Supervisão Orçamental na Área do Euro
Supervisão Orçamental na Área do Euro
I
(Actos legislativos)
REGULAMENTOS
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, demonstram a necessidade de uma melhor governação
económica na União, que deverá assentar numa maior
apropriação nacional das normas e das políticas comum
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União mente acordadas e, a nível da União, num quadro mais
Europeia, nomeadamente o artigo 136.o, em conjugação com o robusto de supervisão das políticas económicas nacionais.
artigo 121.o, n.o 6,
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, (4) O quadro de governação económica reforçada deverá
assentar em várias políticas interligadas e coerentes de
crescimento sustentável e emprego, em particular numa
Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen estratégia da União para o crescimento e o emprego com
tos nacionais, especial incidência no desenvolvimento e reforço do mer
cado interno, no fomento das ligações comerciais inter
nacionais e da competitividade, num Semestre Europeu
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (1), para uma coordenação reforçada das políticas económi
cas e orçamentais, num quadro eficaz de prevenção e
correcção de défices orçamentais excessivos – o Pacto
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social de Estabilidade e Crescimento (PEC) –, num quadro ro
Europeu (2), busto de prevenção e correcção dos desequilíbrios ma
croeconómicos, em requisitos mínimos para os quadros
orçamentais nacionais e numa regulação e supervisão
Deliberando de acordo com o processo legislativo ordinário (3), reforçadas do mercado financeiro, incluindo a supervisão
macroprudencial pelo Comité Europeu do Risco Sisté
mico.
Considerando o seguinte:
(8) Para garantir um diálogo permanente com os Estados- (15) A aplicação de sanções nos termos do presente regula
-Membros, tendo em vista a consecução dos objectivos do mento com base na vertente preventiva do PEC aos Es
presente regulamento, a Comissão deverá realizar missões tados-Membros cuja moeda é o euro deverá constituir
de supervisão. um incentivo ao ajustamento e à manutenção do objec
tivo orçamental de médio prazo.
incumprimento das obrigações de política orçamental coordenação das políticas económicas dos Estados-Mem
estabelecidas no PEC, ou da obrigação de pagar uma bros no âmbito do Conselho, prevista no artigo 121.o,
multa no caso de incumprimento de uma recomendação n.o 1, do TFUE, este tipo de decisão inscreve-se plena
do Conselho para corrigir uma situação de défice exces mente no seguimento das medidas adoptadas pelo Con
sivo. selho nos termos dos artigos 121.o e 126.o do TFUE e
dos Regulamentos (CE) n.o 1466/97 e (CE) n.o 1467/97.
(21) A fim de evitar a aplicação retroactiva das sanções do (26) Dado que o presente regulamento estabelece regras gerais
âmbito da vertente preventiva do PEC previstas no pre de aplicação dos Regulamentos (CE) n.o 1466/97 e (CE)
sente regulamento, tais sanções só deverão ser aplicadas n.o 1467/97, deverá ser adoptado de acordo com o pro
por força de decisões adoptadas pelo Conselho nos ter cesso legislativo ordinário previsto no artigo 121.o, n.o 6,
mos do Regulamento (CE) n.o 1466/97 após a entrada do TFUE.
em vigor do presente regulamento. Do mesmo modo, e a
fim de evitar a aplicação retroactiva das sanções do âm
bito da vertente correctiva do PEC previstas no presente (27) Atendendo a que o objectivo do presente regulamento, a
regulamento, tais sanções só deverão ser aplicadas por saber, criar um regime de sanções destinado a melhorar a
força de recomendações e decisões no sentido da correc aplicação das vertentes preventiva e correctiva do PEC na
ção de um défice orçamental excessivo adoptadas pelo área do euro, não pode ser suficientemente realizado a
Conselho após a entrada em vigor do presente regula nível dos Estados-Membros, a União pode tomar medidas
mento. em conformidade com o princípio da subsidiariedade,
consagrado no artigo 5.o do Tratado da União Europeia
(TUE). Em conformidade com o princípio de proporcio
nalidade, consagrado no mesmo artigo, o presente regu
(22) O montante dos depósitos remunerados e não remune
lamento não excede o necessário para alcançar aquele
rados e das multas previstos no presente regulamento
objectivo,
deverá ser fixado de modo a assegurar uma graduação
equitativa das sanções, tanto na vertente preventiva como
na vertente correctiva do PEC, e a constituir incentivo ADOPTARAM O PRESENTE REGULAMENTO:
suficiente para que os Estados-Membros cuja moeda é
o euro respeitem o quadro orçamental da União. As
CAPÍTULO I
multas previstas no artigo 126.o, n.o 11, do TFUE e a
que se refere o artigo 12.o do Regulamento (CE) OBJECTO, ÂMBITO DE APLICAÇÃO E DEFINIÇÕES
n.o 1467/97 compreendem uma componente fixa, cor
respondente a 0,2 % do PIB, e uma componente variável. Artigo 1.o
Assim, assegura-se a graduação e o tratamento equitativo Objecto e âmbito de aplicação
dos Estados-Membros se os depósitos remunerados e não
remunerados e a multa prevista no presente regulamento 1. O presente regulamento estabelece um regime de sanções
forem equivalentes a 0,2 % do PIB, isto é, o valor da destinado a reforçar a aplicação das vertentes preventiva e cor
componente fixa da multa imposta por força do rectiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento na área do euro.
artigo 126.o, n.o 11, do TFUE.
2. O presente regulamento é aplicável aos Estados-Membros
cuja moeda seja o euro.
(23) Há que prever a possibilidade de o Conselho reduzir ou
anular as sanções impostas a Estados-Membros cuja
moeda é o euro com base numa recomendação da Co Artigo 2.o
missão emitida na sequência de um pedido fundamen Definições
tado apresentado pelo Estado-Membro em causa. No âm
bito da vertente correctiva do PEC, a Comissão deverá Para efeitos do disposto no presente regulamento, entende-se
igualmente ter a possibilidade de recomendar a redução por:
do montante ou a anulação de uma sanção com base em
circunstâncias económicas excepcionais.
1) «Vertente preventiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento»,
o sistema de supervisão multilateral previsto no Regula
mento (CE) n.o 1466/97;
(24) O depósito não remunerado deverá ser libertado após
correcção da situação de défice excessivo, enquanto os
respectivos juros e o montante das multas cobradas de 2) «Vertente correctiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento»,
verão ser consignados a mecanismos de estabilidade des o procedimento destinado a evitar os défices excessivos dos
tinados a prestar assistência financeira criados pelos Es Estados-Membros, previsto no artigo 126.o do TFUE e no
tados-Membros cuja moeda é o euro com o objectivo de Regulamento (CE) n.o 1467/97;
salvaguardar a estabilidade da área do euro no seu con
junto. 3) «Circunstâncias económicas excepcionais», circunstâncias em
que o excesso do défice orçamental em relação ao valor de
referência é considerado excepcional na acepção do
(25) Deverá ser atribuída ao Conselho competência para artigo 126.o, n.o 2, alínea a), segundo travessão, do TFUE e
adoptar decisões individuais relativas à aplicação das san de acordo com o disposto no Regulamento (CE)
ções previstas no presente regulamento. No quadro da n.o 1467/97.
L 306/4 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
Artigo 4.o
Depósitos remunerados 2. Considera-se a decisão que impõe a constituição do depó
sito como adoptada pelo Conselho salvo se este decidir, delibe
1. Caso o Conselho adopte uma decisão em que constate que rando por maioria qualificada, rejeitar a recomendação da Co
um Estado-Membro não tomou medidas para dar cumprimento missão no prazo de 10 dias a contar da sua adopção pela
à recomendação do Conselho a que se refere o artigo 6.o, n.o 2, Comissão.
segundo parágrafo, do Regulamento (CE) n.o 1466/97, a Comis
são, no prazo de 20 dias a contar da adopção daquela decisão,
recomenda ao Conselho que adopte uma nova decisão que 3. O Conselho pode, deliberando por maioria qualificada,
imponha ao Estado-Membro em causa a constituição junto da alterar a recomendação da Comissão e adoptar o texto assim
Comissão de um depósito remunerado de montante equivalente alterado enquanto decisão do Conselho.
a 0,2 % do seu PIB do ano anterior.
3. O Conselho pode, deliberando por maioria qualificada, 3. A Comissão pode efectuar todas as investigações necessá
alterar a recomendação da Comissão e adoptar o texto assim rias para constatar a prática da deturpação a que se refere o
alterado enquanto decisão do Conselho. n.o 1. A Comissão pode abrir uma investigação sempre que
considere que há sérios indícios da prática de factos susceptíveis
de constituir uma deturpação de dados. A Comissão investiga as
presumíveis deturpações de dados tendo em conta as alegações
apresentadas pelo Estado-Membro em causa. A fim de exercer a
4. Tendo como fundamento circunstâncias económicas ex sua competência, a Comissão pode requerer ao Estado-Membro
cepcionais ou na sequência de um pedido fundamentado apre em causa que preste informações, e pode efectuar inspecções «in
sentado pelo Estado-Membro em causa, a Comissão pode, no loco» e aceder à contabilidade de todas as entidades governa
prazo de 10 dias a contar da adopção da decisão do Conselho mentais a nível central, estadual, local e da segurança social.
nos termos do artigo 126.o, n.o 8, do TFUE a que se refere o Caso a legislação do Estado-Membro em causa requeira uma
n.o 1, recomendar ao Conselho a redução do montante da autorização judicial prévia para efectuar inspecções «in loco», a
multa ou a sua anulação. Comissão deve apresentar o respectivo pedido.
5. É atribuída ao Tribunal de Justiça da União Europeia plena 5. Os actos delegados adoptados nos termos do artigo 8.o,
jurisdição para rever as decisões do Conselho que imponham o
n. 4 só entram em vigor se o Parlamento Europeu ou o Con
multas ao abrigo do n.o 1. O Tribunal de Justiça pode anular, selho não formularem objecções ao acto delegado no prazo de
reduzir ou aumentar as multas aplicadas. dois meses a contar da respectiva notificação ao Parlamento
Europeu e ao Conselho, ou se antes do termo do referido prazo
o Parlamento Europeu e o Conselho tiverem informado a Co
CAPÍTULO VI missão de que não tencionam levantar objecções. Por iniciativa
do Parlamento Europeu ou do Conselho, o prazo é prorrogado
NATUREZA ADMINISTRATIVA DAS SANÇÕES E CONSIGNA por dois meses.
ÇÃO DOS JUROS E MULTAS
Artigo 9.o
Natureza administrativa das multas Artigo 12.o
As sanções aplicadas ao abrigo dos artigos 4.o a 8.o são de Votações no Conselho
natureza administrativa. 1. Relativamente às medidas a que se referem os artigos 4.o,
5.o, 6.o e 8.o, o direito de voto é atribuído apenas aos membros
do Conselho que representem os Estados-Membros cuja moeda
Artigo 10.o seja o euro, devendo o Conselho deliberar sem ter em conta o
Distribuição do montante dos juros e das multas voto do membro do Conselho que represente o Estado-Membro
em causa.
Os juros obtidos pela Comissão sobre os depósitos constituídos
nos termos do artigo 5.o e as multas aplicadas ao abrigo dos
artigos 6.o e 8.o constituem outras receitas, na acepção do
artigo 311.o do TFUE, e devem ser consignadas ao Fundo Eu 2. A maioria qualificada dos membros do Conselho a que se
ropeu de Estabilização Financeira. Após a criação pelos Estados- refere o n.o 1 é determinada nos termos do disposto no
-Membros cuja moeda é o euro de outro mecanismo de estabi artigo 238.o, n.o 3, alínea b), do TFUE.
lidade destinado à prestação de assistência financeira com o
objectivo de salvaguardar a estabilidade da área do euro no
seu conjunto, o montante dos juros e multas passará a ser Artigo 13.o
consignado a esse mecanismo.
Revisão
1. Até 14 de Dezembro de 2014 e, posteriormente, de cinco
CAPÍTULO VII em cinco anos, a Comissão publica um relatório sobre a apli
DISPOSIÇÕES GERAIS cação do presente regulamento.
Artigo 11.o
Exercício da delegação Esse relatório deve avaliar, nomeadamente:
1. O poder de adoptar actos delegados é conferido à Comis
são nas condições estabelecidas no presente artigo.
a) A eficácia do presente regulamento, incluindo a possibilidade
de permitir que o Conselho e a Comissão ajam para fazer
2. O poder de adoptar actos delegados a que se refere o face a situações que ameacem pôr em risco o bom funcio
artigo 8.o, n.o 4 é conferido à Comissão por um período de namento da união monetária;
três anos a contar de 13 de Dezembro de 2011. A Comissão
elabora um relatório sobre a delegação de poderes pelo menos
nove meses antes do final do referido período de três anos. A
b) Os progressos no sentido de uma coordenação mais estreita
delegação de poderes será tacitamente prorrogada por períodos
das políticas económicas e de uma convergência sustentada
de igual duração, salvo se o Parlamento Europeu ou o Conselho
dos comportamentos das economias dos Estados-Membros,
se opuserem a tal prorrogação pelo menos três meses antes do
nos termos do TFUE.
final de cada período.
3. A delegação de poderes a que se refere o artigo 8.o, n.o 4 2. Se for caso disso, o relatório deve ser acompanhado de
pode ser revogada em qualquer momento pelo Parlamento Eu uma proposta de alteração ao presente regulamento.
ropeu ou pelo Conselho. A decisão de revogação põe termo à
delegação dos poderes nela especificados. A decisão de revoga
ção produz efeitos no dia seguinte ao da sua publicação no
3. O relatório é transmitido ao Parlamento Europeu e ao
Jornal Oficial da União Europeia, ou em data posterior nela espe
Conselho.
cificada. A decisão de revogação não prejudica a validade dos
actos delegados já em vigor.
Artigo 14.o
Entrada em vigor
O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da
União Europeia.
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, Estatísticas Europeias (4). Além disso, a disponibilidade de
dados orçamentais fiáveis também é importante para a
supervisão dos desequilíbrios macroeconómicos. Este re
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União quisito deverá ser garantido pelas normas previstas a este
Europeia, nomeadamente o artigo 136.o, em conjugação com o respeito pelo Regulamento (UE) n.o 1173/2011 do Par
artigo 121.o, n.o 6, lamento Europeu e do Conselho, de 16 de Novembro de
2011, relativo à aplicação efectiva da supervisão orça
mental na área do euro (5), em especial o artigo 8.o.
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia,
Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen (3) A coordenação das políticas económicas dos Estados-
tos nacionais, -Membros no âmbito da União deverá desenvolver-se no
contexto das orientações gerais de política económica e
de emprego, nos termos do Tratado sobre o Funciona
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (1) mento da União Europeia (TFUE), e implicar o respeito
dos princípios orientadores em matéria de estabilidade de
preços, solidez e sustentabilidade das finanças públicas e
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social das condições monetárias e sustentabilidade da balança
Europeu (2), de pagamentos.
(8) É conveniente completar o procedimento de supervisão (14) A fim de garantir a igualdade de tratamento dos Estados-
multilateral a que se refere o artigo 121.o, [Link] 3 e 4, do -Membros, os depósitos remunerados e as multas deverão
TFUE com regras específicas para a detecção, prevenção e ser idênticos para todos os Estados-Membros cuja moeda
correcção dos desequilíbrios macroeconómicos excessivos é o euro e equivalentes a 0,1 % do produto interno bruto
no interior da União. É essencial que esse procedimento (PIB) do Estado-Membro em causa no ano anterior.
se insira no ciclo anual de supervisão multilateral.
