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Jurisprudência sobre Agravo de Instrumento

O Informativo de Jurisprudência n. 838 destaca decisões da Primeira Turma do STJ sobre temas variados, incluindo a cabibilidade de agravo de instrumento em ações civis públicas e a legitimidade dos entes estaduais em ações de saneamento básico em terras indígenas. Além disso, aborda questões tributárias relacionadas ao ICMS e à execução fiscal, enfatizando que a preclusão consumativa impede a apresentação de exceção de pré-executividade após a improcedência dos embargos à execução. O documento não é um repositório oficial, mas sim um resumo das teses jurisprudenciais relevantes.

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Jurisprudência sobre Agravo de Instrumento

O Informativo de Jurisprudência n. 838 destaca decisões da Primeira Turma do STJ sobre temas variados, incluindo a cabibilidade de agravo de instrumento em ações civis públicas e a legitimidade dos entes estaduais em ações de saneamento básico em terras indígenas. Além disso, aborda questões tributárias relacionadas ao ICMS e à execução fiscal, enfatizando que a preclusão consumativa impede a apresentação de exceção de pré-executividade após a improcedência dos embargos à execução. O documento não é um repositório oficial, mas sim um resumo das teses jurisprudenciais relevantes.

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Informativo

de Jurisprudência

Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

PRIMEIRA TURMA

PROCESSO AREsp 2.159.586-RJ, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma,


por unanimidade, julgado em 3/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Ação civil pública. Decisão interlocutória. Agravo de instrumento.


Cabimento. Microssistema de tutela coletiva. Aplicação.

DESTAQUE

A norma específica inserida no microssistema de tutela coletiva, prevendo a


impugnação de decisões interlocutórias mediante agravo de instrumento (art. 19 da Lei n.
4.717/1965), não é afastada pelo rol taxativo do art. 1.015 do CPC/2015, uma vez que o inciso XIII
desse artigo contempla o cabimento do agravo em outros casos expressamente referidos em lei.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia cinge-se ao cabimento de agravo de instrumento contra decisão interlocutória
que indeferiu o aditamento da inicial por intempestividade, no bojo de ação civil pública.

O Tribunal de origem entendeu que a decisão interlocutória agravada não estava inserida no
rol taxativo do art. 1.015 do Código de Processo Civil de 2015, destacando, ainda, que não havia urgência
na utilização do instrumento recursal a caracterizar a taxatividade mitigada definida pelo STJ no
julgamento do REsp 1.696.396/MT, apreciado sob o rito de demandas repetitivas.

No julgamento dos embargos de declaração, a Corte a quo consignou, ainda, que "não há na
lei de ação civil pública nenhuma particularidade quanto à admissibilidade do recurso originário".

Porém, as duas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça têm entendido que a
norma específica inserida no microssistema de tutela coletiva, prevendo a impugnação de decisões
interlocutórias mediante agravo de instrumento (art. 19 da Lei n. 4.717/1965), não é afastada pelo rol
taxativo do art. 1.015 do CPC/2015, notadamente porque o inciso XIII daquele preceito contempla o
cabimento daquele recurso em outros casos expressamente referidos em lei.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

Assim, conquanto não prevista especificamente na Lei de Ação Civil Pública, a regra legal
prevista na Lei da Ação Popular estende-se a todas as ações inseridas no microssistema de tutela coletiva,
de modo que é cabível a interposição de agravo de instrumento na espécie.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC/2015), art. 1.015.


Lei n. 4.717/1965, art. 19.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

REsp 1.696.396/MT (Tema 988/STJ).

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 2 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 695

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AREsp 2.381.292-PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma,


por unanimidade, julgado em 10/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL, DIREITO DOS POVOS ORIGINÁRIOS

TEMA Fornecimento de saneamento básico. Terra indígena. Manutenção


de saúde. Legitimidade passiva do Estado-membro.

DESTAQUE

Os entes estaduais são partes legítimas para figurar no polo passivo de ação que busca
garantir o fornecimento regular de água potável e saneamento básico a terra indígena.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em saber se o ente estadual é parte legítima ou não para figurar no
polo passivo de ação que busca garantir o fornecimento regular de água potável e saneamento básico a
terra indígena.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

Segundo a Fazenda estadual, a obrigação deveria ser atendida exclusivamente pela União, na
forma da Lei n. 11.445/2007, que disciplina as diretrizes nacionais de saneamento básico.

Contudo, conforme se extrai do acórdão da origem, não se está em discussão a hipótese de


simples fornecimento de saneamento básico, mas da prestação desse serviço (de saneamento) como
meio indispensável à manutenção das condições da saúde indígena.

Consoante interpretação dos arts. 19-C, 19-D e 19-E da Lei n. Lei n. 8.080/1990, em se
tratando de ações para fins de concretização da saúde indígena, exige-se a atuação não apenas da União,
mas também dos Estados (art. 19-E). Essa norma expressa já seria suficiente para justificar a manutenção
do Estado do Paraná no polo passivo da lide, mas não é a única razão.

Além disso, também sob a perspectiva da Lei n. 11.445/2007, não haveria exclusão da
responsabilidade estadual, pois, o caso em exame não discute a competência para fixar Plano Nacional de
Saneamento Básico (art. 52, I), esta sim de responsabilidade da União.

Na hipótese, o que se discute, na realidade, é a obrigação de atendimento local/regional de


saneamento, cuja execução é operada em articulação com os Estados (art. 52, II), o que justifica a
pertinência subjetiva passiva do ente estadual.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 11.445/2007, art. 52, I e II


Lei n. 8.080/1990, art. 19-C, art. 19-D, art. 19-E

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 1.854.143-MG, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 10/12/2024, DJEN 17/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Aproveitamento de crédito de ICMS. Energia elétrica. Consumo no


processo produtivo. Produto intermediário. "Gases Ventados".
Destinação dada à mercadoria produzida. Irrelevância.

DESTAQUE

Os "gases ventados" constituem perdas inerentes a qualquer processo produtivo e,


ainda que não comercializados, não afastam o direito ao crédito de ICMS, visto que a energia
elétrica foi consumida no processo de industrialização, nos termos do art. 33, II, b, da Lei
Complementar n. 87/1996 (Lei Kandir).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A matéria controvertida diz respeito à pretensão de Estado-membro de estornar créditos de
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) referentes à aquisição de energia elétrica
utilizada no processo produtivo de empresa, especificamente no que diz respeito aos denominados gases
ventados.

