0% acharam este documento útil (0 voto)
7 visualizações40 páginas

Cordas de Içamento: Alma de Fibra e Cálculos

O trabalho discute o dimensionamento de cordas de fio com alma de fibra para içamento de carga, destacando sua importância na segurança e eficiência de operações de movimentação. Utilizando uma planta hipotética, foram realizados cálculos para determinar o diâmetro adequado dos cabos que sustentam guindastes de contêineres. O relatório também aborda normas de segurança e a evolução histórica dos cabos de aço.

Enviado por

elder.junior
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
7 visualizações40 páginas

Cordas de Içamento: Alma de Fibra e Cálculos

O trabalho discute o dimensionamento de cordas de fio com alma de fibra para içamento de carga, destacando sua importância na segurança e eficiência de operações de movimentação. Utilizando uma planta hipotética, foram realizados cálculos para determinar o diâmetro adequado dos cabos que sustentam guindastes de contêineres. O relatório também aborda normas de segurança e a evolução histórica dos cabos de aço.

Enviado por

elder.junior
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

FACULDADE DE ENGENHARIA MECANICA


ENGENHARIA MECÂNICA

Ana Luiza Hallak


Julio Carlos Guedes de Assis
Thales Felipe Ferreira
Vinicius Freitas Julio

Cordas de fio para içamento de carga (Alma de fibra)

Juiz de Fora
2024
Ana Luiza Hallak
Julio Carlos Guedes de Assis
Thales Felipe Ferreira
Vinicius Freitas Julio

Cordas de fio para içamento de carga (Alma de fibra)

Projeto apresentado ao curso de Engenharia


Mecânica da Universidade Federal de Juiz de
Fora como requisito parcial à aprovação na
disciplina Elementos de Maquinas I.

Orientador: Prof. Dr. Yuri Jose Oliveira Moraes

Juiz de Fora
2024
Ficha catalográfica elaborada através do Modelo Latex do CDC da UFJF
com os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

.
Cordas de fio para içamento de carga (Alma de fibra) / Ana Luiza
Hallak
Julio Carlos Guedes de Assis
Thales Felipe Ferreira
Vinicius Freitas Julio. – 2024.
38 f. : il.

Orientador: Yuri Jose Oliveira Moraes


Projeto Final – Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de
Engenharia Mecanica. Engenharia Mecânica, 2024.

1. Cordas. 2. Içamento. 3. Cargas. I. Yuri Jose Oliveira Moraes.


Cordas de fio para içamento de carga (Alma de fibra).
RESUMO

Neste trabalho, são discutidas as cordas, uma invenção de grande impacto na


sociedade, que possibilitou avanços até o presente momento. Diversos modelos e aplicações
podem ser analisados, com foco específico nas cordas de fio com alma de fibra, utilizadas
para içamento de carga. Utilizando uma planta hipotética, foi realizado o dimensionamento
com base nas especificações fornecidas, que envolvem o cálculo de quatro cabos que
sustentam a talha de levantamento principal de um guindaste de gancho destinado ao
içamento de contêineres. Com os cálculos efetuados e os valores obtidos para o diâmetro
dos cabos, é possível selecionar o cabo adequado para aquisição, conforme as tabelas
disponíveis.

Palavras-chave: Corda de fio; Alma de fibra; Içamento; Cabo Vida útil prolongada
ABSTRACT

In this work, ropes are discussed, an invention of significant impact on society,


enabling advancements up to the present day. Various models and applications can be
analyzed, with a specific focus on wire ropes with fiber cores, used for load lifting. Using
a hypothetical scenario, the sizing was carried out based on the provided specifications,
which involve the calculation of four cables that support the main hoist of a hook crane
designed for container lifting. With the calculations performed and the obtained values for
the cable diameter, it is possible to select the appropriate cable for procurement, according
to the available tables.
Keywords: Wire rope.; Fiber core; Lifting; Cable.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Construção do cabo de aço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8