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, tório intitulado «Melhorar a aplicação do Pacto de Esta
bilidade e Crescimento» (8).
(9) O quadro de governação económica reforçada deverá ciclo anual de supervisão, antes de os debates no Conse
assentar em várias políticas interligadas e coerentes de lho Europeu terem lugar. Os Estados-Membros deverão
crescimento sustentável e emprego, em particular numa ter em conta as orientações gerais do Conselho Europeu
estratégia da União para o crescimento e o emprego, com na elaboração dos respectivos programas de estabilidade
especial incidência no desenvolvimento e reforço do mer ou de convergência e dos programas nacionais de re
cado interno e no fomento das ligações comerciais in forma.
ternacionais e da competitividade, num semestre europeu
para o reforço da coordenação das políticas económicas e
orçamentais (Semestre Europeu), num enquadramento
eficaz de prevenção e correcção de défices orçamentais (15) A fim de promover a apropriação nacional do PEC, os
excessivos (PEC), num quadro robusto de prevenção e quadros orçamentais nacionais deverão ser alinhados
correcção dos desequilíbrios macroeconómicos, em requi com os objectivos de supervisão multilateral da União,
sitos mínimos para os quadros orçamentais nacionais e em especial o Semestre Europeu.
numa regulação e supervisão reforçadas do mercado fi
nanceiro, incluindo a supervisão macroprudencial pelo
Comité Europeu do Risco Sistémico.
(16) De acordo com as disposições legais e políticas de cada
Estado-Membro, os parlamentos nacionais deverão parti
cipar adequadamente no Semestre Europeu e na prepa
(10) O PEC e todo o quadro de governação económica deve ração dos programas de estabilidade, dos programas de
rão complementar e apoiar a estratégia da União para o convergência e dos programas nacionais de reforma, a
crescimento e o emprego. As interligações entre as diver fim de aumentar a transparência, a apropriação e a res
sas vertentes não deverão implicar excepções às disposi ponsabilização pelas decisões tomadas. O Comité Econó
ções do PEC. mico e Financeiro, o Comité de Política Económica, o
Comité do Emprego e o Comité da Protecção Social
deverão ser consultados no âmbito do Semestre Europeu.
As partes interessadas, nomeadamente os parceiros so
(11) O reforço da governação económica deverá implicar uma ciais, deverão participar, no âmbito do Semestre Europeu,
participação mais activa e tempestiva do Parlamento Eu no debate das principais questões políticas, sempre que
ropeu e dos parlamentos nacionais. Embora reconhe tal se afigure adequado, de acordo com o disposto no
cendo que os interlocutores do Parlamento Europeu no TFUE e com as disposições legais e políticas nacionais.
âmbito deste diálogo são as outras instituições compe
tentes da União e os seus representantes, a comissão
competente do Parlamento Europeu pode proporcionar
aos Estados-Membros destinatários de recomendações
(17) A adesão ao objectivo de médio prazo relativo às situa
adoptadas pelo Conselho nos termos do artigo 6.o,
ções orçamentais deverá permitir aos Estados-Membros
n.o 2 ou do artigo 10.o, n.o 2 a oportunidade de partici
manterem uma certa margem de segurança relativamente
parem numa eventual troca de pontos de vista. A parti
ao valor de referência de 3 % do PIB, de forma a asse
cipação dos Estados-Membros nessa troca de pontos de
gurar a sustentabilidade das finanças públicas ou uma
vista é facultativa.
progressão rápida no sentido da sustentabilidade, pre
vendo simultaneamente uma margem de manobra orça
mental, em especial para atender às necessidades de in
(12) A Comissão deverá ter um papel mais activo no processo vestimento público. O objectivo orçamental de médio
de supervisão reforçada das avaliações específicas a cada prazo deverá ser regularmente actualizado com base
Estado-Membro, no seu acompanhamento, nas missões numa metodologia comummente acordada que reflicta
in loco, nas recomendações e nas advertências. de forma adequada os riscos para as finanças públicas
decorrentes de passivos explícitos e implícitos, conforme
consubstanciado nos objectivos do PEC.
(20) A realização de progressos suficientes para atingir o ob análise da situação pelo Conselho e uma recomendação
jectivo orçamental de médio prazo deverá ser apreciada indicando as medidas de ajustamento necessárias. A re
com base numa avaliação global que tenha como refe comendação deverá fixar um prazo não superior a cinco
rência o saldo estrutural, incluindo uma análise da des meses para a correcção do desvio. O Estado-Membro em
pesa líquida de medidas discricionárias em matéria de causa deverá informar o Conselho sobre as medidas to
receitas. Neste contexto, e enquanto não for atingido o madas. Se o Estado-Membro em causa não tomar as
objectivo orçamental de médio prazo, a taxa de cresci medidas adequadas no prazo estabelecido pelo Conselho,
mento da despesa pública não deverá normalmente ex este deverá adoptar uma decisão constatando que não
ceder a taxa de referência de médio prazo do crescimento foram tomadas medidas eficazes e informar o Conselho
do PIB potencial, sendo os aumentos que ultrapassam Europeu. É importante determinar tempestivamente a
essa norma compensados por aumentos discricionários ocorrência de incumprimentos por parte dos Estados-
da receita do Estado e as reduções discricionárias das -Membros no que respeita à adopção de medidas apro
receitas compensadas por reduções da despesa. A taxa priadas, em especial quando o incumprimento se man
de referência de médio prazo do crescimento do PIB tém. A Comissão deverá poder recomendar ao Conselho
potencial deverá ser calculada segunda um método co que adopte recomendações revistas. A Comissão deverá
mummente acordado. A Comissão deverá tornar público poder convidar o BCE a participar numa missão de su
o método de cálculo dessas projecções, bem como a taxa pervisão dos Estados-Membros da área do euro e dos
de referência de médio prazo do crescimento do PIB Estados-Membros partes no Acordo de 16 de Março de
potencial que daí resulta. Deverá ser tida em conta a 2006 entre o Banco Central Europeu e os Bancos cen
variabilidade potencialmente muito elevada das despesas trais nacionais dos Estados-Membros não participantes na
de investimento, especialmente no caso dos Estados- área do euro que estabelece os procedimentos operacio
-Membros de menor dimensão. nais relativos ao mecanismo de taxas de câmbio na ter
ceira fase da união económica e monetária (1) (MTC2), se
for caso disso. A Comissão deverá informar o Conselho
dos resultados da missão e ter a possibilidade de, se
(21) Deverá exigir-se aos Estados-Membros confrontados com necessário, tornar públicas as suas conclusões.
um nível de dívida superior a 60 % do PIB ou com riscos
acentuados em termos de sustentabilidade global da dí
vida uma trajectória de ajustamento mais rápida ao ob
jectivo orçamental de médio prazo.
(24) Deverá ser atribuída ao Conselho competência para
adoptar decisões individuais que declarem a não confor
midade com as recomendações por ele adoptadas com
(22) Deverá ser permitido um desvio temporário da trajectória base no artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, que determina as
de ajustamento ao objectivo orçamental de médio prazo medidas políticas a tomar caso um Estado-Membro se
caso esse desvio resulte de uma circunstância excepcional desvie significativamente da trajectória de ajustamento
não controlável pelo Estado-Membro em causa e que ao objectivo orçamental de médio prazo. No quadro da
tenha um impacto significativo na situação das finanças coordenação das políticas económicas dos Estados-Mem
públicas ou em caso de recessão económica grave que bros no âmbito do Conselho prevista no artigo 121.o,
afecte a área do euro ou toda a União, desde que tal não n.o 1, do TFUE, este tipo de decisão inscreve-se plena
ponha em risco a sustentabilidade orçamental a médio mente no seguimento das referidas recomendações adop
prazo, a fim de facilitar a recuperação económica. A tadas pelo Conselho com base no artigo 121.o, n.o 4, do
execução de grandes reformas estruturais deverá também TFUE. A suspensão dos direitos de voto dos membros do
ser tida em conta no que toca a permitir um desvio Conselho representantes dos Estados-Membros cuja
temporário em relação ao objectivo orçamental de médio moeda não é o euro na votação da decisão do Conselho
prazo ou à respectiva trajectória de ajustamento, na con que constata o incumprimento das recomendações diri
dição de se manter uma margem de segurança relativa gidas a um Estado-Membro cuja moeda é o euro ao
mente ao valor de referência do défice. Há que prestar abrigo do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE decorre directa
especial atenção, neste contexto, às reformas sistémicas mente do facto de este tipo de decisão se inscrever in
dos regimes de pensões, nas quais o desvio deverá re teiramente no seguimento da referida recomendação e de
flectir o custo adicional directo da transição das contri a disposição do artigo 139.o, n.o 4, do TFUE reservar o
buições do pilar de gestão pública para o pilar de capi direito de voto deste tipo de recomendações aos Estados-
talização integral. As medidas de retransferência dos ac -Membros cuja moeda é o euro.
tivos do pilar de capitalização integral para o pilar de
gestão pública deverão ser consideradas como medidas
extraordinárias e temporárias e, por isso mesmo, excluí
das do saldo estrutural utilizado na apreciação dos pro
gressos no sentido de atingir o objectivo orçamental de (25) A fim de garantir a conformidade com o quadro de
médio prazo. supervisão orçamental da União para os Estados-Mem
bros cuja moeda é o euro, deverá ser estabelecido um
mecanismo de execução específico com base no
artigo 136.o do TFUE para os casos em que se verifique
(23) Em caso de desvio significativo da trajectória de ajusta um desvio significativo em relação à trajectória de ajus
mento ao objectivo orçamental de médio prazo, a Co tamento ao objectivo orçamental de médio prazo.
missão deverá dirigir ao Estado-Membro em causa uma
advertência, a que se seguirá, no prazo de um mês, uma (1) JO C 73 de 25.3.2006, p. 21.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/15
(26) As referências contidas no Regulamento (CE) b) A formulação e a apreciação da aplicação das orienta
n.o 1466/97 deverão ter em conta a nova numeração ções em matéria de emprego que os Estados-Membros
dos artigos que compõem o TFUE. devem ter em conta (orientações para o emprego), nos
termos do artigo 148.o, n.o 2, do TFUE;
(27) Por conseguinte, o Regulamento (CE) n.o 1466/97 deverá
ser alterado, c) A apresentação e a avaliação dos programas de estabi
lidade e convergência dos Estados-Membros, nos termos
ADOPTARAM O PRESENTE REGULAMENTO: do presente regulamento;
b) “Estados-Membros não participantes”, os Estados-Mem Os Estados-Membros devem ter na devida conta as orien
bros cuja moeda não é o euro.». tações que lhes forem dadas no desenvolvimento das res
pectivas políticas económicas, orçamentais e de emprego,
antes de tomarem decisões fundamentais sobre os seus
3) É inserida a seguinte secção: orçamentos nacionais para os anos subsequentes. Os pro
gressos efectuados devem ser acompanhados pela Comis
«SECÇÃO 1-A são.
SEMESTRE EUROPEU PARA A COORDENAÇÃO DAS
POLÍTICAS ECONÓMICAS O incumprimento, por parte de um Estado-Membro, das
orientações que lhe foram dadas pode resultar:
Artigo 2.o-A
1. A fim de garantir uma coordenação mais estreita das
a) Em novas recomendações para que sejam tomadas me
políticas económicas e uma convergência sustentada dos
didas concretas;
comportamentos das economias dos Estados-Membros, o
Conselho procede à supervisão multilateral como parte in
tegrante do Semestre Europeu para a coordenação das po b) Numa advertência da Comissão nos termos do
líticas económicas, de acordo com os objectivos e requisitos artigo 121.o, n.o 4, do TFUE;
previstos no Tratado sobre o Funcionamento da União
Europeia (TFUE).
c) Na imposição de medidas ao abrigo do presente regu
2. O Semestre Europeu inclui: lamento, do Regulamento (CE) n.o 1467/97 ou do Re
gulamento (UE) n.o 1176/2011.
a) A formulação e a supervisão da aplicação das orienta
ções gerais das políticas económicas dos Estados-Mem A aplicação das medidas fica sujeita a uma supervisão re
bros e da União (Orientações Gerais para as Políticas forçada por parte da Comissão e pode incluir missões de
Económicas), nos termos do artigo 121.o, n.o 2, do supervisão nos termos do artigo –11.o do presente regula
TFUE; mento.
L 306/16 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
4. O Parlamento Europeu deve participar de forma ade g) As recomendações dirigidas pelo Conselho aos Estados-
quada no Semestre Europeu, a fim de aumentar a trans -Membros nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE
parência, a apropriação e a responsabilização pelas decisões em caso de desvio significativo, bem como o relatório
tomadas, nomeadamente através do diálogo económico ins apresentado pelo Conselho ao Conselho Europeu nos
tituído nos termos do artigo 2.o-AA do presente regula termos dos artigos 6.o, n.o 2 e 10.o, n.o 2, do presente
mento. O Comité Económico e Financeiro, o Comité de regulamento;
Política Económica, o Comité do Emprego e o Comité da
Protecção Social devem ser consultados no âmbito do Se
2. Espera-se que, por princípio, o Conselho siga as re
mestre Europeu, caso tal se afigure adequado. As partes
comendações e propostas da Comissão ou exponha a sua
interessadas, nomeadamente os parceiros sociais, devem
posição publicamente.
participar, no âmbito do Semestre Europeu, no debate
das principais questões políticas, se for caso disso, nos
termos do TFUE, da legislação nacional e das disposições 3. A comissão competente do Parlamento Europeu pode
políticas acordadas. dar aos Estados-Membros destinatários de recomendações
emitidas pelo Conselho nos termos dos artigos 6.o, n.o 2 ou
O Presidente do Conselho e a Comissão, nos termos do 10.o, n.o 2 a oportunidade de participarem numa troca de
artigo 121.o do TFUE, e, se necessário, o Presidente do pontos de vista.
Eurogrupo devem apresentar anualmente ao Parlamento
Europeu e ao Conselho Europeu um relatório sobre os 4. O Conselho e a Comissão devem informar regular
resultados da supervisão multilateral. Estes relatórios devem mente o Parlamento Europeu quanto à aplicação do pre
integrar o Diálogo Económico a que se refere o artigo sente regulamento.».
2.o-AA do presente regulamento.
d) Os resultados da supervisão multilateral exercida nos O cumprimento do objectivo orçamental de médio prazo
termos do presente regulamento; deve ser incluído nos quadros orçamentais nacionais de
médio prazo, nos termos do capítulo IV, artigo 5.o da
e) As conclusões apresentadas pelo Conselho Europeu so Directiva 2011/85/UE do Conselho, de 8 November
bre as orientações e os resultados da supervisão multi 2011 que estabelece requisitos aplicáveis aos quadros orça
lateral; mentais dos Estados-Membros (*).
___________
f) As eventuais revisões do exercício da supervisão multi
lateral no final do Semestre Europeu; (*) JO L 306 de 23.11.2011, p. 41».
