Jurisprudência sobre Agravo de Instrumento
Jurisprudência sobre Agravo de Instrumento
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
O Tribunal de origem entendeu que a decisão interlocutória agravada não estava inserida no
rol taxativo do art. 1.015 do Código de Processo Civil de 2015, destacando, ainda, que não havia urgência
na utilização do instrumento recursal a caracterizar a taxatividade mitigada definida pelo STJ no
julgamento do REsp 1.696.396/MT, apreciado sob o rito de demandas repetitivas.
No julgamento dos embargos de declaração, a Corte a quo consignou, ainda, que "não há na
lei de ação civil pública nenhuma particularidade quanto à admissibilidade do recurso originário".
Porém, as duas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça têm entendido que a
norma específica inserida no microssistema de tutela coletiva, prevendo a impugnação de decisões
interlocutórias mediante agravo de instrumento (art. 19 da Lei n. 4.717/1965), não é afastada pelo rol
taxativo do art. 1.015 do CPC/2015, notadamente porque o inciso XIII daquele preceito contempla o
cabimento daquele recurso em outros casos expressamente referidos em lei.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
Assim, conquanto não prevista especificamente na Lei de Ação Civil Pública, a regra legal
prevista na Lei da Ação Popular estende-se a todas as ações inseridas no microssistema de tutela coletiva,
de modo que é cabível a interposição de agravo de instrumento na espécie.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 2 - Edição Especial
DESTAQUE
Os entes estaduais são partes legítimas para figurar no polo passivo de ação que busca
garantir o fornecimento regular de água potável e saneamento básico a terra indígena.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
Segundo a Fazenda estadual, a obrigação deveria ser atendida exclusivamente pela União, na
forma da Lei n. 11.445/2007, que disciplina as diretrizes nacionais de saneamento básico.
Consoante interpretação dos arts. 19-C, 19-D e 19-E da Lei n. Lei n. 8.080/1990, em se
tratando de ações para fins de concretização da saúde indígena, exige-se a atuação não apenas da União,
mas também dos Estados (art. 19-E). Essa norma expressa já seria suficiente para justificar a manutenção
do Estado do Paraná no polo passivo da lide, mas não é a única razão.
Além disso, também sob a perspectiva da Lei n. 11.445/2007, não haveria exclusão da
responsabilidade estadual, pois, o caso em exame não discute a competência para fixar Plano Nacional de
Saneamento Básico (art. 52, I), esta sim de responsabilidade da União.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
A Lei Complementar n. 87/1996 (Lei Kandir), a teor do art. 20, caput e § 1º, ao implementar a
não cumulatividade do ICMS, permitiu o aproveitamento dos créditos referentes à aquisição de quaisquer
produtos intermediários, desde que comprovada a necessidade de sua utilização para a realização do
objeto social do estabelecimento empresarial.
Em análise conjunta do art. 20, § 1º, com o art. 33, II, b, ambos da Lei Complementar n.
87/1996, constata-se que o legislador, em momento algum, buscou limitar a fruição dos créditos de ICMS
a depender da destinação dada à mercadoria final produzida com o produto intermediário adquirido.
Apesar de a comercialização do produto constituir pressuposto lógico do fim almejado pelo processo de
industrialização, a lei não traz essa limitação expressa, de modo que não cabe ao Poder Judiciário
subverter a competência do Poder Legislativo e impô-la, como postula o Estado recorrente.
Diante disso, conclui-se que os "gases ventados" pela empresa recorrida constituem refugo -
perdas inerentes a qualquer processo produtivo - e, ainda que não comercializados, não afastam o direito
ao crédito de ICMS visto que a energia elétrica foi consumida no processo de industrialização, tal como
prescreve o supramencionado art. 33, II, b, da Lei Complementar n. 87/1996.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei Complementar 87/1996 (Lei Kandir), art. 20, caput e § 1º; e art. 33, II, b.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
DESTAQUE
Nas execuções fiscais, o prazo para oposição de embargos à execução deve iniciar-se
após a intimação do executado acerca do aceite do seguro garantia pelo Juiz.
O seguro garantia funciona como uma garantia oferecida pelo contribuinte para assegurar o
pagamento dos valores supostamente devidos e exigidos pela Fazenda Pública. Para tanto, o contribuinte
contrata uma apólice de seguro junto a uma seguradora e essa apólice é então apresentada como
garantia de que o pagamento será efetuado caso o contribuinte perca a discussão em âmbito judicial,
sendo a relação entre contribuinte e seguradora de âmbito privado, sem qualquer participação da
Fazenda Nacional ou do Poder Judiciário.
