CRIPTOCOCOSE: PRINCIPAIS ASPECTOS E SUA IMPORTÂNCIA NA
SAÚDE PÚBLICA
JULIANE C. MIRANDA¹, SARA CAROLINA F. FALCÃO², MARCOS D. DA SILVA³, ANA FLÁVIA DE
4
CARVALHO
1 Medica veterinária autônoma, Rio Claro – SP
2 Residente do hospital veterinário HOVET – UNIFEOB, São João da Boa Vista – SP
3 Aluno do curso de Medicina Veterinária da Fundação de ensino Octavio Bastos - UNIFEOB, São João da Boa Vista –
SP
4 Professora de Ciências Morfológicas do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos - UNIFEOB, São
João da Boa Vista – SP
RESUMO: A criptococose é uma doença fungica sistêmica causada por Cryptococcus
neoformans, presente no ambiente e principalmente em fezes de pombos. A contaminação
ocorre via aerosol, e no organismo se dissemina por via hematógena. Diagnóstico pode ser
feito por cultura do fungo e testes sorológicos. O tratamento é feito com drogas antifúngicas e o
prognóstico varia de bom a ruim. Este tipo de infecção é comum em pacientes com AIDS.
PALAVRAS-CHAVE: criptococose, Cryptococcus neoformans, doenças sistêmicas, infecções
fúngicas.
INTRODUÇÃO
Criptococose é uma doença fúngica sistêmica que tem como agente o Cryptococcus
neoformans, encontrado na natureza em matéria rica em compostos nitrogenados,
preferencialmente em fezes de pombos. Em gatos, está associada às infecções virais por vírus
da imunodeficiência felina e vírus da leucemia felina, e raramente há comprometimento a nível
pulmonar (FERREIRA et al., 2007). A criptococose é uma doença infecciosa fúngica
considerada incomum, potencialmente fatal, que afeta o homem, gatos, cães, eqüinos e outras
espécies animais (MARCASSO et al., 2005). A criptococose pode acometer com maior
incidência felinos e raramente caninos, consequentemente, há poucos relatos na literatura de
manifestação da criptococose nessa espécie (MENEZES et al., 2002). O objetivo desta revisão
de literatura é elucidar os principais aspectos da criptococose e sua importância na saúde
pública.
REVISÃO DE LITERATURA
Etiologia
O agente causador da criptococose é a levedura Cryptococcus neoformans (C. neorformans),
seu comportamento é oportunista e cosmopolita, pode ser encontrado no solo, frutas, mucosa
oronasal e da pele de animais e pessoas saudáveis e, principalmente, do solo rico em excretas
de aves, particularmente de pombos (MARCASSO et al., 2005). A criptococose canina ocorre
em qualquer faixa etária e as raças grandes parecem ser as mais afetadas (FERREIRA et al.,
2007). Enquanto os pássaros não são afetados eles, aparentemente, abrigam o organismo de
forma comensal. Este microorganismo é raro em seres humanos com imunidade perfeita. Em
muitos pacientes a criptococose é a primeira indicação da AIDS. No Brasil é a sexta infecção
mais freqüente nestes pacientes. A meningite criptocócica ocorre num cenário de imunidade
deprimida (MENEZES et al., 2002).
Cadeia epidemiológica
Acredita-se que as infecções ocorram pela inalação dos esporos e sua deposição no trato
respiratório. A disseminação do agente dentro do organismo ocorre via hematógena
(MARCASSO et al., 2005). A infecção natural ocorre em animais e humanos, porém a
transmissão de animal para o homem não tem sido documentada assim como a transmissão
entre os humanos, embora tenha ocorrido transmissão entre órgão transplantado, onde o
doador tinha criptococose (LOPES, 2006).
Sinais Clínicos
Anais do 12º Encontro Acadêmico de Produção Científica do Curso de Medicina Veterinária - ENAVET –
UNIfeob – São João da Boa Vista, SP, 2011, ISSN 1982-0151
As lesões nas vias nasais podem causar inflamação nos ossos da face, o termo “nariz de
palhaço” é usado para definir o aspecto da lesão. O sistema nervoso central é o local de
predileção do microorganismo causando inclinação da cabeça e ataxia, seguido dos olhos, nos
quais se observam nistagmo (FERREIRA et al., 2007).
