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Desafios da Educação de Adultos em Moçambique

O ensaio final do módulo de Educação de Adultos do curso de Mestrado em Pedagogia e Didática analisa os desafios da educação de jovens e adultos em Moçambique, destacando a importância da alfabetização e a necessidade de políticas eficazes. Desde a independência em 1975, a educação de adultos passou por diversas fases, enfrentando obstáculos como a guerra e a pobreza, mas atualmente busca promover o desenvolvimento social e econômico. O documento enfatiza a educação como um direito fundamental e um fator-chave para a redução da pobreza e a promoção do bem-estar social no país.

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Desafios da Educação de Adultos em Moçambique

O ensaio final do módulo de Educação de Adultos do curso de Mestrado em Pedagogia e Didática analisa os desafios da educação de jovens e adultos em Moçambique, destacando a importância da alfabetização e a necessidade de políticas eficazes. Desde a independência em 1975, a educação de adultos passou por diversas fases, enfrentando obstáculos como a guerra e a pobreza, mas atualmente busca promover o desenvolvimento social e econômico. O documento enfatiza a educação como um direito fundamental e um fator-chave para a redução da pobreza e a promoção do bem-estar social no país.

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CURSO DE MESTRADO EM PEDAGOGIA E DIDÁTICA

ENSAIO FINAL DO MÓDULO EDUCAÇÃO DE ADULTOS

TEMA: DESAFIO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM MOÇAMBIQUE

Maputo Março 2024

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1. Introdução

O presente exame, marca o fim do sétimo módulo do curso de Mestrado em Pedagogia e


Didática subordinando-se ao seguinte tema: Desafio da educação de jovens e adultos
em Moçambique cujo seu objecto e a educação.

Desde 1987, o Governo de Moçambique tem vindo a implementar um programa de


reajustamento estrutural e de estabilização macroeconómica, com o objectivo de
promover o crescimento económico e reduzir os níveis de pobreza no país.

A educação em Moçambique é um direito e dever de todo cidadão, consagrado na


Constituição da República de Moçambique (CRM, 2004 p.26) no artigo (Art.) 88 alínea
1 e na lei 6/92 alínea a) do Sistema Nacional da` Educação (SNE) em vigor até aos dias
actuais. O actual SNE 6/92 encontra-se estruturado em ensino geral, ensino técnico-
profissional e ensino superior.

Na situação de crianças que, por razões de vária ordem, não tenham tido a oportunidade
de ingressar no Nível de Ensino Primário no tempo previsto, o SNE a lei 6/92 preconiza
a realização da modalidade de Educação de Adultos (EaD) (SNE, Lei 6/92 artigo 31).
Segundo esta lei, no Plano Estratégia de Alfabetização e Educação de Adultos (PEAEA,
2010-2015) e no Plano Curricular para a Alfabetização de Adultos (PCAEA) do
Ministério da Educação de Moçambique (MEC).

Uma população educada é fundamental para o desenvolvimento nacional, combinada


com boas políticas macroeconómicas, nisto, a educação é considerada um factor-chave
na promoção do bem-estar social e na redução da pobreza.

À luz desta premissa, Moçambique ratificou vários documentos internacionais


comprometendo-se a envidar esforços para que a educação seja preponderante. Dentre
esses documentos, podemos citar a Declaração de Jomtien, o CONFINTEA, a
Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Dakar) e a Declaração Mundial sobre
a componente de educação de adultos como um objectivo a prosseguir, e na sequência
da implementação do primeiro programa quinquenal do Governo em tempo de paz,
estabilidade e reconciliação nacional, verifica-se um ressurgimento, a nível nacional, da
Educação de Adultos, tanto na esfera formal como não-formal. Este ressurgimento
preconiza a intensificação do investimento na alfabetização de adultos e promove uma

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maior visibilidade deste sector, entre outros aspectos, urgindo assim a necessidade de
perceber sobre os desafios da educação para todos em moçambique, com o
objectivo de analisar os desafios da educação de jovens e adultos em moçambique,
tendo como objectivos específicos: Contextualizar a educação de jovens e adultos em
Moçambique, Descrever as políticas e práticas da educação de jovens e adultos em
Moçambique e Descrever a importância da educação de jovens e adultos.

