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Dicas Práticas para um Discurso Eficaz

O documento aborda a importância da preparação e estrutura de um discurso eficaz, enfatizando a necessidade de clareza no objetivo e organização das ideias. Destaca também a relevância da conexão com o público, uso adequado da voz e linguagem corporal, além de evitar vícios de linguagem. Por fim, sugere que o orador deve falar com convicção e sinceridade, utilizando gestos e olhares para fortalecer a mensagem.

Enviado por

Eduarda Pereira
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Dicas Práticas para um Discurso Eficaz

O documento aborda a importância da preparação e estrutura de um discurso eficaz, enfatizando a necessidade de clareza no objetivo e organização das ideias. Destaca também a relevância da conexão com o público, uso adequado da voz e linguagem corporal, além de evitar vícios de linguagem. Por fim, sugere que o orador deve falar com convicção e sinceridade, utilizando gestos e olhares para fortalecer a mensagem.

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1 2

O conteúdo do discurso Preparação imediata

O conteúdo é principal ! é necessária ! Sem ela ... discurso confuso


Para falar precisa-se de duas coisas: cérebro e língua Organizar a cabeça / as idéias

principal: o cérebro seqüência lógica


não é . vencer a timidez
. ter boa dicção COMEÇO + MEIO + FIM
. não ter medo
e amarrar as várias partes
Só isso não basta!
Definir claramente
Qual o objetivo desta fala
Se não ... abobrinhas!
...generalidades / sermão inútil O que quero com este discurso
É preciso SABER O QUE . SE QUER DIZER
. TRANSMITIR
. ANUNCIAR
Definir claramente
ter clareza da proposta
Para isso Conversar muito
qual o objetivo
Participar de debates / palestras / seminários
Ouvir / pensar / refletir
Ver filmes inteligentes o resto é
Ler tudo
> jornal 15/20 minutos dia
> jornais da esquerda: todos
secundário
> publicações sindicais
> revistas inteligentes - e até a Veja! Para isso é preciso ...
> livros ... sempre... Quantos no último ano?
Qual HOJE?
preparar o discurso...  pensar
Essa é a PREPARAÇÃO REMOTA anotar ...
3 4
Começo - Meio - Fim MEIO
Todo discurso precisa ter: começo - meio - fim é o corpo central do discurso
COMEÇO a) Quer defender tua idéia, tua proposta ?
> cumprimentar: DIA / TARDE / NOITE b) Quer analisar a conjuntura ?
c) Quer apresentar uma idéia nova ?
Falar logo de cara

QUAL A NOVIDADE
primeiro o FATO NOVO
? d) Quer fazer a ligação política
de um fato com suas causas...
suas consequências ?
não começar pelo comentário
. “Mais uma vez o governo mostra que...”
. “Mais uma vez a mídia mostra seu lado”

primeiro...
É aqui que
Começar anunciando o novo
vamos convencer
fazer dizer UAU! Caramba!
O que aconteceu?
Quem fez o que?
aqui vai poder despertar
depois: comentar amor ou ódio a idéias
no final... chamar para a ação propostas
produtos
Não começar pelo fim
“Sexta-feira, às 18 horas teremos assembléia”
pessoas
e daí? o que eu tenho com isso?
5 6
FIM
aqui... e daí ... O QUE FAZER?
podemos falar de tudo. QUAL A PROPOSTA?
falar de política...economia...história ! Depois de chocar ... indignar ... estimular
Depois de explicar e convencer

mas... chamar para a ação


acertar o alvo Não esquecer quando, hora,
aonde
atenção
não falar de 10 assuntos Repetir a proposta
... não atirar em tudo
pra gravar bem
é inútil ! no fim do discurso
fazer síntese da > proposta
> argumentação
> ação
No fim do discurso... dar idéia que vai acabar
alto / firme / incentivo
Tom:
baixo / grave / reflexivo

> puxar para cima ... vamos!


assim poderemos ...
poucas idéias em cada fala > animar / incentivar
Levantar a voz
Escolha: ou
falar de tudo = NADA abaixar ... desacelerar
7 8
Conhecer o público Roteiro ajuda
é necessária uma ... Não é obrigatório ...
pesquisa permanente mas...
para muitos é útil

TUDO: SITUAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA


> CONDIÇÕES CONCRETAS DE VIDA
COMO ? Escrever só algumas palavras...

> SEU MUNDO CULTURAL Só o roteiro


. se lê jornal ou não / qual?
. TV - o que assiste ... letras grandes
. rádio se ... e o que ouve?
>ESCOLARIDADE atenção: NÃO DECORAR
mas... esquematizar
SUAS NECESSIDADES E EXPECTATIVAS
organizar a fala
SUA IDEOLOGIA
PARTICIPAÇÃO SOCIAL Exemplo: Queremos nossa PLR
. sindicato
ESMOLA
. movimento EMPRESA
. associações NÓS NÃO
M
. partidos
ço TEVE LUCROS SI
. religião Come 5 MILHÕES

MOS
NÓS PRODUZI
durante o discurso SUOR
CANSAÇO
5 MORTOS
> perceber as reações Meio QUEREMOS
O NOSSO
. concordância X discordância
. atenção COMO ?
PREPARAR
. aborrecimento OU GREVE
GREVE 2500
TODOS
> ver se acompanha ou não Fim CONVERSAR
.
- Sind
SSEM... 18h
6º NOVA A
9 10
Convicção Medo? Não! Antes orgulho
> Ter a convicção de que estamos falando A VERDADE
medo?
o olhar traduz isso
vergonha?
DO QUE ?
> Falar com o coração e ao coração.

Você está fazendo um serviço para a classe


As pessoas sentem está disposto a falar em público
. se expondo
a mentira! . se arriscando à vaia.

Qualquer coisa que você faça


Ter a certeza na frente já é muito!

a história na mão
Quantos falam numa assembléia?
Quantos falam num carro de som?
Não somos vendedores de banha de peixe boi
Não se trata de vender
uma caixa de palito de fósforo queimado É preciso ter
20, 30, 50 mil que falem em público

As pessoas só confiam Para mudar o mundo


se sentirem a verdade é preciso de milhões
que falem em público
11 12

Ainda estás com medo? Uso da voz

É NORMAL ! Sem voz não tem oratória


é uma das DUAS PERNAS do orador
muitos e muitos têm conhecimento
a primeira já vimos:

como VENCER ? Quatro dicas básicas sobre a voz


vencendo-o / enfrentando-o
1 Não correr
Lembras para aprender a dirigir?
a nadar? ninguém entende
tira a atenção
a primeira baliza ... desvaloriza a fala

e hoje ? precisa
dar peso às tuas palavras
dar tempo para as palavras
Se precisar 20 vezes para se sentir seguro entrarem no ouvinte

e cada vez ... é MENOS UMA !