A síndrome respiratória é mais freqüente no gato e caracteriza-se por respiração estertorosa,
corrimento nasal mucopurulento, seroso ou sangüinolento, dispnéia inspiratória e espirros. A
síndrome mais comum em cães é a neurológica que pode apresentar-se como uma
meningoencefalomielite, desorientação e diminuição da consciência. Os sinais neurológicos
estão relacionados ao local da lesão. Na síndrome ocular observa-se uveíte anterior,
coriorretinite, neurite óptica, fotofobia, blefarospasmo, opacidade de córnea, edema
inflamatório da íris e ou hifema. A síndrome cutânea ocorre preferencialmente na pele da
cabeça e pescoço dos gatos. As lesões na derme caracterizam-se como nódulos múltiplos, de
crescimento rápido, firmes e indolores que tendem a ulcerar e drenar exsudato
serosangüinolento (MARCASSO et al., 2005).
Diagnóstico
Para o diagnóstico da criptococose são usados diferentes métodos dependendo da
manifestação clínica. Na suspeita de criptococose neurológica a infecção é diagnosticada após
identificação do agente no líquido cefalorraquidiano (LCR) por microscopia direta com
coloração de Gram ou tinta nanquim (MARCASSO et al., 2005).
O diagnóstico é feito por visualização do agente em exame citológico ou histopatológico. O
cultivo fúngico pode ser realizado e o exame sorológico mais confiável é o teste do antígeno
em látex, podendo também ser realizado com amostras de urina e líquido cefaloraquidiano.
Este ultimo exame pode ser usado como forma de monitoramento da resposta imunológica do
paciente ao tratamento pela titulação (FERREIRA et al., 2007). O diagnóstico é firmado por
informações obtidas à anamnese e ao exame físico, à citologia de lesões e ao cultivo de
material de secreções ou nódulos (MITCHELL e PERFECT, 1995).
Muitos ensaios diagnósticos têm sido testados, principalmente o exame de reação de
polimerase em cadeia, conhecido popularmente como PCR (DUNPHY, 2010).
Tratamento e Prognóstico
O tratamento pode ser realizado com anfotericina B, flucitosina, cetoconazol, itraconazol. Em
casos de envolvimento do sistema nervos central usa-se fluconazol (FERREIRA et al., 2007). O
antifúngico Vericonazol também pode ser usado, principalmente quando o paciente estiver
muito debilitado ou imunossuprimidos, ou quando houver resistência as outras drogas (NOBRE
et al., 2002). O tratamento da criptococose no SNC utilizando antifúngicos convencionais como
anfotericina B, cetoconazol e flucitosina individualmente ou em conjunto não mostraram bons
resultados, visto que estas drogas possuem capacidade limitada de alcançar concentrações
terapêuticas eficazes no SNC sem causar efeitos adversos (MARCASSO et al., 2005).
O curso do tratamento normalmente é longo, podendo levar de três meses a um ano. O
prognóstico é de razoável a bom para animais com infecção nasal ou cutânea, ruim em animais
com meningoencefalite e de reservado a desfavorável em infecções pulmonares (FERREIRA
et al., 2007).
Criptococose em seres humanos
A criptococose é uma doença conhecida a muitos séculos, porém com o aumento dos casos de
AIDS, esta doença está emergindo e sendo uma das principais causas de morbidade e
mortalidade causada por infecção nestes pacientes (MITCHELL e PERFECT, 1995;
CASADEVALL e PERFECT, 1998). A partir de 1990, houve aumento nos estudos sobre a
doença, que provocou muitas discussões e controvérsias sobre as características do C.
neoformans e os mecanismo de defesa do hospedeiro. A resposta imunológica mediada por
linfócitos THelper (CD4) são mais eficazes que a resposta mediada por linfócitos Tcitotóxicos
(CD8), embora este último, tenha importante papel na defesa do organismo (MITCHELL e
PERFECT, 1995).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Anais do 12º Encontro Acadêmico de Produção Científica do Curso de Medicina Veterinária - ENAVET –
UNIfeob – São João da Boa Vista, SP, 2011, ISSN 1982-0151
A criptococose é uma doença rara em cães e gatos, porém exige atenção devido ao seu
caráter zoonótico e sua importância na saúde pública. Controlar a população de pombos em
ambientes públicos e evitar os locais onde estes animais se encontram é a melhor forma de
profilaxia para indivíduos portadores de HIV.
REFERÊNCIAS
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DUNPHY, C. H. Molecular Pathology of Hematolymphoid Diseases. vol.4. Washington:
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FERREIRA, R. R; MACHADO, M. L. S; SPANAMBERG, A; BIANCHI,S. P; AGUIAR, J;
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NOBRE, M. O; NASCENTE, P. S; MEIRELES, M. C; FERREIRO, L. DROGAS ANTIFÚNGICAS
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RONDELLI, M. C. H; NOGUEIRA, A. F. S; ANAI, L. A; GAVA, F. N; BORIN, S; ONDANI, A. C;
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