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Apelação Cível: Indenização por Danos Morais

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu, em Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076, dar provimento ao recurso de Luiz de Souza contra a MBM Previdência Complementar, reconhecendo a inexistência de débito e determinando a indenização por danos morais no valor de R$ 3.000,00. A decisão foi baseada na ausência de comprovação da contratação de um seguro e nos descontos indevidos realizados na conta do autor. A sentença foi reformada parcialmente, com a condenação do réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

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Apelação Cível: Indenização por Danos Morais

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu, em Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076, dar provimento ao recurso de Luiz de Souza contra a MBM Previdência Complementar, reconhecendo a inexistência de débito e determinando a indenização por danos morais no valor de R$ 3.000,00. A decisão foi baseada na ausência de comprovação da contratação de um seguro e nos descontos indevidos realizados na conta do autor. A sentença foi reformada parcialmente, com a condenação do réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2024.0001067992

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº


1000566-58.2024.8.26.0076, da Comarca de Bilac, em que é apelante LUIZ DE
SOUZA, é apelado MBM PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.

ACORDAM, em sessão permanente e virtual da 25ª Câmara de Direito


Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: Deram
provimento ao recurso. V. U., de conformidade com o voto do relator, que integra
este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores HUGO CREPALDI


(Presidente) E ALMEIDA SAMPAIO.

São Paulo, 4 de novembro de 2024.

ANA LUIZA VILLA NOVA


Relator(a)
Assinatura Eletrônica
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Voto nº 11.085
Apelação nº 1000566-58.2024.8.26.0076
Comarca: Bilac
Apelante: Luiz de Souza
Apelados: MBM Previdência Complementar
Juiz(a): João Alexandre Sanches Batagelo

APELAÇÃO SEGURO Ação declaratória de


inexistência de débito c.c. repetição de indébito e
indenização por danos material e moral - Descontos
indevidos em conta corrente Inexistência de contratação
de cobertura securitária pelo autor, ante a ausência de
mínimos indícios da respectiva comprovação - Danos
morais “in re ipsa” - Configuração - Indenização devida -
Fixação da indenização em R$ 3.000,00 (cinco mil reais) -
Pertinência do valor, observado os critérios de razoabilidade
e proporcionalidade, e as características especificas do caso
em tela Sentença parcialmente reformada Procedência
da ação - Recurso provido.

Trata-se de recurso de apelação interposto


contra a r. sentença de fls. 187/194 que julgou parcialmente procedente a
ação declaratória de inexistência de débito c.c. repetição de indébito c.c.
indenização por dano moral para declarar a inexistência de relação
jurídica entre as partes referente ao contrato que originou o desconto em
conta bancária do autor no valor mensal de R$ 79,90, e a inexigibilidade
dos débitos deles decorrentes, e condenar o réu à restituição, de forma
simples, dos valores referentes às parcelas descontadas de sua conta
corrente, com correção monetária pela tabela prática deste Tribunal de
Justiça e juros de mora de 1% ao mês, a partir de cada desembolso. Em
razão da sucumbência recíproca, cada parte arcará com 50% das custas e
despesas processuais, além dos honorários advocatícios ao patrono da
Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076 -Voto nº 11085 - PIZ 2
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parte adversa fixados, por equidade, em R$ 1.500,00.

Em suas razões recursais, o autor sustenta,


em suma, que os descontos ilegais decorrentes de contratação indevida
ensejam violação aos direitos da personalidade, pois suportou o
esvaziamento de seus recursos, considerando que é aposentado e
sustenta sua família. Ademais, a apelada se valeu de sua vulnerabilidade
e desconhecimento técnico, pelo que deve ser responsabilizado pelos
danos extrapatrimoniais decorrentes de sua conduta ilícita, cuja
indenização deve ser fixada em R$ 5.000,00, valor considerado
suficiente para reparar o dano e prevenir a repetição do ilícito, sem que
haja enriquecimento sem causa. (fls. 197/204).

Recurso tempestivo, preparado e


respondido (fls. 222/230).

É relatório.

Trata-se de ação declaratória de


inexistência de débito com repetição de indébito e indenização por danos
materiais e morais, na qual alega o autor que verificou em sua conta
corrente descontos mensais referentes a contrato de seguro supostamente
firmado, o qual desconhece.

Delineada a breve situação fática narrada,


passo à análise das razões de recurso de apelação interposto, que se
restringem à indenização por danos morais.

Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076 -Voto nº 11085 - PIZ 3


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A relação entre as partes é de consumo,


nos termos dos artigos 2º e 3º do Código de Defesa do Consumidor.