20, 19, 18, 17, 16, 15 ........ 3, 2, 1
2 Fazer pausas
é o momento da reflexão as
o aus
çã as p
a vitória é sua pausa dá peso à tua palavra
destaca
acentua ex
ag
en
at ar n
er
o

enfatiza

Pausas curtas ... e só após formular uma


frase muito importante
13 14

3 Não ser monótono 4 Não berrar

O mesmo tom dá sono


faz o ouvinte se distrair
Tom muito alto... irrita
tira o tesão do discurso
é autoritário / impositivo
Grandes oradores variam o tom e o volume não dialoga / não convence

afasta do ouvinte
Oscile igual às
ondas do mar dá idéia de já visto / já ouvido

“Sempre igual” “Sempre o mesmo”

Sem oscilação... é sono ! transmite um ar de prepotência


quer convencer no grito

Quantos dormem com mas ... tom muito baixo


a TV ligada ! também atrapalha
dificulta a audição
Atenção:
Não variar a voz sem sentido
mostra insegurança
A variação tem de acompanhar a mensagem
• grave / séria não estimula o intercâmbio
• de raiva / decisão
• amigável / familiar ou mostra desinteresse pelo público
• firmeza / força / segurança
15 16
O olhar... mostra sinceridade
O olhar dá confiança
dá força
É o terceiro elemento da oratória Lembrar Chico Buarque:

Olhos nos olhos


cérebro
Quando você me deixou meu bem
Me disse prá ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois como era de costume obedeci.

Quando você me quiser rever


Já vai me encontrar refeito, podes crer.
voz olhar Olhos nos olhos quer ver o que você faz
Ao saber que sem você eu passo bem demais.

E que venho até remoçando


E me pego cantando, sem mais nem porque.
O olhar estabelece uma relação E que tantas águas rolaram,
Tantos homens me amaram,
pessoal entre as pessoas Bem mais e melhor que você.

Quando talvez precisar de mim


Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.

O olhar... apaixona Olhos nos olhos quero ver o quê diz


Quero ver como suporta me ver tão feliz.

assusta
olhos nosfuzila
olhos
Lembrar a música de Adoniran Barbosa
olhos nos olhos
Não olhar os urubus
Tiro ao álvaro Ou as baratas

“De tanto levar frechada do seu olhar Nosso olhar tem que ser
meu peito até parece sabe o que? um radar... que vê todo mundo
Tauba de tiro ao álvaro
Não tem mais onde furar. Atenção
Teu olhar mata mais olhar para cada um
Do que bala de carabina
Que veneno, ou stricnina, ou cada bloco da platéia
Que peixeira de baiano.
Teu olhar mata mais quem não é visto
Que atropelamento de otomóvel, não se sente importante
Mata mais que bala de revolve”.
17 18
atenção O peso dos vários elementos da oratória
Podemos visualizar assim o

O corpo fala peso de cada componente de um discurso

3% et
3% e
3%

c
tc
etc
...diálogo do corpo

5%
Ge
sto
na oratória
10
o olhar manda... Ol %
ha
r
e o corpo acompanha de 51%

conteúdo
Olhar com os olhos 25%
Voz
e...
com o dedão do pé

O virar do corpo com o olhar


dá movimento ao discurso
dinamiza por isso...
1- ler / estudar / ouvir sempre
torna vivo
2- oscilar a voz sempre
3- olhar sempre
19 20

O gesto A postura
não se preocupar
seja natural ... “ SEUS

!
GESTOS Ficar de pé ... seguro
não se encostar em nada (desleixo)
O gesto ... não se escorar na mesa

aos poucos acompanha conteúdo


Mostrar firmeza / segurança

voz sem
arrogância / prepotência
olhar Cuidados
O conteúdo, o tom não ficar duro demais...posição de sentido
determina os gestos não ficar de perna aberta
não balançar o pé pra’ lá e pra’ cá
não dançar enquanto fala
cada um tem seus gestos não andar pra’ lá e pra’ cá
...japonês e italiano no mar mãos no bolso NUNCA = ARROGÂNCIA
braços cruzados NÃO = PREPOTÊNCIA
mas atenção... o gesto tem que acompanhar as palavras
todo gesto tem que significar algo O que dá movimento
não repetir o mesmo gesto vazio
dedo em riste é uma coisa
mão espalmada amigável é outra
mas
não é andar pra’ cá e pra’ lá

variação de voz
atenção cada um tem seu estilo
olhar... com o corpo
mas... que gesto ajuda...
gesto
ajuda!
há vários tipos de gestos atenção
Força - gravidade
não coçar...nada!
Alegria - dor
não encolher as costas... ah! que pesado falar!
Ódio - terror
no caminhão de som não se deitar no parapeito
Afeto - amizade
(demagogia barata)
Coragem - ação
não segurar lápis, caneta, fio do microfone
21 22

O microfone Vícios da linguagem

NÃO MORDE !
o pavor do microfone é UNIVERSAL
Há dois tipos de vícios
1- Comuns
... se console
Todo orador está sujeito a cometê-los
distância: perto do queixo né
tá Evite...distraem
abaixo dos lábios éééééé
viu
por exemplo ...................Só quando for dar um exemplo
deixar ver a boca entendeu..........................Nunca! chama o ouvinte de idiota
tá certo............................Nunca! autoritarismo
é isso aí............................Nunca! Quem disse que é isso aí?
de cara limpa! muito bem...........................Nunca - bobagem!
é o seguinte.........................Inútil
correto..................................Inútil
Como segurar: - como um cone de sorvete veja bem...............................Inútil
- não mexer manter distância olha.......................................Inútil
tá bom - tá OK.....................Inútil
- não oscilar não é benzedor/nem para bater

e o pedestal ? Sempre tire o microfone não são mortais ... mas atrapalham !
te imobiliza
te prende e ... a língua portuguesa ?
lembrar
Cada um fala como sabe ?
- Mais de 95% da humanidade NUNCA
FALOU COM MICROFONE
mas é bom...
se esforçar sempre
O microfone: é uma das armas para falar corretamente
para a disputa de hegemonia
23 24
ao falar tenho que saber
2- Linguagens específicas
para quem estou falando
São verdadeiros idiomas próprios