Sobre o prazo para oposição de embargos à execução, o art. 16, II, da Lei n. 6.830/1980 (Lei de
Execução Fiscal - LEF) dispõe que o prazo de 30 dias será contado da juntada da prova do seguro garantia
e, em seu parágrafo 1º, deixa claro que não serão admissíveis os embargos antes de garantida a execução.
Esse dispositivo leva à interpretação de que existem dois momentos processuais na garantia da
execução fiscal pelo executado: 1) a juntada do seguro garantia aos autos e 2) o aceite pelo Juiz da causa,
o que resulta no início do prazo para oposição dos embargos à execução.
Assim, o prazo para a oposição de embargos à execução deve se dar após o aceite da garantia
pelo Juiz da causa.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 563
Jurisprudência em Teses / DIREITO PROCESSUAL CIVIL - EDIÇÃO N. 156: LEI DE EXECUÇÃO FISCAL -
III
Legislação Aplicada / LEI 6.830/1980 (LEI DE EXECUÇÃO FISCAL) - Lei de Execução Fiscal.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
qualquer matéria útil à defesa de seu patrimônio jurídico nos embargos à execução fiscal, cujo cabimento
se encontra disciplinado pelo art. 16 da Lei n. 6.830/1980.
Assim, na execução em geral, como na execução fiscal, mesmo sem a oposição de embargos à
execução e ausente penhora para prévia garantia do juízo, a parte litigante que figura no polo passivo da
demanda exacional pode suscitar matérias passíveis de que delas o juiz conheça de ofício enquanto não
extinto o processo executivo.
Todavia, ainda que se viesse a admitir, que nas execuções em geral pudesse haver a
apresentação de novas matérias de defesa, nas execuções fiscais não é assim.
A previsão de regra processual na lei geral, no caso o Código de Processo Civil, não implica sua
incidência automática na execução de título extrajudicial regulada por lei especial, no caso da execução
fiscal, regida pela Lei n. 6.830/1980. A aplicação do CPC de forma subsidiária à execução fiscal é
reservada para as situações nas quais o regramento especial é silente e não haja incompatibilidade entre
as normas.
Nota-se assim que, ao contrário do art. 917 do CPC, o § 2º do art. 16 da LEF deixa claro que,
nos embargos, a parte executada deverá concentrar toda sua defesa com vistas a desconstituir o processo
executivo.
O dispositivo da LEF em questão evidencia que os embargos à execução fiscal são regidos pelo
princípio da eventualidade, que impõe à parte litigante a obrigação de arguir todas as teses que entender
cabível para defesa de seu direito na ocasião oportuna e de uma só vez, sob pena de ver precluso o direito
de suscitá-las posteriormente.
Em suma: opostos embargos à execução fiscal, nos quais se inaugurou a discussão defensiva
por meio de um processo cognitivo pleno, com a observância do contraditório e a formação de conjunto
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
probatório, a prolação de sentença definitiva de improcedência do pedido obsta que a parte executada
complemente a defesa já deduzida. Está configurada a preclusão consumativa, que garante a segurança
das relações processuais e previne a criação de obstáculos para a conclusão efetiva do processo de
execução.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal), artigos 3º, caput ; e 16, § 2º.
Código de Processo Civil (CPC), artigos 518, 803 e 917.
SÚMULAS
Súmula n. 393/STJ
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
SEGUNDA TURMA
DESTAQUE
O Tribunal de origem, por sua vez, entendeu que não seria possível alegar a questão da
imunidade tributária em exceção de pré-executividade, pois a matéria poderia ter sido veiculada nos
embargos à execução e que, "com o trânsito em julgado da sentença neste último processo, restará
atingida pela eficácia preclusiva da coisa julgada".
No entanto, tal conclusão viola a norma insculpida no art. 508 do Código de Processo Civil e
contraria o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria.
Com efeito, a eficácia preclusiva da coisa julgada prestigia a segurança jurídica e a estabilidade
das relações sociais, notadamente, por considerar como repelidos até mesmo os argumentos que a parte
poderia alegar, em sua defesa, e não apenas aqueles que efetivamente alegou.
Nesse sentido, caso se considere que o autor, embargante, deva alegar toda a matéria de
defesa na petição de embargos à execução, sob pena de arcar com as consequências da eficácia
preclusiva da coisa julgada, será forçoso concluir que, após o trânsito em julgado da sentença, nada mais
poderá alegar em seu favor.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
alteração da causa de pedir poderia, a depender do caso, ensejar o manejo de nova ação, tendo em vista
que "[u]ma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo
pedido" e que "[h]a coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em
julgado", conforme prevê o art. 337, §§ 2º e 4º, do CPC.
