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A Desculpa e a Culpa na Vida Emocional

O capítulo explora a gestão emocional na infância e como a culpa e as desculpas se entrelaçam na vida adulta, levando à negação e vitimismo. O autor enfatiza a importância da auto responsabilidade e do reconhecimento dos próprios erros como caminho para a evolução pessoal. A reflexão sobre o livre-arbítrio e a espiritualidade é apresentada como uma forma de entender e enfrentar as adversidades da vida.

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A Desculpa e a Culpa na Vida Emocional

O capítulo explora a gestão emocional na infância e como a culpa e as desculpas se entrelaçam na vida adulta, levando à negação e vitimismo. O autor enfatiza a importância da auto responsabilidade e do reconhecimento dos próprios erros como caminho para a evolução pessoal. A reflexão sobre o livre-arbítrio e a espiritualidade é apresentada como uma forma de entender e enfrentar as adversidades da vida.

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Capítulo 1 A Desculpa culpa

Quando eu era criança, com cerca de sete ou oito anos, durante o


segundo ano do ensino fundamental, sempre fui alguém que
desafiava as regras. Eu parecia uma panela de pressão prestes a
explodir a qualquer momento. Minha inteligência emocional era o que
as pessoas chamam de "pavio curto". No recreio, uma tradição entre
os meninos era brincar de "voadora". Para aqueles que não tiveram
uma infância tão agitada quanto a minha, deixe-me explicar como
funciona essa brincadeira: basicamente, todos correm em direções
opostas e em círculos, tentando dar um chute na barriga um do outro
quando se encontram.

Naquele dia em questão, eu não estava participando, o que era de se


impressionar. Estava em pé ao lado da entrada da sala quando, de
repente, levei um chute na barriga. Tudo o que consegui sentir foi
uma dor insuportável. Quando finalmente recuperei o fôlego e minha
visão clareou, vi Joaquim, um colega de classe, rindo à minha frente.
A dor logo se transformou em raiva. Não me lembro de ter sido
consciente das minhas ações naquele momento, mas acabei dando
um soco tão forte no rosto de dele que seu nariz começou a sangrar
instantaneamente.

Ele ficou desesperado, tentando estancar o sangue, mas sem


sucesso. Isso atraiu a atenção da nossa professora, que me culpou
pelo incidente e me fez pedir desculpas. Curiosamente, meu colega
nunca mais me deu um chute na brincadeira da voadora, e nem ficou
ressentido pelo que aconteceu.

Lembro-me vividamente do sentimento que tive após pedir


desculpas. Era como se uma leveza extasiante tomasse conta do meu
corpo. A dor que senti já não importava mais. O incidente estava no
passado e Joaquim era meu amigo novamente.

Compartilhei essa história porque ela ilustra como nossa gestão


emocional é diferente na infância. À medida que envelhecemos e
enfrentamos diversas experiências, sejam elas físicas ou emocionais;
Nossa percepção e reação às situações mudam.

À medida que crescemos, acumulamos certezas e verdades baseadas


em nossas experiências de vida. No entanto, muitas vezes, essas
convicções podem se tornar uma bola de neve gigantesca que,
inevitavelmente, nos prejudica.
Se eu te dissesse que ao longo de toda nossa vida, fomos ensinados
de maneira equivocada - sobre quem somos e qual o propósito da
nossa existência neste mundo - você acreditaria? Vou detalhar esse
conceito mais adiante, mas por agora, peço que mantenha a mente
aberta e reflita comigo.

Quando enfrentamos situações difíceis, adversidades, problemas,


dores, desilusões, traumas - eventos que fogem do nosso controle e
dão errado - você consegue se lembrar de ter mantido a inteligência
emocional para compreender esses acontecimentos da forma
correta?

Muitas vezes, diante de falhas ou situações adversas, temos o hábito


de encontrar desculpas para justificar esses problemas. Para ilustrar,
considere a seguinte frase: ‘’Não consegui passar naquele concurso
porque não caiu o tema que estudei’’ Aqui, vemos uma pessoa
desiludida que acredita que, por ter estudado, o tema que se dedicou
a aprender deveria ter sido abordado na prova. Isso a leva a um
padrão de pensamento que a mantém em sua zona de conforto,
criando automaticamente uma justificativa para seu fracasso.