...são muralhas! bunda quadrada ou bunda normal


há muitas muralhas:
é preciso declarar guerra
às Sete Pragas do Apocalipse
intelectualês
juridiquês
economês Esses participam de Esses NÃO participam de
psicologuês
congressos
politiquês plenárias
esquerdês encontros

so
cursos

dis
sindicalês seminários
reuniões de diretoria

da
Há outras pragas...muitas reuniões do partido

na
Ex: mediquês reuniões da tendência
gabinetês etc, etc, etc
opesês (do Orçamento Participativo)
ongesês
Esses falam Esses falam
Para se comunicar é necessário...
duas línguas uma língua
voltar a falar a
linguagem comum
linguagem dos mortais e
Só a língua comum
a linguagem especializada
25 Palavras e expressões usadas por agentes 26
do Orçamento Participativo
Seleção de palavras e expressões em Araraquara 07/2002

intelectualês /politiquês / sindicalês do livro Muralhas da Linguagem


Linguagem. de Vito Giannotti- Ed. Mauad

Descubra o “idioma” das palavras assinaladas:


I-Intelectualês S-Sindicalês
(Do livro Manual de Linguagem Sindical, Claudia Santiago, S. Domingues e Vito Giannotti,- Ed. NPC)
P-Politiquês J-Juridiquês
E- Economês ?- O que mais?
Galopante - (I) Inflação galopante Inflação crescendo muito
rapidamente a posteriori conferência exercício da cidadania
a priori conjectura explanação
Gancho - (S) Pegando o gancho da proposta Aproveitando o que a Central já
da Central propôs abolir conselho/gestor extraviado
ad referendum conselheiros facultativo
Generalidades - (I) Só falou generalidades Só falou coisas gerais / - sem
agilizar contexto geopolítico fazer outra leitura
definições
alavancar contexto ideológico flexibilizar
Genérico - (I) Posicionamento genérico Posicionamento sem definições aliados contra-corrente foco da discussão
claras / afirmações gerais / -
anais: nos anais corpo-a corpo fomentar
afirmações vazias
Gênero - (I) anexo correlação de forças formatar
Vamos atacar a questão de gênero Vamos dar peso a questão da luta apreciação decreto fórum
das mulheres / vamos nos
assessorar deferido/indeferido gerir políticas
preocupar com a situação e a luta
da mulher assessorar o processo deferir gestar
autogestão déficit hierarquia
Gênese - (I) O que está na gênese desse O que está na base desse
auto-organização delegação honorário
comportamento é uma visão geral comportamento é uma visão geral /
- na origem - / banalização delegados ileso
bancada delegar implicação
Globalização - (P) A globalização é a face econômica O fim das fronteiras nacionais é o
bancada do partido deliberar implícito
do neoliberalismo lado econômico do neoliberalismo
1- O governo já não bater agenda deliberativo indeferir
consegue governar bônus demarcar informes
2- Ninguém leva a sério o
burocratizar democracia direta inserção
governo
cadastrar democracia participativa inserido
Governabilidade - (P) Trata-se de uma crise de A Globo está sempre ao lado do capcioso denegrir intrínseco
governabilidade governo
capilar desmando inversão de prioridades
Governista - (P) A Globo é sempre governista só usar em textos específicos em caput despesas jurídicopolítico
que o pensamento do autor seja carga tributária dignatária laudo
Gramsciana - (I) A visão gramsciana do mundo apresentado em termos didáticos
cargo comissionado digníssimo LDO = Lei de diretrizes
Grevismo - (S) Não vamos voltar ao grevismo Não vamos voltar àquela mania de chegar direcionar orçamentárias
inconsequente fazer greve sem pensar / - greves cidadania diretrizes legal
que não se justificam
cofres públicos dissimulado lei complementar
Grilhões - (I) Romper os grilhões Romper as correntes / - as amarras coletivo elencar lei de responsabilidade fiscal
combate emenda lei orgânica
Gritante - (J) Um desrespeito gritante Um desrespeito escancarado / total
comissão emissão de títulos lei orgânica do município
comissão de ética encampar leitura da conjuntura
comissão de redação equivocado LOA = Lei orgânica anual
compulsório esquematizar mandato
concepção estabilização mandato popular
conclamar estatizar manipular a máquina
Legenda: I- Intelectualês P- Politiquês S- Sindicalês J-Juridiquês conduzir o processo estratégica máquina administrativa
27 28

monopolizar
municipalização
poder legislativo
poder municipal
receitas
recursos híbridos
Dicas finais
munícipes polarização reger
nobre edil política fiscal regimento interno
o foco da discussão
o tecido social
políticas públicas
ponderar
release para a imprensa
repasse do governo
1 Palavrão ... de qualquer tamanho...
ofício préstimos repúdio
ônus
operar
ordem do dia
paço municipal
padronizar
previdência privada
previdência pública universal
previsão orçamentária
primar
prioridades
requerer
requerimento
requisição
sancionar
sectarismo
no microfoneNUNCA
de nenhum tipo !
parecer
parecer de inconstitucionalidade
problemática
probo
seminário
sessão extraordinária ninguém aceita: AFASTA
parecer político procedência sessão ordinária
parlamentar processo administrativo sindicância tira todo o peso do seu discurso
participação processo licitatário socioeconômico
pauperização processo orçamentário subentendido
pavimentação asfáltica processo pendente sub-região
peça orçamentária procuração subsídio
pendência proferir a ordem superávit
2 Xingo - ofensa
pertinente projeção tecido social
planejamento estratégico projeto de lei temática
plano diretor
plebe
promulgado
promulgar
teto da reunião
tirada de delegados
não convence ninguém
plebiscito prorrogação trâmite Mostrar dados
plenária protestos de elevada estima tribuna livre fatos
pluralismo providências concretas valor venal
poder executivo quórum mínimo vigente
que levem o ouvinte a se indignar

3 Sorria !
cara feia é só feia... não comove

converse, dialogue...

mostrar tranquilidade,
segurança
29 30

4 Eu estou aqui hoje A função das bandeiras

NÃO INICIE O DISCURSO COM falou TIME DE FUTEBOL ... falou bandeiras
falou EXÉRCITO ... falou bandeiras
“Mais uma vez o sindicato está aqui falou SEM TERRA ... falou bandeiras
na porta desta empresa ...”