Por simples raciocínio de lógica dedutiva, chega-se à conclusão de que se não há trânsito em
julgado, não há se falar em eficácia preclusiva, pois aquele é condição sine qua non para a configuração
desta.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Civil (CPC), art. 337, §§ 2º e 4º; art. 507; e art. 508.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 134
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
TERCEIRA TURMA
PROCESSO REsp 2.168.268-SC, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 3/12/2024, DJEN 6/12/2024.
DESTAQUE
O valor nominal, constante de escritura pública, não é suficiente, por si só, para
quantificar o valor do bem herdado, no caso de transferência de título de crédito por sucessão.
Após concluída a partilha, cada herdeiro responde proporcionalmente à parte herdada que lhe
coube até o limite do acréscimo patrimonial dela decorrente.
A determinação das forças da herança, em sua extensão objetiva, deve por em relevo o sentido
econômico do acréscimo patrimonial, devendo seu real valor ser mensurado conforme a natureza do
bem jurídico herdado.
A nota promissória, enquanto título de crédito cambial, é bem móvel que materializa direito
literal, autônomo e abstrato, destinado a facilitar a circulação econômica de crédito, reduzindo seus
riscos jurídicos e econômicos ao afastar a possibilidade de oposição de exceções pessoais contra
endossatários.
Nesse sentido, a avaliação econômica para determinar o real valor de mercado dos títulos e do
próprio crédito deve levar em consideração aspectos relacionados aos riscos de crédito (inadimplência e
mora), além do tempo de antecipação da disponibilidade financeira e da chance de recuperação dos
créditos em mora, motivo pelo qual o valor nominal constante de escritura pública, por si só, não é
suficiente para quantificar o valor do bem herdado.
Assim, essa quantificação do valor real do título, ainda que não seja simples, especialmente
para aqueles vencidos e não pagos, é imprescindível e deve anteceder à eventual penhora de valores
pessoais dos herdeiros, concretizando a limitação de sua responsabilidade pessoal.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PROCESSO REsp 2.147.374-SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 3/12/2024, DJEN 6/12/2024.
DESTAQUE
É passível a imputação das obrigações previstas no art. 19, II, da Lei Geral de Proteção
de Dados Pessoais (LGPD), ao agente de tratamento de dados, na ocasião de vazamento de dados
pessoais não sensíveis do titular, decorrente de atividade alegadamente ilícita (ataque hacker).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
Nesse sentido, as empresas que se enquadram na categoria dos agentes de tratamento têm a
obrigação legal de tomar todas as medidas de segurança esperadas pelo titular dos dados para que suas
informações sejam protegidas, e seus sistemas utilizados para o tratamento de dados pessoais devem
estar estruturados de forma a atender aos requisitos de segurança, aos padrões de boas práticas e de
governança e aos princípios gerais previstos na LGPD e às demais normas regulamentares.
Logo, o tratamento de dados pessoais configura-se como irregular quando deixa de fornecer a
segurança que o titular dele poderia esperar ("expectativa de legítima proteção"), consideradas as
circunstâncias relevantes, entre as quais as técnicas de tratamento de dados pessoais disponíveis à época
em que foi for realizado (art. 44, III, da LGPD).
No caso de a empresa de tratamento não provar que determinado vazamento dos dados tenha
ocorrido exclusivamente em razão de incidente de segurança (ataque hacker), é impossível aplicar em seu
favor a excludente de responsabilidade do art. 43, III, da LGPD.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 833
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
PROCESSO REsp 2.144.902-MG, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 3/12/2024, DJEN 6/12/2024.
DESTAQUE
Compete à Justiça comum, e não à Justiça do Trabalho, julgar demanda ajuizada por
motorista de aplicativo em face da empresa gestora de plataforma digital, tendo em vista a
relação de natureza civil existente entre as partes.
Os prestadores de serviço de transporte privado via plataformas digitais têm sua atividade
prevista em lei especial, qual seja, Lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei n. 12.587/2012).
Ademais, no exercício de sua função, não preenchem os requisitos cumulativos acima descritos, na
medida em que não satisfeitos os requisitos da não eventualidade e subordinação.