Figura 2 – Tipos de composição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
Figura 3 – Tipos de alma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
Figura 4 – Sentido de torção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Figura 5 – Sentido e direção de torção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Figura 6 – Alma de fibra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Figura 7 – Cabo de Aço 6x7 alma de fibra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Figura 8 – Cabo de Aço 6x19 alma de fibra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
Figura 9 – Cabo de Aço 6x36 alma de fibra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Figura 10 – Cabo de Aço 8x19 alma de fibra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 11 – Cabo de aço deformado por amassamento . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Figura 12 – Cabo de aço deformado com estrutura em gaiola de passarinho. . . . . 19
Figura 13 – Cabo de aço deformado devido à alma saltada. . . . . . . . . . . . . . 20
Figura 14 – Cabo de aço deformado em decorrência de uma dobra ou nó . . . . . . 20
Figura 15 – Fator de encablamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Figura 16 – Aplicação X Fator de Segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Figura 17 – Fator de multiplicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Figura 18 – Classe x Módulo de elasticidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Figura 19 – Metodologia de projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Figura 20 – Classificação de mecanismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
Figura 21 – Valores de Q . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Figura 22 – Ilustração do contêiner . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Figura 23 – Dimensões do moitão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Figura 24 – Relação polia - cabo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Figura 25 – Dimensões e cargas de ruptura do cabo de aço . . . . . . . . . . . . . . 34
Figura 26 – Dimensões e cargas de ruptura do cabo de aço . . . . . . . . . . . . . . 35
Figura 27 – Relação entre Resistência à tração e Denominação americana . . . . . . 36
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2 REFERENCIAL TEÓRICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.1 CONCEITUAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
3 CONSTRUÇÃO DE UM CABO DE AÇO . . . . . . . . . . . . 8
3.1 COMPOSIÇÕES DE CABOS DE AÇO . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
3.2 ALMA DOS CABOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
3.2.1 TIPOS DE ALMAS DE CABO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
3.2.2 TIPOS DE TORÇÃO EM CORDAS DE FIO . . . . . . . . . . . . . . . 11
3.3 ALMAS DE FIBRA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
3.4 CORDAS DE FIOS COM ALMA DE FIBRA . . . . . . . . . . . . . . 15
3.5 DEFORMAÇÕES EM CABOS DE FIO DE ALMA DE FIBRA . . . . 19
4 IÇAMENTO DE CARGA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
5 PLANO DE RIGGING . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
5.1 NR 12: SEGURANÇA NO TRABALHO COM MAQUINAS E EQUIPAMEN-
TOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
5.2 NR 18: SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO CIVIL . . . . . . . . . . . 23
6 CÁLCULOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
6.1 FORMULAÇÃO MATEMÁTICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
6.2 RESISTÊNCIA DOS CABOS DE AÇO . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
6.3 DEFORMAÇÃO LONGITUDINAL DOS CABOS DE AÇO . . . . . . . 26
6.4 DEFORMAÇÃO ESTRUTURAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
6.5 DEFORMAÇÃO ELÁSTICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
7 METODOLOGIA DE PROJETO . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
8 DIMENSIONAMENTO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
9 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
6

1 INTRODUÇÃO

Este relatório aborda o dimensionamento de cabos de aço galvanizado com alma


de fibra, destacando aspectos fundamentais do içamento de cargas. Serão discutidos a
elaboração de um plano de rigging e a conformidade com as Normas Regulamentadoras
(NR) 12 e 18, que são essenciais para garantir a segurança e a eficiência em operações de
movimentação, especialmente nos setores de construção civil, indústrias e logística.
Além do dimensionamento dos cabos, o relatório enfatiza a importância do plano
de rigging como uma ferramenta vital para o planejamento e a prevenção de acidentes,
detalhando os requisitos das normas que protegem os trabalhadores e asseguram a integri-
dade das operações. Por fim, será apresentado um breve histórico do cabo de aço, sua
evolução ao longo dos séculos e seu papel significativo no desenvolvimento de tecnologias
de içamento e construção.
O içamento de cargas é uma operação crítica em diversas indústrias, exigindo
equipamentos que garantam segurança e eficiência. Entre esses equipamentos, as cordas
de fio com alma de fibra se destacam por sua combinação de resistência, flexibilidade e
durabilidade. Essas cordas são compostas por fios metálicos que envolvem uma alma de
fibra, proporcionando um equilíbrio ideal entre força e leveza.
O dimensionamento adequado dessas cordas é essencial para prevenir acidentes e
garantir a integridade das cargas transportadas. Este trabalho tem como objetivo explorar
os princípios e métodos de dimensionamento de cordas de fio para içamento de carga, com
ênfase nas cordas com alma de fibra. Serão discutidos os critérios de seleção de materiais,
os cálculos de resistência e durabilidade, bem como as normas e regulamentações que
orientam o uso seguro dessas cordas.
7

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 CONCEITUAÇÃO

Os cabos de aço, como componentes estruturais, são amplamente utilizados em


diversas áreas da engenharia devido à sua excelente resistência à tração. Sua aplicação
é predominante em atividades que exijam içamento e movimentação de cargas, como na
construção civil, indústrias de transporte, mineração e plataformas offshore. Eles são
projetados para suportar tensões extremas e, ao mesmo tempo, oferecer flexibilidade e
durabilidade. A caracterização dos cabos de aço se dá principalmente pela alma do cabo e
pela sua categoria, que determinam suas propriedades mecânicas, resistência e aplicação.
8

3 CONSTRUÇÃO DE UM CABO DE AÇO

O termo construção refere-se à quantidade de pernas, ao número de fios que


compõem cada perna e à sua configuração. A estrutura dos cabos de aço é formada por
uma alma, que pode ser de fibra ou metálica, em torno da qual se encontram as pernas,
compostas por arames dispostos de forma específica. A designação dos cabos de aço é
determinada pela quantidade de pernas e pelo número de arames presentes em cada perna.
Os cabos são classificados por meio de uma notação na forma X*Y, onde X representa o
número de pernas e Y indica a quantidade de arames em cada perna. Por exemplo, em
um cabo 6x25, isso significa que o cabo é composto por 6 pernas, cada uma contendo 25
arames.
A figura a seguir ilustra a estrutura de um cabo de aço.

