Análise Vocal em Crianças: Revisão Integrativa
Análise Vocal em Crianças: Revisão Integrativa
2017v29i1p20-32
A RTIG OS
Resumo
Objetivo: realizar uma revisão integrativa de literatura sobre as características de vozes normais e
disfônicas e a prevalência de lesões nas pregas vocais em crianças. Métodos: trata-se de uma revisão
integrativa da literatura. Foi realizado o levantamento dos artigos científicos por meio das bases de
dados Medline, LILACS, IBECS, PubMed e ISI Web of Science. Na busca dos artigos foram utilizados os
descritores “Distúrbios da Voz”, “Disfonia”, “Rouquidão”, “Qualidade da Voz”, “Acústica da Fala”,
“Voz”, “Fonação”, “Pregas Vocais”, “Pediatria”, “Criança”, “Pré-Escolar”. Para a análise dos dados,
as informações coletadas foram organizadas de maneira concisa em um banco de dados, realizado de
forma descritiva, considerando as informações referentes à amostra, objetivos, metodologia e resultados
principais, e organizadas por similaridade de conteúdo. Resultados: foram identificados 770 artigos, dos
quais 36 estavam diretamente relacionados ao objetivo da revisão e foram analisados. Conclusões: a
qualidade vocal das crianças sem alterações vocais é caracterizada por valores de frequência fundamental
que decrescem com o aumento da idade e com diferenças em relação ao sexo. O tempo máximo de
fonação aumenta com a idade. Em crianças disfônicas a qualidade vocal é soprosa e rugosa, com grau
de alteração de leve a moderado; as medidas acústicas da voz, os valores de tempo máximo de fonação
estão alterados; frequência fundamental é reduzida ou os valores de frequência fundamental observados
em crianças com alteração foram mais baixos do que os valores da normalidade. A lesão de prega vocal
mais prevalente até seis anos de idade é o cisto e, após esta idade, é o nódulo vocal.
Palavras-chave: Distúrbios da Voz; Disfonia; Qualidade da Voz; Voz; Criança.
Contribuição dos autores: LAR foi responsável pela busca bibliográfica, desenvolvimento do texto, elaboração do projeto e do
manuscrito; BOS foi responsável pela busca bibliográfica e desenvolvimento do texto; ACCG foi responsável pela orientação geral
das etapas de execução e elaboração do projeto e do manuscrito.
A RTIG OS
Abstract
Objective: to perform an integrative literature review about the characteristics of normal and
dysphonic voices and the prevalence of vocal cords lesions in children. Methods: it is a literature
integrative review. The survey of scientific articles was carried out through data bases Medline, LILACS,
IBECS (through the VHL Search Portal), PubMed and ISI Web of Science. In the search of the articles
were used the descriptors “Voice Disorders”, “Dysphonia”, “Hoarseness”, “Voice Quality”, “Speech
Acoustics”, “Voice”, “Phonation”, “Vocal Cords”, “Pediatrics”, “Child”, “Child Preschool”. For the
analysis of the data, the information collected was organized in a concise manner in a database, being
performed in a descriptive way, considering the information about the sample, objectives, methodology
and main results, and organized by content similarity. Results: 770 articles were identified, of which
36 were directly related to objective of the review and were analyzed. Conclusions: the vocal quality
of children without vocal changes is characterized by fundamental frequency values that decrease with
increase of age and with differences in relation to gender. The maximum phonation time increases with
age. In dysphonic children the vocal quality is blow and rough, with a grade of alteration from mild
to moderate; the acoustic measures of the voice, the maximum phonation time values are altered; the
fundamental frequency is severe. The cyst is vocal cords lesion most prevalent up to six years age, and
after this age is the vocal nodule.
Keywords: Voice Disorders; Dysphonia; Voice Quality; Voice; Child.
Resumen
Objetivo: Realizar una revisión integradora de la literatura sobre las características de vozes
normales y disfonicas y la prevalencia de lesiones de las cuerdas vocales en niños. Métodos: se realizó
una investigación integrativa de la literatura a través de articulos cientificos enontrados en las bases
de datos Medline, LILACS IBECS, PubMed y ISI Web of Science. En busca de artículos se utilizaron
los descriptores “Trastornos de la Voz”, “Disfonía”, “Ronquera”, “Calidad de la Voz”, “Acústica del
Habla”, “Voz”, “Fonación”, “Pliegues Vocales”, “Pediatría”, “Niño”, “Preescolar”. Para el análisis
de datos, la información recogida se organizó de manera concisa en una base de datos realizada de
una manera descriptiva, teniendo en cuenta la información sobre la muestra, objetivos, metodología
y resultados principales, organizados por la similitud del contenido. Resultados: fueron identificados
770 artículos de los cuales 36 estaban directamente relacionadas con el objetivo de la revisión y fueron
analizados. Conclusiones: La calidad vocal de los niños sin trastornos vocales se caracteriza por la
disminución de la frecuencia vocal fundamental con el aumento de la edad y con diferencias en relación
al sexo. El tiempo máximo de fonación aumenta con la edad. Los niños con disfonía tienen una calidad
de voz susurrante y rugosa, con un grado de alteración de leve a moderada; las medidas acústicas de la
voz, y los valores de tiempo máximo de fonación están alterados. La frecuencia fundamental es reduzida
o los valores de frecuencia fundamental obsevados en niños com alteración, fueron mas bajos que los
valores de normalidad. La lesión de pliega vocal más prevalente hasta seis años de edad es el quiste.
Después de esta edad son los nódulos vocales.