No processo produtivo de gases industriais e medicinais (oxigênio, nitrogênio e argônio), há a


dispensação na atmosfera de gases que "não atendem os critérios de qualidade exigidos pelo comprador
e cujo acúmulo, se não disperso na atmosfera, tem potencial para comprometer a qualidade da produção
regular e, igualmente, para danificar a estrutura física da indústria". Esses descartes são denominados
"gases ventados", não sendo objeto de comercialização.

A Lei Complementar n. 87/1996 (Lei Kandir), a teor do art. 20, caput e § 1º, ao implementar a
não cumulatividade do ICMS, permitiu o aproveitamento dos créditos referentes à aquisição de quaisquer
produtos intermediários, desde que comprovada a necessidade de sua utilização para a realização do
objeto social do estabelecimento empresarial.

No que tange especificamente às operações de entrada de energia elétrica no


estabelecimento, a referida LC, em seu art. 33, II, b, autoriza o creditamento do imposto nos casos em que
essa energia é consumida no processo de industrialização.

Em análise conjunta do art. 20, § 1º, com o art. 33, II, b, ambos da Lei Complementar n.
87/1996, constata-se que o legislador, em momento algum, buscou limitar a fruição dos créditos de ICMS
a depender da destinação dada à mercadoria final produzida com o produto intermediário adquirido.
Apesar de a comercialização do produto constituir pressuposto lógico do fim almejado pelo processo de
industrialização, a lei não traz essa limitação expressa, de modo que não cabe ao Poder Judiciário
subverter a competência do Poder Legislativo e impô-la, como postula o Estado recorrente.

Diante disso, conclui-se que os "gases ventados" pela empresa recorrida constituem refugo -
perdas inerentes a qualquer processo produtivo - e, ainda que não comercializados, não afastam o direito
ao crédito de ICMS visto que a energia elétrica foi consumida no processo de industrialização, tal como
prescreve o supramencionado art. 33, II, b, da Lei Complementar n. 87/1996.

Ademais, deve prevalecer o posicionamento da Primeira Seção do STJ segundo o qual é


"cabível o creditamento referente à aquisição de materiais (produtos intermediários) empregados no
processo produtivo, inclusive os consumidos ou desgastados gradativamente, desde que comprovada a
necessidade de sua utilização para a realização do objeto social da empresa - essencialidade em relação à
atividade-fim" (EAREsp n. 1.775.781/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, julgado em
11/10/2023, DJe de 1/12/2023).

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei Complementar 87/1996 (Lei Kandir), art. 20, caput e § 1º; e art. 33, II, b.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

PROCESSO REsp 2.185.262-RJ, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJEN 23/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Embargos à execução fiscal. Prazo inicial. Intimação do executado


do aceite do seguro garantia pelo juiz.

DESTAQUE

Nas execuções fiscais, o prazo para oposição de embargos à execução deve iniciar-se
após a intimação do executado acerca do aceite do seguro garantia pelo Juiz.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em saber qual seria o termo inicial do prazo para a oposição de
embargos à execução na hipótese de juntada aos autos de seguro garantia (a juntada do seguro garantia
aos autos ou o aceite pelo Juiz da causa) e, consequetemente, se o devedor deve ser intimado sobre a
aceitação do seguro garantia por ele oferecida, a fim de se computar o termo inicial do prazo para
oposição de embargos à execução.

O seguro garantia funciona como uma garantia oferecida pelo contribuinte para assegurar o
pagamento dos valores supostamente devidos e exigidos pela Fazenda Pública. Para tanto, o contribuinte
contrata uma apólice de seguro junto a uma seguradora e essa apólice é então apresentada como
garantia de que o pagamento será efetuado caso o contribuinte perca a discussão em âmbito judicial,
sendo a relação entre contribuinte e seguradora de âmbito privado, sem qualquer participação da
Fazenda Nacional ou do Poder Judiciário.

Sobre o prazo para oposição de embargos à execução, o art. 16, II, da Lei n. 6.830/1980 (Lei de
Execução Fiscal - LEF) dispõe que o prazo de 30 dias será contado da juntada da prova do seguro garantia
e, em seu parágrafo 1º, deixa claro que não serão admissíveis os embargos antes de garantida a execução.

Esse dispositivo leva à interpretação de que existem dois momentos processuais na garantia da
execução fiscal pelo executado: 1) a juntada do seguro garantia aos autos e 2) o aceite pelo Juiz da causa,
o que resulta no início do prazo para oposição dos embargos à execução.

Sendo o aceite do seguro garantia uma condição de procedibilidade para apresentar os


embargos à execução, é possível afirmar que, se o Juiz transferisse para a Fazenda Nacional a análise de
sua suficiência estaria consequentemente transferindo a jurisdição, tendo como resultado a violação ao
art. 16 do Código de Processo Civil de 2015.

Assim, o prazo para a oposição de embargos à execução deve se dar após o aceite da garantia
pelo Juiz da causa.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 16


Lei n. 6.830/1980, art. 16, II, e § 1º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 563

Jurisprudência em Teses / DIREITO PROCESSUAL CIVIL - EDIÇÃO N. 156: LEI DE EXECUÇÃO FISCAL -
III

Legislação Aplicada / LEI 6.830/1980 (LEI DE EXECUÇÃO FISCAL) - Lei de Execução Fiscal.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.130.489-RJ, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJEN 23/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Execução fiscal. Exceção de pré-executividade. Oferecimento após o


julgamento de improcedência dos embargos à execução.
Impossibilidade. Preclusão da decisão que declarou hígido e exigível
o crédito exequendo.

DESTAQUE

Após a propositura e o julgamento de improcedência dos embargos à execução fiscal,


está configurada a preclusão consumativa, não sendo mais cabível a apresentação de exceção de
pré-executividade mesmo sob o fundamento de matérias suscetíveis de conhecimento de ofício,
ou de quaisquer nulidades do título.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Proposta a execução fiscal para a cobrança de dívida ativa, sobre a qual paira presunção
relativa de certeza e liquidez, à luz do art. 3º, caput, da Lei n. 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal - LEF), a
parte executada é citada para pagar a dívida ou garantir o juízo, sob pena de se sujeitar a medidas coativas
de execução forçada.