Figura 1 – Construção do cabo de aço


9

3.1 COMPOSIÇÕES DE CABOS DE AÇO

Existem vários tipos de construções para cabos de aço, cada uma projetada para
atender a diferentes necessidades de resistência, flexibilidade e durabilidade. Os principais
tipos de composições incluem:

Composição Seale

Caracteriza-se por ter uma camada externa de arames mais grossos e uma camada
interna de arames mais finos. A camada interna de arames finos é responsável pela
flexibilidade do cabo, distribuindo a carga de maneira uniforme. Já a camada externa
de arames mais grossos protege o cabo contra abrasão e danos externos, proporcionando
maior resistência ao desgaste mecânico.
A composição Seale é amplamente utilizada em operações onde o cabo de aço é
exposto ao desgaste, como em guindastes, polias, e sistemas de elevação e movimentação
de cargas. É especialmente útil quando a resistência ao atrito e à abrasão são prioritárias.

Composição Warrington

A composição Warrington é composta por várias camadas de arames, onde pelo


menos uma delas contém arames de dois diâmetros diferentes. Esses arames são dispostos
de forma alternada, o que cria uma estrutura que combina as características dos arames
mais grossos e dos mais finos. A presença de arames de diferentes diâmetros na camada
externa aumenta a área de contato, melhorando a resistência ao desgaste e permitindo
que o cabo mantenha sua integridade mesmo sob condições de uso severas.
Devido à sua durabilidade e resistência, os cabos Warrington são amplamente
utilizados em guindastes, elevadores e outros equipamentos de movimentação de cargas.

Composição Filler

Na composição Filler, o cabo é formado por várias pernas (ou cordões), cada uma
composta por arames dispostos em uma estrutura específica. A característica distintiva
desta construção é a inclusão de arames de preenchimento (ou "filler") entre as pernas.
Estes arames são menores e mais finos do que os arames principais que formam as pernas.
Eles preenchem os espaços vazios entre as pernas, proporcionando uma superfície mais
uniforme e reduzindo o desgaste interno.
Normalmente, a construção Filler inclui uma configuração de arames internos e
externos que cria uma estrutura espiralada. Os arames de preenchimento são colocados em
camadas ou em um padrão que contribui para a integridade estrutural do cabo. Devido
à sua flexibilidade e resistência ao desgaste, os cabos de aço com construção Filler são
frequentemente usados em guindastes, elevadores e sistemas de movimentação de carga.
10

Composição Seale-Warrington

Na construção Seale-Warrington, a camada externa do cabo é composta por arames


grossos dispostos de maneira semelhante à composição Seale, enquanto a camada interna
utiliza arames de diferentes diâmetros, como na composição Warrington. Essa combinação
permite que o cabo aproveite os benefícios de ambas as construções. Os arames da camada
interna, mais finos, são alternados com arames mais grossos na camada externa, criando
uma estrutura robusta e flexível.
Devido à sua resistência e flexibilidade, os cabos com composição Seale-Warrington
são amplamente utilizados em guindastes, plataformas de perfuração e equipamentos de
elevação.

Figura 2 – Tipos de composição


11

3.2 ALMA DOS CABOS

A alma de um cabo de aço é o elemento central ao redor do qual as pernas são


entrelaçadas e organizadas em formato helicoidal. Sua principal função é garantir que as
pernas fiquem posicionadas de maneira que o esforço aplicado no cabo seja distribuído de
forma equilibrada entre elas. A alma pode ser composta por fibras naturais ou artificiais,
ou ainda ser formada por uma perna ou até mesmo por um cabo de aço separado.

3.2.1 TIPOS DE ALMAS DE CABO

Figura 3 – Tipos de alma

Almas de fibra: As almas de fibra, em geral, dão maior flexibilidade ao cabo


de aço. Os cabos de aço podem ter almas de fibras naturais (AF) ou de fibras artificiais
(AFA). As almas de fibras naturais são normalmente de sisal e, as almas de fibras artificiais
são geralmente de polipropileno.
Almas de aço: As almas de aço proporcionam maior resistência à deformação e
reforçam a capacidade de tração. Elas podem ser constituídas por uma perna de cabo
(AA) ou por um cabo de aço independente (AACI). Este último é o mais utilizado quando
se busca maior flexibilidade aliada a alta resistência à tração. Para cabos de aço com
diâmetro de 6,4 mm ou mais, quando possuem alma de aço, eles são sempre do tipo AACI.
Um ponto importante a destacar é que um cabo de 6 pernas com alma de aço tem
um incremento de cerca de 7,5% em sua capacidade de carga na categoria IPS e cerca de
12,5% na categoria EIPS, quando comparado a um cabo com alma de fibra de mesmo
diâmetro e estrutura. Além disso, sua massa aumenta aproximadamente 10%.