Palabras clave: Trastornos de la Voz; Disfonía; Calidad de la Voz; Voz; Niño.
lino. Entretanto, a proporção glótica infantil ainda vocal e lesões das pregas vocais na população
apresenta valores inferiores aos encontrados no pediátrica. Os critérios definidos para a exclusão
sexo feminino, o que a torna propensa à abertura das pesquisas foram artigos que possuíam acesso
posterior em fenda triangular, onde se concentra a apenas ao resumo, citações repetidas nas bases de
maior parte da energia vibratória durante a fonação. dados e que não se relacionavam diretamente ao
Em virtude disso, sugere-se uma alta suscetibilida- objetivo da investigação.
de da população pediátrica para desenvolver lesões Os artigos encontrados na busca foram anali-
por fonotrauma no terço médio das pregas vocais3,4. sados por duas pesquisadoras, independentemente,
Apesar das particularidades da voz infantil e da quanto à pertinência aos critérios de inclusão no
alta prevalência de disfonia na infância, os estudos estudo. Foram excluídos os artigos que não se
que descrevem as características vocais e laríngeas relacionavam diretamente ao tema. Quando houve
das crianças são escassos e necessitam de análise discordância entre as pesquisadoras sobre a perti-
para uma melhor compreensão e abordagem da nência do artigo, os mesmos foram analisados por
clínica vocal com a população pediátrica. consenso.
O objetivo do presente trabalho foi realizar Para a análise dos dados, as informações
uma revisão integrativa da literatura sobre as ca- coletadas foram organizadas de maneira concisa
racterísticas de vozes normais e disfônicas e a pre- em um banco de dados, sendo realizada de forma
valência de lesões nas pregas vocais em crianças. descritiva, considerando as informações referentes
à amostra, objetivos, metodologia e resultados prin-
Método cipais, e organizadas por similaridade de conteúdo.
Após a análise dos estudos selecionados foi
Trata-se de uma revisão integrativa da literatu- realizada distribuição em categorias, seguindo
ra sobre a qualidade vocal na infância. A metodo- as características da qualidade vocal em crianças
logia empregada seguiu as seis fases propostas na normofônicas e em crianças disfônicas e sobre as
literatura para a elaboração da revisão integrativa, características das lesões de pregas vocais mais
a saber: 1) elaboração da hipótese, 2) busca na lite- prevalentes em crianças disfônicas.
ratura, 3) definição das características dos estudos,
4) análise crítica dos estudos incluídos, 5) análise Resultado
dos resultados e 6) apresentação da revisão5,6.
O questionamento direcionador para a presente Foram identificados 770 artigos, dos quais
pesquisa foi: Qual a produção de conhecimentos somente 36 estavam diretamente relacionados
sobre qualidade da voz e lesões das pregas vocais à pergunta de pesquisa e foram analisados. Os
na população pediátrica? resultados da seleção e análise da pesquisa estão
O levantamento dos artigos científicos foi descritos na Figura 1.
realizado por meio das bases de dados Medline, LI- Dentre os estudos incluídos na pesquisa bi-
LACS, IBECS (por meio do portal BVS), PubMed bliográfica, nenhum teve metodologia semelhante,
e ISI Web of Science . Na busca dos artigos foram o que impossibilitou a realização de meta-análise
utilizados os descritores “Distúrbios da Voz”, dos resultados encontrados.
“Disfonia”, “Rouquidão”, “Qualidade da Voz”, A análise das publicações permitiu a identifi-
“Acústica da Fala”, “Voz”, “Fonação”, “Pregas cação de duas temáticas principais, observadas na
Vocais”, “Pediatria”, “Criança”, “Pré-Escolar”, Figura 2: crianças normofônicas (qualidade vocal)
em inglês, português, espanhol e suas combinações. e crianças disfônicas (qualidade vocal e lesões de
Como critérios de inclusão consideraram-se pregas vocais).
artigos científicos completos publicados nos anos Os resultados da revisão de literatura, definindo
de 2001 a 2016 nos idiomas inglês, português e a casuística e resultados observados, estão apresen-
espanhol, e que abordavam os temas de qualidade tados no Quadro 1.
A RTIG OS
Figura 1. Seleção e análise dos artigos
NÚMERO DE
AUTORES/ANO DELINEAMENTO SUJEITOS E AVALIAÇÃO RESULTADOS
IDADE
Qualidade vocal mais comum entre as
Oliveira RC, Teixeira
70 crianças com Análise perceptivo- crianças disfônicas: soprosidade seguida
LC, Gama ACC, Transversal com
idade entre seis a auditiva (escala GRBASI) de rugosidade. Medidas acústicas de
Medeiros AM. amostra aleatória
10 anos Análise acústica APQ, PPQ e PHR: mais elevadas entre as
(2011)1
crianças disfônicas..
Hill CA, Shilpa O,
50 participantes Média da frequência fundamental nos
Maturo S, Maurer R, Prospectivo
com idade entre Análise acústica sujeitos de quatro a 17 anos de idade:
Bunting G, Hartnick longitudinal
quatro a 17 anos 244 Hz.
CJ. (2013) 7
A variação de frequência (vf0) e a
proporção harmônico-ruído (NHR)
foram maiores na amostra total que
aos cinco e seis anos; à medida que
23 crianças com a idade aumentou, o NHR reduziu; à
Prospectivo Avaliação perceptivo-
Cappellari VM, Cielo idade entre quatro medida que o PPQ aumentou, a vf0,
de coorte auditiva (escala RASAT)
CA. (2008)8 a oito anos e seis variação de amplitude (vAm), o índice
transversal Análise acústica
meses de fonação suave (SPI) e o NHR também
aumentaram; à medida que o PPQ, APQ
e o índice de turbulência vocal (VTI)
aumentaram, o índice de fonação suave
(SPI) reduziu.
Decréscimo na frequência fundamental
Viegas F, Viegas D, 207 crianças com com o aumento da idade. A idade de seis
Coorte trans Análise perceptivo-
Atherino CCT, Baeck idade entre quatro anos foi apontada como determinante
versal auditiva Análise acústica
HE. (2010)9 a oito anos para as mudanças acústicas das
vocalizações infantis.
