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Evolução do ECA e Direitos Infantis

O documento discute a evolução do tratamento de crianças e adolescentes no Brasil, destacando as fases de indiferença, mera imputação criminal, tutela e proteção integral, conforme o ECA. Apesar dos avanços legais, ainda existem lacunas entre as conquistas e a implementação prática das políticas de proteção. O texto também menciona a importância do Conselho Tutelar na aplicação de medidas protetivas e a necessidade de escuta especializada para vítimas de violência.
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Evolução do ECA e Direitos Infantis

O documento discute a evolução do tratamento de crianças e adolescentes no Brasil, destacando as fases de indiferença, mera imputação criminal, tutela e proteção integral, conforme o ECA. Apesar dos avanços legais, ainda existem lacunas entre as conquistas e a implementação prática das políticas de proteção. O texto também menciona a importância do Conselho Tutelar na aplicação de medidas protetivas e a necessidade de escuta especializada para vítimas de violência.
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A despeito da enunciada mudança de paradigma proclamada pelo ECA (Estatuto da

Criança e do Adolescente), ainda se coloca um longo percurso para o alinhamento


garantista previsto. Há um lapso que distancia as conquistas legais dos aparatos
institucionais. Embora seja possível perceber avanços no corpo normativo/legal e
organizacional, no que se refere ao atendimento ao adolescente em conflito com a lei,
pode-se afirmar que sobressai
Alternativas
A o privilégio de abordagens na perspectiva da totalidade.
B a reedição de práticas já superadas.
C a revitalização de políticas de atenção ao adolescente.
D a minimização da política criminal.
E a redução da judicialização da vida social.

Comentário:

De acordo com o professor Paulo Lépore, a evolução do tratamento da criança e do


adolescente pode ser resumida em quatro fases ou sistemas:

1. Fase da Absoluta Indiferença (até o Século XIV): Nenhum país fazia qualquer espécie de
referência aos direitos da criança e do adolescente. Não existiam normas relacionadas a
crianças e adolescentes.

2. Fase da Mera Imputação Criminal ou do Direito Penal Indiferenciado (até o Século XIX):
As leis tinham o único propósito de coibir a pratica de ilícitos (Ordenações Afonsinas e
Filipinas, Código Criminal do Império de 1830, Código Penal de 1890). Inexistia qualquer
tratamento diferenciado ou protetivo destinado à criança e ao adolescente; todos eram
segregados dentro do mesmo estabelecimento prisional, independentemente da idade, não
existia dosimetria da pena, podendo o juiz deixar a criança segregada pelo tempo que
quisesse.

3. Fase Tutelar (Século XX): Foram criados Códigos específicos às crianças e aos
adolescentes, porém com intuito repressivo, higienista, e não de garantia de direitos. Não
existia respeito ao devido processo legal, defesa técnica, assistência judiciária, individualização
da pena, responsabilidade especial pela prática de ato infracional, etc.

Código Mello Mattos – 1927: Nessa época vigorava a doutrina do menor ou doutrina da
situação irregular, despertando o interesse do Estado apenas os órfãos, abandonados e
delinquentes, em função do incômodo gerado para a sociedade. E a única solução encontrada
à época era a institucionalização, de todos, conjunta e indistintamente. Misturavam os órgãos
e as crianças em situação de delinquência.

Código de Menores – 1979: Não avançou em nada em relação ao Código anterior. Vigorava
ainda a doutrina do menor ou a doutrina da situação irregular.

4. Fase da Proteção Integral (Séculos XX e XXI): Foi a nossa Constituição Federal de 1988
que inaugurou a fase de proteção integral no Brasil. A doutrina da proteção integral considera
as crianças e os adolescentes como sujeitos de direitos; considera a infância como um direito
social; considera as crianças e os adolescentes como pessoas em estágio de peculiar
desenvolvimento. E depois veio o ECA.
De acordo com o ECA (artigo 18 B), os pais, os integrantes da família ampliada, os
responsáveis, os agentes públicos executores de medidas socioeducativas, ou qualquer
pessoa encarregada de cuidar de crianças e de adolescentes, tratá-los, educá-los ou
protegê-los, que utilizarem castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como formas
de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, estarão sujeitos, entre
outras, às seguintes medidas, que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso:
encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família; obrigação de
encaminhar a criança a tratamento especializado; advertência. Em seu parágrafo único,
determina que as medidas previstas nesse artigo serão aplicadas
Alternativas
A pela defensoria pública.
B pelo Conselho de Direitos do município.
C pelo Conselho Tutelar.
D pela delegacia de polícia.
E pela autoridade judiciária.

A questão em comento encontra resposta na literalidade do art. 18-B do ECA.

Diz tal artigo:

“Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes públicos


executores de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças
e de adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo físico ou
tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer
outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, às seguintes
medidas, que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso: (Incluído pela Lei nº 13.010,
de 2014)

I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família; (Incluído pela Lei


nº 13.010, de 2014)
II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico; (Incluído pela Lei nº 13.010, de
2014)
III - encaminhamento a cursos ou programas de orientação; (Incluído pela Lei nº 13.010, de
2014)
IV - obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado; (Incluído pela Lei nº
13.010, de 2014)
V - advertência. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
VI - garantia de tratamento de saúde especializado à vítima. (Incluído pela Lei nº 14.344, de
2022)

Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão aplicadas pelo Conselho Tutelar,
sem prejuízo de outras providências legais. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)”

A observação necessária vem do art. 18-B, parágrafo único, do ECA, ou seja, são medidas, via
de regra, aplicáveis pelo Conselho Tutelar.

