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Arte Rupestre e Culturas Ancestrais

O capítulo explora a arte ritual e as culturas ancestrais, destacando as manifestações artísticas como pinturas rupestres e estatuetas que refletem crenças e práticas mágicas. A arte de civilizações pré-colombianas, como os maias, incas e astecas, é analisada em relação à sua organização social e expressões artísticas, que incluem arquitetura, cerâmica e iconografia religiosa. O texto também menciona a importância da preservação dos sítios arqueológicos no Brasil e as influências das culturas ancestrais na arte contemporânea.

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Arte Rupestre e Culturas Ancestrais

O capítulo explora a arte ritual e as culturas ancestrais, destacando as manifestações artísticas como pinturas rupestres e estatuetas que refletem crenças e práticas mágicas. A arte de civilizações pré-colombianas, como os maias, incas e astecas, é analisada em relação à sua organização social e expressões artísticas, que incluem arquitetura, cerâmica e iconografia religiosa. O texto também menciona a importância da preservação dos sítios arqueológicos no Brasil e as influências das culturas ancestrais na arte contemporânea.

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com

ANCESTRAIS
CAPÍTULO

ARTE RITUAL E CULTURAS


Rameessos / Domínio Público
Figura 1. Pintura rupestre de bisões da Gruta de Altamira. Paleolítico superior. Santillana del Mar, Espanha.

Alguns estudiosos acreditam que as primeiras manifestações artísticas vieram de uma necessidade de dar forma
ao mágico e ao invisível. As primeiras pinturas feitas em cavernas, denominadas pinturas rupestres, poderiam ter
um sentido ritualístico ou mesmo representar uma necessidade dos seres humanos de registrar ou comunicar, o que
também pode ser dito das estatuetas em forma de animais e pessoas. Embora seja possível considerar que há uma
“experiência estética” nessas pinturas e estatuetas, as culturas que as produziram não entendiam a arte como hoje
o Ocidente a entende.

Neste capítulo, vamos estudar a arte produzida por culturas ancestrais. Entre elas, veremos algumas presentes na
América Latina e na África antes de serem invadidas pelos europeus. Você já ouviu falar de Machu Picchu, no Peru, a cidade
perdida dos incas? Ela fez parte de uma das mais desenvolvidas civilizações pré-colombianas. E sobre o continente africano,
o que você sabe a respeito dos povos que viviam lá? Nas próximas aulas, vamos contextualizar o fazer artístico dessas
culturas ancestrais, demonstrando a importância da arte para elas.

Rupestre: Relativo a rocha.

Bernoulli Sistema de Ensino


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1. Arte rupestre
Desde o Paleolítico, os seres humanos já faziam registros em forma de desenho, pintura e escultura. Apesar de não
ser possível identificar rigorosamente quais eram as motivações, esses registros dão indícios de como as pessoas viviam.

Em grutas como a de Altamira, na Espanha, e Chauvet e Lascaux, na França, pinturas de bisões, mamutes, cavalos
e outros animais (Figura 1) foram feitas sobre a superfície de rochas, muitas vezes aproveitando saliências e formatos
naturais para favorecer a representação da forma dos animais. Tais pinturas possuem um forte impacto visual devido ao
nível de realismo de imagens de uma cultura
tão remota, bem como à sua profusão –
algumas justapostas, outras sobrepostas –
e ao efeito das cores sobre as rochas. Foram
realizadas com materiais disponíveis no
ambiente próximo, como o carvão, o pó de
minerais triturados, a gordura e o sangue
dos animais, bem como pigmentos extraídos
de vegetais. Os pintores paleolíticos
costumavam aplicar a tinta sobre as rochas
diretamente com as mãos e, outras vezes,
usavam a técnica de soprá-la, obtendo um
resultado semelhante àquele do spray e

HTO / Domínio Público


do estêncil, muito difundidos hoje. Outro
método de registro de imagens era o de
fazer incisões sobre a rocha, criando um tipo
de gravação.
Figura 2. Pintura rupestre. Paleolítico. Caverna de Chauvet, França.

O spray e o estêncil são muito usados nos grafites – essas


pinturas que vemos pelos muros da cidade. Com o spray,
aplica-se a tinta diretamente da lata sobre a parede.
Já com o estêncil, o artista corta uma superfície de material
Jim Dyson / Getty Images

firme, como acetato e papelão, e aplica a tinta.

Há diversos registros de pinturas feitas por grupos humanos ao longo de muitos séculos. Isso demonstra como pessoas
de todas as épocas e lugares sentem necessidade de se comunicar e de criar símbolos para aquilo em que acreditam.

De maneira geral, esses registros eram realizados em locais de difícil acesso nas cavernas, o que ajudou também a
preservá-los por tantos anos. A localização das pinturas e das incisões rupestres nos leva a crer que, aparentemente,
não foram feitas para a visualização de todos do grupo. Qual teria sido, então, a motivação para a criação de imagens em
locais tão inacessíveis? Uma das hipóteses está ligada à crença universal no poder produzido pelas imagens.

Especula-se que a arte do Paleolítico e do Neolítico se


vinculava à magia e à sobrevivência.

Coleção EM – Livro de Arte


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Acredita-se que os caçadores paleolíticos imaginavam que, se fizessem uma

ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS


imagem de sua presa sendo atacada por humanos, isso aconteceria quando saíssem
para caçar. Dessa forma, o sucesso do empreendimento estava diretamente ligado
às pinturas.

Além de pinturas, há, desse período, estatuetas com formas humanas e animais.
Entre elas, destacam-se as pequenas imagens femininas encontradas em diversos
sítios arqueológicos. Uma das mais antigas é a pequena Vênus de Willendorf,
esculpida em calcário há aproximadamente 24 mil anos e encontrada no início do
século XX na Áustria. Medindo cerca de 11 cm, a figura apresenta forte distorção
expressiva. Não se sabe ao certo a origem ou o significado cultural da imagem,
mas os seios e o ventre volumosos indicariam uma provável relação com o conceito
de fertilidade. A mesma motivação ritualística e mágica teria dado origem à dança

MatthiasKabel / Creative Commons


e à música, que estariam ligadas a intenções como as de atrair a caça, conseguir
alimentos e pedir proteção.