Infusino SA, Diercks Redução significativa na frequência
GR, Rogers, fundamental nos meninos normofônicos
218 participantes
DJ, Garcia J, Ojha nas idades entre 11 e 14 anos. Nas
Corte transversal com idade entre Análise acústica
S, Maurer R, Bunting meninas observou-se tendência
quatro a 17 anos
G, Hartnick CJ. de diminuição linear na frequência
(2015)10 fundamental, sem nenhum marco etário.
Os resultados deste estudo mostram
Uma criança com que as crianças podem produzir uma
Hunter EJ. (2009) 11
Estudo de caso cinco anos e sete Análise acústica voz notavelmente diferente durante as
meses de idade observações clínicas em comparação com
as atividades diárias de rotina.
Quando comparado as médias da
frequência fundamental em uma emissão
controlada e na fala espontânea, esta
11 crianças com foi significantemente maior na fala
McAllister A, Brandt
Experimental cinco anos de Análise acústica espontânea. Os resultados sugerem que
SK. (2012)12
idade as condições de gravação controladas
podem ser inadequadas para caracterizar
o comportamento vocal das crianças em
um ambiente natural.
Os resultados revelaram que o tipo de
Baker S, Weinrich tarefa influencia significativamente os
B, Bevington 48 participantes valores da frequência fundamental em
M, Schroth K, Experimental com idade entre Análise acústica criança. A frequência fundamental foi
Schroeder E. seis a 10 anos maior na contagem numérica e na vogal
(2008)13 sustentada quando comparadas à frase e
à sentença.
Em crianças normofônicas as medidas
acústicas de frequência fundamental
, jitter, e shimmer foram diferentes na
emissão habitual em comparação com
68 crianças com a emissão controlada. A frequência
Brockmann-
Coorte trans idade entre cinco fundamental foi maior e as medidas
Bauser M, Beyer Análise acústica
versal a nove anos e 11 de jitter e shimmer foram menores
D, Bohlender JE
meses em crianças do sexo feminino. As
(2015)14
variáveis sexo, idade, altura e peso não
interferiram nos valores de frequência
fundamental , jitter, shimmer nas
emissões controladas.
Ao comparar emissões habituais e
Brockmann- 49 crianças com emissões controladas de crianças sem
Bauser M, Beyer idade entre cinco alterações, observou se que as medidas
Corte transversal Análise Acústica
D, Bohlender JE a nove anos e 11 acústicas de jitter e shimmer obtiveram
(2014)15 meses valores menores nas emissões realizadas
na intensidade de 80 dB.
A RTIG OS
NÚMERO DE
AUTORES/ANO DELINEAMENTO SUJEITOS E AVALIAÇÃO RESULTADOS
IDADE
Com o aumento da idade, houve redução
das medidas acústicas d frequência
Tavares EM, Labio 240 participantes Análise perceptivo-
fundamental e APQ e aumento da medida
RB, Martins RHG Corte transversal com idade entre auditiva Análise Acústica
acústica de SPI. Os parâmetros vocais
(2010)16 quatro a 12 anos Videolaringoestroboscopia
não diferiram entre os gêneros até a
idade de 12 anos.
Os TMF aos seis anos foram maiores do
23 crianças com
Prospectivo que aos quatro anos. À medida que a
Cielo CA, Cappellari idade entre quatro Avaliação perceptivo-
de coorte idade aumentou, todos os valores de TMF
VM. (2008)17 a seis anos e oito auditiva (escala RASAT)
transversal também aumentaram, e a relação s/z
meses
para todas as idades foi próxima de um.
Houve diminuição da frequência
fundamental com a idade e os demais
Tavares EM, parâmetros acústicos mostraram-
Análise perceptivo-
Brasolotto A, 2.000 crianças se mais elevados nas crianças com
Analítico auditiva (escala GRBASI)
Santana MF, com idade entre disfonia. Nas laringoscopias observou-se
transversal Análise acústica Exame
Padovan CA, Martins quatro a 12 anos nódulos, espessamentos e inflamação. O
de videolaringoscopia
RHG. (2009)18 julgamento dos pais indicou prevalência
de disfonia em 6,15%, e as análises
perceptivas em 11,4%.
O grupo de crianças disfônicas apresentou
100 participantes maior prevalência de soprosidade e
Simões-Zenari M,
com idade entre Análise perceptivo- rugosidade. A frequência fundamental
Nemr K, Behlau M Corte transversal
quatro a seis anos auditiva Análise Acústica foi menor no grupo de disfônicos e a
(2012)19
e 11 meses componente de ruído foi mais elevada
nesse grupo.
Nenhuma das crianças apresentou
desvio vocal intenso. Observou-se maior
Lopes LW, Lima
ocorrência de desvio leve nos parâmetros
ILB, Almeida 71 crianças com
Coorte trans Análise perceptivo- instabilidade, rugosidade e tensão. O
LNA, Cavalcante idade entre três a
versal auditiva Análise acústica grau geral moderado, a rugosidade e a
DP, Almeida AAF. 10 anos
soprosidade foram correlacionados com
(2012)20
maiores valores de shimmer e menor
valor de GNE.
42 crianças com O questionário PVSQ é um instrumento
Ingrid V, Dominique Pediatric Voice Symptom
Experimental. idade entre cinco a válido e confiável para a autoavaliação da
M, Marc R. (2012)21 Questionnaire (PVSQ)
13 anos disfonia na população infantil.