Portanto, a elaboração do ensaio e motivada essencialmente pelos seguintes aspectos:

Do ponto de vista da atualidade, destaca se a persistência de altos índices de


analfabetismo no país não obstante sendo a educação um direito, cujo objectivo é
formar cidadãos capazes de exercer suas funções na sociedade; além disso, intenciona-
se a formação de sujeitos críticos, democráticos, participativos, autônomos e que
conheçam seus direitos e deveres com vista o desenvolvimento do País.

Do ponto de vista socioprofissional, pelos desafios relatados pelos educadores no


processo de ensino e aprendizagem de jovens e adultos o que desencadeia um conflito
íntimo em responder às propostas do currículo prescrito e o que é posto em prática em
sala de aula, visando a articulação deste processo à vida pessoal de cada jovem e adulto
que busca significados para os diferentes saberes que reside em não excluir nenhum.

Do ponto de vista pessoal e científica, urge o interesse de estudo dessa pesquisa pelos
desafios levantados pela sociedade em compreender a metodologia aplicada por
professores ou pedagógicos na educação de jovens e adultos, com intuito de identificar
as contribuições de educadores no trabalho do docente, o que tem refletido na vida do
educando, e como é orientada essa modalidade de ensino.

Nisto, a elaboração deste ensaio privilegiou se a pesquisa bibliográfica onde a mesma


foi elaborada a partir de material já publicado, como livros, artigos, e internet.

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4.0. Contextualização

4.1. A Educação de Jovens e Adultos em diferentes contextos


O conceito de educação de adultos não é uniforme e muito menos linear. Isto implica
uma abertura para uma abordagem mais ampla usando diferentes modalidades e
alternativas de modo a acomodar as características dos usuários e o contexto político,
económico e social em que o conceito está inserido. Pelo que, o desenvolvimento da
ciência e da técnica e dos problemas económicos existentes no ámbito internacional
fazem com que a educação de adultos contribua dando a conhecer ao indivíduo o mundo
que o rodeia e o da sua comunidade.

É na esteira da demanda por este contributo que a UNESCO tem agendado uma série de
encontros internacionais denominados CONFINTEAS que geralmente acontecem de 12
a 13 anos onde, dentre as várias questões, se buscam terminologias conjuntas do que é a
educação de jovens e adultos, adultos e se tenta encontar soluções aos problemas
comuns deste subsector da educação.

A UNESCO tem desempenhado um papel muito importante nestas conferências


sobretudo no que diz respeito a definição de políticas, na mobilização de recursos tanto
humanos como materiais, na concepção e partilha de metodologias contextualizadas e
na realização de estudos sobre os problemas comuns que grassam as sociedades no
geral.

Neste contexto, realizada cada CONFINTEA, os países em grupos ou regiões,


redefinem a educação de adultos, traçam estratégias de implementação das
recomendações, reformulamos currículos, etc, como forma de resolver os problemas
mais pontuais em função dos recursos tanto humanos como materiais existentes bem
como das condições e características de cada país, grupo ou região.

À luz das preocupações saídas das CONFINTEAS e na tentativa de dar seguimento às


recomendações destas, Moçambique tem ratificado alguns documentos internacionais
como a Declaração de Jomtim, a Declaração Mundial sobre a Educação para Todos de
Dacar, a Declaração Mundial sobre a População, etc, onde se tem comprometido a
envidar esforços no sentido de priorizar a educação de adultos.

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A razão da ractificação dos protocolos acima referenciados é que todos eles contemplam
a componente de educação de jovens e adultos como um objectivo a perseguir e por
apresentar-se como um dos países do mundo que ainda tem um número considerável de
analfabetos.

A V CONFINTEA de Humburg (1998:5/6) define o termo educação de jovens e adultos


como um processo de aprendizagem não só de leitura, escrita e numeracia, mas sim, em
algo que acontece de uma forma contínua virado para o desenvolvimento de
habilidades, autonomia e criatividade.