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/17
6) O artigo 3.o é alterado do seguinte modo: órgãos independentes. Quaisquer divergências significa
tivas entre o cenário macroeconómico escolhido e as
a) O n.o 1 passa a ter a seguinte redacção: previsões da Comissão devem ser descritas e fundamen
tadas, em particular se o nível ou o crescimento das
«1. Cada Estado-Membro participante presta ao Con hipóteses externas divergir significativamente dos valo
selho e à Comissão as informações necessárias ao exer res constantes das previsões da Comissão.
cício da supervisão multilateral regular prevista no
artigo 121.o do TFUE sob a forma de um “programa A natureza exacta das informações incluídas no n.o 2,
de estabilidade” que proporcione uma base essencial alíneas a), a-A), b), c) e d, deve ser apresentada num
para a sustentabilidade das finanças públicas que con quadro harmonizado, a estabelecer pela Comissão em
duza à estabilidade dos preços, a um crescimento sus cooperação com os Estados-Membros.»;
tentável forte e à criação de emprego;»
b) No n.o 2, as alíneas a), b) e c) passam a ter a seguinte d) o n.o 3 passa a ter a seguinte redacção:
redacção:
«3. As informações relativas à trajectória do saldo da
«a) O objectivo orçamental a médio prazo e a trajec
administração pública e do rácio da dívida pública, o
tória de ajustamento conducente ao objectivo fi
crescimento da despesa pública, a trajectória planeada de
xado para o saldo da administração pública ex
crescimento das receitas públicas numa política inalte
presso em percentagem do PIB, a trajectória pre
rada, as medidas de planeamento das receitas discricio
vista do rácio da dívida pública, a trajectória de
nárias, adequadamente quantificadas, e as principais hi
crescimento planeada da despesa pública, in
póteses de natureza económica a que se refere o n.o 2,
cluindo a dotação correspondente para a formação
alíneas a) e b), devem ser estabelecidas numa base anual
bruta de capital fixo, em particular, em especial
e abranger, para além do ano em curso e do ano pre
tendo presentes as condições e os critérios para
cedente, pelo menos os três anos seguintes.
determinar o crescimento da despesa nos termos
do artigo 5.o, n.o 1, a trajectória de crescimento
planeada das receitas públicas numa política inal 4. Cada programa incluirá informações sobre o seu
terada e a quantificação das medidas discricionárias estatuto no contexto dos procedimentos nacionais, no
previstas em matéria de receitas; meadamente se o programa foi apresentado ao parla
mento nacional e se este último teve oportunidade de
a-A) Informações sobre os passivos implícitos, ligados debater o parecer do Conselho sobre o programa ante
ao envelhecimento demográfico, e contingentes, rior ou, se for o caso, qualquer recomendação ou ad
como as garantias públicas, com impacto poten vertência, e se o parlamento aprovou o programa.».
cialmente forte nas contas gerais da administração
pública;
7) O artigo 4.o passa a ter a seguinte redacção:
a-B) Informações sobre a coerência do programa de
estabilidade com as orientações gerais para as po «Artigo 4.o
líticas económicas e os programas nacionais de
reforma; 1. Os programas de estabilidade devem ser apresentados
anualmente em Abril, de preferência até meados e no má
b) As principais hipóteses relativas à evolução pre ximo até 30 de Abril.
vista da economia e a outras importantes variáveis
económicas susceptíveis de influenciar a realização
2. Os Estados-Membros devem tornar públicos os seus
do programa de estabilidade, nomeadamente a des
programas de estabilidade.».
pesa com o investimento público, o crescimento
do PIB em termos reais, o emprego e a inflação;
8) O artigo 5.o passa a ter a seguinte redacção:
c) Uma avaliação quantitativa das medidas orçamen
tais e de outras medidas de política económica
adoptadas ou propostas para a realização dos ob «Artigo 5.o
jectivos do programa, incluindo uma análise dos 1. Com base em avaliações efectuadas pela Comissão e
custos/benefícios das reformas estruturais impor pelo Comité Económico e Financeiro, o Conselho deve
tantes que tenham efeitos orçamentais positivos a examinar, no quadro da supervisão multilateral prevista
longo prazo, inclusive através do reforço do cres no artigo 121.o do TFUE, os objectivos orçamentais de
cimento sustentável potencial;»; médio prazo apresentados pelos Estados-Membros em
causa nos respectivos programas de estabilidade, e apreciar
c) É inserido o seguinte número: se as hipóteses de natureza económica em que o programa
se baseia são realistas, se a trajectória de ajustamento ao
«2-A. O programa de estabilidade deve basear-se no objectivo orçamental de médio prazo é adequada, incluindo
cenário macro-orçamental mais provável ou num cená a apreciação da trajectória acompanhante do rácio da dí
rio mais prudente. As previsões macroeconómicas e vida, e se as medidas adoptadas ou propostas para respeitar
orçamentais serão comparadas com as previsões mais essa trajectória de ajustamento são suficientes para alcançar
actualizadas da Comissão e, se for caso disso, de outros o objectivo orçamental de médio prazo durante o ciclo.
L 306/18 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
Ao apreciarem a trajectória de ajustamento para alcançar o O excedente do crescimento da despesa em relação à refe
objectivo orçamental de médio prazo, o Conselho e a Co rência de médio prazo não é considerado um incumpri
missão devem analisar se o Estado-Membro em causa pros mento do valor de referência na medida em que seja total
segue uma melhoria anual adequada do seu saldo orçamen mente compensado por aumentos de receitas impostos por
tal, corrigido de variações cíclicas e líquido de medidas lei.
extraordinárias e temporárias, exigido para alcançar o seu
objectivo orçamental de médio prazo, tendo 0,5 % do PIB
como valor de referência. Quanto aos Estados-Membros A taxa de referência de médio prazo do crescimento do PIB
com um nível de endividamento superior a 60 % do PIB potencial deve ser determinada com base em projecções e
ou com riscos acentuados ao nível da sustentabilidade glo em estimativas retrospectivas. As projecções devem ser ob
bal da dívida, o Conselho e a Comissão devem analisar se a jecto de actualização periódica. A Comissão deve tornar
melhoria anual do saldo orçamental corrigido das variações público o método de cálculo dessas projecções, bem
cíclicas, líquido das medidas extraordinárias ou temporárias, como a taxa de referência de médio prazo do crescimento
é superior a 0,5 % do PIB. O Conselho e a Comissão devem do PIB potencial que daí resulta.
tomar em consideração se os esforços de ajustamento são
maiores em períodos de conjuntura económica favorável,
podendo ser mais limitados em períodos de conjuntura
económica desfavorável. Devem ser tidas em conta, em Ao definir a trajectória de ajustamento ao objectivo orça
particular, as receitas e perdas de receitas excepcionais. mental de médio prazo no que se refere aos Estados-Mem
bros que ainda não alcançaram este objectivo e, no que se
refere aos países que já o alcançaram, ao autorizar um
A realização de progressos suficientes para atingir o objec desvio temporário em relação ao objectivo, na condição
tivo orçamental de médio prazo deve ser apreciada com de ser garantida uma margem de segurança suficiente
base numa avaliação global que tenha como referência o para assegurar a observância do valor de referência para
saldo estrutural, incluindo uma análise da despesa líquida o défice e de se esperar que a situação orçamental regresse
de medidas discricionárias em matéria de receitas. Para este ao objectivo de médio prazo dentro do período do pro
efeito, o Conselho e a Comissão devem avaliar se a trajec grama, o Conselho e a Comissão devem ter em conta as
tória de crescimento da despesa pública, considerada em reformas estruturais importantes cuja aplicação tenha efei
conjunto com o efeito das medidas adoptadas ou planeadas tos orçamentais positivos directos a longo prazo, inclusive
no lado da receita, respeita as seguintes condições: através do reforço do crescimento sustentável potencial, e
que, consequentemente, tenham um impacto verificável na
sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas.
a) No que respeita aos Estados-Membros que tiverem al
cançado o seu objectivo orçamental de médio prazo, o
crescimento anual da despesa não exceder uma taxa de Deve ser dada especial atenção às reformas dos sistemas de
referência a médio prazo de crescimento do PIB poten pensões, com a introdução de um sistema em vários pilares
cial, a não ser que o excedente seja compensado por que inclua um pilar obrigatório de capitalização integral.
medidas discricionárias em matéria de receitas; Os Estados-Membros que apliquem tais reformas devem ser
autorizados a desviar-se da trajectória de ajustamento ao
objectivo orçamental de médio prazo, ou do próprio ob
b) No que respeita aos Estados-Membros que ainda não jectivo, devendo o desvio reflectir o montante da incidência
tiverem alcançado o objectivo orçamental de médio adicional directa da reforma no saldo da administração
prazo, o crescimento anual da despesa não exceder pública, desde que seja preservada uma margem de segu
uma taxa abaixo da taxa de referência a médio prazo rança adequada relativamente ao valor de referência do
de crescimento do PIB potencial, a não ser que o ex défice.
cedente seja compensado por medidas discricionárias
em matéria de receitas. A dimensão da diferença da
taxa de crescimento da despesa pública em relação à
O Conselho e a Comissão devem igualmente analisar se o
taxa de referência a médio prazo do crescimento do
programa de estabilidade facilita a consecução de uma con
PIB potencial deve assegurar um ajustamento adequado
vergência sustentável e efectiva na área do euro e uma
e direccionado para a concretização do objectivo orça
coordenação estreita das políticas económicas e se as polí
mental de médio prazo;
ticas económicas dos Estados-Membros em causa são con
sentâneas com as orientações gerais das políticas económi
c) No que respeita aos Estados-Membros que ainda não cas e as orientações de emprego dos Estados-Membros e da
tiverem alcançado o objectivo orçamental de médio União.
prazo, as reduções discricionárias de elementos das re
ceitas públicas serem compensadas por reduções da des
pesa, por aumentos discricionários de outros elementos Em caso de ocorrência excepcional não controlável pelo
das receitas públicas ou por ambos. Estado-Membro em causa e que tenha um impacto signifi
cativo na situação das finanças públicas, ou em períodos de
recessão económica grave que afecte a área do euro ou
O agregado da despesa deve excluir as despesas com juros, toda a União, os Estados-Membros podem ser autorizados
as despesas relativas a programas da União inteiramente a desviarem-se temporariamente da trajectória de ajusta
cobertas por receitas provenientes de fundos da União e mento ao objectivo orçamental de médio prazo a que se
as alterações não discricionárias nas despesas com subsídios refere o terceiro parágrafo, desde que tal não ponha em
de desemprego. risco a sustentabilidade orçamental a médio prazo.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/19
2. O Conselho e a Comissão devem analisar o programa Caso o Conselho não adopte a decisão com base na reco
de estabilidade no prazo máximo de três meses a contar da mendação da Comissão que tiver constatado que não foram
data da sua apresentação. O Conselho, deliberando sob tomadas medidas eficazes e o Estado-Membro em causa
recomendação da Comissão e após consulta do Comité persista em não adoptar as medidas apropriadas, a Comis
Económico e Financeiro, aprova, se necessário, um parecer são, um mês após a sua recomendação anterior, recomenda
sobre o programa. Se, nos termos do artigo 121.o do TFUE, ao Conselho que adopte a decisão constatando que não
considerar que os objectivos e o conteúdo do programa foram tomadas medidas eficazes. Considera-se a decisão
devem ser reforçados, sobretudo em relação à trajectória como adoptada pelo Conselho salvo se, por maioria sim
de ajustamento ao objectivo orçamental de médio prazo, ples, este decidir rejeitar a recomendação no prazo de dez
o Conselho deve, no seu parecer, convidar o Estado-Mem dias a contar da sua adopção pela Comissão. Simultanea
bro em causa a ajustar o seu programa.». mente, a Comissão pode recomendar ao Conselho que
adopte uma recomendação revista, nos termos do
artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, indicando as medidas políticas
9) O artigo 6.o passa a ter a seguinte redacção: necessárias.
«Artigo 6.o
Na votação da decisão sobre incumprimento a que se re
1. No âmbito da supervisão multilateral prevista no ferem os quarto e quinto parágrafos só podem votar os
artigo 121.o, n.o 3, do TFUE, o Conselho e a Comissão membros do Conselho representantes dos Estados-Mem
devem acompanhar a aplicação dos programas de estabili bros participantes, devendo o Conselho deliberar sem ter
dade com base nas informações prestadas pelos Estados- em conta o voto do membro do Conselho que represente o
-Membros participantes e nas avaliações da Comissão e do Estado-Membro em causa.
Comité Económico e Financeiro, nomeadamente com o
objectivo de identificar qualquer desvio significativo, efec
tivo ou previsível, da situação orçamental em relação ao
objectivo a médio prazo ou à trajectória de ajustamento a O Conselho deve apresentar ao Conselho Europeu um re
esse objectivo. latório formal sobre as decisões tomadas.
No prazo fixado pelo Conselho na recomendação feita ao b) Ao avaliar a evolução da despesa, líquida de medidas
abrigo do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, o Estado-Membro discricionárias em matéria de receitas, o desvio ter um
em causa deve comunicar ao Conselho as medidas tomadas impacto total sobre o saldo da administração pública de
em resposta à recomendação. pelo menos 0,5 % do PIB num único ano ou, cumula
tivamente, em dois anos consecutivos.
Se o Estado-Membro em causa não tomar as medidas ade
quadas dentro do prazo fixado na recomendação feita pelo
Conselho nos termos do segundo parágrafo, a Comissão O desvio da evolução da despesa não é considerado signi
recomenda imediatamente ao Conselho que adopte, por ficativo se o Estado-Membro em causa tiver ultrapassado o
maioria qualificada, uma decisão constatando que não fo objectivo orçamental de médio prazo, tendo em conta a
ram tomadas medidas eficazes. Simultaneamente, a Comis possibilidade de receitas excepcionais significativas, e se os
são pode recomendar ao Conselho que adopte uma reco planos orçamentais estabelecidos no programa de estabili
mendação revista, nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do dade não colocarem em risco aquele objectivo ao longo do
TFUE, indicando as medidas políticas necessárias. período de vigência do programa.