Garantido o juízo, a parte executada terá a oportunidade de se defender, veiculando toda e

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

qualquer matéria útil à defesa de seu patrimônio jurídico nos embargos à execução fiscal, cujo cabimento
se encontra disciplinado pelo art. 16 da Lei n. 6.830/1980.

Embora sejam os embargos à execução o meio de defesa expressamente previsto na Lei de


Execuções Fiscais, a doutrina e a jurisprudência pátrias há muito são unânimes em garantir à parte
executada a apresentação de exceção de pré-executividade, por meio de protocolo de simples petição
nos próprios autos, objetivando desconstituir a higidez do título executivo fiscal, desde que cumpridos
simultaneamente dois requisitos, quais sejam: (i) que verse sobre matéria de ordem pública, cognoscível
de ofício pelo magistrado, referentes aos pressupostos processuais, às condições da ação, à inexistência
ou à deficiência do título executivo; e (ii) que o acolhimento das razões da parte excipiente não
demandem dilação probatória.

A consolidação da jurisprudência pelo cabimento daquele incidente processual culminou na


edição da Súmula 393 pelo Superior Tribunal de Justiça ("A exceção de pré-executividade é admissível na
execução fiscal relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória").

Para as execuções em geral, o Código de Processo Civil veio a prever a possibilidade de se


requerer ao juiz a nulidade do processo executivo fundada na ausência dos atributos de certeza, liquidez
ou exigibilidade, independentemente de embargos à execução, por meio dos arts. 518 e 803.

Assim, na execução em geral, como na execução fiscal, mesmo sem a oposição de embargos à
execução e ausente penhora para prévia garantia do juízo, a parte litigante que figura no polo passivo da
demanda exacional pode suscitar matérias passíveis de que delas o juiz conheça de ofício enquanto não
extinto o processo executivo.

A questão posta em debate cinge-se à possibilidade de a parte executada excepcionar mesmo


após terem sido julgados seus embargos à execução fiscal, quando lhe foi oportunizada veicular toda
matéria útil que servisse a sua defesa, ou se há impedimento à parte executada de inovar ou ampliar a
matéria de defesa, via simples petição, ante a ocorrência da preclusão consumativa, ainda que se trate de
questões de ordem pública que devem ser decretadas de ofício pelo magistrado.

Há julgados da Segunda Seção e da Segunda Turma do STJ que aceitam a apresentação de


"exceção de pré-executividade" após a rejeição dos embargos à execução de título extrajudicial em geral
ou título judicial para tratar de matéria de ordem pública não alegada e apreciada nos embargos.

Todavia, ainda que se viesse a admitir, que nas execuções em geral pudesse haver a
apresentação de novas matérias de defesa, nas execuções fiscais não é assim.

A previsão de regra processual na lei geral, no caso o Código de Processo Civil, não implica sua
incidência automática na execução de título extrajudicial regulada por lei especial, no caso da execução
fiscal, regida pela Lei n. 6.830/1980. A aplicação do CPC de forma subsidiária à execução fiscal é
reservada para as situações nas quais o regramento especial é silente e não haja incompatibilidade entre
as normas.

Nota-se assim que, ao contrário do art. 917 do CPC, o § 2º do art. 16 da LEF deixa claro que,
nos embargos, a parte executada deverá concentrar toda sua defesa com vistas a desconstituir o processo
executivo.

O dispositivo da LEF em questão evidencia que os embargos à execução fiscal são regidos pelo
princípio da eventualidade, que impõe à parte litigante a obrigação de arguir todas as teses que entender
cabível para defesa de seu direito na ocasião oportuna e de uma só vez, sob pena de ver precluso o direito
de suscitá-las posteriormente.

Em suma: opostos embargos à execução fiscal, nos quais se inaugurou a discussão defensiva
por meio de um processo cognitivo pleno, com a observância do contraditório e a formação de conjunto

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

probatório, a prolação de sentença definitiva de improcedência do pedido obsta que a parte executada
complemente a defesa já deduzida. Está configurada a preclusão consumativa, que garante a segurança
das relações processuais e previne a criação de obstáculos para a conclusão efetiva do processo de
execução.

Logo, mesmo as matérias suscetíveis de conhecimento de ofício, ou quaisquer nulidades do


título que poderiam ser alegadas durante o trâmite dos embargos à execução, não podem ser arguidas
posteriormente por meio de exceção de pré-executividade, porque transitou em julgado a decisão que
declarou hígido e exigível o crédito exequendo.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal), artigos 3º, caput ; e 16, § 2º.
Código de Processo Civil (CPC), artigos 518, 803 e 917.

SÚMULAS

Súmula n. 393/STJ

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

SEGUNDA TURMA

PROCESSO REsp 2.045.492-RJ, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda


Turma, por unanimidade, julgado em 10/12/2024, DJEN 20/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Embargos à execução. Ausência de trânsito em julgado. Ajuizamento


de exceção de pré-executividade. Matéria não decidida na via
autônoma de impugnação. Inexistência de impedimento.

DESTAQUE

Desde que não se trate de reiteração de matérias já decididas em embargos à execução


e estejam preenchidos os demais requisitos de cabimento da exceção de pré-executividade, não
há, abstratamente, impedimento à apresentação desta após o ajuizamento daquele.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia diz respeito à possibilidade de apresentação de exceção de pré-executividade
em execução fiscal, após o ajuizamento dos embargos à execução, mas antes do trânsito em julgado da
sentença proferida na via autônoma de impugnação, com a veiculação de matéria não alegada pela parte
executada na petição de embargos e, que, portanto, ainda não foi objeto de decisão judicial.

No caso, a parte apresentou exceção de pré-executividade alegando, dentre outros


fundamentos de defesa, sua suposta imunidade quanto à incidência de IPTU.

O Tribunal de origem, por sua vez, entendeu que não seria possível alegar a questão da
imunidade tributária em exceção de pré-executividade, pois a matéria poderia ter sido veiculada nos
embargos à execução e que, "com o trânsito em julgado da sentença neste último processo, restará
atingida pela eficácia preclusiva da coisa julgada".

No entanto, tal conclusão viola a norma insculpida no art. 508 do Código de Processo Civil e
contraria o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria.