À medida que os indivíduos passaram a se organizar socialmente, passaram


também a construir edificações que podiam ser casas, templos religiosos,
Figura 3. Vênus de Willendorf.
palácios, monumentos. Stonehenge, na Inglaterra, é uma dessas edificações:
Calcário, 11,1 cm. Paleolítico.
trata-se de um alinhamento composto por círculos concêntricos de grandes Museu de História Natural de
blocos de pedras que alcançam até 5 metros de altura, sendo, portanto, Viena, Áustria.

denominado um monumento megalítico.


A construção iniciou-se aproximadamente
em 3000 a.C., na Idade do Bronze, que
sucede a Idade da Pedra.

Não se sabe ao certo sua função, mas


pesquisadores acreditam que tenha sido
erigida para estudos astronômicos ou, ainda,
para ritos mágicos e religiosos, já que a
construção está alinhada com fases da Lua

barcar / Creative Commons


e do Sol. Milhares de pessoas visitam o
local durante todo o ano, principalmente no
dia de celebração do solstício de verão no
Hemisfério Norte, quando o Sol nasce entre Figura 4. Stonehenge. 3000-2000 a.C. – Monumento megalítico situ-
as pedras. ado 130 km a oeste de Londres, Reino Unido.

TÁ NA MÍDIA
Site

Lascaux, na França, é um complexo de cavernas repleto de diferentes


pinturas rupestres que datam de mais de 15500 anos. Estudiosos acreditam
que, pelas imagens representadas, o lugar seria um santuário para as pessoas
que fizeram as pinturas. No site oficial, mantido pelo governo francês, você
pode fazer uma visita virtual ao complexo, além de conferir muitas das
pinturas.

Filme
A caverna dos sonhos esquecidos (Cave of forgotten dreams, 2010) é um documentário
em 3D escrito e dirigido pelo cineasta alemão Werner Herzog, que teve acesso exclusivo ao interior
Divulgação

das cavernas de Chauvet, na França. Em registros sem precedentes das pinturas encontradas,
Herzog nos mostra um mundo subterrâneo escondido pela natureza por milhares de anos.

Bernoulli Sistema de Ensino


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1.1. Arte rupestre no Brasil
Os muitos sítios arqueológicos no Brasil, ainda
que importantes histórica e culturalmente, sofrem
com o descaso das políticas públicas e estão
sujeitos a degradação devido à falta de preservação
das áreas. Eles estão constantemente expostos à
ação de empresas mineradoras, à depredação por
turistas mal orientados e até mesmo a pichações.

Pinturas e objetos restaram como vestígios


dos povos que ali habitaram. Recipientes, agulhas,
pontas de flecha, pingentes e contas de colares
com a função de adorno eram confeccionados com

Vitor 1234 / Creative Commons


chifres, pedras e argila. Um dos sítios de maior
importância encontra-se no Parque Nacional da Serra
da Capivara, em São Raimundo Nonato, no Piauí.
Lá foram encontrados vestígios de povoamento que
datam de períodos muito remotos, entre 50000 Figura 5. Pintura rupestre do Parque Nacional da Serra da
e 12000 a.C. Capivara. São Raimundo Nonato, Piauí.

2. Arte pré-colombiana
Supõe-se que as primeiras
populações tenham chegado ao
continente americano por meio de
movimentos migratórios, vindos da
Sibéria, na atual Rússia, chegando
ao Alasca, hoje pertencente aos
Estados Unidos, por volta de
12000 a.C. A esses povos, que
habitaram as Américas antes da
colonização imposta pelos europeus,
dá-se o nome de pré-colombianos, em
referência a Cristóvão Colombo, líder
da frota espanhola que aportou nas
Antilhas em 1492.
Istockphoto

Figura 6. Parque Nacional de Tikal, Guatemala. Exemplo da arquitetura maia.

Apesar do distanciamento geográfico, as produções das civilizações pré-colombianas apresentam curiosas


semelhanças com as manifestações artísticas do resto do mundo. Os povos que habitaram as terras que viriam a ser
chamadas de Américas ergueram templos em forma de pirâmides e construíram luxuosos palácios.

Socialmente eles eram bem organizados, com estruturas políticas e sociais desenvolvidas. De modo geral, as
sociedades eram divididas entre imperadores, sacerdotes, artesãos, comerciantes e camponeses. Alguns povos, como
os maias, praticavam técnicas de agricultura que provocam o rápido esgotamento das terras próximas. Essa seria,
inclusive, uma das causas hipotéticas do declínio dessa civilização.

Coleção EM – Livro de Arte


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2.1. Maias

ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS


Na Península de Iucatã, no México, desenvolveu-se a civilização
que habitou os territórios que atualmente são Guatemala, Belize,
El Salvador e Honduras. Seu período de maior desenvolvimento ocorreu
entre os anos 300 e 1000. Os maias acreditavam na vida depois da morte e
eram politeístas, isto é, acreditavam na existência de diversas divindades.
Sua arquitetura, por isso, era ligada a ideais religiosos.

A arte maia usa diversos materiais, como pedra, terra, argamassa, gesso,
madeira, terracota, cerâmica e papel. Relaciona-se fortemente com crenças,
política, história e a religião politeísta. A arquitetura dessa civilização era
bastante suntuosa, com grandes construções usadas para cerimônias religiosas.

Istockphoto
Muitos murais foram produzidos para compor palácios e templos, que eram
adornados em abundância com pinturas e inscrições nas paredes e esculturas.
As pinturas usavam muitas cores e representavam cenas históricas, cotidianas Figura 7. Escultura maia produzida
e religiosas. em terracota.

Istockphoto

Figura 8. Mural maia encontrado na cidade antiga de Bonampak, hoje um sítio arqueológico, no México.