Observou-se correlação entre o CAPE-V e
o pVHI funcional e entre CAPE-V, tensão
38 participantes
Johnson K, Brehm Pediatric Voice Handicap e soprosidade, e o pVHI total e funcional.
com idade entre
SK, Weinrich B, Retrospectivo Index (pVHI) Análise O parâmetro perceptivo-auditivo com
quatro anos e dois
Meinzen-Derr J, observacional perceptivo-auditiva maior grau de alteração é a soprosidade
meses a 17 anos e
Alarcon A. (2011)22 (escala CAPE-V) seguida da rugosidade, embora a tensão
dois meses
e instabilidade também se encontrem
alteradas.
Não houve associação entre o tamanho
de nódulos e a frequência fundamental,
40 crianças com a o shimmer, a diminuição do suporte
Shah RK, Engel SH, Retrospectivo Análise perceptivo-
média de idade de respiratório, a perda de ar ou à tensão
Choi SS. (2008)23 longitudinal auditiva Análise acústica
7,5 anos muscular. O tamanho dos nódulos vocais
influencia no pitch, sendo que quanto
maior a lesão mais grave é o pitch.
67 participantes
Nardone HC, Recko com idade entre Análise perceptivo- Crianças com nódulos de pregas vocais
Clínico
T, Huang L, Nuss RC três anos e oito auditiva possuem grau de alteração da qualidade
retrospectivo
(2014)24 meses a 20 anos e Videolaringoestroboscopia vocal proporcional ao tamanho lesão.
seis meses
74,1% apresentaram alteração vocal de
Lopes LW, Lima
Análise perceptivo- grau leve nos parâmetros rugosidade
IL, Barbosa AE, 93 participantes
Analítico auditiva (escala e instabilidade. Em 14% observou-se
Heitmann M, Silva com idade entre
transversal analógico- visual) Análise desvio de grau moderado e apenas
MF, Bonfim L, Silva oito a 10 anos
acústica 11,9% dos sujeitos apresentaram voz
POC (2015)25
saudável.
Os indivíduos pré-termo extremos
possuem maiores alterações na análise
Reynolds V, acústica e perceptivo-auditiva quando
Análise perceptivo-
Buckland A, Bailey J, comparados às crianças nascidas a
97 crianças com auditiva Análise acústica
Lipscombe J, Nathan Prospectivo termo. O AVQI tem uma precisão de
idade entre seis a por meio do The Acoustic
E, Vijayasekaran S, observacional diagnóstico na população infantil, o que
15 anos Voice Quality Index
Kelly R, Maryn Y, sugere que ele é uma ferramenta de
(AVQI)
French N. (2012)26 avaliação adequada para determinar a
presença e grau de desvios de distúrbios
da voz pediátricos.
NÚMERO DE
AUTORES/ANO DELINEAMENTO SUJEITOS E AVALIAÇÃO RESULTADOS
IDADE
Os pacientes pré-termo com maior tempo
de intubação possuem impacto negativo
Pediatric Voice Outcomes
Walz PC, Hubbell, 69 crianças com a na qualidade da voz. A pontuação
Prospectivo Survey (pVOS) Pediatric
MP, Elmaraghy, CA média de idade de pVRQOL foi correlacionada positivamente
observacional Voice-Related Quality of
(2014)27 28 anos com idade gestacional e negativamente
Life (pVRQOL)
correlacionada com o tempo da
intubação.
A qualidade vocal de crianças com
obstrução de via aérea superior tem grau
aumentado de hiponasalidade, pitch mais
Lábio RB, Tavares
120 crianças com grave e voz comprimida. Na avaliação
ELM, Alvarado Retrospectivo Análise perceptivo-
idade entre quatro acústica observa-se que a frequência
RC, Martins RHG. oberservacional auditiva Análise acústica
a 12 anos fundamental é sempre menor no grupo
(2012)28
com obstrução nasal crônica e as medidas
de jitter, shimmer e PHR são melhores no
grupo sem obstrução nasal.
A qualidade vocal é afetada
Lundeborg I,
Retrospectivo 189 crianças com perceptivamente e acusticamente pela
Hultcrantz E, Análise perceptivo-
clínico idade entre 50 a hipertrofia adenoamigdaliana. Após a
Ericsson E, McAllister auditiva Análise acústica
randomizado 65 meses cirurgia a voz é normalizada, mas as
A. (2012)29
diferenças acústicas permanecem.
Ao comparar as vozes de crianças com
nódulos de pregas vocais com crianças
sem alterações laríngeas observou-se
Gramuglia ACJ,
que o grau de alteração, a rugosidade e
Tavares ELM, 200 participantes Análise perceptivo-
a soprosidade foram maiores em crianças
Rodrigues AS, Corte transversal com idade entre auditiva Análise Acústica
com lesão. As medidas acústicas de jitter,
Martins RHG quatro a 11 anos Videolaringoestroboscopia
shimmer, PPQ, APQ e NHR foram mais
(2014)30
elevadas no grupo com nódulos vocais.
Não houve diferença dos valores de
frequência fundamental.
Garcia-Real T, Diaz- As crianças com diagnóstico de TDAH
51 crianças com
Roman TM, Garcia- Análise perceptivo- apresentaram rouquidão, e tensão
Corte transversal idade entre seis a
Martinez V, Vieiro- auditiva Análise Acústica cervical quando comparadas às crianças
15 anos
Iglesias P (2013)31 do grupo controle.
Nas crianças do gênero feminino os
tempos máximos de fonação foram
Beber BC, Cielo 54 crianças com
Prospectivo Análise perceptivo- considerados reduzidos. Nos meninos
CA, Siqueira MA. idade entre 13 a
oberservacional auditiva com lesões de massa, 50% das crianças
(2009)32 15 anos
tiveram TMF considerados normais e 50%
reduzidos.
Melo ECM, Mattioli
O nódulo vocal foi a lesão mais comum
FM, Brasil OC, Retrospectivo 34 crianças com
observada nas crianças avaliadas, sem
Behlau M, Pitaluga clínico não idade entre quatro Videolaringoscopia
prevalência quanto ao sexo, com uma
ACA, Melo DM. randomizado a 13 anos
média de idade de 9 anos.
