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Supervisão Orçamental na Área do Euro

O Regulamento (UE) N.o 1173/2011 estabelece um regime de sanções para reforçar a aplicação das vertentes preventiva e corretiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento na área do euro. O documento enfatiza a necessidade de uma supervisão orçamental eficaz e a responsabilidade dos Estados-Membros em manter políticas econômicas que garantam o bom funcionamento da União Económica e Monetária. Além disso, prevê a aplicação de sanções em caso de incumprimento das obrigações orçamentais, com o objetivo de incentivar o ajuste fiscal e a disciplina orçamental.

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Supervisão Orçamental na Área do Euro

O Regulamento (UE) N.o 1173/2011 estabelece um regime de sanções para reforçar a aplicação das vertentes preventiva e corretiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento na área do euro. O documento enfatiza a necessidade de uma supervisão orçamental eficaz e a responsabilidade dos Estados-Membros em manter políticas econômicas que garantam o bom funcionamento da União Económica e Monetária. Além disso, prevê a aplicação de sanções em caso de incumprimento das obrigações orçamentais, com o objetivo de incentivar o ajuste fiscal e a disciplina orçamental.

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23.11.

2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/1

I
(Actos legislativos)

REGULAMENTOS

REGULAMENTO (UE) N.o 1173/2011 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO


de 16 de Novembro de 2011
relativo ao exercício eficaz da supervisão orçamental na área do euro

O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, demonstram a necessidade de uma melhor governação
económica na União, que deverá assentar numa maior
apropriação nacional das normas e das políticas comum­
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União mente acordadas e, a nível da União, num quadro mais
Europeia, nomeadamente o artigo 136.o, em conjugação com o robusto de supervisão das políticas económicas nacionais.
artigo 121.o, n.o 6,

Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, (4) O quadro de governação económica reforçada deverá
assentar em várias políticas interligadas e coerentes de
crescimento sustentável e emprego, em particular numa
Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen­ estratégia da União para o crescimento e o emprego com
tos nacionais, especial incidência no desenvolvimento e reforço do mer­
cado interno, no fomento das ligações comerciais inter­
nacionais e da competitividade, num Semestre Europeu
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (1), para uma coordenação reforçada das políticas económi­
cas e orçamentais, num quadro eficaz de prevenção e
correcção de défices orçamentais excessivos – o Pacto
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social de Estabilidade e Crescimento (PEC) –, num quadro ro­
Europeu (2), busto de prevenção e correcção dos desequilíbrios ma­
croeconómicos, em requisitos mínimos para os quadros
orçamentais nacionais e numa regulação e supervisão
Deliberando de acordo com o processo legislativo ordinário (3), reforçadas do mercado financeiro, incluindo a supervisão
macroprudencial pelo Comité Europeu do Risco Sisté­
mico.
Considerando o seguinte:

(1) Os Estados-Membros cuja moeda é o euro têm interesse


(5) O PEC e todo o quadro de governação económica deve­
e responsabilidade particulares em aplicar políticas eco­
rão complementar e ser compatíveis com a estratégia da
nómicas que promovam o bom funcionamento da União
União para o crescimento e o emprego. As interligações
Económica e Monetária e em evitar políticas que o com­
entre as diversas vertentes não deverão implicar excep­
prometam.
ções às disposições do PEC.

(2) O Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia


(TFUE) permite a adopção de medidas específicas na
(6) A realização e manutenção de um mercado interno di­
área do euro que vão além das disposições aplicáveis a
nâmico deverão ser consideradas condição do bom fun­
todos os Estados-Membros, a fim de assegurar o bom
cionamento da União Económica e Monetária.
funcionamento da União Económica e Monetária.

(3) A experiência adquirida e os erros cometidos durante a


primeira década da União Económica e Monetária (7) A Comissão deverá ter um papel mais activo no processo
de supervisão reforçada das avaliações específicas a cada
Estado-Membro, no seu acompanhamento, nas missões
(1) JO C 150 de 20.5.2011, p. 1.
«in loco», nas recomendações e nas advertências. Na to­
(2) JO C 218 de 23.7.2011, p. 46.
(3) Posição do Parlamento Europeu de 28 de Setembro de 2011 (ainda mada de decisões relativas a sanções, o papel do Conse­
não publicada no Jornal Oficial) e decisão do Conselho de 8 de lho deverá ser limitado, devendo utilizar-se a votação por
Novembro de 2011. maioria qualificada «invertida».
L 306/2 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

(8) Para garantir um diálogo permanente com os Estados- (15) A aplicação de sanções nos termos do presente regula­
-Membros, tendo em vista a consecução dos objectivos do mento com base na vertente preventiva do PEC aos Es­
presente regulamento, a Comissão deverá realizar missões tados-Membros cuja moeda é o euro deverá constituir
de supervisão. um incentivo ao ajustamento e à manutenção do objec­
tivo orçamental de médio prazo.

(9) A Comissão deverá realizar, com regularidade, uma am­


pla avaliação do sistema de governação económica e, em
particular, da eficácia e da adequação das respectivas (16) A fim de impedir a deturpação, intencional ou por ne­
sanções. Essas avaliações deverão, se necessário, ser gligência grave, dos dados referentes ao défice orçamental
acompanhadas de propostas pertinentes. e à dívida pública, que são elementos essenciais para a
coordenação da política económica da União, torna-se
necessário prever a aplicação de multas aos Estados-
(10) Na aplicação do presente regulamento, a Comissão de­ -Membros em falta.
verá ter em conta a actual situação económica dos Esta­
dos-Membros em causa.

(17) Para completar as regras de cálculo das multas aplicáveis


(11) O reforço da governação económica deverá implicar uma à manipulação de estatísticas, bem como o procedimento
participação mais activa e tempestiva do Parlamento Eu­ que deverá ser seguido pela Comissão na investigação de
ropeu e dos parlamentos nacionais. tais comportamentos, deverá ser delegado na Comissão o
poder de adoptar actos nos termos do artigo 290.o do
TFUE no que diz respeito aos critérios específicos para a
(12) Pode estabelecer-se um diálogo económico com o Parla­ fixação do montante das multas e para a condução das
mento Europeu, permitindo que a Comissão torne públi­ investigações que a Comissão deverá levar a cabo. É
cas as suas análises e que o Presidente do Conselho, a particularmente importante que a Comissão proceda às
Comissão e, se for caso disso, o Presidente do Conselho consultas adequadas durante os trabalhos preparatórios,
Europeu ou o Presidente do Eurogrupo as debatam. Um inclusive ao nível de peritos. No contexto da preparação
tal debate público poderia viabilizar a discussão dos efei­ e redacção de actos delegados, a Comissão deverá asse­
tos de contágio das decisões nacionais e possibilitar o gurar a transmissão simultânea, tempestiva e adequada
exercício de uma pressão dos pares em termos públicos dos documentos relevantes ao Parlamento Europeu e ao
sobre os intervenientes relevantes. Embora reconhecendo Conselho.
que os interlocutores do Parlamento Europeu no âmbito
deste diálogo são as outras instituições competentes da
União e os seus representantes, a comissão competente
do Parlamento Europeu poderá proporcionar aos Esta­
dos-Membros destinatários de decisões adoptadas pelo (18) Quanto à vertente preventiva do PEC, o ajustamento e a
Conselho nos termos dos artigos 4.o, 5.o e 6.o do pre­ adesão ao objectivo orçamental de médio prazo deverão
sente regulamento a oportunidade de participar numa ser assegurados através da obrigação de constituição de
eventual troca de pontos de vista. A participação dos um depósito remunerado temporário imposta aos Esta­
Estados-Membros nessas trocas de pontos de vista é fa­ dos-Membros cuja moeda seja o euro e que registem
cultativa. progressos insuficientes na área da consolidação orça­
mental. Estas sanções deverão ser aplicadas sempre que
um Estado-Membro, mesmo apresentando um défice in­
ferior ao valor de referência de 3 % do Produto Interno
(13) Há que impor sanções adicionais para que o exercício da
Bruto (PIB), se desvie significativamente do objectivo or­
supervisão orçamental na área do euro seja mais eficaz.
çamental de médio prazo ou da trajectória adequada de
Tais sanções deverão aumentar a credibilidade do quadro
ajustamento a esse objectivo e não corrija o desvio.
de supervisão orçamental da União.

(14) As regras previstas no presente regulamento deverão as­


segurar mecanismos equitativos, oportunos, graduais e (19) O depósito remunerado deverá ser restituído ao Estado-
eficazes para cumprimento das vertentes preventiva e -Membro em causa, conjuntamente com os respectivos
correctiva do PEC, nomeadamente o Regulamento (CE) juros, logo que o Conselho considere que a situação que
n.o 1466/97 do Conselho, de 7 de Julho de 1997, rela­ deu origem à sua imposição foi corrigida.
tivo ao reforço da supervisão das situações orçamentais e
à supervisão e coordenação das políticas económicas (1) e
o Regulamento (CE) n.o 1467/97 do Conselho, de 7 de
Julho de 1997, relativo à aceleração e clarificação da (20) Quanto à vertente correctiva do PEC, as sanções a aplicar
aplicação do procedimento relativo aos défices excessi­ aos Estados-Membros cuja moeda seja o euro deverão
vos (2), nos casos em que a observância da disciplina assumir a forma de obrigação de constituir um depósito
orçamental seja avaliada com base nos critérios do défice não remunerado associado a uma decisão do Conselho
orçamental e da dívida pública. que declare a existência de um défice excessivo, sempre
que já tenha sido imposto aos Estados-Membros em
(1) JO L 209 de 2.8.1997, p. 1. causa um depósito remunerado no âmbito da vertente
(2) JO L 209 de 2.8.1997, p. 6. preventiva do PEC ou em casos particularmente graves de
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/3

incumprimento das obrigações de política orçamental coordenação das políticas económicas dos Estados-Mem­
estabelecidas no PEC, ou da obrigação de pagar uma bros no âmbito do Conselho, prevista no artigo 121.o,
multa no caso de incumprimento de uma recomendação n.o 1, do TFUE, este tipo de decisão inscreve-se plena­
do Conselho para corrigir uma situação de défice exces­ mente no seguimento das medidas adoptadas pelo Con­
sivo. selho nos termos dos artigos 121.o e 126.o do TFUE e
dos Regulamentos (CE) n.o 1466/97 e (CE) n.o 1467/97.

(21) A fim de evitar a aplicação retroactiva das sanções do (26) Dado que o presente regulamento estabelece regras gerais
âmbito da vertente preventiva do PEC previstas no pre­ de aplicação dos Regulamentos (CE) n.o 1466/97 e (CE)
sente regulamento, tais sanções só deverão ser aplicadas n.o 1467/97, deverá ser adoptado de acordo com o pro­
por força de decisões adoptadas pelo Conselho nos ter­ cesso legislativo ordinário previsto no artigo 121.o, n.o 6,
mos do Regulamento (CE) n.o 1466/97 após a entrada do TFUE.
em vigor do presente regulamento. Do mesmo modo, e a
fim de evitar a aplicação retroactiva das sanções do âm­
bito da vertente correctiva do PEC previstas no presente (27) Atendendo a que o objectivo do presente regulamento, a
regulamento, tais sanções só deverão ser aplicadas por saber, criar um regime de sanções destinado a melhorar a
força de recomendações e decisões no sentido da correc­ aplicação das vertentes preventiva e correctiva do PEC na
ção de um défice orçamental excessivo adoptadas pelo área do euro, não pode ser suficientemente realizado a
Conselho após a entrada em vigor do presente regula­ nível dos Estados-Membros, a União pode tomar medidas
mento. em conformidade com o princípio da subsidiariedade,
consagrado no artigo 5.o do Tratado da União Europeia
(TUE). Em conformidade com o princípio de proporcio­
nalidade, consagrado no mesmo artigo, o presente regu­
(22) O montante dos depósitos remunerados e não remune­
lamento não excede o necessário para alcançar aquele
rados e das multas previstos no presente regulamento
objectivo,
deverá ser fixado de modo a assegurar uma graduação
equitativa das sanções, tanto na vertente preventiva como
na vertente correctiva do PEC, e a constituir incentivo ADOPTARAM O PRESENTE REGULAMENTO:
suficiente para que os Estados-Membros cuja moeda é
o euro respeitem o quadro orçamental da União. As
CAPÍTULO I
multas previstas no artigo 126.o, n.o 11, do TFUE e a
que se refere o artigo 12.o do Regulamento (CE) OBJECTO, ÂMBITO DE APLICAÇÃO E DEFINIÇÕES
n.o 1467/97 compreendem uma componente fixa, cor­
respondente a 0,2 % do PIB, e uma componente variável. Artigo 1.o
Assim, assegura-se a graduação e o tratamento equitativo Objecto e âmbito de aplicação
dos Estados-Membros se os depósitos remunerados e não
remunerados e a multa prevista no presente regulamento 1. O presente regulamento estabelece um regime de sanções
forem equivalentes a 0,2 % do PIB, isto é, o valor da destinado a reforçar a aplicação das vertentes preventiva e cor­
componente fixa da multa imposta por força do rectiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento na área do euro.
artigo 126.o, n.o 11, do TFUE.
2. O presente regulamento é aplicável aos Estados-Membros
cuja moeda seja o euro.
(23) Há que prever a possibilidade de o Conselho reduzir ou
anular as sanções impostas a Estados-Membros cuja
moeda é o euro com base numa recomendação da Co­ Artigo 2.o
missão emitida na sequência de um pedido fundamen­ Definições
tado apresentado pelo Estado-Membro em causa. No âm­
bito da vertente correctiva do PEC, a Comissão deverá Para efeitos do disposto no presente regulamento, entende-se
igualmente ter a possibilidade de recomendar a redução por:
do montante ou a anulação de uma sanção com base em
circunstâncias económicas excepcionais.
1) «Vertente preventiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento»,
o sistema de supervisão multilateral previsto no Regula­
mento (CE) n.o 1466/97;
(24) O depósito não remunerado deverá ser libertado após
correcção da situação de défice excessivo, enquanto os
respectivos juros e o montante das multas cobradas de­ 2) «Vertente correctiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento»,
verão ser consignados a mecanismos de estabilidade des­ o procedimento destinado a evitar os défices excessivos dos
tinados a prestar assistência financeira criados pelos Es­ Estados-Membros, previsto no artigo 126.o do TFUE e no
tados-Membros cuja moeda é o euro com o objectivo de Regulamento (CE) n.o 1467/97;
salvaguardar a estabilidade da área do euro no seu con­
junto. 3) «Circunstâncias económicas excepcionais», circunstâncias em
que o excesso do défice orçamental em relação ao valor de
referência é considerado excepcional na acepção do
(25) Deverá ser atribuída ao Conselho competência para artigo 126.o, n.o 2, alínea a), segundo travessão, do TFUE e
adoptar decisões individuais relativas à aplicação das san­ de acordo com o disposto no Regulamento (CE)
ções previstas no presente regulamento. No quadro da n.o 1467/97.
L 306/4 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

CAPÍTULO II Regulamento (CE) n.o 1466/97 deixar de se verificar, o Conse­


lho, com base numa nova recomendação da Comissão, decide
DIÁLOGO ECONÓMICO
que o depósito e os juros respectivos sejam restituídos ao Es­
Artigo 3.o tado-Membro em causa. O Conselho pode, deliberando por
maioria qualificada, alterar a nova recomendação da Comissão.
Diálogo económico
A fim de aprofundar o diálogo entre as instituições da União,
nomeadamente o Parlamento Europeu, o Conselho e a Comis­ CAPÍTULO IV
são, e no intuito de garantir uma maior transparência e respon­ SANÇÕES NO ÂMBITO DA VERTENTE CORRECTIVA DO
sabilização, a comissão competente do Parlamento Europeu PACTO DE ESTABILIDADE E CRESCIMENTO
pode convidar o Presidente do Conselho, a Comissão e, se for
caso disso, o Presidente do Conselho Europeu ou o Presidente Artigo 5.o
do Eurogrupo a comparecerem perante ela para debater decisões Depósitos não remunerados
tomadas nos termos dos artigos 4.o, 5.o e 6.o do presente
regulamento. 1. Se, nos termos do artigo 126.o, n.o 6, do Tratado, o Con­
selho decidir que existe um défice excessivo num Estado-Mem­
bro que constituiu um depósito remunerado junto da Comissão
A comissão competente do Parlamento Europeu pode propor­ nos termos do artigo 4.o, n.o 1, do presente regulamento, ou
cionar aos Estados-Membros destinatários das decisões em causa caso a Comissão identifique violações especialmente graves de
a oportunidade de participar numa troca de pontos de vista. obrigações de política orçamental estabelecidas no PEC, a Co­
missão, no prazo de 20 dias a contar da adopção da decisão do
Conselho, recomenda a este que, em nova decisão, imponha ao
CAPÍTULO III Estado-Membro em causa a constituição junto da Comissão de
SANÇÕES NO ÂMBITO DA VERTENTE PREVENTIVA DO um depósito não remunerado equivalente a 0,2 % do seu PIB do
PACTO DE ESTABILIDADE E CRESCIMENTO ano anterior.

Artigo 4.o
Depósitos remunerados 2. Considera-se a decisão que impõe a constituição do depó­
sito como adoptada pelo Conselho salvo se este decidir, delibe­
1. Caso o Conselho adopte uma decisão em que constate que rando por maioria qualificada, rejeitar a recomendação da Co­
um Estado-Membro não tomou medidas para dar cumprimento missão no prazo de 10 dias a contar da sua adopção pela
à recomendação do Conselho a que se refere o artigo 6.o, n.o 2, Comissão.
segundo parágrafo, do Regulamento (CE) n.o 1466/97, a Comis­
são, no prazo de 20 dias a contar da adopção daquela decisão,
recomenda ao Conselho que adopte uma nova decisão que 3. O Conselho pode, deliberando por maioria qualificada,
imponha ao Estado-Membro em causa a constituição junto da alterar a recomendação da Comissão e adoptar o texto assim
Comissão de um depósito remunerado de montante equivalente alterado enquanto decisão do Conselho.
a 0,2 % do seu PIB do ano anterior.

4. Tendo como fundamento circunstâncias económicas ex­


2. Considera-se a decisão que impõe a constituição do depó­ cepcionais ou na sequência de um pedido fundamentado apre­
sito como adoptada pelo Conselho salvo se este decidir, delibe­ sentado pelo Estado-Membro em causa, a Comissão pode, no
rando por maioria qualificada, rejeitar a recomendação da Co­ prazo de 10 dias a contar da adopção da decisão do Conselho
missão no prazo de 10 dias a contar da sua adopção pela nos termos do artigo 126.o, n.o 1, do TFUE a que se refere o
Comissão. n.o 1, recomendar ao Conselho a redução do montante do de­
pósito não remunerado ou a sua anulação.
3. O Conselho pode, deliberando por maioria qualificada,
alterar a recomendação da Comissão e adoptar o texto assim 5. O depósito deve ser constituído junto da Comissão. Caso
alterado enquanto decisão do Conselho. o Estado-Membro tenha constituído um depósito remunerado
junto da Comissão nos termos do artigo 4.o, esse depósito
4. Na sequência de um pedido fundamentado apresentado remunerado é convertido em depósito não remunerado.
pelo Estado-Membro em causa, a Comissão pode, no prazo
de 10 dias a contar da adopção da decisão do Conselho que
constate o incumprimento a que se refere o n.o 1, recomendar Caso o montante do depósito remunerado constituído nos ter­
ao Conselho a redução do montante do depósito remunerado mos do artigo 4.o, acrescido dos respectivos juros, seja superior
ou a sua anulação. ao montante exigido para o depósito não remunerado a cons­
tituir nos termos do n.o 1 do presente artigo, a diferença é
restituída ao Estado-Membro em causa.
5. Os depósitos remunerados vencem juros a uma taxa que
reflicta o risco de crédito da Comissão e o prazo de investi­
mento correspondente. Caso o montante do depósito não remunerado seja superior ao
montante do depósito remunerado constituído nos termos do
artigo 4.o acrescido dos respectivos juros, o Estado-Membro
6. Se a situação que deu origem à recomendação do Conse­ deve completar a diferença quando constituir o depósito não
lho a que se refere o artigo 6.o, n.o 2, segundo parágrafo, do remunerado.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/5

Artigo 6.o CAPÍTULO V

Multas SANÇÕES APLICÁVEIS À MANIPULAÇÃO DE ESTATÍSTICAS

1. Caso o Conselho, por decisão adoptada nos termos do Artigo 8.o


artigo 126.o, n.o 8, do TFUE, constate que o Estado-Membro
não tomou medidas eficazes para corrigir o seu défice excessivo, Sanções aplicáveis à manipulação de estatísticas
a Comissão, no prazo de 20 dias a contar da adopção daquela 1. O Conselho, deliberando sob recomendação da Comissão,
decisão, recomenda ao Conselho que, por nova decisão, aplique pode aplicar uma multa a um Estado-Membro que, intencional­
ao Estado-Membro em causa uma multa equivalente a 0,2 % do mente ou por negligência grave, deturpe dados relativos ao
seu PIB do ano anterior. défice ou à dívida pública relevantes para a aplicação dos artigos
121.o ou 126.o do TFUE ou do Protocolo relativo aos défices
excessivos anexo ao TUE e ao TFUE.

2. Considera-se a decisão que impõe a multa como adoptada


pelo Conselho salvo se este decidir, deliberando por maioria 2. As multas a que se refere o n.o 1 devem ser eficazes,
qualificada, rejeitar a recomendação da Comissão no prazo de dissuasivas e proporcionais à natureza, gravidade e à duração
10 dias a contar da sua adopção pela Comissão. da deturpação de dados em causa. O montante das multas não
pode ultrapassar 0,2 % do PIB do Estado-Membro em causa.

3. O Conselho pode, deliberando por maioria qualificada, 3. A Comissão pode efectuar todas as investigações necessá­
alterar a recomendação da Comissão e adoptar o texto assim rias para constatar a prática da deturpação a que se refere o
alterado enquanto decisão do Conselho. n.o 1. A Comissão pode abrir uma investigação sempre que
considere que há sérios indícios da prática de factos susceptíveis
de constituir uma deturpação de dados. A Comissão investiga as
presumíveis deturpações de dados tendo em conta as alegações
apresentadas pelo Estado-Membro em causa. A fim de exercer a
4. Tendo como fundamento circunstâncias económicas ex­ sua competência, a Comissão pode requerer ao Estado-Membro
cepcionais ou na sequência de um pedido fundamentado apre­ em causa que preste informações, e pode efectuar inspecções «in
sentado pelo Estado-Membro em causa, a Comissão pode, no loco» e aceder à contabilidade de todas as entidades governa­
prazo de 10 dias a contar da adopção da decisão do Conselho mentais a nível central, estadual, local e da segurança social.
nos termos do artigo 126.o, n.o 8, do TFUE a que se refere o Caso a legislação do Estado-Membro em causa requeira uma
n.o 1, recomendar ao Conselho a redução do montante da autorização judicial prévia para efectuar inspecções «in loco», a
multa ou a sua anulação. Comissão deve apresentar o respectivo pedido.

Após concluir a sua investigação e antes de apresentar qualquer


5. Caso o Estado-Membro tenha constituído um depósito proposta ao Conselho, a Comissão deve dar ao Estado-Membro
não remunerado junto da Comissão nos termos do artigo 5.o, em causa a oportunidade de ser ouvido sobre as matérias in­
esse depósito não remunerado é convertido em multa. vestigadas. A Comissão deve basear a sua proposta ao Conselho
exclusivamente em factos sobre os quais o Estado-Membro em
causa tenha tido a oportunidade de se pronunciar.

Caso o montante do depósito não remunerado constituído nos


A Comissão deve respeitar na íntegra os direitos de defesa do
termos do artigo 5.o seja superior ao montante da multa, a
Estado-Membro em causa no decurso das investigações.
diferença é restituída ao Estado-Membro.

4. A Comissão fica habilitada a adoptar actos delegados nos


termos do artigo 11.o no que diz respeito:
Caso o montante da multa aplicada seja superior ao montante
do depósito não remunerado constituído nos termos do
artigo 5.o, ou caso não tenha sido constituído qualquer depósito a) Aos critérios específicos de fixação do montante das multas
não remunerado, o Estado-Membro deve suprir o montante em a que se refere o n.o 1;
falta quando pagar a multa.

b) À regulamentação do processo de investigação a que se


refere o n.o 3, às medidas conexas e à apresentação de rela­
Artigo 7.o tórios sobre a investigação;
Restituição dos depósitos não remunerados
Caso o Conselho decida, nos termos do artigo 126.o, n.o 12, do c) À regulamentação das regras processuais destinadas a garan­
TFUE, revogar parte ou a totalidade das suas decisões, os depó­ tir os direitos da defesa, o acesso ao processo, a representa­
sitos não remunerados constituídos pelo Estado-Membro em ção legal, a confidencialidade, os prazos e a cobrança das
causa junto da Comissão são-lhe restituídos. multas a que se refere o n.o 1.
L 306/6 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

5. É atribuída ao Tribunal de Justiça da União Europeia plena 5. Os actos delegados adoptados nos termos do artigo 8.o,
jurisdição para rever as decisões do Conselho que imponham o
n. 4 só entram em vigor se o Parlamento Europeu ou o Con­
multas ao abrigo do n.o 1. O Tribunal de Justiça pode anular, selho não formularem objecções ao acto delegado no prazo de
reduzir ou aumentar as multas aplicadas. dois meses a contar da respectiva notificação ao Parlamento
Europeu e ao Conselho, ou se antes do termo do referido prazo
o Parlamento Europeu e o Conselho tiverem informado a Co­
CAPÍTULO VI missão de que não tencionam levantar objecções. Por iniciativa
do Parlamento Europeu ou do Conselho, o prazo é prorrogado
NATUREZA ADMINISTRATIVA DAS SANÇÕES E CONSIGNA­ por dois meses.
ÇÃO DOS JUROS E MULTAS

Artigo 9.o
Natureza administrativa das multas Artigo 12.o

As sanções aplicadas ao abrigo dos artigos 4.o a 8.o são de Votações no Conselho
natureza administrativa. 1. Relativamente às medidas a que se referem os artigos 4.o,
5.o, 6.o e 8.o, o direito de voto é atribuído apenas aos membros
do Conselho que representem os Estados-Membros cuja moeda
Artigo 10.o seja o euro, devendo o Conselho deliberar sem ter em conta o
Distribuição do montante dos juros e das multas voto do membro do Conselho que represente o Estado-Membro
em causa.
Os juros obtidos pela Comissão sobre os depósitos constituídos
nos termos do artigo 5.o e as multas aplicadas ao abrigo dos
artigos 6.o e 8.o constituem outras receitas, na acepção do
artigo 311.o do TFUE, e devem ser consignadas ao Fundo Eu­ 2. A maioria qualificada dos membros do Conselho a que se
ropeu de Estabilização Financeira. Após a criação pelos Estados- refere o n.o 1 é determinada nos termos do disposto no
-Membros cuja moeda é o euro de outro mecanismo de estabi­ artigo 238.o, n.o 3, alínea b), do TFUE.
lidade destinado à prestação de assistência financeira com o
objectivo de salvaguardar a estabilidade da área do euro no
seu conjunto, o montante dos juros e multas passará a ser Artigo 13.o
consignado a esse mecanismo.
Revisão
1. Até 14 de Dezembro de 2014 e, posteriormente, de cinco
CAPÍTULO VII em cinco anos, a Comissão publica um relatório sobre a apli­
DISPOSIÇÕES GERAIS cação do presente regulamento.

