ameaças ou manipulações
conseguiam torná-los agentes seus?)

também sentia fome e sede da presença feminina, as poucas vezes que namorara
não dera nada certo, agora ele era um homem solitário, que provocava medo
inconsciente nas pessoas, e não era tão fútil e vazio que pudesse cultivar os interesses
em torno dos quais as mulheres pululam e que fertilizam sua leviandade

resolveu que precisava mudar, se mover, se mexer, sair dali, o mais rápido
possível, entrar em movimento, se ficasse preso no mesmo circuito as duas (e começou
a cogitar se outra megalópole ou uma cidadezinha seria melhor): não ia encontrar nada,
e ia ser encontrado
e foi

foi ela quem o encontrou. ele ouviu seu pensamento, primeiro, e depois viu sua
imagem. estava andando na rua, indo para o trabalho, querendo desistir de tudo, cansado
de se sentir tão só, necessitado de calor humano, e exausto da violência dos seres
humanos, os primatas selvagens da nossa dita civilização

quem é você? meu nome é clara

ela que falou

ela é clara e tem olhos doces, cabelos castanhos, mãos suaves, veste-se sempre
muito bem

pensou que era um sonho, um delírio, uma ideia, até que a viu parada no mesmo
ponto de ônibus onde ele todo dia ia pra casa. com suas aulas de francês ele não tinha
conseguido amealhar dinheiro o suficiente pra comprar um carro

oi. oi. você é célio. sou. você é clara? sou. você também pode ouvir? tente não
falar, ouça o que lhe digo, sem escutar som, só nós dois saberemos o que estamos
pensando, juntos. ela falou pra ele com os lábios sorrindo, entreabertos, sem se
moverem. ele nunca tinha visto antes alguém assim, exatamente como ele. o que nós
somos, clara, querida, meu amor, minha irmã, minha vida, minha mulher, o que nós
somos, o que eu sou, o que você é, por que nós somos assim? eu nasci assim, querido.
eu também. você sofreu muito? eu sempre me lembro dos versos do pessoa, tudo vale a
pena se a alma não é pequena. eu penso em einstein, que foi reprovado na escola,
chamado de burro, era o pior aluno de física da faculdade. você me perguntou o que nós
somos. é. você tem alguma ideia? comigo mesmo muitas vezes pensei nisso. e..? a
evolução. é

foram morar no tão sonhado interior, numa casa afastada da cidadezinha pequena,
longe do litoral, um chalé no meio da floresta, onde às vezes passavam caboclos com o
chapéu na mão e um cigarro na boca, e diziam: taaaade, como vai vossimicê? cum
licença de sua sinhoria. e seguiam andando, pra dentro do mato, pra caçar, pra pescar,
pra pegar planta

adora seu mundo, aqui ele se sente na terra, a terra começa aqui, o umbigo do
mundo, esta vegetação, a comida que clara faz, o aprendizado de um com o outro, o
tempo todo sem fazer nada, e sabendo que tudo está certo

também passavam índios por ali, que ainda viviam em tribos, não sabiam o
português, falavam línguas que eles dois não conheciam. parecia que os índios também
eram telepatas, que eles sabiam o que os dois sabiam. vinham, ficavam, de longe,
falavam coisas ininteligíveis, dançavam, faziam largos gestos, pensavam coisas boas
sobre nós, deixavam presentes na pedra que fica do lado da casa

os anos se passaram e eles finalmente descobriram o seu caminho natural


uma bela noite a floresta foi iluminada pelo brilho que eles dois fizeram, sentados
na cama, um na frente do outro, nus, encostaram as palmas das mãos, sentindo o amor
total, e explodiram em fogo, viraram pura luz, foram para uma nova floresta
só os índios viajantes viram sua iluminação na noite

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