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2.2. Incas
Os povos incas habitaram a Cordilheira dos Andes, na região que hoje corresponde ao noroeste da Argentina, norte do
Chile, oeste da Bolívia, Peru, Equador e sul da Colômbia do século XIV ao XVI.

Em 1911, foi descoberto, no Peru, o impressionante


conjunto arquitetônico de Machu Picchu, que revelou
uma sociedade detentora de uma agricultura avançada –
plantavam em terraços construídos nas encostas das
montanhas e possuíam canais de irrigação –, além de um
eficiente sistema de estradas de pedra.

Os incas desenvolveram uma sólida técnica construtiva,


o que permitiu que suas edificações resistissem ao tempo,
mesmo estando localizadas em uma região de frequentes
terremotos. Muito da arquitetura inca se perdeu, pois os
invasores espanhóis usaram os muros como base para suas

Simon Burchell / Creative Commons


construções, o que nos evoca a ideia de que, literalmente,
uma cultura se sobrepôs à outra. Esses povos destacaram-se,
também, por sua arte desenvolvida em objetos de ouro e
prata e na confecção de joias e de tecidos. Trabalhavam
também, com domínio, esses metais na decoração de Figura 9. Ave dourada inca. Museu da América, Madrid,
portas e muros e nos artefatos rituais. Espanha.

Figura 10. Machu Picchu, a cidade perdida dos incas, encontrada em 1911, no Peru.

Istockphoto

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A arte inca guardava profunda relação com seus vários deuses, que, por sua vez, estavam ligados a elementos

ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS


da natureza, como a chuva, o trovão, o Sol, a Lua e o vento. Havia um forte caráter ritualístico em toda a produção
artística e arquitetônica. A cerâmica era decorada com cores diversificadas e motivos geométricos, assim como os
tecidos em formas diversas trabalhadas.

2.3. Astecas
A civilização asteca habitou o vale do México entre os séculos
XIV e XVI e foi a última a se desenvolver antes da chegada dos
espanhóis. Assim como os maias, ergueram cidades, grandes
pirâmides, templos e luxuosos palácios.

Eram um povo guerreiro, e a iconografia recorrentemente


representa temas relacionados à guerra. Sua religião também
era politeísta, e eles praticavam o sacrifício de vidas humanas,
principalmente prisioneiros de batalhas, para acalmar o que julgavam
ser a ira dos deuses. Os astecas, assim como os antigos egípcios,
retrataram cenas do cotidiano em suas manifestações artísticas.

Domínio Público
Figura 11. Códice Mendoza, feito em
papel europeu na década de 1540.

Os artistas eram habilidosos em técnicas de esculpir objetos


em metais e pedras, de confeccionar arte plumária e tecidos
tramados com formas geométricas coloridas e, ainda, de pintar
murais e pinturas miniaturas em feltros e pelos.

A cidade asteca de Tenochtitlán, considerada a capital do


Império Asteca, foi destruída pelos invasores espanhóis, que
sobre ela construíram a Cidade do México, o que fez com
que restassem poucas ruínas e vestígios de suas edificações,
pois grande parte do acervo foi soterrado.

Maias e astecas desenvolveram um tipo de escrita que se


valia de figuras denominadas glifos. Os textos eram escritos
Anagoria / Creative Commons

em códices que se constituíam de um conjunto de lâminas,


unindo-se como um biombo sanfonado, protegido por capas
de madeira. Hoje existem poucos registros dessas sociedades
pré-colombianas, já que muitos foram destruídos pelos
Figura 12. Escultura asteca no Museu Dolores
Olmedo, na Cidade do México. invasores europeus.

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Estados Unidos

Américas: sítios arqueológicos no


Brasil e povos pré-colombianos
Parque Nacional da
Serra da Capivara
México São Raimundo Nonato-PI
Foram encontradas
pinturas rupestres e Sítio Arqueológico
Cuba muitos artefatos e Lagedo de Soledade
vestígios pré-históricos. Apodi-RN
Sítio Arqueológico Foram encontradas
Pedra Pintada pinturas rupestres e
Pacaraima-RR muitos artefatos e
Belize
Foram encontradas vestígios pré-históricos.
Guatemala pinturas rupestres,
Honduras artefatos e fragmentos de
El Salvador cerâmicas e ferramentas.
Sítio Arqueológico
Nicarágua Pedra do Alexandre
Carnaúba dos Dantas-RN
Costa Rica
Foram encontradas
Astecas Venezuela pinturas rupestres e
Habitaram o vale do Panamá Guiana muitos artefatos e
México. vestígios pré-históricos.
Suriname
Colômbia
Guiana Francesa (Fra)

Equador
Maias
Habitaram terras que hoje são
México, Guatemala, Belize,
El Salvador e Honduras.

Peru
Brasil
Allmaps

Incas Bolívia
Habitaram a Cordilheira dos
Andes, na região que hoje
corresponde a Colômbia,
Equador, Peru, Bolívia, Chile
e Argentina.
Paraguai
Parque Nacional
do Catimbau
Buíque-PE
Foram encontradas
pinturas rupestres e
muitos artefatos e
vestígios pré-históricos.
Figura 13. Uruguai

Legenda: Chile Lapa do Boquête


Sítio arqueológico Vale do Peruaçu-MG
Foram encontradas
Argentina pinturas rupestres e
Parque nacional muitos artefatos e
vestígios pré-históricos.
Lapa
Lapa Vermelha
Povos pré-colombianos Lagoa Santa-MG e
Pedro Leopoldo-MG
Astecas
Istockphoto

Aqui foi encontrada, na


década de 1970, Luzia,
Incas a primeira brasileira.

