Escola Superior de Saúde Egas Moniz
Curso de Licenciatura em Enfermagem
ENFERMAGEM AO ADULTO E IDOSO
Intervenções de Enfermagem no Intra-Operatório
Professora A. Vanessa Antunes, vantunes@[Link]
A Fase Intra-Operatória
A fase intra-operatória começa quando o doente é transferido para a
mesa operatória e termina com a transferência para a sala de
recuperação.
O bloco operatório é uma unidade de prestação de cuidados de
saúde onde, pela especificidade da natureza dos cuidados aí
desenvolvidos, se concentram riscos de variada ordem, tornando a
manutenção e segurança do ambiente cirúrgico em funções centrais
desenvolvidas pelos enfermeiros em contexto peri-operatório.
O que é uma Cirurgia?
É PRECISO SABER O CONCEITO!!
Cirurgia ou operação é o tratamento de doença, lesão ou
deformidade externa e/ou interna com o objetivo de reparar,
corrigir ou aliviar um problema físico
Finalidade de uma Cirurgia
Diagnóstica ou exploratória: para visualizar os órgãos internos (laparotomia exploratória- incisão
na parede abdominal de modo a visualizar os órgãos abdominais para facilitar diagnóstico) e/ou
biopsia (retirada de um tecido para análise histológica)
Curativa: correção de alterações orgânicas (Amigdalectomia; Prótese Total da Anca; Angioplastia)
Reconstrutiva ou cosmética: plástica para remodelar o nariz, mamas, lábios
Paliativa: alivio de sintomas, não havendo cura (ex.: construção de estoma intestinal para a saída
de fezes sem ressecção do tumor).
Classificação das Cirurgias
DE ACORDO COM O POTENCIAL DE CONTAMINAÇÃO…
Limpas: realizadas em tecidos estéreis ou de fácil descontaminação, na ausência de processo
inflamatório local, sem penetração nos tractos digestivo, respiratório ou urinário, cavidade
orofaríngea. Condições ideais para o bloco operatório. Exemplo: cirurgia de ovário
Potencialmente contaminadas: realizadas em tecidos de difícil descontaminação, na ausência de
processo inflamatório local, com penetração nos tratos digestório, respiratório ou urinário sem
contaminação significativa. Exemplo: redução de fratura exposta
Classificação das Cirurgias
DE ACORDO COM O POTENCIAL DE CONTAMINAÇÃO…
Contaminadas: realizadas em tecidos recentemente traumatizados e abertos, de difícil
descontaminação, com processo inflamatório, mas sem infeção. Exemplo: apendicite aguda
Infetadas: realizadas em tecido com infeção local, exsudado, feridas traumáticas com tecido
desvitalizado, corpos estranhos e contaminação fecal ou aquelas em que o tratamento cirúrgico
foi tardio. Exemplo: cirurgia do reto; ferida maligna exsudativa; cirurgia ginecológica em doente
com herpes ativo. Nota: As cirurgias infetadas são efetuadas em último tempo
Classificação das Cirurgias
DE ACORDO COM A URGÊNCIA
Cirurgia de Emergência: intervenção atenção imediata; risco de vida
Cirurgia de Urgência: São cirurgias que podem esperar cerca de 24h a 30h. O utente pode esperar algumas
horas não tendo risco de vida neste período de tempo.
Cirurgia Programada: São cirurgias que podem ser planeadas dentro de períodos de tempo mais longos,
como semanas ou meses. A deterioração do estado de saúde é lenta, mas a longo prazo tem impacto
significativo na qualidade de vida. Pode ser realizada em ambulatório ou em regime convencional, de acordo
com critérios médicos e sociais pré-definidos.
Cirurgias eletivas: São procedimentos cirúrgicos que, se adiados, não oferecem riscos significativos para o
utente
Cirurgias opcionais: São cirurgias que exclusivamente baseadas na vontade do doente
Classificação das Cirurgias
DE ACORDO COM A URGÊNCIA
CIRURGIA DE EMERGÊNCIA
Exemplos:
Sangramento grave
Obstrução vesical ou intestinal
Fratura de crânio
Feridas por arma de fogo ou arma branca
Queimaduras extensas
Classificação das Cirurgias
DE ACORDO COM A URGÊNCIA
CIRURGIA DE URGÊNCIA
Exemplos:
Infecção aguda da vesícula biliar
Cálculos renais e uretrais
Classificação das Cirurgias
DE ACORDO COM A URGÊNCIA
CIRURGIA PROGRAMADA
Exemplos:
Hiperplasia da próstata sem obstrução vesical
Distúrbios da tireoide
Catarata
Classificação das Cirurgias
DE ACORDO COM A URGÊNCIA
CIRURGIAS ELETIVAS
Exemplos:
Hérnia simples
Reconstrução vaginal
Classificação das Cirurgias
DE ACORDO COM A URGÊNCIA
CIRURGIA OPCIONAIS
Exemplo:
Mamoplastia de aumento
Mamoplastia de redução
Rinoplastia
Implante capilar
Lipoaspiração
Estrutura de um Bloco Operatório
O BO deve ser planeado e organizado de modo a facilitar o fluxo interno e externo
de doentes, pessoal e materiais nas diferentes áreas definidas, promovendo o
controlo de infeção e a higiene ambiental (CSS, 2011).