Além disso, a prestação do serviço de transporte via plataformas não denota subordinação. O
que se verifica é que as plataformas, ao disponibilizarem o acesso ao serviço, estabelecem uma série de
condições mínimas de comportamento ao prestador de serviço e ao consumidor, bem como condições
de estado ao veículo particular que será utilizado, tudo com a finalidade de garantir segurança e
efetividade ao negócio jurídico intermediado.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
Dessa forma, na medida em que a causa de pedir e o pedido trazido na inicial não se referem à
existência de relação de trabalho entre as partes, limitando-se o conflito a questões de relação jurídica de
cunho eminentemente civil, não está configurada hipótese de competência da justiça especializada.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 655
PROCESSO REsp 2.041.654-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 10/12/2024, DJEN 13/12/2024.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
DESTAQUE
Dentre os direitos básicos do consumidor, inclui-se "a informação adequada e clara sobre os
diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição,
qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem (art. 6º, III, do CDC).
No que tange à proteção contratual do consumidor, o art. 46 do CDC dispõe que "os contratos
que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a
oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem
redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance".
Dessa forma, não se pode afirmar que a cobrança da tarifa pela instalação e ligações definitivas
dos serviços públicos, por si só, seja abusiva, pois o valor que tem como finalidade remunerar serviço
essencial e autônomo que será efetivamente prestado pelas concessionárias e permissionárias após a
construção do bem.
Nada obstante, em observância ao dever de informação que permeia os contratos regidos pelo
Código de Defesa do Consumidor, a cláusula que lhe transfere os ônus pelo pagamento de eventuais
custos adicionais deve ser redigida com destaque e de modo eficiente.
Nada obstante, em seu voto divergente, o ministro Moura Ribeiro suscitou, em síntese,
algumas ponderações: (i) no contrato estabelecido entre promitente vendedor (incorporador) e
promitente comprador, há uma impossibilidade de se quantificar previamente o valor das ligações
definitivas, cujo montante depende das instalações que serão feitas e das estações nas quais realizadas,
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
por imposição dos órgãos públicos; (ii) em razão dessa peculiaridade, o dever de informação se alcança
com a identificação expressa do responsável pelo adimplemento do preço; (iii) "a falta da identificação do
quantum na cláusula que repassa esses encargos não isenta o fornecedor de colocar à disposição dos
promitentes compradores toda a documentação detalhada relativa a essas despesas, no momento da sua
cobrança, para fins de demonstrar a higidez dos valores cobrados"; e (iv) "nada impede que, a depender
do caso concreto, o consumidor alegue eventual abusividade dessa tarifa, caso os valores cobrados a esse
título se mostrem excessivos ou desproporcionais ultrapassando o que seria razoavelmente esperado no
contexto da relação contratual".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Pesquisa Pronta / DIREITO DO CONSUMIDOR - DIREITOS DO CONSUMIDOR
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
QUARTA TURMA
PROCESSO REsp 2.173.636-MT, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 10/12/2024, DJEN 18/12/2024.
TEMA Ação de indenização por erro médico. Cirurgia plástica estética não
reparadora. Resultado desarmonioso segundo o senso comum.
Responsabilidade subjetiva. Inversão do ônus da prova. Inexistência
de causa excludente de responsabilidade. Dever de indenizar
configurado.
DESTAQUE
Inicialmente, cumpre registrar que, em se tratando de cirurgia plástica estética não reparadora,
existe consenso na jurisprudência e na doutrina de que se trata de obrigação de resultado. Diante do que
disposto no art. 14, § 4º, do Código de Defesa do Consumidor (CDC), a responsabilidade dos cirurgiões
plásticos estéticos é subjetiva, havendo presunção de culpa, com inversão do ônus da prova.
Ademais, o uso da técnica adequada na cirurgia estética não é suficiente para isentar o médico
de culpa, nos casos em que o resultado da operação não foi aquele desejado pelo paciente. Assim, nessas
situações, com a inversão do ônus da prova, entende-se que a culpa do médico seria presumida e a ele
caberia elidir essa presunção, mediante prova de ocorrência de algum fator imponderável, apto a eximi-lo
do seu dever de indenizar por não ter alcançado o resultado pretendido com a cirurgia, tais como caso
fortuito, força maior ou culpa exclusiva da vítima.
Embora o art. 6º, inciso VIII, do CDC seja aplicado aos cirurgiões plásticos, a inversão do ônus
da prova, prevista neste dispositivo, não se destina apenas à comprovação de fator imponderável que
possa ter contribuído para o resultado negativo da cirurgia, mas, principalmente, autoriza que o cirurgião
faça prova do resultado satisfatório alcançado, segundo o senso comum, e não segundo os critérios
subjetivos de cada paciente.