30 Maias
ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS
3. Arte africana e arte
afro-brasileira

O conceito de arte é europeu, vindo da cultura clássica grega, mas o fazer


artístico concerne a todos os povos da humanidade, embora nem todos eles tenham
se preocupado em conceituar a produção estética que envolve essa prática. Assim
ocorreu com os povos de culturas tradicionais do continente africano. A arte produzida
por esses grupos de culturas diferentes entre si remonta a períodos pré-históricos,

sailko / Creative Commons


tendo sido encontrados registros e objetos que datam de aproximadamente
6 000 a.C. Esculturas modeladas em argila entre os anos 500 a.C. e 200 d.C.
testemunham a variedade e a riqueza das culturas africanas. Peças esculpidas em
bronze e terracota (Figura 14) da região de Ifé, na Nigéria, pertencentes a um
período compreendido entre os séculos XII e XV d.C., apontam a habilidade técnica
Figura 14. Cabeça de Ifé, Nigéria.
dos artistas e a fidelidade nas formas naturalistas. Escultura em bronze. Museu
Britânico, Inglaterra.

Os temas predominantes na arte africana ancestral evocam o cotidiano das


tribos, a religião e a representação de aspectos naturais da região. Os objetos
pertencentes a esses períodos remotos provavelmente tinham função religiosa no
culto aos antepassados ou eram artefatos de uso diário, como os ornamentos e
os tecidos confeccionados.
Nas esculturas, ouro, bronze e marfim eram as matérias-primas mais comumente
utilizadas. As máscaras tinham significado místico e eram usadas em rituais e
Marie-Lan Nguyen / Domínio Público

funerais, sendo frequentemente elaboradas em madeira, mas também podiam ser


feitas de marfim, metais ou barro. Elas eram usadas juntamente com outros adereços
em cerimônias nas quais a música e a dança se faziam presentes e geralmente
representavam divindades em cerimônias de culto aos ancestrais. Outra função era a
de proteger aquele que a carregava, pois era destinada a captar a energia vital que
Figura 15. Máscara da etnia Fang. escapa de um ser humano ou de um animal no momento de sua morte. Ao ser captada
Museu do Louvre, Paris. pela máscara, essa energia seria posteriormente distribuída para a coletividade.

TÁ NA MÍDIA
Série

Nova África (2009). A série produzida pela TV Brasil viaja pelo continente africano revisitando
seu passado e conectando-o ao nosso país. A ideia é romper com os estereótipos e preconceitos
surgidos ao longo de séculos de exploração na África. Assista a um episódio sobre o artesanato do
Gabão, Suazilândia, Malawi e Marrocos, que expõe um pouco da história dessas nações. Não deixe
de perceber as referências étnicas, religiosas e culturais nas obras.

Música

Para o Brasil, os africanos escravizados trouxeram suas crenças, costumes e manifestações


artísticas, influenciando fortemente a produção cultural brasileira. Ritmos como o maracatu, o coco,
o jongo, o carimbó, o maxixe e o samba são exemplos de quão presente é a influência africana
na cultura do país. Veja uma apresentação de maracatu e perceba a incorporação dos tambores
africanos em suas músicas.

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4. Arte pré-cabralina e arte indígena
Antes da chegada dos portugueses ao Brasil, o território já era habitado por
vários povos indígenas detentores de uma cultura rica e diversificada. Existem
vestígios arqueológicos na Ilha de Marajó, atual estado do Pará, que indicam
a presença de uma sofisticada cultura que habitou a região entre os anos 400
e 1400. A arte da cultura marajoara destacou-se pela intensa produção de peças
de cerâmica para vasos domésticos e cerimoniais, além de elaboradas urnas
funerárias (Figura 16).

Havia também a produção de peças que representavam a figura humana


e de animais. Ainda no Pará, localizada na junção dos rios Tapajós e Amazonas,
desenvolveu-se a cultura santarém, que desapareceu por volta do século XVII.
Ela se destacou pela produção de estatuetas e de cerâmicas ricamente decoradas
Marie-Lan Nguyen / Creative Commons

com pinturas e relevos.

Nas culturas indígenas, o conceito de arte como conhecemos é inexistente.


Os objetos utilitários, os adornos rituais e os acessórios (colares, tangas, cocares,
máscaras e pinturas corporais) são produções da comunidade e fazem parte
de suas tradições.
Figura 16. Urna funerária
marajoara. Cerâmica. 89 cm.
400-1400. Coleção H. Law.
Para os povos indígenas, não há dissociação entre a vida
cotidiana e a produção artística, que é elaborada valendo-se
das matérias-primas disponíveis na natureza, como argila,
palhas de buriti, cabaças, ossos, dentes e garras de diferentes
animais, plumas de aves e sementes.

Outra importante forma de manifestação do que chamamos de arte indígena é a pintura corporal. Para as comunidades
indígenas, essa é uma forma importante de expressão que varia de acordo com os eventos, como casamentos, luta e caça.
As padronagens variam segundo as etnias, de modo que a pintura para crianças pode ser distinta da usada em adultos,
assim como podem existir padrões femininos distintos dos masculinos. Os pigmentos usados são retirados da natureza:
as cores vermelhas, do urucum; o preto, do suco de jenipapo; o branco, da tabatinga.

Renato Soares / Pulsar Imagens

Figura 17. Pintura corporal kaiapó.

Coleção EM – Livro de Arte


32
ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS
Também há destaque para a arte plumária e para
a cestaria. A arte plumária, de maneira geral, está
ligada à confecção de objetos cerimoniais, cocares e
mantos rituais. A cestaria é produzida pelo trançado de
palhas e folhas de palmeiras. Dependendo da técnica
usada para a produção do trançado, criam-se objetos
mais resistentes ou mais flexíveis. O desenho que se
forma por meio do trançado de palhas com colorações
diferentes forma padronagens características da tribo

Renato Soares / Pulsar Imagens


a que pertencem.

Figura 18. Arte plumária indígena.

Daderot / Creative Commons

Figura 19. Cestos da etnia wajãpi. Coleção da Fundação Memorial da América Latina.

TÁ NA MÍDIA
Série
Índios no Brasil (1999). Nessa série em formato de documentário produzida pela TV Escola,
os índios são redescobertos por quatro adolescentes que visitam aldeias pelo país. Em cada um
dos dez episódios, vemos como a população indígena se relaciona com as demais comunidades
da sociedade brasileira, além, claro, de aprender sobre a conexão desse povo com o sobrenatural
e a natureza. Você pode assistir ao primeiro episódio da série, disponibilizado gratuitamente no
site da TV Escola.