(2001)33
Martins RHG, Ribeiro A disfonia ocorreu em crianças de 7 a 12
304 participantes
CBH, Mello BMZ, Clínico anos, no sexo masculino. As lesões mais
com idade entre Videolaringoestroboscopia
Branco A, Tavares prospectivo observadas foram nódulos vocais e cistos
quatro a 18 anos
ELM. (2012)34 epidermóides.
O cisto epidermóide está relacionado
às disfonias congênitas, presente
Espelho laríngeo,
Connelly A, Clement 142 crianças com em 7% dos casos. O abuso vocal
Clínico laringoscopia e
WA, Kubba H. idade entre sete a é um dos fatores que se associam
retrospectivo microlaringoscopia-
(2009)35 12 anos ao desenvolvimento de lesões por
broncoscopia
fonotrauma e, mais especificamente, dos
nódulos vocais.
Em crianças com idade inferior a seis
Mortensen M, 80 participantes
Clínico anos a principal causa de alterações
Schaberg M, Woo P. com idade entre Videolaringoestroboscopia
retrospectivo vocais é a presença de alterações
(2010)36 três a 17 anos
estruturais mínimas.
A prevalência de disfonia para crianças
Kallvik E,
em idade escolar foi de 12,0%. Nas
LindströmE, 217 crianças com Análise perceptivo-
meninas, a prevalência foi de 7,8% e
Holmqvist S, Corte transversal idade entre seis a auditiva (escala
para os menino 15,8%. A rugosidade
Lindman J, Simberg 10 anos analógico- visual).
foi o parâmetro perceptivo-auditvo mais
S (2015)37
prevalente.
Alterações vocais estiveram presentes em
Stivanin L, Santos 67,6%, dos pacientes vítimas de maus
136 crianças com
FP, Oliveira CCC, Análise perceptivo- tratos atendidos em um centro de saúde.
Corte transversal idade média de 10
Santos B, Ribeiro ST, auditiva (escala GRBASI) A prevalência de alterações vocais foi
anos e dois meses
Scivoletto S (2015)38 maior do que a observada na população
geral.
A RTIG OS
NÚMERO DE
AUTORES/ANO DELINEAMENTO SUJEITOS E AVALIAÇÃO RESULTADOS
IDADE
52% das crianças obtiveram diagnóstico
Análise perceptivo-
de nódulos de pregas vocais com
195 participantes auditiva (escala GRBASI)
Smillie IMK, Cohen Clínico predomínio no sexo masculino. A
com cinco, oito e Protocolo de Qualidade
W, Lawson E, Wynne prospectivo Síndrome da tensão músculo esquelética
11 anos de idade de Vida e voz Pediátrico
DM (2014)39 esteve presente em 69% dos casos de
(PVRQOL)
disfonia.
Mackiewicz- 150 crianças 56,7% das crianças apresentaram
Nartowicz H., com idade entre nódulos de pregas vocais. A disfonia
Corte transversal Videolaringoestroboscopia
Sinkiewicz A, dois anos e cinco funcional foi diagnosticada no restante
Bielecka A. (2011)40 meses a 14 anos (40% das crianças).
Cerca de 839 mil crianças (1,4%)
atendidas em um centro de saúde no ano
de 2012 relataram problema de voz. No
839 ± 89 mil
geral, 53,5% receberam um diagnóstico.
Bhattacharyya N Clínico participantes com
Questionário específico A laringite (16,6%) e alergias (10,4%)
(2015)42 prospectivo idade entre três a
foram os diagnósticos mais comuns. Um
17 anos
total de 16,4% classificaram o problema
de voz como um “grande” ou “muito
grande”.
Busca de artigos
científicos nas bases A revisão integrativa não estabeleceu
07 artigos com
Maia AA, Gama Revisão bibliográficas LILACS, um perfil comportamental em crianças
crianças de idade
ACC, Kümmer AM integrativa da IBECS, MEDLINE, disfônicas, e não se observou correlação
entre oito a 11
(2014)43 literatura Biblioteca Cochrane, entre disfonia infantil e comportamento
anos
SciELO e Web of Science vocal inadequado.
ISI
Dois estudos11,12 compararam as médias de f0 ças com idades entre cinco e sete anos e 11 meses
na emissão controlada e na fala espontânea e os sem alteração vocal. A f0 foi consideravelmente
resultados indicaram que a f0 foi significativamente maior na contagem numérica e na vogal susten-
maior na fala espontânea. Outro estudo13 verificou a tada, quando comparadas a frases e sentenças13.
influência da tarefa solicitada na f0 da voz de crian- Quando comparadas com a emissão controlada, as
medidas acústicas de jitter e shimmer em crianças apresenta-se mais aguda por sofrer influência dos
vocalmente saudáveis foram significativamente aspectos prosódicos11.
maiores na emissão habitual14,15. Os resultados da As medidas acústicas de aperiodicidade de
literatura evidenciam que as modificações anatô- frequência e intensidade a curto prazo em crianças
micas sofridas na laringe durante o crescimento normofônicas foram também analisadas em três
infantil modificam a f0, principalmente a partir dos estudos8,9,16, por meio do programa Multi Dimen-
seis anos de idade16. Observa-se, também, que a f0 é sional Voice Program (MDVP) da Kay Pentax®, e
um parâmetro acústico dependente da tarefa de fala apresentadas por faixa etária na Tabela 2.
