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Dança dos Orixás: Cultura e Espiritualidade

A Dança dos Orixás é uma expressão espiritual e cultural das religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, que invoca as divindades iorubás, cada uma simbolizando diferentes forças da natureza. Além de promover a conexão espiritual e a preservação da cultura afro-brasileira, a dança também possui efeitos terapêuticos e é um ritual de louvor e agradecimento. A importância da dança reside em sua capacidade de unir fé, arte e tradição, refletindo a identidade e resistência das comunidades afro-brasileiras.

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Dança dos Orixás: Cultura e Espiritualidade

A Dança dos Orixás é uma expressão espiritual e cultural das religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, que invoca as divindades iorubás, cada uma simbolizando diferentes forças da natureza. Além de promover a conexão espiritual e a preservação da cultura afro-brasileira, a dança também possui efeitos terapêuticos e é um ritual de louvor e agradecimento. A importância da dança reside em sua capacidade de unir fé, arte e tradição, refletindo a identidade e resistência das comunidades afro-brasileiras.

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Dança dos Orixás

A Dança dos Orixás é uma expressão corporal e espiritual presente nas religiões de matriz
africana, como o Candomblé e a Umbanda. Ela representa a manifestação e a invocação dos
Orixás, que são divindades da cultura iorubá associadas a diferentes forças da natureza e
aspectos da vida humana.

Significado da Dança dos Orixás


1. Conexão Espiritual – A dança é uma forma de comunicação com os Orixás, permitindo a
incorporação e a manifestação das entidades nos terreiros.
2. Representação dos Elementos da Natureza – Cada Orixá tem movimentos e ritmos
específicos, simbolizando suas características e elementos naturais, como água, fogo, terra e
ar.
3. Tradição e Cultura – Além da espiritualidade, a dança preserva a memória e a cultura
africana trazida pelos povos escravizados para o Brasil.
4. Ritmo e Corpo como Instrumentos Sagrados – Os movimentos são guiados pelo toque
dos atabaques e pelos cânticos, refletindo a energia e a personalidade de cada Orixá.

Exemplos de Danças dos Orixás


• Iansã (Oyá) – Movimentos rápidos e intensos, simulando os ventos e tempestades.
• Oxum – Dança suave e fluida, lembrando o movimento das águas doces.
• Xangô – Passos firmes e fortes, representando trovões e a força da justiça.
• Oxóssi – Movimentos ágeis, remetendo à caça e à natureza.
• Iemanjá – Passos ondulados, como o balanço das ondas do mar.
A Dança dos Orixás tem uma importância profunda, tanto no aspecto espiritual quanto no cultural
e social. Ela vai muito além de um simples movimento corporal, sendo uma manifestação de fé,
identidade e resistência das religiões afro-brasileiras.

Importância da Dança dos Orixás


1. Espiritualidade e Conexão com os Orixás
A dança é um meio de comunicação com os Orixás, permitindo a incorporação e a manifestação
dessas entidades no terreiro. Ela fortalece o elo entre os praticantes e os seus guias espirituais,
trazendo proteção, axé (energia vital) e equilíbrio.

2. Preservação da Cultura Afro-Brasileira


A dança mantém vivas as tradições trazidas pelos povos africanos escravizados, que encontraram na
religiosidade uma forma de resistência e preservação de sua identidade. Ela carrega séculos de
história e simbolismo, sendo um patrimônio imaterial de grande valor.

3. Expressão de Forças da Natureza e Valores Humanos


Cada Orixá representa um elemento da natureza e características humanas, como coragem,
sabedoria, justiça e amor. Ao dançar para um Orixá, os fiéis absorvem e expressam essas forças,
harmonizando-se com o universo e os ensinamentos de sua religião.

4. Saúde e Bem-Estar
O ato de dançar também tem efeitos terapêuticos. O ritmo dos tambores, a movimentação do corpo
e o estado de transe podem proporcionar alívio do estresse, equilíbrio emocional e fortalecimento da
comunidade.