O relato das intercorrências havidas pelo


autor decorre da falha do serviço ao possibilitar que descontos indevidos
fossem realizados, decorrentes de contratação não realizada. A hipótese
é de responsabilidade objetiva, nos termos do artigo 14 do CDC, que
reclama apenas a prova do evento danoso, para que o dever de indenizar,
que decorre do próprio fato, esteja configurado, cujo prejuízo é
presumido.

Assim, ausente lastro jurídico a justificar a


realização dos descontos citados e realizados à revelia do autor,
caracterizada a prática de ato ilícito e conduta abusiva pelos réus, pelo
qual, portanto, devem ser responsabilizados.

Quanto ao valor do ressarcimento, não


impõe a lei parâmetros para o julgador.

Segundo entendimento do C. Superior


Tribunal de Justiça, “Na fixação da indenização por danos morais,
recomendável que o arbitramento seja feito com moderação,
proporcionalmente ao grau de culpa, ao nível socioeconômico dos
autores, e, ainda, ao porte da empresa recorrida, orientando-se o juiz
pelos critérios sugeridos pela doutrina e pela jurisprudência, com
razoabilidade, valendo-se de sua experiência e do bom senso, atento à
realidade da vida e às peculiaridades de cada caso”. (REsp
Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076 -Voto nº 11085 - PIZ 4
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214.381/MG, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU de


29.11.1999).

Dentro desses parâmetros, e a fim de


atender aos critérios da razoabilidade e da proporcionalidade, e
considerando notadamente que o valor do desconto mensal não era
elevado (R$ 79,90) não prevalece a pretensão do autor de se arbitrar a
indenização em R$ 5.000,00, de modo o valor da indenização deve ser
fixado em R$ 3.000,00, montante que se mostra suficiente reparar os
danos morais por ele experimentados, sem caracterizar enriquecimento
sem causa, com correção monetária a partir desta fixação pelos índices
de atualização da tabela prática do Egr. TJSP (Súmula 362 do Egr. STJ)
e juros de mora de 1% ao mês desde o evento danoso (cada
desembolso), nos termos da súmula 54 do Egr. STJ, por se tratar de
responsabilidade extracontratual.

Nesse sentido, já decidiu este E. Tribunal


de Justiça:

“APELAÇÃO. AÇÃO DECLARATÓRIA


DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA C/C REPETIÇÃO DE
INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. Descontos em
conta corrente de prêmios de seguro não contratado. ILEGITIMIDADE
PASSIVA DO CORRÉU BANCO BRADESCO. Não reconhecimento.
Teoria da asserção. Condições da ação que devem ser analisadas in
abstrato, ou seja, de acordo com as alegações deduzidas na inicial - in
status assertionis. Imputação de responsabilidade à instituição
financeira, integrante da cadeia de fornecimento do serviço prestado.
Pertinência subjetiva. RELAÇÃO JURÍDICA. Rés que não
Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076 -Voto nº 11085 - PIZ 5
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comprovaram a existência e validade da contratação. Impugnação da


assinatura lançada no instrumento contratual. O ônus da prova da
falsidade documental compete à parte que a arguiu (art. 429, I,
CPC/15), mas se a falsidade apontada disser respeito à assinatura
lançada no documento, o ônus da prova caberá a quem o produziu (art.
429, II, CPC/15). Rés que não se desincumbiram de seu ônus
probatório. REPETIÇÃO EM DOBRO. Cabimento. Restituição dobrada
em caso de violação à boa-fé objetiva. Entendimento firmado pela Corte
Especial do C. STJ, no julgamento do EAREsp 676608/RS. Conduta da
recorrente afronta os deveres de lisura, informação, confiabilidade,
dentre outros corolários da boa-fé. DANO MORAL. Ocorrência.
Descontos realizados em conta bancária na qual a autora recebe
benefício previdenciário, privando-a de valores indispensáveis à sua
sobrevivência. Por outro lado, houve apenas dois descontos em conta,
totalizando o valor de R$ 93,00. Assim, observados os princípios da
proporcionalidade e razoabilidade, o quantum indenizatório deve ser
minorado para 3.000,00, que é suficiente a reparar o dano sofrido e
está de acordo com julgados desta C. Corte em casos semelhantes.
CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. Devem fluir a partir
dos respectivos descontos indevidos. Incidência da Súmula 54 do E.
STJ. Os valores decorrentes das condenações deverão ser corrigidos
pela Tabela Prática do E. TJSP (dano moral) e a partir da data do
desconto (repetição dobrada) até 28.08.2024. Deverão ser acrescidos
de juros de mora, a partir do ato ilícito, qual seja, os descontos havidos
preteritamente, de 1% ao mês até 28.08.2024. Em ambas as situações,
após essa data, devem ser observadas as disposições da Lei nº
14.905/2024, que introduziu modificações no Código Civil. Sentença
reformada em parte. RECURSOS DOS RÉUS PARCIALMENTE
PROVIDOS.” (TJSP; Apelação Cível 1020087-58.2023.8.26.0032;
Relator (a): Rosangela Telles; Órgão Julgador: 31ª Câmara de Direito
Privado; Foro de Araçatuba - 6ª Vara Cível; Data do Julgamento:
18/09/2024; Data de Registro: 18/09/2024).