óbvio! Claro que é o sindicato


se é mais uma vez Não há time / exército
os trabalhadores já sabem

“estou aui hoje para”...


sem bandeiras
óbvio!
claro que está aqui e não lá! • das filhas de Maria
• a um time de várzea
• até um colégio tem sua bandeira
5 A questão do aumento
As 12 mil bandeiras da Coca Cola
A palavra questão só confunde. É inútil A bandeira americana na lua
“vamos falar da questão da violência” Epidemia de bandeira pós Torres Gêmeas
Os milhões de bandeiras de Chavez
por que não

“vamos falar da violência”

É inútil e confunde
Os bichos se embandeiram...
• pavão
• peru
6 Companheiro ... é como o sal • peixes
corte 90% dos teus
“companheiros”
Se não...
barateia demais essa palavra muito séria
Bandeiras são força, vida
31 32
Anexo
Século XX... século das bandeiras vermelhas
A barragem de Itaipu: escolaridade e intelectualês
(do Muralhas da Linguagem de Vito Giannotti – Ed. Mauad)
O vermelho das lutas operárias
(...)A pouca escolaridade é a grande preender o significado das palavras compre-
muralha. A grande barreira. A grande bar- ensível, intransponível ou insuperável. Ou
... Chicago 1º de maio 1886
ragem para nossos homens-dourados e nos- a famosa palavra otimista.
... Bolívia, Chile, Indonésia, África do Sul, Espanha, Itália
sas mulheres-pintadas. Esta é a Itaipu da É contra essa barreira que se esborra-
... Santo Dias: São Paulo 1979 comunicação. Ao se escutar um discurso, cham nossos homens-peixe, igual aos dou-
... Volta Redonda 9 de novembro 1988 faz-se esforço para entender. Mesmo, às rados, ou nossas mulheres-peixe, igual aos
... Corumbiara... 10 Sem Terra - 1905 vezes, com certa dificuldade. Igual aos pin- pintados. Estes homens e mulheres-peixe
... Eldorado dos Carajás 1996 tados e aos dourados. Mas se a linguagem, saberiam subir rio acima, seguindo seu
ao invés de facilitar, complica, aí fica im- instinto. Mas uma muralha os impede de
possível qualquer comunicação. Se a lin-
O vermelho das revoluções socialistas guagem for uma muralha, uma Itaipu, o
continuar.
Assim, nossos ouvintes ou leitores sabe-
nosso peixe não vai conseguir chegar lá riam ler e entender um discurso ou um
Revolução Russa 1917
em cima. Não vai fazer nascer milhares de texto. Se... esse fosse claro e direto. Se...
Revolução Chinesa 1949 outros peixinhos. A procriação dos pei- fosse falado, ou escrito, com palavras co-
Todas as revoluções do Século XX... xinhos não acontece e a comunicação com muns, que todos conhecessem. E se as fra-
Vietnan / Cuba / etc. milhões de pessoas também não. Podemos ses fossem claras, nítidas. Haveria alguma
imaginar a comunicação como um grande dificuldade, como as têm os dourados, ao
O vermelho dos Partidos de esquerda rio de milhares de quilômetros. O ideal seria subir corredeiras e quedas d’água. Mas
que os peixes, com vontade e muito esforço, daria. Porém, o que acontece é que a lin-
conseguissem subir rio acima para fazer suas guagem escrita ou falada pode se tornar
Todos ... PCB / PCdoB / PT / PSTU / PSOL
cerimônias de procriação. Ideal seria que um empecilho total à sua compreensão.
e os menores todo peixe pudesse chegar lá. Mas isto não Em vez de uma porta que se abre, passa a
acontece. As barreiras não o permitem. ser uma muralha que se coloca no meio
O vermelho das Centrais Sindicais e dos Movimentos No rio da comunicação, também, há para fechar o caminho. Para os 5% que
muitas muralhas. O peixe-humano tem que não têm problema em compreender qual-
MST / MLST / CUT / Conlutas / Intersindical / CMP enfrentar várias barragens, vários obstá- quer raciocínio, este problema não existe.
culos para chegar à compreensão de um Acham normal que todo mundo saiba ler
Relembrando a história texto ou de uma fala. um jornal, uma revista ou um livro. Acham
Há várias barragens que dificultam a normal que todo mundo saiba consultar
origem do vermelho das bandeiras operárias
na revolução, em Paris, 1848 compreensão de um discurso, ou de um um dicionário, para eventualmente, ver o
texto. A maior delas, aquela de Itaipu, é a que significa inveterado, ou inexpugnável.

“Após o esmagamento da revolução de 48 em Paris, somente da escolaridade insuficiente, deficiente ou Pois não é normal. Há uma muralha en-
depois que a bandeira tricolor foi empapada com o sangue dos falha. A pobreza, o abandono, o descaso, tre um dicionário e a compreensão dos
revolucionários de junho, a bandeira vermelha passou a ser a bandeira da o desinteresse pela educação que é dada 80%. Uma grande muralha. Itaipu está aí
revolução européia” para os filhos da Senzala é suficiente para na frente. E os peixes não mais sobem para
([Link]) impedir uns 80% da população de com- desovar lá em cima.
33 34