À medida que enfrentamos mais situações semelhantes, novos


padrões de pensamento surgem, como a culpa. A desculpa e a culpa
frequentemente caminham juntas e são aliadas poderosas. A
desculpa busca encontrar o problema no mundo exterior, enquanto a
culpa atribui o problema a outros. Por exemplo: ‘’Odeio essa
faculdade, só estou cursando por conta do meu pai’’ Aqui, podemos
ver claramente esse padrão de pensamento em ação. Não culpamos
a faculdade, mas sim o pai por insistir que o filho siga essa formação.

É nesse ponto que caímos em armadilhas emocionais extremamente


prejudiciais. Persistir nesse padrão nos leva a uma vida de negação e
vitimismo, nos colocando em uma posição extremamente covarde
que nos afunda ainda mais.

Agora, vamos direto ao cerne do problema: muitas vezes, não


assumimos o controle e a responsabilidade por nossas próprias vidas.
Não nos foi ensinado que, se enfrentamos um problema - mesmo que
influenciado por situações adversas ou outras pessoas - ele é
exclusivamente nosso, pois diz respeito apenas a nós mesmos.

Por exemplo, se você se dedicou a estudar e escolheu os conteúdos


que acreditava que cairiam na prova, mas não conseguiu passar, o
problema não está no elaborador do teste, mas sim em você, que não
selecionou os assuntos corretos para estudar. Da mesma forma, se
você odeia sua faculdade e não gosta de cursá-la, o problema está
em você por permitir que outra pessoa tome decisões sobre sua vida.
Vamos refletir novamente juntos: quem será o prejudicado nessa
história toda? O elaborador que não tem nada a ver com os assuntos
que você escolheu, ou você, que perdeu tempo estudando o que não
era relevante? E em relação à sua formação, quem será o profissional
extremamente frustrado e infeliz por não ter escolhido o que gosta -
você ou seu pai?

Muitas vezes, perdemos a noção de que tudo o que sentimos e


pensamos revela mais sobre nós mesmos do que sobre o mundo e as
pessoas ao nosso redor. Se nos sentimos insatisfeitos, frequentamos
lugares que odiamos e compartilhamos nossa energia com pessoas
extremamente negativas, muitas vezes colocamos a culpa nos outros.
Quando nos damos conta, estamos apontando o dedo e encontrando
o errado da história.

Deixe-me compartilhar algo que raramente é ensinado durante a


vida: somos responsáveis por praticamente tudo o que acontece em
nossas vidas, tanto o bom quanto o ruim, e as vezes até em situações
que não estão sob nosso controle. Assumir isso significa reconhecer
que você é o único que pode mudar seu destino, fazer o bem a si
mesmo e tornar sua jornada neste mundo extraordinária.

Chega um momento em que a conta chega, e nos encontramos


tristes por não estarmos satisfeitos com nossas vidas. Entramos em
um ciclo de sofrimento e autocondescendência. E então? O que fazer?

Devemos nos libertar da nossa cegueira e encarar a verdade. O


grande vilão da história é fácil de identificar, basta olhar no espelho.
Mas, aviso desde já: a verdade dói muito mais do que imaginamos
suportar. Assumir que não alcançamos os resultados desejados
porque não somos tão bons quanto pensávamos é difícil. Reconhecer
que, se trabalhamos em um ambiente explorador e abusivo, a culpa
não está apenas no empregador, mas em nós por permitirmos isso, é
desafiador. No entanto, a dor transforma. Ela nós torna mais fortes.
Quando começamos a apreciá-la e reconhecer seu valor na nossa
evolução, as consequências são extraordinárias.

Olhe profundamente para si mesmo. Identifique os pontos negativos e


os erros que está cometendo. Deixe esse sentimento tomar conta do
seu coração e perdoe a si mesmo. Você fez o melhor que pôde com o
que tinha. Reconheça sua falta de consciência nesses
acontecimentos. Reconstrua tudo isso. Sinta a força que vem de
reconhecer seus erros. Esteja consciente e vigilante para colocar isso
em prática todos os dias, até que se torne uma crença sólida em sua
mente. Escolha plantar a semente correta.

Ao começar a cuidar de si mesmo, desperte esse poder adormecido


que sempre esteve dentro de você, esperando para se manifestar.
Isso se chama auto responsabilidade: encontrar o caminho para uma
vida próspera assumindo o dever de nossas próprias ações.

Agora que adentramos a parte mais complexa deste capítulo,


prepare-se para questionar todo o conceito que até então tínhamos
sobre controle e livre arbítrio. Porém, antes de entrarmos em pânico,
chegaremos a uma conclusão.

