UTILIZAÇÃO DE CONDICIONADORES DE SOLO ASSOCIADOS A PLANTAS DE
COBERTURA PARA PRODUÇÃO DE CAFÉ NO CERRADO DE MINAS GERAIS
André Luís Teixeira Fernandes1, Antonio N. Teixeira2, Roberto Santinato3, Reginaldo
Oliveira Silva4, Ademir Calegari5
Apresentado no
XXI Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Cafeicultura Irrigada
20 de março de 2019, Araguari – MG, Brasil
RESUMO: A cafeicultura tradicional tem utilizado, todos os anos, grandes quantidades de
nutrientes, em especial nitrogênio, fósforo e potássio. Parte da quantidade total aplicada destes
elementos, em especial de fósforo e potássio, ficam imobilizadas no solo, indisponíveis às
plantas. Visando uma maior disponibilização desses nutrientes às plantas de café, várias
tecnologias vêm sendo adotadas, principalmente aquelas relacionadas à bioativação do solo e
plantas. Resultados promissores foram alcançados num experimento com 6 safras consecutivas
avaliando-se o efeito da aplicação de Penergetic® Solos e Penergetic® Plantas, sobre a nutrição
mineral, crescimento e a produtividade do cafeeiro irrigado e cultivado em condições de
cerrado, com a obtenção de resultados satisfatórios no sentido de redução na utilização de
fertilizantes minerais sem prejuízos à qualidade e produtividade das lavouras.O experimento
foi reformulado, incluindo-se mais tratamentos, com a combinação de diferentes plantas de
cobertura. O ensaio vem sendo conduzido no Campus Experimental Izidoro Bronzi, convênio
Universidade de Uberaba, Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA) e Fundação
Procafé. Pode-se concluir, preliminarmente, que: a) utilização da tecnologia Penergetic® é
viável para a nutrição do cafeeiro, em especial quando é associada a plantas de cobertura; b)
Com plantas de cobertura, as produtividades foram maiores em todas as situações de adubação,
comparando-se com os tratamentos sem plantas na entrelinha; c) A inclusão de plantas de
cobertura no sistema de produção do café no cerrado de Minas Gerais é promissora, pois
permite o aumento da biomassa produzida, certamente com efeitos nos atributos do solo:
químicos, físicos e biológicos, além de sinalizar ganhos potenciais em produtividade do
cafeeiro ao longo de várias safras.
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, tem sido crescente o reconhecimento da importância dos
microrganismos para o funcionamento dos agroecossistemas. Por isso, a razão de a
microbiologia do solo ter se desenvolvido tanto e tão rapidamente. É enorme a lista de processos
(ou serviços ambientais) em que os microrganismos do solo atuam. Esses organismos têm forte
influência na gênese e manutenção da organização dos constituintes do solo, principalmente
nos horizontes superficiais. Os resíduos vegetais ao se decomporem, além de promover
1
Professor Doutor Universidade de Uberaba – UNIUBE, Pró Reitor de Pesquisa, Pós Graduação e Extensão, Av. Nenê Sabino, 1801, Bloco
R, 38055-500, Uberaba – MG, [Link]@[Link], Fone: (0xx34) 3319-8915, Fax: (34) 3314-8910.
2
Eng. Agrônomo, [Link]. Produção Vegetal, Consultor Grupo Libertas.
3
Eng. º Agrônomo e Pesquisador do MAPA/ Procafé, Campinas – SP
4
Gestor de Agronegócios, Gerente do Campo Experimental IzidoroBronzi, Araguari, MG.
5
Engenheiro Agrônomo, Doutor, Solos - Pesquisador Sênior – IAPAR, Londrina, PR - Consultor, Grupo Araunah
interferência e melhoria nos atributos do solo, as raízes das plantas, pelos exsudatos produzidos
podem alterar o pH da solução do solo ao seu redor e deixar canais que irão facilitar a infiltração
de água e oxigênio no perfil do solo. Formigas, cupins e minhocas manipulam, ingerem e
excretam material de solo formando microagregados e construindo bioporos. Os principais
fatores que afetam as populações demicroorganismos do solo são: substratos e fontes de
energia, fatores de crescimento, nutrientes minerais, composição e força iônica da solução do
solo, pH, composição e pressão atmosférica, umidade, potencial redox, temperatura e radiação
solar, profundidade e cobertura vegetal, interações entre organismos e impactos
antropogênicos, além do manejo do solo implementado (revolvimento ou não da superficie do
solo). A diversidade biológica é definida como a variabilidade entre os organismos vivos de um
determinado ambiente. Os organismos edáficos apresentam alta diversidade metabólica e
fisiológica o que os torna extremamente versáteis para ocupação dos diversos nichos
ecológicos.