80% da nossa população. A segunda é esta: da garantia de que irá entender. Um filósofo
a linguagem dos que têm uma alta esco- falar de filosofia para filósofos é uma beleza.
A segunda grande muralha: faculdade preferida. Não simplesmente laridade. Esta, simplesmente bloqueia a Todo mundo entende. Todos se entendem
o intelectualês estudar o que gostassem, mas, sobretudo, compreensão de uma mensagem, para mais entre si. Já, falar de Kant, Hegel, Descartes,
depois achar um emprego decente. Um uns 15%. Ficam incluídos os tais 5% que ou Platão para engenheiros, complica bas-
O intelectualês é exatamente o oposto,
emprego do qual gostem e que permita de possuem o diploma de terceiro grau. tante. E como conseguir falar da filosofia
o contrário da exclusão por baixa esco-
viver. Inútil dizer, aqui, que isto é sonho. da práxis de Marx para as mães de um
laridade. É a inclusão somente de quem Vamos olhar mais de perto a muralha
A realidade é aquela que é, mais do que Posto de Saúde de São João de Meriti, no
possui uma alta escolaridade. Obviamente, da linguagem própria de quem terminou
conhecida. A realidade está estampada em Rio, ou do bairro do João Paulo, em São
desta inclusão reduzidíssima decorrem a uma faculdade: o que passaremos a chamar
todos os jornais. É só abrir. Luiz? Como explicar os meandros da dia-
exclusão dos outros. A exclusão dos que de intelectualês. Ouvir um intelectual falar
não possuem esta mesma qualificação. A Em dezembro de 2003, dados do PNAD, é como um som de uma flauta para alguns lética para uns diretores de um sindicato
primeira, a exclusão por baixa escolaridade publicados pelo IBGE, nos diziam que no ouvidos. Termos precisos, conceitos exatos, de trabalhadores têxteis, lá no interior de
é passiva. A pessoa é excluída por não Brasil há exatamente 6.536.482 pessoas idéias riquíssimas. Isto para ouvidos acostu- Minas?
conhecer o sentido das palavras. Ela é dei- com 15, ou mais, anos de estudos formais. mados a tudo isso. Isso não só é legítimo, Mas não é só um filósofo que se veria
xada à margem. No intelectualês, a exclusão Ou seja, com diploma de terceiro grau. como muito útil e muitas vezes necessário. em apuros. Sociólogos, arquitetos, peda-
é ativa. Quem o usa, a menos que esteja Nos mesmos dias, em 3/12, a Folha de Mas..., não dá para esquecer aquele número gogos, psicólogos, administradores de em-
falando entre seus pares, exclui milhões São Paulo anuncia que, no Brasil, 5,8 mi- fornecido pelo IBGE, em dezembro de 2003: presas, matemáticos ou físicos, todos te-
de outros que não pertencem ao seleto lhões de pessoas têm curso superior. A 6.536.482, são os que estudaram por 15 riam uma grande probabilidade de ficar
grupo de quem sabe, de quem fala, ou de diferença de cifras de uma estatística para anos, ou mais. E, numa população estimada falando sozinhos, se forem falar sobre qual-
quem lê uma linguagem de poucos. outra não faz diferença. Nos dois casos, em 175 milhões, o número correspondente quer assunto numa cidadezinha do inte-
Uma linguagem típica de quem estudou trata-se de menos de 5% da população. Ou a este, que não pode ser esquecido é rior.
por longos anos, que nós chamamos, por seja, menos de 5% da população têm 163.463.518. Estes muitos milhões... Ou, às vezes, alguns se virariam bem.
simplificação, de intelectualês, é uma bar- capacidade de entender uma linguagem imploram, suplicam para traduzir palavras Sim, porque há quem se convenceu de que
reira que exclui e humilha quem não é mais elaborada, no caso, a que nós chama- como indecifrável, práxis, ou exeqüível. uma coisa é falar para seus pares, do ponto
daquela família. Quem não é da mesma mos impropriamente de intelectualês. Po- Para quem não teve a oportunidade de de vista escolar, e outra é falar para quem
turma. Quem não é do ramo. É a linguagem deríamos dizer, terceirograusês. Palavra se sentar, por anos, nos bancos da escola, tem dez ou 15 anos de escola a menos.
de quem estudou seus 12, 15, vinte ou horrível!
uma linguagem complicada pode ser uma Uma coisa é falar para aqueles poucos
mais. A linguagem de quem tem uma alta es- tortura. Exigirá um esforço infernal para milhões de brasileiros que têm acima de
colaridade, na maioria dos casos, se trans- tentar entender. Uma corrida atrás do 15 anos de banco de escola e outra, total-
O problema não é alguém estudar 15,
forma numa barreira altíssima, impossível sentido de muitas palavras. Mas este es- mente diferente, é falar ou, pior ainda,
ou vinte anos. Isto é ótimo. O ideal é que
de ser superada por quem não tem esco- forço, na maioria das vezes, resulta em escrever para quem tem quatro ou cinco
uma sociedade ofereça possibilidades para
laridade nenhuma, ou mal terminou seus um escorregar sem parar, a cada palavra anos de escola, somente. Ou às vezes me-
todos os seus membros poderem escolher
oito anos básicos. Na escala das grandes não compreendida, que impede de acom- nos.
seu futuro. Poderem ter condições de esco- muralhas, podemos dizer que esta é a se-
lher o que e durante quanto tempo cada panhar o raciocínio. Quem entende e quem Não é nenhum crime falar numa lingua-
gunda em tamanho. Em nocividade. É um não entende um intelectual? Entende quem gem própria de especialistas. Uma lingua-
um vai estudar. Se essas condições se rea- gás que asfixia a compreensão das pessoas é intelectual. Boiará quem não o é. gem de quem possui seu diploma univer-
lizassem, não haveria problema lingüístico e impede qualquer acompanhamento de
Há algum crime nisso tudo? Nenhum, sitário, ou já terminou seu mestrado, ou
nenhum com o que nós apelidamos de in- texto ou de discurso por quem não está
se o objetivo de uma pessoa intelectualizada seu doutorado. É só saber onde se pode e
telectualês: uma feita de termos bem ela- no mesmo nível de escolaridade. Ou seja,
for falar com seus pares. Não há o mínimo onde não se pode falar.
borados, apropriados, ricos de significado. exclui uns 95% das pessoas. Nada menos!
problema em falar uma linguagem com- Se uma pessoa com muitos anos de ban-
Seria ideal que todos os brasileiros e A primeira barreira, já vimos, é a da plicada, ou especializada, com quem possui, cos de escola não precisa, naquele mo-
todas as brasileiras pudessem fazer sua baixa escolaridade que bloqueia mais de como se fosse um carimbo na testa, o selo mento, se comunicar com um público de
35 36