L 306/20 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
Do mesmo modo, o desvio pode não ser tido em consi adoptadas ou propostas para a realização dos ob
deração caso resulte de ocorrência excepcional não contro jectivos do programa, incluindo uma análise dos
lável pelo Estado-Membro em causa e que tenha um im custos/benefícios das reformas estruturais impor
pacto significativo na situação das finanças públicas, ou em tantes que tenham efeitos orçamentais positivos
caso de recessão económica grave que afecte a área do euro directos a longo prazo, inclusive através do reforço
ou toda a União, desde que tal não ponha em risco a do crescimento sustentável potencial;»;
sustentabilidade orçamental a médio prazo.».
a) O n.o 1 passa a ter a seguinte redacção: «2-A. O programa de convergência deve basear-se no
cenário macro-orçamental mais provável ou num cená
«1. Cada um dos Estados-Membros não participantes rio mais prudente. As previsões macroeconómicas e
presta periodicamente ao Conselho e à Comissão as orçamentais serão comparadas com as previsões mais
informações necessárias ao exercício da supervisão mul actualizadas da Comissão e, se for caso disso, de outros
tilateral prevista no artigo 121.o do TFUE sob a forma órgãos independentes. Quaisquer divergências significa
de um “programa de convergência” que proporcione tivas entre o cenário macroeconómico escolhido e as
uma base essencial para a sustentabilidade das finanças previsões da Comissão devem ser descritas e fundamen
públicas que conduza à estabilidade dos preços, a um tadas, em particular, se o nível ou o crescimento das
crescimento sustentável forte e à criação de emprego.»; hipóteses externas divergir significativamente dos valo
res constantes das previsões da Comissão.
b) No n.o 2, as alíneas a), b) e c) passam a ter a seguinte
redacção:
A natureza exacta das informações incluídas no n.o 2,
alíneas a), a-A), b), c) e d), deve ser apresentada num
«a) O objectivo orçamental de médio prazo e a trajec quadro harmonizado, a estabelecer pela Comissão em
tória de ajustamento a tal objectivo fixados para o cooperação com os Estados-Membros.»;
saldo das administrações públicas expresso em per
centagem do PIB, a trajectória prevista do rácio da
dívida pública, a trajectória planeada de cresci
d) O n.o 3 passa a ter a seguinte redacção:
mento da despesa pública, incluindo a dotação
correspondente para a formação bruta de capital
fixo, em particular tendo presentes as condições e
os critérios para calcular o crescimento da despesa «3. As informações relativas à trajectória do saldo da
nos termos do artigo 9.o, n.o 1, a trajectória pla administração pública e do rácio da dívida pública, o
neada de crescimento da receita pública numa po crescimento da despesa pública, a trajectória planeada de
lítica inalterada e a quantificação das medidas dis crescimento das receitas públicas numa política inalte
rada, as medidas de planeamento das receitas discricio
cricionárias planeadas em matéria de receitas, os
nárias, adequadamente quantificadas, e as principais hi
objectivos da política monetária a médio prazo, a
póteses de natureza económica a que se refere o n.o 2,
relação entre estes objectivos e a estabilidade dos
alíneas a) e b), devem ser estabelecidas numa base anual
preços e da taxa de câmbio e a concretização de
e abranger, para além do ano em curso e do ano pre
uma convergência sustentada;
cedente, pelo menos os três anos seguintes.
c) Uma avaliação quantitativa das medidas orçamen 2. Os Estados-Membros tornarão públicos os seus pro
tais e de outras medidas de política económica gramas de convergência.».
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/21
12) O artigo 9.o passa a ter a seguinte redacção: de crescimento do PIB potencial, a não ser que o ex
cedente seja compensado por medidas discricionárias
em matéria de receitas. A dimensão da diferença da
«Artigo 9.o taxa de crescimento da despesa pública em relação à
taxa de referência a médio prazo do crescimento do
1. Com base em avaliações efectuadas pela Comissão e PIB potencial deve assegurar um ajustamento adequado
pelo Comité Económico e Financeiro, o Conselho deve e direccionado para a concretização do objectivo orça
examinar, no quadro da supervisão multilateral prevista mental de médio prazo;
no artigo 121.o do TFUE, os objectivos orçamentais de
médio prazo apresentados pelos Estados-Membros em
causa nos respectivos programas de convergência, e apre c) No que respeita aos Estados-Membros que ainda não
ciar se as hipóteses de natureza económica em que o pro tiverem alcançado o objectivo orçamental de médio
grama se baseia são realistas, se a trajectória de ajustamento prazo, as reduções discricionárias de elementos das re
ao objectivo orçamental de médio prazo é adequada, in ceitas públicas serem compensadas por reduções da des
cluindo a apreciação da trajectória acompanhante do rácio pesa, por aumentos discricionários de outros elementos
da dívida, e se as medidas adoptadas ou propostas para das receitas públicas ou por ambos.
respeitar essa trajectória de ajustamento são suficientes
para alcançar o objectivo orçamental de médio prazo du
rante o ciclo e concretizar o processo de convergência O agregado da despesa deve excluir as despesas com juros,
sustentada. as despesas relativas a programas da União inteiramente
cobertas por receitas de fundos da União e as alterações
não discricionárias das despesas com subsídios de desem
Ao apreciarem a trajectória de ajustamento para alcançar o prego.
objectivo orçamental de médio prazo, o Conselho e a Co
missão devem tomar em consideração se os esforços são O excedente de crescimento da despesa em relação à refe
maiores em períodos de conjuntura económica favorável, rência de médio prazo não deve ser considerado um in
podendo ser mais limitados em períodos de conjuntura cumprimento do valor de referência, na medida em que
económica desfavorável. Devem ser tidas em conta, em seja totalmente compensado por aumentos de receitas im
particular, as receitas e perdas de receitas excepcionais. postos por lei.
No que respeita aos Estados-Membros que apresentam
um nível de endividamento superior a 60 % do PIB ou
com riscos acentuados ao nível da sustentabilidade global A taxa de referência de médio prazo do crescimento do PIB
da dívida, o Conselho e a Comissão devem analisar se a potencial deve ser determinada com base em projecções e
melhoria anual do saldo orçamental corrigido das variações em estimativas retrospectivas. As projecções devem ser ob
cíclicas, líquido de medidas extraordinárias ou temporárias, jecto de actualização periódica. A Comissão deve tornar
é superior a 0,5 % do PIB. No que respeita aos Estados- público o método de cálculo dessas projecções, bem
-Membros do MTC2, o Conselho e a Comissão devem ana como a taxa de referência de médio prazo do crescimento
lisar se o Estado-Membro em causa prossegue uma melho do PIB potencial que daí resulta.
ria anual adequada do seu saldo, corrigido de variações
cíclicas e líquido de medidas extraordinárias ou temporá Ao definir a trajectória de ajustamento ao objectivo orça
rias, necessária para atingir o seu objectivo orçamental de mental de médio prazo no que se refere aos Estados-Mem
médio prazo, tendo 0,5 % do PIB como valor de referência. bros que ainda não alcançaram este objectivo e, no que se
refere aos países que já o alcançaram, ao autorizar um
desvio temporário em relação ao objectivo, na condição
A realização de progressos suficientes para atingir o objec de ser garantida uma margem de segurança suficiente
tivo orçamental de médio prazo deve ser apreciada com para assegurar a observância do valor de referência para
base numa avaliação global que tenha como referência o o défice e de se esperar que a situação orçamental regresse
saldo estrutural, incluindo uma análise da despesa líquida ao objectivo de médio prazo dentro do período do pro
de medidas discricionárias em matéria de receitas. Para este grama, o Conselho e a Comissão devem ter em conta as
efeito, o Conselho e a Comissão devem avaliar se a trajec reformas estruturais importantes cuja aplicação tenha efei
tória de crescimento da despesa pública, considerada em tos orçamentais positivos directos a longo prazo, inclusive
conjunto com o efeito das medidas adoptadas ou planeadas através do reforço do crescimento sustentável potencial, e
no lado da receita, respeita as seguintes condições: que, consequentemente, tenham um impacto verificável na
sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas.
a) No que respeita aos Estados-Membros que tiverem al
cançado o objectivo orçamental de médio prazo, o cres Deve ser dada especial atenção às reformas dos sistemas de
cimento anual da despesa não exceder uma taxa de pensões, com a introdução de um sistema em vários pilares
referência a médio prazo de crescimento do PIB poten que inclua um pilar obrigatório de capitalização integral.
cial, a não ser que o excedente seja compensado por Os Estados-Membros que apliquem tais reformas devem ser
medidas discricionárias em matéria de receitas; autorizados a desviar-se da trajectória de ajustamento ao
objectivo orçamental de médio prazo, ou do próprio ob
jectivo, devendo o desvio reflectir o montante da incidência
b) No que respeita aos Estados-Membros que ainda não adicional directa da reforma no saldo da administração
tiverem alcançado o objectivo orçamental de médio pública, desde que seja preservada uma margem de segu
prazo, o crescimento anual da despesa não exceder rança adequada relativamente ao valor de referência do
uma taxa abaixo da taxa de referência a médio prazo défice.
L 306/22 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
O Conselho e a Comissão devem igualmente analisar se o ocorrência de um défice excessivo, a Comissão deve dirigir
programa de convergência facilita a consecução de uma ao Estado-Membro em causa uma advertência nos termos
convergência sustentável e efectiva e uma coordenação es do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE.
treita das políticas económicas, e se as políticas económicas
dos Estados-Membros em causa são consentâneas com as
orientações gerais das políticas económicas e as orientações O Conselho, no prazo de um mês a contar da data de
para o emprego dos Estados-Membros e da União. Além adopção da advertência referida no primeiro parágrafo, ana
disso, no que diz respeito aos Estados-Membros do MTC2, lisa a situação e adopta uma recomendação indicando as
o Conselho deve analisar se o programa de convergência medidas políticas necessárias, com base numa recomenda
assegura uma participação normal no mecanismo de taxas ção da Comissão, nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do
de câmbio. TFUE. A recomendação deve fixar um prazo não superior a
cinco meses para a correcção do desvio. O prazo deve ser
reduzido para três meses se a Comissão, na sua advertência,
Em caso de ocorrência excepcional não controlável pelo considerar que a situação é particularmente grave e requer
Estado-Membro em causa e que tenha um impacto signifi acção imediata. O Conselho, sob proposta da Comissão,
cativo na situação das finanças públicas, ou em períodos de torna pública a sua recomendação.
recessão económica grave que afecte a área do euro ou
toda a União, os Estados-Membros podem ser autorizados
a desviarem-se temporariamente da trajectória de ajusta No prazo fixado pelo Conselho na recomendação feita ao
mento ao objectivo orçamental de médio prazo a que se abrigo do artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, o Estado-Membro
refere o terceiro parágrafo, desde que tal não ponha em em causa deve comunicar ao Conselho as medidas tomadas
risco a sustentabilidade orçamental a médio prazo. em resposta à recomendação.
2. O Conselho e a Comissão devem analisar o programa Se o Estado-Membro em causa não tomar as medidas ade
de convergência no prazo máximo de três meses a contar quadas dentro do prazo fixado na recomendação feita pelo
da data da sua apresentação. O Conselho, deliberando sob Conselho nos termos do segundo parágrafo, a Comissão
recomendação da Comissão e após consulta do Comité recomenda imediatamente ao Conselho que adopte, por
Económico e Financeiro, aprova, se necessário, um parecer maioria qualificada, uma decisão constatando que não fo
sobre o programa. Se, nos termos do artigo 121.o do TFUE, ram tomadas medidas eficazes. Simultaneamente, a Comis
considerar que os objectivos e o conteúdo do programa são pode recomendar ao Conselho que adopte uma reco
devem ser reforçados, sobretudo em relação à trajectória mendação revista, nos termos do artigo 121.o, n.o 4, do
de ajustamento ao objectivo orçamental de médio prazo, TFUE indicando as medidas políticas necessárias.
o Conselho deve, no seu parecer, convidar o Estado-Mem
bro em causa a ajustar o seu programa.».
Caso o Conselho não adopte a decisão com base na reco
mendação da Comissão que tiver constatado que não foram
13) O artigo 10.o passa a ter a seguinte redacção: tomadas medidas eficazes e o Estado-Membro em causa
persista em não adoptar as medidas apropriadas, a Comis
são, um mês após a sua recomendação anterior, recomenda
«Artigo 10.o ao Conselho que adopte a decisão constatando que não
foram tomadas medidas eficazes. Considera-se a decisão
1. No âmbito da supervisão multilateral prevista no como adoptada pelo Conselho salvo se, por maioria sim
artigo 121.o, n.o 3, do TFUE, o Conselho e a Comissão ples, este decidir rejeitar a recomendação no prazo de dez
devem acompanhar a aplicação dos programas de conver dias a contar da sua adopção pela Comissão. Simultanea
gência com base nas informações prestadas pelos Estados- mente, a Comissão pode recomendar ao Conselho que
-Membros isentos e nas avaliações da Comissão e do Comité adopte uma recomendação revista, nos termos do
Económico e Financeiro, nomeadamente com o objectivo artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, indicando as medidas políticas
de identificar qualquer desvio significativo, efectivo ou pre necessárias.
visível, da situação orçamental em relação ao objectivo de
médio prazo ou à respectiva trajectória de ajustamento a
esse objectivo. Na votação da decisão sobre incumprimento a que se re
ferem os quarto e quinto parágrafos, o Conselho delibera
sem ter em conta o voto do membro do Conselho que
Além disso, o Conselho e a Comissão devem acompanhar represente o Estado-Membro em causa.
as políticas económicas dos Estados-Membros não partici
pantes em função dos objectivos dos programas de con
vergência, a fim de garantir que as suas políticas sejam O Conselho deve apresentar ao Conselho Europeu um re
orientadas para a estabilidade e desse modo evitar distor latório formal sobre as decisões tomadas.
ções das taxas de câmbio reais e flutuações excessivas das
taxas de câmbio nominais.
3. O desvio em relação ao objectivo orçamental de mé
dio prazo ou à respectiva trajectória de ajustamento será
2. Se identificar um desvio significativo em relação à apreciado com base numa avaliação global que tenha como
trajectória de ajustamento ao objectivo orçamental de mé referência o saldo estrutural, incluindo uma análise da des
dio prazo a que se refere o artigo 9.o, n.o 1, terceiro pará pesa líquida de medidas discricionárias em matéria de re
grafo, do presente regulamento, e a fim de evitar a ceitas, tal como definido no artigo 9.o, n.o 1.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/23
A avaliação para determinar se um desvio é significativo c) A data da publicação das informações estatísticas essen
deve basear-se, nomeadamente, nos seguintes critérios: ciais, a qual deve ser indicada com antecedência signifi
cativa.
___________
a) Para Estados-Membros que não tenham atingido o ob
(*) JO L 87 de 31.3.2009, p. 164.».
jectivo orçamental de médio prazo, ao avaliar a variação
do saldo estrutural, o desvio ser de pelo menos 0,5 %
do PIB num só ano, ou de pelo menos 0,25 % do PIB
em média anual em dois anos consecutivos; 15) É inserido o seguinte artigo:
«Artigo –11.o
b) Ao avaliar a evolução da despesa, líquida de medidas
discricionárias em matéria de receitas, o desvio ter um 1. A Comissão garante um diálogo permanente com as
impacto total sobre o saldo da administração pública de autoridades competentes dos Estados-Membros de acordo
pelo menos 0,5 % do PIB num único ano ou, cumula com os objectivos do presente regulamento. Para este
tivamente, em dois anos consecutivos. efeito, a Comissão deve, em particular, realizar missões
para avaliar a situação económica dos Estados-Membros e
identificar eventuais riscos ou dificuldades no cumprimento
dos objectivos do presente regulamento.
O desvio da evolução da despesa não é considerado signi
ficativo se o Estado-Membro em causa tiver ultrapassado o
objectivo orçamental de médio prazo, tendo em conta a 2. A Comissão pode realizar missões de supervisão re
possibilidade de receitas excepcionais significativas, e se os forçada a Estados-Membros objecto de recomendações fei
planos orçamentais estabelecidos no programa de conver tas nos termos dos artigos 6.o, n.o 2 ou 10.o, n.o 2 para fins
gência não colocarem em risco aquele objectivo ao longo de acompanhamento “in loco”. Os Estados-Membros em
do período de vigência do programa. causa devem prestar todas as informações necessárias à
preparação e realização de tais missões.