A tecnologia de bioativação Penergetic é sustentada de um lado, nos métodos e práticas
das ciências naturais clássicas e, de outro, em fenômenos que foram objeto de extensa
experimentação e observação durante muitos anos, mas cujos mecanismos ainda não podem ser
exaustivamente descritos em termos de modelos teóricos tradicionais.
Baseia-se, portanto, em ciências "básicas”, como a física, a biologia, a biofísica e a
química, ao mesmo tempo em que incorpora conhecimentos empíricos fundados em longos
anos de observação, experiência e ensaios exaustivos princípio no qual antigamente se
baseavam, por exemplo, a medicina e a farmacologia, e no qual ainda hoje forçosamente se
fundamentam algumas de suas áreas, pela falta da existência de modelos teóricos e
experimentais precisos (cartesianos) para reproduzir resultados exatos. O conceito que
prevalece a base dos produtos da Penergetic consiste em utilizar todos os princípios e
mecanismos ativos conhecidos de uma substância que influem positivamente no
desenvolvimento de animais e plantas para curá-los, fortalecê-los e estimular o seu
[Link] resumo, o uso da tecnologia Penergetic tem proporcionado o alcance dos
seguintes objetivos: melhor desenvolvimento do sistema radicular das plantas e, consequente
maior absorção de nutrientes, aumento no vigor das plantas e otimização da eficácia no uso dos
fertilizantes e defensivos.
Especificamente para a cultura do café, a tecnologia Penergetic tem sido utilizada como
uma ferramenta fundamental no aumento da bioativação do solo e da planta, com inúmeros
benefícios no solo (condições favoráveis para uma melhor disponibilização e aproveitamento
de nutrientes pelas raízes) e, nas plantas (maior crescimento radicular e maior capacidade
fotossintética das plantas), na prática contribuem para melhorar o fornecimento e absorção dos
nutrientes, principalmente o potássio e fósforo que se encontram, muitas vezes indisponíveis ao
cafeeiro, apesar de constarem nas análises químicas de solo, principalmente em regiões
cafeeiras tradicionais (vários anos com cultivo de café na mesma área).
Dentro deste contexto, objetivou-se com este trabalho avaliar diferentes plantas de
cobertura associadas à tecnologia Penergetic para a maximização da produção e qualidade do
café cultivado no cerrado de Minas Gerais.
MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio foi conduzido no Campus Experimental IzidoroBronzi, convênio Universidade
de Uberaba, Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA) e Fundação Procafé, em lavoura
de café cultivar Catuaí Vermelho IAC 15, com 07 anos de idade, espaçamento 3,70 x 0,70 m,
situada na Fazenda Chaparral, às margens da Rodovia do Café, Km 09, município de Araguari
(MG). O sistema de irrigação é o tipo gotejamento, com emissores autocompensantes, vazão de
2,3 litros/hora, espaçamento de 3,70 m entre linhas e 0,70 m entre gotejadores. Estão sendo
estudados 10 tratamentos:
• Trat. 1 - Testemunha
• Trat. 2 - Testemunha + Coquetel (Trigo mourisco+ Crotalariabreviflora +
Crotalariaochroleuca + Mucuna anã + Guandu anão + Milheto ADR-300 +
Feijão caupi)
• Trat. 3 - 100% adubação +Penergetic®
• Trat. 4 - 100% adubação + Penergetic® +Coquetel (Trigo mourisco +
Crotalariabreviflora + Crotalariaochroleuca + Mucuna anã + Guandu anão +
Milheto ADR-300 + Feijão caupi)
• Trat. 5 - 50% adubação + Penergetic®
• Trat. 6 - 50% adubação + Penergetic® + Coquetel (Trigo mourisco +
Crotalariabreviflora + Crotalariaochroleuca + Mucuna anã + Guandu anão +
Milheto ADR-300 + Feijão caupi)
• Trat. 7 - 100% adubação
• Trat. 8 - 00% adubação + Coquetel (Trigo mourisco + Crotalariabreviflora +
Crotalariaochroleuca + Mucuna anã + Guandu anão + Milheto ADR-300 +
Feijão caupi)
• Trat. 9 - 75% adubação + Penergetic®
• Trat. 10 - 75% adubação + Penergetic® + Coquetel (Trigo mourisco+
Crotalariabreviflora + Crotalariaochroleuca +Mucuna anã + Guandu anão +
Milheto ADR-300 + Feijão caupi).