A Estratégia de Alfabetização e Educação de Adultos em Moçambique (2010-2015:4)


define a alfabetização e educação de adultos como um processo de aprendizagem
formal, não formal e informal em que os jovens e adultos desenvolvem habilidades,
conhecimentos e atitudes, aperfeiçoando as suas qualificações técnicas e profissionais,
na perspectiva de satisfazer as suas necessidades, da comunidade e da sociedade em
geral.
A definição da alfabetização educação de adultos da Estratégia (2010-2015:4) do
MINED remete-nos ao entendimento segundo o qual a educação de jovens e adultos
desenvolve-se em três vias fundamentais: Educação Formal (EF), Educação Não Formal
(ENF) e Educação Informal (EI). Portanto, o conceito de educação de adultos vai-se
definindo em função do campo de acção por onde se vai- trabalhar.

5. Caracterização histórica da Educação de Jovens e Adultos em Moçambique

5.1. Etapas históricas de educação de jovens e adultos em Moçambique


Para a caracterização histórica da educação de jovens e adultos nesta parcela da África
Austral, determinam-se as seguintes etapas extraídas de Mário (2002: pp 3-4).

I.
Desde 1975 (altura da independência de Moçambique) até meados da década 80.
Segundo Mário, o marco importante nesta etapa foi a consagração da educação de
adultos como um dos pilares do Sistema Nacional de Educação. Para Mário, esta etapa
foi caracterizada por um processo dinâmico e multifacetado de mobilização popular

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para as tarefas da reconstrução nacional, construção da unidade nacionale da afirmação
da identidade moçambicana.

II.

Desde meados da década 80 até 1995


Na óptica de Mário, esta etapa foi caracterizada, por um lado, pela redução significativa
das actividades de alfabetização e educação de adultos devida à intensificação da guerra
de desestabilização movida pelo então regime do “apartheid” da África do Sul e, por
outro, pela destruição de infraestruturas e perda de vidas humanas que fez com que
milhares de moçambicanos se refugiassem para os países vizinhos e outros milhões se
encontrassem na condição de deslocados. Segundo ele, as campanhas de alfabetização
passaram a ser promovidas apenas nas grandes cidades. Exceptuavam-se a esta regra, as
iniciativas das ONGs, religiosas e de indivíduos que mantiveram os programas em
pequena escala e produziram programas inovadores com base em línguas locais. Para
este autor, os marcos importantes desta etapa foram a extinção da Direcção Nacional de
Educação de Adultos (DNEA) e a integração das actividades da AEA na Direcção
Nacional do Ensino Básico (DNEB).
III.
Desde 1995 aos nossos dias
Que de acordo com Mário (2002: pp 3-4), é caracterizada por um processo de redes
cobrerta e resgate da alfabetização e educação de adultos no contexto da paz e
estabilidade social que o país vive, e como instrumento indispensável de um
desenvolvimento económico e social sustentável centrado no homem e na mulher
moçambicano.

Labarrere & Valdicia (1988:166) definem o processo educativo como um conjunto de


actividades e processos específicos que se desenvolvem de forma consciente, tomando
em consideração as condições em que a educação tem lugar, as relações estabelecidas
entre o educador e educando e a participação activa destes no processo de ensino
destinados ao alcance dos objectivos bem definidos.

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Por seu turno, Iturra (2011) define o processo educativo como o meio pelo qual os que
já têm explicitado na sua memória pessoal o como e o porquê da sua experiência
histórica, tentam retirar os mais novos da inconsciência do seu saber, daquilo que é
percebido sem que seja explícito e procura inserir os mais novos nas taxonomias
culturais.
A educação de adultos é considerada, por um lado, a aquisição de noções básicas de
leitura, escrita e cálculo e, por outro lado, um processo que estimula a participação nas
actividades sociais, políticas e económicas e permite uma educação contínua e
permanente. O conceito adoptado reflecte, também, o tipo de alfabetização funcional
inserido como uma das actividades de desenvolvimento local. (MEC, 2003 p.57)

Na esteira das definições acima apresentadas, percebe-se claramente que ambas


contemplam os factores socioculturais e as experiências que constituem elementos
indispensáveis a ter em conta na elaboração de planos, estratégias, programas da
educação de jovens e adultos.

Neste contexto, o processo de Educação de jovens e adultos é considerado multifactorial


por ser influenciado por algo exterior a escola e que ao mesmo tempo contribui para o
desenvolvimento integral da personalidade do ser humano.

O processo educativo de jovens e adultos é também considerado bilateral por não


acontecer somente do educador para o educando. Assim, estes dois elementos do
processo educativo interagem nos dois sentidos e de uma forma activa e participativa.

