CENTRO EDUCACIONAL ÍCONE
A IMPORTÂNCIA DA MUSICALIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO
COGNITIVO DOS ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
HEVELLY CHRYS DOS SANTOS SILVA
VITÓRIA SOUSA DA SILVA
URUBURETAMA – CE
2020
A IMPORTANCIA DA MUSICALIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO
COGNITIVO DOS ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Hevelly Chrys dos Santos Silva1
Vitória Sousa da Silva2
Rocicléia Lima3
1. INTRODUÇÃO
O Estágio consiste em uma etapa fundamental para todos os discentes dos cursos de
licenciatura, no entanto se torna imprescindível para aqueles que se preparam para atuar na
educação infantil devido os níveis de complexidade da prática docente. Esta etapa implica no
alinhamento entre teoria e prática, pois o treinamento teórico se converte na oportunidade de
vivenciar a experiência do magistério, portanto a finalidade desta disciplina é fornecer bases
práticas e pedagógicas para a construção da experiência escolar nos processos de ensino.
A possibilidade de vivenciar a prática discente e docente da educação infantil acrescenta
de forma significativa a base conceitual e experimental ao passo que favorece uma reflexão
sobre como ocorre o processo de ensino-aprendizagem nas escolas. Este “laboratório de
aprendizagem” oportuniza o desenvolvimento das habilidades exigidas pela profissão em
questão, já que como professor o discente aprende a prática de ensino para que futuramente
possua as ferramentas necessárias para desempenhar um bom trabalho.
Este relatório de estágio possui caráter bibliográfico e é constituído pela conexão entre os
estudos de autores referenciais para o ramo da pedagogia que compartilham da mesma temática. Tem
como objetivo apresentar a importância da música como ferramenta lúdica para o
desenvolvimento cognitivo dos estudantes do ensino infantil. Tendo em vista as diversas etapas
do desenvolvimento das crianças e a complexidade do aperfeiçoamento de suas habilidades
pensou-se nas diferentes propostas vinculadas a musicalidade como estratégia facilitadora do
ensino e aprendizagem na educação básica.
Lima (2001, p. 14) em um de seus trabalhos utilizou a seguinte pergunta “Como a
criança pequena se desenvolve?”. Segundo o autor a escola representa um espaço de
aprendizagem onde não há distinções entre os diferentes tipos de desenvolvimento cognitivo,
pois é considerada evolução toda e qualquer demonstração do conhecimento seja em micro ou
macro grandeza. Portanto o desenvolvimento da criança depende de diversos fatores, são eles:
o tempo, o espaço, a comunicação, as práticas culturais, a imaginação e a fantasia, neste
contexto o autor expõe que os elementos utilizados no ensino infantil favorecem a associação
do conhecimento e complementam os conteúdos abordados nas fazes iniciais da criança.
A música faz parte da vida das pessoas, seja na infância por meio de canções de ninar
ou brincadeiras com também na vida adulta através da rádio ou cantigas populares. Atualmente
a prática da musicalidade na educação infantil tem se intensificado devido aos resultados
positivos decorrentes da associação com os conteúdos e pela facilidade de assimilação dos
mesmos.
A implementação da música para fins educativos nas instituições escolares está pautada
nos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (1998, p. 49) pois os mesmos
apontam que:
O trabalho com música deve considerar, portanto, que ela é um meio de expressão e
forma de conhecimento acessível aos bebês e crianças, inclusive aquelas que
apresentem necessidades especiais. A linguagem musical é excelente meio para o
desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da autoestima e autoconhecimento,
além de poderoso meio de integração social.
Os Parâmetros Curriculares da Educação Básica inclui a música na rotina escolar para
toda e qualquer atividade desenvolvida pelo educador seja no início, durante ou até mesmo na
finalização da aula, para cada situação um propósito distinto no entanto a finalidade é comum
a todas, instruir de forma lúdica a criança nas pequenas e mais variadas atividades.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A música é considerada como uma linguagem universal, que possui muitos dialetos e
diversos tipos de manifestações. Bréscia (2003, p.32), reafirma a expressão anterior citando que
a música de fato é “[..] uma linguagem universal tendo participado da história da humanidade
desde as primeiras civilizações”. Esta afirmação é baseada em dados antropológicos, neles
constam acervos históricos sobre o surgimento das primeiras manifestações da música assim
como locais e finalidades. De acordo com os dados a música era utilizada em rituais, como:
nascimento, casamento, morte, recuperação de doenças e fertilidade, no entanto com o decorrer
do tempo e consequente evolução da sociedade, a música passou por adaptações e hoje se tornou
uma linguagem com conteúdo artístico que se estende por diversos ambientes até mesmo na
área da educação.