Do mesmo modo, o desvio pode não ser tido em consi 3. Se o Estado-Membro em causa for um Estado-Mem
deração caso resulte de ocorrência excepcional não contro bro participante ou um Estado-Membro do MTC2, a Co
lável pelo Estado-Membro em causa e que tenha um im missão pode convidar representantes do Banco Central Eu
pacto significativo na situação das finanças públicas, ou em ropeu, se o considerar adequado, para participarem nas
caso de recessão económica grave que afecte a área do euro missões de supervisão.
ou toda a União, desde que tal não ponha em risco a
sustentabilidade orçamental a médio prazo.». 4. A Comissão apresenta ao Conselho um relatório so
bre o resultado das missões referidas no n.o 2 e, se for caso
disso, pode tornar públicas as suas conclusões.
14) É inserida a seguinte secção:
5. Ao organizar as missões referidas no n.o 2, a Comis
são deve transmitir os respectivos resultados provisórios
aos Estados-Membros em causa, para que estes apresentem
«SECÇÃO 3-A
as suas observações.».
PRINCÍPIO DA INDEPENDÊNCIA ESTATÍSTICA
2. O relatório em causa deve ser acompanhado, se for 17) Todas as referências ao «artigo 99.o do Tratado» são subs
caso disso, de uma proposta de alteração do presente re tituídas em todo o regulamento por referências ao
gulamento, nomeadamente quanto aos procedimentos de «artigo 121.o do TFUE».
tomada de decisões.
Artigo 2.o
3. O relatório é transmitido ao Parlamento Europeu e ao O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia se
Conselho.». guinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, do mercado interno e no fomento das ligações comer
ciais internacionais e da competitividade, um Semestre
Europeu para o reforço da coordenação das políticas
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União económicas e orçamentais (Semestre Europeu), um en
Europeia, nomeadamente o seu artigo 121.o, n.o 6, quadramento eficaz de prevenção e correcção de défices
orçamentais excessivos - o Pacto de Estabilidade e Cres
cimento (PEC) -, um quadro robusto de prevenção e
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, correcção dos desequilíbrios macroeconómicos, requisitos
mínimos para os quadros orçamentais nacionais e uma
regulação e supervisão reforçadas do mercado financeiro,
Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen incluindo a supervisão macroprudencial pelo Comité
tos nacionais, Europeu do Risco Sistémico (ESRB).
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (1), (5) O reforço da governação económica deverá incluir uma
participação mais activa e tempestiva do Parlamento Eu
ropeu e dos parlamentos nacionais. Embora reconhe
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social cendo que os interlocutores do Parlamento Europeu no
Europeu (2), âmbito do diálogo são as outras instituições competentes
da União e os seus representantes, a comissão compe
tente do Parlamento Europeu poderá proporcionar aos
Deliberando de acordo com o processo legislativo ordinário (3), Estados-Membros destinatários de recomendações ou de
decisões do Conselho adoptadas nos termos dos artigos
7.o, n.o 2, 8.o, n.o 2 ou 10.o, n.o 4, do presente regula
mento a oportunidade de participar numa troca de pon
Considerando o seguinte:
tos de vista. A participação dos Estados-Membros nessa
troca de pontos de vista é facultativa.
(1) A coordenação das políticas económicas dos Estados-
-Membros no âmbito da União deverá ser desenvolvida
(6) A Comissão deverá ter um papel mais activo no processo
no contexto das orientações gerais das políticas econó
de supervisão reforçada das avaliações específicas a cada
micas e das orientações para o emprego, nos termos do
Estado-Membro, no seu acompanhamento, nas missões
Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia
in loco, nas recomendações e nas advertências.
(TFUE), e implicar a observância dos princípios orienta
dores em matéria de estabilidade dos preços, solidez e
sustentabilidade das finanças públicas e das condições
monetárias, e sustentabilidade da balança de pagamentos. (7) Em especial, importa alargar a supervisão das políticas
económicas dos Estados-Membros para além da supervi
são orçamental, com base num quadro mais formal e
(2) É necessário extrair as lições da primeira década de fun pormenorizado, a fim de evitar desequilíbrios macroeco
cionamento da União Económica e Monetária e, em par nómicos excessivos e auxiliar os Estados-Membros afec
tados a estabelecerem medidas correctivas antes de as
ticular, melhorar a governação económica na União, com
divergências se enraizarem e de a evolução económica
base numa maior apropriação nacional.
e financeira seguir de forma continuada uma direcção
excessivamente desfavorável. Este alargamento da super
visão das políticas económicas deverá ser acompanhado
(3) A realização e manutenção de um mercado interno di
do reforço da supervisão orçamental.
nâmico deverão ser consideradas condição do bom fun
cionamento da União Económica e Monetária.
(8) A fim de facilitar a correcção destes desequilíbrios ma
croeconómicos excessivos, é necessário adoptar legislação
(4) O quadro de governação económica reforçada deverá
prevendo procedimentos detalhados para o efeito
assentar em várias políticas interligadas e coerentes de
crescimento sustentável e emprego, em particular uma
estratégia da União para o crescimento e o emprego,
com especial incidência no desenvolvimento e reforço (9) É conveniente completar o procedimento de supervisão
multilateral a que se refere o artigo 121.o, [Link] 3 e 4 do
TFUE com regras específicas para a detecção de desequi
(1) JO C 150 de 20.5.2011, p. 1.
líbrios macroeconómicos, bem como para a prevenção e
(2) JO C 218 de 23.7.2011, p. 53.
(3) Posição do Parlamento Europeu de 28 de Setembro de 2011 (ainda correcção de desequilíbrios macroeconómicos excessivos
não publicada no Jornal Oficial) e decisão do Conselho de 8 de na União. É essencial que esse procedimento seja com
Novembro de 2011. patível com o ciclo anual de supervisão multilateral.
L 306/26 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
(10) Esse procedimento deverá prever um mecanismo de (15) Com base no procedimento de supervisão multilateral e
alerta para a detecção precoce de desequilíbrios macroe no mecanismo de alerta, ou caso haja uma importante
conómicos emergentes. Deverá basear-se na utilização de evolução económica inesperada que requeira uma análise
um painel de avaliação indicativo e transparente que urgente para efeitos do presente regulamento, a Comis
inclua limiares indicativos, conjugado com uma aprecia são deverá identificar os Estados-Membros que serão su
ção económica. Esta apreciação deverá ter em conta, jeitos a uma apreciação aprofundada. Esta apreciação
nomeadamente, a convergência nominal e real dentro e aprofundada deverá ser realizada sem pressupor a exis
fora da área do euro. tência de um desequilíbrio e incluir uma análise exaustiva
das causas dos desequilíbrios no Estado-Membro em
causa, tendo na devida conta as condições e circunstân
cias económicas e um conjunto alargado de instrumentos
analíticos, indicadores e informações qualitativas próprias
do Estado-Membro em causa. Quando a Comissão estiver
(11) Para funcionar eficientemente como elemento do meca a proceder à referida apreciação aprofundada, o Estado-
nismo de alerta, o painel de avaliação deverá ser com -Membro deverá colaborar para assegurar que as informa
posto por um conjunto limitado de indicadores econó ções de que a Comissão dispõe sejam tão completas e
micos, financeiros e estruturais relevantes para a detecção correctas quanto possível. Além disso, a Comissão deverá
de desequilíbrios macroeconómicos, com os correspon tomar devidamente em consideração quaisquer outras
dentes limiares indicativos. Os indicadores e os limiares informações que, na opinião do Estado-Membro em
deverão ser ajustados, se necessário, de forma a adapta causa, sejam relevantes e que este tenha comunicado ao
rem-se ao carácter evolutivo dos desequilíbrios macroe Conselho e à Comissão.
conómicos, devido, entre outras razões, à evolução dos
riscos que pesam sobre a estabilidade macroeconómica, e
a terem em conta a melhoria da disponibilidade de esta
tísticas relevantes. Os indicadores não deverão ser consi
derados como objectivos de política económica, mas sim
como instrumentos para ter em conta o carácter evolu
tivo dos desequilíbrios macroeconómicos na União. (16) A apreciação aprofundada deverá ser discutida no âmbito
do Conselho e do Eurogrupo no que respeita aos Esta
dos-Membros cuja moeda seja o euro. Deverá ter em
conta, se for o caso, as recomendações ou os convites
dirigidos pelo Conselho aos Estados-Membros sob apre
ciação nos termos dos artigos 121.o, 126.o e 148.o do
(12) A Comissão deverá cooperar estreitamente com o Parla TFUE e dos artigos 6.o, 7.o, 8.o e 10.o, do presente re
mento Europeu e o Conselho na elaboração do painel de gulamento, bem como as políticas previstas pelo Estado-
avaliação e do conjunto de indicadores macroeconómicos -Membro em causa no seu programa nacional de reformas
e macrofinanceiros relativos aos Estados-Membros. A Co e as melhores práticas internacionais no que respeita a
missão deverá apresentar, para apreciação pelas comis indicadores e metodologias. Se decidir proceder a uma
sões competentes do Parlamento Europeu e do Conselho, apreciação aprofundada em caso de importante evolução
sugestões sobre planos para estabelecer e adaptar os in económica inesperada que requeira uma análise urgente,
dicadores e os limiares. A Comissão deverá informar o a Comissão deverá informar o Estado-Membro em causa.
Parlamento Europeu e o Conselho de quaisquer altera
ções dos indicadores e limiares e explicar os motivos que
a levam a sugerir tais alterações.
(18) Deverão também ser considerados a capacidade de ajus (22) Se forem identificados desequilíbrios macroeconómicos
tamento económico e o historial do Estado-Membro em graves, entre os quais se incluem desequilíbrios que pos
causa no que respeita ao cumprimento de recomendações sam colocar em risco o bom funcionamento da União
adoptadas nos termos do presente regulamento e de ou Económica e Monetária, deverá ser iniciado um procedi
tras recomendações adoptadas nos termos do mento por desequilíbrio excessivo, o qual pode passar
artigo 121.o do TFUE no âmbito da supervisão multila por recomendações ao Estado-Membro, pelo reforço da
teral, nomeadamente as grandes orientações sobre as po supervisão e dos requisitos de fiscalização e, no que se
líticas económicas dos Estados-Membros e da União. refere aos Estados-Membros cuja moeda é o euro, pela
possibilidade de aplicação de medidas de execução nos
termos do Regulamento (UE) n.o 1174/2011 do Parla
mento Europeu e do Conselho, de 16 de Novembro de
(19) Um procedimento de supervisão e correcção de desequi 2011, relativo às medidas de execução destinadas a cor
líbrios macroeconómicos adversos com elementos pre rigir os desequilíbrios macroeconómicos excessivos na
ventivos e correctivos requer instrumentos de supervisão área do euro (2), em caso de persistência em não adoptar
reforçados, baseados nos instrumentos usados no proce medidas correctivas.
dimento de supervisão multilateral. Este procedimento
poderá incluir missões reforçadas de supervisão a efectuar
pela Comissão nos Estados-Membros, em cooperação
com o Banco Central Europeu (BCE), para os Estados- (23) Qualquer Estado-Membro objecto de um procedimento
-Membros da área do euro e das partes no Acordo de por desequilíbrio excessivo deverá elaborar um plano de
16 de Março de 2006 entre o Banco Central Europeu e medidas correctivas definindo pormenorizadamente as
os bancos centrais nacionais dos Estados-Membros não políticas que concebeu para dar cumprimento às reco
participantes na área do euro que estabelece os procedi mendações do Conselho. O plano deve incluir um calen
mentos operacionais relativos ao mecanismo de taxas de dário de aplicação das medidas previstas e ser aprovado
câmbio na terceira fase da União Económica e Monetá por uma recomendação do Conselho. A recomendação
ria (1) (MTC2), e a apresentação adicional de relatórios deve ser transmitida ao Parlamento Europeu.
por parte dos Estados-Membros em caso de graves dese
quilíbrios, incluindo desequilíbrios que comprometam o
bom funcionamento da União Económica e Monetária.
(24) Deverá ser conferida ao Conselho competência para
Os parceiros sociais e outras partes interessadas a nível
adoptar decisões individuais que constatem o incumpri
nacional deverão, se for caso disso, participar no diálogo.
mento das recomendações por ele aprovadas no âmbito
do plano de medidas correctivas. Fazendo parte da coor
denação das políticas económicas dos Estados-Membros
efectuada no Conselho nos termos do artigo 121.o, n.o 1,
(20) Se forem identificados desequilíbrios macroeconómicos,
do TFUE, tais decisões individuais inscrevem-se plena
deverão ser dirigidas recomendações ao Estado-Membro
mente no seguimento das recomendações adoptadas
em causa com orientações para a definição de políticas
pelo Conselho ao abrigo do artigo 121.o, n.o 4, do
adequadas com a participação, se for caso disso, das
TFUE no contexto do plano de medidas de correcção.
comissões competentes A resposta política do Estado-
-Membro em causa deverá ser atempada e utilizar todos
os instrumentos políticos disponíveis sob controlo das
autoridades públicas. Se for caso disso, as partes interes (25) Na aplicação do presente regulamento, o Conselho e a
sadas a nível nacional, incluindo os parceiros sociais, Comissão deverão respeitar inteiramente o papel dos par
deverão ser igualmente associadas a este processo, nos lamentos nacionais e dos parceiros sociais, bem como as
termos do TFUE, da legislação nacional e das disposições diferenças entre sistemas nacionais, como os sistemas de
políticas acordadas. A resposta política deverá ser adap formação dos salários.
tada ao contexto e às circunstâncias específicas do refe
rido Estado-Membro e abranger as principais áreas de
política económica, incluindo potencialmente as políticas
orçamental e salarial, os mercados de trabalho, os mer (26) Se o Conselho considerar que um Estado-Membro já não
cados de produtos e serviços e a regulamentação do está a ser afectado por um desequilíbrio macroeconómico
sector financeiro. Deverão ser tidos em conta os com excessivo, o procedimento por desequilíbrio excessivo
promissos assumidos no âmbito do MTC2. deverá ser encerrado após o Conselho, sob recomendação
da Comissão, revogar as recomendações correspondentes.
A revogação deverá basear-se numa análise global da
Comissão que demonstre que as medidas tomadas pelo
(21) Os alertas e as recomendações do ESRB aos Estados- Estado-Membro estão em consonância com as recomen
-Membros ou à União contemplam riscos de natureza dações aplicáveis do Conselho e que deixaram de existir
macrofinanceira, os quais deverão também justificar as causas subjacentes e os riscos associados identificados
uma acção de seguimento apropriada por parte Comissão na recomendação de abertura do procedimento por de
no contexto da supervisão de desequilíbrios macroeconó sequilíbrio excessivo, nomeadamente tendo em conta a
micos, se necessário. A independência e o regime de evolução macroeconómica, as perspectivas e os efeitos
confidencialidade do ESRB deverão ser estritamente res induzidos. O encerramento do procedimento por dese
peitados. quilíbrio excessivo deverá ser tornado público.