O BO deve ser dividido em três áreas – área livre, área semi-restrita e área restrita
– segundo as atividades específicas que se realizam em cada uma delas, de forma a
promover os fluxos de circulação ou controlo de tráfico de e para o bloco
operatório. As definições claras destes fluxos protegem os profissionais, doentes e
materiais de potenciais fontes de contaminação cruzada (AORN,2012).
Estrutura de um Bloco Operatório
ÁREA LIVRE
zona de receção e acolhimento do doente, pessoal e materiais
com zona de controlo centralizada
não exige fardamento específico nem tem limitação de circulações
incorpora os diferentes tipos de áreas de transferência e a zona de
desinfeção de macas
Estrutura de um Bloco Operatório
ÁREA SEMI-RESTRITA
áreas de suporte periféricas que circundam a área restrita cirúrgica (sala de
operações)
áreas de cuidados ao doente pré e pós operatórias
zonas de armazenamento de material limpo e estéril
salas de trabalho
armazenamento de instrumental cirúrgico e equipamento
gabinetes de trabalho, sala de estar de pessoal e corredores de acesso às áreas
restritas
A circulação nesta área está limitada aos profissionais e doentes, devendo estar salvaguardada a presença
de visitantes / acompanhantes. Os profissionais, visitantes e/ou acompanhantes devem usar fardamento do
BO, cabelos protegidos e utilizar o calçado antiestático de uso exclusivo (AESOP, 2013)
Estrutura de um Bloco Operatório
ÁREA RESTRITA
sala de operações
sala de anestesia
sala de desinfeção
armazém de apoio de material estéril anexo à sala de operações
Estrutura de um Bloco Operatório
ESPECIFICIDADES ESTRUTURAIS
Geradores de Energia.: com autonomia não inferior a 30 min
Sobrepressão/ subpressão Sobrepressão: as salas de operações estão em sobrepressão em
relação aos seus anexos, e estes em sobrepressão em relação aos restantes locais do bloco
operatório
Temperatura: A temperatura na sala de operações deve manter-se entre os 17ºC a 24ºC; para
uma humidade relativa entre os 30 a 60% HR
O controle de temperatura relaciona-se com o crescimento de bactérias ser potenciado por
temperaturas próximas da corporal e taxas de humidade acima dos 55%, sendo que
temperaturas mais frias inibem o crescimento bacteriano. Por outro lado, ambientes com baixa
percentagem de humidade relativa aumentam os riscos relacionados com a eletricidade estática
Estrutura de um Bloco Operatório
ESPECIFICIDADES ESTRUTURAIS
Limpeza: o pavimento, o mobiliário e todas as superfícies, devem estar livres de poeiras e
resíduos orgânicos e encontrar-se secos. As superfícies não devem ser rugosas nem porosas. Os
cantos das salas devem ser côncavos para facilitar a limpeza e evitar a acumulação de
microorganismos
Equipamento:
todo o equipamento utilizado nos cuidados ao doente, deve ser regularmente sujeito a
medidas de manutenção, de acordo com as instruções do fabricante
… testado antes da utilização e realizados registos da sua funcionalidade
as equipas devem ter treino específico para adequar a utilização de cada equipamento para
o fim que foi concebido, promovendo a segurança cirúrgica
Funções do Enfermeiro em BO
Enfermeiro Circulante
Enfermeiro Anestesista
Enfermeiro Instrumentista
Enfermeiro UCPA/ Recobro
[Link]
[Link]
Funções do Enfermeiro em BO
ENFERMEIRO CIRCULANTE
Minimiza ansiedade, acolhe o doente no bloco operatório
Identifica as necessidades individuais do doente, em contexto peri-operatório, e intervém em
conformidade
Planeia, organiza, delega, comunica, coordena e avalia as actividades da restante equipa de
enfermagem e de outros profissionais funcionalmente dependentes
Gere e partilha informação necessária e pertinente relativa ao doente e ao ambiente, com a restante
equipa multiprofissional
Controlar o tempo, garantindo que este recurso seja utilizado em função das necessidades e no
sentido da rentabilização máxima dos recursos existentes
Controla e limita a circulação de pessoas no decurso do acto cirúrgico
Providencia materiais adequados e o equipamento necessário ao tipo de cirurgia, e verifica a correcta