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PARA REFLETIR
História da tatuagem
Um dos mais conhecidos registros que se tem sobre as tatuagens é do capitão inglês James Cook, quando tentava entrar
em contato com os nativos do Taiti.

O povo daquela região designava o hábito de pintar definitivamente a pele de “tatau”, por conta do barulho produzido
pelos instrumentos utilizados na confecção de suas tatuagens. No entanto, não podemos dizer que eles foram os primeiros a
desenvolver esse tipo de hábito. [...].

A prática da tatuagem também foi registrada entre os egípcios e os pictos, uma civilização antiga do norte da Europa.
No Brasil, diversas tribos indígenas traziam tatuagens pelo corpo. [...].

Foram os marinheiros ingleses, por meio do contato com os polinésios, que difundiram essa prática pelo mundo. [...]. Sendo
eles sujeitos de pouca condição financeira ou influência social, fizeram da tatuagem algo popular entre os guetos, prostíbulos e
tavernas frequentadas pela “escória” [...].

Esse tom marginal dado à tatuagem também fazia com que corpos tatuados fossem presença garantida nas atrações
circenses dos chamados freak shows. Foi somente na segunda metade do século XX que a tatuagem incorporou os ideais da
cultura ocidental. O seu tom contestatório ultrapassou barreiras, tornando-se um símbolo de ousadia e personalidade.

[...]
GONÇALVES, Rainer. HIstória da Tatuagem. Disponível em: <[Link]/>.
Acesso em: 19 set. 2016.

As tatuagens existem há alguns milênios e já trouxeram diferentes significados para seus adeptos. Podem ser percebidas
semelhanças entre elas e as pinturas corporais indígenas, ainda que as técnicas sejam bastantes diferentes, o que demonstra
uma vontade dos seres humanos de se expressarem por diferentes meios. E você, o que acha das tatuagens? Elas podem ser
consideradas uma manifestação artística ou estariam mais ligadas ao comportamento das pessoas?

COTIDIANO
Banksy é um artista do Reino Unido que atua como
grafiteiro, ativista político e diretor de filmes. A sua identidade
é desconhecida, o que o impede de ser processado por
vandalismo pelas autoridades. Muitos de seus trabalhos
são satíricos e irreverentes, criticando a sociedade britânica
ou mesmo a política capitalista e consumista instaurada no
Ocidente no século passado.

Os grafites de Banksy são feitos em estêncil sobre os muros


e paredes das cidades – a maioria em Bristol e Londres –,
por isso seu trabalho, muitas vezes, é efêmero, já que as
obras podem ser apagadas ou o lugar pode ser demolido. Além
Banksy. Cachorro molhado. 2007. Galeria Keszler.
disso, suas pinturas ficam expostas a diferentes condições Southampton, Estados Unidos.
climáticas e à poluição atmosférica. A obra Cachorro molhado
representa exatamente o que a nomeia: um cachorro que agita os pelos, eliminando o excesso de água. Os jatos de tinta branca,
contrastando com os jatos de tinta preta, ao fundo, dão bastante movimento e realismo para uma cena que representa uma
situação bastante corriqueira.

Neste QR Code, você terá acesso ao site de uma galeria online que disponibiliza imagens de diferentes
obras do artista. Dada sua efemeridade, essa talvez seja a melhor forma de conhecer ao trabalho de
Banksy. Procure inferir as críticas feitas por ele, pois essa é uma boa oportunidade para notar como a arte
também pode ser usada para expressar os mais diferentes posicionamentos.

Coleção EM – Livro de Arte


34
ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS
O desenho como forma de expressão
O desenho, como reflexão visual, não se limita à figuração, mas às formas de representação visual de um pensamento.
É possível identificar, nos mais diversos tipos de anotação, o traço do desenho que age como materialização de uma ideia.
Materializar é tornar algo concreto, palpável, e essa ideia pode ser estendida a todos os campos que envolvem criação
e expressão.

Para que uma obra exista, é preciso que se torne matéria, e matéria é tudo aquilo de que uma obra é feita. Diante disso,
é possível estabelecer algumas relações entre as artes visuais e as demais manifestações artísticas. Mas o que equivaleria ao
desenho em outras linguagens?

A matéria da música seria o som, o desenho seriam as notas musicais que, anotadas sobre a pauta, registram a melodia.
A matéria da dança seria o corpo dos bailarinos, e o desenho seria o movimento do corpo e o rastro que ele deixa ao se
movimentar. A matéria da literatura seria a língua, e o desenho seria a escrita e os manuscritos.

Divulgação
Ryan Woodward. Google Doodle – Animação em comemoração do
aniversário de Martha Graham.

O desenhista de animação Ryan Woodward tem trabalhos que ajudam a ilustrar a metáfora do desenho como rastro,
passagem. Um exemplo disso é a animação feita para a Google em homenagem ao aniversário de nascimento da dançarina
estadunidense Martha Graham. Nela, vê-se uma bailarina em movimento, cujo corpo se desdobra em outra bailarina, e esta,
em outra, sucessivamente, até chegar à última. Cada uma delas deixa um rastro no ar ao fazer seu passo de dança, cada um
correspondendo a uma letra, até que, ao final do movimento da última figura, completa-se a palavra “Google”.

A necessidade por arte se impõe como expressão do sagrado, de sentimentos ou de ideias. Por meio da arte, os seres
humanos são capazes de traduzir sua experiência de mundo. Da arte produzida nas tribos primitivas àquela realizada em
grandes impérios, o que fica é a capacidade do ser humano de simbolizar, transcender e marcar sua passagem pela vida.