Na neurociência, deparamo-nos com um estudo que trata de um fator


intrigante em nosso cérebro chamado de Ontogenético. Mas o que
isso significa? Basicamente, temos determinadas respostas que são
emitidas por comportamentos. Essas respostas são então filtradas por
reações reforçadoras ou punitivas, e aquelas que se mostram
adaptativas são perpetuadas pela Neuroplasticidade.

Para ilustrar, imagine alguém que adora contar piadas de teor


duvidoso e possui um grupo de amigos que se delicia com cada uma
delas, rindo até perder o fôlego e o aclamando como uma verdadeira
estrela. Nesse cenário, as piadas desse tipo se tornam a resposta
comportamental, enquanto o grupo de amigos serve como o filtro
reforçador. Assim, a Neuroplasticidade entra em ação, reforçando a
tendência de contar mais piadas semelhantes no futuro.

Entretanto, ao se deparar com um ambiente social diferente, onde


tais piadas não são bem recebidas e, ao contrário, resultam em
julgamento e humilhação, ocorre uma mudança drástica. Agora, a
resposta comportamental passa pelo filtro punitivo, criando duas
vertentes em sua mente a respeito da mesma ação. Logicamente, no
futuro, você tenderá a ter mais cuidado ao escolher os ambientes
para contar esse tipo de piada.

É importante ressaltar que você é um ser influenciado por estímulos e


que responde ao mundo ao seu redor. Muitas vezes, suas reações e
comportamentos não são culpa sua, pois podem carecer de
referências prévias para lidar com determinadas situações.

Assim, para evitar uma interpretação equivocada da


autoresponsabilidade, é crucial enfatizar que ela não deve ser uma
voz acusatória constante, apontando o dedo e culpando-o
incessantemente. Isso, definitivamente, não contribui para a sua
saúde mental.

Meu objetivo aqui é mostrar que podemos compreender melhor como


o jogo da vida funciona, buscando mais paz em diversos momentos.
Ao entender que agora possui conhecimento sobre isso, você terá a
oportunidade de ligar os neurônios em sua mente, enxergando o
mundo por uma nova perspectiva.
Então, se em muitas situações eu não possuo o controle e mesmo
assim sou responsável pelo que acontece, o que devo fazer? Esteja
preparado. É impossível não enfrentar erros, decepções e desacertos;
esses são aspectos naturais da vida. No entanto, como nós lidamos
com essas situações é o que realmente importa.

Adquirindo conhecimento, você deixa de ser um mero ignorante e


passa a ter mais embasamento no que fala, evitando assim tornar-se
alvo de chacotas, ignorância ou julgamentos frequentes. E caso isso
ocorra, você não apontará o dedo para ninguém; em vez disso, olhará
para si mesmo e compreenderá que está tudo bem. Pensará: ‘’Não
busquei conhecimento suficiente, não procurei pessoas que
entendessem mais que eu. É minha responsabilidade lidar com essas
consequências’’

Compreenda que essa situação desencadeou uma nova conexão no


seu cérebro, proporcionando-lhe agora a percepção de quão
desorientado você estava sobre o que estava dizendo ou fazendo
naquele momento. Não existem culpados, apenas um adulto
responsável determinado a transformar sua realidade. Encare a
situação como uma oportunidade, agradecendo por ela ter ocorrido. E
se surgir qualquer sentimento prejudicial à sua mente, lembre-se
sempre das sinapses se formando e absorvendo novas informações.
Você é como um macaquinho recebendo estímulos; não culpe os
outros, não se culpe, apenas assuma a responsabilidade.

Ao nos prepararmos dessa maneira, acumulamos uma bagagem que


serve de exemplo para os outros! Não sei qual é sua situação, nem o
que você faz na vida, mas recomendo que busque por experiências,
conheça pessoas, faça cursos, busque mentorias e leia livros para
entender mais sobre o mundo e, acima de tudo, sobre sua própria
verdade. Isso irá evitar diversos problemas na sua relação com as
pessoas e principalmente aqueles que mais prejudicam, a nós
mesmos.
Essa percepção distorcida da realidade é como uma vozinha
persistente em nossa mente, começando de forma sutil e
gradualmente aumentando de volume, especialmente quando as
coisas não saem como esperado.