A lição que se pode tirar destes fundamentos é de que o processo de educação dos
jovens e adultos deve ser guiado pelos princípios gerais da pedagogia como uma ciência
e de acordo com o contexto sócio histórico das comunidades onde o educador e
educando se encontram inseridos.

Deste modo, pode-se dizer que, como um processo pedagógico que acontece de uma
forma muitifactorial e bilateral, este (processo pedagógico), deve ser idealizado,
desenhado e organizado a partir de um diagnóstico da situação real do sujeito da
aprendizagem para permitir a adaptação dos conteúdos de ensino às condições e
diferenças individuais do educando. Só assim e com o conhecimento individualizado

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das limitações e dos pontos fortes é que se poderão estabelecer e redesenhar os
programas e estratégias educacionais e imprimir um carácter personificado do processo
de planificação educacional.

[Link] políticas de educação de jovens e adultos em Moçambique

Labarrere & Valdicia (1988:166) definem o processo educativo como um conjunto de


actividades e processos específicos que se desenvolvem de forma consciente, tomando
em consideração as condições em que a educação tem lugar, as relações estabelecidas
entre o educador e educando e a participação activa destes no processo de ensino
destinados ao alcance dos objectivos bem definidos.

Por seu turno, Iturra (2011) define o processo educativo como o meio pelo qual os que
já têm explicitado na sua memória pessoal o como e o porquê da sua experiência
histórica, tentam retirar os mais novos da inconsciência do seu saber, daquilo que é
percebido sem que seja explícito e procura inserir os mais novos nas taxonomias
culturais.

A educação de adultos é considerada, por um lado, a aquisição de noções básicas de


leitura, escrita e cálculo e, por outro lado, um processo que estimula a participação nas
actividades sociais, políticas e económicas e permite uma educação contínua e
permanente. O conceito adoptado reflecte, também, o tipo de alfabetização funcional
inserido como uma das actividades de desenvolvimento local. (MEC, 2003 p.57)

Na esteira das definições acima apresentadas, percebe-se claramente que ambas


contemplam os factores socioculturais e as experiências que constituem elementos
indispensáveis a ter em conta na elaboração de planos, estratégias, programas da
educação de jovens e adultos.

Neste contexto, o processo de Educação de jovens e adultos em Moçambique é


considerado multifactorial por ser influenciado por algo exterior a escola e que ao
mesmo tempo contribui para o desenvolvimento integral da personalidade do ser
humano.

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O processo educativo de jovens e adultos em Moçambique é também considerado
bilateral por não acontecer somente do educador para o educando. Assim, estes dois
elementos do processo educativo interagem nos dois sentidos e de uma forma activa e
participativa.

A lição que se pode tirar destes fundamentos é de que o processo de educação dos
jovens e adultos deve ser guiado pelos princípios gerais da pedagogia como uma ciência
e de acordo com o contexto sócio histórico das comunidades onde o educador e
educando se encontram inseridos.
A concepção das políticas educativas, portanto, deve possibilitar a construção de uma
consciência crítica dos participantes envolvidos nos programas oferecidos, tornando o
homem cada vez mais livre do pensamento, mais democrático, capaz de promover
mudanças importantes nas suas relações tanto com a sociedade, como com o meio
ambiente onde este se encontra inserido

A Educação básicas constam de vários instrumentos legais e de políticas de


desenvolvimento do país, de entre eles se destacam a Constituição da República de
Moçambique que define a educação como um direito de todo cidadão e como um
caminho para a unidade nacional, a erradicação do analfabetismo, o domínio da ciência
e da técnica, bem como a formação moral e cívica dos cidadãos.

Todos os documentos normativos e de políticos acabados de citar podem ser encarados


como uma manifestação da vontade do governo e da sociedade como um todo em
conferir à educação de jovens e adultos um espaço e um papel cada vez mais activo na
redução da pobreza e no desenvolvimento do país, conformando-se, assim, com os
compromissos internacionais assumidos a partir das Declarações de Jomtien e de Dakar,
entre outros.
É consenso que a questão da pobreza não é uma questão meramente educacional.
Porém, a educação deve servir como instrumento número um para um
redireccionamento estrutural, tanto político como económico. Como Bhola escreve,

Por um lado, tal como Torres (2003) sugere, a educação de jovens e adultos serve a uma
clientela pobre e politicamente subre presentada; os programas de alfabetização são os
de menor prestígio na hierarquia educacional, na sua maioria não oferecendo

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credenciais académicas de prestígio; a conexão entre alfabetização e trabalho é sempre
elusiva.