Com efeito, a eficácia preclusiva da coisa julgada prestigia a segurança jurídica e a estabilidade
das relações sociais, notadamente, por considerar como repelidos até mesmo os argumentos que a parte
poderia alegar, em sua defesa, e não apenas aqueles que efetivamente alegou.

No que concerne aos embargos à execução, porém, a aplicação do instituto da eficácia


preclusiva da coisa julgada parece peculiar, pois, embora formalmente se trate de ação de conhecimento
- nos embargos o executado assume a condição de autor - a referida via de impugnação também
reveste-se de nítido caráter defensivo.

Nesse sentido, caso se considere que o autor, embargante, deva alegar toda a matéria de
defesa na petição de embargos à execução, sob pena de arcar com as consequências da eficácia
preclusiva da coisa julgada, será forçoso concluir que, após o trânsito em julgado da sentença, nada mais
poderá alegar em seu favor.

De outro vértice, encarando-se os embargos à execução como ação de conhecimento pura, a

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

alteração da causa de pedir poderia, a depender do caso, ensejar o manejo de nova ação, tendo em vista
que "[u]ma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo
pedido" e que "[h]a coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em
julgado", conforme prevê o art. 337, §§ 2º e 4º, do CPC.

Na hipótese, conforme constou no acórdão recorrido, ao tempo da apresentação da exceção


de pré-executividade, ainda não havia passado em julgado a sentença que julgou os embargos à
execução manejados pela parte.

Por simples raciocínio de lógica dedutiva, chega-se à conclusão de que se não há trânsito em
julgado, não há se falar em eficácia preclusiva, pois aquele é condição sine qua non para a configuração
desta.

Igualmente, no tocante a eventual preclusão consumativa, não há, abstratamente,


impedimento à apresentação de exceção de pré-executividade após o ajuizamento de embargos à
execução, desde que, evidentemente, não se trate de reiteração de matérias já decididas, a teor do art.
507 do CPC.

Com efeito, "[é] possível a apresentação de exceção de pré-executividade, apesar da anterior


oposição de embargos à execução. Todavia, não é dado ao executado rediscutir matéria suscitada e
decidida nos embargos à execução, em razão da eficácia preclusiva da coisa julgada" (AgInt nos EDcl no
REsp n. 2.059.394/PE, Relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de
26/10/2023).

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 337, §§ 2º e 4º; art. 507; e art. 508.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 134

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

TERCEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.168.268-SC, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 3/12/2024, DJEN 6/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Falecimento do devedor originário. Sucessão. Cálculo do valor do


patrimônio transferido. Direitos creditórios. Aplicação do valor real.

DESTAQUE

O valor nominal, constante de escritura pública, não é suficiente, por si só, para
quantificar o valor do bem herdado, no caso de transferência de título de crédito por sucessão.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia resume-se em definir se o valor nominal de uma nota promissória, registrado
em uma escritura pública de inventário e partilha, deve ser obrigatoriamente utilizado para calcular o
valor do patrimônio transferido por herança e, consequentemente, estabelecer o alcance das obrigações
sucessórias.

A abertura da sucessão transmite, de forma automática (princípio da saisine), a propriedade de


todo o patrimônio dos herdeiros e legatários, nos termos 1.784 do Código Civil, englobando tanto os
direitos e créditos como as obrigações e dívidas existente à data do óbito.

Após concluída a partilha, cada herdeiro responde proporcionalmente à parte herdada que lhe
coube até o limite do acréscimo patrimonial dela decorrente.

A determinação das forças da herança, em sua extensão objetiva, deve por em relevo o sentido
econômico do acréscimo patrimonial, devendo seu real valor ser mensurado conforme a natureza do
bem jurídico herdado.

A nota promissória, enquanto título de crédito cambial, é bem móvel que materializa direito
literal, autônomo e abstrato, destinado a facilitar a circulação econômica de crédito, reduzindo seus
riscos jurídicos e econômicos ao afastar a possibilidade de oposição de exceções pessoais contra
endossatários.

Nesse sentido, a avaliação econômica para determinar o real valor de mercado dos títulos e do
próprio crédito deve levar em consideração aspectos relacionados aos riscos de crédito (inadimplência e
mora), além do tempo de antecipação da disponibilidade financeira e da chance de recuperação dos
créditos em mora, motivo pelo qual o valor nominal constante de escritura pública, por si só, não é
suficiente para quantificar o valor do bem herdado.

Assim, essa quantificação do valor real do título, ainda que não seja simples, especialmente
para aqueles vencidos e não pagos, é imprescindível e deve anteceder à eventual penhora de valores
pessoais dos herdeiros, concretizando a limitação de sua responsabilidade pessoal.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

No caso, o emissor da nota promissória herdada encontra-se submetido a processo falimentar,


de modo que a eventual satisfação do título deverá se dar no âmbito daquele juízo universal, obedecidas
as regras concursais, fazendo jus o credor do autor da herança ao recebimento de rateios com prioridade
sobre os herdeiros.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Civil (CC), art. 1.784

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.147.374-SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 3/12/2024, DJEN 6/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO DO CONSUMIDOR

TEMA Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Direito à privacidade, à


liberdade e à autodeterminação informativa. Agente de tratamento.
Vazamento de dados não sensíveis do titular. Incidente de segurança.
Ataque hacker. Responsabilidade exclusiva de terceiro. Não
comprovada. Responsabilidade civil proativa. Expectativa de legítima
proteção. Compliance e regulação de risco da atividade. Direitos do
titular. Concretização. Aplicabilidade.

DESTAQUE

É passível a imputação das obrigações previstas no art. 19, II, da Lei Geral de Proteção
de Dados Pessoais (LGPD), ao agente de tratamento de dados, na ocasião de vazamento de dados
pessoais não sensíveis do titular, decorrente de atividade alegadamente ilícita (ataque hacker).

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia jurídica consiste em definir se o vazamento de dados pessoais não sensíveis do
titular, decorrente de atividade alegadamente ilícita (ataque hacker), é passível de imputar ao agente de
tratamento de dados as obrigações previstas no art. 19, II, da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
(LGPD), ou se o fato de tal vazamento ter decorrido de atividade ilícita seria uma excludente de
responsabilidade, prevista no art. 43, III (culpa exclusiva de terceiro).

É importante recapitular que, ao inscrever a proteção e o tratamento de dados pessoais no rol


dos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal (art. 5º, LXXIX), a Emenda Constitucional n.
115/2022 inaugurou um novo capítulo no ordenamento jurídico brasileiro no que tange aos direitos de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

personalidade, à liberdade e à autodeterminação informativa.