3.2.2 TIPOS DE TORÇÃO EM CORDAS DE FIO

Quando as pernas são torcidas no sentido da esquerda para a direita, o cabo é


chamado de "Torção à direita"(Z). Já quando as pernas são torcidas da direita para a
12

esquerda, é conhecido como "Torção à esquerda"(S).

Figura 4 – Sentido de torção

Na fabricação de cordas de fios, existem dois tipos de enrolamentos ou entrelaça-


mentos: o entrelaçamento regular e o entrelaçamento lang.
Entrelaçamento regular: No cabo de torção regular, os fios de cada perna são
torcidos em direção oposta à torção das próprias pernas. Como consequência, os fios na
superfície das pernas ficam quase paralelos ao eixo longitudinal do cabo de aço. Esses cabos
são estáveis, oferecem boa resistência ao desgaste interno e à torção, além de serem fáceis
de manusear. Além disso, possuem significativa resistência a amassamentos e deformações,
devido ao curto comprimento dos fios expostos.
Entrelaçamento lang: No cabo de torção lang, os fios de cada perna são torcidos
na mesma direção que as próprias pernas. Os fios externos ficam dispostos diagonalmente
em relação ao eixo longitudinal do cabo de aço, com uma maior área exposta em comparação
à torção regular. Essa configuração proporciona ao cabo de torção lang uma maior
resistência à abrasão, além de torná-lo mais flexível e resistente à fadiga. No entanto,
esses cabos são mais suscetíveis a desgaste interno, distorções e deformações, além de
terem menor resistência a amassamentos. Ademais, as extremidades dos cabos de torção
13

Figura 5 – Sentido e direção de torção

lang devem sempre ser fixadas para evitar distorções, o que os torna inadequados para
operações com apenas uma linha de cabo ao mover cargas.
Um ponto importante a ser considerado é que cabos de torção lang com alma de
fibra não devem ser utilizados, pois apresentam baixa estabilidade e reduzida resistência a
amassamentos.

3.3 ALMAS DE FIBRA

Cabos de aço com alma de fibra possuem um núcleo interno composto por fibras
naturais ou sintéticas, como sisal, algodão, polipropileno, entre outros. Esse núcleo é
envolvido por várias camadas de arames de aço que formam as pernas do cabo. A alma de
fibra confere ao cabo maior flexibilidade em comparação com os cabos com alma de aço,
facilitando seu manuseio em aplicações que exigem movimentos frequentes ou curvaturas
acentuadas. Além disso, ela pode absorver lubrificantes, o que reduz o atrito entre os
arames e prolonga a vida útil do cabo, especialmente em ambientes onde a lubrificação é
crucial.
No entanto, os cabos com alma de fibra apresentam menor resistência à tração em
relação aos cabos com alma de aço, o que restringe seu uso em operações que demandam
o levantamento de cargas muito pesadas. Esses cabos também oferecem menor proteção
contra amassamentos ou deformações, sendo menos indicados para aplicações com altas
pressões.
São amplamente utilizados em sistemas de levantamento e tração onde a flexibilidade
é essencial, mas as cargas são moderadas. Devido à sua capacidade de absorver lubrificantes
e maior flexibilidade, são comumente empregados em operações marítimas, como o içamento
de pequenas embarcações e manuseio de equipamentos portuários. Além disso, são
14

adequados para uso em gruas, elevadores de construção e outros sistemas de movimentação


que não exigem alta resistência à tração. Estes cabos também se adaptam melhor a curvas
e polias, sendo frequentemente usados em talhas manuais e blocos de polia.

Figura 6 – Alma de fibra


15

3.4 CORDAS DE FIOS COM ALMA DE FIBRA

Os cabos de aço 6x7 com alma de fibra são galvanizados e caracterizam-se por sua
excelente resistência à abrasão e à pressão, embora apresentem baixa flexibilidade, o que
restringe suas aplicações. São utilizados em operações onde há exposição a atritos durante
o uso, bem como em aplicações estáticas, como em estais.

Figura 7 – Cabo de Aço 6x7 alma de fibra

Os cabos de aço 6x19/6x26 alma de fibra, possuem boa resistência à flexão e à


abrasão. Essa classe é amplamente utilizada, sendo uma das mais adequadas para a
maioria das aplicações, especialmente nas bitolas mais comuns.
16

Figura 8 – Cabo de Aço 6x19 alma de fibra


17

Os cabos de aço 6x29/6x57 com alma de fibra são caracterizados pela grande
quantidade de arames, conferindo-lhes alta flexibilidade. Nas bitolas mais comuns, esses
cabos se adaptam bem a aplicações que exigem operação dinâmica sobre tambores e polias.
Em bitolas maiores, essa classe oferece excelente resistência à abrasão e ao amassamento,
sendo adequada para operações mais exigentes.