escolaridade menor do que a dela, o pro- um alemão que não conheça a língua de Anexo
blema não existe. Cada um fala ou escreve Camões, será certamente um caos. Seria
do jeito que quiser. Mas se o intelectual como oferecer um copo de vitamina feito O sindicalês
precisa, quer, necessita se comunicar com com um pedaço de pizza, uma feijoada,
“a massa”, o povo, o “Zé povinho”, então um salsichão branco e um hambúrguer. O Do livro Comunicação Sindical: a arte de falar para milhões
o problema existe. Existe porque há um todo bem batido. É só beber e... vomitar! De Claudia Santiago e Vito Giannotti. Ed. Vozes
fosso educacional tremendo entre os dois O mesmo acontece com uma fala que
pólos. Como se diz, em linguagem de escola mistura a linguagem dos mortais, daqui Um jovem trabalhador falava português. Eis que de repente é
de comunicação, entre o emissor e o re- da terra, com dezenas de termos de outros convidado a entrar numa chapa para a nova diretoria do sindi-
ceptor. cato. Disputa a eleição, ganha. É diretor. Seis meses depois já
planetas. Palavras em economês, juridi-
A linguagem de qualquer pessoa que quês, psicologuês, informatiquês e mais dez aprendeu outra língua. O sindicalês.
estudou anos e anos, se modifica, se diver- “ês”. Este tipo de linguagem é uma muralha Com muito esforço, prestando atenção ao que os mais
sifica, se enriquece a cada dia. Rapidamente que impede qualquer comunicação. velhos diziam nas reuniões, aprendeu. Até anotava todas
o filho que saiu do interior para estudar as frases e palavras que não entendia, logo encheu um
A linguagem intelectualizada é incom-
na capital, tem dificuldade de se fazer en- caderno. Mas foi esforçado e agora ele pega o microfone
preensível para a imensimíssima maioria
tender por sua mãe, sua tia, sem falar da do carro de som. Na porta da fábrica, agora é mais ele.
dos mortais que não são nem doutores,
avó. E os amigos de infância que ficaram Arrepia! É um discursaço que ele faz! Nas reuniões
nem mestres, nem bacharéis. Aliás, que
lá no interiorzão de Minas Gerais? também não perde o pé nunca. Olha as frases que agora
só sabem que doutor é doutor, aquele que
Muitos intelectuais de esquerda têm di- ele aprendeu a usar:
diz se vai precisar tomar uma aspirina, ou
ficuldade de admitir este fato. Como se - Não temos dúvidas que o ascenso da classe continua.
um antibiótico.
admitir este fato fosse uma traição a não
Mas além dos doutores-médicos, existem - Temos que combater a conciliação.
se sabe o quê. Fosse quase uma ofensa.
outros doutores. Os primeiros falam medi- - Eu queria fazer uma colocação para vocês.
Mas a realidade é simples. Quem estudou e
tem uma vida intelectual mais dinâmica quês, linguagem de médicos, enfermeiros - Eu queria dar uma contribuição.
acaba aprendendo uma nova língua. Ótima e estudantes de medicina. Os segundos - Temos que ir para o enfrentamento.
coisa! É só admitir e saber administrar. falam... doutorês: a linguagem dos dou- - Não podemos ter só consígnias economicistas.
Quem fala inglês, português, alemão e tores. Os doutores não dos hospitais, mas
- O processo histórico está ficando cada vez mais polarizado.
italiano está de parabéns. Só não pode da academia: engenheiros, historiadores,
- Precisamos mudar nosso material teórico.
trocar as bolas, misturar os canais. Falar geógrafos, matemáticos, psicólogos, antro-
- A correlação de forças não nos é favorável.
em inglês com quem não sabe inglês, ou pólogos, sociólogos, politicólogos e muito
em português com um italiano, ou com outros ólogos.(...) - Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá.
Eis nosso novo diretor pronto para falar aos trabalhadores.
Coitados!
Essas frases não são fantasias. Com pequenas variantes, estão
presentes na boca de milhares de dirigentes sindicais. E estão
escritas em centenas de boletins, panfletos, filipetas,
mosquitinhos, adesivos, cartazes, outdoors – e o que é mais
nocivo – jornais sindicais.
Nocivo não é o conteúdo. Tá tudo certo. Tudo necessário
Nocivo é escrever esses conceitos em chinês e exigir que o
brasileiro entenda essa língua. (...)
37 38

Quer falar de ascenso da classe? Fale! Mas de um jeito que


ascenso não se confunda com incenso. Este último os 83%
conhecem. Mas ascenso, não.
Quer combater a conciliação, a social-democracia ou o pacto
social? OK, combata! Mas não fale mal, assim a seco, da palavra
conciliação. Traduza por “namoro entre patrões e trabalhadores”,
ou por “a ilusão de ter interesses comuns entre os dois”, ou diga
de forma direta: “os patrões só querem nosso suor. Não é possível
ter interesses comuns” ... Diga qualquer coisa! Menos a frase
“temos que combater a conciliação”. (...)
E a palavra discutir? Ela não sai da boca do dirigente ou do
jornalista sindical. Por que não “trocar idéias” de vez em quando?
Por que não “conversar a respeito”? Discutir é feio: é briga de
marido e mulher Ou briga com o proprietário da casa que quer
subir o aluguel.
“Colocação emblemática”? que tal continuar falando disso tudo
nas reuniões da diretoria, dentro do departamento de comu-
nicação e no bar, mas esquecer essas expressões nos discursos e
jornais para trabalhador? Qualquer palavra pode ser traduzida.
Isso pode exigir maior ou menor esforço. Mas é sempre possível
achar um sinônimo ou fazer uma outra frase que consiga ser
clara, objetiva e precisa sem necessitar usar aquele termo
ininteligível. Se é possível traduzir um conceito do português
para o chinês ou árabe, por que não seria possível traduzir a
gíria viciada “questão de gênero” por algo menos complicado?
Sem traduzir o sindicalês para a língua comum dos mortais
comuns, ao invés de comunicar com os trabalhadores, estará
sendo passado adiante um tremendo blá, blá, blá.
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Anexo Anexo 2
Incompreensível para a massa
Lições da Globo para FHC
Do livro A História Real
de G. Dimstein e J. de Souza

O time dos tucanos se preparava, com o sentimento de que o PT marcaria o gol aos 44
minutos. E só teriam 60 segundos para empatar o jogo e, assim, ir para prorrogação depois de
3 de outubro.
Nesse “resto” de partida, a imprensa era vista como um obstáculo a mais. O documento-
base do PSDB afirma que Lula, ao contrário de 1989, “tem mais o apoio da mídia”, devido,
supostamente, à reação mais branda contra o candidato do PT entre as elites. O texto alerta:
“Fernando Henrique, que sempre foi muito bem tratado pela imprensa, deve se preparar
para momentos mais duros. Hoje, a disputa pela fofoca ou pelo detalhe apimentado pode
significar, para os repórteres, a possibilidade de “furo” ou da manchete para seu veículo. Além
disso, boa parte dos jornalistas está frustrada com o posicionamento, com a aliança e com o
discurso de Fernando Henrique.
“bem ou mal, a imprensa tem relegado a um segundo plano as discussões sobre os problemas
do país ou sobre as propostas dos candidatos.
Ou porque os jornalistas são despreparados ou porque é fofoca que vende jornal.
“A campanha precisa entender tudo isso e, em vez de reclamar, prevenir. Tomar cuidados,
tratar a imprensa de forma mais profissional e menos displicente”.
Num texto com recomendações de marketing, elaborou-se até um roteiro sobre como falar:

“Uma boa base para saber como falar para a maioria é o jornalismo da Rede
Globo. Durante muitos anos, a Globo pesquisou uma forma nacional de falar e um
1
repertório que fosse entendido pela empregada doméstica e pelo empresário. A linguagem
não deve ser simplória que irrite o empresário nem difícil que a empregada não
entenda.