Nesse sentido, as empresas que se enquadram na categoria dos agentes de tratamento têm a
obrigação legal de tomar todas as medidas de segurança esperadas pelo titular dos dados para que suas
informações sejam protegidas, e seus sistemas utilizados para o tratamento de dados pessoais devem
estar estruturados de forma a atender aos requisitos de segurança, aos padrões de boas práticas e de
governança e aos princípios gerais previstos na LGPD e às demais normas regulamentares.

Ademais, compliance de dados é o esforço de conformidade e de aplicação da LGPD nas


atividades das empresas que lidam com tratamento de dados. Referido instrumento assume importância
central ao induzir não apenas à obediência ao direito, mas também à comprovação da efetividade dos
programas de conformidade.

Logo, o tratamento de dados pessoais configura-se como irregular quando deixa de fornecer a
segurança que o titular dele poderia esperar ("expectativa de legítima proteção"), consideradas as
circunstâncias relevantes, entre as quais as técnicas de tratamento de dados pessoais disponíveis à época
em que foi for realizado (art. 44, III, da LGPD).

No caso de a empresa de tratamento não provar que determinado vazamento dos dados tenha
ocorrido exclusivamente em razão de incidente de segurança (ataque hacker), é impossível aplicar em seu
favor a excludente de responsabilidade do art. 43, III, da LGPD.

Assim, é correta a conclusão de concretizar os direitos do titular dos dados ao condenar a


empresa responsável pelo tratamento de dados na obrigação de apresentar informação das entidades
públicas e privadas com as quais realizou o uso compartilhado dos dados da recorrida (art. 18, VII, da
LGPD) e a fornecer declaração completa que indique a origem dos dados, a inexistência de registro, os
critérios utilizados e a finalidade do tratamento, bem como a cópia exata de todos os dados referentes ao
titular constantes em seus bancos de dados (art. 19, II, da LGPD).

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal. art. 5º, LXXIX.


Emenda Constitucional nº 115/2022.
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), artigos 18, VII; 19, II; 43, III; 44, III.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 833

Informativo de Jurisprudência n. 799

Pesquisa Pronta / DIREITO CIVIL - RESPONSABILIDADE CIVIL

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

PROCESSO REsp 2.144.902-MG, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 3/12/2024, DJEN 6/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO DO TRABALHO, DIREITO PROCESSUAL


CIVIL

TEMA Competência. Relação jurídica entre motorista e plataforma digital.


Prestação de serviço autônomo. Natureza civil. Competência da
Justiça comum. Competência da Justiça do Trabalho. Não
configuração.

DESTAQUE

Compete à Justiça comum, e não à Justiça do Trabalho, julgar demanda ajuizada por
motorista de aplicativo em face da empresa gestora de plataforma digital, tendo em vista a
relação de natureza civil existente entre as partes.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em saber qual a natureza jurídica da relação entre o motorista de
aplicativo e a plataforma digital, e, consequentemente, a competência para o julgamento de pretensão
fundada em descumprimento contratual pela empresa gestora de plataforma digital.

O sistema jurídico brasileiro oferece duas hipóteses de enquadramento para prestadores de


serviço, empregado e autônomo.

Os requisitos legais cumulativos necessários à configuração da condição de empregado,


previstos nos artigos 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho, consistem em pessoalidade, não
eventualidade, onerosidade e subordinação. Por exclusão, não preenchidos tais requisitos, e existindo
legislação específica que disciplina a relação jurídica, ainda que não de modo extenso, evidencia-se a
hipótese de relação de prestação de serviço autônomo.

Os prestadores de serviço de transporte privado via plataformas digitais têm sua atividade
prevista em lei especial, qual seja, Lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei n. 12.587/2012).
Ademais, no exercício de sua função, não preenchem os requisitos cumulativos acima descritos, na
medida em que não satisfeitos os requisitos da não eventualidade e subordinação.

Motoristas de aplicativos, como são popularmente conhecidos, exercem liberdade plena no


que se refere à escolha do momento em que se colocam à disposição na plataforma. Não eventualmente,
a atividade é exercida como forma de complementação de renda em períodos determinados
exclusivamente pelo motorista.

Além disso, a prestação do serviço de transporte via plataformas não denota subordinação. O
que se verifica é que as plataformas, ao disponibilizarem o acesso ao serviço, estabelecem uma série de
condições mínimas de comportamento ao prestador de serviço e ao consumidor, bem como condições
de estado ao veículo particular que será utilizado, tudo com a finalidade de garantir segurança e
efetividade ao negócio jurídico intermediado.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

A interpretação de tais condições conduz a uma intervenção no exercício das relações


particulares e na dinâmica da atividade econômica que descaracterizaria não só a relação ora em debate,
mas outros contratos de natureza empresária que manifestamente estabelecem condições,
padronizações e limitações no exercício da relação negocial e não por isso configuram relação de
emprego ou trabalho.

À luz da legislação vigente, verifica-se que os motoristas, prestadores do serviço de transporte,


não preenchem os requisitos necessários à configuração de relação de emprego ou trabalho e atuam de
modo autônomo, sem vínculo de emprego com a empresa gestora da plataforma digital em questão.

Assim, o sistema de transporte privado individual intermediado a partir de provedores de rede


de compartilhamento detém natureza de cunho civil.

No caso, a pretensão formulada na inicial consiste na reativação de sua conta perante a


plataforma para que siga prestando o serviço de transporte privado de pessoas, bem como a reparação
pelos danos decorrentes da suspensão. A causa de pedir da demanda em questão origina-se, portanto, do
alegado descumprimento do contrato de intermediação para a prestação de serviços de transporte
firmado entre as partes.

Dessa forma, na medida em que a causa de pedir e o pedido trazido na inicial não se referem à
existência de relação de trabalho entre as partes, limitando-se o conflito a questões de relação jurídica de
cunho eminentemente civil, não está configurada hipótese de competência da justiça especializada.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), art. 2º e art. 3º


Lei n. 12.587/2012 (Lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana)

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 655

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.041.654-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 10/12/2024, DJEN 13/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO DO CONSUMIDOR

TEMA Preço das instalações e ligações definitivas de serviço público.