Quando enfrentamos contratempos, falhas e desilusões, essa voz


interior começa a fornecer desculpas: "Não passei naquele concurso
porque o conteúdo que estudei não caiu na prova", "Não consigo me
concentrar nos estudos porque me distraio facilmente", "Não consigo
emagrecer porque meu metabolismo é lento". Poderíamos listar
inúmeras desculpas que as pessoas dão a si mesmas.

Porém, devemos avançar para a segunda parte desse ciclo


desafiador: a culpa. Desculpas e culpa andam de mãos dadas,
formando uma aliança poderosa. Quando nos cansamos de dar
desculpas a nós mesmos, começamos a procurar culpados para
nossos problemas. "Odeio essa faculdade, estou apenas cursando por
causa do meu pai", "Não gosto de trabalhar além do horário, mas
meu chefe exige". Observe como a voz interior já não se concentra
mais em você; você não é mais o responsável pelo caos em sua vida.
Agora, a culpa é atribuída à sua mãe, sua namorada, ao pastor, ao
motorista do ônibus e a outros.

Essa narrativa distorcida nos afasta da responsabilidade pessoal e


nos impede de enfrentar e resolver nossos próprios desafios. Para
verdadeiramente evoluirmos, devemos aprender a reconhecer e
desafiar essa voz interior, assumir a responsabilidade por nossas
escolhas e ações, e buscar soluções construtivas para nossos
problemas.

Há um poder mágico em assumir a responsabilidade por sua própria


vida. Embora pareça um conceito simples, na prática é
completamente diferente. Encarar a realidade de que você não está
satisfeito com seu corpo porque foi negligente e não cultivou
disciplina é doloroso. É muito mais confortável encontrar um culpado
para seus problemas.

Mas se você busca evolução, é preciso internalizar uma ideia


fundamental: a dor fortalece. Você já ouviu a frase "o que não te
mata te torna mais forte"? É exatamente esse o conceito que quero
que você compreenda. As horas na academia, o suor, as dores no
corpo, a luta para manter a disciplina - tudo isso se traduz em um
corpo saudável e esteticamente agradável.

Os erros que você comete em seus projetos são oportunidades de


aprender e encontrar soluções para avançar. E não se iluda, você não
precisa errar apenas uma vez para acertar. Muitas vezes, é
necessário errar repetidamente até alcançar o sucesso.

Quando as coisas dão errado, você tem duas opções: tentar


novamente ou se lamentar. Lembre-se: o plantio é opcional, mas a
colheita é obrigatória. A cada momento, estamos semeando algo para
nossas vidas.

Se estudou por 3 meses e não passou na faculdade dos sonhos,


significa que não estava preparado e não merecia, simples assim. O
mesmo vale para 6 meses, 1 ano e assim por diante. A persistência e
a consistência levam a patamares mais altos do que se imagina.
Compreender isso é fácil, mas lidar com as adversidades com
inteligência emocional é o verdadeiro desafio.

Muitas vezes, tudo parece dar errado. Coisas acontecem fora do


nosso controle e nos perguntamos o motivo. Nos questionamos sobre
o que fizemos de errado. Podemos nos deparar com doenças, perdas
de entes queridos, traições de quem mais confiávamos. Às vezes,
enfrentamos traumas devido a um lar conturbado em que nascemos.
Essas são situações que fogem do nosso entendimento de controle.

Entretanto, há um conceito que pode transformar nossa perspectiva,


assim como transformou a minha. E quero deixar claro desde já que
você só absorverá essa ideia se desejar! O livre-arbítrio nos dá a
oportunidade de escolher os caminhos que queremos seguir ou não.
Não estou tentando impor nada a você.

Com isso em mente, o que esclareceu tudo para mim foi a


espiritualidade e a crença em Deus. No espiritismo, há um conceito
intrigante sobre a mediunidade. Se você nasceu com ela, não é um
dom, mas sim um fardo. Isso significa que em uma vida anterior você
acumulou débitos, e agora tem a oportunidade de quitá-los nesta
vida. Quando enxergamos as coisas dessa maneira, tudo se torna
mais claro.

Isso explica por que algumas pessoas nascem em berços de ouro na


Inglaterra, enquanto outras nascem como moradores de rua na Síria.
A meritocracia existe. Quando reconhecemos sua existência e
entendemos que Deus não erra, percebemos que temos exatamente
o que merecemos.

Então, ao invés de condenar o mundo, tudo e todos quando as coisas


dão errado, podemos agradecer. Provavelmente, estamos apenas
acertando contas com o passado. Isso nos dá um poder magnífico
para continuar persistindo apesar das adversidades.

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