Artigo 11.o
Exercício da delegação Esse relatório deve avaliar, nomeadamente:
1. O poder de adoptar actos delegados é conferido à Comis­
são nas condições estabelecidas no presente artigo.
a) A eficácia do presente regulamento, incluindo a possibilidade
de permitir que o Conselho e a Comissão ajam para fazer
2. O poder de adoptar actos delegados a que se refere o face a situações que ameacem pôr em risco o bom funcio­
artigo 8.o, n.o 4 é conferido à Comissão por um período de namento da união monetária;
três anos a contar de 13 de Dezembro de 2011. A Comissão
elabora um relatório sobre a delegação de poderes pelo menos
nove meses antes do final do referido período de três anos. A
b) Os progressos no sentido de uma coordenação mais estreita
delegação de poderes será tacitamente prorrogada por períodos
das políticas económicas e de uma convergência sustentada
de igual duração, salvo se o Parlamento Europeu ou o Conselho
dos comportamentos das economias dos Estados-Membros,
se opuserem a tal prorrogação pelo menos três meses antes do
nos termos do TFUE.
final de cada período.

3. A delegação de poderes a que se refere o artigo 8.o, n.o 4 2. Se for caso disso, o relatório deve ser acompanhado de
pode ser revogada em qualquer momento pelo Parlamento Eu­ uma proposta de alteração ao presente regulamento.
ropeu ou pelo Conselho. A decisão de revogação põe termo à
delegação dos poderes nela especificados. A decisão de revoga­
ção produz efeitos no dia seguinte ao da sua publicação no
3. O relatório é transmitido ao Parlamento Europeu e ao
Jornal Oficial da União Europeia, ou em data posterior nela espe­
Conselho.
cificada. A decisão de revogação não prejudica a validade dos
actos delegados já em vigor.

4. Antes do final de 2011, a Comissão apresenta ao Parla­


4. Assim que adoptar um acto delegado, a Comissão notifica- mento Europeu e ao Conselho um relatório sobre a possibili­
-o simultaneamente ao Parlamento Europeu e ao Conselho. dade da introdução de «euro-obrigações».
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/7

Artigo 14.o
Entrada em vigor
O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da
União Europeia.

O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável nos


Estados-Membros nos termos dos Tratados.

Feito em Estrasburgo, 16 de Novembro de 2011.

Pelo Parlamento Europeu, Pelo Conselho,


O Presidente O Presidente
J. BUZEK W. SZCZUKA
L 306/8 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

REGULAMENTO (UE) N.o 1174/2011 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO


de 16 de Novembro de 2011
relativo às medidas de execução destinadas a corrigir os desequilíbrios macroeconómicos excessivos
na área do euro

O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, Estatísticas Europeias (4). Além disso, a disponibilidade de
dados orçamentais fiáveis também é importante para a
supervisão dos desequilíbrios macroeconómicos. Este re­
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União quisito deverá ser garantido pelas normas previstas a este
Europeia, nomeadamente o artigo 136.o, em conjugação com o respeito pelo Regulamento (UE) n.o 1173/2011 do Par­
artigo 121.o, n.o 6, lamento Europeu e do Conselho, de 16 de Novembro de
2011, relativo à aplicação efectiva da supervisão orça­
mental na área do euro (5), em especial o artigo 8.o.
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia,

Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen­ (3) A coordenação das políticas económicas dos Estados-
tos nacionais, -Membros no âmbito da União deverá desenvolver-se no
contexto das orientações gerais de política económica e
de emprego, nos termos do Tratado sobre o Funciona­
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (1) mento da União Europeia (TFUE), e implicar o respeito
dos princípios orientadores em matéria de estabilidade de
preços, solidez e sustentabilidade das finanças públicas e
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social das condições monetárias e sustentabilidade da balança
Europeu (2), de pagamentos.

Deliberando de acordo com o processo legislativo ordinário (3),


(4) A experiência adquirida e os erros cometidos durante a
primeira década da União Económica e Monetária de­
Considerando o seguinte: monstram a necessidade de uma melhor governação eco­
nómica na União, que deverá assentar numa maior apro­
priação nacional das normas e das políticas comum­
(1) O quadro de governação económica reforçada deverá mente adoptadas e, a nível da União, num quadro refor­
assentar em várias políticas interligadas e coerentes de çado de supervisão das políticas económicas nacionais.
crescimento sustentável e emprego, em particular numa
estratégia da União para o crescimento e o emprego, com
especial incidência no desenvolvimento e reforço do mer­
cado interno e no fomento das ligações comerciais in­ (5) A realização e manutenção de um mercado interno di­
ternacionais e da competitividade, num Semestre Europeu nâmico deverão ser consideradas condição do bom fun­
para o reforço da coordenação das políticas económicas e cionamento da União Económica e Monetária.
orçamentais, num quadro eficaz de prevenção e correc­
ção de défices orçamentais excessivos – o Pacto de Esta­
bilidade e Crescimento (PEC) –, num quadro robusto de
prevenção e correcção dos desequilíbrios macroeconómi­
(6) Em especial, importa alargar a supervisão das políticas
cos, em requisitos mínimos para os quadros orçamentais
económicas dos Estados-Membros para além da supervi­
nacionais en uma regulação e supervisão reforçadas do
são orçamental, com base num quadro mais formal e
mercado financeiro, incluindo a supervisão macropruden­
pormenorizado, a fim de evitar desequilíbrios macroeco­
cial pelo Comité Europeu do Risco Sistémico.
nómicos excessivos e auxiliar os Estados-Membros afec­
tados a estabelecerem medidas correctivas antes de as
divergências se enraizarem e de a evolução económica
(2) Dispor de dados estatísticos fiáveis é fundamental para a
e financeira seguir de forma continuada uma direcção
supervisão dos desequilíbrios macroeconómicos. Para ga­
excessivamente desfavorável. Este alargamento da super­
rantir a fiabilidade e independência das estatísticas, os
visão das políticas económicas deverá ser acompanhado
Estados-Membros deverão assegurar a independência
do reforço da supervisão orçamental.
das autoridades estatísticas nacionais, de acordo com o
Código de Prática das Estatísticas Europeias constante do
Regulamento (CE) n.o 223/2009 do Parlamento Europeu
e do Conselho, de 11 de Março de 2009, relativo às
(7) A fim de facilitar a correcção destes desequilíbrios ma­
croeconómicos excessivos, é necessário adoptar legislação
(1) JO C 150 de 20.5.2011, p.1. prevendo procedimentos detalhados para o efeito.
(2) JO C 218 de 23.7.2011, p. 53.
(3) Posição do Parlamento Europeu de 28 de Setembro de 2011 (ainda
não publicada no Jornal Oficial) e decisão do Conselho de 8 de (4) JO L 87 de 31.3.2009, p. 164.
Novembro de 2011. (5) Ver p. 1 do presente Jornal Oficial.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/9

(8) É conveniente completar o procedimento de supervisão (14) A fim de garantir a igualdade de tratamento dos Estados-
multilateral a que se refere o artigo 121.o, [Link] 3 e 4, do -Membros, os depósitos remunerados e as multas deverão
TFUE com regras específicas para a detecção, prevenção e ser idênticos para todos os Estados-Membros cuja moeda
correcção dos desequilíbrios macroeconómicos excessivos é o euro e equivalentes a 0,1 % do produto interno bruto
no interior da União. É essencial que esse procedimento (PIB) do Estado-Membro em causa no ano anterior.
se insira no ciclo anual de supervisão multilateral.

(15) A Comissão deverá, com fundamento em circunstâncias


(9) O reforço da governação económica deverá incluir uma económicas excepcionais, ter a possibilidade de recomen­
participação mais activa e tempestiva do Parlamento Eu­ dar a redução do montante de uma sanção ou a sua
ropeu e dos parlamentos nacionais. Embora reconhe­ anulação.
cendo que os interlocutores do Parlamento Europeu no
âmbito do diálogo são as outras instituições competentes
da União e os seus representantes, a comissão compe­
tente do Parlamento Europeu pode proporcionar aos Es­ (16) O processo de aplicação de sanções aos Estados-Mem­
tados-Membros destinatários de decisões do Conselho bros que não tomem medidas eficazes para corrigir os
que imponham a constituição de um depósito remune­ seus desequilíbrios macroeconómicos excessivos deverá
rado ou a aplicação de uma multa anual ao abrigo do ser configurado de forma que a aplicação de sanções a
presente regulamento a oportunidade de participar numa esses Estados-Membros seja a regra, e não a excepção.
eventual troca de pontos de vista. A participação dos
Estados-Membros nessa troca de pontos de vista é facul­
tativa.
(17) As multas a que se refere o presente regulamento deverão
constituir outras receitas, na acepção do artigo 311.o do
TFUE, e ser consignadas a mecanismos de estabilidade
(10) A Comissão deverá ter um papel mais activo no processo destinados a prestar assistência financeira, criados pelos
de supervisão reforçada das avaliações específicas a cada Estados-Membros cuja moeda seja o euro a fim de sal­
Estado-Membro, no seu acompanhamento, nas missões vaguardar a estabilidade da área do euro no seu conjunto.
«in loco», nas recomendações e nas advertências.

(18) Deverá ser atribuída ao Conselho competência para


(11) A aplicação do Regulamento (UE) n.o 1176/2011 do adoptar decisões individuais relativas à aplicação das san­
Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de Novembro ções previstas no presente regulamento. No quadro da
de 2011, relativo à prevenção e correcção dos desequilí­ coordenação das políticas económicas dos Estados-Mem­
brios macroeconómicos (1) deverá ser reforçada com a bros no âmbito do Conselho prevista no artigo 121.o,
obrigação de constituir depósitos remunerados em caso n.o 1, do TFUE, este tipo de decisão inscreve-se plena­
de incumprimento da recomendação de adoptar medidas mente no seguimento das medidas adoptadas pelo Con­
correctivas. Esses depósitos deverão ser convertidos em selho nos termos do artigo 121.o do TFUE e do Regula­
multa anual em caso de persistência no incumprimento mento (UE) n.o 1176/2011.
das recomendações para corrigir desequilíbrios macroe­
conómicos excessivos no âmbito de um mesmo procedi­
mento relativo a tais desequilíbrios. Estas medidas de
execução deverão ser aplicadas aos Estados-Membros (19) Dado que estabelece as regras gerais de execução do
cuja moeda é o euro. Regulamento (UE) n.o 1176/2011, o presente regula­
mento deverá ser adoptado de acordo com o processo
legislativo ordinário previsto no artigo 121.o, n.o 6, do
TFUE
(12) Em caso de incumprimento das recomendações do Con­
selho, o depósito remunerado ou a multa deverão ser
impostos até que o Conselho constate que o Estado-
-Membro em causa tomou as medidas correctivas neces­ (20) Atendendo a que o objectivo do presente regulamento, a
sárias para dar cumprimento a essas recomendações. saber, a execução eficaz da correcção de desequilíbrios
macroeconómicos excessivos na área do euro, não
pode ser suficientemente realizado pelos Estados-Mem­
bros, dadas as suas profundas interligações comerciais e
(13) Além disso, a persistência de um Estado-Membro em não financeiras e as repercussões das políticas económicas
elaborar um plano de medidas correctivas para cumprir a nacionais na União e na área do euro no seu conjunto,
recomendação do Conselho deverá igualmente ser ob­ e pode, pois, ser melhor concretizado a nível da União,
jecto de uma multa anual até que o Conselho constate esta pode adoptar medidas em conformidade com o
que o Estado-Membro apresentou um plano de medidas princípio da subsidiariedade, consagrado no artigo 5.o
correctivas que dê resposta suficiente à recomendação de do Tratado da União Europeia. Em conformidade com
que é destinatário. o princípio da proporcionalidade, consagrado no mesmo
artigo, o presente regulamento não excede o necessário
(1) Ver p. 25 do presente Jornal Oficial. para alcançar aquele objectivo,
L 306/10 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

ADOPTARAM O PRESENTE REGULAMENTO: 3. As decisões a que se referem os [Link] 1 e 2 consideram-se


como adoptadas pelo Conselho salvo se este decidir, por maio­
ria qualificada, rejeitar a recomendação no prazo de 10 dias a
Artigo 1.o contar da sua adopção pela Comissão. O Conselho, deliberando
por maioria qualificada, pode alterar a recomendação.
Objecto e âmbito de aplicação
1. O presente regulamento estabelece um regime de sanções
relativo à correcção efectiva dos desequilíbrios macroeconómi­ 4. A recomendação da Comissão relativa à decisão do Con­
cos excessivos na área do euro. selho deve ser adoptada no prazo de 20 dias a contar da data
em que estiverem preenchidas as condições referidas nos [Link] 1
e 2.
2. O presente regulamento é aplicável aos Estados-Membros
cuja moeda é o euro.
5. O depósito remunerado ou a multa anual a recomendar
pela Comissão é equivalente a 0,1 % do PIB do Estado-Membro
Artigo 2.o
em causa no ano anterior.
Definições
Para efeitos do presente regulamento, aplicam-se as definições
6. Não obstante o disposto no n.o 5, a Comissão pode, com
constantes do artigo 2.o do Regulamento (UE) n.o 1176/2011.
fundamento em circunstâncias económicas excepcionais ou na
sequência de um pedido fundamentado apresentado pelo Es­
Além disso, entende-se por tado-Membro em causa no prazo de 10 dias a contar da data
em que estejam preenchidas as condições a que se referem os
[Link] 1 e 2, propor ao Conselho a redução do montante do
«circunstâncias económicas excepcionais», circunstâncias em que depósito remunerado ou da multa ou a sua anulação.
o carácter excessivo do défice orçamental em relação ao valor
de referência é considerado excepcional e temporário, na acep­
ção do artigo 126.o, n.o 2, alínea a), segundo travessão, do TFUE 7. Se um Estado-Membro tiver constituído um depósito re­
e de acordo com o disposto no Regulamento (CE) n.o 1467/97 munerado ou pago uma multa anual relativa a um determinado
do Conselho, de 7 de Julho de 1997, relativo à aceleração e ano civil e o Conselho concluir posteriormente, nos termos do
clarificação da aplicação do procedimento relativo aos défices artigo 10.o, n.o 1, do Regulamento (UE) n.o 1176/2011, que
excessivos (1). esse Estado-Membro adoptou as medidas correctivas recomen­
dadas nesse mesmo ano, o depósito constituído relativamente
ao ano em causa, acrescido dos juros vencidos, ou o montante
Artigo 3.o da multa relativa ao ano em causa, deve ser devolvido «pro rata
temporis» a esse Estado-Membro.
Sanções
1. Caso o Conselho tenha adoptado uma decisão sobre me­
didas correctivas nos termos do artigo 10.o, n.o 4, do Regula­ Artigo 4.o
mento (UE) n.o 1176/2011 constatando que um Estado-Mem­
bro não tomou as medidas correctivas por si recomendadas, Consignação do montante das multas
deve adoptar, sob recomendação da Comissão, uma nova deci­ As multas a que se refere o artigo 3.o do presente regulamento
são impondo a esse Estado-Membro a constituição de um de­ constituem outras receitas, na acepção do artigo 311.o do TFUE,
pósito remunerado. e devem ser consignadas ao Fundo Europeu de Estabilidade
Financeira. Após a criação pelos Estados-Membros cuja moeda
é o euro de outro mecanismo de estabilidade destinado à pres­
2. O Conselho deve adoptar, sob recomendação da Comis­ tação de assistência financeira com o objectivo de salvaguardar a
são, uma decisão aplicando uma multa anual caso: estabilidade da área do euro no seu conjunto, o montante das
multas passará a ser consignado a esse mecanismo.
a) Sejam adoptadas duas recomendações sucessivas do Conse­
lho, no âmbito do mesmo procedimento por desequilíbrio
excessivo, nos termos do artigo 8.o, n.o 3, do Regulamento Artigo 5.o
(UE) n.o 1176/2011 e o Conselho conclua que o Estado- Votação no Conselho
-Membro em causa apresentou um plano de medidas correc­
tivas insuficiente; ou 1. Relativamente às medidas a que se refere o artigo 3.o, o
direito de voto é atribuído apenas aos membros do Conselho
que representem os Estados-Membros cuja moeda seja o euro,
b) Sejam adoptadas duas decisões sucessivas do Conselho, no devendo o Conselho deliberar sem ter em conta o voto do
âmbito do mesmo procedimento por desequilíbrio excessivo, membro do Conselho que representa o Estado-Membro em
constatando o incumprimento nos termos do artigo 10.o, causa.
n.o 4, do Regulamento (UE) n.o 1176/2011. Neste caso, a
multa anual é aplicada mediante a conversão do depósito
remunerado numa multa anual. 2. A maioria qualificada dos membros do Conselho a que se
refere o n.o 1 é determinada nos termos do disposto no
(1) JO L 209 de 2.8.1997, p. 6. artigo 238.o, n.o 3, alínea b), do TFUE.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/11

Artigo 6.o Esse relatório deve avaliar, nomeadamente:


Diálogo económico
a) A eficácia do regime previsto no presente regulamento;
A fim de aprofundar o diálogo entre as instituições da União,
em especial o Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão, e b) Os progressos registados no sentido de uma coordenação
no intuito de garantir uma maior transparência e responsabili­ mais estreita das políticas económicas e de uma convergência
dade, a comissão competente do Parlamento Europeu pode sustentada dos comportamentos das economias dos Estados-
convidar o Presidente do Conselho, a Comissão e, se for caso -Membros, nos termos do TFUE.
disso, o Presidente do Conselho Europeu ou o Presidente do
Eurogrupo para comparecerem perante ela para debater decisões
tomadas nos termos do artigo 3.o. 2. Se for caso disso, o relatório deve ser acompanhado de
uma proposta de alteração do presente regulamento.
A comissão competente do Parlamento Europeu pode propor­
cionar aos Estados-Membros destinatários das decisões em causa 3. A Comissão transmite o relatório e as propostas que
a oportunidade de participarem numa troca de pontos de vista. eventualmente o acompanhem ao Parlamento Europeu e ao
Conselho.
Artigo 7.o
Artigo 8.o
Revisão
Entrada em vigor
1. Até 14 de Dezembro de 2014 e, posteriormente, de cinco
em cinco anos, a Comissão publica um relatório sobre a apli­ O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia se­
cação do presente regulamento. guinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.

O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável nos


Estados-Membros nos termos dos Tratados.

Feito em Estrasburgo, em 16 de Novembro de 2011.

Pelo Parlamento Europeu Pelo Conselho


O Presidente O Presidente
J. BUZEK W. SZCZUKA
L 306/12 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

REGULAMENTO (UE) N.o 1175/2011 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO


de 16 de Novembro de 2011
que altera o Regulamento (CE) n.o 1466/97 relativo ao reforço da supervisão das situações
orçamentais e à supervisão e coordenação das políticas económicas

O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, tório intitulado «Melhorar a aplicação do Pacto de Esta­
bilidade e Crescimento» (8).

Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União


Europeia, nomeadamente o artigo 121.o, n.o 6, (3) O PEC baseia-se no objectivo de assegurar a solidez das
finanças públicas como meio de reforçar as condições
propícias à estabilização dos preços e a um forte cresci­
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, mento sustentável suportado pela estabilidade financeira,
apoiando desse modo a consecução dos objectivos da
União em matéria de crescimento sustentável e emprego.
Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen­
tos nacionais,
(4) A vertente preventiva do PEC prevê que os Estados-Mem­
bros alcancem e mantenham um objectivo orçamental a
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (1), médio prazo e apresentem programas de estabilidade e
convergência para esse efeito. Esta vertente beneficiaria de
formas mais rigorosas de supervisão, a fim de assegurar a
Deliberando nos termos do processo legislativo ordinário (2), coerência e a conformidade com o quadro de coordena­
ção orçamental da União por parte dos Estados-Mem­
bros.
Considerando o seguinte:

(5) O conteúdo dos programas de estabilidade e convergên­


(1) A coordenação das políticas económicas dos Estados- cia, bem como o procedimento para a sua avaliação,
-Membros no âmbito da União, prevista no Tratado sobre deverão continuar a ser desenvolvidos, tanto a nível na­
o Funcionamento da União Europeia (TFUE), implica a cional como da União, por forma a ter em conta a
observância dos seguintes princípios orientadores: preços experiência adquirida com a execução do PEC.
estáveis, finanças públicas e condições monetárias sólidas
e balança de pagamentos sustentável.
(6) Os objectivos orçamentais dos programas de estabilidade
(2) O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) compreen­ e convergência deverão ter expressamente em conta as
dia inicialmente o Regulamento (CE) n.o 1466/97 do medidas adoptadas em conformidade com as orientações
Conselho de 7 de Julho de 1997 relativo ao reforço da gerais para as políticas económicas, as orientações para as
supervisão das situações orçamentais e à supervisão e políticas de emprego dos Estados-Membros e da União e,
coordenação das políticas económicas (3), o Regulamento em geral, os programas nacionais de reforma.
(CE) n.o 1467/97 do Conselho de 7 de Julho de 1997
relativo à aceleração e clarificação da aplicação do pro­
cedimento relativo aos défices excessivos (4) e a Resolu­ (7) Deverá proceder-se à apresentação e avaliação dos pro­
ção do Conselho Europeu sobre o Pacto de Estabilidade e gramas de estabilidade e convergência antes de serem
Crescimento, de 17 de Junho de 1997 (5). Os Regulamen­ tomadas decisões fundamentais sobre os orçamentos na­
tos (CE) n.o 1466/97 e (CE) n.o 1467/97 foram alterados cionais para os anos seguintes. Deverá, portanto, ser fi­
em 2005 pelos Regulamentos (CE) n.o 1055/2005 (6) e xado um prazo adequado para a apresentação dos refe­
(CE) n.o 1056/2005 (7), respectivamente. Além disso, o ridos programas. Atendendo às especificidades do exercí­
Conselho adoptou, em 20 de Março de 2005, um rela­ cio orçamental do Reino Unido, deverão ser estabelecidas
disposições especiais para a data de apresentação dos seus
(1) JO C 150 de 20.5.2011, p. 1. programas de convergência.
(2) Posição do Parlamento Europeu de 28 de Setembro de 2011 (ainda
não publicada no Jornal Oficial) e decisão do Conselho de 8 de
Novembro de 2011. (8) A experiência adquirida e os erros cometidos durante a
(3) JO L 209 de 2.8.1997, p. 1.
(4) JO L 209 de 2.8.1997, p. 6. primeira década da União Económica e Monetária de­
(5) JO C 236 de 2.8.1997, p. 1. monstram a necessidade de uma melhor governação eco­
(6) Regulamento (CE) n.o 1055/2005 do Conselho, de 27 de Junho de nómica na União, que deverá assentar numa maior apro­
2005, que altera o Regulamento (CE) n.o 1466/97 relativo ao re­ priação nacional das normas e políticas comummente
forço da supervisão das situações orçamentais e à supervisão e adoptadas e, a nível da União, num quadro de supervisão
coordenação das políticas económicas (JO L 174 de 7.7.2005, p. 1). reforçada das políticas económicas nacionais.
(7) Regulamento (CE) n.o 1056/2005 do Conselho, de 27 de Junho de
2005, que altera o Regulamento (CE) n.o 1467/97 relativo à acele­
ração e clarificação da aplicação do procedimento relativo aos défices (8) Ver documento 7423/05 em [Link]
excessivos (JO L 174 de 7.7.2005, p. 5). /[Link]?lang=pt.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/13

(9) O quadro de governação económica reforçada deverá ciclo anual de supervisão, antes de os debates no Conse­
assentar em várias políticas interligadas e coerentes de lho Europeu terem lugar. Os Estados-Membros deverão
crescimento sustentável e emprego, em particular numa ter em conta as orientações gerais do Conselho Europeu
estratégia da União para o crescimento e o emprego, com na elaboração dos respectivos programas de estabilidade
especial incidência no desenvolvimento e reforço do mer­ ou de convergência e dos programas nacionais de re­
cado interno e no fomento das ligações comerciais in­ forma.
ternacionais e da competitividade, num semestre europeu
para o reforço da coordenação das políticas económicas e
orçamentais (Semestre Europeu), num enquadramento
eficaz de prevenção e correcção de défices orçamentais (15) A fim de promover a apropriação nacional do PEC, os
excessivos (PEC), num quadro robusto de prevenção e quadros orçamentais nacionais deverão ser alinhados
correcção dos desequilíbrios macroeconómicos, em requi­ com os objectivos de supervisão multilateral da União,
sitos mínimos para os quadros orçamentais nacionais e em especial o Semestre Europeu.
numa regulação e supervisão reforçadas do mercado fi­
nanceiro, incluindo a supervisão macroprudencial pelo
Comité Europeu do Risco Sistémico.
(16) De acordo com as disposições legais e políticas de cada
Estado-Membro, os parlamentos nacionais deverão parti­
cipar adequadamente no Semestre Europeu e na prepa­
(10) O PEC e todo o quadro de governação económica deve­ ração dos programas de estabilidade, dos programas de
rão complementar e apoiar a estratégia da União para o convergência e dos programas nacionais de reforma, a
crescimento e o emprego. As interligações entre as diver­ fim de aumentar a transparência, a apropriação e a res­
sas vertentes não deverão implicar excepções às disposi­ ponsabilização pelas decisões tomadas. O Comité Econó­
ções do PEC. mico e Financeiro, o Comité de Política Económica, o
Comité do Emprego e o Comité da Protecção Social
deverão ser consultados no âmbito do Semestre Europeu.
As partes interessadas, nomeadamente os parceiros so­
(11) O reforço da governação económica deverá implicar uma ciais, deverão participar, no âmbito do Semestre Europeu,
participação mais activa e tempestiva do Parlamento Eu­ no debate das principais questões políticas, sempre que
ropeu e dos parlamentos nacionais. Embora reconhe­ tal se afigure adequado, de acordo com o disposto no
cendo que os interlocutores do Parlamento Europeu no TFUE e com as disposições legais e políticas nacionais.
âmbito deste diálogo são as outras instituições compe­
tentes da União e os seus representantes, a comissão
competente do Parlamento Europeu pode proporcionar
aos Estados-Membros destinatários de recomendações
(17) A adesão ao objectivo de médio prazo relativo às situa­
adoptadas pelo Conselho nos termos do artigo 6.o,
ções orçamentais deverá permitir aos Estados-Membros
n.o 2 ou do artigo 10.o, n.o 2 a oportunidade de partici­
manterem uma certa margem de segurança relativamente
parem numa eventual troca de pontos de vista. A parti­
ao valor de referência de 3 % do PIB, de forma a asse­
cipação dos Estados-Membros nessa troca de pontos de
gurar a sustentabilidade das finanças públicas ou uma
vista é facultativa.
progressão rápida no sentido da sustentabilidade, pre­
vendo simultaneamente uma margem de manobra orça­
mental, em especial para atender às necessidades de in­
(12) A Comissão deverá ter um papel mais activo no processo vestimento público. O objectivo orçamental de médio
de supervisão reforçada das avaliações específicas a cada prazo deverá ser regularmente actualizado com base
Estado-Membro, no seu acompanhamento, nas missões numa metodologia comummente acordada que reflicta
in loco, nas recomendações e nas advertências. de forma adequada os riscos para as finanças públicas
decorrentes de passivos explícitos e implícitos, conforme
consubstanciado nos objectivos do PEC.