5. Ritual de Louvor e Agradecimento


A dança é uma forma de reverenciar os Orixás, agradecer pelas bênçãos recebidas e pedir proteção.
Em festas e cerimônias, ela desempenha um papel central nos ritos de oferenda e celebração.
A Dança dos Orixás é, portanto, uma prática fundamental dentro do Candomblé e da Umbanda,
unindo fé, arte e tradição.
Exu

Saudação: Laroyê Exu – Salve o mensageiro

Quem é Exu? Exu é um dos Orixás primordiais. Exu é o Orixá da ordem, do


movimento, da comunicação, da fecundação; ele é quem abre os caminhos,
vigia os mercados e habita as encruzilhadas. Entretanto, não é possível
resumir Exu a essas funções e posições, pois ele é uma figura muito
complexa e antiga.
Exu é um orixá guardião da comunicação, que faz parte das religiões
originárias da África, como Candomblé e da Umbanda. É uma das entidades
mais conhecidas e cultuadas pelos adeptos dessas religiões no Brasil.
Exu recebeu a missão fazer a comunicação entre os seres humanos e o
plano divino e, como é uma entidade de grande importância, representa o
início da comunicação. Por isso, ao iniciarem-se rituais ou trabalhos
religiosos, é comum que se faça uma reverência ou oferenda especialmente
para Exu.
Na história das religiões, Exu teria sido o mensageiro enviado por Deus
durante o período da criação na Terra. Uma de suas tarefas seria conhecer o
planeta para saber se ela era um bom lugar para seres humanos e para os
orixás.
Depois de chegar à Terra, Exu teria decidido permanecer aqui e tempos
depois passou a ser um orixá muito cultuado nos rituais do Candomblé e da
Umbanda.
• Itans

• Exu vinga-se e exige o privilégio das primeiras homenagens

Exu era o irmão mais novo de Ogum, Odé e outros orixás. Era tão turbulento
criava tanta confusão que um dia o rei já não suportando sua malfazeja
índole, resolveu castigá-lo com severidade. Para impedir que fosse
aprisionado, os irmãos o aconselharam a deixar o país. Mas enquanto Exu
estava no exílio, seus irmãos continuavam a receber festa e louvações. Exu
não era mais lembrado, ninguém tinha notícias de seu paradeiro. Então,
usando mil disfarces, Exu visitava seu país, rondando, nos dias de festa, as
portas dos velhos santuários.
Mas ninguém o reconhecia assim disfarçado e nenhum alimento lhe era
ofertado. Vingou-se ele, semeando sobre o reino toda a sorte de
desassossego, desgraça e confusão. Assim o rei decidiu proibir todas as
atividades religiosas, até que descobrissem as causas desses males. Então
os babalorixás reuniram-se em comitiva e foram consultar um babalaô que
residia nas portas da cidade. O babalaô jogou os búzios e Exu foi quem falou
no jogo. Disse nos odus que tinha sido esquecido por todos. Que exigia
receber sacrifícios antes do demais e que fossem para ele os primeiros
cânticos cerimoniais. O babalaô jogou os búzios e disse que oferecessem
um bode e sete galos a Exu.
Os babalorixás caçoaram do babalaô, não deram a menor importância às
suas recomendações e ficaram por ali sentados, cantando e rindo dele.
Quando quiseram levantar-se para ir embora, estavam grudados nas
cadeiras. Sim era mais uma das ofensas de Exu!
O babalaô então pôs a mão no ombro de cada um e todos puderam levantar-
se livremente. Disse a eles que fizessem como fazia ele próprio: que o
primeiro sacrifício fosse para acalmar Exu. Assim convencidos, foi o que
fizeram os pais e mães-de-santo, naquele dia e sempre desde então.
Notas bibliográficas
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001
Ogum

Saudação :Patakori Ogum - Ogum supremo, principal Orixá de nossa


cabeça. Ogunhê - Salve Ogum

Ogum é uma divindade de origem africana (orixá) cultuado em religiões afro-


brasileiras, como a umbanda e o candomblé. Ogum é o orixá guerreiro,
conhecido pela sua coragem e força. Aliás, em iorubá, grupo étnico
linguístico da África Ocidental, Ogum significa guerra.
Ogum é senhor da metalurgia, tendo domínio sobre o ferro e o aço e todas
as ferramentas feitas com esses materiais, como a lança, o martelo, a faca, a
ferradura e a enxada. É um orixá associado à luta e também ao trabalho,
patrono tanto dos militares quanto dos trabalhadores braçais (sobretudo os
ferreiros).