“Falar sempre em ordem direta, sem citações ou orações intercaladas. Evitar palavras
estrangeiras e tecnológicas. Usar frase curtas, que exprimam pensamentos completos
e não possam ser cortados ou manipulados.
2
“Usar as palavras para expor as idéias e não para escondê-las. Não ser evasivo. Nas
entrevistas, não deixar pergunta sem resposta. Se não souber o que dizer, dizer a verdade. O
cidadão sabe reconhecer a sinceridade e a enrolação do político. Sempre que possível, o candidato
deve procurar dizer o que interessa, qualquer que seja a pergunta.
“Falar com emoção. Com convicção. Acreditar no que diz. Olhar nos olhos do interlocutor. Não
deixar que o espectador tenha a impressão de um professor falando para alunos, de um superior
falando para os comuns.
“ter muito cuidado com as brincadeiras que terminam sendo mal interpretada pela imprensa.
Melhor perder a piada do que a eleição.”
41 42
Anexo

Comunicar é uma arte Dicas para uma comunicação eficiente


• Credibilidade: transmitir informação que seja aceita pelos ouvintes. A aceitação é um
Do caderno: Comunicação é uma arte processo que envolve compreensão e confiança, atingindo o convencimento. Para alcançar a
Dicas rápidas para uma comunicação eficiente
credibilidade é importante destacar:
De Moacir Lopes e Hugo Ramirez Filho
• Naturalidade: é a espontaneidade, o ritmo da fala praticada dia a dia junto aos amigos e
Princípios da oratória moderna familiares. Ser natural não significa levar ao auditório erros e negligências que podem ser
percebidos pela platéia e gerar desconfiança. É preciso entender a diferença de quem está na
frente da platéia, disposto a comunicação cotidiana - concordância, plural, conjugação verbal,
Não abandonar o tópico: manter-se no assunto que está discorrendo.
etc. e o público. Os defeitos de estilo e as incorreções de linguagem precisam ser combatidos
Controle de Público: saber de forma adequada como organizar e orientar o público. com estudo, experiência, disciplina e trabalho persistente.
Organização e estruturação do discurso: não basta conhecer o assunto, é fundamental organizar as • Emoção: é o envolvimento revelado pelo entusiasmo com que se dedica a um objetivo, que
idéias e tópicos que você irá abordar. defende uma idéia. É interpretar a própria verdade, transmitindo-a com a força da importância
Recursos: tudo é válido para facilitar a compreensão do público,desde os recursos au- que representa. Cuidado com o choro, ele é uma demonstração de emotividade, sendo considerado
diovisuais, dinâmicas de grupo, até exemplos comparações, contrastes, estatísticas, detalhes, em palestras como nervosismo e descontrole.
depoimentos pessoais, ampliações de idéias e motivação do público. • Conhecimento: somente se é natural e emocionante, se demonstramos dominar o assunto
Linguagem utilizada: cada público é um público, com suas especificidades e individua- tratado. É preciso ter sempre mais informações do que será necessário repassar. Leitura, estudo,
lidades. Cabe ao orador adaptar sua linguagem a realidade do público. pesquisa, observação ativa e pessoal colaboram nesta proposta.

Auditório/público/platéia/etc...: é o papel complementar da oradora. Um não existe sem o • Conduta Exemplar: palavras encontram respaldo dependendo da postura do orador e, na
outro. É o motivo de você estar se preparando, estudando e desejando dar o melhor de si. maioria dos casos, de nossos próprios atos frente ao tema exposto. É preciso ter consciência de
Portanto não é seu inimigo. que comunicamos com o corpo, os olhos, os gestos, o suor, o tom de voz, a roupa, o estilo do
cabelo, uma série de predicados e defeitos que contradizem às vezes com o que falamos.
Improvisação: mesmo estando bem preparado, em alguns momentos é fundamental e necessária
a improvisação. O ato de falar e público é algo imprevisível, portanto em algumas situações • Voz: é o resultado da articulação de partes dos aparelhos digestivo e respiratório, movi-
menta todo o organismo, que funciona e se expressa por meio da voz. Por isso, por meio da fala
você terá que exercitar e desenvolver a habilidade da flexibilidade.
é nítido o nervosismo e a hesitação.
Sinceridade e ética: tudo que falar hoje poderá ser usado contra ou a seu favor amanhã.
• Respiração: constituída de inspiração e expiração, deve ter seu fluxo completamente
Portanto, palavras não são apenas palavras e você precisa ter responsabilidade, sinceridade e normal para fazer vibrar as cordas vocais e produzir voz.
princípios éticos para com você e o público.
• Pronúncia: Boa pronúncia é ser melhor compreendido e aumentar a credibilidade. Entre os
Conhecer as técnicas de estruturação e planejamento do discurso: capítulo especial sons mais negligenciados estão os “erres” finais e os “is” intermediários (pegá-pegar, jardinero-
dedicado a este tema. jardineiro), além do deslocamento de algumas palavras (pra-para, pcisa-precisa, tamém-também)
e do deslocamento de letras (cardeneta-caderneta, estrupo-estupro). A providência é uma
Conhecer e exercitar a voz, gestos e posturas: capítulos especiais para estes temas.
auto-análise para identificar suas imperfeições, incluindo as gírias em geral sobretudo as restritas
a segmentos específicos (idade, profissão), mas jamais perder a naturalidade em situações
Saibam todos que esta arte intermediárias desta aprendizagem. Pronunciando todos os sons corretamente, a mensagem
será melhor compreendida pelos ouvintes e haverá maior valorização da imagem de quem fala.
exige de 10% de inspiração e 90% de transpitação. Treine sua dicção com o dedo indicador, imite um gancho, encaixe por uns dois minutos diários
Portanto, vamos à luta! nos dentes inferiores e fique falando.
43 44