(13) Os programas de estabilidade ou convergência e os pro­


gramas nacionais de reforma deverão ser preparados de
forma coerente e as respectivas datas de apresentação (18) A obrigação de alcançar e manter o objectivo orçamental
deverão ser ajustadas. Esses programas deverão ser apre­ de médio prazo tem de ser concretizada, procedendo-se,
sentados ao Conselho e à Comissão. Estes programas para tal, à especificação dos princípios relativos à trajec­
deverão ser tornados públicos. tória de ajustamento conducente ao objectivo de médio
prazo. Esses princípios deverão assegurar, nomeada­
mente, que as receitas excepcionais, em particular as re­
ceitas superiores ao que normalmente se pode esperar do
(14) No âmbito do Semestre Europeu o ciclo de supervisão e crescimento económico, sejam canalizadas para a redu­
de coordenação das políticas tem início no princípio do ção do défice.
ano com uma análise global na qual o Conselho Euro­
peu, baseando-se em dados fornecidos pela Comissão e
pelo Conselho, identifica os grandes desafios para a
União e para a área do euro e fornece orientações estra­ (19) A obrigação de alcançar e manter o objectivo orçamental
tégicas sobre as políticas a seguir. Deverá também efec­ de médio prazo deverá aplicar-se a todos os Estados-
tuar-se um debate no Parlamento Europeu no início do -Membros.
L 306/14 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

(20) A realização de progressos suficientes para atingir o ob­ análise da situação pelo Conselho e uma recomendação
jectivo orçamental de médio prazo deverá ser apreciada indicando as medidas de ajustamento necessárias. A re­
com base numa avaliação global que tenha como refe­ comendação deverá fixar um prazo não superior a cinco
rência o saldo estrutural, incluindo uma análise da des­ meses para a correcção do desvio. O Estado-Membro em
pesa líquida de medidas discricionárias em matéria de causa deverá informar o Conselho sobre as medidas to­
receitas. Neste contexto, e enquanto não for atingido o madas. Se o Estado-Membro em causa não tomar as
objectivo orçamental de médio prazo, a taxa de cresci­ medidas adequadas no prazo estabelecido pelo Conselho,
mento da despesa pública não deverá normalmente ex­ este deverá adoptar uma decisão constatando que não
ceder a taxa de referência de médio prazo do crescimento foram tomadas medidas eficazes e informar o Conselho
do PIB potencial, sendo os aumentos que ultrapassam Europeu. É importante determinar tempestivamente a
essa norma compensados por aumentos discricionários ocorrência de incumprimentos por parte dos Estados-
da receita do Estado e as reduções discricionárias das -Membros no que respeita à adopção de medidas apro­
receitas compensadas por reduções da despesa. A taxa priadas, em especial quando o incumprimento se man­
de referência de médio prazo do crescimento do PIB tém. A Comissão deverá poder recomendar ao Conselho
potencial deverá ser calculada segunda um método co­ que adopte recomendações revistas. A Comissão deverá
mummente acordado. A Comissão deverá tornar público poder convidar o BCE a participar numa missão de su­
o método de cálculo dessas projecções, bem como a taxa pervisão dos Estados-Membros da área do euro e dos
de referência de médio prazo do crescimento do PIB Estados-Membros partes no Acordo de 16 de Março de
potencial que daí resulta. Deverá ser tida em conta a 2006 entre o Banco Central Europeu e os Bancos cen­
variabilidade potencialmente muito elevada das despesas trais nacionais dos Estados-Membros não participantes na
de investimento, especialmente no caso dos Estados- área do euro que estabelece os procedimentos operacio­
-Membros de menor dimensão. nais relativos ao mecanismo de taxas de câmbio na ter­
ceira fase da união económica e monetária (1) (MTC2), se
for caso disso. A Comissão deverá informar o Conselho
dos resultados da missão e ter a possibilidade de, se
(21) Deverá exigir-se aos Estados-Membros confrontados com necessário, tornar públicas as suas conclusões.
um nível de dívida superior a 60 % do PIB ou com riscos
acentuados em termos de sustentabilidade global da dí­
vida uma trajectória de ajustamento mais rápida ao ob­
jectivo orçamental de médio prazo.
(24) Deverá ser atribuída ao Conselho competência para
adoptar decisões individuais que declarem a não confor­
midade com as recomendações por ele adoptadas com
(22) Deverá ser permitido um desvio temporário da trajectória base no artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, que determina as
de ajustamento ao objectivo orçamental de médio prazo medidas políticas a tomar caso um Estado-Membro se
caso esse desvio resulte de uma circunstância excepcional desvie significativamente da trajectória de ajustamento
não controlável pelo Estado-Membro em causa e que ao objectivo orçamental de médio prazo. No quadro da
tenha um impacto significativo na situação das finanças coordenação das políticas económicas dos Estados-Mem­
públicas ou em caso de recessão económica grave que bros no âmbito do Conselho prevista no artigo 121.o,
afecte a área do euro ou toda a União, desde que tal não n.o 1, do TFUE, este tipo de decisão inscreve-se plena­
ponha em risco a sustentabilidade orçamental a médio mente no seguimento das referidas recomendações adop­
prazo, a fim de facilitar a recuperação económica. A tadas pelo Conselho com base no artigo 121.o, n.o 4, do
execução de grandes reformas estruturais deverá também TFUE. A suspensão dos direitos de voto dos membros do
ser tida em conta no que toca a permitir um desvio Conselho representantes dos Estados-Membros cuja
temporário em relação ao objectivo orçamental de médio moeda não é o euro na votação da decisão do Conselho
prazo ou à respectiva trajectória de ajustamento, na con­ que constata o incumprimento das recomendações diri­
dição de se manter uma margem de segurança relativa­ gidas a um Estado-Membro cuja moeda é o euro ao
mente ao valor de referência do défice. Há que prestar abrigo do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE decorre directa­
especial atenção, neste contexto, às reformas sistémicas mente do facto de este tipo de decisão se inscrever in­
dos regimes de pensões, nas quais o desvio deverá re­ teiramente no seguimento da referida recomendação e de
flectir o custo adicional directo da transição das contri­ a disposição do artigo 139.o, n.o 4, do TFUE reservar o
buições do pilar de gestão pública para o pilar de capi­ direito de voto deste tipo de recomendações aos Estados-
talização integral. As medidas de retransferência dos ac­ -Membros cuja moeda é o euro.
tivos do pilar de capitalização integral para o pilar de
gestão pública deverão ser consideradas como medidas
extraordinárias e temporárias e, por isso mesmo, excluí­
das do saldo estrutural utilizado na apreciação dos pro­
gressos no sentido de atingir o objectivo orçamental de (25) A fim de garantir a conformidade com o quadro de
médio prazo. supervisão orçamental da União para os Estados-Mem­
bros cuja moeda é o euro, deverá ser estabelecido um
mecanismo de execução específico com base no
artigo 136.o do TFUE para os casos em que se verifique
(23) Em caso de desvio significativo da trajectória de ajusta­ um desvio significativo em relação à trajectória de ajus­
mento ao objectivo orçamental de médio prazo, a Co­ tamento ao objectivo orçamental de médio prazo.
missão deverá dirigir ao Estado-Membro em causa uma
advertência, a que se seguirá, no prazo de um mês, uma (1) JO C 73 de 25.3.2006, p. 21.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/15

(26) As referências contidas no Regulamento (CE) b) A formulação e a apreciação da aplicação das orienta­
n.o 1466/97 deverão ter em conta a nova numeração ções em matéria de emprego que os Estados-Membros
dos artigos que compõem o TFUE. devem ter em conta (orientações para o emprego), nos
termos do artigo 148.o, n.o 2, do TFUE;
(27) Por conseguinte, o Regulamento (CE) n.o 1466/97 deverá
ser alterado, c) A apresentação e a avaliação dos programas de estabi­
lidade e convergência dos Estados-Membros, nos termos
ADOPTARAM O PRESENTE REGULAMENTO: do presente regulamento;

Artigo 1.o d) A apresentação e a avaliação dos programas nacionais


O Regulamento (CE) n.o 1466/97 é alterado do seguinte modo: de reforma dos Estados-Membros de prestação de apoio
à estratégia da União para o crescimento e o emprego,
estabelecidos em consonância com as orientações refe­
1) O artigo 1.o passa a ter a seguinte redacção: ridas nas alíneas a) e b) e com as orientações gerais
emitidas pela Comissão e pelo Conselho Europeu para
«Artigo 1.o os Estados-Membros no início do ciclo anual de super­
visão;
O presente regulamento estabelece as normas que regulam
o conteúdo, a apresentação, a apreciação e o acompanha­
mento dos programas de estabilidade e dos programas de e) A supervisão para prevenir e corrigir desequilíbrios ma­
convergência no âmbito da supervisão multilateral a exercer croeconómicos nos termos do Regulamento (UE)
pelo Conselho e a Comissão para evitar, numa fase precoce, n.o 1176/2011 do Parlamento Europeu e do Conselho,
a ocorrência de défices públicos excessivos e promover a de 16 de Novembro de 2011, relativo à prevenção e
supervisão e coordenação das políticas económicas, correcção dos desequilíbrios macroeconómicos (*).
apoiando assim a consecução dos objectivos da União
em matéria de crescimento e emprego.».
3. Durante o Semestre Europeu, a fim de prestar acon­
selhamento político atempado e integrado relativamente às
2) O artigo 2.o passa a ter a seguinte redacção:
políticas macro-orçamentais e macro-estruturais previstas, o
Conselho deve, por princípio, na sequência da avaliação
«Artigo 2.o destes programas com base em recomendações da Comis­
Para efeitos do presente regulamento entende-se por: são, dar orientações aos Estados-Membros para fazendo
pleno uso dos instrumentos legais previstos nos artigos
121.o e 148.o do TFUE, ao abrigo do presente regulamento
a) “Estados-Membros participantes”, os Estados-Membros e do Regulamento (UE) N.o 1176/2011.
cuja moeda é o euro;

b) “Estados-Membros não participantes”, os Estados-Mem­ Os Estados-Membros devem ter na devida conta as orien­
bros cuja moeda não é o euro.». tações que lhes forem dadas no desenvolvimento das res­
pectivas políticas económicas, orçamentais e de emprego,
antes de tomarem decisões fundamentais sobre os seus
3) É inserida a seguinte secção: orçamentos nacionais para os anos subsequentes. Os pro­
gressos efectuados devem ser acompanhados pela Comis­
«SECÇÃO 1-A são.
SEMESTRE EUROPEU PARA A COORDENAÇÃO DAS
POLÍTICAS ECONÓMICAS O incumprimento, por parte de um Estado-Membro, das
orientações que lhe foram dadas pode resultar:
Artigo 2.o-A
1. A fim de garantir uma coordenação mais estreita das
a) Em novas recomendações para que sejam tomadas me­
políticas económicas e uma convergência sustentada dos
didas concretas;
comportamentos das economias dos Estados-Membros, o
Conselho procede à supervisão multilateral como parte in­
tegrante do Semestre Europeu para a coordenação das po­ b) Numa advertência da Comissão nos termos do
líticas económicas, de acordo com os objectivos e requisitos artigo 121.o, n.o 4, do TFUE;
previstos no Tratado sobre o Funcionamento da União
Europeia (TFUE).
c) Na imposição de medidas ao abrigo do presente regu­
2. O Semestre Europeu inclui: lamento, do Regulamento (CE) n.o 1467/97 ou do Re­
gulamento (UE) n.o 1176/2011.
a) A formulação e a supervisão da aplicação das orienta­
ções gerais das políticas económicas dos Estados-Mem­ A aplicação das medidas fica sujeita a uma supervisão re­
bros e da União (Orientações Gerais para as Políticas forçada por parte da Comissão e pode incluir missões de
Económicas), nos termos do artigo 121.o, n.o 2, do supervisão nos termos do artigo –11.o do presente regula­
TFUE; mento.
L 306/16 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

4. O Parlamento Europeu deve participar de forma ade­ g) As recomendações dirigidas pelo Conselho aos Estados-
quada no Semestre Europeu, a fim de aumentar a trans­ -Membros nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE
parência, a apropriação e a responsabilização pelas decisões em caso de desvio significativo, bem como o relatório
tomadas, nomeadamente através do diálogo económico ins­ apresentado pelo Conselho ao Conselho Europeu nos
tituído nos termos do artigo 2.o-AA do presente regula­ termos dos artigos 6.o, n.o 2 e 10.o, n.o 2, do presente
mento. O Comité Económico e Financeiro, o Comité de regulamento;
Política Económica, o Comité do Emprego e o Comité da
Protecção Social devem ser consultados no âmbito do Se­
2. Espera-se que, por princípio, o Conselho siga as re­
mestre Europeu, caso tal se afigure adequado. As partes
comendações e propostas da Comissão ou exponha a sua
interessadas, nomeadamente os parceiros sociais, devem
posição publicamente.
participar, no âmbito do Semestre Europeu, no debate
das principais questões políticas, se for caso disso, nos
termos do TFUE, da legislação nacional e das disposições 3. A comissão competente do Parlamento Europeu pode
políticas acordadas. dar aos Estados-Membros destinatários de recomendações
emitidas pelo Conselho nos termos dos artigos 6.o, n.o 2 ou
O Presidente do Conselho e a Comissão, nos termos do 10.o, n.o 2 a oportunidade de participarem numa troca de
artigo 121.o do TFUE, e, se necessário, o Presidente do pontos de vista.
Eurogrupo devem apresentar anualmente ao Parlamento
Europeu e ao Conselho Europeu um relatório sobre os 4. O Conselho e a Comissão devem informar regular­
resultados da supervisão multilateral. Estes relatórios devem mente o Parlamento Europeu quanto à aplicação do pre­
integrar o Diálogo Económico a que se refere o artigo sente regulamento.».
2.o-AA do presente regulamento.

___________ 5) O artigo 2.o-A passa a ter a seguinte redacção:


(*) JO L 306 de 23.11.2011, p. 25».
«Artigo 2.o-A

4) É inserida a seguinte secção: Cada Estado-Membro deve ter um objectivo de médio


prazo diferenciado para a sua situação orçamental. Estes
objectivos orçamentais de médio prazo específicos de
«SECÇÃO 1-AA cada país poderão divergir da exigência de uma situação
DIÁLOGO ECONÓMICO
orçamental próxima do equilíbrio ou excedentária, mas
devem facultar uma margem de segurança em relação ao
Artigo 2.o-AB rácio de 3 % do PIB para o défice orçamental. Os objectivos
orçamentais de médio prazo devem assegurar a sustentabi­
1. A fim de melhorar o diálogo entre as instituições da lidade das finanças públicas ou um rápido progresso na via
União, em particular o Parlamento Europeu, o Conselho e a dessa sustentabilidade, conservando simultaneamente uma
Comissão, e de assegurar uma maior transparência e res­ margem de manobra orçamental, em especial para atender
ponsabilização, a comissão competente do Parlamento Eu­ às necessidades de investimento público.
ropeu pode convidar o Presidente do Conselho, a Comissão
e, se for caso disso, o Presidente do Conselho Europeu e o
Presidente do Eurogrupo a comparecerem perante a comis­ Tomando estes factores em consideração, para os Estados-
são para debater: -Membros participantes e para os Estados-Membros do
MTC2 deve ser especificado um intervalo de variação defi­
nido para os objectivos de médio prazo específicos de cada
a) As informações prestadas à comissão pelo Conselho a
país entre – 1 % do PIB e uma situação de equilíbrio ou
respeito das orientações gerais para as políticas econó­
excedentária, em termos corrigidos de variações cíclicas e
micas, nos termos do artigo 121.o, n.o 2, do TFUE;
líquidos de medidas pontuais e temporárias.

b) As orientações gerais para os Estados-Membros dadas


pela Comissão no início do ciclo anual de supervisão; Os objectivos orçamentais de médio prazo serão revistos de
três em três anos. O objectivo orçamental de médio prazo
de um Estado-Membro pode ser submetido a uma nova
c) As conclusões apresentadas pelo Conselho Europeu so­ revisão se for posta em prática uma reforma estrutural
bre as orientações para as políticas económicas no con­ que tenha um impacto considerável na sustentabilidade
texto do Semestre Europeu; das finanças públicas.

d) Os resultados da supervisão multilateral exercida nos O cumprimento do objectivo orçamental de médio prazo
termos do presente regulamento; deve ser incluído nos quadros orçamentais nacionais de
médio prazo, nos termos do capítulo IV, artigo 5.o da
e) As conclusões apresentadas pelo Conselho Europeu so­ Directiva 2011/85/UE do Conselho, de 8 November
bre as orientações e os resultados da supervisão multi­ 2011 que estabelece requisitos aplicáveis aos quadros orça­
lateral; mentais dos Estados-Membros (*).

___________
f) As eventuais revisões do exercício da supervisão multi­
lateral no final do Semestre Europeu; (*) JO L 306 de 23.11.2011, p. 41».
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/17

6) O artigo 3.o é alterado do seguinte modo: órgãos independentes. Quaisquer divergências significa­
tivas entre o cenário macroeconómico escolhido e as
a) O n.o 1 passa a ter a seguinte redacção: previsões da Comissão devem ser descritas e fundamen­
tadas, em particular se o nível ou o crescimento das
«1. Cada Estado-Membro participante presta ao Con­ hipóteses externas divergir significativamente dos valo­
selho e à Comissão as informações necessárias ao exer­ res constantes das previsões da Comissão.
cício da supervisão multilateral regular prevista no
artigo 121.o do TFUE sob a forma de um “programa A natureza exacta das informações incluídas no n.o 2,
de estabilidade” que proporcione uma base essencial alíneas a), a-A), b), c) e d, deve ser apresentada num
para a sustentabilidade das finanças públicas que con­ quadro harmonizado, a estabelecer pela Comissão em
duza à estabilidade dos preços, a um crescimento sus­ cooperação com os Estados-Membros.»;
tentável forte e à criação de emprego;»

b) No n.o 2, as alíneas a), b) e c) passam a ter a seguinte d) o n.o 3 passa a ter a seguinte redacção:
redacção:
«3. As informações relativas à trajectória do saldo da
«a) O objectivo orçamental a médio prazo e a trajec­
administração pública e do rácio da dívida pública, o
tória de ajustamento conducente ao objectivo fi­
crescimento da despesa pública, a trajectória planeada de
xado para o saldo da administração pública ex­
crescimento das receitas públicas numa política inalte­
presso em percentagem do PIB, a trajectória pre­
rada, as medidas de planeamento das receitas discricio­
vista do rácio da dívida pública, a trajectória de
nárias, adequadamente quantificadas, e as principais hi­
crescimento planeada da despesa pública, in­
póteses de natureza económica a que se refere o n.o 2,
cluindo a dotação correspondente para a formação
alíneas a) e b), devem ser estabelecidas numa base anual
bruta de capital fixo, em particular, em especial
e abranger, para além do ano em curso e do ano pre­
tendo presentes as condições e os critérios para
cedente, pelo menos os três anos seguintes.
determinar o crescimento da despesa nos termos
do artigo 5.o, n.o 1, a trajectória de crescimento
planeada das receitas públicas numa política inal­ 4. Cada programa incluirá informações sobre o seu
terada e a quantificação das medidas discricionárias estatuto no contexto dos procedimentos nacionais, no­
previstas em matéria de receitas; meadamente se o programa foi apresentado ao parla­
mento nacional e se este último teve oportunidade de
a-A) Informações sobre os passivos implícitos, ligados debater o parecer do Conselho sobre o programa ante­
ao envelhecimento demográfico, e contingentes, rior ou, se for o caso, qualquer recomendação ou ad­
como as garantias públicas, com impacto poten­ vertência, e se o parlamento aprovou o programa.».
cialmente forte nas contas gerais da administração
pública;
7) O artigo 4.o passa a ter a seguinte redacção:
a-B) Informações sobre a coerência do programa de
estabilidade com as orientações gerais para as po­ «Artigo 4.o
líticas económicas e os programas nacionais de
reforma; 1. Os programas de estabilidade devem ser apresentados
anualmente em Abril, de preferência até meados e no má­
b) As principais hipóteses relativas à evolução pre­ ximo até 30 de Abril.
vista da economia e a outras importantes variáveis
económicas susceptíveis de influenciar a realização
2. Os Estados-Membros devem tornar públicos os seus
do programa de estabilidade, nomeadamente a des­
programas de estabilidade.».
pesa com o investimento público, o crescimento
do PIB em termos reais, o emprego e a inflação;
8) O artigo 5.o passa a ter a seguinte redacção:
c) Uma avaliação quantitativa das medidas orçamen­
tais e de outras medidas de política económica
adoptadas ou propostas para a realização dos ob­ «Artigo 5.o
jectivos do programa, incluindo uma análise dos 1. Com base em avaliações efectuadas pela Comissão e
custos/benefícios das reformas estruturais impor­ pelo Comité Económico e Financeiro, o Conselho deve
tantes que tenham efeitos orçamentais positivos a examinar, no quadro da supervisão multilateral prevista
longo prazo, inclusive através do reforço do cres­ no artigo 121.o do TFUE, os objectivos orçamentais de
cimento sustentável potencial;»; médio prazo apresentados pelos Estados-Membros em
causa nos respectivos programas de estabilidade, e apreciar
c) É inserido o seguinte número: se as hipóteses de natureza económica em que o programa
se baseia são realistas, se a trajectória de ajustamento ao
«2-A. O programa de estabilidade deve basear-se no objectivo orçamental de médio prazo é adequada, incluindo
cenário macro-orçamental mais provável ou num cená­ a apreciação da trajectória acompanhante do rácio da dí­
rio mais prudente. As previsões macroeconómicas e vida, e se as medidas adoptadas ou propostas para respeitar
orçamentais serão comparadas com as previsões mais essa trajectória de ajustamento são suficientes para alcançar
actualizadas da Comissão e, se for caso disso, de outros o objectivo orçamental de médio prazo durante o ciclo.
L 306/18 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

Ao apreciarem a trajectória de ajustamento para alcançar o O excedente do crescimento da despesa em relação à refe­
objectivo orçamental de médio prazo, o Conselho e a Co­ rência de médio prazo não é considerado um incumpri­
missão devem analisar se o Estado-Membro em causa pros­ mento do valor de referência na medida em que seja total­
segue uma melhoria anual adequada do seu saldo orçamen­ mente compensado por aumentos de receitas impostos por
tal, corrigido de variações cíclicas e líquido de medidas lei.
extraordinárias e temporárias, exigido para alcançar o seu
objectivo orçamental de médio prazo, tendo 0,5 % do PIB
como valor de referência. Quanto aos Estados-Membros A taxa de referência de médio prazo do crescimento do PIB
com um nível de endividamento superior a 60 % do PIB potencial deve ser determinada com base em projecções e
ou com riscos acentuados ao nível da sustentabilidade glo­ em estimativas retrospectivas. As projecções devem ser ob­
bal da dívida, o Conselho e a Comissão devem analisar se a jecto de actualização periódica. A Comissão deve tornar
melhoria anual do saldo orçamental corrigido das variações público o método de cálculo dessas projecções, bem
cíclicas, líquido das medidas extraordinárias ou temporárias, como a taxa de referência de médio prazo do crescimento
é superior a 0,5 % do PIB. O Conselho e a Comissão devem do PIB potencial que daí resulta.
tomar em consideração se os esforços de ajustamento são
maiores em períodos de conjuntura económica favorável,
podendo ser mais limitados em períodos de conjuntura
económica desfavorável. Devem ser tidas em conta, em Ao definir a trajectória de ajustamento ao objectivo orça­
particular, as receitas e perdas de receitas excepcionais. mental de médio prazo no que se refere aos Estados-Mem­
bros que ainda não alcançaram este objectivo e, no que se
refere aos países que já o alcançaram, ao autorizar um
A realização de progressos suficientes para atingir o objec­ desvio temporário em relação ao objectivo, na condição
tivo orçamental de médio prazo deve ser apreciada com de ser garantida uma margem de segurança suficiente
base numa avaliação global que tenha como referência o para assegurar a observância do valor de referência para
saldo estrutural, incluindo uma análise da despesa líquida o défice e de se esperar que a situação orçamental regresse
de medidas discricionárias em matéria de receitas. Para este ao objectivo de médio prazo dentro do período do pro­
efeito, o Conselho e a Comissão devem avaliar se a trajec­ grama, o Conselho e a Comissão devem ter em conta as
tória de crescimento da despesa pública, considerada em reformas estruturais importantes cuja aplicação tenha efei­
conjunto com o efeito das medidas adoptadas ou planeadas tos orçamentais positivos directos a longo prazo, inclusive
no lado da receita, respeita as seguintes condições: através do reforço do crescimento sustentável potencial, e
que, consequentemente, tenham um impacto verificável na
sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas.
a) No que respeita aos Estados-Membros que tiverem al­
cançado o seu objectivo orçamental de médio prazo, o
crescimento anual da despesa não exceder uma taxa de Deve ser dada especial atenção às reformas dos sistemas de
referência a médio prazo de crescimento do PIB poten­ pensões, com a introdução de um sistema em vários pilares
cial, a não ser que o excedente seja compensado por que inclua um pilar obrigatório de capitalização integral.
medidas discricionárias em matéria de receitas; Os Estados-Membros que apliquem tais reformas devem ser
autorizados a desviar-se da trajectória de ajustamento ao
objectivo orçamental de médio prazo, ou do próprio ob­
b) No que respeita aos Estados-Membros que ainda não jectivo, devendo o desvio reflectir o montante da incidência
tiverem alcançado o objectivo orçamental de médio adicional directa da reforma no saldo da administração
prazo, o crescimento anual da despesa não exceder pública, desde que seja preservada uma margem de segu­
uma taxa abaixo da taxa de referência a médio prazo rança adequada relativamente ao valor de referência do
de crescimento do PIB potencial, a não ser que o ex­ défice.
cedente seja compensado por medidas discricionárias
em matéria de receitas. A dimensão da diferença da
taxa de crescimento da despesa pública em relação à
O Conselho e a Comissão devem igualmente analisar se o
taxa de referência a médio prazo do crescimento do
programa de estabilidade facilita a consecução de uma con­
PIB potencial deve assegurar um ajustamento adequado
vergência sustentável e efectiva na área do euro e uma
e direccionado para a concretização do objectivo orça­
coordenação estreita das políticas económicas e se as polí­
mental de médio prazo;
ticas económicas dos Estados-Membros em causa são con­
sentâneas com as orientações gerais das políticas económi­
c) No que respeita aos Estados-Membros que ainda não cas e as orientações de emprego dos Estados-Membros e da
tiverem alcançado o objectivo orçamental de médio União.
prazo, as reduções discricionárias de elementos das re­
ceitas públicas serem compensadas por reduções da des­
pesa, por aumentos discricionários de outros elementos Em caso de ocorrência excepcional não controlável pelo
das receitas públicas ou por ambos. Estado-Membro em causa e que tenha um impacto signifi­
cativo na situação das finanças públicas, ou em períodos de
recessão económica grave que afecte a área do euro ou
O agregado da despesa deve excluir as despesas com juros, toda a União, os Estados-Membros podem ser autorizados
as despesas relativas a programas da União inteiramente a desviarem-se temporariamente da trajectória de ajusta­
cobertas por receitas provenientes de fundos da União e mento ao objectivo orçamental de médio prazo a que se
as alterações não discricionárias nas despesas com subsídios refere o terceiro parágrafo, desde que tal não ponha em
de desemprego. risco a sustentabilidade orçamental a médio prazo.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/19

2. O Conselho e a Comissão devem analisar o programa Caso o Conselho não adopte a decisão com base na reco­
de estabilidade no prazo máximo de três meses a contar da mendação da Comissão que tiver constatado que não foram
data da sua apresentação. O Conselho, deliberando sob tomadas medidas eficazes e o Estado-Membro em causa
recomendação da Comissão e após consulta do Comité persista em não adoptar as medidas apropriadas, a Comis­
Económico e Financeiro, aprova, se necessário, um parecer são, um mês após a sua recomendação anterior, recomenda
sobre o programa. Se, nos termos do artigo 121.o do TFUE, ao Conselho que adopte a decisão constatando que não
considerar que os objectivos e o conteúdo do programa foram tomadas medidas eficazes. Considera-se a decisão
devem ser reforçados, sobretudo em relação à trajectória como adoptada pelo Conselho salvo se, por maioria sim­
de ajustamento ao objectivo orçamental de médio prazo, ples, este decidir rejeitar a recomendação no prazo de dez
o Conselho deve, no seu parecer, convidar o Estado-Mem­ dias a contar da sua adopção pela Comissão. Simultanea­
bro em causa a ajustar o seu programa.». mente, a Comissão pode recomendar ao Conselho que
adopte uma recomendação revista, nos termos do
artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, indicando as medidas políticas
9) O artigo 6.o passa a ter a seguinte redacção: necessárias.