Figura 9 – Cabo de Aço 6x36 alma de fibra

Os cabos de aço 8x15 e 8x26 com alma de fibra são mais propensos ao achatamento
quando expostos a altas pressões em tambores e polias, devido ao tamanho relativamente
grande da alma. Esses cabos destacam-se por sua elevada flexibilidade e alto fator de
segurança, sendo, por isso, recomendados para operações com cargas moderadas. A
maioria dos sistemas de transporte de passageiros utiliza cabos desta classe devido a suas
características.
18

Figura 10 – Cabo de Aço 8x19 alma de fibra


19

3.5 DEFORMAÇÕES EM CABOS DE FIO DE ALMA DE FIBRA

As deformações nos cabos de aço são causadas, em grande parte, pelo uso ina-
dequado, irregularidades nos equipamentos, ou pela aplicação de métodos incorretos de
manuseio e fixação. Quando essas deformações se acentuam, resultam em alterações na
geometria original do cabo de aço, causando um desequilíbrio nos esforços distribuídos
entre as pernas, o que pode levar à sua ruptura.
As principais deformações são:
Ondulação: Ocorre quando o eixo longitudinal do cabo de aço adquire uma
forma helicoidal. Em casos mais acentuados, essa anomalia pode gerar vibrações no cabo,
resultando em desgaste prematuro e ruptura dos arames durante a operação.
Amassamento: O amassamento do cabo de aço é geralmente causado pelo
enrolamento inadequado no tambor. Nas situações onde o enrolamento desordenado não
pode ser evitado,é recomendável utilizar um cabo de aço com alma de aço, que oferece
maior resistência a esse tipo de deformação.

Figura 11 – Cabo de aço deformado por amassamento

Gaiola de passarinho: Essa deformação é característica de cabos de aço com


alma de aço, ocorrendo em situações de alívio repentino de tensão. Essa irregularidade é
crítica e compromete a continuidade do uso do cabo de aço.

Figura 12 – Cabo de aço deformado com estrutura em gaiola de passarinho.

Alma saltada: Essa característica é resultante de um alívio repentino de tensão no


cabo de aço, o que provoca um desequilíbrio nas tensões entre as pernas, impossibilitando
a continuidade de seu uso.
20

Figura 13 – Cabo de aço deformado devido à alma saltada.

Dobra ou nó (perna de cachorro): Essa condição é caracterizada por uma des-


continuidade no sentido longitudinal do cabo de aço, que, em casos extremos, compromete
sua capacidade de carga. Geralmente, essa situação é resultante de manuseio ou instalação
inadequados.

Figura 14 – Cabo de aço deformado em decorrência de uma dobra ou nó


21

4 IÇAMENTO DE CARGA

Içamento de carga refere-se ao processo de levantar e movimentar objetos pesados


utilizando equipamentos de elevação, como guindastes, gruas, cabos de aço e outros
dispositivos mecânicos. Esse procedimento é essencial em diversas indústrias, incluindo
construção civil, mineração, embarque e desembarque de contêineres em navios cargueiros
nos portos, transporte e logística, permitindo a movimentação segura de materiais e
estruturas, frequentemente em alturas elevadas ou em espaços confinados.
O içamento de carga tem uma longa história que remonta às civilizações antigas.
Os primeiros registros de técnicas de içamento podem ser encontrados no Egito, onde
grandes blocos de pedra foram levantados para a construção das pirâmides. Para facilitar o
transporte e a elevação desses materiais pesados, os egípcios utilizaram rampas e roldanas
rudimentares.
Com o passar dos séculos, o desenvolvimento de novas tecnologias e métodos de
içamento progrediu. Na Grécia antiga, os engenheiros utilizaram sistemas de alavancas
e guindastes simples, que foram aprimorados pelos romanos. Os romanos, por sua vez,
desenvolveram máquinas de içamento mais complexas, como os guindastes movidos a
tração animal, que eram utilizados em obras públicas e na construção de edifícios.
Durante a Revolução Industrial, no século XVIII, houve um avanço significativo
nas técnicas de içamento. O uso de máquinas a vapor e a introdução de cabos de aço
revolucionaram o içamento de cargas, aumentando a eficiência e a segurança do processo.
Os guindastes a vapor e, posteriormente, os guindastes elétricos, tornaram-se fundamentais
em canteiros de obras e indústrias, permitindo a movimentação de cargas muito mais
pesadas e a realização de trabalhos em alturas maiores.
Hoje, o içamento de carga é uma parte essencial da engenharia moderna, com uma
variedade de equipamentos e tecnologias avançadas que garantem a segurança e eficiência
na movimentação de materiais pesados em diversos setores.
22