Transferência ao promitente comprador. Possibilidade. Redação da
cláusula com destaque. Observância ao dever de informação.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

DESTAQUE

É válida a cláusula contratual que, redigida com destaque, transfere ao promitente


comprador a obrigação de pagar o preço de instalações e ligações de serviços públicos nos
contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação
imobiliária, ainda que ausente a quantificação precisa do valor dos serviços.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A fim de concretizar o comando constitucional de proteção ao consumidor (art. 5º, XXXII,
CF/1988) e de combater as desigualdades materiais decorrentes da vulnerabilidade deste no mercado de
consumo (art. 4º, I, do CDC), o Código de Defesa do Consumidor elenca, de modo exemplificativo, os
diversos direitos do consumidor e os inúmeros deveres a que se submetem os fornecedores de produtos
e serviços.

Dentre os direitos básicos do consumidor, inclui-se "a informação adequada e clara sobre os
diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição,
qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem (art. 6º, III, do CDC).

No que tange à proteção contratual do consumidor, o art. 46 do CDC dispõe que "os contratos
que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a
oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem
redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance".

Há, portanto, um dever de que as informações consideradas relevantes sobre o produto ou


serviço sejam transmitidas ao consumidor de modo adequado e eficiente, com o devido destaque das
cláusulas onerosas no momento da realização dos contratos consumeristas.

Destaque-se que o valor cobrado pelas concessionárias e permissionárias de serviços públicos


trata-se de preço público (tarifa) destinado às despesas com instalações (materiais e equipamentos, mão
de obra, deslocamento, testes de segurança, etc.) para as ligações definitivas de serviços públicos, como
luz urbana e saneamento básico (abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana,
drenagem de resíduos sólidos e manejo das águas pluviais urbanas, nos termos do art. 3º, I, da Lei n.
11.445/2007).

Dessa forma, não se pode afirmar que a cobrança da tarifa pela instalação e ligações definitivas
dos serviços públicos, por si só, seja abusiva, pois o valor que tem como finalidade remunerar serviço
essencial e autônomo que será efetivamente prestado pelas concessionárias e permissionárias após a
construção do bem.

Nada obstante, em observância ao dever de informação que permeia os contratos regidos pelo
Código de Defesa do Consumidor, a cláusula que lhe transfere os ônus pelo pagamento de eventuais
custos adicionais deve ser redigida com destaque e de modo eficiente.

As instâncias ordinárias concluíram pela abusividade da cláusula que transferiu ao consumidor


o pagamento do preço a título de instalações e ligações definitivas dos serviços públicos, porquanto
ausente a quantificação dos valores a serem pagos.

Nada obstante, em seu voto divergente, o ministro Moura Ribeiro suscitou, em síntese,
algumas ponderações: (i) no contrato estabelecido entre promitente vendedor (incorporador) e
promitente comprador, há uma impossibilidade de se quantificar previamente o valor das ligações
definitivas, cujo montante depende das instalações que serão feitas e das estações nas quais realizadas,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

por imposição dos órgãos públicos; (ii) em razão dessa peculiaridade, o dever de informação se alcança
com a identificação expressa do responsável pelo adimplemento do preço; (iii) "a falta da identificação do
quantum na cláusula que repassa esses encargos não isenta o fornecedor de colocar à disposição dos
promitentes compradores toda a documentação detalhada relativa a essas despesas, no momento da sua
cobrança, para fins de demonstrar a higidez dos valores cobrados"; e (iv) "nada impede que, a depender
do caso concreto, o consumidor alegue eventual abusividade dessa tarifa, caso os valores cobrados a esse
título se mostrem excessivos ou desproporcionais ultrapassando o que seria razoavelmente esperado no
contexto da relação contratual".

Com efeito, considerando os apontamentos realizados, conclui-se que é válida a cláusula


contratual que, redigida com destaque, transfere ao promitente comprador a obrigação de pagar o preço
de instalações e ligações de serviços públicos nos contratos de promessa de compra e venda de unidade
autônoma em regime de incorporação imobiliária, ainda que ausente a quantificação precisa do valor dos
serviços.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF/1988), art. 5º, XXXII


Código de Defesa do Consumidor (CDC/1990), art. 4º, I
Lei n. 11.445/2007, art . 3º, I

SAIBA MAIS
Pesquisa Pronta / DIREITO DO CONSUMIDOR - DIREITOS DO CONSUMIDOR

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

QUARTA TURMA

PROCESSO REsp 2.173.636-MT, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 10/12/2024, DJEN 18/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO DO CONSUMIDOR

TEMA Ação de indenização por erro médico. Cirurgia plástica estética não
reparadora. Resultado desarmonioso segundo o senso comum.
Responsabilidade subjetiva. Inversão do ônus da prova. Inexistência
de causa excludente de responsabilidade. Dever de indenizar
configurado.

DESTAQUE

Em se tratando de cirurgia plástica estética não reparadora, caso o resultado seja


desarmonioso, segundo o senso comum, presume-se a culpa do profissional e o dever de
indenizar, ainda que não tenha sido verificada imperícia, negligência ou imprudência.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Na origem, cuida-se de ação de indenização por erro médico, devido à cirurgia plástica
(mamoplastia) não ter alcançado o resultado esperado pela paciente.

Inicialmente, cumpre registrar que, em se tratando de cirurgia plástica estética não reparadora,
existe consenso na jurisprudência e na doutrina de que se trata de obrigação de resultado. Diante do que
disposto no art. 14, § 4º, do Código de Defesa do Consumidor (CDC), a responsabilidade dos cirurgiões
plásticos estéticos é subjetiva, havendo presunção de culpa, com inversão do ônus da prova.

Ademais, o uso da técnica adequada na cirurgia estética não é suficiente para isentar o médico
de culpa, nos casos em que o resultado da operação não foi aquele desejado pelo paciente. Assim, nessas
situações, com a inversão do ônus da prova, entende-se que a culpa do médico seria presumida e a ele
caberia elidir essa presunção, mediante prova de ocorrência de algum fator imponderável, apto a eximi-lo
do seu dever de indenizar por não ter alcançado o resultado pretendido com a cirurgia, tais como caso
fortuito, força maior ou culpa exclusiva da vítima.