(27) Atendendo a que o objectivo do presente regulamento, a 2) «Desequilíbrios excessivos»: desequilíbrios graves, entre os
saber, o estabelecimento de um enquadramento eficaz de quais se incluem desequilíbrios que coloquem ou possam
detecção de desequilíbrios macroeconómicos e de preven colocar em risco o bom funcionamento da União Econó
ção e correcção de desequilíbrios macroeconómicos ex mica e Monetária.
cessivos, não pode ser suficientemente alcançado pelos
Estados-Membros, devido às profundas interligações co
merciais e financeiras entre os Estados-Membros e às
repercussões das políticas económicas nacionais na União CAPÍTULO II
e na área do euro como um todo, e pode, pois, ser
DETECÇÃO DE DESEQUILÍBRIOS
melhor concretizado a nível da União, a União pode
adoptar medidas em conformidade com o princípio da Artigo 3.o
subsidiariedade, consagrado no artigo 5.o do Tratado da
União Europeia. De acordo com o princípio da propor Mecanismo de alerta
cionalidade, consagrado no mesmo artigo, o presente 1. É estabelecido um mecanismo de alerta para facilitar a
regulamento não excede o necessário para alcançar identificação precoce e a vigilância de desequilíbrios. A Comis
aquele objectivo, são redige um relatório anual que contém uma avaliação eco
nómica e financeira qualitativa baseada num painel de avaliação
com um conjunto de indicadores cujos valores são comparados
ADOPTARAM O PRESENTE REGULAMENTO: com os limiares indicativos com eles relacionados, nos termos
do artigo 4.o. O relatório anual, incluindo os valores dos indi
cadores do painel de avaliação, é tornado público.
CAPÍTULO I
OBJECTO E DEFINIÇÕES
2. O painel de avaliação é composto por um pequeno nú 7. A Comissão avalia periodicamente a adequação do painel
mero de indicadores macroeconómicos e macrofinanceiros re de avaliação, nomeadamente a composição dos indicadores, os
levantes, práticos, simples, mensuráveis e disponíveis relativos limiares estabelecidos e a metodologia utilizada, ajustando-os ou
aos Estados-Membros. O painel de avaliação destina-se a per alterando-os caso tal seja necessário. A Comissão divulga pu
mitir a identificação precoce, tanto de desequilíbrios macroeco blicamente as alterações na metodologia e composição do pai
nómicos a curto prazo, como de desequilíbrios resultantes de nel de avaliação e nos limiares associados.
tendências estruturais e de longo prazo.
b) As políticas previstas pelo Estado-Membro sob apreciação, Da recomendação do Conselho devem constar a natureza e as
reflectidas no seu programa nacional de reformas e, con implicações dos desequilíbrios e a descrição de um conjunto de
forme o caso, no seu programa de estabilidade ou de con recomendações políticas que deverão ser seguidas, bem como o
vergência; prazo no qual o Estado-Membro em causa deve apresentar um
plano de medidas correctivas. O Conselho pode, nos termos do
artigo 121.o, n.o 4, do TFUE, divulgar publicamente a sua reco
c) Quaisquer alertas ou recomendações do ESRB sobre riscos mendação.
sistémicos tratados ou que sejam relevantes para o Estado-
-Membro sob apreciação. O regime de confidencialidade do
ESRB deve ser respeitado.
Artigo 8.o
Plano de medidas correctivas
3. A Comissão informa o Parlamento Europeu e o Conselho
dos resultados da apreciação aprofundada, devendo divulgá-la 1. Os Estados-Membros relativamente aos quais seja aberto
publicamente. um procedimento por desequilíbrios excessivos têm de apresen
tar um plano de medidas correctivas ao Conselho e à Comissão
no prazo fixado na recomendação referida no artigo 7.o, n.o 2, e
Artigo 6.o com base nesta última. O plano de medidas correctivas deve
estabelecer um conjunto de medidas políticas específicas que o
Medidas preventivas Estado-Membro em causa aplicou ou tenciona aplicar, e incluir
1. Se, com base na apreciação aprofundada a que se refere o um calendário de aplicação das medidas em causa. O plano de
artigo 5.o, a Comissão considerar que um Estado-Membro está a medidas correctivas deve ter em conta o impacto económico e
ser afectado por desequilíbrios, informa desse facto o Parla social das medidas políticas e ser consentâneo com as orienta
mento Europeu, o Conselho e o Eurogrupo. O Conselho, com ções gerais das políticas económicas e as orientações para o
base numa recomendação da Comissão, pode dirigir as reco emprego.
mendações necessárias ao Estado-Membro em causa, nos termos
do procedimento previsto no artigo 121.o, n.o 2, do TFUE.
2. O Conselho, com base num relatório da Comissão, avalia
o plano de medidas correctivas no prazo de dois meses a contar
2. O Conselho informa o Parlamento Europeu da recomen da respectiva apresentação. Se, com base numa recomendação
dação e divulga-a publicamente. da Comissão, o Conselho considerar o plano de medidas cor
rectivas suficiente, subscreve-o através de uma recomendação na
qual deve enunciar as medidas específicas necessárias e os pra
3. As recomendações do Conselho e da Comissão devem zos para as tomar, e estabelece um calendário para a supervisão,
respeitar plenamente o disposto no artigo 152.o do TFUE e prestando a devida atenção aos canais de transmissão e reco
ter em conta o artigo 28.o da Carta dos Direitos Fundamentais nhecendo que pode decorrer um grande lapso de tempo entre a
da União Europeia. adopção das medidas correctivas e a resolução efectiva dos
desequilíbrios.
4. O Conselho reaprecia anualmente a sua recomendação no
contexto do Semestre Europeu e pode, se for caso disso, adaptá-
-la, nos termos do n.o 1. 3. Se, com base numa recomendação da Comissão, o Conse
lho considerar insuficientes as medidas ou o calendário previs
tos no plano de medidas correctivas, dirige ao Estado-Membro
CAPÍTULO III uma recomendação para que este apresente, num prazo, por
norma, de dois meses, um novo plano de medidas correctivas.
PROCEDIMENTO POR DESEQUILÍBRIO EXCESSIVO O Conselho procede à avaliação do novo plano de medidas
Artigo 7.o correctivas nos termos do procedimento previsto no presente
artigo.
Abertura do procedimento por desequilíbrio excessivo
1. Se, com base na apreciação aprofundada a que se refere o
artigo 5.o, a Comissão considerar que o Estado-Membro em 4. O plano de medidas correctivas, o relatório da Comissão e
causa está a ser afectado por desequilíbrios excessivos, informa a recomendação do Conselho referidos nos [Link] 2 e 3 são
desse facto o Parlamento Europeu, o Conselho e o Eurogrupo. divulgados publicamente.
2. O Conselho divulga publicamente os relatórios intercalares deve prosseguir de acordo com o calendário fixado na recomen
dos Estados-Membros. dação emitida nos termos do artigo 8.o, n.o 2. O Conselho torna
públicos os motivos que o levaram a suspender o processo,
reconhecendo as medidas políticas correctivas tomadas pelo
3. A Comissão pode realizar missões de supervisão reforçada Estado-Membro em causa.
no Estado-Membro em causa para fiscalizar a execução do
plano de medidas correctivas, em articulação com o BCE, caso
as missões digam respeito a Estados-Membros cuja moeda é o Artigo 11.o
euro ou a Estados-Membros participantes no MTC2. Se for caso Encerramento do procedimento por desequilíbrio
disso, a Comissão associa ao diálogo os parceiros sociais e excessivo
outras partes interessadas nacionais durante as referidas missões.
O Conselho revoga as recomendações adoptadas nos termos
dos artigos 7.o, 8.o e 10.o, com base numa recomendação da
4. Se as circunstâncias económicas se alterarem significativa Comissão, logo que considere que o Estado-Membro em causa
mente, o Conselho, com base numa recomendação da Comis já não está a ser afectado pelos desequilíbrios excessivos des
são, pode alterar as recomendações adoptadas nos termos do critos na recomendação a que se refere o artigo 7.o, n.o 2. O
artigo 8.o, n.o 2, nos termos do procedimento previsto nesse Conselho divulga publicamente este facto.
mesmo artigo. Se necessário, o Conselho convida o Estado-
-Membro em causa a apresentar um plano de medidas correcti
vas revisto e avalia esse plano nos termos do procedimento Artigo 12.o
previsto no artigo 8.o.
Votação no Conselho
Relativamente às medidas referidas nos artigos 7.o a 11.o, o
Artigo 10.o Conselho delibera sem ter em conta o voto do membro do
Conselho que represente o Estado-Membro em causa.
Avaliação das medidas correctivas
1. Com base num relatório da Comissão, o Conselho avalia
se o Estado-Membro em causa aplicou as medidas correctivas CAPÍTULO IV
recomendadas de acordo com a recomendação adoptada pelo DISPOSIÇÕES FINAIS
Conselho nos termos do artigo 8.o, n.o 2.
Artigo 13.o
Missões de supervisão
2. A Comissão divulga publicamente o seu relatório.
1. A Comissão assegura um diálogo permanente com as
autoridades dos Estados-Membros em conformidade com os
objectivos do presente regulamento. Para esse efeito, a Comissão
3. O Conselho procede à sua avaliação no prazo por si realiza missões com a finalidade de avaliar a situação económica
fixado nas suas recomendações adoptadas nos termos do em cada Estado-Membro e identificar quaisquer riscos ou difi
artigo 8.o, n.o 2. culdades de cumprimento dos objectivos do presente regula
mento.
d) Os resultados da supervisão multilateral realizada nos termos a) A eficácia das regras previstas no presente regulamento;
do presente regulamento;
b) Os progressos registados no sentido de assegurar uma coor
e) As conclusões do Conselho Europeu sobre as orientações denação mais estreita das políticas económicas e uma con
para a supervisão multilateral e os resultados desta última; vergência sustentada dos comportamentos das economias
dos Estados-Membros, nos termos do TFUE.
f) A eventual revisão do exercício da supervisão multilateral no Este relatório será acompanhado, se for caso disso, de uma
final do Semestre Europeu; proposta de alteração do presente regulamento.
g) As recomendações adoptadas nos termos dos artigos 7.o, 2. A Comissão transmite os relatórios a que se refere o n.o 1
n.o 2, 8.o, n.o 2 e 10.o, n.o 4, do presente regulamento; ao Parlamento Europeu e ao Conselho.
O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, n.o 1056/2005 (7), respectivamente. Além disso, o Con
selho adoptou, em 20 de Março de 2005, um relatório
intitulado «Melhorar a aplicação do Pacto de Estabilidade
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União e Crescimento» (8).
Europeia (TFUE), nomeadamente o artigo 126.o, n.o 14, se
gundo parágrafo,
(3) O PEC baseia-se no objectivo de assegurar a solidez e a
sustentabilidade das finanças públicas como meio de re
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, forçar as condições propícias à estabilização dos preços e
a um forte crescimento sustentável suportado pela esta
bilidade financeira, contribuindo para a consecução dos
objectivos da União em matéria de crescimento susten
Após transmissão do projecto de acto legislativo aos parlamen
tado e de emprego.
tos nacionais,
(8) O PEC e um quadro de governação económica completo tatação da existência de um défice excessivo, que deverá
deverão complementar e apoiar a estratégia da União ter em conta todos os outros factores pertinentes exami
para o crescimento e o emprego. As interligações entre nados no relatório da Comissão, nos termos do
as diversas vertentes não deverão estabelecer excepções às artigo 126.o, n.o 3, do TFUE. Em especial, a avaliação
disposições do PEC. do efeito das flutuações cíclicas e da composição do
ajustamento défice-dívida na evolução da dívida pode
ser suficiente para excluir a constatação de um défice
(9) O reforço da governação económica deverá implicar uma excessivo com base no critério da dívida.
participação mais activa e tempestiva do Parlamento Eu
ropeu e dos parlamentos nacionais. Embora reconhe
cendo que os interlocutores do Parlamento Europeu no (15) Na constatação da existência de um défice excessivo com
âmbito deste diálogo são as outras instituições compe base no critério do défice e nas fases conducentes a essa
tentes da União e os seus representantes, a comissão decisão, é necessário ter em conta todos os outros fac
competente do Parlamento Europeu poderá proporcionar tores pertinentes examinados no relatório da Comissão,
aos Estados-Membros destinatários de decisões do Conse nos termos do artigo 126.o, n.o 3, do TFUE, se a relação
lho adoptadas nos termos do artigo 126.o, n.o 6, do entre a dívida pública e o PIB não exceder o valor de
TFUE, de recomendações adoptadas nos termos do referência.
artigo 126.o, n.o 7 do TFUE, de notificações efectuadas
nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE ou de deci
sões adoptadas nos termos do artigo 126.o, n.o 11, do
(16) Ao ter em conta as reformas sistémicas dos regimes de
TFUE, a oportunidade de participarem numa troca de
pensões entre os factores pertinentes, a principal consi
pontos de vista. A participação dos Estados-Membros
deração deverá ser a de saber se essas reformas reforçam
nessas trocas de pontos de vista é facultativa.
a sustentabilidade a longo prazo do sistema global de
pensões, sem aumentar os riscos para a situação orça
(10) A Comissão deverá ter um papel mais activo no processo mental a médio prazo.
de supervisão reforçada das avaliações específicas a cada
Estado-Membro, no seu acompanhamento, nas missões
in loco, nas recomendações e nas advertências. (17) O relatório da Comissão elaborado nos termos do
artigo 126.o, n.o 3, do TFUE deverá ter devidamente
em conta a qualidade do quadro orçamental nacional,
(11) Ao aplicarem o presente regulamento, a Comissão e o uma vez que este tem um papel essencial no apoio à
Conselho deverão, se for caso disso, ter em conta todos consolidação orçamental e à sustentabilidade das finanças
os factores pertinentes, bem como a situação económica públicas. Essa consideração deverá incluir os requisitos
e orçamental dos Estados-Membros em causa. mínimos estabelecidos na Directiva 2011/85/UE do Con
selho, de 8 de Novembro de 2011, que estabelece requi
sitos aplicáveis aos quadros orçamentais dos Estados-
(12) As regras de disciplina orçamental deverão ser reforçadas, -Membros (1), bem como outros requisitos tidos por con
nomeadamente atribuindo um papel mais relevante ao venientes para a disciplina orçamental.
nível e à evolução da dívida e à sustentabilidade global.
Deverão ser igualmente reforçados os mecanismos desti
nados a garantir o cumprimento dessas regras e a res (18) A fim de facilitar o cumprimento das recomendações e
pectiva execução. notificações do Conselho tendo em vista a correcção de
situações de défice excessivo, é necessário que as mesmas
definam objectivos orçamentais anuais compatíveis com
(13) A aplicação do actual procedimento relativo aos défices a necessária melhoria da situação orçamental, em termos
excessivos com base no critério do défice e no critério da corrigidos de variações cíclicas e líquidos de medidas
dívida exige um valor de referência numérico que tenha pontuais ou temporárias. Neste contexto, o valor de re
em conta o ciclo económico para avaliar se a relação ferência anual de 0,5 % do PIB deverá ser entendido
entre a dívida pública e o produto interno bruto (PIB) como base média anual.
se encontra em diminuição significativa e se está a apro
ximar, de forma satisfatória, do valor de referência.