Os tratos culturais, fitossanitários e nutricionais foram realizados conforme
recomendação de Santinato; Fernandes; Fernandes (2008). Foram feitas, por parcela, avaliações
de infestações e infecções de doenças e pragas, medidas biométricas e produtividade de grãos
do cafeeiro.
Para o controle da irrigação, foi calculada a evapotranspiração da cultura do café através
de dados obtidos em estação agrometeorológica automática instalada próxima à lavoura de café.
Para o balanço hídrico climatológico, os dados de precipitação também foram medidos pela
mesma estação.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Na Figura 1, está apresentado o balanço hídrico climatológico para a região de Araguari,
MG nos anos de 2011 a 2018, calculados a partir dos dados obtidos na estação meteorológica
do campo experimental. Verifica-se que o déficit hídrico chega próximo a 200 mm (média de
7 anos e em 2018), em outubro, permanecendo nestes níveis até novembro de cada ano. É
importante observar também, que as chuvas normalizam apenas em meados de dezembro,
quando o déficit hídrico ficou próximo de zero. Na Figura 2, constam as temperaturas médias
mensais de 2018 e início de 2019, comparando-se com a média de 1984 a 2006.
Figura 1 – Balanço hídrico climatológico, Média de 2011 a 2018 e janeiro de 2019, Campo Experimental
IzidoroBronzi, Araguari, MG.
Figura 2 – Comparação das temperaturas médias de 2018e 2019, comparadas com o período de 1984 a 2006,
Campo Experimental IzidoroBronzi, Araguari, MG.
Na Tabela 1, constam os dados de produtividade por tratamento, para as duas primeiras
safras do experimento, com diferenças significativas comparando-se com a testemunha
(tratamento 1) para o primeiro e segundo anos. Para a média das 2 safras, não houve diferenças
significativas entre os tratamentos. Porém, houve acréscimos comparando-se com a testemunha
de 4,5% (100% de adubação, mas sem plantas cobertura) até 37% (tratamento Trat. 06, com
redução de 50% da adubação + Penergetic + Coquetel - Trigo mourisco + Crotaláriabreviflora
+ Crotaláriaochroleuca + Mucuna anã + Guandu anão + Milheto + Feijão caupi).
Tabela 1 – Produtividade dos tratamentos, 3º ano de condução do experimento, Campo
Experimental IzidoroBronzi, Araguari – MG.
Tratamento 2016/20172017/2018 Média
Trat. 01 "Testemunha ." 41,8d 42,9bcd 42,3a
Trat. 02 "Testemunha + Coquetel(Trigo mourisco +
Crotalária breviflora + Crotalária ochroleuca + Mucuna 43,8d 47,0bc 45,4a
anã + Guandu anão + Milheto + Feijão caupi)."
Trat. 03 "100% adubação +Penergetic" 53,4bc 45,5bcd 49,4a
Trat. 04 "100% adubação + Penergetic +Coquetel(Trigo
mourisco + Crotalária breviflora + Crotalária ochroleuca + 55,4bc 59,0a 57,2a
Mucuna anã + Guandu anão + Milheto + Feijão caupi)."