«Artigo 6.o
Na votação da decisão sobre incumprimento a que se re­
1. No âmbito da supervisão multilateral prevista no ferem os quarto e quinto parágrafos só podem votar os
artigo 121.o, n.o 3, do TFUE, o Conselho e a Comissão membros do Conselho representantes dos Estados-Mem­
devem acompanhar a aplicação dos programas de estabili­ bros participantes, devendo o Conselho deliberar sem ter
dade com base nas informações prestadas pelos Estados- em conta o voto do membro do Conselho que represente o
-Membros participantes e nas avaliações da Comissão e do Estado-Membro em causa.
Comité Económico e Financeiro, nomeadamente com o
objectivo de identificar qualquer desvio significativo, efec­
tivo ou previsível, da situação orçamental em relação ao
objectivo a médio prazo ou à trajectória de ajustamento a O Conselho deve apresentar ao Conselho Europeu um re­
esse objectivo. latório formal sobre as decisões tomadas.

2. Se identificar um desvio significativo em relação à


trajectória de ajustamento ao objectivo orçamental de mé­ 3. Os desvios em relação ao objectivo orçamental de
dio prazo a que se refere o artigo 5.o, n.o 1, terceiro pará­ médio prazo ou à trajectória de ajustamento a tal objectivo
grafo, do presente regulamento, e a fim de evitar a ocor­ deve ser apreciado com base numa avaliação global que
rência de um défice excessivo, a Comissão deve dirigir ao tenha como referência o saldo estrutural, incluindo uma
Estado-Membro em causa uma advertência nos termos do análise da despesa líquida de medidas discricionárias em
artigo 121.o, n.o 4, do TFUE. matéria de receitas, nos termos do artigo 5.o, n.o 1.

O Conselho, no prazo de um mês a contar da data de


adopção da advertência referida no primeiro parágrafo, ana­ A avaliação para determinar se um desvio é significativo
lisa a situação e adopta uma recomendação indicando as deve basear-se, nomeadamente, nos seguintes critérios:
medidas políticas necessárias, com base numa recomenda­
ção da Comissão, nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do
TFUE. A recomendação deve fixar um prazo não superior a a) Para Estados-Membros que não tenham atingido o ob­
cinco meses para a correcção do desvio. O prazo deve ser jectivo orçamental de médio prazo, ao avaliar a variação
reduzido para três meses se a Comissão, na sua advertência, do saldo estrutural, o desvio ser de pelo menos 0,5 %
considerar que a situação é particularmente grave e requer do PIB num só ano, ou de pelo menos 0,25 % do PIB
acção imediata. O Conselho, sob proposta da Comissão, em média anual em dois anos consecutivos;
torna pública a sua recomendação.

No prazo fixado pelo Conselho na recomendação feita ao b) Ao avaliar a evolução da despesa, líquida de medidas
abrigo do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, o Estado-Membro discricionárias em matéria de receitas, o desvio ter um
em causa deve comunicar ao Conselho as medidas tomadas impacto total sobre o saldo da administração pública de
em resposta à recomendação. pelo menos 0,5 % do PIB num único ano ou, cumula­
tivamente, em dois anos consecutivos.
Se o Estado-Membro em causa não tomar as medidas ade­
quadas dentro do prazo fixado na recomendação feita pelo
Conselho nos termos do segundo parágrafo, a Comissão O desvio da evolução da despesa não é considerado signi­
recomenda imediatamente ao Conselho que adopte, por ficativo se o Estado-Membro em causa tiver ultrapassado o
maioria qualificada, uma decisão constatando que não fo­ objectivo orçamental de médio prazo, tendo em conta a
ram tomadas medidas eficazes. Simultaneamente, a Comis­ possibilidade de receitas excepcionais significativas, e se os
são pode recomendar ao Conselho que adopte uma reco­ planos orçamentais estabelecidos no programa de estabili­
mendação revista, nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do dade não colocarem em risco aquele objectivo ao longo do
TFUE, indicando as medidas políticas necessárias. período de vigência do programa.
L 306/20 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

Do mesmo modo, o desvio pode não ser tido em consi­ adoptadas ou propostas para a realização dos ob­
deração caso resulte de ocorrência excepcional não contro­ jectivos do programa, incluindo uma análise dos
lável pelo Estado-Membro em causa e que tenha um im­ custos/benefícios das reformas estruturais impor­
pacto significativo na situação das finanças públicas, ou em tantes que tenham efeitos orçamentais positivos
caso de recessão económica grave que afecte a área do euro directos a longo prazo, inclusive através do reforço
ou toda a União, desde que tal não ponha em risco a do crescimento sustentável potencial;»;
sustentabilidade orçamental a médio prazo.».

10) O artigo 7.o é alterado do seguinte modo: c) É inserido o seguinte número:

a) O n.o 1 passa a ter a seguinte redacção: «2-A. O programa de convergência deve basear-se no
cenário macro-orçamental mais provável ou num cená­
«1. Cada um dos Estados-Membros não participantes rio mais prudente. As previsões macroeconómicas e
presta periodicamente ao Conselho e à Comissão as orçamentais serão comparadas com as previsões mais
informações necessárias ao exercício da supervisão mul­ actualizadas da Comissão e, se for caso disso, de outros
tilateral prevista no artigo 121.o do TFUE sob a forma órgãos independentes. Quaisquer divergências significa­
de um “programa de convergência” que proporcione tivas entre o cenário macroeconómico escolhido e as
uma base essencial para a sustentabilidade das finanças previsões da Comissão devem ser descritas e fundamen­
públicas que conduza à estabilidade dos preços, a um tadas, em particular, se o nível ou o crescimento das
crescimento sustentável forte e à criação de emprego.»; hipóteses externas divergir significativamente dos valo­
res constantes das previsões da Comissão.
b) No n.o 2, as alíneas a), b) e c) passam a ter a seguinte
redacção:
A natureza exacta das informações incluídas no n.o 2,
alíneas a), a-A), b), c) e d), deve ser apresentada num
«a) O objectivo orçamental de médio prazo e a trajec­ quadro harmonizado, a estabelecer pela Comissão em
tória de ajustamento a tal objectivo fixados para o cooperação com os Estados-Membros.»;
saldo das administrações públicas expresso em per­
centagem do PIB, a trajectória prevista do rácio da
dívida pública, a trajectória planeada de cresci­
d) O n.o 3 passa a ter a seguinte redacção:
mento da despesa pública, incluindo a dotação
correspondente para a formação bruta de capital
fixo, em particular tendo presentes as condições e
os critérios para calcular o crescimento da despesa «3. As informações relativas à trajectória do saldo da
nos termos do artigo 9.o, n.o 1, a trajectória pla­ administração pública e do rácio da dívida pública, o
neada de crescimento da receita pública numa po­ crescimento da despesa pública, a trajectória planeada de
lítica inalterada e a quantificação das medidas dis­ crescimento das receitas públicas numa política inalte­
rada, as medidas de planeamento das receitas discricio­
cricionárias planeadas em matéria de receitas, os
nárias, adequadamente quantificadas, e as principais hi­
objectivos da política monetária a médio prazo, a
póteses de natureza económica a que se refere o n.o 2,
relação entre estes objectivos e a estabilidade dos
alíneas a) e b), devem ser estabelecidas numa base anual
preços e da taxa de câmbio e a concretização de
e abranger, para além do ano em curso e do ano pre­
uma convergência sustentada;
cedente, pelo menos os três anos seguintes.

a-A) Informações sobre os passivos implícitos, ligados


ao envelhecimento demográfico, e contingentes, 4. Cada programa incluirá informações sobre o seu
como as garantias públicas, com impacto poten­ estatuto no contexto dos procedimentos nacionais, no­
cialmente forte nas contas gerais da administração meadamente se o programa foi apresentado ao parla­
pública; mento nacional e se este último teve oportunidade de
debater o parecer do Conselho sobre o programa ante­
a-B) Informações sobre a coerência do programa de rior ou, se for o caso, qualquer recomendação ou ad­
convergência com as orientações gerais para as vertência, e se o parlamento aprovou o programa.».
políticas económicas e os programas nacionais de
reformas;
11) O artigo 8.o passa a ter a seguinte redacção:
b) As principais hipóteses relativas à evolução espe­
rada da economia e a outras importantes variáveis
económicas susceptíveis de influenciar a realização «Artigo 8.o
do programa de convergência, nomeadamente a 1. Os programas de convergência devem ser apresenta­
despesa com o investimento público, o cresci­ dos anualmente em Abril, de preferência até meados e no
mento do PIB em termos reais, o emprego e a máximo até 30 de Abril.
inflação;

c) Uma avaliação quantitativa das medidas orçamen­ 2. Os Estados-Membros tornarão públicos os seus pro­
tais e de outras medidas de política económica gramas de convergência.».
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/21

12) O artigo 9.o passa a ter a seguinte redacção: de crescimento do PIB potencial, a não ser que o ex­
cedente seja compensado por medidas discricionárias
em matéria de receitas. A dimensão da diferença da
«Artigo 9.o taxa de crescimento da despesa pública em relação à
taxa de referência a médio prazo do crescimento do
1. Com base em avaliações efectuadas pela Comissão e PIB potencial deve assegurar um ajustamento adequado
pelo Comité Económico e Financeiro, o Conselho deve e direccionado para a concretização do objectivo orça­
examinar, no quadro da supervisão multilateral prevista mental de médio prazo;
no artigo 121.o do TFUE, os objectivos orçamentais de
médio prazo apresentados pelos Estados-Membros em
causa nos respectivos programas de convergência, e apre­ c) No que respeita aos Estados-Membros que ainda não
ciar se as hipóteses de natureza económica em que o pro­ tiverem alcançado o objectivo orçamental de médio
grama se baseia são realistas, se a trajectória de ajustamento prazo, as reduções discricionárias de elementos das re­
ao objectivo orçamental de médio prazo é adequada, in­ ceitas públicas serem compensadas por reduções da des­
cluindo a apreciação da trajectória acompanhante do rácio pesa, por aumentos discricionários de outros elementos
da dívida, e se as medidas adoptadas ou propostas para das receitas públicas ou por ambos.
respeitar essa trajectória de ajustamento são suficientes
para alcançar o objectivo orçamental de médio prazo du­
rante o ciclo e concretizar o processo de convergência O agregado da despesa deve excluir as despesas com juros,
sustentada. as despesas relativas a programas da União inteiramente
cobertas por receitas de fundos da União e as alterações
não discricionárias das despesas com subsídios de desem­
Ao apreciarem a trajectória de ajustamento para alcançar o prego.
objectivo orçamental de médio prazo, o Conselho e a Co­
missão devem tomar em consideração se os esforços são O excedente de crescimento da despesa em relação à refe­
maiores em períodos de conjuntura económica favorável, rência de médio prazo não deve ser considerado um in­
podendo ser mais limitados em períodos de conjuntura cumprimento do valor de referência, na medida em que
económica desfavorável. Devem ser tidas em conta, em seja totalmente compensado por aumentos de receitas im­
particular, as receitas e perdas de receitas excepcionais. postos por lei.
No que respeita aos Estados-Membros que apresentam
um nível de endividamento superior a 60 % do PIB ou
com riscos acentuados ao nível da sustentabilidade global A taxa de referência de médio prazo do crescimento do PIB
da dívida, o Conselho e a Comissão devem analisar se a potencial deve ser determinada com base em projecções e
melhoria anual do saldo orçamental corrigido das variações em estimativas retrospectivas. As projecções devem ser ob­
cíclicas, líquido de medidas extraordinárias ou temporárias, jecto de actualização periódica. A Comissão deve tornar
é superior a 0,5 % do PIB. No que respeita aos Estados- público o método de cálculo dessas projecções, bem
-Membros do MTC2, o Conselho e a Comissão devem ana­ como a taxa de referência de médio prazo do crescimento
lisar se o Estado-Membro em causa prossegue uma melho­ do PIB potencial que daí resulta.
ria anual adequada do seu saldo, corrigido de variações
cíclicas e líquido de medidas extraordinárias ou temporá­ Ao definir a trajectória de ajustamento ao objectivo orça­
rias, necessária para atingir o seu objectivo orçamental de mental de médio prazo no que se refere aos Estados-Mem­
médio prazo, tendo 0,5 % do PIB como valor de referência. bros que ainda não alcançaram este objectivo e, no que se
refere aos países que já o alcançaram, ao autorizar um
desvio temporário em relação ao objectivo, na condição
A realização de progressos suficientes para atingir o objec­ de ser garantida uma margem de segurança suficiente
tivo orçamental de médio prazo deve ser apreciada com para assegurar a observância do valor de referência para
base numa avaliação global que tenha como referência o o défice e de se esperar que a situação orçamental regresse
saldo estrutural, incluindo uma análise da despesa líquida ao objectivo de médio prazo dentro do período do pro­
de medidas discricionárias em matéria de receitas. Para este grama, o Conselho e a Comissão devem ter em conta as
efeito, o Conselho e a Comissão devem avaliar se a trajec­ reformas estruturais importantes cuja aplicação tenha efei­
tória de crescimento da despesa pública, considerada em tos orçamentais positivos directos a longo prazo, inclusive
conjunto com o efeito das medidas adoptadas ou planeadas através do reforço do crescimento sustentável potencial, e
no lado da receita, respeita as seguintes condições: que, consequentemente, tenham um impacto verificável na
sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas.
a) No que respeita aos Estados-Membros que tiverem al­
cançado o objectivo orçamental de médio prazo, o cres­ Deve ser dada especial atenção às reformas dos sistemas de
cimento anual da despesa não exceder uma taxa de pensões, com a introdução de um sistema em vários pilares
referência a médio prazo de crescimento do PIB poten­ que inclua um pilar obrigatório de capitalização integral.
cial, a não ser que o excedente seja compensado por Os Estados-Membros que apliquem tais reformas devem ser
medidas discricionárias em matéria de receitas; autorizados a desviar-se da trajectória de ajustamento ao
objectivo orçamental de médio prazo, ou do próprio ob­
jectivo, devendo o desvio reflectir o montante da incidência
b) No que respeita aos Estados-Membros que ainda não adicional directa da reforma no saldo da administração
tiverem alcançado o objectivo orçamental de médio pública, desde que seja preservada uma margem de segu­
prazo, o crescimento anual da despesa não exceder rança adequada relativamente ao valor de referência do
uma taxa abaixo da taxa de referência a médio prazo défice.
L 306/22 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

O Conselho e a Comissão devem igualmente analisar se o ocorrência de um défice excessivo, a Comissão deve dirigir
programa de convergência facilita a consecução de uma ao Estado-Membro em causa uma advertência nos termos
convergência sustentável e efectiva e uma coordenação es­ do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE.
treita das políticas económicas, e se as políticas económicas
dos Estados-Membros em causa são consentâneas com as
orientações gerais das políticas económicas e as orientações O Conselho, no prazo de um mês a contar da data de
para o emprego dos Estados-Membros e da União. Além adopção da advertência referida no primeiro parágrafo, ana­
disso, no que diz respeito aos Estados-Membros do MTC2, lisa a situação e adopta uma recomendação indicando as
o Conselho deve analisar se o programa de convergência medidas políticas necessárias, com base numa recomenda­
assegura uma participação normal no mecanismo de taxas ção da Comissão, nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do
de câmbio. TFUE. A recomendação deve fixar um prazo não superior a
cinco meses para a correcção do desvio. O prazo deve ser
reduzido para três meses se a Comissão, na sua advertência,
Em caso de ocorrência excepcional não controlável pelo considerar que a situação é particularmente grave e requer
Estado-Membro em causa e que tenha um impacto signifi­ acção imediata. O Conselho, sob proposta da Comissão,
cativo na situação das finanças públicas, ou em períodos de torna pública a sua recomendação.
recessão económica grave que afecte a área do euro ou
toda a União, os Estados-Membros podem ser autorizados
a desviarem-se temporariamente da trajectória de ajusta­ No prazo fixado pelo Conselho na recomendação feita ao
mento ao objectivo orçamental de médio prazo a que se abrigo do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, o Estado-Membro
refere o terceiro parágrafo, desde que tal não ponha em em causa deve comunicar ao Conselho as medidas tomadas
risco a sustentabilidade orçamental a médio prazo. em resposta à recomendação.

2. O Conselho e a Comissão devem analisar o programa Se o Estado-Membro em causa não tomar as medidas ade­
de convergência no prazo máximo de três meses a contar quadas dentro do prazo fixado na recomendação feita pelo
da data da sua apresentação. O Conselho, deliberando sob Conselho nos termos do segundo parágrafo, a Comissão
recomendação da Comissão e após consulta do Comité recomenda imediatamente ao Conselho que adopte, por
Económico e Financeiro, aprova, se necessário, um parecer maioria qualificada, uma decisão constatando que não fo­
sobre o programa. Se, nos termos do artigo 121.o do TFUE, ram tomadas medidas eficazes. Simultaneamente, a Comis­
considerar que os objectivos e o conteúdo do programa são pode recomendar ao Conselho que adopte uma reco­
devem ser reforçados, sobretudo em relação à trajectória mendação revista, nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do
de ajustamento ao objectivo orçamental de médio prazo, TFUE indicando as medidas políticas necessárias.
o Conselho deve, no seu parecer, convidar o Estado-Mem­
bro em causa a ajustar o seu programa.».
Caso o Conselho não adopte a decisão com base na reco­
mendação da Comissão que tiver constatado que não foram
13) O artigo 10.o passa a ter a seguinte redacção: tomadas medidas eficazes e o Estado-Membro em causa
persista em não adoptar as medidas apropriadas, a Comis­
são, um mês após a sua recomendação anterior, recomenda
«Artigo 10.o ao Conselho que adopte a decisão constatando que não
foram tomadas medidas eficazes. Considera-se a decisão
1. No âmbito da supervisão multilateral prevista no como adoptada pelo Conselho salvo se, por maioria sim­
artigo 121.o, n.o 3, do TFUE, o Conselho e a Comissão ples, este decidir rejeitar a recomendação no prazo de dez
devem acompanhar a aplicação dos programas de conver­ dias a contar da sua adopção pela Comissão. Simultanea­
gência com base nas informações prestadas pelos Estados- mente, a Comissão pode recomendar ao Conselho que
-Membros isentos e nas avaliações da Comissão e do Comité adopte uma recomendação revista, nos termos do
Económico e Financeiro, nomeadamente com o objectivo artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, indicando as medidas políticas
de identificar qualquer desvio significativo, efectivo ou pre­ necessárias.
visível, da situação orçamental em relação ao objectivo de
médio prazo ou à respectiva trajectória de ajustamento a
esse objectivo. Na votação da decisão sobre incumprimento a que se re­
ferem os quarto e quinto parágrafos, o Conselho delibera
sem ter em conta o voto do membro do Conselho que
Além disso, o Conselho e a Comissão devem acompanhar represente o Estado-Membro em causa.
as políticas económicas dos Estados-Membros não partici­
pantes em função dos objectivos dos programas de con­
vergência, a fim de garantir que as suas políticas sejam O Conselho deve apresentar ao Conselho Europeu um re­
orientadas para a estabilidade e desse modo evitar distor­ latório formal sobre as decisões tomadas.
ções das taxas de câmbio reais e flutuações excessivas das
taxas de câmbio nominais.
3. O desvio em relação ao objectivo orçamental de mé­
dio prazo ou à respectiva trajectória de ajustamento será
2. Se identificar um desvio significativo em relação à apreciado com base numa avaliação global que tenha como
trajectória de ajustamento ao objectivo orçamental de mé­ referência o saldo estrutural, incluindo uma análise da des­
dio prazo a que se refere o artigo 9.o, n.o 1, terceiro pará­ pesa líquida de medidas discricionárias em matéria de re­
grafo, do presente regulamento, e a fim de evitar a ceitas, tal como definido no artigo 9.o, n.o 1.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/23

A avaliação para determinar se um desvio é significativo c) A data da publicação das informações estatísticas essen­
deve basear-se, nomeadamente, nos seguintes critérios: ciais, a qual deve ser indicada com antecedência signifi­
cativa.

___________
a) Para Estados-Membros que não tenham atingido o ob­
(*) JO L 87 de 31.3.2009, p. 164.».
jectivo orçamental de médio prazo, ao avaliar a variação
do saldo estrutural, o desvio ser de pelo menos 0,5 %
do PIB num só ano, ou de pelo menos 0,25 % do PIB
em média anual em dois anos consecutivos; 15) É inserido o seguinte artigo:

«Artigo –11.o
b) Ao avaliar a evolução da despesa, líquida de medidas
discricionárias em matéria de receitas, o desvio ter um 1. A Comissão garante um diálogo permanente com as
impacto total sobre o saldo da administração pública de autoridades competentes dos Estados-Membros de acordo
pelo menos 0,5 % do PIB num único ano ou, cumula­ com os objectivos do presente regulamento. Para este
tivamente, em dois anos consecutivos. efeito, a Comissão deve, em particular, realizar missões
para avaliar a situação económica dos Estados-Membros e
identificar eventuais riscos ou dificuldades no cumprimento
dos objectivos do presente regulamento.
O desvio da evolução da despesa não é considerado signi­
ficativo se o Estado-Membro em causa tiver ultrapassado o
objectivo orçamental de médio prazo, tendo em conta a 2. A Comissão pode realizar missões de supervisão re­
possibilidade de receitas excepcionais significativas, e se os forçada a Estados-Membros objecto de recomendações fei­
planos orçamentais estabelecidos no programa de conver­ tas nos termos dos artigos 6.o, n.o 2 ou 10.o, n.o 2 para fins
gência não colocarem em risco aquele objectivo ao longo de acompanhamento “in loco”. Os Estados-Membros em
do período de vigência do programa. causa devem prestar todas as informações necessárias à
preparação e realização de tais missões.

Do mesmo modo, o desvio pode não ser tido em consi­ 3. Se o Estado-Membro em causa for um Estado-Mem­
deração caso resulte de ocorrência excepcional não contro­ bro participante ou um Estado-Membro do MTC2, a Co­
lável pelo Estado-Membro em causa e que tenha um im­ missão pode convidar representantes do Banco Central Eu­
pacto significativo na situação das finanças públicas, ou em ropeu, se o considerar adequado, para participarem nas
caso de recessão económica grave que afecte a área do euro missões de supervisão.
ou toda a União, desde que tal não ponha em risco a
sustentabilidade orçamental a médio prazo.». 4. A Comissão apresenta ao Conselho um relatório so­
bre o resultado das missões referidas no n.o 2 e, se for caso
disso, pode tornar públicas as suas conclusões.
14) É inserida a seguinte secção:
5. Ao organizar as missões referidas no n.o 2, a Comis­
são deve transmitir os respectivos resultados provisórios
aos Estados-Membros em causa, para que estes apresentem
«SECÇÃO 3-A
as suas observações.».
PRINCÍPIO DA INDEPENDÊNCIA ESTATÍSTICA

Artigo 10.o-A 16) É inserido o seguinte artigo:


A fim de assegurar que a supervisão multilateral se baseie
em estatísticas sólidas e independentes, os Estados-Mem­ «Artigo 12.o-A
bros devem assegurar a independência das autoridades es­
1. Até 14 de Novembro de 2014 e, posteriormente, de
tatísticas nacionais, que deve ser coerente com o Código de
cinco em cinco anos, a Comissão publica um relatório
Prática das Estatísticas Europeias, estabelecido no Regula­
sobre a aplicação do presente regulamento.
mento (CE) n.o 223/2009 do Parlamento Europeu e do
Conselho, de 11 de Março de 2009, relativo às Estatísticas
Europeias (*). Isto exige, no mínimo: Esse relatório deve avaliar, nomeadamente:

a) A eficácia do presente regulamento, em particular se as


a) Procedimentos de contratação e despedimento trans­ disposições que regem o processo de tomada de deci­
parentes e baseados exclusivamente em critérios profis­ sões demonstraram ser suficientemente sólidas;
sionais;
b) Os progressos verificados no sentido de uma coordena­
ção mais estreita das políticas económicas e uma con­
b) Dotações orçamentais que devem ser feitas numa base vergência sustentada dos comportamentos das econo­
anual ou plurianual; mias dos Estados-Membros nos termos do TFUE.
L 306/24 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

2. O relatório em causa deve ser acompanhado, se for 17) Todas as referências ao «artigo 99.o do Tratado» são subs­
caso disso, de uma proposta de alteração do presente re­ tituídas em todo o regulamento por referências ao
gulamento, nomeadamente quanto aos procedimentos de «artigo 121.o do TFUE».
tomada de decisões.
Artigo 2.o
3. O relatório é transmitido ao Parlamento Europeu e ao O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia se­
Conselho.». guinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.

O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável em


todos os Estados-Membros.

Feito em Estrasburgo, 16 de Novembro de 2011.