(19) A avaliação das medidas eficazes beneficiará do cumpri
mento dos objectivos de despesa pública, em conjugação
Deverá ser consagrado um período de transição desti
com a aplicação das medidas específicas previstas em
nado a permitir aos Estados-Membros que, à data da
matéria de receitas.
adopção do presente regulamento, sejam objecto de um
procedimento relativo aos défices excessivos adaptarem
as suas políticas ao valor de referência numérico para a
redução da dívida. O mesmo se deverá aplicar aos Esta (20) Na avaliação de um pedido de prorrogação de prazo para
dos-Membros que estejam sujeitos a um programa de correcção do défice excessivo, deverão ser tomadas espe
ajustamento da União ou do Fundo Monetário Interna cialmente em consideração as situações de recessão eco
cional. nómica grave que afecte a área do euro ou toda a UE,
desde que tal não ponha em risco a sustentabilidade
orçamental a médio prazo.
(14) O incumprimento do valor de referência numérico para a
redução da dívida não deverá ser suficiente para a cons (1) Ver página 41 do presente Jornal Oficial.
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/35
(21) É conveniente reforçar a aplicação das sanções financeiras 2) O artigo 2.o é alterado do seguinte modo:
previstas no artigo 126.o, n.o 11, do TFUE de forma a
que as mesmas constituam uma incitação concreta para o
cumprimento das notificações efectuadas nos termos do
artigo 126.o, n.o 9, do TFUE. a) No n.o 1, o primeiro parágrafo passa a ter a seguinte
redacção:
(24) As remissões constantes do Regulamento (CE) «1-A. Quando exceder o valor de referência, consi
n.o 1467/97 deverão ter em conta a nova numeração dera-se que a relação entre a dívida pública e o produto
dos artigos do Tratado sobre o Funcionamento da União interno bruto (PIB) se encontra em diminuição signifi
Europeia e a substituição do Regulamento (CE) cativa e se está a aproximar, de forma satisfatória, do
n.o 3605/93 do Conselho (1) pelo Regulamento (CE) valor de referência, nos termos do artigo 126.o, n.o 2,
n.o 479/2009 do Conselho, de 25 de Maio de 2009, alínea b), do TFUE, se, nos três anos anteriores, o di
relativo à aplicação do Protocolo sobre o procedimento ferencial relativamente ao valor de referência tiver tido
relativo aos défices excessivos anexo ao Tratado que ins uma redução média de um vigésimo por ano como
titui a Comunidade Europeia (2). padrão de referência, com base nas alterações verifica
das durante os últimos três anos para os quais existam
(25) Por conseguinte, o Regulamento (CE) n.o 1467/97 deverá dados disponíveis.
ser alterado,
conforme referido nesse artigo, na medida em que afec plenamente satisfeita a dupla condição do princípio
tem significativamente a avaliação do cumprimento dos central segundo o qual, antes de serem tomados em
critérios do défice e da dívida pelo Estado-Membro em consideração os factores pertinentes, o défice orçamen
causa. O relatório deve reflectir de modo adequado: tal geral continua perto do valor de referência e o
excesso em relação ao valor de referência é temporário.
a) A evolução da situação económica a médio prazo,
em especial, o crescimento potencial, incluindo as Todavia, na avaliação do cumprimento com base no
diferentes contribuições proporcionadas pelo traba critério da dívida, esses factores devem ser tomados
lho, pela acumulação de capital e pela produtividade em consideração nas etapas conducentes à decisão so
total dos factores, a evolução cíclica e a situação da bre a existência de um défice excessivo.
poupança líquida do sector privado;
«4. A recomendação do Conselho adoptada nos ter «1. As decisões do Conselho, nos termos do
mos do artigo 126.o, n.o 7, do TFUE, deve estabelecer artigo 126.o, n.o 8, do TFUE, no sentido de tornar públicas
um prazo máximo de seis meses para que o Estado- as suas recomendações, sempre que se verifique que não
-Membro em causa tome medidas eficazes. Se a gravi foram tomadas medidas eficazes devem ser adoptadas ime
dade da situação o justificar, o prazo para a tomada de diatamente a seguir ao termo do prazo fixado nos termos
medidas eficazes pode ser de três meses. A recomenda do artigo 3.o, n.o 4, do presente regulamento.
L 306/38 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
2. Para determinar se foram tomadas medidas eficazes tos económicos adversos e imprevistos com um impacto
na sequência das recomendações adoptadas nos termos do desfavorável significativo nas finanças públicas. Em caso de
artigo 126.o, n.o 7, do TFUE, o Conselho deve basear a sua recessão económica grave que afecte a área do euro ou
decisão no relatório apresentado pelo Estado-Membro em toda a União, o Conselho pode também decidir adoptar,
causa nos termos do artigo 3.o, n.o 4-A, do presente re sob recomendação da Comissão, uma notificação revista
gulamento e na respectiva execução, bem como noutras nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE, desde que tal
decisões tornadas públicas pelo governo do Estado-Mem não ponha em risco a sustentabilidade orçamental a médio
bro em causa. prazo.».
Caso o Conselho verifique, nos termos do artigo 126.o, 7) Os artigos 6.o a 8.o passam a ter a seguinte redacção:
n.o 8, do TFUE, que o Estado-Membro em causa não
tomou medidas eficazes, informa o Conselho Europeu
«Artigo 6.o
em conformidade.».
1. Para determinar se foram tomadas medidas eficazes
na sequência da notificação efectuada nos termos do
6) No artigo 5.o, os [Link] 1 e 2 passam a ter a seguinte artigo 126.o, n.o 9, do TFUE, o Conselho deve basear a
redacção: sua decisão no relatório apresentado pelo Estado-Membro
em causa nos termos do artigo 5.o, n.o 1-A, do presente
«1. A decisão do Conselho no sentido de notificar o regulamento e na respectiva execução, bem como noutras
Estado-Membro participante em causa para este tomar decisões tornadas públicas pelo governo do Estado-Mem
medidas destinadas a reduzir o défice, nos termos do bro em causa. Devem ser tidos em conta os resultados da
artigo 126.o, n.o 9, do TFUE deve ser adoptada no prazo missão de supervisão efectuada pela Comissão nos termos
de dois meses a contar da data da decisão do Conselho do artigo 10.o-A do presente regulamento.
que tiver verificado que não foram tomadas medidas efi
cazes nos termos do artigo 126.o, n.o 8, do TFUE. Na 2. Sempre que estejam reunidas as condições necessá
notificação, o Conselho deve exigir que o Estado-Membro rias para aplicar o artigo 126.o, n.o 11, do TFUE, o Conse
cumpra objectivos orçamentais anuais que, com base nas lho deve aplicar sanções nos termos dessa mesma dispo
previsões subjacentes à notificação, possibilitem uma me sição. Essa decisão deve ser tomada, o mais tardar, no
lhoria anual mínima de 0,5 % do PIB, como valor de prazo de quatro meses a contar da decisão do Conselho
referência, do seu saldo corrigido de variações cíclicas, nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE que notifica o
líquido de medidas pontuais ou temporárias, a fim de Estado-Membro participante em causa para tomar medi
assegurar a correcção da situação de défice excessivo no das.
prazo fixado na notificação. O Conselho deve igualmente
definir as medidas conducentes ao cumprimento desses
objectivos. Artigo 7.o
Se um Estado-Membro participante não cumprir sucessivos
1-A. Na sequência da notificação do Conselho efectuada actos jurídicos do Conselho adoptados nos termos do
nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE, o Estado- artigo 126.o, [Link] 7 e 9, do TFUE, a decisão do Conselho
-Membro em causa deve comunicar ao Conselho e à Co nos termos do artigo 126.o, n.o 11, do TFUE, de aplicar
missão as medidas adoptadas em resposta à notificação do sanções deve ser tomada, como regra geral, no prazo de
Conselho. O relatório deve incluir os objectivos relativos à dezasseis meses a contar das datas de notificação previstas
despesa e à receita pública e às medidas discricionárias no artigo 3.o, [Link] 2 e 3, do Regulamento (CE)
tanto no lado da despesa como no da receita, bem n.o 479/2009. Caso sejam aplicados o artigo 3.o, n.o 5
como informações sobre as medidas adoptadas em res ou o artigo 5.o, n.o 2, do presente regulamento, o prazo
posta às recomendações específicas do Conselho de forma de dezasseis é alterado em conformidade. Deve recorrer-se
a permitir que o Conselho adopte, se necessário, uma a um procedimento acelerado no caso de um défice pro
decisão nos termos do artigo 6.o, n.o 2, do presente regu gramado de forma deliberada e que o Conselho decida ser
lamento. O Estado-Membro deve tornar público o relató excessivo.
rio.
Artigo 8.o
2. Caso tenham sido tomadas medidas eficazes, em As decisões do Conselho nos termos do artigo 126.o,
cumprimento de uma notificação adoptada nos termos n.o 11, do TFUE no sentido de reforçar as sanções, devem
do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE e, após a adopção dessa ser tomadas, o mais tardar, no prazo de dois meses a
notificação, ocorram acontecimentos económicos adversos contar das datas de notificação previstas no Regulamento
e imprevistos com um impacto desfavorável significativo (CE) n.o 479/2009. As decisões do Conselho nos termos
nas finanças públicas, o Conselho pode decidir adoptar, do artigo 126.o, n.o 12, do TFUE de revogar parte ou a
sob recomendação da Comissão, uma notificação revista totalidade das decisões que tomou devem ser tomadas o
nos termos do artigo 126.o, n.o 9, do TFUE. A notificação mais rapidamente possível e, em qualquer caso, o mais
revista, tendo em conta os factores pertinentes a que se tardar no prazo de dois meses a contar das datas de
refere o artigo 2.o, n.o 3, do presente regulamento, pode notificação previstas no Regulamento (CE) n.o 479/2009.».
designadamente prorrogar por um ano, como regra geral,
o prazo para a correcção da situação de défice excessivo. O
Conselho deve apreciar se, em relação às previsões econó 8) No artigo 9.o, n.o 3, a remissão para o «artigo 6.o» é
micas contidas na sua notificação, ocorreram acontecimen substituída pela remissão para o «artigo 6.o, n.o 2».
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/39
9) O artigo 10.o é alterado do seguinte modo: 11) Os artigos 11.o e 12.o passam a ter a seguinte redacção:
5. Ao organizar as missões de supervisão a que se re As multas a que se refere o artigo 12.o do presente regu
fere o n.o 2, a Comissão deve transmitir as suas conclusões lamento constituem outras receitas, na acepção do
provisórias aos Estados-Membros em causa, para que estes artigo 311.o do TFUE, e o seu montante é consignado
formulem observações.». ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. Após a cria
ção pelos Estados-Membros participantes de outro meca
nismo de estabilidade destinado à prestação de assistência
financeira com o objectivo de salvaguardar a estabilidade
___________
da área do euro no seu conjunto, o montante das multas
(*) JO C 73 de 25.3.2006, p. 21. passará a ser consignado a esse mecanismo.».
L 306/40 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
14) É inserido o seguinte artigo: 2. O relatório em causa deve ser acompanhado, se for
caso disso, de uma proposta de alteração do presente re
gulamento.
«Artigo 17.o-A
1. Até 14 de Dezembro de 2014 e, seguidamente, de 3. O relatório é transmitido ao Parlamento Europeu e
cinco em cinco anos, a Comissão publica um relatório ao Conselho.».
sobre a aplicação do presente regulamento.
15) Em todo o Regulamento (CE) n.o 1467/97, as remissões
para o «artigo 104.o do Tratado» são substituídas por re
Esse relatório deve avaliar, nomeadamente: missões para o «artigo 126.o do TFUE».
Pelo Conselho
O Presidente
J. VINCENT-ROSTOWSKI
23.11.2011 PT Jornal Oficial da União Europeia L 306/41
II
(Actos não legislativos)
DIRECTIVAS
O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, base em métodos estatísticos, quer das previsões ou me
didas de orçamentação relativas ao futuro das finanças
públicas.
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União
Europeia, nomeadamente o artigo 126.o, n.o 14, terceiro pará (3) A existência de práticas de contabilidade pública exausti
grafo, vas e fiáveis em todos os subsectores da administração
pública constitui um pré-requisito para a elaboração de
estatísticas de elevada qualidade que sejam comparáveis
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, entre os Estados-Membros. O controlo interno deverá
assegurar que as regras em vigor sejam aplicadas em
todos os subsectores da administração pública. A acção
de auditoria independente exercida por instituições públi
Tendo em conta o parecer do Parlamento Europeu (1), cas, como o Tribunal de Contas, ou organismos privados
de auditoria deverá encorajar a adopção das melhores
práticas internacionais.
Tendo em conta o parecer do Banco Central Europeu (2),
(4) Dispor de dados orçamentais é fundamental para o cor
recto funcionamento do quadro de supervisão orçamen
Considerando o seguinte: tal da União. A disponibilização atempada de dados or
çamentais fiáveis é essencial para um acompanhamento
adequado e oportuno que, por sua vez, permitirá uma
(1) Há que aproveitar a experiência adquirida nos primeiros acção imediata em caso de acontecimentos inesperados
dez anos da União Económica e Monetária. Os recentes do ponto de vista orçamental. A transparência é um dos
desenvolvimentos económicos colocaram novos desafios elementos fundamentais que assegura a qualidade dos
à condução da política orçamental em toda a União e, dados orçamentais e deverá implicar a disponibilização
em especial, salientaram a necessidade de reforçar a apro regular destes dados ao público.
priação nacional e de harmonizar os requisitos respeitan
tes às regras e procedimentos que constituem os quadros (5) No que diz respeito às estatísticas, o Regulamento (CE)
orçamentais dos Estados-Membros. Em particular, é ne n.o 23/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, de
cessário especificar as medidas que as autoridades nacio 11 de Março de 2009, relativo às Estatísticas Euro
nais têm de tomar a fim de cumprirem as disposições do peias (3) estabeleceu um quadro legislativo para a elabo
Protocolo (n.o 12) sobre o procedimento relativo aos ração de estatísticas europeias, com vista à concepção,
défices excessivos, anexo ao Tratado da União Europeia aplicação, controlo e avaliação das políticas da União.
(TUE) e ao Tratado sobre o Funcionamento da União O referido regulamento estabeleceu ainda os princípios
Europeia (TFUE), nomeadamente o artigo 3.o. que regem o desenvolvimento, produção e divulgação das
estatísticas europeias – independência, imparcialidade, ob
jectividade, fiabilidade, segredo estatístico e relação custo-
(2) As administrações públicas dos Estados-Membros e os -eficácia –, consagrando definições precisas de cada um
seus subsectores possuem sistemas de contabilidade pú destes princípios. O Regulamento (CE) n.o 479/2009 do
blica que integram elementos tais como registos conta Conselho, de 25 de Maio de 2009, relativo à aplicação
bilísticos, controlos internos, prestação de informações do Protocolo sobre o procedimento relativo aos défices
financeiras e auditorias. Esses sistemas deverão distin excessivos anexo ao Tratado que institui a Comunidade
guir-se quer dos dados estatísticos que dizem respeito Europeia (4) reforçou os poderes da Comissão no que diz
aos resultados das finanças públicas calculados com respeito à verificação dos dados estatísticos utilizados no
procedimento relativo aos défices excessivos.
(1) Parecer do Parlamento Europeu de 28 de Setembro de 2011 (ainda
não publicado no Jornal Oficial). (3) JO L 87 de 31.3.2009, p. 164.
(2) JO C 150 de 20.5.2011, p. 1. (4) JO L 145 de 10.6.2009, p. 1.