5 PLANO DE RIGGING

O plano de rigging é um documento detalhado que descreve como será realizada a


operação de levantamento de cargas pesadas, estima quais equipamentos serão necessários,
analisa a interferência do vento, realiza cálculos e avalia as condições do solo, considerando
todos os fatores que podem impactar o andamento do projeto. Essencial para garantir
a segurança e a eficiência, ele é utilizado em setores como construção civil, mineração,
petróleo e gás, e em eventos.
Possui como principal objetivo simular, de forma teórica, o processo de movimenta-
ção de cargas e considerar as particularidades do local, características da carga e possíveis
interferências externas. A elaboração do plano de rigging envolve três etapas principais.
Levantamento de informações: onde se coletam dados sobre a carga a ser movi-
mentada, a equipe necessária e as máquinas a serem utilizadas, além de um cronograma
para as atividades.
Visita técnica ao local: onde se analisam as condições do solo, interferências e o
espaço disponível para a movimentação.
Consolidação dos dados: os dados coletados são consolidados em um relatório
detalhado, que inclui especificações do guindaste, configuração e medidas de segurança,
assegurando a precisão do plano.
Sua elaboração deve ser feita por profissionais qualificados, como engenheiros ou
arquitetos registrados no CREA, que são conhecidos como riggers. Este plano deve estar
em conformidade com as Normas Regulamentadoras NR-12 e NR-18, que tratam da
segurança em operações de içamento. A ausência de um plano pode resultar em graves
riscos à segurança, acidentes de trabalho e prejuízos financeiros, reforçando a necessidade
de uma documentação completa e precisa.
Ambas as normas, NR 12 e NR 18, são fundamentais para a promoção da segurança
no ambiente de trabalho. Elas estabelecem critérios claros que devem ser seguidos por
empregadores e trabalhadores, ajudando a prevenir acidentes e a proteger a saúde dos
profissionais. A adesão a essas normas não só cumpre requisitos legais, mas também
promove uma cultura de segurança, essencial em atividades de alto risco, como as realizadas
na construção civil e em operações com máquinas.

5.1 NR 12: SEGURANÇA NO TRABALHO COM MAQUINAS E EQUIPAMENTOS

A Norma Regulamentadora nº 12 (NR 12) estabelece diretrizes para garantir a


segurança no trabalho com máquinas e equipamentos. Seu objetivo é prevenir acidentes
e doenças ocupacionais ao assegurar que as máquinas sejam projetadas, fabricadas e
mantidas de acordo com padrões de segurança. A norma inclui requisitos para a proteção
23

de trabalhadores, abordando aspectos como dispositivos de segurança, sinalização e


treinamento adequado. Além disso, a NR 12 exige a elaboração de um plano de rigging
para operações que envolvem movimentação de cargas, especialmente com guindastes.
Esse planejamento deve considerar a análise da carga, condições do solo, ações do vento e
a escolha adequada dos equipamentos, visando a otimização dos recursos e a prevenção de
acidentes durante a operação.

5.2 NR 18: SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO CIVIL

A Norma Regulamentadora nº 18 (NR 18) trata da segurança e saúde no trabalho


na construção civil e estabelece diretrizes e medidas de proteção para garantir a segurança
dos trabalhadores em canteiros de obras. Entre os temas abordados, estão a organização
do local de trabalho, o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a
necessidade de treinamento específico para os profissionais envolvidos. A NR 18 também
exige a elaboração de um plano de rigging para a movimentação de cargas com guindastes
de torre (gruas). Isso garante que as operações de içamento sejam realizadas de maneira
segura, considerando as características do local e as especificações das cargas, além de
estabelecer responsabilidades e assegurar a coordenação entre as equipes envolvidas.
24

6 CÁLCULOS

Ao içar uma carga, esta pode ser suportada por um único fio ou por múltiplos
fios. Independentemente da quantidade de fios empregados, todos devem ser capazes de
sustentar a mesma carga, assegurando assim o equilíbrio do sistema. Para calcular isso, a
carga total deve ser somada ao peso do moitão, e o valor obtido deve ser dividido pelo
número de fios responsáveis pelo içamento da carga. Esse procedimento determina a tensão
que cada cabo deve suportar, a qual não deve exceder 20% do limite máximo da carga de
ruptura mínima efetiva do cabo de aço.

6.1 FORMULAÇÃO MATEMÁTICA


dc = Q · T (6.1)
Ws
T = (6.2)
nCabo · ηT alha

Ws = Cútil + Cacessório (6.3)


FRup
Cs = (6.4)
T
Legenda:
dc = Diâmetro mínimo da corda
Q = Constante relacionada à classificação do grupo (valor tabelado)
T = Tração
Ws = Carga de serviço
ncabos = Número de cabos
ηtalha = Rendimento da talha (valor tabelado)
Cútil = Carga útil
Cacessórios = Carga dos acessórios
Ns = Coeficiente de segurança
FRup = Força de ruptura

6.2 RESISTÊNCIA DOS CABOS DE AÇO

Carga de ruptura teórica: A carga de ruptura teórica do cabo de aço é obtida


através da resistência dos arames multiplicada pelo total da área da seção de todos os
arames.
Carga de ruptura mínima: A carga de ruptura mínima do cabo de aço é obtida
através da carga de ruptura teórica do mesmo, multiplicada pelo fator de encablamento.
Este fator varia conforme as diversas classes de cabos de aço.
25

Figura 15 – Fator de encablamento

Cargas de trabalho: A carga de trabalho é a massa máxima que o cabo de aço está
autorizado a sustentar.
O fator de segurança (FS) é a relação entre a carga de ruptura mínima (CRM) do
cabo e a carga de trabalho (CT):
CRM
Fs = (6.5)
CT
A figura abaixo recomenda os fatores de segurança (FS) mínimos para diversas
aplicações:

Figura 16 – Aplicação X Fator de Segurança


26

6.3 DEFORMAÇÃO LONGITUDINAL DOS CABOS DE AÇO

Existem dois tipos de deformação longitudinal dos cabos de aço: a estrutural e a


elástica.