Pelo Parlamento Europeu, Pelo Conselho


O Presidente O Presidente
J. BUZEK W. SZCZUKA
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/25

REGULAMENTO (UE) N.o 1176/2011 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO


de 16 de Novembro de 2011
sobre prevenção e correcção dos desequilíbrios macroeconómicos

O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, do mercado interno e no fomento das ligações comer­
ciais internacionais e da competitividade, um Semestre
Europeu para o reforço da coordenação das políticas
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União económicas e orçamentais (Semestre Europeu), um en­
Europeia, nomeadamente o seu artigo 121.o, n.o 6, quadramento eficaz de prevenção e correcção de défices
orçamentais excessivos - o Pacto de Estabilidade e Cres­
cimento (PEC) -, um quadro robusto de prevenção e
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, correcção dos desequilíbrios macroeconómicos, requisitos
mínimos para os quadros orçamentais nacionais e uma
regulação e supervisão reforçadas do mercado financeiro,
Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen­ incluindo a supervisão macroprudencial pelo Comité
tos nacionais, Europeu do Risco Sistémico (ESRB).

Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (1), (5) O reforço da governação económica deverá incluir uma
participação mais activa e tempestiva do Parlamento Eu­
ropeu e dos parlamentos nacionais. Embora reconhe­
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social cendo que os interlocutores do Parlamento Europeu no
Europeu (2), âmbito do diálogo são as outras instituições competentes
da União e os seus representantes, a comissão compe­
tente do Parlamento Europeu poderá proporcionar aos
Deliberando de acordo com o processo legislativo ordinário (3), Estados-Membros destinatários de recomendações ou de
decisões do Conselho adoptadas nos termos dos artigos
7.o, n.o 2, 8.o, n.o 2 ou 10.o, n.o 4, do presente regula­
mento a oportunidade de participar numa troca de pon­
Considerando o seguinte:
tos de vista. A participação dos Estados-Membros nessa
troca de pontos de vista é facultativa.
(1) A coordenação das políticas económicas dos Estados-
-Membros no âmbito da União deverá ser desenvolvida
(6) A Comissão deverá ter um papel mais activo no processo
no contexto das orientações gerais das políticas econó­
de supervisão reforçada das avaliações específicas a cada
micas e das orientações para o emprego, nos termos do
Estado-Membro, no seu acompanhamento, nas missões
Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia
in loco, nas recomendações e nas advertências.
(TFUE), e implicar a observância dos princípios orienta­
dores em matéria de estabilidade dos preços, solidez e
sustentabilidade das finanças públicas e das condições
monetárias, e sustentabilidade da balança de pagamentos. (7) Em especial, importa alargar a supervisão das políticas
económicas dos Estados-Membros para além da supervi­
são orçamental, com base num quadro mais formal e
(2) É necessário extrair as lições da primeira década de fun­ pormenorizado, a fim de evitar desequilíbrios macroeco­
cionamento da União Económica e Monetária e, em par­ nómicos excessivos e auxiliar os Estados-Membros afec­
tados a estabelecerem medidas correctivas antes de as
ticular, melhorar a governação económica na União, com
divergências se enraizarem e de a evolução económica
base numa maior apropriação nacional.
e financeira seguir de forma continuada uma direcção
excessivamente desfavorável. Este alargamento da super­
visão das políticas económicas deverá ser acompanhado
(3) A realização e manutenção de um mercado interno di­
do reforço da supervisão orçamental.
nâmico deverão ser consideradas condição do bom fun­
cionamento da União Económica e Monetária.
(8) A fim de facilitar a correcção destes desequilíbrios ma­
croeconómicos excessivos, é necessário adoptar legislação
(4) O quadro de governação económica reforçada deverá
prevendo procedimentos detalhados para o efeito
assentar em várias políticas interligadas e coerentes de
crescimento sustentável e emprego, em particular uma
estratégia da União para o crescimento e o emprego,
com especial incidência no desenvolvimento e reforço (9) É conveniente completar o procedimento de supervisão
multilateral a que se refere o artigo 121.o, [Link] 3 e 4 do
TFUE com regras específicas para a detecção de desequi­
(1) JO C 150 de 20.5.2011, p. 1.
líbrios macroeconómicos, bem como para a prevenção e
(2) JO C 218 de 23.7.2011, p. 53.
(3) Posição do Parlamento Europeu de 28 de Setembro de 2011 (ainda correcção de desequilíbrios macroeconómicos excessivos
não publicada no Jornal Oficial) e decisão do Conselho de 8 de na União. É essencial que esse procedimento seja com­
Novembro de 2011. patível com o ciclo anual de supervisão multilateral.
L 306/26 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

(10) Esse procedimento deverá prever um mecanismo de (15) Com base no procedimento de supervisão multilateral e
alerta para a detecção precoce de desequilíbrios macroe­ no mecanismo de alerta, ou caso haja uma importante
conómicos emergentes. Deverá basear-se na utilização de evolução económica inesperada que requeira uma análise
um painel de avaliação indicativo e transparente que urgente para efeitos do presente regulamento, a Comis­
inclua limiares indicativos, conjugado com uma aprecia­ são deverá identificar os Estados-Membros que serão su­
ção económica. Esta apreciação deverá ter em conta, jeitos a uma apreciação aprofundada. Esta apreciação
nomeadamente, a convergência nominal e real dentro e aprofundada deverá ser realizada sem pressupor a exis­
fora da área do euro. tência de um desequilíbrio e incluir uma análise exaustiva
das causas dos desequilíbrios no Estado-Membro em
causa, tendo na devida conta as condições e circunstân­
cias económicas e um conjunto alargado de instrumentos
analíticos, indicadores e informações qualitativas próprias
do Estado-Membro em causa. Quando a Comissão estiver
(11) Para funcionar eficientemente como elemento do meca­ a proceder à referida apreciação aprofundada, o Estado-
nismo de alerta, o painel de avaliação deverá ser com­ -Membro deverá colaborar para assegurar que as informa­
posto por um conjunto limitado de indicadores econó­ ções de que a Comissão dispõe sejam tão completas e
micos, financeiros e estruturais relevantes para a detecção correctas quanto possível. Além disso, a Comissão deverá
de desequilíbrios macroeconómicos, com os correspon­ tomar devidamente em consideração quaisquer outras
dentes limiares indicativos. Os indicadores e os limiares informações que, na opinião do Estado-Membro em
deverão ser ajustados, se necessário, de forma a adapta­ causa, sejam relevantes e que este tenha comunicado ao
rem-se ao carácter evolutivo dos desequilíbrios macroe­ Conselho e à Comissão.
conómicos, devido, entre outras razões, à evolução dos
riscos que pesam sobre a estabilidade macroeconómica, e
a terem em conta a melhoria da disponibilidade de esta­
tísticas relevantes. Os indicadores não deverão ser consi­
derados como objectivos de política económica, mas sim
como instrumentos para ter em conta o carácter evolu­
tivo dos desequilíbrios macroeconómicos na União. (16) A apreciação aprofundada deverá ser discutida no âmbito
do Conselho e do Eurogrupo no que respeita aos Esta­
dos-Membros cuja moeda seja o euro. Deverá ter em
conta, se for o caso, as recomendações ou os convites
dirigidos pelo Conselho aos Estados-Membros sob apre­
ciação nos termos dos artigos 121.o, 126.o e 148.o do
(12) A Comissão deverá cooperar estreitamente com o Parla­ TFUE e dos artigos 6.o, 7.o, 8.o e 10.o, do presente re­
mento Europeu e o Conselho na elaboração do painel de gulamento, bem como as políticas previstas pelo Estado-
avaliação e do conjunto de indicadores macroeconómicos -Membro em causa no seu programa nacional de reformas
e macrofinanceiros relativos aos Estados-Membros. A Co­ e as melhores práticas internacionais no que respeita a
missão deverá apresentar, para apreciação pelas comis­ indicadores e metodologias. Se decidir proceder a uma
sões competentes do Parlamento Europeu e do Conselho, apreciação aprofundada em caso de importante evolução
sugestões sobre planos para estabelecer e adaptar os in­ económica inesperada que requeira uma análise urgente,
dicadores e os limiares. A Comissão deverá informar o a Comissão deverá informar o Estado-Membro em causa.
Parlamento Europeu e o Conselho de quaisquer altera­
ções dos indicadores e limiares e explicar os motivos que
a levam a sugerir tais alterações.

(17) Na avaliação dos desequilíbrios macroeconómicos deverá


ser tida em conta a sua gravidade e as potenciais reper­
(13) Ao elaborar o painel de avaliação, deverá ser prestada a cussões económicas e financeiras negativas que agravem
devida atenção a situações económicas heterogéneas, no­ a vulnerabilidade da economia da União e ameacem o
meadamente os efeitos de recuperação. bom funcionamento da União Económica e Monetária.
São necessárias medidas para corrigir os desequilíbrios
macroeconómicos e as divergências de competitividade
em todos os Estados-Membros, especialmente na área
do euro. No entanto, a natureza, importância e urgência
dos desafios que se colocam em termos de políticas po­
(14) A superação de um ou mais limiares indicativos não dem ser bastante diferentes em função dos Estados-Mem­
implica necessariamente que estejam a aparecer desequi­ bros em causa. Atendendo às vulnerabilidades e à dimen­
líbrios macroeconómicos, dado que o processo de elabo­ são do ajustamento exigido, a necessidade de agir é par­
ração das políticas económicas deverá ter em conta as ticularmente premente nos Estados-Membros que persis­
interligações entre as diversas variáveis macroeconómicas. tentemente apresentam grandes défices da balança de
Não deverão retirar-se conclusões de uma leitura auto­ transacções correntes e perdas de competitividade. Além
mática do painel de avaliação: a apreciação económica disso, nos Estados-Membros com grandes excedentes de
deverá garantir que todos os elementos informativos, balança de transacções correntes as políticas deverão ter
quer integrem o painel de avaliação, quer não, são devi­ por objectivo definir e executar medidas que contribuam
damente contextualizados e considerados numa análise para reforçar a procura interna e o potencial de cresci­
exaustiva. mento.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/27

(18) Deverão também ser considerados a capacidade de ajus­ (22) Se forem identificados desequilíbrios macroeconómicos
tamento económico e o historial do Estado-Membro em graves, entre os quais se incluem desequilíbrios que pos­
causa no que respeita ao cumprimento de recomendações sam colocar em risco o bom funcionamento da União
adoptadas nos termos do presente regulamento e de ou­ Económica e Monetária, deverá ser iniciado um procedi­
tras recomendações adoptadas nos termos do mento por desequilíbrio excessivo, o qual pode passar
artigo 121.o do TFUE no âmbito da supervisão multila­ por recomendações ao Estado-Membro, pelo reforço da
teral, nomeadamente as grandes orientações sobre as po­ supervisão e dos requisitos de fiscalização e, no que se
líticas económicas dos Estados-Membros e da União. refere aos Estados-Membros cuja moeda é o euro, pela
possibilidade de aplicação de medidas de execução nos
termos do Regulamento (UE) n.o 1174/2011 do Parla­
mento Europeu e do Conselho, de 16 de Novembro de
(19) Um procedimento de supervisão e correcção de desequi­ 2011, relativo às medidas de execução destinadas a cor­
líbrios macroeconómicos adversos com elementos pre­ rigir os desequilíbrios macroeconómicos excessivos na
ventivos e correctivos requer instrumentos de supervisão área do euro (2), em caso de persistência em não adoptar
reforçados, baseados nos instrumentos usados no proce­ medidas correctivas.
dimento de supervisão multilateral. Este procedimento
poderá incluir missões reforçadas de supervisão a efectuar
pela Comissão nos Estados-Membros, em cooperação
com o Banco Central Europeu (BCE), para os Estados- (23) Qualquer Estado-Membro objecto de um procedimento
-Membros da área do euro e das partes no Acordo de por desequilíbrio excessivo deverá elaborar um plano de
16 de Março de 2006 entre o Banco Central Europeu e medidas correctivas definindo pormenorizadamente as
os bancos centrais nacionais dos Estados-Membros não políticas que concebeu para dar cumprimento às reco­
participantes na área do euro que estabelece os procedi­ mendações do Conselho. O plano deve incluir um calen­
mentos operacionais relativos ao mecanismo de taxas de dário de aplicação das medidas previstas e ser aprovado
câmbio na terceira fase da União Económica e Monetá­ por uma recomendação do Conselho. A recomendação
ria (1) (MTC2), e a apresentação adicional de relatórios deve ser transmitida ao Parlamento Europeu.
por parte dos Estados-Membros em caso de graves dese­
quilíbrios, incluindo desequilíbrios que comprometam o
bom funcionamento da União Económica e Monetária.
(24) Deverá ser conferida ao Conselho competência para
Os parceiros sociais e outras partes interessadas a nível
adoptar decisões individuais que constatem o incumpri­
nacional deverão, se for caso disso, participar no diálogo.
mento das recomendações por ele aprovadas no âmbito
do plano de medidas correctivas. Fazendo parte da coor­
denação das políticas económicas dos Estados-Membros
efectuada no Conselho nos termos do artigo 121.o, n.o 1,
(20) Se forem identificados desequilíbrios macroeconómicos,
do TFUE, tais decisões individuais inscrevem-se plena­
deverão ser dirigidas recomendações ao Estado-Membro
mente no seguimento das recomendações adoptadas
em causa com orientações para a definição de políticas
pelo Conselho ao abrigo do artigo 121.o, n.o 4, do
adequadas com a participação, se for caso disso, das
TFUE no contexto do plano de medidas de correcção.
comissões competentes A resposta política do Estado-
-Membro em causa deverá ser atempada e utilizar todos
os instrumentos políticos disponíveis sob controlo das
autoridades públicas. Se for caso disso, as partes interes­ (25) Na aplicação do presente regulamento, o Conselho e a
sadas a nível nacional, incluindo os parceiros sociais, Comissão deverão respeitar inteiramente o papel dos par­
deverão ser igualmente associadas a este processo, nos lamentos nacionais e dos parceiros sociais, bem como as
termos do TFUE, da legislação nacional e das disposições diferenças entre sistemas nacionais, como os sistemas de
políticas acordadas. A resposta política deverá ser adap­ formação dos salários.
tada ao contexto e às circunstâncias específicas do refe­
rido Estado-Membro e abranger as principais áreas de
política económica, incluindo potencialmente as políticas
orçamental e salarial, os mercados de trabalho, os mer­ (26) Se o Conselho considerar que um Estado-Membro já não
cados de produtos e serviços e a regulamentação do está a ser afectado por um desequilíbrio macroeconómico
sector financeiro. Deverão ser tidos em conta os com­ excessivo, o procedimento por desequilíbrio excessivo
promissos assumidos no âmbito do MTC2. deverá ser encerrado após o Conselho, sob recomendação
da Comissão, revogar as recomendações correspondentes.
A revogação deverá basear-se numa análise global da
Comissão que demonstre que as medidas tomadas pelo
(21) Os alertas e as recomendações do ESRB aos Estados- Estado-Membro estão em consonância com as recomen­
-Membros ou à União contemplam riscos de natureza dações aplicáveis do Conselho e que deixaram de existir
macrofinanceira, os quais deverão também justificar as causas subjacentes e os riscos associados identificados
uma acção de seguimento apropriada por parte Comissão na recomendação de abertura do procedimento por de­
no contexto da supervisão de desequilíbrios macroeconó­ sequilíbrio excessivo, nomeadamente tendo em conta a
micos, se necessário. A independência e o regime de evolução macroeconómica, as perspectivas e os efeitos
confidencialidade do ESRB deverão ser estritamente res­ induzidos. O encerramento do procedimento por dese­
peitados. quilíbrio excessivo deverá ser tornado público.

(1) JO C 73 de 25.3.2006, p.21. (2) Ver p. 8 do presente Jornal Oficial.


L 306/28 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

(27) Atendendo a que o objectivo do presente regulamento, a 2) «Desequilíbrios excessivos»: desequilíbrios graves, entre os
saber, o estabelecimento de um enquadramento eficaz de quais se incluem desequilíbrios que coloquem ou possam
detecção de desequilíbrios macroeconómicos e de preven­ colocar em risco o bom funcionamento da União Econó­
ção e correcção de desequilíbrios macroeconómicos ex­ mica e Monetária.
cessivos, não pode ser suficientemente alcançado pelos
Estados-Membros, devido às profundas interligações co­
merciais e financeiras entre os Estados-Membros e às
repercussões das políticas económicas nacionais na União CAPÍTULO II
e na área do euro como um todo, e pode, pois, ser
DETECÇÃO DE DESEQUILÍBRIOS
melhor concretizado a nível da União, a União pode
adoptar medidas em conformidade com o princípio da Artigo 3.o
subsidiariedade, consagrado no artigo 5.o do Tratado da
União Europeia. De acordo com o princípio da propor­ Mecanismo de alerta
cionalidade, consagrado no mesmo artigo, o presente 1. É estabelecido um mecanismo de alerta para facilitar a
regulamento não excede o necessário para alcançar identificação precoce e a vigilância de desequilíbrios. A Comis­
aquele objectivo, são redige um relatório anual que contém uma avaliação eco­
nómica e financeira qualitativa baseada num painel de avaliação
com um conjunto de indicadores cujos valores são comparados
ADOPTARAM O PRESENTE REGULAMENTO: com os limiares indicativos com eles relacionados, nos termos
do artigo 4.o. O relatório anual, incluindo os valores dos indi­
cadores do painel de avaliação, é tornado público.
CAPÍTULO I

OBJECTO E DEFINIÇÕES

Artigo 1.o 2. O relatório anual da Comissão deve conter uma avaliação


económica e financeira que contextualize as variações dos in­
Objecto dicadores, baseando-se, se necessário, em outros indicadores
1. O presente regulamento estabelece regras específicas para económicos e financeiros relevantes quando avaliar a evolução
a detecção de desequilíbrios macroeconómicos, bem como para dos desequilíbrios. Não devem retirar-se conclusões de uma
a prevenção e correcção de desequilíbrios macroeconómicos leitura automática do painel de avaliação. A avaliação deve ter
excessivos na União. em conta a evolução dos desequilíbrios na União e na área do
euro. O relatório deve igualmente indicar se a superação de
limiares num ou mais Estados-Membros significa o possível
2. O presente regulamento é aplicável no contexto do Se­ aparecimento de desequilíbrios. A avaliação de Estados-Mem­
mestre Europeu previsto no Regulamento (UE) n.o 1175/2011 bros que apresentem grandes défices da balança de transacções
do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de Novembro de correntes pode diferir da de Estados-Membros cujas balanças de
2011, que altera o Regulamento (CE) n.o 1466/97, relativo ao transacções correntes apresentem grandes excedentes.
reforço da supervisão das situações orçamentais e da supervisão
e coordenação das políticas económicas (1).
3. O relatório anual deve identificar os Estados-Membros que
a Comissão considere poderem estar a ser afectados ou estarem
3. A aplicação do presente regulamento deve respeitar ple­
em risco de poderem vir a ser afectados por desequilíbrios.
namente o disposto no artigo 152.o do TFUE e as recomenda­
ções emitidas com base no seu articulado têm que respeitar as
práticas e instituições nacionais no que diz respeito à formação
de salários. Terá igualmente em conta o artigo 28.o da Carta dos
4. A Comissão transmite o relatório anual em tempo útil ao
Direitos Fundamentais da União Europeia, pelo que não pode
Parlamento Europeu, ao Conselho e ao Comité Económico e
afectar o direito à negociação, celebração e aplicação de acordos
Social Europeu.
colectivos, assim como à realização de acções colectivas, de
acordo com a legislação e as práticas nacionais.

5. No âmbito da supervisão multilateral prevista no


Artigo 2.o artigo 121.o, n.o 3, do TFUE, o Conselho analisa e procede a
Definições uma avaliação global do relatório anual da Comissão. O Euro­
grupo analisa o relatório no que se refira aos Estados-Membros
Para efeitos do presente regulamento entende-se por: cuja moeda seja o euro.

1) «Desequilíbrios»: qualquer tendência que provoque uma evo­


lução macroeconómica que afecte de forma adversa ou tenha Artigo 4.o
potencial para afectar de forma adversa o bom funciona­
mento da economia de um Estado-Membro, da União Eco­ Painel de avaliação
nómica e Monetária ou da União no seu todo; 1. O painel de avaliação que compreende o conjunto dos
indicadores é utilizado como instrumento para facilitar a iden­
(1) Ver p. 12 do presente Jornal Oficial. tificação precoce e a vigilância de desequilíbrios.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/29

2. O painel de avaliação é composto por um pequeno nú­ 7. A Comissão avalia periodicamente a adequação do painel
mero de indicadores macroeconómicos e macrofinanceiros re­ de avaliação, nomeadamente a composição dos indicadores, os
levantes, práticos, simples, mensuráveis e disponíveis relativos limiares estabelecidos e a metodologia utilizada, ajustando-os ou
aos Estados-Membros. O painel de avaliação destina-se a per­ alterando-os caso tal seja necessário. A Comissão divulga pu­
mitir a identificação precoce, tanto de desequilíbrios macroeco­ blicamente as alterações na metodologia e composição do pai­
nómicos a curto prazo, como de desequilíbrios resultantes de nel de avaliação e nos limiares associados.
tendências estruturais e de longo prazo.

8. Os valores dos indicadores do painel de avaliação serão


3. O painel de avaliação compreende, entre outros, indicado­ actualizados pela Comissão pelo menos uma vez por ano.
res úteis para a identificação precoce de:

a) Desequilíbrios internos, nomeadamente os que possam resul­ Artigo 5.o


tar do endividamento público ou privado, da evolução do Apreciação aprofundada
mercado financeiro e do mercado de valores mobiliários,
incluindo a habitação, da evolução das disponibilidades de 1. Tendo na devida conta os debates havidos no Conselho e
crédito no sector privado e da evolução do desemprego; no Eurogrupo nos termos do artigo 3.o, n.o 5, ou caso haja uma
importante evolução económica inesperada que requeira uma
análise urgente para efeitos do presente regulamento, a Comis­
b) Desequilíbrios externos, incluindo os que possam resultar da são procede a uma apreciação aprofundada de cada Estado-
evolução da balança de transacções correntes e das posições -Membro que considere poder estar a ser afectado ou estar em
líquidas de investimento dos Estados-Membros, das taxas de risco de poder vir a ser afectado por desequilíbrios.
câmbio reais efectivas, das quotas de mercado no sector das
exportações, de alterações de preços e custos e da competi­
tividade não ligada aos preços, tendo em conta as diferentes A apreciação aprofundada deve basear-se numa análise porme­
componentes da produtividade, norizada da situação específica de cada Estado-Membro, tendo
em conta as diferentes posições de partida dos Estados-Mem­
bros; a apreciação deve incidir sobre um conjunto amplo de
4. Ao efectuar a sua leitura económica do painel de avaliação variáveis económicas e incluir a utilização de instrumentos ana­
no âmbito do mecanismo de alerta, a Comissão deve dar par­ líticos e informação qualitativa especificamente relacionados
ticular atenção à evolução da economia real, nomeadamente o com cada Estado-Membro. Deve igualmente ter em conta as
crescimento económico e o desempenho do emprego e do especificidades nacionais em matéria de relações laborais e de
desemprego, à convergência nominal e real no interior e no diálogo social.
exterior da área do euro, à evolução da produtividade e dos
seus motores relevantes, como a investigação e desenvolvimento
e o investimento externo e interno, e à evolução a nível secto­
rial, inclusive no sector da energia, que afecta o desempenho do Além disso, a Comissão deve tomar devidamente em conside­
PIB e da balança de transacções correntes. ração quaisquer outras informações que, na opinião do Estado-
-Membro em causa, sejam pertinentes e que este lhe tenha co­
municado.
O painel compreende também limiares indicativos para estes
indicadores, que funcionarão como níveis de alerta. A escolha
dos indicadores e dos limiares deve ser conducente à promoção A Comissão realiza a sua apreciação aprofundada juntamente
da competitividade na União. com as missões de supervisão feitas nos termos do artigo 13.o
ao Estado-Membro em causa.

O painel de indicadores deve dispor de limiares de alerta supe­


riores e inferiores a menos que tal seja inadequado, e deve ser
diferenciado consoante se trate ou não de Estados-Membros da 2. A apreciação aprofundada da Comissão deve apurar se o
área do euro, se tal se justificar pelas especificidades da união Estado-Membro em causa está a ser afectado por desequilíbrios
monetária e por circunstâncias económicas relevantes. Ao ela­ e se esses desequilíbrios são excessivos. Examina a origem dos
borar o painel de avaliação, deverá ser prestada a devida atenção desequilíbrios detectados em comparação com a situação eco­
a situações económicas heterogéneas, nomeadamente os efeitos nómica predominante, incluindo as interligações comerciais e
de recuperação. financeiras profundas entre Estados-Membros e os efeitos indu­
zidos das políticas económicas nacionais entre si. A apreciação
aprofundada deve analisar a evolução relevante ligada à estraté­
5. O trabalho do ESRB deve ser tido na devida conta na gia da União para o crescimento e o emprego, bem como a
definição de indicadores relevantes para a estabilidade do mer­ relevância da evolução económica na União e na área do euro
cado financeiro. A Comissão deve convidar o ESRB a pronun­ no seu conjunto. Deve ter em conta, nomeadamente:
ciar-se sobre o projecto dos indicadores relevantes para a esta­
bilidade do mercado financeiro.
a) Se for o caso, as recomendações ou convites dirigidos pelo
Conselho ao Estado-Membro sob apreciação nos termos dos
6. A Comissão divulga publicamente a lista de indicadores e artigos 121.o, 126.o e 148.o do TFUE e dos artigos 6.o, 7.o,
os limiares a incluir no painel de avaliação. 8.o e 10.o do presente regulamento;
L 306/30 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

b) As políticas previstas pelo Estado-Membro sob apreciação, Da recomendação do Conselho devem constar a natureza e as
reflectidas no seu programa nacional de reformas e, con­ implicações dos desequilíbrios e a descrição de um conjunto de
forme o caso, no seu programa de estabilidade ou de con­ recomendações políticas que deverão ser seguidas, bem como o
vergência; prazo no qual o Estado-Membro em causa deve apresentar um
plano de medidas correctivas. O Conselho pode, nos termos do
artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, divulgar publicamente a sua reco­
c) Quaisquer alertas ou recomendações do ESRB sobre riscos mendação.
sistémicos tratados ou que sejam relevantes para o Estado-
-Membro sob apreciação. O regime de confidencialidade do
ESRB deve ser respeitado.
Artigo 8.o
Plano de medidas correctivas
3. A Comissão informa o Parlamento Europeu e o Conselho
dos resultados da apreciação aprofundada, devendo divulgá-la 1. Os Estados-Membros relativamente aos quais seja aberto
publicamente. um procedimento por desequilíbrios excessivos têm de apresen­
tar um plano de medidas correctivas ao Conselho e à Comissão
no prazo fixado na recomendação referida no artigo 7.o, n.o 2, e
Artigo 6.o com base nesta última. O plano de medidas correctivas deve
estabelecer um conjunto de medidas políticas específicas que o
Medidas preventivas Estado-Membro em causa aplicou ou tenciona aplicar, e incluir
1. Se, com base na apreciação aprofundada a que se refere o um calendário de aplicação das medidas em causa. O plano de
artigo 5.o, a Comissão considerar que um Estado-Membro está a medidas correctivas deve ter em conta o impacto económico e
ser afectado por desequilíbrios, informa desse facto o Parla­ social das medidas políticas e ser consentâneo com as orienta­
mento Europeu, o Conselho e o Eurogrupo. O Conselho, com ções gerais das políticas económicas e as orientações para o
base numa recomendação da Comissão, pode dirigir as reco­ emprego.
mendações necessárias ao Estado-Membro em causa, nos termos
do procedimento previsto no artigo 121.o, n.o 2, do TFUE.
2. O Conselho, com base num relatório da Comissão, avalia
o plano de medidas correctivas no prazo de dois meses a contar
2. O Conselho informa o Parlamento Europeu da recomen­ da respectiva apresentação. Se, com base numa recomendação
dação e divulga-a publicamente. da Comissão, o Conselho considerar o plano de medidas cor­
rectivas suficiente, subscreve-o através de uma recomendação na
qual deve enunciar as medidas específicas necessárias e os pra­
3. As recomendações do Conselho e da Comissão devem zos para as tomar, e estabelece um calendário para a supervisão,
respeitar plenamente o disposto no artigo 152.o do TFUE e prestando a devida atenção aos canais de transmissão e reco­
ter em conta o artigo 28.o da Carta dos Direitos Fundamentais nhecendo que pode decorrer um grande lapso de tempo entre a
da União Europeia. adopção das medidas correctivas e a resolução efectiva dos
desequilíbrios.
4. O Conselho reaprecia anualmente a sua recomendação no
contexto do Semestre Europeu e pode, se for caso disso, adaptá-
-la, nos termos do n.o 1. 3. Se, com base numa recomendação da Comissão, o Conse­
lho considerar insuficientes as medidas ou o calendário previs­
tos no plano de medidas correctivas, dirige ao Estado-Membro
CAPÍTULO III uma recomendação para que este apresente, num prazo, por
norma, de dois meses, um novo plano de medidas correctivas.
PROCEDIMENTO POR DESEQUILÍBRIO EXCESSIVO O Conselho procede à avaliação do novo plano de medidas
Artigo 7.o correctivas nos termos do procedimento previsto no presente
artigo.
Abertura do procedimento por desequilíbrio excessivo
1. Se, com base na apreciação aprofundada a que se refere o
artigo 5.o, a Comissão considerar que o Estado-Membro em 4. O plano de medidas correctivas, o relatório da Comissão e
causa está a ser afectado por desequilíbrios excessivos, informa a recomendação do Conselho referidos nos [Link] 2 e 3 são
desse facto o Parlamento Europeu, o Conselho e o Eurogrupo. divulgados publicamente.