Embora o art. 6º, inciso VIII, do CDC seja aplicado aos cirurgiões plásticos, a inversão do ônus
da prova, prevista neste dispositivo, não se destina apenas à comprovação de fator imponderável que
possa ter contribuído para o resultado negativo da cirurgia, mas, principalmente, autoriza que o cirurgião
faça prova do resultado satisfatório alcançado, segundo o senso comum, e não segundo os critérios
subjetivos de cada paciente.

Logo, em se tratando de cirurgia plástica estética não reparadora, quando não tiver sido
verificada imperícia, negligência ou imprudência do médico, mas o resultado alcançado não tiver
agradado o paciente, somente se pode presumir a culpa do profissional se o resultado for desarmonioso,
segundo o senso comum.

No caso, como as mamas da recorrida não ficaram em situação esteticamente melhor do que a
existente antes da cirurgia, ainda que se considere que o cirurgião plástico tenha feito uso de técnica

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

adequada, como (i) ele não comprovou que o resultado negativo da cirurgia tenha se dado por algum
fator alheio à sua vontade, a exemplo de reação inesperada do organismo da paciente e (ii) como esse
resultado foi insatisfatório, segundo o senso comum, há dever de indenizar neste caso.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.078/90 (CDC), arts. 6º, VIII, e 14, § 4º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 491

Informativo de Jurisprudência n. 443

Informativo de Jurisprudência n. 383

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no REsp 2.034.944-RS, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta


Turma, por unanimidade, julgado em 12/11/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Ação declaratória de insolvência civil. Execução de título


extrajudicial. Execução frustrada. Desistência prévia.
Prescindibilidade. Tramitação simultânea. Suspensão da execução
singular.

DESTAQUE

Na hipótese de execução singular frustrada, é desnecessária a prévia desistência do


processo de execução, bastando que fique suspenso até a prolação de sentença definitiva na ação
de insolvência civil.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em verificar a possibilidade de o credor, após a verificação de
insuficiência de bens do devedor na execução singular, promover a ação declaratória de insolvência civil
(arts. 748 e seguintes do CPC de 1973), sem que tenha sido extinta aquela execução.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

O processo de insolvência, em sua primeira fase, visa aferir o estado de insolvência do devedor
apto a dar início a uma execução coletiva, momento em que possui estrutura de processo de
conhecimento. Somente na segunda fase, caso demonstrada a insolvência, é que o processo se torna
propriamente executivo, formando a massa ativa da insolvência.

Logo, somente a partir da declaração da insolvência e da instauração do concurso universal de


credores é que se torna vedado ao credor utilizar-se de mais de uma via judicial, devendo seguir com a
tentativa de obtenção do crédito apenas pelo processo de insolvência. Isso porque, antes desse
momento, o credor não tem garantia de que o estado de insolvência será reconhecido, restando ilógico
impor-lhe a necessidade de desistência prévia da execução singular manejada.

Nesse sentido, em consonância com os princípios da instrumentalidade das formas, da


primazia do julgamento do mérito e da celeridade e economia processuais, evitando-se que os atos
processuais da expropriação singular se tornem ineficazes, bem como que haja a necessidade de
ajuizamento de nova execução, é cabível a suspensão do processo singular, permitindo-se que seja
retomado o seu curso, caso não haja a declaração de insolvência. Todavia, ocorrendo esta última, os
autos deverão ser remetidos ao juízo universal da insolvência.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil de 1973 (CPC/1973), arts. 748 a 753

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 604

Informativo de Jurisprudência n. 435

Informativo de Jurisprudência n. 106

Informativo de Jurisprudência n. 76

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

QUINTA TURMA

PROCESSO REsp 2.162.562-SE, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, por
unanimidade, julgado em 3/12/2024, DJEN 20/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Conflito de competência. Ausência de denúncia. Art. 114 do CPP.


Manifestações divergentes das autoridades jurisdicionais. Conflito
configurado.

DESTAQUE

A ausência de oferecimento de denúncia não impede o reconhecimento do conflito de


competência.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A configuração de conflito de competência exige a demonstração de que dois ou mais juízes
se declararam competentes ou incompetentes para o julgamento do mesmo fato criminoso, ou que entre
eles surgiu controvérsia sobre unidade de juízo, junção ou separação de processos, conforme expressa
disposição do art. 114 do CPP.

É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que "somente haverá conflito de competência


quando houver manifestação de dois órgãos jurisdicionais que se considerem competentes ou
incompetentes para julgamento da mesma causa, o que não ocorreu na hipótese dos autos, em que não
há manifestações conflituosas dos magistrados nesse sentido". (AgRg no CC n. 188.912/RJ, relatora
Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 10/8/2022, DJe 18/8/2022).

Na hipótese, verifica-se o Tribunal de origem pontuou que "o feito foi originariamente
distribuído para o Juizado Especial Criminal, que declinou da competência" e que "Recebidos os autos
pelo Juízo de Direito da Vara Criminal, entendeu que somente devem ser processadas e julgadas pela
Vara Criminal as infrações penais (crimes e contravenções) praticadas em desfavor de criança, de
adolescente ou de idoso, em situação de vulnerabilidade, nas quais a Lei comine pena máxima superior a
2 anos".

Observa-se, portanto, que, embora não tenha havido oferecimento de denúncia, as


autoridades jurisdicionais que supervisionavam a atividade investigativa findaram por divergir
negativamente acerca da competência para conhecimento dos fatos, a indicar o preenchimento dos
requisitos do art. 114 do CPP.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 114

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Rel.


para acórdão Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por maioria,
julgado em 10/12/2024, DJEN 26/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Prova digital. Cadeia de custódia. Necessidade de comparar a hash


do arquivo espelhado com a daquele apresentado no processo. Parte
dos arquivos corrompidos e inacessíveis. Inadmissibilidade.

DESTAQUE

A corrupção de parte dos arquivos digitais compromete a integralidade da prova,


inviabilizando sua utilização.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão em discussão consiste em saber se a prova digital obtida mediante busca e
apreensão, com parte dos arquivos corrompidos e inacessíveis, pode ser admitida em juízo.

O simples fato de se ter documentado as hashes dos arquivos (formados a partir do


espelhamento do conteúdo de cada aparelho eletrônico apreendido), por si só, não garante a integridade
do material.