As matrizes curriculares que norteiam as disciplinas da educação básica (Linguagens,
Matemática, Estudos Sociais, Ciências, Psicomotricidade, Educação Artística e Ensino
Religioso) se consolidam na prática por meio de estratégias pedagógicas para que os
ensinamentos sejam compreendidos pelo público infantil. Dentre a diversidade dos métodos de
ensino relacionados ao desenvolvimento cognitivo da criança se destaca a utilização de músicas
educativas que integram os conteúdos aplicados em sala de aula.
Registros históricos afirmam que nem sempre a música esteve integrada às práticas
pedagógicas, a mesma passou a contribuir para o ensino apenas a partir da liberação da nova
LDBEN (Brasil, 1996) instituída como lei nº 9.394, que contempla o ensino de artes no seu Art.
26, da seguinte forma: “componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação
básica, de forma que promova desenvolvimento cultural dos alunos”. Após a implementação
desta lei nas escolas a música gradativamente passou a ser utilizada como recurso metodológico
da educação básica.
É preciso preocupar-se em relação à formação das crianças, não apenas com o ensino
dos conhecimentos sistematizados, mas também com o ensino de expressões,
movimentos corporais e percepção (SILVA, 2010).
Atualmente a musicalidade está cada vez mais presente na rotina pedagógica dos
educadores da educação infantil. Esse fato se deve pela notável contribuição para o
desenvolvimento cognitivo das crianças, pois neste contexto a música possibilita uma
aprendizagem dinâmica, atrativa e prazerosa que envolvem aspectos artísticos, culturais,
sensoriais e habilidades motoras. Loureiro (2008) reforça afirmando que “o aprendizado por
meio da música deve ser um ato de desprendimento prazeroso” e complementa o seu raciocínio
mencionando que este ato pode desenvolver na criança habilidades como sensibilidade e
criatividade.
Chiarelli (2005) ao analisar as contribuições impostas pela música para a educação
infantil, chega à conclusão de que além dos aspectos analisados anteriormente “a música é
importante para o desenvolvimento da inteligência e a interação social da criança e a harmonia
pessoal, facilitando a integração e a inclusão.” De acordo com o autor a música enquanto
atividade pedagógica também influencia nos fatores interdisciplinares da criança promovendo
a comunicação e a socialização entre os demais.
2.1 A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
A importância da implementação da musical na educação infantil também está pautada
na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (Lei no 9394/96) quando afirma que “a
finalidade da educação infantil está relacionada ao desenvolvimento integral da criança”, ou
seja, quando este recurso é utilizado da forma a contribuir para o desenvolvimento das crianças
passa a assumir um papel fundamental para os processos de ensino da educação infantil.
A aplicação da música como um instrumento pedagógico está cada vez mais frequente
no campo educacional devido a sua importância para o desenvolvimento e a aprendizagem da
criança. As atividades corriqueiras aliadas a música auxiliam no processo de alfabetização na
educação infantil, já que Oliveira, Bernardes e Rodriguez (1998, p. 104) afirmam que a criança
desenvolve habilidades por meio de atividades que direcionam a música para fins pedagógicos.
Quando a criança escuta uma música, ela se concentra e tende a acompanhá-la,
cantando e fazendo movimentos com o corpo. Isso desenvolve o senso do ritmo nos
pequeninos. Aprendendo a ouvir, a criança pode repetir uma música, recriando-a. É
importante que nós, educadores, valorizemos o ato de criação da criança, para que ele
seja significativo no seu contexto de desenvolvimento. (OLIVEIRA, BERNARDES
e RODRIGUEZ, 1998, p. 104).
Winn (1975, p.32) complementa o raciocínio anterior afirmando que a música enquanto
instrumento pedagógico deve possuir objetivos claros que desenvolvam nas crianças
habilidades e capacidades:
(...) A iniciação musical deve ter como objetivo durante a idade Pré- escolar, estimular
na criança a capacidade de percepção, sensibilidade, imaginação, criação bem como
age como uma recreação educativa, socializando, disciplinando e desenvolvendo a
sua atenção.