EXERCÍCIOS
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM

01. Descreva os métodos e os materiais usados pelos “artistas” do período Paleolítico.

02. Enumere as principais civilizações pré-colombianas e caracterize suas produções artísticas.

03. Aponte as funções e os significados atribuídos às máscaras na arte africana.

04. Explique a função da pintura corporal para as comunidades indígenas brasileiras.

05. Redija um parágrafo estabelecendo semelhanças entre as produções artísticas indígena, africana e pré-colombiana.

Bernoulli Sistema de Ensino


35
EXERCÍCIOS PROPOSTOS

01. Observe a imagem. Texto II

José-Manuel Benito / Domínio Público

Istockphoto
O texto tece considerações acerca das pinturas
rupestres do período paleolítico, e a imagem reproduz
Réplica da Vênus de Lespugue. uma das pinturas em rocha encontradas nas Montanhas
de Cederberg, na África do Sul. Considerando a
Descoberta em 1922, na França, a Vênus de Lespugue
organização social paleolítica, acredita-se que as
leva o nome da pequena vila em que foi encontrada.
pinturas produzidas nesse período
Medindo cerca de 15 cm, a estatueta de marfim de
mamute teria sido talhada entre 26000 e 24000 a.C.,
A) serviam apenas para decorar as escuras cavernas
no período Paleolítico. Pela análise das formas
em que os antepassados dos humanos viviam.
reproduzidas na estatueta, identifica-se
B) apontavam misticismo em relação à caça, como
A) desconhecimento da anatomia humana por parte
as representações feitas por indivíduos do
de seu criador.
paleolítico europeu.
B) imperícia técnica do artista, que não dispunha de
C) eram uma forma de catalogar os muitos animais das
ferramentas adequadas.
regiões habitadas para instruir gerações futuras.
C) ênfase a partes do corpo ligadas a reprodução,
D) possuíam forte apelo artístico e eram feitas
num provável culto à fertilidade.
em cavernas para ser mais bem conservadas
D) tentativa de representação fidedigna do corpo
e visualizadas.
das mulheres paleolíticas.
E) representavam animais e cenas de dança ou
E) valorização da obesidade, prática recorrente
nesse período da história. caça para ser fiéis à época e registrar a história.

02. Texto I 03. Do francês “rupestre”, o termo designa gravação,


traçado e pintura sobre suporte rochoso, qualquer
[...] a Idade da Pedra cedeu lugar a novos
que seja a técnica empregada. Considerada a
desenvolvimentos, entre cerca de 10000 e 5000 a. C.,
expressão artística mais antiga da humanidade,
salvo nalgumas áreas particularmente inóspitas onde
o modo de vida paleolítico se manteria porque nada a arte rupestre é realizada em cavernas, grutas ou ao

o pôs em xeque ou perturbou. Os bosquímanos, da ar livre. Estão excluídas as manifestações artísticas

África do Sul, e os aborígenes, da Austrália, são – contemporâneas, como o grafite e a arte ambiental.

ou foram até há pouco tempo – os últimos sobreviventes Alguns especialistas criticam o uso do termo “arte”

dessa fase de primavera da evolução humana. para fazer referência às inscrições sobre pedra que

A sua arte manteve características vincadamente remontam, em geral, aos povos de épocas pré-

paleolíticas. -históricas, na medida em que pinturas e gravuras

JANSON, H. W. História da Arte. Lisboa: descobertas pelas pesquisas arqueológicas nem


Fundação Calouste Gulbenkian, 1977. p. 27. sempre teriam, hoje, um sentido estético evidente.

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36
ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS
Apesar disso, convenciona-se chamar de “arte” Entre os estudiosos, a identificação, a interpretação
essas expressões plásticas que fornecem acessos e a comparação dos sistemas de representação dos
valiosos para o estudo de várias fases da história povos ameríndios servem para classificá-los e decifrar
da humanidade. Outros estudiosos alertam para um pouco de sua cultura como um todo.
o equívoco de considerar a arte rupestre restrita à
Disponível em: <[Link]
Pré-História. Se exemplos mais antigos remontam Acesso em: 05 jul. 2016.
aos tempos glaciais, é possível localizá-la nas eras
Neolítica e Paleolítica e até mesmo em épocas 04. Muito das culturas pré-colombianas foi destruído
recentes, indicam eles. Na Califórnia, Estados Unidos, pelos invasores europeus. Ainda assim, o que foi
e no sul da África, por exemplo, a arte rupestre conservado e os achamentos realizados nos últimos
continua a ser produzida no século XIX.
séculos permitem aos pesquisadores inferir aspectos

ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural. Disponível em: <[Link]


dessas sociedades. Sobre a produção artística dos
[Link]/>. Acesso em: 01 set. 2016. [Fragmento] pré-colombianos, deduz-se que os

A) artefatos eram meramente decorativos, por


As pinturas rupestres são uma das melhores pistas
isso o estudo da arte pouco contribui para o
para se traçar características das sociedades pré-
entendimento dessas culturas.
-históricas e são objeto de estudo das linguagens,
das ciências humanas, biológicas e até mesmo das B) objetos tinham utilidades mágicas, religiosas ou
exatas. Pela leitura do texto, conclui-se que puramente decorativas, indicando ser inexistente
o conceito de arte para eles.
A) manifestações contemporâneas, como grafite,
são influenciadas diretamente pela arte rupestre. C) achados, como templos, esculturas, pinturas,
utensílios domésticos, objetos ornamentais e
B) pinturas rupestres são as produções artísticas
amuletos, não são objetos de estudo da arte.
dos povos paleolíticos encontradas nos Estados
Unidos e na África do Sul. D) artífices não concordavam com a representação
artística predeterminada por crenças, por isso
C) produções de artes plásticas que tenham rochas
não assinavam suas obras.
naturais como suporte devem ser entendidas
como arte rupestre. E) rastros encontrados não são o bastante para se
determinar o que essas sociedades entendiam
D) especialistas discordam da classificação de
como arte.
pinturas rupestres pré-históricas como arte por
não terem sido produzidas com caráter estético.
05. Com base nas civilizações pré-colombianas, analise as
E) inscrições sobre pedras pré-históricas são afirmações a seguir:
consideradas arte porque produzem prazer
I. Os povos ameríndios produziam arte para expressar
estético na sociedade atual.
seus pensamentos e sentimentos.

