se para o Rio de Janeiro, transformada em capital da colônia em 1763 e a Região de Minas Gerais cujo
desenvolvimento foi forçado pela descoberta de minas de ouro e diamante. Por isso que é exatamente
nesse período que os maiores artistas barrocos brasileiros se revelam, o Mestre Valentim no Rio de Janeiro, e
Antônio Francisco Lisboa o Aleijadinho na região de Ouro Preto e seu entorno.
A partir de 1760 é na suavidade do estilo mineiro que se encontra a linha mais autentica do barroco brasileiro. A
extrema religiosidade popular é expressa em um espírito contido e elegante, constituindo templos de arquitetura
em planos circulares e de índole harmônica e dinâmica, com uma bela decoração em pedra-sabão. As
construções monumentais são então substituídas por templos mais intimistas, de proporções singelas e
decoração requintada, voltados para a espiritualidade e condições materiais da região. Na Igreja da
Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência encontra-se um dos melhores exemplos desse estilo,
cujo risco, frontispício, retábulos laterais, altar-mor, púlpitos e lavabo são de autoria de Aleijadinho. No teto da
nave encontra-se uma pintura ilusionista de um dos mais talentosos pintores barrocos Manoel da Costa Athaide.
Outra grande parceria desses dois artistas está representado aos Passos da Paixão de Cristo para o Santuário do
Bom Jesus dos Matozinhos em Congonhas do Campo, e é nesse mesmo santuário que Aleijadinho deixa o
testemunho mais adorável de seu talento artístico, seus 12 profetas de pedra-sabão.
PINTURA
A pintura e a escultura barrocas se desenvolveram como artes coadjuvantes
para obtenção do efeito cenográfico total da arquitetura sagrada, a igreja, onde
todas as especialidades conjugavam esforços em busca de um impacto
sinestésico. Grande parte das pinturas barrocas brasileiras foi realizada em
têmpera ou óleo sobre madeira ou tela, e inserida na decoração em talha.
Sobrevivem alguns raríssimos exemplos da técnica do afresco no Mosteiro de
São Bento no Rio e na Igreja dos Terésios em Cachoeira do Paraguaçu, mas
não há registro de popularização da técnica.
O século XVIII viu a pintura florir em quase todas as regiões do país,
formando os germes de escolas regionais
e sobrevivendo maior número de
identidades individuais conhecidas. A
Nossa Senhora do Carmo,
esta altura já circulava uma vasta Mestre Ataíde -
Museu da Incofidência
quantidade de gravuras europeias, que
reproduziam obras de mestres célebres ou ofereciam outros modelos
iconográficos. Essas gravuras foram a principal fonte de inspiração para
os pintores coloniais brasileiros, vários estudos já documentaram sua
apropriação massiva de tais modelos, adaptando-os às necessidades e
Ascensão de Cristo, Matriz de Santo Antônio em
Santa Bárbara. possibilidades de cada local. Serviam-lhes mesmo de escola, uma vez que
não havia academias formais de arte e poucos eram os artistas bem preparados. Destes, quase só os missionários
educados na Europa, os primeiros professores de pintura do Brasil. Contudo, como esse acervo iconográfico
importado tinha um perfil muito heterogêneo, composto de imagens de diferentes épocas e estilos, decorre que a
pintura barroca brasileira tem um caráter igualmente dinâmico e multifacetado, não sendo possível estudá-la sob
um prisma de unidade e coerência formal.
No Rio, no Nordeste, em São Paulo, já havia em meados do século XVIII ativas escolas regionais. Mas foi em
Minas que nasceu e atuou Mestre Ataíde, o maior mestre da pintura barroca brasileira e tido como um dos
pioneiros na organização de uma estética nativa; pintou um teto muito louvado na Igreja de São Francisco
de Ouro Preto, além de ter deixado muitas outras obras.
ESCULTURA
Com a chegada do barroco ao Brasil, originou-se uma produção estatuária sacra, que foi difundida por uma parte
do litoral e interior do Brasil. As esculturas eram símbolos de devoção, por isso, eram encontradas tanto nas
igrejas quanto nas casas. As primeiras esculturas barrocas que chegaram ao Brasil eram de origem portuguesa, e
ao longo do período barroco, as importações continuaram. Entretanto no século XVII foram criadas ,pelos
religiosos Franciscanos e Beneditinos , escolas que ensinavam a arte de esculpir, e o suporte usado por eles era o
barro. Já os Jesuítas, que também criaram escolas, juntamente com os índios usavam a madeira como suporte.
Nas esculturas produzidas pelos índios santeiros, predominavam traços indígenas.
As esculturas se tornaram um bem de amplo consumo com modelos de grande e pequeno porte (no caso de
viagens). As escolas mais importantes estavam localizadas em Salvador e Pernambuco, as mesmas produziam
peças de alta qualidade. Por falta de assinaturas, algumas esculturas permanecem anônimas, pois somente a
análise de estilo não são suficientes para determinar o autor da obra.
Em meados do século XVII os artistas se preocuparam com a estética das obras, nesse período nota-se um
crescente refinamento e acabamento das peças. Além disso, existia uma aparente preocupação em se reproduzir
movimentos de conteúdo dramático. O uso de linhas e curvas foram essenciais para o impacto visual,
capaz de chamar atenção dos admiradores. Porém essas mudanças não foram capazes de chamar atenção das
classes superiores, que preferiam obras importadas, pois tinha um melhor acabamento e artistas eruditos.
O escultor, arquiteto e decorador Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho e Mestre
Valentim são os principais representantes da Estatuária Barroca no Brasil. Ambos criaram estilo próprio que
eliminou qualquer tipo de proximidade com obras do barroco europeu. As obras eram feitas em pedra-sabão e
madeiras, materiais mais usados pelos artistas. Minas Gerais foi o lugar de grande produção barroca, pois era um
estado rico e cheio de minas, por esse motivo o século em que o barroco brasileiro estava no auge foi chamado
de século do ouro (XVIII).
As esculturas eram pintadas com cores fortes e comumente douradas, além de serem ornamentadas com coroas
de ouro e prata, olhos de vidro, dentes de marfim, vestimentas de tecidos e cabelos reais. Tudo isso para
enfatizar o aspecto Ilusório. Antes da pintura havia um procedimento para preencher os poros da madeira ou
barro, deixando a superfície da peça lisa. Existia também outros tratamentos estéticos como: o douramento, que
consistia na aplicação de finíssimas folhas de ouro à peça, podendo também serem polidas dando um tom fosco;
e o prateamento que era o processo raríssimo e muito caro.