A Comissão informa igualmente as Autoridades Europeias de


Supervisão competentes e o ESRB. Este é convidado a tomar as Artigo 9.o
medidas que considere necessárias. Fiscalização das medidas correctivas
1. A Comissão fiscaliza a aplicação da recomendação adop­
2. O Conselho pode, com base numa recomendação da Co­ tada pelo Conselho nos termos do artigo 8.o, n.o 2. Para esse
missão, adoptar uma recomendação nos termos do artigo 121.o, efeito, o Estado-Membro deve apresentar periodicamente ao
n.o 4 do TFUE declarando a existência de um desequilíbrio ex­ Conselho e à Comissão relatórios intercalares cuja frequência
cessivo e recomendando ao Estado-Membro em causa que tome deve ser fixada pelo Conselho na recomendação a que se refere
medidas correctivas. o artigo 8.o, n.o 2.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/31

2. O Conselho divulga publicamente os relatórios intercalares deve prosseguir de acordo com o calendário fixado na recomen­
dos Estados-Membros. dação emitida nos termos do artigo 8.o, n.o 2. O Conselho torna
públicos os motivos que o levaram a suspender o processo,
reconhecendo as medidas políticas correctivas tomadas pelo
3. A Comissão pode realizar missões de supervisão reforçada Estado-Membro em causa.
no Estado-Membro em causa para fiscalizar a execução do
plano de medidas correctivas, em articulação com o BCE, caso
as missões digam respeito a Estados-Membros cuja moeda é o Artigo 11.o
euro ou a Estados-Membros participantes no MTC2. Se for caso Encerramento do procedimento por desequilíbrio
disso, a Comissão associa ao diálogo os parceiros sociais e excessivo
outras partes interessadas nacionais durante as referidas missões.
O Conselho revoga as recomendações adoptadas nos termos
dos artigos 7.o, 8.o e 10.o, com base numa recomendação da
4. Se as circunstâncias económicas se alterarem significativa­ Comissão, logo que considere que o Estado-Membro em causa
mente, o Conselho, com base numa recomendação da Comis­ já não está a ser afectado pelos desequilíbrios excessivos des­
são, pode alterar as recomendações adoptadas nos termos do critos na recomendação a que se refere o artigo 7.o, n.o 2. O
artigo 8.o, n.o 2, nos termos do procedimento previsto nesse Conselho divulga publicamente este facto.
mesmo artigo. Se necessário, o Conselho convida o Estado-
-Membro em causa a apresentar um plano de medidas correcti­
vas revisto e avalia esse plano nos termos do procedimento Artigo 12.o
previsto no artigo 8.o.
Votação no Conselho
Relativamente às medidas referidas nos artigos 7.o a 11.o, o
Artigo 10.o Conselho delibera sem ter em conta o voto do membro do
Conselho que represente o Estado-Membro em causa.
Avaliação das medidas correctivas
1. Com base num relatório da Comissão, o Conselho avalia
se o Estado-Membro em causa aplicou as medidas correctivas CAPÍTULO IV
recomendadas de acordo com a recomendação adoptada pelo DISPOSIÇÕES FINAIS
Conselho nos termos do artigo 8.o, n.o 2.
Artigo 13.o
Missões de supervisão
2. A Comissão divulga publicamente o seu relatório.
1. A Comissão assegura um diálogo permanente com as
autoridades dos Estados-Membros em conformidade com os
objectivos do presente regulamento. Para esse efeito, a Comissão
3. O Conselho procede à sua avaliação no prazo por si realiza missões com a finalidade de avaliar a situação económica
fixado nas suas recomendações adoptadas nos termos do em cada Estado-Membro e identificar quaisquer riscos ou difi­
artigo 8.o, n.o 2. culdades de cumprimento dos objectivos do presente regula­
mento.

4. Se considerar que o Estado-Membro não aplicou as medi­


das correctivas recomendadas, o Conselho, com base numa 2. A Comissão pode realizar missões de supervisão reforçada
recomendação da Comissão, adopta uma decisão em que de­ a Estados-Membros que sejam objecto de uma recomendação
clara o incumprimento, conjuntamente com uma recomendação relativa à existência de uma posição de desequilíbrio excessivo
em que fixa novos prazos para aplicar as medidas correctivas. nos termos do artigo 7.o, n.o 2, para efeitos de monitorização in
Neste caso, o Conselho deve informar o Conselho Europeu e loco.
tornar públicas as conclusões das missões de supervisão a que
se refere o artigo 9.o, n.o 3.
3. Se o Estado-Membro em causa tiver como moeda o euro
ou participar no MTC2, a Comissão pode, se o considerar ade­
A recomendação da Comissão que declara o incumprimento quado, convidar representantes do Banco Central Europeu a
considera-se como adoptada pelo Conselho salvo se este decidir, participarem em missões de supervisão.
por maioria qualificada, rejeitá-la no prazo de dez dias a contar
da sua adopção pela Comissão. O Estado-Membro em causa
pode requerer a convocação dentro do mesmo prazo de uma 4. A Comissão apresenta ao Conselho um relatório sobre os
reunião do Conselho para se proceder à votação da decisão. resultados das missões referidas no n.o 2 e pode, se for caso
disso, tornar públicas as suas conclusões.

5. Se o Conselho, com base no relatório da Comissão a que


se refere o n.o 1, considerar que o Estado-Membro aplicou as 5. Ao organizar as missões referidas no n.o 2, a Comissão
medidas correctivas recomendadas nos termos do artigo 8.o, transmite os respectivos resultados provisórios aos Estados-
n.o 2, o procedimento por desequilíbrio excessivo será conside­ -Membros em causa, para que estes apresentem as suas obser­
rado no bom caminho e suspenso. No entanto, a supervisão vações.
L 306/32 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

Artigo 14.o 3. O Conselho e a Comissão devem informar regularmente o


Parlamento Europeu dos resultados da aplicação do presente
Diálogo económico regulamento.
1. A fim de reforçar o diálogo entre as instituições da União,
nomeadamente, o Parlamento Europeu, o Conselho e a Comis­ Artigo 15.o
são, e de assegurar uma maior transparência e responsabiliza­
ção, a comissão competente do Parlamento Europeu pode con­ Relatório anual
vidar o Presidente do Conselho, a Comissão e, se for caso disso, A Comissão publica anualmente um relatório sobre a aplicação
o Presidente do Conselho Europeu ou o Presidente do Euro­ do presente regulamento, incluindo uma actualização do painel
grupo a comparecerem perante ela para debaterem: de avaliação a que se refere o artigo 4.o, e apresenta os respec­
tivos resultados ao Parlamento Europeu e ao Conselho no con­
a) Informações prestadas pelo Conselho sobre as orientações texto do Semestre Europeu.
gerais das políticas económicas, nos termos do
artigo 121.o, n.o 2, do TFUE; Artigo 16.o
Avaliação
b) Orientações gerais para os Estados-Membros emitidas pela
Comissão no início do ciclo anual de supervisão; 1. Até 14 de Dezembro de 2014 e, posteriormente, de cinco
em cinco anos, a Comissão revê e publica um relatório sobre a
aplicação do presente regulamento.
c) As conclusões do Conselho Europeu sobre orientações para
as políticas económicas no contexto do Semestre Europeu; Esse relatório deve avaliar, nomeadamente:

d) Os resultados da supervisão multilateral realizada nos termos a) A eficácia das regras previstas no presente regulamento;
do presente regulamento;
b) Os progressos registados no sentido de assegurar uma coor­
e) As conclusões do Conselho Europeu sobre as orientações denação mais estreita das políticas económicas e uma con­
para a supervisão multilateral e os resultados desta última; vergência sustentada dos comportamentos das economias
dos Estados-Membros, nos termos do TFUE.

f) A eventual revisão do exercício da supervisão multilateral no Este relatório será acompanhado, se for caso disso, de uma
final do Semestre Europeu; proposta de alteração do presente regulamento.

g) As recomendações adoptadas nos termos dos artigos 7.o, 2. A Comissão transmite os relatórios a que se refere o n.o 1
n.o 2, 8.o, n.o 2 e 10.o, n.o 4, do presente regulamento; ao Parlamento Europeu e ao Conselho.

2. A comissão competente do Parlamento Europeu pode Artigo 17.o


proporcionar aos Estados-Membros destinatários de recomenda­ Entrada em vigor
ções ou decisões adoptadas pelo Conselho nos termos dos ar­
tigos 7.o, n.o 2, 8.o, n.o 2 ou 10.o, n.o 4 a oportunidade de O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia após a
participar em trocas de pontos de vista. sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.

O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável em


todos os Estados-Membros.

Feito em Estrasburgo, em 16 de Novembro de 2011.

Pelo Parlamento Europeu Pelo Conselho


O Presidente O Presidente
J. BUZEK W. SZCZUKA
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/33

REGULAMENTO (UE) N.o 1177/2011 DO CONSELHO


de 8 de Novembro de 2011
que altera o Regulamento (CE) n.o
1467/97 relativo à aceleração e clarificação da aplicação do
procedimento relativo aos défices excessivos

O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, n.o 1056/2005 (7), respectivamente. Além disso, o Con­
selho adoptou, em 20 de Março de 2005, um relatório
intitulado «Melhorar a aplicação do Pacto de Estabilidade
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União e Crescimento» (8).
Europeia (TFUE), nomeadamente o artigo 126.o, n.o 14, se­
gundo parágrafo,
(3) O PEC baseia-se no objectivo de assegurar a solidez e a
sustentabilidade das finanças públicas como meio de re­
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, forçar as condições propícias à estabilização dos preços e
a um forte crescimento sustentável suportado pela esta­
bilidade financeira, contribuindo para a consecução dos
objectivos da União em matéria de crescimento susten­
Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen­
tado e de emprego.
tos nacionais,

(4) A experiência adquirida e os erros cometidos durante a


Tendo em conta o parecer do Parlamento Europeu (1), primeira década da União Económica e Monetária de­
monstram a necessidade de uma melhor governação eco­
nómica na União, que deverá assentar numa maior apro­
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (2), priação nacional das normas e das políticas comum­
mente adoptadas e, a nível da União, num quadro de
supervisão reforçada das políticas económicas nacionais.
Deliberando de acordo com um processo legislativo especial,

(5) É necessário melhorar o quadro comum de governação


Considerando o seguinte: económica, nomeadamente no que respeita ao reforço da
supervisão orçamental, em conformidade com o elevado
grau de integração alcançado entre as economias dos
(1) A coordenação das políticas económicas dos Estados- Estados-Membros na União e, em especial, na área do
-Membros no âmbito da União prevista no Tratado sobre euro.
o Funcionamento da União Europeia (TFUE) implica a
observância dos princípios orientadores em matéria de
estabilidade dos preços, solidez das finanças públicas e (6) O quadro de governação económica reforçada deverá
das condições monetárias, e a sustentabilidade da balança assentar em várias políticas interligadas e coerentes de
de pagamentos. crescimento sustentável e de emprego, em particular
numa estratégia da União para o crescimento e o em­
prego, com especial incidência no desenvolvimento e
reforço do mercado interno, no fomento do comércio
(2) O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) abrangia internacional e da competitividade, num Semestre Euro­
inicialmente o Regulamento (CE) n.o 1466/97 do Conse­ peu para uma coordenação reforçada das políticas eco­
lho, de 7 de Julho de 1997, relativo ao reforço da su­ nómicas e orçamentais, num quadro eficaz de prevenção
pervisão das situações orçamentais e à supervisão e coor­ e correcção de défices orçamentais excessivos (PEC), num
denação das políticas económicas (3), o Regulamento (CE) quadro robusto de prevenção e correcção dos desequilí­
n.o 1467/97 do Conselho, de 7 de Julho de 1997, rela­ brios macroeconómicos, em requisitos mínimos para os
tivo à aceleração e clarificação da aplicação do procedi­ quadros orçamentais nacionais e uma regulação e super­
mento relativo aos défices excessivos (4) e a Resolução do visão reforçadas do mercado financeiro, incluindo a su­
Conselho Europeu sobre o Pacto de Estabilidade e Cres­ pervisão macroprudencial pelo Comité Europeu do Risco
cimento, de 17 de Junho de 1997 (5). Os Regulamentos Sistémico.
(CE) n.o 1466/97 e (CE) n.o 1467/97 foram alterados
pelos Regulamentos (CE) n.o 1055/2005 (6) e (CE)
(7) A realização e manutenção de um mercado único dinâ­
(1) Parecer do Parlamento Europeu de 28 de Setembro de 2011 (ainda mico deverão ser consideradas condição do bom funcio­
não publicado no Jornal Oficial). namento da União Económica e Monetária.
(2) JO C 150 de 20.5.2011, p. 1.
(3) JO L 209 de 2.8.1997, p. 1.
(4) JO L 209 de 2.8.1997, p. 6. (7) Regulamento (CE) n.o 1056/2005 do Conselho, de 27 de Junho de
(5) JO C 236 de 2.8.1997, p. 1. 2005, que altera o Regulamento (CE) n.o 1467/97 relativo à acele­
(6) Regulamento (CE) n.o 1055/2005 do Conselho, de 27 de Junho de ração e clarificação da aplicação do procedimento relativo aos défices
2005, que altera o Regulamento (CE) n.o 1466/97 relativo ao re­ excessivos (JO L 174 de 7.7.2005, p. 5).
forço da supervisão das situações orçamentais e à supervisão e (8) Ver documento 7423/05 em [Link]
coordenação das políticas económicas (JO L 174 de 7.7.2005, p. 1). /[Link]?lang=pt
L 306/34 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

(8) O PEC e um quadro de governação económica completo tatação da existência de um défice excessivo, que deverá
deverão complementar e apoiar a estratégia da União ter em conta todos os outros factores pertinentes exami­
para o crescimento e o emprego. As interligações entre nados no relatório da Comissão, nos termos do
as diversas vertentes não deverão estabelecer excepções às artigo 126.o, n.o 3, do TFUE. Em especial, a avaliação
disposições do PEC. do efeito das flutuações cíclicas e da composição do
ajustamento défice-dívida na evolução da dívida pode
ser suficiente para excluir a constatação de um défice
(9) O reforço da governação económica deverá implicar uma excessivo com base no critério da dívida.
participação mais activa e tempestiva do Parlamento Eu­
ropeu e dos parlamentos nacionais. Embora reconhe­
cendo que os interlocutores do Parlamento Europeu no (15) Na constatação da existência de um défice excessivo com
âmbito deste diálogo são as outras instituições compe­ base no critério do défice e nas fases conducentes a essa
tentes da União e os seus representantes, a comissão decisão, é necessário ter em conta todos os outros fac­
competente do Parlamento Europeu poderá proporcionar tores pertinentes examinados no relatório da Comissão,
aos Estados-Membros destinatários de decisões do Conse­ nos termos do artigo 126.o, n.o 3, do TFUE, se a relação
lho adoptadas nos termos do artigo 126.o, n.o 6, do entre a dívida pública e o PIB não exceder o valor de
TFUE, de recomendações adoptadas nos termos do referência.
artigo 126.o, n.o 7 do TFUE, de notificações efectuadas
nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE ou de deci­
sões adoptadas nos termos do artigo 126.o, n.o 11, do
(16) Ao ter em conta as reformas sistémicas dos regimes de
TFUE, a oportunidade de participarem numa troca de
pensões entre os factores pertinentes, a principal consi­
pontos de vista. A participação dos Estados-Membros
deração deverá ser a de saber se essas reformas reforçam
nessas trocas de pontos de vista é facultativa.
a sustentabilidade a longo prazo do sistema global de
pensões, sem aumentar os riscos para a situação orça­
(10) A Comissão deverá ter um papel mais activo no processo mental a médio prazo.
de supervisão reforçada das avaliações específicas a cada
Estado-Membro, no seu acompanhamento, nas missões
in loco, nas recomendações e nas advertências. (17) O relatório da Comissão elaborado nos termos do
artigo 126.o, n.o 3, do TFUE deverá ter devidamente
em conta a qualidade do quadro orçamental nacional,
(11) Ao aplicarem o presente regulamento, a Comissão e o uma vez que este tem um papel essencial no apoio à
Conselho deverão, se for caso disso, ter em conta todos consolidação orçamental e à sustentabilidade das finanças
os factores pertinentes, bem como a situação económica públicas. Essa consideração deverá incluir os requisitos
e orçamental dos Estados-Membros em causa. mínimos estabelecidos na Directiva 2011/85/UE do Con­
selho, de 8 de Novembro de 2011, que estabelece requi­
sitos aplicáveis aos quadros orçamentais dos Estados-
(12) As regras de disciplina orçamental deverão ser reforçadas, -Membros (1), bem como outros requisitos tidos por con­
nomeadamente atribuindo um papel mais relevante ao venientes para a disciplina orçamental.
nível e à evolução da dívida e à sustentabilidade global.
Deverão ser igualmente reforçados os mecanismos desti­
nados a garantir o cumprimento dessas regras e a res­ (18) A fim de facilitar o cumprimento das recomendações e
pectiva execução. notificações do Conselho tendo em vista a correcção de
situações de défice excessivo, é necessário que as mesmas
definam objectivos orçamentais anuais compatíveis com
(13) A aplicação do actual procedimento relativo aos défices a necessária melhoria da situação orçamental, em termos
excessivos com base no critério do défice e no critério da corrigidos de variações cíclicas e líquidos de medidas
dívida exige um valor de referência numérico que tenha pontuais ou temporárias. Neste contexto, o valor de re­
em conta o ciclo económico para avaliar se a relação ferência anual de 0,5 % do PIB deverá ser entendido
entre a dívida pública e o produto interno bruto (PIB) como base média anual.
se encontra em diminuição significativa e se está a apro­
ximar, de forma satisfatória, do valor de referência.
(19) A avaliação das medidas eficazes beneficiará do cumpri­
mento dos objectivos de despesa pública, em conjugação
Deverá ser consagrado um período de transição desti­
com a aplicação das medidas específicas previstas em
nado a permitir aos Estados-Membros que, à data da
matéria de receitas.
adopção do presente regulamento, sejam objecto de um
procedimento relativo aos défices excessivos adaptarem
as suas políticas ao valor de referência numérico para a
redução da dívida. O mesmo se deverá aplicar aos Esta­ (20) Na avaliação de um pedido de prorrogação de prazo para
dos-Membros que estejam sujeitos a um programa de correcção do défice excessivo, deverão ser tomadas espe­
ajustamento da União ou do Fundo Monetário Interna­ cialmente em consideração as situações de recessão eco­
cional. nómica grave que afecte a área do euro ou toda a UE,
desde que tal não ponha em risco a sustentabilidade
orçamental a médio prazo.
(14) O incumprimento do valor de referência numérico para a
redução da dívida não deverá ser suficiente para a cons­ (1) Ver página 41 do presente Jornal Oficial.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/35

(21) É conveniente reforçar a aplicação das sanções financeiras 2) O artigo 2.o é alterado do seguinte modo:
previstas no artigo 126.o, n.o 11, do TFUE de forma a
que as mesmas constituam uma incitação concreta para o
cumprimento das notificações efectuadas nos termos do
artigo 126.o, n.o 9, do TFUE. a) No n.o 1, o primeiro parágrafo passa a ter a seguinte
redacção:

(22) A fim de garantir a conformidade com o quadro de


supervisão orçamental da União aplicável aos Estados-
«1. Considera-se que o excesso do défice orçamental
-Membros cuja moeda é o euro, deverão ser estabelecidas
em relação ao valor de referência é excepcional, nos
regras em matéria de sanções tendo por base o
termos do artigo 126.o, n.o 2, alínea a), segundo tra­
artigo 136.o do TFUE, que assegurem mecanismos justos,
vessão, do Tratado sobre o Funcionamento da União
oportunos e eficazes para o cumprimento das regras do
Europeia (TFUE), quando resultar de uma circunstância
PEC.
excepcional não controlável pelo Estado-Membro em
causa que tenha um impacto significativo na situação
(23) As multas a que se refere o presente regulamento deverão das finanças públicas, ou quando resultar de uma re­
constituir outras receitas, na acepção do artigo 311.o do cessão económica grave.»;
TFUE, e ser consignadas a mecanismos de estabilidade
destinados a prestar assistência financeira, criados pelos
Estados-Membros cuja moeda seja o euro a fim de sal­ b) É aditado o seguinte número:
vaguardar a estabilidade da área do euro no seu conjunto.

(24) As remissões constantes do Regulamento (CE) «1-A. Quando exceder o valor de referência, consi­
n.o 1467/97 deverão ter em conta a nova numeração dera-se que a relação entre a dívida pública e o produto
dos artigos do Tratado sobre o Funcionamento da União interno bruto (PIB) se encontra em diminuição signifi­
Europeia e a substituição do Regulamento (CE) cativa e se está a aproximar, de forma satisfatória, do
n.o 3605/93 do Conselho (1) pelo Regulamento (CE) valor de referência, nos termos do artigo 126.o, n.o 2,
n.o 479/2009 do Conselho, de 25 de Maio de 2009, alínea b), do TFUE, se, nos três anos anteriores, o di­
relativo à aplicação do Protocolo sobre o procedimento ferencial relativamente ao valor de referência tiver tido
relativo aos défices excessivos anexo ao Tratado que ins­ uma redução média de um vigésimo por ano como
titui a Comunidade Europeia (2). padrão de referência, com base nas alterações verifica­
das durante os últimos três anos para os quais existam
(25) Por conseguinte, o Regulamento (CE) n.o 1467/97 deverá dados disponíveis.
ser alterado,

ADOPTOU O PRESENTE REGULAMENTO: Considera-se também cumprido o requisito do critério


da dívida se as previsões orçamentais fornecidas pela
Comissão indicarem que a necessária redução do dife­
Artigo 1.o rencial irá ocorrer durante o período de três anos que
abrange os dois anos seguintes ao último ano para o
O Regulamento (CE) n.o 1467/97 é alterado do seguinte modo: qual existem dados disponíveis. Para um Estado-Mem­
bro que seja objecto de um procedimento relativo aos
1) O artigo 1.o passa a ter a seguinte redacção: défices excessivos em 8 de Novembro de 2011 e du­
rante um período de três anos a contar da correcção do
défice excessivo, considera-se cumprido o requisito do
«Artigo 1.o critério da dívida se o Estado-Membro em causa fizer
progressos suficientes em matéria de cumprimento, tal
1. O presente regulamento estabelece as disposições
como avaliado no parecer adoptado pelo Conselho so­
para acelerar e clarificar a aplicação do procedimento re­
bre o respectivo programa de estabilidade ou de con­
lativo aos défices excessivos. O procedimento relativo aos
vergência.
défices excessivos tem o objectivo de evitar défices orça­
mentais excessivos e, caso venham a ocorrer, de os corrigir
rapidamente, sendo o cumprimento da disciplina orçamen­
tal avaliado com base nos critérios do défice orçamental e Ao aplicar o padrão de referência do ajustamento da
da dívida pública. dívida, deve ser tida em conta a influência do ciclo no
ritmo de redução da dívida.»;
2. Para efeitos do presente regulamento, entende-se por
"Estados-Membros participantes", os Estados-Membros cuja
moeda seja o euro.». c) Os [Link] 3 a 7 passam a ter a seguinte redacção:

(1) Regulamento (CE) n.o 3605/93 do Conselho, de 22 de Novembro de


1993, relativo à aplicação do protocolo sobre o procedimento rela­
tivo aos défices excessivos anexo ao Tratado que institui a Comuni­ «3. Para efeitos da preparação do relatório previsto
dade Europeia (JO L 332 de 31.12.1993, p. 7). no artigo 126.o, n.o 3, do TFUE, a Comissão deve
(2) JO L 145 de 10.6.2009, p. 1. tomar em consideração todos os factores pertinentes
L 306/36 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

conforme referido nesse artigo, na medida em que afec­ plenamente satisfeita a dupla condição do princípio
tem significativamente a avaliação do cumprimento dos central segundo o qual, antes de serem tomados em
critérios do défice e da dívida pelo Estado-Membro em consideração os factores pertinentes, o défice orçamen­
causa. O relatório deve reflectir de modo adequado: tal geral continua perto do valor de referência e o
excesso em relação ao valor de referência é temporário.
a) A evolução da situação económica a médio prazo,
em especial, o crescimento potencial, incluindo as Todavia, na avaliação do cumprimento com base no
diferentes contribuições proporcionadas pelo traba­ critério da dívida, esses factores devem ser tomados
lho, pela acumulação de capital e pela produtividade em consideração nas etapas conducentes à decisão so­
total dos factores, a evolução cíclica e a situação da bre a existência de um défice excessivo.
poupança líquida do sector privado;

b) A evolução das situações orçamentais a médio 5. Na avaliação do cumprimento dos critérios do


prazo, em especial, o ajustamento conseguido tendo défice e da dívida e nas etapas seguintes do procedi­
em vista o objectivo orçamental de médio prazo, o mento relativo aos défices excessivos, o Conselho e a
nível do saldo primário e a evolução das despesas Comissão devem ponderar cuidadosamente a imple­
primárias, tanto correntes como de capital, a intro­ mentação de reformas dos sistemas de pensões que
dução de políticas no contexto da prevenção e cor­ introduzam um sistema em vários pilares, incluindo
recção dos desequilíbrios macroeconómicos excessi­ um pilar obrigatório de capitalização integral e os cus­
vos, a introdução de políticas no contexto da estra­ tos líquidos do pilar do sistema de pensões de gestão
tégia de crescimento comum da União e a qualidade pública. Deve ser dada especial atenção às característi­
geral das finanças públicas, nomeadamente a eficiên­ cas do sistema global de pensões criado pela reforma,
cia dos quadros orçamentais nacionais; nomeadamente quanto a saber se promove a sustenta­
bilidade a longo prazo, sem aumentar os riscos para a
situação orçamental a médio prazo.
c) A evolução da situação da dívida pública a médio
prazo, bem como a sua dinâmica e sustentabilidade,
em especial, os factores de risco, incluindo a estru­ 6. Caso o Conselho decida, nos termos do
tura de vencimento da dívida e a unidade monetária artigo 126.o, n.o 6, do TFUE, que existe um défice
em que é expressa, o ajustamento défice-dívida e a excessivo num Estado-Membro, o Conselho e a Comis­
sua composição, as reservas cumuladas e outros ac­ são devem ter igualmente em conta, nas fases proces­
tivos financeiros, as garantias, nomeadamente as as­ suais subsequentes previstas nesse artigo do TFUE, os
sociadas ao sector financeiro, todos os passivos im­ factores pertinentes a que se refere o n.o 3 do presente
plícitos associados ao envelhecimento demográfico e artigo, na medida em que afectem a situação do Estado-
a dívida privada na medida em que esta possa re­ -Membro em causa, incluindo o previsto no artigo 3.o,
presentar um passivo potencial implícito para as n.o 5, e no artigo 5.o, n.o 2, do presente regulamento,
autoridades públicas; em especial na fixação de um prazo para a correcção da
situação de défice excessivo e, eventualmente, na pror­
A Comissão deve tomar devida e expressamente em rogação desse prazo. Todavia, esses factores pertinentes
consideração quaisquer outros factores que, na opinião não devem ser tidos em conta na decisão a tomar pelo
do Estado-Membro em causa, sejam pertinentes para Conselho nos termos do artigo 126.o, n.o 12, do TFUE
avaliar globalmente o cumprimento dos critérios do sobre a revogação total ou parcial das suas decisões nos
défice e da dívida e tenham sido comunicados pelo termos do artigo 126.o, [Link] 6 a 9 e 11, do TFUE.
Estado-Membro ao Conselho e à Comissão. Neste con­
texto, deve ser dada especial atenção: às contribuições
financeiras destinadas a fomentar a solidariedade inter­ 7. Quando, num Estado-Membro, o excesso do dé­
nacional e a realizar os objectivos políticos da União; à fice em relação ao valor de referência reflectir a imple­
dívida contraída sob a forma de apoio bilateral e mul­ mentação de uma reforma do regime de pensões que
tilateral entre Estados-Membros no âmbito da salva­ introduza um sistema em vários pilares incluindo um
guarda da estabilidade financeira; à dívida relacionada pilar obrigatório de capitalização integral, o Conselho e
com operações de estabilização financeira durante per­ a Comissão devem também considerar os custos da
turbações financeiras graves. reforma ao avaliarem a evolução dos valores do défice
no procedimento relativo aos défices excessivos, desde
que o défice não exceda significativamente um nível
4. O Conselho e a Comissão devem fazer uma ava­ que possa ser considerado próximo do valor de refe­
liação global equilibrada de todos os factores pertinen­ rência e o rácio da dívida não exceda o valor de refe­
tes, nomeadamente da sua incidência, enquanto cir­ rência, na condição de ser mantida a sustentabilidade
cunstâncias agravantes ou atenuantes, na avaliação do orçamental global. Esse custo líquido também deve ser
cumprimento do critério do défice e/ou da dívida. Se, tido em conta para a decisão a tomar pelo Conselho
na avaliação do cumprimento com base no critério do nos termos do artigo 126.o, n.o 12, do TFUE, quanto à
défice, a relação entre a dívida pública e o PIB exceder revogação de parte ou da totalidade das suas decisões
o valor de referência, esses factores apenas devem ser nos termos do artigo 126.o, [Link] 6 a 9 e 11, do TFUE,
tomados em consideração nas etapas conducentes à se o défice tiver baixado de forma substancial e contí­
decisão sobre a existência de um défice excessivo, pre­ nua e tiver atingido um nível que se aproxime do valor
vistas no artigo 126.o, [Link] 4, 5 e 6, do TFUE, se for de referência.».
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/37

3) É inserida a seguinte secção: ção do Conselho deve igualmente estabelecer um prazo


para a correcção da situação de défice excessivo, que
deverá ser realizada no ano seguinte à sua identificação,
«SECÇÃO 1-A salvo se se verificarem circunstâncias especiais. Na sua
recomendação, o Conselho deve exigir que o Estado-
DIÁLOGO ECONÓMICO
-Membro cumpra os seus objectivos orçamentais anuais
Artigo 2.o-A que, com base nas previsões subjacentes à recomenda­
ção, possibilitem uma melhoria anual mínima de 0,5 %
1. A fim de reforçar o diálogo entre as instituições da do PIB, como valor de referência, do seu saldo corri­
União, em especial o Parlamento Europeu, o Conselho e a gido de variações cíclicas, líquido de medidas pontuais
Comissão, e no intuito de garantir uma maior transparên­ ou temporárias, a fim de assegurar a correcção da si­
cia e responsabilização, a comissão competente do Parla­ tuação de défice excessivo no prazo fixado na recomen­
mento Europeu pode convidar o Presidente do Conselho, o dação.
Presidente da Comissão e, se for caso disso, o Presidente
do Conselho Europeu ou o Presidente do Eurogrupo a
comparecerem perante ela para debaterem as decisões do
Conselho adoptadas nos termos do artigo 126.o, n.o 6, do 4-A. No prazo fixado no n.o 4, o Estado-Membro
TFUE, as recomendações do Conselho adoptadas nos ter­ em causa deve comunicar ao Conselho e à Comissão as
mos do artigo 126.o, n.o 7, do TFUE, as notificações efec­ medidas tomadas em resposta à recomendação do Con­
tuadas nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE ou as selho adoptada nos termos do artigo 126.o, n.o 7, do
decisões do Conselho adoptadas nos termos do TFUE. O relatório deve incluir os objectivos relativos à
artigo 126.o, n.o 11, do TFUE. despesa e receita pública e às medidas discricionárias
tanto no lado da despesa como no da receita, devendo
esses objectivos ser consentâneos com a recomendação
Espera-se que, regra geral, o Conselho siga as recomenda­ do Conselho, bem como informações sobre as medidas
ções e as propostas da Comissão ou que torne públicos os tomadas e a natureza das medidas previstas para o
motivos da sua posição. cumprimento dos objectivos. O Estado-Membro deve
tornar público o relatório.
A comissão competente do Parlamento Europeu pode pro­
porcionar aos Estados-Membros destinatários das referidas
recomendações, notificações ou decisões a oportunidade 5. Caso tenham sido tomadas medidas eficazes em
de participarem numa troca pontos de vista. resposta a uma recomendação adoptada nos termos do
artigo 126.o, n.o 7, do TFUE e, após a adopção dessa
recomendação, ocorram acontecimentos económicos
2. O Conselho e a Comissão informam regularmente o adversos e imprevistos com um impacto desfavorável
Parlamento Europeu sobre a aplicação do presente regula­ significativo nas finanças públicas, o Conselho pode
mento.». decidir adoptar, sob recomendação da Comissão, uma
recomendação revista nos termos do artigo 126.o,
n.o 7, do TFUE. A recomendação revista, tendo em
4) O artigo 3.o é alterado do seguinte modo: conta os factores pertinentes a que se refere o
artigo 2.o, n.o 3, do presente regulamento, pode, desig­
nadamente, prorrogar por um ano, como regra geral, o
a) O n.o 2 passa a ter a seguinte redacção: prazo para a correcção da situação de défice excessivo.
O Conselho deve apreciar se, em relação às previsões
económicas contidas na sua recomendação, ocorreram
«2. Tendo plenamente em conta o parecer a que se acontecimentos económicos adversos e imprevistos
refere o n.o 1, a Comissão, se considerar que existe uma com um impacto desfavorável significativo nas finanças
situação de défice excessivo, envia um parecer e uma públicas. Em caso de recessão económica grave que
proposta ao Conselho nos termos do artigo 126.o, [Link] afecte a área do euro ou toda a UE, o Conselho pode
5 e 6, do TFUE e informa o Parlamento Europeu.»; também decidir adoptar, sob recomendação da Comis­
são, uma recomendação revista nos termos do
artigo 126.o, n.o 7, do TFUE, desde que tal não ponha
b) No n.o 3, a remissão para os «[Link] 2 e 3 do artigo 4.o
em risco a sustentabilidade orçamental a médio prazo.».
do Regulamento (CE) n.o 3605/93» é substituída pela
remissão para o «artigo 3.o, [Link] 2 e 3, do Regulamento
(CE) n.o 479/2009»;
5) No artigo 4.o, os [Link] 1 e 2 passam a ter a seguinte
redacção:
c) Os [Link] 4 e 5 passam a ter a seguinte redacção:

«4. A recomendação do Conselho adoptada nos ter­ «1. As decisões do Conselho, nos termos do
mos do artigo 126.o, n.o 7, do TFUE, deve estabelecer artigo 126.o, n.o 8, do TFUE, no sentido de tornar públicas
um prazo máximo de seis meses para que o Estado- as suas recomendações, sempre que se verifique que não
-Membro em causa tome medidas eficazes. Se a gravi­ foram tomadas medidas eficazes devem ser adoptadas ime­
dade da situação o justificar, o prazo para a tomada de diatamente a seguir ao termo do prazo fixado nos termos
medidas eficazes pode ser de três meses. A recomenda­ do artigo 3.o, n.o 4, do presente regulamento.
L 306/38 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

2. Para determinar se foram tomadas medidas eficazes tos económicos adversos e imprevistos com um impacto
na sequência das recomendações adoptadas nos termos do desfavorável significativo nas finanças públicas. Em caso de
artigo 126.o, n.o 7, do TFUE, o Conselho deve basear a sua recessão económica grave que afecte a área do euro ou
decisão no relatório apresentado pelo Estado-Membro em toda a União, o Conselho pode também decidir adoptar,
causa nos termos do artigo 3.o, n.o 4-A, do presente re­ sob recomendação da Comissão, uma notificação revista
gulamento e na respectiva execução, bem como noutras nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE, desde que tal
decisões tornadas públicas pelo governo do Estado-Mem­ não ponha em risco a sustentabilidade orçamental a médio
bro em causa. prazo.».

Caso o Conselho verifique, nos termos do artigo 126.o, 7) Os artigos 6.o a 8.o passam a ter a seguinte redacção:
n.o 8, do TFUE, que o Estado-Membro em causa não
tomou medidas eficazes, informa o Conselho Europeu
«Artigo 6.o
em conformidade.».
1. Para determinar se foram tomadas medidas eficazes
na sequência da notificação efectuada nos termos do
6) No artigo 5.o, os [Link] 1 e 2 passam a ter a seguinte artigo 126.o, n.o 9, do TFUE, o Conselho deve basear a
redacção: sua decisão no relatório apresentado pelo Estado-Membro
em causa nos termos do artigo 5.o, n.o 1-A, do presente
«1. A decisão do Conselho no sentido de notificar o regulamento e na respectiva execução, bem como noutras
Estado-Membro participante em causa para este tomar decisões tornadas públicas pelo governo do Estado-Mem­
medidas destinadas a reduzir o défice, nos termos do bro em causa. Devem ser tidos em conta os resultados da
artigo 126.o, n.o 9, do TFUE deve ser adoptada no prazo missão de supervisão efectuada pela Comissão nos termos
de dois meses a contar da data da decisão do Conselho do artigo 10.o-A do presente regulamento.
que tiver verificado que não foram tomadas medidas efi­
cazes nos termos do artigo 126.o, n.o 8, do TFUE. Na 2. Sempre que estejam reunidas as condições necessá­
notificação, o Conselho deve exigir que o Estado-Membro rias para aplicar o artigo 126.o, n.o 11, do TFUE, o Conse­
cumpra objectivos orçamentais anuais que, com base nas lho deve aplicar sanções nos termos dessa mesma dispo­
previsões subjacentes à notificação, possibilitem uma me­ sição. Essa decisão deve ser tomada, o mais tardar, no
lhoria anual mínima de 0,5 % do PIB, como valor de prazo de quatro meses a contar da decisão do Conselho
referência, do seu saldo corrigido de variações cíclicas, nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE que notifica o
líquido de medidas pontuais ou temporárias, a fim de Estado-Membro participante em causa para tomar medi­
assegurar a correcção da situação de défice excessivo no das.
prazo fixado na notificação. O Conselho deve igualmente
definir as medidas conducentes ao cumprimento desses
objectivos. Artigo 7.o
Se um Estado-Membro participante não cumprir sucessivos
1-A. Na sequência da notificação do Conselho efectuada actos jurídicos do Conselho adoptados nos termos do
nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE, o Estado- artigo 126.o, [Link] 7 e 9, do TFUE, a decisão do Conselho
-Membro em causa deve comunicar ao Conselho e à Co­ nos termos do artigo 126.o, n.o 11, do TFUE, de aplicar
missão as medidas adoptadas em resposta à notificação do sanções deve ser tomada, como regra geral, no prazo de
Conselho. O relatório deve incluir os objectivos relativos à dezasseis meses a contar das datas de notificação previstas
despesa e à receita pública e às medidas discricionárias no artigo 3.o, [Link] 2 e 3, do Regulamento (CE)
tanto no lado da despesa como no da receita, bem n.o 479/2009. Caso sejam aplicados o artigo 3.o, n.o 5
como informações sobre as medidas adoptadas em res­ ou o artigo 5.o, n.o 2, do presente regulamento, o prazo
posta às recomendações específicas do Conselho de forma de dezasseis é alterado em conformidade. Deve recorrer-se
a permitir que o Conselho adopte, se necessário, uma a um procedimento acelerado no caso de um défice pro­
decisão nos termos do artigo 6.o, n.o 2, do presente regu­ gramado de forma deliberada e que o Conselho decida ser
lamento. O Estado-Membro deve tornar público o relató­ excessivo.
rio.
Artigo 8.o
2. Caso tenham sido tomadas medidas eficazes, em As decisões do Conselho nos termos do artigo 126.o,
cumprimento de uma notificação adoptada nos termos n.o 11, do TFUE no sentido de reforçar as sanções, devem
do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE e, após a adopção dessa ser tomadas, o mais tardar, no prazo de dois meses a
notificação, ocorram acontecimentos económicos adversos contar das datas de notificação previstas no Regulamento
e imprevistos com um impacto desfavorável significativo (CE) n.o 479/2009. As decisões do Conselho nos termos
nas finanças públicas, o Conselho pode decidir adoptar, do artigo 126.o, n.o 12, do TFUE de revogar parte ou a
sob recomendação da Comissão, uma notificação revista totalidade das decisões que tomou devem ser tomadas o
nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE. A notificação mais rapidamente possível e, em qualquer caso, o mais
revista, tendo em conta os factores pertinentes a que se tardar no prazo de dois meses a contar das datas de
refere o artigo 2.o, n.o 3, do presente regulamento, pode notificação previstas no Regulamento (CE) n.o 479/2009.».
designadamente prorrogar por um ano, como regra geral,
o prazo para a correcção da situação de défice excessivo. O
Conselho deve apreciar se, em relação às previsões econó­ 8) No artigo 9.o, n.o 3, a remissão para o «artigo 6.o» é
micas contidas na sua notificação, ocorreram acontecimen­ substituída pela remissão para o «artigo 6.o, n.o 2».
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/39

9) O artigo 10.o é alterado do seguinte modo: 11) Os artigos 11.o e 12.o passam a ter a seguinte redacção:

a) A frase introdutória do n.o 1 passa a ter a seguinte «Artigo 11.o


redacção:
Sempre que o Conselho decida, nos termos do
artigo 126.o, n.o 11, do TFUE impor sanções a um Es­
tado-Membro participante, é aplicada, como regra geral,
«1. O Conselho e a Comissão acompanham regular­
uma multa. O Conselho pode decidir complementar essa
mente a aplicação das medidas tomadas:»;
multa através das outras medidas previstas no artigo 126.o,
n.o 11, do TFUE.
b) No n.o 3, a remissão para o «Regulamento (CE)
n.o 3605/93» é substituída pela remissão para o «Regu­
lamento (CE) n.o 479/2009». Artigo 12.o
1. O montante da multa deve incluir uma componente
fixa, correspondente a 0,2 % do PIB, e uma componente
10) É inserido o seguinte artigo: variável. A componente variável deve corresponder a um
décimo do valor absoluto da diferença entre o saldo orça­
mental expresso em percentagem do PIB no ano anterior e
«Artigo 10.o-A o valor de referência para o saldo da administração pública
ou, se o incumprimento da disciplina orçamental incluir o
1. A Comissão assegura um diálogo permanente com as critério da dívida, o saldo da administração pública ex­
autoridades dos Estados-Membros, tendo em conta os ob­ presso em percentagem do PIB que deveria ser alcançado
jectivos do presente regulamento. Para esse fim, a Comis­ no mesmo ano de acordo com a notificação emitida nos
são deve efectuar, em especial, missões destinadas a avaliar termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE.
a situação económica real do Estado-Membro e a identifi­
car eventuais riscos ou dificuldades no cumprimento dos
objectivos do presente regulamento.
2. Em cada um dos anos seguintes após a aplicação de
um multa, e até que seja revogada a decisão sobre a exis­
tência de um défice excessivo, o Conselho deve avaliar se o
2. Podem ser sujeitos a supervisão reforçada os Estados-
Estado-Membro participante em causa tomou medidas
-Membros destinatários de recomendações e notificações
efectivas em resposta à notificação do Conselho nos ter­
emitidas com base numa decisão adoptada nos termos
mos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE. Nessa avaliação
do artigo 126.o, n.o 8, e de decisões adoptadas nos termos
anual, o Conselho deve decidir nos termos do
do artigo 126.o, n.o 11, do TFUE para fins de controlo in
artigo 126.o, n.o 11, do TFUE reforçar as sanções, a não
loco. Os Estados-Membros em causa devem prestar todas as
ser que o Estado-Membro participante em causa tenha
informações necessárias à preparação e realização da mis­
cumprido o estabelecido na notificação do Conselho.
são.
Caso o Conselho decida aplicar uma multa adicional, o
montante deve ser calculado da mesma forma que o mon­
tante da componente variável da multa a que se refere o
3. A Comissão pode, se for caso disso, convidar repre­ n.o 1.
sentantes do BCE a participar numa missão de supervisão
dos Estados-Membros cuja moeda seja o euro e dos Esta­
dos-Membros partes no Acordo, de 16 de Março de 2006,
entre o Banco Central Europeu e os Bancos centrais na­ 3. Qualquer das multas a que se referem os [Link] 1 e 2
cionais dos Estados-Membros não participantes na área do não deve exceder o limite máximo de 0,5 % do PIB.».
euro que estabelece os procedimentos operacionais relati­
vos ao mecanismo de taxas de câmbio na terceira fase da
união económica e monetária (MTC2) (*). 12) O artigo 13.o é revogado e a remissão para esse artigo no
artigo 15.o é substituída pela remissão para o «artigo 12.o».

4. A Comissão apresenta ao Conselho um relatório so­


bre os resultados da missão a que se refere o n.o 2 e pode, 13) O artigo 16.o passa a ter a seguinte redacção:
se for caso disso, decidir tornar públicas as suas conclu­
sões.
«Artigo 16.o

5. Ao organizar as missões de supervisão a que se re­ As multas a que se refere o artigo 12.o do presente regu­
fere o n.o 2, a Comissão deve transmitir as suas conclusões lamento constituem outras receitas, na acepção do
provisórias aos Estados-Membros em causa, para que estes artigo 311.o do TFUE, e o seu montante é consignado
formulem observações.». ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. Após a cria­
ção pelos Estados-Membros participantes de outro meca­
nismo de estabilidade destinado à prestação de assistência
financeira com o objectivo de salvaguardar a estabilidade
___________
da área do euro no seu conjunto, o montante das multas
(*) JO C 73 de 25.3.2006, p. 21. passará a ser consignado a esse mecanismo.».
L 306/40 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

14) É inserido o seguinte artigo: 2. O relatório em causa deve ser acompanhado, se for
caso disso, de uma proposta de alteração do presente re­
gulamento.
«Artigo 17.o-A
1. Até 14 de Dezembro de 2014 e, seguidamente, de 3. O relatório é transmitido ao Parlamento Europeu e
cinco em cinco anos, a Comissão publica um relatório ao Conselho.».
sobre a aplicação do presente regulamento.
15) Em todo o Regulamento (CE) n.o 1467/97, as remissões
para o «artigo 104.o do Tratado» são substituídas por re­
Esse relatório deve avaliar, nomeadamente: missões para o «artigo 126.o do TFUE».

16) No ponto 2 do anexo, as remissões na coluna I para os


a) A eficácia do regime constante do presente regula­ «[Link] 2 e 3 do artigo 4.o do Regulamento (CE)
mento; n.o 3605/93» são substituídas por remissões para o
«artigo 3.o, [Link] 2 e 3, do Regulamento (CE)
n.o 479/2009».
b) Os progressos registados no sentido de garantir uma
coordenação mais estreita das políticas económicas e Artigo 2.o
uma convergência sustentada dos comportamentos
das economias dos Estados-Membros, nos termos do O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia se­
TFUE. guinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.

O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável em


todos os Estados-Membros.

Feito em Bruxelas, em 8 de Novembro de 2011.

Pelo Conselho
O Presidente
J. VINCENT-ROSTOWSKI
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/41

II
(Actos não legislativos)

DIRECTIVAS

DIRECTIVA 2011/85/UE DO CONSELHO


de 8 de Novembro de 2011
que estabelece requisitos aplicáveis aos quadros orçamentais dos Estados-Membros

O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, base em métodos estatísticos, quer das previsões ou me­
didas de orçamentação relativas ao futuro das finanças
públicas.
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União
Europeia, nomeadamente o artigo 126.o, n.o 14, terceiro pará­ (3) A existência de práticas de contabilidade pública exausti­
grafo, vas e fiáveis em todos os subsectores da administração
pública constitui um pré-requisito para a elaboração de
estatísticas de elevada qualidade que sejam comparáveis
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, entre os Estados-Membros. O controlo interno deverá
assegurar que as regras em vigor sejam aplicadas em
todos os subsectores da administração pública. A acção
de auditoria independente exercida por instituições públi­
Tendo em conta o parecer do Parlamento Europeu (1), cas, como o Tribunal de Contas, ou organismos privados
de auditoria deverá encorajar a adopção das melhores
práticas internacionais.
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (2),
(4) Dispor de dados orçamentais é fundamental para o cor­
recto funcionamento do quadro de supervisão orçamen­
Considerando o seguinte: tal da União. A disponibilização atempada de dados or­
çamentais fiáveis é essencial para um acompanhamento
adequado e oportuno que, por sua vez, permitirá uma
(1) Há que aproveitar a experiência adquirida nos primeiros acção imediata em caso de acontecimentos inesperados
dez anos da União Económica e Monetária. Os recentes do ponto de vista orçamental. A transparência é um dos
desenvolvimentos económicos colocaram novos desafios elementos fundamentais que assegura a qualidade dos
à condução da política orçamental em toda a União e, dados orçamentais e deverá implicar a disponibilização
em especial, salientaram a necessidade de reforçar a apro­ regular destes dados ao público.
priação nacional e de harmonizar os requisitos respeitan­
tes às regras e procedimentos que constituem os quadros (5) No que diz respeito às estatísticas, o Regulamento (CE)
orçamentais dos Estados-Membros. Em particular, é ne­ n.o 23/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, de
cessário especificar as medidas que as autoridades nacio­ 11 de Março de 2009, relativo às Estatísticas Euro­
nais têm de tomar a fim de cumprirem as disposições do peias (3) estabeleceu um quadro legislativo para a elabo­
Protocolo (n.o 12) sobre o procedimento relativo aos ração de estatísticas europeias, com vista à concepção,
défices excessivos, anexo ao Tratado da União Europeia aplicação, controlo e avaliação das políticas da União.
(TUE) e ao Tratado sobre o Funcionamento da União O referido regulamento estabeleceu ainda os princípios
Europeia (TFUE), nomeadamente o artigo 3.o. que regem o desenvolvimento, produção e divulgação das
estatísticas europeias – independência, imparcialidade, ob­
jectividade, fiabilidade, segredo estatístico e relação custo-
(2) As administrações públicas dos Estados-Membros e os -eficácia –, consagrando definições precisas de cada um
seus subsectores possuem sistemas de contabilidade pú­ destes princípios. O Regulamento (CE) n.o 479/2009 do
blica que integram elementos tais como registos conta­ Conselho, de 25 de Maio de 2009, relativo à aplicação
bilísticos, controlos internos, prestação de informações do Protocolo sobre o procedimento relativo aos défices
financeiras e auditorias. Esses sistemas deverão distin­ excessivos anexo ao Tratado que institui a Comunidade
guir-se quer dos dados estatísticos que dizem respeito Europeia (4) reforçou os poderes da Comissão no que diz
aos resultados das finanças públicas calculados com respeito à verificação dos dados estatísticos utilizados no
procedimento relativo aos défices excessivos.
(1) Parecer do Parlamento Europeu de 28 de Setembro de 2011 (ainda
não publicado no Jornal Oficial). (3) JO L 87 de 31.3.2009, p. 164.
(2) JO C 150 de 20.5.2011, p. 1. (4) JO L 145 de 10.6.2009, p. 1.
L 306/42 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

(6) Os termos «orçamental», «défice» e «investimento» encon­ partir de diferentes pressupostos de crescimento e taxas
tram-se definidos no Protocolo (n.o 12) sobre o procedi­ de juros, reduzindo largamente o risco de incumprimento
mento relativo aos défices excessivos por referência ao da disciplina orçamental devido a erros de previsão.
Sistema europeu de contas económicas integradas (SEC),
substituído pelo Sistema europeu de contas nacionais e
regionais na Comunidade (adoptado pelo Regulamento
(CE) n.o 2223/96 do Conselho, de 25 de Junho de 1996, (11) As previsões da Comissão e as informações respeitantes
relativo ao Sistema europeu de contas nacionais e regio­ aos modelos em que estas se baseiam podem fornecer
nais na Comunidade (1) («SEC 95»). aos Estados-Membros um padrão de referência útil para a
definição do cenário macro-orçamental mais provável,
que lhes permita melhorar a validade das previsões utili­
zadas no planeamento orçamental, embora a medida em
(7) A disponibilidade e a qualidade dos dados estabelecidos que se pode esperar que os Estados-Membros comparem
de acordo com os princípios do SEC 95 são fundamen­ as previsões utilizadas para o planeamento orçamental
tais para assegurar o correcto funcionamento do quadro com as previsões da Comissão varie em função do ca­
de supervisão orçamental da União. O SEC 95 assenta lendário de elaboração das previsões e a comparabilidade
em informações fornecidas com base na contabilidade de das metodologias e pressupostos previsionais. As previ­
exercício. No entanto, essas estatísticas orçamentais com sões de outros organismos independentes podem forne­
base na contabilidade de exercício assentam na compila­ cer também padrões de referência úteis.
ção prévia de dados de tesouraria ou equivalentes. Tais
dados podem desempenhar um papel preponderante no
reforço atempado do controlo orçamental, por forma a
evitar a detecção tardia de erros orçamentais significati­ (12) As diferenças significativas entre o cenário macro-orça­
vos. A disponibilidade de séries cronológicas de dados de mental escolhido e as previsões da Comissão deverão ser
tesouraria sobre a evolução orçamental pode revelar pa­ descritas e fundamentadas, em especial se o nível ou o
drões que justifiquem uma supervisão reforçada. Os da­ crescimento das variáveis dos pressupostos externos di­
dos orçamentais baseados na contabilidade de caixa (ou vergir significativamente dos valores constantes das pre­
os valores equivalentes da contabilidade pública se os visões da Comissão.
dados baseados na contabilidade de caixa não estiverem
disponíveis) a serem publicados deverão pelo menos in­
cluir um saldo global, o total das receitas e o total das
despesas. Em casos devidamente justificados, por exem­ (13) Dada a interdependência entre os orçamentos dos Esta­
plo quando existir um grande número de organismos da dos-Membros e o orçamento da União, a fim de apoiar
administração local, a publicação dos dados em tempo os Estados-Membros na elaboração das suas previsões
útil poderá assentar em técnicas de estimação adequadas orçamentais, a Comissão deverá fornecer previsões da
baseadas numa amostragem de organismos, procedendo- despesa da União, com base no nível da despesa progra­
-se mais tarde a uma revisão utilizando os dados com­ mada no âmbito do quadro financeiro plurianual.
pletos.