Instrução: Texto para as questões 04 e 05. II. Os objetos artísticos dos povos nativos da América
tinham funções definidas, sejam místicas e
Consideram-se arte pré-colombiana as manifestações religiosas, sejam decorativas.
artísticas dos povos nativos da América espanhola antes
III. Por causa do que restou da arte dos povos ame-
da chegada de Cristóvão Colombo, em 1492. Tudo o
ríndios, é possível decifrar características de sua
que resta das grandes civilizações do período anterior à
cultura.
colonização do continente americano pelos europeus é
sua “arte”. Nesse caso, “arte” compreende objetos com IV. Os artistas das culturas pré-colombianas eram
funções definidas, em geral mágica ou religiosa, e também valorizados como mestres criativos.
artigos simplesmente belos, criados para decoração.
Estão CORRETAS as afirmativas
Fazem parte do universo artístico dessas civilizações tanto
os templos e casas quanto as esculturas, relevos, pinturas, A) I e IV.
utensílios domésticos, objetos ornamentais, amuletos e B) II e IV.
tecidos. De autoria desconhecida, as obras são realizadas
C) II e III.
por artífices, cuja tarefa é transpor para os materiais
(pedra, barro, metal, etc.) padrões de representação D) I, III e IV.

predeterminados pelas crenças ou ciências de cada povo. E) II, III e IV.

Bernoulli Sistema de Ensino


37
06. Texto I 07. Umas das sociedades que mais se expressam
simbolicamente através de suas máscaras são as
etnias africanas. Dentro da África, encontram-se
várias sociedades, onde cada uma possui traços
específicos e particulares respeitando seu contexto
cultural. Dentro da arte africana, as esculturas são
as expressões de maior destaque e mais conhecidas
universalmente. Diferente da concepção artística
ocidental, a arte africana possui um teor e um sentido
mágico religioso.

GORZONI, Priscila.
Disponível em: <[Link]
Acesso em: 19 set. 2016. [Fragmento]

As esculturas são encaradas como objetos rituais para


os africanos e possuem um sentido mágico e religioso.
As máscaras feitas tinham como função

A) representar antepassados, seres sobrenaturais,


Pablo Picasso. As senhoritas de Avignon. 1907. espíritos da natureza e deuses.
Óleo sobre tela, 243,9 x 233,7 cm. Museu de Arte Moderna,
Nova Iorque, Estados Unidos. B) proteger durante os conflitos que as etnias ainda
hoje enfrentam por causa das terras.
Texto II
C) demonstrar a riqueza material daqueles que as
usavam, já que podiam ser metais preciosos.

D) enfeitar os dançarinos africanos, compondo uma


das peças mais importantes dos trajes típicos.

E) espantar os maus agouros e trazer sorte nos


embates contra os europeus nas invasões.
Peter Horree / Alamy / Latinstock

08. (FUNCAB-RJ) As cores mais usadas pelos índios para


pintar seus corpos são o vermelho-vivo, o negro-
-esverdeado e o branco. Essas tintas, confeccionadas
com elementos da natureza, são extraídas,
w respectivamente,
Máscara ngil, da etnia fang. Guiné Equatorial, Gabão e Camarões.
A) do couro, da palha e de plumas.
No texto I, vê-se o quadro As senhoritas de Avignon, e, B) do buriti, da cabaça e do tucum.
no texto II, uma máscara africana. A análise de ambos
C) de cipós, de sementes e de resinas.
os trabalhos determina que a arte africana
A) chegou à Europa com os comerciantes portugueses D) de conchas, de fibras e de ossos.
no século XV e, desde então, determinou os rumos E) do urucum, do jenipapo e da tabatinga.
da produção artística europeia.
B) foi responsável pela decadência formal ocorrida 09. Desde os tempos das cavernas, o ser humano cria
na arte europeia, pois suas técnicas mostraram-se e decora utensílios de cerâmica, vasos, pratos e
mais sofisticadas que as do velho continente.
ferramentas diversas para executar as tarefas diárias.
C) propôs inovações formais aos artistas europeus
A princípio, eram usados os materiais que estivessem
do início do século XX, que as repudiaram,
mais disponíveis na natureza, como o barro para as
principalmente, na escultura.
peças cerâmicas, fibras de plantas para a cestaria,
D) promoveu a renovação e a inovação formal a
além da lã dos animais e das penas coloridas das
vários artistas plásticos europeus, diante do
academicismo repetitivo na Europa. aves. Esses objetos podem ser feitos artesanalmente

E) limitou-se a influenciar apenas as manifestações ou em produção em série pela indústria e,


artísticas europeias, sendo pouco expressiva em em comum, possuem a característica de serem
continentes geograficamente distantes. utilitários e, eventualmente, decorativos.

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38
ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS
No estado do Pará, vestígios arqueológicos apontam A) usa espaços urbanos como suporte, o que
a existência de manifestações artísticas anteriores à faz com que as obras possam sofrer ações da
chegada dos europeus. Buscando manter a tradição natureza ou dos cidadãos.
de séculos passados, a cerâmica artesanal produzida B) cativa o público jovem e incentiva a conservação
atualmente se inspira nos trabalhos desses povos, e renovação dos espaços públicos por expor
como visto na forte influência da cultura imagens apelativas.
A) inca, por causa de sua presença no norte da C) transforma estações de trem em grandes galerias
região amazônica brasileira, abrangendo as de arte urbana por esses locais representarem
comunidades indígenas próximas. valores das classes elevadas.
B) africana trazida com a imigração forçada
D) incentiva o vandalismo e contribui para o
de escravos, que resistiram à opressão dos
aumento das pichações, poluindo visualmente
europeus produzindo diferentes tipos de arte.
os espaços públicos.
C) popular dos habitantes da Ilha de Marajó de
mais de 1 500 anos atrás, que se destaca pela E) é uma arte efêmera e, por isso, não possui valor
produção de objetos ornamentais e utilitários. artístico comercial, já que é impossível de ser
transportada.
D) paleolítica, cuja produção era ricamente
decorada com pinturas, desenhos e relevos de
figuras humanas ou animais.
E) indígena atual, que, muitas vezes, produz SEÇÃO ENEM
peças com fins comerciais que auxiliam na
sobrevivência desses grupos. 01. (Enem)