Logo, em se tratando de cirurgia plástica estética não reparadora, quando não tiver sido
verificada imperícia, negligência ou imprudência do médico, mas o resultado alcançado não tiver
agradado o paciente, somente se pode presumir a culpa do profissional se o resultado for desarmonioso,
segundo o senso comum.
No caso, como as mamas da recorrida não ficaram em situação esteticamente melhor do que a
existente antes da cirurgia, ainda que se considere que o cirurgião plástico tenha feito uso de técnica
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
adequada, como (i) ele não comprovou que o resultado negativo da cirurgia tenha se dado por algum
fator alheio à sua vontade, a exemplo de reação inesperada do organismo da paciente e (ii) como esse
resultado foi insatisfatório, segundo o senso comum, há dever de indenizar neste caso.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 491
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
O processo de insolvência, em sua primeira fase, visa aferir o estado de insolvência do devedor
apto a dar início a uma execução coletiva, momento em que possui estrutura de processo de
conhecimento. Somente na segunda fase, caso demonstrada a insolvência, é que o processo se torna
propriamente executivo, formando a massa ativa da insolvência.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 604
Informativo de Jurisprudência n. 76
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
QUINTA TURMA
PROCESSO REsp 2.162.562-SE, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, por
unanimidade, julgado em 3/12/2024, DJEN 20/12/2024.
DESTAQUE
Na hipótese, verifica-se o Tribunal de origem pontuou que "o feito foi originariamente
distribuído para o Juizado Especial Criminal, que declinou da competência" e que "Recebidos os autos
pelo Juízo de Direito da Vara Criminal, entendeu que somente devem ser processadas e julgadas pela
Vara Criminal as infrações penais (crimes e contravenções) praticadas em desfavor de criança, de
adolescente ou de idoso, em situação de vulnerabilidade, nas quais a Lei comine pena máxima superior a
2 anos".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
O tema foi examinado pela primeira vez pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), no julgamento do AgRg no RHC 143.169/RJ, em que foi esclarecido que a finalidade da
documentação das hashes é permitir a comparação posterior entre os arquivos. A simples existência da
hash não permite concluir que o arquivo apresentado é autêntico e íntegro: para se auditar essas
características, é necessário comparar a hash do arquivo espelhado com a daquele apresentado no
processo.
No caso, seria necessário comparar, então, pelo menos as hashes dos arquivos disponibilizados
à defesa em nuvem, no link enviado pelo Ministério Público, com as hashes daqueles constantes dos HDs
de origem e do "HD do Fisco", onde foram armazenados. Sendo idênticos os códigos, aí sim poderíamos
concluir que os arquivos constantes nesses suportes são também idênticos. Como a acusação e o juízo de
origem se recusaram a adotar esse procedimento, há um prejuízo concreto à confiabilidade da prova,
porque não há como saber se os arquivos são, de fato, os mesmos.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
Além disso, na situação sob análise, há um fato incontroverso: Ministério Público, juízo singular
e acórdão recorrido reconhecem que parte do material apreendido é absolutamente inacessível, porque
seus arquivos foram corrompidos por "algum tipo de erro", que se acredita ter acontecido no momento
da extração dos dados na busca e apreensão. O problema principal da causa está, dessarte, na ofensa à
integralidade da prova.
Todos os agentes processuais reconhecem que a defesa não tem acesso à integralidade do
material, pois parte dos arquivos foi irremediavelmente perdida, por algum erro desconhecido. Não se
sabe qual parte dos arquivos é essa, se ela fomentaria uma elucidação melhor dos fatos ou mesmo se ela
corroboraria alguma linha fática defensiva. Por exclusiva responsabilidade do Estado, essa informação se
perdeu, e não há como acessá-la.
Em resumo, a prova digital está incompleta. Considerando que parte das conversas se perdeu
por responsabilidade exclusiva do Estado, quando esses dados estavam em sua custódia, é ônus do
Estado arcar com as repercussões jurídicas da incompletude da prova. Isso porque, se o remanescente da
interceptação fosse admitido em juízo, pairariam eternamente dúvidas muito relevantes sobre o conjunto
probatório.
Assim, mantendo íntegra e coerente jurisprudência desta Corte Especial, como manda o art.
926 do Código de Processo Civil (CPC), deve-se aplicar aqui a mesma solução dada no AgRg no RHC
143.169/RJ, em 2023, e ao HC 160.662/RJ, em 2014, no sentido da inadmissibilidade da prova digital que
não atende a requisitos mínimos de confiabilidade.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 811
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/26
Informativo de Jurisprudência n. 838 4 de fevereiro de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/26