• Volume: o ideal é sempre o volume adequado ao ambiente, à existência de microfones e Você estará desenvolvendo um vocabulário simples, objetivo e suficiente para identificar toas
à qualidade de sonorização, às condições acústicas. Analisar estes detalhes é determinante as suas idéias e pensamentos.
para estabelecer o melhor tom. Voz baixa gera desatenção; voz alta, irritabilidade. A amplitude deste repertório é conquistada com muita leitura, testes de substituição de
• Velocidade: Não fale rápido demais. Se sua dicção for deficiente será ainda mais grave, já palavras de um texto por sinônimos.
que dificilmente alguém conseguirá entendê-lo. Também não fale muito lentamente, com Outros pontos a serem evitados, são os tiques e maneirismos entre palavras ou frases,
pausas prolongadas, para não entediar os ouvintes. Use um aparelho gravador para conhecer como “né?”, “hããã”. “huummm”, “tá?”, “entendeu?”. São ruídos mais típicos de quem não
melhor a velocidade de sua fala e decidir-se pelo melhor estilo. Ajuste a velocidade e ritmo da sabe que palavras usar ou de quem termina uma frase com tom de voz não conclusivo e acaba
sua fala. Para saber se não está atropelando as palavras ou sendo lento e se a tonalidade que se perdendo no discurso.
usa é agradável, um truque é gravar a sua voz numa fita e ouvir depois, ou mostrar aos
colegas. Fale com bom ritmo. A respiração, a pronúncia e a emotividade de cada pessoa • Expressão corporal: é o movimento do corpo, o jogo fisionômico, o olhar, os
determinam a rapidez ou lentidão da voz. gestos que fazem a comunicação não-verbal e acompanham a fala. Segundo psicólogos, a
transmissão de uma mensagem é 7% palavra, 38% voz e 55% expressão corporal.
Se você fala rapidamente e deseja permanecer assim, procure pronunciar cada vez melhor
cada palavra, crie o hábito de repetir as informações importantes pelo menos duas vezes, com • Atitudes desaconselháveis neste campo são: falar com mãos nos bolsos; colocar as
termos diferentes, para que o público entenda bem. mãos entrelaçadas nas costas; apoiar os braços sobre a mesa; cruzar os braços; fazer gestos
Se você fala lentamente, e sente-se bem neste estilo, procure olhar para o auditório durante as abaixo da cintura e acima da linha da cabeça; executar gestos involuntários, como coçar a
pausas. Ao reiniciar, pronuncie com ênfase e energia as três primeiras palavras para recapturar eventuais cabeça, mexer no cabelo, mexer em aliança e pulseiras, brincar com canetas ou papéis sobre a
atenções perdidas e dar idéia de que durante sua sentença anterior, falada lentamente, você estava mesa ou com o fio do microfone em pé.
refletindo, o que valoriza muito o silêncio. A alternância de volume e velocidade da voz tendem a Ao falar sentado, evite cruzar as pernas em forma de “x”, esticar as pernas e jogar o corpo
causar boa impressão na platéia, desde que se mantenham requisitos de boa pronúncia. Mas as pausas, para trás, ou pender o corpo para um dos lados apoiado no braço da cadeira. Não se pode
não devem ocorrer a cada palavra ou grupo de três palavras, porque podem inspirar desconcentração ainda negligenciar a força da aparência, compondo roupas, sapatos, acessórios (tecido, cor,
ou falta de conhecimento sobre o que se fala. combinação harmônica, estilo, quantidade e qualidade, adequação e estrutura corpórea).
• Sotaque: é natural. Não se deve procurar escondê-lo, desde que as pessoas entendam
• Tenha postura correta: deixe os braços naturalmente ao longo do corpo ou acima da
perfeitamente suas frases e o uso do sotaque não venha a interferir na credibilidade do
linha da cintura e gesticule com moderação. O excesso de gesticulação é mais prejudicial que
orador, o que depende do tipo de platéia ouvinte.
falta.
• Uso do microfone: seja com pedestal, seguro na mão ou de lapela, a posição ideal para
Distribua o peso do corpo sobre as duas pernas, evitando o apoio ora sobre uma perna, ora
falar são dez centímetros da boca, abaixo, na direção do queixo. Não se deve olhar para o
sobre a outra. Essa atitude torna a postura deselegante. Também não fique se movimentando
microfone, exceto nos primeiros segundos da fala para posicionamento, ou na eventualidade
desordenadamente de um lado para outro e quando estiver parado não abra demasiadamente
de ter que virar o corpo para enxergar uma parte lateral da sua platéia. Os de pedestais são
flexíveis, se seguro com a mão, deve ser posicionado com distância já referida, e deixado as pernas. Só se movimente se pretender se aproximar dos ouvintes, ou dar ênfase a determinada
descansado junto com o braço em momentos breves de intervalo, sempre cuidando o tremer informação.
do corpo e os gestos que não podem afastar o microfone da boca para não perder qualidade de Não relaxe a postura do tronco com os ombros caídos. Poderá passar uma imagem negligente,
som. Com os de lapela basta o cuidado de não baixar o rosto por algum motivo, porque a ou de excesso de humildade. Cuidado também para não agir de forma contrária não levantando
maior proximidade com o aparelho aumenta consideravelmente o volume da voz. Com ele, demasiadamente a cabeça nem mantendo rígida a posição do tórax. Poderá passar uma imagem
comentários paralelos com outros oradores são impraticáveis. arrogante e prepotente. Deixe o semblante sempre descontraído e sendo possível, sorridente.
• Vocabulário: é a quantidade e qualidade de palavras conhecidas pelo orador, que vai Não fale em alegria com a fisionomia fechada nem em tristeza com a face alegre. Sempre é
facilitar a desenvoltura, clareza e sucesso de um pronunciamento, da expressão de idéias, da preciso existir coerência entre o que falamos e o que demonstramos na fisionomia.
articulação do raciocínio em frases. Um bom vocabulário tem que estar isento do excesso de Ao falar olhe para todas as pessoas para ter certeza de que estão ouvindo e prestando
termos pobres e vulgares, como palavrões e gírias. Também não se recomenda um vocabulário atenção nas suas palavras. Principalmente ao ler, este cuidado tem de ser redobrado, pois
repleto de palavras difíceis e quase sempre incompreensíveis. Evite também o vocabulário existe sempre a tendência de olhar o tempo todo para o texto, esquecendo a presença dos
específico da sua profissão diante de pessoas não familiarizadas com esse tipo de palavreado. ouvintes.

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