O primeiro contato da criança com a música representa uma descoberta gradativa da
capacidade de percepção e aprimoramento de diversos setores como, sensoriais (aguçamento
da audição e emissão dos sons), motores (movimentos corporais), sentimentais (descoberta de
sentimentos) e imaginativos (imaginação criativa). No entanto para que os objetivos sejam
alcançados é necessário que o educador consiga correlacionar os conteúdos estudados com a
música a ser trabalhada para que a aula não fique descontextualizada.
Jeandot (1993) de forma minuciosa descreve as habilidades decorrentes da música de
acordo com as diferentes etapas de desenvolvimento da criança. Segundo a autora cada etapa
está relacionada ao avanço da idade e o desenvolvimento gradativo das habilidades iniciando a
partir dos dois anos:
• 2 anos, a criança é capaz de cantar versos soltos, fragmentos de canções, geralmente
fora do tom. Reconhece algumas melodias e cantores. Gosta de movimentos rítmicos
em rede, cadeira de balanço, etc.;
• 3 anos, a criança consegue reproduzir canções inteiras, embora geralmente fora do
tom. Tem menos inibição para cantar em grupo. Reconhece várias melodias. Começa
a fazer coincidir os tons simples de seu canto com as músicas ouvidas. Tenta tocar
instrumentos musicais. Gosta de participar de grupos rítmicos: marcha, pula, caminha
corre, seguindo o compasso da música;
• 4 anos, a criança progride no controle da voz. Participa com facilidade de jogos
simples, cantados. Interessa-se muito em dramatizar as canções. Cria pequenas
músicas durante a brincadeira;
• 5 anos, a criança entoa mais facilmente e consegue cantar melodias inteiras.
Reconhece e gosta de um extenso repertório musical. Consegue sincronizar os
movimentos da mão ou do pé com a música. Reproduz os tons simples de ré até dó
superior. Consegue pular em um só pé e dançar conforme o ritmo da música. Percebe
a diferença dos diversos timbres (vozes, objetos, instrumentos), dos sons graves e
agudos, além da variação de intensidade (forte e fraca);
• 6 anos, a criança percebe sons ascendentes e descendentes. Identifica as fórmulas
rítmicas, os fraseados musicais, as variações de andamento e a duração dos valores
sonoros. Adapta palavras sobre ritmos ou trecho musical já conhecido. Acompanha e
repete uma sequência rítmica;
• 7 anos, a criança expõe e defende suas ideias. Ouve em silêncio, acompanhando a
melodia e o ritmo da música. Canta acentuando a tônica das palavras. Bate as
pulsações rítmicas com as mãos, enquanto o pé acentua o tempo mais forte. Distingue
ritmos populares – baião, rock, samba, marcha, valsa –, expressando-se com o corpo,
criando gestos livremente, segundo esse ritmo. Produz pequenas melodias (compostas
de perguntas e respostas) segundo uma fórmula rítmica. Interpreta músicas com
expressão e dinâmica;
• 8 anos, a criança é mais rápida em suas próprias reações e também compreende
melhor as dos demais. Percebe e distingue com segurança os elementos rítmicos,
criando frases rítmicas;
• 9 anos, a criança adquire maior domínio de si mesma. Gosta muito de conversar. É
capaz de distinguir os elementos da música: melodia, ritmo, harmonia. Percebe o
fraseado musical. Lê, interpreta e responde a fórmulas rítmicas;
• 10 anos, a criança facilmente cria sonoplastias para histórias e trilhas sonoras para
novelas. Canta a duas ou três vozes. Gosta de cantar, mas não canções pueris. Escuta
discos com entusiasmo, principalmente de músicas mais tocadas na televisão e no
rádio;
• a partir de 11 anos, o entusiasmo é o traço mais característico. Facilmente a criança
perde sua própria identidade em função do grupo. As tarefas coletivas a atraem. É a
época de montar ópera, criar uma obra musical em conjunto. Os debates, no nível
analítico, aumentam. Ouve com facilidade tanto a música popular quanto a clássica.
Gosta muito de música americana. (JEANDOT, 1993, p. 63-64).
Ainda que a autora tenha feito uma associação da idade com as habilidades por níveis
de desenvolvimento, vale ressaltar que as características expostas na citação variam de criança
para criança mas, ainda segundo a mesma o desenvolvimento da criança pode ser influenciado
de forma significativa pela música.