(14) A fim de facilitar a elaboração das previsões utilizadas no


(8) As previsões macroeconómicas e orçamentais erróneas e planeamento orçamental e clarificar as diferenças entre as
irrealistas podem prejudicar consideravelmente a eficácia previsões da Comissão e as dos Estados-Membros, anual­
do planeamento orçamental e, consequentemente, com­ mente cada Estado-Membro deverá ter a oportunidade de
prometer o empenho no cumprimento da disciplina or­ discutir com a Comissão os pressupostos subjacentes à
çamental, enquanto que a transparência e a discussão das elaboração das previsões macroeconómicas e orçamen­
metodologias previsionais podem aumentar significativa­ tais.
mente a qualidade das previsões macroeconómicas e or­
çamentais necessárias ao planeamento orçamental.

(15) A qualidade das previsões oficiais macroeconómicas e


(9) A transparência é um elemento fundamental para asse­ orçamentais é consideravelmente melhorada através de
gurar a utilização de previsões realistas para a condução uma avaliação regular, imparcial e exaustiva baseada em
das políticas orçamentais o que implica a publicação não critérios objectivos. Uma avaliação rigorosa inclui a aná­
só das previsões macroeconómicas e orçamentais oficiais lise dos pressupostos económicos, a comparação com
elaboradas para fins de planeamento orçamental, mas previsões elaboradas por outras instituições e a avaliação
também das metodologias, dos pressupostos e dos parâ­ do desempenho de previsões anteriores.
metros relevantes que serviram de base à elaboração des­
sas previsões.
(16) Tendo em conta a eficácia comprovada dos quadros or­
çamentais baseados em regras e elaborados pelos Esta­
(10) A análise de sensibilidade e as correspondentes projec­ dos-Membros no aumento da apropriação nacional das
ções orçamentais que complementam o cenário macro- regras orçamentais da União e na promoção da disciplina
-orçamental mais provável permitem analisar a forma orçamental, o quadro de supervisão orçamental reforçado
como as principais variáveis orçamentais evoluiriam a da União tem de assentar em sólidas regras orçamentais
numéricas específicas para cada país, compatíveis com os
(1) JO L 310 de 30.11.1996, p. 1. objectivos orçamentais ao nível da União. Essas sólidas
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/43

regras orçamentais numéricas deverão ser acompanhadas fornece uma base inadequada para a elaboração de polí­
de uma definição concreta dos objectivos e de mecanis­ ticas orçamentais sólidas. A fim de integrar a perspectiva
mos que permitam realizar um controlo efectivo e atem­ orçamental plurianual do quadro de supervisão orçamen­
pado dos mesmos. Tal deverá ser feito com base numa tal da União, o planeamento da lei orçamental anual
análise fiável e independente efectuada por organismos deverá basear-se num planeamento orçamental plurianual
independentes ou organismos dotados de autonomia fun­ assente no quadro orçamental a médio prazo.
cional em relação às autoridades orçamentais dos Esta­
dos-Membros. Além disso, a experiência demonstra que,
para que as regras orçamentais numéricas sejam eficazes,
o incumprimento das mesmas tem de ter consequências, (21) Esse quadro orçamental a médio prazo deverá incluir,
mesmo que os custos envolvidos possam ter apenas um nomeadamente, projecções em relação às rubricas mais
carácter reputacional. relevantes em termos de despesas e receitas para o exer­
cício em causa e para os seguintes com base em políticas
que não sofreram alterações. Cada Estado-Membro deverá
(17) Nos termos do Protocolo (n.o 15) relativo a certas dis­ poder definir adequadamente as políticas que não sofre­
posições relativas ao Reino Unido da Grã-Bretanha e da ram alterações, devendo essa definição ser tornada pú­
Irlanda do Norte anexo ao TUE e ao TFUE, os valores de blica juntamente com os pressupostos, as metodologias e
referência mencionados no Protocolo n.o 12 sobre o os parâmetros pertinentes utilizados.
procedimento relativo aos défices excessivos não vincu­
lam directamente o Reino Unido. A obrigação de estabe­
lecer regras orçamentais numéricas que promovam efi­
cazmente o cumprimento dos valores de referência espe­ (22) A presente directiva não deverá impedir um novo go­
cíficos para os défices excessivos, bem como a obrigação verno de um Estado-Membro de actualizar o seu quadro
conexa de que os objectivos plurianuais nos quadros orçamental a médio prazo, de modo a reflectir as suas
orçamentais a médio prazo sejam coerentes com essas novas prioridades políticas. Neste caso, o Estado-Membro
regras não serão aplicáveis ao Reino Unido. em causa deverá realçar as diferenças em relação ao an­
terior quadro orçamental a médio prazo.

(18) Os Estados-Membros deverão evitar a adopção de políti­


cas orçamentais procíclicas e, perante uma conjuntura
económica mais favorável, os esforços de consolidação (23) As disposições do quadro de supervisão orçamental esta­
orçamental deverão ser reforçados. Regras orçamentais belecidas no TFUE e, em especial, no PEC são aplicáveis
numéricas claramente enunciadas conduzem à consecu­ ao conjunto da administração pública, incluindo os sub­
ção destes objectivos e deverão ser reflectidas na lei do sectores da administração central, estadual e local e dos
orçamento anual dos Estados-Membros. fundos de segurança social, tal como definidos no Regu­
lamento (CE) n.o 2223/96.

(19) O planeamento orçamental nacional só poderá ser com­


patível com as vertentes preventiva e correctiva do Pacto
de Estabilidade e Crescimento (PEC) se adoptar uma pers­ (24) Um número significativo de Estados-Membros passou
pectiva plurianual e tiver como principal finalidade a por um claro processo de descentralização, assente na
concretização dos objectivos orçamentais a médio prazo. transferência da competência orçamental para as admi­
Os quadros orçamentais a médio prazo são essenciais nistrações subnacionais, que passaram a assumir maior
para assegurar a compatibilidade dos quadros orçamen­ responsabilidade no cumprimento do PEC, pelo que ha­
tais dos Estados-Membros com a legislação da União. De verá que garantir em especial que todos os subsectores da
acordo com o Regulamento (CE) n.o 1466/97 do Conse­ administração central se encontram devidamente abran­
lho, de 7 de Julho de 1997, relativo ao reforço da su­ gidos pelo âmbito das obrigações e dos procedimentos
pervisão das situações orçamentais e à supervisão e coor­ estabelecidos nos quadros orçamentais nacionais, sobre­
denação das políticas económicas (1), e com o Regula­ tudo – mas não exclusivamente – naqueles Estados-Mem­
mento (CE) n.o 1467/97 do Conselho, de 7 de Julho bros.
de 1997, relativo à aceleração e clarificação da aplicação
do procedimento relativo aos défices excessivos (2), as
vertentes preventiva e correctiva do PEC não deverão
ser consideradas isoladamente. (25) Para promoverem com eficácia a disciplina orçamental e
a sustentabilidade das finanças públicas, os quadros or­
çamentais deverão abranger as finanças públicas na sua
(20) Embora a aprovação anual do orçamento seja a etapa totalidade. Por este motivo, deverá ser dada especial aten­
essencial do processo orçamental, na qual os Estados- ção às operações dos fundos e organismos das adminis­
-Membros adoptam importantes decisões orçamentais, a trações públicas que, embora não fazendo parte dos or­
maior parte das medidas orçamentais tem implicações çamentos ordinários a nível do subsector, têm um im­
orçamentais que ultrapassam claramente o ciclo orça­ pacto imediato ou a médio prazo na situação orçamental
mental anual. Por conseguinte, uma perspectiva anual dos Estados-Membros. O seu impacto combinado no
saldo e na dívida da administração pública deverá ser
(1) JO L 209 de 2.8.1997, p. 1. apresentado no âmbito do procedimento orçamental
(2) JO L 209 de 2.8.1997, p. 6. anual e dos planos orçamentais a médio prazo.
L 306/44 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

(26) Do mesmo modo, importa dar a devida atenção à exis­ artigo 2.o do Protocolo (n.o 12) sobre o procedimento relativo
tência de passivos eventuais. Mais especificamente, os aos défices excessivos, anexo ao TEU e ao TFUE. É também
passivos eventuais incluem obrigações possíveis que de­ aplicável a definição dos subsectores da administração pública
pendem da ocorrência ou não ocorrência de algum acon­ constante do anexo A, ponto 2.70, do Regulamento (CE)
tecimento futuro incerto, ou obrigações presentes em n.o 2223/96.
relação às quais não é provável que seja necessário um
pagamento ou cujo montante não pode ser avaliado de
modo fiável. Compreendem, por exemplo, informações Além disso, é aplicável a seguinte definição:
pertinentes sobre as garantias estatais, os empréstimos
improdutivos e os passivos decorrentes das operações
de empresas públicas, incluindo, se adequado, a probabi­ entende-se por «quadro orçamental» o conjunto de medidas,
lidade e a eventual data de vencimento dos passivos procedimentos, regras e instituições em que assenta a condução
eventuais. Deverão ser tidas devidamente em conta as das políticas orçamentais da administração pública, em especial:
sensibilidades do mercado.

a) Os sistemas de contabilidade orçamental e de informação


(27) A Comissão deverá acompanhar regularmente a imple­ estatística;
mentação da presente directiva. Haverá que identificar e
partilhar as melhores práticas constantes das disposições
b) As regras e os procedimentos que regem a preparação das
da presente directiva relativas aos diferentes aspectos dos
previsões para efeitos de planeamento orçamental;
quadros orçamentais nacionais.

c) As regras orçamentais numéricas, específicas para cada país,


(28) Atendendo a que o objectivo da presente directiva, a que contribuem para a coerência da condução das políticas
saber, garantir o cumprimento uniforme da disciplina orçamentais pelos Estados-Membros com as obrigações que
orçamental como exigido pelo Tratado, não pode ser lhes incumbem nos termos do TFUE, expressas em termos
suficientemente alcançado pelos Estados-Membros e de um indicador sumário do desempenho orçamental, tal
pode, pois, ser melhor alcançado ao nível da União, como o défice orçamental, os empréstimos públicos, a dívida
esta pode adoptar medidas em conformidade com o pública ou uma das suas componentes mais importantes;
princípio da subsidiariedade consagrado no artigo 5.o
do TUE. Em conformidade com o princípio da propor­
cionalidade consagrado no mesmo artigo, a presente di­ d) Os procedimentos orçamentais que incluem regras proces­
rectiva não excede o necessário para atingir aquele ob­ suais para apoiar todas as fases do processo orçamental;
jectivo.

e) Os quadros orçamentais a médio prazo definidos enquanto


(29) Em conformidade com o ponto 34 do Acordo Interins­ conjunto específico de procedimentos orçamentais nacionais
titucional «Legislar melhor» (1), os Estados-Membros são que alargam o horizonte das políticas orçamentais para além
encorajados a elaborarem, para si próprios e no interesse do calendário de orçamentação anual, incluindo a definição
da União, os seus próprios quadros que ilustrem, na de prioridades políticas e de objectivos orçamentais a médio
medida do possível, a concordância entre a presente di­ prazo;
rectiva e as medidas de transposição, e a publicá-los,

f) Os procedimentos de controlo e análise independentes des­


tinados a reforçar a transparência dos elementos do processo
ADOPTOU A PRESENTE DIRECTIVA:
orçamental;

CAPÍTULO I g) Os mecanismos e regras que regem as relações orçamentais


entre as autoridades públicas em todos os subsectores da
OBJECTO E DEFINIÇÕES
administração pública.
Artigo 1.o
A presente directiva estabelece regras específicas relativas às CAPÍTULO II
características dos quadros orçamentais dos Estados-Membros.
Essas regras são necessárias para garantir que os Estados-Mem­ CONTABILIDADE PÚBLICA E ESTATÍSTICAS
bros cumprem as obrigações previstas no TFUE, tendo em vista
Artigo 3.o
evitar défices orçamentais excessivos.
1. No que diz respeito aos sistemas nacionais de contabili­
dade pública, os Estados-Membros devem criar sistemas conta­
Artigo 2.o bilísticos que abranjam, de forma integral e coerente, todos os
subsectores da administração pública e contenham as informa­
Para efeitos da presente directiva, são aplicáveis as definições de ções necessárias para gerar dados de exercício, com vista à
«orçamental», «défice» e «investimento» estabelecidas no elaboração dos dados baseados no SEC 95. Estes sistemas de
contabilidade pública estão sujeitos a procedimentos internos de
(1) JO C 321 de 31.12.2003, p. 1. controlo e auditoria.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/45

2. Os Estados-Membros devem garantir a divulgação regular 5. Os Estados-Membros devem identificar a instituição que é
e atempada dos dados orçamentais relativos a todos os subsec­ responsável pela elaboração das previsões macroeconómicas e
tores da administração pública, tal como definidos no Regula­ orçamentais, e tornar públicas as previsões oficiais macroeconó­
mento (CE) n.o 2223/96. Em especial, os Estados-Membros de­ micas e orçamentais elaboradas para efeitos de planeamento
vem publicar: orçamental, incluindo as metodologias, os pressupostos e os
parâmetros relevantes subjacentes a essas previsões. Uma vez
por ano, pelo menos, os Estados-Membros e a Comissão esta­
a) Dados orçamentais baseados na contabilidade de caixa (ou os belecem um diálogo técnico sobre os pressupostos subjacentes à
valores equivalentes da contabilidade pública se os dados elaboração das previsões macroeconómicas e orçamentais.
baseados na contabilidade de caixa não estiverem disponí­
veis), com a seguinte frequência:
6. As previsões macroeconómicas e orçamentais para efeitos
de planeamento orçamental devem ser objecto de uma avaliação
— mensalmente e antes do final do mês seguinte, no que se regular, imparcial e exaustiva baseada em critérios objectivos,
refere aos subsectores da administração central, estadual incluindo uma avaliação ex post. O resultado desta avaliação
e da segurança social, e deve ser tornado público e devidamente tido em conta em
futuras previsões macroeconómicas e orçamentais. Se a avalia­
— trimestralmente e antes do final do trimestre seguinte, no ção detectar uma discrepância significativa que afecte as previ­
que se refere ao subsector da administração local; sões macroeconómicas durante um período de, pelo menos,
quatro anos consecutivos, o Estado-Membro em causa deve
tomar as medidas necessárias e torná-las públicas.
b) Um quadro de harmonização identificando detalhadamente a
metodologia utilizada para a transição entre os dados basea­
dos na contabilidade de caixa (ou os valores equivalentes da 7. Os níveis da dívida e do défice trimestrais dos Estados-
contabilidade pública se os dados baseados na contabilidade -Membros são publicados pela Comissão (Eurostat) de três em
de caixa não estiverem disponíveis) e os dados baseados no três meses.
SEC 95.
CAPÍTULO IV
CAPÍTULO III
REGRAS ORÇAMENTAIS NUMÉRICAS
PREVISÕES
Artigo 5.o
Artigo 4.o Cada Estado-Membro deve estabelecer as suas regras orçamen­
1. Os Estados-Membros asseguram que o planeamento orça­ tais numéricas específicas, que promovam eficazmente o cum­
mental se baseia em previsões macroeconómicas e orçamentais primento das suas obrigações no domínio da política orçamen­
realistas, recorrendo, para isso, às informações mais actualiza­ tal previstas no TFUE num contexto plurianual para o conjunto
das. O planeamento orçamental deve basear-se no cenário ma­ da administração pública Essas regras devem promover, nomea­
cro-orçamental mais provável ou num cenário mais prudente. damente:
As previsões macroeconómicas e orçamentais devem ser com­
paradas com as previsões mais actualizadas da Comissão e, se
adequado, com as de outros organismos independentes. As di­ a) O cumprimento dos valores de referência aplicáveis ao défice
ferenças significativas entre o cenário macro-orçamental esco­ e à dívida estabelecidos nos termos do TFUE;
lhido e as previsões da Comissão devem ser descritas e funda­
mentadas, em especial se o nível ou o crescimento das variáveis b) A adopção de um horizonte plurianual de planeamento or­
dos pressupostos externos divergir significativamente dos valo­ çamental, no qual se inclua o respeito dos objectivos orça­
res constantes das previsões da Comissão. mentais a médio prazo do Estado-Membro.

2. A Comissão torna públicas as metodologias, os pressupos­


Artigo 6.o
tos e os parâmetros relevantes, subjacentes às suas previsões
macroeconómicas e orçamentais. 1. Sem prejuízo das disposições do TFUE relativas ao quadro
de supervisão orçamental da União, as regras orçamentais nu­
méricas, específicas para cada país, devem conter especificações
3. A fim de apoiar os Estados-Membros na elaboração das sobre os seguintes elementos:
suas previsões orçamentais, a Comissão fornece previsões da
despesa da União, com base no nível da despesa programada
no âmbito do quadro financeiro plurianual. a) A definição do objectivo e o âmbito de aplicação das regras;

4. No âmbito de uma análise de sensibilidade, as previsões b) O controlo efectivo e atempado do cumprimento das regras,
macroeconómicas e orçamentais devem analisar a trajectória das com base numa análise fiável e independente efectuada por
principais variáveis orçamentais a partir de diferentes pressupos­ organismos independentes ou organismos dotados de auto­
tos de crescimento e taxas de juros. A gama de pressupostos nomia funcional em relação às autoridades orçamentais dos
alternativos utilizados nas previsões macroeconómicas e orça­ Estados-Membros;
mentais deve guiar-se pelos resultados dos anteriores desempe­
nhos em matéria de previsões e esforçar-se por ter em conta os
cenários de risco pertinentes. c) As consequências em caso de incumprimento.
L 306/46 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011

2. Se as regras orçamentais numéricas contiverem cláusulas Artigo 10.o


de exclusão, estas devem estabelecer um número limitado de
circunstâncias específicas, compatíveis com as obrigações que O orçamento anual deve ser compatível com as disposições do
incumbem aos Estados-Membros nos termos do TFUE no do­ quadro orçamental a médio prazo. Em termos concretos, as
mínio da política orçamental, e de procedimentos rigorosos em projecções e prioridades em termos de receitas e despesas que
que é permitido o incumprimento temporário de uma regra. resultam do quadro orçamental a médio prazo, tal como refe­
rido no artigo 9.o, n.o 2, devem constituir a base para a prepa­
ração do orçamento anual. Qualquer desvio em relação a estas
Artigo 7.o disposições deve ser devidamente fundamentado.
A lei do orçamento anual dos Estados-Membros deve reflectir as
regras orçamentais numéricas, específicas para cada país, em
vigor.
Artigo 11.o
Nenhuma disposição da presente directiva afecta a possibilidade
Artigo 8.o de um novo governo de um Estado-Membro de actualizar o seu
Os artigos 5.o a 7.o não são aplicáveis ao Reino Unido. quadro orçamental a médio prazo, de modo a reflectir as suas
novas prioridades políticas. Neste caso, o Estado-Membro em
causa deve indicar as diferenças em relação ao anterior quadro
CAPÍTULO V orçamental a médio prazo.
QUADROS ORÇAMENTAIS A MÉDIO PRAZO

Artigo 9.o
CAPÍTULO VI
1. Os Estados-Membros devem estabelecer um quadro orça­
mental eficaz, credível, a médio prazo que facilite a adopção de TRANSPARÊNCIA NAS FINANÇAS DA ADMINISTRAÇÃO
um horizonte de planeamento orçamental de, pelo menos, três PÚBLICA E QUADROS ORÇAMENTAIS ABRANGENTES
anos, a fim de assegurar que o planeamento orçamental nacio­
nal se inscreve numa perspectiva de planeamento orçamental Artigo 12.o
plurianual. Os Estados-Membros devem garantir que todas as medidas
adoptadas tendo em vista assegurar o cumprimento dos capítu­
2. Os quadros orçamentais a médio prazo devem incluir los II, III e IV abrangem de forma coerente e exaustiva todos os
procedimentos para estabelecer os seguintes elementos: subsectores da administração pública. Tal deve implicar, em
especial, a compatibilidade das regras e procedimentos contabi­
lísticos e a integridade dos respectivos sistemas subjacentes de
a) Objectivos orçamentais plurianuais abrangentes e transparen­ recolha e tratamento de dados.
tes em termos de défice da administração pública, dívida
pública, e qualquer outro indicador orçamental sumário, tal
como a despesa, assegurando a sua compatibilidade com as
regras orçamentais numéricas previstas no capítulo IV que Artigo 13.o
estejam em vigor;
1. Os Estados-Membros devem estabelecer mecanismos ade­
quados de coordenação entre os subsectores da administração
b) Projecções em relação às rubricas mais relevantes em termos pública, por forma a assegurar a cobertura exaustiva e coerente
de despesas e receitas da administração pública, com mais de todos esses subsectores no planeamento orçamental, nas
especificações ao nível da administração central e da segu­ regras orçamentais numéricas, específicas para cada país, bem
rança social, para o exercício em causa e para os seguintes, como na elaboração de previsões orçamentais e no estabeleci­
com base em políticas que não sofreram alterações; mento do planeamento plurianual, tal como previsto, em par­
ticular, no quadro orçamental plurianual.
c) Uma descrição das políticas previstas a médio prazo com
impacto nas finanças da administração pública, distribuídas
pelas rubricas mais relevantes em termos de despesas e re­
ceitas, revelando a forma como é realizado o ajustamento 2. A fim de promover a responsabilização orçamental, deve
aos objectivos orçamentais a médio prazo em comparação ser claramente estabelecida a responsabilidade das autoridades
com as projecções baseadas em políticas que não sofreram públicas nos diferentes subsectores da administração pública.
alterações;

d) Uma avaliação do modo como, atendendo ao seu impacto Artigo 14.o


directo a longo prazo sobre as finanças da administração
pública, as políticas previstas poderão afectar a sustentabili­ 1. No âmbito do procedimento orçamental anual, os Esta­
dade a longo prazo das finanças públicas. dos-Membros devem identificar e apresentar todos os organis­
mos e fundos da administração pública que não fazem parte
dos orçamentos ordinários a nível dos subsectores, juntamente
3. As projecções adoptadas no âmbito dos quadros orçamen­ com outras informações pertinentes. O seu impacto combinado
tais a médio prazo devem basear-se em previsões macroeconó­ no saldo e na dívida das administrações públicas deve ser apre­
micas e orçamentais realistas, em conformidade com o capítulo sentado no âmbito do procedimento orçamental anual e dos
III. planos orçamentais a médio prazo.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/47

2. Os Estados-Membros publicam informações pormenoriza­ Artigo 16.o


das sobre o impacto das despesas fiscais nas receitas.
1. Até 14 de Dezembro de 2018, a Comissão publica uma
avaliação da adequação das disposições da presente directiva.
3. Relativamente a todos os subsectores da administração
pública, os Estados-Membros publicam informações pertinentes
sobre passivos eventuais com impacto potencialmente elevado 2. Esta avaliação incide, nomeadamente, sobre a adequação:
nos orçamentos públicos, incluindo as garantias estatais, os
empréstimos improdutivos e os passivos decorrentes das opera­
ções de empresas públicas, definindo ainda a extensão dos mes­
a) Dos requisitos estatísticos relativos a todos os subsectores da
mos. Os Estados-Membros publicam também informações sobre
administração pública;
as participações da administração pública no capital de empre­
sas privadas e públicas, de montantes economicamente signifi­
cativos.
b) Da concepção e eficácia das regras orçamentais numéricas
nos Estados-Membros;
CAPÍTULO VII

DISPOSIÇÕES FINAIS
c) Do nível geral de transparência das finanças públicas nos
Artigo 15.o Estados-Membros.
1. Até 31 de Dezembro de 2013, os Estados-Membros põem
em vigor as disposições necessárias para dar cumprimento à
presente directiva. Os Estados-Membros comunicam imediata­ 3. Até final de 2012, a Comissão procede a uma avaliação da
mente à Comissão o texto dessas disposições. O Conselho en­ adequação das Normas Internacionais de Contabilidade do Sec­
coraja os Estados-Membros a elaborarem, para si próprios e no tor Público aos Estados-Membros.
interesse da União, os seus próprios quadros de correspondência
que ilustrem, na medida do possível, a concordância entre a
presente directiva e as medidas de transposição, e a publicá-los. Artigo 17.o
A presente directiva entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao
2. Quando os Estados-Membros aprovarem essas disposições, da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
estas incluem uma referência à presente directiva ou são acom­
panhadas dessa referência aquando da sua publicação oficial. As
modalidades dessa referência são estabelecidas pelos Estados- Artigo 18.o
-Membros.
Os destinatários da presente directiva são os Estados-Membros.
3. Até 14 de Dezembro de 2012, a Comissão apresenta ao
Parlamento Europeu e ao Conselho um relatório intercalar sobre
a implementação das principais disposições da presente direc­ Feito em Bruxelas, em 8 de Novembro de 2011.
tiva, com base nas informações pertinentes fornecidas pelos
Estados-Membros.

Pelo Conselho
4. Os Estados-Membros comunicam à Comissão o texto das
principais disposições que aprovarem nas matérias reguladas O Presidente
pela presente directiva. J. VINCENT-ROSTOWSKI

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