◦ Itans

Na Terra criada por Oxalá, em Ifé, os orixás e os seres humanos trabalhavam


e viviam em igualdade. Todos caçavam e plantavam usando frágeis
instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole. Por isso o trabalho
exigia grande esforço. Com o aumento da população de Ifé, a comida
andava escassa. Era necessário plantar uma área maior. Os orixás então se
reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e
aumentar a área de lavoura. Ossãe, o orixá da medicina, dispôs-se a ir
primeiro e limpar o terreno. Mas seu facão era de metal mole e ele não foi
bem sucedido. Do mesmo modo que Ossãe, todos os outros Orixás
tentaram, um por um, e fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o
plantio. Ogum, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até
então. Quando todos os outros Orixás tinham fracassado, Ogum pegou seu
facão, de ferro, foi até a mata e limpou o terreno. Os Orixás, admirados,
perguntaram a Ogum de que material era feito tão resistente facão. Ogum
respondeu que era o ferro, um segredo recebido de Orunmilá. Os Orixás
invejaram Ogum pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura,
como à caça e até mesmo à guerra.

Por muito tempo os Orixás importunaram Ogum para saber do segredo do


ferro, mas ele mantinha o segredo só para si. Os Orixás decidiram então
oferecer-lhe o reinado em troca do que ele lhes ensinasse tudo sobre aquele
metal tão resistente. Ogum aceitou a proposta. Os humanos também vieram
a Ogum pedir-lhe o conhecimento do ferro. E Ogum lhes deu o conhecimento
da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram sua lança de
ferro. Mas, apesar de Ogum ter aceitado o comendo dos Orixás, antes de
mais nada ele era um caçador. Certa ocasião, saiu para caçar e passou
muitos dias fora numa difícil temporada. Quando voltou da mata, estava sujo
e maltrapilho. Os Orixás não gostaram de ver seu líder naquele estado. Eles
o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado. Ogum se decepcionou
com os Orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o
fizeram rei e agora dizem que não era digno de governá-los. Então Ogum
banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e
partiu. Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da
arvore de Acoco e lá permaneceu. Os humanos que receberam de Ogum o
segredo do ferro não o esqueceram.

Oxossi

Saudação: Okê arô", "Salve o Grande Caçador

Oxóssi é uma divindade das religiões africanas, também conhecida como


orixá, que representa o conhecimento e as florestas.
Para as religiões afro-brasileiras, como a Umbanda e o Candomblé, Oxóssi é
ligado ao conhecimento e à natureza. Ele sempre enaltece tudo o que a
natureza pode proporcionar, conforme a necessidade humana.
Por esta razão, também é conhecido como o orixá da caça, da fartura e do
sustento.
Na África antiga, Oxóssi era considerado o guardião dos caçadores,
responsável por trazer o sustento para a tribo. Hoje em dia, ele protege todos
os que saem de casa diariamente para o trabalho, pois é deste esforço que
vem o sustento das famílias.

Oxóssi é o rei de Kêtu, segundo dizem, a origem da dinastia. A Oxóssi são


conferidos os títulos de Alakétu, Rei, Senhor de Kêtu, e Oníìlé, o dono da
Terra, pois em África cabia ao caçador descobrir o local ideal para instalar
uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade
sobre os futuros habitantes. É chamado de Olúaiyé ou Oni Aráaiyé, senhor
da humanidade, que garante a fartura para os seus descendentes.
Oxossi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Yemanjá, ou, nos mitos, filho de
Apaoka (jaqueira). É o Orixá da caça; foi um caçador de elefantes, animal
associado à realeza e aos antepassados. Oxossi vive na floresta, onde
moram os espíritos e está relacionado com as árvores e os antepassados. As
abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados
femininos.