L 306/42 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
(6) Os termos «orçamental», «défice» e «investimento» encon partir de diferentes pressupostos de crescimento e taxas
tram-se definidos no Protocolo (n.o 12) sobre o procedi de juros, reduzindo largamente o risco de incumprimento
mento relativo aos défices excessivos por referência ao da disciplina orçamental devido a erros de previsão.
Sistema europeu de contas económicas integradas (SEC),
substituído pelo Sistema europeu de contas nacionais e
regionais na Comunidade (adoptado pelo Regulamento
(CE) n.o 2223/96 do Conselho, de 25 de Junho de 1996, (11) As previsões da Comissão e as informações respeitantes
relativo ao Sistema europeu de contas nacionais e regio aos modelos em que estas se baseiam podem fornecer
nais na Comunidade (1) («SEC 95»). aos Estados-Membros um padrão de referência útil para a
definição do cenário macro-orçamental mais provável,
que lhes permita melhorar a validade das previsões utili
zadas no planeamento orçamental, embora a medida em
(7) A disponibilidade e a qualidade dos dados estabelecidos que se pode esperar que os Estados-Membros comparem
de acordo com os princípios do SEC 95 são fundamen as previsões utilizadas para o planeamento orçamental
tais para assegurar o correcto funcionamento do quadro com as previsões da Comissão varie em função do ca
de supervisão orçamental da União. O SEC 95 assenta lendário de elaboração das previsões e a comparabilidade
em informações fornecidas com base na contabilidade de das metodologias e pressupostos previsionais. As previ
exercício. No entanto, essas estatísticas orçamentais com sões de outros organismos independentes podem forne
base na contabilidade de exercício assentam na compila cer também padrões de referência úteis.
ção prévia de dados de tesouraria ou equivalentes. Tais
dados podem desempenhar um papel preponderante no
reforço atempado do controlo orçamental, por forma a
evitar a detecção tardia de erros orçamentais significati (12) As diferenças significativas entre o cenário macro-orça
vos. A disponibilidade de séries cronológicas de dados de mental escolhido e as previsões da Comissão deverão ser
tesouraria sobre a evolução orçamental pode revelar pa descritas e fundamentadas, em especial se o nível ou o
drões que justifiquem uma supervisão reforçada. Os da crescimento das variáveis dos pressupostos externos di
dos orçamentais baseados na contabilidade de caixa (ou vergir significativamente dos valores constantes das pre
os valores equivalentes da contabilidade pública se os visões da Comissão.
dados baseados na contabilidade de caixa não estiverem
disponíveis) a serem publicados deverão pelo menos in
cluir um saldo global, o total das receitas e o total das
despesas. Em casos devidamente justificados, por exem (13) Dada a interdependência entre os orçamentos dos Esta
plo quando existir um grande número de organismos da dos-Membros e o orçamento da União, a fim de apoiar
administração local, a publicação dos dados em tempo os Estados-Membros na elaboração das suas previsões
útil poderá assentar em técnicas de estimação adequadas orçamentais, a Comissão deverá fornecer previsões da
baseadas numa amostragem de organismos, procedendo- despesa da União, com base no nível da despesa progra
-se mais tarde a uma revisão utilizando os dados com mada no âmbito do quadro financeiro plurianual.
pletos.
regras orçamentais numéricas deverão ser acompanhadas fornece uma base inadequada para a elaboração de polí
de uma definição concreta dos objectivos e de mecanis ticas orçamentais sólidas. A fim de integrar a perspectiva
mos que permitam realizar um controlo efectivo e atem orçamental plurianual do quadro de supervisão orçamen
pado dos mesmos. Tal deverá ser feito com base numa tal da União, o planeamento da lei orçamental anual
análise fiável e independente efectuada por organismos deverá basear-se num planeamento orçamental plurianual
independentes ou organismos dotados de autonomia fun assente no quadro orçamental a médio prazo.
cional em relação às autoridades orçamentais dos Esta
dos-Membros. Além disso, a experiência demonstra que,
para que as regras orçamentais numéricas sejam eficazes,
o incumprimento das mesmas tem de ter consequências, (21) Esse quadro orçamental a médio prazo deverá incluir,
mesmo que os custos envolvidos possam ter apenas um nomeadamente, projecções em relação às rubricas mais
carácter reputacional. relevantes em termos de despesas e receitas para o exer
cício em causa e para os seguintes com base em políticas
que não sofreram alterações. Cada Estado-Membro deverá
(17) Nos termos do Protocolo (n.o 15) relativo a certas dis poder definir adequadamente as políticas que não sofre
posições relativas ao Reino Unido da Grã-Bretanha e da ram alterações, devendo essa definição ser tornada pú
Irlanda do Norte anexo ao TUE e ao TFUE, os valores de blica juntamente com os pressupostos, as metodologias e
referência mencionados no Protocolo n.o 12 sobre o os parâmetros pertinentes utilizados.
procedimento relativo aos défices excessivos não vincu
lam directamente o Reino Unido. A obrigação de estabe
lecer regras orçamentais numéricas que promovam efi
cazmente o cumprimento dos valores de referência espe (22) A presente directiva não deverá impedir um novo go
cíficos para os défices excessivos, bem como a obrigação verno de um Estado-Membro de actualizar o seu quadro
conexa de que os objectivos plurianuais nos quadros orçamental a médio prazo, de modo a reflectir as suas
orçamentais a médio prazo sejam coerentes com essas novas prioridades políticas. Neste caso, o Estado-Membro
regras não serão aplicáveis ao Reino Unido. em causa deverá realçar as diferenças em relação ao an
terior quadro orçamental a médio prazo.
(26) Do mesmo modo, importa dar a devida atenção à exis artigo 2.o do Protocolo (n.o 12) sobre o procedimento relativo
tência de passivos eventuais. Mais especificamente, os aos défices excessivos, anexo ao TEU e ao TFUE. É também
passivos eventuais incluem obrigações possíveis que de aplicável a definição dos subsectores da administração pública
pendem da ocorrência ou não ocorrência de algum acon constante do anexo A, ponto 2.70, do Regulamento (CE)
tecimento futuro incerto, ou obrigações presentes em n.o 2223/96.
relação às quais não é provável que seja necessário um
pagamento ou cujo montante não pode ser avaliado de
modo fiável. Compreendem, por exemplo, informações Além disso, é aplicável a seguinte definição:
pertinentes sobre as garantias estatais, os empréstimos
improdutivos e os passivos decorrentes das operações
de empresas públicas, incluindo, se adequado, a probabi entende-se por «quadro orçamental» o conjunto de medidas,
lidade e a eventual data de vencimento dos passivos procedimentos, regras e instituições em que assenta a condução
eventuais. Deverão ser tidas devidamente em conta as das políticas orçamentais da administração pública, em especial:
sensibilidades do mercado.
2. Os Estados-Membros devem garantir a divulgação regular 5. Os Estados-Membros devem identificar a instituição que é
e atempada dos dados orçamentais relativos a todos os subsec responsável pela elaboração das previsões macroeconómicas e
tores da administração pública, tal como definidos no Regula orçamentais, e tornar públicas as previsões oficiais macroeconó
mento (CE) n.o 2223/96. Em especial, os Estados-Membros de micas e orçamentais elaboradas para efeitos de planeamento
vem publicar: orçamental, incluindo as metodologias, os pressupostos e os
parâmetros relevantes subjacentes a essas previsões. Uma vez
por ano, pelo menos, os Estados-Membros e a Comissão esta
a) Dados orçamentais baseados na contabilidade de caixa (ou os belecem um diálogo técnico sobre os pressupostos subjacentes à
valores equivalentes da contabilidade pública se os dados elaboração das previsões macroeconómicas e orçamentais.
baseados na contabilidade de caixa não estiverem disponí
veis), com a seguinte frequência:
6. As previsões macroeconómicas e orçamentais para efeitos
de planeamento orçamental devem ser objecto de uma avaliação
— mensalmente e antes do final do mês seguinte, no que se regular, imparcial e exaustiva baseada em critérios objectivos,
refere aos subsectores da administração central, estadual incluindo uma avaliação ex post. O resultado desta avaliação
e da segurança social, e deve ser tornado público e devidamente tido em conta em
futuras previsões macroeconómicas e orçamentais. Se a avalia
— trimestralmente e antes do final do trimestre seguinte, no ção detectar uma discrepância significativa que afecte as previ
que se refere ao subsector da administração local; sões macroeconómicas durante um período de, pelo menos,
quatro anos consecutivos, o Estado-Membro em causa deve
tomar as medidas necessárias e torná-las públicas.
b) Um quadro de harmonização identificando detalhadamente a
metodologia utilizada para a transição entre os dados basea
dos na contabilidade de caixa (ou os valores equivalentes da 7. Os níveis da dívida e do défice trimestrais dos Estados-
contabilidade pública se os dados baseados na contabilidade -Membros são publicados pela Comissão (Eurostat) de três em
de caixa não estiverem disponíveis) e os dados baseados no três meses.
SEC 95.
CAPÍTULO IV
CAPÍTULO III
REGRAS ORÇAMENTAIS NUMÉRICAS
PREVISÕES
Artigo 5.o
Artigo 4.o Cada Estado-Membro deve estabelecer as suas regras orçamen
1. Os Estados-Membros asseguram que o planeamento orça tais numéricas específicas, que promovam eficazmente o cum
mental se baseia em previsões macroeconómicas e orçamentais primento das suas obrigações no domínio da política orçamen
realistas, recorrendo, para isso, às informações mais actualiza tal previstas no TFUE num contexto plurianual para o conjunto
das. O planeamento orçamental deve basear-se no cenário ma da administração pública Essas regras devem promover, nomea
cro-orçamental mais provável ou num cenário mais prudente. damente:
As previsões macroeconómicas e orçamentais devem ser com
paradas com as previsões mais actualizadas da Comissão e, se
adequado, com as de outros organismos independentes. As di a) O cumprimento dos valores de referência aplicáveis ao défice
ferenças significativas entre o cenário macro-orçamental esco e à dívida estabelecidos nos termos do TFUE;
lhido e as previsões da Comissão devem ser descritas e funda
mentadas, em especial se o nível ou o crescimento das variáveis b) A adopção de um horizonte plurianual de planeamento or
dos pressupostos externos divergir significativamente dos valo çamental, no qual se inclua o respeito dos objectivos orça
res constantes das previsões da Comissão. mentais a médio prazo do Estado-Membro.
4. No âmbito de uma análise de sensibilidade, as previsões b) O controlo efectivo e atempado do cumprimento das regras,
macroeconómicas e orçamentais devem analisar a trajectória das com base numa análise fiável e independente efectuada por
principais variáveis orçamentais a partir de diferentes pressupos organismos independentes ou organismos dotados de auto
tos de crescimento e taxas de juros. A gama de pressupostos nomia funcional em relação às autoridades orçamentais dos
alternativos utilizados nas previsões macroeconómicas e orça Estados-Membros;
mentais deve guiar-se pelos resultados dos anteriores desempe
nhos em matéria de previsões e esforçar-se por ter em conta os
cenários de risco pertinentes. c) As consequências em caso de incumprimento.
L 306/46 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.11.2011
Artigo 9.o
CAPÍTULO VI
1. Os Estados-Membros devem estabelecer um quadro orça
mental eficaz, credível, a médio prazo que facilite a adopção de TRANSPARÊNCIA NAS FINANÇAS DA ADMINISTRAÇÃO
um horizonte de planeamento orçamental de, pelo menos, três PÚBLICA E QUADROS ORÇAMENTAIS ABRANGENTES
anos, a fim de assegurar que o planeamento orçamental nacio
nal se inscreve numa perspectiva de planeamento orçamental Artigo 12.o
plurianual. Os Estados-Membros devem garantir que todas as medidas
adoptadas tendo em vista assegurar o cumprimento dos capítu
2. Os quadros orçamentais a médio prazo devem incluir los II, III e IV abrangem de forma coerente e exaustiva todos os
procedimentos para estabelecer os seguintes elementos: subsectores da administração pública. Tal deve implicar, em
especial, a compatibilidade das regras e procedimentos contabi
lísticos e a integridade dos respectivos sistemas subjacentes de
a) Objectivos orçamentais plurianuais abrangentes e transparen recolha e tratamento de dados.
tes em termos de défice da administração pública, dívida
pública, e qualquer outro indicador orçamental sumário, tal
como a despesa, assegurando a sua compatibilidade com as
regras orçamentais numéricas previstas no capítulo IV que Artigo 13.o
estejam em vigor;
1. Os Estados-Membros devem estabelecer mecanismos ade
quados de coordenação entre os subsectores da administração
b) Projecções em relação às rubricas mais relevantes em termos pública, por forma a assegurar a cobertura exaustiva e coerente
de despesas e receitas da administração pública, com mais de todos esses subsectores no planeamento orçamental, nas
especificações ao nível da administração central e da segu regras orçamentais numéricas, específicas para cada país, bem
rança social, para o exercício em causa e para os seguintes, como na elaboração de previsões orçamentais e no estabeleci
com base em políticas que não sofreram alterações; mento do planeamento plurianual, tal como previsto, em par
ticular, no quadro orçamental plurianual.
c) Uma descrição das políticas previstas a médio prazo com
impacto nas finanças da administração pública, distribuídas
pelas rubricas mais relevantes em termos de despesas e re
ceitas, revelando a forma como é realizado o ajustamento 2. A fim de promover a responsabilização orçamental, deve
aos objectivos orçamentais a médio prazo em comparação ser claramente estabelecida a responsabilidade das autoridades
com as projecções baseadas em políticas que não sofreram públicas nos diferentes subsectores da administração pública.
alterações;
DISPOSIÇÕES FINAIS
c) Do nível geral de transparência das finanças públicas nos
Artigo 15.o Estados-Membros.
1. Até 31 de Dezembro de 2013, os Estados-Membros põem
em vigor as disposições necessárias para dar cumprimento à
presente directiva. Os Estados-Membros comunicam imediata 3. Até final de 2012, a Comissão procede a uma avaliação da
mente à Comissão o texto dessas disposições. O Conselho en adequação das Normas Internacionais de Contabilidade do Sec
coraja os Estados-Membros a elaborarem, para si próprios e no tor Público aos Estados-Membros.
interesse da União, os seus próprios quadros de correspondência
que ilustrem, na medida do possível, a concordância entre a
presente directiva e as medidas de transposição, e a publicá-los. Artigo 17.o
A presente directiva entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao
2. Quando os Estados-Membros aprovarem essas disposições, da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
estas incluem uma referência à presente directiva ou são acom
panhadas dessa referência aquando da sua publicação oficial. As
modalidades dessa referência são estabelecidas pelos Estados- Artigo 18.o
-Membros.
Os destinatários da presente directiva são os Estados-Membros.
3. Até 14 de Dezembro de 2012, a Comissão apresenta ao
Parlamento Europeu e ao Conselho um relatório intercalar sobre
a implementação das principais disposições da presente direc Feito em Bruxelas, em 8 de Novembro de 2011.
tiva, com base nas informações pertinentes fornecidas pelos
Estados-Membros.
Pelo Conselho
4. Os Estados-Membros comunicam à Comissão o texto das
principais disposições que aprovarem nas matérias reguladas O Presidente
pela presente directiva. J. VINCENT-ROSTOWSKI