funcionalidade
Funções do Enfermeiro em BO
ENFERMEIRO ANESTESISTA
Antes da cirurgia verifica o correcto funcionamento dos equipamentos, nomeadamente
ventilador, seringas infusoras, aspirador de secreções
Monitoriza o doente e vigia sinais vitais
Antecipa movimentos e auxilia o médico anestesista durante a cirurgia
Transporta o doente para a UCPA em colaboração com o Enfermeiro Circulante e
transmite informações pertinentes e relevantes ao Enfermeiro da UCPA
Funções do Enfermeiro em BO
ENFERMEIRO INSTRUMENTISTA
Antes da cirurgia contagem de material
Conhece o procedimento cirúrgico
Antecipa movimentos e auxilia o cirurgião durante a cirurgia
Faz o penso no final
Retira o material da mesa operatória
Providencia a ida do material para a central de esterilização
Antes do final da cirurgia Contagem de instrumentos, corto perfurantes e compressas
Funções do Enfermeiro em BO
ENFERMEIRO UCPA/RECOBRO
Vigia complicações cirúrgicas
Vigia complicações anestésicas
Controla a estabilidade hemodinâmica
Controlo da Dor
Vigilância penso cirúrgico, drenagens
Proporciona conforto
Ambiente seguro
Registos e Escala de Alta/Transferência Ambulatório / Internamento / UCI
Nomenclatura Cirúrgica
NOMENCLATURA CIRURGICA: o nome composto da raiz identifica a parte do corpo a ser submetida à cirurgia; o
prefixo e o sufixo indicam o tipo de intervenção
Nomenclatura Cirúrgica
PREFIXOS
(indica o tipo de
intervenção)
Ex.: Circuncisão
Nomenclatura Cirúrgica
SUFIXOS
(indica o tipo de intervenção)
• Laparotomia
Exemplos: • Colostomia
• Esplenectomia
• Rinoplastia
• Nefrostomia
• Mamoplastia
• Laparoscopia
Posicionamento para a Cirurgia
O posicionamento cirúrgico é o posicionamento em que é colocado o Cliente, depois de
anestesiado, para ser submetido à cirurgia, de modo a proporcionar acesso fácil ao campo
operatório.
É muito importante verificar se não há:
•Compressão dos vasos, órgãos, nervos e proeminências ósseas;
•Contacto direto do cliente com as partes metálicas da mesa;
•Hiperextensão dos membros;
•Fixação incorreta da mesa e do paciente.
Posicionamento para a Cirurgia
DECÚBITO DORSAL
É a posição em que o cliente se encontra deitado de costas, com as pernas e braços em extensão.
Posicionamento para a Cirurgia
DECÚBITO VENTRAL
É a posição em que o cliente se encontra deitado com a região abdominal sobre a superfície
do colchão da mesa de cirurgia, os braços são fixados na lateral do corpo ou apoiados sobre
talas.
Posicionamento para a Cirurgia
DECÚBITO LATERAL
É a posição em que o cliente permanece deitado em decúbito lateral para o lado não operatório,
esquerdo ou direito. (Ex: Cirurgia renal)
Posicionamento para a Cirurgia
POSIÇÃO DE LITOTOMIA
O cliente permanece deitado em decúbito dorsal, as pernas são elevadas e abduzidas para expor a
região perineal. As pernas são colocadas em estribos(Ex: Cirurgia ginecológica).
Posicionamento para a Cirurgia
POSIÇÃO DE TRENDELENBURG
Esta posição é uma variação da posição de decúbito dorsal, em que a parte superior do corpo é
baixa e os pés são elevados. Esta posição facilita a observação dos órgãos pélvicos. (Ex:
Laparoscopia do abdómen inferior)
Posicionamento para a Cirurgia
POSIÇÃO DE TRENDELENBURG INVERTIDO
Esta posição é uma variação da posição de decúbito dorsal, em que a parte superior do corpo é
elevada e os pés são baixos. Esta posição facilita o acesso à cabeça e pescoço e permite facilitar a
tração gravitacional sobre as vísceras para longe do abdómen. (Ex: cirurgias cranianas e do
abdómen superior)
Posicionamento para a Cirurgia
POSIÇÃO DE FOWLER OU SENTADO
O Cliente permanece sentado na mesa de operações. É utilizada para cirurgias do nariz, ouvidos
ou craniotomias com abordagem posterior ou occipital.
Posicionamento para a Cirurgia
POSIÇÃO DE CANIVETE
O Cliente encontra-se em decúbito ventral, com os quadris e pernas para fora da mesa e o tórax
sobre a mesa, a qual está levemente inclinada no sentido oposto das pernas (ex:
hemorroidectomia).