• Itans
• Oxóssi aprende com Ogun a arte da caça.

Oxóssi é irmão de Ogun. Ogun tem pelo irmão um afeto especial. Num dia
em que voltava da batalha, Ogun encontrou o irmão temeroso e sem reação,
cercado de inimigos que já tinham destruído quase toda a aldeia e que
estavam prestes a atingir sua família e tomar suas terras. Ogun vinha
cansado de outra guerra, mas ficou irado e sedento de vingança. Procurou
dentro de si mais forças para continuar lutando e partiu na direção dos
inimigos. Com sua espada de ferro pelejou até o amanhecer.
Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o tranquilizou
com sua proteção. Sempre que houvesse necessidade ele iria até seu
encontro para auxiliá-lo. Ogun então ensinou Oxóssi a caçar, a abrir
caminhos pela floresta e matas cerradas. Oxóssi aprendeu com o irmão a
nobre arte da caça, sem a qual a vida é muito mais difícil. Ogun ensinou
Oxóssi a defender-se por si próprio e ensinou Oxóssi a cuidar da sua gente.
Agora Ogun podia voltar tranquilo para a guerra. Ogun fez de Oxóssi o
provedor. Oxóssi é o irmão de Ogun. Ogun é o grande guerreiro. Oxóssi é o
grande caçador.(in Reginaldo Prandi)

• Oxóssi desobedece a Obatalá e não consegue mais caçar.

Havia uma grande fome e faltava comida na Terra. Então Obatalá enviou
Oxóssi para que ele aí caçasse e provesse o sustento de todos os que
estavam sem comida. Oxóssi caçou tanto, mas tanto, que ficou obsessivo:
ele queria matar e destruir tudo o que encontrasse. Obatalá pediu-lhe que
parasse de caçar, mas Oxóssi desobedeceu. Oxóssi continuou caçando. Um
dia encontrou uma ave branca, um pombo. Sem se importar que os animais
brancos são de Obatalá, Oxóssi matou o pombo. Obatalá voltou a pedir que
ele não caçasse mais, porém Oxóssi continuou caçando. Uma noite Oxóssi
encontrou um veado e atirou nele muitas flechas. Mas as flechas não lhe
causavam nenhum dano. Oxóssi aproximou-se mais e flechou a cabeça do
animal. Nesse momento, o veado se iluminou. Era Obatalá disfarçado, ali,
todo flechado por Oxóssi. Oxóssi não conseguiu caçar nunca mais. Profundo
foi seu desgosto. (inReginaldo Prandi)

Ossain

Saudação: "Ewe ó!”, que significa “Oh, as folhas!”"