6.4 DEFORMAÇÃO ESTRUTURAL

A deformação estrutural do cabo de aço é permanente e se inicia assim que uma


carga é aplicada. Isso ocorre devido ao ajuste dos arames dentro das pernas do cabo e
à acomodação dessas pernas em relação à alma. Nos primeiros dias ou semanas de uso,
a deformação estrutural se manifesta, sendo seu tempo de ocorrência influenciado pela
magnitude da carga aplicada. Em cabos de aço comuns, essa deformação pode representar
entre 0,50% e 0,75% do comprimento total sob carga. Para minimizar esse efeito, é
possível realizar o pré-esticamento, um procedimento que envolve a aplicação de uma carga
superior à de trabalho, mas inferior ao limite elástico do cabo, o que praticamente elimina
a deformação estrutural.

6.5 DEFORMAÇÃO ELÁSTICA

A deformação elástica do cabo de aço é proporcional à carga aplicada e ao seu


comprimento, enquanto é inversamente proporcional ao módulo de elasticidade e à área
metálica do cabo.
P ·L
∆L = (6.6)
E · Am
Onde:
∆L = Deformação elastica
P = Carga aplicada
L = Comprimento do cabo
E = Modulo de elasticidade
Am = Área metálica

A área metálica de um cabo de aço depende da sua construção e é determinada pela


soma das áreas das seções transversais dos arames individuais que o formam, excluindo os
arames de preenchimento (filler).

Am = F · d2 (6.7)

Onde:
Am = Área metálica
F = Fator de multiplicação dado na tabela a seguir.
27

d = Diametro nominal do cabo de aço ou cordoalha.

Figura 17 – Fator de multiplicação

Figura 18 – Classe x Módulo de elasticidade


28

7 METODOLOGIA DE PROJETO

A organização de um projeto fundamenta-se na divisão de suas fases de desenvol-


vimento, seguindo uma metodologia específica e adequada às particularidades de cada
projeto. O principal objetivo dessa abordagem é reduzir possíveis falhas e complicações
que possam surgir ao longo do processo. Nesse contexto, foram definidas quatro etapas
para a execução do presente projeto.
A primeira etapa refere-se à identificação do problema a ser tratado. O projeto em
desenvolvimento visa atender à demanda de dimensionamento de um cabo de aço utilizado
em um guindaste portuário com gancho, empregado para o içamento de contêineres. Esta
fase envolveu discussões preliminares e pesquisas com o objetivo de reunir diversas fontes
bibliográficas relevantes sobre o tema de dimensionamento de cabos de aço.
A segunda etapa consistiu na elaboração de um esboço do projeto, bem como na
síntese dos parâmetros e categorias, com base em informações extraídas de catálogos,
artigos científicos, normas técnicas e literatura especializada.
A terceira etapa, de caráter mais aprofundado, envolveu a realização dos cálculos
necessários para o dimensionamento do projeto, utilizando os parâmetros previamente
definidos. Com o suporte de tabelas e ferramentas adequadas, foram conduzidas as análises
matemáticas e técnicas pertinentes.
Na quarta e última etapa, com os resultados devidamente obtidos, foi selecionada
a classe de cabo de aço com alma de fibra que melhor atendia à solução proposta para o
problema, garantindo a eficácia do dimensionamento realizado.
29

Figura 19 – Metodologia de projeto


30

8 DIMENSIONAMENTO

Calcule o diâmetro externo mínimo dos quatro cabos de aço não rotativos, utilizado
em um guindaste portuário de gancho de levantamento principal, responsáveis pelo içamento
de cargas no porto e escolha um modelo adequado. Para os cálculos, considere o seguinte
cenário: um cabo saindo de uma polia fixa, com mancais de escorregamento, feito de
arame de qualidade IPS e alma de fibra. Utilize uma aceleração da gravidade de 10 m/s2.
A carga é conectada ao equipamento através de um moitão, onde estão fixados quatro
laços de aço.
Para realizar o dimensionamento do cabo de aço, foi necessário seguir os procedi-
mentos descritos a seguir:
Para a realização dos cálculos, foi necessário obter todos os dados pertinentes, o que
demandou a utilização de tabelas. Com base nas análises das tabelas e nas informações
previamente conhecidas sobre o mecanismo, foi possível determinar a faixa na qual o
mecanismo se encontra.