e que a sua análise, considerando a fala encadeada,
Medidas
4 anos a 5 anos 6 anos a 7 anos 8 anos a 9 anos 10 anos a 12 anos
Acústicas(8,9,16)
PPQ% 0,85 a 1,21% 0,9% 0,95% 1,01%
APQ% 3,13 a 8,1% 3,56 a 5,51% 3,28% 2,85%
PHR 0,13 a 0,26 0,13 a 0,17 0,13 0,13
Legenda:
PPQ - quociente de perturbação de frequência
APQ - quociente de perturbação de amplitude
PHR - proporção harmônico ruído
Os resultados da literatura sugerem que as vocais não se torna mais estável e periódica com
medidas acústicas de quociente de perturbação a idade8.
da frequência (PPQ), quociente de perturbação da Os tempos máximos de fonação (TMF) na
amplitude (APQ) e as medidas de ruído, como a população pediátrica foram objeto de estudo de
Proporção Harmônico Ruído (PHR), não sofrem duas pesquisas17,18, sendo que a primeira analisou os
interferência do desenvolvimento da laringe duran- TMF em crianças de quatro a seis anos (Figura 3).
te a infância, indicando que a vibração das pregas
A RTIG OS
Ao alocar as crianças em grupos etários de senvolvimento anatômico da laringe e dos pulmões
quatro a seis anos, sete a nove anos e 10 a 12 anos, impactam positivamente nas medidas dos TMF
outra pesquisa18 observou uma pequena diferença com aumento progressivo até os nove anos, sendo
nas médias dos TMF, descritos na Figura 4. Ambos que a partir desta idade o crescimento anatômico
os estudos concluíram que os TMF aumentam pro- se torna mais lento, com menor interferência nos
porcionalmente de acordo com a idade, contudo, o valores de TMF, que sofrerão maior impacto no
aumento significativo foi observado somente até os período da muda vocal.
nove anos17,18. Tais resultados sugerem que o de-
Na análise acústica do sinal sonoro as medidas principalmente nas crianças do sexo feminino. Mais
APQ, PPQ e PHR apresentaram valores mais ele- pesquisas sobre as medidas de TMF em crianças
vados em crianças disfônicas1,19. Os valores médios disfônicas são importantes para compreender a
da f0 são de 230 Hz para crianças disfônicas e de interferência do gênero nas medidas de TMF.
245 Hz para crianças normofônicas. Observa-se
um valor de f0 significativamente menor no grupo 2. Lesões de pregas vocais
de crianças com alterações vocais1,19. A prevalência de lesões de pregas vocais na
A literatura mostra que o tamanho dos nódulos população pediátrica com disfonia foi objeto de
vocais em crianças influencia na percepção do estudo de quinze publicações (44,1%). Tais estudos
pitch, sendo que quanto maior a lesão mais grave concluíram que o nódulo é a principal causa de
é o pitch23. alterações vocais infantis, contudo, a prevalência
Dois estudos26,27 correlacionaram o grau de dessas lesões em crianças com queixas vocais
alteração da disfonia com prematuridade em crian- variou de 12% a 94%21,33,41.
ças disfônicas. Os indivíduos pré-termo extremos Alterações vocais estiveram presentes em
possuem maiores alterações na análise acústica e 67,6% dos pacientes, vítimas de maus tratos,
perceptivo-auditiva quando comparados às crian- atendidos em um centro de saúde38. A prevalência
ças nascidas a termo26. As crianças pré-termo com de alterações vocais encontrada foi maior do que
maior tempo de intubação possuem escores que a observada na população geral38.
indicam impacto negativo na qualidade da voz27. Pesquisas concluíram que em aproximadamen-
Três artigos compararam a qualidade vocal te 50% das crianças a presença de nódulos vocais
com a obstrução nasal crônica de crianças saudá- está associada a abusos vocais36,39,40,41, além de cau-
veis1,28,29. A qualidade vocal de crianças com obs- sas como sintomas nasais, refluxo faringo-laríngeo
trução de via aérea superior tem grau aumentado de e alterações auditivas. Seguidos do nódulo, o
hiponasalidade, pitch mais grave e voz comprimida. cisto epidermoide e o pólipo foram as lesões mais
Na avaliação acústica, observa-se que a f0 é menor prevalentes, com valores entre 9,9% a 19%23-37,
no grupo com obstrução nasal crônica e as medidas respectivamente. A presença do cisto epidermoide
jitter, shimmer e PHR se apresentaram melhores no está altamente relacionada às disfonias congênitas,
grupo sem obstrução nasal1,28,29. presente em 7% dos casos35. Em uma pesquisa
A literatura1,20,30,31 conclui que a voz disfônica que analisou aproximadamente 839 mil crianças
na infância é caracterizada por uma qualidade vo- atendidas em um centro especializado de saúde
cal soprosa e rugosa, com grau de alteração leve a no ano de 2012, 1,4% relataram algum problema
moderado. Tais características perceptivo-auditivas de voz. No geral, 53,5% receberam diagnóstico,
são refletidas em medidas acústicas da voz com sendo a laringite (16,6%) e alergias (10,4%) os
maior aperiodicidade de frequência (jitter e PPQ), mais comuns 4.
aperiodicidade de intensidade (shimmer e APQ) Dois estudos 35,37 estratificaram a amostra
e maiores medidas de ruído (PHR). A f0 nesta por grupos etários e os resultados demonstraram
população é mais grave e correlaciona-se com um que em crianças com idade inferior a seis anos a
pitch também grave. Tais resultados sugerem que principal causa de alterações vocais é a presença
ambas as formas de avaliação da qualidade vocal, de alterações estruturais mínimas (AEM). A AEM
perceptivo-auditiva e acústica, são adequadas na mais prevalente em crianças é o cisto vocal do tipo
clínica vocal pediátrica, pois representam a voz da epidermoide32-37. Uma revisão integrativa de lite-
criança disfônica. ratura não estabeleceu um perfil comportamental
Somente um artigo analisou a ocorrência dos em crianças disfônicas e não encontrou correlação
tipos de TMF (reduzido, normal ou aumentado) entre a disfonia infantil e o comportamento vocal
em crianças com nódulos e cisto por gênero26. inadequado43. Somente no grupo acima de seis
Nas crianças do sexo feminino, os TMF foram anos houve associação da disfonia com os abusos
considerados reduzidos. Nos meninos com lesões vocais36, que é um dos fatores desencadeantes de
de massa, 50% deles tiveram TMF considerados lesões por fonotrauma e, mais especificamente, dos
normais e 50% reduzidos para a vogal sustentada32. nódulos vocais36-41.