Ossain é responsável por fornecer folhas aos outros orixás, sendo crucial
para rituais de cura. Entretanto, ele guarda a maioria dos segredos para si.
Sua cor é o verde, representando a mata.
Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá, elas são
imprescindíveis aos rituais do Candomblé. Cada orixá possui suas próprias
folhas, mas só Ossaim (Òsanyìn) conhece os seus segredos, só ele sabe as
palavras (ofó) que despertam o seu poder, a sua força.
Ossaim desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem
folhas, sem a sua presença, nenhuma cerimónia pode realizar-se, pois ele
detém o axé que desperta o poder do ‘sangue’ verde das folhas.
Ossaim é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro, que por meio das
folhas pode realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. È nas
folhas que está à cura para todas as doenças, do corpo ou do espírito.
Portanto, precisamos lutar por sua preservação, para que consequências
desastrosas não atinjam os seres humanos.
A floresta é a casa de Ossaim, que divide com outros orixás do mato, como
Ogum e Oxóssi, o seu território por excelência, onde as folhas crescem em
seu estado puro, selvagem, sem a interferência do homem; é também o
território do medo, do desconhecido, motivo pelo qual nenhum caçador deve
penetrar na floresta na mata sem deixar na entrada alguma oferenda, como
alho, fumo ou bebida. Medo de que? Medo dos encantamentos da floresta,
medo do poder de Ogum, de Oxóssi, de Ossaim; respeito pelas forças vivas
da natureza, que não permitem a pessoas impuras ou mal-intencionadas
penetrar em sua morada. Se nela entrarem, talvez jamais encontrem o
caminho de volta.
Ossaim teria um auxiliar que se responsabilizaria por causar o terror em
pessoas que entram na floresta sem a devida permissão. Aroni seria um
misterioso anãozinho perneta que fuma cachimbo (figura bastante próxima
ao Saci-Pererê), possui um olho pequeno e o outro grande (vê com o menor)
e tem uma orelha pequena e a outra grande(ouve com a menor). Muitas
vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem,
também possui uma única perna. Não se pode por isso confundir Ossaim
com o Saci-Pererê, que é um personagem do folclore brasileiro. Ossaim é
orixá de grande fundamento, que possui uma só perna porque a árvore, base
de todas as folha possui um só tronco.
De acordo com a história desse orixá, há uma rivalidade entre Ossaim e
Orunmilá, que reflecte, na verdade, a antiga disputa entre os Oníìsegùn –
mestres em medicina natural que dominavam o poder das folhas – e os
Babalawó – sacerdotes versados nos profundos mistérios do cosmo e do
destino dos seres, os pais do segredo.
Ossaim é um orixá originário da região de Iraó, na Nigéria, muito próxima
com a fronteira com o antigo Daomé. Não faz parte, como muitos pensam,
do panteão Jeje assimilado pelos Nagô, como Nana, Omolú, Oxumaré e
Ewá. Ossaim é um deus originário da etnia Ioruba. Contudo, é evidente que
entre os Jeje havia um deus responsável pelas folhas, e Ágüe é o seu nome,
por isso Ossaim dança bravun e sató, a exemplo dos deuses do antigo
Daomé.
Na verdade, Ossaim e Oxóssi possuem inúmeras afinidades: ambos são
orixás do mesmo espaço, da floresta, do mato, das folhas, grandes feiticeiros
e conhecedores dos segredos da mata, da Terra.

Itans :
• Ossain recusa-se a cortar as ervas miraculosas.
Ossain era o nome de um escravo que foi vendido a Orunmila. Um dia ele foi
à floresta a lá conheceu Aroni, que sabia tudo sobre as plantas. Aroni, o
gnomo de uma perna só, ficou amigo de Ossain e ensinou-lhe todo o
segredo das ervas. Um dia, Orunmilá, desejoso de fazer uma grande
plantação, ordenou a Ossain que roçasse o mato de suas terras. Diante de
uma planta que curava dores, Ossain exclamava: "Esta não pode ser
cortada, é as erva as dores". Diante de uma planta que curava hemorragias,
dizia: "Esta estanca o sangue, não deve ser cortada". Em frente de uma
planta que curava a febre, dizia: "Esta também não, porque refresca o
corpo". E assim por diante.

Orunmilá, que era um babalawo muito procurado por doentes, interessou-se


então pelo poder curativo das plantas e ordenou que Ossain ficasse junto
dele nos momentos de consulta, que o ajudasse a curar os enfermos com o
uso das ervas miraculosas. E assim Ossain ajudava Orunmilá a receitar a
acabou sendo conhecido como o grande médico que é.
[ Lenda tirada do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi ]

• Ossain dá uma folha para cada Orixá.

Ossain, filho de Nanã e irmão de Oxumarê, Euá e Obaluayê, era o senhor


das folhas, da ciência e das ervas, o orixá que conhece o segredo da cura e
o mistério da vida. Todos os orixás recorriam a Ossain para curar qualquer
moléstia, qualquer mal do corpo. Todos dependiam de Ossain na luta contra
a doença. Todos iam à casa de Ossain oferecer seus sacrifícios. Em troca
Ossain lhes dava preparados mágicos: banhos, chás, infusões, pomadas,
abô, beberagens.
Curava as dores, as feridas, os sangramentos; as disenterias, os inchaços e
fraturas; curava as pestes, febres, órgãos corrompidos; limpava a pele
purulenta e o sangue pisado; livrava o corpo de todos os males.