Figura 20 – Classificação de mecanismo

Tendo em vista que o mecanismo se encontra na faixa de 2m a 3m, optou-se por


utilizar o valor máximo de 3m. Com a classificação devidamente estabelecida e sabendo
que se trata de um cabo de aço não rotativo, foi realizada a análise de uma nova tabela
para determinar o valor mínimo de Q.
31

Figura 21 – Valores de Q

Com o valor de Q definido, procedeu-se ao cálculo do valor de T. Para realizar o


cálculo da tração, inicialmente determinou-se o valor da carga de serviço (Ws).

Ws = Cútil + Cacessório (8.1)

Com a carga útil identificada, C= 24000 kgf, conforme ilustrado na Figura 22,
restava apenas determinar o moitão adequado para o sistema. A escolha do moitão foi
feita com base na Figura 23
32

Figura 22 – Ilustração do contêiner

Figura 23 – Dimensões do moitão

Como o valor da carga útil não está especificado na tabela, utilizou-se o primeiro
valor superior disponível. Assim, conclui-se que o moitão adequado possui uma massa
de 480 kg, resultando em uma carga de acessórios de 480 kgf. Com essa informação, é
possível determinar a carga de serviço.
Ws = 24800 kgf
33

Com o valor da carga de serviço conhecido e o número de cabos igual a 4, restava


obter o valor do rendimento da talha para prosseguir com o cálculo da tração. Considerando
que o mecanismo possui como características o cabo saindo da polia fixa e mancais de
escorregamento, utilizou-se a Figura 24 para determinar o valor desejado.

Figura 24 – Relação polia - cabo

Com todos os parâmetros definidos, a tração foi calculada utilizando a fórmula a


seguir, obtendo-se o seguinte resultado:
Ws
T = (8.2)
nCabo · ηT alha

T = 6800 kgf (8.3)

Com todos os valores conhecidos e com o auxílio da equação 6.1, foi possível calcular
o diâmetro externo mínimo necessário para os quatro cabos de aço com alma de fibra.

dc = 30, 92 mm (8.4)

Como o cabo não será fabricado, mas adquirido, selecionou-se, a partir da tabela
de cabos de aço com alma de fibra disponíveis na Figura 25, um cabo cujo diâmetro fosse o
menor valor superior ao diâmetro mínimo calculado. O valor selecionado foi de 32,00 mm.
34

Figura 25 – Dimensões e cargas de ruptura do cabo de aço

Com isso:
480 + 24000
T = · 0, 9 = 6800 kgf (8.5)
4
dc = 0, 375 · 82, 46 = 30, 92 mm (8.6)

Com base no valor da força de ruptura do cabo de aço com alma de fibra, conforme
indicado na Figura 26, e conhecendo a força máxima aplicada ao sistema (tração), é
possível calcular o coeficiente de segurança.
35

Figura 26 – Dimensões e cargas de ruptura do cabo de aço

T
Cs = (8.7)
σRup

60100
Cs = ≈ 8, 84 (8.8)
6800
Esse coeficiente de segurança supera o valor mínimo exigido, o que torna o resultado
satisfatório.
36

Figura 27 – Relação entre Resistência à tração e Denominação americana


37

9 CONCLUSÃO

Este relatório permitiu uma compreensão aprofundada dos conceitos relacionados


às cordas de fios, aos tipos de alma de cabo, bem como às principais diferenças entre
cordas de fios e cabos de aço. Além disso, abordou o içamento de cargas e suas respectivas
aplicações, juntamente com a análise das normas reguladoras e dos cálculos referentes ao
dimensionamento. Com a elaboração deste relatório, foi possível compreender e executar
o dimensionamento de um cabo de aço com alma de fibra para uma aplicação real em um
guindaste portuário de gancho. A partir do dimensionamento realizado, constatou-se a
necessidade de um diâmetro de 32 mm, obtendo-se um coeficiente de segurança de 8,84, o
que representa um valor satisfatório.
Conclui-se, portanto, que os cabos de aço com alma de fibra são amplamente
utilizados em operações de içamento de cargas, principalmente em função de sua maior
flexibilidade.
38

REFERÊNCIAS

1 Plano de Rigging. Rigging Brasil, 2021. Disponível em:


[Link] Acesso em: 27 set. 2024.

2 WILLICH, Julia . Plano de rigging: o que é e quando é obrigatório?. Produttivo, 2024.


Disponível em: [Link] Acesso em: 27
set. 2024.

3 NR 12 - SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.


[Link], 1978. Disponível em:
[Link]
social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-
permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/[Link]. Acesso
em: 27 set. 2024.

4 Norma Regulamentadora No. 18. [Link], 2020. Disponível em:


[Link]
social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-
permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/norma-
regulamentadora-no-18-nr-18. Acesso em: 27 set. 2024.

5 Robert L. Norton. “Projeto de Máquinas”. 4ed, bookman, 2013

Você também pode gostar