Feitas tais ponderações, nos cabe comentar as alternativas da questão.

GABARITO DO PROFESSOR: LETRA C


A Lei nº 13.431/17 altera o Estatuto da Criança e do Adolescente, estabelecendo novos
parâmetros para o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente,
implementando formas específicas para a escuta de crianças e adolescentes vítimas ou
testemunhas de violência. Os dois modelos de escuta estabelecidos são: 1) a escuta
especializada (artigo 7º da referida lei) e 2) o depoimento especial (artigo 8º ). É correto
afirmar, em relação ao depoimento especial, que constitui procedimento

Alternativas

A realizado pelos órgãos da rede de proteção nos campos da educação, da saúde, da


assistência social e da segurança pública.
B que deve incluir a avaliação de risco e eventuais intervenções intersetoriais, tendo em
vista a perspectiva de complementariedade entre as políticas.
C com a finalidade de permitir que qualquer criança ou adolescente possa ser ouvido(a) de
forma qualificada perante órgão da rede de proteção.
D de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de violência perante
autoridade policial ou judiciária.
E de entrevista perante órgão da rede de proteção, limitado o relato estritamente ao
necessário para o cumprimento de sua finalidade.

DEPOIMENTO consiste na Oitiva de criança ou


adolescente VÍTIMA ou TESTEMUNHA de VIOLÊNCIA perante o DELEGADO ou o
JUIZ

o depoimento especial será gravado em áudio e vídeo. sendo vedada a utilização ou


o repasse a terceiro das declarações feitas pela criança e pelo adolescente
vítima, salvo para os fins de assistência à saúde e de persecução penal;

O depoimento especial tramitará em segredo de justiça.

É VEDADA a leitura da denúncia ou de outras peças processuais;

O depoimento especial reger-se-á por protocolos e, sempre que possível, será realizado
uma única vez, em sede de produção antecipada de prova judicial, garantida a ampla
defesa do investigado.

A escuta especializada e o depoimento especial devem ser realizados em local


apropriado e acolhedor, com infraestrutura e espaço físico que garantam a privacidade
da criança ou do adolescente.

A criança ou o adolescente será resguardado de qualquer contato, ainda que visual, com o
suposto autor ou acusado, ou com outra pessoa que represente ameaça, coação ou
constrangimento.
Não será admitida a tomada de novo depoimento especial, salvo quando justificada
a sua imprescindibilidade pela autoridade competente e houver a concordância da
vítima ou da testemunha, ou de seu representante legal.

O profissional especializado poderá adaptar as perguntas à linguagem de melhor


compreensão da criança ou do adolescente;

No curso do processo judicial, o depoimento especial será transmitido em tempo real para
a sala de audiência, preservado o sigilo;

Decreto nº 9.603/2018 (Regulamento da Lei nº. 13.431/2017)

Art. 19. A escuta especializada é o procedimento realizado pelos órgãos da rede de


proteção nos campos da educação, da saúde, da assistência social, da segurança pública
e dos direitos humanos, com o objetivo de assegurar o acompanhamento da vítima ou da
testemunha de violência, para a superação das consequências da violação sofrida,
limitado ao estritamente necessário para o cumprimento da finalidade de proteção social e
de provimento de cuidados.

§ 4º A escuta especializada não tem o escopo de produzir prova para o processo de


investigação e de responsabilização, e fica limitada estritamente ao necessário para o
cumprimento de sua finalidade de proteção social e de provimento de cuidados.

Reportar abuso
Goes (2017), discorrendo sobre as medidas de proteção à infância e juventude, refere-se
ao instrumento que operacionaliza atendimento e indica perspectivas relacionadas
diretamente às crianças e/ou adolescentes acolhidos e suas famílias – que deve ser
desenvolvido pela equipe dos serviços de acolhimento, com os profissionais da rede
socioassistencial e da Vara da Infância e Juventude, para e com os principais envolvidos.
Trata-se
Alternativas
A
do roteiro de medidas protetivas.
B
do depoimento sem dano.
C
do sistema de garantia de direitos.
D
do plano individual de atendimento.
E
da audiência concentrada.

Art. 101. § 4 Imediatamente após o acolhimento da criança ou do adolescente, a entidade


responsável pelo programa de acolhimento institucional ou familiar elaborará um plano
individual de atendimento, visando à reintegração familiar, ressalvada a existência de
ordem escrita e fundamentada em contrário de autoridade judiciária competente, caso em
que também deverá contemplar sua colocação em família substituta, observadas as regras
e princípios desta Lei.

§ 5 O plano individual será elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do


respectivo programa de atendimento e levará em consideração a opinião da criança ou do
adolescente e a oitiva dos pais ou do responsável.

§ 6 Constarão do plano individual, dentre outros:

I - os resultados da avaliação interdisciplinar;

II - os compromissos assumidos pelos pais ou responsável; e

III - a previsão das atividades a serem desenvolvidas com a criança ou com o adolescente
acolhido e seus pais ou responsável, com vista na reintegração familiar ou, caso seja esta
vedada por expressa e fundamentada determinação judicial, as providências a serem
tomadas para sua colocação em família substituta, sob direta supervisão da autoridade
judiciária.

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