Um dia Xangô, que era o deus da justiça, julgou que todos os Orixás
deveriam compartilhar o poder de Ossain, conhecendo o segredo das ervas
e o dom da cura. Xangô sentenciou que Ossain dividisse suas folhas com os
outros Orixás. Mas Ossain negou-se a dividir suas folhas com os outros
Orixás. Xangô então ordenou que Iansã soltasse o vento e trouxesse ao seu
palácio todas as folhas das matas de Ossain para que fossem distribuídas
aos Orixás. Iansã fez o que Xangô determinara. Gerou um furacão que
derrubou as folhas das plantas e as arrastou pelo ar em direção ao palácio
de Xangô. Ossain percebeu o que estava acontecendo e gritou: "Euê
Uassá!".

"As folhas retornam!"

Ossain ordenou às folhas que voltassem às suas matas e as folhas


obedeceram às ordens de Ossain. Quase todas as folhas retornaram para
Ossain. As que já estavam em poder de Xangô perderam o Axé, perderam o
poder da cura.

O Orixá Rei, que era um orixá justo, admitiu a vitória de Ossain. Entendeu
que o poder das folhas devia ser exclusivo de Ossain e que assim devia
permanecer através dos séculos. Ossain, contudo, deu uma folha para cada
Orixá, deu uma euê para cada um deles. Cada folha com seus axés e seus
efós, que são as cantigas de encantamento, sem as quais as folhas não
funcionam. Ossain distribuiu as folhas aos orixás para que eles não mais o
invejassem. Eles também podiam realizar proezas com as ervas, mas os
segredos mais profundos ele guardou para si. Ossain não conta seus
segredos para ninguém, Ossain nem mesmo fala. Fala por ele seu criado
Aroni. Os Orixás ficaram gratos a Ossain e sempre o reverenciam quando
usam as folhas.

Omolu

Saudação: “Atotô”, que significa: silêncio, o rei está em terra.


Obaluaê é o deus iorubá e das religiões afro-brasileiras associado à cura, às
doenças, ao respeito aos mais velhos, à terra e à morte.
Também conhecido como Omolu, Obaluaiê, Omulu ou Xapanã, ocupa um
lugar de destaque nas práticas religiosas de seus devotos. Sua proteção e
intercessão é muito requisitada em momentos de dificuldades físicas e
espirituais.

O Orixá é saudado com a expressão de origem iorubá Atotô Obaluaê, que


significa “silêncio para o grande Rei da Terra”.
A origem e história de Obaluaê remontam às antigas tradições africanas. Na
cosmologia iorubá, Omolu era venerado como um Orixá ancestral, associado
à terra, à cura e à proteção contra doenças.
Acredita-se que a figura de Omolu tenha se originado na região da atual
Nigéria, mais precisamente na cidade de Ifé. Oláwàiye, em iorubá, significa
"o rei que é senhor da terra".

Omolu é filho dos Orixás Nanã e Oxalá e irmão de Oxumaré. Nasceu com
feridas devido a conflitos entre seus pais. Abandonado à beira do mar, foi
resgatado por Iemanjá, a rainha do mar, que o acolheu como filho e ensinou
a curar doenças e superar adversidades.

Por conta de suas cicatrizes, Obaluaê passou a cobrir-se com palhas,


mantendo somente braços e pernas à mostra. Essa experiência o tornou
introspectivo e mal-humorado.