10. Leia o texto.

Projeto revitaliza áreas de lixões em SP


com grafite e ações culturais

A forte e intermitente chuva deste domingo


(29/11/2015) não impediu a realização de um evento
que celebra o fim de um ponto “viciado” de lixo na
entrada da Favela do Boqueirão, no Ipiranga, em São
Paulo. A ação é parte do projeto Nosso Espaço Limpo:
Graffite × Lixo, promovida pelo coletivo cultural
Cenário Urbano, que usa a arte de rua para revitalizar
antigos pontos que eram utilizados pelos moradores
locais para descarte irregular de lixo.

Esse foi o quinto evento realizado pelo coletivo. Pintura rupestre da Toca do Pajaú-PI.
Música, tendas de poesia e de contação de histórias, Disponível em: <[Link]>.

espaço para brincadeiras tradicionais como amarelinha A pintura rupestre anterior, que é um patrimônio
e até um espaço para que voluntárias fizessem cultural brasileiro, expressa
trancinhas com linhas coloridas nos cabelos das
A) o conflito entre os povos indígenas e os europeus
crianças tomaram conta do local. A grande atração,
durante o processo de colonização do Brasil.
no entanto, foi a pintura dos muros do antigo lixão por
diversos grafiteiros, embora o trabalho não tenha sido B) a organização social e política de um povo
concluído por causa da chuva. indígena e a hierarquia entre seus membros.

CRUZ, Elaine Patrícia. Disponível em: <[Link] C) aspectos da vida cotidiana de grupos que viveram
Acesso em: 31 out. 2016. [Fragmento] durante a chamada Pré-História do Brasil.

O grafite é um tipo de arte urbana, e sua produção D) os rituais que envolvem sacrifícios de grandes
dinossauros atualmente extintos.
reflete a relação do artista com a cidade. Sobre essa
manifestação artística nos grandes centros, pode-se E) a constante guerra entre diferentes grupos
concluir que paleoíndios da América durante o período colonial.

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39
02. (Enem)

Texto I

Toca do Salitre – Piauí. Disponível em: <[Link] Acesso em: 27 jul. 2010.

Texto II

Diego Singh. Arte Urbana. Disponível em: <[Link] Acesso em: 27 jul. 2010.

O grafite contemporâneo, considerado em alguns momentos como uma arte marginal, tem sido comparado às pinturas
murais de várias épocas e às escritas pré-históricas. Observando as imagens apresentadas, é possível reconhecer
elementos comuns entre os tipos de pinturas murais, tais como

A) a preferência por tintas naturais, em razão de seu efeito estético.

B) a inovação na técnica de pintura, rompendo com modelos estabelecidos.

C) o registro do pensamento e das crenças das sociedades em várias épocas.

D) a repetição dos temas e a restrição de uso pelas classes dominantes.

E) o uso exclusivista da arte para atender aos interesses da elite.

03. (Enem–2015)

Ao se apossarem do novo território, os europeus ignoraram um universo de antiga sabedoria, povoado por homens
e bens unidos por um sistema integrado. A recusa em se inteirar dos valores culturais dos primeiros habitantes
levou-os a uma descrição simplista desses grupos e à sua sucessiva destruição. Na verdade, não existe uma distinção
entre a nossa arte e aquela produzida por povos tecnicamente menos desenvolvidos. As duas manifestações devem
ser encaradas como expressões diferentes dos modos de sentir e pensar das várias sociedades, mas também como
equivalentes, por resultarem de impulsos humanos comuns.

SCATAMACHIA, M. C. M. In: AGUILAR, N. (Org.). Mostra do redescobrimento: arqueologia.

São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo – Associação Brasil 500 anos artes visuais, 2000.

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ARTE RITUAL E CULTURAS ANCESTRAIS
De acordo com o texto, inexiste distinção entre A)
as artes produzidas pelos colonizadores e pelos
colonizados, pois ambas compartilham o(a)

A) suporte artístico.
B) nível tecnológico.
C) base antropológica.
D) concepção estética.
E) referencial temático. Rubem Valentim. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 09 jul. 2009.

04. (Enem–2015) B)

Athos Bulcão. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 09 jul. 2009.

C)
Máscara senufo, Mali. Madeira e fibra vegetal.
Acervo do MAE/USP.

As formas plásticas nas produções africanas


conduziram artistas modernos do início do século XX,
como Pablo Picasso, a algumas proposições artísticas
denominadas vanguardas. A máscara remete à

A) preservação da proporção. Rubens Gerchman. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 06 jul. 2009.
B) idealização do movimento.
C) estruturação assimétrica. D)

D) sintetização das formas.


E) valorização estética.

05. (Enem)

Os melhores críticos da cultura brasileira trataram-


na sempre no plural, isto é, enfatizando a coexistência
no Brasil de diversas culturas. Arthur Ramos distingue Victor Vasarely. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 05 jul. 2009.
as culturas não europeias (indígenas, negras) das
europeias (portuguesa, italiana, alemã, etc.), e Darcy E)
Ribeiro fala de diversos Brasis: crioulo, caboclo,
sertanejo, caipira e de Brasis sulinos, a cada um deles
correspondendo uma cultura específica.

MORAIS, F. O Brasil na visão do artista: o país e sua cultura.


São Paulo: Sudameris, 2003.

Considerando a hipótese de Darcy Ribeiro de que


há vários Brasis, a opção em que a obra mostrada
Gougon. Disponível em:
representa a arte brasileira de origem negro-africana é: <[Link] Acesso em: 05 set. 2009.

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