Pode-se concluir que a disfonia na infância A literatura35 sugere que a lesão de prega vocal
promove uma diminuição nos valores de TMF, mais prevalente nas crianças até seis anos de idade
A RTIG OS
é o cisto, sendo que após esta idade o nódulo se 4. Sapienza CM, Ruddy BH, Baker S. Laryngeal Structure and
Function in the Pediatric Larynx: Clinical Applications. Lang
torna a lesão mais comum, justificado por fatores
Speech Hear Serv Sch. 2004; 35: 299-307.
comportamentais. A alta variabilidade dos resul-
5. Mendes KDS, Silveira RCCP, Galvão CM. Revisão
tados de prevalência encontrados na literatura18,26,27 integrativa: método de pesquisa para a incorporação de
(24% a 94%) pode ser explicada pela dificuldade de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto
realização do exame de videolaringoestroboscopia Enfermagem. 2008; 17(4): 758-64.
em crianças18, já que muitas vezes essas são intole- 6. Souza MT, Silva MD, Carvalho R. Revisão integrativa: o
que é e como fazer. Einstein J Biol Med. 2010; 8(1): 102-6.
rantes à realização do procedimento e os profissio-
7. Hill CA, Shilpa O, Maturo S, Maurer R, Bunting G, Hartnick
nais nem sempre são especialistas em laringologia
CJ. Consistency of Voice Frequency and Perturbation Measures
pediátrica. Aliado a isso, temos também o fato de in Children. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2013; 148(4):
que a maioria das pesquisas utilizou amostras de 637-41.
conveniência, com pouca validade externa. 8. Cappellari VM, Cielo CA. Características vocais acústicas
Vale ressaltar que a produção de estudos que de crianças pré-escolares. Rev Bras Otorrinolaringol. 2008;
74(2): 265-72.
investigam a disfonia na infância cresceu na última
9. Viegas F, Viegas D, Atherino CCT, Baeck HE. Frequência
década. fundamental das 7 vogais orais do português em vozes de
crianças. Revista CEFAC, 2010; 12(4): 563-70.
Conclusão 10. Infusino SA, Diercks GR, Rogers, DJ, Garcia J, Ojha
S, Maurer R, Bunting G, Hartnick CJ. Establishment of
a normative cepstral pediatric acoustic database. JAMA
Os achados desta revisão demonstram que Otolaryngol Head Neck Surg, 2015; 141(4): 358-63.
a qualidade vocal das crianças sem alterações 11. Hunter EJ. A comparison of a child’s fundamental
vocais é caracterizada por valores de frequência frequencies in structured elicited vocalizations versus
fundamental que decrescem à medida que a ida- unstructured natural vocalizations: A case study. Int J Pediatr
Otorhinolaryngol. 2009; 73(4): 561–71.
de aumenta, com diferenças em relação ao sexo
12. McAllister A, Brandt SK. A Comparison of Recordings of
e à tarefa de fala. O tempo máximo de fonação
Sentences and Spontaneous Speech: Perceptual and Acoustic
também aumenta de acordo com a idade. Estudos Measures in Preschool Children’s Voices. J Voice. 2012; 26(5):
mostram que a qualidade vocal característica de 673.
crianças disfônicas é soprosa e rugosa com grau de 13. Baker S, Weinrich B, Bevington M, Schroth K, Schroeder
alteração leve a moderado. Em crianças disfônicas, E. The effect of task type on fundamental frequency in children.
Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2008; 72(1): 885-9.
as medidas acústicas da voz e os valores de TMF
14. Brockmann-Bauser M, Beyer D, Bohlender JE. Reliable
estão alterados e a f0 é mais grave. Os resultados acoustic measurements in children between 5;0 and 9;11
mostram, também, que a disfonia causa impacto years: Gender, age, height and weight effects on fundamental
negativo na qualidade de vida da população infantil. frequency, jitter and shimmer in phonations without and with
A lesão de prega vocal mais prevalente nas controlled voice SPL. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2015;
79(12): 2035-42.
crianças até seis anos de idade é o cisto, sendo
15. Brockmann-Bauser M, Beyer D, Bohlender JE.
que após esta idade o nódulo se torna a lesão mais Clinical relevance of speaking voice intensity effects on acoustic
comumente encontrada, justificado por fatores jitter and shimmer in children between 5;0 and 9;11 years.
comportamentais. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2014; 78(12): 2121-6.
16. Tavares EM, Labio RB, Martins RHG. Normative study
of vocal acoustic parameters from children from 4 to 12
Referências bibliográficas years of age without vocal symptoms. A pilot study. Braz J
Otorhinolaryngol. 2010; 76(4): 485-90.
1. Oliveira RC, Teixeira LC, Gama ACC, Medeiros AM. Análise 17. Cielo CA, Cappellari VM. Tempo máximo de fonação
perceptivo-auditiva, acústica e autopercepção vocal em crianças. de crianças pré-escolares. Rev Bras Otorrinolaringol. 2008;
J Soc Bras Fonoaudiol. 2011; 23(2): 158-63. 74(4): 552-60.
2. Angelillo N, Di Costanzo B, Angelillo M, Costa G, Barillari 18. Tavares EM, Brasolotto A, Santana MF, Padovan CA,
MR, Barillari U. Epidemiological Study on vocal disorders in Martins RHG. Epidemiological study of dysphonia in 4-12
pediatric age. J Prev Med Hyg. 2008; 49: 1-5. year-old children. Braz J Otorhinolaryngol. 2011; 77(6): 736-46.