Por outro lado, a dificuldade dos intervenientes do sector em elucidar aos planificadores
e gestores políticos sobre a importância da alfabetização e educação de adultos, muitas
vezes como consequência da reduzida compreensão das políticas internacionais e
globais.

7. Práticas de educação de jovens e adultos em Moçambique

De acordo com o Movimento de Educação Para Todos (MEPT, 2012), todos os


documentos normativos e de Política Nacional da Educação (PNE) de Moçambique
encaram a e Educação de jovens e Adultos como uma “manifestação da vontade do
Governo e da sociedade como um todo em conferir à alfabetização e Educação de
Adultos como um espaço e um papel cada vez mais activo na redução da pobreza e no
desenvolvimento do país”, confirmando-se, assim, os compromissos internacionais
assumidos a partir das Declarações de Jomtien e de Dakar.

Assim, as práticas de Educação de Adultos desenvolvidas nos centros de Educação de


jovens e Adultos estão relacionadas com a educação e práticas de reintegração social,
financeira e económica dos adultos através de programas ministrados no curso noturno.

Entretanto, o nível de vida dos alfabetizandos que frequentam o centro de alfabetização


e Educação de jovens e adultos é baixo, existindo indivíduos adultos com problemas de
integração no meio social. Verifica-se também desistências da maior parte dos
educados, assim como também constatamos que existe um baixo nível de inscrição dos
mesmos, com isso surgem dificuldades na implementação da política de educação de
jovens e adultos. Deste modo, apesar de vários esforços desenvolvidos pelo Governo de
Moçambique em parceria com entidades privadas, o cenário ainda prevalece
dificultando o alcance dos objectivos da Educação de Jovens e Adultos em
Moçambique.

A Educação de Jovens e Adultos, enquanto programa que orienta a educação no país,


aceita a diversificação das formas de ensino, porém, os processos da educação
caracterizam-se, fundamentalmente, por uma educação escolar de segunda oportunidade

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para pessoas maiores de 15 anos que não tiveram a oportunidade de escolarização na
infância, buscar a compreensão sobre a Educação de jovens e Adultos em Moçambique,
destacam-se aspectos socioculturais dos moçambicanos e a política nacionalista erguida
no período pós-colonial como pressupostos fundamentais.

Os aspectos socioculturas, afiguram-se de maior importância para a compreensão de


todo o processo educativo, pelo facto de Moçambique, tal como outros países africanos,
valorizar a educação como um bem cultural, na qual ao longo da história, os
moçambicanos educaram-se de gerações em gerações através das formas literárias orais
nomeadamente: fórmulas rituais (orações, invocações, juramentos, bênçãos); histórias
etiológicas (explicações populares do porquê das coisas); contos populares, narrações
históricas entre outras formas de educação (ALTUNA, 1993, p. 37).

De acordo com Altuna (1993), a escrita é um “conjunto de sinais usados


convencionalmente para se expressar e comunicar, por um lado”, e por outro como um
saber ou herança que pode ser mediado através de várias formas às novas gerações,
incluindo a oralidade, nesta perspetiva, o saber sociocultural dos aprendentes deve ser
tomado em consideração para todo o tipo de prática educativa em Moçambique,
incluindo a Educação de jovens e Adultos.

O Relatório Nacional para CONFINTEA VI (MEC, 2008) declara que é com base neste
instrumento que o governo e a Sociedade civil realizam esforços para providenciar que
“todos os Moçambicanos tenham acesso a literacia como uma forma de oferecer
oportunidades a todos os cidadãos jovens e adultos para que possam adquirir as
competências em literacia, numerária”, capacitando dessa forma os cidadãos para os
desafios que eles enfrentam diariamente”.

Porém, no âmbito da estratégia nacional, as acções da educação são afectadas


negativamente por factores sociais, pedagógicos e administrativos, Mas apesar disso, a
prática político-discursiva está comprometida com a garantia do direito à educação
através da alfabetização da população e considera o analfabetismo como o principal
problema que alimenta a pobreza dos moçambicanos.