• Itans:

• Xapanã ganha o segredo da peste na partilha dos poderes

Olodumarê, um dia decidiu distribuir seus [Link] aos seus filhos que se
reunissem e que eles mesmos repartissem entre si as riquezas do mundo.
Ogum, Exú, Orixá Ocô, Xangô, Xapanã e os outros orixás deveriam dividir os
poderes e mistérios sobre as coisas na Terra. Num dia em que Xapanã
estava ausente, os demais se reuniram e fizeram a partilha, dividindo todos
os poderes entre eles, não deixando nada de valor pra Xapanã. Um ficou
com o trovão, o outro recebeu as matas, outro quis os metais, outro ganhou
o mar. Escolheram o ouro, o raio, o arco-íris; levaram a chuva, os campos
cultivados, os [Link] foi distribuído entre eles, cada coisa com seus
segredos, cada riqueza com o seu mistério. A única coisa que sobrou sem
dono, desprezada, foi a peste.
Ao voltar, nada encontrou Xapanã para si, a não ser a peste, que ninguém
quisera. Xapanã guardou a peste para si, mas não se conformou com o
golpe dos irmãos. Foi procurar Orunmilá, que lhe ensinou a fazer sacrifícios,
para que seu enjeitado poder fosse maior que o do outros. Xapanã fez
sacrifícios e aguardou. Um dia, uma doença muito contagiosa começou a
espalhar-se pelo mundo. Era a varíola. O povo, desesperado, fazia
sacrifícios para todos o orixás, mas nenhum deles podia ajudar. A varíola não
poupava ninguém, era uma mortandade. Cidades, vilas e povoados ficavam
vazios, já não havia espaço nos cemitérios para tantos mortos. O povo foi
consultar Orunmilá para saber o que fazer.
Ele explicou que a epidemia acontecia porque Xapanã estava revoltado, por
ter sido passado para trás pelos irmãos. Orunmilá mandou fazer oferendas
para Xapanã. Só Xapanã poderia ajudá-los a conter a varíola, pois só ele
tinha o poder sobre as pestes, só ele sabia os segredos das doenças. Tinha
sido essa sua única herança. Todos pediram protecção a Xapanã e
sacrifícios foram realizados em sua homenagem. A epidemia foi vencida.
Xapanã então era respeitado por todos. Seu poder era infinito, o maior de
todos os poderes.

• Omolú ganha pérolas de Iemanjá

Omolú foi salvo por Iemanjá quando sua mãe, Nanã Buruku, ao vê-lo
doente, coberto de chagas, purulento, abandonou-o numa gruta perto da
[Link]á recolheu Omolú e o lavou com a água do mar, o sal da água
secou sua feridas, Omolú tornou-se um homem vigoroso, mas ainda
carregava as cicatrizes, as marcas feias da varí[Link]á confeccionou
para ele uma roupa toda de ráfia, e com ela ele escondia as marcas de suas
doenças, ele era um homem poderoso, andava pelas aldeias e por onde
passava deixava um rastro ora de cura, ora de saúde, ora de doença, mas
continuava sendo um homem pobre.

Iemanjá não se conformava com a pobreza do filho adoptivo, Ela pensou:"Se


eu dei a ele a cura, a saúde, não posso deixar que seja sempre um homem
pobre". Ficou imaginando quais riquezas, poderia da a ele. Iemanjá era a
dona da pesca, tinha os peixes, os polvos, os caramujos, as conchas, os
corais, tudo aquilo que dava vida ao oceano pertencia a sua mãe, Olocum, e
ela dera tudo a Iemanjá. Iemanjá resolveu então ver suas jóias tinha
algumas, mas enfeitava-se mesmo era com algas, ela enfeitava-se com água
do mar, vestia-se de espuma, ela adorava-se com o reflexo de Oxu, a Lua.
Mas, Iemanjá tinha uma grande riqueza e essa riqueza eram as pérolas, que
as ostras fabricavam para ela.

Iemanjá, muito contente com sua lembrança, chamou Omolú e lhe disse:"De
hoje em diante, és tu quem cuidas das pérolas do mar. Serás assim
chamado de Jeholu, o Senhor das Pérolas". Por isso as pérolas pertencem a
Omolú, por baixo de sua roupa de ráfia, enfeitando seu corpo marcado de
chagas, Omolú ostenta colares e mais colares de pérola, belíssimos colares.(
in: Mitologia dos Orixás - Reginaldo Prandi)

Produzido por Mayara Daguia.

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