3. Behlau M, Madazzio G, Feijó D, Azevedo R, Gielow I, Rehder 19. Simões-Zenari M, Nem K, Behlau M. Voice disorders in
MI - Aperfeiçoamento Vocal e Tratamento Fonoaudiológico das children and its relationship with auditory, acoustic and vocal
Disfonias. In: Voz: O livro do especialista. Rio de Janeiro: behavior parameters. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2012;
Revinter; 2005. v.2. p. 409 - 528. 76(6): 896-900.
20. Lopes LW, Lima ILB, Almeida LNA, Cavalcante DP, 37. Kallvik E, LindströmE, Holmqvist S, Lindman J, Simberg
Almeida AAF. Análise acústica de vozes infantis: contribuições S. Prevalence of hoarseness in school-aged children. J Voice.
do diagrama de desvio fonatório. Rev. CEFAC. 2015; 17(4): 2015; 29(2):260.
1173-83. 38. S t i v a n i n L , S a n t o s F P, O l i v e i r a C C C ,
21. Ingrid V, Dominique M, Marc R. Symptom Questionnaire: A S a n t o s B , R i b e i r o S T, S c i v o l e t t o S .
Double-Form Questionnaire for Dysphonic Children and Their Auditory-perceptual analysis of voice in abused children and
Parents. J Voice. 2012; 26(4): 129-39. adolescents. Braz J OtorhinolaryngoL. 2015; 81(1): 71-8.
22. Johnson K, Brehm SK, Weinrich B, Meinzen-Derr J, 39. Smillie IMK, Cohen W, Lawson E, Wynne DM. The
Alarcon A. Comparison of the Pediatric Voice Handicap Index paediatric voice clinic. Arch Dis Child. 2014; 99(10): 912-5.
With Perceptual Voice Analysis in Pediatric Patients With 40. Mackiewicz-Nartowicz H, Sinkiewicz A, Bielecka A.
Vocal Fold Lesions. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2011; Laryngovideostroboscopy in children:Diagnostic possibilities
137(12): 1258-62. and constraints. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2011; 75(8):
23. Shah RK, Engel SH, Choi SS. Relationship between voice 1015–7.
quality and vocal nodule size. Arch Otolaryngol Head Neck 41. Martins, R.H.G; Ribeiro, C.B.H.; Mello, B.M.Z.; Branco,
Surg. 2008; 139(5): 723-6. A.; Tavares,E.L.M. Dysphonia in Children. J Voice. 2012,
24. N a r d o n e H C , R e c k o T, H u a n g L , N u s s R C . 26(5):674.
A retrospective review of the progression of pediatric vocal 42. Bhattacharyya N. The prevalence of pediatric voice and
fold nodules. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2014; swallowing problems in the United States. Laryngoscope.
140(3): 233-6. 2015; 125(3): 746-50.
25. Lopes LW, Lima ILB, Almeida LNA, Cavalcante DP, 43. Maia AA, Gama ACC, Kümmer AM. Behavioral
Almeida AAF. Severity of Voice Disorders in Children: characteristics of dysphonic children: integrative literature
Correlations between Perceptual and Acoustic Data. J Voice. review. CoDAS. 2014; 26(2): 159-63.
2012;26(6):819.
26. Reynolds V, Buckland A, Bailey J, Lipscombe J, Nathan
E, Vijayasekaran S, Kelly R, Maryn Y, French N. Objective
Assessment of Pediatric Voice Disorders With the Acoustic
Voice Quality Index. J Voice. 2012; 26(5): 672.
27. Walz PC, Hubbell, MP, Elmaraghy, CA. Voice related
quality of life in pediatric patients with a history of prematurity.
Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2014; 78(7): 1010-4.
28. Lábio RB, Tavares ELM, Alvarado RC, Martins RHG.
Consequences of Chronic Nasal Obstruction on the Laryngeal
Mucosa and Voice Quality of 4- to 12-Year-Old Children. J
Voice. 2012;26(4):488-92.
29. Lundeborg I, Hultcrantz E, Ericsson E, McAllister A.
Acoustic and Perceptual Aspects of Vocal Function in Children
With Adenotonsillar Hypertrophy—Effects of Surgery. J Voice.
2012; 26(4): 480-7.
30. Gramuglia ACJ, Tavares ELM, Rodrigues AS, Martins
RHG. Perceptual and acoustic parameters of vocal nodules in
children. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2014; 78(2): 312-6.
31. Garcia-Real T, Diaz-Roman TM, Garcia-Martinez V, Vieiro-
Iglesias P. Clinical and acoustic vocal profile in children with
attention deficit hyperactivity disorder. J Voice. 2013; 27(6):
787.
32. Beber BC, Cielo CA, Siqueira MA. Lesões de borda de
pregas vocais e tempos máximos de fonação. Revista CEFAC.
2009; 11(1): 134-41.
33. Melo ECM, Mattioli FM, Brasil OC, Behlau M, Pitaluga
ACA, Melo DM. Disfonia infantil: aspectos epidemiológicos.
Rev Bras Otorrinolaringol. 2001; 67(6) :804-7.
34. Martins RHG, Ribeiro CBH, Mello BMZ, Branco A,
Tavares ELM. Dysphonia in Children. J Voice. 2012,26(5): 674.
35. Connelly A, Clement WA, Kubba H. Management of
dysphonia in children. J Laryngol Otol. 2009; 123(6): 642–7.
36. Mortensen M, Schaberg M, Woo P. Diagnostic Contributions
of Videolaryngostroboscopy in the Pediatric Population. Arch
Otolaryngol Head Neck Surg. 2010; 136(1): 75-9.