O tema foi examinado pela primeira vez pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), no julgamento do AgRg no RHC 143.169/RJ, em que foi esclarecido que a finalidade da
documentação das hashes é permitir a comparação posterior entre os arquivos. A simples existência da
hash não permite concluir que o arquivo apresentado é autêntico e íntegro: para se auditar essas
características, é necessário comparar a hash do arquivo espelhado com a daquele apresentado no
processo.

No caso, seria necessário comparar, então, pelo menos as hashes dos arquivos disponibilizados
à defesa em nuvem, no link enviado pelo Ministério Público, com as hashes daqueles constantes dos HDs
de origem e do "HD do Fisco", onde foram armazenados. Sendo idênticos os códigos, aí sim poderíamos
concluir que os arquivos constantes nesses suportes são também idênticos. Como a acusação e o juízo de
origem se recusaram a adotar esse procedimento, há um prejuízo concreto à confiabilidade da prova,
porque não há como saber se os arquivos são, de fato, os mesmos.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

Além disso, na situação sob análise, há um fato incontroverso: Ministério Público, juízo singular
e acórdão recorrido reconhecem que parte do material apreendido é absolutamente inacessível, porque
seus arquivos foram corrompidos por "algum tipo de erro", que se acredita ter acontecido no momento
da extração dos dados na busca e apreensão. O problema principal da causa está, dessarte, na ofensa à
integralidade da prova.

Todos os agentes processuais reconhecem que a defesa não tem acesso à integralidade do
material, pois parte dos arquivos foi irremediavelmente perdida, por algum erro desconhecido. Não se
sabe qual parte dos arquivos é essa, se ela fomentaria uma elucidação melhor dos fatos ou mesmo se ela
corroboraria alguma linha fática defensiva. Por exclusiva responsabilidade do Estado, essa informação se
perdeu, e não há como acessá-la.

Em resumo, a prova digital está incompleta. Considerando que parte das conversas se perdeu
por responsabilidade exclusiva do Estado, quando esses dados estavam em sua custódia, é ônus do
Estado arcar com as repercussões jurídicas da incompletude da prova. Isso porque, se o remanescente da
interceptação fosse admitido em juízo, pairariam eternamente dúvidas muito relevantes sobre o conjunto
probatório.

Portanto, à semelhança da situação julgada no HC 160.662/RJ, não houve a "salvaguarda da


integralidade do material colhido na investigação, repercutindo no próprio dever de garantia da paridade
de armas".

A jurisprudência do STJ, em casos análogos, determina a inadmissibilidade de provas


incompletas, em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, e à própria confiabilidade dos
registros de corpo de delito.

Assim, mantendo íntegra e coerente jurisprudência desta Corte Especial, como manda o art.
926 do Código de Processo Civil (CPC), deve-se aplicar aqui a mesma solução dada no AgRg no RHC
143.169/RJ, em 2023, e ao HC 160.662/RJ, em 2014, no sentido da inadmissibilidade da prova digital que
não atende a requisitos mínimos de confiabilidade.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 926.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 811

Informativo de Jurisprudência n. 17 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 763

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

RECURSOS REPETITIVOS - AFETAÇÃO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.146.834-AP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 10/12/2024, DJe
18/12/2024. (Tema 1302).
ProAfR no REsp 2.146.839-AP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 10/12/2024, DJe
18/12/2024 (Tema 1302).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp 2.146.834-


AP e REsp 2.146.839-AP ao rito dos recursos repetitivos, a fim de
uniformizar o entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"definir, caso não limitado expressamente na sentença, se todos os
servidores da categoria são legitimados para propor o cumprimento
individual de sentença decorrente de ação coletiva proposta por
sindicato, independentemente de filiação ou de constar em lista".

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.161.548-BA, Rel. Ministro Otávio de Almeida


Toledo (Desembargador convocado Do TJSP), Terceira Seção, por
unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJe 23/12/2024. (Tema 1303).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA A Terceira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp 2.161.548-


BA ao rito dos recursos repetitivos, a fim de uniformizar o
entendimento a respeito da seguinte controvérsia: "definir se a
ausência de confissão pelo investigado a respeito do cometimento
do crime, durante a fase de inquérito policial, constitui fundamento
válido para o Ministério Público não ofertar proposta de Acordo de
Não Persecução Penal (ANPP)".

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

PROCESSO ProAfR no REsp 2.119.311-SC, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJe
08/01/2025. (Tema 1304).
ProAfR no REsp 2.143.866-SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJe
08/01/2025 (Tema 1304).
ProAfR no REsp 2.143.997-SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJe
08/01/2025 (Tema 1304).

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp 2.119.311-


SC, REsp 2.143.866-SP e REsp 2.143.997-SP ao rito dos recursos
repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a respeito da
seguinte controvérsia: "definir se é possível, ou não, excluir o ICMS, o
PIS e a COFINS da base de cálculo do IPI, a partir do conceito de
'valor da operação' inserto no art. 47, II, a, do CTN; e no art. 14, II, da
Lei 4.502/64".

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Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.

PROCESSO ProAfR no REsp 2.176.896-DF, Rel. Ministra Regina Helena Costa,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJe
8/1/2025. (Tema 1305).
ProAfR no REsp 2.176.897-DF, Rel. Ministra Regina Helena Costa,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJe
8/1/2025 (Tema 1305).
ProAfR no REsp 2.182.157-DF, Rel. Ministra Regina Helena Costa,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJe
8/1/2025 (Tema 1305).
RProAfR no REsp 2.184.221-DF, Rel. Ministra Regina Helena Costa,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 17/12/2024, DJe
8/1/2025 (Tema 1305).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp 2.176.896-


DF, REsp 2.176.897-DF, REsp 2.182.157-DF e 2.184.221-DF ao rito
dos recursos repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a
respeito da seguinte controvérsia: "definir: a) se a União deve figurar
no polo passivo de demanda em que se pretende a revisão da Tabela
de Procedimentos Ambulatoriais e Hospitalares do Sistema Único de
Saúde - SUS; b) a (in)existência de litisconsórcio passivo necessário
entre os entes federativos para integrarem a lide; e c) se é possível
equiparar os valores da Tabela de Procedimentos Ambulatoriais e
Hospitalares do Sistema Único de Saúde - SUS aos estabelecidos
pela Agência da Nacional de Saúde - ANS (TUNEP/IVR), com o
objetivo de preservar o equilíbrio econômico-financeiro de contrato
ou convênio firmado com hospitais privados, para prestação de
serviços de saúde em caráter complementar".

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