“APELAÇÃO. Ação declaratória e


indenizatória. Descontos indevidos na conta bancária da autora em
razão de contratos de empréstimos realizados por terceiro junto ao
banco réu. Transferências bancárias realizadas logo após os depósitos
dos empréstimos que também são questionadas pela demandante.
Sentença que julgou os pedidos procedentes para declarar a
inexigibilidade das operações fraudulentas, bem como condenar o
requerido a restituir todos os valores retirados e descontados, de forma
Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076 -Voto nº 11085 - PIZ 6
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simples. Demandado condenado, ainda, ao pagamento da quantia de R$


3.000,00 a título de indenização por danos morais. Apelo do banco réu.
Sem razão. Incidência do Código de Defesa do Consumidor. Banco
demandado que não se desincumbiu satisfatoriamente de seu ônus
probatório. Ausência de demonstração efetiva e cabal de quem
realmente teria realizado as transações bancárias impugnadas. Fraude
bancária. Risco da atividade. Fortuito interno. Aplicação da Súmula nº
479 do STJ. Multa para caso de descumprimento da obrigação de se
abster de realizar cobranças. Previsão legal de imposição de astreintes
no artigo 537 e seus parágrafos do Código de Processo Civil, para
coibir a inércia daquele que tem o dever de cumprir alguma obrigação,
garantindo, assim, a eficácia da determinação judicial. Valor arbitrado
e forma de aplicação que não se afiguram excessivos, considerando o
porte econômico do réu e o objetivo da aludida multa, que visa compelir
ao cumprimento de uma obrigação de fácil execução. Dano material.
Necessidade de devolução das quantias retiradas e descontadas
indevidamente da conta bancária da autora. Dano moral. Descontos
indevidos originados de empréstimos fraudulentos. Tais descontos
indevidos constituem causa suficiente para ensejar um dano moral. Não
se pode perder de vista que, além do viés compensatório, a indenização
por dano moral também tem por escopo reprimir e prevenir atitudes
abusivas, especialmente contra consumidores, com o intuito de inibir
novas e outras possíveis falhas na prestação do serviço. Valor da
indenização que não se mostra abusivo. Juros de mora. Ressalta-se que
os juros moratórios de 1% ao mês foram aplicados desde a citação,
consoante aos artigos 406 e 407 do Código Civil combinados com o
artigo 161, §1º do Código Tributário Nacional. O precedente citado
pelo banco réu, dispondo de modo diverso, não é vinculante, inexistindo
dever de se fazer o distinguishing ou de demostrar o overruling.
Sentença mantida na íntegra. Honorários recursais fixados. Apelo
desprovido.” (TJSP; Apelação Cível 1011984-83.2023.8.26.0704;
Relator (a): Roberto Maia; Órgão Julgador: 20ª Câmara de Direito
Privado; Foro Regional XV - Butantã - 1ª Vara Cível; Data do
Julgamento: 17/09/2024; Data de Registro: 17/09/2024)

Por todas essas razões, deve a r. sentença


ser parcialmente reformada para julgar procedente a ação a fim de que
seja a ré condenada ao pagamento de indenização por danos morais no
valor de R$ 3.000,00, com correção monetária a partir desta fixação
Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076 -Voto nº 11085 - PIZ 7
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

pelos índices de atualização da tabela prática do E. TJSP (Súmula 362


do C. STJ) e juros de mora de 1% ao mês desde o evento danoso (a
partir do primeiro desconto indevido) nos termos da Súmula 54 do C.
STJ, por se tratar de responsabilidade extracontratual. Em razão da
sucumbência integral, o réu arcará com as custas e despesas processuais,
além dos honorários advocatícios fixados, por equidade, na r. sentença
em R$ 1.500,00.

Isto posto, DÁ-SE PROVIMENTO ao


recurso de apelação, nos termos da fundamentação.

ANA LUIZA VILLA NOVA


Relatora

Apelação Cível nº 1000566-58.2024.8.26.0076 -Voto nº 11085 - PIZ 8

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