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8. Os desafios da educação de jovens e adultos em Moçambique

É importante referir que o processo de alfabetização e educação de jovens e adultos é


um desafio, não só para as entidades governamentais, universidades, professores, como
também para toda a sociedade e sobretudo para o próprio educando/ aluno. Isto porque,
mesmo que as politicas e os programas de EJA sejam muito bem concebidos, se não
forem bem recebidos por parte dos beneficiários, haverá sempre erros na implementação
e, descarte, nos seus resultados.

A maioria dá populações moçambicanas, por exemplo, não demostram muito interesse


aos programas da EJA, o que torna ainda mais deficitária a política desta modalidade de
ensino, nessa perspectiva, torna-se claro sobre o que se pode fazer para enfrentar os
desafios que o mundo atual impõe, que certamente passa necessariamente pela definição
de políticas claras e sustentáveis, principalmente para a área de educação, como forma
de preparar o homem que seja capaz de lidar da melhor maneira como as demandas do
dia-a-dia chamada nova realidade escolar,

Nisto e de considerando que, o grande desafio, sem dúvida, não é o de estar ciente
destas transformações, mas sim integrá-las e contemplá-las no trabalho educacional.
Portando, essa integração e contemplação deve ser acompanhada de análise crítica das
políticas públicas, para não incorrer no risco de conceber políticas internacionais que de
certa forma não se enquadram na realidade local das comunidades.

De acordo com o (MEPT, 2015), o subsistema de Educação de Adultos enfrenta


desafios, entre os quais se destacam, “a dificuldade de retenção dos alfabetizandos nos
programas, sobretudo no meio rural, devido aos elevados índices de pobreza que levam
ao aumento das desistências, sobretudo de mulheres”

O Balanço do Programa Quinquenal do Governo 2010-2014 estima que a despesa na


área de Educação de Adultos corresponda a apenas cerca de 1% do orçamento do sector.
Os subsídios para os alfabetizadores (650 Meticais por mês) são pouco motivadores
para os alfabetizadores. A fonte destaca ainda que os progressos na área de Educação de
adultos são lentos a notar pelas taxas de alfabetizados, mesmo apesar do número
elevado de alfabetizandos envolvidos nos programas.

No entanto GADOTTI (2013), destaca que os desafios da educação de adultos em


Moçambique, são enunciados tendo em conta a três áreas:

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Sociais: Programas de Educação de jovens e Adultos; a Fraca adesão dos jovens e
adultos do sexo masculino em programas de Educação de jovens e Adultos.

Pedagógicos: Limitação dos alfabetizadores por insuficiência de formação;


Desenvolvimentos de programas de Educação de Adultos, com base em materiais
produzidos nas línguas moçambicanas enquanto os alfabetizadores e educadores de
adultos não possuem formação nessas línguas;

Administrativos: Irregularidade no pagamento de subsídios aos alfabetizadores;


escassez de recursos humanos, materiais e financeiros (GADOTTI, 2013).

Portanto no nosso entendimento destacamos a fraca relevância dos programas, a fraca


retenção, particularmente em relação às mulheres e raparigas e a deficiência dos
sistemas de supervisão, monitoria e avaliação.
A mesma análise aponta alguns constrangimentos, tais como pessoal pouco qualificado,
falta de garantia de financiamento para a implementação dos programas, insuficiente
capacidade do EJA em desempenhar as suas funções, particularmente no tocante à
implementação do Regulamento de Pagamento de Subsídios aos educadores. Portanto,
este regulamento viabiliza o processo de contratação e pagamento dos alfabetizadores
mas, quando não implementado correctamente, pode desmotivar tanto a participação
dos educadores bem como dos aprendente.

[Link]ância de educação de jovens e adultos em Moçambique

De acordo com Mário (2002), ressalta-se que “a alfabetização e educação de adultos é


vista como um processo sócio histórico e cultural”, que preenche a necessidade
fundamental dos adultos e dos seres humanos de inclusão na generosidade para si.
Portanto, a alfabetização, como dinâmica da relação entre a apropriação e a
objectivação, é um processo voltado para a introdução de indivíduos na continuidade da
história.