Trat. 05 "50% adubação + Penergetic" 60,5ab 45,5bcd 53,0a
Trat. 06 "50% adubação + Penergetic + Coquetel(Trigo
mourisco + Crotalária breviflora + Crotalária ochroleuca + 65,6a 50,2ab 57,9a
Mucuna anã + Guandu anão + Milheto + Feijão caupi)."
Trat. 07 "100% adubação" 50,8cd 37,7d 44,2a
Trat. 08 "100% adubação + Coquetel(Trigo mourisco +
Crotalária breviflora + Crotalária ochroleuca + Mucuna 60,5ab 42,7bcd 51,6a
anã + Guandu anão + Milheto + Feijão caupi)."
Trat. 09 "75% adubação + Penergetic" 60,5ab 39,4cd 49,9a
Trat. 10 "75% adubação + Penergetic + Coquetel(Trigo
mourisco + Crotalária breviflora + Crotalária ochroleuca + 67,6a 46,2bcd 56,9a
Mucuna anã + Guandu anão + Milheto + Feijão caupi)."
C.V. % 6,90 7,92 13,63
Médias seguidas pela mesma letra não se diferem entre si estatisticamente a 5% de probabilidade no teste de Tukey.
Uma característica importante das plantas de cobertura, associada ao cafeeiro (na
entrelinha) é a produção de biomassa. Na Figura 3, constam as comparações entre os diferentes
tratamentos. Nota-se que nos tratamentos sem plantas de cobertura, a produção de biomassa na
entrelinha do café não ultrapassa 1,33 ton/ha. Com o plantio de plantas de cobertura nas
entrelinhas, a produção de biomassa aumenta consideravelmente, desde 2,45 até 4,36 ton/ha,
esta última obtida com o tratamento 10 (redução da adubação em 25%, associada com o plantio
de plantas de cobertura).
Trat. 10 - 75% adubação + Penergetic + Coquetel(Trigo mourisco + Crotalaria… 4,36
Trat. 9 - 75% adubação + Penergetic 0,24
Trat. 8 - 00% adubação + Coquetel(Trigo mourisco + Crotalaria breviflora +… 2,45
Trat. 7 - 100% adubação 0,51
Trat. 6 - 50% adubação + Penergetic + Coquetel(Trigo mourisco + Crotalaria… 3,14
Trat. 5 - 50% adubação + Penergetic 0,53
Trat. 4 - 100% adubação + Penergetic +Coquetel(Trigo mourisco + Crotalaria… 3,52
Trat. 3 - 100% adubação +Penergetic 1,33
Trat. 2 - Testemunha + Coquetel (Trigo mourisco + Crotalaria breviflora +… 3,79
Trat. 1 - Testemunha 1,18
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5
Produção de biomassa (Ton / ha)
Figura 3 – Produção de biomassa para os diferentes tratamentos, Campo Experimental
IzidoroBronzi, Araguari – MG.
CONCLUSÕES
Após 2 anos de condução do experimento, pode-se concluir, que:
• A utilização da tecnologia Penergetic® é viável para a nutrição do cafeeiro, em
especial quando é associada a plantas de cobertura;
• Com plantas de cobertura, as produtividades foram maiores em todas as
situações de adubação, comparando-se com os tratamentos sem plantas na
entrelinha;
• A inclusão de plantas de cobertura no sistema de produção do café no cerrado
de Minas Gerais é promissora, pois permite o aumento da biomassa produzida,
além de sinalizar ganhos potenciais em produtividade do cafeeiro ao longo de
várias safras;
• São necessárias mais safras para conclusões mais concretas.
REFERÊNCIAS
MANTOVANI, E. C.; SOARES, A. R. Irrigação do cafeeiro: informações técnicas e
coletânea de trabalhos. Viçosa: Associação dos Engenheiros Agrícolas de Minas Gerais: UFV,
DEA, 2003, 260p. (Boletim Técnico, 8).
SANTINATO, R.; FERNANDES, A. L. T.; FERNANDES, D. R. Irrigação na Cultura do
Café. Belo Horizonte: O Lutador, 2 ed., 478p., 2008.
CALEGARI, A. Plantas de cobertura. Penergetic. Fev. 2016. Uberaba, MG 24p. (Manual
Técnico).