Entendemos, com isso, que a educação escolar, juntamente com a leitura e a escrita, são
os principais conhecimentos necessários para a compreensão e formação de um ser
civilizado, tornando-o capaz de modificar situações que beneficiem todos os envolvidos
na sociedade, proporcionando seres críticos e conscientes de sua função social.

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De acordo com Mário (2002), “existe um desejo dos alfabetizandos em estar inserido
profissional e socialmente neste mundo letrado”, com o intuito de ser visto e aceito pela
sociedade como um cidadão que passou a enxergar o mundo de forma diferente,
confirmando, assim, que o aprendizado da leitura e da escrita, na perspectiva do
letramento, traz mudanças significativas para a sua vida.

Na relação familiar, observa-se que os alfabetizandos pretendem, através da aquisição


da leitura e da escrita, melhorar a relação com o outro, visto que, alegam saber falar e
compreender melhor o outro, após a alfabetização.

Na dimensão profissional e/ou ocupacional, percebemos um anseio em melhorar de


vida. Sabe-se que muitos jovens e adultos empregados e desempregados ou empregados
em ocupações precárias, temporariamente, buscam na alfabetização um espaço para se
capacitarem para enfrentar o mercado de trabalho, no actual contexto socioeconómico.

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10. Conclusão

Nessa perspectiva, compreende-se que ao definir as políticas de educação deve-se ter


em conta a perspectiva de formação que se pretende para esse grupo alvo, pois, se a
educação for um instrumento para intervenção na sociedade, esta deve construir mentes
suficientemente preparadas para responder e transformar o mundo em que estiver
inserido, ou seja, a educação a ser oferecida deve proporcionar ao indivíduo a
capacidade de tomar atitudes que sejam benéficas tanto ao nível pessoal quanto
coletivo.
Neste caso, as políticas públicas de educação são determinantes, pois, num país onde se
exercer domínio sobre o povo, a preocupação nunca será de implementar programas que
possibilitam a autonomia do indivíduo ou grupo, muito menos uma educação que
espelha a realidade vivida localmente. Simplesmente os educandos passam a receber um
conjunto de conteúdos que não têm muita relação com o mundo real, fazendo do aluno
um mero recipiente, que é aquilo de o aluno não desenvolve o espírito crítico
sustentável e capaz de transformar o mundo real.
Importa referir que, as políticas de EJA em Moçambique, pretende-se responder o
compromisso de educação para obem-estar das comunidades; proporcionar processos de
alfabetização tendo em conta a diversidade sociocultural e de género; e ainda
desenvolver uma criatividade, inovação e uma capacidade de reflexão crítica, elementos
importantes para uma transformação social.
Os desafios da educação libertadora e transformadora podem ser respondidos através de
um conjunto de práticas educativas que coloca o diálogo como uma ferramenta
preponderante no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Nisso, o aluno deve
ser o centro de todas as atenções da educação.

PAGE \* MERGEFORMAT 13
4. Revisão Bibliográfica

 Boletim da Republica. Suplemento do Sistema Nacional da Educação Lei 6/92.


Imprensa Universitária. 1992;
 CANEN, A. Desmistificando a avaliação. In: MEC. Educação de Jovens e
adultos. Brasília: SEED, 1999;
 GADOTTI, M. Educação de adultos como direito humano. Eja em Debate,
Florianópolis, Ano 2, n. 2. Jul.2013. Disponível em:<
[Link]
 LIMA, L. C. Educação ao longo da vida: entre a mão direita e a mão esquerda
de Miró. São Paulo: Cortez Editora, 2013;
 MEPT. Plano Estratégico (2003-2005). Maputo: MEPT. 2012;
 SOARES, M. Aprender a escrever, ensinar e escrever. Faculdade de Educação
da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, 1998;
 MINED. Plano Curricular para a Alfabetização. Maputo: MINED. 2003;
 NANDJA, M.; MÁRIO, D. A Alfabetização em Moçambique: Desafios da
Educação Para Todos. Unesco. Maputo. 2006;
 STRELHOW, T.B. Breve história sobre a educação de jovens e adultos no
Brasil. Revista Histedbr, Campinas, n.38, jun..2010. Disponível em:<
[Link] Acesso
em: 29 jun. 2019;
 UNESCO. Relatório Sobre Educação de Adultos em Moçambique. UNESCO.
2009.

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